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91
UNIDADE 2
TRIGONOMETRIA: PARTE II
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Nessa unidade vamos:
• construir conhecimentos sobre os conceitos algébrico e gráfico das funções
trigonométricas e suas relações;
• resolver equações e inequações trigonométricas;
• efetuar operações e verificar identidades trigonométricas;
• aplicar as fórmulas da adição, multiplicação e divisão de arcos.
Esta unidade de ensino está dividida em quatro tópicos. Ao término de cada
um deles você encontrará atividades que o (a) auxiliarão na interiorização
dos conteúdos e na resolução das autoavaliações solicitadas.
TÓPICO 1 – FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS
TÓPICO 2 – EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
TÓPICO 3 – RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
TÓPICO 4 – TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
92
93
TÓPICO 1
FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
E SUAS INVERSAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Na unidade anterior aprendemos como obter valores de senos, cossenos e
tangentes para números reais. Agora, iremos defini-los em um plano cartesiano,
desta forma recebem o nome de funções trigonométricas. Portanto, neste tópico
estudaremos as funções seno, cosseno e tangente, bem como suas recíprocas:
cotangente, secante e cossecante.
O primeiro indício da utilização de funções na trigonometria foi em 1635,
quando Gilles Personne de Roberval (1602-1675) traçou o esboço da curva de seno.
Mas foi apenas no século XIX, com os estudos de Jean Baptiste Joseph Fourier
(1768-1830), que os estudos nesta área avançaram.
2 ESTUDO DA FUNÇÃO SENO
Como vimos em tópicos anteriores, todo número real x pode ser considerado
como a medida, em radianos, de um certo arco
(
AP. Portanto, para cada arco
(
AP
podemos associar um único número real y, que é o valor do seno desse arco.
Assim, definimos a função seno como a função real de variáveis reais que
associa a cada número real x o valor real sen x, ou seja,
f : R → R
x → f(x) = sen x
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
94
Gráfico da função seno
Para construir o gráfico da função seno, primeiramente, vamos fazer um
quadro com valores de sen x no período de [0, 2π].
FONTE: A autora
Colocando estes valores no plano cartesiano, obtemos o gráfico da função
seno, chamada de senoide.
QUADRO 17– PRINCIPAIS VALORES DA FUNÇÃO SEN X
x
(em radianos)
sen x
x
(em radianos)
sen x
0 0 7π
6
- 0,5
π
6
0,5
5π
4 - 0,7
π
4 0,7
4π
3 - 0,9
π
3 0,9
3π
2 - 1
π
2 1
5π
3 - 0,9
2π
3 0,9
7π
4 - 0,7
3π
4 0,7
11π
6
- 0,5
5π
6 0,5 2π 0
π 0
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS
95
A partir do quadro, podemos observar:
QUADRO 18 – QUADRO RESUMO - FUNÇÃO SENO
Quadrante I II III IV
Arco x 0 → π 2
→ π π
2
π → 3π
2
→ 2π 3π
2
Sinal f(x) + + - -
Variação f(x)
0 → +1
Crescente
+1 → 0
Decrescente
0 → -1
Decrescente
-1 → 0
Crescente
FONTE: A autora
Portanto, podemos concluir:
• O domínio da função f(x) = sen x é o conjunto dos números reais, D(f) = R.
• O conjunto imagem da função f(x) = sen x é o intervalo [-1, +1], ou seja, Im(F) = {y
є R | -1 ≤ y ≤ 1}.
• O período da função seno é o número 2π, pois o valor de f(x) da função seno se
repete a cada intervalo de amplitude 2π, ou seja, sen x = sen (x + k • 2π), k є Z.
Observe:
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
96
Exemplo:
Esboçar o gráfico da função f(x) = 2sen x.
Resolução: Para o esboço do gráfico, basta atribuirmos ao arco x os valores 0,
π
2
rad, π rad, 3π
2
rad e 2π e calcularmos os correspondentes valores de y, conforme
o quadro a seguir:
x
(em radianos)
y
0 0
π
2 2
π 0
3π
2 -2
2π 0
FONTE: A autora
QUADRO 19 – VALORES DE X E Y
Marcando no plano cartesiano os pontos (0,0), ( ) 3,2 , ,0 , , 2
2 2
π π
π
-
e
(2π, 0), temos:
Domínio: D(f) = R
Conjunto Imagem: Im(f) = {y є R | -2 ≤ y ≤ 2}
Período: p = 2π
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS
97
Visite o site <http://www.apm.pt/apm/software/soft.htm>, lá você encontra
diversos softwares pedagógicos, entre eles alguns sobre funções, que irão auxiliá-lo na
construção dos gráficos aqui solicitados.
Outro site que possui programas interessantes é o baixaki. Vale a pena fazer o download do
winplot, <http://www.baixaki.com.br/download/winplot.htm>, ele resolve equações, funções e
gera gráficos. Mas, lembre-se de que alguns deles podem estar em inglês e, portanto, deve-se
usar: sen x = sin x; cos x = cos x e tg x = tan x.
ATENCAO
3 ESTUDO DA FUNÇÃO COSSENO
Dado um número real x, podemos associar a ele o valor do cosseno de um
ângulo de x radianos.
Definimos a função cosseno como a função real de variáveis reais que
associa a cada número real x um único valor real cosseno x, ou seja,
f(x) : R → R
x → f(x) = cos x
Gráfico da função cosseno
Para construir o gráfico da função cosseno, primeiramente, vamos fazer um
quadro com valores de cos x no período de [0, 2π].
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
98
FONTE: A autora
Colocando estes valores no plano cartesiano, obtemos o gráfico da função
cosseno, chamada de cossenoide.
QUADRO 20 – VALORES DE COS X
x
(em radianos)
cos x
x
(em radianos)
cos x
0 1 7π
6
- 0,9
π
6
0,9
5π
4 - 0,7
π
4 0,7
4π
3 - 0,5
π
3 0,5
3π
2 0
π
2 0
5π
3 0,5
2π
3 -0,5
7π
4 0,7
3π
4 - 0,7
11π
6
0,9
5π
6
- 0,9 2π 1
π - 1
A partir do gráfico, podemos observar no quadro a seguir:
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS
99
FONTE: A autora
QUADRO 21 – QUADRO RESUMO DA FUNÇÃO COSSENO
Quadrante I II III IV
Arco x 0 → π 2
→ π π
2
π → 3π
2
→ 2π 3π
2
Sinal f(x) + - - +
Variação f(x)
+1 → 0
Decrescente
0 → -1
Decrescente
-1 → 0
Crescente
0 → +1
Crescente
Portanto, podemos concluir:
• O domínio da função f(x) = cos x é o conjunto dos números reais, D(f) = R.
• O conjunto imagem da função f(x) = cos x é o intervalo [-1, +1], ou seja, Im(f) = {y
є R | -1 ≤ y ≤ 1}.
• O período da função cosseno é o número 2π, pois o valor de f(x) da função
cosseno se repete a cada intervalo de amplitude 2π para valores de x, ou seja, cos
x = cos (x + k • 2π), k є Z.
Observe:
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
100
Exemplo:
Dê o domínio, a imagem, o período e construa o gráfico de um período
completo da função f(x) = cos x+
3
π
.
Resolução: Para o esboço do gráfico, basta atribuirmos ao arco x+
3
π
os
valores 0, π
2
rad, π rad, 3π
2
rad e 2π e calcularmos os respectivos valores de x e y,
conforme o quadro a seguir:
FONTE: A autora
A partir do gráfico, deduzimos que
Domínio: D(f) = R
Conjunto Imagem: Im(f) = {y є R | -1 ≤ y ≤ 1}
Período: p = 2π
QUADRO 22 – CALCULAR VALORES DE X E Y
x+
3
π
(em radianos)
x
(em radianos)
y
0
- π
3 1
π
2
π
6
0
π
2π
3 -1
3π
2
7π
6
0
2π 5π 3 1
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS
101
4 ESTUDO DA FUNÇÃO TANGENTE
Dado um número real x, podemos associar a ele o valor da tangente de um
ângulo de x radianos.
Definimos a função tangente como a função real de variáveis reais que
associa a cada número real x um único valor real tangente x, ou seja,
f : R → R
x → f(x) = tgx
Gráfico da função tangente
Para construir o gráfico da função tangente, primeiramente, vamos fazer
um quadro com valores de tg x no período de [0, 2π].
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
102
FONTE: A autora
QUADRO 23 – VALORES DE TG X
x
(em radianos)
tg x
x
(em radianos)
tg x
0 0
7π6
0,58
π
6
0,58
5π
4 1
π
4 1
4π
3 1,73
π
3 1,73
3π
2 ∃⁄
π
2 ∃⁄
5π
3 -1,73
2π
3 -1,73
7π
4 -1
3π
4 - 1
11π
6
-0,58
5π
6
- 0,58 2π 0
π 0
Colocando estes valores no plano cartesiano, obtemos o gráfico da função
tangente, chamada de tangentoide.
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS
103
A partir do gráfico, podemos observar no quadro a seguir:
FONTE: A autora
Portanto, podemos concluir:
• O domínio da função f(x) = tg x é D(f) = {x є R | x ≠ π
2
+ k • π, k є Z};
• O conjunto imagem da função f(x) = tg x é o intervalo [-∞, +∞], ou seja, Im(f) = R;
• O período da função tangente é p = π, pois o valor de f(x) da função tangente
se repete a cada intervalo de amplitude π para valores de x, ou seja, tg x = tg
(x + k • π, k є Z).
Observe:
QUADRO 24 – QUADRO RESUMO - FUNÇÃO TANGENTE
Quadrante I II III IV
Arco x 0 → π 2
→ π π
2
π → 3π
2
→ 2π 3π
2
Sinal f(x) + - + -
Variação f(x)
0 → +∞
Crescente
-∞ → 0
Crescente
0 → +∞
Crescente
-∞ → 0
Crescente
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
104
Exemplo 1:
Determine o domínio, a imagem, o período e esboce o gráfico da função
f(x) = tg x+
6
π
.
Resolução: Vamos construir um quadro, atribuindo a x+
6
π
os valores 0,
π
2
rad, π rad, 3π
2
rad e 2π e calcularmos os respectivos valores de x e y.
FONTE: A autora
QUADRO 25 – CALCULAR VALORES DE X E Y
x+
6
π
(em radianos)
x
(em radianos)
y
0
- π
6
0
π
2
π
3 ∃⁄
π
5π
6
0
3π
2
4π
3 ∃⁄
2π 11π
6
0
Colocando esses valores no plano cartesiano, obtemos o seguinte gráfico:
A partir do gráfico, deduzimos que
Domínio: D(f) = {x є R | x ≠ π
3 + k . π
, k є Z}
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS
105
2x
2
2x= +
2
2 2x
2 2
3 2x=
2
3 x=
4
π
- = π
π
π
π π
= +
π
π
2x 0
2
2x=
2
x=
4
π
- =
π
π
Conjunto Imagem: Im(f) = R
Período: p = π
Exemplo 2:
Qual o período da função f(x) = tg 2x -
2
π
?
Resolução: Como o período da função tangente é π radianos, devemos
verificar o que ocorre com o arco 2x -
2
π
, quando varia de 0 a π.
Quando f(x) = 0, temos:
Quando f(x) = π, temos:
Assim, quando 2x -
2
π
varia de 0 a π, x varia de π
4
a 3π
4
. Então, o período é
p = 3π - π4 4
, ou melhor, p = π2
.
5 OUTRAS FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
Além das três relações que acabamos de estudar, existem outras três
(secante, cossecante e cotangente), que mostram sua importância na trigonometria.
Sempre que forem exigidas, podem ser substituídas por expressões envolvendo as
funções seno, cosseno ou tangente. Assunto que veremos nos próximos tópicos.
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
106
5.1 ESTUDO DAS FUNÇÕES SECANTE E COSSECANTE
Primeiramente, consideremos o ciclo trigonométrico a seguir.
Traçando uma reta tangente à circunferência pelo ponto P, interceptamos o
eixo das abscissas (eixo dos cossenos) no ponto A e o eixo das ordenadas (eixo dos
senos) no ponto B.
Definimos sec x = OA e cossec x = OB .
Através da semelhança de triângulos, podemos obter:
Observando a figura anterior e de acordo com essas fórmulas, podemos
constatar as seguintes propriedades:
• como os pontos A e B sempre estão no exterior do ciclo trigonométrico, as suas
distâncias até o centro da circunferência são sempre maiores ou iguais à medida
do raio unitário. Portanto:
≠
≠
1OA = secx = , com cos x 0
cosx
e
1OB = cos secx = , com sen x 0
senx
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS
107
1sec x
cosx
1sec150
cos150
1sec150
3
2
2sec150 1
3
2 3sec150
3
=
° =
°
° =
-
° = ⋅
-
° = -
sec x ≤ -1 ou sec x ≥ 1
e
cossec x ≤ -1 ou cossec x ≥ 1
• o sinal da secante varia nos quadrantes como o sinal do cosseno: positivo no 1º e
no 4º quadrantes e negativo no 2º e no 3º quadrantes;
• o sinal da cossecante varia nos quadrantes como o sinal do seno: positivo no 1º e
no 2º quadrantes e negativo no 3º e no 4º quadrantes;
• não existe a secante de ângulos da forma a ₌ π + k . π
2
, k є Z, pois nesses ângulos
o cosseno é zero;
• não existe a cossecante de ângulos da forma a = k . π, k є Z, pois são ângulos cujo
seno é zero.
Exemplo 1:
Calcule a secante do arco de 150°.
Resolução:
Assim, a secante do arco de 150° é 2√3
3–
.
Exemplo 2:
Calcule a cossecante do arco de 330°.
Resolução:
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
108
1cossec x
senx
1cossec 330
sen330
1cossec 330
1
2
cossec 330 1 ( 2)
cossec 330 2
=
° =
°
° =
-
° = ⋅ -
° = -
Portanto, a cossecante do arco de 330° é -2.
O Gráfico das funções secante e cossecante:
Conforme acabamos de estudar, a função secante, indicada por y = sec x ou
f(x) = sec x, é definida por
1f(x)
cosx
= para todo x real tal que cos x ≠ 0.
A função cossecante, indicada por y = cossec x ou f(x) = cossec x, é definida
por 1f(x)
senx
= para todo x real tal que sen x ≠ 0.
A partir disto, podemos estabelecer alguns valores notáveis da secante e da
cossecante. Observe no quadro a seguir:
FONTE: A autora
QUADRO 26 – PRINCIPAIS VALORES DAS FUNÇÕES SEC X E COSSEC
x
(em radianos)
sec x
cossec
x
x
(em radianos)
sec x cossec x
0 1 ∃⁄ 7π 6 -1,15 -2
π
6
1,15 2 5π 4 -1,4 -1,4
π
4 1,4 1,4
4π
3 -2 -1,15
π
3 2 1,15
3π
2 ∃⁄ -1
π
2 ∃⁄ 1
5π
3 2 -1,15
2π
3 -2 1,15
7π
4 1,4 -1,4
3π
4 -1,4 1,4
11π
6
1,15 -2
5π
6
-1,15 2 2π 1 ∃⁄
π -1 ∃⁄
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS
109
Colocando estes valores no plano cartesiano, obtemos os gráficos das
funções secante e cossecante.
5.2 ESTUDO DA FUNÇÃO COTANGENTE
Consideremos o ciclo trigonométrico a seguir e o arco
(
AP de medida x. Seja
C o ponto de intersecção da reta OP
→←
com o eixo das cotangentes.
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
110
cosxcotgx
senx
cos30cotg30
sen30
3
2cotg30
1
2
3cotg30 2
2
cotg30 3
=
°
° =
°
° =
° = ⋅
° =
Podemos ainda escrever:
Exemplo:
Calcule a cotangente do arco de 30°.
Resolução:
Deste modo, a cotangente do arco de 30° é √3.
Definimos como cotangente do arco
(
AP a medida do segmento BC, e
indicamos cotg x = BC, ou seja, a cotg x é a abscissa do ponto C.
Através da semelhança de triângulos, podemos obter:
≠
cosxcotgx = , sendo sen x 0
senx
1 π
≠
kcotgx = , x
tgx 2
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS
111
FONTE: A autora
QUADRO 27 – PRINCIPAIS VALORES DA FUNÇÃO COTG X
x
(em radianos)
cotg x
x
(em radianos)
cotg x
0 ∃⁄ 7π 6 1,73
π
6
1,73
5π
4 1
π
4 1
4π
3 0,58
π
3 0,58
3π
2 0
π
2 0
5π
3 -0,58
2π
3 -0,58
7π
4 -1
3π
4 -1
11π
6
-1,73
5π
6
-1,73 2π ∃⁄
π ∃⁄
Observe que a tangente é positiva para os arcos com extremidades no 1º
ou 3º quadrante e negativa para os arcos com extremidades no 2º ou 4º quadrante.
Colocando estes valores no plano cartesiano, obtemos o gráfico da
função cotangente.
O Gráfico da função cotangente
Partindo da definição, podemos estabelecer alguns valores notáveis da
cotangente. Observe:
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
112
A partir do gráfico, podemos concluir:
• O domínio da função f(x) = cotg x é D(f) = {x є R | x ≠ kπ, k є Z};
• O Conjunto imagem da função f(x) = cotg x é o intervalo [-∞, +∞], ou seja,Im(f) = R;
• f(x) = cotg x é uma função periódica com p = π.
113
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico ampliamos o conhecimento das razões seno, cosseno e
tangente, já conhecidas desde o triângulo retângulo, para o plano cartesiano, ou
seja, na forma de função.
● Também avançamos no estudo da trigonometria, conhecendo outras razões
importantes: a secante, a cossecante e a cotangente.
Disto é válido lembrar:
● Quanto ao gráfico das funções trigonométricas (no quadro 28), podemos destacar:
QUADRO 28 – QUADRO RESUMO DAS FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
Função
f(x)
Domínio
D(f)
Imagem
Im(f)
Período
P
Sinais
Positivo Negativo
sen x x є R { y є R | -1 ≤ y ≤ 1 } 2π 1º e 2º Q 3º e 4º Q
cos x x є R { y є R | -1 ≤ y ≤ 1 } 2π 1º e 4º Q 2º e 3º Q
tg x { x є R | x ≠ π + kπ, k є Z}2 y є R π 1º e 3º Q 2º e 4º Q
sec x { x є R | x ≠ π + kπ, k є Z}2 { y є R | -1 ≥ y ≥ 1 } 2π 1º e 4º Q 2º e 3º Q
cossec x { x є R | x ≠ kπ, k є Z } { y є R | -1 ≥ y ≥ 1 } 2π 1º e 2º Q 3º e 4º Q
cotg x { x є R | x ≠ kπ, k є Z } y є R π 1º e 3º Q 2º e 4º Q
FONTE: A autora
1sec x
cosx
1cossec x
senx
cosx 1cotgx ou cotgx=
senx tgx
=
=
=
114
AUTOATIVIDADE
1 Indique o valor de:
a) cotg 60° b) sec 180° c) cossec 30°
d) cotg 225° e) sec 210° f) cossec 27°
g) cotg 330° h) sec 120° i) cossec 225°
2 Calcule o valor das expressões (FACHINI, 1996):
3 Verifique se são verdadeiras ou falsas as igualdades:
4 Determine o domínio das seguintes funções:
5 Para que valores reais de m a equação sen x = 2m + 1 admite solução?
a)
cos x + cos 2x
cos 3x – cos 4x
2
2
, para x ₌ π
b) , para x ₌ π
4
cos x . cos 3x
1 + √2 . cos x
a) tg 60° ₌ tg 210° b) cotg π ₌ cotg 3π
c) cossec 0° ₌ cossec 2π d) tg 3π ₌ tg 5π
e) tg π ₌ tg 7π f) sec 45° ₌ sec 765°
g) sec π ₌ sec 5π h) cotg 0° ₌ cotg 180°
i) sec 90° ₌ sec 270° j) cossec π ₌ cossec 3π
2 2
4 4
3 3
4
4 2
a) f(x) ₌ cotg (2x + 30°)
b) f(x) ₌ cossec x+
6
π
c) f(x) ₌ sec x+
3
π
115
7 Que número é maior: sen 70° ou sen 760°?
8 Determine x є R, tal que tg β = x + 1
2
e cotg β = 4.
9 Construa o gráfico, dê o domínio, a imagem e o período das funções:
6 Calcule B = sen 2x + cos 4x – tg 3x, para x = π
3
.
a) f(x) ₌ cos x -
4
π
b) f(x) ₌ 4sen
x
3
c) f(x) ₌ -tg 2x
116
117
TÓPICO 2
EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
2 EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
Dando continuidade ao estudo da trigonometria, abordaremos as técnicas
de resolução de equações e inequações que envolvem as funções que vimos
anteriormente.
Logicamente, os conteúdos de equações e inequações não são novidade
para você, mas quando estes se unem aos conceitos da trigonometria, precisamos
fazer algumas observações quanto à posição do arco da função na circunferência
trigonométrica. Estes olhares serão nosso foco de estudo neste tópico.
Para que uma sentença matemática seja denominada uma equação é
necessário que se tenha uma igualdade e pelo menos uma incógnita. Resolver a
equação é encontrar os valores desconhecidos das incógnitas.
Agora, para uma equação ser chamada de equação trigonométrica é
necessário que, além dessas características gerais, a incógnita esteja envolvida em
pelo menos uma razão trigonométrica. Assim, resolver uma equação trigonométrica
significa encontrar os valores dos ângulos que a satisfazem.
A seguir, temos alguns exemplos de equações trigonométricas:
sen x = cos 2x
2sen2 x – 5sen x + 3 = 0
cos2 x = -cos x
sen 2x – cos 4x = 0
4sen 3x = 3sen x
Agora, veja exemplos de equações que não são consideradas trigonométricas,
pois a incógnita não pertence à razão trigonométrica.
x2 + sen 30° • (x + 1) = 15
x + (tg 30°) • x2 = 0
cos 60° – x = √32
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
118
Grande parte das equações trigonométricas pode ser reduzida na forma de
equações trigonométricas elementares ou equações trigonométricas fundamentais,
representadas da seguinte forma:
1) sen x = sen a 2) cos x = cos a 3) tg x = tg a
Com a є [0, 2π]
Cada uma dessas equações acima possui um tipo de solução, ou seja, possui
um conjunto de valores que a incógnita deverá assumir em cada equação.
Vejamos, a seguir, cada uma delas:
2.1 PRIMEIRA EQUAÇÃO FUNDAMENTAL:
sen x = sen a, com a є [0, 2π]
Quando fizemos o estudo de seno, vimos que se dois arcos têm o mesmo
seno, então eles são côngruos ou suplementares, ou seja, possuem a mesma imagem
no eixo dos senos. Veja no ciclo trigonométrico a seguir:
Portanto, podemos concluir que:
sen x ₌ sen a ⇔
}x ₌ a + k . 2π
ou
x ₌ π – a + k . 2π
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
119
E, como conjunto solução desta equação, temos:
S = {x є R | x = a + k • 2π ou x = π - a + k • 2π, k є Z}
Exemplo:
Determinar o conjunto solução das equações:
a) sen x = √32
Resolução:
Consultando as tabelas trigonométricas, descobre-se que sen π3 =
√3
2 , ou seja,
x
3
π
= . Mas, x pode ser ainda qualquer ângulo congruente a π
3
, então, a solução da
equação sen
3x
2
= é dada por
S = {x є R | x = π
3
+ k • 2π ou x = 2π
3
+ k • 2π, k є Z}
b) 2sen 2x – 1 = 0
Resolução:
Podemos reescrever a equação como:
Através das tabelas trigonométricas verificamos que sen π
6
1
2
₌ , ou seja, 2x = π
6
.
E, portanto, as duas possibilidades de respostas são desenvolvidas a partir de:
S = {x є R | x = π12 + k • π ou x =
5π
12
+ k • π, k є Z}
2sen2x 1 0
2sen2x=1
1 sen2x=
2
- =
k 2x a k 2 x2x k 2 x x k
6 6 2 2 12
k 2 5x a k 2 2x k 2 x x k
6 2 6 2 2 12
π π ⋅ π π
= + ⋅ π ⇒ = + ⋅ π ⇒ = + ⇒ = + ⋅ π
⋅
π π π ⋅ π π
= π - + ⋅ π ⇒ = π - + ⋅ π ⇒ = - + ⇒ = + ⋅ π
⋅
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
120
2.2 SEGUNDA EQUAÇÃO FUNDAMENTAL:
cos x = cos a, com a є [0, 2π]
Com base nos estudos de cosseno, se dois arcos têm o mesmo cosseno,
então eles são côngruos, ou seja, possuem extremidades simétricas em relação ao
eixo dos cossenos. Observe:
Portanto, podemos concluir que:
cos x = cos a ⇔ x = ±a + k • 2π, k є Z
E, como conjunto solução desta equação, temos:
S = {x є R | x = ±a + k • 2π, k є Z}
Exemplo 1:
Determinar o conjunto solução da equação cos x = 1
2
.
Resolução:
As extremidades dos arcos no ciclo trigonométrico para o qual x = 1
2
, são os
pontos P e P’, simétricos em relação ao eixo dos cossenos.
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
121
Então, consultando as tabelas trigonométricas, verificamos que cos x = 1
2
quando x = π
3
. Assim,
S = {x є R | x = ± π
3
+ k • 2π, k є Z}
Exemplo 2:
Determinar o conjunto solução da equação cos (2x – π) = – √32 .
Resolução:
Consultando as tabelas trigonométricas, verificamos que – √3
2
é o
equivalente a – cos π
6
, que, por sua vez, é equivalente a cos 5π
6
. Assim,
52x k 2
6
52x k 2
6
5 62x k 2
6 6
x k
12
- π
- π = + ⋅ π
- π
= + ⋅ π + π
- π π
= + + ⋅ π
π
= + ⋅ π
52x k 2
6
52x k 2
6
5 62x k 2
6 6
11x k
12
π
- π = + ⋅ π
π
= + ⋅ π + π
π π
= + + ⋅ π
π
= + ⋅ π
ou
S ₌ {x є R | x ₌ 11π + k . π ou x ₌ π + k . π, k є Z}
12 12
2.3 TERCEIRA EQUAÇÃO FUNDAMENTAL:
tg x = tg a, com a ∈ [0, 2π]
Assim como nas equações fundamentais anteriores, ela baseia-se no fato de
que, se dois arcos têm a mesma tangente, então eles são côngruos, ou seja, possuem
suas extremidades simétricas em relação ao centro do ciclo trigonométrico.
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
122
Portanto, podemos concluir que:
tg x = tg a ⇔ a + k • π
com a ≠ π
2
+ k • π e k є Z
E, como conjuntosolução desta equação, temos:
S = {x є R | x = a + k • π, k є Z}
Exemplo 1:
Determinar o conjunto verdade da equação tg x = √3.
Resolução:
As extremidades dos arcos no ciclo trigonométrico, para o qual tg x = √3 são
os pontos P e P’, simétricos em relação à origem.
Então, escrevemos:
tgx ₌ √3
tg π
3
₌ √3
E assim, x = π
3
+ k • π.
S = {x є R | x = π
3
+ k • π, k є Z}
Exemplo 2:
Determinar o conjunto verdade da equação tg 2x – 1 = 0.
Resolução:
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
123
Podemos reescrever a equação como:
tg2x – 1 ₌ 0
tg2x ₌ 1
E consultando as tabelas trigonométricas das tangentes temos que tg 2x =
1 quando 2x = π
4
.
E assim, 2x =
π
4 + k • π, ou melhor, x =
π
8
+ k . π2
.
Logo, S = {x є R | x = π
8
+ k . π
2
, k є Z}.
3 INEQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
Uma sentença matemática é denominada de inequação quando é uma
desigualdade e possui pelo menos uma incógnita.
Chamamos de inequação trigonométrica a inequação cuja incógnita
está envolvida em pelo menos uma razão trigonométrica. Resolver a inequação
trigonométrica significa obter, caso exista, o conjunto solução S, de valores que
satisfaçam a inequação.
A maioria das inequações trigonométricas pode ser reduzida a inequações
de um dos seguintes tipos:
1) sen x > a 2) sen x < a
3) cos x > a 4) cos x < a
5) tg x > a 6) tg x < a
onde a é um número real. Estas são denominadas inequações trigonométricas
fundamentais.
3.1 INEQUAÇÕES FUNDAMENTAIS
Quando aprendemos a resolver as inequações fundamentais, sabemos
resolver outras inequações trigonométricas. Por este motivo, dedicaremos este
item ao estudo delas.
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
124
1º Caso: sen x > a ou sen x ≥ a
Sobre o eixo dos senos, marcamos o ponto P, tal que OP = a. Traçamos por
P a reta r perpendicular ao eixo. As imagens dos reais x tais que sen x > a estão na
interseção do ciclo com o semiplano situado acima de r.
Assim, descrevemos os intervalos aos quais x pode pertencer, tomando
cuidado de partir do ponto A e percorrer o ciclo trigonométrico no sentido anti-
horário até completar uma volta.
ATENCAO
Neste tópico é imprescindível recordar os conceitos de Intervalos Reais.
Intervalo aberto em a e b, {x є R | a < x < b} = ]a,b[
Intervalo fechado em a e aberto em b, {x є R | a ≤ x < b} = [a,b[
Intervalo fechado em a e b, {x є R | a ≤ x ≤ b} = [a,b]
Intervalo aberto em a e fechado em b, {x є R | a < x ≤ b} = ]a,b
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
125
Exemplo:
Vamos resolver a inequação sen x > √2
2
.
Resolução:
Percorrendo o ciclo no sentido anti-horário, temos:
Para a primeira volta:
S = x є R | π < x < 3π
4 4
} }
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].
Acrescentando k • 2π, com k є Z, às extremidades do intervalo encontrado,
temos a solução geral em R.
Solução geral:
S = x є R | π + k . 2π < x < 3π + k . 2π, k є Z
4 4
} }
2º Caso: sen x < a ou sen x ≤ a
Sobre o eixo dos senos, marcamos o ponto P, tal que OP = a. Traçamos por
P a reta r perpendicular ao eixo. As imagens dos reais x tais que sen x < a estão na
interseção do ciclo com o semiplano situado abaixo de r.
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
126
Assim, descrevemos os intervalos aos quais x pode pertencer, partindo do
ponto A e percorrendo o ciclo trigonométrico no sentido anti-horário até completar
uma volta.
Exemplo 1:
Vamos resolver a inequação sen x < √2
2
.
Resolução:
Percorrendo o ciclo a partir do zero, no sentido anti-horário, encontramos
dois intervalos para a primeira volta:
S = x є R | 0 ≤ x < π ou 3π < x ≤ 2π
4 4
} }
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
127
Acrescentando k • 2π, com k є Z, às extremidades do intervalo encontrado,
temos a solução geral em R.
Solução geral:
S = x є R | 0 + k . 2π ≤ x < π + k . 2π ou 3π + k . 2π < x ≤ 2π + k . 2π
4 4
} }
E simplificando, temos
S = x є R | k . 2π ≤ x < π + k . 2π ou 3π + k . 2π < x ≤ (1 + k) . 2π, k є Z
4 4
} }
Exemplo 2:
Resolva a inequação 0 ≤ senx < √3
2
, para x ∈ R.
Resolução:
A imagem de x deve ficar na interseção do ciclo com a faixa do plano
compreendida entre r e s.
Então, para a primeira volta:
S = x є R | 0 ≤ x < π ou 2π < x ≤ π
33
} }
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].
Acrescentando k • 2π, com k є Z, às extremidades do intervalo encontrado,
temos a solução geral em R.
Solução geral:
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
128
S = x є R | k . 2π ≤ x < π + k . 2π ou 2π + k . 2π < x ≤ π + k . 2π, k є Z
33
} }
3º Caso: cos x > a ou cos x ≥ a
Sobre o eixo dos cossenos, marcamos o ponto Q, tal que OQ = a. Traçamos
por Q a reta r perpendicular ao eixo. As imagens dos reais x tais que cos x > a estão
na interseção do ciclo com o semiplano situado à direita de r.
Por fim, descrevemos os intervalos aos quais x pode pertencer, tomando
cuidado de partir do ponto Q, percorrendo o ciclo trigonométrico no sentido anti-
horário até completar uma volta.
Exemplo:
Vamos resolver a seguinte inequação trigonométrica: cos x > √3
2
.
Resolução:
Consultando as tabelas trigonométricas verifica-se que cos x = √3
2
quando
11x ou x= .
6 6
π π
=
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
129
Percorrendo o ciclo a partir do zero, no sentido anti-horário, encontramos
dois intervalos para a primeira volta:
S = x є R | 0 ≤ x < π ou 11π < x ≤ 2π
66
} }
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].
Acrescentando k • 2π, com k є Z, às extremidades do intervalo encontrado,
temos a solução geral em R.
Solução geral:
S = x є R | k . 2π ≤ x < π + k . 2π ou 11π + k . 2π < x ≤ (1 + k) . 2π, k є Z
66
} }
4º Caso: cos x < a ou cos x ≤ a
Sobre o eixo dos cossenos, marcamos o ponto Q, tal que OQ = a . Traçamos
por Q a reta r perpendicular ao eixo. As imagens dos reais x tais que cos x < a estão
na interseção do ciclo com o semiplano situado à esquerda de r.
Para completar, descrevemos os intervalos que convêm ao problema.
Exemplo 1:
Vamos resolver a seguinte inequação trigonométrica: cos x < √3
2
.
Resolução:
Consultando as tabelas trigonométrica verifica-se que cos x = √3
2
quando x =
π
6
ou x = 1π
6
.
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
130
Percorrendo o ciclo a partir do zero, no sentido anti-horário, temos:
Primeira volta:
S = x є R | π < x < 11π
66
} }
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].
Acrescentando k • 2π, com k є Z, às extremidades do intervalo encontrado,
temos a solução geral em R.
Solução geral:
S = x є R | π + k . 2π < x < 11π + k . 2π, k є Z
66
} }
Exemplo 2:
Vamos resolver a seguinte inequação trigonométrica: - 3 ≤ cosx ≤ 0
2
, para
x є R.
Resolução:
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
131
A imagem de x deve ficar na interseção do ciclo com a faixa do plano
compreendida entre r e s.
Primeira volta:
S = x є R | π ≤ x ≤ 3π
22
} }
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].
Acrescentando k • 2π, com k є Z, às extremidades do intervalo encontrado,
temos a solução geral em R.
Solução geral:
S = x є R | π + k . 2π ≤ x ≤ 3π + k . 2π, k є Z
22
} }
5º Caso: tg x > a ou tg x ≥ a
Sobre o eixo das tangentes, marcamos o ponto T, tal que AT = a. Traçamos a reta
r = OT
→←
. As imagens dos reais x tais que tg x > a estão na interseção do ciclo com o
ângulo rÔv.
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
132
Por fim, descrevemos os intervalos que convêm ao problema.
Exemplo:
Resolva a inequação tg x > √3.
Resolução:
Consultando as tabelastrigonométricas verifica-se quais ângulos
apresentam √3 como tangente.
Primeira volta:
S = x є R | π < x < π ou 4π < x < 3π
3 3 22
} }
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
133
Acrescentando k • 2π, com k є Z, às extremidades do intervalo encontrado,
temos a solução geral em R.
Solução geral:
S = x є R | π + k . 2π < x < π + k . 2π ou 4π + k . 2π < x < 3π + k . 2π, k є Z
23
} }3 2
6º Caso: tg x < a ou tg x ≤ a
Sobre o eixo das tangentes, marcamos o ponto T, tal que AT = a. Traçamos
a reta r = OT
→←
. As imagens dos reais x tais que tg x < a estão na interseção do ciclo
com o ângulo rÔv.
Finalmente, descrevemos os intervalos que convêm ao problema.
Exemplo:
Resolva a inequação tg x < √3.
Resolução:
Consultando as tabelas trigonométricas verifica-se quais ângulos apresentam
√3 como tangente.
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
134
Primeira volta:
S = x є R | 0 ≤ x < π ou π < x < 4π ou 3π < x ≤ 2π
33
} }2 2
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].
Acrescentando k • 2π, com k ∈ Z, às extremidades do intervalo encontrado,
temos a solução geral em R.
Solução geral:
S =
23
} }3 2x є R | k . 2π ≤ x < π + k . 2π ou π + k2π < x < 4π + k2π ou 3π + k2π < x ≤ (1+k)2π, k є Z
135
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico fizemos o estudo das equações e inequações trigonométricas.
● Vimos que, conhecendo as equações trigonométricas fundamentais, podemos
resolver a maioria das equações trigonométricas, visto que podemos, quando
convenientemente, tratá-las e transformá-las, reduzindo-as em equações
fundamentais. Por este motivo, é de grande serventia memorizá-las.
1) sen x = sen a, a є [0, 2π] ⇒ x = a + k • 2π, k є Z.
2) cos x = cos a, a є [0, 2π] ⇒ x = a + k • 2π, k є Z.
3) tg x = tg a, a є [0, 2π] ⇒ x = a + k • π, k є Z.
● O mesmo ocorre com as inequações trigonométricas. É necessário compreender
as inequações fundamentais, para facilmente resolver as demais.
1) sen > a
2) sen < a
3) cos x > a
4) cos x < a
5) tg x > a
6) tg x < a
com a ∈ R.
136
AUTOATIVIDADE
Prezado(a) acadêmico(a), as autoatividades que seguem se destinam à
averiguação da aprendizagem deste tópico de estudos. Bom trabalho!
1 Encontre o valor do número real y, tal que sen²y – 3 sen y = – 2, para 0 ≤ y ≤ π.
2 Resolva as equações trigonométricas abaixo:
a) sen3x = 1
b) cos x+ 1
6
π
= -
c) tg 5x = 0
d) 2sen 2x – 1 = 0
e) cos (2x – π) = – √32
f) tg (2x – π) – √3 = 0
3 Sabendo que x є R, calcule as seguintes inequações:
a) tg x ≤ 1
b) cos x ≥ – 1
2
c) sen x > 0
d) sen x ≥ – √32
e) - √3 < tg x ≤ √33
137
TÓPICO 3
RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
2 RELAÇÕES FUNDAMENTAIS
Nos tópicos anteriores estudamos as funções trigonométricas e analisamos
as características e propriedades de cada uma delas, bem como algumas equações.
Entretanto, o assunto não está esgotado, ainda há algumas relações que
podemos fazer entre os valores das funções trigonométricas de um mesmo arco,
chamadas de relações trigonométricas.
Das demonstrações anteriores, temos:
Agora, consideremos o ciclo trigonométrico a seguir:
cosx(I) cotgx= , com x k e k Z.
senx
1(II) secx= , com x k e k Z.
cosx 2
1(III) cossecx= , com x k e k Z.
senx
≠ π ∈
π
≠ + π ∈
≠ π ∈
138
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
Observe que os triângulos retângulos OAB e OP”P são semelhantes,
portanto:
Sendo esta uma circunferência unitária, temos
OA = 1, AB = tgx, P"P = OP' = senx e OP" = cos x, então:
Observando, novamente o triângulo retângulo OP”P e aplicando o teorema
de Pitágoras, obtemos:
Como a circunferência é unitária, temos que P"P = sen x, OP" = cos x e OP =
1, logo:
(V) sen²x + cos²x = 1, x є R
Estas cinco relações são conhecidas como relações fundamentais da
trigonometria.
AB P"P
OA OP"
=
OP = OP" + P"P² ² ²
3 RELAÇÕES DERIVADAS
São relações que podem ser deduzidas das relações fundamentais.
(I) A partir de
cosxcotgx
senx
= , com x ≠ kπ e k є Z, podemos escrever:
1 kcotgx , x k , k Z.
tgx 2
π
= ≠ + π ∈
(II) Se dividirmos a igualdade sen²x + cos²x = 1, por cos²x ≠ 0, obteremos:
sen²x cos²x 1
cos²x cos²x cos²x
+ =
2 2
senx 11
cosx cosx
+ =
senx(IV) tgx= , com x k e k Z.
cosx 2
π
≠ + π ∈
TÓPICO 3 | RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
139
E com isso,
(III) Dividindo agora a igualdade sen²x + cos²x = 1, por sen²x ≠ 0, obteremos:
E com isso,
1+ cot g2 x = cos sec2 x, com x ≠ kπ, k є Z
Exemplo 1:
Sabendo que tg x = – √3 e π
2
< x < π, calcule:
+
tg²x + 1 = sec² x, com x ≠ kπ + kπ, k є Z
2
a) sec²x
Resolução:
sec2x = 1 + tg2x
sec2x = 1 + (– √3)2
sec2x = 1 + 3
sec2x = 4
sec x = – √4
sec x = -2
No IIQ a secante é negativa, logo tem o mesmo sinal do cosseno.
Pelo exposto, a secante de x é –2.
b) cotg x
Resolução:
sen²x cos²x 1
sen²x sen²x sen²x
=
2 2
cosx 11
senx senx
+ =
1cotgx
tgx
1cotgx
3
1 3cotgx
3 3
3cotgx
3
=
=
-
= ⋅
-
-
=
140
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
( )
2 2
2
2
2
2
2
2
2
2
cossec x 1 cotg x
3cossec x 1
3
3
cossec x 1
3
3cossec x 1
9
1cossec 1
3
4cossec x
3
4cossec x
3
2cossec x
3
2 3cossec x
3
= +
-
= +
-
= +
= +
= +
=
=
=
=
1sec x
cox
1cosx
sec x
1cosx
2
1cosx
2
=
=
=
-
-
=
Deste modo, a cotangente de x é √3
3
- .
c) cos x
Resolução:
Assim, o cosseno de x é – 1
2
.
d) cossec x
Resolução:
TÓPICO 3 | RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
141
1senx
cossec x
1senx
2 3
3
3senx 1
2 3
3 3senx
2 3 3
3 3senx
2 3
3senx
2
=
=
= ⋅
= ⋅
=
⋅
=
No IIQ a cossecante é positiva, logo tem o mesmo sinal do seno.
Desse modo, a cossecante de x é 2√3
3
.
e) sen x
Resolução:
E assim, o seno de x é √3
2
Exemplo 2:
Sabendo-se que
2senx
2
= , calcule o valor da expressão
2
2
sec x 1y
tg x 1
-
=
+
.
Resolução:
Vamos, inicialmente, escrever a expressão em função de sen x e cos x:
142
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
Como sen²x + cos²x = 1 e assim, 1 – cos²x = sen²x , temos:
Substituindo senx = √2
2
, temos:
Desta forma, o valor numérico de y é 1
2
.
y =
2 2
2
2
sen x cos xy
1cos x
y sen x
= ⋅
=
1 - cos² x . cos² x
cos² x sen² x + cos² x
Exemplo 3:
Sabendo que senx = 3
5
e x pertence ao 2º quadrante, calcular:
a) cos x
b) tg x
c) sec x
2
2
2
2
2
2 2
2 2
2 2
2
2
2 2
2
2 2
2 2 2
sec x 1y
tg x 1
1 1
cosxy=
senx 1
cosx
1 cos x
cos cos xy=
sen x cos x
cos x cos x
1 cos x
cos xy=
sen x cos x
cos x
1 cos x cos xy=
cos x sen x + cos x
-
=
+
-
+
-
+
-
+
-
⋅
2 2
2
2 2 2 1y
2 4 22
= = = =
TÓPICO 3 | RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
143
1sec x
cos
1sec x
4
5
5sec x
4
=
=
-
= -
Como o arco está no 2º quadrante, o cosseno é negativo, logo
4
5
- .
b) tg x
Deste modo, tangente de x corresponde a
3
4
- .
c) sec x
Assim, secante de x é igual a 5
4
-
Resolução:
a) Para o cálculo do cos x, aplicamos a primeira relação fundamental:
sen² x + cos² x = 1
cos² x = 1 - sen² x
cos² x = 1 -
cos² x = 1 - 9
cosx =
4cosx
5
=
25
2
3
5
16
25
senxtgx
cosx
3
5tgx
4
5
3tgx
4
==
-
= -
144
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
4 IDENTIDADES TRIGONOMÉTRICAS
Uma igualdade em uma variável x, f(x) = g(x), é uma identidade num
conjunto universo U se, e somente se, a sentença f(a) = g(a) é verdadeira para
qualquer valor de a, tal que a є U.
Quando uma igualdade que envolve funções trigonométricas se verifica
para todos os valores do domínio de tais funções, chamamos essa igualdade de
identidade trigonométrica. Para afirmar que uma igualdade é uma identidade,
precisamos demonstrar sua validade, utilizando para isso as relações fundamentais
e suas derivadas.
As relações fundamentais, bem como suas derivadas, são identidades
trigonométricas.
NOTA
Por exemplo, considerando o domínio das funções, a igualdade sen x • sec
x = tg x é uma identidade trigonométrica, pois, independentemente do valor de x,
ela se verifica. Para x ≠ π + kπ, k є Z
2
, temos:
1 senx
cosx cosx
senx · sec x ₌ senx · ₌ ₌ tgx
Já a igualdade sen x + cos x = 1, para x є R, não é uma identidade, pois ela
não é verdadeira para todos os valores reais de x. Dizemos que sen x + cos x = 1 é
uma equação trigonométrica.
Para demonstrar que uma igualdade é uma identidade, há vários processos.
Vejamos dois deles nos exemplos a seguir.
1º) Escolhemos um dos membros da igualdade f(x), geralmente o mais
complicado, e a partir dele, obtemos o outro membro g(x), provando que f(x) =
g(x).
Exemplo:
Vamos demonstrar que (1 – cos²x) • (cotg²x + 1) = 1, para x ≠ kπ, com k є Z,
é uma identidade trigonométrica.
TÓPICO 3 | RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
145
2
2
sen xf(x)
sen x
f(x) 1
=
=
Resolução:
Considerando f(x) = (1 – cos²x) • (cotg²x + 1) e g(x) = 1, vamos expressar f(x)
em função de sen x e cos x:
Lembrando que 1 – cos²x = sen²x , temos
E assim, f(x) = g(x) e, portanto, (1 – cos²x) • (cotg²x + 1) = 1
2º) Partimos do primeiro membro da igualdade e procuramos transformá-
lo numa função h(x), por exemplo. Seguidamente, fazemos transformações no
segundo membro a fim de torná-lo idêntico à função h(x).
Exemplo 1:
Vamos demonstrar que 2
tgx senx
sec x1 tg x
=
+
é uma identidade para
x k ,k Z.2
π
≠ + π ∈
Resolução:
Definimos 2
tgxf(x)
1 tg x
=
+
e simplificamos essa expressão.
( ) ( )
( ) ( )
( ) ( )
( ) ( )
( )
2
2
2 2
2
2 2
2 2
2
2
2
2
2
2
cosxf x 1 cos x 1
senx
cos x sen xf x 1 cos x
sen x sen x
cos x + sen xf x = 1 cos x
sen x
1f x = 1 cos x
sen x
1 cos xf x
sen x
= - ⋅ +
= - ⋅ +
- ⋅
- ⋅
-
=
146
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
senxg(x)
sec x
senxg(x)
1
cosx
cosxg(x) senx
1
g(x) senx cosx
=
=
= ⋅
= ⋅
E desse modo, definimos h(x) = senx . cos x.
Agora, vamos trabalhar com a expressão
senxg(x)
sec x
= até obter h(x).
Partindo separadamente de f(x) e g(x), chegamos à mesma função h(x).
Logo, h(x) = f(x) = g(x) e, portanto,
2
tgx senx .
sec x1 tg x
=
+
Exemplo 2:
Vamos demonstrar a identidade sec²x – sen²x = tg²x + cos²x.
Resolução:
Primeiramente:
( )
( )
2
2
2
2
tgxf x
1 tg x
senx
cosxf x
sec x
senx
cosxf(x)=
1
cos x
senx cos xf(x)
cosx 1
f(x) senx cosx
=
+
=
= ⋅
= ⋅
TÓPICO 3 | RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
147
Definimos
2 4
2
sen x cos xh(x) .
cos x
+
=
Agora,
g(x) = tg²x + cos² x
2
2
2 2
2
2 2
2 4
2 2
2 4
2
senxg(x) cos x
cosx
sen x cos xg(x) cos x
cos x cos x
sen x cos xg(x)
cos x cos x
sen x cos xg(x)
cos x
= +
= + ⋅
= +
+
=
Como h(x) = f(x) = g(x) e, portanto, sec²x – sen²x = tg²x + cos²x.
Há também outra maneira de demonstrar esta identidade. Observe:
f(x) – g(x) = (sec2x – sen2x) – (tg2x + cos2x) = sec2x – sen2x – tg2x – cos2x =
= (sec2x – tg2x) – (sen2x + cos2x) = 1 – 1 = 0
Assim, se f(x) – g(x) = 0, então f(x) = g(x), ou seja, sec²x – sen²x = tg²x + cos²x.
( )
( )
( )
( )
( )
( ) ( )
( )
( )
2 2
2
2
2
2
2 2
2 2
2
2 2 2 2
2
2 2 2
2
2 2 2
2
2 4
f x sec x - sen x
1f x - sen x
cosx
1 cos xf x - sen x
cos x cos x
1 - sen x . cos xf x
cos x
sen x cos x - sen x . cos x f x
cos x
sen x 1- sen x . cos x
f x
cos x
sen x cos x. cos xf x
cos x
sen x + cos xf x
cos
=
=
= ⋅
=
+
=
+
=
+
=
= 2 x
148
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico exploramos as relações que podemos fazer quando temos
funções de mesmo arco, pois elas são o suporte para demonstrar as identidades
trigonométricas.
Por este motivo, tenha as relações abaixo discriminadas quando for realizar
as autoatividades, com k є Z.
I)
cosxcotgx , x k
senx
= ≠ π
II)
1sec x , x k
cosx 2
π
= ≠ + π
III)
1cossec x , x k
senx
= ≠ π
IV)
senxtgx , x k
cosx 2
π
= ≠ + π
V) 2 2sen x cos x 1+ =
VI)
1cotgx , x k
tgx 2
π
= ≠ + π
VII)
2 2sec x 1 tg x, x k
2
π
= + ≠ + π
VIII) 2cossec 2x 1 cotg x, x k= + ≠ π
149
AUTOATIVIDADE
Caro(a) acadêmico(a)! Chegou o momento de praticar seus conhecimentos
adquiridos neste tópico.
Caso surgirem dúvidas, utilize os serviços disponibilizados pelo NEAD. Boa
atividade!
1 Dado sen x = 3
4
, com 0 < x < π
2
, calcule cos x.
2 Dado cos x = - √3
3
, com
π
2 < x < π, calcule tg x.
3 Sabendo que cot gx = √3 e π < x < 3π
2
, calcule:
a) cossec x
b) sen x
c) tg x
d) cos x
e) sec x
4 Qual o valor numérico da expressão
2
4 2senxM
cos x
+
= , para
3cotgx e x .
2
π
= π < <
3
4
5 Quais são os valores de sen x e cos x, sendo senx = –2 cos x e
π
2 < x < π?
6 Essa questão pode ser vista como um ótimo quebra-cabeça trigonométrico!
Demonstre que as seguintes igualdades são identidades:
a) tg²x • sen²x = tg²x – sen²x
b) (1 + cotg x)² + (1 – cotg x)² = 2cossec²x
c) cos x • tg x • cossec x = 1
d) (tg x + 1) • (1 – tg x) = 2 – sec²x
150
151
TÓPICO 4
TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
É intuitivo pensar que as expressões sen(60° + 30°) e sen60° + sen30°
possuem o mesmo valor, mas isso não é verdade.
Vamos verificar:
sen(60° + 30°) = sen90° = 1
sen60° + sen30° = √3 + 1 = 1 + √3
222
Assim, verificamos que sen(60° + 30°) ≠ sen60° + sen30°. Logo, de modo
geral, podemos afirmar que:
sen (a + b) ≠ sen a + sen b
sen (a – b) ≠ sen a – sen b
cos (a + b) ≠ cos a + cos b
cos (a – b) ≠ cos a – cos b
tg (a + b) ≠ tg a + tg b
tg (a – b) ≠ tg a – tg b
Neste tópico estudaremos o modo correto de calcular sen (a + b) e sen (a – b),
bem como outras fórmulas importantes de transformações trigonométricas.
2 ADIÇÃO E SUBTRAÇÃO DE ARCOS
Dados dois arcos trigonométricos de medida a e b, podemos calcular o
seno, o cosseno e a tangente da soma ou da diferença desses arcos através das
identidades conhecidas por fórmulas de adição de arcos.
As fórmulas que estudaremos a seguir nos permitem calcular as funções
trigonométricas do tipo soma (a + b) ou diferença (a – b) de arcos, representados
por números reais.
152
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
I) sen (a + b) = sen a . cos b + sen b . cos a
II) sen ( a - b) = sen a . cos b - sen b . cos a
III) cos (a + b) = cos a .cos b - sen a . sen b
IV) cos (a - b) = cos a . cos b + sen a .sen b
V) tg a + tg btg (a + b) =
1 - tg a . tg b
(obedecidas as condições de existência)
VI)
-
-
+
tg a tg btg (a b) =
1 tg a . tg b (obedecidas as condições de existência)
FONTE: A autora(I) Seno da soma
Dados dois arcos trigonométricos, AM
)
e AN
)
de medidas a e a + b,
respectivamente, tracemos as perpendiculares auxiliares, como na figura a seguir:
QUADRO 29 – FÓRMULAS DA SOMA E DA DIFERENÇA DE DOIS ARCOS
Da figura, podemos observar:
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
153
POT ≡ SRT, pois SR // OP;
TNR ≡ TOP, pois os triângulos TNR e TOP são semelhantes;
ΔONR ⇒
ΔRUO ⇒ sen a ₌ OU
OR
₌ OU
cos b
⇒ OU ₌ sen a . cos b
ΔRSN ⇒ cos a ₌ NS
NR
₌ NS
senb
⇒ NS ₌ cos a . sen b
Sendo sen ( a+ b) ₌ OV ₌ OU + UV e UV ₌ NS, então:
}sen b ₌
OR
ON
⇒ NR ₌ sen b
cos b ₌ OR
ON
⇒ OR ₌ cos b
ˆ ˆ
ˆ ˆ
sen (a + b) = sen a • cos b + sen b • cos a
Observação: Essa demonstração pode ser repetida para os demais
quadrantes, observando as correções de sinais.
(II) Seno da diferença
Esta identidade pode ser demonstrada a partir da identidade (I). Basta fazer
sen (a – b) = sen [a + (-b)]
e aplicar a fórmula do sen (a + b).
(III) Cosseno da soma
A partir da identidade II, podemos demonstrar a identidade III, fazendo
cos (a + b) = sen [90° – (a+b)] = sen [(90° – a) – b].
(IV) Cosseno da diferença
Demonstra-se a identidade (IV) a partir da identidade (III), fazendo
cos (a – b) = cos [a + (-b)].
154
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
(V) Tangente da soma
Supondo que estejam satisfeitas as condições de existência, podemos
escrever:
Aplicando a fórmula do sen (a + b) e cos (a + b), temos:
Dividindo o numerador e o denominador por cos a • cos b, temos:
Portanto:
tg(a + b) ₌
tg(a + b) ₌
tg(a + b) ₌
tg(a + b) ₌
sen a . cos b + sen b . cos a
cos a . cos b
cos a . cos b - sen a . sen b
cos a . cos b
sen a . cos b sen b . cos a
cos a . cos b cos a . cos b
cos a . cos b sen a . sen b
cos a . cos b cos a . cos b
+
-
sen a sen b
cos a cos b
sen a sen b
cos a cos b
1 - ·
+
tg a + tg b
1 - tg a · tg b
tg a + tg b
1 - tg a · tg b
tg(a + b) ₌
sen (a + b)tg (a + b) =
cos (a + b)
sena.cosb + senb.cosatg (a + b) =
cosa.cosb - sena.senb
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
155
(VI) Tangente da diferença
A demonstração é análoga à identidade V.
Exemplo 1:
Calcule o valor de sen 105°.
Resolução:
sen 105° = sen (45° + 60°)
Aplicando a fórmula do seno de uma soma:
sen (45° + 60°) = sen 45° • cos 60° + sen 60° • cos 45°
Exemplo 2:
Encontre o valor de cos 75°.
Resolução:
cos 75° = cos (45° + 30°)
Aplicando a fórmula do cosseno de uma soma:
cos (45° + 30°) = cos 45° • cos 30° – sen 45° • sen 30°
⋅ ⋅
2 1 3 2sen(45° + 60°) = +
2 2 2 2
2 6sen(45° + 60°) = +
4 4
2 + 6Assim, o seno de 105° é
4
⋅ ⋅
2 3 2 1cos(45° + 30°) = -
2 2 2 2
6 2cos(45° + 30°) = -
4 4
6 - 2Desse modo, o cosseno de 75° é .
4
156
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
Exemplo 3:
Sabendo que tg a = 1
5
e tg b = 1
10
, calcule tg (a – b).
Resolução:
Usando a fórmula da tangente da diferença de dois arcos:
Assim, a tangente de a – b é 5
51
.
Exemplo 4:
Calcule sec 285°.
Resolução:
⋅
tg a - tg btg (a - b) =
1 + tg a tg b
tg (a - b) ₌
tg(a - b) =
tg(a - b) ₌
⋅
1 50tg(a - b) =
10 51
5tg(a - b) =
51
1 - 1
5 10
1 + ·1 1
5 10
50
50 50
1+
10 10
- 12
1
10
51
50
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
157
Portanto, o valor da secante de 285° é √6 + √2 .
3 ARCO DUPLO E ARCO METADE
Arco duplo
As fórmulas de duplicação de arcos decorrem das fórmulas de adição, sua
utilização permite simplificar cálculos.
Seno do arco duplo
Podemos escrever sen 2a como sen (a + a) e aplicar a fórmula de adição:
sen (a + a) = sen a • cos a + sen a • cos a, logo:
sen 2a = 2 sen a • cos a
Cosseno do arco duplo
Podemos escrever cos 2a como cos (a + a) e aplicar a fórmula de adição:
cos (a + a) = cos a • cos a – sen a • sen a, logo:
cos 2a = cos2 a – sen2 a
sec285° = sec75°
1sec285° =
cos(45° + 30°)
1sec285° =
6 - 2
4
4sec285° =
6 - 2
sec285° = 6 + 2
158
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
2 2
2 2
2
2
2
2
2
sen x cos x 1
sen x 1 cos x
4sen x 1
5
16sen x 1
25
9sen x
25
3sen x
5
+ =
= -
= -
= -
=
=
Ou seja:
Exemplo:
Calcule os valores de sen 2x, cos 2x e tg 2x, tendo conhecimento de que cos
x = 4
5
e que 0 < x < π
2
.
Resolução:
Primeiramente, vamos encontrar o valor de sen x.
Lembre-se de que o seno é positivo no 1º quadrante.
Como sen 2x = 2sen x • cos x, então:
E cos 2x = cos2x – sen2x, então:
sen2x ₌ 2 . .
24sen2x
25
=
3 4
5 5
tg a + tg a
1 - tg a · tg a
tg(a + a) ₌
Tangente do arco duplo
Escrevendo tg 2a como tg (a + a), considerando as condições de existência e
aplicando a fórmula de adição, temos:
2
2tg atg(2a) =
1 - tg a
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
159
Por fim,
tg2x ₌
6 16tg2x
4 7
24tg2x
7
= ⋅
=
6
4
9
16
1-
Arco metade
O arco metade nos possibilita associar um arco a com um arco a
2
e sua
utilização permite simplificar outros cálculos.
Vejamos as demonstrações das fórmulas que nos permitem calcular sen a
2
,
cos a
2
e tg a
2
, sendo a um número real.
( ) 2
2
2
2tgxtg 2x
1 tg x
senx2
cosxtg2x=
senx1
cosx
3
5
42.
5tg2x=
3
5
41
5
=
-
-
-
( ) 2
2
2
2tgxtg 2x
1 tg x
senx2
cosxtg2x=
senx1
cosx
3
5
42.
5tg2x=
3
5
41
5
=
-
-
-
2 2
4 3cos2x
5 5
16 9cos2x
25 25
7cos2x
25
= -
= -
=
160
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
Arco metade de seno
E com isso
E assim,
+
=±
1 coscos
2 2
a a
= -
= - -
= -
2 2
2 2
2
a aComo cos 1 sen
2 2
Temos
a acos a 1 sen sen
2 2
acos a 1 2sen
2
= -2 2
a aSabemos que cos a cos sen .
2 2
-
=±
1 cossen
2 2
a a
= -
= - -
2 2
2 2
a aComo sen 1 cos
2 2
a acosa cos 1 cos
2 2
= -2
acosa 2 cos 1
2
2 2
a acosa = cos
2 2
a acosa = cos - sen
2 2
+
Arco metade de cosseno
Sabendo que a = a
2
+ a
2
, podemos escrever:
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
161
Arco metade da tangente
Sabemos que:
Portanto, podemos escrever:
=
-
±
=
+
±
asen a 2tg
a2 cos
2
1 cosa
senxtgx =
c
a 2tg
2 1 c
osx
osa
2
-
= ±
+
a 1 cosatg
2 1 cosa
Podemos obter o arco metade de senos e cossenos sem ter que memorizar
novas fórmulas. Basta usar adequadamente as fórmulas alternativas de cos 2a, lembrando que,
se 2a é o arco duplo de a, então a é o arco metade de 2a. O arco metade de tangentes é obtido
a partir da própria fórmula da tangente.
ATENCAO
Exemplo:
Dado
3cos 30
2
° = , encontre os valores de:
a) sen 15°
Resolução:
162
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
Portanto, o valor do sen de 15° é 2 3
2
- .
b) cos 15°
a 1 cos asen
2 2
-
= ±
31
2sen 15
2
2 3 1sen15° = .
2 2
2 3sen15° =
4
-
° =
-
-
2 3sen 15
2
-
° =
30 1 cos 30sen
2 2
° - °
=
Resolução:
Desta maneira, o valor do cosseno de 15° é 2 3
2
+ .
a 1 cos acos
2 2
+
= ±
30 1 cos 30cos
2 2
° + °
=
31
2cos 15
2
+
° =
2 3cos 15
2
+
° =
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
163
c) tg 15°
Resolução:
30 1 cos30°tg
2 1 cos 30°
° -
=
+
1
2tg 15
1
3
3
2
-
° =
+2 3
2tg 15
2 3
2
-
° =
+
2 3tg 15 = .
2 3
-
°
+
a 1 cosatg
2 1 cosa
-
= ±
+
Assim, o valor da tangente de 15° é
2 3 .
2 3
-
+
4 FÓRMULA DA TRANSFORMAÇÃO EM PRODUTO
Fazendo algumas transformações de somas e diferenças de funções
trigonométricas, podemos escrevê-las em forma de produto, isso é útil para poder
realizar simplificações na resolução de equações trigonométricas.
Já vimos que:
(I) sen (a + b) = sen a • cos b + sen b • cos a
(II) sen (a – b) = sen a • cos b – sen b • cos a
(III) cos (a + b) = cos a • cos b – sen a • sen b
(IV) cos (a – b) = cos a • cos b + sen a • sen b
Se calcularmos (I) + (II), (I) – (II), (III) + (IV) e (III) – (IV) vamos obter as
fórmulas de Werner, que são:
164
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
sen (a + b) + sen (a – b) = 2 • sen a • cos b
sen (a + b) – sen (a – b) = 2 • cos a • sen b
cos (a + b) + cos (a – b) = 2 • cos a • cos b
cos (a + b) – cos (a – b) = - 2 • sen a • sen b
Se aceitarmos que a + b = x e a – b = y, podemos resolver o sistema:
a + b = x x + y x - y a= e b=
a - b = y 2 2
⇒
Substituindo esses valores nas fórmulas de Werner, encontramos as
fórmulas de transformação em produto, ou prostaférese, no quadro a seguir:
FONTE: A autora
QUADRO 30 – FÓRMULAS DE TRANSFORMAÇÃO EM PRODUTO, OU
PROSTAFÉRESE
x y x ysenx seny 2.sen .cos
2 2
x y x ysenx seny 2.cos . sen
2 2
x y x ycosx cos y 2 .cos . cos
2 2
x y x ycosx cos y 2 .sen . sen
2 2
+ -
+ =
+ -
- =
+ -
+ =
+ -
- = -
( )
sen y sen x .cos y sen y .cosxsen xtg x tg y
cosx cos y cosx .cos y
ou
sen x + y
tg x + tg y =
cosx . cosy
+
+ = + =
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
165
Exemplo:
Transforme em produto:
a) sen 60° + sen 30°
Resolução:
( )
sen y sen x .cos y sen y .cosxsen xtg x tg y
cosx cos y cosx .cos y
ou
sen x - y
tg - tg y =
cosx
E
y
,
. cos
-
- = - =
b) cos 70° – cos 10°
Resolução:
60 30 60 30 sen 60 sen 30 2 . sen .cos
2 2
sen 60 sen 30 2 . sen 45 . cos15
2 2 3sen 60 sen 30 2 . .
2 2
2 . 2 3sen60° + sen30° =
2
° + ° ° - °
° + ° =
° + ° = ° °
+
° + ° =
+
70 10 70 10 cos 70 cos 10 2 . sen . sen
2 2
cos 70 cos 10 2 . sen 40 . sen60
1cos 70 cos 10 2 . sen 40 .
2
cos 70 cos 10 sen 40
° + ° ° - °
° - ° = -
° - ° = - ° °
° - ° = - °
° - ° = - °
166
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
c) sen 3x – sen x
Resolução:
3x x 3x xsen 3x senx 2sen cos
2 2
sen3x senx = 2senx cos2x
- +
- =
-
5 MÉTODOS E TÉCNICAS DE ENSINO DE TRIGONOMETRIA
Poderíamos fazer outro Caderno de Estudos só discutindo este tema,
pois, como já foi visto na introdução da Unidade I, este conteúdo matemático é
utilizado em muitos outros campos, como na eletricidade, mecânica, acústica,
música, engenharia, arquitetura, medicina, eletrônica, navegação marítima e aérea,
cartografia, entre outros.
Este fato nos permite criar várias estratégias de ensino. Como exemplo,
apresento um plano de aula sobre as Razões Trigonométricas no Triângulo
Retângulo, que tem a possibilidade de ser trabalhado tanto com a 8ª série (9º ano) do
Ensino Fundamental como com o 1º ano do Ensino Médio, de forma mais reduzida.
PLANO DE AULA
Assunto: Razões Trigonométricas no Triângulo Retângulo.
Conteúdo: Seno
Série: 8ª série ou 9º ano do Ensino Fundamental/1º ano do Ensino Médio.
Cronologia: 90 minutos (duas aulas).
Objetivos:
- compreender o que é seno;
- aplicar essa definição na resolução de exercícios e situações-problemas no
triângulo retângulo;
- encontrar o valor do seno de um ângulo, mediante o uso de uma tabela/
calculadora e vice-versa.
Recursos: Régua, compasso, transferidor, calculadora, tabela trigonométrica,
retroprojetor ou data-show, lousa e giz.
Metodologia:
Questionar quem já viu a construção de uma casa e, partindo da questão inicial,
abrir para outras questões:
• Por que a estrutura do telhado é triangular? (“conforto ambiental”: absorção
da energia solar minimiza a ação da chuva, do vento, dos raios solares).
• Como o carpinteiro sabe qual deve ser a inclinação do telhado?
• A inclinação do telhado depende do tipo de telha?
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
167
A seguir temos os tipos mais comuns. As informações foram retiradas
de um encarte especial da revista Arquitetura & Construção (reproduzir em
retroprojetor ou data-show).
FIGURA 5 – EXEMPLOS DE TELHAS E SUAS INCLINAÇÕES
FONTE: TELHADOS sem segredos. Arquitetura & Construção, São Paulo, p. 28- 29, ago. 2002.
Encarte especial.
Observar com os alunos que aqui a inclinação é dada em porcentagem.
Na prática fica mais fácil para o pedreiro/carpinteiro, que usa o seguinte
critério:
Ex.: Na telha americana – 36%
36% de um metro, que significa utilizar para cada metro de largura 0,36
metro ou 36 centímetros de altura.
Alguns exemplos de telhados e suas inclinações:
168
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
FIGURA 6 – EXEMPLOS DE TELHADOS
FONTE: TELHADOS sem segredos. Arquitetura & Construção, São Paulo, p. 30, ago. 2002.
Encarte especial.
A partir disso, propor uma situação-problema que necessite da razão seno
para sua resolução.
Exemplo: Para construir uma casa com telhado tipo colonial, o carpinteiro
utiliza o seguinte critério: a cada metro linear ele sobe 25 centímetros. Sabendo
que a casa mede 6 metros de largura mais 40 centímetros de beiral em cada lado,
calcule a inclinação do telhado.
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
169
Criado o interesse do aluno, introduzir a definição da razão seno.
Consideremos a figura acima um triângulo retângulo ABC, no qual vamos
destacar a hipotenusa BC e os catetos AB e AC .
Se tomarmos como referência o ângulo B, podemos escrever:
- AC é o cateto oposto ao ângulo B
- AB é o cateto adjacente ao ângulo B
Agora, sobre um dos lados da rampa marcamos os pontos M e N e por
esses pontos traçamos perpendiculares sobre o outro lado.
Por semelhança de triângulos podemos notar que:
ΔBOM ~ ΔBPN ~ ΔBAC
Podemos, então, estabelecer as seguintes razões:
OM PN AC= = = k
MB NB BC
Essa constante k é chamada de seno do ângulo agudo B e representa a
razão entre a medida do cateto oposto ao ângulo B e a medida da hipotenusa em
qualquer triângulo retângulo.
170
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
Assim temos:
medida do cateto oposto ao ângulo BSen B =
medida da hipotenusa
∧
Voltando ao problema:
Vimos que para encontrar o ângulo de inclinação, precisamos da medida
do cateto oposto e a medida da hipotenusa. Como não temos essas informações,
precisamos encontrá-las.
A largura do telhado:
6 m + 2 • 40 cm ou
6 m + 2 • 0,40 m = 6 + 0,80 = 6,8 m
A altura do telhado:
1 metro linear – 25 centímetros de altura ou
1 metro linear – 0,25 metros de altura
Utilizando a regra de três, obtemos a altura do telhado.
A altura do telhado é o cateto oposto: AC = 1,7 metros
Para calcular o ângulo B, precisamos encontrar também a hipotenusa, que
podemos encontrar através do teorema de Pitágoras, já estudado.
2 2 2
BC = AB + AC
Um dos catetos será a altura e o outro a metade da largura do telhado
(3,4 metros):
1 0,25=
6,8 x
x = 6,8 . 0,25
x = 1,7
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS171
Então a hipotenusa mede aproximadamente 3,8 metros.
Agora aplicamos na razão antes demonstrada.
≅
2 2 2
2 3 2
2
2
BC = AB + AC
BC = 3,4 + 1,7
BC = 11,56 + 2,89
BC = 14,45
BC = 14,45
BC 3,8
Para encontrar o ângulo correspondente a essa razão recorremos às tabelas
trigonométricas (no quadro 8) ou a uma calculadora científica. Procuramos na
tabela o valor de seno encontrado e obtemos o ângulo de inclinação do telhado,
que nesse caso é de aproximadamente 27°.
Atividade:
Utilizando os conceitos que você acabou de aprender, encontre o grau de
inclinação dos telhados para os seguintes tipos de telhas:
a) Francesa, para uma casa de 9 metros de largura mais 50 centímetros de beiral.
b) Italiana, para um telhado de 8 metros de largura.
c) Romana, para um prédio de 15 metros de largura mais 0,5 metro de beiral.
d) Japonesa, para uma residência com 12 metros de largura mais 1 metro de beiral.
∧
∧
∧
≅
≅
ACsenB =
BC
1,7senB
3,8
sen B 0,45
172
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II
LEITURA COMPLEMENTAR
JEAN BAPTISTE JOSEPH FOURIER (1768-1830)
Matemático e físico francês que
desenvolveu trabalhos matemáticos, como a
teoria para calcular raízes irracionais das equações
algébricas que fora iniciada por Newton. Esse
e tantos outros trabalhos fizeram de Fourier um
matemático de destaque do século XIX.
Em 1822, Fourier lançou sua obra mais
notável, a Théorie Analytique de la Chaleur, cujos
estudos haviam sido iniciados em 1807. Em seu
livro, ele dedica toda uma seção à solução do
problema do desenvolvimento de uma função
qualquer em série de senos e cossenos de arcos
múltiplos. Generalizou o procedimento, partindo
de um caso específico para empregá-lo em qualquer caso.
Fourier deu um passo decisivo, ao usar indiferentemente os símbolos de
integração e o de somatória infinita, que conduziu às chamadas séries de Fourier.
Coube a Fourier o mérito de haver criado esse instrumento matemático,
de extraordinária fecundidade, com o qual as funções periódicas descontínuas
pudessem ser apresentadas através de funções contínuas.
FONTE: E-cálculo. Mapa da história: Gauss. Disponível em: <http://ecalculo.if.usp.br/historia/
fourier.htm>. Acesso em: 10 jul. 2010.
173
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico estudamos como podemos realizar transformações nas
funções trigonométricas, para poder simplificar os cálculos. São elas:
1) Adição e Subtração de Arcos:
• sen (a + b) = sen a • cos b + sen b • cos a
• sen (a – b) = sen a • cos b – sen b • cos a
• cos (a + b) = cos a • cos b – sen a • sen b
• cos (a – b) = cos a • cos b + sen a • sen b
• tg (a + b) =
tg a + tg b
1 - tg a . tg b
(obedecidas as condições de existência)
• tg (a – b) = tg a - tg b
1 + tg a . tg b
(obedecidas as condições de existência)
2) Fórmula de arco duplo:
• sen 2a = 2 sen a • cos a
• cos 2a = cos2 a – sen2 a
• tg 2ª
2
2 . tg a
1 tg a-
3) Fórmula do arco metade:
a 1 - cos asen = ±
2 2
a 1 + cos acos = ±
2 2
a 1 cos atg
2 1 cos a
-
= ±
+
•
•
•
174
4) Fórmula da transformação em produto:
x + y x - ysenx + seny = 2 . sen . cos
2 2
x + y x - ysenx - seny = 2 . cos . sen
2 2
x + y x - ycosx + cosy = 2 . cos . cos
2 2
x + y x - ycosx - cosy = - 2 . sen . sen
2 2
( )
( )
sen x + y
tgx + tgy =
cosx . cosy
sen x - y
tg - tg y =
cosx . cosy
•
•
•
•
•
•
175
Prezado(a) acadêmico(a)! Agora chegou a sua vez de colocar em prática os
conceitos e definições estudadas neste tópico.
1 Utilizando as fórmulas de adição ou subtração de arcos, calcule:
a) sen 135°
b) cos 15°
c) tg 75°
d) cos 225°
e) sen 195°
f) tg 105°
2 Sabendo que cos x = 1
5
e x є 1º quadrante, calcule:
a) sen 2x
b) cos 2x
c) tg 2x
3 Sabendo que senx = 4-
5
e x є 3º quadrante, determine:
a) sen 2x
b) cos 2x
c) tg 2x
4 Dado cos a =
1
2
, com 0 < a <
π_
2 , calcule cos
a_
5.
5 Sabendo que sen a =
1
2
, com 0 < a <
π_
2 , determine sen
1_
2.
6 Transforme em produto:
a) sen 90° + sen 30°
b) sen 80° – sen 40°
c) cos 35° – cos 25°
d) 1 + cos 40°
AUTOATIVIDADE