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Resumo capítulo 13 do livro Antropologia e nutrição: um diálogo possível

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Cristiane GLD
RESUMO SOCIOLOGIA
CANESQUI, Ana Maria. Antropologia e nutrição: um diálogo possível. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2005. 
Ciências Sociais e Humanas nos Cursos de Nutrição (capítulo 13)
	O objetivo desse estudo foi analisar a importância da inserção de disciplinas de ciências sociais e humanas no currículo de nutrição dentro do Brasil, as autoras compararam os cursos brasileiros com alguns cursos dos EUA e Inglaterra. Este estudo teve como questionamento, a tentar ser respondido, os motivos que levaram uma ou outra disciplina ser adicionada ao currículo do curso, com intuito de aumentar a presença de ciências sociais no ensino da nutrição humana, e principalmente, tentaram “verificar como as disciplinas das ciências humanas e sociais, particularmente a antropologia, fazem parte dos currículos dos cursos de nutrição”.
	No texto conta que o profissional nutricionista foi idealizado por Josué de Castro juntamente com outros nutrólogos a partir do final da década de 30, sendo o primeiro curso de nutrição em 1939 no Instituto de Higiene de São Paulo, atual curso de graduação em Nutrição do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Desde então o número de instituições a oferecer o curso de nutrição só aumentou, passando de 6 cursos em 1968 e chegando em 169 em 2003. Os nutrólogos almejavam tanto “a capacitação de um profissional para a atuação na dietoterapia/nutrição clínica quanto a alimentação institucional/alimentação coletiva”.
	Josué de Castro e outros nutrólogos idealizavam dar forma ao curso de nutrição “com estudos e debates sobre a fome, os problemas alimentares e nutricionais e as intervenções governamentais a respeito”, no entanto, apesar de todo este escopo é possível perceber que “predomina na formação dos nutricionistas a vertente biologista da nutrição, que oculta a dimensão social, reduzindo-a aos processos fisiológicos e individuais”.
	Em 1970 o currículo do curso era formado pelas disciplinas: anatomia, histologia, fisiologia humana, bioquímica, bromatologia, dietética, psicologia e microbiologia (tidas como básicas) fisiopatologia da nutrição, técnica dietética, arte culinária, administração dos serviços de refeições, sociologia e economia aplicadas, dietoterapia, puericultura e dietética infantil, higiene e administração de saúde pública, pedagogia aplicada à nutrição, estatística e inquéritos alimentares (estas últimas tidas como profissionalizante). Em 1981 o MEC comparou o currículo dos cursos brasileiros com os apresentados pela CEPANDAL (Comissão de Estudos e Programas Acadêmicos de Nutrição e Dietética na América Latina) e conclui que: as cargas horárias das matérias da área biológica e multidisciplinar estavam acima da média enquanto que as matérias de ciências sociais se encontravam aquém do proposto. 	Em um estudo realizado em 2003 o perfil do profissional nutricionista foi analisado, baseado em sites das instituições que o oferecem a graduação em nutrição; apontando que a referência sobre o caráter crítico e o compromisso com as transformações sociais nos cursos estavam insuficientes. Provavelmente esta conclusão foi devido a formação ética e humanística aparecer como um dos itens menos valorizados na divulgação dos cursos.
	Observaram grandes variações de carga horária total e de horas atribuídas por área de conhecimento; entre os cursos analisados a variação foi de 2.520 a 3.790 horas. 
	De acordo com o estudo a distribuição de cargas horárias nos cursos de nutrição brasileiros (na formação básica do nutricionista) tiveram as disciplinas das áreas biológicas e da saúde, em média 26,57% da carga horária total, enquanto as ciências humanas e sociais apresentaram em média apenas 8,58%, já as disciplinas profissionalizantes constavam 59,68% do total curricular, indicando um perfil mais focado na formação técnica, em que a saúde pública participa com 11,32% da carga horária curricular, restando, portanto os 5,66% para as áreas de exatas e outras. 
	“Em mais da metade dos cursos analisados, há disciplinas obrigatórias e optativas/eletivas de antropologia e em apenas dois tratava-se de antropologia da alimentação”. As autoras indicaram que embora não expressiva observaram a tendência de alguns cursos quererem aplicar as ciências sociais e humanas à nutrição, mas o caráter disciplinar e não interdisciplinar ( e por que não multidisciplinar?) dificultam a interlocução das ciências sociais com a formação do profissional nutricionista. Ressaltam que talvez as diretrizes curriculares propostos pelo Conselho Nacional de Educação no contexto da LDB “deva ser cuidadosamente estudada para dar um sentido mais articulado às disciplinas que compõem o currículo da área, evitando imprecisões e dispersões curriculares”.
	Nos seis cursos analisados, cinco apresentaram disciplinas especificas de sociologia, sendo os professores próprios do curso ou de ciências sociais e humanas, estas disciplinas em geral eram introdutórias e pouco se associava a nutrição ou inseriam conteúdo de sociologia aplicada a nutrição associada a sociologia com a nutrição ou a sociologia com a saúde pública, isto era definido de acordo com a clientela a ser atendida pelo curso.
	Diferentemente do Brasil, “nos EUA todos os programas foram unanimes em incluir os assuntos cultura, alimentação e nutrição, hábitos e os comportamentos alimentares.” Em geral são programas que “reconhecem, de um lado, a presença de necessidades biológicas atendidas pela nutrição, e de outro a necessária associação da nutrição com as dimensões socioculturais, esforçando-se ainda para integrar o nível macro (produção, consumo e distribuição dos alimentos, tecnologias e dimensões históricas) com o micro (comportamentais) de indivíduos e grupos étnicos, religiosos ou de outros segmentos sociais, procurando compreender as suas escolhas alimentares, os hábitos e as suas formas de preparar os alimentos”. 
	Foram analisadas duas faculdades inglesas, onde uma “privilegiou os enfoques sociológico e histórico enquanto em outra observaram os estudos dos comportamentos pelas intervenções que também suscitam reflexões éticas e o repensar a educação nutricional à luz das contribuições antropológica”. Os EUA utilizaram como metodologia em quase todos os cursos seminários e aulas expositivas, associados a um conjunto de atividades práticas, compostas de estudos e reflexões críticas sobre temas e a Inglaterra seminários, a elaboração de papers pelos alunos, a partir da escolha de assuntos abordados nos cursos; eles também eram acompanhados pelos professores em discussões em pequenos grupos. Incluía-se ainda a capacitação nos métodos de pesquisa social, aplicados a assuntos bem circunscritos, cujo desenvolvimento se fazia durante o curso. A Inglaterra utilizou “seminários, a elaboração de papers pelos alunos, a partir da escolha de assuntos abordados nos cursos; eles também eram acompanhados pelos professores em discussões em pequenos grupos. Incluía-se ainda a capacitação nos métodos de pesquisa social, aplicados a assuntos bem circunscritos, cujo desenvolvimento se fazia durante o curso”.
	Concluindo, a presença de disciplinas de ciências humanas e sociais não condiz com que se espera da participação destas matérias na formação do nutricionista, demonstrando certa fragilidade e a falta de clareza deste conteúdo que demonstra ser insuficiente para a formação e a prática profissional. Isto “reflete a herança do currículo mínimo estabelecido pelo MEC e que vingou até que as reformulações curriculares desencadeadas na década de 80 procurassem atender às novas recomendações derivadas do Diagnóstico Nacional dos Cursos de Nutrição”.
	As autoras indicam que somente após o reconhecimento da complexidade da alimentação humana talvez seja possível dissipar ideias preconcebidas e novas perspectivas sejam construídas na produção do conhecimento e do ensino “tornando-se necessário reconstruir programas disciplinares que integrem objetos sob diferentes olhares capazes de redefini-los, evitando-se

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