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Apostila Direito das Obrigações - UGF[1]

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compensatória a opção será do credor. Se ele entender que 
seus prejuízos pelo inadimplemento foram mais vultosos que o valor da multa, 
partirá para a via das perdas e danos. Se, por outro lado, entender que a multa lhe 
 
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cobre os prejuízos, ou ainda, se não deseja se submeter a custosa e difícil prova 
de perdas e danos, optará pela cobrança da multa. 
 
6.2 Exigibilidade 
Não há necessidade de que o credor alegue prejuízo para pedir a multa 
(art. 408 CC, ―Incorre de pleno direito o devedor na cláusula penal, desde que, 
culposamente, deixe de cumprir a obrigação ou se constitua em mora.‖) 
Tanto como função punitiva, como de perdas e danos prefixados, sua 
exigência se subordina a fato imputável ao devedor (culpa ou dolo). 
O artigo 416 dispõe que para exigir a pena convencional não há 
necessidade de o autor alegar prejuízo, Assim, a regra geral no nosso estatuto é 
que a cláusula penal é imutável. 
―Art. 416. Para exigir a pena convencional, não é necessário 
que o credor alegue prejuízo.‖ 
Existe, no entanto, o limite na lei: “o valor da cominação imposta na 
cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal” (art. 412). O excesso 
de valor não pode ser exigido. Abre-se, ainda, exceção ao princípio geral, 
permitindo-se ao juiz que reduza o valor da imposição, quando houver 
cumprimento parcial da obrigação ou quando o montante da penalidade for 
excessivo (art. 413. ―A penalidade deve ser reduzida eqüitativamente pelo juiz se a 
obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade 
for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do 
negócio.‖). Trata-se de uma tão-só faculdade do julgador. O juiz poderá reduzir a 
multa. O caso concreto é que vai dar a melhor solução ao julgador. 
 
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Sílvio Rodrigues (1981, v. 2:100) entende que também a multa 
moratória é passível de redução pelo juiz. 
Por outro lado, não se poderá, nunca, tolher ao juiz a faculdade de 
redução da multa, em que pesem opiniões em contrário. A faculdade atribuída ao 
juiz é de ordem pública. Hoje não se encontrará quem defenda o contrário, sob 
pena de se colocar o devedor em situação de extrema inferioridade, mormente 
nos contratos de adesão. 
A Lei de Usura, Decreto no 22.626, de 07-04-1993 estabeleceu que nos 
contratos de mútuo, “as multas ou cláusulas penais, quando convencionadas, 
reputam-se estabelecidas para atender a despesas judiciais e honorários de 
advogado, e não poderão ser exigidas quando não for intentada ação judicial para 
a cobrança da respectiva obrigação” (art. 8o). O artigo 9o do diploma acrescenta 
que o limite da cláusula penal, nos casos tratados pela lei, não pode ser superior a 
10% do valor da dívida. A princípio se entendeu que a Lei de Usura revogara a 
matéria pertinente no Código Civil. Não foi a tese vencedora, porque o Supremo 
Tribunal Federal se posicionou no sentido de que essa lei só atingia aos contratos 
de mútuo (cf. Sílvio Rodrigues, 1981, v. 2:103). A Súmula no 596 do STF: “as 
disposições do Decreto no 22.626/33 não se aplicam às taxas de juros e aos 
outros encargos cobrados nas operações realizadas por instituições públicas ou 
privadas, que integram o sistema financeiro nacional”. Assim, restringir o alcance 
da cláusula penal, como pretendeu inicialmente a lei, é questão obsoleta. 
 
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7. EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES 
 
Diversos são os modos de extinção das obrigações, em função da 
multiplicidade de fatores intervenientes, que, no entanto, podem resumir-se a duas 
categorias básicas: com cumprimento ou sem cumprimento da prestação. A partir 
da doutrina, podem-se enumerar, na primeira hipótese, as seguintes situações: 
extinção por execução normal pelo devedor, ou por terceiro, e execução indireta 
através de meios técnicos (doação, compensação, consignação, remissão etc.). 
Na segunda tem-se: a prescrição; a impossibilidade da prestação; o implemento 
de condição ou de termo; a força de lei; a força de acordo entre as partes. 
A extinção pode estar relacionada a fatos das partes, a situações 
naturais ou acidentais, a ações de terceiros, enfim, a causas diversas, sujeitando-
se em cada plano a conseqüências próprias. 
No âmbito do Direito das Obrigações, estuda-se as questões referentes 
ao cumprimento direto, ao indireto e as relativas ao descumprimento. Das figuras 
que acarretam indiretamente a extinção de obrigações, posições especiais 
ocupam a transação (CC, arts. 840 e segs.) e a arbitragem. 
Na extinção com cumprimento a satisfação natural dos interesses em 
jogo é alcançada pela execução da prestação na forma ajustada. Assim, a 
execução direta pelo devedor, nos termos ajustados, é o modo natural, ou normal, 
de extinção da obrigação. 
Em razão da interpolação de elementos outros, estranhos ou mesmo 
relacionados às partes, pode-se chegar ao cumprimento por modos indiretos, ou 
por expedientes técnicos, diversos da execução natural. 
 
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Por fim, a impossibilidade da prestação, em função de força maior, ou 
caso fortuito, e os outros fatores descritos, também operam a extinção de 
obrigações, mas especialmente em consonância com a Teoria Geral do Direito 
Civil. 
 
7.1 O pagamento 
O pagamento é, pois, o meio normal de extinção das obrigações. No 
sentido estritamente técnico e tal como está nos artigos 304 e seguintes do 
Código, é toda forma de cumprimento da obrigação. Trata-se da solutio, solução 
do velho direito. A obrigação, a dívida solve-se, resolve-se, paga-se. 
O pagamento é verdadeiro negócio jurídico, já que as partes fazem dele 
um meio de verdadeiramente extinguir a obrigação, inserindo-se no conceito do 
artigo 81 do Código, sendo assim, pode-se assemelhar a um contrato, se bilateral. 
Mas pode ocorrer sem o concurso da vontade do accipiens (o que deve receber o 
pagamento), na atividade de cumprimento da obrigação por parte do solvens (o 
que efetua o pagamento). 
 
7.2 Pagamento por consignação 
 
O devedor, e não apenas o credor, também tem interesse no sentido de 
que a obrigação seja extinta. Não pagando o devedor no tempo, local e forma 
devidos, sujeitar-se-á aos ônus da mora. Ainda, se sua obrigação consistir na 
 
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entrega de coisa, enquanto não houver a tradição o devedor é responsável pela 
guarda respondendo por sua perda ou deterioração. 
Se o credor não toma a iniciativa de receber, ou pretende receber de 
forma diversa do contratado, ou quando não é conhecido o paradeiro do credor, o 
devedor tem o meio coativo de extinguir sua obrigação: a consignação em 
pagamento. 
É instituto que pertinente tanto ao direito material, quanto ao direito 
processual. Trata-se do depósito judicial de uma coisa. A decisão judicial é que vai 
dizer se o pagamento feito desse modo em juízo terá o condão de extinguir a 
obrigação. O objeto da consignação, em si, é um pagamento. 
A consignação é uma faculdade às mãos do devedor. Não tem ele a 
obrigação de consignar; sua obrigação é de cumprir a obrigação. A consignação é 
apenas uma forma de cumprimento colocada à sua disposição. Na maioria das 
vezes, razões de ordem prática e de absoluta conveniência instam o devedor a 
mover a ação consignatória. Ela é considerada uma forma de pagamento, 
extinguindo a obrigação com “o depósito judicial da coisa devida, nos casos