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Apostila Direito das Obrigações - UGF[1]

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formas legais” (art. 334 CC). 
 
7.2.1 As hipóteses de consignação 
 
O artigo 335 descreve seis incisos sobre hipóteses de consignação: 
―Art. 335. A consignação tem lugar: 
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar 
receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma;‖ 
 
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É a chamada dívida “portable”, a situação mais corriqueira. As 
motivações do credor em não receber podem ser várias. Só se 
considera, contudo, a falta de justa causa. A quitação é um direito do 
devedor e ele não está obrigado a pagar sem a devida quitação. 
―II – se o credor não for, nem mandar receber a coisa no 
lugar, tempo e condições devidas.‖ 
Trata da situação em que cabe ao credor receber a coisa, caso de 
dívida quérable. Aqui a iniciativa deve ser do credor. Se este se mantém inerte, 
abre a possibilidade da consignação ao devedor. 
―III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, 
declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso 
perigoso ou difícil;‖ 
Não existe, em princípio, credor desconhecido. Mas situações várias 
podem torná-lo tal. A ausência é situação jurídica definida: é ausente quem 
declarado tal judicialmente. Para a consignação, no entanto, o ausente se 
equipara àquele que está em local ignorado, ou de acesso perigoso ou difícil. 
―IV – se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente 
receber o objeto do pagamento.‖ 
Quem paga mal, pagará duas vezes. São muitas as situações em que, 
na prática, ver-se-á o devedor em dúvida quanto a quem pagar. O credor 
originário faleceu e se apresentam vários sucessores para receber, por exemplo. 
―V – se pender litígio sobre o objeto do pagamento.‖ 
O litígio aí mencionado é entre o credor e terceiro. O devedor deve 
entregar coisa ao credor, coisa essa que está sendo reivindicada por terceiro. 
Deve o devedor se exonerar com a consignação. O credor e o terceiro é que 
 
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resolverão, entre eles, a pendência. No artigo 344 CC: ―O devedor de obrigação 
litigiosa exonerar-se-á mediante consignação, mas, se pagar a qualquer dos 
pretendidos credores, tendo conhecimento do litígio, assumirá o risco do 
pagamento.‖. 
 
7.3 Pagamento com sub-rogação 
 
O termo sub-rogação significa, em nossa ciência, substituição. A sub-
rogação não extingue propriamente a obrigação. O instituto contemplado nos 
artigos 985 e seguintes do Código faz substituir o sujeito da obrigação. O termo 
pode também ser empregado para a sub-rogação real, quando uma coisa de um 
patrimônio é substituída por outra. É o que ocorre quando se substitui os vínculos 
de inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade de um imóvel a outro. 
No pagamento com sub-rogação um terceiro e não o primitivo devedor 
efetua o pagamento. Esse terceiro substitui o devedor originário da obrigação, de 
forma que passa a dispor de todos os direitos, ações e garantias que tinha o 
primeiro. Quando alguém paga o débito de outrem fica com o direito de reclamar 
do verdadeiro devedor o que foi pago e que esse crédito goze das mesmas 
garantias originárias. Não há prejuízo algum para o devedor, que em vez de pagar 
o que deve a um, deve pagar o devido a outro. 
O fato é que a dívida se conserva, não se extingue. 
 
 
 
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7.3.1 Sub-rogação legal 
O artigo 346 traz três situações em que a sub-rogação opera de pleno 
direito: 
―Art. 346. A sub-rogação opera-se, de pleno direito, em 
favor:‖ 
―I - do credor que paga a dívida do devedor comum;‖ 
A situação pressupõe a existência de mais de um credor do mesmo 
devedor. Pode ocorrer que esse credor tenha interesse em afastar o outro que 
tenha preferência no crédito, preferindo ficar sozinho na posição de credor, 
aguardando momento mais oportuno para cobrar a dívida. 
―II - do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor 
hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento 
para não ser privado de direito sobre imóvel;‖ 
O imóvel, mesmo hipotecado, pode ser alienado. O adquirente tem o 
maior interesse em extinguir a hipoteca. 
―III - do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era 
ou podia ser obrigado, no todo ou em parte.‖ 
É a questão mais comum e útil na prática. O fiador paga a dívida do 
afiançado e se sub-roga nos direitos do credor. Da mesma forma, um dos 
devedores solidários paga toda a dívida. Sua sub-rogação, de acordo com a forma 
pela qual foi contraída a solidariedade é parcial ou total da dívida. A finalidade 
primordial do inciso é colocar o devedor que paga a cobro de uma situação difícil e 
embaraçosa. Note-se que a lei fala em terceiro interessado que paga. Se for 
terceiro não interessado, não haverá sub-rogação. O terceiro não interessado que 
 
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paga a dívida em seu próprio nome não se sub-roga nos direitos do credor (art. 
305 ―O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem 
direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do credor. 
Parágrafo único. Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao reembolso 
no vencimento.‖). Só terá direito ao reembolso, por uma questão de eqüidade, 
para se evitar o enriquecimento sem causa. 
 
7.3.2 Sub-rogação convencional 
 
O artigo 347 admite duas formas de sub-rogação convencional: 
―Art. 347. A sub-rogação é convencional: 
I - quando o credor recebe o pagamento de terceiro e 
expressamente lhe transfere todos os seus direitos; 
II - quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia 
precisa para solver a dívida, sob a condição expressa de 
ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito.‖ 
Nessa hipótese há um acordo de vontade entre o credor e o terceiro. 
Não se exigem palavras sacramentais. 
No primeiro caso há iniciativa do credor, que recebe a importância de 
terceiro. O devedor não necessita aquiescer; o fenômeno pode ocorrer com ou 
sem seu conhecimento. 
No segundo caso há iniciativa do devedor, que consegue alguém que 
lhe empreste o numerário para pagar a dívida e passa a dever, com todos os 
direitos originários, ao mutuante. 
 
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Ambas as figuras são úteis. No primeiro caso, o credor se vê satisfeito, 
numa situação de adimplemento duvidoso. No segundo caso o devedor consegue 
talvez se livrar de um credor poderoso, mais insistente e poderá pagar, depois, a 
quem lhe emprestou, quiçá em situação mais favorável. 
Difere da cessão de crédito, como vimos, pois nesta há necessidade de 
ciência do devedor (art. 290). 
―Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao 
devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado 
se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se 
declarou ciente da cessão feita.‖ 
 
7.4 Imputação de pagamento 
 
A imputação de pagamento é a forma de se quitar um ou mais débitos, 
quando há vários, do mesmo devedor, em relação ao mesmo credor. Trata-se da 
aplicação de um pagamento a uma determinada dívida (ou mais de uma), dentre 
outras que se tem com o mesmo credor, desde que sejam todas da mesma 
natureza, líquidas e vencidas (art. 352). 
A doutrina não dá muita importância ao tema. Mas não é ele destituído 
de aplicação prática. 
A preferência na escolha da dívida a ser adimplida é do devedor. O 
artigo 352 CC é claro a esse respeito: cabe à pessoa obrigada, ou quem lhe faz as