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Cozinha Hospitalar Thanise Pitelli Paroschi DIREÇÃO UNICESUMAR Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho, Pró- Reitor de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva, Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi. NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Direção de Operações Chrystiano Mincoff, Direção de Mercado Hilton Pereira, Direção de Relacionamento Alessandra Baron, Direção de Polos Próprios James Prestes, Direção de Desenvolvimento Dayane Almeida, Diretoria de Planejamento de Ensino Fabrício Lazilha, Diretoria Operacional de Ensino Kátia Coelho, Gerência de Produção de Materiais Juliano de Souza, Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila Toledo, Projeto Gráfico e Editoração Jaime de Marchi Junior e José Jhonny Coelho, Designer Educacional Maria Fernanda Vasconcelos, Revisão Textual Keren Pardini e Viviane Notari, Ilustração Bruno Pardinho, Fotos Shutterstock. NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação - Cep 87050- 900 Maringá - Paraná | unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Edu- cação a Distância; PAROSCHI, Pitelli Cozinha Hospitalar. Thanise Pitelli Paroschi Maringá-Pr.: UniCesumar, 2016. 116 p. “Graduação em Gastronomia - EaD”. 1. Gastronomia. 2. Hospitalar. 3. EaD. I. Título. CDD - 22ª Ed. 612.3 CIP - NBR 12899 - AACR/2 “Promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, forman- do profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária” Missão 3 Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos. A busca por tecnologia, informação, conhecimento de qualida- de, novas habilidades para liderança e solução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho. Cada um de nós tem uma grande responsabilida- de: as escolhas que fizermos por nós e pelos nossos fará grande diferença no futuro. Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar assume o compromisso de democratizar o conheci- mento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos brasileiros. No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhe- cimento, formando profissionais cidadãos que con- tribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária” –, o Centro Universitário Cesumar busca a integração do ensino-pesquisa-extensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que contribua para o desen- volvimento da consciência social e política e, por fim, a democratização do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade. Diante disso, o Centro Universitário Cesumar almeja ser reconhecida como uma instituição uni- versitária de referência regional e nacional pela qua- lidade e compromisso do corpo docente; aquisição de competências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; consolidação da extensão uni- versitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem-estar e satisfação da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e adminis- trativa; compromisso social de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, como também pelo compromisso e relacionamento permanente com os egressos, incentivando a educa- ção continuada. pa la vr a do re it or Reitor Wilson de Matos Silva Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Comunidade do Conhecimento. Essa é a característica principal pela qual a UNICESUMAR tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é importante destacar aqui que não estamos falando mais daquele conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, atemporal, global, demo- cratizado, transformado pelas tecnologias digitais e virtuais. De fato, as tecnologias de informação e comuni- cação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, informações, da educação por meio da conec- tividade via internet, do acesso wireless em diferentes lugares e da mobilidade dos celulares. As redes sociais, os sites, blogs e os tablets acelera- ram a informação e a produção do conhecimento, que não reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em segundos. A apropriação dessa nova forma de conhecer transformou-se hoje em um dos principais fatores de agregação de valor, de superação das desigualdades, propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. Logo, como agente social, convido você a saber cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a tecnologia que temos e que está disponível. Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg modificou toda uma cultura e forma de conhecer, as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, equipa- mentos e aplicações estão mudando a nossa cultura e transformando a todos nós. Priorizar o conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância (EAD), significa possibilitar o contato com ambientes cativantes, ricos em infor- mações e interatividade. É um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. bo as -v in da s Pró-Reitor de EaD Willian V. K. de Matos Silva 5 bo as -v in da s Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou pro- fissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando opor- tunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transfor- mação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pe- dagógica, contribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desen- volvendo competências e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de ma- neira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cresci- mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, as- sista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendiza- gem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória acadêmica. Diretoria Operacional de Ensino Kátia Solange Coelho Diretoria de Planejamento de Ensino Fabrício Lazilha C o z i n h a H o s p i t a l a r Ap re se nt aç ão do Li vr o Professora Mestre Thanise Pitelli Paroschi Olá, aluno(a)! Seja bem-vindo(a) à disciplina de Gastronomia Hospitalar, do Curso de Gastronomia. Com muito prazer, sou a professora Thanise Pitelli Paroschi e estudaremos juntos sobre as cozinhas e as preparações que envolvem a área hospitalar. Assim, vamos abordar todos os aspectos que envolvem essa área maravilhosa e que, cada vez mais, necessita do nosso trabalho e profissionalismo. Para nos conhecermos melhor, gostaria de me apresentar a você e contar um pou- quinho da minha experiência profissional. Sou nutricionista, formada pelo Centro Universitário Filadélfia (UNIFIL), e também tecnóloga em alimentos, pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), ambas na cidade de Londrina/PR. Fiz alguns cursos que auxiliaram muito na minha profissão, como a especialização em Nutrição e Metabolismo na Prática Clínica pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o mestrado em Ciência de Alimentos, também pela UEL. Desde criança sou apaixonada por alimentos, afinal, venho de uma família que possui o dom de fazer doces. Minha mãe fazia, inicialmente, docinhos para casamentos e aniversários em casa e eu sempre ousava ajudá-la nas horas livres, hoje, ela tem seu próprio ateliê, e não consigo ajudá-la tanto quanto gostaria. Quando comecei a decidir a faculdade que faria, sabia que queria fazer algo em que pudesse ajudar ao próximo. Decidi unir o que cresci fazendo em casa com o que sentia vontade dentro do coração e resolvi fazer nutrição. A ideia inicial era atender em con- sultório e trabalhar na área hospitalar, focando a oncologia. Fiz estágio no hospital do câncer de Londrina e em mais dois hospitais da cidade e me identifiquei muito com a área, porém enxerguei que era preciso ter experiência no funcionamento de uma cozinha, para que pudesse entender o complexo e importante funcionamento da cozinha de um hospital. Afinal, como escutei em um curso de capa- citação, a cozinha é um centro cirúrgico e as pessoas que trabalham nela são os médicos 7G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R cirurgiões. Um centro cirúrgico mal higienizado, sem os equipamentos e utensílios necessários, pode colocar em risco a vida de um paciente, e um médico que não está capacitado também. Isso acontece em todas as cozinhas, porém se torna ainda mais preocupante quando nos referimos a uma cozinha hospitalar, não é? Afinal, geralmente as pessoas que estão hospitalizadas estão em uma condição mais debilitada, assim, as consequências de uma simples contaminação podem ser ainda mais desastrosas. Fui trabalhar em um restaurante comercial da cidade e continuei estudando para continuar aprendendo, foi quando iniciei a especialização. Do restaurante, tive a opor- tunidade de trabalhar na Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL), na regional Norte do Paraná, onde trabalho até hoje, por meio de consultoria aos estabe- lecimentos associados (restaurantes, cantinas, bares, buffets etc.) com foco no controle de qualidade no preparo de alimentos. Durante toda minha carreira acadêmica, trabalhei com alimentos e preparações para o tratamento de doenças, seja no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), monografia da especialização e também, no mestrado. Ainda, no mestrado, me apaixonei pela do- cência, pois vi que, quando ensinava algo a uma pessoa, também estava ajudando ao próximo e, em contrapartida, eu também aprendia. E foi assim que passei a ensinar e a aprender todos os dias. Hoje, atuo como docente dos cursos de Nutrição e de Gastronomia, ministro trei- namentos de boas práticas na manipulação de alimentos e sou consultora na área de nutrição e gastronomia. Poder escrever este livro para você é uma honra, espero que possamos, juntos, aprender e ensinar um pouco desse mundo maravilhoso que necessita tanto da nossa atenção, cuidado e conhecimento, que é a Gastronomia Hospitalar. C o z i n h a H o s p i t a l a r Na primeira unidade deste livro, para que possamos entender a necessidade da gastro- nomia hospitalar, vamos conhecer como o nosso paladar funciona e quais são os fatores que o alteram, principalmente dentro de um hospital. Na segunda unidade, vamos entender as modificações necessárias nas preparações, em diferentes consistências e também em nutrientes, para o desenvolvimento de pre- parações especiais. Ainda, vamos entender como funciona a cozinha hospitalar, seus utensílios, equipamentos e controles necessários. E, para fechar, na terceira e última unidade, daremos sequência aos preparos da Gastronomia Hospitalar, entendendo sobre as técnicas de preparo. Assim, este livro, juntamente com as outras ferramentas do curso, é um grande passo para quem quer, além de se aperfeiçoar no mundo da gastronomia, trabalhar ajudando ao próximo. Convido você a aprender conosco nas próximas páginas. SUMÁRIO UNIDADE 1 A Cozinha Hospitalar 15 Cozinha Hospitalar e Alimentação em Pacientes Hospitalizados 21 A Palatabilidade do ser Humano 25 Fatores que promovem variações na Palatabilidade UNIDADE 2 A Cozinha Hospitalar e Modificações da Dieta 37 Funcionamento da Cozinha Hospitalar 45 Modificação de Dietas Hospitalares em Consistência 53 Modificação de Nutrientes em Dietas Hospitalares UNIDADE 3 Preparações Hospitalares 75 Uso de Ervas & Condimentos 79 Bases Culinárias 87 Preparações para Dietas Hospitalares dica do chef habilidades Legendas de Ícones recapitulando saiba mais fatos e dados minicaso reflita Dica do Chef: dicas rápidas para complementar um conceito, detalhar procedimentos e proporcionar sugestões. Habilidades: elo entre as disciplinas do curso. Mão na massa: indicação de atividade prática. Fatos e Dados: complementação do conteúdo com informações relevantes ou acontecimentos. Minicaso: aplicação prática do conteúdo. Reflita: informações relevantes que proporcionam a reflexão de determinado conteúdo. . Recapitulando: síntese de determinado conteúdo, abordando principais conceitos. Saiba mais: Informações adicionais ao conteúdo. mão na massa A Cozinha Hospitalar THANISE PITELLI PAROSCHI A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Cozinha hospitalar e alimentação em pacientes hospitalizados • A palatabilidade do ser humano • Fatores que promovem variações na palatabilidade • Compreender o conceito da gastronomia hospitalar e sua importância para o paciente hospitalizado. • Entender sobre a fisiologia e o funcionamento do paladar humano. • Estudar sobre as modificações de palatabilidade que ocorrem em dife- rentes situações. Plano de Estudo Objetivos de Aprendizagem Introdução Querido(a) aluno(a), Sabemos que, como todas as áreas, os fatos históricos muito auxiliam no entendimento da evolução do profissionalismo, não é?! O mesmo ocorre dentro da cozinha hospitalar. Sempre ouvimos dizer que alimentação de hospital é ruim. Esse mito é bastante antigo e data das épocas de guerra, quando os hospitais eram os locais de fuga e esconderijo das pessoas que necessitavam ser isoladas do restante da população para evitar o contágio. E, para essas pessoas, a alimentação não era um fator de preocupação. A partir do século XVIII, com a criação dos hospitais de caridade, começaram os relatos histó- ricos de preocupação com a higiene dos alimentos ofertados. Toda alimentação dos hospitais era elaborada pelas religiosas, que ficavam responsáveis por fazer a comida aos doentes utilizando as hortas, pomares e galinheiros existentes nas sedes dos próprios hospitais. A alimentação era ofertada com o intuito de minimizar possíveis danos à saúde e, por isso, as refeições eram servidas sem sal, sem gordura e semtempero; além das quantidades, que eram fracionadas de acordo com o sexo, idade e doença. Em 1974, com a criação da Association Nationale pour la Formation Du Personnel Hospitalier (ANFH) foram criadas, nos hospitais, equipes hoteleiras treinadas que passaram a gerenciar todo o setor de alimentação, a partir daí, os nutricionistas e gastrônomos ganharam espaço. Apenas no século XX a alimentação ganhou importância pelo seu impacto nos processos de cura de doenças (e agora, mais recentemente, também na prevenção). Assim, com a evolu- ção do tempo e da necessidade de organização, distribuição de tarefas e criação das diferentes profissões, a cozinha hospitalar também se desenvolveu e, cada vez mais, vemos o aumento da especialização dentro delas. 13 C o z i n h a H o s p i t a l a r 15G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Cozinha Hospitalar e Alimentação em Pacientes Hospitalizados O conceito de gastronomia hospitalar demonstra, com precisão, a necessidade dessa prática dentro dos hospitais. Segundo Roberto et al. (2013, p. 11), entende-se que gastronomia hospitalar é: aplicação de conceitos gastronômicos, diante das dietas hos- pitalares, afim de melhorar as características sensoriais das preparações em todos os seus aspectos, promovendo nutrição e saúde, humanização e respeito ao paciente. A importância da alimentação em pacientes hospitalizados tem sido cada vez mais discutida, pois é muito frequente a prevalência da hiponutrição em hospitais. C o z i n h a H o s p i t a l a r A alimentação é, ainda, um dos fa- tores mais importantes para a me- lhora das mais diversas doenças, principalmente ao nos referirmos a pacientes hospitalizados, tornando-se extre- mamente necessária para o prognóstico. A maioria dos pacientes depende da dieta ingerida para cobrir suas necessidades nutri- cionais, já que a alimentação normal, ou seja, pela via oral (e não por meio de sondas) é a favorita, pois é a mais barata, melhor para o organismo e está associada a menores riscos de intercorrências. Em 1996, o Inquérito Brasileiro de Avaliação Nutricional Hospitalar (IBRANUTRI) mos- trou que, dos 4000 pacientes avaliados, 48,6% estavam desnutridos, sendo que o tempo de permanência no hospital de pa- cientes desnutridos é aumentado em 90% quando comparado aos pacientes nutridos para o mesmo procedimento. E, além do tempo de internação, a taxa de mortalida- de dos desnutridos é o dobro da taxa de mortalidade em pacientes nutridos. Fonte: Waitzberg e Correia (1999). Porém a dificuldade de acesso e de ingestão dos alimentos durante a internação muitas vezes faz que a alimentação oral fique prejudicada. O que ocorre é que, na maior parte das vezes, a quantidade, a qualidade e a variedade dos ali- mentos efetivamente ingeridos pelos pacientes ficam muito aquém de suas necessidades nu- tricionais, dificultando a sua recuperação. E, quanto maior o tempo de internação, maior a insatisfação com os alimentos, diminuindo cada vez mais o volume ingerido. 17G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Outro fator importante é que, para a adequada recuperação, seja de uma cirurgia, de queimadura e até mesmo do câncer, o organismo necessita de um aporte de nutrientes maior do que o in- divíduo já está acostumado a ingerir, tornan- do necessário que a ingestão de alimentos seja aumentada. Assim, a gastronomia hospitalar torna-se uma grande ferramenta terapêutica e, com iniciativas simples, como a personalização da alimentação, variedade de cores e sabores, en- volvimento das equipes e responsabilidade dos responsáveis, já se torna suficiente para melhora do serviço, satisfazendo o paciente. O alimento ofertado ao paciente deve ser ade- quado às necessidades nutricionais associadas com os mais diversos quadros clínicos, mas também deve considerar: • Necessidades individuais: deve-se ava- liar que muitas vezes o paciente não con- segue mastigar, digerir ou, até mesmo, eliminar os alimentos, devendo estar adequados para sua situação. • Características sociais, culturais e re- ligiosas de cada paciente: muitas vezes isso pode afetar o consumo dos alimen- tos, bem como os hábitos alimentares anteriores à internação. • Único momento de prazer e autonomia para o paciente: já que é uma das poucas situações em que ele não está em contato com a equipe médica ou assistencial. É importante, ainda, avaliar a situação fragi- lizada, em que o apetite está diminuído tanto pelo contexto psicológico como pelo isolamento social. Dessa maneira, a gastronomia hospitalar deve englobar todos os processos referentes à produção da alimentação (desde o recebimento, a distribuição, até a devolução dos pratos). 1. Assistência nutricional para a correlação com a gastronomia hospitalar (triagem para identificação de pacientes com maior risco nutricional, plano alimentar para determinar as necessidades indi- viduais, equacionar o resto-ingesta, ou seja, a quantidade de alimento oferecido e alimento não ingerido por cada pacien- te e o monitoramento dos indicadores de qualidade para a evolução do estado nutricional). 2. Qualificação dos fornecedores, fator inti- mamente relacionado à segurança do ali- mento ofertado, envolvendo uma visita técnica às instalações dos fornecedores, C o z i n h a H o s p i t a l a r análises laboratoriais e até mesmo o processo de transporte e recebimen- to das mercadorias em condições satisfatórias. 3. Cardápios que estimulem o odor, a visão, a textura e o sabor podem au- xiliar na aceitação das preparações. Lembrando que a maioria dos pa- cientes em um ambiente hospitalar não possui preferência por comidas requintadas, e sim por preparações que agregam aconchego e conforto (lembrando a sua própria casa). 4. Transporte das refeições até o leito do paciente é um fator que engloba basicamente a temperatura das re- feições ofertadas, recomendando- -se que essa etapa seja realizada em carrinhos térmicos e que a atenção seja redobrada em relação a horários de exames, cirurgias e procedimen- tos, já que se deve evitar oferecer a comida em um momento em que o paciente não está presente e ela pode esfriar. 5. Apresentação, já que a decoração dos pratos também influencia na aceita- ção, como apresentações coloridas, harmônicas, a educação, a apresen- tação e o uniforme dos funcionários envolvidos na distribuição. Está preparado(a) para trabalhar na co- zinha hospitalar? Além das técnicas de preparo, deve-se assegurar a higiene pes- soal e ambiental, pois o sistema imune do paciente está debilitado e a contaminação coloca sua vida em risco. Pense nisso! Fonte: a autora. 19G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R C o z i n h a H o s p i t a l a r 21G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R A Palatabilidade do ser Humano A nossa sensação gustativa, “paladar”, ou, ainda, “gustação” é um dos nossos principais sentidos e está relacionada à adaptação e sobrevivência da espécie humana na natureza, já que o homem primitivo se sentia atraído pelas cores e formas das plantas e frutos, porém, instintivamente, por paladares amargos, azedos e adstringentes, fundamentava o potencial de alimentos, como se fosse uma identificação da qualidade. C o z i n h a H o s p i t a l a r A té hoje, os gostos diferentes nos alertam à presença de toxinas, substâncias químicas e contami- nações e promovem a rejeição de um alimento, não é?! Querido(a) aluno(a), sabemos que o pala- dar é um sentido que permite a identificaçãoda qualidade de uma substância por meio de sistemas quimiosensoriais especializados, ca- pazes de detectar compostos nutricionalmente relevantes ou nocivos. Esse sistema está presente na nossa cavida- de oral, organizado em botões gustativos, sendo que a língua é a estrutura funcional, e o palato mole, faringe, epiglote e o terço superior do esô- fago são áreas acessórias do nosso paladar, já que também possuem funções, como o palato mole, que apresenta cerca de 400 botões gustativos. Em geral, cada botão gustativo é composto de 50 a 150 células que possuem uma taxa de renovação, chamada de “turnover”, ou seja, as células são trocadas a cada 10 dias em média nos indivíduos jovens e saudáveis, sendo que exis- tem células que ficam disponíveis apenas por horas. Já pensou que, às vezes, a célula usada para identificar a gustação do almoço é diferente daquela que foi usada no café da manhã? Um botão gustativo apresenta uma estrutura semelhante a da Figura 1, sendo que, na su- perfície da língua, possuímos microvilosida- des, que são poros responsáveis pela captação. No centro da estrutura, temos os receptores, chamados de células gustativas, capazes de identificar o sabor e transmitir, por meio de fibras nervosas, a informação ao nosso sistema nervoso central. Por meio das células gustativas, nós po- demos, então, identificar os paladares básicos: doce, amargo, azedo e salgado. Além desses, tem o umami, que foi identificado como o quinto sabor básico após ampla discussão entre espe- cialistas, esse sabor é gerado pelo glutamato monossódico (Ajinomoto®), um realçador de sabor bastante utilizado. Alguns especialistas consideram, ainda, que existem os gostos de água, elétrico, metálico e o de gordura como sendo outros elementos de paladar. Alguns nervos respondem de modos mais específicos a determinadas substâncias, porém os botões são capazes de identificar todas as qualidades de gosto em todas as regiões da língua, então, a divisão da língua em um mapa de sabores não deve ser generalizada. 23G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Figura 1: Representação do botão gustativo, papilas e língua A saliva promove solubilidade das soluções, transporte das moléculas até as papilas, inibe microrganismos e auxilia na formação do bolo alimentar, já que possui enzimas que já iniciam a digestão, como a amilase salivar, que faz a digestão do carboidrato. O paladar e o olfato são sentidos que estão interligados, não é? Às vezes, quando estamos gripados, deixamos de sentir o sabor dos alimen- tos. Digo sabor, pois este é a combinação entre o paladar, o olfato e as sensações transmitidas. Cerca de 90% do sabor dos alimentos é res- ponsabilidade do olfato, e não do paladar, até porque antes de levar um alimento para a cavi- dade oral, sentimos o seu cheiro. Depois disso, ao posicionar o alimento no interior da cavidade oral, sentimos o gosto do alimento, seguido da percepção olfatória retronasal, ou seja, que passou da cavidade oral para a cavidade nasal, que estão ligadas. Assim, esses combinam e resultam no sabor. C o z i n h a H o s p i t a l a r 25G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Fatores que promovem variações na Palatabilidade Nem todos nós experimentamos a mesma sensação fisiológica diante da mesma substância. Isso ocorre devido à genética, ao sexo, à idade, à cultura, ao ambiente, além de fatores hormonais e psicológicos. C o z i n h a H o s p i t a l a r A composição química do alimento também é outro fator que influencia na palatabilidade, afinal, quanto mais rápido e fácil uma substância chegar ao poro gustativo, maior será a percep- ção. Além da composição química, a quantidade de alimento e sua temperatura também influen- ciam na percepção do paladar. Os distúrbios no paladar podem ser carac- terizados como: • Hipogeusia: perda parcial ou diminuição do paladar. • Ageusia: perda total do paladar. • Disgeusia: paladar alterado. • Parageusia: distorção do paladar na presença de estímulos, por exemplo, ao ingerir um alimento, sente-se um sabor metálico na boca. • Fantogeusia: distorção do paladar na au- sência de estímulos, ou seja, mesmo sem ingerir qualquer alimento, a sensação de um mau paladar é sentida. 27G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Fatores Genéticos Nós possuímos uma grande variabilidade no número de papilas e botões gustativos, influen- ciando nossa habilidade sensorial. Quanto maior o número de papilas, maior a percepção sensorial. Idade O turnover das células tende a ficar mais lento com o passar dos anos, porém, muitas vezes, o número total de células e de botões gustativos tende a se degenerar e reduzir nos idosos. Motivo pelo qual os idosos tendem a preferir alimentos com sabores mais concentrados que os jovens. A capacidade de detectar sabores praze- rosos, sal e amargo acaba sendo reduzida nos idosos. Porém muitos estudos ainda afirmam que a detecção de doce e azedo se mantém intacta, mas a utilização de próteses e a redu- ção da salivação influenciam diretamente na palatabilidade. Fatores Hormonais Durante a gravidez, sob efeito de dois hormô- nios (estrogênio e progesterona), a mulher tem os limiares alterados para a percepção e para a intensidade do gosto. Inicialmente, a gestante apresenta maior sensibilidade ao gosto amargo, enquanto, após o primeiro trimestre, o gosto do sal se torna mais prazeroso e, também, mais tolerante. A diferença entre a palatabilidade de homens e mulheres também foi estudada, sendo que uma pesquisa realizada em 1994 demons- trou que as mulheres possuem mais papilas gustativas que os homens, tornando-se mais sensíveis. Fatores Culturais Além da base biológica, a sensação também depende da base cultural, já que, de acordo com a sensibilidade, a percepção e, também, nossas crenças, hábitos e história dos quais fazemos parte, podemos construir nossos hábitos ali- mentares, por exemplo, o de sempre adicionar mais sal durante as nossas refeições. De acordo com a sensibilidade e com o número de papilas, um indivíduo pode ser classificado como nontaster, mediumtas- ter ou supertaster (em português: pouco paladar, médio paladar ou super paladar, respectivamente). Ou seja, quando ofertada uma solução amarga na mesma concentração para os três grupos, os supertaster percebem a solução como muito amarga, os medium- taster, como amarga e o nontaster, como pouco amarga. Fonte: Roberto et al. (2013, p. 62) C o z i n h a H o s p i t a l a r Fatores Ambientais A hospitalização é um desses fatores ambien- tais mais importantes. Inicia-se pela mudança psicológica, mas também, durante o período de internação, o paciente pode ser submetido ao uso de medicamentos e terapias que podem ocasionar distúrbios no paladar. As disfunções no paladar também ocorrem com distúrbios no sistema nervoso central por meio de lesões, cirurgias, câncer, dentre outros. Outro fator associado à hospitalização é a prescrição de medicamentos, pois centenas desses estão associados aos distúrbios quimios- sensoriais, afetando os sensores químicos do paladar e do olfato, incluindo: anti-hipertensi- vos, antidepressivos, antitumorais etc. A atuação dos medicamentos sobre a palata- bilidade ocorre, pois esses limitam o acesso aos quimiorreceptores da papila gustativa, alteram os constituintes da saliva, interagem com os receptores da papila, alteram os impulsos ner- vosos para o sinal ao sistema nervoso central e muitos deixam saborresidual. Dentre outras alterações que ocorrem em pacientes hospitalizados, tem-se: • Estresse. • Preocupação referente ao diagnóstico e tratamento. • Distanciamento do convívio familiar e social. • Pouca privacidade. • Afastamento de seu ambiente e atividades. • Mudança dos horários e dos seus hábitos alimentares. De acordo com o tipo de clientela assistida, do tipo de hospital e dos objetivos da assistência nutricio- nal, podemos optar por diferentes estratégias de modificações na alimentação. Assim, ao assumir posição de responsabilidade dentro de um hospital, podemos adotar algumas estratégias de ação, como: • Modificação do cardápio, incluindo in- gredientes e preparações inovadoras. • Inclusão de opções no cardápio para a escolha do paciente. • Definição da composição das refeições prin- cipais (entrada, prato principal, número de guarnições, sobremesa, bebida). • Foco na satisfação do paciente. • Resgatar hábitos do dia a dia e valoriza- ção de receitas tradicionais e habituais. Este último tópico aproxima-se do conceito Confort Food, que privilegia a simplicidade e busca da satisfação emocional de um indi- víduo, definindo a arte de cozinhar de modo que se dê o maior prazer a quem come. Fonte: Isosaki et al. (2014, p. 5). 29G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Ou seja, muito mais que equipamentos sofisticados e ingredientes nobres, o sucesso da cozinha hospitalar consiste em opções que agradam os pacientes, pratos com apresentação harmoniosa, agradável aos olhos e com temperatura adequada. C o z i n h a H o s p i t a l a r co ns id er aç õe s fi na is Caro(a) aluno(a), Chegamos ao final da nossa primeira unidade do livro de Cozinha Hospitalar e, até aqui, nós entendemos sobre o funcionamento normal (o que chamamos de fisiológico) do paladar, bem como sobre os principais fa- tores que o alteram. Vimos que muitos desses fatores ocorrem no ambiente hospitalar, como cirurgias, medicamentos, estresse e fatores psicológicos, de forma que podemos entender a importância do nosso trabalho nos hospitais, visando criar opções alternativas para cumprir o nosso objetivo para aqueles pacientes que se encontram em situações que, muitas vezes, afetam seu dia a dia. Lembrando que o nosso objetivo é o de sempre proporcionar uma alimentação adequada, segura e bem aceita. Nesta unidade, compreendemos que temos que levar em consideração que muitos pacientes, pelo próprio ambiente em que estão inseridos, recusam a alimentação, além de possuírem as alterações no paladar acima citadas, fazendo que a ingestão de alimentos seja diminuída, além da diminuição da fome e, até mesmo, medicamentos que alteram a digestão dos alimentos. Essa situação se complica ao considerar a necessidade do aumento dos nutrientes para a recuperação do paciente e, também, para a manutenção de sua imunidade. Muitos pacientes estão, ainda, em situações que necessitam de dietas específicas. No que diz respeito ao profissional do ambiente hospitalar, observa- mos: somos responsáveis pela inovação das apresentações, pela atenção no planejamento de cardápios, por cuidados com temperatura e auxílio na boa aceitação das preparações, trazendo sempre a sensação de conforto pelo alimento ingerido. No ambiente de trabalho hospitalar, assim como no das outras áreas, é fundamental que tudo esteja, sempre, em ótimas condições de uso e de higiene, evitando riscos de contaminação dos alimentos, pois os pacientes hospitalizados estão com o sistema imunológico mais debilitado, de forma que a doença transmitida por alimento pode ser um fator agravante para sua recuperação e, até mesmo, um fator que pode levar ao óbito. 31G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R at iv id ad es d e es tu do 1. De que forma o sabor dos alimentos é sentido? Como é a estrutura responsável por essa sensação? 2. Cite três fatores que afetam a palatabilidade em pacientes hospitalizados. 3. Qual a importância da alimentação para um paciente hospitalizado? m at er ia l c om pl em en ta r Gastronomia Hospitalar no Conceito do Comfort Food Telma Sígolo Roberto, Daniel Magnoni, Celso Cukier e Regina Stikan Editora: Livraria Balieiro A leitura deste livro irá, sem dúvida alguma, complementar de forma detalhada as informações da unidade, principalmente no concernente ao funcionamento do paladar e à importância da gastronomia hospitalar. Sinopse: este livro fornece informações sobre o desafio cons- tante da alimentação hospitalar, os indicadores de qualidade na gastronomia hospitalar e uma visão ampla desse setor da gastro- nomia. Proporciona ao leitor os aspectos operacionais relacionados à gastronomia hospitalar de maneira que sua implantação em serviços de prestação de saúde seja possível também como uma estratégia terapêutica aos pacientes. C o z i n h a H o s p i t a l a r le it ur a co m pl em en ta r A função terapêutica da alimentação tem evoluído graças ao avanço considerável dos conhecimentos relacionados à dietética e à nutrição, sendo que a pesquisa nessas áreas forneceu e abriu novos pontos de vista acerca da terapia nutricional, ficando cada vez mais claro que a alimentação pode, de fato, apresentar um papel relevante no processo saúde e doença. Entretanto, a comida não é apenas uma substância alimentar, e os ali- mentos não induzem o homem à vontade de alimentar-se apenas por sua composição química, mas devem também ser atraentes. Alimentar-se é um ato nutricional, e comer é um ato social ligado a usos, costumes, condutas, protocolos e situações. O alimento e a alimentação trazem consigo diversas significações e implicações na vida das pessoas, além de serem fontes de prazer do início ao fim da vida e fazerem parte integrante da manutenção ou da reconstrução da identidade do indivíduo hospitalizado. A aceitação da alimentação por parte do paciente internado é constituída por uma somatória de fatores inerentes ao estado da doença e de fatores relacionados ao ser- viço oferecido. O conhecimento da arte de cozinhar para proporcionar maior prazer a quem come é um poderoso instrumento de trabalho do qual o profissional deve lançar mão para elaborar dietas saborosas e melhorar a adesão dos pacientes. O preparar dos alimentos destinados a pacientes em dieta especial exige habilidade e conhecimentos básicos sobre técnicas culinárias e ingredientes que podem tornar uma dieta mais facil- mente aceita pelo paciente. Assim, dietas específicas precisam ser trabalhadas para se tornarem mais apetecíveis. Em dietas com redução ou exclusão de gordura, açúcar ou sal, o sabor pode sofrer alterações. Utilizar especiarias e condimentos pode compensar a ausência de outros ingredientes, gerando percepções tão saborosas quanto as origi- nais. Quando as possibilidades de variação dos ingredientes são excluídas, resta ainda procurar dar à montagem da bandeja do paciente uma apresentação estética, por meio da louça, dos talheres, do guardanapo, da disposição dos alimentos no prato etc. A acei- tação da alimentação por parte do paciente internado é decisiva para uma ação efetiva da terapia nutricional. A evolução da gastronomia pode, portanto, permitir que dietas hospitalares, conhecidas pela insipidez, participem da terapêutica, agregando prazer ao valor nutricional do alimento. Fonte: Souza e Nakasato (2011). A aplicação da Cozinha Hospitalar A Cozinha Hospitalar e Modificações da Dieta THANISE PITELLI PAROSCHI A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Funcionamento da cozinha hospitalar • Modificação dedietas hospitalares em consistências • Modificação de nutrientes em dietas hospitalares • Entender o funcionamento da cozinha hospitalar. • Estudar sobre os equipamentos e utensílios necessários para a cozinha hospitalar. • Compreender as modificações possíveis em uma dieta hospitalar. • Estudar sobre as técnicas alternativas para a elaboração de dietas especiais. Plano de Estudo Objetivos de Aprendizagem IntroduçãoIntrodução Caro(a) aluno(a), Como vimos na unidade anterior, a gastronomia hospitalar é imprescindível para a qualidade do serviço e, consequentemente, para garantir a maior ingestão das refeições possível. Apesar de todos os preceitos dietéticos, por muito tempo, as dietas associadas ao tratamento ou a refeições hospitalares estiveram associadas a experiências ruins. Mesmo que essa visão esteja sendo modificada, ainda cabe a nós mudarmos de uma vez por todas esse paradigma, não é? Dentre os diversos aspectos envolvidos na gastronomia hospitalar, Mezomo (2015) aponta alguns pontos que devem ser observados ao elaborar um cardápio hospitalar, como os hábitos alimentares do paciente, os pontos de cocção, os temperos usados etc., respeitando, também, a necessidade do paciente no quesito quantidade. Deve-se levar em consideração, ainda, o direito da escolha do paciente, criando opção do cardápio alternativa, por exemplo, deixar o paciente definir entre dois pratos principais. Outro aspecto importante é dar a possibilidade do paciente retornar informações acerca da alimentação que lhe foi oferecida, dando a oportunidade de conversar com os responsáveis pela cozinha. Mesmo que o paciente esteja em condições debilitadas e em dieta especial, é in- dispensável que os cardápios sejam nutritivos, com boa aparência e sabor, além de seguros sob o ponto de vista higiênico-sanitário. É nesse contexto que o resgate da gastronomia e da culinária tem suscitado maior interesse no âmbito das unidades hospitalares, aumentando a valorização da alimentação do paciente. Assim, nesta unidade, vamos conhecer sobre o funcionamento da cozinha hospitalar, bem como os equipamentos e utensílios necessários e a sua divisão em diferentes áreas (como a área para o pré-preparo de carnes, área para pré-preparo de hortifrutigranjeiros, cozinha quente, dentre outras). Vamos ver, também, as modificações que ocorrem na dieta hospitalar, de modo a entender as restrições e pontos a serem observados para cada indivíduo. Veremos que as dietas podem ser modificadas em nutrientes, pensando nos pacientes diabéticos, obesos, hipertensos, e em consistência, já que existem alguns pacientes que podem estar impossibilitados de mastigar, engolir (deglutir) ou até de digerir os alimentos. Vamos lá! 35 C o z i n h a H o s p i t a l a r 37G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Funcionamento da Cozinha Hospitalar Você se lembra do conceito da gastronomia hospitalar? Vimos na unidade anterior. Para a aplicação desse conceito, é importante que estejamos sempre prontos para aplicá-lo, considerando alguns pontos importantes, como: • Manter-nos sempre atualizados com relação a novos ingre- dientes e criação de novos pratos. • Considerar aspectos religiosos, clima e a disponibilidade dos alimentos. • Conhecer o poder aquisitivo do paciente, o nível da educa- ção, a sua idade e sexo. • Considerar a possibilidade de proporcionar uma opção de escolha do prato por parte do cliente. • Estimar o custo da matéria-prima e dos materiais necessá- rios para a elaboração dos cardápios. • Estar atualizado quanto à harmonia entre as preparações que compõem a refeição. • Elaborar fichas técnicas visando criar um sistema padronizado. • Manter os preceitos da alimentação saudável. C o z i n h a H o s p i t a l a r Vimos na unidade anterior que a gastronomia hospitalar pode ser definida como a “apli- cação de conceitos gastronômicos, diante das dietas hospitalares, a fim de melhorar as características sensoriais das preparações em todos os seus aspectos, promovendo nutrição e saúde, humanização e respeito ao paciente”. Dessa forma, temos que pensar sempre no cuidado e no zelo com o paciente hospitalizado, visando garantir preparações de boa aceitação para facilitar o consumo para que possa atingir suas recomendações nutricionais, já que a alimentação também faz parte de seu tratamento. Assim, para a aplicação dos conceitos gastro- nômicos, é necessário que exista um planeja- mento, que inclui a elaboração e a avaliação dos cardápios, a política de compras, a infra- estrutura e todos os processos pelos quais os alimentos passam até chegar ao cliente (rece- bimento, armazenamento, pré-preparo, cocção e distribuição), sem esquecer-se do controle dos recursos humanos, como o recrutamento, a seleção, os treinamentos etc., e também do atendimento dos quesitos higiênico-sanitários para atendimento às legislações vigentes. É importante, ainda, lembrarmos que devemos associar esses aspectos às necessidades nutri- cionais de cada paciente, ou seja, suas recomen- dações dietéticas. A cozinha hospitalar é a área onde será desenvolvida a maior parte das atividades do serviço. É o local onde se concentram as atividades de aquisição, armazenamento e toda a produção, assim, a cozinha hospita- lar é a base para a definição dos aspectos da organização, dos processos e fluxos, equipa- mentos, recursos humanos, dentre outros, sendo que as atividades a serem executadas levam em conta: • Tipo do hospital (público/privado, geral/ de especialidades). • Tipo de paciente (adulto/infantil). • Tipos de especialidades tratadas (clínicas/cirúrgicas). • Número de leitos. • Tempo médio de permanência dos pacientes. • Número e horário das refeições. • Sistema de distribuição das refeições (cozinha/copas de internação). • Política de compras (mensal, semanal, quinzenal etc.). • Área física e estrutura disponível. 39G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R O Ministério da Saúde elaborou um Guia Alimentar para a População Brasileira de modo a direcionar como é possível ter uma alimentação saudável. Define-se alimen- tação saudável como: “aquela que reúne os seguintes atributos: é acessível e não é cara, valoriza a variedade, as preparações alimentares usadas tradicionalmente, é harmônica em quantidade e qualidade, naturalmente colorida e segura sanitaria- mente”. A alimentação adequada e saudá- vel é um direito humano básico. Fonte: Brasil (2014) Assim, a cozinha hospitalar é subdividida em algumas áreas, podendo citar: a. Área de recebimento e armazenamento dos gêneros alimentícios (perecíveis e não perecíveis) A avaliação quantitativa e qualitativa dos gêneros alimentícios é a base para um serviço de qualidade, e o primeiro passo do recebimento é a conferência quantitativa, já que o material deve ter sua quantidade checada de acordo com o pedido de compras. Dentre as questões de qualidade a serem avaliadas, têm-se as condições da embalagem, as condi- ções sensoriais, como aroma, cor, con- sistência e, também, a temperatura. As temperaturas dos alimentos perecíveis durante o recebimento devem obedecer aos seguintes parâmetros: • Produtos congelados: máximo a -12ºC. • Produtos resfriados crus: máximo a 3ºC. • Carnes e derivados: máximo a 7ºC. • Leites e derivados, ovos, frutas e le- gumes higienizados, sucos e polpas: máximo a 10ºC. • Preparações prontas para o consumo: máximo a 5ºC. • Produtos de panificação e confeita- ria que necessitam de refrigeração: máximo a 5ºC. • Produtos quentes: mínimo a 60ºC. b. Pré-preparode alimentos: área poden- do ser dividida nas áreas de carnes, sa- ladas, sobremesas e sucos. Caso não exista a possibilidade de subdi- vidi-la entre os diferentes gêneros alimen- tícios, vale ressaltar que essa área deve ser mantida separada da área de preparo, para evitar contaminação cruzada dos alimen- tos crus com os alimentos que já passaram pelo tratamento térmico. c. Preparo de alimentos: área destinada à cocção dos alimentos, como grelhar, assar, fritar e cozinhar. C o z i n h a H o s p i t a l a r d. Preparo de nutrição enteral: área des- tinada ao preparo e envase de dietas a serem administradas por sonda. e. Lactário: local destinado ao preparo e envase de fórmulas lácteas. Obs.: as áreas de preparo de nutrição enteral e do lactário devem ser isoladas, pois uma contaminação cruzada possi- bilita agravante à saúde. A do lactário, por serem alimentos para bebês que, muitas vezes, acabaram de nascer, e a enteral, pois, muitas vezes, a sonda é colocada diretamente no local de ab- sorção, pulando etapas de digestão, que poderiam ser eficazes na eliminação de microrganismos. f. Distribuição de alimentos: local no qual os alimentos preparados na co- zinha serão porcionados, acondiciona- dos e transportados para as unidades de internação, sendo que as caracte- rísticas podem depender do sistema adotado. Existem três tipos de sistema de distri- buição para pacientes. O sistema cen- tralizado ocorre quando as refeições são preparadas e porcionadas na cozi- nha, proporcionando maior controle do porcionamento, condições higiêni- co-sanitárias e menor desperdício. O segundo é o sistema descentralizado, que ocorre quando as refeições são preparadas na cozinha e transporta- das para as unidades de internação ou copas, onde serão porcionadas, ou seja, divididas nas porções que serão ser- vidas aos pacientes, visando facilitar o serviço. Atualmente, a maioria dos hospitais brasileiros adota o sistema misto, que mescla os dois tipos, no qual as refeições principais são porcionadas na cozinha e alguns itens, como o suco, o leite, o chá e outros, são porcionados nas copas. g. Área de higienização: destinada à higie- ne dos utensílios usados no preparo e distribuição das refeições. h. Refeitório ou restaurante: destinado à alimentação dos funcionários, estu- dantes, acompanhantes e visitantes. Não deixe de revisitar a disciplina de Higiene e Segurança para relembrar os processos necessários referentes ao fluxo correto de alimentos dentro de uma co- zinha profissional, de modo que possam atender à legislação adequadamente. 41G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Utensílios necessários O tipo de utensílios usados na cozinha depen- de de vários fatores, como recursos financei- ros, padrão de cardápios, qualidade do recurso humano, dentre outros, porém alguns são im- prescindíveis, como: chinois, escorredor, espá- tula, facas, pedra, fouet, garfo de dois dentes, panelas, recipientes gastronorms (GNs), dentre outros. Para a distribuição, podem ser usados uten- sílios variáveis, como: • Bandeja térmica com utensílios, que permite a manutenção da temperatura e facilita a distribuição. • Bandeja térmica com descartáveis: na qual o descartável substitui os utensílios. • Conjunto de base e cobertura de prato térmico: sistema mais usado em outros países, em que um equipamento aquece a base onde é alojado o prato com a re- feição já porcionada. • Recipientes de vidro ou de porcelana: são fáceis de serem usados, porém não mantêm a temperatura, portanto, não dispensam a utilização de carros térmicos ou reaquecimento. • Recipientes descartáveis: favorecem o trabalho e reduzem a necessidade de higienização, diminuindo os riscos de contaminação, porém são os de maior custo. Os GNs são recipientes padrões conhecidos como cubas GN, cubas gastronômicas ou gas- tronorms e são bastante usados em cozinhas profissionais no preparo e distribuição dos alimentos. A dimensão padrão mundialmente conhecida como 1/1 possui 530x325mm, porém existem as suas derivações, como o 2/1 e o 1/2. A profundidade varia de acordo com cada fabricante e geralmente são pro- duzidas em aço inoxidável para facilitar a higiene, suportar temperaturas altas e baixas e ter maior durabilidade. Podem ser lisas ou perfuradas, com ou sem alça de apoio, com ou sem tampa, de aço inox ou vidro. Um alimento preparado em uma GN pode ser adicionado a um pass throught frio e quente, a um forno combinado e até ba- nho-maria, evitando trocas de recipientes. Fonte: Roberto et al. (2013, p. 15-17). Equipamentos necessários A escolha dos equipamentos também dependerá de alguns fatores, como espaço físico, layout, número de leitos e refeições servidas, tipo de distribuição e disponibilidade financeira. Sempre se recomenda a utilização de aço inoxidável, pois é de fácil limpeza, por ser uma superfície lisa e por possuir maior durabilidade. Os equipamen- tos básicos, por área de trabalho, são: C o z i n h a H o s p i t a l a r Área de preparo geral Cozinha dietética Área de preparo de sobremesas e café Fogões Caldeirões a vapor Forno Fritadeira Forno combinado Chapas e grelhas Banho-Maria Processadores de alimentos Batedeira Liquidificador Triturador de alimentos Refrigeradores Fogão Forno combinado Chapa e grelha Liquidificador Liquidificadores Batedeira Refrigeradores Forno combinado ou convencional Máquina de café Área de higienização Área de preparo de vegetais Área de preparo de carnes Máquina de lavar louças Processador de legumes Cortador de legumes Moedor de carnes Cortador de frios Refrigeradores Área de distribuição Área de preparo de nutrição enteral Lactário Pass through Refrigeradores Balcões térmicos e refrigerados Carros para transporte Liquidificadores Máquinas de envase Máquina de lacrar frascos Refrigeradores Liquidificadores Fogão Refrigeradores Pass through Máquina de lavar mamadeiras Autoclave Quadro 1: Equipamentos necessários nas diferentes áreas da cozinha hospitalar Fonte: Cardoso, Nakasato e Roque (2014, p. 18-20). Na escolha do equipamento, deve-se atentar às condições ergonômicas do trabalho, como a di- mensão, o peso e as características operacionais, para que sejam adequadas ao recurso humano. Quando nos referimos ao recurso humano, estamos falando do pessoal envolvido no prepa- ro das refeições. E, para o dimensionamento de pessoal, há parâmetros bem definidos em lite- ratura para explicar essa questão, logicamente, vai depender de questões simples, como o número de refeições e da jornada de trabalho, mas também de como é o sistema de distri- buição, a quantidade de áreas e equipamentos etc. Podem fazer parte do serviço de cozinha hospitalar o nutricionista, o chefe de cozinha, o cozinheiro chefe ou auxiliar, o ajudante de cozinha, o confeiteiro, o copeiro, o auxiliar de almoxarifado e o auxiliar de serviços gerais. 43G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Vale lembrar que a legislação estabelece re- comendações especiais para os trabalhadores quanto à higiene, apresentação, uniforme e utilização dos equipamentos de proteção in- dividual (EPIs). Uma cozinha hospitalar é um ambiente propício a acidentes de trabalho dos mais di- versos tipos e, de acordo com a norma regula- dora NR-6, foi estabelecida a obrigatoriedade do uso dos EPIs, como sapatos antiderrapantes, avental impermeável, mangote e luvas térmicas, luva malha de aço, óculos de segurança, dentre outros, que dependerãoda atividade exercida pelo trabalhador, bem como dos ruídos da tem- peratura e da umidade aos quais é submetido. Como já discutimos na unidade anterior, o paciente é o cliente do serviço da cozinha hospitalar, então devemos sempre nos preocupar com sua sa- tisfação e sua segurança, já que a aceitação alimen- tar pode ser um determinante em seu tratamento. Em uma avaliação das dietas e aceitação da alimentação de 26 pacientes hospitali- zados em um hospital público de referên- cia da Política Nacional de Humanização (PNH) no Estado de Santa Catarina, no qual se aplicou um questionário para avaliar a comida hospitalar, se observou que a apresentação, a aparência, o aroma e o tipo de preparação podem influenciar no desejo de comer dos pacientes. Dentre os fatores enumerados como negativos, havia a ausência de temperos nas refei- ções, a temperatura fria, a falta de molho e a baixa variedade nos cardápios. Os pa- cientes relataram, também, que a textura dos alimentos oferecidos, muitas vezes, prejudicava a ingestão alimentar. Fonte: Dermario, Sousa e Salles (2008) Equipamentos de proteção individual (EPIs) C o z i n h a H o s p i t a l a r 45G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Modificação de Dietas Hospitalares em Consistência O cardápio a ser elaborado em uma cozinha hospitalar consiste em uma lista de preparações culinárias que irão compor as refeições e a partir dele se estabelece toda a operação subsequente, ou seja, o que, quando, quanto, de onde comprar e a distribuição de todas as tarefas para a equipe de produção. Em um hospital, o cardápio é cíclico, ou seja, é elaborado para um período determinado e, assim, vai sendo repetido. Recomenda- se que seja de 10 dias até cinco semanas, evitando a monotonia na repetição de preparações. C o z i n h a H o s p i t a l a r Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado em 2014 pelo Ministério da Saúde, uma alimentação deve contemplar alguns atributos básicos, como: 1. Sabor: uma alimentação deve ser sa- borosa, devendo resgatar o sabor dos alimentos naturais, como a utilização dos caldos preparados, evitando-se os industrializados. 2. Variedade: a utilização variada de alimen- tos fornece diferentes nutrientes necessá- rios para atender à demanda do organismo e garantir a alimentação adequada. 3. Cor: deve contemplar variedade de grupos de alimentos com diferentes colo- rações para deixar a alimentação atrativa. 4. Harmonia: deve ter equilíbrio em quanti- dade e qualidade para alcançar uma nutri- ção adequada de acordo com a fase da vida. 5. Segurança sanitária: devem ser seguros, sem contaminantes químicos, físicos ou biológicos. Ao elaborar um cardápio e suas respectivas fichas técnicas de preparação, podem-se padronizar as dietas e facilitar o trabalho durante a produção e distribuição das refeições, permitindo, ainda, o treinamento de pessoal. Porém vale lembrar que o planejamento deve ser flexível para permitir adequações às condições e necessidades de cada paciente. Assim, a padronização das dietas tem como objetivo manter um atendimento nutricio- nal seguro, eficiente e de qualidade ao paciente. Muitos pacientes necessitam de um ajuste em sua dieta, devido a alterações do processo digestivo ou de funcionamento geral do orga- nismo, e, a partir da dieta normal, têm-se as dietas modificadas, que compreendem qualquer dieta que, em qualquer de suas características físico-químicas, foi alterada. Sob esse aspecto, as dietas hospitalares podem ser divididas em duas categorias: a. Dietas Terapêuticas: também chamadas de dietas especiais, caracterizam-se pelas mudanças na sua estrutura química, mo- dificando os nutrientes, e possuem fina- lidades terapêuticas, podendo também incorporar as alterações de consistência. Essa modificação será necessária sempre que o paciente apresentar alguma doença que necessite dessa dieta, por exemplo, diabéticos, hipertensos, intolerantes à lactose, dentre outros. b. Dietas Modificadas em Consistência: aquelas que apresentam mudanças físi- cas nas suas características, também co- nhecidas como dietas de rotina. Podem ser usadas de forma sequencial durante a evolução ou progressão da alimentação de um indivíduo doente. 47G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R As modificações da dieta são extremamente im- portantes, pois, na maior parte das vezes, se a dieta não tiver a consistência alterada, o paciente não poderá mastigá-la ou digeri-la. É o que acon- tece com um paciente que fez uma cirurgia no estômago, por exemplo, como estômago precisa de repouso para cicatrização, o paciente deverá se alimentar com consistências que não exijam muitos movimentos, como os líquidos. Às vezes, quando vamos ao dentista, já fica difícil mastigar e até deglutir/engolir, não é? Imagine um paciente que fez uma cirurgia na boca. Ou, ainda, um paciente que possui fis- sura no palato (“céu da boca”), já ouviu falar? Veja, na Figura 2, uma fissura no lábio e no palato, já fechada após a cirurgia. Esse é um defeito genético que impede a deglutição das crianças. Figura 2: Fissura labiopalatal após cirurgia para fechamento C o z i n h a H o s p i t a l a r Já imaginou o quanto é essencial e impor- tante o nosso trabalho em um ambiente hospitalar e quantas vidas podemos ajudar a salvar? Fonte: a autora. Dessa forma, as dietas hospitalares devem ser padronizadas de acordo com suas possíveis mo- dificações, de modo a firmar suas características, indicações e alimentos ou preparações a serem servidas. As modificações das dietas hospitalares levam como padrão a dieta normal, ou seja, alimen- tação normal. A partir dessa dieta, podem-se gerar modificações de consistência, de modo a facilitar o processo digestivo. Dentro dessa modificação, tem-se, também, uma possível mudança de temperatura e volume. As dietas hospitalares também podem ser alteradas em nutrientes, de modo a atender características específicas de cada paciente. Ou seja, podem ser com baixo sódio para os hiper- tensos, com baixo açúcar para os diabéticos e até mesmo para aqueles que possuem restrições, como o glúten e a lactose. Vale lembrar que a lactose é o açúcar do leite, enquanto o glúten é uma proteína presente no trigo, cevada, centeio e, por meio de contamina- ção cruzada, na aveia, bem como seus derivados. 49G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R 1. Dieta Geral (ou Normal ou Padrão) É a dieta sem modificações, ou seja, alimen- tos normais do nosso dia a dia, sendo indi- cada para pacientes que não necessitam de restrições específicas (em nutrientes e em consistência) e que apresentam funções de mastigação e gastrointestinais preservadas. Fornece calorias e nutrientes em quanti- dades diárias recomendadas para manter a saúde do indivíduo e pode incluir todas as preparações e condimentos que forem necessários, respeitando os quesitos de alimentação saudável. Essa dieta hospitalar pode variar de 5 a 6 refeições ao dia, ou seja, café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia, podendo-se incluir uma refeição entre o café da manhã e o almoço (colação). 2. Branda Indicada para pacientes que não neces- sitam de restrições em nutrientes, mas apresentam dificuldade de mastigação e/ou digestão. Os alimentos devem ser apresentados na consistência de pasta ou alimen- tos bem macios, bem pi- cados, ou até moídos, sempre com a celu- lose dos vegetais e as fibras da carne abrandadas pelacocção, trituração ou raspagem. Devem ser excluídos da dieta: frituras, alimentos que for- necem resíduos não digeríveis, vegetais crus, cereais integrais e condimentos muito picantes; e o fracionamento segue o da dieta geral. 3. Pastosa Tipo de dieta indicada para pacientes em pós-operatório ou em situações clínicas especiais, que apresentam dificuldade de deglutir ou engolir, dificuldades de mastigação e/ou alterações gastrointesti- nais, pois diminui a mastigação e facilita a digestão. Classificação das Consistências das Dietas Hospitalares C o z i n h a H o s p i t a l a r É constituída de preparações líquidas e substâncias em estado de dispersão grosseira, cujas partículas estão em sus- pensão ou emulsão, resultando em um líquido espessado. Assim, os alimentos devem estar na forma de purês ou mingaus. Inclui suco de frutas, sopa cremosa, vi- tamina de frutas e deve seguir o fracio- namento de 6 refeições. 4. Semilíquida Essa dieta também é chamada em alguns hospitais de dieta leve, pastosa liquidifi- cada ou líquido-pastosa. Indicada para pacientes em situação pré ou pós-operatória (ou fase de tran- sição), cuja função gastroin- testinal esteja alterada ou ainda exista dificuldade de mastigação ou deglutição, ou quando necessite de repouso gastrointestinal, preparo de determinados exames etc. É caracterizada por alimentos líquidos, como sucos coados no coador médio, vitaminas ralas, leite, sopa com caldo da carne ou carne batida, mingau ralo. Pode apresentar baixo valor nutritivo, por isso a evolução da dieta deve ser feita o mais rápido possível. Se utilizada por um período prolongado, geralmente, o paciente necessita de suplementação médica de vitaminas e minerais. Propicia pouca saciedade, devendo se alimentar a cada duas horas, assim, deve ser fracionada de 6 a 8 refeições por dia. 5. Líquida É a dieta mais restrita, indicada para pacientes que apresentam alterações na mastigação ou deglutição, em situações pós-operatória ou no preparo de cirurgias e exames que envolvam o sistema digestivo. Deve ter o mínimo de resíduos possí- vel para possibilitar máximo repouso gastrointestinal. 51G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Geralmente, é utilizada por período breve, apesar de promover a hidratação, saciar a sede, manter o funcionamento dos rins, fornece pequena quan- tidade de calorias e nutrientes, geralmente não atinge as necessidades diárias do organismo. É composta de líquidos transparentes, como água de coco, sucos bem diluídos, chás claros, caldo de vegetais. Como só pode ser dado 200 ml por vez para evitar a distensão do abdômen, deve seguir o fracionamento de 8 refeições ao dia. C o z i n h a H o s p i t a l a r 53G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Modificação de Nutrientes em Dietas Hospitalares Os alimentos são definidos como produtos de origem animal, vegetal ou sintéticos, que fornecem às pessoas energia de que precisam para crescer, andar, pensar, respirar e até dormir. Neles estão presentes os nutrientes. Podemos entender que os alimentos são qualquer substância que o corpo é capaz de ingerir e assimilar e que o manterá vivo e em constante crescimento e desenvolvimento, sendo os transportadores dos nutrientes. C o z i n h a H o s p i t a l a r Enquanto isso, os nutrientes são as substâncias que compõem o alimento e são responsáveis e indispensáveis para a manutenção de todas as reações bioquímicas necessárias para o funcionamento do organismo. Os nutrientes podem ser classificados em: MACRONUTRIENTES (moléculas maiores e necessárias em maiores quantidades) Carboidratos, Proteínas e Lipídeos. Funções Fontes Carboidratos (CHO) • Fonte de energia • Preservação de proteínas • Combustível para o sistema nervoso central • Massas em geral, pães • Cereais: arroz, milho • Bolachas • Batata, mandioca • Frutas • Doces Proteínas (PTN) • Manutenção do crescimento e da construção tecidual • Formação de hormônios e enzimas • Produção de anticorpos: importante função na nossa imunidade • Proteína animal: leite e derivados, carne e ovos. • Proteína vegetal: leguminosas secas. • Proteínas de cereais e hortaliças. Lipídeos (LIP) • Compõem as membranas celulares • Representam reservas de energia • São combustíveis alternativos aos carboidratos • Isolamento térmico • Dão origem aos hormônios • Óleos vegetais • Azeite de oliva • Banha • Bacon • Carnes • Alimentos fritos • Manteiga • Margarina • Oleaginosas (nozes, amêndoas, castanhas...) Quadro 2: Funções e alimentos fonte dos macronutrientes Fonte: a autora. 55G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R MICRONUTRIENTES (pequenas moléculas, necessárias em mínimas quantidades) Vitaminas e minerais As necessidades dos micronutrientes variam em função de: sexo, idade, peso, altura, necessidades calóricas, estados de gravidez e lactação, atividade física etc. Os micronutrientes são essenciais para o crescimento e o funcionamento metabólico normal de um organismo, são ativos em doses mínimas e não apresentam valor energético inerente. São compostos orgânicos (vitaminas) ou inorgânicos (minerais) obtidos em uma dieta normal e capazes de manter a vida e promover o crescimento. • Vitaminas Elementos nutritivos essenciais para a vida (VITA), que na sua maioria possuem na sua estrutura compostos nitrogenados (AMINAS). Temos as vitaminas A, D, E, K, complexo B (B1, B2, B3..), C, dentre outras. • Sais minerais Os sais minerais são substâncias inorgânicas, isso os difere dos ma- cronutrientes e das vitaminas. Dessa forma, não pode ser produzida pelo organismo humano, sendo assim, necessitamos ingeri-los por meio de nossa alimentação. São vários os minerais existentes nos alimentos, dentre os mais co- nhecidos, temos o cálcio (encontrado nos laticínios), o ferro (presente nas carnes), o potássio (principais fontes são as frutas e verduras), o sódio (famoso no sal de cozinha), o selênio (um mineral antioxidante encontrado nas castanhas, principalmente na Castanha do Brasil) e outros, como fósforo, flúor, cobre, zinco etc. A grande diferença entre os micronutrientes (vitaminas e sais minerais), é que eles não possuem calorias por não fornecerem energia. A energia a qual nos referimos seria a capacidade de realizar traba- lho, medida em Joule (medida de energia em termos de trabalho mecânico) ou caloria (quantidade de energia térmica necessária para elevar a temperatura de 1ml de água, de uma temperatura padrão inicial, em 1ºC). C o z i n h a H o s p i t a l a r A unidade de energia usada em nutrição é a quilocaloria. 1 Joule = 4184 quilocalorias Assim, sabemos que 1g de carboidrato (CHO) nos fornece 4 kcal, 1g de proteína (PTN) nos fornece 4 kcal e 1g de lipídeos nos fornece 9 kcal. Se formos avaliar um pão de 50g, que possui: CHO: 28,7g PTN: 4,65g LIP: 0,1g Temos um total de kcal de: CHO: 28,7g x 4 kcal = 114,8kcal PTN: 4,65g x 4 kcal = 18,6kcal LIP: 0,1g x 9 kcal = 0,9kcal Total: 134,3 kcal (somatória dos três valores de kcal) Cada indivíduo possui um total de calorias ideal a ser consumida no dia, é o Valor Calórico Total (VCT). Porém mais importante que o total de calorias que um indivíduo consome é a distribuição dos nutrientes. Dentro de um hospital, temos como referência a dieta normal. Para o planejamento e adequações dietéticas, utiliza-se a recomendação normal de calorias, como sendo: 50 a 60% do Valor Calórico Total (VCT) de carboidratos. 10 a 15% do VCT de proteínas. 25 a 30%do VCT de lipídeos. Por exemplo, um indivíduo que ingere 2000 kcal ao dia deve ingerir de 50 a 60% dessas calorias em carboidratos, ou seja, em torno de 1000 kcal vindas do carboidrato. O mesmo deve acontecer para as proteínas e para os lipídeos, respeitando suas distribuições. 57G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Nas modificações que ocorrem, podemos tornar uma dieta com aporte maior (chamada de hiper) ou com aporte menor (chamada de hipo), ou seja, se vamos tornar uma dieta hiperproteica, significa que vamos dar acima de 15% do VCT e, se queremos que seja hipoproteica, tra- balhamos abaixo de 10%. Podemos variar tanto os macro quanto os micronutrientes. MODIFICAÇÃO DO VALOR CALÓRICO Calorias • Hipocalórica Indicada para os pacientes que necessitam de restrição calórica nos casos de pré-obesidade ou obesidade. Há redução do valor calórico total da dieta, que pode ser preparada com diversos conteúdos calóricos, mas com o balanço de nutrientes sem alterações (50 a 60% de CHO, 10 a 15% de PTN e 25 a 30% de LIP). Pode-se aumentar o número de refeições, de seis a oito por dia, sempre em pequenas porções e com alimentos de baixa caloria, como iogurte e gelatina light, frutas pequenas, extratos de soja, suco natural dilu- ído com água (acrescentar hortelã ou erva doce para deixá-lo mais saboroso). • Hipercalórica Indicada para pacientes desnutridos ou com risco de desnutrição. Devem ser adicionados alimentos com alta densidade energética, aumentando o valor calórico, por exemplo, adicionar leite integral, creme de leite. Preferir alimentos mais sólidos, pois a água aumenta a saciedade sem dar calorias. Prefira óleos vegetais nas preparações, podendo até finalizar com um pouco de azeite de oliva nas preparações e saladas, e adicione sempre as frutas secas, as castanhas e as nozes, pois são alimentos calóricos com um perfil de gorduras bastante benéfico. C o z i n h a H o s p i t a l a r Você sabe a diferença entre um alimento diet e light? Quando se fala Diet, é porque desse alimento foi retirado totalmente algum tipo de nutriente ou substância (por exemplo, carboidrato, gordura, proteína ou sódio) que não, necessariamente, o torna menos calórico. Os consumidores de produtos diet normalmente apresentam condições metabólicas ou fisiológicas específicas. Precisam de alimentos especial- mente formulados, que eliminam ou substituem algum componente como o açúcar (diabéticos) e o sal (hipertensos). Light é todo produto que sofre uma redução mínima de 25% de calorias ou de um determinado nutriente ou substância como açúcar, gorduras, proteínas, sódio e outros. Os consumidores são pessoas saudáveis que buscam produtos com menos calorias ou com quantidade reduzida de algum nutriente, em comparação com o mesmo alimento em sua fórmula convencional. Fonte: Ornellas (2007). 59G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R MODIFICAÇÃO DOS MACRONUTRIENTES Proteínas • Hipoproteica Indicada para pacientes com insuficiência renal ou que necessitam do consumo controlado em purinas, já que estas geralmente são encon- tradas nos alimentos proteicos. As purinas são moléculas utilizadas na síntese de DNA e RNA pelas nossas células e são componentes im- portantes de várias biomoléculas, como o ATP (nossa energia). Porém o principal metabólito de sua degradação é o ácido úrico; algumas pessoas (que têm “gota”) possuem acúmulo de ácido úrico no sangue, devendo diminuir a ingestão dos alimentos fonte. Para tornar uma alimentação com baixa proteína, deve-se abusar dos vegetais e substituir a carne bovina por omelete com vegetais, espinafre, salada, cebola, alho etc. Deve-se substituir o leite por suco de frutas e diminuir a quantidade da leguminosa, utilizando apenas uma porção em uma refeição do dia, e substituir a gelatina comum por gelatina de algas. • Hiperproteica Indicada para pacientes desnutridos ou com risco de desnutrição. Pode- se fazer torta salgada com extrato de soja e ovo; sempre que possível, adicioná-los às preparações. Acrescentar linhaça, aveia, farinha de soja em cima do arroz e preferir sempre pães e cereais integrais. Consumir leguminosas como feijão, lentinha, ervilha também na forma de sa- ladas. Acrescentar salsa, cebola, cebolinha e outras especiarias para deixar mais saboroso. Trocar os sucos batidos com água por sucos batidos com leites. Carboidratos • Hipoglicídica Geralmente indicada para pacientes diabéticos, visando ao controle glicêmico. Controle total dos carboidratos da dieta dando preferência aos alimentos C o z i n h a H o s p i t a l a r integrais; pode-se sempre substituir os tubérculos por verduras. Pode-se diminuir a porção de arroz e acrescentar vegetais e folhas para aumentar a saciedade. Nos lanches, podem ser servidas torradas e bolachas integrais acom- panhadas com requeijão baixa caloria, ou geleia com suco de frutas e sem açúcar. Além disso, restringe-se o açúcar, o mel e a frutose. Prefira sucos menos calóricos, como abacaxi, melão, limão e melancia. Para controlar a ansiedade, uma dica é utilizar banana com canela e polvilhar um pouco de adoçante. Aquecer um pouco e servir. Fica bastante saboroso e auxilia na vontade de comer doce. Gorduras • Hipogordurosa Pacientes com distúrbios no pâncreas, biliares ou com colesterol e triglicerídeos elevados, além da obesidade. Os alimentos são preparados sem adição da gordura, usa-se leite desna- tado, carnes magras e não é ofertada margarina ou outro alimento que contenha grandes quantidades de gordura, tais como: achocolatados e derivados do leite integral. Para os lanches, preferir os pães integrais e os queijos brancos com pouca gordura, como muçarela de búfala, ricota, “cottage” ou queijo minas frescal. Adicione folhas de alface, agrião ou rúcula junto com cenoura ou beterraba ralada para aumentar a saciedade e tornar o alimento mais atraente. Substitua a manteiga comum pela light, a maionese e o requeijão também. Evitar utilizar temperos industrializados devido à grande quantidade de gorduras adicionadas a eles (além do sódio). No modo de preparo, utilize sempre os grelhados ou assados. Modificação dos micronutrientes • Hipossódica (baixa em sódio) Evitar utilizar temperos industrializados, dar preferência por temperos 61G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R naturais, como alho, cebola, cebolinha, salsinha, coentro, alecrim, oré- gano, manjericão e outras especiarias para torná-los mais saborosos. Substituir os alimentos em conserva como picles, cenoura, pepino por alimentos in natura. Substitua queijos amarelos por muçarela de búfala, queijo branco sem sal, tofu. Para tornar mais saboroso, pode-se adicionar orégano e um pouco de azeite de oliva. Substitua os embutidos. Uma ideia é utilizar frango assado com alecrim. Substitua temperos prontos para arroz e feijão. Tempere o arroz com alho, cebola e açafrão e no feijão acrescente louro. Não utilizar sopas e molhos industrializados, deve-se realizar todo preparo. Em uma dieta de baixo sódio, pode-se dar a opção de acrescentar 1g de sódio no almoço e no jantar, porém, existem casos em que isso também é restrito. • Hipocalêmica (pobre em potássio) Essa dieta é extremamente importante para os pacientes que possuem problemas renais, pois os rins são responsáveis pela eliminação do potássio, então, no paciente renal, a excreção de potássio é diminuída e esse acúmulo de potássio pode causar fraqueza, paralisia muscular, sensação de dormência na língua, boca e pernas, além de alterações cardíacas, chegando até a parada total do coração. Os alimentos ricos em potássio são leguminosas,frutas, verduras e leite de vaca. Devem-se picar frutas, legumes e verduras, após tê-los deixados de molho em água, cozinhá-los e jogar fora a água do cozi- mento. Substituir o leite de vaca por extrato de soja. As frutas também devem ser cozidas antes de serem consumidas, porém, deve-se atentar às indicações, pois algumas pessoas, princi- palmente aquelas que não possuem os rins funcionantes, não devem consumir a maior parte das frutas, mesmo que cozidas. • Dieta laxativa (rica em fibras) Indicada para os pacientes que apresentam constipação intestinal. C o z i n h a H o s p i t a l a r Ocorre a substituição de preparações por alimentos laxantes, como mamão, laranja, suco de fruta com ameixa seca e inclui-se farelo de trigo, aveia, dentre outros. Há um aumento do consumo de líquidos, inclusive de chás laxativos, como carqueja e cavalinha. • Dieta obstipante (pobre em fibras) Indicada para os pacientes que apresentam quadros de diar- reia, restringindo-se preparações com leite, leguminosas com casca e verduras. Adiciona-se apenas polpa das frutas, como maçã sem casca, goiaba sem casca, banana, chás e gelatinas. Independente da dieta prescrita, cada paciente deve ser analisado individualmente, pois os fatores de risco de desnutrição existem e devemos sempre atuar de forma preventiva como parte da estratégia de tratamento. A intervenção e o acompanhamento da equipe multiprofissional são funda- mentais para o cuidado do paciente com risco de desnutrição. 63G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R co ns id er aç õe s fi na is Caro(a) aluno(a), Aqui estamos finalizando mais uma unidade do livro de Cozinha Hospitalar. Vimos que o ambiente hospitalar possui diversas particularidades a serem atendidas, não é? O “comer” ou “alimentar-se” é um elemento básico para o ser humano, é uma atividade complexa e envolve, além dos processos bioquímicos naturais, os fenômenos culturais. Sabores e valores nutricionais fazem parte das refei- ções dos pacientes quando se utilizam ervas, especiarias, produtos frescos e de boa qualidade, a fim de melhorar as dietas restritas. Vimos, ainda, que, ao nos referir às dietas restritas, estas podem ser res- tritas em nutrientes, como as dietas com baixa caloria (hipocalórica), baixo carboidrato (hipoglicídica), baixa proteína (hipoproteica), baixos lipídeos (hipolipídica), pobres em sódio (hipossódica) e pobres em potássio (hipo- calêmica); ou, também, podem ser dietas com aportes maiores de calorias (hipercalórica), proteínas (hiperproteica) e até em fibras (laxativa). Além das modificações em nutrientes, as dietas podem ser modificadas em sua consistência, de modo a facilitar o consumo, a mastigação e a digestão, iniciando-se na dieta geral, em que a modificação não é alterada, partindo para a branda, pastosa, evoluindo à semilíquida e chegando à líquida, dieta mais restritiva, em que apenas líquidos claros podem ser ofertados. Em muitos casos, as dietas podem ser conjugadas, ou seja, além de uma modificação nas calorias, podem ser baixas em sódio e pastosas, já imaginou? Isso é um desafio para nós, que estamos trabalhando com isso, mas imagine também o lado do paciente, que está hospitalizado, afastado do convívio social e se alimenta apenas de líquidos! Temos que dar o nosso melhor para que ele também tenha o melhor. Entender que o alimento não é apenas um meio para ingerir nutrientes, mas que deve compor cardápios saborosos, dos quais o paciente participe da escolha, é fundamental para a adesão da dieta. Você está preparado(a)? Nos vemos na próxima unidade com mais infor- mações sobre esse mundo maravilhoso. C o z i n h a H o s p i t a l a r at iv id ad es d e es tu do 1. Sobre a modificação em nutrientes de uma dieta, identifique se a modificação apresentada pode ser caracterizada como: 1. Hipercalórica 2. Hipoproteica 3. Laxativa 4. Obstipante 5. Hipocalêmica ( ) Antes de cozinhar o vegetal, deixá-lo imerso em água por duas horas e, após cozido, eliminar a água do cozimento. ( ) Adicionar farelo de trigo e chá de carqueja ao lanche da tarde. ( ) Por diminuir a ingestão de alimentos de origem proteica nessa dieta, au- menta-se o consumo de carboidratos e de lipídeos. ( ) Adição de leites integrais, creme de leite, óleos vegetais, oleaginosas e, no preparo, deixá-lo mais consistente. ( ) Opção de incluir fundos vegetais e cárneos e a polpa das frutas retirando-se as cascas. 2. Sabe-se que a dieta geral é indicada para pacientes que não necessitam de res- trições específicas e que apresentam funções de mastigação e gastrointestinais preservadas, porém, muitas vezes, é necessário que ocorram modificações de consistência das preparações. Identifique se as receitas abaixo podem ser inclu- ídas em uma dieta pastosa, semilíquida ou líquida. SOPA DE COUVE-FLOR Ingredientes: 1 unidade de cardamomo 100g couve-flor com talos e flor 1 dente de alho 1L de água Fios de azeite Sal e pimenta branca a gosto 65G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R at iv id ad es d e es tu doModo de preparo: Cozinhe em água a couve-flor com o cardamomo. Bata tudo no liquidificador e coe. Bata com fios de azeite. Adicione sal a gosto e pimenta branca. Deixe ferver sem reduzir muito e sirva. SOPA DE MANDIOCA COM LEITE DE COCO Ingredientes: 300g de mandioca 50g de coxão duro ½ dente de alho 100mL de leite de coco 50g de óleo de coco Sal e pimenta a gosto Modo de preparo: Cozinhe a mandioca com o alho e o coxão duro, em água suficiente para cobri-la. Bata no liquidificador a mandioca com parte do líquido de seu cozimento (o suficiente para ficar na consistência adequada), o leite de coco, o óleo de coco e o coxão duro. Passe na peneira. Leve no logo para apurar e concentrar o sabor, corrija o tempero com mais sal e pimenta a gosto. PURÊ DE ABÓBORA Ingredientes: 100g de abóbora cabotiá 2 unidades de batata yacón 250 ml de caldo de legumes 1 colher de manteiga sem sal 1 cebola bem pequena picadinha sal a gosto Modo de preparo: Cozinhe a batata e a abóbora no caldo de legumes em panela de pressão por C o z i n h a H o s p i t a l a r at iv id ad es d e es tu do 15 minutos, bata tudo no liquidificador, incluindo o caldo. Volte essa mistura para a panela com a manteiga e a cebola picadinhas e acerte o sal e os outros temperos até que fique com a consistência desejada. 3. A figura a seguir apresenta o leiaute de uma cozinha hospitalar que oferece dificuldades para o estabelecimento de um fluxo de alimentos correto durante o período de preparo de refeições. Assinale a alternativa que apresenta a modi- ficação mais imediata a ser realizada, de modo a evitar a contaminação cruzada. (A) Isolar as áreas de enteral e lactário. (B) Trocar a posição da câmara fria para mais próxima do setor de refrigeração. (C) Aproximar o setor de refrigeração do setor de cocção de vegetais. (D) Deslocar o ambiente de pré-preparo de carnes e vegetais para local mais próximo das câmaras frigoríficas. (E) Separar o pré-preparo de carnes do pré-preparo de vegetais. 67G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R m at er ia l c om pl em en ta r O Hospital Albert Einstein oferece cursos gratuitos na metodologia EAD na área hospitalar com duração média de 30 a 45 minutos. Incentivo-o(a) a assistir aos vídeos de gestão de resíduos nos hospitais e também de melhoria contínua em qualidade. Melhoria Contínua Disponível em: <http://www.einstein.br/Ensino/cursos-abertos/Paginas/curso-gratuito-em- -melhoria-continua-qualidade.aspx>.Acesso em: 19 out. 2015. Gestão de Resíduos Disponível em: <http://www.einstein.br/Ensino/cursos-abertos/Paginas/curso-gratuito-em- -gestao-de-residuos-de-servicos-de-saude.aspx>. Acesso em: 19 out. 2015. Ambos irão complementar o conteúdo que trabalhamos nesta unidade e auxiliarão na com- preensão da importância deste conteúdo. C o z i n h a H o s p i t a l a r le it ur a co m pl em en ta r Fórmulas enterais e infantis As fórmulas enterais são indicadas para pacientes com diminuição da ingestão oral devido à anorexia, incapacidade da alimentação por via oral, complicações no pós-operatório de cirurgias cardíacas, falência respiratória com entubação e acidente vascular cerebral, até mesmo quando houveram perdas excessivas de nutrientes por vômitos ou diarreia. As vias de acesso podem ser: • Gástrica (ou seja, a sonda é passada do nariz direto no estômago), que permite a utilização de dietas com mais nutrientes e maiores volumes e gotejamento contínuo. • Duodenais ou jejunais (do nariz é passada direto para o duonedo): indicadas para pacientes com história de refluxo gástrico, indivídu- os com estado mental alterado, disfunção de deglutição, obstrução gástrica e pacientes pós-cirúrgicos. Nessa dieta, utiliza-se bomba infusão, e a administração pode ser por gotejamento com taxa au- mentada gradativamente de acordo com a tolerância do paciente, até se tornar contínua. • Gastrostomia percutânea (essa sonda é colocada, por meio da pele, direto no estômago), indicada quando a terapia enteral for necessária por período superior a quatro a seis semanas. • Permite alimentação do paciente por via oral sem inconveniência, desconforto, e é indicada para pacientes que irão alimentar-se por via oral em curto prazo e pacientes com alto risco de desnutrição. • Jejunostomia percutânea: também por meio da pele, passa-se para o jejuno, local direto de absorção. Indicada com pacientes com alto risco de refluxo. Os tipos de dietas enterais podem ser: • Poliméricas: indicadas para pacientes com função gastrointestinal normal ou quase normal, possui os carboidratos, proteínas e lipídeos na forma intacta. 69G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R le it ur a co m pl em en ta r • Oligoméricas ou semielementares: são indicadas para pacientes com disfunção severa na absorção de nutrientes, no qual o carboidrato, a proteína e os lipídeos são dados na forma parcialmente hidrolisada. • Elementares: indicadas para pacientes com digestão e absorção pre- judicadas, como pancreatite, AIDS, câncer, diarreia e síndromes, em que todos os nutrientes estão na forma mais simples, ou seja, proteína na forma de aminoácidos, carboidratos na forma de glicose e lipídios na forma de triglicerídeos. Existem, ainda, as fórmulas enterais especializadas, que são fórmulas desen- volvidas para patologias específicas, como, por exemplo, doenças respiratórias, diabetes, falência renal. Existem inúmeras dietas com composições variadas que são produzidas por empresas especializadas lançadas constantemente no mercado. Cada serviço deve, de acordo com o perfil nutricional dos pa- cientes e na possibilidade orçamentária, adotar as que atendam melhor às suas necessidades. Fórmulas infantis Recomenda-se o leite materno exclusivo até o sexto mês e complementado até os dois anos de idade ou mais. No entanto, na impossibilidade de man- ter-se essa condição, utilizam-se fórmulas apropriadas para os primeiros seis meses de vida. O leite de vaca pode ser utilizado desde que corretamente diluído nos primeiros quatro meses, quando as fórmulas infantis não forem viáveis por razões socioeconômicas. Como algumas crianças necessitam de uma oferta calórica maior, é comum o uso de fórmulas compostas por leite fluido ou em pó com acrés- cimo de carboidratos (açúcar ou farinhas) com porcentagem máxima de 8% e gorduras na porcentagem máxima de 2%, com o intuito de aumentar o valor calórico total. Fonte: Isosaki (2012, p. 108-110). Preparações Hospitalares THANISE PITELLI PAROSCHI A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Uso de ervas e condimentos • Bases culinárias • Preparações para dietas hospitalares • Compreender os ingredientes e os processos básicos para a gas- tronomia hospitalar. • Estudar sobre as técnicas a serem adotadas na cozinha hospitalar. • Conhecer ingredientes importantes a serem utilizados. • Aplicar diferentes opções de receitas para a cozinha hospitalar. Plano de Estudo Objetivos de Aprendizagem Introdução 73 Introdução Caro(a) aluno(a), Espero que esteja gostando do curso e deste conteúdo intrigante, que é a Cozinha Hospitalar. Até agora, vimos que a alimentação de um paciente também faz parte de seu tratamento, afinal, é dela que temos a energia que precisamos para desempenhar nossas atividades e, principalmente, para o organismo conseguir se recuperar de cirurgia, doença, traumas etc. Um indivíduo que não se alimenta terá mais dificuldades de recuperação. Vimos ainda que as dietas hospitalares possuem algumas variações em nutrientes, já que podemos torná-las com mais ou menos calorias, carboidratos, proteínas, lipídeos e até restrita em sódio, não é? Além disso, temos também as dietas modificadas em consistência, que evoluem de uma dieta apenas formada por líquidos até a dieta com a consistência normal, chamada de padrão. Com tanta restrição e com a grande necessidade de nutrientes que auxiliem na recuperação do organismo, a gastronomia é essencial, pois é possível desenvolver técnicas para aproveitar ao máximo os nutrientes dos alimentos e, além disso, extrair ao máximo seus compostos, aroma, cor e sabor, tornando os pratos com nutrientes e agradáveis ao paladar do paciente hospitalizado, sem que seja necessário utilizar temperos industrializados e sal. Mesmo para os pacientes que não possuem hipertensão, o sal deve ser evitado, pois, como é rico em sódio (o sal de cozinha é o cloreto de sódio, ou seja, formado por sódio e cloro), pode causar retenção de água, tornando o organismo inchado e diminuindo o volume da urina. Cabe, então, ao profissional da Gastronomia, juntamente com a sua equipe, buscar alter- nativas rentáveis por meio da alimentação para que o alimento seja aceito positivamente pelos pacientes, melhorando a adesão à alimentação; por meio de modificações das técnicas no pre- paro dos alimentos, adição e/ou substituição de ingredientes, utilização de ervas e temperos naturais, visando criar uma alternativa de melhorar o sabor das dietas, desmistificando a ideia de que comida de hospital é insossa. C o z i n h a H o s p i t a l a r 75G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Uso de Ervas & Condimentos No mercado, encontramos especiarias de diferentes formas, não é? Sejam frescas, secas, congeladas, em óleo, inteiras, raladas e muitas outras. Mas, sem dúvida, as especiarias de melhor aroma, sabor e visual são as frescas. Para que seja mantida a sua aparência, em geral, devem ser empregadas na finalização dos pratos, já que são sensíveis e delicadas. Lógico que existem algumas mais resistentes, como louro, tomilho, alecrim e, aí sim, podem ser utilizadas no início do processo de cocção. Caso a opção seja a utilização das secas, estas devem ser empregadas no início da cocção, pois assim é possível sua hidratação e liberação do aroma. Utilizar os condimentos e ervas de forma harmônica é uma arte que requer conhecimento, habilidade e experiência, porém, dentre tantas ervas e condimentos que temos disponíveis dentro da cozinha hospitalar, as mais utilizadas são: Orégano encontrado mais seco do quefresco, pode ser utilizado em pizzas, molho de tomate, ensopados, sopas e peixes ao forno. Alecrim originário das regiões mediterrâneas, suas folhas são pontudas, duras e estreitas, com coloração verde escura na parte superior e esbranquiçada na parte inferior. Possui sabor pronunciado e pode ser indicado para carnes e aves. Baunilha é a parte de uma orquídea centro americana colhida e seca de forma a adquirir cor escura e brilhante, utilizada para perfumar sobremesas, mingaus, bolos etc., de maneira suave. Louro é da mesma família da cânfora e da canela, suas folhas são duras e possuem sabor forte, por isso deve ser utilizado com moderação e retirado da preparação antes de servir. É usado em ensopados, carnes assadas ou grelhadas, sopas e feijão. Canela comercializada em bastão ou moída, confere sabor amadeirado e delicado aos pratos. É importante lembrar que os bastões devem ser retirados das preparações prontas e a canela em pó deve ser polvilhada sobre a preparação já pronta, como em doces, bolos e pães. Coentro especiaria originária do Oriente Médio e, devido ao aroma forte e característico, pode ser utilizado em peixes, mariscos e frutos do mar, dando sempre preferência pela erva fresca. Manjericão existem algumas variedades que possuem sabor quente e balsâmico, utilizado na culinária italiana. Combina com saladas, massas, molho de tomate, carnes, ovos, aves e vinagrete. Alho amplamente usado na culinária brasileira, esse é um bulbo subterrâneo de formato arredondado, dividido em dentes e é envolvido por uma casca fina. Pode estar na forma fresca, em pasta e até mesmo em pó. Com as ervas, é possível fazer o azeite ou o óleo de ervas, basta adicionar algumas unidades ou folhas no vidro e, após um tempo, os compostos serão liberados, e conseguimos tornar as preparações mais aromáticas. DICA DO CHEF Cravo da índia confere aos pratos um sabor floral, podendo ser utilizado inteiro, em doces ou em fundos de carne e ensopados e em pó, podendo ser utilizado em bolos de especiarias. Noz moscada ideal para acompanhar pratos com queijos, espinafre, batatas, omelete, molho branco, purês e também pode ser utilizada em doces, como bolos, pudins e biscoitos. Páprica tempero típico da cozinha húngara, de coloração avermelhada e sabor picante ou suave de acordo com o tipo de pimentão vermelho utilizado. Pode ser usado em preparações com batatas, couve- flor, peixes, saladas e carnes. Tomilho sabor e aroma anunciados devido a sua propriedade antisséptica, é utilizado em molhos para marinar. Pode ser encontrado fresco ou seco e usado para condimentar pratos de carne, ensopados de peixes, aves ensopadas ou grelhadas, tomate, cenoura, beterraba, salada de tomate e cebola, ovos e queijos. Curry mistura de especiarias, inicialmente feita na Índia. Em geral, é uma mistura de coentro, cominho, feno grego, alho, gengibre, canela, cravo, cúrcuma, pimenta do reino e pimenta vermelha. Pode ser utilizado em carnes, vegetais, leguminosas secas e ovos. Gengibre possui sabor levemente picante e cítrico, quando em conjunto com o alho, seu sabor é amenizado. Confere ação bactericida. Utilizado em muitos doces, bolos, pães e saladas. Erva doce as sementes são utilizadas para aromatizar bolos, biscoitos, pães e para preparar pratos com carne suína, aves, peixes, fundos e molhos. Hortelã também conhecida como menta, é utilizada em saladas, carnes, acompanhamento de legumes cozidos, sobremesas e também para decoração. C o z i n h a H o s p i t a l a r 79G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Bases Culinárias Para se obter uma preparação culinária com sabor, aroma, apeti- tosa e com boa textura, podemos utilizar as bases, que podem ser divididas em quatro grupos: • Fundos. • Acompanhamentos aromáticos. • Agentes ligantes (ou espessantes). • Embelezadores e melhoradores de sabor. C o z i n h a H o s p i t a l a r Fundos Como visto nas outras disciplinas do curso, os fundos são substitutos da água, utilizados como base para molhos, sopas e cozidos. Eles podem ser classificados como fundos claros ou fundos escuros. Seu preparo consiste, principalmente, em cozinhar por longo período e em fogo baixo a carne bovina, aves, pescados e até legumes, preferencialmente com ossos, legumes e temperos. O cozimento prolongado tem por objetivo extrair as proteínas solúveis e, prin- cipalmente, o colágeno (gelatina) que confere sabor e consistência. Os ingredientes que os compõem é que vão definir se o fundo é claro ou escuro, por exemplo, se elaborado a partir de vegetais, in- gredientes aromáticos e ossos, o fundo será claro. Caso seja elaborado com ossos assados, vegetais caramelizados e purê de tomate, ele será escuro. Os fundos podem ser combinados com ervas aromáticas (bouquet garni) e legumes (mi- repoix). A principal diferença entre o fundo pre- parado e os caldos industrializados que temos 81G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R para comprar no mercado é a quantidade de gordura e, principalmente, de sódio que o in- dustrializado possui. Nakasato, Cardoso e Almeida (2014) afirmam que alguns cuidados devem ser tomados para preparar um fundo, como: • Usar sempre água fria para iniciar o fundo, de forma que o líquido do ali- mento seja desprendido para a água, conferindo aroma e sabor. • Manter, durante toda a preparação, o fogo brando. • Não tampar a panela. • Não adicionar líquido em excesso para que o período de redução não seja longo demais. • Retirar a espuma e impurezas que se formam na superfície (formato de espuma). • Não reduzir excessivamente o fundo, de forma a manter a cor, o sabor e o aroma ideais. • Coar o fundo com chinois, resfriar e arma- zenar adequadamente em refrigerador ou congelador. • Retirar a gordura que se solidifica na su- perfície do fundo após o resfriamento. Dentro de um hospital, geralmente os ossos e as carcaças não são gêneros alimentícios utilizados no dia a dia, por isso podem ser adaptados para a utilização das próprias carnes. Agentes ligantes Os agentes de ligação, ou espessantes, têm por ob- jetivo modificar a consistência do molho e da sopa e, assim, sua incorporação pode torná-los mais es- pessos, aveludados e com cores e sabores diversos. Dentre os principais agentes ligantes, temos o roux, que é a preparação na qual se utiliza a mesma proporção de gordura (pode ser feito com manteiga, óleo ou banha) e fa- rinha de trigo, assim, a gordura é aquecida e acrescenta-se a farinha de uma só vez até formar uma pasta. De acordo com o tempo de cozimento dessa mistura, pode-se obter roux com diferentes colorações, sendo que, quanto mais claro o roux, maior poder espessante e mais suave o sabor. C o z i n h a H o s p i t a l a r O roux é a dextrinização do amido, ou seja, é a quebra parcial da molécula de amido do grão, de forma a torná-la mais digerível. Porém, conforme o amido vai sendo quebrado demais, o que ocorre com o alto tempo de cozimento, a molécula de amido pode não mais se gelatinizar, isto é, não vai absorver água e pouco irá espessar a preparação. A coloração do roux também irá dar colo- ração ao molho, portanto, em molhos e sopas claras, deve-se utilizar o roux branco/amarelo, enquanto que em molhos escuros pode-se uti- lizar roux marrom/negro. Dentro da Gastronomia hospitalar, Nakasato, Cardoso e Almeida (2014) indicam utilizar de 60 a 80g de roux por litro de sopa e entre 130g a 160g de roux porlitro de molho. Nas receitas, de maneira geral, é comum se utilizar 100g de roux por litro de molho, certo?! Porém, na gas- tronomia hospitalar, é comum se utilizar uma proporção maior de roux, pois, como vimos nas unidades anteriores, o consumo alimen- tar do paciente hospitalizado geralmente é reduzido e, por esse motivo, as preparações costumam ser mais concentradas, de forma que se possa fornecer mais nutrientes em um mesmo volume. Você também pode usar como espessante a biomassa de banana verde. Leia mais sobre ela na Leitura Complementar. 83G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Acompanhamentos aromáticos Os acompanhamentos aromáticos são mistu- ras que têm como base legumes, ervas e espe- ciarias que visam realçar e acentuar o sabor de sopas e molhos. Eles devem ser utilizados como base para a elaboração das preparações de cardápios e, em geral, os acompanhamen- tos aromáticos possuem o toque do profis- sional da área de gastronomia, adequando a proporção de cada ingrediente. Porém, alguns são básicos: • Mirepoix: mistura de vegetais usada para dar sabor aos fundos, molhos e outras preparações culinárias, em que a parte líquida resultante é coada e o sólido é descartado. A proporção básica é: 50% de cebola (ou 25% cebola e 25% alho- -poró), 25% de cenoura e 25% de salsão. Caso o objetivo seja deixar a preparação clara, pode-se substituir a cenoura pelo alho-poró e nabo. • Bouquet garni: é a forma de aromatizar a água de cozimento dos alimentos com a utilização de talos de salsão, salsinha, tomilho e louro, envoltos em uma folha de alho-poró, porém sua composição também pode ser variada a gosto. Após fornecer sabor, deve ser retirado da preparação. • Sachet d´épice: utiliza-se um saquinho de gaze ou pano fino limpo com louro, alho, tomilho, salsinha e pimenta em grãos e, assim como o bouquet garni, podem-se variar os ingredientes e de- ve-se lembrar sempre de retirá-lo da preparação. • Cebola Piquet: é uma cebola descascada e cortada ao meio, espetada com uma folha de louro e cravos da índia para con- ferir sabor ao molho bechamel e sopas à base de leite. • Cebola Brulée: ao tostar uma cebola cor- tada ao meio em frigideira ou chapa, po- de-se adicionar a consommés e fundos para dar cor e sabor às preparações. C o z i n h a H o s p i t a l a r Melhoradores de sabor São os complementos que visam melhorar o aroma e a textura da preparação, poden- do ser creme de leite, manteiga, queijos e até corantes. Acompanhe sempre a disciplina de Habilidades de Cozinha para uma melhor compreensão de todas as técnicas culiná- rias referidas neste livro. 85G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R C o z i n h a H o s p i t a l a r 87G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Preparações para Dietas Hospitalares Neste tópico, iremos abordar e ampliar os horizontes para provar que elaborar receitas saudáveis, utilizando ingredientes naturais, pode ser uma tarefa mais simples do que se imagina. Na gastronomia hospitalar, temos que utilizar, o máximo possível, os alimentos funcionais. Você sabe o que são alimentos funcionais? C o z i n h a H o s p i t a l a r No Brasil, a Portaria nº. 398 de 30/04/99 da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde (ANVISA) fornece a definição legal de alimento funcional: todo aquele alimento ou ingrediente que, além das funções nutricionais básicas, quando consu- mido como parte da dieta usual, produz efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos bené- ficos à saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica (BRASIL, 1999). Ou seja, além de nos nutrir, podemos ter efeitos be- néficos à saúde. Você já escutou que o tomate possui licopeno? O licopeno é um pigmento com propriedades antioxidantes que possui a capacidade de reduzir o risco de desenvolvimento de câncer de próstata. Assim, para cada um dos tipos de dietas modifi- cadas em consistência, vamos propor um exemplo de cardápio diário e opções de preparações contendo ali- mentos funcionais que podem ser inseridos em uma dieta hospitalar. 89G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Os antioxidantes são substâncias que podem estar presentes naturalmente nos alimentos, como alguns pigmentos (b-caroteno – presente na cenoura e confere a coloração alaranjada), vitaminas (como a vitamina C presente nas frutas cítricas) e minerais (como o selênio, presente nas oleaginosas e principalmente na Castanha do Brasil), que combatem os radicais livres gerados no nosso organismo. Esses radicais livres podem reagir com algumas moléculas e causam malefícios ao organismo. Ao combater os radicais livres, podemos evitar doenças, auxiliar na recuperação, melhorar a pele e até retardar o envelhecimento, o que mantém a qualidade da nossa defesa, ou seja, auxilia no nosso sistema imune. E isso é essencial para um indivíduo hospitalizado, não é? Fonte: Silva e Mura (2007) Em 1920, o Dr. Minoru Shirota iniciou no Japão a investigação de desenvolvimento de um leite fermentado para a prevenção de doenças gastrointestinais em crianças e obteve resultados ótimos, que fez que o governo enxergasse uma possibilidade de reduzir o investimentos em saúde por meio da alimentação da população. Em 1974, foi proposto um conceito para os alimentos e substâncias que apresentavam propriedades de efeito à saúde comprovadas e, em 1991, isso foi regulamentado, no qual os alimentos receberam a denominação de Foods for Specified Health Use (FOSHU), um princípio que foi adotado mundialmente e tinha como objetivo a redução de gastos com saúde pública devido à elevada expectativa de vida. A tradução da expressão para o português é Alimentos Funcionais. Fonte: Costa e Rosa (2010, p. 3) C o z i n h a H o s p i t a l a r Dieta Geral Exemplo de cardápio diário: Refeição Alimento / Preparação Quantidade Desjejum Café com leite desnatado Pão Francês Margarina cremosa Banana nanica 1 xícara de chá 1 unidade média ½ colher de sopa 1 unidade Almoço Salada de alface e tomate Frango grelhado Legumes mistos ao vapor Arroz Feijão Arroz doce 1 pires 1 filé pequeno 3 colheres de sopa 4 colheres de sopa 1 concha grande ½ xícara Lanche da tarde Café com leite desnatado 1 xícara de chá Jantar Salada de cenoura ralada Guisado de carne bovina magra Farofa Arroz Feijão Gelatina de uva 3 colheres de sopa 1 bife pequeno 3 colheres de sopa 4 colheres de sopa 1 concha grande ½ xícara Ceia Chá com açúcar Bolacha doce 1 xícara de chá 6 unidades Quadro 3: Exemplo de cardápio diário com cinco refeições para dieta geral Fonte: a autora. Opções de preparações com alimentos funcionais ARROZ INTEGRAL COM ABÓBORA E VAGEM Ao utilizar os grãos integrais, aproveitam-se todos os minerais presentes na casca do grão, além das suas fibras, que auxiliam no bom funcionamento intestinal e evitam a constipação, bastante frequente durante a internação. Ingredientes • 1 xícara de chá de arroz integral • 1 cebola pequena picada 91G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R • 1 xícara de chá de abóbora em cubos pequenos • 1 xícara de chá de vagem em cubos pequenos • 4 colheres de sopa de molho sugo • 1 colher de chá de sal • 1 colher de sopa de salsinha • 2 ½ xícaras de água fervente Modo de preparo: Misture todos os ingredientes em uma forma, cubra com papel alumínio e leve ao forno aquecido a 180ºC até a água secar e o arroz ficar macio, em média 30 minutos. FAROFA DE GRÃO DE BICO Ao utilizar o grão de bico, pode-se tornar esse acompanhamento rico em proteínas e, juntamentecom o farelo de trigo, aumenta-se a ingestão de vitaminas e minerais. Ingredientes • 1 cebola picada • 1 colher de sopa de azeite de oliva • 3 claras • 1 colher de chá de sal • ½ xícara de chá de farinha de mandioca • 2 colheres de sopa de farelo de trigo • 1 xícara de chá de grão de bico cozido • 1 colher de chá de salsinha picada Modo de preparo Cozinhe o grão de bico, previamente mantido em remolho, no fundo de legumes. Refogue a cebola no azeite e adicione as claras. Deixe por 2 minutos sem mexer, até que essas comecem a endurecer. Adicione a farinha de mandioca, o farelo de trigo, a salsa e o sal, regando com algu- mas colheres de água para que fique úmida. Por fim, adicione o grão de bico e mexa bem. C o z i n h a H o s p i t a l a r FEIJÃO COM LINHAÇA A linhaça é uma fonte de ácidos graxos ômega-3 (n-3) bastante importante. O n-3 é um anti-inflamatório que pode auxiliar no controle das inflamações e na atuação do sistema imunológico, uma grande vantagem para o indivíduo hospitalizado. Ingredientes: • 200g de feijão • ½ xícara de café de azeite • 1L de água fria • 3 dentes de alho • 50g de linhaça • ½ colher de chá de sal • 1 folha de louro • 1 cebola em cubos Modo de preparo: Esquente água até que fique morna e passe várias vezes sob o feijão. Elimine a água. Ferva o feijão por 3 minutos sob pressão ou 10 minutos sem pressão. Deixe o feijão em repouso na mesma água por 5 minutos. Escorra a água. Coloque 1 litro de água nova e, juntamente com a semente de linhaça triturada, a cebola e o louro, cozinhe em pressão por 30 minutos. Depois de perder pressão, abra a panela e tempere o feijão da maneira tradicional, com alho refogado em fios de azeite. LEGUMES AROMÁTICOS A batata yacon é conhecida como a batata do diabético, pois é um tubérculo que possui a propriedade funcional de reduzir os níveis de glicose no sangue após o seu consumo. Além disso, é rica em fibras, antioxidantes e possui substâncias com reconhecida ação contra células tumorais. Ingredientes: • 1 batata yacon (opção: mandioquinha, batata doce, cará) • 1 cenoura pequena 93G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R • 2 colheres de sopa de ervilhas frescas ou secas • 1 jiló • 1 colher de sopa de ervas secas como tomilho, alecrim e orégano • 1 colher de sopa de azeite • Sal a gosto • 2 dentes de alho amassados • 1 colher de sopa de uvas passas (ou outro tipo de fruta seca, o adocicado irá mascarar o amargor do jiló) Modo de preparo: Cozinhe em água fervente a batata, a cenoura, as ervilhas e o jiló. Corte-os em quatro partes. Aqueça uma frigideira, adicione fios de azeite e, em seguida, o alho. Acrescente os legumes, as passas e depois as ervas. Finalize com azeite. C o z i n h a H o s p i t a l a r Dieta Branda Exemplo de cardápio diário: Refeição Alimento/ Preparação Quantidade Desjejum Café com leite desnatado Pão Francês Margarina cremosa Banana nanica 1 xícara de chá 1 unidade média ½ colher de sopa 1 unidade Almoço Hambúrguer de frango Cenoura cozida Arroz Feijão Arroz doce 1 unidade média 3 colheres de sopa 4 colheres de sopa 1 concha grande ½ xícara Lanche da tarde Café com leite desnatado 1 xícara de chá Jantar Frango desfiado Chuchu refogado Arroz Feijão Gelatina de uva 1 filé pequeno 3 colheres de sopa 4 colheres de sopa 1 concha grande ½ xícara Ceia Chá com açúcar Bolacha doce 1 xícara de chá 6 unidades Quadro 4: Exemplo de cardápio diário com cinco refeições para dieta branda. Fonte: a autora. Opções de preparações com alimentos funcionais QUIBE VEGETARIANO A proteína de soja possui uma qualidade proteica considerada quando comparada ao padrão (ovo), assim, ao utilizá-la, pode-se garantir a ingestão adequada de proteínas necessárias para o sistema imune. Ingredientes • 250g de trigo para quibe • 250g de proteína texturizada de soja • 5 colheres de sopa de azeite de oliva • 1 cebola picada • 1 colher de chá de alho triturado • 1 tomate picado 95G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R • 1 colher de chá de sal • 1 colher de sopa de hortelã picada • 1 colher de sopa de manjericão picado Modo de preparo Hidrate o trigo e a proteína de soja separadamente em cerca de 500mL de água morna cada. Em uma panela, refogue o alho e a cebola no azeite, incorpore todos os outros ingredientes e coloque em uma assadeira, prensando bem. Pincele com azeite e leve ao forno para granitar. SALADA DE BROTO DE FEIJÃO COM MAIONESE DE LEGUMES Os brotos possuem maior biodisponibilidade das vitaminas e minerais, aumen- tando o aproveitamento pelo organismo, além disso, agem como funcionais devido à quantidade de fibras solúveis presentes. Ingredientes • 1 punhado de broto de feijão • 1 batata pequena • 1 cenoura média • 1 cebola pequena • 1 colher de sopa de azeite • Sal a gosto • 1 pitada de cúrcuma em pó • 1 pitada de pimenta branca • 1 ramo de salsinha Modo de preparo: Cozinhe em uma panela com água fervente a batata com casca, a cenoura com casca e a cebola até ficarem macias. Escorra a água e retire as cascas. Bata os legumes cozidos com auxílio de espátula, no liquidificador, jun- tamente com o azeite, a cúrcuma, a pimenta, o sal e a salsinha. Passe por uma peneira se preferir. Sirva por cima do broto de feijão cozido no vapor para abrandar suas fibras. C o z i n h a H o s p i t a l a r CARNE COM NABO E ACELGA Como vimos, o tomate é rico em uma substância antioxidante chamada licopeno. Esse é mais bem aproveitado pelo nosso organismo quando aquecido. Sendo assim, o molho de tomate é uma ótima forma para otimizar seus benefícios, além de deixar a preparação mais úmida e macia. Ingredientes: • 150g de carne bovina magra • 100mL de molho sugo • 1 dente de alho amassado • Fios de azeite • ¼ de acelga fatiada • 50g de nabo ralado • 15mL de shoyu Modo de preparo: Inicialmente, cozinhe os vegetais no vapor. Aqueça uma frigideira e adicione a carne. Refogue até dourar de um lado e em seguida vire com auxílio de uma espátula. Adicione o alho e misture à carne. Em seguida, adicione o molho de tomate, o nabo e a acelga, o shoyu e o azeite de oliva. Deixe levantar fervura. FRUTA ASSADA Para não abrir mão da fruta nas sobremesas, já que são muito mais favoráveis do que as sobremesas industrializadas, como as gelatinas, ou ricas em açúcar, como o pudim, é importante utilizar diferentes formas de preparo, como a fruta assada, que é previamente cozida para melhorar a mastigação e deglutição. Ingredientes: • 2 frutas (pera, banana e maçã – cada grupo fará uma delas) divididas ao meio • 2 colheres de sopa de mel • 2 pitadas de curry 97G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Modo de preparo: Coloque a fruta em uma panela com água fervente e a cozinhe (dependendo da fruta). Ajuste a fruta em um refratário, polvilhe pitadas de curry, risque com mel e leve ao forno por alguns minutos, até ficar macia. Adicione a granola. “MACARRÃO” DE LEGUMES Uma forma de modificar os vegetais e substituir as massas, que muitas vezes são pobres em nutrientes, é utilizá-los na forma de macarrão. Ingredientes: • 1 cenoura crua • 1 palmito • 1 abobrinha italiana • Fios de azeite • Alho • Ervas de preferência Modo de preparo: Rale os legumes no ralador grosso ou corte-os em fatias e, posteriormente, corte de forma que se pareçam com espaguetes. Misture tudo com as mãos. Refogue rapidamente em azeite e alho amassados, com pitadas de sal e ervas. Os legumes precisam estar cozidos, porém pouco durinhos. C o z i n h a H o s p i t a l a r Dieta pastosa Exemplo de cardápio diário: RefeiçãoAlimento/ Preparação Quantidade Desjejum Café com leite desnatado Mingau Mamão papaia 1 xícara de chá 1 xícara de chá ½ unidade média Almoço Carne moída liquidificada Purê de mandioquinha Arroz pastoso Feijão batido Arroz doce 1 unidade média 3 colheres de sopa 4 colheres de sopa 1 concha grande ½ xícara Lanche da tarde Café com leite desnatado 1 xícara de chá Jantar Frango desfiado liquidificado Purê de batatas Arroz pastoso Feijão batido Gelatina de uva 1 filé pequeno 3 colheres de sopa 4 colheres de sopa 1 concha grande ½ xícara Ceia Chá com açúcar Pão de forma úmido 1 xícara de chá 2 fatias Quadro 5: Exemplo de cardápio diário com cinco refeições para dieta pastosa Fonte: a autora. Opções de preparações com alimentos funcionais PURÊ DE CENOURA E MANDIOQUINHA Uma base excelente para os purês e cremes é a utilização da biomassa de banana verde. Esse é um alimento funcional devido à alta concentração de amido resistente, que age como uma fibra alimentar e serve como alimento para bactérias benéficas do nosso trato intestinal. Atuando na prevenção e controle de inflamação, diarreia e constipação. Ingredientes • 1 xícara de chá de cenoura cozida e espremida • 1 xícara de chá de mandioquinha cozida e espremida 99G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R • ½ xícara de chá de biomassa de banana verde • 2 colheres de sopa de azeite • ½ xícara de chá de leite desnatado • 1 colher de chá de sal Modo de preparo Misturar todos os ingredientes e levar ao fogo, sem parar de mexer, até que fiquem com uma consistência mais firme. Para finalizar, pode-se salpicar cheiro verde para servir. QUINOA COZIDA AO LEITE DE COCO COM BANANA E CANELA A quinoa (ou quinua) foi selecionada pela NASA para integrar a dieta dos astronautas em voos espaciais de longa duração, devido ao seu valor nutritivo, comparável apenas ao leite materno. Ingredientes: • 25g de quinoa em grão • 1 banana madura • 1/2 xícara de leite de coco • Pitadas de canela em pó Modo de preparo: Lave, em água corrente à temperatura ambiente, os grãos de quinoa e deixe escorrer utilizando uma peneira. Seque-os em uma panela aquecida em fogo médio, não se esqueça de mexer bem para uniformizar a secagem. Esse passo é importante para tirar o pequeno amargor que possui. Adicione duas xícaras e meia de água em temperatura ambiente e cozinhe em fogo médio a alto. Deixe cozinhar até que os grãos se abram. Caso a água não esteja totalmente absorvida, elimine-a. Adicione o leite de coco e deixe ferver em fogo baixo. Amasse a banana ou corte em pedacinhos. Adicione ainda no fogo e misture. Polvilhe pitadas de canela em pó e sirva ainda quente. C o z i n h a H o s p i t a l a r Dieta Semilíquida Exemplo de cardápio diário: Refeição Alimento/ Preparação Quantidade Desjejum Café com leite desnatado Mingau Mamão papaia 1 xícara de chá 1 xícara de chá ½ unidade média Almoço Sopa de ervilha com macarrão parafuso Arroz doce 1 prato raso ½ xícara Lanche da tarde Vitamina de frutas 1 xícara de chá Jantar Canja Gelatina de uva 1 prato raso ½ xícara Ceia Chá com açúcar Bolacha doce úmida 1 xícara de chá 6 unidades Quadro 6: Exemplo de cardápio diário com cinco refeições para dieta semilíquida Fonte: a autora. Opções de preparações com alimentos funcionais SALADA DE CREME DE MANDIOQUINHA A mandioquinha é conhecida pela alta concentração de vitaminas, principalmente do complexo B e vitamina C. Possui alta concentração de B-caroteno (antioxidante), além de minerais como cálcio e ferro. Ingredientes: • 250g de mandioquinha • ¼ xícara de biomassa de banana verde • ½ xícara de creme de leite sem soro • ¼ xícara de maionese • ½ xícara de fundo de legumes • 1 colher de chá de sal Modo de preparo: Cozinhe a mandioquinha até que fique em ponto para amassar. Escorra, passe no espremedor de batatas e deixe esfriar. 101G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Acrescente a maionese, o creme de leite, a biomassa, o fundo de legumes e o sal e misture bem. Sirva fria. SOPA DE ABÓBORA E GENGIBRE O gengibre é empregado em diversas culturas para prevenção e controle de náuseas, vômitos, gases e distensão abdominal. Além disso, é um excelente anti-inflamatório. Ingredientes: • 1/3 abóbora japonesa (pode-se utilizar a casca, lavar bem) • 2 colheres de sopa de azeite de oliva • 1L de água • 1 pedaço pequeno de gengibre • 1 colher de chá de linhaça • 1 dente de alho • Sal a gosto Modo de preparo: Retire as sementes da abóbora, corte-a em cubos médios. Em uma panela, cozinhe a abóbora com o alho, o gengibre e a água, até que fique macia. Bata tudo no liquidificador, adicionando o líquido aos poucos até alcançar a consis- tência desejada, se ainda sobrar líquido, sem abóbora, dispense-o. Adicione o sal e o azeite e continue batendo, quanto mais colocar, mais aveludada ficará. Corrija o tempero. Obs.: caso fique muito líquida, rala e com sabor pouco apurado, leve para ferver novamente até que fique adequado. SOPA DE MANDIOCA COM LEITE DE COCO E CARDAMOMO O coco possui alto valor calórico, garantindo a ingestão calórica, importante para energia, além de possuir sais minerais e vitaminas. Ingredientes: 300g de mandioca 50g de coxão duro 2 unidades de cardamomos inteiros C o z i n h a H o s p i t a l a r ½ dente de alho 100mL de leite de coco Sal e pimenta a gosto Modo de preparo: Cozinhe a mandioca com o alho e o coxão duro, em água suficiente para cobri-la. Bata no liquidificador a mandioca com parte do líquido de seu cozimento (o suficiente para ficar na consistência adequada), o leite de coco e o cardamomo. Passe na peneira. Leve no fogo para apurar e concentrar o sabor. Corrija o tempero com mais sal e pimenta a gosto. CREME DE MANGA COM HORTELÃ O hortelã estimula o sistema digestivo e possui propriedades anestésicas, contém vita- mina A e C, além do cálcio e do ferro. Ingredientes: • ½ manga madura e sem caroço • 1 fatia fina de gengibre descascado • 1 gelinho de linhaça • 2 folhas de hortelã Modo de preparo: Bata no liquidificador a manga, o gengibre e o gelinho de linhaça. Passe pela peneira. Deixe gelar e sirva com a hortelã picado. 103G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Dieta líquida Exemplo de cardápio diário: Refeição Alimento/ Preparação Quantidade Desjejum Café com leite desnatado 1 xícara de chá Almoço Sopa coada de legumes 1 prato raso Lanche da tarde Suco coado de melancia 1 xícara de chá Jantar Sopa coada de carne 1 prato raso Ceia Chá com açúcar 1 xícara de chá Quadro 7: Exemplo de cardápio diário com cinco refeições para dieta líquida Fonte: a autora. Opções de preparações com alimentos funcionais SOPA DE COUVE FLOR Ao adicionar o azeite nas preparações, inclusive na dieta líquida, pode-se aumentar a ingestão de gorduras benéficas, já que ele possui gordura monoinsaturada, que ajuda a di- minuir o excesso de colesterol e glicose no sangue, além da propriedade anti-inflamatória. Ingredientes: • 1 unidade de cardamomo • ½ couve flor com talos e flor • 1 dente de alho • 0,5L de água • 0,5L de fundo de legumes • 1 colher de sopa rasa de azeite de oliva • Fios de azeite • Sal e pimenta branca a gosto Modo de preparo: Cozinhe em água a couve-flor com o cardamomo. Bata tudo no liquidificador e coe em uma peneira fina. Bata com fios de azeite. Adicione sal a gosto e pimenta branca. C o z i n h a H o s p i t a l a r SUCO DE LINHAÇA, GOIABA E CHÁ DE HIBISCUS O chá de hibiscus, obtido pela infusão da flor, pode garantir o consumo de antioxidantes, tornando as refeições com propriedade funcional. Ingredientes:• 1 xícara de chá de hibiscus • 1 goiaba madura • 1 colher de chá de linhaça Modo de preparo: Bata tudo no liquidificador, coe em uma peneira fina e sirva. SUCO VERDE DE COUVE COM ABACAXI, MAÇÃ E SALSÃO Possui uma grande variedade de vitaminas e minerais, porém, alta concentração de compostos antioxidantes e também anti-inflamatórios. Ingredientes: • 1 folha de couve • ½ maçã verde • ½ talo de salsão • 1 rodela de 2 cm de abacaxi • 1 xícara de água de coco Modo de preparo: Corte o abacaxi, a maçã e o salsão, adicione os gelos de couve manteiga, bata no liquidificador com a água de coco. SUCO DE BATATA YACÓN, KIWI E LARANJA A laranja é fonte importante de vitamina C, que auxilia no sistema imune, além de aumentar a absorção das proteínas ingeridas. Ingredientes: 1 batata do tipo Yacón pequena 1 kiwi 105G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R 1 copo médio de suco de laranja 1 colher de chá de linhaça Modo de preparo: Descasque a batata e corte-a em cubos pequenos, deixe tudo mergulhado em água por 10 minutos. Escorra a água. Descasque o kiwi. Bata no liquidificador a batata, o kiwi, o suco de laranja e a linhaça, coe em uma peneira fina e sirva. Além dos antioxidantes que já citamos, os anti-inflamatórios são essenciais, já que inflamação, inchaço e vermelhidão persistentes criam um ambiente que pode promo- ver doenças, em todas as fases de desenvolvimento. Assim, além dos alimentos acima citados, fibras, vitaminas e os antioxidantes encontrados em frutas, legumes, verduras e grãos integrais também podem auxiliar na boa evolução. Podemos perceber, portanto, que os princípios para uma alimentação hospitalar devem estar atrelados a uma dieta saudável, baseada em equilíbrio, variedade, cor e moderação. Lembre-se de que a partir de agora queremos que o comer e o prazer caminhem lado a lado na recuperação de um paciente! C o z i n h a H o s p i t a l a r co ns id er aç õe s fi na is Querido(a) aluno(a), Encerramos a terceira unidade do nosso livro. Espero que tenha gosta- do das informações que foram apresentadas e que tenha sentido vontade e curiosidade para também buscar informações além das que estudamos aqui. Afinal, o mundo dos alimentos funcionais é amplo e cheio de novas des- cobertas. Temos apenas que ficar atentos ao que é mídia e ao que realmente é comprovado. Aqui, passamos uma ideia de opções saudáveis e funcionais a serem aplicadas na cozinha hospitalar e também na nossa alimentação do dia a dia. Uma das propriedades funcionais bastante citadas é a antioxidante, ou seja, a capacidade que algumas substâncias possuem de combater radicais livres que são gerados com o estresse, respiração e até na produção de energia. Independente de ser necessária a modificação de consistência, podemos e devemos utilizar os alimentos com propriedades funcionais na alimentação do paciente, de modo a auxiliar na sua recuperação. Vimos, ainda, que devemos sempre abusar das técnicas da gastronomia para melhorar o sabor, a textura e a consistência das preparações, de modo a garantir a maior ingestão possível das preparações servidas, bem como melhorar sua aceitação. Dentre as técnicas, temos as ervas aromáticas, que, além de auxiliarem nas características sensoriais, também possuem ação benéfica na saúde. Temos que pensar sempre que somos uma flor, somos compostos por várias pétalas e, para que sejamos uma flor completa, temos que cuidar de todas as nossas pétalas. Uma dessas pétalas é a nossa alimentação. Nossa alimentação tem que ser cuidada, planejada e pensada para que possamos manter a flor viva. É claro que não adianta cuidar apenas da pétala da alimen- tação, pois todas as pétalas são essenciais. Mas, se pensarmos que temos a possibilidade de cuidar da nossa alimentação e ela nutrir e também auxiliar na nossa saúde, precisamos cuidar muito bem dela. Conto com você! 107G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R at iv id ad es d e es tu do1. A mistura de especiarias composta por coentro, cominho, feno grego, alho, gengibre, canela, cravo, cúrcuma, pimenta do reino e pimenta vermelha é co- mercializada como sendo um único condimento, comercialmente vendido como: a. Ervas secas. b. Erva doce. c. Ervas finas. d. Curry. e. Páprica. 2. Os agentes de ligação, ou espessantes, visam modificar a consistência do molho ou da sopa e torná-los mais espessos, aveludados e com cores e sabores diversos. Assinale a alternativa que apresenta um agente de ligação: a. Mirepoix. b. Bouquet garni. c. Creme de leite. d. Biomassa de banana verde. e. Cebola Piquet. 3. O que é um antioxidante e de que forma os antioxidantes podem ser adicionados em uma dieta líquida? C o z i n h a H o s p i t a l a r m at er ia l c om pl em en ta r Escolhas e Impactos: Gastronomia Funcional Gisela Savioli e Renato Caleffi Editora: Edições Loyola A leitura deste livro irá auxiliá-lo(a) na ampliação dos conheci- mentos sobre os alimentos e a gastronomia funcional, além disso, possui receitas fáceis de serem aplicadas no dia a dia. Sinopse: este livro foi escrito por um nutricionista e um chef, trazendo receitas, sugestões, dicas de preparo dos alimentos, auxiliando na reeducação alimentar, levando em consideração a qualidade de vida para auxiliar a viver melhor. Por meio das preparações sugeridas, podem-se aproveitar as propriedades funcionais dos alimentos, reconhecendo-as nas receitas. 109G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R le it ur a co m pl em en ta r Biomassa de Banana Verde A banana verde é considerada um alimento funcional, pois, quando cozida, apresenta em seu conteúdo o amido resistente, presente na polpa da fruta. O benefício do amido resistente é semelhante ao da fibra alimentar, dessa forma, o consumo de banana verde auxilia no trânsi- to intestinal, atua na prevenção e tratamento de quadros como diarreia e constipação, e o amido resistente também já foi relacionado em alguns estudos científicos como coadjuvantes na redução do colesterol e na prevenção de doenças cardiovasculares. Além de alguns tipos de câncer e doenças do colón. A proposta de se utilizar biomassa de banana verde é o de ser um coadjuvante es- sencial para enriquecer as preparações, pois se trata de um alimento funcional que contém uma substância chamada amido resistente. O amido resistente é um tipo de açúcar e, como a própria palavra diz, é resistente. Isto é, nosso corpo não consegue digerir (portanto, não gera calorias, não gera energia e não engorda, pois não absorvemos) e chega intacto ao nosso intestino. Dessa forma, ele é considerado um prebiótico, ou seja, é um alimento para as nossas bactérias boas intestinais, possibilitando sua sobrevivência e multiplicação no intestino. O amido resistente gera, ainda, um aumento no volume e na textura das fezes, acelerando o trânsito intestinal e facilitando a sua excreção. Os elementos chamados de prebióticos, de modo geral, contribuem para a manutenção da saúde, previnem doenças no intestino, como câncer de cólon, já que facilitam a evacuação, diminuindo o tempo de exposição a substâncias tóxicas presentes nas fezes da parede intestinal, por serem componentes alimentares que não são digeridos pelo nosso organismo. Assim, a biomassa de banana verde se torna uma fibra e, quando adicionada às preparações, faz que o alimento chegue mais lentamente no in- testino, melhorando o nível de açúcar no sangue (chamado de glicemia) e dando também mais saciedade. Além disso, na biomassa de banana verdedestacam-se os minerais como o potássio, o fósforo, o cálcio e o magnésio. Possui, ainda, vi- taminas do complexo B, vitamina A e vitamina C. Atualmente se pode comprar a biomassa de banana verde congelada industrializada, porém é possível prepará-la com facilidade. Utensílios necessários Panela de pressão, faca, tesoura, tábua, escor- redor, pegador de legumes, liquidificador ou processador de alimentos. Como fazer: Com uma faca ou tesoura, separe do cabo do cacho das bananas verdes. É importante não utilizar bananas aclimatizadas, já que todas as bananas que são C o z i n h a H o s p i t a l a r vendidas comercialmente em feiras e supermer- cados passam por um processo de aclimatação, isto é, são colocados em uma espécie de estufa para acelerar o processo de amadurecimento e essas bananas não servem para se obter a bio- massa, por isso é importante utilizar a banana verde de verdade (aquela que foi retirada do cacho e foi diretamente para o preparo). Devem-se manter os talos da banana para que elas fiquem inteiras e bem fechadas, sem aparecer nenhum pedaço da parte branca. Em uma panela de pressão, coloque água até a metade e, quando abrir fervura, adicione as bananas verdes com casca. Tampe a panela e quando começar a fazer barulho de vapor saindo pela válvula, abaixe o fogo e deixe por 10 minu- tos. Depois desse tempo, desligue o fogo. Não se deve acelerar o processo para a reti- rada da pressão, a panela deve perder a pressão naturalmente. Tampe a panela e descasque as bananas com auxílio de um garfo (pois é preciso descascá-las ainda quentes e depressa). Em seguida, centrifugue ou bata no liqui- dificador até que se transforme em uma pasta quente. Lembre-se de que é necessário fazer isso rapidamente, pois a banana precisa estar o mais quente possível para facilitar o processo. É interessante manter por perto um pouco de água fervida bem quente, visto que, se a banana começar a endurecer, é possível adicioná-la para dar mais cremosidade. Caso a banana esfrie, não se deve bater no processador ou liquidificador, pois ela estará dura. Nesse caso, coloque-a em banho-maria e espere amolecer novamente e, aí sim, bata imediatamente para se obter a pasta. É possível, ainda, acrescentar um pouco de água fervida bem quente. Após obter a pasta, a biomassa está pronta e pode ser congelada em formas de gelo por 30 dias. A biomassa pode ser utilizada na confec- ção de bolos, biscoitos, massas e outros, substi- tuindo a farinha de trigo e também como base para molhos e sopas, utilizando também para espessar. Não é necessário descartar as cascas das bananas, estas podem ser deixadas na água com vinagre (na geladeira por até cinco dias ou congeladas por 30 dias) e adicionadas em preparações. Também é possível fazer uma pasta da casca que pode ser adicionada em receitas como tabule, bicoitos, farofa, arroz, bolos e pães. Isso agregará, não apenas valor nutricional à receita, mas também a tornará excelente fonte de fibras. Fonte: Savioli e Caleffi (2013, p. 71-74). 111G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Caro(a) aluno(a), A gastronomia vem crescendo cada vez mais e, juntamente com esse crescimento, o reconhecimento profissional também. Sabemos o quanto é importante e necessário um profissional completo para trabalhar com os alimentos, afinal, quem trabalha com alimento trabalha com a vida de consumidores! Inclusive e, principalmente, quando nos referimos à gastronomia hospitalar. Este livro de Cozinha Hospitalar, aliado aos materiais complementares, demais materiais e disciplinas do curso, bem como às experiências práticas, servirão como uma base importante para a sua formação profissional. Comentamos, ao longo do nosso estudo, que a Gastronomia Hospitalar vem se consolidando desde que os hospitais deixaram de fazer parte da Igreja e se tornaram estruturas independentes. Junto com esse crescimento, o reconhecimento da alimentação como ferramenta necessária para a recuperação do paciente e melhora da saúde também fez que a procura pelos profissionais de Gastronomia fosse cada vez mais constante. Dessa forma, o profissional formado em Gastronomia dentro de uma cozinha hos- pitalar é responsável pelos cuidados de boas práticas na manipulação dos alimentos, de forma a garantir a sua segurança; padronização das refeições por meio da elaboração das fichas técnicas de preparações e do receituário padrão do hospital; inovação das receitas, visando melhorar os aspectos sensoriais, garantindo cor, textura, sabor, temperatura e apresentação dos pratos, de forma a torná-los atrativos e agradáveis; utilização de novos ingredientes e preparações para diminuir a monotonia dos cardápios e cuidar das especificações e modificações das dietas hospitalares. É importante ressaltarmos que, muitas vezes, as opções de ingredientes, equipamentos e utensílios podem ser limitadas, principalmente quando consideramos os hospitais da rede pública, que dependem de diversos fatores, empresas, pessoas etc. e, com isso, o trabalho do profissional formado em gastronomia é ainda mais importante, pois assim é possível criar pratos inovadores mesmo com as poucas opções existentes. Vimos, ainda, que as dietas hospitalares devem seguir todas as recomendações de Boas Práticas de Manipulação e Fabricação dos Alimentos, já que o organismo do CONCLUSÃO C o z i n h a H o s p i t a l a r indivíduo hospitalizado está mais debilitado, seja por conta de doenças, cirurgias e até mesmo pelo simples estresse da hospitalização, podendo tornar a alimentação um fator de risco para a piora do quadro. É comum observar a perda de peso durante os períodos de internação, enquanto o contrário disso, ou seja, o ganho de peso geralmente está associado ao inchaço por acúmulo de líquidos pelo organismo, chamado de edema, e não por ter engordado devido à alimentação. E a perda de peso pode dificultar a melhora do indivíduo hospitalizado, já que muitas vezes a baixa alimentação não supre as necessidades do organismo, visto que, para a recuperação, estima-se um aumento de 15 a 30% das necessidades habituais, diariamente. Para garantir a alimentação dentro das necessidades, é importante lembrar que a dieta deve estar adequada ao organismo, no que se refere às modificações de nutrientes e de consistências. Dentro das modificações de nutrientes, as dietas hospitalares podem ser aumenta- das (ou seja, hiper) ou diminuídas (hipo) em alguns nutrientes ou ingredientes, como a dieta hipercalórica, que se refere ao aumento das calorias por meio do acréscimo de manteiga, creme de leite, leite integral ou até adicionando suplementos, já que existem alguns suplementos hospitalares hipercalóricos sem sabor, podendo ser adicionados sem causar modificações em sabor, odor ou textura; ou hipocalórica, que seria então a diminuição das calorias, por meio da utilização de alimentos light, substituição de leite integral por desnatado, deixar as preparações menos espessas. As outras modificações de nutrientes podem se referir aos carboidratos, proteínas, gorduras/lipídeos, sódio, fibras etc. e são geradas devido às necessidades do indivíduo por conta de doenças, como diabetes e hipertensão, ou também devido ao preparo de cirurgias e até exames. Já as modificações na consistência são necessárias devido às condições fisiológicas do organismo, quando se quer preservar algum órgão, como o estômago e o intestino, após uma cirurgia ou até mesmo quando a mastigação não é possível. As modificações na consistência das dietas são evoluídas a partir de uma dieta líquida, ou líquida restrita, que se refereapenas às preparações líquidas, caldos de cozimento, sendo que tudo deve ser finamente coado, partindo para a dieta semilíquida (ou leve) que, apesar da consistência ainda ser rala, pode-se utilizar coadores médios. 113G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Após a dieta semilíquida, pode-se evoluir para a dieta pastosa, em que todas as preparações e alimentos devem estar na forma de purê ou mingau. Na dieta branda, a consistência sólida já é utilizada, desde que todos os alimentos estejam bem cozidos, picados e amaciados. Assim, partimos para a dieta padrão, ou geral, que é o estado de apresentação como estamos habituados, podendo-se utilizar verduras cruas, carnes na forma de bife etc. Sermos profissionais capacitados e responsáveis, com compromisso pela correta execução das atividades e particularidades do serviço hospitalar, visando à promoção da alimentação saudável e auxiliando na melhora da saúde do indivíduo hospitalizado é nossa missão dentro desse mundo maravilhoso da cozinha hospitalar. Encerro este livro grata por poder contribuir, por meio de todos os conteúdos trabalhados, com uma questão extremamente importante para a sua formação. Espero que possa ter mostrado um pouco do quanto a sua profissão é essencial e importante. Desejo que você tenha sempre a compreensão do quanto ser comprometido, responsável e profissional é importante. Desejo tudo de melhor na sua vida! Foi um grande prazer estar com você e espero nos encontrarmos outras vezes. C o z i n h a H o s p i t a l a r re fe rê nc ia s BAYLEY, C. Culinária Funcional: receitas especiais para pessoas diagnosticadas com câncer. São Paulo: Publifolha, 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária. Portaria n.º 398, 30 de abril de 1999. Definição legal de alimento funcional. Brasília: Ministério da Saúde, 1999. CARDOSO, E.; NAKASATO, M.; ROQUE, G. A. M. A cozinha hospitalar. In: ISOSAKI, M. et al. Gastronomia Hospitalar para pacientes em situações especiais: cardiologia e pneumologia. São Paulo: Atheneu Editora, 2014. p. 18-20. COSTA, N. M. B.; ROSA, C. O. B. Alimentos funcionais: componentes bioativos e efeitos fisiológicos. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2010. DERMARIO, R. L.; SOUSA, A. A.; SALLES, R. K. Comida de hospital: percepções de pacientes em um hospital público com proposta de atendimento humanizado. Ciência e Saúde Coletiva, v. 13, n. 1, 2008. DUO, M. Sabor e saúde: as melhores receitas vegetarianas do Tempo Zu Lai. 2. ed. São Paulo: Escrituras Editora, 2012. ISOSAKI, M. Dietas aplicadas em cardio-pneumonia. In: ISOSAKI, M. et al. Gastronomia Hospitalar para pacientes em situações especiais: cardiologia e pneumologia. São Paulo: Atheneu Editora, 2012. p. 108-110. ISOSAKI, M. et al. Gastronomia Hospitalar para pacientes em situações especiais: cardiologia e pneumologia. São Paulo: Atheneu Editora, 2014. MEZOMO, I. F. B. Os serviços de alimentação: planejamento e administração. 6. ed. São Paulo: Manole, 2015. NAKASATO, N.; CARDOSO, E.; ALMEIDA, P. S. S. Planejamento de cardápios e técnicas dietéticas e culinárias aplicadas à Cardio-pneumologia. In: ISOSAKI, M. et al. Gastronomia Hospitalar para pacientes em situações especiais: cardiologia e pneumologia. 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O paladar é sentido por meio das papilas gustativas presentes, principalmente, na língua, e o olfato do alimento é sentido assim que o alimento é colocado na cavidade oral. 2. Podemos citar três fatores principais que afetam a palatabilidade, como a utili- zação de medicamentos que podem modificar o paladar, fatores psicológicos, como o estresse e a preocupação com o tratamento, mudança de seus hábitos e horários. 3. A alimentação é essencial para o organismo do indivíduo hospitalizado, já que, geralmente, necessita de mais energia para a boa recuperação. Além disso, necessita de nutrientes imprescindíveis para a sobrevivência. A alimentação ainda é importante, pois é o momento de prazer e autonomia do paciente. UNIDADE II 1. Sequência correta: 5, 3, 2, 1, 4. 2. Líquida, Semilíquida, Pastosa. 3. A. UNIDADE III 1. D. 2. C. 3. Antioxidantes são substâncias que combatem os radicais livres gerados pelo nosso organismo. Para enriquecer uma dieta líquida, podem ser utilizados azeite de oliva, linhaça triturada, chás claros, como hibiscus, entre outros, lembrando sempre de triturar muito bem e depois coar a parte sólida.