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Montes Claros/MG - 2014
Laura Maria Pinheiro Leão
Liliane Campos Machado
Rosangela Silveira Rodrigues
Rose Mary Ribeiro
2ª edição atualizada por 
Laura Maria Pinheiro Leão
Liliane Campos Machado
Didática
2ª EDIÇÃO
© - EDITORA UNIMONTES - 2014
Universidade Estadual de Montes Claros
2014
Proibida a reprodução total ou parcial.
Os infratores serão processados na forma da lei.
EDITORA UNIMONTES
Campus Universitário Professor Darcy Ribeiro
s/n - Vila Mauricéia - Montes Claros (MG)
Caixa Postal: 126 - CEP: 39.401-089
Correio eletrônico: editora@unimontes.br - Telefone: (38) 3229-8214
Catalogação: Biblioteca Central Professor Antônio Jorge - Unimontes
Ficha Catalográfica:
REITOR
João dos Reis Canela
VICE-REITORA
Maria Ivete Soares de Almeida
DIRETOR DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÕES
Humberto Velloso Reis
EDITORA UNIMONTES
Conselho Consultivo
Antônio Alvimar Souza 
César Henrique de Queiroz Porto
Duarte Nuno Pessoa Vieira
Fernando Lolas Stepke
Fernando Verdú Pascoal
Hercílio Mertelli Júnior
Humberto Guido
José Geraldo de Freitas Drumond
Luis Jobim
Maisa Tavares de Souza Leite
Manuel Sarmento
Maria Geralda Almeida
Rita de Cássia Silva Dionísio
Sílvio Fernando Guimarães Carvalho
Siomara Aparecida Silva 
CONSELHO EDITORIAL
Ângela Cristina Borges
Arlete Ribeiro Nepomuceno
Betânia Maria Araújo Passos
Carmen Alberta Katayama de Gasperazzo
César Henrique de Queiroz Porto
Cláudia Regina Santos de Almeida
Fernando Guilherme Veloso Queiroz
Jânio Marques Dias
Luciana Mendes Oliveira
Maria Ângela Lopes Dumont Macedo
Maria Aparecida Pereira Queiroz
Maria Nadurce da Silva
Mariléia de Souza
Priscila Caires Santana Afonso
Zilmar Santos Cardoso
REVISÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA
Carla Roselma Athayde Moraes
Waneuza Soares Eulálio
REVISÃO TÉCNICA
Karen Torres C. Lafetá de Almeida 
Káthia Silva Gomes
Viviane Margareth Chaves Pereira Reis
DESIGN EDITORIAL E CONTROLE DE PRODUÇÃO DE CONTEÚDO
Andréia Santos Dias
Camila Pereira Guimarães
Camilla Maria Silva Rodrigues
Fernando Guilherme Veloso Queiroz
Magda Lima de Oliveira
Sanzio Mendonça Henriiques
Wendell Brito Mineiro
Zilmar Santos Cardoso
ISBN - 978-85-7739-453-1
Diretora do Centro de Ciências Biológicas da Saúde - CCBS/
Unimontes
Maria das Mercês Borem Correa Machado
Diretor do Centro de Ciências Humanas - CCH/Unimontes
Antônio Wagner Veloso Rocha
Diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas - CCSA/Unimontes
Paulo Cesar Mendes Barbosa
Chefe do Departamento de Comunicação e Letras/Unimontes
Mariléia de Souza
Chefe do Departamento de Educação/Unimontes
Andréa Lafetá de Melo Franco
Chefe do Departamento de Educação Física/Unimontes
Rogério Othon Teixeira Alves
Chefe do Departamento de Filosofi a/Unimontes
Ângela Cristina Borges
Chefe do Departamento de Geociências/Unimontes
Anete Marília Pereira
Chefe do Departamento de História/Unimontes
Francisco Oliveira Silva
Jânio Marques Dias
Chefe do Departamento de Estágios e Práticas Escolares
Cléa Márcia Pereira Câmara
Chefe do Departamento de Métodos e Técnicas Educacionais
Helena Murta Moraes Souto
Chefe do Departamento de Política e Ciências Sociais/Unimontes
Carlos Caixeta de Queiroz
Ministro da Educação
José Henrique Paim Fernandes
Presidente Geral da CAPES
Jorge Almeida Guimarães
Diretor de Educação a Distância da CAPES
João Carlos Teatini de Souza Clímaco
Governador do Estado de Minas Gerais
Alberto Pinto Coelho Júnior
Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
narcio Rodrigues da Silveira
Reitor da Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes
João dos Reis Canela
Vice-Reitora da Universidade Estadual de Montes Claros - 
Unimontes
Maria Ivete Soares de Almeida
Pró-Reitor de Ensino/Unimontes
João Felício Rodrigues neto
Diretor do Centro de Educação a Distância/Unimontes
Jânio Marques Dias
Coordenadora da UAB/Unimontes
Maria Ângela Lopes Dumont Macedo
Coordenadora Adjunta da UAB/Unimontes
Betânia Maria Araújo Passos
Autoras
Laura Maria Pinheiro Leão 
Mestre em Saúde Pública, na área de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, pela Escola 
Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz – ENSP/FIOCRUZ. 
Especialista em Docência para Educação Profissional e em Psicopedagogia pela Universidade 
Estadual de Montes Claros – Unimontes. Licenciada em Pedagogia pela Universidade 
Estadual de Montes Claros – Unimontes. Professora no Departamento de Métodos e 
Técnicas Educacionais da Unimontes. Coordenadora de Análise aos Produtos de Pesquisas 
Institucionais, da Pró-Reitoria de Pesquisa da Unimontes. Analista Educacional – Pedagoga na 
Superintendência Regional de Ensino de Montes Claros – SRE M. Claros.
Liliane Campos Machado 
Pós-doutora em Educação pela Universidade de Brasília – Unb. Doutora em Educação pela 
Universidade Federal de Uberlândia. Mestre em Tecnologia, área de concentração: Educação 
Tecnológica, pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET-MG. É 
especialista em Especialização do Pedagogo, em Psicopedagogia, ambas pela Universidade 
Estadual de Montes Claros, e em Educação Continuada a Distância pela Universidade de 
Brasília – UnB. Licenciada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Montes Claros – 
Unimontes. Professora adjunta, efetiva por concurso público da Universidade Estadual de 
Montes Claros - Unimontes, lotada no Departamento de Métodos e Técnicas Educacionais.
Rosângela Silveira Rodrigues 
Doutora em História e Filosofia da Educação, na área de Epistemologia, pela UNICAMP. 
Mestre em Educação, na área Docência do Ensino Superior, pela PUC/Campinas. Professora 
de Didática no Departamento de Métodos e Técnicas Educacionais da Unimontes. Graduada 
em Pedagogia pela FUNM. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa GEHES. Coordenadora da Pós- 
graduação. Especialista em Metodologia Científica e Epistemologia da Pesquisa.
Rose Mary Ribeiro
Mestre em Educação, na área de Políticas Públicas, pela Universidade Católica de Brasília 
– UCB. Especialista em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. 
Especialista em Didática: Fundamentos Teóricos e Práticas Pedagógicas pela Faculdade de 
São Luís. Graduada em Pedagogia. Professora no Departamento de Métodos e Técnicas 
Educacionais da Unimontes.
Sumário
Apresentação da Disciplina Didática I . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9
Apresentação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11
Unidade 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13
As concepções de educação que fundamentam o ato de ensinar: expressão da ação 
política do homem, para educar o homem, que, por meio de suas ações, produz e 
reproduz a história do universo onde habita. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13
1.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13
1.2 Concepções de educação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .14
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
Unidade 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .27
As tendências pedagógicas implantadas na educação escolar brasileira: propostas de 
ensino- aprendizagem/viabilização de interesses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .27
2.1 Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .27
2.2 Tendência pedagógica tradicionalliberal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .29
2.3 Tendência pedagógica liberal renovada/moderna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .31
2.4 Tendência pedagógica libertadora / teorias críticas da educação . . . . . . . . . . . . . . . . 36
2.5 A didática adotada nas relações ensino-aprendizagem norteadas pelas tendências 
pedagógicas predominantes na história da educação brasileira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .39
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .45
Unidade 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .47
Planejamento de ensino: importância e elementos estruturantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .47
3.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .47
3.2 Planejamento de ensino: objetivos, métodos, recursos e avaliação. . . . . . . . . . . . . . . .49
3.3 Planejamento de um sistema educacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .51
3.4 Planejamento escolar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .51
3.5 Plano curricular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .52
3.6 Plano de ensino . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .52
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
Unidade 4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .67
Diferentes formas de trabalho pedagógico na contemporaneidade: projetos de 
trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .67
4.1 Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .67
4.2 O contexto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .67
4.3 Trabalho pedagógico, organização escolar, pluralidade cultural e conteúdos 
culturais: uma ideologia política ou proposta de emancipação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .69
4.4 Um pouco de história sobre a pedagogia de projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .70
4.5 Mas afinal o que é o projeto? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .70
4.6 Em síntese . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .85
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
Resumo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .89
Referências básicas, complementares e suplementares . . . . .95
Atividades de Aprendizagem - AA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .101
9
Pedagogia - Didática
Apresentação da 
Disciplina Didática I
Prezados(as) acadêmicos(as) do Curso de Pedagogia:
Este caderno intitulado Didática destina-se ao estudo da disciplina Didática I do Curso de 
Pedagogia, que será estudada neste terceiro período. Essa disciplina tem o propósito de discutir 
questões sobre as concepções de educação que fundamentam o ato de ensinar; as tendências 
pedagógicas implantadas na educação brasileira; as diferentes concepções de Didática adotadas 
nas relações ensino-aprendizagem norteadas pelas tendências pedagógicas predominantes na 
história da educação brasileira; a construção da identidade do professor; a relação professor-alu-
no nas suas dimensões ética, política, pedagógica e social. Também será oferecida a oportuni-
dade de refletir sobre as diferentes formas de trabalho pedagógico na contemporaneidade e o 
processo ensino-aprendizagem no contexto atual. Nessa disciplina, você terá a oportunidade de 
discutir sobre o planejamento educacional nas suas diversas dimensões, como planejamento do 
sistema educacional, planejamento escolar – PDE e PPP –, plano curricular e plano de ensino. 
Na unidade I e II será discutido a respeito de assuntos referentes às concepções de educação 
que fundamentam as teorias clássicas de ensino-aprendizagem, as quais sustentam as tendên-
cias pedagógicas que norteiam as diferentes concepções de didática presentes nas práticas pe-
dagógicas vivenciadas no decorrer da história da educação ocidental. Essas duas unidades têm 
a intenção de oferecer a você a oportunidade de desvelar as implicações políticas e ideológicas 
que permitiram a implantação dessas tendências, bem como a utilização das didáticas norteadas 
por elas no contexto educacional presente nas escolas brasileiras no decorrer da história da edu-
cação vivenciada neste país. 
A primeira unidade tem como objetivo oferecer a você elementos necessários à reflexão 
acerca da Didática norteada pelas diversas concepções de educação, as quais fundamentam as 
tendências pedagógicas norteadoras das relações ensino-aprendizagem que permeiam as prá-
ticas educacionais nas escolas brasileiras. Para tanto, propomos discutir as concepções de edu-
cação que fundamentam o ato de ensinar, em que será discutida a expressão da ação política 
do homem para educar o homem que, por meio de suas ações, produz e reproduz a história do 
universo onde habita.
A segunda unidade tem como objetivo levar você a conhecer as tendências pedagógicas 
vivenciadas no contexto da educação brasileira no decorrer da história da educação desse país. 
Nesta unidade, você terá a oportunidade de refletir sobre as tendências pedagógicas implanta-
das na educação escolar brasileira, entre elas: a tendência pedagógica tradicional liberal; a ten-
dência pedagógica liberal renovada/moderna; a tendência pedagógica libertadora/ teorias críti-
cas da educação; a didática adotada nas relações ensino-aprendizagem norteadas pelas diversas 
tendências pedagógicas predominantes na história da educação brasileira, em que será discuti-
do, também, as propostas de ensino-aprendizagem e a viabilização de interesses que permeiam 
essas tendências na educação brasileira.
A terceira unidade apresenta uma discussão sobre o planejamento de ensino e seus ele-
mentos. Tem como objetivo levar você a refletir sobre os elementos que compõem o planeja-
mento de ensino, bem como sobre a importância de se planejar a ação educativa de forma cons-
ciente, considerando que o ato de planejar consiste na programação da materialização de uma 
intenção educativa, a fim de alcançar determinados objetivos. Serão trabalhados os seguintes 
conteúdos: Planejamento educacional: importância e elementos estruturantes; Planejamento de 
ensino: objetivos, métodos, recursos e avaliação; Planejamento de um sistema; Planejamento es-
colar; Plano curricular; Plano de aula. 
Na quarta unidade, serão discutidas as diferentes formas de trabalho pedagógico na con-
temporaneidade, com destaque para a elaboração e desenvolvimento de projetos de trabalho. 
Dialogaremos a respeito da pluralidade cultural e faremos uma reflexão acercada da importância 
do desenvolvimento dos projetos de trabalho na organização da escola, pois, como profissional 
da educação em formação, é indispensável que você conheça os elementos que compõem um 
projetode trabalho e que saiba como elaborá-los. Será discutido o contexto; o trabalho pedagó-
10
UAB/Unimontes - 3º Período
gico, a organização escolar, a pluralidade cultural e os conteúdos culturais: uma ideologia política 
ou proposta de emancipação; um pouco de história sobre a Pedagogia de Projeto.
Caro(a) acadêmico(a), sugerimos que você busque realizar as atividades propostas de forma 
a não ficar apenas com a simples leitura deste caderno, que você atenda as sugestões do seu 
professor formador e das suas docentes tutoras virtuais e presencial, que busque ler os textos 
apresentados pelas autoras e os sugeridos pelos professores formadores. Atenção! Não se esque-
ça de realizar as atividades sugeridas no final deste caderno, pois elas são fundamentais para sua 
compreensão dos textos lidos e fazem parte do nosso sistema de avaliação da disciplina. Adverti-
mos que esse caminho requer esforço e dedicação, que serão demonstrados através do seu em-
penho em realizar as leituras recomendadas, a participar dos fóruns de discussão e dos Chats, as-
sim como do seu empenho durante a realização das atividades avaliativas e da sua participação 
nos seminários da disciplina, momento em que os conteúdos serão discutidos e compartilhados.
Maria Nadurce da Silva
Coordenadora do Curso
Montes Claros, março de 2014.
11
Pedagogia - Didática
Apresentação
Caro(a) acadêmico(a),
A Didática é uma das disciplinas que compõem os cursos de formação de professores da 
UAB/Unimontes na modalidade EAD.
Convidamo-lo(a) para refletir acerca dos elementos que consistem nos objetos de estudo 
da Didática, a fim de compreendermos a importância dela para a formação dos professores da 
Educação Básica.
Esclarecemos-lhe que neste Caderno de referência de conteúdo você encontrará o conteú-
do das quatro unidades propostas para essa disciplina nos cursos de formação de professores.
Esse caderno foi construído pela Professora Doutora Rosangela Silveira Rodrigues e pela 
Professora Mestre Rose Mary Ribeiro, para 1ª edição dos cursos a distância da UAB/CEAD/Uni-
montes. Para essa segunda edição, esse caderno recebeu algumas alterações feitas pela Professo-
ra Mestre Laura Maria Pinheiro Leão e pela Professora Doutora Liliane Campos Machado.
Nas Unidades I e II discutiremos a respeito de assuntos referentes às concepções de educa-
ção que fundamentam as teorias clássicas de ensino-aprendizagem, as quais sustentam as ten-
dências pedagógicas que norteiam as diferentes concepções de didática presentes nas práticas 
pedagógicas vivenciadas no decorrer da história da educação ocidental.
No decorrer de nossas reflexões, buscaremos realizar uma análise com o intuito de desvelar-
mos as implicações políticas e ideológicas que permitiram a implantação dessas tendências, bem 
como a utilização das didáticas norteadas por elas no contexto educacional presente nas escolas 
brasileiras no decorrer da história da educação vivenciada neste país.
Na terceira unidade, o nosso diálogo envolverá o planejamento de ensino e seus elementos. 
Na quarta unidade, dialogaremos a respeito da pluralidade cultural e faremos uma reflexão acer-
ca da importância dos projetos de trabalho na organização da escola.
Como profissional da educação em formação, é indispensável que você conheça os ele-
mentos aqui discutidos, porque o conhecimento deles contribuirá com a sua formação para o 
desenvolvimento de sua prática pedagógica no futuro. Esclarecemos que essa disciplina não é 
composta de receitas, de modelos, métodos, ou de como fazer, mas consiste em discussões teóri-
co-práticas indispensáveis à formação do educador emancipado.
Situação de interação: Aqui você contará com o apoio do tutor, que recorrerá às ferramentas 
possíveis para auxiliá-lo.
Caro(a) acadêmico(a), sugerimos que você busque realizar as atividades propostas de forma 
a não ficar apenas com a leitura. Assim, atenda às sugestões e busque ler os textos apresentados, 
conheça as pesquisas mencionadas e, principalmente, faça a leitura de outros autores citados 
nas referências suplementares.
Preste muita atenção! Não se esqueça de realizar as atividades sugeridas após a leitura dos 
textos, pois elas são fundamentais para sua compreensão, bem como o ajudarão a pensar nas 
questões presentes nas leituras.
É importante salientar que você não pode se esquecer de que, por meio das reflexões pro-
postas, pretendemos dialogar, a fim de contribuir para o seu crescimento intelectual e humano.
Desejamos que este estudo seja desafiador e inquietante, provocando a problematização 
de conceitos que contribuam com a produção de novos conhecimentos referentes à temática 
discutida.
Bom estudo!
13
Pedagogia - Didática
UnIDADe 1
As concepções de educação que 
fundamentam o ato de ensinar: 
expressão da ação política do 
homem, para educar o homem, 
que, por meio de suas ações, 
produz e reproduz a história do 
universo onde habita
Rosângela Silveira Rodrigues 
Rose Mary Ribeiro
1.1 Introdução
Caro(a) acadêmico(a), apresentamos a você a primeira unidade da disciplina Didática I. O 
nosso objetivo principal é oferecer elementos necessários à reflexão acerca da Didática norteada 
pelas diversas concepções de educação, as quais fundamentam as tendências pedagógicas que 
norteiam as relações ensino-aprendizagem que permeiam as práticas educacionais nas escolas 
brasileiras.
Queremos que você saiba que, ao ler os textos encontrados nesta unidade, vamos dialogar 
a respeito de questões referentes às concepções de educação presentes no decorrer da história 
da humanidade, com base em uma perspectiva histórico-crítica.
Sendo assim, é importante esclarecermos que, aqui, partimos dos pressupostos de que a 
educação, como todos os elementos que compõem as relações entre homem e natureza, é pro-
duto do trabalho do homem, realizado no decorrer da história da sociedade.
Portanto, para estudarmos tais assuntos propostos, ancorar-nos-emos no pensamento de 
teóricos que serão utilizados para nos proporcionar espaço de problematização e reflexão acerca 
dos conteúdos de Didática aqui abordados. Dessa forma, buscaremos respaldo no pensamento 
de autores como: Libâneo (1991), Haidt (2003), Veiga (2001-2002), Saviani (1991-1993), Gaspa-
rim (2007), Silveira Rodrigues (2006), Suchodolski (1984), Damis (2001), Resende (1989), Platão 
(1989), Agostinho (1980), Aquino (2001), Marx (1996), Descartes (1979), Chatelet (1974), Gramsci 
(1995).
Iniciaremos nosso estudo alertando que pensar a Didática implica pensar no ato de ensinar, 
o qual, por sua vez, traduz uma ação do homem, que, como qualquer outra ação, traz em si uma 
intenção. Afirmar que cada ação expressa uma intenção é basear-se no ponto de vista de que o 
homem é um animal político, como já dizia Aristóteles.
Diante da colocação acima, podemos concluir que as ações do homem são políticas, ou seja, 
precisamos compreender que nenhum ato do homem é neutro. Nessa direção, compreendemos 
que a forma como nós seres humanos agimos diante de qualquer situação é determinada pela 
nossa maneira de conceber o mundo, que, por sua vez, define os nossos interesses.
Com base nas considerações acima, ressaltamos que o ato de ensinar também não é neutro. 
Sendo assim, para deslanchar esse estudo, você precisa levar em conta que partimos do pres-
PARA SABeR MAIS
Segundo Adorno, a mo-
delagem de ninguém 
tem o direito de mo-
delar pessoas a partir 
do seu exterior; e ainda 
afirma que a mera 
transmissão de conhe-
cimentos caracteriza a 
coisa morta. A educa-
ção verdadeira requer a 
produção de uma cons-
ciência verdadeira, que 
é da maior importância 
política (Adorno, 2003, 
p.141). Nessa perspec-
tiva, podemos concluir 
que a educação propõe 
desenvolver pessoas 
autônomas, ao deixar 
clara a necessidade 
de formar pessoas 
capazes de falar e agir 
por si próprias, o que 
significacapazes de se 
libertar da condição de 
tutela para se tornar 
um ser crítico diante da 
sociedade. Assim, preci-
samos ter claro que, na 
lógica aqui atribuída, 
a educação emancipa-
tória é condição para 
o desenvolvimento 
das relações sociais, 
políticas, econômicas 
e culturais de forma 
contextualizada, 
condição indispensável 
ao fortalecimento do 
trabalho pedagógico 
de qualidade, o que, 
por sua vez, é necessá-
rio para a formação de 
sujeitos emancipados. 
Ou seja, preparados no 
sentido que se refere 
aos aspectos culturais, 
antropológicos, eco-
nômicos e políticos, de 
forma que se tornem 
capazes de viver de 
forma autônoma. 
Fonte: www.diciona-
rioonline.com.br
14
UAB/Unimontes - 3º Período
suposto de que o professor ensina de uma forma ou de outra porque aprendeu ou aprimorou 
aquela maneira, cujos fundamentos foram pensados, no contexto de uma sociedade em alguma 
circunstância histórica, por pessoas movidas pelos interesses que predominavam em cada época 
da história.
Esclarecemos que, na direção ora proposta, entendemos que a maneira como o professor 
ensina expressa o que ele pensa, sente e, principalmente, o que deseja, ou seja, a sua intenção, 
caso tenha consciência do que faz.
Lembre-se de que, caso o professor ensine repetindo mecanicamente uma forma de ensinar 
que aprendeu, sem pensar em quando, onde e como, em que contexto essa forma de ensinar 
foi criada, esse professor estará correndo o risco de expressar a concepção de mundo de outros, 
que o leva a realizar os interesses de outros, e de negar seus interesses, assumindo a condição de 
alienado.
Gostaríamos que, na direção das reflexões que apresentamos nos parágrafos anteriores, 
você pensasse conosco a respeito das seguintes indagações: Quais as concepções de educação 
que fundamentam as teorias do ensino-aprendizagem propostas pelas tendências pedagógicas 
que fundamentam as práticas educacionais nas escolas brasileiras? Quais as visões de mundo 
que fundamentam essas concepções de educação? Em que contexto e a serviço de que interes-
ses tais concepções foram produzidas? Quais são suas características? Até que ponto essas con-
cepções se cristalizaram e permanecem presentes na educação escolar atual?
Diante da contextualização e da problematização que apresentamos, faz-se necessário ini-
ciarmos esse estudo com uma reflexão acerca das diferentes concepções de educação que de-
ram origem às teorias clássicas do ensino-aprendizagem produzidas no decorrer da história da 
civilização e que vêm fundamentando as tendências pedagógicas que definem a Didática viven-
ciada na prática pedagógica das escolas brasileiras no decorrer da história da educação deste 
país até os dias atuais.
1.2 Concepções de educação
Iniciaremos nosso diálogo a respeito das concepções de educação procurando apresentar 
elementos histórico-filosóficos, os quais nos possibilitem compreender as concepções de edu-
cação que fundamentam as teorias de ensino-aprendizagem, que dão origem às tendências pe-
dagógicas, permeiam a educação escolar do mundo ocidental e, por sua vez, definem a didática 
adotada pelos professores para ensinar nas escolas.
Para tal tarefa, refletiremos acerca do pensamento de alguns filósofos cuja visão de mundo 
dá origem às concepções de ensino-aprendizagem que marcam a história da educação da anti-
guidade até os dias atuais.
Salientamos que o pensamento dos filósofos que aqui apresentaremos não se encontra em 
constante consenso. Pelo contrário, marcam divergências de opiniões e, assim, veiculam interes-
ses muitas vezes diferentes.
Esclarecemos, então, que, em primeiro lugar, apresentaremos a concepção de educação de 
Sócrates, Platão e Aristóteles, filósofos que representam a Paidéia Grega.
Na sequência, pontuaremos o pensamento de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino 
que, no contexto da Idade Média, resgatam as ideias de Platão e Aristóteles, adequando-as àque-
le contexto com uma interpretação à luz do cristianismo.
Refletiremos, ainda, a respeito do pensamento de Bacon e Descartes que, no início da mo-
dernidade, dão continuidade às duas posições ideológicas favoráveis aos interesses político-eco-
nômicos da época.
Enfim, nesta unidade, realizaremos, ainda, uma reflexão a respeito da concepção de educa-
ção materialista histórico-dialética, que nega todas as demais concepções apontadas anterior-
mente, por meio da defesa de uma educação fundamentada na ideia da dialética produzida por 
meio do trabalho das mãos do homem.
PARA SABeR MAIS 
Quando falamos de 
emancipação não 
estamos falando 
segundo a versão 
dicionarizada 
que concebe a 
emancipação como a 
libertação; chegada à 
maioridade. Porém, o 
sentido que atribuímos 
à palavra emancipação 
aqui está de acordo 
com Adorno (2003), 
quando esse fala a 
respeito da educação 
emancipatória como 
caminho para formar 
o sujeito racional, 
não de acordo com 
a razão instrumental 
e manipuladora, 
mas sim por meio 
de um caminho que 
eleva o homem a se 
desenvolver autônomo. 
Nessa direção, Adorno 
afirma que uma 
educação verdadeira é 
aquela com- prometida 
com a verdade que 
vai além da aparência 
imediata. Sendo 
assim, é fundamental 
reconhecer a realidade 
e suas relações, 
buscar os fatos que 
a constituem, pois 
somente através 
do pensamento 
autônomo, valendo-se 
dos conhecimentos 
verdadeiros, o homem 
se liberta, se desprende 
de sua condição 
primitiva e consegue 
se encontrar como 
ser humano. (www.
dicionarioonline. com.
br, 2013).
15
Pedagogia - Didática
1.2.1 Concepção de educação essencialista (Sócrates, Platão e 
Aristóteles) um confronto entre o idealismo e realismo
Caro(a) acadêmico(a), para iniciarmos nosso diálogo, lembramos-lhe que, no período deno-
minado clássico, a partir de 450 a.C., na Grécia, encontramos o filósofo Sócrates, que, por meio de 
diálogos com os jovens em praças públicas, defendia a ideia do auto-conhecimento, relacionava 
sua concepção de educação com a profissão de sua mãe, que era parteira.
Esclarecemos que Sócrates tinha uma visão de mundo que se manifestava idealista, essen-
cialista quando propunha a busca do conhecimento da identidade, ou seja, do conhecimento da 
essência que cada um já traz consigo desde que nasce.
Alertamos, assim, que, nessa perspectiva, a concepção de educação é inatista, lembrando-se 
de que, para Sócrates, a pessoa só pode se conhecer por meio de seus pensamentos, ao buscar 
voltar-se para si mesma.
Dessa forma, podemos compreender que, para Sócrates, o professor não devia ensinar dire-
tamente, pois ele nada sabe.
Você precisa saber que, nessa direção, ao professor cabia tirar da alma do aluno o que estava 
sendo gerado. E, na convivência de ambos, por meio de indagações, promovia-se a prática do 
pensar e, assim, conduzia-se o parto espiritual que proporcionava condições ao aluno para o au-
toconhecimento e descoberta do belo.
Ao pensarmos a respeito da concepção de educação de Sócrates, vamos voltar o nosso 
olhar para a concepção de educação de Platão, discípulo de Sócrates, pertencente a uma nobre 
família ateniense, o qual dá continuidade às ideias de seu mestre.
Para continuarmos nossa conversa, você precisa ter clara a afirmação de Platão de que só 
os cidadãos livres passavam do mundo das aparências para o mundo das ideias da essência, do 
mundo da opinião para o mundo da razão. Assim, fica visível o caráter excludente e elitista do 
pensamento de Platão que seleciona as pessoas capazes de pensar lógica e metodicamente, que 
eram os cidadãos filósofos, seres libertos da ilusão, capazes de governar. Segundo Platão,
Um homem perfeito só pode ser um perfeito cidadão. É necessário conhecer o 
bem para ser um homem de bem ou um bom cidadão. Se não o conhecer por 
si mesmo em todo seu esplendor, convém pelo menos ser orientadopor aque-
les que se elevaram até este conhecimento, ou seja, os filósofos. Eis por que é 
necessário, para o bem de todos, que os filósofos sejam considerados os líderes 
da cidade (PLATÃO, 1989, p.32).
Ressaltamos que, de acordo com o pensamento de Platão, conforme apresentamos an-
teriormente, em uma fase de sua vida, concebia que o homem era livre perante os seus pares 
e apenas poucas pessoas tinham a capacidade de ver os fenômenos além das aparências, esta 
qualidade era para poucas pessoas. Dessa forma, a educação era concebida por Platão como o 
resultado da natureza de cada indivíduo.
Enfatizamos que, aqui, os processos edu-
cativos priorizavam os homens considerados 
livres, assim como nos dias atuais a educação é 
concebida com um caráter seletivo e excluden-
te, por mais que não seja o que consta nos dis-
cursos oficiais.
Para darmos sequência aos nossos diá-
logos, lembramos-lhe que Platão, em outra 
época de sua vida, vê o mundo de forma mais 
realista. E, assim, ele muda sua maneira de con-
ceber o homem: não como livre, mas obrigado 
a agir sob as instâncias da lei.
Na perspectiva que caminha nossa refle-
xão, você precisa ter claro que, diante da nova 
visão de mundo de Platão, a sua concepção de 
educação encontra-se ligada às leis, partindo 
do entendimento de que, para cumprir as leis, 
o homem precisa ser educado. Assim, a edu-
cação é concebida como a preparação do ho-
PARA SABeR MAIS
Com base nas ideias 
dos filósofos que vive-
ram na Grécia a partir 
do século IV a.C. é que 
foram elaboradas várias 
concepções de homem 
que até hoje definem 
as visões de mundo e, 
consequentemente, 
a maneira de agir das 
pessoas, os valores; 
enfim, a sociedade. Ao 
falar da Grécia, estamos 
falando de um aglome-
rado de cidades (polis), 
que não dependem 
umas das outras e que, 
na maioria das vezes, 
são rivais. Essas cidades 
se modificavam de 
acordo com o poder 
adquirido ou perdido, 
por meio de derrotas e 
vitórias, ao se enfrenta-
rem guerreando. 
A forma de governo 
naquele contexto era 
a democracia. Os es-
cravos eram as pessoas 
que pertenciam às ci-
dades derrotadas pelas 
suas rivais durante as 
batalhas. O homem era 
livre somente entre os 
seus iguais. No governo 
democrático, cidadãos 
livres não passavam 
de 500 homens, sendo 
estes aristocratas, o que 
não incluía escravos, 
mulheres e campone-
ses.
DICA
Leia Mito das cavernas, 
de Platão, In OS PENSA-
DORES, São Paulo: Abril 
Cultural, 1980.
◄ Figura 1: Platão 
Fonte: Disponível em: 
http://www.suapesqui-
sa.com/grecia/
16
UAB/Unimontes - 3º Período
mem para ser cidadão, de acordo com os parâmetros exigidos para a sociedade, o que não é di-
ferente da nossa realidade nos dias atuais.
Salientamos, portanto, que, nesse contexto, sendo a educação uma necessidade do Esta-
do, inclusive para se manter, o Estado é responsável pela educação, e o legislador é também um 
educador, em prol da formação de homens com as características necessárias ao exercício da 
obediência às leis, necessárias para uma cidade justa.
Desse modo, ressaltamos que se torna necessário pensar como as ideias de política e ética 
teriam que ser passadas para o bom convívio social. Ou seja, que tipo de educação teria de ser 
proposta. Assim, podemos perceber que a educação é concebida como produto do homem, que 
a projeta e a vivencia, de acordo com interesses de determinados grupos de pessoas.
Diante dessa reflexão, lembramos-lhe que a origem dos sistemas educacionais relaciona-se 
aos interesses ligados à sustentação da desigualdade social de uma determinada época.
Considerando as colocações anteriores, urge problematizarmos que, no decorrer da história 
das civilizações, os processos educativos são criados de acordo com as classes sociais. Para você 
entender melhor, de acordo com os interesses das classes sociais que se encontram no poder em 
cada época da história.
Podemos, ainda, exemplificar essa problematização da seguinte maneira: Para os governan-
tes, uma educação que prepara para o exercício do poder, o pensar, o falar e o fazer direcionado 
ao uso das armas; para o produtor, o treinamento por meio da observação e da imitação; para os 
considerados governados e para os “socialmente excluídos”, nenhum tipo de educação.
Para você compreender melhor a influência do pensamento idealista e seletivo de Platão 
nas diversas concepções de educação, é pertinente citar Suchodolski quando ele se refere à filo-
sofia de Platão:
Sua importância capital na história espiritual da Europa resulta não só de ter 
sido, por diversas vezes, ponto de partida de várias correntes filosóficas, des-
de a época helenística, ao Renascimento, mas também de algumas das teses 
desta filosofia terem entrado por vezes no domínio público quase geral, tor-
nando-se expressão da posição idealista mais vulgar em relação à realidade. 
Isto revelou-se particularmente fértil no campo da pedagogia (SUCHODOLS-
KI, 1984, p. 19).
Ressaltamos, também, que, dessa maneira, esta concepção de educação separa teoria da 
prática quando define que algumas pessoas já nascem com a capacidade de praticar, enquanto 
outras nascem com a capacidade de pensar. Tais qualidades são determinadas de acordo com a 
identidade da classe social de cada um.
Caro(a) acadêmico(a), após as nossas conversas anteriores, nós podemos concluir que a con-
cepção de educação centrada nas ideias socrático-platônicas não é dialética porque defende que 
a verdade está pronta e acabada por ser centrada na alma, na essência, e, assim, traz um modelo 
ideal de mundo pré-determinado, que precisa apenas ser descoberto no decorrer do processo 
educacional.
Desde que já tenhamos consciência do que discutimos, para continuarmos nossas reflexões, 
lembramos-lhe que já dialogamos a respeito da concepção de educação presente na filosofia ou 
maneira de pensar de Sócrates e Platão.
Sendo assim, conforme propomos no início desse diálogo, agora convidamo-lo (a) para pen-
sarmos na concepção de educação presente na visão de mundo de Aristóteles.
Precisamos que você tenha claro que esse convite ajudará conhecer um pouco mais a res-
peito de como as ideias dos filósofos que representam a Paidéia Grega ainda encontram-se 
presentes na maneira de ensinar utilizada nas práticas pedagógicas que vivenciamos na escola 
atualmente.
Vamos, agora, dialogar buscando pensarmos a respeito da concepção de educação de Aris-
tóteles (384-322 a.C.), e, para tanto, caro (a) acadêmico (a), você precisa ter claro que esse filósofo, 
por meio do seu pensamento, dá continuidade às várias ideias de Platão, até mesmo porque era 
seu discípulo. Contudo, ressaltamos que essa continuidade ao pensamento de Platão não é na 
integra, pois Aristóteles rompe com algumas ideias de Platão, o que influencia em sua concepção 
de educação, como veremos a seguir.
Caríssimos(as), após termos refletido acerca de elementos referentes à concepção de educa-
ção de Platão, dedicaremos agora as nossas reflexões a respeito do pensamento de Aristóteles, 
considerando que ele diz que o homem é um ser racional e, assim, é um ser pensante. Dessa 
maneira, o homem deve viver de acordo com sua consciência reflexiva, que é a essência do ser 
racional.
PARA SABeR MAIS
Platão propõe a divisão 
de classes e estabelece 
que cada pessoa tem 
obrigação de cumprir 
seus papéis de forma 
a manter a harmonia 
entre a hierarquia. Para 
isso, era preciso deixar 
de lado as desilusões 
criadas pelos interesses 
individuais. Platão apre-
senta suas ideias de 
liberdade ainda jovem, 
no livro A República.
Porém, depois de viver 
várias decepções, já em 
uma fase mais madu-
ra, ele nega as ideias 
idealistas propostas na 
República e apresenta 
no livro às Leis ideias 
realistas. Muda, assim, 
sua concepção de 
homem quando nega a 
liberdade da República 
por meioda proposta 
da ordem natural. A 
esse respeito, Chatelet 
1974 comenta que, nas 
Leis, é proposto um 
estado definitivo do 
ensinamento político 
do platonismo, em que 
Atenas é governada 
pelas regras das leis, 
que demandam um 
legislador para criá-las 
e colocá-las em prática 
para organizar a vida 
coletiva atual do ser 
humano.
17
Pedagogia - Didática
Para continuarmos, precisamos, portanto, esclarecer-lhe que, para Aristóteles, o ato de pen-
sar é um ato racional, que é a essência da natureza humana. O pensamento comanda os demais 
atos humanos que podem ser condutas éticas, que o direcionam ao equilíbrio e definem sua 
postura.
Dessa forma, queremos que você se lembre de que Aristóteles, ao considerar o homem com 
ser pensante, nega o pensamento de Platão, o qual defende que a qualidade de pensar não era 
para todos os homens, mas apenas para os aristocratas.
Assim sendo, afirma a ideia de que o homem tem como potência a possibilidade de trans-
formar o mundo em que vive. Nesse contexto, entendemos que Aristóteles busca defender a 
ideia da dialética, mesmo não conseguindo, como veremos logo mais.
Para a sua melhor compreensão do assunto, você não pode se esquecer de que, ao contrário 
de Platão, Aristóteles é mais realista do que idealista. Concebe a educação de forma realista e diz 
que o desenvolvimento do homem segue uma lógica que é: potencial inato (natureza), hábito, 
ensino (razão).
Esclarecemos-lhe que, por meio dessa lógica, podemos perceber a defesa de uma concep-
ção de educação que se fundamenta em condicionamentos. Afirmamos porque sabemos que, 
por meio de condicionamento, podemos modelar as pessoas a adquirir determinados hábitos 
conforme determinadas conveniências.
Alertamos para o fato de que, naquele contexto, a educação era concebida como um pro-
cesso no qual o mestre dava ao homem as condições de aprendizagem praticando, por entender 
que, por meio do hábito, deve-se aprender o que é preciso fazer. Desse modo, o homem apren-
deria a ser um nobre ou um ser inferior.
Gostaríamos que você compreendesse que Aristóteles valoriza a atividade prática, que an-
tes era destinada apenas aos considerados seres inferiores. É importante você entender, tam-
bém, que Aristóteles discorda de Platão quando esse diz que a aprendizagem é inata e torna-se 
material por meio da maiêutica.
Na concepção aristotélica, a educação ocorre por meio da experiência da prática elaborada 
pelas mãos do homem, rompendo com a ideia platônica de que a educação é uma atividade me-
ramente teórica.
Chamamos a sua atenção para o fato de que, nessa perspectiva, a educação se dá por meio 
do uso dos sentidos e das mãos. Nasce a ideia do aprender fazendo que predomina nas aborda-
gens em que o professor não ensina, mas orienta por meio de suas atitudes, fato que não signifi-
ca conceber a educação de forma dialética.
PARA SABeR MAIS 
Aristóteles organiza o 
conhecimento grego 
e , com essa organiza-
ção, ele exerce forte 
influência na cultura do 
Ocidente? Aristóteles 
diz que o homem é 
um animal político e 
que a ciência teria que 
observar a constituição 
dos seres por meio dos 
sentidos. Segundo ele, 
para alcançar a essên-
cia, é preciso ir do espe-
cífico para o genérico. 
Defende, assim, a tese 
de que o conhecimento 
é construído por meio 
da indução que é a 
base intelectual.
GLOSSÁRIO
Dialética: (do grego 
διαλεκτική). Era, na 
Grécia Antiga, a arte do 
diálogo, da contrapo-
sição e contradição de 
ideias. www.dicionario- 
online.com.br
Maiêutica: Criada por 
Sócrates no século IV 
a.C., a maiêutica é o 
momento do “parto” in-
telectual da procura da 
verdade no interior do 
Homem. A auto-refle-
xão, expressa no nosce 
te ipsum - “conhece 
a ti mesmo” -, põe o 
Homem à procura das 
verdades universais 
que são o caminho para 
a prática do bem e da 
virtude. Sócrates apli-
cou-a para questionar 
os da nobreza grega, 
que se julgava supe-
rior e apta a controlar 
e orientar os demais, 
pertencentes ao povo. 
www.dicionarioonline.
com.br
◄ Figura 2: Modelo de 
escola na Idade Média
Fonte: Disponível em: 
<http://www.educado-
res.diaadia.pr.gov.br/
arquivos/File/tvmulti-
midia/imagens/2010/
pdagogia/4histedidade
mediauniv.jpg>
18
UAB/Unimontes - 3º Período
Logo, posicionamo-nos quando lembramos que Aristóteles diz que o homem já nasce com 
potência que se materializará por meio da observação e do ato, repetido por várias vezes, que 
consiste no treino, como propõem as concepções técnicas, condicionantes. A esse respeito, Marz 
afirma:
[...] podemos dizer que Aristóteles é realista também nas suas ideias sobre o 
homem. Se considerarmos os três fatores principais, que, segundo ele, deter-
minam o desenvolvimento espiritual do homem - isto é: disposição inata, há-
bito e ensino - é altamente significativa a modesta importância que atribui ao 
ensino. Aproxima-se neste ponto, do resignado idealista Platão. Manifesta-se 
favorável às medidas educacionais condicionantes: discurso e instrução (...) cer-
tamente não tem eficácia para todos os homens; a alma do ouvinte precisa ser 
antes cultivada pelo hábito (...) (MARZ ,1987, p. 11).
1.2.2 Concepção de educação de Santo Agostinho e São Tomás de 
Aquino: contraposição entre a educação contemplativa e ativa
Para continuarmos nosso estudo a respeito das diferentes concepções de educação, após 
termos falado a respeito das concepções socrático-platônicas e aristotélicas, convidamo-lo (a) a 
enveredar em outra época da história que se inicia por volta de 264 a.C., período em que a cul-
tura grega era entendida como pagã e negada pelo dogma cristão, presente na cultura romana, 
momento histórico denominado Idade Média.
Você precisa saber que se faz necessário enveredar nossa discussão rumo à Idade Média, 
porque nesta predomina a filosofia cristã, que, em determinados momentos, adaptou o pensa-
mento grego aos dogmas cristãos, de forma a influenciar diretamente na concepção de educa-
ção predominante naquela época, a serviço de seus próprios interesses.
No período medieval, encontramos o pensamento de Santo Agostinho e São Tomás de 
Aquino. Suas ideias marcam a história por meio de suas concepções de educação, cujas origens 
se encontram no pensamento de Sócrates e Platão e as consequências se encontram presentes 
nas concepções de educação predominantes nas escolas brasileiras.
Nessa medida, continuaremos essa reflexão a partir do pensamento de Santo Agostinho, 
considerado discípulo de Platão, que, na Idade Média, produz uma concepção de educação que 
se torna reconhecida como uma doutrina pedagógica.
Para falarmos da concepção de educação de Agostinho, tomamos como ponto de partida a 
sua concepção de homem: uma alma que se vale do corpo para viver na terra. A alma comanda 
o corpo, que, por sua vez, precisa ir em direção à ética do bem, buscando permanecer longe do 
mal. Por esse motivo, vive em meio a conflitos, que devem ser disciplinados a reconhecer Deus, 
condição para encontrar a verdade, que está em seu interior, onde Deus habita.
Assim, concebe o homem como um ser 
miserável, que poderá se salvar apenas pela 
graça divina, pois, mesmo sendo feito seme-
lhante a Deus, vive sempre com a tendência de 
distanciar-se dele.
Chamamos a sua atenção para o fato de 
que, no cerne da concepção de homem de 
Agostinho, encontramos sua concepção de 
educação - que, segundo ele, é obra de Deus -, 
pois só Deus é capaz de informar a mente do 
homem.
Agostinho (1980) afirma o pensamento 
socrático-platônico dizendo que a educação é 
“iluminação interior”. Para o homem se educar, 
é necessário voltar-se para si mesmo. A con-
templação é fundamental no processo edu-
cacional, pois é necessária numa situação em 
que o homem se sente aflito e busca respostas. 
Na obra (De Magistro), “O mestre”, escrita por 
Agostinho, ele diz queo único mestre é Deus 
e que o papel do professor não é educar, mas 
DICA
Para compreender me-
lhor sobre a concepção 
de homem proposta 
por Sócrates, Platão e 
Aristóteles, consulte o 
caderno das disciplinas 
História da Educação e 
Filosofia da Educação 
e/ou acesse os sítios: 
www.google.com.br
PARA SABeR MAIS
Retome ao caderno da 
disciplina História da 
Educação e releia a uni-
dade que diz respeito 
à educação na Idade 
Média. Acesse também: 
http://www.suapesqui-
sa.com/idademedia
Figura 3: Santo 
Agostinho
Fonte: Foto extraída da 
obra, AGOSTINHO, Santo. 
Confissões; De Magistro. 
In: OS PENSADORES, São 
Paulo: Abril Cultural, 1980.
►
19
Pedagogia - Didática
sim incomodar o aluno, para que ele busque consultar seu interior, considerado como morada 
de Cristo que é a verdade imutável, sendo, dessa maneira, coerente com a proposta platônica de 
uma educação que nasce na alma. Nas palavras de Agostinho:
Erram, pois, os homens ao chamar de mestres os que não são, porque na maio-
ria das vezes entre o tempo da audição e o tempo da cognição nenhum inter-
valo se interpõe; e porque como depois da admoestação do professor, logo 
aprendem interiormente, julgam que aprenderam pelo mestre exterior que 
nada mais faz do que admoestar (...) (AGOSTINHO,1980, p. 323-324).
Assim, podemos considerar essa concepção de 
educação contemplativa, em que, por meio do verba-
lismo do professor, o aluno é incomodado e busca a 
contemplação que o leva ao auto-conhecimento que 
significa encontrar a essência por meio da reflexão. 
Concebe que a educação não depende da atividade 
do homem, ela é gratuita. A pessoa já nasce com a sa-
bedoria, só precisa buscar conhecê-la.
Após termos refletido acerca da concepção de 
educação de Agostinho, buscaremos voltar nossas re-
flexões para o pensamento de Santo Tomás de Aqui-
no. Para tanto, precisamos lembrar que, no curso da 
história, os bárbaros invadem Roma e provocam a 
queda do seu império.
Esclarecemos que, nesse contexto, pensadores 
cristãos transmitem as ideias dos filósofos gregos a 
serviço dos interesses da fé e da razão. Ressaltamos, 
ainda, que São Tomás de Aquino apresenta uma con-
cepção de educação baseada no pensamento de 
Aristóteles, que defende a ideia de que a educação 
passa pelos sentidos que percebem a realidade e que, a partir de então, por meio da atividade 
do pensamento, elabora argumentos que justificam a existência de Deus.
Todavia, para o entendimento desse contexto, você precisa considerar que Aristóteles e 
Aquino valorizam a vida ativa intelectiva e a atividade prática, mostrando o valor do trabalho do 
homem nas relações com a natureza que promovem a evolução da história da humanidade. Des-
sa forma, apontam, ao mesmo tempo, a diferença singular entre o homem e os demais animais. 
Nas palavras de Aquino:
(...) alma intelectiva, sendo compreensiva dos universais, tem faculdade para 
infinitas coisas. E, por isso, a natureza não lhe podia estabelecer determinados 
conhecimentos naturais, ou ainda, determinados auxílios de defesa ou de pro-
teção, como para os outros animais, cujas almas têm apreensão para cousas 
particulares. Mas, em lugar de tudo isso, o homem tem naturalmente a razão; e 
as mãos, órgãos dos órgãos, e com elas pode preparar para si instrumentos de 
modos infinitos e com infinitos efeitos (AQUINO, 2001, p. 663).
Ao compreendermos que Aquino nega que a pessoa já nasce com o conhecimento, pressu-
põe-se que elas não precisam ser educadas. Para acontecer a educação, é necessária uma relação 
íntima entre a razão e as mãos. O professor não ensina, mas, por meio dos atos, oferece um am-
biente adequado à observação dos alunos, que, por sua vez, memoriza-os por meio da imitação. 
Afirma, ainda, que tal relação é a característica do homem, possibilitando-lhe transformar o mundo.
Na obra de Magistro, ao defender que o espírito é integrado à matéria, Aquino contradiz as 
ideias da existência de um só intelecto para todos os homens, defendendo as doutrinas dominan-
tes na época. Sua concepção de educação também contradiz as doutrinas dominantes na época, 
ao defender que a pessoa não aprende por si própria, só ouvindo o professor falar e meditando.
Podemos observar a defesa da concepção de que a educação é, ao mesmo tempo, ativa e 
contemplativa (teórica e prática), que se inicia por meio do intelecto que ilumina tudo que vê, 
ou seja, pelos órgãos do sentido da visão que apreende a imagem de forma a possibilitar a ação 
intelectual intencional que é o pensamento.
Ressaltamos, também, que Aquino trata a educação intelectual como intencional. Ou seja, 
os atos do homem não são neutros, pois ele é um ser pensante. Logo, se entendemos que a Di-
◄ Figura 4: São Tomas de 
Aquino
Fonte: AQUINO, Tomás. 
Sobre o Ensino (De Ma-
gistro), Os sete Pecados 
Capitais, São Paulo: 
Martins Fontes, 2001
PARA SABeR MAIS
Quando nasce a nova 
escola burguesa, nasce 
o humanismo, um 
movimento de cunho 
aristocrático, contrário 
à cultura medieval. Nes-
se contexto, formam-se 
as classes sociais do 
clero, da nobreza e da 
burguesia. Nesse am-
biente, dá-se início ao 
processo de venalidade 
da ciência, em que se 
procura formar o profis-
sional do mundo, que 
busca uma profissão. 
Martinho Lutero foi o 
primeiro a propor a uni-
versalização do saber?
ATENÇÃO! Ele foi o 
primeiro a pensar 
em ensino básico 
público gratuito para 
todos, com interesses 
relacionados à fé, e de 
acordo com o espírito 
do individualismo 
burguês, por meio da 
defesa da vontade livre 
do homem, em relação 
ao que é inferior a ele.
20
UAB/Unimontes - 3º Período
dática diz respeito ao ato de ensinar do professor que é um homem, a Didática não é neutra, mas 
sim carregada de interesses. Diante da premissa ora apresentada, pode afirmar que, para Aquino, a 
educação não é neutra.
Precisamos entender que Aquino concebe a educação como um fenômeno ativo, não me-
cânico. Com base nas ideias de Aristóteles, a educação é como a condução da potência, a qual 
é a predisposição inata que a pessoa tem ao ato estimulado, com fim em si próprio. Aprender 
fazendo.
Diante dessas ideias, podemos problematizar: Até que ponto a presente concepção de edu-
cação pode ser entendida como uma concepção dialética?
Ora, se seus pressupostos se referem ao entendimento de que a educação não é neutra, va-
loriza a teoria e a prática, ou seja, propõe o aprender fazendo, não concebe o aluno como um ser 
passivo. Dessa forma, podemos entender que, mesmo não se concretizando de forma dialética, a 
concepção de educação de Aquino apresenta características de uma visão dialética.
Alertamos, utilizando o ditado popular que diz que “nem tudo que parece é”. Vejamos: Mes-
mo apresentando algumas características coe- rentes com a visão dialética, devemos observar 
que essa concepção afirma que a pessoa já nasce com um potencial, ou seja, com identidade, es-
sência, e precisa ser estimulada e conduzida a ações que a farão desenvolver sua potencialidade. 
Entendemos que conduzir é dirigir, guiar e direcionar.
Então, reconhecemos que aqui é visível o caráter revolucionário ao valorizar a atividade prá-
tica. Porém, contradiz uma concepção dialética, pois esta entende que as pessoas não nascem 
com um potencial pré-determinado. Mas que o potencial é produto das relações vivenciadas no 
decorrer do processo histórico de sua vida.
O potencial dos indivíduos é produzido no decorrer da vivência, no contexto das contradi-
ções sociais enfrentadas no dia a dia, que o provocam a pensar e elaborar propostas para resol-
ver problemas vivenciados na realidade, o que contradiz a ideia da necessidade de alguém com 
atos a serem observados como exemplos a serem seguidos.
Enfim, podemos considerar que até então já refletimos acerca de duas concepções de edu-
cação, sendo uma idealista, centradana atividade intelectual, proposta na Grécia clássica por Só-
crates e Platão, e resgatada na Idade Média, com enfoque cristão, por Santo Agostinho. A outra 
concepção é realista, centrada na atividade prática e teórica, viabilizada pelos sentidos, proposta 
por Aristóteles, e resgatada, no final da Idade Média, por Santo Tomás de Aquino, com enfoque 
cristão. A respeito das concepções clássicas de educação estudadas, Damis afirma:
SÓCRATES, PLATÃO E ARISTÓTELES, na antiguidade, e SANTO TOMÁS DE 
AQUINO, na idade média, representam bem o pensamento da época ao de-
senvolverem e difundirem, como filósofos e educadores, suas concepções 
de mundo. Apesar de viverem em momentos diferentes, seus estudos e re-
flexões pedagógicas convergiram para um ponto comum: desenvolver no 
homem sua essência ideal de forma a atender às necessidades que as justifi-
cavam. Levando em conta a estratificação social predominante na sociedade, 
nesta época, o homem a ser desenvolvido era o que compunha a classe de 
homens livres. A eles eram conferidas todas as prerrogativas humanas (DA-
MIS, 2001, p. 14).
Concordamos com o pensamento de Damis e podemos compreender, também, que as duas 
concepções de educação estudadas norteiam as práticas pedagógicas adotadas até a atualidade, 
mesmo tendo como fundamento uma visão essencialista.
Lembramos-lhe de que essa visão fundamenta as concepções de educação, ora por meio de 
uma lógica idealista, ora por meio de uma lógica realista. Mas, em nenhum momento, nenhuma 
das duas é embasada em uma visão dialética, o que justifica terem sido pensadas a serviço da 
estratificação social da época.
Dando continuidade ao nosso estudo, enveredaremos em outra época da histórica, em que 
encontramos o início da idade moderna em meio a conflitos. Contexto em que se encontra em 
destaque o pensamento de Bacon e Descartes, cujos pensamentos reforçam as concepções de 
educação estudadas. Conforme entendemos, influenciam diretamente as tendências pedagógi-
cas que fundamentam a Didática implantada no contexto da educação brasileira no decorrer de 
sua história.
Convidamo-lo(a), agora, para procurar conhecer determinados elementos relevantes no 
contexto de transição da Idade Média para a Moderna, considerados pré-requisitos à realização 
de uma reflexão acerca das concepções de educação fundamentadas no pensamento de Descar-
tes e Bacon.
PARA SABeR MAIS
Por volta dos séculos 
XVI e XVII, a moderni-
dade envolveu pensa-
dores, como: Giordano 
Bruno, Nicolau Copér-
nico, Galileu Galilei, 
Francis Bacon, René 
Descartes, João Amos 
Comênio, John Locke, 
etc. Destaca-se nesse 
contexto Galileu Galilei 
(1564-1642). Segundo 
ele, produz-se conhe-
cimento pela experiên-
cia, construindo, assim, 
o método científico, 
o qual propõe como 
etapas: observações, hi-
póteses, experimenta-
ção e produção das leis 
conforme resultados.
21
Pedagogia - Didática
1.2.3 Concepção de educação de Descartes e Bacon: a modernidade 
e os interesses pela construção da mentalidade educacional 
racionalista e empirista
É indispensável lembramos que, com o renascimento da mentalidade científica moderna, 
os interesses sociais, em relação ao conhecimento, não eram apenas os de conhecer fenômenos 
naturais, mas sim de descobrir as leis que os regiam, em busca de possibilidades de explorá-los.
Na sequência, precisamos ressaltar, também, que, nesse momento da história, a escola é 
transformada em uma sociedade mercantil, menos dependente da igreja e do império. E, assim, 
os interesses políticos e econômicos revolucionam os métodos de ensino por meio da venda da 
ciência.
Enfatizamos, ainda, que, com o renascimento, as ideias racionalistas valorizam a intelectuali-
dade com o interesse de explorar a natureza e conhecer e controlar as leis que a regem, por meio 
da observação e experimentação dos fenômenos, com o propósito de confirmar ou não hipóte-
ses sobre eles.
No cerne desse contexto, a ciência passa a ter um caráter ativo, de acordo com a lógica me-
canicista, quantitativa de causa e efeito, por intermédio do pensamento de Galileu. Logo mais 
esse método é formalizado por Bacon.
Nesse caminho, esclarecemos-lhe que Bacon propõe uma ciência que defende a lógica in-
dutiva por meio do método experimental, com base em generalizações oriundas de observações 
repetidas de fenômenos, com a finalidade de formular leis científicas. Logo, podemos considerar 
que a concepção de educação proposta por meio das ideias empiristas de Bacon encontra-se em 
consonância com o pensamento de Aquino na Idade Média, quando ele afirma que o conheci-
mento é construído da abstração intelectual a respeito do que é percebido pelos sentidos na na-
tureza. A respeito do pensamento empirista, nas palavras de Resende:
(...) teoria do conhecimento que explica a origem das idéias a partir de um pro-
cesso de abstração que se inicia com a percepção que temos das coisas através 
de nossos sentidos. “Nada está no intelecto que não tenha estado antes nos 
sentidos” – eis um dos lemas do empirismo. É a partir dos dados de nossa sen-
sibilidade que o entendimento produz, por um processo de abstração, as idéias 
(RESENDE, 1989, p. 99).
Nessa direção, podemos entender que a concepção de educação que origina o pensa-
mento em questão tem suas raízes no pensamento realista de Aristóteles, que se encontra pre-
sente na história da educação brasileira por meio de tendências pedagógicas aqui adotadas, 
as quais pressupõem que o aluno constrói seu conhecimento ao observar a natureza e escutar 
o mundo, independentemente do verbalismo de professor. Aprender fazendo, manipulando, 
experimentando.
É preciso lembrarmos, também, que tais tendências consistem em concepções dominantes, 
que, por meio da proposta de educação via experiência prática, ou aprender fazendo, que se re-
laciona com o aprender a aprender, estão a serviço dos interesses originados nas ideias iluminis-
tas, as quais afirmam que o aluno constrói gradativamente o conhecimento no decorrer de sua 
existência, por meio dos estímulos apresentados no meio em que vive.
Após termos pensado na concepção de educação de Bacon, que podemos observar ser es-
sencialista, porém realista, podemos dar sequência às nossas reflexões na direção de buscarmos 
agora o pensamento de Descartes.
PARA SABeR MAIS
A concepção de 
homem de Bacon e 
Descartes que apresen-
tamos se tornou o pa-
radigma dominante da 
ciência moderna, que, 
por sua vez, considera 
que o mundo regido 
por modelo mecânico 
está pronto para ser 
conhecido, por meio 
da intervenção técnica. 
Dos pensamentos dis-
cutidos nesta unidade, 
nasce o humanismo, 
com base em ideias de 
individualidade, e o 
conhecimento é visto 
de acordo com os racio-
nalistas. Ou seja, dedu-
tivo, das ideias para os 
sentidos, ou de acordo 
com os empiristas: 
indutivo, dos sentidos 
para as ideias.
◄ Figura 5: Descartes 
Fonte: DESCARTES, René. 
Discurso do Método; 
Meditações; Objeções 
e respostas; As paixões 
da alma, Cartas. In. OS 
PENSADORES, São Paulo: 
Abril Cultural, 1979.
22
UAB/Unimontes - 3º Período
Sendo assim, salientamos que, no desenrolar desse contexto histórico, Descartes, com o 
seu pensamento, passa a ser visto como o pai do racionalismo, influenciando decisivamente a 
maneira de pensar predominante na cultura ocidental.
Precisamos ter claro que Descartes defende o homem como um ser pensante e racional, 
independente, capaz de perceber o mundo sensorialmente e conhecê-lo por meio do pensa-
mento, de forma a fazer escolhas convenientes.
Essa concepção rompe com o conhecimento originado na fé e concebe o sujeito como conhe-
cedor, afirmando que o homem existe a partir de sua capacidade de elaboração do pensamento, 
por meio de uma razão, direcionada à busca do conhecimento pelo menor número de regras.
Com base nas ideias que apresentamosno parágrafo acima, Descartes estabelece a dú-
vida metódica como condição para conhecer a verdade. Dessa maneira, nega o empirismo e 
propõe questionar todos os conheci- mentos e analisá-los criteriosamente, tendo em vista en-
contrar a verdade.
Nessa veia, Descartes concebe o homem como ser pensante e racional, independente, 
consciente do seu valor, capaz de discernir o que é melhor para si mesmo, capaz de perceber 
as coisas sensorialmente e conhecê-las por intermédio do pensamento.
Diante da concepção de homem produzida por Descartes, podemos concluir que a sua 
concepção de educação se encontra originada nas ideias socrático-platônicas que defendem 
que a aprendizagem se dá na alma. Prioriza, dessa forma, o pensamento entendido como ativi-
dade teórica que, por sua vez, é considerada a essência da natureza humana.
Ressaltamos, então, que a educação é concebida como produto do homem que, na condi-
ção de ser pensante, é capaz de perceber o mundo por meio dos sentidos e conhecer os dados 
percebidos por meio do raciocínio, o qual consiste na atividade do pensamento.
Esclarecemos, também, que, com Descartes, nasce a concepção de educação humanista 
moderna, fato que fica visível ao defender o antropocentrismo. E, ainda, quando explica que a 
construção do conhecimento é mecânica e acontece por meio da intervenção técnica sobre a 
natureza física e humana.
Com as reflexões realizadas, é possível percebermos que concepções filosóficas de edu-
cação, produzidas na Grécia e cristalizadas até a sociedade atual, deram origem a correntes fi-
losóficas diferentes. Correntes que têm como fundamentos o princípio da identidade (mundo 
das essências). Essas correntes podem ser consideradas: uma idealista, que origina as concep-
ções de educação idealista, e outra realista, que dá origem às concepções de educação com 
base empirista.
Diante do exposto, você precisa entender que as concepções de educação abordadas fun-
damentam as tendências pedagógicas educacionais predominantes no decorrer da história da 
educação brasileira, por meio da Didática adotada nas práticas pedagógicas vivenciadas pelos 
docentes nas salas de aula das escolas.
Aqui se faz indispensável tecermos algumas considerações referentes aos elementos que 
estamos discutindo. Dessa forma, pontuamos que as concepções de educação produzidas no 
contexto do nascimento da classe burguesa determinam as concepções de educação que fun-
damentam os pensamentos dos autores que produzem as teorias clássicas de ensino-aprendiza-
gem adotadas atualmente.
Conforme mencionamos, as concepções de ensino-aprendizagem produzidas por autores, 
como: Comênio, Rousseau, Herbart, originadas nas ideias defendidas por Sócrates e Platão na 
Grécia clássica, Santo Agostinho na Idade Média, e Descartes na Modernidade, contradizem as 
concepções de ensino-aprendizagem produzidas por pensadores, como: Pestalozzi, Froebel, 
Montessori, J. Dewey, etc., concepções que se originam nas ideias de Aristóteles na Grécia clás-
sica, Santo Tomás de Aquino na Idade Média, bem como nas ideias de Bacon na Modernidade.
Lembramos, enfim, que, no decorrer desse estudo, buscamos problematizar que as duas con-
cepções mencionadas foram produzidas a serviço de interesses relacionados à divisão do trabalho, 
a favor da manutenção de uma classe dominante, independentemente do contexto social em que 
elas foram vivenciadas.
Ressaltamos, ainda, que essas concepções encontram-se ora priorizando a teoria, ora a 
prática, ora a qualidade, ora a quantidade. Nesse caminho, conforme diz Silveira Rodrigues,
As duas direções apresentadas acima direcionam, também, elaboração de mui-
tas teorias psicológicas e, consequentemente, teorias do ensino-aprendizagem, 
que fundamentam a Didática a ser adotada nos séculos XVII e XVIII, e conseqüen-
temente na atual realidade da educação institucional brasileira, quando esta tem 
como eixo dos problemas a explicação do mundo, através ora de sua representa-
ção, ora ou através do pensamento (SILVEIRA RODRIGUES, 2006, p. 38).
23
Pedagogia - Didática
Podemos considerar que as concepções de educação até então discutidas não foram produ-
zidas a serviço da sociedade em seu todo, mas apenas de um pequeno grupo de pessoas que se 
colocavam como detentoras do poder.
Na sequência de nossas reflexões, em busca do entendimento a respeito das concepções 
de educação, necessitamos ressaltar que, na esteira da história, com a ascensão dos burgueses, 
esses se conscientizaram de sua condição de classe social. E, em meio a esse contexto, são en-
contradas pessoas que se articulam na direção de pensar possibilidades de uma sociedade mais 
justa e digna para todos.
Dando prosseguimento às nossas conversas, encontramos a produção dos pensamentos 
originados no materialismo histórico-dialético proposto por Marx e Engels, que consiste na con-
cepção de mundo que fundamenta a concepção de educação, objeto de reflexão na continuida-
de desse estudo.
1.2.4 Concepção de educação de Marx e Engels: tendência 
pedagógica histórico-crítica
Realizamos até então discussões a respeito das concepções de educação de cunho essen-
cialista, que, por sua vez, fundamentam-se na visão de mundo inatista.
Agora, daremos início a uma reflexão acerca de elementos que nos mostram que, mesmo 
em meio a uma história de milhares de anos, existiram pessoas que pensaram de forma diferente 
da cultura produzida na Grécia e difundida a serviço de interesses das classes dominantes.
Vamos, nesse momento do nosso estudo, dialogar a respeito da concepção de educação 
histórico-crítica, que, por meio de uma visão de mundo materialista histórico-dialética, concebe 
o homem como produto e produtor das ideias que compõem a história.
Estudaremos, então, a concepção de educação histórico-crítica que compreendemos con-
trapor-se a todas as concepções de educação estudadas. Assim, afirmamos que, a princípio, essa 
concepção se embasa em uma filosofia que vê o mundo de forma dinâmica, afirmando que a 
mudança do mundo se dá por meio do enfrentamento das contradições vivenciadas pelas dife-
rentes classes sociais no decorrer da história da humanidade, por meio da ação do homem que é 
um ser pensante, independentemente da classe social em que se encontra inserido.
Dessa forma, urge esclarecermos que a concepção de educação histórico-crítica tem seus 
fundamentos na concepção filosófica, materialista, histórica e dialética, produzida por Marx e En-
gels, que, segundo Silveira Rodrigues,
(...) contrariando os interesses que fundamentam as concepções filosóficas 
aqui estudadas até então, vem fundamentando uma nova concepção de ensi-
no-aprendizagem, que tem o trabalho como ponto de partida e ponto de che-
gada. Por meio de suas idéias esses pensadores problematizaram a necessida-
de da revolução proletária, a fim de construir uma sociedade mais justa e digna 
para todos (SILVEIRA RODRIGUES, 2006, p. 64 ).
Diante do exposto até então, nessa etapa desse estudo, esclarecemos que, para compreen-
dermos a concepção de educação, é necessário entendermos que Marx e Engels, filósofos e eco-
nomistas alemães, em defesa do proletariado, defendem a concepção dialética do mundo, ne-
gando o princípio da identidade defendido por Platão.
GLOSSÁRIO
Cosmopolita: pes-
soa que se considera 
cidadão do mundo e 
que em toda a parte 
há conhecimentos, 
adaptando-se facilmen-
te aos costumes das 
diferentes terras por 
onde passa, vivendo 
em todas perfeitamen-
te e adaptando-se ao 
meio ambiente. www.
dicionarioonline.com.
br.
Materialismo: é o tipo 
de fisicalismo o qual 
sustenta: que a única 
coisa da qual se pode 
afirmar a existência é a 
matéria; que, funda-
mentalmente, todas as 
coisas são compostas 
de matéria e todos 
os fenômenos são 
resultado de interações 
materiais; e que a maté-
ria é a única substância. 
www.dicionarioonline.
com.br
Figura 6: Marx 1996Fonte: Fotografias MARX 
K. Manuscritos econô-
mico-filosóficos. Lisboa, 
Edições 70
▼
24
UAB/Unimontes - 3º Período
E, diante da concepção de mundo deles, eles constroem uma teoria conforme o método 
dialético. Porém, é preciso deixar claro que, conforme esses pesquisadores, ao se falar de dialéti-
ca, não se trata da dialética proposta por Hegel.
Esclarecemos, assim, que Marx e Engels rompem com a visão apriorística das ideias. Porém, 
buscam em Hegel a visão de totalidade, que sustenta a concepção histórico-crítica, que com-
preende a construção das ideias a partir da realidade material concreta, vivenciada nas relações 
contraditórias existentes entre consumo e produção.
Para entendermos essa visão, precisamos ter claro que, nessa perspectiva, as ideias são 
construídas pelos homens, e não apenas conhecidas por eles a partir da sua existência, por meio 
de experimentações ou de contemplações.
Sendo assim, deixamos claro que a dialética concebida nessa perspectiva é explicada pelas 
leis do pensamento organizadas por Engels. Leis que, segundo ele, regem o pensamento e pro-
movem a dialética.
Quanto a essas leis, Engels afirma que a primeira consiste na visão de que não se separa 
qualidade de quantidade e vice-versa; a qualidade será obtida somente acrescentando-se ou re-
tirando-se alguma quantidade de matéria. A segunda diz respeito à continuidade da mudança 
constante da natureza. Essa lei é chamada de compenetração dos opostos. Para entendê-la, pre-
cisamos lembrar que a sociedade é organizada por classes diferentes e que cada classe tem seus 
próprios interesses. Quando os diversos interesses se chocam, provocam atritos que poderão ser 
geradores de propostas de mudanças para atender aos diversos interesses. Já a terceira lei é cha-
mada de negação da negação. Essa lei nega a existência de uma verdade única, ao garantir que 
toda conclusão pode tornar uma indagação, em vez de uma verdade. Sendo assim, é possível 
ser contestada e transformada em outra conclusão. Ou seja: cada síntese é, por sua vez, a tese de 
uma nova antítese, que dará lugar a uma nova síntese.
De acordo com as ideias expostas, podemos concluir que Marx e Engels concebem o ho-
mem como sujeito de sua própria história. E, assim, por meio das leis do pensamento, constante-
mente constrói e reconstrói a história, promovendo a mudança contínua da natureza, ou seja, o 
homem faz a Dialética.
A respeito dessa concepção de homem, Gramsci (1995), ao indagar o que é o homem, res-
ponde afirmando o homem como um sujeito que pode se transformar. E, assim, pode controlar 
seu próprio destino, produzir ou criar sua própria vida.
É importante termos claro aqui que a concepção materialista-histórico-dialética, conforme 
abordamos, nega a visão apriorística do mundo e entende que a dialética acontece por meio da 
contradição, e não a partir de interesses individuais advindos da essência dos seres.
Compreendendo a concepção de homem de Marx e Engels e a dialética proposta por eles, 
lembramos que entender esses elementos foi indispensável para compreendermos a concepção 
de educação desses filósofos.
Ressaltamos que a concepção de educação de Marx e Engels foi produzida com base nas 
relações vivenciadas no trabalho, considerando que a atenção deles se relacionava com as con-
tradições vivenciadas pela classe proletária no contexto da sociedade capitalista.
Nesse contexto, a concepção de educação parte do pressuposto de que o estudo tem de ser 
unido ao trabalho; enfim, a educação é construída em direção da formação crítica do cidadão, 
construída na coletividade. Portanto, entende-se que, para os referidos autores, a educação en-
contra-se sempre implícita em seus pensamentos, considerando a compreensão da existência de 
uma relação estreita entre pedagogia e a política.
Segundo Silveira Rodrigues,
É necessário afirmar que, na concepção desses pensadores, as idéias e as re-
presentações da consciência são produzidas pelos próprios homens reais e ati-
vos, ao contrário da filosofia idealista que fundamenta as concepções de ensi-
no-aprendizagem vivenciadas até então, independentemente de ser por meio 
de uma abordagem liberal autoritária, liberal democrática ou técnica (SILVEIRA 
RODRIGUES, 2006, p. 178).
Finalmente, esclarecemos que a tendência pedagógica alicerçada na ideologia marxista em-
basa o pensamento de intelectuais, como Makarenko e Gramsci, ao buscar elaborar uma peda-
gogia socialista, cuja proposta pedagógica nasce a partir da ideia de solidariedade dentro de um 
complexo social.
Enfatizamos, também, que a concepção de educação nessa perspectiva defende a ideia de 
que o método de ensino tem de ser pensado a partir da organização da escola em uma perspec-
tiva coletiva. Assim, o ensino não pode ser pensado vislumbrando a ideia do individuo isolado. 
PARA SABeR MAIS
Hegel, filósofo alemão, 
do qual Marx e Engels 
eram discípulos, conce-
be que o mundo não é 
estático, mas sim dialé-
tico. Porém, concebe 
que as ideias nascem 
antes do homem, que, 
no decorrer da sua 
existência, conhece as 
ideias que já existiam 
antes de ele nascer e 
que, ao conhecê-las 
de acordo com seu 
ponto de vista, ele 
interpreta as ideias que 
já existiam antes de ele 
nascer (a priori). Assim, 
conhecendo as ideias, 
ele vai adaptando-as 
ao contexto micro em 
que ele se encontra 
inserido. E, dessa forma, 
de acordo com os seus 
interesses individuais, 
o homem vai transfor-
mando as ideias, ou 
seja, faz a dialética do 
mundo. Marx e Engels 
consideram seu méto-
do como a antítese da 
dialética de Hegel. Po-
rém, valorizam o mérito 
de Hegel ao conceber 
o mundo, a natureza e 
o espírito em constante 
movimento, mudança, 
transformação.
25
Pedagogia - Didática
Também não pode ter como base a relação professor-aluno no contexto micro da sala de aula, 
sem levar em conta as contradições vivenciadas na realidade social.
Diante de todos os elementos discutidos, podemos compreender que a presente concep-
ção, contrariando as teorias essencialistas elaboradas até então, defende o conhecimento como 
produto da ação humana. Com relação à concepção de educação, nessa perspectiva, Wachowicz 
esclarece que diz respeito à práxis social:
Como práxis social, a educação é uma ação que se desenvolve segundo a in-
tenção específica de uma classe social. Nosso pressuposto é o de que a apro-
priação do saber é a intenção específica da classe “que está na vanguarda em 
cada etapa histórica, a classe efetivamente capaz de exercer a função educa-
tiva”. Sendo a intenção especifica, é uma práxis, sendo própria de uma classe 
social e até da sociedade inteira, é uma práxis social. Sendo seu objeto o saber, 
a práxis educativa cuida de realizar sua apropriação e nisso está sua especifici-
dade (WACHOWICZ, 1995, p. 51).
Assim sendo, a práxis educativa deve ser compreendida como uma possibilidade de desen-
volvimento da práxis social.
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1989.
DICA
Marx e Engels, na 
obra Ideologia Alemã, 
afirmam: “A produção 
das idéias, das repre-
sentações, da cons-
ciência é, em primeiro 
lugar, diretamente 
entrelaçada com a 
atividade material e 
com as relações dos 
homens, linguagem da 
vida real. As represen-
tações e os pensamen-
tos, a troca espiritual 
aparecem aqui ainda 
como emanação direta 
do comportamento 
material deles. (...) Os 
homens são produtores 
das suas representa-
ções, idéias etc., mas os 
homens reais operantes 
(...). A consciência não 
pode jamais ser algo di-
verso do ser consciente, 
e o ser dos homens é o 
processo real das suas 
vidas. Se na ideologia 
os homens e as suas 
relações aparecem 
de cabeça para baixo 
como numa câmera 
escura, esse fenômeno 
deriva do processo 
histórico da vida”. (...) 
(MARX ; ENGELS, 1996, 
p. 36).
26
UAB/Unimontes - 3º Período
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WACHOUVICZ, Lilian Anna. O método dialético na didática. Campinas: Papirus,1995.
27
Pedagogia - Didática
UnIDADe 2
As tendências pedagógicas 
implantadas na educação escolar 
brasileira: propostas de ensino- 
aprendizagem/viabilização de 
interesses
Rosângela Silveira Rodrigues 
Rose Mary Ribeiro
2.1 Introdução
Pensar a Didática implica pensar no ato de ensinar, que, por sua vez, traduz uma ação do ho-
mem, que, como qualquer outra ação, traz em si uma intenção. Afirmar que cada ação expressa 
uma intenção é basear-se no ponto de vista de que o homem é um animal político, como já dizia 
Aristóteles.
Portanto, podemos compreender 
que o ato do homem não é neutro. A 
forma com nós seres humanos agimos 
frente a qualquer que seja a situação 
é determinada pela nossa maneira de 
conceber o mundo, que, por sua vez, 
define os nossos interesses.
Nessa segunda unidade objetiva-
mos conhecer as tendências pedagó-
gicas vivenciadas no contexto da edu-
cação brasileira no decorrer da história 
da educação desse país.
Por meio das discussões que aqui 
realizaremos sobre as tendências, bus-
caremos problematizar as concepções 
de ensino-aprendizagem presentes em 
cada uma. Assim, proporcionaremos 
condições para você compreender os interesses políticos, econômicos e ideológicos implícitos 
nas referidas concepções em questão.
Assim como no primeiro capítulo, ao ler os textos, iremos realizar uma discussão fundamen-
tada numa visão histórico-crítica que, de acordo com nossos estudos na primeira unidade, con-
cebe a educação como um processo dinâmico e dialético, negando os princípios essencialistas, 
que concebem que as ideias nascem antes do homem.
Nessa direção, defendemos que é o homem que produz as ideias no decorrer de sua histó-
ria, por meio das relações com os outros homens no contexto social em que vive.
Os pressupostos teóricos que utilizamos para discutirmos os elementos propostos para essa 
unidade se encontram no pensamento dos seguintes autores: Libâneo (1991), Haidt (2003), Veiga 
(1989-2000), Saviani (1986-2006), Gasparim (2007), Silveira Rodrigues (2006) e outros.
Lembramos-lhe que a Didática tem como objeto de estudo os elementos que compõem o 
▲
Figura 7: Escola 
Tradicional
Fonte: Disponível em: 
<http://3.bp.blogspot.
com/--u4molpEAHXU/
UIGdTkihs_I/AAAAAA- 
AAAB4/H1gEw0MEwlo/
s320/charlie.gif>
28
UAB/Unimontes - 3º Período
ato de ensinar presente nas relações ensino-aprendizagem, sejam eles implícitos, sejam explíci-
tos nas práticas pedagógicas que não são neutras, mas sim carregadas de intencionalidades, de 
acordo com os interesses sociais predominantes em cada época da história.
Com base nas considerações acima, ressaltamos que o ato de ensinar do professor também 
não é neutro. O professor ensina de uma forma ou de outra, porque aprendeu ou aprimorou 
aquela maneira, cujos fundamentos foram pensados, no contexto de uma sociedade em alguma 
circunstância histórica, por pessoas movidas pelos interesses que predominavam.
Nessa direção, entendemos que a maneira como o professor ensina expressa o que ele pen-
sa, sente e, principalmente, o que deseja, ou seja, a sua intenção, a sua visão de mundo, se o pro-
fessor tiver consciência do que faz.
Caso o professor ensine repetindo mecanicamente uma forma de ensinar que aprendeu, 
sem pensar em quando, onde e como, em que contexto essa forma de ensinar foi criada, estará 
correndo o risco de ela expressar a concepção de mundo de outros, que o leva a realizar os inte-
resses de outros e negar seus interesses, assumindo a condição de alienado.
Considerando nossas colocações a respeito da não neutralidade da didática, problemati-
zamos: Quais tendências pedagógicas vêm norteando a educação brasileira no decorrer de sua 
história? Quais são suas características? Em que contexto e a serviço de que interesses foram pro-
duzidas as tendências pedagógicas que fundamentam o processo de ensino-aprendizagem vi-
venciado nas escolas brasileiras? Quais as implicações das concepções de educação essencialista 
e histórico-dialética nas tendências pedagógicas predominantes nas escolas brasileiras?
Caro(a) acadêmico(a), a fim de nortear 
essa segunda unidade, continuamos indagan-
do: De que forma é concebida a Didática nas 
tendências pedagógicas que norteiam as con-
cepções de ensino-aprendizagem predomi-
nantes na educação escolar no Brasil? Quais 
os princípios da Didática? A serviço de quais 
interesses tais Didáticas foram implantadas no 
Brasil? É possível pensar que a Didática traz em 
si um conteúdo implícito e que esse conteúdo 
se manifesta na relação ensino-aprendizagem? 
Qual a relação da Didática com o processo de 
ensino-aprendizagem? Até que ponto a Didá-
tica pode influenciar a relação ensino-aprendi-
zagem?
Com a problematização que ora apresen-
tamos, buscamos promover uma inquietação 
com o intuito de provocar desconfiança no que diz respeito ao fato de que as tendências pe-
dagógicas não existem independentemente dos interesses que as produziram. Interesses que, 
por sua vez, relacionam-se às questões político-econômico-ideológicas presentes no contexto 
social em que foram produzidas as referidas tendências.
Deslanchar as reflexões propostas para essa unidade requer retomar elementos apresenta-
dos na primeira unidade desse caderno didático para enfatizar que não podemos nos esquecer 
de que foi a Paidéiagrega que deu origem às concepções de educação presentes nas tendências 
pedagógicas adotadas para fundamentar a educação escolar vivenciada nos países ocidentais.
Justificamos essa nossa consideração ao entendermos que as tendências pedagógicas se 
sustentam em uma concepção de educação, que, por sua vez, se sustenta em uma visão de mun-
do. E que toda visão de mundo expressa uma corrente filosófica. Assim, fundamentamos nosso 
entendimento nas palavras de Haidt:
Todo sistema educacional está baseado numa concepção do homem e de 
mundo. São os aspectos filosóficos que dão à educação seu sentido e seus 
fins. A Filosofia, sendo a reflexão sistemática sobre a concepção da vida, exer-
ce influência direta e está em estreita conexão com a Pedagogia, que é a re-
flexão sistemática sobre o ideal de educação e da formação humana (HAIDT, 
2003, p.13).
Pensar as tendências pedagógicas predominantes na educação brasileira requer lembrar-
mos, a princípio, que educação brasileira não nasceu a serviço dos interesses do povo brasileiro. 
Nasceu para servir aos interesses da coroa portuguesa e, posteriormente, aos interesses das clas-
ses dominantes.
DICA
Platão defendia a ideia 
de que o homem é 
constituído de uma es-
sência universal e imu-
tável. Diante da visão 
de homem de Platão, 
podemos entender que 
a sua concepção de 
educação fundamenta-
se na visão essencialista 
de homem.
▲
Figura 8: Escola Crítica
Fonte: Disponível em: 
<http://2.bp.blogspot.
com/-y5ReFDxwBOI/UIG-
-c5CwXLmI/AAAAAAAAA- 
Bw/GOe6JEF4TQA/s1600/
imagem4.JPG>
PARA SABeR MAIS 
A concepção de educa-
ção de Platão, confor-
me ele expõe na obra 
“As Leis”, encontrava-se 
a serviço dos interesses 
de quem?
29
Pedagogia - Didática
Diante do exposto, vale ressaltar que a concepção de educação hegemônica na educação 
brasileira se encontra embasada na concepção de educação medieval, produzida por Santo 
Agostinho e São Tomás de Aquino.
Para dialogarmos a respeito das colocações acima, buscamos, de acordo com Libâneo, apre-
sentar as tendências pedagógicas predominantes na educação brasileira quando as classifica em 
dois grupos, sendo um de cunho liberal e o outro de cunho progressista. Nas palavras de Libâneo:
Os autores em geral concordam em classificar as tendências pedagógicas em 
dois grupos: as de cunho liberal – Pedagogia tradicional, Pedagogia renovada 
e tecnicismo educacional; as de cunho progressista – Pedagogia libertadora e 
Pedagogia crítico-social dos conteúdos. Certamente existem outras dessas ten-
dências, mas essas são as mais conhecidas (LIBÂNEO, 1991, p. 64).
Diante dessa citação, esclarecemos que aqui estudaremos as tendências pedagógicas con-
forme são apresentadas por esse autor. Porém, esclarecemos que, ao nos referirmos à Pedagogia 
Crítico-social dos Conteúdos, trataremos como Tendência Histórico-crítica, conforme propõe Sa-
viani (2006).
Tecidas essas considerações, damos continuidade às nossas reflexões buscando elementos 
para refletirmos a respeito da tendência tradicional liberal de educação.
2.2 Tendência pedagógica 
tradicional liberal
Para discutirmos a respeito da tendência pedagógica tradicional, é necessário lembrarmos 
que, conforme afirma Saviani (1986), há duas vertentes, sendo uma vertente religiosa, e a outra 
vertente leiga.
A princípio, vamos dialogar a respeito da tendência tradicional na vertente religiosa. E, com 
essa intenção, necessitamos iniciar esse diálogo lembrando que essa vertente da tendência pe-
dagógica tradicional foi trazida para o Brasil pelos Jesuítas, considerados os primeiros educado-
res brasileiros que aqui se instalaram a serviço dos interesses de Portugal, e, desde então, foram 
os principais educadores que aqui permaneceram de 1549 até meados de 1700 e que, segundo 
Veiga, num contexto de 
Uma sociedade de economia agrário-exportadora dependente, explorada pela 
Metrópole, sem diversidade nas relações de produção, a educação não era 
considerada um valor social importante. Servia de instrumento de dominação 
da Colônia pela aculturação dos povos nativos. A tarefa educativa estava volta-
da para a catequese e instrução dos indígenas, mas para a elite colonial um ou-
tro tipo de educação era oferecido. Assim, índios e negros foram catequizados 
e os descentes dos colonizadores foram instruídos (VEIGA, 1989, p. 40).
No âmbito da realidade social apresentada, os Jesuítas, assumindo o papel de educadores, 
não tinham como intenção formar um homem emancipado, capaz de pensar e tomar decisões, 
de lutar pelas suas necessidades e assumir a responsabilidade pelos seus atos. Esses educadores 
pretendiam catequizar os índios e escravos e formar os filhos dos colonos para o Clero.
2.2.1 Tendência pedagógica tradicional vertente religiosa
Diante do exposto anteriormente, podemos entender que os Jesuítas, por meio da educa-
ção que ministravam, buscavam instruir para transmitir cultura a fim de formar o homem univer-
sal humanista cristão.
Para desempenhar tal função, eles utilizaram uma maneira de ensinar que não possibilitasse 
uma formação crítica, a qual era o oposto da formação pretendida, que se referia a formas dog-
máticas do pensamento, por meio da memorização e desenvolvimento do raciocínio.
GLOSSÁRIO
Hegemonia: Prepon-
derância de um povo 
em relação a outro. 
Na Grécia antiga, era 
patente a supremacia 
de um Estado dentro 
de uma confederação. 
Todavia, os vários 
casos de hegemonia 
eram instáveis, pois 
só duravam até que 
o Estado provido de 
hegemonia sofresse 
o ataque de outros 
Estados. Três cidades 
gregas distinguiram-se 
pela sua hegemonia: 
Esparta, Atenas e Tebas. 
www.dicionarioonline.
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PARA SABeR MAIS
Liberalismo é uma 
doutrina ou corrente 
do pensamento político 
que defende a maxi-
mização da liberdade 
individual mediante o 
exercício dos direitos e 
da lei. O liberalismo de-
fende uma sociedade 
caracterizada pela livre 
iniciativa integrada 
num contexto definido. 
Tal contexto geralmen-
te inclui um sistema de 
governo democrático, 
o primado da lei, a 
liberdade de expressão 
e a livre concorrência 
econômica. www.dicio-
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30
UAB/Unimontes - 3º Período
Sendo assim, podemos concluir que, para atender aos interesses mencionados nos parágra-
fos anteriores, os detentores do poder político da época valeram-se da tendência pedagógica 
tradicional na vertente religiosa, que ora estudamos, para nortear a educação que os Jesuítas mi-
nistravam no Brasil.
Tendo realizado essa breve abordagem, vamos, agora, atender ao nosso objetivo nesse mo-
mento desse estudo, ou seja, refletir um pouco a respeito da tendência pedagógica tradicional 
na vertente religiosa.
Para dialogarmos a respeito dessa tendência, valemo-nos do nosso entendimento das ideias 
de Saviani (1986) de que a tendência tradicional na vertente religiosa fundamenta-se em uma 
visão essencialista de homem.
Sendo assim, compreendemos, por meio de uma visão essencialista, que o conhecimento é 
visto de forma dogmática e que seu critério de verdade consiste na sagrada escritura.
Nesse contexto, é preciso entendermos que a educação, de acordo com essa vertente, é 
uma forma de instrução e nega, pois, o pensamento critico, priorizando a quantidade de conteú-
dos em detrimento da qualidade. É importante ressaltarmos que, nessa perspectiva, a educação 
tem como objetivo moldar o aluno por meio da memorização, objetivando alcançar a perfeição.
A respeito da tendência pedagógica tradicional na vertente religiosa, para Saviani:
A educação cumpre moldar a existência particular e real de cada educando à 
essência universal e ideal que o define enquanto ser humano. Para a vertente 
religiosa, tendo sido o homem feito por Deus à sua imagem e semelhança, a 
essência humana é considerada, pois, criação divina (SAVIANI, 1986, p. 12).
A fala doSaviani remete-nos, também, a considerar que essa tendência pedagógica é ori-
ginada nas concepções medievais de educação que resgatam o pensamento grego, com base 
na lógica Cristã, que concebe o homem à imagem e semelhança de Deus, e a educação como a 
condição de busca desta imagem por ser o modelo ideal.
Com os Jesuítas, essa tendência pedagógica foi usada para catequese dos índios e negros 
no Brasil, pois ela era adequada à formação do perfil de pessoas dóceis e servis, conforme pre-
tendia a classe dominante da época, assim como foi adequada aos interesses do clero na Idade 
Média, e da aristocracia, na Grécia.
É importante ressaltar, também, que, para os filhos dos colonos que eram a elite brasileira 
naquele contexto, a educação era diferente. Não era catequese, porém com base na instrução. O 
parâmetro dessa tendência nos moldes utilizados para os filhos da elite era o plano de instrução 
de Santo Tomás de Aquino.
Tendo já refletido um pouco a respeito da tendência pedagógica tradicional na vertente re-
ligiosa e, também, entendido que essa tendência foi adotada no Brasil colônia como instrumento 
de dominação e que, por meio da aculturação, se manteve a serviço dos interesses dos coloni-
zadores, vamos continuar essa reflexão buscando entender um pouco a respeito da tendência 
pedagógica tradicional na vertente leiga.
2.2.2 Tendência pedagógica tradicional vertente leiga
A tendência tradicional na vertente religiosa predominou no Brasil até a expulsão dos Jesuí-
tas. Com a saída dos jesuítas, professores leigos foram assumindo as aulas e assim permanece-
ram por muito tempo durante o Império e a República.
Com o passar do tempo, o país vai apresentando transformações em sua cultura de econo-
mia agroexportadora e, assim, vão se desenvolvendo o comércio e a indústria manufatureira. 
Os imigrantes vão ocupando o lugar dos escravos, e, nos movimentos sociais desse contexto, as 
ideias liberais de livre comércio vão sendo difundidas entre a classe dominante.
Pontuamos, aqui, que as ideias liberais envolvem também o campo educacional, conside-
rando que a escola está inserida no seio da sociedade.
Esclarecemos que a escola é usada pela burguesia como espaço de consolidação de seus 
interesses, no que se refere à implantação das indústrias. Para atender a esse interesse burguês, a 
escola se distancia do ensino religioso e dá lugar às disciplinas científicas, segundo entendemos, 
conforme Romanelli (1994), por meio da reforma de Benjamin Constant em 1890, sob influência 
das ideias positivistas. Nesse contexto, para Veiga:
PARA SABeR MAIS
Ratio Studiorum Sum-
ma Theológica de São 
Tomás de Aquino, que 
consiste em um plano 
de instrução consu-
bistanciado na Ratio 
Studiorum trazida da 
Europa para o Brasil, 
resultando em uma 
orientação universalista 
por todos os jesuítas, 
assim como pelo uso 
de programas e dos 
mesmos procedimen-
tos metodológicos e 
elitistas por se destinar 
aos filhos dos colonos. 
O ideal da Ratio Stu-
diorum era a formação 
do homem universal, 
humanista e cristão. 
A educação se preo-
cupava com o ensino 
humanista de cultura 
geral e enciclopédi-
co; era alicerçada na 
Summa Theológica de 
São Tomás de Aquino. 
Esta obra corresponde 
a uma articulação entre 
a filosofia de Aristóte-
les e a tradição cristã, 
base da Pedagogia 
tradicional na vertente 
religiosa (VEIGA, 2000, 
p. 40).
DICA
Leitura da obra: 
SAVIANI, D. Escola e 
Democracia. São Paulo: 
Cortez, 1986.
DICA 
Leia, novamente, no 
caderno de Pesquisa 
em Educação, a unida-
de em que se discute o 
Positivismo.
31
Pedagogia - Didática
Os indicadores da penetração da Pedagogia tradicional na vertente leiga 
são os pareceres de Rui Barbosa de 1882 e a primeira reforma republicana, a 
de Benjamin Constant, em 1890. Esta vertente leiga da Pedagogia Tradicional 
mantém a visão essencialista do homem, não entendida como criação divina, 
mas sim aliada à noção da natureza humana. Centrada na idéia de natureza hu-
mana essencialmente racional, essa vertente inspirou a criação da escola públi-
ca, laica, universal e gratuita (VEIGA, 2000, p. 43).
É preciso que tenhamos claro que, de acordo com essa tendência pedagógica, o critério de 
verdade do conhecimento são as leis da natureza, o que difere da tendência tradicional com ver-
tente religiosa, cujo critério de verdade era a sagrada escritura.
Assim, podemos entender que se troca o Divino pela ciência com base em uma visão meca-
nicista, dogmática, conforme propõe o positivismo de Comte. Compreendemos que o conheci-
mento não é produzido pelo homem. O conhecimento é dado pela natureza de cada espécie ou 
fenômeno. Portanto, não justifica pensar a respeito dos conteúdos estudados, pois o homem é 
neutro frente ao que já vem determinado.
Assim sendo, podemos considerar que os homens também são iguais de acordo com a na-
tureza de sua classe social. E, como humanos, têm sua própria natureza humana de ser racional. 
Dessa forma, a educação escolar deve ser gratuita para todos.
Nessa perspectiva, a educação tem como fim difundir o conhecimento, de forma a capacitar 
todos a serem cidadãos e capazes de vi- verem como tal na cidade. O ensino aqui é humanístico, 
enciclopédico, meramente teórico.
Ressaltamos que o Brasil já não era mais um país rural, mas sim um país urbano, onde as 
pessoas precisavam saber ler, escrever, contar e assinar o nome para poder votar e eleger seus 
representantes na cidade, exercer o papel de cidadãos e se sentir realizados como pessoa.
Porém, vale lembrarmos que ensinar a maior quantidade de conteúdos para a maior quanti-
dade de alunos, sem problematizar os conteúdos, desvinculando a teoria da prática, torna visível 
que o que se pretendia era a formação em massa, e não uma educação de qualidade.
Compreendemos que, naquele contexto social brasileiro, essa tendência se adequava à de-
manda de formação de mão-de-obra barata para o mercado de trabalho emergente e para a di-
fusão da visão burguesa de mundo, a serviço da classe dominante. Assim, por meio da implanta-
ção da tendência pedagógica tradicional liberal, a educação do país é vivenciada com a intenção 
de atender ao interesse político e econômico de consolidar a burguesia industrial.
Após termos realizado essas reflexões, antes de dar continuidade pontuando as outras ten-
dências pedagógicas propostas, valemo-nos das palavras da Veiga para enfatizar que:
A pedagogia tradicional leiga, alicerçada nos pressupostos da doutrina liberal 
que apareceu como justificação do capitalismo, defendendo a predominân-
cia da liberdade e dos interesses individuais na sociedade, propiciou a organi-
zação da escola como objetivo de difundir a instrução. Desta forma, a escola 
cumpriu um papel social e político específico de reproduzir a realidade social, 
bem como de manter e perpetuar a discriminação social e a dominação (VEI-
GA, 2000, p. 44).
Nesta unidade, já discutimos a respeito de duas tendências pedagógicas, conforme classifi-
cação apresentada por Libâneo, ou seja, já dialogamos a respeito da tendência tradicional liberal 
na vertente religiosa e na vertente leiga. Sendo assim, iniciaremos as discussões a respeito da 
tendência liberal renovada e da tendência tecnicista.
2.3 Tendência pedagógica liberal 
renovada/moderna
A fim de entender um pouco sobre a tendência liberal renovada, é necessário saber que a 
mesma é denominada como humanista moderna ou escolanovista.
PARA SABeR MAIS
O Positivismo é uma 
corrente sociológica 
cujo precursor foi o 
francês Auguste Comte 
(1789- 1857). Surgiu 
como desenvolvimento 
sociológico do Iluminis-
mo e das crises social e 
moral do fim da Idade 
Média e do nascimento 
da sociedade industrial. 
Propõe a existência 
humana de valores 
completamente huma-
nos, afastando-se radi-
calmente da teologia 
ou metafísica.Assim, o 
Positivismo - na versão 
comtiana, pelo menos 
- associa uma inter-
pretação das ciências 
e uma classificação do 
conhecimento a uma 
ética humana, desen-
volvida na segunda fase 
da carreira de Comte. 
www. dicionarioonline.
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32
UAB/Unimontes - 3º Período
2.3.1 Tendência pedagógica liberal renovada/humanista moderna
Objetivando discutir a respeito da tendência liberal renovada, denominada, também, como 
humanista moderna ou escolanovista, é indispensável ponderar que, com o desenvolvimento 
político e econômico que se dá no Brasil, a partir da década de vinte, torna-se evidente a expan-
são do ensino e, também, a busca pela qualidade dele.
BOX 1
Contextualizando:
A partir da década de 30, a sociedade brasileira sofreu profundas transformações, moti-
vadas basicamente pela modificação do modelo socioeconômico. A crise mundial da econo-
mia capitalista provocou no Brasil a crise cafeeira, instalando-se o modelo socioeconômico de 
substituição de importações. Paralelamente, desencadeou-se o movimento de reorganização 
das forças econômicas e políticas, o que resultou em um conflito: a Revolução de 1930, marco 
comumente empregado para indicar o início de uma nova fase na história da República do 
Brasil. Ela representou uma conjugação de diferentes setores sociais que visavam derrubar o 
sistema oligárquico e instalar uma nova forma de Estado no país.
Até 1937, o Brasil passa por um período mais ou menos transitório que, para muitos his-
toriadores, é um período de acomodação das forças políticas.
No âmbito educacional, durante o governo revolucionário de 1930, Vargas institui o Mi-
nistério da Educação e Saúde Pública. Em 1032, é lançado o Manifesto dos Pioneiros da Escola 
Nova, preconizando a reconstrução social da escola na sociedade urbana e industrial.
A educação é percebida como instrumento de ação política contra a ordem vigente, 
como meio de recomposição do poder político.
Fonte: VEIGA .I.P.A. A prática pedagógica do professor de Didática. Campinas: Papirus, 1989, p. 46
Assim, em oposição à tendência tradicional liberal, o pensamento humanista é difundido no 
contexto educacional brasileiro. Dessa forma, as ideias modernas são utilizadas como instrumen-
to de ação política, baseadas em princípios democráticos, em que, conforme afirma Veiga (1989) 
quando cita Paiva (1973), o prestígio dos educadores está condicionado às posições políticas. 
Nesse contexto, segundo Veiga:
O Estado novo atuou em favor do “realismo em educação”, ou seja, o processo 
educativo visto em seus vínculos com a sociedade a que serve, mas no desem-
penho de seu papel de conservação, isto é, a escola como mantenedora do 
status quo. Deste período é a reforma Capanema (1942) que apresenta tam-
bém indicações de autoritarismo, evidenciando pela ênfase na educação mo-
ral e cívica, pela distinção entre trabalho intelectual e trabalho manual (VEIGA, 
1989, p. 49).
Ressaltamos que os reformadores da educação defendem o Estado Novo e, para tanto, ba-
seiam a educação na ideia da existência e atividade do indivíduo, e não mais no intelecto, como 
era proposto nas tendências tradicionais. A respeito da visão de homem proposta nessa tendên-
cia, Saviani diz que está centrada 
na existência, na vida, na atividade Se na visão tradicional, a educação cen-
trava-se no adulto (no educador), no intelecto, no conhecimento, na visão 
moderna o eixo do processo educativo se desloca para a criança (o educan-
do), a vida, a atividade. Portanto, não se trata mais de obedecer a esquemas 
predefinidos, seguindo uma ordem lógica, mas de seguir o ritmo vital que é 
determinado pelas diferenças existenciais ao nível dos indivíduos (SAVIANI, 
1986, p. 276).
Aqui é muito importante compreendermos o caráter de seletividade que se encontra implí-
cito nessa tendência pedagógica. Vejamos: podemos perceber que aqui é proposta uma exalta-
ção do indivíduo, por meio da defesa da liberdade, da autonomia do aluno, de um ambiente fe-
liz, prazeroso para o indivíduo, por meio da ideia de incentivo, da valorização da espontaneidade, 
da proposta de facilitar a aprendizagem, no valor da harmonia na sala de aula.
GLOSSÁRIO
Humanismo: refere-se 
genericamente a uma 
série de valores e ideais 
relacionados à celebra-
ção do ser humano. O 
termo, porém, possui 
diversos significados, 
muitas vezes conflitan-
tes. Para saber mais, 
visite o sítio www.dicio-
narioonline.com.br.
33
Pedagogia - Didática
Diante das características apresentadas, precisamos pensar: Considerar que essa tendência 
pedagógica, para ser vivenciada, necessita de um ambiente adequado, como condições para vi-
vência da prática pedagógica.
Sendo assim, indagamos: Até que ponto as condições estruturais e o ambiente da escola 
pública encontravam-se adequados a tal proposta de prática pedagógica? Até que ponto os pro-
fessores foram capacitados para a mudança radical de uma tendência pedagógica autoritária, 
dogmática para uma proposta na ideia de democracia?
Se pensarmos nas contradições encontradas na proposta de uma educação humanista, bem 
como no contexto de viabilização dela, podemos desconfiar que se encontra inserida aqui uma 
farsa, a fim de promover a alienação por meio do discurso veiculado entre os professores. E, con-
sequentemente, promovendo a exclusão social das classes menos favorecidas economicamente, 
por não terem condições materiais de acesso às escolas privadas que se expandiam, dado ao am-
biente favorável a investimentos na escola como empresa lucrativa.
Precisamos ficar atentos e entendermos que, por trás do discurso de valorização da digni-
dade do aluno, dos direitos do ser humano, do desenvolvimento da autonomia, da alegria e do 
amor de ensinar, passado pelas ideias humanistas, existe uma política perversa que, desde a dé-
cada de 30 no Brasil, coloca os educadores na condição subumana de alienados, a trabalho do 
seu desserviço.
Para entendermos que não estamos sozinhos na direção denunciada, apresentamos as fun-
damentações do nosso posicionamento, nas palavras de Veiga, quando afirma:
O escolanovismo propõe um novo tipo de homem, defende os princípios de-
mocráticos, isto é, todos têm direito a assim se desenvolverem. No entanto, 
isso é feito em uma sociedade capitalista, onde são evidentes as diferenças 
entre as camadas sociais. Assim, as possibilidades de se concretizar esse ideal 
de homem se voltam para aqueles pertencentes ao grupo dominante. A ca-
racterística mais marcante do escolanovismo é a valorização da criança, vista 
como ser dotado de poderes individuais, cuja liberdade, iniciativa, autonomia 
e interesses devem ser respeitados. O professor passou a ser um auxiliar do de-
senvolvimento livre e espontâneo da criança; é ele o facilitador de aprendiza-
gem. Os processos de transmissão recepção são substituídos pelo processo de 
elaboração pessoal e o saber é centrado no sujeito cognoscente e não mais no 
objeto de conhecimento. A valorização do clima de harmonia na sala de aula é 
uma forma de vivência democrática. O movimento escolanovista preconiza a 
solução de problemas educacionais numa perspectiva interna da escola, sem 
considerar a realidade brasileira nos seus aspectos político, econômico e social. 
O problema educacional passa as ser uma questão escolar técnica. A ênfase re-
cai no ensinar bem, mesmo que a uma minoria. A Escola Nova transfere, por-
tanto, a preocupação dos objetivos e conteúdos para os métodos, e da quanti-
dade para a qualidade (VEIGA, 1989, p. 50).
DICA
Recomendamos, uma 
vez mais, que você leia 
no caderno de Filosofia 
da Educação a unidade 
em que se discute a 
filosofia humanística.
PARA SABeR MAIS
É possível conceber a 
prática pedagógica, 
independentemente 
do contexto histórico 
sociopolítico em que 
a escola se encontra 
inserida?
DICA
A escola nova ou 
tendência humanista 
encontra-se fundamen-tada em uma visão de 
mundo fenomenoló-
gica, que compreende 
os fenômenos em si, 
independentemente do 
contexto em que estes 
se encontram inseridos, 
e de acordo com o 
ponto de vista de cada 
indivíduo.
▲
Figura 9: Escola nova
Fonte: Arquivo pessoal 
Rosângela Silveira Rodri-
gues, 2009
34
UAB/Unimontes - 3º Período
Essas nossas colocações acerca da tendência pedagógica liberal renovada nos remetem à 
concepção de educação essencialista-realista proposta por Aristóteles na Grécia, ao afirmar que 
a educação é, ao mesmo tempo, ativa e contemplativa e que a pessoa se educa por meio do de-
senvolvimento do seu potencial inato, por meio da ação prática. A respeito da escola nova, Veiga 
ainda diz que esta dá ênfase ao método, em detrimento dos conteúdos, e que permite 
secundarizar a transmissão dos conteúdos, provocando o rebaixamento da 
qualidade do ensino. Desta forma, contribuiu para diferenciar qualitativamente 
a educação que era destinada às diversas classes sociais. A escola nova não é 
crítica e nem revolucionária, mas se reveste de uma importância social quando 
recoloca em causa os modelos sociais tradicionais e reafirma o valor, a dignida-
de e os direitos humanos (VEIGA, 1989, p. 51).
Diante dessas reflexões, ressaltamos, ainda, que a contraposição da tendência liberal reno-
vada à tendência tradicional liberal nos remete, também, à contraposição em relação ao pensa-
mento de Aristóteles, em relação ao pensamento essencialista – idealista de Platão que afirma 
que a educação não é ativa, mas sim contemplativa, ou seja, apenas teórica.
Para entendermos melhor, lembramos que a concepção de educação de Aristóteles, levada 
para a Idade Média por São Tomás de Aquino, tem sua continuidade na modernidade por meio 
do pensamento empirista, experimental de Bacon, de forma a fundamentar as teorias de ensino
-aprendizagem de cunho psicológico, que vêm sendo adotadas no contexto da história da edu-
cação brasileira.
Segundo Silveira Rodrigues, os fundamentos dessa tendência pedagógica não estão mais
(...) nos princípios lógicos, mas sim em uma lógica psicológica; o conteúdo da 
disciplina Didática é norteado por norte-americanos como Dewey, que, por 
meio de uma proposta de respeito à individualidade e liberdade do aluno, en-
tende o ensino como processo de pesquisa, onde professor e aluno são envol-
vidos em um clima de sintonia, para que o professor possa orientá-lo à direção 
conveniente (SILVEIRA RODRIGUES, 2006, p. 130).
Ressaltamos que a direção conveniente mencionada é definida de acordo com os interesses 
de cada sujeito, que, por sua vez, não se prendem a conceitos anteriores sobre o fenômeno estu-
dado, ao buscar consciência dos fenômenos.
Esclarecemos que, através da interpretação do sujeito, busca-se a essência do fenômeno, a 
fim de desvelá-lo por meio de experiência e de acordo com sua intencionalidade.
Enfim, diante das considerações que apresentamos nos últimos parágrafos, podemos com-
preender que as tendências pedagógicas adotadas para fundamentar a educação brasileira são 
fundamentadas em uma visão de mundo essencialista, idealista ou realista. E, assim, se opõem à 
visão dialética, a serviço dos interesses do pro-
gresso econômico das classes dominantes de 
cada época.
Tendo realizado essa discussão, bem como 
problematizado a tendência pedagógica libe-
ral renovada, daremos sequência a esse estudo 
abordando questões referentes à tendência 
tecnicista. Sendo assim, apresentamos a seguir 
a contextualização indispensável para nosso en-
tendimento da tendência a ser estudada.
2.3.2 Tendência pedagógica liberal renovada/tecnicista
Voltar o nosso olhar para a tendência pedagógica tecnicista requer situarmos o projeto de 
desenvolvimento econômico do Brasil proposto pelo governo militar, porque, diante das exi-
gências desse contexto, o qual tinha a necessidade de formar mão-de-obra especializada para o 
mercado de trabalho, é que, mais uma vez, a tendência da educação desse país foi norteada.
Dessa forma abordada, precisamos considerar que, com a vivência da educação com base 
na tendência liberal renovada, o processo de ensino-aprendizagem vivenciado nesse país é mar-
cado pela valorização das técnicas de ensino, sempre com base em fatores psicológicos experi-
mentais e pedagógicos, independentemente da realidade social encontrada.
DICA 
Os Parâmetros Cur-
riculares Nacionais – 
PCNs – e os Conteúdos 
Básicos Comuns – CBCs 
– adotados no Estado 
de Minas Gerais estão 
fundamentados na 
lógica da tendência 
pedagógica humanista 
moderna.
PARA SABeR MAIS 
A fenomenologia 
exalta a interpretação 
do mundo que surge 
intencionalmente na 
nossa consciência. 
Por isso, na pesquisa, 
eleva o sujeito, com 
suas percepções dos 
fenômenos, sobre o 
observador positivista. 
Percebe-se que, na 
análise dos conceitos 
fenomenológicos, em 
nenhum momento, 
esta corrente do pensa-
mento está interessada 
em colocar em relevo 
a historicidade dos 
fenômenos. A busca da 
essência, isto é, o que 
o fenômeno verdadei-
ramente é depois de 
sofrer um isolamento 
total, uma redução, 
eliminando o eu que vi- 
vencia e o mundo com 
seus valores, cultura 
(TRIVIÑOS, 1995, p. 47).
Figura 10: Educação 
Ativa
Fonte: Arquivo pessoal 
Rosângela Silveira Rodri-
gues, 2009
►
35
Pedagogia - Didática
Diante da realidade apresentada, com a crise da pedagogia nova, é articulada a tendência 
tecnicista por intermédio dos militares, em conformidade com os Estados Unidos, cujo modelo 
educacional influencia diretamente toda estrutura educacional, visando ao planejamento, à exe-
cução e à racionalização do processo produtivo.
De acordo com a direção em evidência, você precisa considerar que a prática pedagógica 
liberal pragmática, inspirada no modelo norte-americano, valoriza os processos metodológicos, 
em detrimento da própria aquisição do conhecimento.
BOX 2
Contextualizando:
Em meio à implementação do movimento escolanovista, também atendendo a interes-
ses político-econômicos, foram realizadas reformas no sistema educacional brasileiro, e, assim, 
convênios foram feitos entre o MEC e os Estados Unidos, com vistas à capacitação dos pro-
fessores. Para efetivação de tal proposta, cria-se o PABAEE (Programa Americano-Brasileiro de 
Auxílio ao Ensino Elementar) voltado para o aperfeiçoamento dos professores do curso nor-
mal. Assim, por meio desse convênio, é inserido no Brasil o modelo educacional técnico ame-
ricano. Nesta fase o ensino da Didática também se inspirou no liberalismo e no pragmatismo 
norte-americano.
Fonte: VEIGA .I.P.A. A prática pedagógica do professor de Didática. Campinas: Papirus, 1989, p. 56
Podemos, assim, entender que os pressupostos da tendência pedagógica tecnicista, adota-
da no Brasil, segundo Veiga,
(...) está na neutralidade científica, inspirada nos princípios da racionalidade, da 
eficiência e produtividade. Busca-se a objetivação do trabalho pedagógico, da 
mesma maneira que ocorreu no trabalho fabril. Instala-se na escola a divisão 
do trabalho sob a influência da produtividade, propiciando o parcelamento e 
a fragmentação do processo e, com isso, acentuando a distância entre quem 
planeja e quem executa (VEIGA,1989, p. 58).
Consideramos, nesse contexto, que a tendência pedagógica tecnicista fundamenta-se na 
ideia de formar o técnico eficiente, capaz de desenvolver determinada habilidade com compe-
tência. Sendo assim, esta defende um modelo de educação baseado no treino, no condiciona-
mento, de acordo com a psicologia comportamentalista.
Esta concepção, portanto, desvincula teoria e prática e tem como elemento principal não 
mais o conteúdo, como na década de 20, mas sim o desenvolvimento de manuais de instrução 
técnica e a gerência do professor como forma de controle para garantir a eficácia.
Precisamos terclaro que esta tendência pedagógica concebe a educação como um pro-
cesso de instrumentalização por meio de condicionamento e baseia-se, principalmente, como 
já mencionamos anteriormente, na neutralidade científica. Podemos, assim, ponderar que seus 
pressupostos baseiam-se em uma lógica positivista.
BOX 3
Contextualizando:
Paralelamente à realidade educacional, a sociedade brasileira vivenciava momentos de-
terminantes na história político-econômica do mesmo. Como, por exemplo, em meados da 
década de 40 até a década de 70, o Brasil vivencia conflitos originados de divergências de in-
teresses políticos, ideológicos e econômicos, que a cada dia se fortaleceram, demarcando dois 
grupos de interesses. Sendo um conservador e outro revolucionário. Esse momento da histó-
ria desse país é marcado pela tomada do poder pelo grupo conservador representado pelos 
militares que assumem o poder político desse país. Com a tomada do governo pelos militares, 
o regime político do Brasil passa a ser a ditadura. E com base nesse modelo de governo é pro-
jetado o desenvolvimento do progresso econômico de forma acelerada. Os vários setores go-
vernamentais colocaram-se a serviço do projeto desenvolvimentista e, entre eles, a educação 
desempenha importante papel na preparação adequada de recursos humanos necessários à 
incrementação do crescimento econômico e tecnológico da sociedade, de acordo com a con-
cepção economicista de educação.
Fonte: VEIGA .I.P.A. A prática pedagógica do professor de Didática. Campinas: Papirus, 1989, p. 56.
▲
Figura 11: Frederic B. 
Skinner
Fonte: Didática e Prática 
de Ensino: uma introdução 
crítica. PENTEADO, José 
de Arruda. São Paulo: Mc 
Graw-Hil, 1979.
PARA SABeR MAIS
Por meio de um discur-
so, é possível manipular 
as pessoas, falando o 
que elas gostam de ou-
vir, como, por exemplo, 
autonomia, felicidade, 
respeito, como também 
esconder o que não 
quer que as pessoas 
vejam, como, por 
exemplo, a dinâmica 
das políticas educacio-
nais?
36
UAB/Unimontes - 3º Período
A respeito desta tendência Libâneo afirma:
Embora seja considerada como uma tendência pedagógica, inclui-se, em certo 
sentido, na Pedagogia Renovada. Desenvolveu-se no Brasil na década de 50, à 
sombra do progressivismo, ganhando nos anos 60 autonomia quando se cons-
titui especificamente como uma tendência, inspirada na teoria behaviorista da 
aprendizagem e na sua abordagem sistêmica do ensino. Esta orientação aca-
bou sendo imposta às escolas pelos organismos oficiais ao longo de boa par-
te das duas últimas décadas, por ser compatível com a orientação econômica, 
política e ideológica do regime militar então vigente. Com isso, ainda hoje pre-
domina nos cursos de formação de professores o uso de manuais didáticos de 
cunho tecnicista, de caráter meramente instrumental (LIBÂNEO, 1991, p. 68).
Podemos perceber nessa citação acima que o autor classifica a tendência tecnicista como 
uma tendência renovada, considerando que a sua implantação inicia-se no momento da escola 
nova, cuja proposta de ensino se baseia na atividade do aluno, e, para tal, o professor aos poucos 
se coloca no papel de controlar o desenvolvimento eficiente das técnicas adotadas.
Sendo assim, podemos entender a tendência tecnicista como uma sequência da concepção 
humanista, que ganha, por meio da influência das terminologias técnicas utilizadas no âmbito 
educacional, uma tendência não psicológica e meramente instrumental, que, conforme Savia-
ni (1986), relacionada com a concepção analítica da filosofia da educação, que, conforme Veiga 
(1989), por meio dos pressupostos de objetividade, racionalidade e neutralidade científica.
E, assim, essa tendência se coloca a favor da divisão do trabalho de quem faz e de quem 
pensa, conforme determinado na Grécia por Platão a serviço dos interesses aristocráticos.
Ressaltamos que, da mesma forma que no contexto histórico grego mencionado, essa con-
cepção, ao reforçar a divisão do trabalho, atende aos interesses de fazer da escola um espaço de 
reprodução da ideologia dominante. Assim, afirmamos de acordo com autores que fundamen-
tam as tendências de cunho progressista que discutiremos no próximo tópico desta unidade.
2.4 Tendência pedagógica 
libertadora / teorias críticas da 
educação
Para refletirmos acerca da tendência pedagógica libertadora, objetivando pensar na teoria 
crítica da educação no Brasil, precisamos lembrar que esta tendência se manifesta no contexto 
educacional brasileiro desde o final da década de 70, a partir do fim da ditadura militar.
Esta tendência pedagógica vai se tornando presente no contexto educacional brasileiro 
como consequência da luta da classe operária que contagia diversos setores deste país, possi-
bilitando a criação de um espaço de discussão propício aos debates a respeito da necessidade 
de enfrentamento das condições sociais dadas como resposta ao projeto de desenvolvimento 
falido.
É importante ponderar que, na história da educação brasileira, em meio a esse contexto de 
transição política, educadores se articulam e, como já dissemos anteriormente, contagiados pelo 
clima de crítica, de discussões em torno das questões sociais e, consequentemente, denuncian-
do o papel de reprodutora da classe dominante que é feito da escola no âmbito da sociedade 
capitalista.
Assim, a seguir, discutiremos a respeito da tendência pedagógica denominada por Saviani 
como teoria crítico-reprodutivista e, posteriormente, continuaremos esse estudo discutindo a 
respeito da tendência crítico-social dos conteúdos ou Pedagogia Histórico-crítica.
37
Pedagogia - Didática
BOX 4
Contextualizando:
Ao final dos anos 70 o país vive uma política econômica denominada de “desenvolvimen-
to integrado”, tendo em vista que o desenvolvimento econômico deveria ocorrer integrada-
mente com o social e o político. O segundo Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) para 
o período 1975/1979 preconizava que o “o modelo econômico e social dirigia-se para o ho-
mem brasileiro”, o que é comentado por Vieira: “Outra vez buscavam-se o aumento de opor-
tunidades de emprego, o controle gradativo da inflação, o relativo equilíbrio do balanço de 
pagamentos, a melhoria da distribuição de renda e a conservação de estabilidade social e po-
lítica” (Vieira, 1985, 49). Os movimentos de caráter civil, religioso e sindical aparecem sob as 
mais diversas formas, tendo como objetivo a efetivação de importantes reivindicações rela-
tivas à melhoria das condições de vida, trabalho, saúde, habitação e educação. Ao longo dos 
anos 80, a situação econômica do país dificultou mais a vida do povo brasileiro com a eleva-
ção da inflação, aumento de desempregados, agravada pelo conhecimento da dívida externa 
e pela política recessionista orientada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Fonte: VEIGA .I.P.A. A prática pedagógica do professor de Didática. Campinas: Papirus, 1989. p.6
2.4.1 Tendência pedagógica teoria crítico-reprodutivista da 
educação
Ao considerarmos o contexto histórico que apresentamos anteriormente, salientamos que 
a educação brasileira é influenciada pela literatura de filósofos e sociólogos franceses, inspirados 
em pensamentos de cunho marxista, que se dedicavam a criticar a educação dominante, obje-
tivando desvelar as intenções implícitas nos discursos adotados pelas políticas educacionais. A 
esse respeito, Libâneo afirma:
As tendências de cunho progressista interessadas em propostas pedagógicas 
voltadas para os interesses da maioria da população foram adquirindo maior 
solidez e sistematização por volta dos anos 80. São também denominadas teo-
rias críticas da educação. Não é que não tenham existido antes esforços no sen-
tido de formular propostas de educação popular. Já no começo do século for-
maram-se movimentos de renovação educacional por iniciativa dos militantes 
socialistas. Muitos dos imigrantes domovimento dos pioneiros da escola nova 
tinham real interesse em superar a educação elitista e discriminadora da épo-
ca. No início dos anos 60 surgiram os movimentos de educação de adultos que 
geraram idéias pedagógicas e práticas educacionais de educação popular, con-
figurando a tendência que veio a ser denominada de Pedagogia Libertadora 
(LIBÂNEO, 1991, p. 68).
Assim, a educação brasileira sofre a influencia de teorias críticas, tendenciando a uma peda-
gógica crítica, que se fundamenta em elementos da Filosofia, Sociologia e da História da educa-
ção para negar a neutralidade científica propagada no decorrer do período em que a tendência 
tecnicista era adotada oficialmente no contexto educacional brasileiro.
Ressaltamos que as teorias que embasam essa tendência da educação são denominadas 
por Saviani (1986) como teorias crítico-reprodutivistas que, segundo Veiga, apesar de elas con-
siderarem a educação a partir dos seus aspectos sociais, concluem que sua função primordial é 
a de reproduzir as condições sociais vigentes. Elas se empenham em fazer a denúncia do caráter 
reprodutor da escola. Há uma predominância dos aspectos políticos, enquanto as questões didá-
tico-pedagógicas são minimizadas.
Ponderamos que, no interior das escolas, professores alunos e demais sujeitos inseridos 
no contexto educacional assumem uma postura de denúncia, e a educação em si fica em se-
gundo plano, dando espaço às discussões dos problemas sociais. Assim, a educação escolar 
prioriza a escolha de métodos e técnicas adequadas para criar um ambiente propício aos de-
bates e denúncias.
Dessa forma, compreendemos que, no processo de ensino, o conteúdo fica em segundo 
plano. Ao mesmo tempo em que existe a intenção de denunciar, contraditoriamente, existe o re-
forço à própria situação denunciada.
PARA SABeR MAIS
A concepção analítica 
da filosofia da educa-
ção que se encontra, 
segundo Veiga (1989), 
relacionada com a 
tendência pedagógica 
tecnicista é explicada 
por Saviani ao afirmar 
que esta não tem por 
objeto a realidade, mas 
a linguagem que se 
profere sobre a reali-
dade. Refere-se, pois, à 
clareza e consistência 
dos enunciados rela-
tivos aos fenômenos 
e não aos fenômenos. 
Consequentemente, 
a Filosofia pertence 
à ordem da lógica do 
discurso. A ela cabe 
simplesmente fazer a 
assepsia da linguagem, 
depurá-la de suas 
inconsistências e ambi-
guidades. Não é sua ta-
refa produzir enuncia-
dos que se constituam 
em diretrizes teóricas e 
muito menos práticas 
(SAVIANI, 1986, p. 279).
38
UAB/Unimontes - 3º Período
Salientamos que, levando em conta que o domínio dos conteúdos é condição para uma 
postura emancipada no convívio social e para a inserção no mercado de trabalho, podemos 
compreender que aqueles que não têm uma educação que lhes proporcione o domínio dos con-
teúdos podem estar condenados a ser excluídos do processo de seletividade do mercado.
É nesta direção de pensamento que compreendemos que, ao serem vivenciadas essas teo-
rias ou tendências críticas no contexto educacional brasileiro, mesmo com um discurso de cunho 
crítico, dialético, mesmo problematizando a escola como aparelho ideológico do estado e, con-
sequentemente, reprodutora da classe dominante por meio do discurso veiculado, por exemplo, 
nos livros didáticos, a educação nesse contexto não pode ser entendida como dialética. Mas, por 
isso, não podemos desconsiderar a importância desse momento de articulação e denúncia que 
esta tendência proporcionou ao espaço educacional brasileiro.
É a partir desse contexto que a educação brasileira passa a ser pensada por educadores pes-
quisadores brasileiros que trabalham em prol da elaboração de uma tendência pedagógica a ser 
adotada no contexto da educação brasileira, mesmo que essa tendência se coloque contra os 
discursos pedagógicos oficiais.
Diante dessas colocações, dedicar-nos-emos a discutir e buscar entender a Tendência Peda-
gógica Crítico-social dos Conteúdos, denominada por Saviani como Pedagogia Histórico-crítica.
2.4.2 Tendência pedagógica crítico-social dos conteúdos/pedagogia 
histórico-crítica
Neste tópico desta unidade, discutiremos a respeito da tendência pedagógica alicerçada na 
concepção educacional norteada pela visão de mundo histórico-crítico. A discussão a respeito 
dessa tendência pedagógica no Brasil se dá a partir da década de 1980, em que temáticas giram 
em torno da Pedagogia Histórico-Crítica (PHC).
Esclarecemos-lhe que construir e vivenciar uma tendência pedagógica, cujos fundamentos 
giram em torno da Pedagogia Histórico-Crítica (PHC), é pensar a educação a partir do trabalho 
e, consequentemente, ter como finalidade principal contribuir com a formação emancipada dos 
alunos.
Segundo Silveira Rodrigues,
Tal concepção, cujos fundamentos defendem a realidade humana como pro-
duto da história produzida pelo homem e defendem também o homem como 
um ser histórico, produzido na realidade social em que vive como resultado de 
sua ação nessa realidade, seja de forma subjetiva ou objetiva. Entretanto, o ho-
mem é entendido como co-criador de si próprio e conseqüentemente de sua 
própria vida (SILVEIRA RODRIGUES, 2006, p. 132).
Podemos entender o sentido dessa afirmação quando observamos que essa tendência afir-
ma que o homem é um ser histórico, produzido pela realidade social, pois, dessa maneira, o ho-
mem não pode ser entendido, por exemplo, como um potencial inato, pronto para ser desenvol-
vido, ou como uma essência pronta a ser conhecida.
Considerando nossa observação, ressaltamos que essa tendência pedagógica vem sendo 
produzida no Brasil a partir da década de 80 por pesquisadores brasileiros que defendem a ne-
cessidade de elaboração de uma teoria da educação cujos pressupostos filosóficos, políticos, pe-
dagógicos, metodológicos se fundamentam no materialismo histórico dialético.
Tendo em vista superar as concepções crítico-reprodutivistas, que são muito importantes 
como expressão da resistência às políticas estabelecidas, mas, que não saem do nível de denún-
cia, considerando não apresentar propostas de superação da realidade social denunciada, por 
meio de proposta de uma pedagogia para além da perspectiva crítico-reprodutivista, a esse res-
peito Saviani diz:
É esta análise que em nosso país começa a adquirir forma mais sistemática a 
partir de 1979, quando se empreende a crítica da visão crítico-reprodutivista e 
se busca compreender a questão educacional a partir dos condicionantes so-
ciais. Trata-se, assim, de uma análise crítica porque é consciente da determina-
ção exercida pela sociedade sobre a educação; no entanto, é uma análise críti-
co-dialética e não crítico-mecanicista. Com efeito, a visão mecanicista inerente 
às teorias crítico-reprodutivistas considera a sociedade determinante unidire-
cional da educação. Ora, sendo esta determinada de forma absoluta pela so-
PARA SABeR MAIS
Pesquisadores brasi-
leiros, como: Saviani, 
Wachowicz, Sánchez 
Gamboa, Duarte, Scal-
con, Gasparin, Zanella, 
Silveira Rodrigues, vêm 
procurando explici-
tar as bases de uma 
educação cuja Didática 
se fundamente em uma 
Pedagogia histórico-
crítica, a ser adotada 
pelos professores 
brasileiros nas escolas 
do Brasil.
39
Pedagogia - Didática
ciedade, isso significa que se ignora a categoria de ação recíproca, ou seja, que 
a educação é, sim, determinada pela sociedade, mas que essa determinação é 
relativa e na forma de ação recíproca – o que significa que o determinado tam-
bém reage sobre o determinante. Conseqüentemente, a educação também in-
terfere sobre a sociedade, podendo contribuir para sua própria transformação. 
Em suma, a passagem da visão crítico-mecanicista, crítico-aistórica para uma 
visão crítico-dialética, portanto histórico-crítica da educação é o que queremos 
traduzir em pedagogia histórico-crítica (SAVIANI, 1986, p. 92-93).De acordo com esta tendência pedagógica histórico-crítica, a educação é um caminho para 
o alcance da emancipação. Por esse motivo, é proposta na direção dela a não dicotomização en-
tre teoria-prática, a partir do momento em que as contradições (problemas) vivenciadas na reali-
dade imediata são problematizadas em sala de aula, de forma que se tornam questões geradoras 
do conhecimento.
De acordo com a maneira apresentada, percebe-se a negação do verbalismo excessivo do 
professor e também do ativismo do aluno. Valoriza-se, assim, a prática do pensar como condição 
para o conhecimento das teorias a respeito dos elementos que compõem o problema estudado.
Precisamos ter claro que, de acordo com a direção apresentada, propõe-se que as práticas 
pedagógicas consistam em um espaço de estudo histórico sustentado em uma visão de totali-
dade, conforme proposto por Engels na aplicação da lógica das leis do pensamento, conforme 
discutimos no final da unidade I deste caderno.
Dessa forma, lembramos que, conforme as leis do pensamento, é indispensável tanto a qua-
lidade das análises realizadas quanto a quantidade de conteúdos ou de tempo necessário à reali-
zação de tais análises.
Ressaltamos, ainda, que o entendimento das análises propostas é necessário para a busca 
da superação do problema estudado que faz parte da realidade material imediata dos sujeitos 
envolvidos nos processos.
Lembramos, também, que, de acordo com a segunda lei, unidade e a continuidade da cons-
tante mudança da natureza, denominada de compenetração dos opostos, e a terceira lei, que diz 
respeito à negação da negação, a ideia de uma verdade única é negada, porque a verdade pode-
rá ser contestada de forma a provocar superação da conclusão anterior.
Conforme ideia apresentada, a cada síntese é, por sua vez, a tese de uma nova antítese que 
dará lugar a uma nova síntese. Ou seja, o conteúdo poderá ser contestado provocando a supera-
ção do pensamento de alunos e professores, que resultará em uma nova elaboração do conheci-
mento.
Na direção desta tendência, a educação consiste em um instrumento de luta que promove 
situações que irão desvelar as intenções implícitas em cada contexto histórico em questão. As-
sim, coloca em evidência contradições vivenciadas historicamente, permitindo a consciência dos 
mesmos. Condição necessária à formação do cidadão emancipado, capaz que somar forças para 
transformação das condições materiais de vida de um contexto social.
2.5 A didática adotada nas 
relações ensino-aprendizagem 
norteadas pelas tendências 
pedagógicas predominantes na 
história da educação brasileira
Levando em conta a realidade mencionada anteriormente nesta unidade, voltamos nosso 
olhar para a Didática hegemônica no decorrer do contexto da história da educação do país.
Esclarecemos então que a educação no Brasil surgiu tendo como hegemônica uma Didática 
sustentada em uma concepção de educação medieval, católica, tridentina.
PARA SABeR MAIS
É necessário considerar, 
ainda, que hoje se es-
trutura também, após 
a década de 1980, uma 
tendência denominada 
pósestruturalista ou 
pós-moderna, cujas 
pesquisas são constituí-
das em rede fragmen-
tada, buscando estudar 
em torno da ideia de 
cotidiano, descaracteri-
zando completamente 
a visão de totalidade 
que possibilita desvelar 
os subterfúgios utiliza-
dos a serviço dos inte-
resses das políticas que 
organizam a sociedade 
no decorrer da história.
DICA
Precisamos ficar 
atentos para o fato de 
que tal tendência vem 
sendo difundida de 
forma sutil, por meio da 
infiltração de determi-
nadas literaturas que 
priorizam o estudo 
de determinadas 
categorias que, para 
serem entendidas, não 
necessitam de análises 
históricas. E, assim, res-
tringem-se a um olhar 
no contexto micro em 
que os fenômenos se 
encontram inseridos. 
Precisamos nos ater 
para o fato de que, 
diante das colocações 
acima, ressaltamos que 
a adoção desta tendên-
cia denominada “pós-
moderna” vem sendo 
utilizada para sustentar 
o modelo de mundo 
globalizado, confor-
me é vivenciado na 
sociedade atualmente, 
por meio da difusão 
de uma “Pedagogia da 
Hegemonia”.
40
UAB/Unimontes - 3º Período
2.5.1 A didática norteada pela tendência pedagógica tradicional 
liberal na vertente religiosa e leiga
Para pensar a Didática à luz da tendência tradicional liberal, é necessário lembrarmos que 
esta tendência norteou a educação brasileira desde o período colonial, com os jesuítas, conside-
rados os primeiros educadores brasileiros, até o período de 1920.
É importante lembrarmos que esta tendência predominou na educação brasileira em dois 
momentos distintos e em duas vertentes diferentes. Como já dissemos no tópico anterior desse 
estudo: uma vertente religiosa e uma vertente leiga.
BOX 5
AnTeS De InICIAR nOSSA ReFLeXÃO eSPeCIFICAMenTe A ReSPeITO De DIDÁTICA, VOCÊ 
PReCISA SABeR QUe:
O sentido da palavra “didática” implica esclarecer que sua origem vem do grego dida-
ktikós. Segundo Olanda (1996, p. 679), o termo é relativo ao “ensino ou instrução, técnica de 
dirigir e orientar a aprendizagem, técnica de ensino, o estudo dessa técnica”. Segundo Astolfi, 
quanto aos dicionários e enciclopédias: É o adjetivo didático que primeiro aparece na Idade 
Média: em 1554, relata o Grand Larousse enciclopédique. O termo vem do grego didaktitos e 
se aplica então a um gênero de poesia que toma como assunto a exposição de uma doutrina, 
de conhecimentos científicos e técnicos. O advérbio didaticamente é admitido pela academia 
em 1835, e o substantivo masculino didatismo aparece em meados do século XIX. (...) Pode-
mos deduzir que em torno de 1955 o substantivo feminino didática aparece formando para 
os catálogos de conhecimento. Ele remete de maneira geral ao ensino, sem precisões particu-
lares (Libâneo,1991, p. 7). Pensar a respeito do significado da palavra didática implica lembrar 
de Comenio, considerado o Bacon da pedagogia e o Galileu da educação, em sua busca de 
pensar a Pedagogia como uma ciência moderna, por meio da elaboração da Didactica magna, 
onde este concebe o professor como um “servidor da natureza”, que ensina de forma eficiente. 
Comênio, ao escrever a mencionada obra, direciona o entendimento da didática a uma visão 
cartesiana da educação, desde que este se ocupe de elaborar um método seguro de ensinar. 
Conforme as origens do significado da palavra didática aqui apresentado,é possível explicar o 
relacionamento que até então é estabelecido entre as aulas de didática e o ensino de métodos 
e técnicas de ensino. Assim como uma disciplina do campo da pedagogia, a Didática se ocu-
pa de reflexões acerca das relações que envolvem o fenômeno do ensino-aprendizagem que 
compreendem as relações professor-aluno, planejamento, avaliação, relação ensino-pesquisa, 
bem como os métodos e técnicas de ensino. Nos tempos atuais, no que se refere ao Brasil, a Di-
dática é entendida como um campo de estudo da área da educação e acerca do seu conceito, 
Libâneo, escrevendo para alunos do magistério do segundo grau a classifica dizendo que: 
A Didática é o principal ramo de estudos da Pedagogia. Ela investiga os fundamentos, con-
dições e modos de realização da instrução e do ensino. A ela cabe converter objetivos sócio
-políticos e pedagógicos em objetivos de ensino, selecionar conteúdos e métodos em função 
desses objetivos, estabelecer os vínculos entre ensino-aprendizagem, tendo em vista o desen-
volvimento das capacidades mentais dos alunos. A Didática está intimamente ligada à Teoria 
da Educação e à Teoria da Organização Escolar e, de modo muito especial, vincula-se à Teoria 
do Conhecimento e à Psicologia da Educação (LIBÂNEO, 1991, P. 25). De acordo com o conceito 
acima, a didática vem sendo concebida como fundamentos do modo como são realizados a 
instrução e o ensino. Assim, é possível entender que esta concepção aponta paraduas dire-
ções, sendo uma voltada para uma dimensão técnica do ensino, e a outra para uma dimensão 
psicológica do ensino. Desta forma, as aulas de didática vêm sendo veículo de interesses que 
implicam a formação do professor qualificado ora para instrumentalizar, ora para valorizar as 
inter-relações dos sujeitos envolvidos diretamente no processo ensino-aprendizagem. Ainda 
encontra-se a possibilidade do entendimento da Didática em uma dimensão política, que se 
ocupa da busca da realização de análise do ensino sendo visto como prática social vivenciada 
na realidade onde os sujeitos dos contextos estudados estão inseridos. Prática social concreta 
que de forma complexa e laboriosa pode ser considerada, conforme afirma Veiga (1989), como 
teoria da docência.
▲
Figura 12: O Professor 
é o mestre, dono 
do saber, que 
ensina tudo a todos. 
Verbalmente ensina a 
maior quantidade de 
conteúdos para a maior 
quantidade de alunos 
possível, sem distinção.
Fonte: COMÉNIO, J. A. 
Didática Magna. Lisboa: 
Fundação Caouste Gul-
benkian 1957
41
Pedagogia - Didática
Nas palavras de Veiga, classicamente a didática é um campo de estudo, uma disciplina de 
natureza pedagógica aplicada, orientada para as finalidades educativas e comprometida com 
as questões concretas da docência, com as expectativas e com os interesses dos alunos. Para 
tanto, requer um espaço teórico-prático, a fim de compreender a multidimensionalidade da 
docência, entendida como ensino em ato (2006, p. 8). Pensar no conceito acima remete a uma 
reelaboração do mesmo, não com a intenção de negá-lo, mas sim de buscar compreendê-lo 
de forma a dar a ele uma dimensão política e não apenas pedagógica. Sendo assim, impli-
ca aqui reelaborá-lo como teoria não apenas da docência, mas sim como teoria do processo 
de materialização dos interesses implícitos e explícitos que envolvem as relações dos sujeitos 
que compõem a realização do processo ensino-aprendizagem. Desta forma, a didática envol-
ve todos os aspectos lógicos, psicológicos e técnicos que fazem parte do ensinar-aprender, 
considerando que todos estes aspectos mencionados estão contidos entre os elementos que 
compõem a política das relações do trabalho. Nessa direção, entende-se a Didática como uma 
disciplina que tem uma epistemologia interna, já que se encontra relacionada com formas ou 
métodos de ensinar, e em cada método são encontrados problemas que se colocam no inte-
rior da ciência e que, para serem compreendidos, é necessário, muitas vezes, que o cientista 
faça epistemologia integrada a seu trabalho, no sentido de práxis. A partir dessas análises, é 
possível considerar que os fundamentos epistemológicos da Didática são entendidos como 
elementos que constituem o conjunto de categorias que fazem parte da composição dos sa-
beres das ciências da educação.
Fonte: SILVEIRA RODRIGUES, R. Teoria Critica da Didática: contraposições epistemológicas possibilidades políticas e 
tendências atuais. Tese de Doutorado Campinas: Unicamp, 2006.
Esclarecemos, ainda, que, no contexto dessas duas vertentes, a Didática, ou a forma de en-
sinar é a mesma. O que muda de um contexto para o outro nesta tendência pedagógica é o cri-
tério de verdade do conhecimento. Na vertente religiosa, consiste na sagrada escritura, e na ver-
tente leiga, nas ciências da natureza, ou seja, na concepção positivista.
Sendo assim, ressaltamos que, como já foi dito no tópico anterior, a didática nessa perspec-
tiva fundamentava-se no plano de instrução utilizado pelos jesuítas, que era fundamentado na 
Ratio Studiorum, o qual se alicerçava filosoficamente em ideias essencialistas e idealistas do pen-
samento, que têm origem nas intencionalidades políticas do cristianismo.
Nessa perspectiva, Didática contribuía para atender à finalidade de formar o homem univer-
sal humanista e cristão, por meio da transmissão de conteúdos de forma dogmática, descontex-
tualizada, com base na memorização.
Referindo-se aos pressupostos epistemológicos da Didática, pode-se conside-
rar que eles se sustentam em instrumentos e regras, nos quais o mestre ditava 
o método, o tempo de estudo e a matéria a ser estudada, sendo que a forma 
de ensinar adotada durante as aulas era ministrada por meio de exposições 
dos conteúdos. Nessa concepção, aos alunos cabia a memorização das lições, 
para posteriormente ditá-las oralmente para uma verificação do professor, a 
fim de averiguar a fidelidade dos dados com os conteúdos expostos (SILVEIRA 
RODRIGUES, 2006, p. 94).
Considerando a didática no contexto ora discutido, Veiga afirma que essa foi marcada pe-
las formas dogmáticas de pensamento contra o pensamento crítico. Privilegiavam o exercício da 
memória e o desenvolvimento do raciocínio VEIGA (1989, p. 26).
A respeito da Didática sob esta ótica, podemos buscar, também, Libâneo (1991), ao falar da 
disciplina Didática:
Considerando todas as nossas colocações a respeito da Didática na perspectiva tradicional 
liberal, ressaltamos que esta maneira de ensinar foi produzida por filósofos pedagogos como: 
Comênio, Rousseau, Herbart, cuja origem de suas ideias se encontra nas teses defendidas por Só-
crates e Platão na Grécia clássica, Santo Agostinho na Idade Média, e Descartes na Modernidade. 
Focada no intelecto, na essência, destina aos conteúdos uma caráter dogmático, cujos métodos 
são baseados nos princípios lógicos e universais.
De acordo com Veiga:
Desta forma o enfoque da Didática, a partir do ideário de Pedagogia Tradicio-
nal e Leiga, entende a atividade docente inteiramente autônoma em face de 
política, dissociada da educação na sociedade. Esta didática separa teoria e 
42
UAB/Unimontes - 3º Período
prática, sendo a prática vista como aplicação da teoria, e o ensino como forma 
de doutrinação (VEIGA, 1989, p. 44).
2.5.2 A didática norteada pela tendência pedagógica liberal 
renovada/humanista moderna
A continuidade de nosso diálogo implica pontuar, a partir da década de 30, os fundamentos 
filosóficos que alicerçam a didática nos princípios humanistas da escola nova.
Conforme afirmação anterior, precisamos ter claro que, mudando interesses políticos e so-
ciais, muda-se também a Didática adotada pelos professores para ensinar nas escolas. Assim, a 
Didática nesta perspectiva é norteada pela tendência pedagógica baseada em uma concepção 
de educação que nega o racionalismo, o cultivo da intelectualidade.
Sendo assim, é adotada no Brasil uma didática norteada pela tendência liberal renovada ou 
humanista moderna que, segundo Libâneo, por meio das ideias de Dewey e seus seguidores,
(...) reagem à concepção herbartiana da educação pela instrução, advogando 
a educação pela ação. A escola não é uma preparação para a vida; a educação 
é o resultado da interação entre o organismo e através da experiência e da re-
construção da experiência. (...) a atividade escolar deve centrar-se em situações 
de experiência onde são ativadas as potencialidades, capacidades, necessida-
des e interesses naturais da criança. O currículo não se baseia nas matérias de 
estudos convencionais que expressam a lógica do adulto, mas nas atividades e 
ocupações daquela vida presente, de modo que a escola se transforme num lu-
gar de vivência daquelas tarefas requeridas para a vida em sociedade. O aluno 
e o grupo passam a ser centro de convergência do trabalho escolar (LIBÂNEO, 
1991, p. 62).
Podemos entender que a Didática proposta por essa tendência fundamenta-se em uma 
concepção de educação cujas origens se encontram no pensamento empírico de Bacon e pode 
ser entendida de acordo com a lógica da corrente filosófica denominada fenomenologia, con-
cepção que defende que cada sujeito elabora seus conceitos de acordo com sua visão de mun-
do, que, por sua vez, depende dos interesses de cada indivíduo.
Sendo assim, a Didática é utilizada como meio de direcionar a aprendizagem, atribuindoao professor o papel de orientador que incentiva e controla a aprendizagem, que, por sua vez, é 
considerada como produto da ação prática da criança. Nessa ótica, Silveira Rodrigues afirma:
O ensino passa a ser considerado um processo de pesquisa empírica, que, com 
o discurso democrático, atribui ao professor um papel autoritário de quem 
controla a aprendizagem do aluno (SILVEIRA RODRIGUES, 2006, p. 203).
No que se refere à forma como a Didática é vista, na direção humanista moderna, como dis-
ciplina dos cursos de formação de professores, afirma Veiga:
A Didática, nesta concepção, é entendida como um conjunto de idéias e méto-
dos, privilegiando a dimensão técnica do processo de ensino, fundamentada 
nos pressupostos psicológicos e experimentais, cientificamente validados na 
experiência e construídos em teoria, ignorando o contexto sócio-político-eco-
nômico (VEIGA, 1989, p. 32).
Quanto à Didática utilizada para ensinar, proposta pela concepção humanista moderna, o 
professor necessita assumir a condição de orientador e, para isso, “ele” desce do tablado, descarta 
a palmatória e deixa de ser proprietário do conteúdo para ser aquele sujeito que controla o pro-
cesso ensino-aprendizagem por meio da escolha e aplicação de técnicas de ensino.
Enfim, no que se refere ao papel atribuído ao aluno, é o de sujeito da aprendizagem, que 
exerce atividades de investigador e tem liberdade de escolha, sendo constantemente ativo no 
decorrer do processo ensino-aprendizagem.
43
Pedagogia - Didática
2.5.3 A didática norteada pela tendência pedagógica tecnicista
Para continuarmos essas nossas reflexões, lembramos que, ao estudarmos a tendência pe-
dagógica tecnicista, enfocamos que, quando esta tendência pedagógica norteia a educação bra-
sileira, são realizados convênios entre Brasil e Estados Unidos, a fim de aperfeiçoar os professores 
do curso normal, ministrar aulas de forma técnica e ensinar aos futuros professores os princípios 
da tecnologia educacional importada.
Nessa direção, a Didática sustenta-se na concepção de neutralidade científica, cuja origem 
está nos princípios da racionalidade, indicando a produtividade e a eficiência.
Os professores ensinam por meio do uso de manuais técnicos e exercem a posição de ad-
ministradores que executam planejamentos, por meio de materiais instrucionais, livros didáticos 
descartáveis, utilizados para treinar os alunos por meio da repetição, tendo em vista a memoriza-
ção dos conteúdos, independentemente do contexto político-social no qual estão inseridos.
A Didática vivenciada atribui ao professor o papel de técnico, que organiza estratégias e 
transmite matérias, enquanto o aluno recebe e memoriza informações por meio do treino. A res-
peito desta didática, Silveira Rodrigues afirma que professores e alunos, 
exercem, pois, uma relação prática e instrumental, sem a possibilidade da rea-
lização de qualquer tipo de análise da prática pedagógica, do processo ensi-
no-aprendizagem, ou dos próprios instrumentos de treinamento utilizados 
por agentes do processo. Aqui é possível entender, conforme a concepção em 
questão, que a Didática é compatível com interesses de ordem econômica e 
política vigente. E, ainda, que foi imposta a professores e alunos de uma de-
terminada época. Criando, assim, uma cultura de postura Didática incorporada 
por estes mesmos agentes que, ainda hoje, são entendidos como uma discipli-
na do curso de formação de professores cujo objetivo é oferecer um receituá-
rio de estratégias de ensino, modelos de planos de aula, receitas para o “ensi-
nar bem” (SILVEIRA RODRIGUES, 2006, p. 116).
2.5.4 Didática norteada pela tendência pedagógica crítico- 
reprodutivista
Dialogaremos, aqui, a respeito da Didática à luz da pedagogia crítico-reprodutivista, confor-
me são denominadas por Saviani (1986), e que, segundo Veiga (1989), estas teorias, apesar de 
considerarem a educação a partir dos seus aspectos sociais, concluem que sua função primordial 
é a de reproduzir as condições sociais vigentes.
É importante enfatizarmos, também, que entendemos, segundo essa autora que, ao se em-
penhar em fazer a denúncia do caráter reprodutor da escola, há uma predominância dos aspec-
tos políticos, enquanto as questões didático-pedagógicas são minimizadas.
Assim, ponderamos que, no interior das escolas, professores, alunos e demais sujeitos inse-
ridos no contexto educacional assumem uma postura de denúncia. Ocupados em levantar ele-
mentos para denunciar, esses sujeitos acabam deixando o ensino dos conteúdos à margem. A 
educação em si fica em segundo plano, dando espaço às discussões dos problemas sociais. Nes-
sa perspectiva, Libâneo afirma:
Não tem uma proposta explícita de Didática, e muitos dos seus seguidores, en-
tendendo que toda didática resumir-se-ia ao caráter tecnicista, instrumental, 
meramente prescritivo, até recusam admitir o papel dessa disciplina na forma-
ção de professores. No entanto, há uma didática implícita na orientação do tra-
balho escolar, pois, de alguma forma, o professor se põe diante de uma classe 
com a tarefa de orientar a aprendizagem dos alunos. A aprendizagem é cen-
trada na discussão de temas sociais e políticos; poder-se-ia falar de um ensino 
centrado na realidade social, em que professores e alunos analisam problemas 
e realidades do meio socioeconômico e cultural, da comunidade local, com 
seus recursos e realidades (LIBÂNEO, 1991, p. 68).
Dessa forma, ao priorizar a organização de um espaço adequado para debates, discussões, 
os professores se colocam como mediadores de um debate.
Assim, podemos concluir que a Didática adotada pode ser configurada por técnicas e méto-
dos que possibilitam a interlocução dos sujeitos envolvidos no processo de denúncia que com-
põe o contexto escolar.
44
UAB/Unimontes - 3º Período
Os professores podem ser visualizados como articuladores da escolha de métodos e técni-
cas adequadas para criar um ambiente propício aos debates e denúncias e, ainda, como coorde-
nadores dos debates entre professores e alunos.
Nessa veia, compreendemos que, no processo de ensino, o conteúdo fica em segundo pla-
no. E, assim, ao mesmo tempo em que existe a intenção de denunciar, contraditoriamente, exis-
te o reforço de não fornecer aos alunos os elementos indispensáveis à superação da realidade 
denunciada. Entendemos que isso acontece quando não é privilegiado o ensino dos conteúdos 
indispensáveis à formação do aluno. A esse respeito, Libâneo ainda afirma:
O trabalho escolar não se sustenta, prioritariamente, nos conteúdos de ensino 
já sistematizados, mas no processo de participação ativa nas discussões e nas 
ações práticas sobre as questões da realidade social imediata. Nesse processo 
em que se realiza a discussão, os relatos de experiência vivida, a assembléia, a 
pesquisa participante, o trabalho de grupo, etc., vão surgindo temas gerado-
res que podem vir a ser sistematizados para efeito de consolidação dos conhe-
cimentos. É uma didática que busca desenvolver o processo educativo como 
tarefa que se dá no interior dos grupos sociais e por isso o professor é o coor-
denador ou animador das atividades que se organizam sempre pela ação con-
junta dele e dos alunos (LIBÂNEO, 1991, p. 68).
Assim sendo, entendemos que o professor utiliza, no decorrer das aulas, técnicas de ensino 
como: seminários, trabalhos em grupo, júri simulado. O professor se coloca como animador do 
processo de debates e, ainda, como aquele que suscita discussões colocando em evidência as 
contradições vivenciadas na realidade social do contexto em que a escola se encontra inserida. 
Quanto ao aluno, assume uma postura de denúncia de indignação em relação aos problemas 
sociais, ocupa-se muitas vezes de levantar documentários, reportagens, artigos, para serem di-
vulgados em forma de seminários em sala de aula.
Ressaltamos que as atividades dos alunos são compostas deorganização e apresentação 
de encenações teatrais, paródias, poemas, filmes, ou seja, artifícios que possibilitam a apresen-
tação de mensagens que suscitam a reflexão dos alunos e professores a respeito das temáticas 
que dizem respeito aos conteúdos das ementas das disciplinas e que representam os proble-
mas sociais.
Por meio desta Didática, os professores, em um clima de denúncia, caem na armadilha de 
contribuir com a distorção do seu papel de quem ensina, quem orienta, quem instrui, para assu-
mir a condição de quem anima, assiste e, consequentemente, de quem assume o papel de diver-
sos profissionais que se relacionam com trabalhos de assistência social e de saúde.
2.5.5 A didática norteada pela tendência pedagógica histórico- 
crítica
Pensar a Didática vista à luz da perspectiva da dialética histórico-crítica requer do professor 
a incumbência de problematizar as contradições políticas, econômicas e ideológicas encontra-
das na realidade social concreta, a fim de compreender os fatores implícitos e explícitos das vi-
vências dos sujeitos inseridos no contexto da sala de aula.
Dessa maneira, tornará possível compreender a dinâmica da supraestrutura, a fim de captar 
as origens dos problemas estudados e tornar possível interferir na direção da mesma realidade 
social.
Para Veiga, esta proposta de Didática encontra-se vinculada à necessidade da vivência de 
uma Didática
[...] que proponha mudanças no modo de pensar e agir do professor e que 
este tenha presente a necessidade de democratizar o ensino. Este é concebido 
como um processo sistemático e intencional de transmissão e elaboração de 
conteúdos culturais e científicos. É evidente que a Didática, por si, não é con-
dição suficiente para a formação do professor crítico. Não resta dúvida de que 
a tomada de consciência e o desvelamento das contradições que permeiam a 
dinâmica da sala de aula são pontos de partida para a construção de uma Didá-
tica crítica, contextualizada e socialmente comprometida com a formação do 
professor (VEIGA, 2000, p. 40).
45
Pedagogia - Didática
Nessa direção, professores, supervisores e alunos, enfim, os sujeitos inseridos no processo 
pedagógico planejam ações engajadas, a respeito dos problemas sociais diretamente relaciona-
dos com o conteúdo a ser ensinado.
E, assim, realizam momentos de análises buscando encontrar as origens do problema evi-
denciado, de forma a trabalhar, tendo como perspectiva, a transformação da realidade social, ob-
jetivando uma permanente mudança qualitativa da sociedade.
Nessa medida, a Didática do professor requer a elaboração constante de métodos necessá-
rios à vivência do ensino-aprendizagem por professores e alunos, de forma coerente com a bus-
ca de superação das condições contraditórias concretas existentes na realidade da sala de aula, 
espaço entendido como resultado de todo um complexo de tramas políticas vivenciadas no de-
correr da história a serviço de determinados interesses.
Nessa lógica, podemos citar Wachowicz, a fim de auxiliarmos a compreender que:
A Didática, ao ser posta pelo método dialético, vai tratar do ensino enquanto 
apropriação do saber, enquanto ação-trabalho que se passa em uma realidade 
específica que é, na maioria de suas expressões, a sala de aula (WACHOWICZ, 
1995, p. 41-42).
Precisamos, para vivenciar uma didática fundamentada na concepção histórico-crítica, de 
que professores e alunos deverão ter claro que precisam apropriar-se da prática social da reali-
dade vivenciada, a fim de elencar “conteúdos como instrumentos culturais para a apropriação do 
saber”.
Nessa direção, professores e alunos, por meio do pensamento, tomam posse dos problemas 
vivenciados na realidade social na qual se encontram inseridos.
Assim sendo, abstraindo tal realidade, realizam uma profunda reflexão a respeito dela, com 
um olhar alicerçado no senso crítico e constante acomodação entre a avaliação teórica e a práti-
ca que lhe corresponde. Segundo Silveira Rodrigues:
A Didática elaborada por esse prisma é entendida como um espaço de refle-
xões múltiplas por contradição e sobre as contradições não de simplesmente 
matérias estudadas teoricamente, como conteúdos curriculares. Trata-se de 
pensar acerca da realidade vivenciada por professores e alunos, no desenrolar 
do processo ensino-aprendizagem, a fim de compreender o seu “movimento” 
com a finalidade de interferir no curso do mesmo, em um sentido qualitativo, 
superando desta forma valores, saberes e viveres estabelecidos socialmente 
(SILVEIRA RODRIGUES, 2006, p. 141).
Agora que você já estudou sobre as tendências pedagógicas e didáticas adotadas nas rela-
ções de ensino-aprendizagem norteadas pelas tendências, convidamos você a refletir conosco 
na unidade III sobre o planejamento no contexto educacional.
Referências
COMÊNIO, J. A. A Didática Magna. Lisboa: Fundação Caoustre Gulbenkian, 1957.
GASPARIM, João Luiz. Uma didática para a pedagogia histórico-crítica. Campinas/SP: Autores 
Associados, 2007. 191p.
HAIDT, Regina Célia Cazaux. Curso de didática geral. São Paulo: Ática, 2003. 327p. 
LIBÂNEO. J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 1991.
ROMANELLI, O. O. História da educação no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1994. 
SAVIANI, Dermeval. escola e democracia. São Paulo: Cortez, 1986. 64p.
______. Pedagogia Histórico-Crítica: Primeiras Aproximações. 6. ed. Campinas, SP: Autores As-
sociados, 2006.
SILVEIRA RODRIGUES. Teoria Critica da Didática: contraposições epistemológicas possibilida-
des políticas e tendências atuais. Tese de doutorado – Campinas: UNICAMP, 2006.
46
UAB/Unimontes - 3º Período
VEIGA, Ilma Passos Alencastro (Coord.). Didática: o ensino e suas relações. 5. ed. Campinas, SP: 
Papirus, 2000. 183p.
_________ A Prática pedagógica do professor de Didática. Campina: Papirus 1989.
WACHOUVICZ, Lilian Anna. O método dialético na didática. Campinas: Papirus,1995.
47
Pedagogia - Didática
UnIDADe 3
Planejamento de ensino: 
importância e elementos 
estruturantes
Laura Maria Pinheiro Leão 
Liliane Campos Machado 
3.1 Introdução
Nesta unidade, dialogaremos com você sobre os elementos que compõem o planejamento 
de ensino, bem como sobre a importância de se planejar a ação educativa de forma consciente, 
considerando que o ato de planejar consiste na programação da materialização de uma intenção 
educativa, a fim de alcançar determinados objetivos.
Dessa forma, esclarecemos-lhe que estudar o planejamento de ensino implica possibilitar 
a compreensão de que ele é essencial à formação, bem como é essencial à atuação do professor 
no contexto da prática pedagógica.
Nessa perspectiva, vamos problematizar as condições históricas que produziram a neces-
sidade da prática de planejar o ensino por parte dos professores e, ainda, pensar a respeito de 
como vem sendo a postura do professor diante do ato de planejar o ensino, sem perdermos de 
vista as políticas que vêm norteando as ações de planejamento pelos sujeitos do processo edu-
cativo.
Ao falar a respeito do planejamento de ensino, Menegolla e Sant’Anna fazem a seguinte 
problematização:
Planejar ou não o ensino. Eis a questão que sempre repete a mesma história, 
sem que coisa alguma seja mudada. Planeja-se, projeta-se, prevê-se, realizam--
se reuniões, tomam-se decisões, que fielmente são registradas em atas e habil-
mente arquivadas, mas tudo fica por isso mesmo. A rotina se repete dia a dia, 
ano após ano. Esta parece ser a lamúria que prevalece na mente dos professo-
res, já cansados de tanto planejamento e de poucas mudanças no ensino e na 
escola. E a descrença herética se difunde, se propaga de geração em geração 
(MENEGOLLA; SANT’ANNA, 1992, p. 24).
Após mencionar as problematizações, essas autoras levantam algumas questões de forma a 
indagar a respeito dos motivos pelos quais se constata o descrédito e descaso entre os professo-
res em relação ao planejamentodo ensino. Desse modo, afirmam que reconhecem que às vezes 
chega ao ridículo pedagógico pensar a educação por intermédio do planejamento, por mais rea-
lista que seja, e levantam as seguintes questões:
Por que os professores vêem no planejamento uma ação desnecessária e, até 
mesmo, inútil em planejar? Por que sentem certa repulsa, relutância e resis-
tência em planejar? Quais seriam as causas que provocam esse fenômeno an-
ti-pedagógico em rejeitar a ação de planejar por parte de certos professores? 
Uma das causas não seria o superficial conhecimento e o pouco preparo que 
os professores possuem sobre o planejamento e a validade científica, pedagó-
gica e didática? Parece-nos que, algumas vezes, a rejeição ao ato de planejar 
reside no fato de que haja uma carência de objetivos claros e bem definidos 
sobre a importância de tal ato. Desse modo, os professores passam a perceber 
que os planejamentos a eles solicitados não passam de exigências burocráti-
cas ou de defesas de certos modismos pedagógicos. (MENEGOLLA e SANT’AN-
NA, 1992, p. 10).
48
UAB/Unimontes - 3º Período
Ao abordarmos a fala dessas autoras, a nossa intenção é alertar a respeito da importância 
do ato de planejar o ensino para o alcance dos objetivos almejados. Afinal, você já pensou como 
poderão ser os resultados de uma ação que não é planejada? Já pensou nas possibilidades de os 
resultados esperados nunca serem alcançados por meio das ações escolhidas para ir ao encontro 
deles?
É nessa direção que você precisa se conscientizar de que o planejamento de nossas ações, 
independentemente de quais sejam, deve ser objetivo, simples, possível e funcional. No que se 
refere ao planejamento educacional, mas especificamente do ensino, deve ser pensado como 
uma ação política, que direciona o caminho para a realização de determinadas intenções que se 
referem às atribuições do professor, na direção de preparar o homem para o enfrentamento dos 
problemas encontrados no decorrer da vida, objetivando aprender a viver melhor.
Diante do exposto, para deslancharmos essas reflexões propostas nessa etapa, precisamos 
lembrar que o ato de planejar é uma ação que o homem adota desde os tempos primitivos para 
agir, vencer ou superar obstáculos, como, por exemplo, pensar e criar estratégias para caçar, pes-
car, defender-se, etc. Para tal ação, fica evidente a necessidade do uso do pensamento a respeito 
do passado, presente e futuro. O ato de pensar pode ser entendido como um ato de planejar e 
tomar decisões das mais simples às mais complexas, no que diz respeito às questões como: o 
que fazer, como fazer, para que fazer, para quem fazer e, especialmente, por que fazer.
Portanto, planejar a educação e mais precisamente o ensino implica pensar: o que ensinar, 
para que ensinar, como ensinar, para quem ensinar e, especialmente, por que ensinar. Sendo as-
sim, alertamos que o planejamento de ensino é uma ação política, é movido por uma intenção, 
a serviço da necessidade de reconstrução do homem em dimensões sociais, pessoais, políticas e 
históricas. Devemos considerar, ainda, que esse ato envolve a racionalização do uso de recursos 
humanos ou não, a fim de alcançar objetivos que devem ser definidos de forma consciente na 
direção das escolhas do como fazer coerente com suas escolhas.
Nessa medida, num primeiro momento, discutiremos a respeito do planejamento de um sis-
tema educacional. Dando prosseguimento ao nosso estudo, discutiremos sobre planejamento 
escolar, plano curricular, plano de ensino e seus tipos. Depois, discutiremos, também, sobre pla-
no de unidade e plano de aula.
Enfim, realizaremos uma reflexão envolvendo as características dos planos de ensino, bem 
como os elementos que os compõem: objetivos, conteúdos, métodos, recursos didáticos e 
avaliação.
GLOSSÁRIO
Planejar: fazer previsão 
e decidir sobre o que 
pretendemos realizar; o 
que vamos fazer; como 
vamos fazer; o que e 
como devemos analisar 
a situação, a fim de 
verificar se o que pre-
tendemos foi atingido.
Plano: é o resultado, 
é a culminância do 
processo mental de 
planejamento, poden-
do ou não assumir uma 
forma escrita.
Figura 13: Esquema 
sobre o que é o 
planejamento
Fonte: Elaborado por Li-
liane Campos Machado, 
2012.
►
PARA SABeR MAIS
Como tornar impor-
tante e única cada 
atividade, cada tarefa, 
cada proposta para a 
vida de seu aluno?
49
Pedagogia - Didática
3.2 Planejamento de ensino: 
objetivos, métodos, recursos e 
avaliação
Conforme abordamos na introdução desse tópico, no que diz respeito ao planejamento es-
colar, há muito tempo ele tem sido questionado quanto à sua validade como efetivo instrumento 
qualitativo do trabalho do professor.
Ponderamos que tal fato pode ser consequência da realidade histórica vivenciada pelos do-
centes e demais sujeitos da educação em determinados momentos da história educacional des-
se país, que foram marcados pelas consequências dos interesses que impulsionaram as políticas 
educacionais vivenciadas especificamente em duas épocas da história, em que é enfatizada a im-
portância do planejamento educacional. Uma dessas épocas refere-se à década de 60 e a outra 
se localiza a partir do final da década de 1970.
A respeito da concepção de planejamento escolar na década de 1960, conforme afirma Lo-
pes, enfatizou-se a necessidade do planejamento como 
processo contínuo de organização racional do sistema educativo no que se 
refere à definição de objetivos, de recursos e de metas a serem alcançadas e 
avaliadas através de meios eficientes e eficazes, em prazos definidos. Como 
condição fundamental para garantir a produtividade da ação educativa, esta 
abordagem resultou da tendência tecnicista predominante da década de 60 
(LOPES, 2002, p. 72).
Nessa perspectiva, você precisa ter claro que a preocupação ao planejar o ensino é com a 
produtividade como produto eficiente e eficaz do trabalho docente. Tal proposta de planejamen-
to predomina na década de 1960, período em que a educação brasileira é influenciada pela ten-
dência tecnicista, conforme estudamos na unidade II deste caderno. Portanto, a prática de pla-
nejar a educação nesse momento se ocupa das preocupações oriundas do modelo técnico da 
educação, que se volta à instrumentalização, por meio do treino, para atender aos interesses de 
uma sociedade que busca o desenvolvimentismo econômico.
Outro modelo de planejamento predominante na realidade educacional brasileira é difun-
dido desde o final da década de 1970, com o objetivo de negar o modelo de planejamento edu-
cacional predominante anteriormente. Dessa forma, lembramos-lhe que a concepção crítica da 
educação era difundida por meio de debates, discussões; enfim, de críticas realizadas a respeito 
da realidade dogmática autoritária vivenciada no interior das escolas brasileiras.
Para entender melhor a prática de planejamento de acordo com essa visão, lançamos mão 
também do pensamento de Lopes para mostrar que o modelo de planejamento educacional, 
introduzido no interior da escola a partir do final da década de 70, significou a 
radical negação do processo de planejar a prática escolar. Tal negação foi resul-
tante da concepção que analisa e critica a educação escolar do ponto de vista 
da sua função de reproduzir as condições predominantes na sociedade estru-
turada segundo a dominação capitalista. Ao destacar a relação educação-so-
ciedade como pressuposto para compreensão da prática escolar, esta segunda 
tendência priorizou o enfoque sociológico, histórico e filosófico do processo 
educativo e desconsiderou (chegando até mesmo a descartar) qualquer abor-
dagem técnica do referido processo (LOPES, 2002, p. 72).
Diante das duas abordagens de planejamento apresentadas, você pode observar que uma 
se fundamenta no princípio da racionalidade, e a outra, em princípios postos pela teoria crítica 
originadapelas teorias da reprodução social que concebem a escola como aparelho ideológico 
do Estado.
Portanto, você pode perceber que, de acordo com a primeira perspectiva de planejamento 
educacional aqui abordada, demonstra-se uma total aceitação da racionalidade, de modelos pré-
determinados, por meio de textos, livro didático, etc. Já na outra perspectiva, podemos perce-
ber uma rejeição aos moldes da primeira perspectiva. Sendo assim, torna-se necessário rever tais 
posturas que direcionam as propostas de planejamento educacional predominantes no contexto 
escolar brasileiro.
PARA SABeR MAIS
Qual a importância 
política e pedagógica 
do planejamento de 
ensino?
50
UAB/Unimontes - 3º Período
Segundo Lopes, em uma perspectiva crítica da educação:
A questão do planejamento de ensino não poderá ser compreendida de ma-
neira mecânica, desvinculada das relações entre escola e realidade histórica. 
Em vista disso, os conteúdos a serem trabalhados através do currículo escolar 
precisarão estar estreitamente relacionados com a experiência de vida dos alu-
nos (LOPES, 2002, p. 44).
Logo, você precisa considerar que sabemos que, na prática pedagógica atual, é necessá-
rio ser repensado o processo de elaboração do planejamento, pois hoje os planejamentos são 
elaborados de forma a seguir orientações dos programas oficiais e dos livros didáticos, que, na 
maioria das vezes, desconsideram a realidade sociopolítica do contexto no qual vivem os alunos.
Diante do exposto, é preciso considerar que o ato de planejar não é neutro, porque o sujeito 
que planeja tem em vista determinada visão de mundo que, por sua vez, determina sua inten-
ção, ou melhor, sua política. De acordo com a ótica aqui apontada, você precisa levar em conta 
que as diretrizes adotadas em um determinado planejamento estão de acordo com a visão de 
mundo que fundamenta os interesses de quem planeja. Afinal, você age conforme pensa. E você 
pensa da maneira como concebe o mundo. E a maneira como você concebe o mundo vai depen-
der da sua história, da educação que recebeu no decorrer da sua vida.
Na sequência dessa reflexão acerca do planejamento, precisamos considerar que, além das 
duas perspectivas de planejamento que apresentamos, existe outra possibilidade de planeja-
mento que foi criada com a intenção de superar a visão de planejamento que norteia as que pre-
dominavam no contexto educacional brasileiro.
A partir de meados da década de 80, no bojo das reflexões acerca da elaboração da ten-
dência pedagógica norteada pela pedagogia histórico-crítica, o planejamento educacional é 
pensado nessa direção. Diante dessa realidade, pesquisadores brasileiros concebem que o pla-
nejamento educacional não pode ser pensado isoladamente por um professor, mas sim coletiva-
mente, no interior das escolas, considerando o contexto sócio-histórico vivenciado.
Você precisa ter claro que o planejamento educacional, alicerçado em uma ação pedagó-
gica histórico-crítica, é pensado por educadores-pesquisadores que defendem a ideia de que é 
necessário que o professor tenha ações emancipadas para administrar a relação educativa que 
ocorre na sala de aula e no interior da escola. Dessa forma, o planejamento deve ser pensado de 
forma articulada entre os professores, objetivando levar em conta a prática social no contexto no 
qual a escola se encontra inserida.
Gostaríamos de que você compreendesse que, sob essa ótica, o planejamento não é nortea-
do por uma lista de conteúdos, livro didático, nem é pensado objetivando atender aos interesses 
e necessidades apresentadas individualmente pelos alunos. Mas é pensado entre os professores 
que, articulados, procuram situar os conteúdos com a prática social dos alunos, com a finalidade 
de superar o enfoque que dicotomiza a relação teoria-prática.
A respeito do planejamento segundo essa visão, Lopes (2002, p. 51) afirma que, de acordo 
com essa vivência, "o trabalho pedagógico deverá estar voltado para o engajamento permanen-
Figura 14: Novos 
conhecimentos têm o 
poder de transformar a 
sociedade.
Fonte: Disponível em: <ale-
mdacivilizacao.blogspot.
com>
►
51
Pedagogia - Didática
te de todos os elementos envolvidos no pro-
cesso, cada um contribuindo dentro de suas 
potencialidades e limitações".
Em face do exposto, precisamos deixar 
claro que o ato de planejar com base nos fun-
damentos da lógica histórico-crítica é uma 
ação emancipada por parte do professor, o 
qual precisa iniciar o processo de planejamen-
to a partir da tomada de consciência do pa-
pel político que exerce. Para isso, é necessário 
saber: Planejar para quem? Em que contexto 
(s)? Qual o nível de conhecimento desse(s) sujeito(s)? Quais são suas necessidades? Conforme 
mencionamos, a tarefa de planejar deixa de ser uma ação meramente técnica, individualiza-
da e passa a ser como uma ação pedagógica essencial ao processo de ensino, superando sua 
concepção mecânica e burocrática no contexto do trabalho docente. Nesse quadro, ressaltamos 
que conceber o planejamento como uma ação política implica compreender que é necessário 
o professor assumir uma posição frente às contradições sociais encontradas no meio em que os 
alunos estão inseridos e em que eles produzem uma história de vida que não poderá ser ignora-
da pela escola; planejamento de ensino passa a ser concebido como uma ação política e torna-se 
uma expressão das condições, das necessidades e dos interesses predominantes na sociedade, 
através da forma de organizar o processo educativo, de definir os objetivos e as metodologias a 
serem adotadas, bem como a avaliação do ensino-aprendizagem no contexto do processo edu-
cacional.
Nessa perspectiva, professores e alunos produzem novos conhecimentos a partir da prática 
social à luz dos conteúdos científicos presentes nos currículos escolares, tendo em vista a supera-
ção das contradições encontradas, de forma a consolidar o seu poder de contribuir para a trans-
formação da realidade social em que vivem.
Diante do exposto, faz-se necessário enfatizar que, de acordo com essa tendência, a carac-
terização de momentos ou etapas no planejamento de ensino não deverá ser entendida como 
o desenvolvimento de partes distintas e estanques no processo de elaboração e vivência dele, 
pois, nessa direção, não é possível compartimentar uma ação que, por sua própria natureza, é 
contínua, dinâmica e globalizante e participativa.
Lembramos-lhe que Lopes (2002) ressalta que um planejamento participativo elimina a divi-
são de trabalho pedagógico existente na escola, ou seja, o trabalho de quem pensa e o trabalho 
de quem faz, pois a ação de planejar deve priorizar a busca da unidade entre teoria e prática, a 
partir da realidade concreta do aluno, da escola e do contexto, que diz respeito à prática social 
com o objetivo de atingir o fim mais amplo da educação.
É importante que você saiba que, no âmbito educacional, existem várias modalidade de pla-
nejamentos e, segundo Haidt (2003), são definidos conforme apresentamos a seguir.
3.3 Planejamento de um sistema 
educacional
Neste enfoque, o planejamento define a política educacional do país, estado e/ou municí-
pio. Tem como principal objetivo traçar diretrizes para a educação, de acordo com as conveniên-
cias das políticas vigentes em cada época da sociedade, de forma a delimitar prioridades e me-
tas, formas de atuação e calcular os custos necessários à realização das metas.
3.4 Planejamento escolar
A respeito do planejamento escolar, remetemo-nos, mais uma vez, a Haidt (2003), a fim de 
esclarecer que, segundo essa autora, este consiste no processo de tomada de decisão quanto aos 
▲
Figura 15: Cartaz do 
filme Entre os Muros da 
Escola, baseado no livro 
de François Begaudau. 
O planejamento 
participativo reflete 
participação na sala de 
aula.
Fonte: Disponível em: 
<http://ci.i.uol.com.br/
entre-les-murs-560--div.jpg>
52
UAB/Unimontes - 3º Período
objetivos a serem atingidos e à previsão de ações tanto pedagógicas como administrativas. Ele é 
o mais próximo da comunidade escolar, pois suas ações devem ser executadas por ela, prevendo 
o bom andamento da escola.
Além do que afirma essa autora, entendemos que ainda é necessário esclarecer que a ela-
boração de um planejamento escolar, para além da definição de metas, elaboração de objetivos 
e previsão de ações, implica a definição da política da escola que, por sua vez, traz implícita em 
si os interesses do grupo que a dirige. Nessa perspectiva, é necessário que os professores se ar-
ticulem de forma a criar condições para que o planejamento escolar seja realizado a partir dos 
interesses da comunidade escolar. É preciso que fique clara a visão de mundo que norteará o 
trabalho pedagógico proposto no planejamento. Esclarecemos que a prática de planejar nessa 
ótica torna-se uma prática emancipada e que as pessoas envolvidas no processo de planejamen-
to se posicionam como verdadeiros sujeitos da história da educação no contexto em que vivem.
Diante da postura acima mencionada, esclarecemos que cada escola tem a liberdade de 
criar o seu planejamento. Ressaltamos que é extremamente importante você saber que, quando 
falamos de modelo de planejamento, estamos falando de política, de intenções, de ideologias. 
Quando nos referimos ao modelo de gestão a ser definido e adotado pela direção, não estamos 
nos referindo apenas à estrutura de um planejamento escolar, estamos nos referindo a um posi-
cionamento que será expresso por meio de um esquema que pode seguir o modelo do esquema 
abaixo:
a. Sondagem e diagnóstico da realidade da escola para levantar dados atualizados sobre:
•	 Características da comunidade e da clientela escolar;
•	 Levantamento dos recursos humanos e materiais disponíveis;
•	 Avaliação das ações da escola no ano anterior: evasão, repetência, percentagem de apro-
vação, qualidade do ensino ministrado, dificuldades e problemas superados ou não supera-
dos.
b. Definição dos objetivos e prioridades da escola.
c. Proposta de organização geral da escola:
•	 Quadro curricular e carga horária dos diversos componentes do currículo;
•	 Calendário escolar;
•	 Critérios de enturmação dos alunos;
•	 Definição do sistema de avaliação, contendo normas para a adaptação, recuperação, reposi-
ção de aulas, compensação de ausência e promoção dos alunos.
d. Elaboração de plano de curso contendo as programações das atividades curriculares.
e. Elaboração do sistema disciplinar da escola com a participação de todos os membros da es-
cola, inclusive do corpo discente.
f. Atribuição de funções a todos os participantes da comunidade escolar: direção, corpo do-
cente, corpo discente, corpo administrativo e equipe pedagógica.
3.5 Plano curricular
Ele define os objetivos educacionais no nível da escola, diz respeito a toda vida escolar, já 
que não se entende por currículo apenas o conteúdo das áreas do conhecimento da escola, mas 
a própria dinâmica da ação escolar. Prevê os diversos componentes curriculares que serão de-
senvolvidos ao longo do curso, como a definição dos objetivos gerais e previsão dos conteúdos 
programáticos de cada componente.
Ao elaborar o plano curricular, deve ser definido, de forma clara e precisa, a concepção filo-
sófica que vai nortear os fins e objetivos da ação educativa.
3.6 Plano de ensino
Este plano traduz todos os objetivos visando à ação dentro da sala de aula. Incorpora refle-
xões sobre a prática pedagógica, as experiências positivas, as falhas, as mudanças de rumo, os 
achados, o significado das experiências vividas. É de competência e responsabilidade direta do 
professor por ser o responsável pela prática educativa dentro da sala de aula.
53
Pedagogia - Didática
Carvalho afirma:
Os planos devem ser pessoais. Precisam retratar a personalidade do professor, 
suas concepções individuais, sua capacitação profissional. Planos elaborados 
por outros, ou mesmo em equipe de educadores, poderão ser consultados 
como fonte de idéias, mas nunca deveremos copiá-los. Todo trabalho didático 
tem que ser criativo jamais repetitivo (CARVALHO, 1973, p. 87).
Ao organizar o plano de ensino, cabe ao professor:
•	 Definir sua intenção educativa;
•	 Posicionar-se frente à concepção filosófica que direciona o trabalho proposto no planeja-
mento escolar;
•	 Identificar a prática social do aluno, conforme apresentado na proposta de projeto de traba-
lho em uma visão histórico-crítica;
•	 Elaborar objetivos educacionais considerando suas intenções educativas;
•	 Selecionar e estruturar os conteúdos que serão trabalhados, distribuindo-os ao longo do 
tempo disponível para seu desenvolvimento;
•	 Prever e organizar os procedimentos metodológicos, bem como as atividades mais adequa-
das para alcançar os objetivos propostos.
•	 Selecionar recursos de ensino mais adequados e disponíveis;
•	 Definir procedimentos de avaliação mais condizentes com os objetivos propostos.
3.6.1 Tipos de planos de ensino
a. Plano de Curso: Envolve a previsão de todas as atividades que serão desenvolvidas durante 
um determinado período de tempo (bimestre, semestre ou ano).
Segundo Haidt (2003, p.101), geralmente, o plano de curso deve:
•	 Levantar dados sobre as condições dos alunos, fazendo uma sondagem inicial;
•	 Propor objetivos gerais e definir os objetivos específicos a serem atingidos durante o período 
letivo estipulado;
•	 Indicar os conteúdos a serem desenvolvidos durante o período;
•	 Estabelecer as atividades e procedimentos de ensino-aprendizagem adequados aos objetivos 
e conteúdos propostos;
•	 Selecionar e indicar os recursos a serem utilizados;
•	 Escolher e determinar as formas de avaliação mais coerentes com os objetivos definidos e os 
conteúdos a serem desenvolvidos.
b. Plano de Unidade: É uma especificação maior das unidades que compõem o plano de curso.
São organizadas quantas aulas forem necessárias para estudar uma unidade e subunidades 
com vários assuntos correlatos.
c. Plano de Aula: É a concretização dos planos de curso e de unidade no dia a dia da sala de 
aula.
Uma variedade de modelos de planos é colocada ao alcance do professor, mas é importante 
que esteja adequado aos alunos, que seja executado pelo professor o que foi planejado e que não 
seja apenas um documento a mais para o arquivo do coordenador pedagógico.
3.6.2 Características dos planos de ensino
a. Coerência e unidade: É a conexão entre objetivos e meios, pois os meios devem ser adequa-
dos para atingir os objetivos propostos.
b. Continuidade e sequência: É a previsão do trabalho de forma integrada do começo ao fim, 
garantindo a relação existente entre as várias atividades.
c. Flexibilidade: É a possibilidade de reajustar o plano, adaptando-o às situações não previstas. 
O plano deve satisfazer os interesses e as necessidades dos alunos, sem se afastar dos pontos 
essenciais a serem desenvolvidos.
d. Objetividade e funcionalidade: Consiste em levar em conta a análise das condições da rea-
lidade, adequando o plano ao tempo, aos recursos disponíveis e às características do aluno. 
Assim, os conhecimentos que serão trabalhados e assimilados devem atender aos interesses e 
necessidades dos alunos de forma funcional, efetiva e prática.
54
UAB/Unimontes - 3º Período
e. Precisão e clareza: Devem apresentar uma linguagem simples e clara – os enunciados devem 
ser exatos e as indicações precisas–, pois não podem ser objeto de dupla interpretação.
Salientamos que o planejamento de ensino não deve ser apenas uma formalidade, que vise 
apenas à elaboração de um plano vazio e sem sentido para satisfazer uma exigência burocrática.
Assim, a elaboração de um planejamento de ensino envolve: objetivos, conteúdos, procedi-
mentos didáticos, recursos de ensino e avaliação, os quais serãodetalhados nos próximos itens.
3.6.3 Elementos de um planejamento de ensino
Para pensarmos um pouco a respeito do planejamento de ensino, implica considerarmos 
que o professor, frente à demanda desta atividade, é desafiado no dia a dia do seu trabalho a se-
lecionar os elementos do planejamento que contribuam com conhecimentos capazes de trans-
formar o sujeito para atuar na sociedade.
Para que o ensino dos conteúdos proceda, é necessário que o planejamento seja reelabo-
rado objetivando a produção de novos conhecimentos. Assim, o resultado dessa relação dialé-
tica será a mudança de atitude e, consequentemente, a busca da aplicação dos conhecimentos 
aprendidos sobre a realidade no sentido de transformá-la.
PLAnO De enSInO
CENTRO DE
CURSO:
DISCIPLINA: DEPARTAMENTO: 
PROFESSOR:
Período C/Horária Semanal C/Horária Total Semestre/Ano Letivo
 Teórica Prática
eMenTA
OBJETIVOS
Geral:
Específicos:
COnTeÚDO PROGRAMÁTICO
Unidade I 
Unidade II 
Unidade III 
MeTODOLOGIA De enSInO
ReCURSOS DIDÁTICOS
PROCeDIMenTOS De AVALIAÇÃO
Aspectos a serem avaliados:
Instrumentos de avaliação (especificar créditos por instrumento de avaliação)
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
BIBLIOGRAFIA COMPLeMenTAR
Figura 16: Roteiro de um 
Plano de Curso. 
Fonte: Universidade Esta-
dual de Montes Claros
►
55
Pedagogia - Didática
3.6.3.1 Objetivos de ensino
Continuaremos nosso estudo com uma reflexão acerca dos objetivos de ensino. Para rea-
lizarmos essa reflexão, não podemos deixar de considerar que os objetivos educacionais assu-
mem diferentes formas de elaboração, de acordo com as tendências e os fins da educação, aten-
dendo a interesses e intenções educativas a favor de quem os define. É importante você lembrar 
que no Brasil vivemos períodos históricos bem distintos que demarcaram interesses e a intenção 
educativa de cada época, porque a educação não pode ser entendida fora do contexto social em 
que se encontra inserida. Tais colocações encontram fundamentos nas palavras de Castanho e 
Castanho (2001, p. 53) que afirmam: “a educação só pode ser entendida no contexto das relações 
sociais de que nasce”. Cabendo aos pedagogos e professores terem clareza das metas que pre-
tendem perseguir ao definirem os objetivos, reformulá-los, avaliá-los e reavaliá-los. Assim, veja-
mos as questões:
•	 Objetivos para atender a que interesses?
•	 Objetivos para atingir quais instâncias sociais?
•	 Quais os tipos de objetivos educacionais mais adequados?
Você precisa ter claro que, ao definir os objetivos do planejamento, o professor estará tra-
çando a metodologia, os recursos e o processo de avaliação do trabalho pedagógico, porque os 
objetivos se referem à busca de concretização de uma intenção. E, para tal, é necessária a realiza-
ção de ações e a utilização de recursos adequados ao ensino dos conteúdos das disciplinas pre-
vistas, de forma que permitam práticas adequadas à realização da direção proposta.
Você precisa ter claro que, na definição dos objetivos, tendo em vista um processo de ensi-
no transformador, será essencial considerar o nível de aprendizagem a ser atingido, a aquisição, 
a reelaboração dos conhecimentos aprendidos e a produção de novos conhecimentos. Para tan-
to, como afirma Lopes (2002, p. 47), “os objetivos deverão expressar ações, tais como a crítica, a 
curiosidade científica, a investigação e a criatividade”.
Lembramos-lhe, também, que, para Castanho e Castanho (2001), os objetivos da educação 
são resultados da ação dos comportamentos individuais e sociais, das instituições dedicadas ao 
ensino e das organizações responsáveis por políticas educacionais.
Ressaltamos que há muitos nomes para os objetivos, mas o importante é apreender de fato 
o que significa um objetivo para a vida do aluno e do professor. Castanho e Castanho (2001, p. 
59) chamam a atenção para “a preocupação exagerada com a definição de objetivos que possam 
ser previstos, observados, medidos, comparados pode levar o professor a pensar que só esses 
objetivos podem ser ensinados”.
Castanho e Castanho (2001, p. 58) propõem uma classificação para objetivos:
a. Objetivo técnico: Corresponde a uma intenção instrumental de propiciar conhecimentos 
enraizados nas ciências naturais e visar ao controle da natureza.
b. Objetivo consensual: Corresponde a uma intenção comunicativa, reconhece os obstáculos 
existentes entre os homens; a partir da reflexão crítica, clareia as ideias.
c. Objetivo político-cultural: Proporciona meios para uma inserção lúcida na prática social. 
Corresponde à intenção emancipatória de, pela articulação entre o conhecimento e a reali-
dade, libertar-se do domínio de todo poder externo a si mesmo, da natureza, da sociedade 
interiorizada consciente e inconscientemente em ambos.
◄ Figura 17: Precisão dos 
objetivos de Ensino
Fonte: Disponível em: 
<http://meusregistros.
pbworks.com/f/grav. jpg>
56
UAB/Unimontes - 3º Período
d. Castanho e Castanho (2000), ao proporem o quadro de objetivos educacionais e de inten-
ções educativas, propõem também uma ação libertadora. Propõem objetivos técnicos que 
correspondem a uma intenção educativa instrumental por acreditarem que não se pode 
desvinculá-los da situação real da sociedade, em que as técnicas são postas a serviço do 
modo de produção que gera a opressão. O objetivo técnico não pode estar ausente do pla-
nejamento educacional, mas deve marcar o espaço da intenção emancipatória. Segundo 
Castanho e Castanho:
Da mesma maneira, a formulação de objetivos consensuais não significa es-
quecer as desigualdades, apagar as diferenças, suprimir os conflitos da reali-
dade social. Ao contrário, a intenção educativa comunicativa se expressa com 
mais vigor quando identifica, descreve e reflete sobre os obstáculos ao enten-
dimento humano (CASTANHO E CASTANHO 2001, p. 59).
Assim, futuro professor, ao definir os objetivos educacionais, deve estar atento aos interes-
ses envolvidos e ao tipo de objetivo mais adequado e quais instâncias sociais pretende atingir. 
Falando de objetivos, Gasparim afirma:
Considerando que o processo pedagógico escolar é intencional, ele precisa ser 
orientado pela previsão do que se pretende alcançar. Tanto o professor como 
os alunos devem ter claro o que se procura atingir com o trabalho docente-dis-
cente, tornando significativa a aprendizagem do conteúdo e a ação do profes-
sor (GASPARIM, 2007, p. 27).
Esclarecemos que, para a formulação dos objetivos, Gasparim (2007) considera dois elemen-
tos básicos:
•	 O que estudar, que evidencia o conteúdo a ser aprendido, apropriado intelectualmente 
pelo aluno e
•	 Para que estudar, que explica a finalidade da aquisição do conteúdo e a ação do professor.
Os objetivos podem ser classificados de duas maneiras:
Geral: Apresenta aos alunos a perspectiva do que se espera deles ao término do estudo da 
unidade ou do projeto de trabalho.
específicos:
•	 Apresenta aos alunos a perspectiva do que se espera deles ao término de cada atividade ou 
ação realizada no estudo de uma unidade ou de um projeto de trabalho.
•	 Podem ser tantos quantos forem necessários para realizar o objetivo geral proposto.
Para facilitar sua compreensão, vamos colocar neste espaço alguns objetivos, segundo Gas-
parim (2007).
Exemplos de verbos que podem ser usados nos objetivos:
Analisar, anotar, aplicar, aprender, avaliar, calcular, citar, conceituar, comparar, compor, com-
preender, conhecer, criticar, debater, definir, desafiar, discutir, descrever, desvelar, diferenciar, 
discriminar, distinguir, dominar, elaborar, entender, esclarecer, escolher, escrever, esquematizar, 
exemplificar, explicar, formular, julgar, identificar, inferir, interpretar, justificar, ler, localizar, obser-
var, ordenar, planejar, possibilitar, preservar, problematizar, produzir, refletir, registrar, relacionar, 
resolver, responder, resumir, selecionar,sensibilizar, utilizar, verificar.
3.6.3.2 Conteúdos de ensino
Agora vamos dialogar um pouco a respeito da seleção e organização dos conteúdos. Para 
conversarmos a respeito desse assunto como processo pedagógico, precisamos considerar a ne-
cessidade de um resgate histórico das abordagens da Didática para se tornar possível pensar a 
questão: A quem compete a seleção e organização dos conteúdos escolares? Diante dessa ques-
tão, não podemos esquecer que as orientações para escolha dos conteúdos assumem diferentes 
formas, conforme as várias tendências pedagógicas construídas historicamente.
Exemplo: 
Conteúdo: Água
57
Pedagogia - Didática
Objetivo geral:
•	 Aprender o conteúdo água em suas diversas dimensões, a fim de adquirir um novo conceito 
e uma consciência crítica sobre o tema, assumindo um compromisso efetivo de uso adequa-
do da água.
Objetivos específicos:
•	 Conhecer cientificamente a água para distingui-la de outros líquidos usados na vida cotidiana.
•	 Conhecer os processos de transformação dos estados físicos da água, a fim de entender 
como o homem os utilizou e os utiliza cientificamente em seu benefício.
•	 Entender a água como um elemento socionatural em suas dimensões econômica, política, 
social, religiosa e histórica, para criar uma consciência crítica sobre o seu uso pelo homem.
•	 Analisar o ciclo da água, buscando compreender a influência sobre o homem e a agricultura.
•	 Aplicar os conhecimentos adquiridos e com isso economizar água e não poluir os rios, as 
fontes.
•	 Verificar o nível de poluição dos rios próximos à cidade, à escola, a fim de encaminhar às au-
toridades competentes sugestões para o saneamento.
Considerando as colocações que apresentamos no parágrafo anterior, a respeito da relação 
que existe entre a seleção dos conteúdos e as tendências pedagógicas, ressaltamos que, se nos 
ativermos à tendência pedagógica tradicional, poderemos dizer que a escolha e a organização 
dos conteúdos são tidos como, segundo afirma Martins (1999, p. 67), “transmissão de conheci-
mento que deve ser rigorosamente lógico, sistematizado e ordenado, expressando ‘verdades’ 
que pairam sobre a sociedade e os indivíduos”. Assim, são enfatizados na transmissão do saber 
acumulado historicamente. Segundo Gasparim:
Muitas críticas são feitas à escola tradicional, considerada mera transmissora 
de conteúdos estáticos, de produtos educacionais ou instrucionais prontos, 
desconectados de suas finalidades sociais. Se isto é verdade, deve-se lembrar 
que a escola, em cada momento histórico, constitui uma expressão e uma res-
posta à sociedade na qual está inserida. Neste sentido, ela nunca é neutra, mas 
sempre ideológica e politicamente comprometida. Pode ser que a escola, hoje, 
não esteja acompanhando as mudanças da sociedade atual e por isso deva ser 
questionada, criticada, modificada para enfrentar os novos desafios. Se, por 
exemplo, a aprendizagem dos conteúdos por parte dos alunos nos significou, 
por muito tempo, um requisito para se obter uma boa nota numa prova ou 
exame a ser promovido, agora uma nova dimensão deve ser considerada: qual 
a finalidade social dos conteúdos escolares? (GASPARIM 2007, p. 2).
Para continuar nossa reflexão, remetemo-nos agora à tendência pedagógica escolanovista 
ou humanista moderna, que, como já estudamos na segunda unidade, em sua teoria, a Escola 
Nova valoriza a redescoberta do conhecimento a partir da atividade do aluno, do processo de ele 
aprender o conteúdo.
▲
Figura 18: Sala de aula 
tradicional
Fonte: Disponível em: 
<aprendizadocontinuo.
blogspot.>
◄ Figura 19: Anísio 
Teixeira, educador 
representante da Escola 
Nova
Fonte: Disponível em: 
<http://anjospelapaz.zip.
net/images/anisioteixei-
ra_n7.jpg>
58
UAB/Unimontes - 3º Período
Diante da lógica escolanovista, precisamos ter claro que os conteúdos são escolhidos e or-
ganizados com base na manifestação dos interesses dos alunos, com o intuito de atender às dife-
renças individuais e levar em conta as manifestações das representações presentes no ambiente 
onde a criança reside.
Ao voltarmos nossas atenções para a ten-
dência pedagógica tecnicista, consideramos 
que, nessa tendência, a educação centra-se na 
instrução por meio do treino. Podemos obser-
var que nela a ênfase está nas informações es-
pecíficas e objetivas, cientificamente ordena-
das, tendo em vista a produtividade. O aluno 
é preparado para ser capaz de desempenhar 
bem no trabalho, em testes ou exames.
Dessa forma, a seleção, bem como a organização dos conteúdos, não compete ao professor, 
pois ele já os recebe organizados, padronizados, por meio dos manuais e livros didáticos, o que 
justifica serem treinados para decodificar e aplicar as atividades previstas. Cabe ao professor ape-
nas a atividade prática que se refere à aplicação da teoria produzida por especialistas distantes 
da realidade do cotidiano escolar.
No que se refere às teorias progressistas, podem ser consideradas várias tendências, como a 
necessidade de transmissão competente do saber acumulado pela humanidade e a redefinição 
dos conteúdos a partir de um determinado ponto de vista de classe, em que alguns conteúdos 
são mais verdadeiros e, ainda, os que acreditam na sistematização coletiva do conhecimento a 
partir de problemas postos pela prática social.
Numa perspectiva histórico-crítica de educação, como afirma Gasparim:
O processo pedagógico deve possibilitar aos educandos, através do processo 
de abstração, a compreensão da essência dos conteúdos a serem estudados, a 
fim de que sejam estabelecidas as ligações internas específicas desses conteú-
dos com a realidade global, com a totalidade da prática social e histórica (GAS-
PARIM, 2007, p. 7).
Dessa forma, fica evidente que na definição dos conteúdos curriculares é necessário levan-
tar a prática social dos alunos para que os conteúdos não sejam trabalhados como se fossem dis-
tintos da realidade deles. E, assim, promover um ambiente de aprendizagem significativa e uma 
prática docente, também significativa, que não separe pensamento e vida, teoria e prática, o que 
é confirmado por Gasparim, quando cita Freire Campos, ao dizer:
O ensino deve sempre respeitar os diferentes níveis de conhecimento que o 
aluno traz consigo à escola. Tais conhecimentos exprimem o que poderiam 
chamar de a identidade cultural do aluno – ligada, evidentemente, ao concei-
to sociológico de classe. O educador deve considerar essa ‘leitura de mundo’ 
inicial que o aluno traz consigo, ou melhor, em si, ele forja-a no contexto do 
seu lar, de deu bairro, de sua cidade, marcando-a fortemente com sua origem 
social (GASPARIM, 2007 apud FREIRE CAMPOS, 1991, p. 5).
Contudo, salientamos a importância de os professores terem consciência da realidade e dos 
interesses dos alunos para evitar o distanciamento destes com o conteúdo, situação bem dife-
rente da que vem acontecendo hoje nas nossas escolas. Quanto aos conteúdos programáticos 
que são obrigados a desenvolver, os professores lamentam a distância entre conteúdo e interes-
se dos alunos. Para o pleno desenvolvimento do aluno, são priorizados aspectos irrelevantes em 
detrimento dos essenciais.
Lembramos, ainda, que, na prática cotidiana, na maioria das vezes, o professor não participa 
da seleção dos conteúdos que irá trabalhar com seus alunos, pois estes são definidos no plano 
curricular da escola e/ou nos livros didáticos por especialistas, entregues, de forma dosada, para 
o professor trabalhar na semana, no mês ou no ano. Assim, nas palavras de Lopes:
Os conteúdos a serem estudados, como já fazem parte do currículo escolar 
previamente estruturado, deverão passar por uma análise crítica, com vistas à 
identificação daquilo que representa o essencial e o que representa o secundá-
rio a ser aprendido (LOPES, 2001, p. 47).
Figura 20: Conteúdos 
Tecnicistas
Fonte: Disponívelem: 
<professorarosangela.
zip.net>
►
DICA
Para saber mais sobre 
Métodos de Ensino, leia:
HAIDT, Regina Célia Ca-
zaux. Curso de didática 
geral. São Paulo: Ática, 
2003. 327p.
DÍAZ BORDENAVE, Juan; 
PEREIRA, Adair Martins. 
Estratégias de ensino 
aprendizagem. 26 ed., 
Petrópolis/ RJ: Vozes, 
2004.1312p.
MASETTO, M. T. Media-
ção pedagógica e o uso 
da tecnologia. In: MO-
RAN, J.M.; MASETTO, M. 
T. e BEHRENS, M. Novas 
tecnologias e mediação 
pedagógica. Campinas: 
Papirus, 2000.
59
Pedagogia - Didática
Neste estudo, podemos ainda lembrar que, dependendo do interesse de quem planeja a 
educação, o processo de seleção e organização dos conteúdos pode ser caracterizado de ma-
neiras diferentes. Nesse caso, atendendo à referência bibliográfica proposta para esse conteúdo, 
podemos citar as palavras de Haidt (2003) quando diz que existem duas modalidades de organi-
zação do conteúdo, de acordo com o seu nível de operacionalização. Vejamos:
a. Programa escolar oficial: É o guia que traça em linhas gerais os fins e os conteúdos da ação 
educativa. Em geral, é elaborado no nível de sistema oficial de ensino e visa dar uma unida-
de ao trabalho do professores de uma determinada rede de escolas de um estado ou muni-
cípio.
b. Programa pessoal de cada professor: É o plano de ensino de cada professor, em que são 
operacionalizados os objetivos e os conteúdos da ação educativa, de acordo com o nível de 
desenvolvimento e com as aprendizagens anteriores dos alunos.
Haidt (2003) afirma, ainda, que a seleção dos conteúdos deve se basear nos seguintes crité-
rios:
a. Validade: Os conteúdos devem estar adequados e vinculados aos objetivos propostos. São 
válidos quando há uma atualização dos conhecimentos do ponto de vista científico. O edu-
cador precisa fazer ajustes na sua programação incorporando os conhecimentos mais atua-
lizados da ciência.
b. Utilidade: Quando há possibilidade de aplicar o conhecimento adquirido em situações no-
vas. São considerados úteis quando estão adequados às exigências e condições do meio em 
que os alunos vivem, satisfazendo suas necessidades e expectativas, e quando têm valor 
prático para eles, ajudando-os na vida cotidiana a solucionar seus problemas e a enfrentar 
as situações novas.
c. Significação: Um conteúdo será significativo e interessante para o aluno quando estiver re-
lacionado às experiências por eles vivenciadas.
d. Adequação ao nível de desenvolvimento do aluno: O conteúdo deve respeitar o grau de 
maturidade intelectual do aluno e estar adequado ao nível de suas estruturas cognitivas. 
Devem corresponder às aprendizagens essenciais e desejáveis, contribuindo para o desen-
volvimento das potencialidades do aluno, de acordo com sua fase evolutiva e com os inte-
resses que o impelem à ação.
e. Flexibilidade: O critério estará sendo atendido quando houver possibilidade de fazer alte-
rações nos conteúdos selecionados, suprimindo itens ou acrescentando novos tópicos, a fim 
de ajudá-los ou adaptá-los às reais condições, necessidades e interesses do grupo de alunos.
Além disto, para a mencionada autora, o aluno deve ter oportunidade de elaboração 
pessoal do conteúdo trabalhado, operar intelectualmente o conteúdo aprendido, fazendo as-
sociações e comparações, relacionando e integrando os novos elementos aos já assimilados, 
pesquisando e organizando novas informações, selecionando alternativas e avaliando ideias. 
Assim, o aluno estará construindo, ou melhor, reconstruindo o conhecimento.
◄ Figura 21: Matrizes 
Curriculares da 
Secretaria Municipal 
de Educação de 
Montes Claros
Fonte: Arquivo Pessoal de 
Rose Mary Ribeiro, 2009.
60
UAB/Unimontes - 3º Período
3.6.3.3 Métodos de ensino
Dedicaremos também um espaço deste estudo à reflexão a respeito da escolha dos procedi-
mentos de ensino, devendo levar em consideração que escolher métodos implica escolher cami-
nhos a seguir e que escolhê-los depende da visão de mundo de quem escolhe. Ou seja, você age 
de uma forma porque pensa de uma forma que lhe orienta a agir como tal. Escolher métodos 
implica definir formas de agir.
Metodologia de ensino
Esclarecemos-lhe que pensar os métodos e técnicas de ensino implica levar em conta que 
eles não são neutros, pois estão baseados em pressupostos teóricos implícitos, que determinam 
a prática docente e suas intenções ao escolher os métodos que serão utilizados na sala de aula. 
Além disso, sua escolha e aplicação dependem dos objetivos propostos.
Recomendamos que, ao escolher um procedimento de ensino, o professor deva considerar 
os seguintes aspectos básicos:
a. adequação aos objetivos estabelecidos para o ensino e a aprendizagem;
b. a natureza do conteúdo a ser ensinado e o tipo de aprendizagem a efetivar-se;
c. as características dos alunos: faixa etária, o nível de desenvolvimento mental, o grau de inte-
resse, suas expectativas de aprendizagem;
d. as condições físicas e o tempo disponível.
É a partir desses critérios que se estabelece o como ensinar, isto é, que se definem as formas 
de intervenção na sala de aula para ajudar o aluno no processo de reconstrução do conhecimento.
Alertamos, ainda, que estamos de acordo com Gasparim (2007) quando esse autor chama 
atenção para as técnicas convencionais de ensino que existem há muito tempo e que são de 
grande importância para a mediação pedagógica. São processos ativos que possibilitam o con-
tato entre o conteúdo e os alunos na realização da aprendizagem. Nesse momento, o que conta 
é a capacidade de o professor selecionar procedimentos eficientes que provocam o interesse do 
aluno em participar das atividades propostas.
Destacamos, também, que Gasparim (2007, p.111), apud MASETTO (2000, p.146-163), classi-
fica os procedimentos dinâmicos, em três grupos:
1º Grupo: Técnicas de apresentação simples, apresentação cruzada em duplas, tempestade 
cerebral e outras. Geralmente, são usadas no início de um curso para entrosamento do grupo, 
em que os membros comecem a estabelecer um clima agradável de trabalho, de aprendizagem 
individual ou de grupo.
2º Grupo: Técnicas de simulação, como: dramatização, desempenho de papéis, jogos de 
empresa, estudo de caso, etc., as quais desafiam o educando a buscar soluções para problemas, 
analisar variáveis que afetam uma situação, preparando-o para enfrentar situações reais.
3º Grupo: Técnicas que põem o aluno em contato direto com situações reais. São os está-
gios, excursões, aulas práticas, visitas a locais, como: indústrias, escolas, empresas, consultórios, 
escritórios, fórum, etc. São excelentes meios para verificar a concordância ou a divergência entre 
teoria e prática. A própria realidade torna-se mediadora da aprendizagem.
Todas as dinâmicas de grupo
Atos didático-pedagógicos: exposição dialogada, leitura do mundo, leitura orientada de tex-
tos selecionados, trabalhos em grupo, pesquisa sobre o tema, seminário, entrevistas, palestras, 
análise de vídeos ou filmes, discussões, debates, observação da realidade, painel integrado, tra-
balhos individuais, trabalhos em laboratório ou experimentais, demonstração, tarefa de assimi-
lação de conteúdo, tarefa de elaboração pessoal, grupo de verbalização e grupo de observação, 
uso de recursos audiovisuais, ensino com pesquisa.
61
Pedagogia - Didática
3.6.3.4 Recursos de ensino
Você não pode se esquecer de que abordar sobre recursos didáticos implica pensar nas pos-
sibilidades de materiais que auxiliam no processo ensino-aprendizagem, provocando o interesse 
dos alunos e facilitando a participação destes durante as aulas.
Ao selecionar os recursos, você deve ter em vista os objetivos propostos no planejamento e 
verificar se estão condizentes com o conteúdo e com a natureza da matéria que será trabalhada.
Para garantir a eficácia do recurso didático, você deve também conhecer a sua aplicabilida-
de e funcionalidade,tendo o cuidado de testá-lo com certa antecedência, evitando, assim, a im-
provisação. Deve, ainda, verificar as condições do ambiente, uma vez que o funcionamento ade-
quado de alguns recursos depende de que a sala tenha disponíveis: tomadas de energia elétrica, 
ausência de claridade, espaço suficiente para realização da atividade.
Ao planejar as atividades, você deve prever, com cuidado, o tempo disponível para a utiliza-
ção dos recursos para sua realização. Quando necessário, buscar alternativas com os alunos e até 
mesmo com outros professores e com outros funcionários da escola.
O professor Nélio Parra, citado por Haidt (2003, p. 236), classifica os recursos didáticos divi-
dindo os materiais auxiliares do ensino-aprendizagem em três categorias, de acordo com o senti-
do para o qual se dirigem:
•	 Recursos visuais, que apelam apenas à visão;
•	 Recursos auditivos, que se dirigem somente à audição;
•	 Recursos audiovisuais propriamente ditos, que reúnem os estímulos visuais e auditivos.
São critérios para a utilização dos recursos audiovisuais, segundo Haidt (2003, p.238):
•	 Adequação: Ao ser utilizado como meio auxiliar do processo ensino-aprendizagem, deve ser 
adequado não só aos objetivos propostos e ao conteúdo a ser assimilado, como também ao 
grau de desenvolvimento, necessidades e interesses dos alunos.
•	 Funcionalidade: Deve possibilitar uma utilização dinâmica ativando o pensamento reflexivo 
do aluno.
•	 Simplicidade: Deve, de preferência, ser de baixo custo e fácil manejo, permitindo a manipu-
lação tanto pelo professor como pelo aluno.
•	 Qualidade e exatidão: Devem transmitir com exatidão a mensagem que se deseja comuni-
car, oferecer informações claras, objetivas e precisas e facilitar a compreensão do conteúdo. 
Devem, ainda, ser atraentes, despertando o interesse dos alunos e incentivando sua partici-
pação na aula.
◄ Figura 22: Do livro 
à palmatória: dois 
recursos usados na 
Escola Tradicional
Fonte: Disponível em: 
<profmanuelfernandes.
blogspot.com>
62
UAB/Unimontes - 3º Período
3.6.3.5 Avaliação da aprendizagem
Iniciaremos o diálogo sobre a avaliação de aprendizagem alertando para o fato de a avalia-
ção ser um dos elementos do planejamento de ensino e que deve ser definida no início do pro-
cesso quando o professor define os objetivos de ensino. Como bem lembra Luckesi (2000, p.118), 
ao afirmar: “a avaliação atravessa o ato de planejar e de executar; por isso contribui em todo per-
curso da ação planificada”.
Você deve ficar atento para o fato de que avaliamos constantemente sem darmos contas 
do ato de avaliar. Em todos os momentos de nossa vida, avaliamos uma situação, uma atividade 
ou uma pessoa, partindo de juízos provisórios, opiniões assumidas como corretas e que ajudam 
a tomar decisões, avaliando, também, permanentemente o cotidiano da sala de aula. Contudo, 
Kenski afirma:
Ao fazer um juízo visando à tomada de decisão, o homem coloca em funcio-
namento os seus sentidos, sua capacidade intelectual, suas habilidades, sen-
timentos, paixões, idéias e ideologias. Nessas relações estão implícitos não só 
os aspectos pessoais dos indivíduos, mas também aqueles adquiridos em rela-
ções sociais (KENSKI ,1999, p.133).
Você não pode se esquecer de que nas relações cotidianas de sala de aula professores e alu-
nos emitem juízos, emitem opiniões e até fazem julgamentos sobre a turma e/ou sobre cada alu-
no em particular. Juízos que, muitas vezes, são responsáveis pelas atitudes tomadas por ambas 
as partes, que vão desde a colaboração e participação positiva até os atos de resistência e oposi-
ção da turma.
Alertamos, ainda, sobre o fato de que professores influenciados por esses juízos são levados 
a decidir entre o castigo, punições ou elogios conforme suas expectativas, de sua concepção do 
que seja correto, do seu sentido particular de verdade.
▲
Figura 23: Sala de aula
Fonte: Disponível em: 
<http://educacao-
-especial.madeira-edu.
pt/Portals/2/imagens/
inaug2.JPG>
63
Pedagogia - Didática
Ainda, lembramos-lhe que a avaliação 
deve estar vinculada a um projeto educativo 
mais amplo, que deve contar com a participa-
ção dos professores, alunos, demais profissio-
nais da escola, pais ou responsáveis e repre-
sentantes da comunidade onde a escola está 
inserida.
As tarefas relacionadas ao processo de 
ensino-aprendizagem não são estanques, iso-
ladas, a avaliação efetiva vai acontecer durante 
o processo, nas relações dinâmicas de sala de 
aula que orientam as tomadas de decisões fre-
quentes, relacionadas ao tratamento do con-
teúdo e a melhor forma de ensinar.
Portanto, é necessário que você seja capaz 
de distinguir diferentes concepções de avalia-
ção, pois o termo avaliar tem sido muito utili-
zado para expressar: fazer prova, fazer exame, 
atribuir nota, repetir ou passar de ano. Essas 
expressões tão usadas nas escolas são reflexos 
de uma educação tida como mera transmissora 
de informações prontas, que leva o aluno a me-
morizar informação de forma passiva e recepti-
va. Contudo, a avaliação se restringe a medir a 
quantidade de informações retidas, assumindo 
um caráter seletivo, competitivo, vista apenas como uma forma de classificar e promover o aluno.
Você deve se lembrar de que, numa concepção de educação mais ampla, a avaliação assu-
me novas funções, como a de diagnosticar e de verificar se os objetivos propostos para o pro-
cesso ensino-aprendizagem estão sendo atingidos, e passa a verificar o progresso do aluno, pois 
permite que ele tome consciência de seus avanços e dificuldades em todo processo de aprendi-
zagem.
Aqui você não pode se esquecer de que a forma de avaliar vai depender da postura filo-
sófica adotada pelo professor, de suas atitudes, bem como de suas relações com os alunos. Se 
for uma pessoa autoritária e insegura, poderá 
ver na avaliação uma oportunidade para punir 
os alunos com dificuldades de aprendizagem 
ou indisciplinados. Por sua vez, um professor 
seguro de sua prática, possuindo atitudes de-
mocráticas, perceberá a avaliação como uma 
forma de diagnosticar as dificuldades dos alu-
nos e como indicador para replanejar o seu 
trabalho docente. Assim, proporciona ao aluno 
oportunidades de crescimento e ao próprio 
professor aperfeiçoamento na sua prática pe-
dagógica.
Lopes (2002, p. 49) afirma que a avaliação 
numa concepção de planejamento criativo não 
faz sentido ser um processo classificatório dos 
resultados de ensino. Assim, terá o caráter de 
acompanhamento do processo, num conjunto de professores e alunos. Não deverá existir preo-
cupação com a verificação da quantidade de conteúdos aprendidos, mas tão somente com a 
qualidade da reelaboração e produção de conhecimentos empreendida por cada aluno a partir 
da matéria estudada.
A nossa intenção nesta unidade foi iniciar a reflexão sobre avaliação da aprendizagem, uma 
vez que, no 4º Período, na disciplina Didática II, você voltará a estudar as suas diversas formas e 
concepções.
◄ Figura 25: Avaliar 
coletivamente
Fonte: Disponível em: 
<educacao-e-tecnolo-
gias.blogspot.com>
▲
Figura 24: Avaliação 
tradicional
Fonte: Disponível em: 
<educacao-e-tecnologias.
blogspot.com>
64
UAB/Unimontes - 3º Período
•	 Planejamento não é apenas um 
amontoado de planos. 
•	 Ele tem de ser flexível
•	 Lembre-se sempre de que, no contexto 
da sala de aula, vamos encontrar diver-
sidades. Isso significa que o que é bom 
para um pode não ser bom para outro. 
Por isso, você teve ter a flexibilidade 
como a base do seu planejamento.
Referências
CARVALHO, Irene Mello. O processo didático. 4. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 
1973. 400p.
CASTANHO, M. E.; CASTANHO, Sérgio E. M. Revisitando os objetivos da educação. In: VEIGA, Ilma 
Passos Alencastro (Coord.). Didática: o ensino e suas relações. 5. ed. Campinas, SP: Papirus, 2001.p. 53-64.
CASTANHO, M. E.; CASTANHO, Sérgio E. M.Os objetivos da educação. In: VEIGA, Ilma Passos Alen-
castro (Coord.) Repensando a didática. 10. ed. Campinas, SP: Papirus, 2002. p.53-76.
DÍAZ BORDENAVE, Juan; PEREIRA, Adair Martins. estratégias de ensino-aprendizagem. 25. ed. 
Petrópolis, RJ: Vozes, 2004. 312p.
Figura 27: Caricatura 
do que é bom para um 
pode não ser para o 
outro
Fonte: Arquivo pessoal de 
Liliane Campos Machado, 
2012
►
Figura 26: Caricatura de 
uma pessoa envolta em 
planos
Fonte: Arquivo pessoal de 
Liliane Campos Machado, 
2012
►
ATIVIDADe
Considerando o que 
discutimos sobre os 
níveis de planejamento 
e os detalhamentos 
sobre a elaboração do 
“PLANO DE ENSINO”, 
solicitamos como ati-
vidade dessa unidade 
que você escolha uma 
disciplina da sua área 
de formação e, a partir 
dessa escolha, elabore 
um plano de ensino.
 
Daqui está 
ótimo 
65
Pedagogia - Didática
GASPARIM, João Luiz. Uma didática para a pedagogia histórico-crítica. Campinas/SP: Autores 
Associados, 2007. 191p.
HAIDT, Regina Célia Cazaux. Curso de didática geral. São Paulo: Ática, 2003. 327p.
KENSKI, Vani Moreira. Avaliação da aprendizagem. In: VEIGA, Ilma Passos Alencastro (Coord.). 
Didática: o ensino e suas relações. 5. ed. Campinas, SP: Papirus, 1999. p. 131-144.
LOPES, Antônia Osima. Planejamento do ensino numa perspectiva crítica de educação. In: VEIGA, 
Ilma Passos Alencastro (Coord.). Didática: o ensino e suas relações. 5. ed. Campinas, SP: Papirus, 
2001. p. 41-52.
LOPES, Antônia Osima. Relação de interdependência entre ensino e aprendizagem. In: VEI-
GA, Ilma Passos Alencastro (Coord.). Repensando a didática. 10. ed. Campinas, SP: Papirus, 2002.
LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem escolar. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2000. 180p. 
MARTINS, Pura Lúcia Oliver. Didática teórica/didática prática: para além do confronto. São 
Paulo: Loyola. 1999. 181p.
MASETTO, M. (Org.). Docência na universidade. Campinas: Papirus 2000.
MENEGOLLA, M. SANT’ ANNA. I. M. Porque planejar? Como planejar? Currículo- Área - Aula. Rio 
de Janeiro: Vozes 1992.
67
Pedagogia - Didática
UnIDADe 4
Diferentes formas de 
trabalho pedagógico na 
contemporaneidade: projetos de 
trabalho 
Rosângela Silveira Rodrigues 
Rose Mary Ribeiro
4.1 Introdução
Caro(a) acadêmico(a), estamos iniciando a terceira unidade desse caderno e, para tal, preci-
samos lembrar-lhe de que nesta unidade oferecemos ao futuro professor oportunidade de ques-
tionar sobre o modelo de ensino-aprendizagem que está sendo vivenciado no espaço escolar.
Dessa forma, convidamo-lo(a) a enveredar neste debate sobre a importância do trabalho 
com projetos como possibilidade de avanço no trabalho pedagógico na sala de aula. Assim afir-
mamos porque consideramos que muitas são as tentativas da escola de encontrar novas formas 
de trabalho para amenizar as dificuldades de aprendizagem dos alunos enfrentadas pelos pro-
fessores no cotidiano escolar, na maioria das vezes, tentativas frustrantes. Gasparim (2007, p. 2) 
acredita que “pode ser que a escola, hoje, não esteja acompanhando as mudanças da sociedade 
atual e por isto deva ser questionada, criticada e modificada para enfrentar os novos desafios”.
Nesse contexto, o nosso estudo tem como objetivos:
•	 Compreender a cultura da organização escolar, a fim de refletir acerca da importância do 
uso adequado do tempo e do espaço na escola no processo ensino- aprendizagem.
•	 Problematizar as contradições presentes na realidade da cultura e organização escolar bra-
sileira, tendo em vista a atual realidade das políticas educacionais que propõem o modelo 
predominante de organização escolar por meio de projetos de trabalho que visam adequar 
o processo ensino aprendizagem ao tempo e espaço escolar.
•	 Desvelar a dinâmica proposta para a vivência dos projetos no trabalho com os temas trans-
versais, de forma a refletir acerca das implicações políticas presentes na ideia de valorização 
da pluralidade cultural brasileira para a cidadania como participação social e política.
•	 Compreender os fundamentos pedagógicos que sustentam o trabalho com projeto, bem 
como as intenções implícitas na realidade histórico-social e política que demandam a vivên-
cia do ensino- aprendizagem por meio de trabalhos com projetos.
•	 Pensar a concepção de ensino-aprendizagem que está presente nos projetos de trabalhos, a 
fim de escolher conscientemente os procedimentos e os recursos didáticos adequados para 
a prática pedagógica.
4.2 O contexto
Após apresentarmos os objetivos das nossas conversas nesta unidade e antes de iniciarmos 
a reflexão a respeito do eixo teórico que discutiremos aqui, ressaltamos que, para discutirmos o 
assunto aqui proposto, requer considerar que, na atual realidade social, o mundo em que vive-
mos se encontra organizado por políticas que determinam um retorno imediato no que se refere 
às reações das diversas ações, sejam sutis, sejam explícitas.
68
UAB/Unimontes - 3º Período
Dessa forma, podemos pontuar que o cenário em que se situa a escola pública contempo-
rânea determina a essa instituição o dever da transmissão dos conhecimentos historicamente 
acumulados, relegando ao conhecimento a condição de ser consumido, o que faz dele um inves-
timento, de forma coerente com a sociedade globalizada, a qual pressupõe a grande relevância 
do consumo.
No atual contexto social denominado pós-modernidade, à escola é atribuída a função de 
“vender” o ensino, considerado um produto consumido de acordo com a ordem determinada 
pelos interesses capitalistas. Precisamos, então, ficar atentos e levar em conta que é responsa-
bilidade da escola trabalhar e se organizar para que possa formar pessoas capazes de atuar no 
mundo com atitudes responsáveis, conscientes, considerando que, segundo Jacomeli (2007, p. 
33), “a ideologia liberal buscou se articular, se arejar frente às novas demandas da sociedade ca-
pitalista, a escola foi chamada para incutir valores sociais desejáveis para o momento histórico”, 
e, consequentemente, promove a desigualdade entre as classes, excluindo as economicamente 
menos favorecidas.
Todavia, precisamos levar em conta que a escola necessita se organizar, de maneira a se po-
sicionar na tentativa de se dignificar, não se recusando, por meio de denúncias vazias, dos fun-
damentos que justificam a produção capitalista. Pois, nesse contexto, por meio da influência da 
globalização, veículos como a escola são utilizados para formar valores sociais, formas e normas 
das mais diversas culturas, a serviço da lógica do mercado, fazendo com que o modelo neoliberal 
seja aceito e apreendido como natural por meio da cultura expressa na pós-modernidade, como 
afirma Jacomeli:
A pós-modernidade é entendida como um paradigma que reflete os anseios 
de todos na sociedade globalizada. Pósmodernidade e globalização, dessa for-
ma, são faces de uma mesma moeda representativa da sociedade capitalista. 
A necessidade de uma nova forma de entender o conhecimento produzido 
pelas ciências e, principalmente, a necessidade de reformulação dos currículos 
é apontada como justificativa para o empreendimento das reformas educacio-
nais que vêm ocorrendo por todo o planeta. Sob o discurso de que vivemos 
um período de pós-modernidade, estão muitas das justificativas para, por 
exemplo, reformar o currículo e o conhecimento veiculado por ele, sem, entre-
tanto, uma análise mais profunda e substantiva que ampare tais mudanças (JA-
COMELI, 2007, p. 52).
Alertamos, nessa direção, que discutir estas questões, ao pensar a organização da escola, é 
necessário considerarmos que a escola não é neutra e se encontra inserida em uma sociedade 
que a produz a serviço do entendimento de uma ideologia, que, nesse momento, consiste na 
ideologia neoliberal que legitima a globalização do capitalismoe legitima a democracia, conde-
nando e negando qualquer outra visão de mundo, com o objetivo de justificar a invasão até mes-
mo de países, como, por exemplo, Estados Unidos versus Iraque.
Organizar a escola de forma consciente implica também saber que o neoliberalismo deter-
mina as relações sociais atuais ao determinar, também, as políticas educacionais por intermédio 
de organizações financeiras defensoras dos interesses das empresas transnacionais, de forma 
que o Estado pobre se torna dependente das políticas e dos financiamentos com intervenção 
dos organismos internacionais na organização da educação, conforme afirma Sanfelice,
[...] o financiamento internacional da educação e a intervenção das agências 
mundiais na estruturação dos sistemas de ensino, na lógica de mercado a edu-
cação torna-se um produto a ser consumido por quem demonstrar vontade e 
competência para adquiri-la, em especial a educação ministrada nos níveis mé-
dio e superior. As teses neoliberais têm sido pródigas em propor argumentos 
favoráveis à privatização da educação, como formadora das elites ou para dar 
a cada um o que sua função exige, e que não pode ser obtido por meio de uma 
educação pública comum (SANFELICE, 2001, p. 10).
Compreendemos que o discurso de melhorar a qualidade do ensino na escola, que, no men-
cionado contexto, significa a formação de mão-de-obra para atender à demanda da estrutura 
de produção capitalista, por meio da justificativa de que a sociedade requer um novo perfil de 
trabalhador, coerente com as transformações decorrentes da globalização, requer a mudança do 
perfil da educação.
Mudar o perfil da educação para atender à demanda da sociedade pós-moderna requer 
considerar que o conhecimento, antes especializado para atender às necessidades da divisão do 
trabalho das linhas de produção, agora precisa ser globalizado, de forma a promover o ensino no 
69
Pedagogia - Didática
contexto de uma escola que propõe a descentralização de sua organização, fato que resulta na 
regionalização dos currículos desarticulados do currículo nacional, com consequente fragmen-
tação do saber e desarticulação dos professores que deixam de questionar o seu papel frente à 
sociedade.
Alertamos os sujeitos da educação, comprometidos com a formação do futuro professor, 
para o fato de que, no alcance das intenções das políticas internacionais que centralizam o con-
trole da exploração dos países economicamente menos favorecidos, são utilizados mecanismos 
presentes no interior das escolas, com o objetivo de padronizar o perfil dos sujeitos a ser forma-
dos. Tal fato pode ser percebido na realidade escolar brasileira ao buscarmos entender os funda-
mentos que alicerçam a proposta educacional encontrada nos Parâmetros Curriculares Nacionais 
– PCNs.
4.3 Trabalho pedagógico, 
organização escolar, pluralidade 
cultural e conteúdos culturais: 
uma ideologia política ou 
proposta de emancipação
Caríssimo(a), as questões políticas levantadas por meio das reflexões que realizamos na intro-
dução dessa unidade foram com o propósito de contextualizarmos a atual realidade sociopolítica 
na qual a escola se encontra inserida, com o intuito de iniciarmos um diálogo que diz respeito aos 
elementos presentes nos PCNs, ou seja, o trabalho pedagógico, a organização escolar, a plurali-
dade cultural e os conteúdos culturais. Ressaltamos que, desde a Grécia, conforme aborda a Uni-
dade I deste caderno, até a atual realidade brasileira, a cultura escolar é produzida pelas políticas 
educacionais que implantam e legitimam um modelo de escola, de forma a tendenciar o ensino 
a ser desenvolvido. Políticas que, mesmo com o discurso de realizar uma educação crítico-reflexi-
va, promovem nos alunos uma postura passiva, submetendo-os às imposições do sistema que, no 
contexto da sala de aula, são veiculadas por intermédio dos professores, que, também, se encon-
tram na condição de reféns de um processo de formação restrito e que, na maioria das vezes, as-
sumem uma postura ingênua e, consequentemente, adotam formas de ensino para transmitir os 
conteúdos meramente instrumentais e, consequentemente, alienados de sua realidade, por meio 
de situações de ensino-aprendizagem que podem ser consideradas como artificiais.
Diante da problemática ora abordada, ponderamos que se faz necessário rever a organiza-
ção do espaço escolar com seus tempos, rituais, rotinas e processos, para além dos modelos cris-
talizados no decorrer da história da educação na humanidade e, consequentemente, na história 
da educação brasileira, por meio das tendências pedagógicas adotadas para nortear a didática 
dos professores. Tendências cujas origens se encontram em pensamentos de cunho essencialis-
ta que, ao serem vivenciados, não permitem a formação de pessoas emancipadas, capazes de 
produzir, conforme afirma Gramisc em citação que lhe apresentamos no contexto da Unidade II 
desse caderno.
Alertamos que é necessário pensarmos a escola para além da efetivação de documentos re-
ferentes a propostas democráticas que não saem do papel; uma escola capaz de formar sujeitos 
preocupados com a realidade em que vivem. Consideramos, dessa maneira, que, dependendo 
da postura que o professor aprender a assumir, o trabalho com projetos poderá possibilitar pen-
sar no uso adequado do tempo e do espaço da escola coerente com os tempos atuais.
Na sequência dessa reflexão, é importante salientar que pensar o tempo escolar significa, 
em geral, pensar que ele é organizado de forma fragmentada: séries, bimestres ou trimestres, 
e que o espaço, também, é fragmentado, tendo cada turma uma função em sua sala, em cada 
espaço.
70
UAB/Unimontes - 3º Período
Ressaltamos que é necessária a construção de políticas que promovam a superação de tal 
quadro, criando condições adequadas para o envolvimento significativo dos alunos em um pro-
jeto coletivo que organize o espaço escolar, recrie o tempo transformando-o, de forma a abrir os 
portões da escola para a participação da comunidade. Assim, será possível intervir na tradição in-
dividualista do trabalho docente, que compreendemos ser estrategicamente produzida de modo 
a responsabilizar o professor pela educação de uma determinada turma, como se ele, de forma 
isolada, fosse capaz de driblar a estrutura social e política produzida para servir aos interesses 
das classes economicamente mais favorecidas.
Alertamos que, dessa maneira, as políticas educacionais deveriam promover a uma educa-
ção democrática, emancipatória e libertadora. Vivenciamos desde o início dos anos 2000 uma 
série de reflexões sobre o papel da escola, sua função social, o significado das experiências esco-
lares para aqueles que dela participam. E a Pedagogia de Projetos, nesse contexto, apresenta-se 
como uma concepção de posturas pedagógicas e não meramente como uma técnica de ensino 
muitas vezes considerada como mais atrativa para os alunos.
Acreditamos que a cooperação e a interação substituirão o isolamento e a competição tão 
acentuados na escola tradicional.
4.4 Um pouco de história sobre a 
pedagogia de projeto
Antes de começarmos a nossa conversa sobre a pedagogia de projetos você precisa saber 
onde e com quem surgiu essa ideia de projetos. Apesar de estarmos conversando sobre esse as-
sunto hoje, os estudos e discussão sobre Pedagogia de Projetos não são recentes. Ela surgiu no 
início do século, com Jonh Dewey e com outros representantes da chamada “Pedagogia Ativa”. 
Toda a discussão desse autor embasava-se em uma concepção de que “educação é um processo 
de vida e não uma preparação para a vida futura e que a escola deve representar a vida presente 
– tão real e vital para o aluno como a que ele vive em casa, no bairro ou no pátio” (DEWEY, 1897).
No final do século passado (1990), a Pedagogia de Projetos ganhou força entre os educa-
dores brasileiros. Tivemos nesse período a publicação de várias coleçõesde livros didáticos que 
foram organizados na perspectiva da pedagogia de projetos.
Sobre o assunto percebemos que a pedagogia de projetos tem uma perspectiva de traba-
lho voltada para um princípio ativo e integrador. O que nos faz crer que ela objetiva aproximar a 
escola o máximo possível da realidade e da vida do aluno. Um trabalho capaz de fazer a escola ir 
além dos seus muros e criar pontos entre os conteúdos estudados e o meio físico e social, propi-
ciando melhor compreensão da historicidade do nosso tempo e formação de pessoas conscien-
tes de seu papel como construtores da história.
4.5 Mas afinal o que é o projeto?
Você, que agora é acadêmico(a) e está em um processo de formação para se tornar profes-
sor, pare um pouco e reflita sobre o que é projeto. Se necessário for, recorra a um dicionário.
Bem, entendemos o ato de elaborar projeto como o ato de sonhar, de projetar o futuro; essa 
possibilidade de sonhar e projetar só se torna possível a partir da autonomia desenvolvida e/ou 
assumida pelo sujeito que está elaborando o projeto.
71
Pedagogia - Didática
Considerando o que você viu no vídeo, podemos afirmar que o projeto consiste em uma ati-
tude intencional, um plano de trabalho, um conjunto de tarefas que se desenvolvem a partir do 
envolvimento individual e social do aluno nas atividades propostas (empreendidas) por alunos e 
professores.
Assim sendo, o projeto traz em sim uma proposta de intervenção pedagógica que ressigni-
fica o modelo tradicional/tecnicista de aprender. E nessa proposta precisam ser consideradas as 
necessidades de aprendizagem que surgem no processo de tentativa de solução das situações 
problemáticas.
◄ Figura 28: Esquema 
sobre projeto
Fonte: Nogueira, 2006.
◄ Figura 29: Elementos 
que compõem a 
pedagogia de projeto.
Fonte: Disponível em: 
<http://profmarcio-
-vazzi.files.wordpress.
com/ 2010/06/128ce51a-
48f20677373c462247395
173.gif>
DICA 
Acesse o link a seguir 
e assista a uma fala do 
professor Nilbo Noguei-
ra. Link: http://www. 
youtube.com/ watch?-
v=eguk20OL76c
72
UAB/Unimontes - 3º Período
A partir da leitura da figura 3, podemos afirmar que o projeto gera situações de aprendi-
zagem, ao mesmo tempo reais e diversificadas, e isso favorece a construção da autonomia e da 
autodisciplina por meio de situações criadas em sala de aula para reflexão, discussão, tomada de 
decisão, observância de combinados e críticas em torno do trabalho em andamento, proporcio-
nando ao aluno, ainda, a implementação do seu compromisso com o social, tornando-o sujeito 
do seu próprio conhecimento.
A seguir vamos conversar sobre as etapas de um projeto, veja-as no quadro a seguir:
Quadro 1 - Etapas de desenvolvimento do projeto pedagógico
TeMA
Esse poderá ser definido pelo professor, pelo aluno, ou em comum 
acordo com a turma ou ainda por uma sugestão ou necessidade da es-
cola. Precisa despertar o interesse de todos os que irão desenvolvê-lo.
Pode-se trabalhar com um único tema envolvendo todos os alunos ou 
um único tema onde cada grupo de alunos trabalha uma especificida-
de do referido tema.
Alguns questionamentos podem nos ajudar na definição do tema são 
eles:
•	 até que ponto ele vai despertar e manter a atenção dos seus 
alunos? 
•	 quanto contribuirá para ampliar o conhecimento deles?
•	 quais as vantagens e desvantagens de escolher este ou aquele 
tema?
OBJeTIVOS
São as ações que você desenvolverá para tornar possível o desenvol-
vimento do projeto. Os questionamentos que pode ajudar você a de-
finir os objetivos são:
•	 O que você pretende alcançar com este projeto? 
•	 O que gostaria que seus alunos aprendessem com ele?
PROBLeMATIZAÇÃO
Esse é o momento que deve ser vivenciado pelos alunos e sob a orien-
tação do professor. Os alunos expressam suas ideias, demostram seus 
conhecimentos sobre o assunto e de forma coletiva elaboram ques-
tões sobre o tema escolhido. É com o intuito de responder a essas 
questões que a turma (alunos e professores) desenvolverá o projeto. 
As experiências, os saberes e as histórias de vida nessa etapa deverão 
ser valorizados.
Figura 30: Projeto gera 
autonomia e é gerado 
por ela.
Fonte: Adaptado de 
Nogueira, 2006.
►
73
Pedagogia - Didática
PeSQUISA - 
PRODUÇÃO
Essa é a etapa que podemos denominar de “etapa de desenvolvimento 
do projeto”. Nesse momento é fundamental a atuação do professor no 
acompanhamento da execução do trabalho da turma. Em suas inter-
venções o professor deve criar situações em que os alunos confrontem 
suas ideias, informações e conhecimentos com outras visões de mun-
do, ou seja, outras maneiras de ver e analisar o problema que deram 
origem ao projeto, o que traz maior riqueza às discussões e favorece o 
exercício da autonomia e da responsabilidade do aluno sobre sua pró-
pria aprendizagem. Cabe ao professor disponibilizar aos alunos diferen-
tes fontes de informações tais como: jornais, revistas, livros, documen-
tos, textos colhidos na Internet, organogramas, mapas, dentre outros, 
tudo de acordo com a proposta do trabalho.
Deve ser um trabalho dinâmico onde a teoria e a prática acontecem 
em sintonia e que tenha por princípio a inter e a transdisciplinaridade.
Espera-se com o desenvolvimento do projeto um momento de culmi-
nância, onde os alunos possam mostrar os resultados do trabalho.
AVALIAÇÃO
A avaliação é parte inerente do processo pedagógico, e no trabalho 
com projetos ela dever contar com o envolvimento de todos. Nela 
deve-se observar se os objetivos propostos foram atingidos. 
O docente avalia os alunos e é por eles avaliado. 
É muito importante que a avaliação seja durante todos o processo e 
que você durante o processo de avaliação observe as necessidades 
que não foram sanadas e que merecem ser atendidas em novos pro-
jetos. 
Por fim sugerimos que você lance mão da auto- avaliação, por ser essa 
um instrumento interessante ao processo educativo.
Fonte: as autoras, 2013
Agora que você já sabe um pouco sobre as etapas do desenvolvimento do projeto, você 
precisa tornar-se consciente de que elas devem ser consideradas como parte de um processo 
contínuo, onde os alunos e o professor são sujeitos susceptíveis a mudanças e a recontextualiza-
ções, de acordo com as demandas que surgem durante o desenvolvimento do projeto, por isso 
essas etapas não podem ser estanques, seguindo rigidamente o passo a passo.
Veja a figura a seguir
◄ Figura 31: Esquema das 
etapas de um projeto.
Fonte: Hernandez, 1998.
DICA
Para saber mais a res-
peito da relação teoria/ 
prática, veja Sanchez 
Gamboa (1996).
74
UAB/Unimontes - 3º Período
Você deve considerar nesse contexto que, na perspectiva do trabalho com projetos, a aqui-
sição da cultura acumulada socialmente não se dá a partir de um movimento de substituição ou 
justaposição, como acontece numa perspectiva compartimentada. O projeto é sempre um pro-
cesso de reconstrução, no qual a função do professor consiste em possibilitar a criação de um 
campo de compreensão comum na sala de aula e em apresentar instrumentos para ampliar esse 
espaço de conhecimento partilhado.
Traz como um de seus elementos centrais a incorporação da pluralidade de conhecimen-
tos presentes na dinâmica social, transformando a escola em espaços de vivências culturais reais 
e significativas. O desafio da pluralidade cultural é respeitar os diferentes grupos e culturas que 
formam a etnia do povo brasileiro e mundial, incentivando o convívio dos diversos grupos, e fa-
zer dessa convivência um fator de enriquecimento cultural.
Assim, devemos buscar compreender as questões mais importantes que o século XXI suscita 
e sobre as quais cada um de nós pode e deve refletir. A escola deve propor um trabalho pedagó-
gico coletivo, em que os professores e seus alunos devam respeitar as diferenças, enriquecer-se 
com elase, ao mesmo tempo, valorizar a própria identidade cultural e regional. Assim, formare-
mos homens capazes de lutar por um mundo em que o respeito às diferenças seja a base de uma 
visão de mundo cada vez mais rica para todos nós.
Alertamos que, nessa direção, é a ética que norteia e exige de todos, da escola e de educa-
dores em particular, propostas e iniciativas que visem à superação do preconceito e da discri-
minação. A contribuição da escola na construção da democracia é a de promover os princípios 
éticos de liberdade, dignidade, respeito mútuo, justiça, equidade, solidariedade e diálogo no co-
tidiano; é a de encontrar formas de cumprir o princípio constitucional de igualdade, o que exige 
sensibilidade para a questão da diversidade cultural e ações decididas em relação aos problemas 
gerados pela injustiça social.
Diante do exposto, não podemos deixar de ressaltar, mais uma vez, que todas as culturas 
humanas criaram modos de viver coletivamente, de organizar sua vida política, de se relacionar 
com o meio ambiente, de trabalhar, distribuir e trocar as riquezas que produzem. Mais ainda, to-
dos os povos desenvolveram linguagens, manifestações artísticas e religiosas, mitologias, valores 
morais, vestuários e moradias. Assim, a pluralidade cultural indica, antes de tudo, um acúmulo de 
experiências humanas, patrimônio de todos nós, pois ele pode enriquecer nossa vida e nos ensi-
nar diferentes maneiras de existirmos socialmente e criarmos o futuro.
Discutir a respeito do trabalho por meio de projetos implica pensar inicialmente que pro-
jetar um trabalho educativo a ser desenvolvido na sala de aula, no âmbito de uma instituição 
escolar, não implica apenas organizar conteúdos, traçar objetivos e escolher métodos de ensino. 
Significa sim traçar uma estratégia de ação, com fins determinados em direção à for- mação de 
pessoas a se tornarem um determinado modelo de homem.
Você precisa ter claro que projetar um trabalho pedagógico significa planejar um roteiro e 
mecanismos para alcançar uma intenção educativa, se entendemos que alcançar uma intenção 
requer traçar ações que serão vivenciadas e que traçar ações implica determinar uma política a 
seguir, que determina, por exemplo, um modelo de relação sujeito-objeto, teoria- prática, valo-
res, ou seja, uma visão de mundo.
Assim, alertamos que toda visão de mundo defende interesses políticos, econômicos e ideo-
lógicos, que podem ser percebidos no contexto social em que eles nascem. Dessa forma, é um 
projeto de trabalho pedagógico, sendo fundamentado em uma determinada visão de mundo, 
que expressa em si um interesse político, econômico e ideológico que o gerou que o faz necessá-
rio.
Consideradas essas reflexões, salientamos que, atualmente, podemos encontrar dois mode-
los de projetos de trabalho pedagógico que são utilizados nas escolas brasileiras, com o intuito 
de nortear a dinâmica do ensino-aprendizagem. Um deles, com base nos fundamentos da con-
cepção de educação humanista alicerçada na corrente filosófica fenomenológica, que norteia a 
tendência pedagógica denominada escolanovista ou humanista moderna. E o outro fundamen-
tado na concepção de educação marxista denominada de histórico-crítico-dialética, que norteia 
a tendência denominada crítico-social dos conteúdos ou Pedagogia histórico-crítica.
Portanto, o momento dessa discussão será utilizado para dialogarmos a respeito desses dois 
modelos de projeto de trabalho. Num primeiro momento, discutiremos a respeito da concepção 
de projeto fundamentada na lógica da corrente filosófica fenomenológica/ humanista.
Posteriormente, refletiremos a respeito do modelo de projeto de trabalho com base em 
uma perspectiva filosófica histórico-crítico-dialética.
Diante dessa introdução a respeito do trabalho com projetos, realizaremos essa reflexão, 
abordando-o a partir do enfoque fenomenológico/humanista moderno. Urge esclarecermos-lhe 
75
Pedagogia - Didática
que o trabalho com projetos é uma forma de trabalho pedagógico na contemporaneidade por 
ser uma alternativa que as políticas educacionais atuais encontraram para a escola trabalhar de 
forma eficiente com temas sobre pluralidade cultural e tratar dos conteúdos culturais dentro da 
sala de aula, possibilitando uma nova organização escolar.
Considerando o conceito que ora apresentamos, bem como as nossas reflexões anteriores, 
já podemos perceber que a implantação do trabalho com projetos não ocorreu se preocupando 
com o sujeito em formação, mas sim a serviço dos interesses das mesmas políticas que determi-
naram a produção de outros documentos como os Parâmetros Curriculares Nacionais, cujo mo-
delo foi copiado da Espanha como forma de reorganização “democrática”.
Preste atenção no nosso entendimento a respeito do pensamento de Dalorosa (2001), o tra-
balho com projeto é uma proposta que vem para atender à relação capital/trabalho, que, no 
contexto do mundo globalizado, a partir dos anos 90, muda os diversos campos das relações so-
ciais e, assim, favorece a produção e circulação de mercadorias, definindo, como já dissemos an-
teriormente neste estudo, o novo modelo de trabalhador disciplinado e especializado, conforme 
o perfil exigido antes dos anos 1970 e conforme a proposta escolanovista, com qualidades multi-
funcionais, criativo, irrequieto, o que é característico de um pesquisador.
Dessa forma, você precisa saber que passa a existir a nova demanda de mudança das estra-
tégias educacionais, a fim de desenvolver o ensino nos anos 1990. Cenário em que se lança mão 
dos projetos de trabalho como estratégia de veiculação do trabalho pedagógico, por meio da 
proposta de vinculação da escola com a comunidade e o privilégio da formação moral.
Nas palavras de Dalorosa:
Assim a escola deste final de século XX procura definir sua função, buscan-
do vínculos que apontem demandas reais da sociedade em constante muta-
ção. Daí as reformas educacionais ocorreram quase que simultaneamente em 
praticamente todos os países. E em alguns casos priorizam a formação para o 
mercado de trabalho, em outros a formação moral, como é o caso da reforma 
espanhola implantada a partir de 1987 [...] Esta reforma gerou uma proposta 
educacional, da qual o Brasil toma de empréstimo a ideia dos temas transver-
sais. Na Espanha, caracterizou-se por uma reforma moderada de reorganização 
democrática e social, após regime ditatorial franquista do período pós-guerra. 
É uma proposta de cunho social, democrata, alimentada pelo ecletismo, fa-
voritismos políticos, com clara característica neoliberal, contra as inspirações 
marxistas. Propõe mudanças educacionais centradas em decretos e leis como 
se em educação fosse possível fazer mudanças com simples toque de mágica 
(DALOROSA, 2001, p. 205).
Nesse contexto, por necessidade de viabilização do modelo educacional proposto - modelo 
espanhol -, lança-se mão da ideia do trabalho pedagógico por meio de projetos, a qual é uma 
das formas de organizar os trabalhos didáticos, que pode integrar diferentes modos de organi-
zação curricular. Pode ser utilizado, por exemplo, em momentos específicos do desenvolvimento 
curricular, de modo a envolver mais de um professor e uma turma, articular o trabalho de várias 
áreas ou realizar-se no interior de uma única área.
Essa proposta de trabalho com projetos é implantada também porque, da forma como é 
proposta, encontra-se favorecendo o ideal de educação exigido pelo mercado, a fim de selecio-
nar a qualidade da formação das pessoas, de adequar a classe trabalhadora ao perfil atual neces-
sário.
Caro(a) acadêmico(a), o discurso que nos é apresentado pela literatura espanhola que circu-
la nos cursos de formação de professores é o de que configurar o trabalho pedagógico de forma 
a qualificar o aluno com o perfil proposto nesse estudo requer do docente uma postura adequa-
da, de forma a propor um planejamento em que a atividade do professornão seja reduzida ao 
preenchimento de um formulário a ser entregue na secretaria da escola.
Atenção! Você não pode se esquecer de que estamos falando do “discurso”, pois, na direção 
aqui demandada, o planejamento pode ser entendido como uma atitude crítica do professor em 
relação ao seu próprio trabalho.
Nessa direção, você pode observar que Hernandez, autor de literatura espanhola, defende:
A proposta que inspira os Projetos de trabalho está vinculada à perspectiva 
do conhecimento globalizado e relacional [...] Essa modalidade de articulação 
dos conhecimentos escolares é uma forma de organizar a atividade do ensino
-aprendizagem, que implica considerar que tais conhecimentos não se orde-
nam para sua compreensão de forma rígida, nem em função de algumas refe-
rências disciplinares preestabelecidas ou de uma homogeneização dos alunos. 
PARA SABeR MAIS
O que caracteriza o 
trabalho com Projeto 
em uma perspectiva 
histórico-crítica não é o 
fato de o tema ou pro-
blema surgir dos alunos 
ou da professora, mas o 
tratamento dado a esse 
tema ou problema que 
é levantado na prática 
social.
76
UAB/Unimontes - 3º Período
A função do projeto é favorecer a criação de estratégias de organização dos 
conhecimentos escolares em relação: 1) ao tratamento da informação, 2) à re-
lação entre os diferentes conteúdos em torno de problemas ou hipóteses que 
facilitem aos alunos a construção de seus conhecimentos, a transformação da 
informação procedente dos diferentes saberes disciplinares em conhecimento 
próprio (HERNADEZ, 1998, p. 62).
Você pode observar que, nas características de Projeto de trabalho apresentadas por Her-
nandez, ficam implícitas uma ideologia escolanovista, que defende o tratamento da informação, 
em relação aos conteúdos, em torno de problemas ou hipóteses que facilitem aos alunos a cons-
trução de seus conhecimentos. Em nenhum momento, esse autor se refere à necessidade de pro-
blematizar a vida, colocando em evidência os problemas vivenciados e, muito menos, manifesta 
a intenção de elaboração de proposta de superação da realidade por meio do entendimento da 
história que os produz. Ele fala a respeito da transformação da informação procedente dos dife-
rentes saberes disciplinares em conhecimento próprio, por meio de estratégias que facilitam aos 
alunos a construção do conhecimento.
Esclarecemos-lhe que, nessa perspectiva, é proposto que o professor deva ser capacitado 
para agir de forma consciente, competente, crítica, entender e ressignificar o trabalho pedagó-
gico, e não para entender e buscar a superação dos problemas encontrados na realidade social 
em que se encontra inserida a escola. Dessa forma, prioriza o valor na diversidade de pensa-
mentos, a pluralidade cultural, deixando de lado as questões políticas que possuem os meios de 
intervenção na realidade, de forma a promover condições para a formação do aluno e professor 
emancipado.
Assim, não podemos nos enganar quando nos deparamos com propostas que afirmam que 
devemos encontrar estratégias ou métodos que possam facilitar a aprendizagem do aluno, pois 
facilitar implica não problematizar. Afinal, você não acha que seria contraditório propor a cons-
trução do conhecimento, que significa uma atividade do pensamento, de forma a ser concebida 
como tarefa fácil? Ou seja, sem esforço? Toda essa ideologia nos é passada por meio de ideias 
de desenvolvimento da criticidade, solidariedade, por meio da utilização do discurso de que o 
projeto de trabalho permite ao aluno aprender sem depender somente das escolhas do adulto, 
projetar-se no tempo, definindo suas ações e sua aprendizagem, tornar-se responsável e ser o 
sujeito de sua aprendizagem, produzindo algo que tenha significado e utilidade.
Queremos que perceba, ainda, que nesse discurso existe a promessa de que o aluno terá 
oportunidade de conhecer os objetivos propostos para cada atividade, de aprender a planejar 
seu trabalho, colaborando na distribuição das várias etapas necessárias para a sua execução, de 
comprometer-se pessoalmente com o trabalho, assumindo responsabilidades, e de interagir com 
os colegas para confrontar e melhorar suas produções.
Nessa medida, compreendemos que querem nos passar a ideia de humanização para que 
nos acomodemos e, dessa forma, possamos contribuir com a formação do profissional que se 
acha livre e dono da empresa. Ou seja, sente-se capaz, emancipado, crítico e dinâmico. Porém, 
não reconhece que está sendo usado a favor da exploração do capital e, dessa maneira, não pos-
sui as ferramentas para produzir sua própria vida com a dignidade que merece.
Esses discursos são viabilizados, também, no âmbito da formação de professores, por meio 
de críticas realizadas a respeito das perspectivas de trabalho conteudista denominada como 
uma perspectiva compartimenta- da, desconsiderando que, em tal perspectiva, defende-se a 
ideia do ensino do conteúdo erudito também necessário à formação emancipada.
Quadro 2 – Comparação e perspectivas do trabalho com projetos
Perspectiva Compartimentada Perspectiva dos Projetos de Trabalho
Enfoque fragmentado, centrado na 
transmissão de conteúdos prontos.
Enfoque globalizador, centrado na resolução de 
problemas significativos. 
Conhecimento como acúmulo de fatos 
e informações isoladas.
Conhecimento como instrumento para a compre-
ensão da realidade e possível intervenção nela.
O professor é o único informante, com 
o papel de dar as respostas certas e 
cobrar sua memorização.
O professor intervém no processo de aprendizagem 
ao criar situações problematizadoras, introduzir 
novas informações e dar condições para que seus 
alunos avancem em seus esquemas de compreen-
são da realidade.
77
Pedagogia - Didática
O aluno é visto como sujeito depen-
dente, que recebe passivamente o 
conteúdo transmitido pelo professor.
O aluno é visto como sujeito ativo, que usa sua 
experiência e seu conhecimento para resolver 
problemas.
O conteúdo a ser estudado é visto de 
forma compartimentada.
O conteúdo estudado é visto dentro de um contex-
to que lhe dá sentido.
Há uma sequenciação rígida dos 
conteúdos das disciplinas, com pouca 
flexibilidade no processo de aprendi-
zagem.
A sequenciação é vista em termos de nível de 
abordagem e de aprofundamento em relação às 
possibilidades dos alunos. 
Baseia-se fundamentalmente em 
problemas e atividades dos livros 
didáticos.
Baseia-se fundamentalmente em uma análise glo-
bal da realidade.
O tempo e o espaço escolares são orga-
nizados de forma rígida e estática.
Há flexibilidade no uso do tempo e do espaço 
escolares.
Propõe receitas e modelos prontos, 
reforçando a repetição e o treino.
Propõe atividades abertas, permitindo que os alu-
nos estabeleçam suas próprias estratégias.
Fonte: LEITE, L. H.A Pedagogia de projetos, intervenção no presente. Presença Pedagógica. Belo Horizonte: Dimensão, 1996.
Nessa direção, apresentamos-lhe o quadro em que Leite (1996), com base nos fundamen-
tos apresentados por Hernandez, compara a perspectiva denominada compartimentada com a 
perspectiva dos projetos de trabalho, conforme proposto por ele.
De acordo com o quadro, Leite afirma que devemos buscar uma nova perspectiva de traba-
lho que enfatize um processo ativo e participativo, envolvendo os alunos de forma não fragmen-
tada para compreender e intervir no mundo em que vivem. Leite (1996), para facilitar a visualiza-
ção, diferencia as principais características existentes entre as duas perspectivas.
A organização das etapas do projeto, conforme propõe Hernandez (1998), deverá ser previa-
mente planejada, de forma a comportar as atividades que se pretende realizar dentro do tempo 
e do espaço de que se dispõe. Além disso, devem ser incluídas no planejamento, saídas da escola 
para trabalho prático, para contato com instituições e organizações. Deve-se ter em conta queessa forma de organização dos conteúdos não representa um aumento de carga horária ou uma 
atividade extra.
Não podemos deixar de problematizar a contradição apresentada no cerne dessa proposta 
quando ela prioriza uma situação que entendemos ser praticamente impossível no contexto da 
escola pública brasileira, dada às condições estruturais apresentadas por ela. Assim afirmamos 
quando consideramos a quantidade de alunos na sala de aula, a jornada de trabalho do profes-
sor, demandada em função das condições salariais, o fato de a formação dos professores não ser 
planejada para que eles se capacitem de forma adequada para desenvolver este tipo de atividade.
Alertamos, também, que, ao apresentar a perspectiva denominada compartimentada, em 
contraposição à denominada projeto de trabalho, encontramos, mais uma vez em 1996, se repe-
tirem as mesmas críticas que ocorreram na década de 30, em que os mentores da tendência pe-
dagógica escolanovista do Brasil criticavam a tendência pedagógica tradicional liberal da década 
de 20, conforme apresentamos na unidade II. Sendo assim, sob essa ótica, podemos perceber 
que a perspectiva denominada compartimentada representa a concepção tradicional liberal e a 
concepção denominada projeto de trabalho fundamenta-se nas ideias da escola nova, fato que 
só confirma as colocações de Saviani, citado por Jacomeli, quando ela diz:
A Escola Nova surgiu como um mecanismo de recomposição da hegemonia da 
classe dominante, ameaçada pela viabilizada pela alfabetização da escola uni-
versal e gratuita. Assim, ao deslocar a discussão da formação política dada na 
escola para a questão da qualidade do ensino, que dizia respeito às transfor-
mações do interior da escola, ou seja, técnico-pedagógicas, a Escola Nova cum-
priu uma dupla função: manteve a expansão das escolas no limite suportável 
pelos interesses dominantes e forçou a baixa qualidade do ensino destinado às 
camadas populares. Enquanto a Escola Nova oportunizava um aprimoramento 
nas escolas da elite. Na escola pública sua influência era sentida pelo afrouxa-
mento da disciplina e pela não exigência de qualificação (SAVIANI, 1983 apud 
JACOMELI, 2007, p. 96).
78
UAB/Unimontes - 3º Período
As críticas que realizamos a respeito da utilização política das metodologias de ensino com 
as características de projeto de trabalho condizem com a proposta de Hernandez (1998), quando 
aponta as etapas dessa metodologia, como a seguir: um percurso por um tema-problema que 
favorece a análise, a interpretação e a crítica (como contraste de pontos de vista). Uma atitude 
de cooperação em que o professor é um aprendiz, e não um especialista. Um processo que pro-
cura estabelecer conexões e que questiona a ideia de uma versão única da realidade. Cada eta-
pa é única e se trabalha com diferentes tipos de informação. Um professor que ensina a escutar, 
pois podemos aprender com o que os outros dizem, possibilita ao aluno aprender de diferentes 
formas. Uma aproximação atualizada dos problemas da disciplina e dos saberes. Uma forma de 
aprendizagem em que se leva em conta que todos os alunos podem aprender, se encontrarem 
oportunidade para isso acontecer. A aprendizagem está vinculada ao fazer, à atividade manual e 
à intenção.
Diante dessas características do projeto de trabalho, você precisa observar que fica evidente 
o valor atribuído ao ponto de vista individual, conforme propõe a corrente fenomenológica; po-
rém, o autor não apresenta como característica a valorização também dos conteúdos científicos 
que o aluno precisa saber.
Atenção! Dessa forma, o conhecimento a ser aprendido pelo aluno e ensinado pelo profes-
sor fica em segundo plano, na medida em que é entendido como consequência. Você pode ob-
servar também que é enfatizada a atitude de cooperação do professor que é um aprendiz, e não 
um especialista. Nesse sentido, tira do professor o compromisso de ensinar e coloca-o na condi-
ção de quem colabora e, principalmente, de quem aprende com o aluno na sala de aula.
Queremos esclarecer-lhe que, diante destas problematizações que lhe apresentamos, não 
estamos afirmando que discordamos do fato de que o professor deva aprender com os alunos. 
Porém, estamos defendendo que, antes de tudo, o professor é um profissional que é pago para 
ensinar; portanto, independentemente do método, como profissional, sua obrigação é ensinar. 
Mal ou bem ele recebe um salário para desempenhar tal atividade.
Aqui é conveniente ressaltarmos, também, que, quando se trata de ocupar o professor com 
o ensino, atribui-lhe a função de ensinar não os conteúdos, mas sim escutar para que os alunos 
aprendam com os outros, ou seja, os colegas. Assim indagamos: Como fica a aprendizagem dos 
conteúdos aprendidos com os colegas e não com o professor?
Você deve observar, ainda, que é atribuída uma atenção em informações, saberes, mas, em 
nenhum momento, refere-se ao conhecimento cientifico, aos conteúdos disciplinares. Dessa ma-
neira, podemos observar que o ensino se ocupa do senso comum. Afinal, saberes e informações 
não precisam ser necessariamente dados científicos.
Assim, lembramos-lhe: Quando o aluno no futuro enfrenta uma situação de um vestibular, 
um concurso, cobram-se saberes, informações ou conhecimento cientifico, sejam culturais, sejam 
históricos, sejam físicos, sejam matemáticos? Assim, de quem será a aprovação, melhores classi-
ficações e, provavelmente, a vaga em instituições como universitário ou como funcionário em 
uma empresa? De quem aprendeu saberes e informações ou de quem aprendeu conhecimento 
científico que lhe ofereceu condições para conhecer e fundamentar análises e críticas em torno 
dos saberes e das informações?
Ressaltamos, ainda, que outra característica contraditória ao compromisso de uma educa-
ção de qualidade para todos se refere à ideia de pensar uma forma de aprendizagem em que 
se leva em conta que todos os alunos podem aprender se encontrarem oportunidade para isso 
acontecer.
Ora, e se o aluno não encontrar oportunidade para isso acontecer? O professor não deve fa-
zer nada? Quer dizer que cabe ao aluno encontrar a oportunidade, e não ao professor, que deve 
promover um ambiente de ensino de forma que proporcione ao aluno condições de aprendiza-
gem? Não estariam, mais uma vez, criando artifícios para desvalorizar o professor? Qual vai ser 
o papel do professor? Ou melhor, qual vai ser o serviço do professor? Afinal, se o professor não 
“trabalha”, ele precisa de um salário? Ou melhor, o salário não vai depender não é do tipo, da 
qualidade do trabalho?
Tornando o trabalho do professor superficial, justificaria pagar-lhe um bom salário pelo seu 
trabalho? Ainda a respeito das características desse trabalho, ressaltamos que, nessa perspectiva, 
a aprendizagem está vinculada ao fazer, à atividade manual e à intenção. Observamos que essa 
característica não difere dos ideais da escola nova predominante oficialmente na década de 30, 
conforme discutimos na unidade II deste estudo, que, por sua vez, valoriza demais o fazer ma-
nual e, assim, sutilmente, promove um modelo de educação em detrimento da ação intelectual, 
ou seja, da prática do pensar que entendemos ser inerente ao homem.
79
Pedagogia - Didática
Para encerrarmos, temporariamente, essas problematizações, alertamos para a necessidade 
de se levar em conta outra característica, a “intenção”. Para refletirmos, indagamos: Afinal, qual 
seria a intenção do aluno em relação ao conteúdo ensinado? Não seriam as mais diversas ou tal-
vez nenhuma? Afinal, todos os alunos teriam, independentemente do nível de escolaridade, a 
maturidade suficiente para discernir a importância de um conteúdo disciplinar em sua vida? Por-
tanto, caríssimo(a), deixar prevalecer a intenção do aluno, ou seja, deixar o aluno livre é propor-
cionar ocasião para se fingir que está ensinado e, assim, promover entre os alunos uma pseudo 
aprendizagem,que, por sua vez, “talvez”, possa atribuir-lhe uma formação dos valores ético-mo-
rais. Porém, destina-o a uma formação vazia de conteúdos necessários para seu estabelecimento 
na sociedade capitalista, de forma a ocupar um lugar em alguma profissão privilegiada.
Enfim, alertamos, por meio de tais características, sobre essa metodologia de projeto de tra-
balho, na perspectiva que nos é apresentada pela difusão de literaturas introduzidas nos países 
periféricos, como, por exemplo, o Brasil, por meio de financiamentos oriundos do Banco Mundial 
que, a serviço dos países mais desenvolvidos economicamente, implanta um discurso de solida-
riedade, humanidade, alegria, prazer, respeito ao ponto de vista do outro. E, dessa forma, pro-
move com a escola, através da utilização das ações dos professores que se enganam com senti-
mento de amor, fraternidade, a discriminação e a seletividade de forma ingênua à exclusão social 
que se concretiza ao negar o ensino do conteúdo pelo profissional da educação, o professor, a 
quem compete ensinar, independentemente do método que adota. Tais colocações podem ser 
fundamentadas nas ideias de Saviani quando se refere ao uso do discurso democrático no inte-
rior da escola, com o objetivo de controlar, manipular a formação dos alunos, bem como a visão 
de mundo dos professores.
Nas palavras de Saviani (2000, p. 36), "Quanto mais se falou de democracia no interior da 
escola, e de como, quando menos se falou em democracia, mais a escola esteve articulada com a 
construção de uma ordem democrática".
Para você conhecer a dinâmica da metodologia de projeto proposta por Leite (1996, p. 32-
33), você precisa saber que esta autora, ao falar da organização e do desenvolvimento dos pro-
jetos de trabalho na sala de aula, destaca três momentos fundamentais desse processo contínuo 
de aprendizagem. Esses momentos apresentados, de acordo com a autora, são pressupostos que 
facilitam a compreensão da organização do trabalho. Na direção ora evidenciada, você deve sa-
ber que, antes da construção do projeto, é necessário escolher o tema/conteúdo que será estu-
dado e pesquisado, como também as tarefas que serão realizadas. Deve ser estruturado com os 
alunos lembrando-se de que o tempo gasto no planejamento é facilmente recuperado, poste-
riormente, na fase de execução.
Após essas nossas reflexões realizadas nesta etapa desta Unidade, apresentamos-lhe o mo-
delo de organização do projeto de trabalho, proposto por Leite (1996), o qual se encontra con-
forme a concepção espanhola que vem sendo adotada como modelo para direcionar a educação 
brasileira a serviço dos interesses que já foram exaustivamente abordados nesse estudo.
Sendo assim, ressaltamos que o modelo envolve as etapas: Problematização, Desenvolvi-
mento e Síntese. Esclarecemos-lhes que essas etapas propostas para o projeto de trabalho estão 
de acordo com a demanda da literatura espanhola que circula nos cursos de formação de pro-
fessores do Brasil. Deixamos claro que, de acordo com Hernandez (1998), o primeiro momento é 
o de Problematização, que implica o ponto de partida, o momento detonador, a partir do qual o 
grupo levanta questões significativas para investigar.
Nessa etapa, os alunos irão expressar suas ideias, crenças e conhecimentos sobre o proble-
ma em questão, os quais foram evidencia- dos pelos alunos, revelando suas hipóteses.
O professor detecta o que os alunos já sabem e o que ainda não sabem sobre o tema que 
será estudado. O nível de compreensão inicial dos alunos é que definirá o caminho que o proces-
so tomará. Nessa concepção, sem essas questões, não há como falar em projeto.
As questões levantadas definirão a organização do projeto pelo grupo. De acordo com essa 
perspectiva, é entendido que os alunos sabem claramente o que, por que e para que estão fa-
zendo, aprendem também a formular questões e a transformar os conhecimentos em instrumen-
to de ação. Para conduzir esse processo, é necessário que os professores tenham clareza dos ob-
jetivos que querem alcançar e formulem também claramente as etapas do trabalho.
Neste momento, evidencia-se a justificativa que responde ao porquê de a escolha do tema 
a ser estudado/pesquisado. Introduz-se o tema justificando a necessidade do planejamento e 
implementação do projeto como a relevância do trabalho ser executado. Considerando que 
apresentamos o primeiro momento do projeto sob a ótica de Hernandez, dedicaremos, agora, 
a refletir acerca da etapa denominada Desenvolvimento. Essa etapa é considerada o segundo 
80
UAB/Unimontes - 3º Período
momento de organização do projeto. Iniciamos as reflexões acerca desta etapa, mostrando-lhe 
que Hernandez diz que, nesse momento, são criadas as estratégias para buscar respostas às 
questões e hipóteses formuladas pelo grupo na problematização. Nesse momento, os alunos se 
defrontam com situações que os obrigam a comparar pontos de vista, a rever suas hipóteses, a 
colocar novas questões.
As estratégias descrevem como o trabalho será realizado, operacionalizado e apresentado 
para a comunidade escolar e, ainda, como poderão ser divididas as atividades entre os membros 
do grupo. Define-se quando serão realizadas as etapas planejadas e quem realizará e será res-
ponsável por cada uma das atividades.
Os recursos podem ser materiais e humanos, que serão necessários para a perfeita realiza-
ção do Projeto, sendo o momento de colocar tudo que foi planejado em prática e realizar todas 
as atividades planejadas.
Quanto ao terceiro momento, Leite (1986) denomina-o de momento da Síntese. Para essa 
autora, tal momento acontece durante a execução de projeto, quando as convicções iniciais vão 
sendo ampliadas e novas aprendizagens vão sendo construídas. Os alunos podem construir no-
vos conceitos. É o momento da culminância do projeto, que acontece no final dele. Quando se 
expõe publicamente, na forma de alguma atividade de atuação no meio, isto é, de uso no âmbi-
to coletivo, seja no interior da classe, seja no âmbito da escola, seja na comunidade, o resultado 
daquilo que foi produzido. Existem múltiplas possibilidades de projetos que visem a resultados 
voltados para a vida comunitária. Nessa medida, são apresentadas as atividades desenvolvidas 
no projeto.
No que se refere à avaliação do projeto, deve ser avaliado em todas as suas etapas, segundo 
Leite (1996), para quem o projeto pode ser alterado no decorrer de sua execução, pois ajustes 
são necessários ao bom funcionamento e andamento de um processo.
Hernandez sugere a utilização de portfólio como instrumento de avaliação. Assim sendo, 
afirma que:
A utilização do portfólio como recurso de avaliação é baseada na ideia da na-
tureza evolutiva do processo de aprendizagem. O portfólio oferece aos alunos 
e professores uma oportunidade de refletir sobre o progresso dos estudantes 
em sua compreensão da realidade, ao mesmo tempo em que possibilita a in-
trodução das mudanças durante o desenvolvimento do programa de ensino. 
Também, permite aos professores aproximar-se do trabalho dos alunos não de 
uma maneira pontual e isolada, como acontece com as provas e exames, mas, 
sim, no contexto de ensino e como uma atividade complexa baseada em ele-
mentos e momentos da aprendizagem que se encontram relacionados (HER-
NANDEZ,1998, p. 99).
Você deve saber que Hernandez (1998) concebe o portfólio como modalidade de avalia-
ção que possibilita identificar questões relacionadas ao modo como os educandos e educadores 
refletem sobre os objetivos da aprendizagem. Para o autor, o portfólio permite que cada aluno 
reconstrua seu processo de aprendizagem e explica os momentos-chave nos quais o estudante 
superou ou localizou um problema.
Nessa concepção, trabalhar com projeto exige uma mudança de postura, provocando, as-
sim, um repensar das práticas pedagógicas e das teorias que as sustentam. Nova atitude de re-
pensar a escola, seus tempos,seus espaços, sua forma de agir, transformando-a em espaço signi-
ficativo de aprendizagem, sem perder de vista a realidade cultural de sua clientela.
Alertamos que compreendemos que essa mudança de postura não significa superar os pro-
blemas encontrados na realidade social, mas sim se refere a uma compreensão da realidade ne-
cessária à reelaboração de conceitos, valores, etc.
Após apresentarmos o modelo de projeto, não podemos deixar de ratificar algo que já foi 
dito neste estudo: Essa proposta de trabalho com projeto vem sendo coerente com a proposta 
de formação do profissional com o perfil almejado pelos interesses da nova demanda do capital/
trabalho colocada pelos ideais de mundo globalizado característicos da pós modernidade.
Assim, posicionamo-nos lembrando-lhe, mais uma vez, que é necessário, ainda, considerar 
que a proposta de trabalho com projeto na perspectiva abordada atende ao modelo de organi-
zação escolar originada após a década de 80, uma tendência denominada pós-estruturalista ou 
pós-moderna, que não difere os contextos aqui problematizados, cujas pesquisas são constituí-
das em rede fragmentadas, buscando estudar em torno da ideia de cotidiano, descaracterizando 
completamente a visão de totalidade, a qual possibilita desvelar os subterfúgios utilizados a ser-
viço dos interesses das políticas que organizam a sociedade no decorrer da história.
GLOSSÁRIO
Portfólio: é um arquivo 
formado durante o 
desenvolvimento de 
um projeto, com a 
finalidade de organizar 
e arquivar registro de 
aprendizagem dos 
alunos, selecionado 
pelos próprios alunos e 
pelo professor, com in-
tenção de fornecer uma 
síntese do processo de 
aprendizagem.
81
Pedagogia - Didática
Atenção! Enfatizamos, portanto, que compreendemos que é possível desenvolver o traba-
lho pedagógico por meio de projetos, de forma que supere a concepção fragmentada que inte-
ressa às políticas individualistas por nós questionadas no decorrer deste estudo.
Diante dessas colocações, ressaltamos que já existe em vigor outra maneira de se conceber 
o trabalho pedagógico na sala de aula, por meio de projetos, que não condiz com a abordagem 
apresentada até então, sendo essa outra uma forma alicerçada na concepção materialista histó-
rico- dialética, que, por sua vez, não enfatiza o ponto de vista do sujeito, mas sim evidencia a 
origem, evolução e transformação como forma de analisar a realidade sócio-histórica em que se 
encontra o objeto em evidência.
Diante do exposto, para darmos continuidade ao nosso estudo, é necessário direcionar esse 
diálogo ao enfoque que se alicerça na tendência pedagógica norteada pela concepção de edu-
cação histórico-crítica dialética, conforme discutimos na Unidade I. Concepção que vem sendo 
produzida desde a década de 80 por pesquisadores brasileiros a ser adotada nas salas de aula 
das escolas deste país. Dessa forma, antes de trabalharmos as características do projeto de tra-
balho nessa perspectiva mencionada, esclarecemos-lhe que precisamos levar em conta o ponto 
de vista de Saviani (1991), quando esse autor afirma conceber a educação como o processo de 
formação humana, que age diretamente na reprodução da vida de forma teórico-prática.
Alertamos que a tendência pedagógica histórico-crítica busca superar a concepção de tra-
balho pedagógico fragmentado defendida pelas políticas individualistas, por meio de uma pro-
posta de ensino-aprendizagem com projetos de trabalho, o que está de acordo com a lógica da 
tendência pedagógica alicerçada na concepção histórico-crítica dialética. Tendência que, confor-
me já esclarecemos na unidade I, ressalta a importância de se vivenciar a educação a partir do 
trabalho, para que, consequentemente, tenha como finalidade principal contribuir com a forma-
ção emancipada dos alunos.
Segundo Silveira Rodrigues:
(...) tal concepção, cujos fundamentos defendem a realidade humana como 
produto da história produzida pelo homem e defendem também o homem 
como um ser histórico, produzido na realidade social em que vive como resul-
tado de sua ação nessa realidade, seja de forma subjetiva ou objetiva. Entretan-
to, o homem é entendido como co-criador de si próprio e consequentemente 
de sua própria vida (SILVEIRA RODRIGUES, 2006, p. 132).
Lembramos-lhe que, em uma perspectiva histórico-critica de cunho marxista, afirma-se a 
importância do trabalho como elemento que demarca a diferença do homem dos demais ani-
mais. Consideramos, dessa maneira, que a educação exige um processo de trabalho, pois você 
precisa saber que essa autora defende a ideia do trabalho como princípio educativo que afirma a 
educação em uma perspectiva de práxis.
A respeito da visão que apresentamos, destacamos, para você entender melhor, as falas de 
Saviani a respeito do trabalho como princípio educativo, que é o eixo da pedagogia de projeto, 
conforme a lógica histórico-crítica.
(...) o trabalho é princípio educativo, na medida em que determina pelo grau 
de desenvolvimento social atingido historicamente o modo de ser da educa-
ção em seu conjunto. Nesse sentido, aos modos de produção [...] correspon-
dem modos distintos de educar com uma correspondente forma dominante 
de educação (SAVIANI, 1991, p. 56).
Ainda, nas palavras de Saviani:
(...) o trabalho é princípio educativo, na medida em que coloca exigências es-
pecíficas que o processo educativo deve preencher em vista da participação 
direta dos membros da sociedade no trabalho socialmente produtivo (SAVIANI, 
1991, p. 56).
Enfim, Saviani (1991, p. 56) afirma que “o trabalho é princípio educativo num terceiro senti-
do, na medida em que determina a educação como uma modalidade específica e diferenciada 
de trabalho: o trabalho pedagógico”.
Nessa direção, você precisa saber que a educação é concebida como um meio de viabiliza-
ção do processo de humanização. É necessário conceber o trabalho como princípio educativo, 
o que significa que a educação necessita estar voltada para o trabalho real, e não às adaptações 
funcionais por meio de treinamento em graus diferentes, conforme demanda do mundo de tra-
balho encontrada na sociedade moderna.
82
UAB/Unimontes - 3º Período
Alertamos que propor a educação como trabalho significa analisar o processo educacio-
nal, tendo como ponto de partida reflexões que envolvam os problemas reais encontrados na 
realidade, a fim de elaborar propostas de superação das contradições, com o intuito de fazer do 
processo educativo uma forma de contribuir com o processo de humanização dos homens na 
sociedade.
No que se refere ao projeto de trabalho com base em uma visão histórico-crítica, é neces-
sário considerar que Gasparim (2007), ao escrever a obra Uma didática para a pedagogia histó-
rico-critica, afirma o contrário da proposta de trabalho com projeto apresentada anteriormente. 
Assim, segundo Gasparim:
O ponto de partida do novo método não será a escola, nem a sala de aula, mas 
a realidade social mais ampla. A leitura crítica dessa realidade torna possível 
um novo pensar e agir pedagógicos. Deste enfoque, defende-se o caminhar da 
realidade social, como um todo, para a especificidade teórica da sala de aula e 
desta para a totalidade social novamente, tornando-se possível um rico proces-
so de trabalho pedagógico (GASPARIM, 2007, p. 4).
Precisamos esclarecer-lhe que, nessa direção, Gasparim (2007, p.164-167) apresenta orien-
tações aos professores que queiram elaborar e executar o Projeto de trabalho na perspectiva da 
pedagogia histórico-crítica.
Entre as orientações apresentadas por esse autor, ressaltamos uma delas que diz respeito 
ao fato de que há necessidade de o aluno passar por um processo de conscientização. Conscien-
tização que inicialmente é exigi- da do professor para que ele tome consciência da necessidade 
de mudar sua forma de estudar e trabalhar, implicando mudar a maneira de pensar, de agir, de 
estudare de planejar o seu trabalho.
Preste bastante atenção, porque vamos problematizar a diferença entre os pressupostos 
que fundamentam os dois modelos de projeto. Podemos observar que, enquanto a preocupa-
ção de um é a tomada de consciência por parte do professor da sua necessidade de mudar sua 
forma de estudar e trabalhar, implicando mudar a maneira de pensar, agir, estudar e de planejar 
o seu trabalho, no outro, sob o ponto de vista da literatura espanhola, a preocupação é vivenciar 
um processo que procura estabelecer conexões e que questiona a ideia de uma versão única da 
realidade.
Você precisa entender que as implicações que envolvem as diferenças apontadas nas duas 
versões de projeto abordadas por nós são decisivas no rumo político que é atribuído ao ensino. 
Assim concebemos, por entender- mos que o professor, ao tomar consciência do seu papel po-
lítico como professor, muda sua postura frente à sua maneira de se relacionar com o mundo e, 
consequentemente, as suas intenções educativas em relação à sua classe, fato que vai atribuir 
um olhar politizado ao conteúdo ensinado e, consequentemente, à formação dos alunos.
De acordo com a outra versão, a preocupação do professor se limita à busca de estratégias 
para articular pontos de vista dos alunos, em um só assunto, fazendo com que seja criado um 
problema inicial, em vez de ser evidenciado um problema real da sociedade por meio da tomada 
de consciência desse problema pelo professor e, obviamente, pelos alunos, fato que, no nosso 
entendimento, não vai atribuir um olhar politizado ao conteúdo ensinado e, consequentemente, 
à formação dos alunos. Após termos refletido a respeito dessa característica, remeter-nos-emos à 
reflexão a respeito de outra característica do projeto de trabalho, conforme apontado por Gaspa-
rim (2007): o processo de elaboração do projeto se desenvolve através do método prática, teoria 
e prática, prevendo tudo o que vai ser desenvolvido em cada um dos cinco passos da pedagogia 
histórico-crítica, que se fundamenta no método dialético de Marx e Engels, o qual propõe que a 
construção do conhecimento é um processo de análise da realidade, de estudo, de planejamento 
e de (re)construção do saber em aula.
Já na versão da literatura espanhola adotada nos cursos de formação de professores do Bra-
sil, a característica diz respeito à preocupação com a construção de um percurso por um tema
-problema que favorece a análise, a interpretação e a crítica (como contraste de pontos de vista), 
para, assim, desenvolver a atitude de cooperação em que o professor é um aprendiz, e não um 
especialista.
Ou seja, em uma ótica, a visão centra a atenção do professor no processo de interpretação 
e crítica que promove a reflexão a respeito dos diferentes pontos de vista acerca de tema e pro-
blema, objetivando desenvolver nos alunos uma atitude solidária de cooperação, que entende-
mos estar de acordo com as atuais políticas mundiais. Na versão histórico-crítica, volta-se para 
a construção do conhecimento como um processo de análise da realidade, de estudo, o que en-
tendemos estar de acordo com a proposta de uma educação de fato emancipatória, pelo fato de 
83
Pedagogia - Didática
desvelar as contradições encontradas na vivência da realidade social em que se encontram pro-
fessores e alunos, de forma a tornar possível uma análise dos elementos reais que promoverem 
a origem e evolução da problemática estudada, condição necessária ao processo de politização 
das pessoas.
Outra característica importante a ser evidenciada diz respeito à condição de aprendiz dele-
gada ao professor que não é visto como um especialista, mas que trabalha com diferentes tipos 
de informação, de forma a ensinar ao aluno não os conteúdos, mas sim a escutar, para que seja 
possível aprender com os outros colegas, considerando que todos podem aprender, caso as con-
dições para tal lhe forem oferecidas de alguma forma.
Ou seja, a aprendizagem está vinculada à atividade manual e à intenção do aluno, conforme 
propõe a escola nova.
Enfim, para executar o trabalho com projeto, conforme aponta Gasparim (2007), cabe ao 
professor mobilizar os alunos para a nova forma de estudar. Ele trabalha com a intenção de pro-
mover não atitudes de cooperação, como na outra proposta, mas sim de engajamento dos edu-
candos no processo didático-pedagógico, de forma que não são os alunos que determinam a di-
reção do conteúdo, porque entendemos que ele não tem maturidade para tal. Mas que o “ele” (o 
aluno) seja sujeito do processo educacional no decorrer das fases do trabalho, ou seja, Problema-
tização, Instrumentalização, Catarse, Prática Social. Dessa forma, saberão que o trabalho vai ser 
desenvolvido pelo método: prática-teoria- prática e, consequentemente, entenderão a importân-
cia do conteúdo estudo em suas vidas, o que, no nosso entendimento, promoverá uma mudança 
de postura por parte de alunos e professores.
Esclarecemos-lhe que você precisa entender, ainda, que, ao falarmos a respeito de mudar 
de postura, aqui, implica deixar de se conceber como um espectador da vida para se tornar um 
sujeito que produz a vida por meio de suas ações e pensamentos dinâmicos e constantes sobre 
o mundo que, consequentemente, no decorrer do movimento histórico, o produz. Prosseguimos 
nossa conversa, lembrando-lhe que tudo o que dizemos se aplica diretamente à sua formação 
como professor(a). Por exemplo, com o conteúdo que estamos discutindo nesse caderno, esta-
mos discutindo a sua formação, a nossa formação, como professor, e não apenas tratando de fa-
tos históricos distantes de nossas preocupações. Estamos falando a respeito de nossas vidas ou 
das políticas que envolvem a educação oferecida para todos nós e para nossos filhos no atual 
contexto das sociedades globalizadas em que vivemos.
Enfim, não se esqueça de que as características do projeto de trabalho pedagógico, visto 
por uma ótica norteada pela pedagogia histórico-crítica, encontram-se nos fundamentos do ma-
terialismo histórico-dialético. Sendo assim, as características do processo ensino-aprendizagem 
são norteadas por uma
(...) metodologia dialética do conhecimento que perpassa todo trabalho do-
cente-discente, estruturando e desenvolvendo o processo de construção do 
conhecimento escolar, tanto no que se refere à nova forma de o professor estu-
dar e preparar os conteúdos e elaborar e executar seu projeto de ensino, como 
respectivas ações dos alunos. A nova metodologia de ensino-aprendizagem 
expressa a totalidade do processo pedagógico, dando-lhe centro e direção na 
construção e reconstrução do conhecimento. Ela dá unidade a todos os ele-
mentos que compõem o processo educativo escolar (GASPARIM, 2007, p. 5).
Para você conhecer a dinâmica do projeto de trabalho proposta por Gasparim, ressaltamos 
que, na ótica que fundamenta o pensamento desse conhecimento, é considerado como produto 
histórico da ação do homem na realidade social em que vive. Dessa forma, esse autor afirma que 
o primeiro passo de um projeto refere-se à atitude de:
Ver a prática social dos sujeitos da educação. A tomada de consciência sobre 
essa prática deve levar o professor e os alunos à busca do conhecimento teórico 
que ilumine e possibilite refletir sobre o seu fazer prático cotidiano. A prática, da 
qual se está falando, não se reduz somente ao que fazem, sentem e pensam os 
educandos em seu dia-a-dia. Ela sempre é, também, uma expressão da prática 
social geral, da qual o grupo faz parte. Ora, isso faz compreender que se, a tota-
lidade social é histórica e contraditória, tanto em seus componentes objetivos 
quanto subjetivos, o mesmo se dá com fatos, ações e situações específicas da 
realidade imediata dos alunos na educação escolar (GASPARIM, 2007, p. 6).
Quanto ao segundo passo do trabalho com projeto apresentado por esse autor, centra-se na 
teorização da prática, considerando que as problematizações levantadasa respeito do cotidiano 
direcionam a busca de elementos teóricos necessários para desvelar as contradições que estão 
84
UAB/Unimontes - 3º Período
implícitas na aparência dos fatos ou fenômenos vivenciados, para que sejam estabelecidas rela-
ções internas entre os conteúdos e a prática sócio- histórica, de forma a superar o conhecimento 
empírico para o conhecimento teórico-científico.
Atenção! Entendemos que, para que a explicação da realidade por meio do conhecimento 
particular seja transformada em uma explicação por meio de conceitos científicos e juízos uni-
versais, é necessário o conhecimento teórico, pois o domínio desse conhecimento é condição 
para a compreensão da realidade nas diversas dimensões que a compreendem.
Aqui, você pode observar que o projeto nessa visão difere da versão que apresentamos an-
teriormente. Concebemos, assim, por que, na primeira versão ora apresentada, a preocupação 
era garantir o ensino dos conteúdos científicos.
Ressaltamos que, ao falarmos de ensino de conteúdos, nessa ótica, não estamos falando 
de transmissão de conteúdos prontos, entendidos como verdade, muito menos de memoriza-
ção mecânica como centro da atividade de aprendizagem, conforme apresentado como dogmas 
pela concepção tradicional liberal de educação implantada no Brasil na década de 1920.
Alertamos que, quando falamos de ensino dos conteúdos, estamos falando da vivência do 
ensino-aprendizagem por meio do desenvolvimento, conforme afirma Gasparim:
Em substituição aos dogmas tradicionais, passam a ser desenvolvidas atitudes 
e atividades de investigação, reflexão crítica e participação ativa dos educan-
dos novos com os anteriores que eles já trazem. O conhecimento sistemati-
zado, neste processo de unidade e luta, nega, incorpora e supera o conheci-
mento existente, gerando em um todo novo nível superior. A teorização é um 
processo fundamental para a apropriação crítica da realidade, uma vez que ilu-
mina e supera o conhecimento imediato e conduz à compreensão da totalida-
de social (GAPARIM, 2007, p.7).
Após refletirmos a respeito do segundo passo da metodologia de projetos de trabalho na 
perspectiva histórico-crítica, convidamo-lo(a) para pensarmos um pouco a respeito do terceiro 
passo, que diz respeito ao retorno à prática para transformá-la. Isso considerando que o educan-
do já possui os elementos teóricos necessários para compreensão da realidade para além da apa-
rência, mas em sua essência, condição necessária para que assuma um novo posicionamento em 
relação à prática.
Você precisa ter claro que, nessa perspectiva, um novo posicionamento em relação à prática 
só é possível quando se muda a maneira de entendê-la. Ressaltamos que as nossas ações pas-
sam pelo nosso entendimento, que é abstrato, ou seja, produto do pensamento, o que justifica a 
visão de teoria e prática para além da dicotomia. Ou melhor, como práxis.
Alertamos que, sob essa ótica, a prática é ponto de partida e ponto de chegada (ação-refle-
xão-ação). Dessa forma, a transformação da realidade acontece pela ação do sujeito que passa a 
ver o mundo sob diversos aspectos que ultrapassam seu ponto de vista, como propõe a metodo-
logia de projetos que discutimos anteriormente. Nessa perspectiva, a transformação não diz res-
peito à transformação pessoal com base nos interesses individuais, mas sim à transformação do 
sujeito, de forma mais ampla e comprometida com a busca de práticas sociais politicamente 
democráticas.
A respeito deste terceiro momento, Gasparim diz:
Ao colocar em prática os conhecimentos adquiridos, o sujeito modifica sua 
realidade imediata. Logo, o conhecimento teórico perde o seu caráter de ser 
apenas “uma compreensão do que acontece”, para se tornar “um guia de ação”. 
O conhecimento teórico adquirido pelo educando retorna a prática social de 
onde partiu, visando agir sobre ela com entendimento mais crítico, elaborado 
e consistente, intervindo em sua transformação. Esse processo teoria-prática-
teoria não é linear, mas se desenvolve em círculos concêntricos e crescentes, 
possibilitando ao aluno a busca contínua de novos conhecimentos e novas 
práticas. Tratar-se-á de uma concepção metodológica que propõe o equilíbrio 
entre teoria e prática e os processos indutivo e dedutivo na construção do co-
nhecimento (GASPARIM, 2007, p. 8).
Após dialogarmos a respeito da metodologia do projeto de trabalho pedagógico, de acor-
do com as duas visões aqui propostas, você pode observar que, entre uma proposta e a outra, 
existe uma diferença básica. Esta diferença encontra-se direcionada para a visão de mundo que 
alicerça cada uma. A primeira fundamenta-se em uma visão humanista coerente com a proposta 
de modernidade, cuja lógica pode ser encontrada nos princípios da fenomenologia. Em contra-
partida, a outra se encontra fundamentada na lógica que direciona a visão de mundo materia-
85
Pedagogia - Didática
lista histórico-dialético crítica, a fim de alicerçar uma proposta pedagógica adequada à realida-
de social brasileira. Nessa perspectiva, alguns pesquisadores brasileiros propõem construir uma 
proposta pedagógica a ser adotada nas escolas desse país, a qual contribua com a formação de 
sujeitos da história da sociedade em que vivem.
Concluímos a reflexão acerca do desenvolvimento do projeto de trabalho, esclarecendo-lhe 
que entendemos que a primeira metodologia aqui abordada tem fundamentado as discussões 
acerca dessa temática nos cursos de formação de professores por intermédio da circulação de 
literatura de origem espanhola, que demanda pelas políticas internacionais a serviço dos interes-
ses do capital, com o propósito de promover uma pedagogia do consenso entre os países econo-
micamente menos favorecidos.
Ressaltamos, ainda, que esta forma de trabalho não é novidade nas escolas brasileiras. Afir-
mamos, assim, que, ao considerarmos na década de 30 o contexto escolar brasileiro, tal proposta 
de trabalho pedagógico já foi vivenciada dessa forma com o nome de escola nova/humanista, 
moderna ou escola ativa, com um discurso de humanizar a educação, respeitar o ponto de vis-
ta dos alunos, permitir a liberdade de pensamento, fundamentada nos princípios da psicologia, 
conforme defende César Coll (1994), o qual se fundamenta nos atuais parâmetros curriculares, 
ressaltando os princípios liberais, pragmáticos, autoritários, que são visíveis, quando priorizam os 
interesses individuais e os processos metodológicos, desconsiderando a realidade social e políti-
ca de maneira a deixar em segundo plano a aquisição do conhecimento.
Enfatizamos, também, que a volta sutil da educação vivenciada na década de 30 traz consi-
go para salas de aula das escolas brasileiras, por meio da denominação de trabalho com projeto, 
a prioridade de uma lógica psicológica norteada pelo pensamento de norte-americanos como 
Dewey, em defesa do ensino como um processo de pesquisa, em um clima de liberdade e auto-
nomia. Segundo Libâneo:
Dewey e seus seguidores reagem à concepção herbartiana da educação pela 
instrução, advogando a educação pela ação. A escola não é uma preparação 
para a vida; a educação é o resultado da interação entre o organismo e através 
da experiência e da reconstrução da experiência. (...) a atividade escolar deve 
centrar-se em situações de experiência onde são ativadas as potencialidades, 
capacidades, necessidades e interesses naturais da criança. O currículo não se 
baseia nas matérias de estudos convencionais que expressam a lógica do adul-
to, mas nas atividades e ocupações daquela vida presente, de modo que a es-
cola se transforme num lugar de vivência daquelas tarefas requeridas para a 
vida em sociedade (LIBÂNEO, 1991, p. 62).
4.6 Em síntese
Acreditamos que a função do projeto é de tornar a aprendizagem ativa, interessante, signifi-
cativa, real e atrativa para o aluno, englobando a educação em plano de trabalho agradável, semimpor os conteúdos programáticos de forma autoritária. Assim, o aluno busca e consegue infor-
mações, lê, conversa, faz investigações, formula hipóteses, anota dados, reúne o necessário, por 
fim, converte tudo isso em pontos de partida para a construção e ampliação de novas estruturas 
cognitivas.
Dentro dessa perspectiva, os conteúdos disciplinares, antes teóricos e abstratos, deixam de 
ser um fim em si mesmos e passam a ser meios para ampliar a formação dos alunos e sua inte-
ração com a realidade, de forma crítica e dinâmica. Há também o rompimento com a concepção 
de “neutralidade” dos conteúdos disciplinares que passam a ganhar significados diversos, a partir 
das experiências sociais dos alunos, envolvidos nos projetos.
Ao participar de um projeto, os alunos estão envolvidos em uma experiência educativa 
onde o processo de construção de conhecimento está integrado às práticas vividas. Esse aluno 
deixa de ser, nessa perspectiva, apenas um “aprendiz do conteúdo de uma área de conhecimen-
to qualquer. É um ser humano que está desenvolvendo uma atividade complexa e que nesse 
processo está se apropriando, ao mesmo tempo, de um determinado objeto de conhecimento 
cultural e se formando como sujeito cultural”. Isso significa a impossibilidade de homogeneizar 
os alunos – desconsiderando sua história de vida, seus modos de viver, suas experiências cultu-
rais e dar um caráter de neutralidade aos conteúdos, desvinculando-os do contexto sócio-históri-
co que os gestou.
86
UAB/Unimontes - 3º Período
O que caracteriza o trabalho com projetos não é o fato de a temática surgir dos alunos ou 
professores, mas o tratamento dado a esse tema, no sentido de torná-lo uma questão do grupo 
como um todo e não apenas de alguns ou do professor. Nesse sentido, os problemas ou temáti-
cas podem surgir de um aluno em particular, de um grupo de alunos, da turma, do professor ou 
da própria conjuntura. O que se faz necessário garantir é que esse problema passe a ser de todos, 
com um envolvimento efetivo na definição dos objetivos e das etapas para alcançá-los, na parti-
cipação das atividades vivenciadas e do processo de avaliação.
Ao elaborar um projeto, alguns aspectos devem ser observados: o perfil do grupo (é neces-
sário conhecer o grupo, nível cognitivo, idade, série, postura, etc.), justificativa (fundamenta a 
escolha do projeto e a importância do mesmo para o grupo, tendo como referência a proposta 
curricular), objetivos (o que o aluno será capaz de fazer no final do projeto), etapa (processo de 
desenvolvimento do projeto), recursos (recursos necessários para execução do projeto), tempo 
(o tempo deve ser pensado tendo como referência o grupo) e avaliação (o processo de avaliação 
é feito junto com os alunos). No trabalho com projeto deve-se observar três momentos: a proble-
matização (é o detonador, início), o desenvolvimento (criam-se estratégias e buscam-se respos-
tas) e síntese (quando se chega à conclusão do buscado).
Em suma os projetos são processos contínuos, que refletem uma concepção de conheci-
mentos como produção coletiva, onde a experiência vivida e a produção cultural sistematiza-
da se entrelaçam dando significado às aprendizagens construídas. Aprendizagens estas que 
servem não só à resolução dos problemas postos para aquele projeto específico, mas que são 
utilizadas em outras situações, mostrando, assim, que os educandos são capazes de estabelecer 
relações e utilizar-se do conhecimento aprendido sempre que necessário. Por isso, pode-se afir-
mar com convicção que a Pedagogia de Projeto não se insere numa proposta de renovação de 
atividades e, sim, de mudanças da postura pedagógica, mesmo que seja para atender à lógica 
capitalista.
Referências
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dicas, 1994.
DALOROSA, Adair Ângelo. Globalização, neoliberalismo e a questão da transversalidade. In: LOM-
BARDI, José Claudinei (Org.). Globalização, pós-modernidade e educação. São Paulo: Autores 
Associados, 2001, 217p.
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HERNANDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. Porto 
Alegre: Artmed. 1998. 150p.
JACOMELI, Mara Regina Martins. PCns e temas transversais: análise histórica das políticas pú-
blicas Educacionais brasileiras. Campinas/SP: Alínea, 2007. 212p.
JOLIBERT, Josette e Colaboradores – Formando Crianças Leitoras. Porto Alegre: Artes Médicas. 
1994.
LEITE, Lúcia Helena Alvarez. Pedagogia de Projeto – intervenção no presente. In Presença Pe-
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NOGUEIRA, Nilbo. Pedagogia de Projeto. Palestra Proferida em Belo Horizonte em maio de 
2006. Minas Centro. Belo Horizonte: 2006. Disponível em <Httpp//www.espectrum.com.br>.
SANFELICE, J.L. Movimento estudantil: a UNE na resistência ao golpe de 64. São Paulo: Cortez; 
Campinas: Autores Associados, 1986.
87
Pedagogia - Didática
SANFELICE, José Luís. Pós-modernidade, globalização e educação. In: LOMBARDI, José Claudinei 
(org.). Globalização, pós-modernidade e educação. São Paulo: Autores Associados, 2001, p. 
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SAVIANI, Dermeval. escola e democracia. São Paulo: Cortez, 1991. 64p.
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia Histórico-Crítica: Primeiras Aproximações. 6. ed. Campinas, SP: 
Autores Associados, 1993. 153p.
SAVIANI, D. A nova lei da educação trajetória limites e perspectivas. Campinas: SP Autores 
Associados 2000.
89
Pedagogia - Didática
Resumo
Unidade I
Nesta unidade você aprendeu:
•	 As tendências pedagógicas fundamentam-se em concepções de educação, que, por sua vez, 
se sustentam em uma visão de mundo e expressam uma corrente filosófica.
•	 As tendências pedagógicas predominantes na educação brasileira não nasceram a serviço 
dos interesses do povo brasileiro. Nasceram para servir aos interesses da coroa portuguesa 
e, posteriormente, aos interesses das classes dominantes.
•	 A concepção de educação hegemônica na educação brasileira encontra-se embasada na 
concepção de educação medieval produzida por Santo Agostinho e São Tomás de Aquino.
•	 A tendência pedagógica tradicional liberal no Brasil tem duas vertentes, sendo uma verten-
te religiosa, e a outra, vertente leiga.
•	 A tendência pedagógica na vertente religiosa é originada nas concepções medievais de 
educação que resgatam o pensamento grego, com base na lógica Cristã, que concebe o ho-
mem à imagem e semelhança de Deus e a educação como a condição de busca desta ima-
gem por ser o modelo ideal.
•	 A tendência tradicional na vertente religiosa predominou no Brasil até a expulsão dos Jesuí-
tas. Com a saída dos jesuítas, professores leigos foram assumindo as aulas e assim permane-
ceram por muito tempo, durante o Império e a República. A didática se baseia na instrução 
para uns e na catequese para outros.
•	 A tendência pedagógica na vertente leiga tem como objetivo difundir o conhecimento, de 
forma a capacitar todos a serem cidadãos e capazes de viverem como tal na cidade. O ensi-
no é humanístico, enciclopédico e meramente teórico.
•	 A Didática, de acordo com a tendência pedagógica tradicional liberal na vertente leiga, ba-
seava-se no verbalismo do professor e memorização do aluno. O que diferenciava essa ten-
dência da vertente religiosa era o critério de verdade do conhecimento que não se funda-
menta mais na sagrada escritura, mas sim nas leis da natureza.
•	 Em oposição à tendência tradicional liberal, pensamentos humanistas são difundidos no 
contexto educacional brasileiro. Dessa forma, as ideias modernas são utilizadas como instru-
mento de ação política, baseadas em princípios democráticos.
•	 A tendência liberal renovada e a tendência tradicional liberal fundamentam-sena lógica da 
contraposição dos pensamentos de Aristóteles, em relação ao pensamento essencialista-
-idealista de Platão que afirma ser a educação não ativa, mas sim contemplativa, ou seja, 
apenas teórica. E, para entendermos melhor, lembramos que a concepção de educação de 
Aristóteles é levada para a Idade Média por São Tomás de Aquino e tem sua continuidade na 
Modernidade por meio do pensamento empirista, experimental de Bacon, de forma a fun-
damentar as teorias de ensino-aprendizagem, de cunho psicológico, que vêm sendo adota-
das no contexto da história da educação brasileira.
•	 Com base na tendência liberal renovada, o processo ensino-aprendizagem vivenciado neste 
país é marcado pela valorização das técnicas de ensino, sempre com base em fatores psico-
lógicos experimentais e pedagógicos, independentemente da realidade social encontrada. 
A tendência pedagógica tecnicista fundamenta-se na ideia de formar o técnico eficiente, ca-
paz de desenvolver determinada habilidade com competência. Sendo assim, defende um 
modelo de educação baseado no treino, no condicionamento, de acordo com a psicologia 
comportamentalista. Essa tendência reforça a divisão do trabalho de quem faz e de quem 
pensa, conforme determinado na Grécia por Platão, a serviço dos interesses aristocráticos. 
Nessa veia, atende aos interesses de fazer da escola um espaço de reprodução da ideologia 
dominante progressista.
•	 A educação brasileira sofre a influência de teorias críticas, fundamentadas em elementos da 
Filosofia, Sociologia e da História da Educação para negar a neutralidade científica propaga-
da no decorrer do período em que a tendência tecnicista era adotada oficialmente no con-
texto educacional brasileiro.
•	 As teorias crítico-reprodutivistas consideram a educação a partir dos seus aspectos sociais.
•	 Com a função de reproduzir as condições sociais vigentes, denunciam o caráter reprodutor 
90
UAB/Unimontes - 3º Período
da escola. Há uma predominância dos aspectos políticos, enquanto as questões didático
-pedagógicas são minimizadas. Professores, alunos e demais sujeitos inseridos no contexto 
educacional assumem uma postura de denúncia e, assim, o ensino dos conteúdos necessá-
rios fica em segundo plano, dando espaço às discussões dos problemas sociais e à escolha 
de métodos e técnicas adequadas para criar um ambiente propício aos debates e denún-
cias. Dessa forma, ao mesmo tempo em que existe a intenção de denunciar, contraditoria-
mente, existe o reforço à própria situação denunciada.
•	 Construir e vivenciar uma tendência pedagógica, cujos fundamentos giram em torno da Pe-
dagogia Histórico-Crítica (PHC), é pensar a educação a partir do trabalho e, consequente-
mente, ter como finalidade principal contribuir com a formação emancipada dos alunos. Por 
esse motivo, é proposto na direção dela a não dicotomização entre teoria-prática, a partir do 
momento em que as contradições (problemas) vivenciadas na realidade imediata são pro-
blematizadas em sala de aula, de forma que se tornam questões geradoras do conhecimen-
to. Nesse contexto, percebe-se a negação do verbalismo excessivo do professor e, também, 
do ativismo do aluno. Valoriza-se, assim, a prática do pensar como condição para o conheci- 
mento das teorias a respeito dos elementos que compõem o problema estudado.
•	 De acordo com a tendência pedagógica fundamentada na concepção histórico-crítica, pro-
põem-se práticas pedagógicas que consistem em um espaço de estudo histórico susten-
tado em uma visão de totalidade. Nessa direção, professores supervisores e alunos, enfim, 
os sujeitos inseridos nos processos pedagógicos planejam ações engajadas, a respeito dos 
problemas sociais diretamente relacionados com o conteúdo a ser ensinado. Assim, são 
realizadas análises em busca de encontrar as origens do problema evidenciado, de forma 
a trabalhar, tendo como perspectiva a transformação da realidade social, objetivando uma 
permanente mudança qualitativa da sociedade.
•	 A Didática à luz da pedagogia histórico-crítica requer do professor a elaboração constan-
te de métodos necessários à vivência do ensino-aprendizagem por professores e alunos, de 
forma coerente com a busca de superação das condições contraditórias concretas existen-
tes na realidade da sala de aula, espaço entendido como resultado de todo um complexo 
de tramas políticas vivenciadas no decorrer da história a serviço de determinados interesses.
Unidade II
Nesta unidade você aprendeu:
•	 Pensar a Didática implica pensar no ato de ensinar, que é uma ação do homem, que, como 
qualquer outra ação, traz em si uma intenção, pois o ato de ensinar do professor também 
não é neutro. O professor ensina de uma forma ou de outra, porque aprendeu ou aprimorou 
aquela maneira, cujos fundamentos foram pensados, no contexto de uma sociedade em al-
guma circunstância histórica, por pessoas movidas pelos interesses que predominavam.
•	 Concepções de educação produzidas por filósofos, como: Sócrates, Platão e Aristóteles, que 
representam a Paidéia Grega, marcam a história da educação da antiguidade até os dias 
atuais, originando as teorias clássicas de ensino-aprendizagem, as quais fundamentam as 
tendências pedagógicas que definem a Didática vivenciada na prática pedagógica das esco-
las brasileiras.
•	 A concepção de educação de Sócrates e Platão centrava-se em uma visão não dialética e, 
assim, defende que a verdade está pronta e acabada por ser centrada na alma, na essência. 
Nessa veia, traz um modelo ideal de mundo pré-determinado, que precisa apenas ser des-
coberto no decorrer do processo educacional, por meio da reflexão, em que o professor, por 
meio da verbalização, conduz o aluno ao encontro da verdade.
•	 Ao contrário de Platão, Aristóteles considera o homem um ser pensante. Concebe a educa-
ção de forma realista, e não idealista. Afirma que o homem se desenvolve por meio da lógi-
ca, sendo potencial inato (natureza), hábito, ensino (razão). A educação se dá por meio do 
uso dos sentidos e das mãos. Dessa maneira, nasce a ideia do aprender fazendo, que predo-
mina nas abordagens em que o professor é concebido como alguém que não ensina, mas 
orienta por meio de suas atitudes. Aristóteles diz que o homem já nasce com a potência que 
se materializará por meio da observação e do ato, repetido várias vezes, que consiste no trei-
no, como propõem as concepções técnicas condicionantes.
•	 Na Idade Média, a filosofia cristã, por meio de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, res-
gata as ideias de Platão e Aristóteles, interpretando-as à luz do cristianismo, e elabora, en-
tão, concepções de educação que ainda hoje são predominantes nas tendências pedagógi-
cas que norteiam a Didática adotada nas escolas brasileiras.
91
Pedagogia - Didática
•	 São Tomás de Aquino, considerado discípulo de Aristóteles, concebe a educação como um 
fenômeno ativo, não mecânico. Refere-se à educação como a condução da potência que é 
a predisposição inata que a pessoa tem ao ato estimulado, com fim em si próprio. Aprender 
fazendo. Valoriza a atividade intelectiva e a atividade prática, mostrando o valor do trabalho 
do homem nas relações com a natureza que promovem a evolução da história da huma-
nidade A sua concepção de educação contradiz as doutrinas dominantes na época, ao de-
fender que a pessoa não aprende por si mesma, só ouvindo o professor falar e meditando. 
Defende que a educação é, ao mesmo tempo, ativa e contemplativa (teórica e prática).
•	 Agostinho afirma o pensamento socrático-platônico, dizendo que a educação é “iluminação 
interior”. Para o homem se educar, é necessário voltar-se para si mesmo. A contemplação é 
fundamental no processo educacional, pois é necessária numa situação em que o homem 
se sente aflito e busca respostas. Afirma, ainda, que o papel do professor não é educar, mas 
sim incomodar o aluno para que ele busque consultar seu interior,morada onde reside a 
verdade imutável.
•	 O pensamento de Bacon e Descartes, no início da modernidade, dá continuidade a duas po-
sições ideológicas favoráveis aos interesses político-econômicos da época. Bacon propõe 
uma ciência que defende a lógica indutiva. Por meio do método experimental, com base 
em generalizações oriundas de observações repetidas de fenômenos, a fim de formular leis 
científicas. A concepção de educação empirista é proposta por Bacon e encontra-se em con-
sonância com o pensamento de Aquino na Idade Média, quando diz que o conhecimento 
é construído da abstração intelectual do que é percebido pelos sentidos na natureza. As-
sim, a respeito do pensamento empirista, podemos entender que a concepção de educação 
tem suas raízes no pensamento realista de Aristóteles, que se encontra presente na história 
da educação brasileira, por meio das tendências pedagógicas que pressupõem que o aluno 
constrói seu conhecimento, ao observar a natureza e escutar o mundo, independentemente 
do verbalismo de professor. Afirma a educação via experiências práticas, ou aprender fazen-
do, que relaciona com o aprender a aprender, está a serviço dos interesses originados nas 
ideias iluministas.
•	 Descartes afirma que o homem como ser pensante é racional, independente, consciente do 
seu valor, capaz de discernir o que é melhor para si mesmo e capaz de perceber as coisas 
sensorialmente e conhecê-las por intermédio do pensamento. Sua concepção de educação 
origina-se nas ideias socrático-platônicas, defendendo que a aprendizagem se dá na alma. 
Prioriza a atividade teórica considerada a essência da natureza humana. Concebe a educa-
ção como produto do homem ser pensante, capaz de raciocinar. Com Descartes, nasce a 
concepção de educação humanista moderna, fato que fica visível ao defender o antropo-
centrismo. E ainda quando explica que a construção do conhecimento é mecânica e aconte-
ce por meio da intervenção técnica sobre a natureza física e humana.
•	 As concepções de educação produzidas no contexto do nascimento da classe burguesa de-
terminam as concepções de educação que fundamentam os pensamentos dos autores que 
produzem as teorias clássicas de ensino-aprendizagem adotadas atualmente. Sendo assim, 
ressaltamos que as concepções de educação de autores, como: Comênio, Rousseau, Her-
bart, originadas nas ideias defendidas por Sócrates e Platão na Grécia clássica, Santo Agos-
tinho na Idade Média, e Descartes na Modernidade, contradizem as concepções de pensa-
dores, como: Pestalozzi, Froebel, Montessori, J. Dewey, etc., concepções que se originam nas 
ideias de Aristóteles na Grécia clássica, Santo Tomás de Aquino na Idade Média, bem como 
nas ideias de Bacon na Modernidade.
•	 A concepção de educação histórico-crítica contrapõe-se às concepções de educação essen-
cialista. Concebe o mundo de forma dinâmica, afirma a mudança por meio do enfrentamen-
to das contradições vivenciadas pelas diferentes classes sociais no decorrer da história da 
humanidade, por meio da ação do homem que é um ser pensante, independentemente da 
classe social em que se encontra inserido. A concepção de educação histórico-crítica tem 
seus fundamentos na concepção filosófica, materialista, histórica e dialética produzida por 
Marx e Engels.
•	 A tendência pedagógica alicerçada na ideologia marxista embasa o pensamento de intelec-
tuais, como Makarenko e Gramsci, e norteia uma pedagogia socialista a partir da ideia de 
solidariedade dentro de um complexo social. 
92
UAB/Unimontes - 3º Período
Unidade III
Nesta unidade você aprendeu:
•	 A importância do planejamento de ensino para a prática pedagógica, que tem como meta a 
transformação do conhecimento.
•	 Os diferentes tipos de planejamento escolar e a função de cada um deles.
•	 Sobre cada elemento que compõe o Planejamento de ensino: objetivos, conteúdos, méto-
dos e recursos de ensino e avaliação.
•	 Como os objetivos de ensino assumem diferentes formas de elaboração, de acordo com as 
tendências e os fins da educação, atendendo aos interesses e às intenções educativas, a fa-
vor de quem os define.
•	 Os dois tipos de objetivos: geral e específicos.
•	 Na definição dos objetivos, tendo em vista um processo de ensino transformador, é essen-
cial considerar o nível de aprendizagem a ser atingido, a aquisição, a reelaboração dos co-
nhecimentos aprendidos e a produção de novos conhecimentos.
•	 A seleção e organização de conteúdos como processo pedagógico implica um resgate his-
tórico das abordagens da Didática.
•	 A seleção dos conteúdos deve basear-se nos critérios: validade, utilidade, significação, ade-
quação ao nível de desenvolvimento do aluno e flexibilidade.
•	 Na seleção dos procedimentos de ensino deverão ser levadas em consideração atividades 
que estimulem a criatividade dos alunos.
•	 As técnicas convencionais de ensino que existem há muito tempo e que são de grande im-
portância para a mediação pedagógica são processos ativos que possibilitam o contato en-
tre o conteúdo e os alunos na realização da aprendizagem.
•	 O que importa, além dos procedimentos de ensino, é a ação do professor, sua atitude pro-
fissional, a forma de tratar o conteúdo, o relacionamento entre professor e alunos e entre os 
próprios alunos, as ligações do conteúdo com a vida real dos aprendizes e com o contexto 
social maior.
•	 São os materiais didáticos que auxiliam no processo ensino-aprendizagem, provocando o 
interesse dos alunos e facilitando a participação destes durante as aulas.
•	 Ao selecionar os recursos, o professor deve ter em vista os objetivos propostos no planeja-
mento e verificar se estão condizentes com o conteúdo e com a natureza da matéria que 
será trabalhada.
•	 A avaliação é um elemento do planejamento de ensino, que deve ser definida no início do 
processo quando o professor define os objetivos de ensino.
•	 A avaliação deve estar vinculada a um projeto educativo mais amplo que deve contar com a 
participação dos professores, alunos, demais profissionais da escola, pais ou responsáveis e 
representantes da comunidade onde a escola está inserida.
•	 Como as tarefas relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem não são estanques, iso-
ladas, a avaliação será efetivada durante o processo, nas relações dinâmicas de sala de aula 
que orientam as tomadas de decisões frequentes, relacionadas ao tratamento do conteúdo 
e a melhor forma de ensinar.
•	 É necessário que o professor seja capaz de distinguir diferentes concepções de avaliação.
Unidade IV
Nesta unidade você aprendeu:
•	 No atual contexto social denominado pós-modernidade, à escola é atribuída a função de 
“vender” o ensino que é considerado um produto consumido de acordo com a ordem de-
terminada pelos interesses capitalistas. Precisamos, então, ficarmos atentos e levarmos em 
conta que é responsabilidade da escola trabalhar e se organizar, para que possa formar pes-
soas capazes de atuar no mundo, com atitudes responsáveis e conscientes.
•	 Por influência da globalização, veículos como a escola são utilizados para formar valores so-
ciais, formas e normas das mais diversas culturas a serviço da lógica do mercado, fazendo 
com que o modelo neoliberal seja aceito e apreendido como natural por meio da cultura 
expressa na pós-modernidade.
•	 Ao pensar a organização da escola, é necessário considerarmos que a escola não é neutra e 
encontra-se inserida em uma sociedade que a produz a serviço do entendimento de uma 
ideologia, que consiste na ideologia neoliberal, que legitima a globalização do capitalismo e 
legitima a democracia, condenando e negando qualquer outra visão de mundo.
93
Pedagogia - Didática
•	 Mudar o perfil da educação para atender à demanda da sociedade pós-moderna requer 
considerar que o conhecimento antes especializado para atender às necessidades da divi-
são do trabalho das linhas de produção agoraprecisa ser globalizado, de forma a promover 
o ensino no contexto de uma escola que propõe a descentralização de sua organização, fato 
que resulta na regionalização dos currículos desarticulados do currículo nacional, com con-
sequente fragmentação do saber e desarticulação dos professores, que deixam de questio-
nar o seu papel frente à sociedade.
•	 Desde a Grécia até a atual realidade brasileira, a cultura escolar é produzida pelas políticas 
educacionais que implantam e legitimam um modelo de escola, de forma a tendenciar o 
ensino a ser desenvolvido.
•	 Mesmo com o discurso de realizar uma educação crítico-reflexiva, as políticas educacionais 
promovem nos alunos uma postura passiva que os submete às imposições do sistema que, 
no contexto da sala de aula, são veiculados por intermédio dos professores, que, também, 
se encontram na condição de reféns de um processo de formação restrito.
•	 Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs – defendem uma reorganização do discurso 
neoliberal em educação, estando em sintonia com as políticas mundiais adotadas em âmbi-
tos sociais, econômicos e culturais do presente histórico do capitalismo, que na área educa-
cional enfatizam que o papel da escola deve ser o de formar o cidadão para atuar em uma 
sociedade democrática.
•	 Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs – destacam, entre os temas transversais, a plu-
ralidade cultural, por ser o tema que faz considerações sobre os conhecimentos e a valori-
zação das características étnicas e culturais dos diferentes grupos sociais que convivem no 
território nacional, as desigualdades socioeconômicas e a crítica às relações discriminatórias 
e excludentes que permeiam a sociedade brasileira, oferecendo ao aluno a possibilidade de 
conhecer o Brasil como um país complexo, multifacetado e, algumas vezes, paradoxal. Por-
tanto, confirmam que foram organizados na perspectiva da tendência escolanovista.
•	 A organização dos conteúdos em torno de projetos, como forma de desenvolver atividades 
escolares, favorece a compreensão da multiplicidade de aspectos que compõem a realida-
de.
•	 Projetar um trabalho educativo a ser desenvolvido na sala de aula, no âmbito de uma insti-
tuição escolar, não implica apenas organizar conteúdos, traçar objetivos e escolher métodos 
de ensino. Significa sim traçar uma estratégia de ação, com fins determinados, em direção à 
formação de pessoas que se tornarão um determinado modelo de homem.
•	 Atualmente, podemos encontrar dois modelos de projetos de trabalho pedagógico que são 
utilizados nas escolas brasileiras com o intuito de nortear a dinâmica do ensino-aprendiza-
gem. Um deles com base nos fundamentos da concepção de educação humanista alicerça-
da na corrente filosófica fenomenológica, que norteia a tendência pedagógica denominada 
escolanovista ou humanista moderna. E o outro fundamentado na concepção de educação 
marxista denominada de histórico-crítico-dialética, que norteia a tendência denominada 
crítico-social dos conteúdos ou Pedagogia histórico-crítica.
•	 O trabalho com projetos é uma forma de trabalho pedagógico na contemporaneidade por 
ser uma alternativa que as políticas educacionais atuais encontraram para a escola trabalhar 
de forma eficiente temas sobre pluralidade cultural e tratar dos conteúdos culturais dentro 
da sala de aula e, consequentemente, possibilitar uma nova organização escolar.
•	 Há uma contradição apresentada no cerne da proposta escolanovista ou humanista mo-
derna quando ela prioriza uma situação que entendemos ser praticamente impossível no 
contexto da escola pública brasileira, dadas as condições estruturais apresentadas por ela: 
a quantidade de alunos na sala de aula, a jornada de trabalho do professor demandada em 
função das condições salariais, o fato de a formação dos professores não ser planejada para 
que eles se capacitem de forma adequada para desenvolver este tipo de atividade.
•	 O portfólio, como modalidade de avaliação, possibilita identificar questões relacionadas ao 
modo como os educandos e educadores refletem sobre os objetivos da aprendizagem, per-
mitindo que cada aluno reconstrua seu processo de aprendizagem e explique os momen-
tos-chave nos quais o estudante superou ou localizou um problema.
•	 Os projetos são uma das formas de organizar o trabalho didático, que pode integrar dife-
rentes modos de organização curricular. O trabalho com projetos traz uma nova perspectiva 
para entendermos o processo ensino-aprendizagem. O enfoque que se alicerça na tendên-
cia pedagógica norteada pela concepção de educação histórico-crítico-dialética vem sendo 
produzido desde a década de 80 por pesquisadores brasileiros, a ser adotado nas salas de 
94
UAB/Unimontes - 3º Período
aula das escolas deste país. Antes de trabalhar com as características do projeto de trabalho 
nessa perspectiva, precisamos levar em conta o ponto de vista de Saviani (1991), quando 
esse autor afirma conceber a educação como o processo de formação humana, que age di-
retamente na reprodução da vida de forma teórico-prática.
•	 A tendência pedagógica histórico-crítica busca superar a concepção de trabalho pedagó-
gico fragmentado, defendido pelas políticas individualistas, por meio de uma proposta de 
ensino-aprendizagem por intermédio de projetos de trabalho, o que está de acordo com 
a lógica da tendência pedagógica alicerçada na concepção histórico-crítico-dialética. Essa 
tendência ressalta a importância de se vivenciar a educação a partir do trabalho para que, 
consequentemente, tenha como finalidade principal contribuir com a formação emancipa-
da dos alunos.
•	 Problematização, Desenvolvimento e Síntese são três momentos fundamentais do processo 
contínuo de aprendizagem, apresentados, assim, para facilitar a compreensão da organiza-
ção do trabalho. Esses momentos não acontecem de forma isolada, uma vez que o trabalho 
com projeto não é compreendido como uma técnica de ensino.
•	 A organização das etapas do projeto deverá ser previamente planejada, de forma a compor-
tar as atividades que se pretende realizar dentro do tempo e do espaço de que se dispõe. 
Deve-se ter em conta que essa forma de organização dos conteúdos não representa um au-
mento de carga horária ou uma atividade extra.
95
Pedagogia - Didática
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101
Pedagogia - Didática
Atividades de 
Aprendizagem - AA
Leia o texto “As concepções de educação que fundamentam o ato de ensinar: expressão da ação 
política do homem, para educar o homem, que, por meio de suas ações, produz e reproduz a 
história do universo onde habita” e responda às questões propostas, em um parágrafo, com no 
máximo 10 linhas.
1) Para você, qual a importância de conhecer e compreender as concepções de educação a partir 
da consciência do contexto histórico em que foram produzidas?
2) O conhecimento, para Sócrates e Platão, se dava na alma, na essência da pessoa. Sendo assim, 
era centrado no intelecto, priorizando a teoria.
Em relação à concepção de educação proposta por eles, podemos afirmar que a educação acon-
tece por meio da atividade prática do aluno, orientada pelo professor, por meio de seu exemplo?
3) Na Idade Média, Aquino e Agostinho dão um cunho religioso às concepções de educação de 
Sócrates, Platão e Aristóteles, resgatando-as de forma a adequá-las aos interesses dominantes 
daquela época. Com relação à educação proposta na Idade Média, podemos afirmar que as con-
cepções de educação fundamentadas nas filosofias essencialistas foram produzidas a serviço dos 
interesses das classes menos favorecidas?
4) Leia o texto “As tendências pedagógicas implantadas na educação escolar brasileira: propos-
tas de ensino-aprendizagem/viabilização de interesses” e, em seguida, responda às questões pro-
postas, em um parágrafo, com no máximo 10 linhas.
5) Segundo Libâneo (1991, p. 62), a tendência liberal humanista moderna, fundamentada em 
Dewey, reage à concepção herbartiana da educação pela instrução, advogando a educação pela 
ação. A escola não é uma preparação para a vida; a educação é o resultado da interação entre o 
organismo, através da experiência e da reconstrução da experiência. Comente essa citação de 
Libâneo.
6) A Didática não é neutra. Ela traz em si um conteúdo implícito que, muitas vezes, é ensinado de 
forma indireta. O conteúdo que a Didática traz implícito em si se refere aos interesses defendidos 
pela visão de mundo sustentada pela tendência pedagógica que a norteia.
Faça um comentário levando em conta o perfil de aluno que se pretende formar em cada época 
da educação brasileira.
Leia o texto “Diferentes formas de trabalho pedagógico na contemporaneidade: projetos de tra-
balho” e, em seguida, responda às questões propostas, em um parágrafo, com no máximo 10 li-
nhas.
7) Considerando as concepções presentes nos projetos de trabalho, descreva o que você sabe 
sobre esta abordagem metodológica.
8) Hernandez (1998, p. 99) afirma que “a utilização do portifólio como recurso de avaliação é ba-
seada na ideia da natureza evolutiva do processo de aprendizagem”.
Escreva, em um parágrafo,as características que qualificam o pórtifólio.
9) Sabemos que planejamento de ensino é importante para a prática pedagógica, para evitar a 
improvisação, pois quem planeja tem suas ações organizadas, tendo em vista um objetivo, ga-
rantido com segurança e eficiência na direção do ensino, assegurando a economia de tempo e 
energia.
102
UAB/Unimontes - 3º Período
Leia o texto “Planejamento de ensino: importância e elementos estruturantes” e explique essa 
afirmativa, utilizando no mínimo 5 linhas.
10) Sobre avaliação de ensino, utilizando no mínimo 5 linhas, descreva sua opinião sobre a afir-
mativa de Lopes (2000, p. 49): “a avaliação numa concepção de planejamento criativo não faz 
sentido ser um processo classificatório dos resultados de ensino”.
11) Escolha um conteúdo de seu interesse.
Você deve criar 01 objetivo geral e, pelo menos, 05 objetivos específicos, seguindo o exemplo de 
Gasparim (2005).

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