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Tonotopia se refere à área de percepção auditiva do sistema de audição. É o processo de vibrações mecânicas de sons que são convertidas e seus sinais são transmitidos para o cérebro através de nervo auditivo. Tudo isso é feito na cóclea, sendo realizado por células sensoriais especializadas (ciliadas) que estão dentro desta. Tais células são postas de acordo com a intensidade e frequência. Numa audição normalizada os tons de alta frequência estimulam as fibras nervosas da base da cóclea, enquanto que tons de baixa frequência estimulam fibras nervosas do ápice ou região superior coclear. A respeito desse assunto é importante destacar dois temas: a percepção de altura de um som e de intensidade de um som. Segundo a convenção de 1960 da American Nacional Standards Institute, a altura de um som é definida por "o atributo da sensação auditiva em termos da qual os sons podem ser ordenados em uma escala de baixo até alto". A altura do som está, de certa forma, ligada às características físicas do estímulo e é de quantidade subjetiva, sendo que para tons puros a altura é interligada com a frequência de componentes do som, além de também depender do nível de pressão do som, enquanto que para tons complexos a altura soma-se à duração e dependência do timbre de som. Fisiologicamente falando, a altura do som é determinada através do processo de um fenômeno de ressonância ocorrido na cóclea que permite a vibração a partir de fibras sonoras em seções diferentes da membrana basilar. Portanto sons de alta frequência adentram pela janela oval e sua propagação faz-se apenas num pequeno trecho da membrana basilar, antes que um ponto de ressonância seja alcançado. Então a membrana move-se nesse ponto, enquanto o movimento de vibração é mínimo por toda a membrana. Quando uma frequência média sonora penetra na janela oval, a onda propaga-se numa maior extensão ao longo da membrana basilar antes da área de ressonância ser atingida. A partir disso uma baixa frequência sonora propaga-se ao longo de quase toda a membrana antes de atingir seu ponto de ressonância. Dessa forma, quando as células ciliares próximas à base da cóclea são estimuladas, o cérebro interpreta o som como sendo de alta frequência, quando as células da porção média da cóclea são estimuladas, o cérebro interpreta o som como de altura intermediária, e a estimulação da porção superior da cóclea é interpretada como som grave. Representação da influência de frequência de som na cóclea e as diferentes percepções: Fonte: https://goo.gl/KMpKuq , acesso em 21/04/2018 às 17:18. Ao referir-se à intensidade de recepção de som, é necessário que se frise que este é determinado a partir do estímulo e intensidade de movimento de fibras basilares. A intensidade das células ciliares é mensurada a partir do deslocamento para frente e par trás, considerando que são estimuladas e é maior o número de estímulos que são transmitidos ao cérebro para justificar o grau de intensidade. Um exemplo é que se uma única célula ciliar próxima à base da cóclea transmite um estímulo por segundo, a altura desse som será vista como um som de origem aguda, de intensidade quase nula. Porém, se essa mesma célula for estimulada em uma base de 1.000 por segundo, a altura não se alterará, ainda sendo vista como aguda, porém sua intensidade será extrema e a potência do som será aumentada devido à intensidade dos movimentos de fibras basilares. A alucinação auditiva ou paracusia em que há a percepção de sons sem estímulos auditivos. Podem estar relacionadas com transtornos psíquicos como esquizofrenia, psicose e transtorno bipolar, porém há casos de pacientes sem transtornos dessa natureza que também apresentam episódios de alucinação auditiva. Muitos indivíduos que partilham desse tipo de experiência relatam que escutam inúmeras vozes e alguns inclusive chegam a desenvolver problemas físicos em seus organismos. Alucinações podem também estar relacionadas ao uso de drogas, falta de sono, desordem neurológica e delirium tremens que é relacionada a psicose relacionada com a parada de uso de medicamentos e drogas. Existem três tipos de experiências com audições alucinógenas: os indivíduos que ouvem uma voz que fala seus próprios pensamentos, o que escuta uma espécie de narração de suas ações e os que chegam a ouvir até uma discussão. As principais diferenças entre um paciente com alucinose auditiva (sem transtorno mental) e paciente com esquizofrenia, por exemplo, é a crítica que compreende que o som vem de si mesmo, a presença ou não de depressão associada e a tendência a perda auditiva, presente no primeiro caso e que pode ser tratado com otorrinolaringologista e psicólogo, ao contrário do segundo caso em que o indivíduo mostra falta de crítica, pois corresponde as ordens das vozes, não apresenta precisamente perda auditiva e possui depressão psicótica, sendo atendido por psiquiatra. CASO CLÍNICO Paciente de 75 anos, sexo feminino, casada, dois filhos, aposentada, sedentária, sem histórico de diabetes, HPA na família, fez tratamento para câncer de mama que está em regressão há 5 anos. Sofre de surdez nervosa progressiva há 16 anos, com perda auditiva bilateral. Há cinco meses sua audição se deteriorou e o uso de equipamentos se tornou ineficaz, recorrendo à leitura labial para facilitar a comunicação. Após consulta com otorrinolaringologista apresentou melhora após prescrição e uso de prednisona. Relata que há cerca de três meses iniciou quadro de alucinação auditiva, especificamente em momentos de descanso. Após consulta com otorrinolaringologista que receitou a diminuição do nível de prednisona e a encaminhou para o Neurologista que receitou Valium que também não evoluiu em melhora dos sintomas. EEG e RM normais. Nega insônia, febre e cefaleia, sem perda ponderal. Diagnóstico: após exames constatou-se “alucinação de liberação”, ou seja, o cérebro que tivera a entrada de dados externo usuais privada começara a gerar atividade espontânea própria numa tentativa de manter essa área ainda ativa. Tratamento: após pesquisas anteriores, houve a tentativa de tratamento através de cirurgia de implante coclear que amenizou de forma considerável as alucinações e conduziu melhora na qualidade de vida da paciente. Referências https://goo.gl/g3RWES https://goo.gl/78LGPv https://goo.gl/z3Myeh https://goo.gl/GRUSvr file:///C:/Users/Karen%20Tatiana/Downloads/Alucinacoes%20musicais%20-%20Relatos%20-%20Oliver%20Sacks.pdf