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Apostila Direito das Obrigações - UGF[1]

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cada um será obrigado pela dívida toda.‖). Mas o 
devedor que pagar o débito sub-roga-se não direito do credor em relação aos 
outros coobrigados (art. 259, parágrafo único. ―Se, havendo dois ou mais 
devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda. 
Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor 
em relação aos outros coobrigados.‖). 
Quanto ao devedor, desobriga-se mediante pagamento a todos 
conjuntamente, ou a um, dando este caução de ratificação dos outros credores 
(art. 260, caput, ―Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir 
a dívida inteira; mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando:‖). Se um 
dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos outros cabe o direito 
de dele exigir em dinheiro a parte correspondente no total (art. 261 CC, ―Se um só 
dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos outros assistirá o 
direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total.‖). Se um dos 
credores remitir a dívida, prosseguirá a obrigação com os demais, que, no entanto, 
só a poderão exigir descontada a cota do remitente (art. 262. ―Se um dos credores 
remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros; mas estes só a 
poderão exigir, descontada a quota do credor remitente.‖) 
Perde a indivisibilidade a obrigação que se resolver em perdas e danos 
(art. 263, caput CC). Se houver culpa dos devedores, todos responderão por 
partes iguais (§ 1o); sendo de um só a culpa, exonerar-se-ão os demais, 
respondendo o infrator pelas perdas e danos (art. 263). 
 
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―Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se 
resolver em perdas e danos. 
 § 1o Se, para efeito do disposto neste artigo, houver 
culpa de todos os devedores, responderão todos por partes 
iguais.‖ 
 
5.3.6 Obrigações solidárias 
 
Obrigações solidárias são aquelas em que existem vários credores, ou 
vários devedores, cada qual com direito, ou obrigado, à dívida toda. Nessas 
obrigações, embora haja pluralidade de sujeitos, cada qual representa a 
totalidade, seja ativa, seja passivamente. Unifica-se, assim, a multiplicidade, de 
modo que o recebimento por um credor libera o devedor dos outros, e vice-versa, 
o pagamento feito pelo devedor importa em quitação para os demais, junto aos 
credores, prosperando, entre si, o direito de regresso. 
Caracteriza-se, pois, o instituto pela existência de vários credores ou de 
vários devedores, unidos de tal sorte, contratual ou legalmente. 
Distingue-se a obrigação solidária da indivisível, principalmente porque 
a primeira envolve pessoas no relacionamento recíproco; a indivisibilidade deflui 
da natureza da prestação, podendo ser convencionada, mas sempre em razão do 
objeto; a solidariedade encontra-se ínsita no título constitutivo da obrigação; 
prevalece na hipótese de conversão da obrigação em perdas e danos e extingue-
se com a morte de um dos credores ou de um dos devedores. Na solidariedade, 
 
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todos os devedores respondem por juros de mora no inadimplemento, 
aproveitando, outrossim, a todos a interrupção da prescrição por um dos credores. 
A solidariedade não se presume, pois resulta da lei ou da vontade das 
partes (art. 265 CC, ―A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade 
das partes.‖), definindo-a como aquela em que existe, na mesma obrigação, 
concorrência de credores ou de devedores, com direito, ou com obrigação, sobre 
o débito todo. 
Comporta essa figura elementos acidentais em qualquer das posições, 
de sorte que pode ser pura e simples para um dos co-credores ou co-devedores, e 
condicional, ou a prazo, para o outro (art. 266. ―A obrigação solidária pode ser 
pura e simples para um dos co-credores ou co-devedores, e condicional, ou a 
prazo, ou pagável em lugar diferente, para o outro.‖). 
A solidariedade mais comum é a de devedores, dentro da noção de 
reforço que a submissão de vários patrimônios a um mesmo débito possibilita, 
mesmo se divisível a res. 
São reguladas separadamente as duas espécies, embora exista um 
núcleo normativo comum, preocupando-se mais o legislador com a solidariedade 
passiva, dada a larga aplicação que possui em vários campos de relações 
privadas. 
Obs.: A assunção de dívida 
A assunção de dívida constitui negócio jurídico bilateral, como a cessão, a que se 
assemelha, em sua estruturação, com certas peculiaridades. 
 
Permite-se, com esse negócio, a inserção de terceira pessoa na 
obrigação, para substituir o devedor, a qual assume a sua posição jurídica, sem 
 
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que se altere a obrigação, mas sob consentimento expresso do credor. Com a 
assunção da dívida, são extintas as garantias especiais dadas originariamente ao 
credor, salvo expressa concordância do devedor primitivo. 
O fenômeno provoca, de regra, a liberação, mantido o vínculo com o 
terceiro, com as garantias reais correspondentes. 
 
6. CLÁUSULA PENAL 
 
 A cláusula penal é uma obrigação de natureza acessória. 
 
Por meio desse instituto se insere uma multa na obrigação, para a parte 
que deixar de dar cumprimento ou apenas retardá-lo. De um lado tem a finalidade 
de indenização prévia de perdas e danos, de outro a de penalizar o devedor 
moroso. 
A matéria vem regulada em título referente à modalidade das 
obrigações e o Código atual não define o instituto, que se submete, a priori, a uma 
pena o devedor, se descumprir a obrigação culposamente, ou cumpri-la com 
atraso, tipificado como mora. 
O instituto é utilizado com extrema freqüência nos contratos. 
 
6.1 Compensatória e Moratória 
 A cláusula penal pode se dirigir à inexecução completa da obrigação; 
ao descumprimento de uma ou mais cláusulas do contrato ou ao inadimplemento 
parcial, ou simples mora. 
 
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Quando a multa é aposta para o descumprimento total da obrigação, ou 
de uma de suas cláusulas, a multa é compensatória. Quando se apõe a multa 
para o cumprimento retardado da obrigação, mas ainda útil para o credor, à 
cláusula penal é moratória (art. 409 CC, ―A cláusula penal estipulada 
conjuntamente com a obrigação, ou em ato posterior, pode referir-se à inexecução 
completa da obrigação, à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora.‖). 
A cláusula penal compensatória constitui prefixação de perdas e danos. 
Sua maior vantagem reside no fato de que ao credor basta provar o 
inadimplemento imputável ao devedor, ficando este último obrigado ao pagamento 
da multa estipulada. Não existindo a previsão de multa, deveria o credor como 
regra geral provar a ocorrência de perdas e danos. Na multa, ocorrendo seus 
pressupostos de exigibilidade, ela é devida, sem discussão. 
O credor pode pedir o valor da multa ou o cumprimento da obrigação. O 
devedor pagando a multa, nada mais deve, porque ali já está fixada 
antecipadamente uma indenização pelo descumprimento da obrigação. 
Diferentemente opera a multa pela mora. Pela sua natureza, a 
prestação sempre será útil para o credor. A multa atua como efeito intimidativo 
para que o devedor não atrase no cumprimento de sua avença. Se o fizer, pagará 
a prestação de forma mais onerosa. 
Pela própria natureza da cláusula penal moratória, não há que se 
confundir com a compensatória. Nesta última, se o credor optar pela cobrança da 
multa, não pode cumulá-la com as perdas e danos. 
Na multa