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1 UNIPLAN CENTRO UNIVERSITARIO PLANALTO DO DISTRITO FEDERAL BACHARELADO EM ENFERMAGEM DARLLIN ROCHA DA SILVA – UL23202615 Conceito e Importância do Pré-Natal do Parceiro ALTAMIRA-PÁ 2026 2 DARLLIN ROCHA DA SILVA Conceito e Importância do Pré-Natal do Parceiro Trabalho avaliativo de conclusão do estágio curricular II em enfermagem, servindo como obtenção de nota para conclusão de curso, orientado pela enfermeira docente do curso, Joelma Santos de Oliveira Souza. Altamira-Pa 2026 3 SUMÁRIO 1. Introdução ................................................................................4 2. Objetivo geral ...........................................................................5 2.1 Objetivos especificos ...................................................................................5 3. Desenvolvimento ......................................................................6 3.1 Conceito e importancia do pré-natal do parceiro .........................................6 3.2 O homem como sujeito do cuidado ..............................................................7 3.3 Ações desenvolvidas durante o pré-natal do parceiro .................................8 3.4 Prevenção das infecções sexualmente transmissiveis ................................9 3.5 Paternidade ativa e fortalecimento de vinculos familiares ..........................10 3.6 Pré-natal do parceiro como estrategia de promoção da saúde do homem...............................................................................................................11 3.7 Papel dos profissionais de saúde ...............................................................12 3.8 Desafios para a implementação do pré-natal do parceiro ..........................13 4. Conclusão ................................................................................14 5. Referencias bibliograficas ......................................................16 4 1. INTRODUÇÃO O pré-natal constitui uma importante estratégia de acompanhamento da gestação, tendo como finalidade promover a saúde materna e fetal, identificar precocemente possíveis complicações e proporcionar orientações para uma gestação, parto e nascimento mais seguros. Tradicionalmente, esse acompanhamento esteve concentrado na mulher gestante; entretanto, a literatura e as políticas públicas de saúde vêm reconhecendo progressivamente a importância da participação ativa do parceiro durante o período gestacional, no parto, no puerpério e nos cuidados com a criança. A inclusão masculina nesse processo amplia a perspectiva do cuidado e contribui para uma abordagem mais integral da saúde da família (BRASIL, 2025; GOMES et al., 2016; SILVA; PINTO; MARTINS, 2021). Nesse contexto, foi desenvolvida a Estratégia Pré-Natal do Parceiro (EPNP), que busca incluir o homem nas ações de planejamento reprodutivo, gestação, parto, puerpério e cuidados com o recém-nascido. A estratégia também representa uma oportunidade para ampliar o acesso da população masculina aos serviços de saúde, especialmente à Atenção Primária à Saúde (APS), utilizando o período gestacional como uma possibilidade concreta de aproximação dos homens com as ações de promoção, prevenção e cuidado. O Ministério da Saúde destaca que essa participação pode favorecer o autocuidado masculino, a corresponsabilização familiar e a construção de uma paternidade mais participativa (BRASIL, 2025; BRASIL, 2026; MELO; LEAL; SOARES, 2023). A inclusão do homem no pré-natal também está relacionada à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), que estabelece a necessidade de ampliar o acesso masculino às ações e aos serviços de saúde e reconhece a paternidade e o cuidado como possibilidades importantes de aproximação dos homens com a Atenção Primária. Dessa forma, o pré-natal do parceiro não deve ser compreendido apenas como a presença física do homem nas consultas da gestante, mas como uma estratégia de cuidado integral, prevenção de doenças, promoção da saúde e fortalecimento da participação paterna (BRASIL, 2009; BRASIL, 2025; RIBEIRO; GOMES; MOREIRA, 2017). 5 A participação masculina durante o ciclo gravídico-puerperal também deve considerar que os homens apresentam diferentes formas de vivenciar a masculinidade, a sexualidade, a reprodução e a paternidade. Por essa razão, as ações de saúde precisam superar modelos tradicionais que compreendem o homem exclusivamente como provedor financeiro ou acompanhante da mulher, reconhecendo-o como sujeito de direitos, com necessidades próprias de saúde e capacidade de participação ativa no cuidado familiar (GOMES et al., 2016; RIBEIRO; GOMES; MOREIRA, 2017; SILVA; PINTO; MARTINS, 2021). Nesse sentido, o Pré-Natal do Parceiro representa uma estratégia relevante para aproximar os homens dos serviços de saúde, favorecer o diagnóstico precoce de condições clínicas, ampliar ações de prevenção e estimular a corresponsabilização pelo cuidado da gestante e do recém-nascido. A literatura demonstra, entretanto, que ainda existem barreiras culturais, institucionais e relacionadas ao trabalho que dificultam a participação masculina, sendo necessária a qualificação das equipes e a reorganização dos serviços para garantir maior acessibilidade (MELO; LEAL; SOARES, 2023; BRASIL, 2025). 2. OBJETIVO GERAL Analisar a importância do Pré-Natal do Parceiro como estratégia de promoção da saúde do homem, de prevenção de doenças e de fortalecimento da participação paterna durante o ciclo gravídico-puerperal, considerando a atuação da Atenção Primária à Saúde, a participação familiar, a prevenção das infecções sexualmente transmissíveis e a necessidade de cuidado integral e humanizado (BRASIL, 2025; GOMES et al., 2016). 2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Descrever o conceito e a importância do Pré-Natal do Parceiro como estratégia de inclusão dos homens nas ações de saúde sexual, reprodutiva e familiar (GOMES et al., 2016; BRASIL, 2025). 6 Identificar as principais ações de promoção, prevenção e assistência que podem ser desenvolvidas durante o acompanhamento do parceiro na Atenção Primária à Saúde (BRASIL, 2017; BRASIL, 2025). Discutir os fatores socioculturais e institucionais que podem dificultar a participação masculina nos serviços de saúde e no acompanhamento pré-natal (RIBEIRO; GOMES; MOREIRA, 2017; MELO; LEAL; SOARES, 2023). Abordar a importância da prevenção, diagnóstico e tratamento das infecções sexualmente transmissíveis durante o acompanhamento do parceiro (BRASIL, 2018; BRASIL, 2025). Analisar a contribuição do Pré-Natal do Parceiro para o fortalecimento da paternidade ativa e dos vínculos familiares (GOMES et al., 2016; SILVA; PINTO; MARTINS, 2021). Evidenciar a importância da Atenção Primária à Saúde na ampliação do acesso dos homens às ações de promoção da saúde e prevenção de agravos (BRASIL, 2009; MELO; LEAL; SOARES, 2023). Discutir o papel dos profissionais de saúde na implementação de ações acolhedoras, humanizadas e livres de julgamentos para a população masculina (BRASIL, 2025; GOMES et al., 2016). Identificar os principais desafios para a efetivação do Pré-Natal do Parceiro e apontar a necessidade de estratégias que favoreçam sua continuidade e integralidade (MELO; LEAL; SOARES, 2023). 3. DESENVOLVIMENTO 3.1 Conceito e importância do Pré-Natal do Parceiro O Pré-Natal do Parceiro consiste em uma estratégia de cuidado voltada à inclusão consciente e ativa do homem durante o ciclo gravídico-puerperal. Seu propósito ultrapassa o simples acompanhamento da gestante, buscando proporcionar ao parceiro oportunidades de participar dasconsultas, receber informações, realizar avaliação do estado geral de saúde, atualizar a vacinação, realizar exames indicados e desenvolver conhecimentos relacionados à paternidade e aos cuidados com a gestante e o bebê (BRASIL, 2025; GOMES et al., 2016). 7 A estratégia permite que homens adolescentes, jovens, adultos e idosos sejam envolvidos nas ações relacionadas ao planejamento sexual e reprodutivo e à gestação, constituindo também uma oportunidade de acesso aos serviços da Atenção Primária à Saúde. Dessa maneira, o período gestacional pode ser utilizado para identificar necessidades de saúde que muitas vezes permanecem sem acompanhamento devido à baixa procura masculina pelos serviços preventivos (BRASIL, 2025; MELO; LEAL; SOARES, 2023). A proposta amplia a compreensão tradicional da gravidez, deixando de considerá-la exclusivamente como uma experiência feminina. A gestação envolve diferentes sujeitos e relações familiares, sendo importante que os serviços de saúde desenvolvam ações que favoreçam a participação do parceiro, respeitando as diferentes configurações familiares e formas de exercer a parentalidade (GOMES et al., 2016; BRASIL, 2025). Além disso, a transição para a paternidade constitui um período de mudanças pessoais, emocionais e relacionais. Estudos qualitativos demonstram que tornar-se pai envolve um processo de adaptação e desenvolvimento de novas responsabilidades, sendo o período pré-natal uma fase importante para preparação e construção desse novo papel (SILVA; PINTO; MARTINS, 2021). 3.2 O homem como sujeito do cuidado Historicamente, muitos homens apresentam menor utilização dos serviços de saúde quando comparados às mulheres. Fatores relacionados às construções sociais da masculinidade, à valorização da autossuficiência, ao papel tradicional de provedor e à ideia de que procurar assistência seria sinal de fragilidade podem contribuir para o distanciamento masculino das práticas de cuidado e prevenção (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007; RIBEIRO; GOMES; MOREIRA, 2017). O período gestacional pode representar uma importante oportunidade para modificar essa realidade. O pré-natal possibilita que o homem seja acolhido como usuário do serviço de saúde e não apenas como acompanhante 8 da gestante, favorecendo a realização de consultas, exames, vacinação, orientações preventivas e acompanhamento de condições clínicas (BRASIL, 2025; MELO; LEAL; SOARES, 2023). A literatura sobre saúde do homem demonstra que ações vinculadas à sexualidade, reprodução e paternidade podem constituir estratégias para ampliar a presença masculina na Atenção Primária à Saúde. Para isso, é necessário que os serviços reconheçam diferentes formas de masculinidade e desenvolvam práticas que não reduzam o homem ao papel de provedor ou de acompanhante da mulher (GOMES et al., 2016; RIBEIRO; GOMES; MOREIRA, 2017). Assim, o parceiro deve ser reconhecido como sujeito de direitos e necessidades próprias de saúde, recebendo atendimento individualizado, adequado e humanizado. Essa perspectiva contribui para transformar o contato com o serviço durante a gestação em uma possibilidade de cuidado longitudinal do homem, inclusive após o nascimento da criança (BRASIL, 2025; MELO; LEAL; SOARES, 2023). 3.3 Ações desenvolvidas durante o Pré-Natal do Parceiro O Pré-Natal do Parceiro pode envolver diversas ações de promoção, prevenção e assistência à saúde. O Guia do Pré-Natal do Parceiro orienta que a participação masculina seja aproveitada para ampliar o acesso aos serviços, realizar avaliação de saúde e desenvolver ações relacionadas à prevenção de doenças, vacinação, saúde sexual e reprodutiva e paternidade responsável (BRASIL, 2025). Entre as principais ações desenvolvidas durante o acompanhamento do parceiro, destacam-se: acolhimento do parceiro na unidade de saúde; avaliação do estado geral de saúde; verificação e atualização da situação vacinal; solicitação e realização de exames conforme indicação clínica; testagem para infecções sexualmente transmissíveis; 9 orientações sobre prevenção das ISTs; orientações sobre saúde sexual e reprodutiva; incentivo à adoção de hábitos de vida saudáveis; orientação sobre alimentação adequada e atividade física; discussão sobre paternidade responsável e participativa; preparação para o parto e nascimento; orientação sobre os cuidados com o recém-nascido; incentivo à participação do parceiro no aleitamento materno; orientações sobre planejamento reprodutivo; identificação de situações de violência; incentivo ao acompanhamento da criança após o nascimento (BRASIL, 2025; GOMES et al., 2016). A consulta do parceiro também possibilita a identificação de fatores de risco e condições de saúde que podem estar sem acompanhamento. A Portaria nº 1.474/2017 incorporou o procedimento de Consulta Pré-Natal do Parceiro à tabela de procedimentos do SUS e estabeleceu a possibilidade de avaliação do estado geral de saúde do pai ou parceiro, com solicitação de exames de rotina conforme os protocolos estabelecidos (BRASIL, 2017). Dessa maneira, o acompanhamento deve ser compreendido como uma oportunidade de cuidado integral e não apenas como uma ação complementar ao pré-natal feminino. A estratégia pode favorecer a construção de vínculo entre o homem e a equipe de saúde e estimular a continuidade do acompanhamento após o nascimento da criança (BRASIL, 2025; MELO; LEAL; SOARES, 2023). 3.4 Prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis Um dos componentes importantes do Pré-Natal do Parceiro é a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das infecções sexualmente transmissíveis. A abordagem das ISTs deve fazer parte das ações de saúde sexual e reprodutiva desenvolvidas pela equipe, considerando que o diagnóstico e o tratamento adequado do parceiro podem contribuir para a proteção da saúde do casal e da criança (BRASIL, 2018; BRASIL, 2025). 10 A realização de testes e o tratamento adequado do parceiro são relevantes para a saúde da gestante e do bebê. Infecções como sífilis e HIV apresentam importantes implicações durante a gestação e podem estar relacionadas à transmissão vertical. Dessa forma, o acompanhamento do parceiro pode contribuir para reduzir o risco de transmissão e reinfecção da gestante, especialmente quando associado ao diagnóstico oportuno e à adesão ao tratamento recomendado (BRASIL, 2018; BRASIL, 2025). As recomendações do Ministério da Saúde incluem a oferta de testagem para HIV, sífilis, hepatite B e hepatite C ao parceiro, além da avaliação da situação vacinal e da adoção das medidas preventivas indicadas. Essas ações demonstram que o Pré-Natal do Parceiro possui também importante dimensão de prevenção das infecções e promoção da saúde sexual (BRASIL, 2018; BRASIL, 2025). Nesse sentido, o pré-natal do parceiro constitui importante ferramenta de prevenção e educação em saúde, favorecendo a responsabilidade compartilhada dentro do relacionamento e ampliando a compreensão de que a saúde sexual e reprodutiva deve ser assumida de forma corresponsável pelos envolvidos (GOMES et al., 2016; BRASIL, 2025). 3.5 Paternidade ativa e fortalecimento dos vínculos familiares A participação do parceiro durante a gestação pode contribuir para o fortalecimento dos vínculos afetivos entre pai, mãe e bebê. A paternidade ativa envolve não apenas o acompanhamento das consultas, mas também a participação nas decisões, nos cuidados cotidianos e na preparação para a chegada da criança, constituindo um processo de construção de responsabilidades compartilhadas (BRASIL, 2025; SILVA; PINTO; MARTINS, 2021). O Ministério da Saúde reconhece a participação do parceiro como importante estratégia para o fortalecimento dos vínculos familiares e para a construção de práticas de cuidado mais participativas. A presença masculinadurante a gestação pode favorecer a preparação para o parto, o 11 acompanhamento do puerpério, o apoio à amamentação e a participação nos cuidados com o recém-nascido (BRASIL, 2025; BRASIL, 2026). A paternidade participativa também está relacionada às transformações nas relações familiares e nas formas contemporâneas de exercer o cuidado. A literatura aponta a necessidade de compreender a paternidade e a parentalidade como questões relacionadas à saúde, considerando as mudanças nos papéis de gênero e a necessidade de maior compartilhamento das responsabilidades familiares (RIBEIRO; GOMES; MOREIRA, 2017). Além disso, o envolvimento paterno durante o período gestacional pode favorecer uma divisão mais compartilhada das responsabilidades relacionadas ao cuidado da criança. Essa participação pode contribuir para uma experiência familiar mais equilibrada e para o estabelecimento de vínculos afetivos desde o período pré-natal (SILVA; PINTO; MARTINS, 2021; BRASIL, 2025). 3.6 Pré-Natal do Parceiro como estratégia de promoção da saúde do homem Outro aspecto fundamental é que o Pré-Natal do Parceiro funciona como uma importante porta de entrada do homem para os serviços de saúde. A estratégia permite utilizar um momento já estabelecido no acompanhamento da gestação para oferecer ao parceiro ações próprias de cuidado, prevenção e promoção da saúde (BRASIL, 2025; MELO; LEAL; SOARES, 2023). A estratégia permite que o profissional identifique fatores de risco e necessidades de saúde que muitas vezes não são percebidos pelo próprio usuário. O contato com a equipe durante a gestação pode ser aproveitado para avaliação clínica, atualização vacinal, realização de exames, prevenção de ISTs e orientação sobre hábitos de vida saudáveis (BRASIL, 2017; BRASIL, 2025). O Ministério da Saúde apresenta o Pré-Natal do Parceiro como uma estratégia de promoção da saúde do homem na Atenção Primária, possibilitando que o contato estabelecido durante a gestação seja utilizado 12 para ampliar o acesso masculino aos cuidados preventivos e fortalecer a continuidade da assistência (BRASIL, 2025; BRASIL, 2026). Estudo realizado em Recife demonstrou que a estratégia pode favorecer a criação de vínculo entre homens e equipes de saúde, embora sua implementação ainda enfrente dificuldades estruturais, culturais e relacionadas ao processo de trabalho das unidades. Os autores destacam que a estratégia apresenta potencial para ampliar o cuidado masculino, mas necessita de organização, capacitação profissional e maior integração com as demais ações da Atenção Primária (MELO; LEAL; SOARES, 2023). Essa perspectiva é importante porque transforma um momento relacionado à saúde reprodutiva em uma oportunidade de cuidado integral do homem. Assim, o pré-natal pode deixar de ser percebido como um serviço exclusivamente destinado à gestante e tornar-se uma oportunidade de promoção da saúde de toda a família (GOMES et al., 2016; RIBEIRO; GOMES; MOREIRA, 2017). 3.7 Papel dos profissionais de saúde Os profissionais de saúde desempenham papel fundamental na implementação do Pré-Natal do Parceiro. Para isso, é necessário oferecer acolhimento adequado, linguagem acessível, escuta qualificada e atendimento livre de julgamentos, considerando as necessidades individuais e as diferentes formas de vivenciar a masculinidade, a sexualidade e a paternidade (BRASIL, 2025; GOMES et al., 2016). O Guia do Pré-Natal do Parceiro orienta os trabalhadores a acolher e envolver os pais ou parceiros desde o início da gestação, estimulando uma visão ampliada da paternidade que ultrapasse a concepção tradicional do homem apenas como provedor financeiro. A proposta envolve reconhecer o homem como participante ativo do cuidado e usuário dos serviços de saúde (BRASIL, 2025). A equipe multiprofissional pode atuar por meio de consultas individuais, atividades educativas, rodas de conversa, orientações sobre parto e 13 nascimento, vacinação, prevenção de ISTs, planejamento reprodutivo e cuidados com o recém-nascido. A abordagem interdisciplinar permite que diferentes necessidades sejam identificadas e acompanhadas de maneira integrada (GOMES et al., 2016; BRASIL, 2025). A Atenção Primária à Saúde apresenta papel estratégico nesse processo por constituir importante porta de entrada do SUS e possibilitar acompanhamento longitudinal dos usuários e das famílias. A inserção do parceiro na rotina da unidade pode contribuir para o estabelecimento de vínculo e para a continuidade do cuidado após o nascimento da criança (BRASIL, 2017; MELO; LEAL; SOARES, 2023). A capacitação das equipes também é fundamental para a efetividade da estratégia. Estudo realizado com profissionais da Estratégia Saúde da Família identificou que dificuldades relacionadas ao conhecimento do protocolo, à formação profissional, à disponibilidade de materiais e à organização do processo de trabalho podem limitar a implementação do Pré-Natal do Homem (MELO; LEAL; SOARES, 2023). 3.8 Desafios para a implementação do Pré-Natal do Parceiro Apesar dos avanços observados nas políticas públicas, ainda existem desafios para garantir a participação efetiva dos homens no pré-natal. Entre esses desafios estão os horários de funcionamento das unidades de saúde, dificuldades relacionadas às atividades profissionais, barreiras culturais, falta de informação e a percepção de que o pré-natal é exclusivamente destinado à mulher (MELO; LEAL; SOARES, 2023; RIBEIRO; GOMES; MOREIRA, 2017). As dificuldades relacionadas ao trabalho são especialmente relevantes porque muitos homens possuem jornadas de trabalho incompatíveis com o horário tradicional de funcionamento das unidades de saúde. Dessa forma, estratégias de ampliação do acesso, flexibilização dos horários e organização de fluxos específicos podem favorecer a participação masculina (MELO; LEAL; SOARES, 2023). 14 Além disso, os próprios serviços de saúde precisam estar preparados para acolher o homem e reconhecer suas necessidades específicas. A inclusão masculina não deve ocorrer apenas de forma ocasional ou quando existe suspeita de uma infecção sexualmente transmissível, mas deve contemplar ações de promoção, prevenção, diagnóstico e acompanhamento contínuo (BRASIL, 2025; MELO; LEAL; SOARES, 2023). Estudos sobre a inclusão masculina no pré-natal identificam experiências que utilizam o período gestacional como momento de aproximação dos homens com os serviços de saúde. Entretanto, também demonstram que ainda existem dificuldades para que o homem deixe de ocupar uma posição secundária e passe a ser reconhecido como sujeito do cuidado e das políticas de saúde (RIBEIRO; GOMES; MOREIRA, 2017). Outro desafio está relacionado às construções culturais de masculinidade. A ideia do homem forte, autossuficiente e provedor pode dificultar a procura por cuidados preventivos e fazer com que os serviços sejam utilizados principalmente quando existe doença ou necessidade imediata. A superação dessas barreiras exige ações educativas, mudanças na organização dos serviços e qualificação permanente dos profissionais (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007; MELO; LEAL; SOARES, 2023). Portanto, a efetividade da estratégia depende tanto da participação dos homens quanto da capacidade dos serviços de saúde de criar condições favoráveis para essa participação. A organização dos fluxos, a capacitação das equipes, a divulgação da estratégia e a construção de ambientes acolhedores são elementos importantes para fortalecer o Pré-Natal do Parceiro e ampliar seu impacto na saúde masculina e familiar (BRASIL, 2025; MELO; LEAL; SOARES, 2023). 4. CONCLUSÃO O Pré-Natal do Parceiro constitui uma importante estratégia de promoção da saúde, prevenção de doenças e fortalecimento da paternidade ativa. Sua proposta amplia o conceito tradicional de pré-natal ao reconhecer 15que a gestação é um processo que envolve não apenas a mulher, mas também o parceiro, o bebê e a família, favorecendo uma abordagem mais integral e compartilhada do cuidado (BRASIL, 2025; GOMES et al., 2016). A estratégia possibilita ao homem ter acesso a consultas, exames, vacinação, prevenção das infecções sexualmente transmissíveis, orientações sobre saúde sexual e reprodutiva e informações relacionadas à paternidade e aos cuidados com o recém-nascido. Dessa forma, o período gestacional pode representar uma importante oportunidade para aproximar os homens da Atenção Primária à Saúde e estimular a continuidade do acompanhamento após o nascimento da criança (BRASIL, 2017; BRASIL, 2025). Além dos benefícios relacionados à saúde masculina, a participação do parceiro pode contribuir para o fortalecimento dos vínculos familiares, para o apoio à gestante, para a preparação para o parto e para uma maior participação paterna nos cuidados com a criança. A literatura sobre a transição para a paternidade reforça que esse período envolve mudanças significativas e que o acompanhamento durante a gestação pode contribuir para a preparação do homem para seu novo papel familiar (SILVA; PINTO; MARTINS, 2021; BRASIL, 2026). Entretanto, a consolidação do Pré-Natal do Parceiro ainda depende da superação de barreiras culturais, institucionais e organizacionais. Horários incompatíveis com o trabalho, falta de divulgação, ausência de capacitação profissional e permanência de concepções tradicionais sobre masculinidade podem dificultar a adesão dos homens. Por isso, é necessário fortalecer as ações de educação em saúde e qualificar os processos de trabalho das equipes da Atenção Primária (RIBEIRO; GOMES; MOREIRA, 2017; MELO; LEAL; SOARES, 2023). Conclui-se, portanto, que o Pré-Natal do Parceiro deve ser compreendido como uma estratégia de cuidado integral, humanizado e compartilhado, capaz de beneficiar o homem, a mulher e o bebê. Para que seus objetivos sejam alcançados, é fundamental que os profissionais de saúde estejam preparados para acolher os parceiros e que os serviços desenvolvam 16 ações que facilitem sua participação durante todo o ciclo gravídico-puerperal, garantindo que o homem seja reconhecido não apenas como acompanhante, mas como sujeito ativo do cuidado (BRASIL, 2025; GOMES et al., 2016; MELO; LEAL; SOARES, 2023). 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério da Saúde. Guia do pré-natal do parceiro para profissionais de saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2018. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia do pré-natal do parceiro para profissionais de saúde. 2. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem: princípios e diretrizes. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2009. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.474, de 8 de setembro de 2017. Inclui e altera procedimento na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses/Próteses e Materiais Especiais do SUS. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatites Virais. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2018. BRASIL. Ministério da Saúde. Pré-Natal do Parceiro fortalece o cuidado com a saúde da família e amplia acesso dos homens aos serviços do SUS. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026. GOMES, Romeu et al. Linhas de cuidados masculinos voltados para a saúde sexual, a reprodução e a paternidade. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 21, n. 5, p. 1545-1552, 2016. DOI: 10.1590/1413- 81232015215.26842015. GOMES, Romeu; NASCIMENTO, Elaine Ferreira do; ARAÚJO, Fábio Carvalho de. Por que os homens buscam menos os serviços de saúde do que as mulheres? As explicações de homens com baixa escolaridade e homens com 17 ensino superior. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 3, p. 565-574, 2007. DOI: 10.1590/S0102-311X2007000300015. MELO, Risia Raphaely do Rêgo Barros; LEAL, Ana Suerda Leonor Gomes; SOARES, Gabriella Barreto. Possibilidades e limites do Pré-Natal do Homem em um município do Nordeste brasileiro. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 28, n. 8, 2023. DOI: 10.1590/1413-81232023288.06472023. RIBEIRO, Cláudia Regina; GOMES, Romeu; MOREIRA, Martha Cristina Nunes. Encontros e desencontros entre a saúde do homem, a promoção da paternidade participativa e a saúde sexual e reprodutiva na atenção básica. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 2017. SILVA, Catarina; PINTO, Cândida; MARTINS, Cristina. Transição para a paternidade no período pré-natal: um estudo qualitativo. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 26, n. 2, p. 465-474, 2021. DOI: 10.1590/1413- 81232021262.41072020. BACHARELADO EM ENFERMAGEM Trabalho avaliativo de conclusão do estágio curricular II em enfermagem, servindo como obtenção de nota para conclusão de curso, orientado pela enfermeira docente do curso, Joelma Santos de Oliveira Souza. 1. INTRODUÇÃO 2. OBJETIVO GERAL 2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 3. DESENVOLVIMENTO 3.1 Conceito e importância do Pré-Natal do Parceiro 3.2 O homem como sujeito do cuidado 3.3 Ações desenvolvidas durante o Pré-Natal do Parceiro 3.4 Prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis 3.5 Paternidade ativa e fortalecimento dos vínculos familiares 3.6 Pré-Natal do Parceiro como estratégia de promoção da saúde do homem 3.7 Papel dos profissionais de saúde 3.8 Desafios para a implementação do Pré-Natal do Parceiro 4. CONCLUSÃO 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS