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Universidade Salvador – UNIFACS
GAAL - GEOMETRIA ANALÍTICA E ÁLGEBRA LINEAR
Cursos de Engenharia
Profa: Ilka Rebouças Freire
Algebra Linear
Texto 03: Espaços Vetoriais e Subespaços Vetoriais
Espaços Vetoriais
Introdução
Os espaços vetoriais constituem o objeto de estudo da Álgebra Linear. No curso de
Geometria Analítica foram estudados os conjuntos de vetores no plano e no espaço.
Lembremos que duas operações foram definidas nestes conjuntos
1. A adição de vetores
2. Multiplicação por um escalar
Estas duas operações gozam de determinadas propriedades e são as mesmas operações que
estão também definidas, por exemplo, no conjunto das matrizes de ordem m x n em R ,
como foi visto anteriormente.
Vamos agora generalizar esta estrutura apresentada no conjunto dos vetores do espaço e das
matrizes m x n. O conceito de vetor vai ser estendido estabelecendo-se as propriedades
mais usuais dos vetores como axiomas.
Definição: Seja V . V é dito um espaço vetorial se e somente se:
I. Está definida uma adição em V que associa a cada par de elementos u e v um
único elemento em V, indicado por u + v e chamado de soma de u com v, que
satisfaz as seguintes propriedades: u, v, w V:
2
i ) u + v = v + u , ( comutativa)
ii) u + ( v + w ) = ( u + v ) + w, ( associativa)
iii) 0 V; 0 + u = u + 0 = u, ( 0 é chamado de elemento neutro )
iv) u V, – u V; u + (– u ) = 0 ( – u é chamado de elemento oposto)
II. Está definida uma multiplicação por escalar que associa a cada escalar de R e
cada elemento v um único vetor v, em V, que goza das seguintes propriedades,
, R, u, v V
v) (u) = ()u
vi) (+) u = u + u
vii) (u + v ) = u + v
viii) 1 R; 1.u = u
Observações:
1. O espaço vetorial definido anteriormente em que os escalares considerados são
números reais é chamado de espaço vetorial real ou espaço vetorial sobre R
2. Podemos também considerar na definição, os escalares sendo números complexos e
neste caso o espaço vetorial é chamado de espaço vetorial complexo.
3. Só iremos trabalhar nesse curso com espaços vetoriais reais.
Exemplos:
1. V = R. O conjunto dos números reais é um espaço vetorial real.
2. V = R2 é um espaço vetorial real
V = R
2
= {(x,y); x, y R } é o conjunto dos pontos do plano. Um par ordenado (x, y)
tanto pode ser interpretado como um ponto do plano ou como um vetor do plano (vetor
localizado na origem )
3. V = R3 é um espaço vetorial real.
V= {(x,y,z); x, y, z R } é o conjunto dos pontos do espaço. Um terno ordenado
(x, y, z) pode ser interpretado geometricamente como um ponto do espaço ou como
um vetor do espaço (vetor localizado na origem ).
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Embora nossa visualização geométrica não se estenda além do espaço tridimensional,
podemos considerar muitas das propriedades algébricas e numéricas estendendo-as a
espaços, além do tridimensional. A idéia de se utilizar pares de números para situar pontos
no plano e ternos de números para situar pontos no espaço se consolidou em meados do
século XVII e é a idéia básica da Geometria Analítica . Na segunda metade do século
XVIII os matemáticos e físicos perceberam que poderiam usar seqüências com quatro,
cinco, n números, para representar pontos num espaço de dimensão maior. É o que
formalizamos no exemplo a seguir
4. Se n é um inteiro positivo, dizemos que uma seqüência
nxxx ,...,, 21
de números
reais é uma n-upla ordenada. O conjunto de todas as n-uplas ordenadas é chamado de
espaço n-dimensional e denotado por R
n
.
V =
Rx);x,...,x,x(R in21
n
, com as operações:
nn2211n21n21 yx,...,yx,yxy,...,y,yx,...,x,x
n21n21 x,...,x,xx,...,x,x
é um espaço vetorial real
5. V =
)R(Mmxn
- conjunto das matrizes de ordem m x n com elementos em R é um
espaço vetorial real com as operações de adição de matrizes e multiplicação de uma
matriz por um escalar, já definidas.
Por exemplo, consideremos
Rw,z,y,x;
wz
yx
)R(MV 2
com as operações
usuais definidas no conjunto das matrizes
Adição:
2121
2121
22
22
11
11
wwzz
yyxx
wz
yx
wz
yx
Multiplicação por escalar:
wz
yx
wz
yx
O conjunto V = M2(R) (matrizes dois por dois com elementos reais ) satisfaz a todos os
axiomas de espaço vetorial
4
6. V =
)R(Pn
- conjunto dos polinômios de grau menor ou igual a n, com coeficientes em
R, com as operações usuais de adição de polinômios e multiplicação por uma escalar
n
nn1100
n
n10
n
n10 x)ba(...x)ba()ba()xb...xbb()xa...xaa(
n
n10
n
n10 xa...xaa)xa...xaa(
7. Toda reta que passa pela origem é um espaço vetorial.
No plano temos {(x,y) R2; y = kx }
8. Todo plano que passa pela origem é um espaço vetorial
{(x,y,z) R3; ax + by + cz = 0, para a, b e c R}
Contra-Exemplos
1. W = { (x, y) R2, x 0 e y 0 } com as operações definidas em R2, não é espaço
vetorial pois não fecha com a multiplicação por escalar ( Considere = – 1 )
2. W = { (x, y) R2, x + y = 1 } Não tem elemento neutro da adição. Se considerarmos
também dois pontos sobre a reta, por exemplo, ( 1, 0 ) e ( 0, 1 ) a soma ( 1, 1 ) não está
sobre a reta.
3. W = { (x, y, z) R3, x + y + z =1 } Não tem elemento neutro da adição. Se
considerarmos dois pontos sobre o plano, a soma não está sobre o plano. ( Dê
exemplo!)
4. Generalizando: retas e planos que não passam pela origem não são espaços vetoriais
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Propriedades Gerais do Espaço Vetorial
Seja V um espaço vetorial real. As seguintes propriedades são conseqüências imediatas da
definição de espaço vetorial:
P1 ) R, 0 V, 0 = 0
P2) u V, 0 R, 0u = 0
P3 ) Para R, e u V, u = 0 = 0 ou u = 0
P4 ) R, u V, (- ) u = (-u) = - (u)
Observação: Definimos a diferença entre dois vetores u e v como u – v = u + ( – v )
P5 ) , R, u e v V temos
( - ) u =u - u e (u – v) = u - v
P6 ) u V , – ( u) = u
P7 ) u, v e w V, u + w = v + w u = v ( Cancelamento da adição)
Observações:
1. As propriedades anteriores mostram que podemos operar com vetores em relação à
adição e multiplicação por escalar como se estivéssemos operando com números
reais.
Exemplo: Se u, v são elementos de algum espaço vetorial, 3( u + v ) 2u = u + 3v.
2. Além das propriedades anteriores temos que o elemento neutro da adição ( vetor
nulo) e o elemento oposto são únicos
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Subespaço VetorialÀs vezes é necessário se detectar dentro de um espaço vetorial subconjuntos W que são,
eles próprios, espaços vetoriais. Vimos, por exemplo, que as retas que passam pela origem
( no plano ) são espaços vetoriais que estão contidos no R
2
e planos que passam pela
origem são espaços contidos no R
3
.
Exemplo: Consideremos V = R
2
e W = { (x, y) R2; y = kx } = { (x, kx) R2 }
W é uma reta passando pela origem
W é também um espaço vetorial
( x, kx) + ( x1, kx1) = ( x+x1, kx + kx1) = (x+x1, k(x + x1)) W
Esta operação satisfaz de i) a iv) da definição de espaço vetorial
(x, kx) = (x, kx) W
Esta operação satisfaz de v) a viii) da definição de espaço vetorial
Um subconjunto de um espaço vetorial V que é, ele mesmo, um espaço vetorial em relação
às operações de adição e multiplicação por escalar definidas em V, recebe um nome
especial: subespaço de V
Definição: Dado um espaço vetorial V, um subconjunto W de V , W , é um subespaço
vetorial de V se e somente se
1) u, v W, u + v W
2) R, u, W, u W
Observações:
1. As condições da definição acima garantem que ao operarmos em W não obtemos um
vetor fora de W. Com isto W é também espaço vetorial e as propriedades que são
válidas em V também são em W pois W V.
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2. Qualquer subespaço vetorial W de V contém necessariamente o vetor nulo. De fato pela
condição 2 da definição de subespaço 0.u = 0 W
3. Todo espaço vetorial V admite pelo menos dois subespaços W = V e W = { 0 }. estes
subespaços são chamados de subespaços triviais de V
4. Para mostrar que um subconjunto W de V ( W V ) é um subespaço de V não
precisamos testar todos os axiomas de espaço vetorial. Basta verificar se as operações
de adição e multiplicação por escalar estão fechadas em W, ou seja, somando dois
elementos em W, o resultado está em W e multiplicando um escalar por um elemento
de W o resultado está em W. Além disso, um bom teste inicial é verificar se W contém
o vetor nulo, pois, caso contrário, W não é espaço vetorial ( Ver item 2 ).
Exemplos
1. V = R2 e W = { (x, y) ; y = kx } – retas passando pela origem
2. V = R3 e W = { (x, y, z) ; ax + by + cz = 0 } – planos passando pela origem
De fato:
1) Considerando ( x,y,z) e (x1,y1,z1) W temos que ax+by+cz = 0 e
ax1 + by1 + cz1 = 0,. Assim, ( x,y,z) + (x1,y1,z1) = (x + x1,y + y1,z + z1) W,
pois a(x + x1)+b(y + y1)+c(z + z1) = (ax+by+cz) + (ax1 + by1 + cz1 ) = 0
2) Considerando R e (x,y,z) W temos que (x,y,z) = (x, y, z) W
pois a (x) + b( y) + c( z)) = (ax+by+cz) = 0 = 0
3) V = M2x2( R ) e W
(R)M
c0
ba
2x2
o conjunto das matrizes triangulares
superiores( ou inferiores) de ordem 2
1)
W
cc0
bbaa
c0
ba
c0
ba
1
11
1
11
2)
W
c0
ba
c0
ba
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4) Consideremos o conjunto-solução W de um sistema homogêneo de ordem 3 e
V = M3x1( R ). O sistema pode ser dado na forma matricial por AX= 0, sendo A uma
matriz m x 3.
1) Se X1 e X2 W, então AX1 = 0 e AX2 = 0. Logo, A(X1+X2) = AX1+AX2 = 0+0 = 0
e portanto X1 + X2 W
2) Seja X W e R. Então A(X)= AX = .0 = 0 Logo, X W
Geometricamente temos que cada espaço solução W pode ser:
i) Um plano que passa pela origem
Exemplo:
0963
0642
032
zyx
zyx
zyx
escalonando obtemos
0000
0000
0321
x –2y +3z = 0
ii) Uma reta que passa pela origem
Exemplo:
0642
0873
032
zyx
zyx
zyx
escalonando obtemos
0000
0110
0501
0
05
zy
zx
As duas equações representam planos passando pela origem, e o sistema resultante pode ser
interpretado como a equação da reta que é intersecção dos dois planos
Um vetor genérico dessa reta é escrito como ( 5z, z, z ), z R
iii) A origem
Exemplo:
024
0873
032
zyx
zyx
zyx
cuja solução é { ( 0, 0, 0 ) } que é o subespaço nulo
iv) Todo o espaço
Exemplo:
0000
0000
0000
zyx
zyx
zyx
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Contra-exemplos
Vejamos, agora, alguns exemplos de subconjuntos de V que não são subespaços de V:
1. V = R2 e W = { (x, y) R2; y = ax + b ( ab 0}
W não é subespaço vetorial de V . De fato: 0 W
2. V = R2 e W = { (x, y) R2; y = x2 }
W não é subespaço vetorial de V . De fato: (1,1) e (2,4) W e ( 1,1) + (2,4) = (3, 5) W
Observação O fato de 0 W já nos garante que W não é subespaço ( Exemplo 1). No
entanto, o fato de 0 W não nos garante que W é subespaço vetorial (Exemplo 2)
Em outras palavras 0 W W não é subespaço, mas a recíproca não é verdadeira
Referências Bibliográficas
- Álgebra Linear – Alfredo Steinbruch / Paulo Winterle
- Álgebra Linear – Boldrini / Costa / Figueiredo / Wetzler
- Álgebra Linear – Caliolli
- Álgebra Linear com Aplicações – Anton / Rorres