A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
117 pág.
Apostila Direito das Obrigações - UGF[1]

Pré-visualização | Página 6 de 22

o 
desfazimento, respondendo por perdas e danos (art. 251, caput. ―Praticado pelo 
devedor o ato, a cuja abstenção se obrigara, o credor pode exigir dele que o 
desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo o culpado perdas e 
danos.‖). Deve-se anotar que o inadimplemento coincide com a mora (art. 390 
―Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplente desde o dia em 
que executou o ato de que se devia abster.‖), ficando depois o devedor sujeito ao 
desfazimento do ato (execução específica), além de arcar com indenização por 
danos e perdas. Não se pode atingir a subjetividade do devedor, ou seja, a 
 
Professor Marcio Rodrigues Oliveira – Disciplina: Direito das Obrigações 
 
28 
obtenção da ordem judicial e a sua execução não se concretizam jamais com 
constrangimento pessoal, ante o princípio referido. Assim sendo, o desfazimento 
por terceiro, às custas do devedor, quando fungível a prestação, é a solução. 
 
5.3.4 Obrigações alternativas 
 
Obrigação alternativa (ou disjuntiva) é aquela composta de 
prestações diferentes, liberando-se, no entanto, o devedor com o cumprimento de 
apenas uma e à sua escolha. Constitui obrigação complexa (ou composta), em 
que a tônica reside na faculdade que tem o devedor, à vista da multiplicidade de 
prestações, de eleger a que pretende cumprir, definindo-se, com a escolha, o 
objeto respectivo. 
Distancia-se das obrigações simples, ou seja, aquelas formadas com 
apenas uma prestação, pois nestas ao devedor cabe cumprir o avençado, nos 
exatos termos ajustados. Separa-se também das conjuntivas ou cumulativas, eis 
que, embora presente o requisito comum da pluralidade de prestações, nestas, ao 
devedor compete realizar todas, sem escolha. Ocorre, em verdade, na obrigação 
alternativa, concentração em uma das prestações, no ato da escolha, com cuja 
execução se exonera o devedor do vínculo. 
Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, salvo 
estipulação em contrário (art. 252. ―Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao 
devedor, se outra coisa não se estipulou.‖). É a regra geral, em consonância com 
a posição de defesa da parte mais fraca economicamente e para possibilitar-lhe 
mais conforto no cumprimento do ajustado. Mas ao credor pode também ser 
 
Professor Marcio Rodrigues Oliveira – Disciplina: Direito das Obrigações 
 
29 
deferida a escolha, por acordo expresso entre as partes, ou por força de norma 
legal, observando-se sempre o prazo previsto para a definição da res. 
A escolha denomina-se concentração, não se exigindo forma especial 
e, em qualquer caso, cumpre registrar que, não havendo prazo, o titular deve ser 
notificado para o seu exercício. 
Quanto à impossibilidade das prestações, surgem várias situações, a 
saber: se todas se tornarem inexeqüíveis, ou impossíveis, sem culpa do devedor, 
extingue-se a obrigação (art. 256. ―Se todas as prestações se tornarem 
impossíveis sem culpa do devedor, extinguir-se-á a obrigação.‖); se apenas uma, 
subsistem as demais (art. 253. ―Se uma das duas prestações não puder ser objeto 
de obrigação ou se tornada inexeqüível, subsistirá o débito quanto à outra.‖). Na 
impossibilidade total, cumpre verificar-se se há, ou não, participação volitiva do 
devedor na causação, para a sua liberação ante o perecimento do objeto, em 
consonância, aliás, com a própria natureza das coisas. 
Se há culpa de qualquer das partes, prevendo-se, de início, que, se não 
foi possível o cumprimento de nenhuma das prestações por culpa do devedor, não 
competindo ao credor à escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor da 
prestação que por último se impossibilitou, bem como as perdas e danos havidos 
(art. 254. ―Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das 
prestações, não competindo ao credor à escolha, ficará aquele obrigado a pagar o 
valor da que por último se impossibilitou, mais as perdas e danos que o caso 
determinar.‖). Mas, se a escolha couber ao credor e uma das prestações vier a 
impossibilitar-se por culpa do devedor, terá aquele o direito de optar entre a 
prestação subsistente ou o valor da outra, mais as perdas e danos. Se ambas as 
prestações se tornarem inexeqüíveis, ao credor caberá reclamar o valor de 
 
Professor Marcio Rodrigues Oliveira – Disciplina: Direito das Obrigações 
 
30 
qualquer das duas, mais as perdas e danos (art. 255. ―Quando a escolha couber 
ao credor e uma das prestações tornar-se impossível por culpa do devedor, o 
credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra, com 
perdas e danos; se, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem 
inexeqüíveis, poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas, além da 
indenização por perdas e danos.‖). 
 
5.3.5 Obrigações divisíveis e indivisíveis 
Divisíveis são aquelas que permitem a satisfação por partes, enquanto 
as indivisíveis somente podem ser cumpridas por inteiro. A classificação toma em 
conta, pois, a prestação (CC, arts. 87 e 88 ), in verbis: 
 ―Art. 87. Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem 
alteração na sua substância, diminuição considerável de 
valor, ou prejuízo do uso a que se destinam.‖ 
 ―Art. 88. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se 
indivisíveis por determinação da lei ou por vontade das 
partes.‖ 
Nas obrigações divisíveis, existem tantas relações independentes 
quantos sejam os credores, ou os devedores: cada um é titular de uma parte, em 
consonância com a regra concurcu partes fiunt. Nas indivisíveis, cada um 
responde pelo todo, sub-rogando-se nos direitos do credor contra os demais, e, de 
 
Professor Marcio Rodrigues Oliveira – Disciplina: Direito das Obrigações 
 
31 
outro lado, cada credor tem direito pelo todo, devendo repartir com os demais o 
resultado obtido. 
A indivisibilidade pode decorrer da natureza da coisa, da lei, da vontade 
das partes ou de decisão judicial. 
A distinção quanto à divisibilidade ganha relevo apenas na hipótese de 
pluralidade de credores, ou de devedores, para efeito de determinar-se a 
exigibilidade ou a responsabilidade, em função dos pólos correspondentes: assim, 
sendo indivisível, cada credor, ou cada devedor, está apto a cobrar ou a arcar com 
o ônus, ou então todos os credores podem, ao mesmo tempo, desejar o 
cumprimento a que todos os devedores se submetem; ao reverso, sendo 
indivisível, cada credor faz jus a uma parte e a cada devedor compete suportar a 
sua parte na dívida. 
Mesmo que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, não pode 
haver pagamento por partes, se assim não for convencionado (art. 314. ―Ainda 
que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, não pode o credor ser 
obrigado a receber, nem o devedor a pagar, por partes, se assim não se ajustou.‖ 
CC). Consagra, pois, a regra geral da indivisibilidade, admitindo estipulação em 
contrário. 
Em caso de pluralidade de devedor, ou de credor em obrigação 
divisível, presume-se esta dividida em tantas obrigações iguais, ou distintas, 
quanto a credores ou devedores (art. 257 CC. ―Havendo mais de um devedor ou 
mais de um credor em obrigação divisível, esta presume-se dividida em tantas 
obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores.‖). Prevalece o 
fracionamento e cada um só pode exigir a sua parte, ou deve pagar a sua cota, 
com as conseqüências próprias. 
 
Professor Marcio Rodrigues Oliveira – Disciplina: Direito das Obrigações 
 
32 
Na pluralidade de partes com indivisibilidade, reza o Código que, 
havendo dois ou mais devedores e não sendo divisível a prestação, cada um será 
obrigado pela dívida toda (art. 259. ―Se, havendo dois ou mais devedores, a 
prestação não for divisível,