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Padronização, Qualidade e Certificação Aula 1 Professor Nelson Tadeu Galvão de Oliveira 1 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico Introdução Caros alunos, estamos iniciando a nossa disciplina “Padronização, qualidade e certificação”, na qual vamos aprender sobre como ocorrem as padronizações dos processos, como se desenvolvem os programas de qualidade total e quais as principais certificações da qualidade, tais como a da série ISO 9000. Nesta primeira aula, referente aos fundamentos da qualidade necessários para os processos, vamos conhecer os diferentes conceitos da qualidade. Isso porque há uma extrema diversidade de interpretação desse termo, baseada em diversos autores, cada qual procurando dar a sua definição fundamentada no seu entendimento. Apresentaremos a você os conceitos advindos dos mais importantes autores, para que a partir deles possa melhor entender o que é qualidade e possa também formular um conceito seu sobre esse importante tema. Estudaremos também os processos, conhecendo sua definição e a importância de sua padronização e melhoria contínua. Trataremos, por fim, da qualidade no desenvolvimento de produtos. Tema 1 – O que é qualidade? Será muito importante você fazer a leitura do texto que segue, baseado em Mainardes et al. (2010), pois encontrará o que vários autores entendem por “qualidade”. Essa leitura deverá ser feita refletindo sempre sobre cada pensamento e conceito aprendido. Boa leitura! Conceitos de qualidade Segundo Avelino (2005), no livro de Joseph M. Juran “A History of Managing for Quality”, publicado em 1995, o autor fez um resgate histórico da qualidade. Identificou a aplicação dos conceitos de qualidade na China, no Egito, na Grécia, em Roma, na Escandinávia, entre outros. Portanto, qualidade não é novidade, muito menos moda. É sim um conceito milenar sempre presente na história da humanidade. 2 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico Mas foi somente no século 1920 que a qualidade passou a ser efetivamente foco das organizações. Com o crescimento do consumo e do mercado, as empresas se viram obrigadas a tratar o assunto com mais cuidado (OAKLAND, 1994). Surgiram então os principais nomes na área de qualidade, segundo Avelino (2005): Demings baseava a qualidade no controle e na melhoria dos processos, com o uso de técnicas estatísticas. Juran defendia a qualidade como adequação ao uso (“o que o cliente quer”). Crosby definia a qualidade como produto isento de defeitos (“zero defeito”). Ishikawa focava a qualidade na capacidade de atender as necessidades dos clientes. Taguchi considerava qualidade como a mínima perda de produtos. Shiba, Graham e Walden (1997) constataram que, em cada período da história, a qualidade foi definida de forma diferente: Adequação ao padrão (anos 1950): qualidade era sinônimo da garantia que o produto executasse as funções previstas em projeto. Adequação ao uso (anos 1960): produtos capazes de suportar as mais variadas formas de uso. Adequação ao custo (anos 1970): foco na redução de custos, com controle sobre a variabilidade dos processos de fabricação e redução de desperdícios. Adequação às necessidades dos clientes (anos 1980): para se manter no mercado, as organizações passaram a se antecipar às necessidades dos clientes, satisfazendo-as. 3 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico Cliente Realce Cliente Realce Cliente Realce Cliente Realce Cliente Realce Cliente Realce Observa-se desta maneira que a qualidade tem sido utilizada em muitas situações, porém nem sempre de forma muito clara e objetiva. O termo “qualidade” não é fácil de ser definido e é aparentemente intuitivo. O seu entendimento e a sua interpretação dependem do ponto de vista de quem analisa. Dessas diferentes definições é possível concluir que, conforme a situação, o conceito muda. E, por ser amplo, o assunto tende a se relacionar com diferentes aspectos da empresa, tais como participação no mercado, lucros, custos etc. A definição da qualidade possui uma extrema diversidade de interpretação, dada por diversos autores, que procuram apresentar uma definição simples, para que seja assimilável a todos os níveis das organizações. Você confere as principais a seguir: Juran: "Qualidade é ausência de deficiências" ou seja, quanto menos defeitos, melhor a qualidade. Feigenbaum: "Qualidade é a correção dos problemas e de suas causas ao longo de toda a série de fatores relacionados com marketing, projetos, engenharia, produção e manutenção, que exercem influência sobre a satisfação do usuário". Crosby: "Qualidade é a conformidade do produto às suas especificações". As necessidades devem ser especificadas, e a qualidade é possível quando essas especificações são obedecidas sem ocorrência de defeito. Deming: "Qualidade é tudo aquilo que melhora o produto do ponto de vista do cliente". Deming associa qualidade à impressão do cliente, portanto não é estática. A dificuldade em definir qualidade está na renovação das necessidades futuras do usuário em características mensuráveis, de forma que o produto possa ser projetado e modificado para dar satisfação por um preço que o usuário possa pagar. 4 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico Ishikawa: "Qualidade é desenvolver, projetar, produzir e comercializar um produto de qualidade que é mais econômico, mais útil e sempre satisfatório para o consumidor". Tema 2 – Abordagem de processo Conceito de processo Para Johansson et al. (1995), processo é o conjunto de atividades ligadas que tomam um insumo (input) e o transformam para criar um resultado (output). Teoricamente, a transformação que nele ocorre deve adicionar valor e criar um resultado que seja mais útil e eficaz ao recebedor acima ou abaixo da cadeia produtiva. Outra forma de pensar a respeito de processos é apresentada pela equipe do Centro de Ciências da Coordenação do MIT, que considera os processos como sequências semirrepetitivas de eventos que, geralmente, estão distribuídas de forma ampla no tempo e espaço, possuindo fronteiras ambíguas (PENTLAND et al., 1999). Segundo Araújo (2009, p. 26), outra forma de apresentar o conceito de processo é quanto se trata da introdução de insumos (entradas ou inputs) num ambiente formado por procedimentos, normas e regras que ao processarem os insumos os transformam em resultados, os quais serão enviados (saídas ou outputs) aos clientes do processo. É importante lembrar a necessidade de maior interação com outros autores, que deve ser realizada com mais profundidade, a fim de que seja construído mais significativamente o conceito de “processos”. Sintetizando, podemos definir processo como uma organização lógica e detalhada de mão de obra, máquinas, materiais, métodos, medidas e meio ambiente para produzir um trabalho final com fim específico. Pode ser também um conjunto de atividades planejadas e inter-relacionadas com o objetivo de gerar produto ou serviço que venha atender uma necessidade de clientes internos ou externos. 5 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento DialógicoDisponível em: <https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&v ed=0ahUKEwj2wLqrye_KAhVF6SYKHcNVAD8QFggcMAA&url=http%3A%2F%2Fwww.isotop.c om.br%2Ffaz_download.asp%3Farquivo%3DMASP%2520ISOTOP%2520(2).ppt&usg=AFQjCN F4xKHlhgecU8zcDIEGrHDHGmdEoA&sig2=- wwwjao6n9e3dZOAhdiYaQ&bvm=bv.113943164,d.Y2I>. Acesso em: 28 jun. 2016. A empresa é uma sequência de processos, conforme nos mostra a figura abaixo: Diagrama de análise de processo 6 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico Conceito de processo a partir de Ishikawa: Disponível em: <http://www.industriahoje.com.br/wp-content/uploads/2013/09/O-que-e- o-Diagrama-de-Ishikawa-2.jpg>. Acesso em: 28 jun. 2016. A partir de Ishikawa, podemos definir processo como sendo um conjunto de seis causas, que tem por objetivo produzir um determinado efeito, o qual denominamos produto do processo. Devemos considerar o conceito de processo interno, no qual o processo anterior é o fornecedor e o processo subsequente é o cliente. Problema de um processo é um resultado (efeito) indesejado, podendo acontecer em qualquer um dos “emes” do processo, ou é a diferença entre seu resultado atual e um valor desejado (meta). Existe a divisão 6 “emes”, que enumera onde os problemas de um processo podem estar localizados: Mão de obra: quando um colaborador realiza um procedimento inadequado, faz o seu trabalho com pressa, é imprudente etc. Material: quando o material não está em conformidade com as exigências para a realização do trabalho. Meio ambiente: quando o problema está relacionado ao meio externo, como poluição, calor, poeira etc., ou mesmo ao ambiente interno, como falta de espaço, dimensionamento inadequado dos equipamentos etc. Método: quando o efeito indesejado é consequência da metodologia de trabalho escolhido. Máquina: quando o defeito está na máquina usada no processo. Medida: quando o efeito é causado por uma medida tomada anteriormente para modificar processo (SITE INDÚSTRIA HOJE S/D). 7 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico A seguir, avaliamos as causas dos problemas, considerando os 6 “emes” do processo. Usa-se o desenho da espinha de peixe: o problema é colocado em sua cabeça e as causas em suas espinhas. Separa-se, então, as causas primárias, secundárias, terciárias etc. O grupo que participa do método deve ser estimulada a pensar “o quê?”, “por quê?” e “o que mais?”. Depois de serem analisadas as causas do efeito indesejado, é necessário buscar soluções, uma por uma, destinando sempre uma pessoa que fique responsável pela solução do problema identificado. Quando o problema for resolvido, a equipe se reúne novamente e cada pessoa deve explicar que atitudes foram tomadas para a resolução do efeito. Tema 3 – Padronização de processos Processo é um conjunto de causas (máquinas, matérias-primas etc.) que provoca um ou mais efeitos (produtos). O processo é controlado através dos seus efeitos. Os itens de controle de um processo são índices numéricos estabelecidos sobre os efeitos de cada processo para medir a sua qualidade total. Um "problema" é o resultado indesejável de um processo. Portanto, é um item de controle com o qual não estamos satisfeitos. Para conduzir um bom gerenciamento, temos que, numa primeira instância, aprender a localizar os problemas e, então, aprendemos a resolvê-los. Enquanto houver diferença, haverá problemas! Resolver causas de problemas de processos é atingir metas na busca da padronização e do desenvolvimento da melhoria continua do processo. Conceito de controle de processo Manter um processo sob controle é saber localizar o problema e analisar o processo, padronizando e estabelecendo itens de controle de tal forma que o problema nunca mais ocorra. Existem causas que devem ser buscadas por todas as pessoas da 8 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico empresa de forma voluntária. Controlar processo é: Estabelecer a "diretriz do controle" (planejamento): Meta. Método. Desenvolver a manutenção do nível de controle: Atuar no resultado (queimou o motor - trocar o motor). Atuar na causa (queimou o motor - por que isso aconteceu?). Alterar a diretriz de controle (melhoria): Alterar a meta. Alterar o método. Controlar um processo é eliminar sua variabilidade, controlando-se cada um dos “emes” através da padronização. O que é padronização? A padronização é uma técnica que visa reduzir a variabilidade dos processos de trabalho sem prejudicar sua flexibilidade. Padronizar é controlar os 6 “emes” dos processos conforme Ishikawa. A competição internacional entre as empresas eliminou as tradicionais vantagens baseadas no uso de fatores abundantes e de baixo custo. A padronização é utilizada cada vez mais como um meio para se alcançar a redução de custo da produção e do produto final, mantendo ou melhorando sua qualidade. Os benefícios da padronização podem ser: Qualitativos, que permitem: Utilizar adequadamente os recursos (equipamentos, materiais e mão de obra); Uniformizar a produção; Facilitar o treinamento da mão de obra, melhorando seu nível técnico; Registrar o conhecimento tecnológico; Facilitar a contratação ou venda de tecnologia. Quantitativos, que permitem: Reduzir o consumo de materiais; Reduzir o desperdício; Padronizar componentes; 9 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico Cliente Realce Cliente Realce Padronizar equipamentos; Reduzir a variedade de produtos; Aumentar a produtividade; Melhorar a qualidade; Controlar processos (SITE IZY-QUALIDADE s/d). Para vir a se implantar a norma ISO 9000, será necessário a padronização de processos, que é fundamental na qualidade total, pois é a partir dela que conseguimos manter os resultados obtidos. É a padronização que nos leva à estabilidade nos resultados e permite a diminuição das dispersões e a variabilidade do processo. Sem essa estabilidade não se obtêm melhorias, pois não conseguimos melhorar o que não conhecemos ou o que tem grande variabilidade. Mais um papel importante de padronizarmos está na delegação de tarefas rotineiras. Em um processo estável, podemos delegar a operação do processo a pessoas que operam e liberar as gerências para se preocupar com projetos de melhorias e outras tarefas mais importantes. A padronização também pode ser considerada a base para a realização de treinamento operacionais, pois há os procedimentos já definidos a partir dos quais se pode treinar as pessoas nas diferentes habilidades e conhecimentos exigidos para consecução das tarefas, dentro dos padrões exigidos. Logo percebemos que os procedimentos são a base para a padronização de processos. Para padronização, é necessário criar rotinas formalizadas para que possamos realizar as atividades conforme as rotinas predefinidas. Segundo apresenta Moura (1999), quando se aplica a padronização, diz-se que a organização apresenta vantagem competitiva através da implementação da cultura do “fazer certo na primeira vez”. A padronização busca que as atividades de um processo sejam realizadas da melhor maneira possível, reduzindo perdas, retrabalhos e melhorando assim a produtividade. Outra contribuição que a padronizaçãoproporciona é em relação à segurança da pessoa que executa as atividades, pois também aborda as 10 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico condições de trabalho e os equipamentos de proteção individual (EPI) necessários para a realização da operação. Descrição do processo de padronização A padronização deve ser realizada de forma que as operações desenvolvidas pelos operadores na linha de produção estejam formalizadas e deverá ser descrita de forma a garantir que nenhuma anomalia ocorra no dia a dia. Mesmo para turnos diferentes de trabalho, o procedimento de realização das atividades deverá respeitar aquilo que foi definido na padronização. Quando se padroniza um processo, significa dizer que aquele conjunto de operações foi feito da melhor forma até aquele momento. No entanto, ele deve ser objeto de melhoria constante, para que seja possível promover o crescimento das competências operacionais, dos modos operatórios e ergonômicos e, em alguns casos, até promover a melhoria/otimização dos equipamentos no respectivo setor. Tema 4 – Melhoria contínua e de processo (Kaizen) “Hoje melhor do que ontem, amanhã melhor do que hoje!”, essa é a premissa básica da metodologia Kaizen. De origem japonesa, esta palavra significa “melhoria contínua”, seja no aspecto pessoal, familiar, social ou no trabalho. Muito mais que um método, Kaizen é considerado por muitos como uma filosofia (SITE SOBRE ADMINISTRAÇÃO, 2010). A prática visa o aprimoramento da empresa e de seus colaboradores e deve acontecer de forma gradual e contínua. O Kaizen com as melhorias contínuas de processos e com a eliminação de perdas começa a gerar resultados para a organização. Origem Depois da Segunda Guerra Mundial, o Kaizen foi implementado nas empresas japonesas como uma medida para reerguer um país devastado. O programa foi um sucesso, transformando a atividade econômica no Japão e fazendo do país uma das mais poderosas economias do mundo. O sucesso que levou o método e o termo Kaizen a se espalhar pelo mundo e se popularizar. Assim, no âmbito das organizações, o Kaizen é um sistema que irá melhorar a produtividade em todos os aspectos, além 11 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico Cliente Realce Cliente Realce de baixar custos de produção. É uma busca por uma melhoria constante visando a qualidade total. Todo dia deve haver alguma melhora, o hoje deve ser sempre melhor que o ontem e o amanhã deve ser melhor que hoje. O professor japonês Masaaki Imai é o grande responsável por trazer o Kaizen para o ocidente. Especialmente depois do sucesso do seu livro “Kaizen: A Chave Para O Sucesso Competitivo do Japão de 1986” e da fundação do Kaizen Institute na Suíça em 1985 (SITE SIGNIFICADOS BR, s/d). Para o professor Masaaki Imai é no gemba (local de trabalho) que se criam todos os valores e é ali que deve ocorrer o Kaizen. Para que se alcance resultados, os trabalhadores devem estar comprometidos com a metodologia (SITE SIGNIFICADOS, s/d). Uma das características mais importantes do kaizen é que grandes resultados vêm de pequenas mudanças acumuladas ao longo do tempo. No entanto, algumas vezes essa característica tem sido mal interpretada, sendo entendida como se kaizen fosse o mesmo que pequenas mudanças. Na verdade, kaizen significa que todos estejam envolvidos na realização das melhorias, e que cada pequena mudança empreendida por cada um, quando somadas ao longo do tempo trarão grandes resultados (Site SIGNIFICADOS BR, s/d). Objetivos da filosofia Kaizen A filosofia japonesa, basicamente, possui três elementos primordiais, que são: o combate ao desperdício, o trabalho em equipe e o consenso no processo decisório. Combate ao desperdício: os trabalhadores são educados para usar o mínimo possível dos recursos que possuem. Fonte: Prof. Fernando Penteado. 12 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico Cliente Realce Cliente Realce Cliente Realce Trabalho em equipe: já enraizado nos valores e hábitos japoneses, que desde os tempos feudais exerceram forte influência no trabalho dessa população. Fonte: <http://www.naomesmo.com.br/da-serie-trabalho-em-equipe/>. Consenso no processo decisório: é mais um reflexo do traço cultural japonês. A cultura do consenso dá ao nível hierárquico mais elevado a responsabilidade de estabelecer e manter a harmonia nas decisões. Fonte: <http://slideplayer.com.br/slide/88206/>. Chegamos ao término de mais um tema de nossos estudos, onde pudemos conhecer o que é o processo de origem japonesa de melhoria continua (Kaizen) e porque ele faz tanto sucesso hoje em nossas empresas. Tema 5 – Qualidade do produto Hoje vivemos uma busca incessante pela qualidade. As empresas usam a qualidade como estratégia de sobrevivência e não mais como diferencial competitivo. Trata-se de algo importante na geração de um produto, que é obtido a partir do controle dos processos. Podemos considerar que existem três modalidades de qualidade: a de 13 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico Cliente Realce Cliente Realce Cliente Realce produto, a de processo e a de projeto. A qualidade do produto dependerá de que quem observa: um projetista, um gestor da produção ou o consumidor. Cada um vê de uma maneira diferente. O projetista, por exemplo, vai enxergar aspectos técnicos; já o consumidor está preocupado com a satisfação obtida com o produto. A qualidade de um produto deve apresentar alguns elementos, conforme segue abaixo: Características operacionais principais: todo produto deve apresentar bom desempenho relacionado às suas características. Por exemplo, um relógio deve marcar horas corretamente. Características operacionais adicionais: complementam o produto, tornando-o mais atrativo ou facilitando sua utilização. Por exemplo um televisor que proporciona acesso à internet. Confiabilidade: é a probabilidade de o produto não apresentar falhas durante um determinado período de tempo. Por exemplo, um produto que oferece garantia de 2 anos, durante este período não poderá apresentar falhas, senão perderá sua confiabilidade. 14 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico Cliente Realce Conformidade: é a adequação às normas e especificações definidas na elaboração do projeto. É medida pela quantidade de defeitos que o processo de produção apresenta. Durabilidade: está relacionada com o tempo de duração do produto até a sua deterioração física. Assistência técnica: está relacionada à maneira como o cliente e o produto são tratados no momento de um reparo. Estética: o produto deverá ser bonito (bem apresentável) e ao mesmo tempo apresentar qualidade. Qualidade percebida: se refere ao lançamento de novos produtos que terão associados a eles sua marca. Por exemplo, se uma conhecida marca de eletrodomésticos lançar um celular no mercado, os clientes associarão ao celular sua marca. Ou seja, se o eletrodoméstico apresenta qualidade, o celular será confiável porque aquela marca é reconhecida pela qualidade apresentada. Fonte: MARTINS, Petrônio G.; LAUGENI, Fernando P. Administração da Produção. São Paulo: Saraiva,2005. A avaliação da conformidade de um produto A Norma Brasileira ABNT NBR ISO/IEC 17000, promulgada em 31 de outubro de 2005, passou a ser a melhor forma para apresentação dos conceitos, das definições, dos vocabulários e dos princípios gerais da Avaliação da Conformidade. Segundo esta norma, a Avaliação da Conformidade é a “demonstração de que requisitos especificados relativos a um produto são atendidos” (ABNT, 2005). A Avaliação da Conformidade é um processo sistematizado, com regras preestabelecidas, devidamente acompanhado e avaliado, de forma a propiciar adequado grau de confiança de que um produto, processo ou serviço, ou ainda um profissional, atende a requisitos preestabelecidos por normas ou regulamentos, com o menor custo possível para a sociedade 15 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico ABNT, 2005). A Avaliação da Conformidade, por um lado, assegura ao consumidor que o produto, processo ou serviço está de acordo com as normas ou regulamentos previamente estabelecidos em relação a critérios que envolvam, principalmente, a saúde e a segurança do consumidor e a proteção do meio ambiente. Do outro, aponta ao empresário as características técnicas que seu produto deve atender para se adequar às referidas normas ou regulamentos. Termos de Avaliação da Conformidade a. Amostragem: “fornecimento de uma amostra do objeto da avaliação da conformidade, de acordo com um procedimento”. b. Ensaio: “determinação de uma ou mais caraterísticas de um objeto de avaliação da conformidade, de acordo com um procedimento”. c. Inspeção: “exame de um projeto de produto, processo ou instalação e determinação de sua conformidade com requisitos específicos ou com base no julgamento profissional, com requisitos gerais”. d. Auditoria: “processo sistemático, independente e documentado, para obter registros, afirmações de fatos ou outras informações pertinentes e avaliá-los de maneira objetiva para determinar a extensão na qual os requisitos especificados são atendidos”. Fundamentos básicos da Avaliação da Conformidade A atividade de Avaliação da Conformidade se apoia em dois fundamentos básicos, como mostrado a seguir: 16 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico Infraestrutura necessária Necessidades básicas a serem atendidas na implantação de avaliação de conformidade: a. Padrões metrológicos; b. Entidade Oficial de Acreditação de Organismos e Laboratórios de Calibração e Ensaios; c. Rede de Laboratórios Acreditados de Calibração e Ensaios; d. Organismos Acreditados para Avaliação da Conformidade; e. Acervo de Normas e Regulamentos; f. Mecanismos de Acompanhamento no Mercado. Quanto ao campo de utilização A Avaliação da Conformidade pode ser utilizada voluntária ou compulsoriamente. Ela é uma atividade de caráter compulsório quando exercida pelo Estado, através de uma autoridade regulamentadora, por meio de um instrumento legal, quando se entende que o produto, processo ou serviço pode oferecer riscos à segurança do consumidor ou ao meio ambiente ou ainda, em alguns casos, quando o desempenho do produto, se inadequado, pode trazer prejuízos econômicos à sociedade. A Avaliação da Conformidade é voluntária quando parte de uma decisão 17 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico do fornecedor. Ela agrega valor ao produto, representando uma importante vantagem competitiva em relação aos concorrentes. Síntese Concluímos aqui a nossa aula sobre o que você precisa conhecer de padronização, qualidade e certificação como elementos básicos e fundamentais para as exportações. Agora você já sabe o que é qualidade, o que é processo e como se padronizam processos para controlá-los. Conheceu também a metodologia Kaizen ou de melhoria contínua e obteve conceitos e informações referentes à conformidade de produtos. Com isso, você já tem os fundamentos básicos para avançarmos em nosso estudo. Até o próximo assunto! Referências DEMING, W. E. Qualidade: A Revolução da Administração. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 1990. MARINO, Lúcia Helena Fazzane de Castro. Gestão da qualidade e gestão do conhecimento: fatores-chave para produtividade e competitividade empresarial. XIII SIMPEP – Bauru, 2006. Disponível em: < http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/598.pdf>. Acesso em: 29 jun. 2016. MAINARDES, Emerson Wagner et al. Percepções dos Conceitos de Qualidade e Gestão pela Qualidade Total: estudo de caso na universidade. Disponível em: <http://www.revista.ufpe.br/gestaoorg/index.php/gestao/article/viewFile/200/181 >. Acesso em: 29 jun. 2016. PALADINI, Edson Pacheco. Avaliação Estratégica da Qualidade. São Paulo: Atlas, 2002. PLANEJAMENTO e o sistema de gestão da qualidade. Disponível em: <http://www.prodfor.com.br/index.php/component/k2/item/559-planejamento-e- o-sistema-de-gestão-da-qualidade>. Acesso em: 29 jun. 2016. RIGONI, José Ricardo. Conceitos de Qualidade e Produtividade para a melhorar o desempenho da sua empresa. Disponível em: <http://www.totalqualidade.com.br/2010/05/conceitos-de-qualidade-e- 18 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico produtividade.html>. Acesso em: 29 jun. 2016. SELEME, Robson. Gestão da Qualidade e Ferramentas essenciais. Curitiba: IBPEX, 2010. SILVA, Eduarda Moraes et al. As principais vantagens da utilização da gestão da qualidade pelas empresas como diferencial competitivo. Disponível em: < http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/as- principais-vantagens-da-utilizacao-da-gestao-da-qualidade-pelas-empresas- como-diferencial-competitivo/28525/>. Acesso em: 29 jun. 2016. 19 CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico Padronização, Qualidade e Certificação Aula 2: Aspectos Legais e Normativos Professor Nelson Tadeu Galvão de Oliveira 1 Pró-reitoria de EaD e CCDD Conversa inicial Caros alunos, estamos iniciando a nossa aula sobre aspectos legais e normativos, referente à disciplina Padronização, Qualidade e Certificação. Nela vamos aprender sobre as normas técnicas e normas regulamentadoras, conheceremos as principais entidades elaboradoras de normas técnicas e regulamentadoras nacionais, regionais e internacionais e como essas elaboram as normas, bem como a voluntariedade e/ou obrigatoriedade de aplicação. Conheceremos ainda os critérios usados para a normalização e trataremos das principais normas de qualidade e de como se dá a conformidade aos requisitos dessas normas através de auditorias. Contextualizando As normas técnicas, apesar de seu carácter voluntário, têm grande importância para o desenvolvimento da qualidade do setor produtivo e de serviços, e o seu cumprimento fator de considerável importância para a aceitabilidade dos produtos e serviços pelo mercado consumidor interno e externo. As normas regulamentadoras, estas sim, de carácter obrigatório, não se questionam o seu cumprimento, e visam disciplinar a produçãoe os serviços em favor e para a segurança do consumidor. A série ISO 9000, por ter carácter internacional, sem dúvida, é a mais importante relativa a normas da qualidade. Para avaliar a adequação da empresa aos requisitos da qualidade da norma técnica, usa-se da ferramenta de auditar os Sistemas da Qualidade: “Auditoria de qualidade: um exame sistemático e independente para determinar se as atividades da qualidade e respectivos resultados cumprem as providências planejadas e se essas providências são implementadas de maneira eficaz, e se são adequadas para atingir os objetivos” Todos esses assuntos serão abordados nessa aula. Problematização Como trabalho prático, você deverá pesquisar sobre as principais entidades de normalização internacional e descrever brevemente como estas elaboram as suas normas técnicas. Existem diversos organismos internacionais de normalização, em campos específicos, como a ISO (a maioria dos setores), a IEC (área elétrica e eletrônica) e a ITU (telecomunicações). Vamos ver em detalhes. 2 Pró-reitoria de EaD e CCDD Cliente Realce a) ISO - International Organization for Standardization As normas ISO são desenvolvidas nos seus comitês técnicos (ISO/TC), organizados numa base temática com representantes dos seus membros. As representações são nacionais. A aprovação das normas ISO é feita mediante votação entre os seus membros. A participação brasileira nos trabalhos de normalização da ISO é efetuada através da ABNT. Na página da ISO contém informações sobre o programa de trabalho dos ISO/TC (são mais de 200), as normas ISO em vigor, a estrutura da organização, além de informações sobre o processo de normalização internacional e links para diversas organizações correlatas. As normas ISO são voluntárias, cabendo aos seus membros decidirem se as adotam como normas nacionais ou não. A adoção de uma norma ISO como Norma Brasileira recebe a designação NBR ISO. b) IEC - International Electrotechnical Commission As normas IEC são desenvolvidas nas suas comissões técnicas (IEC/TC), organizadas numa base temática com representantes dos seus membros. As representações são nacionais. A aprovação das normas IEC é feita mediante votação entre os seus membros. A participação brasileira nos trabalhos de normalização da IEC é efetuada através da ABNT. Na página da IEC contém informações sobre o programa de trabalho das IEC/TC, as normas IEC em vigor, a estrutura da organização, além de informações sobre o processo de normalização internacional e links para diversas organizações correlatas. As normas IEC são voluntárias, cabendo aos seus membros decidirem se as adotam como normas nacionais ou não. A adoção de uma norma IEC como norma brasileira recebe a designação NBR IEC. c) ITU - International Telecommunications Union As normas ITU são desenvolvidas pela ITU-T, que é o braço normalizador da ITU. As normas ITU (chamadas de recomendações) são desenvolvidas em grupos de estudos (SG), por assunto, constituídos por representantes dos países. A aprovação das normas ITU é feita mediante votação entre os membros e consenso dos participantes do SG. A participação brasileira nos trabalhos da ITU é efetuada sob coordenação do governo brasileiro, através do Ministério das Comunicações e da Anatel. 3 Pró-reitoria de EaD e CCDD Na página da ITU contém informações sobre o programa de trabalho dos SG, as normas ITU em vigor, a estrutura da organização, além de informações sobre o processo de normalização internacional e links para diversas organizações correlatas. As recomendações ITU são voluntárias, cabendo aos seus membros decidirem se as adotam como normas nacionais ou não. TEMA 01: Normas técnicas Aqui você terá acesso a informações sobre normas nacionais, regionais e internacionais e outros tipos de normas. Uma norma técnica é um documento estabelecido por consenso e aprovado por um organismo reconhecido, que fornece, para uso comum e repetitivo, regras, diretrizes ou características para atividades ou para seus resultados, visando à obtenção de um grau ótimo de ordenação em um dado contexto. Esta é a definição internacional de norma. Deve ser realçado o aspecto de que as normas técnicas são estabelecidas por consenso entre os interessados e aprovadas por um organismo reconhecido. Acrescente-se, ainda, que são desenvolvidas para o benefício e com a cooperação de todos os interessados, e, em particular, para a promoção da economia global ótima, levando-se em conta as condições funcionais e os requisitos de segurança. As normas técnicas são aplicáveis a produtos, serviços, processos, sistemas de gestão, pessoal, 4 Pró-reitoria de EaD e CCDD Cliente Realce enfim, nos mais diversos campos. Usualmente, é o cliente que estabelece a norma técnica que será seguida no fornecimento do bem ou serviço que pretende adquirir. Uso das normas As normas são utilizadas, dentre outras finalidades, como referência para a Avaliação da Conformidade, para a Certificação ou a realização de Ensaios, por exemplo. Muitas vezes, o cliente, além de pretender que o produto siga uma determinada norma, também deseja que a conformidade a essa norma seja demonstrada, mediante procedimentos de avaliação da conformidade. Por vezes, os procedimentos de avaliação da conformidade, em particular a certificação, são obrigatórios legalmente para determinados mercados (certificação compulsória – estabelecida pelo governo para comercialização de produtos e serviços); outras vezes, embora não haja a obrigatoriedade legal, as práticas correntes nesse mercado tornam indispensável utilizar determinados procedimentos de avaliação da conformidade, tipicamente a certificação. O ordenamento jurídico da maioria dos mercados normalmente considera que as normas em vigor nesse mercado devem ser seguidas, a menos que o cliente explicitamente estabeleça outra norma. Assim, quando uma empresa pretende introduzir os seus produtos (ou serviços) num determinado mercado, deve procurar conhecer as normas que lá se aplicam e adequar o produto a elas. Voluntariedade das Normas Tipicamente, as normas são de uso voluntário, isto é, não são obrigatórias por lei, e pode-se fornecer um produto ou serviço que não siga a norma aplicável no mercado determinado. Por outro lado, fornecer um produto que não siga a norma aplicável no mercado-alvo implica esforços adicionais para introduzi-lo nesse mercado, que incluem a necessidade de demonstrar de forma convincente que o produto atende às necessidades do cliente e de assegurar que questões como intercambialidade de componentes e insumos não representarão impedimento ou dificuldade adicional. Do ponto de vista legal, em muitos mercados, quando não se segue a norma aplicável, o fornecedor tem responsabilidades adicionais sobre o uso do produto. Normas Nacionais São normas técnicas estabelecidas por um organismo nacional de normalização para aplicação num dado país. No Brasil, as normas brasileiras (NBR) são elaboradas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), e em cada país, normalmente, 5 Pró-reitoria de EaD e CCDD Cliente Realce Cliente Realce existe um organismo nacional de normalização. A ABNT é reconhecida pelo Estado brasileiro como o Fórum Nacional de Normalização, o que significa que as normas elaboradas pela ABNT - as NBR - são reconhecidas formalmente como as normas brasileiras.As Normas Brasileiras são elaboradas nos Comitês Brasileiros da ABNT (ABNT/CB) ou em Organismos de Normalização Setorial (ONS) por ela credenciados. Os ABNT/CB e os ONS são organizados numa base setorial ou por temas de normalização que afetem diversos setores, como é o caso da qualidade ou da gestão ambiental. Tão importante quanto saber quais normas se encontram em consulta pública ou foram publicadas é saber quais normas se planeja desenvolver num setor específico, de modo que qualquer interessado possa se preparar para participar do processo e interferir nos seus resultados. A ABNT publica anualmente um Plano Nacional de Normalização, contendo todos os títulos que se planeja desenvolver ao longo do ano. TEMA 02: Normas regulamentadoras ou Regulamentos técnicos Um regulamento técnico é um documento, adotado por uma autoridade com poder legal para tanto, que contém regras de caráter obrigatório e estabelece requisitos técnicos, seja diretamente, seja pela referência a normas técnicas ou à incorporação do seu conteúdo, no todo ou em parte. Em geral, regulamentos técnicos visam assegurar aspectos relativos à saúde, à segurança, ao meio ambiente ou à proteção do consumidor e da concorrência justa. O cumprimento de um regulamento técnico é obrigatório e o seu não cumprimento constitui uma ilegalidade com a correspondente punição. Por vezes, um regulamento técnico, além de estabelecer as regras e os requisitos técnicos para um produto, processo ou serviço, também pode estabelecer procedimentos para a avaliação da conformidade ao regulamento, inclusive a certificação compulsória. Todos os estados emitem regulamentos técnicos. Assim, quando se pretender exportar um produto para um determinado mercado, é imprescindível conhecer se o produto ou serviço a ser exportado está sujeito a um regulamento técnico naquele país em particular. 6 Pró-reitoria de EaD e CCDD Cliente Realce Cliente Realce Cliente Realce Os regulamentos técnicos têm grande potencial de se constituírem em barreiras técnicas ao comércio. O Acordo de Barreiras Técnicas ao Comércio da OMC (TBT) estabelece uma série de princípios, com o objetivo de eliminar entraves desnecessários ao comércio, em particular as barreiras técnicas, que são aquelas relacionadas com normas, regulamentos técnicos e procedimentos de avaliação da conformidade, que podem dificultar o acesso de produtos aos mercados. Um dos pontos essenciais do acordo é o entendimento de que as normas internacionais, que são aquelas elaboradas pelos organismos internacionais de normalização, se constituem em referência para o comércio internacional. O acordo estipula que, sempre que possível, os governos devem adotar regulamentos técnicos baseados nas normas internacionais. Considera que os regulamentos técnicos que seguem normas internacionais não se constituem em barreiras técnicas. Sempre que um governo decidir adotar um regulamento técnico que não siga uma norma internacional, deve notificar formalmente os demais membros da OMC (Organização Mundial do Comércio) com antecedência mínima de 60 dias, apresentado uma justificativa. Os demais membros da OMC podem solicitar esclarecimentos e apresentar comentários e sugestões ao regulamento proposto. Estas informações são veiculadas pelos chamados "pontos focais" (inquiry points). Estas organizações, designadas por cada um dos membros da OMC, são as responsáveis por efetuar as notificações da regulamentação a ser adotada por esse país e pelo recebimento da comunicação das notificações efetuadas pelos outros países. O inquiry point do Brasil é o INMETRO, onde se podem obter informações sobre as notificações efetuadas à OMC, tanto brasileiras quanto dos demais países da OMC. O que é o Inmetro O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, INMETRO, é uma autarquia federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que atua como Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro), colegiado interministerial, que é o órgão normativo do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro). Objetivando integrar uma estrutura sistêmica articulada, o Sinmetro, o Conmetro e o Inmetro foram criados pela Lei n. 5.966, de 11 de dezembro de 1973, cabendo a este último substituir o então Instituto Nacional de Pesos e Medidas (INPM) e ampliar significativamente o seu raio de atuação a serviço da sociedade brasileira. A missão institucional do INMETRO é: 7 Pró-reitoria de EaD e CCDD Cliente Realce Cliente Realce Fortalecer as empresas nacionais, aumentando sua produtividade por meio da adoção de mecanismos destinados à melhoria da qualidade de produtos e serviços Prover confiança à sociedade brasileira nas medições e nos produtos, através da metrologia e da avaliação da conformidade, promovendo a harmonização das relações de consumo, a inovação e a competitividade do país. Competências e atribuições do Inmetro: Executar as políticas nacionais de metrologia e da qualidade; Verificar a observância das normas técnicas e legais, no que se refere às unidades de medida, aos métodos de medição, às medidas materializadas, aos instrumentos de medição e produtos pré-medidos; Manter e conservar os padrões das unidades de medida, assim como implantar e manter a cadeia de rastreabilidade dos padrões das unidades de medida no país, de forma a torná-las harmônicas internamente e compatíveis no plano internacional, visando, em nível primário, à sua aceitação universal e, em nível secundário, à sua utilização como suporte ao setor produtivo, com vistas à qualidade de bens e serviços; Fortalecer a participação do país nas atividades internacionais relacionadas com metrologia e qualidade, além de promover o intercâmbio com entidades e organismos estrangeiros e internacionais; Prestar suporte técnico e administrativo ao Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, Conmetro, bem assim aos seus comitês de assessoramento, atuando como sua secretaria executiva; Fomentar a utilização da técnica de gestão da qualidade nas empresas brasileiras; Planejar e executar as atividades de acreditação de laboratórios de calibração e de ensaios, de provedores de ensaios de proficiência, de organismos de certificação, de inspeção, de treinamento e de outros necessários ao desenvolvimento da infraestrutura de serviços tecnológicos no país; e Desenvolver, no âmbito do Sinmetro, programas de avaliação da conformidade, nas áreas de produtos, processos, serviços e pessoal, compulsórios ou voluntários, que envolvem a aprovação de regulamentos. Fonte: <www.inmetro.gov.br>. 8 Pró-reitoria de EaD e CCDD Cliente Realce TEMA 03: Critérios de normalização A normalização é para criar os meios necessários para a comunicação entre cliente e fornecedor e stabelecer as condições adequadas para um processo ou produto/serviço. A principal internacional entidade de normalização é a International Organization for Standardization (ISO). Os objetivos da normalização são os de estabelecer: Economia global, em termos de esforço humano, materiais, força na produção e troca de mercadorias; A proteção do interesse do consumidor por intermédio da adequada e contínua qualidade de mercadorias e serviços; A segurança, saúde e proteção da vida; O fornecimento dos meios de expressão e comunicação entre as partes interessadas. O processo de normalização técnicaa nível mundial desempenha papel essencial na eliminação/redução de barreiras técnicas e comerciais entre países. a) Impactos à normalização na economia Melhorar a qualidade, quantidade e regularidade da produção; Equilibrar a oferta e a procura; Aumentar a competitividade no mercado nacional; Reduzir os litígios entre empresas; Proporcionar o crescimento da produtividade nacional. b) Impactos da normalização na produção Eliminar desperdícios; Padronizar a documentação técnica; Reduzir custos; Aumentar a produtividade; Criar as bases para a competitividade, evitando assim a concorrência desleal. 9 Pró-reitoria de EaD e CCDD Cliente Realce c) Impactos da normalização no consumo Acessar dados técnicos padronizados; Reduzir de preços; Padronizar de pedidos; Possibilitar a comparação objetiva entre produtos, processos e serviços; Reduzir prazos de entrega; Garantir qualidade, regularidade, segurança e integridade. d) Impacto da normalização no social A normalização assegura maior uniformidade no trabalho, menor desgaste do trabalhador e melhor uso dos equipamentos, logo, gerando somente benefícios à sociedade pela segurança que oferece ao consumidor. e) Impacto tecnológico A normalização proporciona o acesso à tecnologia a todos os países, pois o desenvolvimento tecnológico num mercado é, de alguma forma, transmitido às normas e usado por essas em outros países. f) Impacto científico Integrar conhecimento requer padronização e isto é facilitado pelas normas técnicas. g) Impacto econômico Aqui está o mais visível dos ganhos da normalização, ou seja, os ganhos expressivos conseguidos com a competitividade, obtidos pela normalização. h) Impacto ambiental O sistema de normalização consolida, organiza e disponibiliza metas como a proteção da saúde, da segurança e do meio ambiente. 10 Pró-reitoria de EaD e CCDD Benefícios da normalização a) Qualitativos São os que não podem ser diretamente medidos ou são de difícil mensuração exemplos: Utilização adequada de recursos; Disciplina na produção; Uniformidade do trabalho; Registro do conhecimento tecnológico; Melhoria no nível de capacitação do pessoal; Controle dos produtos e processos; Segurança do pessoal e dos equipamentos; Racionalização do uso do tempo. Quantitativos São os que podem ser mensurados exemplo: Redução do consumo e desperdício; Especificação e uniformização de matérias-primas; Padronização de componentes e equipamentos; Redução de variedades de produtos; Disponibilização de procedimentos para cálculos e projetos; Melhoria da produtividade; Melhoria da qualidade de produtos e serviços; Eficácia da comunicação entre pessoas e empresas Critérios para a normalização da norma da qualidade ISO 9000 As normas foram elaboradas através de um consenso internacional acerca das práticas que uma empresa deve tomar a fim de atender plenamente os requisitos de qualidade total. A ISO 9000 não fixa metas a serem atingidas pelas organizações a serem certificadas – as próprias organizações estabelecem essas metas. Uma organização deve seguir alguns passos e atender a alguns requisitos para serem certificadas. Dentre esses podem-se citar: Padronização de todos os processos-chave da organização, processos que afetam o produto e conseqüentemente o cliente; 11 Pró-reitoria de EaD e CCDD Cliente Realce Cliente Realce Monitoramento e medição dos processos de fabricação para assegurar a qualidade do produto/serviço, através de indicadores de performance e desvios; Implementar e manter os registros adequados e necessários para garantir a rastreabilidade do processo; Inspeção de qualidade e meios apropriados de ações corretivas quando necessário; e Revisão sistemática dos processos e do sistema da qualidade para garantir sua eficácia. TEMA 04: Normas de qualidade Desde os seus primórdios, a industrialização levantou questões relativas à padronização e à qualidade de processos e produtos. A padronização internacional começou pela área eletrotécnica, com a constituição, em 1906, da International Electrotechnical Commission (IEC). Seu exemplo foi seguido em 1926, com o estabelecimento da International Federation of the National Standardizing Associations (ISA), com ênfase na engenharia mecânica. As atividades da ISA cessaram em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial. Nesta época, as empresas britânicas de alta tecnologia, nomeadamente as de produção de munições, registravam inúmeros problemas com a qualidade de seus produtos, o que ocasionava sérios acidentes com perda de vidas e de património. O governo passou, então, a solicitar aos seus fornecedores, procedimentos de fabricação conforme normas registradas por escrito, visando garantir que esses procedimentos estavam sendo seguidos. Esta norma tinha a designação "BS 5750", e ficou conhecida como norma de gestão, uma vez que não apenas especificava como se produzir, mas também como gerenciar o processo de produção. Com o final do conflito, em 1946, representantes de 25 países reuniram-se em Londres e decidiram criar uma nova organização internacional, com o objetivo de "facilitar a coordenação internacional e unificação dos padrões industriais". A nova organização, a Organização Internacional para Padronização iniciou oficialmente as suas operações em 23 de fevereiro de 1947, com sede em Genebra, na Suíça. Com a acentuação da globalização na década de 1980, aumentou a necessidade de normas internacionais, nomeadamente a partir da criação da União Europeia. "Em 1987, o governo britânico persuadiu a Organização Internacional para Padronização (ISO) a adotar a BS 5750 como uma norma padrão internacional. A BS 5750 tornou-- se a ISO 9000." 12 Pró-reitoria de EaD e CCDD A ISO série 9000 compreendia um conjunto de cinco normas (ISO 9000 a ISO 9004), além destas cinco normas, deve se citar a existência da ISO 8402 (Conceitos e Terminologia da Qualidade) e da ISO 19011 (Diretrizes para a Auditoria de Sistemas da Qualidade). ISO 9000:1987 Esta foi a primeira norma da qualidade, baseada na norma britanica BS 5750, embora tivesse influência de outras normas existentes nos EUA. O gerenciamento da qualidade era subdividido em três modelos, conforme segue: ISO 9001:1987 – modelo de garantia da qualidade para projeto, desenvolvimento, produção, montagem e prestadores de serviço: aplicava-se a organizações cujas atividades eram voltadas à criação de novos produtos. ISO 9002:1987 – modelo de garantia da qualidade para produção, montagem e prestação de serviço: compreendia essencialmente o mesmo material da anterior, mas sem abranger a criação de novos produtos. ISO 9003:1987 – modelo de garantia da qualidade para inspeção final e teste: abrangia apenas a inspeção final do produto, e não se preocupava como o produto era feito. ISO 9000:1994 A norma ISO 9000:2004 continha os termos e as definições relativos à norma ISO 9001:1994. Não é norma certificavel, é apenas explicativa dos termos e das definições da garantia da qualidade. ISO 9001:1994 A ISO 9002:1994 é a norma que continha a garantia da qualidade como base da certificação. ISO 9001:2000 Combina as 9001, 9002 e 9003 em uma única, doravantedenominada simplesmente como 9001:2000. 13 Pró-reitoria de EaD e CCDD Cliente Realce Os processos de projeto e desenvolvimento eram requeridos apenas para empresas que, de fato, investiam na criação de novos produtos, inovando ao estabelecer o conceito de "controle de processo" antes e durante o processo. Esta versão exigia ainda o envolvimento da gestão para promover a integração da qualidade internamente na própria organização, definindo um responsável pelas ações da qualidade. Adicionalmente, usa aferições de desempenho e de indicadores para medir a efetividade das ações e atividades desenvolvidas. Mas, a principal mudança foi o foco no cliente, que passa a ser visto como parte da organização. Além disso, também são considerados como clientes os envolvidos na cadeia de produção como clientes internos. ISO 9000:2005 Única nesse ano. Mantinha as bases da ISO 9000:2000. ISO 9001:2008 Esta versão teve como principal caracterisitica apresentar maior compatibilidade com a família da ISO 14000, e as alterações realizadas trouxeram maior compatibilidade para as suas traduções e, consequentemente, um melhor entendimento e interpretação de seu texto. ISO 9001:2015 Esta norma tem a seguinte estrutura: 1. Escopo 2. Referências Normativas 3. Termos e Definições (definições comuns) 4. Contexto da Organização 5. Liderança 6. Planejamento 7. Suporte 8. Operação 9. Avaliação do Desempenho 10. Melhoria 14 Pró-reitoria de EaD e CCDD No Brasil A família de normas NBR ISO 9000:1994 (9001, 9002 e 9003) foi cancelada e substituída pela série de normas ABNT NBR ISO 9000:2000, que é composta de três normas: ABNT NBR ISO 9000:2000 – descreve os fundamentos de sistemas de gestão da qualidade e estabelece a terminologia para estes sistemas. ABNT NBR ISO 9001:2000 – especifica requisitos para um Sistema de Gestão da Qualidade, onde uma organização precisa demonstrar sua capacidade para fornecer produtos que atendam aos requisitos do cliente e aos requisitos regulamentares aplicáveis, e objetiva aumentar a satisfação do cliente. ABNT NBR ISO 9004:2000 – fornece diretrizes que consideram tanto a eficácia como a eficiência do sistema de gestão da qualidade. O objetivo desta norma é melhorar o desempenho da organização e a satisfação dos clientes e das outras partes interessadas. Não existe certificação para as normas ABNT NBR ISO 9000:2000 e ABNT NBR ISO 9004:2000. Como é a série ISO 9000, hoje? A ISO 9000 é uma série de 4 normas internacionais para "Gestão da Qualidade" e "Garantia da Qualidade". Ela não é destinada a um produto nem a alguma indústria específica. Tem como objetivo orientar a implantação de sistemas de qualidade nas organizações. As regras e os padrões da Gestão da Qualidade e Garantia da Qualidade são complementares aos padrões do produto, e são implantados para melhorar a sua qualidade, com impacto na funcionalidade do Sistema da Qualidade. A série é composta das seguintes normas: ISO 9000 – Fundamentos e Vocabulário ISO 9001 – Sistemas de gerenciamento da qualidade: requisitos ISO 9004 – Sistemas de gerenciamento da qualidade: guia para melhoramento da performance ISO 19011 – Auditorias internas da qualidade e ambiental. Em setembro de 2015, a ISO publicou a atualização da ISO 9001, surgindo então a ISO 9001: 2015. 15 Pró-reitoria de EaD e CCDD Cliente Realce TEMA 05: Auditoria da qualidade Auditoria é um processo sistemático de verificação de conformidades de um Sistema de Gestão da Qualidade baseado nos requisitos de uma determinada norma técnica. a) Objetivos de uma auditoria Determinar a conformidade ou não conformidade do sistema da qualidade com os requisitos especificados; Determinar a eficácia do sistema em atender aos objetivos; Identificar o potencial de melhoria do sistema da qualidade; Atender aos requisitos regulamentares; Para fins de certificação (registro) do sistema da qualidade. b) Benefícios de uma auditoria Dar à alta direção a confiança de que as coisas acontecem conforme pretendido. Proporcionar confiança aos clientes; Detectar e observar problemas ocasionais; Dar retorno das informações às ações corretivas e melhorias A auditoria dependerá da coleta de informações para que as informações sejam identificadas. A informação é a evidência objetiva da conformidade. É importante que essas informações coletadas sejam reais e exatas. c) Tipos de auditoria da qualidade Auditoria de adequação: é aquela em que se determina a extensão na qual o sistema documentado representado pelo manual da qualidade e pelos procedimentos adequadamente atende aos requisitos da norma aplicável. Esta auditoria é também conhecida por: Auditoria da documentação; Auditoria de escritório; Análise crítica da documentação; 16 Pró-reitoria de EaD e CCDD Cliente Realce Auditoria de sistema = conjunto da auditoria de adequação + conformidade; No processo de certificação, uma auditoria de adequação se limita tipicamente à análise crítica de documentos da qualidade. Auditoria de Conformidade ou de Implementação: estabelece a extensão na qual o sistema documentado está entendido, implementado e percebido pela força de trabalho, ou seja, como está funcionando e de que forma está funcionando um Sistema de Gestão da Qualidade. Auditoria Externa: é uma auditoria de segunda parte ou de terceira parte. Auditoria Interna: é uma auditoria de primeira parte. d) Classificação da auditoria da qualidade Auditoria da Qualidade de Primeira Parte: ésta é uma auditoria realizada por uma empresa sobre si mesma. É uma autoauditoria. É realizada para benefício da administração daquela empresa que utilizará as informações obtidas durante a auditoria. Auditoria da Qualidade de Segunda Parte: são auditorias desenvolvidas por uma empresa sobre uma outra. Este tipo inclui auditorias realizadas por clientes em seus fornecedores. Auditoria da Qualidade de Terceira Parte: são auditorias realizadas por uma terceira parte independente, que não tem interesse direto nos resultados das auditorias (certificadoras). e) Planejamento da auditoria Para um bom planejamento de uma auditoria, usamos um modelo de plano baseado no 5W1H, obtendo-se respostas aos questionamentos colocados no quadro conforme modelo a seguir: 17 Pró-reitoria de EaD e CCDD Cliente Realce f) Perfil do auditor Para entendimento do perfil desejado para o auditor, separam-se a seguir suas características e atributos em: Características profissionais; Características técnicas; Atributos éticos; Atributos pessoais Síntese Chegamos ao fim da segunda aula, cujo foco foram os aspectos legais e normativos. Nesse encontro, vocês puderam aprender como funcionam a elaboração e uso das normas técnicas e regulamentadoras no Brasil, além de conhecer os critérios de normalização e como deve se desenvolver as auditorias de qualidade. 18 Pró-reitoria de EaD e CCDD Referências ALMEIDA, Márcio. Tipos de Auditoria de Qualidade. 2012. Disponível em: <http://marcioqualy.blogspot.com.br/2012/07/tipos-de-auditoria-da-qualidade.html>.Acesso em: 01 jul. 2016. DEMING, W. E. Qualidade: A Revolução da Administração. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 1990. PALADINI, Edson P. Avaliação Estratégica da Qualidade. São Paulo: Atlas, 2002. PUC-RIO. Capítulo 2: Fundamentos e a prática da normalização. Disponível em: <http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/4049/4049_3.PDF>. Acesso em: 01 jul. 2016. SELEME, Robson. Gestão da Qualidade e Ferramentas essenciais. Curitiba: IBPEX, 2010. <http://www.inmetro.gov.br/> <http://www.abnt.org.br/> <http://www.iso.org/iso/home.html> 19 Pró-reitoria de EaD e CCDD Padronização, Qualidade e Certificação Aula 3 Professor Nelson Tadeu Galvão de Oliveira 1 Pró-reitoria de EaD e CCDD Conversa inicial Caros alunos, estamos iniciando a nossa aula sobre aspectos mercadológicos, referente à disciplina Padronização, Qualidade e Certificação. Nela, vamos aprender sobre as diferentes dimensões da qualidade, trataremos sobre os custos da implantação da qualidade nas empresas, relacionaremos qualidade e produtividade e mostraremos a qualidade como estratégia competitiva de mercado. Conheceremos ainda a qualidade como vantagem competitiva empresarial, esperando que vocês tenham uma outra visão da qualidade como algo prático a ser usado na empresa para o alcance e a melhoria de resultados. Contextualizando Para se manterem no mercado competitivo, as empresas usam as ferramentas da gestão da qualidade. Esta aula terá como finalidade apresentar alguns conceitos que levam as empresas a se manterem no mercado através da gestão adequada da qualidade. Devido à grande relevância do tema, optamos por aprofundar nossos conhecimentos sobre gestão da qualidade no assunto através desta aula. O objetivo será a identificação das principais vantagens da utilização da ferramenta de gestão da qualidade como diferencial competitivo das empresas. Com a adoção desta ferramenta, a empresa conseguirá sobreviver à competitividade do mercado, satisfazendo as necessidades dos seus clientes (internos e externos). Vamos etão avançar em nossos estudos. Problematização Vamos aplicar na prática os conceitos da dimensão da qualidade, para um simples bombom de chocolate. É um produto consumido por milhares, quiçá milhões de brasileiros, diariamente. Geralmente, este produto não é avaliado, pois o que importa comer um bom chocolate (um bom bombom, rs...), mas creio este ser um exemplo prático e simples. Analisaremos, então, uma a uma, as dimensões, referente a duas marcas: Marca A – consumida por todos os públicos, principalmente pelas classes B, C e D, mais tradicional nos supermercados e na mídia televisiva. 2 Pró-reitoria de EaD e CCDD Marca B – consumidas pelas classes C, D e E, menos tradicional nos supermercados, mais tradicional em mercadinhos e sem propaganda veiculada na TV. Desempenho – o produto é o que promete ser? Todas as duas marcas cumprem o que prometem, ou seja, satisfazem e proporcionam energia aos que o consomem. Confiabilidade – com qual frequência ou período o produto falha? Como o bombom é um produto consumido em um pequeno período de tempo, este item não será avaliado. No entanto, em um bombom da marca A, pude verificar, antes de comer, que ele era mais curto que os demais, isto indicará falta de conformidade com o padrão, característica abordada ainda neste artigo*. Durabilidade – quanto tempo o produto vai durar? Esta é uma informação citada na embalagem do produto, ou seja, na caixa de bombons, no entanto, ao avaliar o produto como um todo, observei que a embalagem da marca A garante o produto em seu estado de conservação até a data indicada na caixa, o da marca B, não. Estética – o produto é bonito? É agradável para quem vê? Por toda a estrutura e pelo investimento em marketing, o bombom da marca A é mais bonito que o da marca B, e, pela minha opinião, isso auxilia na hora da compra. Características adicionais – o que o produto fornece a mais? Quais serviços ele fornece a mais? Nenhuma das duas marcas fornece produtos ou serviços a mais. A marca A tem potencial para tal, mas não fornece. Qualidade observada – qual é a reputação do produto? No caso dos bombons, se você compra uma caixa e este produto sempre tem boa qualidade ao ser degustado, se a caixa tem a quantidade do seu bombom preferido vem em quantidades acima do esperado, o bombom tem uma boa qualidade observada. Conformidade com o padrão – o produto foi fabricado conforme o padrão, ou seja, conforme as especificações de processo? Como já citado anteriormente, um bombom da marca A tinha o comprimento menor, fato observado em apenas um bombom, mas o suficiente para verificar falha no cumprimento do padrão – fato grave. O produto da marca B não apresentou nenhum bombom fabricado fora dos padrões. Concluindo que, pela abordagem de Garvin, em geral, tanto os bombons da marca A e da marca B possuem características de qualidade de seus produtos. Este texto foi extraído da internet: Dimensões da Qualidade segundo Garvin. 3 Pró-reitoria de EaD e CCDD Resolução do Caso Conformidade: o grau que um projeto e as características operacionais de um produto estão de acordo com padrões preestabelecidos. Durabilidade: uso proporcionado por um produto até ele se deteriorar fisicamente, ou seja, o ciclo de vida útil do produto. O conteúdo a ser estudado nessa rota nos permitirá resolver questões como essa no dia a dia. TEMA 01: Dimensões da qualidade Garvin (1992: 59) identifica ainda oito dimensões com vistas a identificar seus elementos básicos: É Desempenho Está de acordo com as características operacionais básicas do produto. São as características finais do produto e do uso que o cliente deseja. Em automóveis: aceleração, estilo, acabamento, conforto, etc. Em televisores: qualidade do som, nitidez de imagem, etc. Características/Especificações São as características adicionais dos produtos, itens secundários que suplementam o funcionamento básico do produto. Exemplos de diferenciação: especificações de engenharia que envolvem o uso de alta tecnologia; características complementares que superam as funções básicas do produto. TVs, por exemplo, são fabricados para se diferenciarem uns dos outros no mercado. Numa TV 14 polegadas, a função de ajuste automático de imagem e som pode ser considerada, hoje, uma função básica. Confiabilidade a probabilidade de um mau funcionamento de um produto ou falha em um determinado período. Dimensão associada ao caráter durável do produto. 4 Pró-reitoria de EaD e CCDD Conformidade O grau em que o projeto e as características operacionais de um produto estão de acordo com padrões preestabelecidos. Nesta fase, chegamos à industrialização e à produção. Este item está associado às técnicas de controle do processo. É o limite de especificações. O grau em que um produto está de acordo com as especificações (padrões) incluindo características operacionais. Reflete indiretamente o atendimento aos requisitos do cliente. Durabilidade Uso proporcionado por um produto até ele se deteriorar fisicamente.Certas vezes, é difícil interpretar a durabilidade de um produto, neste caso, a durabilidade passa ser o tempo até o produto precisar de reparos. Medida da vida útil de um produto: aspectos técnicos e aspetos econômicos. Atendimento A rapidez, cortesia, competência e facilidade de reparo. Objetiva assegurar a continuidade dos serviços oferecidos pelo produto após sua venda: assistência técnica; serviço de atendimento aos clientes; velocidade, competência e cortesia com que um problema é resolvido; como reagem com as reclamações dos consumidores. Estética Uma dimensão subjetiva. Está relacionado com a aparência do produto. É, sem dúvida, um julgamento pessoal e reflexo das preferências individuais. f. Qualidade percebida Uma dimensão subjetiva. Reputação é um dos principais fatores que contribuem para a qualidade percebida. Exemplo: propaganda, marca do produto, participação no mercado, divulgação informal do produto, etc. 5 Pró-reitoria de EaD e CCDD TEMA 02: O custo da qualidade Vamos analisar a relação existente entre qualidade e custos, e a importância do controle dos custos da qualidade num ambiente competitivo. A qualidade é uma ferramenta que permite combater ineficiências no processo, permitindo reduzir os custos de forma controlada. O conceito de custos da qualidade se alterna de acordo com a decisão da qualidade e estratégias implementadas pela empresa. Segundo Juran, “custos da qualidade são aqueles custos que não deveriam existir se o produto saísse perfeito pela primeira vez”. Este autor associa os custos da qualidade com as falhas de produção que levam a retrabalho, desperdício e perda de produtividade. Feigenbaum, no entanto, descreve custos da qualidade como aqueles custos relacionados com a definição, criação e controle da qualidade, assim como garantia e requisitos de segurança, avaliação e retro alimentação da configuração da qualidade. Todos os custos relacionados com falhas nos requisitos de produção e depois que o produto já se encontra nas mãos do cliente. Feigenbaum afirma que estes custos estão diretamente ligados à satisfação do cliente. Segundo Crosby e Mason o custo da qualidade está relacionado à conformação ou não conformação com os requisitos. O custo da qualidade é um incentivador que faz com que a gerência e a equipe de melhoria da qualidade tenham melhor entendimento do que está acontecendo, visto que antes cingiam-se a simular que seguiam o programa e que os custos da qualidade dizem respeito à soma dos custos da conformidade com os custos da não conformidade. A medida do desempenho dos programas da qualidade pode ser feita pelas falhas do processo produtivo, assim, podemos, então, medir melhor os custos dessas falhas. Harrington enfatiza a utilização de medidas de custos da qualidade em programas de melhoria e os define como custos incorridos para ajudar o empregado a fazer bem o seu trabalho, custos para saber se a produção é aceitável, assim como todo o custo que incide sobre a empresa e o cliente, porque a empresa não cumpriu as especificações e expectativas do cliente. Para Corradi, “Custos da qualidade são medidos de custo especificamente associadas com o alcance ou não alcance da qualidade de produtos e serviços, incluindo todos os requisitos de produtos e serviços estabelecidos pela companhia e seus contratos com os clientes e a sociedade”. Este autor aplica duas categorias para os custos da qualidade: k. Custos da qualidade aceitáveis – custos que a empresa pretende gastarem; l. Custos da qualidade não aceitáveis – custos que a empresa pretende eliminarem ou evitar. 6 Pró-reitoria de EaD e CCDD Classificação dos custos de qualidade – segundo o modelo de Feigenbaum Custos de prevenção – são todos os custos incorridos para evitar que as falhas aconteçam, tais como: Planeamento da qualidade; Revisão de novos produtos; Controlo de processos; Análise e aquisição de dados; Relatórios de qualidade; Planeamento e administração dos sistemas de qualidade; Controlo do projeto; Obtenção das medidas de qualidade e controlo do equipamento; Suporte aos recursos humanos; Manutenção do sistema de qualidade; Custos administrativos da qualidade; Gerenciamento da qualidade; Estudo de processos; Informação da qualidade; Outros. Custos de avaliação – são custos fundamentais para avaliar a qualidade do produto pela primeira vez de modo a detectar falhas antes que o produto seja colocado no mercado. Estes custos incluem: Inspeção de matéria-prima; Inspeção e teste; Testes de equipamento; Material consumido nos testes; Avaliação de stocks; Custos de preparação para inspeção e teste; Custos de controlo de compras; Operações de laboratório; Aprovações de órgãos externos como governo, seguro, laboratórios; 7 Pró-reitoria de EaD e CCDD Envio dos produtos testados para a produção; Demonstração de qualidade, relatórios de qualidade; Manutenção e setup; Testes de produção. Custo das falhas internas – são os custos derivados de algum erro do processo produtivo, seja falha mecânica ou humana. Alguns exemplos de falhas internas: Refugos; Retrabalho; Paradas; Esperas; Falhas do fornecedor; Utilização de material rejeitado para outras finalidades; Ações corretivas derivadas de materiais e processos; Outros custos internos. Custo das falhas externas – são custos resultantes de falhas no produto ou serviço quando este já está exposto no mercado ou já adquirido pelo consumidor final. Estas falhas podem originar grandes perdas em custos intangíveis, como a credibilidade da empresa e destruição da imagem, por exemplo. Alguns exemplos de falhas externas: Atendimento a reclamações; Material devolvido; Custos com garantia; Custos de concessões dadas aos clientes, descontos; Custos com falhas externas, após garantia; Serviço de atendimento ao cliente; Outros custos externos. 8 Pró-reitoria de EaD e CCDD Como medir custos da qualidade Esses custos são obtidos pela identificação de itens de prevenção, avaliação, falhas internas e externas. Os cálculos de custos são retirados de relatórios contáveis. O uso do conceito de valor agregado aos custos da qualidade relaciona os itens de prevenção e falhas com as atividades que agregam ou não valor para o consumidor. Podemos entender que o gerenciamento da qualidade baseia-se em eliminar atividades que não agregam valor e que resultam em custos desnecessários para a organização. A importância dos custos da qualidade O conceito de custos da qualidade abordava apenas o total dos custos evitáveis da qualidade. Com o decorrer do tempo, o conceito evoluiu para englobar todos os custos necessários. A maior parte destes custos era evitável, ou seja, eram de má qualidade. Considerações finais O sistema de custos de qualidade tem mostrado ser uma ferramenta importante para o gerenciamento da qualidade, aliado à estratégia da empresa. TEMA 03: Qualidade e produtividade No início da era industrial, a preocupação dos gestores estava voltada para os volumes de produção. Surge, então, a medição da produtividade, que, até a Segunda Guerra Mundial, era entendida como a simples razão entre o volume produzidoe o tempo gasto para esta produção. Hoje, podemos afirmar que é mais fácil entendermos a importância da produtividade que o seu significado. Uma das formas mais simples de se definir produtividade é como sendo a razão entre a saída (ou o resultado final) de um processo e a entrada, que representa os recursos necessários à obtenção da saída. Produtividade = (Saída / Entrada) 9 Pró-reitoria de EaD e CCDD Como conclusão, podemos afirmar que a produtividade representa quantas unidades de saída conseguimos para obter uma unidade de entrada. Algumas pessoas interpretam de maneira equivocada a equação da produtividade. Podemos dizer que para aumentar a produtividade é necessário fazer duas coisas: ou aumentar a saída, mantendo a quantidade; ou, para uma mesma saída, diminuir os recursos. Mas, há outras variáveis envolvidas, como a demanda de mercado, por exemplo, os preços, etc. A produtividade pode ser vista de forma mais ampla, levando em conta todas as variáveis existentes nos processos. O aumento da produtividade deve ser feito baseada no aumento da qualidade dos produtos durante todo seu ciclo de vida. O aumento da produtividade é muito maior que o simples aumento dos níveis de produção. Ele está integrado aos conceitos de qualidade total, levando a empresa a buscar ganhos em todos os aspectos de suas operações a partir da qualidade. O elemento humano é o principal elemento da empresa quando se busca melhorar a produtividade. São as ações das pessoas que levam ao aumento da produtividade. Os resultados são ligados a essas capacidades e à motivação para colocar as competências a favor da organização e ao trabalho de equipe. Processos, ferramentas e mecanismos de controle são elementos que devem servir para apoiar as pessoas a alcançarem o seu máximo desempenho e, com isso, a maior produtividade. Vamos ver com um exemplo de Qualidade e Produtividade trabalhando juntos: uma fábrica de alfinetes produz 5.000 unidades por dia, com 15 funcionários na linha de produção. O diretor industrial decide, então, cortar custos, demitindo 5 funcionários, mas obrigando os outros 10 restantes a produzir os mesmos 5.000 alfinetes por dia no mesmo período de tempo. Se, após a reestruturação, a equipe continuar utilizando 10 Pró-reitoria de EaD e CCDD a mesma quantidade de matérias-primas e produzindo alfinetes idênticos aos anteriores, então poderemos dizer que a empresa agora está mais produtiva: Produtividade antes: 5.000/15 = 333,33 Produtividade depois: 5.000/10 = 500 Agora, vamos supor que a taxa de rejeição da empresa era de 10% antes da reestruturação, ou seja, 10% da sua produção diária era rejeitada por não atender a requisitos (problema na qualidade). Após a reestruturação, essa taxa aumentou para 45 %. E aí? Como ficou a produtividade? Maior ou menor? A conta é simples: Antes Depois Produção = 5.000 Produção = 5.000 Rejeição = 10% de 5.000 = 500 Rejeição = 45% de 5.000 = 2.250 Produção real = 5.000 – 500 = 4.500 Produção real = 5.000 – 2.250 = 2.750 Número de funcionários = 15 Número de funcionários = 10 Produtividade = 4.500/15 = 300 Produtividade = 2.750/10 = 275 Concluímos, com isso, então, que a produtividade piorou. Essa é uma conta que muitas empresas não levam em consideração na hora de demitir vários funcionários e obrigar os demais a fazer todo o trabalho pelos demais. Você não pode dizer que está sendo mais produtivo só porque executa o mesmo volume de trabalho que antes, com menos funcionários. Você deve levar em consideração também a qualidade do produto ou serviço (resultado) que está sendo gerado com a equipe de trabalho reduzida. Essa conta da produtividade pode ser feita para qualquer recurso, por exemplo, matéria- prima. Se você utilizar material de baixa qualidade, com o objetivo de produzir mais produtos, você pode estar comprometendo a qualidade e, consequentemente, a aceitação do seu produto por clientes. Por isso, em vez de usar o conceito clássico de que produtividade é igual ao volume de produção dividido pelos insumos, é preferível dizer que produtividade é igual a resultados/insumos, pois, assim, os resultados também estão levando em conta a qualidade do que é produzido. As inovações como a máquina de escrever, e posteriormente o computador, a automação industrial e comercial e os programas de treinamento e desenvolvimento de pessoas têm permitido a empresa melhorar a sua produtividade e também melhorar a qualidade. Esses dois conceitos devem ser monitorados sempre em conjunto. 11 Pró-reitoria de EaD e CCDD Muitas pessoas tratam a qualidade como uma área isolada das demais, principalmente em relação às finanças. Isso é um erro grave, na minha opinião. Os conhecimentos sobre a qualidade podem ser utilizados como uma poderosa ferramenta para melhorar o desempenho financeiro das empresas. Esse é um dos princípios básicos da Gestão pela Qualidade Total. TEMA 04: Qualidade como estratégia de mercado Qual a sua estratégia para vender? Quem correr mais e com mais qualidade vencerá. A formulação de estratégias competitivas com apoio do Programas de Qualidade Total fará com que as empresas se tornem mais competitivas. A empresa precisa ter um direcionamento estratégico para as suas atividades, que, tendo um planejamento estratégico, deve ter todas as suas decisões e todos os seus direcionamentos voltados para as estratégias definidas. Não havendo plano estratégico, os processos devem ser conduzidos fundamentados nos conceitos da qualidade. Um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) deve ser implementado para que a empresa possa alcançar sua visão de futuro e seus objetivos. O planejamento do SGQ deve, portanto, ser iniciado no nível estratégico e desdobrado até o nível operacional (planejamento e controle da produção ou dos serviços). Quando a empresa possui o 12 Pró-reitoria de EaD e CCDD Planejamento Estratégico, sua política e seus objetivos da qualidade são desdobrados deste planejamento. Os objetivos da qualidade devem ser possíveis de serem medidos, podendo ser avaliados através do estabelecimento de metas e do uso de indicadores que permitam aos demais gestores acompanhá-los e realizar a gestão de seus processos. A imagem a seguir nos mostra a inter-relação existente entre o planejamento estratégicos e os programas de qualidade total. Há uma integração muito próxima entre a gestão de processos e os sistemas de garantia da qualidade, sendo que os sistemas de qualidade auxiliam na implantação das melhorias necessárias nos processos, e estas, por consequência, geram mais qualidade. TEMA 05: Qualidade na competitividade As empresas têm como principal objetivo atingir a plena competitividade. Quando a empresa chega a este estágio, podemos dizer que ele possui estabilidade econômica e financeira. A marca é uma referência para o produto, e os colaboradores e consumidores devem estar plenamente satisfeitos. Para a obtenção da competividade plena, a qualidade de produtos é a razão principal para isto acontecer. A partir deste entendimento, temos a gestão da qualidade como uma função estratégica para todas 13 Pró-reitoria de EaD e CCDD as organizações. Para atingir objetivos estratégicos através da gestão da qualidade,necessário implantar um modelo de gerenciamento e controle da qualidade para a otimização e racionalização de processos, criando uma cultura inovadora que possibilite acompanhar as tendências do mercado. No Brasil, podemos citar três modelos bem difundidos e com resultados reconhecidos, no ambiente empresarial: Modelo de Gestão Estratégica de Processos (GEP) Modelo de Excelência em Gestão (MEG), certificado pela Fundação Nacional da Qualidade Sistema de Gestão da Qualidade – NBR ISO 9001, certificado pela ISO Estes modelos proporcionam às organizações ganhos reais em relação a produtividade, redução de custos e otimização dos processos. Estes benefícios geram melhoria de sua competitividade para a organização. Já os sistemas de gestão da qualidade baseados na NBR ISO 9001 conseguem suprir este gap, que é a alavancagem comercial da empresa, mesmo tendo como base para operação as mesmas do modelo GEP e MEG. A certificação ISO 9001 proporciona à empresa ter um processo produtivo estruturado dentro de um padrão de normas internacionais para qualidade e venda, o que possibilita a realização das exportações. Devido a isso, consumidores que nunca adquiriram determinado produto ou serviço tendem a adquirir na primeira vez, produtos/serviços certificados. Para obter este comportamento, as organizações realizam fortes campanhas de marketing, associando a marca ou produto à certificação ISO 9001. Para as empresas, como objetivo principal de qualquer processo, o mais importante não é o tipo de modelo de gestão da qualidade, e sim definir o foco no cliente e o atendimento de suas necessidades. Buscar a competitividade é difícil, mas a gestão da qualidade é o instrumento para o alcance do estágio da competitividade plena e a manutenção do mesmo. A competitividade está diretamente ligada à eficiência empresarial. Competitividade é a base do sucesso ou fracasso numa economia de livre concorrência. Competitividade é a correta adequação das atividades do negócio no seu microambiente. (DEGEN, 1989, p.106-107). A gestão da qualidade melhora a competitividade quando oferece ao mercado produtos sem defeitos e entregas rápidas – isso, associado a programas operacionais que passam a contribuir plenamente para atender seus consumidores. 14 Pró-reitoria de EaD e CCDD Os conceitos de qualidade, produtividade e competitividade caminham juntos e estão interligados e interdependentes, pois a competitividade decorre da produtividade, que, por sua vez, decorre da qualidade. Podemos afirmar que a sobrevivência da empresa depende da sua competitividade, e esta da sua produtividade, e esta, finalmente, da qualidade, conforme nos mostra a imagem a seguir: 15 Pró-reitoria de EaD e CCDD Na Prática Escolha um produto que você tenha adquirido recentemente. Agora, com base nas dimensões de Garvin, analise e relate para cada dimensão o que você pôde observar sobre a qualidade do produto adquirido. Se desejar, faça uma publicação no fórum da disciplina, pois poderá ajudar outros colegas de curso e esclarecerem as suas dúvidas. Escolha também um produto qualquer da sua casa e pesquise como a melhoria da qualidade desse produto poderá melhorar e ampliar as suas vendas. Síntese Concluímos a 3ª aula dessa disciplina, com temas fundamentais para o entendimento da importância da qualidade nos aspectos mercadológico. Pudemos conhecer as diferentes dimensões da qualidade, entender sobre como a qualidade pode ser importante na diminuição dos custos e na melhoria da produtividade e competitividade da empresa, e concluir que a qualidade deve ser implantada para se obter efetivos resultados a partir dela. Referências DEMING, W. E. Qualidade: A Revolução da Administração. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 1990. file:///C:/Users/User/Documents/Abordagem%20das%20Dimens%C3%B5es%20de% 20Qualidade,%20segundo%20Garvin.htm LIMA, Emanuel E. Qualidade e Produtividade. 2008. Disponível em: <http://www.ogerente.com.br/novo/colunas_ler.php?canal=15&canallocal=47&canals ub2=152&id=1231>. Acesso em: 04 jul. 2016. MARINO, Lúcia H. F. de C. Gestão da qualidade e gestão do conhecimento: fatores-chave para produtividade e competitividade empresarial. 2006. Disponível em: <http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/598.pdf>. Acesso em: 04 jul. 2016. PALADINI, Edson P. Avaliação Estratégica da Qualidade. São Paulo: Atlas, 2002. 16 Pró-reitoria de EaD e CCDD RIGONI, José R. Conceitos de Qualidade e Produtividade para a melhorar o desempenho da sua empresa. 2010. Disponível em: <http://www.totalqualidade.com.br/2010/05/conceitos-de-qualidade-e- produtividade.html>. Acesso em: 04 jul. 2016. SELEME, Robson. Gestão da Qualidade e Ferramentas essenciais, Curitiba: IBPEX, 2010. SILVA, Eduarda M.; TIZO, Suzana A.; FERREIRA, Valdivina A. As principais vantagens da utilização da gestão da qualidade pelas empresas como diferencial competitivo. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/as-principais-vantagens-da- utilizacao-da-gestao-da-qualidade-pelas-empresas-como-diferencial- competitivo/28525/>. Acesso em: 14 jul. 2016. VARGAS, Rômulo O. Planejamento e o sistema de gestão da qualidade. 2007. Disponível em: <http://www.prodfor.com.br/index.php/component/k2/item/559- planejamento-e-o-sistema-de-gestão-da-qualidade>. Acesso em: 04 jul. 2016. 17 Pró-reitoria de EaD e CCDD Padronização, Qualidade e Certificação Aula 4 Prof. Nelson Tadeu Galvão de Oliveira Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) Conversa Inicial Olá! Seja bem-vindo à disciplina de padronização, qualidade e certificação, onde vamos aprender sobre como se coletam dados, assim como se montam as folhas de registros de dados para análise e tratamento posterior. E como esta rota de aprendizagem refere-se aos aspectos operacionais da qualidade, vamos estudar também sobre o processo de inspeção da qualidade que visa garantir produtos confiáveis ao cliente final. Ainda neste contexto, aprenderemos sobre a acreditação de laboratórios de controle de qualidade e sobre metrologia, ambos assuntos importantes na nossa disciplina. Bons estudos! Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 1 Contextualizando Estamos certos que a qualidade total, a produtividade e a competitividade das organizações resultam dos seguintes fatores: Estrutura Organizacional Colaboradores Treinados, Criativos e Motivados Sistemas Internos A qualidade interna é importante, mas de nada adianta se o consumidor não estiver satisfeito. O cliente deve ser o mais importante elemento na qualidade! Usar então os conceitos que conhecemos nesta rota de aprendizagem é importante, mas junto com isso é necessário toda uma mudança comportamental provocada nos colaboradores da organização, pois a qualidade somente terá valor quandoprovocar melhorias de resultados para a empresa. Quando a qualidade conseguir ampliar mercados, aí sim ela terá cumprido o seu papel. Os aspectos operacionais internos são importantes, mas não devemos esquecer o cliente no contexto da qualidade. Você sabe qual é a diferença entre os sistemas CGS e SI usados em Metrologia? CGS usa centímetro (distância), grama (massa) e segundo (tempo). SI usa metro (distância), quilograma (massa) e segundo (tempo). Este é só um exemplo do que poderemos conhecer com os estudos desta rota de aprendizagem. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 2 Pesquise Obtenção e coleta de dados Manipulamos e coletamos dados com o objetivo de extrairmos informações sobre um processo ou de um produto. A estatística depois utilizará esses dados para a avaliação do desempenho de um processo. A aplicação de técnicas estatísticas envolve várias etapas: Coleta de dados. Exposição dos dados. Modelos estatísticos. A importância e a qualidade com que resolvemos problemas está diretamente relacionada com a qualidade dos dados obtidos. Podemos evitar que alguns problemas ocorram observando fatos como: Não se deve coletar dados sem antes definir claramente o problema ou situação a ser enfrentada. Os sistemas de medição (instrumento, operadores, método, meio) que serão utilizados devem ser avaliados e ter capacidade de medição. Os cálculos e leituras devem ser feitos com muita atenção para evitar distorções. Devem ser utilizados métodos adequados para coleta de dados de acordo com o problema a ser estudado. Na estatística vamos trabalhar com dados que podem ser obtidos por meio de uma amostra da população em estudo. A seguir, definimos esses conceitos básicos: População — é o conjunto de elementos que tem pelo menos uma característica em comum. Amostra — subconjunto de elementos de uma população, que são representativos para estudar a característica de interesse da mesma. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 3 Fonte: http://www.portalaction.com.br/estatistica-basica Classificação dos dados Dados qualitativos — são uma característica da qualidade (ou atributo) associado ao item pesquisado. Dividem-se em: Dado qualitativo nominal, para o qual não existe nenhuma ordenação nas possíveis realizações. Dado qualitativo ordinal, para o qual existe uma ordem em seus resultados. Exemplo Uma indústria de calculadoras eletrônicas, preocupada com vários defeitos que um de seus produtos vem apresentando, fez um levantamento e constatou os seguintes problemas: Defeito na cobertura plástica. Defeito no teclado. Defeito na fonte de energia. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 4 Soldas soltas. Defeito na placa da unidade de processamento. Defeito no visor. Estes são exemplos típicos de dados qualitativos nominais. Dados quantitativos — a característica assume valores numéricos que podem ser classificados em "discretos" ou "contínuos". Dados quantitativos discretos — assumem valores dentro de um conjunto com os números especificados. Exemplo O número de produtos produzidos por uma máquina em um determinado período de tempo pode ser 0, 1, 2, 3, 4, ... Neste caso, os dados observados formam um conjunto finito (ou enumerável) de números. Normalmente quando registramos defeitos esses são do tipo quantitativos discretos. Dados quantitativos contínuos — assumem valores em um intervalo contínuo de números. Os possíveis valores incluem "todos" os números do intervalo de variação da característica medida. Exemplo Ao medirmos os diâmetros dos eixos de determinados motores com uma célula eletrônica, obtemos dados quantitativos contínuos. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 5 Os dados ainda podem ser classificados como numéricos e não numéricos. Dados numéricos Variáveis discretas – resultado de uma contagem número de: reclamações, defeitos etc. Variáveis contínuas — resultado de um sistema de medição. Tempo Temperatura Velocidade Pressão Características dimensionais Resistências etc. Dados não numéricos Reclamações Sugestões Observação Sugestões ―Os dados precisam ser analisados para gerarem informações úteis‖. A importância da informação A Informação é o principal elemento para subsidiar o processo decisório, pois se baseiam na coleta confiável de dados. Os dados só são úteis se geram algum tipo de informação e, consequentemente, alguma ação. Relativamente à informação existem casos em que: A empresa não coleta dados. A empresa coleta dados e não analisa. A empresa coleta dados e analisa superficialmente ou de forma incorreta. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 6 A empresa coleta, analisa e não atua. A empresa coleta, analisa e atua. “Quanto maior for o volume de dados, maior será a necessidade do emprego de ferramentas apropriadas para coletar, processar e gerar informações a fim de manter e melhorar os resultados”. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 7 Folha de verificação A folha de verificação é uma das ferramentas da qualidade, e a mais simples delas. É usada para organizar e apresentar os dados na forma de quadro, tabela ou planilha, facilitando a coleta de dados que, quando bem planejada, elimina a necessidade de rearranjos posteriores dos dados. Tipos de Folhas de Verificação c) Distribuição do Processo de Produção — é usada para coletar dados de amostras de produção. Este tipo de folha de verificação é aplicado quando queremos conhecer a variação nas dimensões de certo tipo de peça. Exemplo Espessura da peça após prensada. Confira a seguir uma folha de verificação com dados obtidos em uma linha de montagem: Verificação de Itens Defeituosos — usado quando queremos saber quais os tipos de defeitos são mais frequentes e o números de vezes causados por cada motivo. Exemplo Em uma peça de azulejo, os tipos de defeitos após o produto acabado. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 8 Localização de Defeito — é usado para localizar defeitos externos, tais como: mancha, sujeira, riscos, pintas e outros. Esse tipo de lista de verificação tem um desenho do item a ser verificado, onde são assinalados o local e a forma do defeito. Exemplo Bolha estourada na superfície do vidrado, nas peças cerâmicas. A folha mostra o local onde a bolha mais aparece. Causas de Defeitos — usada para buscar as causas dos defeitos, sendo que os dados relativos à causa e os dados relativos aos defeitos são colocados de tal formaque se torna clara a relação entre as causas e efeitos. Exemplo Observe uma folha de verificação com as causas de defeitos identificadas: Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 9 Quando usar as folhas de verificação? Essas folhas de verificação são ferramentas que questionam o processo e são relevantes para alcançar a qualidade. São usadas para: Tornar os dados fáceis de obter e de utilizar. Dispor os dados de uma forma mais organizada. Verificar a distribuição do processo de produção: coleta de dados de amostra da produção. Verificar itens defeituosos: saber o tipo de defeito e sua percentagem. Verificar a localização de defeito: mostrar o local e a forma de ocorrência dos defeitos. Verificar as causas dos defeitos. Fazer uma comparação dos limites de especificação. Investigar aspectos do defeito: trinca, mancha e outros. Obter dados da amostra da produção. Determinar o turno, o dia, a hora, o mês e o ano, enfim o período em que ocorre o problema. Criar várias ferramentas, tais como: diagrama de Pareto, diagrama de dispersão, diagrama de controle, histograma etc. Fonte: http://marketingfuturo.com/folha-de-verificacao-ferramenta-de-qualidade/ Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 10 Como desenvolver uma folha de verificação Elaborar um tipo de folha de verificação de forma estruturada adequada a ser analisada, que permita um fácil preenchimento. Definir a quantidade e o tamanho da amostra dos dados. Definir onde será feita a coleta dos dados. Determinar a frequência com que serão coletados os dados (diário, semanal ou mensal). Escolher quem deverá coletar os dados. Através da folha de verificação realizar a coleta dentro do planejado. Vantagens da folha de verificação A obtenção do fato é registrada no momento que ocorre. Essa situação facilita a identificação da causa junto ao problema. A atividade é muito simples de aplicar, bastando apenas pouca concentração. Desvantagens da folha de verificação Os equipamentos de medida podem não estar auferidos. O processo de coleta pode ser lento. Os dados resultantes só podem aparecer em ponto ―discretos‖. Fonte: http://marketingfuturo.com/folha-de-verificacao-ferramenta-de-qualidade/ Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 11 Inspeção da qualidade Inspeção é um processo que busca verificar se uma amostra, peça ou lote está dentro de determinadas especificações da qualidade. Desenvolve-se para verificar a qualidade de produtos, se estes atendem as especificações da qualidade. Centra-se sempre em uma característica da qualidade o resultado pode levar a aprovação ou rejeição da peça. Formas básicas de inspeção Quanto à execução a inspeção pode ser: Inspeção por Variáveis — a característica da qualidade é avaliada de forma quantitativa, envolvendo medidas. Como o próprio nome diz, são as inspeções nas quais o resultado pode variar e é mensurável. Exemplo É o dimensional da embalagem, que obrigatoriamente consta no seu desenho técnico como: (diâmetro, altura, largura, espessura, peso, volume etc.). Essas inspeções precisam de medições e o resultado é fácil de ser interpretado. Para os lotes que estejam dentro da tolerância prevista na especificação técnica, o lote inspecionado estará aprovado, e reprovado, se estiver fora. Uma reprovação resultante de inspeção por variáveis não gera dúvida. Inspeção por Atributos — verifica-se a ocorrência de defeitos, sem determinar-se sua intensidade; é uma avaliação qualitativa. É uma inspeção segundo a qual a unidade de produto é classificada simplesmente como defeituosa ou não. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 12 Seguem agora alguns conceitos importantes para o entendimento do processo de inspeção Unidade de produto — elemento de referência na inspeção. Pode ser uma peça, um par, um conjunto, uma área, um comprimento, uma operação, um volume, um componente ou o próprio produto terminado. A unidade de produto pode ou não ser igual à unidade de compra, de fornecimento, de produção ou de expedição. Classificação de defeitos — são classificados segundo sua gravidade. Um defeito da unidade de produto é a falta de conformidade a qualquer requisito. Defeito crítico — é aquele que cria condições perigosas para o usuário ou impede o funcionamento do produto. Defeito grave — é aquele considerado não crítico que pode resultar em falha. Defeito tolerável — é aquele defeito que não reduz a utilidade da unidade de produto para o fim a que se destina. Nível de Qualidade Aceitável (NQA) — é a máxima porcentagem defeituosa que, para fins de inspeção por amostragem, pode ser considerada satisfatória como média de um processo. O NQA é usado para classificar os planos de amostragem. Lote de inspeção — é o conjunto de unidades de produto a ser amostrado para verificar conformidade. Porcentagem defeituosa — (número de unidades inspecionadas: número de unidades defeituosas) x 100 Plano de amostragem — é o plano que determina o número de unidades de produto de cada lote a ser inspecionado e o critério para a aceitação do lote. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 13 Nível de inspeção — fixa a relação entre o tamanho do lote e o tamanho da amostra. O nível de inspeção a ser usado para qualquer requisito particular será prescrito pelo responsável pela inspeção. Plano de amostragem simples — a quantidade de unidades de produto inspecionada deve ser igual ao tamanho da amostra dada pelo plano. Regime de inspeção: normal, severo e atenuado Início de inspeção — ao iniciar um procedimento de inspeção deve ser empregado o regime normal, salvo determinação em contrário. Continuação da inspeção — a inspeção normal, severa ou atenuada deve manter-se inalterável para cada classe de defeitos nos sucessivos lotes, exceto quando pelo sistema de comutação for recomendada uma substituição de regime. Sistema de comutação Normal para severo — quando a inspeção normal estiver sendo aplicada, será necessário passar para inspeção severa se, entre cinco lotes consecutivos, dois tiverem sido rejeitados na inspeção original. Severo para normal — quando estiver sendo aplicada a inspeção severa, a normal deve substituí-la se cinco lotes consecutivos tiverem sido aprovados na inspeção original. Normal para atenuado — estando em aplicação a inspeção normal, a inspeção atenuada deve ser usada desde que sejam satisfeitas todas as seguintes condições: que os dez lotes precedentes tenham sido submetidos à inspeção normal e nenhum sido rejeitado. Quando o número total de unidades defeituosas encontrado nas amostras dos dez ou mais lotes precedentes, submetidos a inspeção normal e não rejeitados, for igual ou menor do que o número limite 7. Quando a produção se desenvolve com regularidade. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 14 Atenuada para normal — estando em aplicação a inspeção atenuada, deve-se passar para a normal se qualquer uma das condições (umlote for rejeitado ou um lote for aprovado para produção irregular) ocorrer. Inspeção Completa (100 %) — todo lote é inspecionado. Aplica-se quando qualquer defeito apresentado na peça, componente ou material, impeça o funcionamento ou utilização do produto final, ou ponha em risco o usuário. Inspeção por Amostragem — é realizada sobre uma fração da partida (amostra). Usa-se principalmente em partidas grandes ou em situações em que sejam necessários ensaios destrutivos. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 15 Acreditação norma ABNT ISO/IEC 17025 Norma A norma ABNT NBR ISO/IEC17025 estabelece requisitos e procedimentos para acreditação de laboratórios de ensaio e calibração de equipamentos diante de um órgão regulamentador, no caso do Brasil, o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial). A norma 17025 estabelece requisitos gerenciais e técnicos para a competência de laboratórios em fornecer resultados de ensaios e calibração tecnicamente validos. Laboratórios executem serviços de calibração e/ou de ensaios, em atendimento à própria demanda interna ou de terceiros, independente ou vinculado a outra organização, público ou privado, nacional ou estrangeiro, independente do seu porte ou área de atuação. Sendo assim dividem-se em: 1° parte — fornecedor realiza ensaio em seu próprio produto. 2° parte — o cliente realiza ensaio no produto do fornecedor. 3° parte — o laboratório que realiza o ensaio não possui interesse sobre o produto. Tem como um de seus objetivos estabelecer um padrão internacional e único para atestar a competência dos laboratórios para realizarem ensaios e/ou calibrações, incluindo amostragem. Tal padrão facilita o estabelecimento de acordos de reconhecimento mútuo entre os organismos de credenciamento nacionais. Os resultados obtidos são padronizados mundialmente. Este é o caso do Inmetro, que estabeleceu um acordo de reconhecimento mútuo com a European co-operation for Acreditation (EA). Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 16 Acreditação É uma forma de evidenciar a competência de Laboratórios. Um laboratório acreditado é aquele que possui resultados que cumprem as boas práticas e os requisitos. Um ensaio é acreditado quando tem o reconhecimento formal de que o laboratório cumpre com os requisitos exigidos pelos ensaios segundo normas de acreditação. A acreditação é evidenciada através de um Certificado de Acreditação onde é descrito em pormenor o âmbito da acreditação. E a acreditação de um laboratório de calibração é concedida por entidades de metrologia que atestam que o laboratório desenvolve suas analises entro de faixas de medição aceitáveis pelas normas. Vantagens da acreditação de laboratórios Com a globalização a padronização tem fundamental importância para viabilizar as trocas comerciais. Todas as organizações que executam as suas atividades e operam os seus processos de acordo com normas e procedimentos como padrões estão em melhores condições de superar as chamadas barreiras não tarifárias e atender requisitos técnicos exigidos pelos mercados. Assim a aplicação da ISO/IEC 17025 tem relevância econômica, pois confere valor aos certificados de calibração e aos relatórios de ensaio emitidos por laboratórios cuja competência técnica é reconhecida por um organismo de credenciamento. O reconhecimento conferido poderá trazer em vantagens econômicas para os laboratórios: Diferencial competitivo como fator de divulgação e marketing. Fidelização dos clientes atuais e conquista de novos clientes. Comprovação de que os seus produtos foram ensaiados com confiabilidade criando um diferencial competitivo. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 17 Os resultados de ensaio e calibração poderão ser aceitos em outros países, desde que o laboratório utilize os critérios da ISO/IEC 17025 e seja credenciado por um organismo aceito internacionalmente. Atender a exigências legais de autoridades regulamentadoras. A ISO/IEC 17025 facilitará a cooperação entre laboratórios auxiliando na troca de informações e experiências. Conclusão A ISO/IEC 17025 assim como outras normas, é usada para padronizar procedimentos de ensaios e calibrações em laboratórios, visando garantir a qualidade do mesmo e atribuir maior nível de segurança aos clientes. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 18 Metrologia A Metrologia é a ciência das medições, que abrange todos os aspectos teóricos e práticos que asseguram a precisão exigida no processo produtivo. A técnica garante a qualidade de produtos e serviços por meio da calibração de instrumentos de medição analógicos e digitais e da realização de ensaios. Base fundamental para a competitividade das empresas, a Metrologia também diz respeito ao conhecimento dos pesos e medidas e dos sistemas de unidades. A Metrologia garante a qualidade do produto final e é um diferenciador tecnológico e comercial para as empresas, pois reduz o consumo e o desperdício de matéria prima pela calibração de componentes e equipamentos, aumentando a produtividade. E ainda evita a rejeição de produtos, evitando desgastes e resguardando a imagem da empresa. Antiguidade As civilizações antigas já usavam unidades para a troca de mercadorias. Os padrões de peso datam de 7.000 a.C. e os padrões de comprimento de 3.000 a.C. Os babilônicos e os romanos já haviam estabelecido padrões e nomes para unidades. Os padrões e as unidades eram escolhidos por conveniência prática e se baseavam em medidas do corpo humano. Depois mais tarde verificou-se que era preferível desenvolver padrões baseados em fenômenos naturais que podiam ser reproduzidos em vez de padrões baseados no corpo humano. Surgem os chamados padrões de medições através dos diferentes sistemas de unidades. O aumento do comércio globalizado tem mostrado a necessidade de sistemas comuns de medição. O Sistema inglês Também chamado de imperial, é usado na Inglaterra, Estados Unidos e Canadá, mas mesmo nestes países há muitas diferenças em seus detalhes. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 19 O inglês William Thompson, Barão Kelvin (1824-1907), dizia que o Sistema Imperial Inglês de unidades era absurdo, ridículo, demorado e destruidor de cérebro. A maioria das unidades se baseava em medidas do corpo humano, geralmente do corpo do rei. Por exemplo, a jarda (yard) era a distância do nariz ao polegar com o braço estendido do rei inglês Henry I. O sistema inglês não é coerente e há vários múltiplos entre a maioria das unidades. O Sistema Decimal Foi ideia do inglês Simon Stevin (1548-1620). Em 1671, o padre francês Gabriel Mouton, definiu uma proposta para um sistema decimal, baseando-se em medidas da Terra. Sistema Internacional O Sistema Centímetro-Grama-Segundo (CGS) O primeiro sistema métrico oficial, chamado de centímetro-grama-segundo (CGS), foi proposto em 1795 e adotado na França em 1799. Em 1840 o governo francês torna obrigatório o sistema CGC eoutros países do mundo também adotaram oficialmente o sistema CGS. Em 1866, no início de seu desenvolvimento tecnológico, os Estados Unidos promulgaram um ato tornando legal o sistema métrico. Sistema Internacional (SI) Em 1960, a 11ª CGPM deu formalmente o nome de Systeme International d'Unites, simbolizado como SI (Sistema Internacional) e o estabeleceu como padrão universal de unidades de medição. O Sistema Internacional oferece vantagens para as áreas de comércio, relações internacionais, ensino e outras. Atualmente a grande maioria da população mundial vive em países que usam ou estão em vias de adotar o sistema internacional. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 20 Os Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul adotaram legalmente o SI. Também o Japão e a China estão atualizando seus sistemas de medidas para se conformar com o Sistema Internacional. Metrologia legal A Metrologia Legal é parte da resultantes de exigências obrigatórias, medida, instrumentos e métodos de organismos competentes. metrologia relacionada às atividades referentes às medições, unidades de medição, que são desenvolvidas por Tem como objetivo principal proteger o consumidor tratando das unidades de medida, métodos e instrumentos de medição, de acordo com as exigências técnicas e legais obrigatórias. Com a supervisão do Governo, o controle metrológico estabelece adequada transparência e confiança com base em ensaios imparciais. A exatidão dos instrumentos de medição garante a credibilidade nos campos econômico, saúde, segurança e meio ambiente. No Brasil as atividades da Metrologia Legal são uma atribuição do Inmetro, que também colabora para a uniformidade da sua aplicação no mundo, pela sua ativa participação no Mercosul e na OIML - Organização Internacional de Metrologia Legal. Aprimore os seus conhecimentos sobre este assunto assistindo os vídeos: Aula 01 — Metrologia — Telecurso Profissionalizante https://www.youtube.com/watch?v=KJVudrQ23Tg Aula 02 — Metrologia — Telecurso Profissionalizante https://www.youtube.com/watch?v=0o1rNnTh9pc Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 21 Trocando Ideias Há autores que discutem se a inspeção deve fazer parte da qualidade ou da não qualidade. E o que você pensa sobre isso? Entre no fórum, disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem e relate o seu pensamento. Aproveite também para trocar ideia com seus colegas de curso! Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 22 Na Prática Pesquise e estude mais sobre as normas da qualidade, sobre a inspeção e a acreditação de laboratórios e ensaios, pois são normas importantes para conhecermos principalmente para produtos de exportação! Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 23 Síntese Concluímos mais uma rota de aprendizagem com assuntos importantes sobre os aspectos operacionais da disciplina de Gestão da Qualidade. Nesta aula aprendemos como coletar dados para análise e registrar em folhas de verificação; além de compreender como ocorrem as inspeções da qualidade e os critérios para acreditação de laboratórios e sobre metrologia. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 24 Referências DEMING, W. E. Qualidade: A Revolução da Administração. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 1990. INMETRO. Agência Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial. < http://www.inmetro.gov.br/>. Acesso 09 maio 2015. INMETRO. Vocabulário internacional de metrologia: conceitos fundamentais e gerais e termos associados (VIM 2008). 1. ed. Rio de Janeiro, 2009. <http://www.inmetro.gov.br/inovacao/publicacoes/vim_2012.pdf>. Acesso em 09 maio 2015. IPAC. Guia para aplicação da NP EN ISO/ IEC 17025: Acreditação. 2010. Disponível em: <http://www.ipac.pt/docs/publicdocs/regras/OGC001.pdf>. Acesso em 09 maio 2015. IQA. Inovação e Qualidade Assistida. Disponível em: <http://www.iqa.pt/index.php?mod=articles&action=viewArticle&article_id=6>. Acesso em 09 maio 2015. JORNADA, Daniel Homrich da. Implantação da norma ISO/IEC nos laboratórios da Universidade de Caxias do Sul. Congresso nacional em metrologia. Disponível em: <http://www.vertent.net/remesp/enqualab2008/cdrom/pdf/TT022.pdf>. Acesso em 09 maio 2015. MAGALHÃES, Wallace Santo. NBR ISO/IEC 17025. Universidade Federal de Itajubá: Engenharia de Produção. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/engenharia-producao>. Acesso em 09 maio 2015. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 25 PALADINI, Edson Pacheco. Avaliação Estratégica da Qualidade. São Paulo: Atlas, 2002. SELEME, Robson. Gestão da Qualidade e Ferramentas essenciais. Curitiba: Ibpex, 2010. UFMS. Inspeção da Qualidade. Disponível em: <http://jararaca.ufsm.br/websites/gprocessos/download/arquivos/Insp_da_QUALID _1.pdf>. Acesso em 09 maio 2015. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 26 Padronização, Qualidade e Certificação Aula 5 Prof. Nelson Tadeu Galvão de Oliveira Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) Conversa Inicial Olá! Seja bem-vindo à quinta aula de padronização, qualidade e certificação! Neste encontro, aprenderemos sobre os programas de 5 Sensus e de qualidade total, seus aspectos de funcionamento e operacionalização e sua importância para as organizações. Estudaremos ainda as metodologias Six Sigma e Balanced Scorecard e abordaremos a projeção de indicadores de desempenho. Desenvolveremos esses assuntos da forma mais prática possível, de maneira que você possa compreender a aplicabilidade desses temas no dia a dia empresarial. Sugeriremos também alguns textos complementares que enriquecerão os seus conhecimentos sobre este importante tema. Bons estudos! Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 1 Contextualizando Diferentemente do que se pensava quando a qualidade de produtos era obtida na sua inspeção final, gerando refugos e retrabalhos, hoje se tem plena consciência de que qualidade e produtividade são dois pilares básicos para a competitividade das empresas, que pode ser vista como sua capacidade de conservar ou ampliar a fatia de mercado para seus produtos ou serviços, estando apta a enfrentar com sucesso a atuação dos seus concorrentes. Nesseencontro, vamos conhecer algumas dessas metodologias que ajudam em muito a melhoria da inovação e da competitividade da empresa: Os 5 sensus; Os programas de Qualidade Total; O Six Sigma; O Balanced Scorecard; Os indicadores de desempenho. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 2 Pesquise Programa 5 Sensus Origem do 5S Esse método também é conhecido por outros nomes: housekeeping (pode- se traduzir por “arrumação da casa”) ou SOL (Segurança, Organização e Limpeza) são alguns deles. As atividades de 5S tiveram início no Japão, logo após a 2ª Guerra Mundial, concebidas para combater a sujeira das fábricas. O padrão foi formalmente lançado no Brasil em 1991, através da Fundação Christiano Ottoni. No início de sua aplicação, apenas os três primeiros "S" eram abordados, o quarto e quinto sensos tendo sido incorporados posteriormente. Como você deve ter percebido, cada "S" é conhecido por diversas denominações. Porém, neste texto, utilizaremos a terminologia de cada "S" da seguinte maneira: 1º S: SEIRI – Senso de utilização; 2º S: SEITON – Senso de ordenação; 3º S: SEISO – Senso de limpeza; 4º S: SEIKETSU – Senso de Padronização/Saúde; 5º S: SHITSUKE – Senso de autodisciplina. O principal objetivo da técnica dos 5S é melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, diminuindo os desperdícios, reduzindo os custos e melhorando a produtividade da empresa. Veremos cada um deles em detalhes a seguir. Senso de utilização Ter senso de utilização é identificar materiais, equipamentos, ferramentas, utensílios, informações e dados necessários, descartando ou dando a devida destinação àquilo considerado desnecessário ao exercício das atividades. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 3 No sentido mais amplo, o Senso de Utilização abrange ainda outras dimensões além dos utensílios materiais. Ter senso de utilização é também preservar apenas sentimentos valiosos como amor, amizade, sinceridade, companheirismo e compreensão, descartando sentimentos negativos e criando atitudes positivas para fortalecer e ampliar a convivência. No primeiro Sensu, é costume o uso da técnica do cartão ou etiqueta vermelha: coloca-se cartões nas coisas que se julga desnecessárias. Após um prazo determinado, as etiquetas são verificadas. Os objetos, ferramentas e equipamentos que não têm anotações de uso dentro do prazo estabelecido são retirados do local. Dica: tire fotografias do mesmo local antes e depois Senso de organização/ arrumação Ter senso de ordenação é definir locais apropriados e critérios para estocar, guardar ou dispor materiais, equipamentos, ferramentas, utensílios, informações e dados de modo a facilitar o seu uso e manuseio, facilitar a procura, localização e guarda de qualquer item. Popularmente, significa "cada coisa no seu devido lugar". Na definição dos locais apropriados, adota-se como critério a facilidade para estocagem, identificação, manuseio, reposição, retorno ao local de origem após uso, consumo dos itens mais velhos primeiro, dentre outros. Na dimensão mais ampla, ter senso de ordenação é distribuir adequadamente o tempo dedicado ao trabalho, ao lazer, à família, aos amigos. É Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 4 não misturar preferências profissionais com pessoais, ter postura coerente, serenidade nas decisões, valorizar e elogiar os atos bons, incentivar as pessoas e não somente criticá-las. O objetivo dessa etapa é identificar e organizar os itens absolutamente necessários para que seja fácil localizá-los. Costuma-se usar rótulos, cores e painéis visíveis para facilitar a visualização dos materiais e ferramentas. Um exemplo clássico é o painel com desenhos dos contornos das ferramentas: uma simples olhada identifica a ferramenta que está faltando. Senso de limpeza Ter senso de limpeza é eliminar a sujeira ou objetos estranhos para manter o ambiente limpo, incluindo parede, armários, teto, gaveta, estante, piso, bem como manter dados e informações atualizados para garantir a correta tomada de decisões. O mais importante neste conceito não é o ato de limpar, mas o ato de "não sujar". Isso significa que, além de limpar, é preciso identificar a fonte de sujeira e as respectivas causas, de modo a evitar ocorram novamente: o chamado bloqueio das causas. No conceito amplo, ter senso de limpeza é procurar ser honesto ao se expressar, ser transparente e sem segundas intenções com os amigos, família, subordinados, vizinhos etc. Senso de saúde/ asseio/padronização Ter senso de asseio significa criar condições favoráveis à saúde física e mental, garantir ambiente não agressivo e livre de agentes poluentes, manter boas condições sanitárias nas áreas comuns (lavatórios, banheiros, cozinha, restaurante etc.), zelar pela higiene pessoal e cuidar para que as informações e comunicados sejam claros, de fácil leitura e compreensão. Significa ainda ter comportamento ético, promover um ambiente saudável nas relações interpessoais, sejam sociais, familiares ou profissionais, cultivando um clima de respeito mútuo nas diversas relações. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 5 Para isso, é preciso que se estabeleçam padrões que permitam avaliar se as três fases anteriores estão sendo cumpridas: as normas e padrões devem são agrupados em manuais que garantam que os procedimentos sejam seguidos correta e regularmente. Senso de autodisciplina Ter senso de autodisciplina é desenvolver o hábito de observar e seguir normas, regras, procedimentos e atender especificações, escritas ou informais. Disciplina significa fazer coisas simples, como: Deixar tudo limpo ao sair do ambiente; Devolver as coisas do jeito que encontrou; Reparar ou substituir qualquer coisa que você danifique ou quebre; Reabastecer qualquer item que usar até o fim: sabonete, papel higiênico, papel da copiadora, etc; Devolver as coisas de volta aos seus lugares. Programas da qualidade total Os Programas de Qualidade Total – PQT são também chamados de programas de Gestão pela Qualidade Total – GQT, vindo do inglês Total Quality Management – TQM ou ainda Total Quality Control – TQC. Usaremos indistintamente esses termos ao desenvolvermos esse tema. Seus primeiros movimentos surgiram e foram consolidados no Japão após o fim da II Guerra Mundial com os Círculos de Controle da Qualidade. A técnica começou a ser difundida nos países ocidentais a partir da década de 1970. A Gestão pela Qualidade Total (GQT) significa criar, intencionalmente, uma cultura organizacional em que todas as transações são perfeitamente entendidas e corretamente realizadas e onde os relacionamentos entre funcionários, fornecedores e clientes são bem-sucedidos (Crosby, 1998). Os programas de qualidade total representam uma filosofia baseada na satisfação de cliente internos e externos. Esses programas representam o meio para atingir objetivos com o uso de técnicas e ferramentas da qualidade. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 6 Podemos sintetizar o conceito de Gestão da Qualidade Total através da imagem a seguir, que demonstra como essa é uma filosofia de administração essencialmenteparticipativa. Motivos e benefícios dos programas de qualidade total Diversos autores na área de qualidade, como Deming, Crosby, Juran, Ishikawa, entre outros, têm pontos de vista em comum sobre o tema qualidade: Melhoria contínua; Participação de todos da organização; Os problemas geralmente associados à qualidade têm motivação gerencial; A educação dos colaboradores deve ser sempre trabalhada; Comunicação falha na empresa resulta em problemas na área de qualidade. Benefícios da Gestão da Qualidade: Exigências internas (sócios, holding, diretores, melhoria de qualidade de vida dos colaboradores); Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 7 Exigências externas (situação de crise, controle dos subcontratados, padrões impostos pelos clientes, melhoria da competitividade em um mercado, regras governamentais, etc.); Instrumento de marketing; Internacionalização dos mercados; Melhoria da produtividade e do desempenho; Redução de reclamações; Motivação exercida pelas matrizes no exterior. Os princípios da qualidade total Qualidade centrada no cliente: o cliente deve ser o centro de tudo para as organizações. Liderança: os sócios e o alto escalão devem sempre liderar este processo. Melhoria contínua: uma organização é um sistema vivo e em permanente aprendizado. Envolvimento das pessoas: para a implantação da gestão da qualidade, além da liderança dos sócios e do alto escalão, todos os níveis devem estar comprometidos e motivados. Enfoque proativo e resposta rápida: a implantação e permanência de uma filosofia de gestão de qualidade em uma organização exige a iniciativa de todos, velocidade e precisão nas atividades, para que todo o processo resultante seja eficiente e eficaz. Visão de futuro: para que a organização transcenda os ciclos, fases e tendências mundiais. Gestão baseada em fatos: a gestão da informação a serviço da gestão da qualidade. Responsabilidade social: antes da responsabilidade social ser uma ferramenta para fins de marketing institucional, é uma necessidade ética e cidadã em qualquer país. Foco nos resultados: busca das metas para obter os resultados desejados. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 8 Abordagem sistêmica da empresa e gestão dos processos: enxergar a empresa em um todo com a visão de controle dos seus processos. CCQ – Círculos de Controle de Qualidade CCQ ou Ciclos de Controle da Qualidade são como uma ferramenta da qualidade usada para auxiliar a implantação dos programas de qualidade total nas empresas. Foram concebidas em 1962, através do Professor Kaoru Ishikawa, como resultado de um avanço da qualidade na indústria japonesa. No Brasil, seu uso começou em 1972, na empresa Johnson & Johnson, pela necessidade de um programa motivacional de apoio à qualidade. CCQ’s não são simples grupos de pessoas para buscar a solução de problemas, pois não têm compromisso com os resultados, sendo o objetivo maior o aprendizado auferido com o processo. Segundo a União Brasileira para a Qualidade, suas principais características são: Os participantes são voluntários; Operam por tempo indeterminado; O grupo escolhe o líder e secretário; O grupo escolhe o tema do trabalho; O grupo decide sobre a evolução do trabalho; O grupo implanta ou participa da implantação das melhorias; O grupo analisa as ideias obtidas; Não têm compromisso com resultados. Filosofia e Princípios Os CCQ’s buscam a motivação das pessoas, pelos seus méritos pessoais e coletivos, para a aplicação correta das ferramentas da qualidade. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 9 O Six Sigma A Motorola desenvolveu um novo conceito e criou a metodologia Six Sigma que, associada à necessidade de uma mudança cultural, tem ajudado a companhia a atingir grandes resultados. Em sua forma mais fundamental, o Six Sigma é uma medida do número de defeitos em um processo ou operação específicos. Por exemplo, no caso de um processo de fabricação de uma peça específica, utilizando o Six Sigma você não se preocupa com as peças defeituosas como um todo, mas com um fator chamado oportunidade de defeito. Esse fator leva em conta três variáveis importantes: Todos os diferentes defeitos que ocorrem em uma peça montada; O número de lugares em que os defeitos podem ocorrer nessa peça; Todos os passos de produção que poderiam causar um ou mais desses defeitos na peça. Cálculos do Six Sigma Para dar significados aos números, os engenheiros da Motorola formularam uma escala para avaliar a qualidade de um processo baseado nos resultados desses defeitos. No topo da escala está o Six Sigma, que equivale a 3.4 DPMO, ou 99,9997% livre de defeitos. Em outras palavras, se você tem um processo funcionando com o Six Sigma, então eliminou quase todos os defeitos, ou seja, o processo é quase perfeito. Os cálculos estão baseados na curva normal ou curva do sino. Six Sigma= 3,4 DPMO, ou 99,9997% livre de defeitos; Five Sigma = 233 DPMO, ou 99,98% livre de defeitos; Four Sigma = 6.210 DPMO, ou 99,4% livre de defeitos; Three Sigma = 66.807 DPMO, ou 93,3% livre de defeitos; Two Sigma = 308.538 DPMO, ou 69,1% livre de defeitos; One Sigma = 691.462 DPMO, ou 30,9% livre de defeitos. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 10 MODELO DEMAIC: Sequência do processo: Definição de oportunidade; Medição de desempenho; Análise de oportunidade; Implementação de melhoria de desempenho; Controle de desempenho. Os Cinco Passos da Metodologia Six Sigma (método DMAIC): Define: definição do cliente, de suas necessidades, do que é crítico para qualidade do processo e do negócio envolvido. Definir quem é o cliente; Definir quais são seus requerimentos quanto aos produtos e serviços; Definir quais são as suas expectativas; Definir as fronteiras do projeto: o início e o fim do processo; Definir o foco do projeto através do entendimento do fluxo de processo. Measure: mensuração do desempenho do processo do negócio envolvido. Desenvolver o plano de coleta de dados relativo ao processo; Coletar dados e determinar os tipos de erros que levam aos defeitos; Utilizar a voz do cliente (VOC), voz do processo (VOP) e voz do acionista (VOS); Certificar-se do correto foco do projeto. Analyze: análise dos dados e mapeamento para a identificação das causas-raízes dos defeitos e das oportunidades de melhoria. Identificar os gaps entre o desempenho atual e o desempenho esperado; Identificar fontes de variação; Identificar e priorizar oportunidades de melhoria. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 11 Improve: melhoramento do processo alvo através da criação de soluções preventivas para os problemas. Criar soluções inovadoras por meio de análises e disciplina; Priorizar melhorias; Desenvolver e disseminar um plano de melhoria. Control: implementação de ações corretivas e preventivas, controles de desempenho e de melhorias do processo. Implementar ações de melhoria; Prevenir que o desempenho do processo melhorado volte ao desempenhoanterior à implementação das ações; Requerer o desenvolvimento, documentação e implementação de um plano de monitoramento; Requerer o desenvolvimento, documentação e implementação de um plano de controle; Institucionalizar as melhorias através da modificação de sistemas e estruturas. Infraestrutura Campeões e patrocinadores: os campeões no sistema Six Sigma são indivíduos de nível hierárquico elevado na organização, que entendem a ferramenta e estão comprometidos com seu sucesso. Os patrocinadores são os donos dos processos e sistemas que ajudam a iniciar e coordenar as atividades de melhoria Six Sigma nas áreas pelas quais são responsáveis. Master black belt: esse é o mais alto nível de domínio técnico e organizacional. Os master black belts são a liderança técnica do programa Six Sigma. Logo, precisam saber tudo que sabem os black belts e mais, pois também devem entender a teoria matemática na qual os métodos estatísticos se baseiam. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 12 Black belt: os candidatos ao status de black belt são indivíduos com orientação técnica e muito estimados por seus pares. Devem estar ativamente envolvidos no processo de desenvolvimento e mudança organizacional. Green belts: líderes de projetos Six Sigma capazes de formar e facilitar equipes e de gerenciar os projetos desde a concepção até a conclusão. Balanced Scorecard O Balanced Scorecard surgiu de um estudo realizado por Robert Kaplan e David Norton em 1990 no Instituto Nolan Norton, publicado em 1992 na revista Harvard Business sob o título Measuring Perfomance in the Organizacion of the Future (Medindo Desempenho na Organização do Futuro). Por volta dos anos 1980, os tradicionais métodos de análise e avaliação de desempenho das empresas, baseados em indicadores financeiros, começaram a ser questionados. O que se viu foi uma descrença na capacidade desses indicadores de retratar adequadamente o desempenho organizacional. Foi nesse cenário que Kaplan e Norton aprimoraram os conceitos até então existentes e trouxeram a público, em 1992, o Balanced Scorecard. Aplicação A figura a seguir mostra onde o Balance Scorecard se posiciona no planejamento estratégico, ou seja, ele se agrega na fase de implementação, facilitando o desdobramento em planos e balançando as medidas de todos os planos pela criação de indicadores de desempenho adequados. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 13 Por que se implanta o Balance Scorecard nas empresas? Uma boa estratégia não basta. Sua implementação é a chave: nove entre dez empresas falham na execução da estratégia, porque não contam com um modelo de gestão que traduza a estratégia em ação. As quatro perspectivas do BSC A missão, as estratégias e os objetivos são organizados a partir de quatro perspectivas, descritas a seguir. Perspectiva financeira: são os aspectos financeiros da organização, impactos das decisões estratégicas nos indicadores e metas estabelecidas. Perspectiva dos clientes: relacionada à participação de mercado, à satisfação de clientes e intensidade de cada unidade de negócio. Perspectiva de processos internos: avalia o grau de inovação nos processos de gestão da empresa e o nível de qualidade de suas operações. Perspectiva de aprendizado e crescimento: a capacidade que a empresa possui para manter seu capital intelectual com grau de motivação. A partir dessas perspectivas podemos começar a desenvolver os mapas estratégicos da organização, que permitem visualizar a cadeia de causas e efeitos nos resultados das perspectivas do BSC. A seguir, dois exemplos: Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 14 Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 15 Indicadores de desempenho Indicadores de desempenho são uma ferramenta de medição do desempenho operacional de processos. Para exemplificar o balanceamento de cada perspectiva com indicadores de desempenho, vamos considerar a perspectiva dos processos internos. Para definir um processo, você precisa: Identificar e nomear o processo e indicar seu gestor; Detalhar o produto e identificar todos os clientes; Especificar os insumos e identificar os fornecedores; Estabelecer o diagrama de interação do processo; Desenhar e otimizar o fluxograma do processo; Descrever os indicadores de desempenho de todas as suas partes. Vamos considerar um exemplo de processo: Nome: elaboração do Plano de Treinamento; Perspectiva: aprendizado e crescimento; Gestor: responsável pelo Setor de Desenvolvimento Pessoal; Produtos: plano de treinamento das unidades aprovado, definindo servidores que serão treinados, cursos que serão ministrados, objetivos que serão alcançados. Clientes: toda a organização e todos os servidores Insumos: missão, objetivos, metas e regimento de cada Unidade, estrutura de carreiras, cargos e funções, perfis dos servidores. Fornecedores: gestores das Unidades e empresas fornecedoras de eventos de capacitação. Passos para a construção de indicadores: Unidade: medir se as necessidades estão atendidas ou não; Organização: identificar custos e retorno; Servidor: identificar presença, produtividade e crescimento. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 16 Foco na Unidade Organizacional Indicador de custo do treinamento por unidade: indica o percentual do valor gasto com todos os treinamentos de uma Unidade em relação ao total de gastos da Organização. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 17 Indicador de horas treinadas por unidade: indica o percentual de horas de treinamento de todos os Servidores de uma Unidade e relação ao total de horas treinadas da Organização. d) Foco na Organização Indicador de custo do treinamento: mede o percentual do custo total de todos os treinamentos realizados em relação ao orçamento total da organização. Indicador de retorno do investimento: mede a relação entre os benefícios obtidos com os resultados do treinamento e os custos totais de sua realização. e) Foco no Servidor Indicador de Necessidades Individuais: mede o grau de necessidade de cada competência para que o Servidor esteja preparado para executar suas funções na Unidade onde está locado. Indicador do Potencial do Servidor: mede, a partir do mapeamento das competências individuais, em quais Unidades o Servidor poderia ser alocado ou que cargos poderia ocupar. Para construir um Indicador é preciso: Nomear o indicador; Definir seu objetivo; Estabelecer sua periodicidade de cálculo; Indicar o responsável pela geração e divulgação; Definir sua fórmula de cálculo; Indicar seu intervalo de validade; Listar as variáveis que permitem o cálculo; Apontar onde e como as variáveis serão capturadas.Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 18 Construção do Indicador: Custo de Treinamento por Unidade Objetivo: Medir a participação da Unidade no custo total de treinamento. Periodicidade: Anual. Responsável: Gestores da Unidade e de Treinamento. Fórmula de Cálculo: Σ (CTs) / Vt * 100, onde: CTs = Somatório de custo de cada treinamento feito por cada servidor da Unidade Vt = Custo total do treinamento no período Intervalo de Validade: Ideal = de 0,80 a 1,00 (da média por Unidade) Unidade Pouco Treinada = abaixo de 0,80 Unidade com excesso de treinamento = acima de 1,20 Variáveis Necessárias: Nome da Unidade Data de apuração dos dados Custo de treinamento por servidor Registro de curso feito por servidor Custo total do treinamento no período Construção do Indicador: Custo de Treinamento Objetivo: Medir qual o percentual do orçamento é aplicado em capacitação dos servidores. Periodicidade: Anual. Responsável: Gestor da Unidade de Treinamento e Direção da Organização. Fórmula de Cálculo: Vt / LOA* 100, onde: Vt = Custo total do treinamento no período LOA = Dotação Orçamentária do período Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 19 Intervalo de Validade: Adequado = acima de 90 % da meta estabelecida Razoável = entre 75 % e 90 % da meta estabelecida Ruim = abaixo de 75 % da meta estabelecida Variáveis Necessárias: Data da Apuração Custo de cada treinamento realizado LOA do Período Meta Estabelecida Apresentação do resultado em forma de planilha: Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 20 Trocando Ideias Faça uma leitura da obra A Estratégia em Ação David Norton e Robert Kaplan que tratará sobre o BSC e Indicadores do desempenho das Organizações Escolha um processo empresarial qualquer, seja técnico, de produção ou administrativo, e pesquise as maneiras de medir esse processo para controlá-lo. Entre no fórum, disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem, e converse com seus colegas sobre essas atividades! Na Prática As ferramentas do Six Sigma são aplicadas dentro de um modelo simples de melhoria de desempenho, conhecido pela sigla DMAIC: Define (Definir) Measure (Mensurar) Analyze (Analisar) Improve (Incrementar) Control (Controlar) Pesquise o que é cada um desses itens citados na sigla DMAIC e exemplifique seu uso em uma aplicação prática do dia a dia. Síntese Nesse encontro, abordamos os seguintes tópicos: O programa básico 5 Sensus, muito importante para a qualidade da organização; Os programas de Qualidade Total, que tornam a empresa mais competitiva; As metodologias Six Sigma e Balanced Scorecard, que tornam a empresa mais eficiente e eficaz, e consequentemente mais competitiva; Os indicadores de desempenho, que permitem a medida do desempenho da organização. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 21 Referências ALLEMAND, Renato Neves. Apostila sobre qualidade e produtividade. Disponível em: http://uab.ifsul.edu.br/tsiad/conteudo/modulo5/gne/biblioteca/apostila_qualidade_e _produtividade.pdf DEMING, W. E. Qualidade: A revolução da administração. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 1990. LIMA, Andréa Cavalcanti Correia; CAVALCANTI, Arlel Antonio; PONTE, Vera. Da onda da gestão da qualidade a uma filosofia da qualidade da gestão: Balanced Scorecard promovendo mudanças. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519- 70772004000400006 PALADINI, Edson Pacheco. Avaliação Estratégica da Qualidade. São Paulo: Atlas, 2002. SELEME, Robson. Gestão da Qualidade e ferramentas essenciais. Curitiba: Ibpex, 2010. Gestão pela Qualidade Total – GQT. Disponível em: http://www.coladaweb.com/administracao/gestao-pela-qualidade-total-gqt Os Cinco Passos da Metodologia Six Sigma. Disponível em: http://sixsigmabrasil.com.br/pag_metodologia.html Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 22 Padronização, Qualidade e Certificação Aula 6 Prof. Nelson Tadeu Galvão de Oliveira Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) Conversa Inicial Caros alunos! Chegamos a nossa sexta aula da disciplina Padronização, Qualidade e Certificação! Vamos iniciar com o foco de viabilidade, projeções e resultados e nela vamos aprender sobre como se planejam os sistemas de gestão da qualidade, como se elaboram as políticas e objetivos da qualidade, vamos conhecer as principais ferramentas da qualidade e finalmente aprenderemos sobre a análise crítica para avaliação dos sistemas de gestão da qualidade. Bons estudos! Contextualizando Nesta rota de aprendizagem vamos aprender sobre o planejamento, controle e avaliação da qualidade. O mundo das organizações muda rapidamente e aquilo que ontem era adequado, pode, neste momento ter a necessidade de ser melhorado e atualizado. Planejamento: palavra importante, pois está ligada ao comprometimento, rendimento e esforço humano em antever ações para fatos que estão por acontecer. Controle de qualidade é uma medida adotada por organizações de diferentes segmentos em todo mundo para definir padrões em procedimentos, políticas e ações, de maneira uniforme. É um sistema que considera o grau de satisfação do consumidor, acionistas, funcionários, fornecedores e sociedade, como um todo. Neste contexto as ferramentas da qualidade exercem importante ação no controle de processos, pois é através delas que realizamos as medidas e o acompanhamento do desempenho dos processos e a avaliação da qualidade do produto. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 1 Enfim ao estudarmos as ferramentas que poderemos usar, seremos mais efetivos na obtenção de resultados da qualidade. Pesquise Tema 1: Planejamento da Qualidade O pensamento do ser humano é organizado em passado, presente e futuro. No passado estão todas as nossas experiências que recordamos e é onde se constitui a base do conhecimento. O que acontece no momento é o nosso presente, com fatos que estamos participando e sobre os quais temos ações. Já o futuro, é onde colocamos aquilo que esperamos e queremos que aconteça, usando como base nosso conhecimento, experiências do passado e aquilo que estamos vivendo no presente. Falando em futuro, ele também é extremamente necessário para que as empresas existam, pois, as pessoas só colocam recursos e esforços em empresas na qual acreditam que vai gerar algum valor, sempre com a visão de futuro. Gerando valor para os seus clientes, acionistas, investidores, funcionários e para a comunidade em geral na qual ela está inserida. E aí entra o planejamento que é um processo essencial para gerar essa visão de futuro. Ele está fundamentado na realidade e ser voltada à ação para gerar valore credibilidade. Planejar não é tomar decisões futuras. Planejar é tomar decisões presentes que terão implicações sobre o futuro. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 2 O planejamento não é o que fazer no futuro e sim determinar o que deve ser feito hoje para que o que desejamos no futuro venham a acontecer. As decisões só podem ser tomadas no presente, mas uma vez tomadas, elas possuirão implicações irrevogáveis sobre o futuro, ou seja, planejamos e tomamos decisões no presente, para resultado sobre o futuro. Planejamento da Qualidade Planejar a qualidade é saber o que o cliente quer, suas necessidades, seus anseios (voz do cliente) e traduzir em características de especificações e conformidades mensuráveis que vão nortear o processo produtivo. O planejamento da qualidade vai exigir metas de qualidade tais como, identificar quem são os clientes atuais e potenciais, determinar quais são as suas necessidades, projetar o produto de forma que venha a atender essas necessidades, desenvolver processos produtivos capazes de produzir o que queremos com as características que desejamos e estabelecer sistemas de controles desses processos transferindo esses planos a força de produção que deverá cumpri-los. De acordo com Juran 1993, o planejamento da qualidade é atividade de desenvolvimento dos produtos e processos exigidos para a satisfação das necessidades dos clientes. Ela envolve uma série de passos universais, que podem ser resumidos da seguinte forma: Estabelecer metas de qualidade; Identificar os clientes – aqueles que serão impactados pelos esforços para se alcançar as metas; Determinar as necessidades dos clientes; Desenvolver características do produto que atendam às necessidades dos clientes. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 3 Estabelecer Metas de qualidade Meta de qualidade é um objetivo de qualidade que se quer alcançar. O planejamento somente pode ser feito com essa meta estabelecida. Planejar a qualidade envolve identificar quais padrões de qualidade são relevantes e determinar como satisfazê-los. Qualidade não é só um resultado a ser alcançado e sim a busca permanente e continua para ela ser obtida. Essa busca deve ser continua preocupação da empresa e para isso deve- se usar de ferramentas eficazes e atuais para dar agilidade a esse processo de obtenção. Ferramentas gerenciais da qualidade O objetivo hoje do planejamento não se limita a fazer um produto e colocá- lo no mercado e sim criar um sistema de produção que coloque o produto no mercado no prazo determinado e na quantidade, mas com a qualidade desejada pelo cliente. O planejamento serve para antecipar os possíveis problemas de desempenho do processo produtivo. Para que isso ocorra, são necessárias novas ferramentas para organizar informações. Essas ferramentas, que combinam elementos gráficos e verbais, são as ferramentas gerenciais da qualidade: Diagrama de relacionamentos: técnica para resolver problemas que apresentam relações complexas de causa e efeito ou de objetivos e metas. Diagrama de afinidades: é um método para organizar informações a respeito de assuntos novos e inexplorados. O objetivo é evitar que opiniões Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 4 previamente formadas prejudiquem o processo de coleta e organização das informações. Para isso, devemos inicialmente reunir informações, sem tentar organizá- las. Depois de coletar as informações, elas devem ser organizadas em um diagrama de afinidades. Dessa forma, podemos formar nossos conceitos a partir das informações coletadas. Diagrama sistemático: serve para representar os meios a serem usados para atingir um determinado objetivo. Os meios são representados por uma estrutura em forma de árvore, que evidencia a relação entre os meios e objetivos intermediários. Matriz de relacionamentos: a matriz de relacionamentos serve para estudar relacionamentos entre conjunto de fatores, por exemplo, entre os requisitos da qualidade do ponto de vista do cliente e as características da qualidade definidas pela engenharia de produto. Matriz de dados: as matrizes de dados são constituídas por tabelas. Sua finalidade é organizar as informações de modo que elas possam ser facilmente analisadas. Programa de decisões do processo: o programa de decisões do processo (PDPC - Program Decision Process Chart) visa determinar problemas potenciais, juntamente com as correspondentes ações corretivas e preventivas. Diagrama de setas: é um instrumento para o planejamento das atividades ao longo do tempo. É um instrumento muito importante para o planejamento operacional. O planejamento deve considerar a Organização como se fosse um sistema vivo que tem objetivos. Planejar não é moldar um material plástico que não ofereça resistência e como ser vivo deve opor resistência ao processo. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 5 Tema 2: A Política e os objetivos da Qualidade Toda organização possui metas para serem alcançadas e estas metas derivam dos seus objetivos que são definidos no planejamento. Toda empresa que implanta um sistema de gestão da qualidade que ao interagir com o planejamento estratégico define e divulga sua visão, missão e política, pois esta é uma maneira direta de dizer aos envolvidos, clientes, colaboradores, fornecedores e parceiros como a organização é conduzida. A visão é como se fosse um sonho a ser concretizado ao longo de um tempo, de como se deseja que ela esteja. A missão é a razão de ser do negócio, compromisso da organização com seus clientes, colaboradores, acionistas e comunidade, que traduz em sua existência. A política é relacionada a diretrizes gerais da organização, expressa pela alta direção, relativas a qualidade, levando-se em conta a missão e visão, e sua situação estratégica aos seus concorrentes e mercado, o que servirá para a tomada de ações e decisões futuras gerenciais da Organização. Política da Qualidade é um documento que explicita quais são as intenções e as diretrizes gerais da organização em relação a qualidade. A Política da Qualidade deve ser consistente com a política geral da empresa e deve expressar o comprometimento da organização com a satisfação dos clientes e com a melhoria contínua de seus produtos e processos. A Política da Qualidade deve fornecer as bases para o estabelecimento da qualidade e é direcionada tanto para o público interno (colaboradores) quanto para o público externo (clientes, fornecedores, parceiros, comunidade, etc.). Os objetivos da qualidade devem ser relacionados a um processo de melhoria contínua e os seus resultados devem ser medidos. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 6 Características dos objetivos da Qualidade Mensurável: podem ser expressos através de números; Compreensível: podem ser expressos de forma clara e objetiva; Abrangente: usam-se diversas atividades que interagem e são dependentes umas das outras para se alcançar os objetivos; Aplicável: devem ser adequados e ser flexíveis para se adaptarem a elas; Atingível: os objetivos devem ser possíveis de serem alcançados; Mantido com facilidade:devem ser possíveis de serem revistos sem afetar outros elementos; Econômico: os resultados obtidos através do cumprimento dos objetivos deverão ser maiores que o custo investido. Os objetivos devem ser usados como instrumento de tomada de decisão. A definição da política e dos objetivos da qualidade orientará a organização quantos aos passos que deverão ser tomados, mostrando a direção para se chegar aos resultados planejados. A política da Qualidade é o “onde”, os objetivos são os “caminhos”, são os tópicos que fazem a política da Qualidade ser atendida (e entendida) por toda a Organização. O diagrama abaixo mostra a relação direta que há entre a política, os objetivos e os indicadores da Qualidade: Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 7 Cada Objetivo da Qualidade deve ter indicadores de desempenho que possa medir o desempenho relativamente ao alcance dos objetivos. Um exercício prático pode facilitar o entendimento desses conceitos: 1 – desdobrar a política da qualidade em objetivos realizáveis que a cumpram. A Política da Organização X é: Satisfação dos Clientes internos e externos, mantendo-se como líder do seu nicho de mercado. Desdobrando, poderia ficar assim: Objetivo 1 – liderar mercado; Objetivo 2 – satisfazer cliente; Objetivo 3 – satisfazer funcionários e acionistas (clientes internos). Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 8 2 – Para dizer que cada objetivo foi atingido, estabeleça sua meta relacionada: Meta do Objetivo 1 - dominar 70% das vendas do Produto Z ao ano. Meta do Objetivo 2 - Máximo de 5% de Reclamações; Metas do Objetivo 3 - Crescimento do Faturamento em 10% acima do ano anterior (para satisfazer acionistas) e Obter Índice de Satisfação na pesquisa de clima interno superior a 80% (para funcionários). Estabeleça um intervalo de medição para cada indicador e veja através deles se você está perto ou longe de atingir seus objetivos e cumprir sua Política da Qualidade! Fonte: http://www.qualiblog.com.br/formulando-objetivos-da-qualidade/ Tema 3: Ferramentas da Qualidade I São as técnicas usadas nos processos de Gestão da Qualidade que começaram a ser utilizadas nos meados da década de 50, com base na aplicação de técnicas estatísticas. 1- Brainstorming Brainstorming é uma técnica de geração de ideias. Foi fundamentada por Osborn, em 1938 a tradução é “tempestade cerebral”. A técnica do Brainstorming é um processo grupal onde os indivíduos dão ideias de forma livre, e sem críticas, dentro do tempo possível. A formação dos grupos geralmente, são compostos por 5 a 12 integrantes, a participação é voluntária. A finalidade do Brainstorming é surgir com ideias novas e criativas. Na verdade, procura-se a diversidade de opiniões a partir de um processo de criatividade grupal. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 9 Essa ferramenta pode ser usada por qualquer pessoa da organização, pois é de fácil uso. Existem algumas técnicas para se obter ter sucesso com om uso das técnicas do Brainstorm. Focaliza a atenção do usuário no aspecto mais importante do problema. É um exercício do raciocínio. Principal objetivo: Solucionar problemas. Além destes existem outros objetivos: permite soltar a mente; prática para alimentar a intuição; abolição de críticas; Como é aplicada: Para definir a reação psicológica do grupo, mas necessita de um coordenador para fluir melhor essa técnica. Casos em que mais se usa o Brainstorming: Pode ser usada em geral em qualquer área; Essa ferramenta em geral não é utilizada sozinha, porém para outras ferramentas; Tipos de Brainstorming: Estruturado: Aqui todas as pessoas do grupo dão uma ideia a cada rodada ou “passar” até que venha a sua próxima vez. Não-estruturado: Aqui os membros do grupo vão sugerindo as ideias conforme aparecerem em suas mentes. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 10 2- Diagrama de causa e efeito ou Diagrama de peixe ou de Ishikawa Técnica muito usada que intenciona a relação entre um efeito e as possíveis causas que estão contribuindo para que ele ocorra. Aplicação: Construído com a aparência de uma espinha de peixe, essa ferramenta foi aplicada, pela primeira vez, em 1953, no Japão, pelo professor da Universidade de Tóquio, Kaoru Ishikawa, para sintetizar as opiniões de engenheiros de uma fábrica quando estes discutem problemas de qualidade. Forma de uso: Visualizar de maneira conjunta, as causas principais e secundárias de um problema. Analisar os processos, buscando as melhorias. Confecção do Diagrama: Estabeleça o problema (efeito) a ser analisado. Desenhe uma seta horizontal apontando para a direita e escreva o problema no interior de um retângulo localizado na ponta da seta ou na cabeça do peixe. Faça um brainstorming, para identificar as possíveis causas que podem estar contribuindo para geração da problemática. Coloque as causas agrupadas por categoria. A forma mais usada de agrupamento é o 6M de processo: Máquina, Mão de obra, Método, Materiais, Medida e Meio ambiente, porém você pode achar um outro método mais adequado a sua realidade. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 11 Exemplo do Diagrama de Ishikawa 3- Fluxograma Representação gráfica das atividades de um processo para que o mesmo possa ser melhorado. Pode ser entendido como uma representação esquemática de um processo, através de gráficos que mostram de forma simples o funcionamento de um processo. Na prática, o fluxograma é como a documentação do passo a passo que se utiliza para a realização de um processo. Fluxograma é uma das Sete ferramentas da qualidade. Símbolos usados no Fluxograma: O fluxograma faz uso de símbolo a representação das etapas do processo, das pessoas ou dos setores envolvidos, a sequência das operações e a circulação dos dados e dos documentos. Os símbolos mais usados são: n. Operação: mostra uma etapa do processo. As etapas são registradas no interior do retângulo. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 12 s. Decisão: mostra o ponto em que a decisão deve ser tomada. A questão é escrita no interior do losango, podendo ter duas ou três setas de saídas com as direções a serem seguidas pelo processo. t. Sentido do Fluxo: é a seta que mostra o sentido e a sequência das etapas no decorrer do processo. u. Limites: mostra o início e o fim do processo. Quando usamos o fluxograma: para mostrar um processo e identificar as oportunidades de melhoria. para desenhar um novo processo, com a incorporação das melhorias, ou seja, a situação desejada. é muito utilizado na comunicação entre as pessoas envolvidas no mesmo processo. propagação de informações acerca do processo. Exemplo de um fluxograma para fazer um suco de laranja:Fonte: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAs9UAA/ferramentas-qualidade- resumo?part=2 Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 13 Tema 4 — Ferramentas da Qualidade II Diagrama de Pareto O princípio de Pareto: 80% dos problemas advém de 20% de causas. Aplicação: tratar não conformidades, identificar pontos de melhoria e definir que planos de ação serão atacados primeiro. O grande objetivo é priorização do que deve ser resolvido antes. Sequência para desenvolver um Diagrama de Pareto: Identifique o que investigar; Defina o aspecto de interesse da perda a ser investigada; Organize uma folha de verificação com os dados que você quer levantar para investigar; Preencha a folha de verificação; Faça as contagens, organize as categorias por ordem decrescente de frequência, agrupe aquelas que ocorrem com baixa frequência sob denominação e calcule o total; Calcule as frequências relativas e as frequências acumuladas. Exemplo: Uma fábrica entrega os seus produtos para várias lojas de varejo e quer diminuir o número de devoluções. Para isto, investigou o número de ocorrências geradoras de devolução da entrega no último semestre. A partir desses dados levantados construiu-se o gráfico de Pareto conforme desenho abaixo: Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 14 Fonte: http://www.blogdaqualidade.com.br/diagrama-de-pareto/ Diagrama de Dispersão O diagrama de dispersão ou de correlação também faz parte das sete ferramentas da qualidade e é utilizado para comprovar a relação entre uma causa e um efeito. um gráfico onde cada ponto representa um par de valores que vai revelar a direção, a forma e a inclinação do relacionamento que existe entre as variáveis. uma representação gráfica de valores simultâneos de duas variáveis relacionadas a um mesmo processo, mostrando o que acontece com uma variável quando a outra se altera, ajudando desta forma a verificar a relação entre elas. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 15 Os valores da variável preditora aparecem no eixo horizontal do gráfico e os valores da variável resposta no eixo vertical. Cada par de valores forma um ponto no gráfico. Exemplo: Vamos agora considerar uma clínica de Endocrinologia onde foi feita uma pesquisa com 5 mulheres de 50 anos de idade. Nessa pesquisa foram feitas duas perguntas as mulheres. Qual é o nível de HDL – Colesterol em seu sangue? Quantas horas semanais você pratica exercícios físicos? Fonte: http://unipvirtual.com.br/material/RECUPERACAO/EAD/ESTATISTICA_INDUTIVA/geral_pdf.pdf Histograma O histograma é um gráfico do tipo barras verticais que representa a frequência de ocorrências individuais subdivididas em classes. Sendo assim, ele é uma representação gráfica da distribuição de frequências de uma massa de medições. São várias as aplicações dos histogramas, tais como: Verificar o número de produto não-conforme; Determinar a dispersão dos valores de medidas em peças; Em processos que necessitam ações corretivas. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 16 Para encontrar e mostrar através de gráfico o número de unidade por cada categoria. Exemplo: Característica dimensional (mm) O gráfico histograma construído será então: Cartas de Controle Carta de controle é um tipo de gráfico utilizado para o acompanhamento de um processo. Este gráfico determina estatisticamente uma faixa denominada limites de controle que é limitada pela linha superior (limite superior de controle) e uma linha inferior (limite inferior de controle), além de uma linha média. O objetivo é verificar, por meio do gráfico, se o processo está sob controle. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 17 Formas de aplicação A forma mais usual dos gráficos de controle envolve registros cronológicos regulares (dia a dia, hora a hora, etc.) de uma ou mais características (por exemplo, média, amplitude, proporção, etc.) calculadas em amostras obtidas de medições em fases apropriadas do processo. Estes valores são dispostos, pela sua ordem, em um gráfico que possui uma linha central e dois limites, denominados “limites de controle”. Os gráficos de controle dão a ideia do nível de controle sobre um processo, através dos pontos locados no gráfico. Se todos os pontos dispostos estão dentro dos limites e dispostos de forma aleatória, consideramos que “não existem evidências de que o processo esteja fora de controle. Exemplo de Gráficos de controle. Fonte: http://www.portalaction.com.br/controle-estatistico-do-processo/graficos-ou-cartas- de-controle Podemos observar no primeiro gráfico que os dados estão dispostos entre os limites do intervalo, exceto uma observação. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 18 Tema 5 — Análise crítica e avaliação do sistema de Gestão da qualidade. Analise crítica é feita pela alta administração da empresa. Cabe a ela analisar e avaliar o desempenho do sistema de gestão da qualidade e intervalos planejados, para assegurar a seu funcionamento e desempenho. Nessa análise crítica deve incluir a avaliação de oportunidades para melhoria e necessidade de mudanças no sistema de gestão da qualidade, incluindo a política da qualidade e os objetivos da qualidade. Devem ser mantidos registros das análises críticas pela direção. Entradas para a análise crítica (Norma ISO 9001) As entradas para a análise crítica pela direção devem incluir informações sobre: resultados de auditorias, realimentação de cliente, desempenho de processo e conformidade de produto, situação das ações preventivas e corretivas, acompanhamento das ações oriundas de análises críticas pela direção anteriores, mudanças que possam afetar o sistema de gestão da qualidade, e recomendações para melhoria. Saídas da análise crítica (Norma ISSO 9001) As saídas da análise crítica pela direção devem incluir quaisquer decisões e ações relacionadas a: melhoria da eficácia do sistema de gestão da qualidade e de seus processos, Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 19 melhoria do produto em relação aos requisitos do cliente, e necessidade de recursos. E qual o significado do item? Podemos dizer que a análise crítica é uma atividade para mostrar aos demais funcionários a participação efetiva desta no processo de qualidade da empresa. As análises críticas devem abordar de forma até didática todos os itens da qualidade, pois se a alta administração quer passar algum recado para os diversos níveis da empresa isso deve ser de forma clara e concisa. Todos devem perceber que aquele registro atende a norma e ainda evidencia as conclusões sobre a eficácia dos processos de gestão e de suasatividades. Desvios quando detectados ou não conformidades devem a partir das análises críticas ser iniciado um processo de ação corretiva que deve ser registrada com responsável e prazo. De forma pratica podemos dizer que são verificados na análise crítica: os resultados das auditorias internas, as situações das ações corretivas e preventivas, o tratamento das reclamações e sugestões, o acompanhamento das ações das reuniões de análise crítica anteriores, a adequação da estrutura organizacional e as mudanças que possam afetar o sistema. Na saída devemos verificar: se houve melhoria da eficácia do sistema de gestão da qualidade e seus processos, dos produtos certificados em relação aos requisitos e das oportunidades mercadológicas dos produtos. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 20 Características de um Processo de Análise Crítica quando Bem Controlado Definição - Embora não seja necessário um "procedimento”, deve haver uma certa documentação que descreva o processo, sua relação com os outros elementos do SGQ- Sistema de Gestão da Qualidade e os requisitos. Responsabilidade - Identificar quem participa na análise crítica e quem é responsável. Frequência - Os intervalos estabelecidos entre uma reunião e outra irão depender da maneira como a direção conduz as análises críticas e dos dados abordados em cada reunião. Planejamento – Para se esperar resultados adequados om planejamento também deve ser o adequado. Escopo – São os limites da aplicação da análise crítica. Definir o escopo da análise crítica pela direção equivale a identificar as entradas do processo de análise crítica. O Processo - Pense nisso como um tipo de roteiro do trabalho de produção. • importante identificar as atividades - etapas - a serem concluídas para se obter o produto final: um relatório cheio de recomendações e ações, com o propósito de manter e melhorar a empresa. Para conseguir esse resultado, o que se deve fazer? A resposta mais curta é: descreva o método que será usado para analisar criticamente todos os itens identificados no escopo e o esquema para se produzir ações, delegar responsabilidades, estabelecer objetivos e desenvolver medições para monitorar e verificar a melhoria. Registros – normalmente se faz através de atas das reuniões de análise crítica. Formulários - O uso de formulários para facilitar o processo de análise crítica tem a mesma finalidade de qualquer outro processo. Para concluir queremos enfocar aqui que a análise crítica pela direção não é complicada. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 21 • um processo lógico para se avaliar as práticas da empresa através de um modelo que reflita o SGQ da organização. Trocando Ideias Identifique no seu dia a dia uma situação a ser controlada, escolha uma ferramenta da qualidade e faça as devidas atualizações. Busque analisar as tendências dos resultados e a identificação das causas e como estas poderiam ser resolvidas. Compartilhe sua experiência com seus colegas de turma no fórum da disciplina disponível no AVA. Na Prática Considerando o gráfico de Pareto acima, representando os problemas observados numa peça produzida, faça uma análise do gráfico e identifique a sequência de quais itens seriam prioritários de solução? Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 22 Resolução do Caso Podemos fazer a leitura do gráfico pela coluna da direita, ou seja, a coluna referente a porcentagens e veremos que os itens Tensão, Aranhado e Furo tem um porcentual acumulado de 83%, portanto de acordo com Pareto estes seriam os itens significativos que deveriam serem resolvidos prioritariamente Síntese Caros alunos, Concluímos aqui mais uma rota de aprendizagem e também a disciplina de Padronização, Qualidade e Certificação. Vimos, alguns temas de grande relevância para nossas atividades profissionais do dia a dia, como: planejamento da qualidade, elaboração de políticas e os objetivos da qualidade, as principais ferramentas da qualidade e, por fim, vimos como fazer a análise crítica de não conformidades e do Sistema de Gestão da Qualidade. Até uma próxima! Referências SELEME, Robson. Gestão da Qualidade e Ferramentas essenciais, Curitiba, Ed. IBPEX 2010. PALADINI, Edson Pacheco. Avaliação Estratégica da Qualidade. São Paulo: Ed. Atlas, 2002. DEMING, W. E. Qualidade: A Revolução da Administração. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 1990. Planejamento da Qualidade. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/34818169/Planejamento-da-qualidade Acesso em: 20 de junho de 2016. Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico (CCDD) 23 Planejamento e Gestão da Qualidade. Disponível em: http://www.blogdaqualidade.com.br/definicao-da-politica-e-dos-objetivos- da-qualidade/ Acesso em: 20 de junho de 2016. Definição da Política e dos Objetivos da Qualidade. Disponível em: http://www.blogdaqualidade.com.br/definicao-da-politica-e-dos-objetivos-da- qualidade/ A análise crítica dos sistemas de gestão da qualidade. Disponível em: http://www.blogdaqualidade.com.br/definic ao-da- politica-e-dos-objetivos-da- qualidade/ ROBITAILLE, Denise. Como tornar a análise crítica adequada e eficaz para a direção. Presidente da Robitaille Associates. Acesso em: 20 de junho de 2016. Acesso em: 20 de junho de 2016.