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Atos jurídicos internacionais

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ATOS JURÍDICOS INTERNACIONAIS
CEAP - Direito Internacional Público
Prof.ª Luciana Melo
Especialista em Direito Público
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QUE SÃO ATOS INTERNACIONAIS?
Conceito - art. 2º da Convenção de Viena:
“É um acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional, quer conste de um instrumento único, quer de dois ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua denominação específica”
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Elementos do Ato Jurídico Internacional:
Capacidade do autor
Imputação do ato realizado por um órgão ao próprio sujeito do DIP
Manifestação de vontade
Objeto lícito
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Classificação:
Atos Unilaterais - Emana de uma única manifestação de vontade. Pode emanar de um órgão coletivo.
Atos convencionais - Há o encontro de vontades emanando de vários sujeitos de Direito, aplicável apenas a quem participou da elaboração.
Atos mistos - convenções que criam obrigação a terceiros (p/ os 3s. São unilaterais)
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Atos unilaterais
Os atos unilaterais são praticados por uma só pessoa, por uma só parte. Constituem declaração de vontade de um só Estado, criando para ele obrigações; geram, contudo, direitos para outras pessoas.
Exemplo é a concessão de asilo político concedido pelo governo brasileiro ao destituído presidente do Paraguai. 
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Atos unilaterais
Corresponde o ato unilateral ao que, no plano interno, é chamado de “declaração unilateral de vontade”, porém produz efeitos perante outros Estados. São os mais comuns: reconhecimento, protesto, notificação e renúncia.
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RECONHECIMENTO
O “reconhecimento” é o ato pelo qual um Estado acata o direito de outro Estado; atende a um pedido deste. É o que aconteceu recentemente quando o Brasil reconheceu como legítimo o novo governo argentino, resultando da eleição de sua presidenta. A Argentina comunicou a posse da presidenta e pediu seu reconhecimento, sento atendida.
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PROTESTO
O “protesto” é ato de sentido oposto ao do reconhecimento. Pelo protesto, um governo nega o direito ou a pretensão de outro. Manifesta sua não-concordância com o ato praticado por outro Estado. Foi o que aconteceu quando a Argentina invadiu as Ilhas Malvinas. A Inglaterra lavrou seu protesto, alegando sua soberania sobre aquelas ilhas.
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NOTIFICAÇÃO
A “notificação” é a manifestação expressa e formal da vontade de um Estado; é um tipo de comunicação oficial. Pela notificação, um Estado emite sua opinião a respeito de problema ou ato de outro Estado.
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RENUNCIA
A “renúncia” é o ato pelo qual um Estado abre mão de um direito.
Vamos citar alguns exemplos. Um país que deseje entrar em guerra contra outro, deverá fazer-lhe uma notificação, chamada “declaração de guerra”. Deve também fazer outra notificação, chamada “ruptura de relações diplomáticas”. Outro exemplo pode ser indicado: se um país tomar conta de um território abandonado, uma res nullius, deverá dar notificação a todos os demais países. É também considerado ato jurídico o silêncio. Assim, se um país ocupa um território abandonado, notifica outros países e estes não protestam, interpreta-se como aprovado o ato. Aplica-se também no plano internacional o princípio do direito romano em vigor no plano nacional: qui tacet cum loqui potuit e debuit consentire videtur = quem cala quando deve e pode falar, parece consentir.
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OBS: COSTUME
Os atos unilaterais praticados de forma continuada constituem o costume. Este aspecto é mais importante no plano internacional. No plano nacional, o costume é uma das fontes do direito, reconhecido na doutrina e pelo artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil. Carece, porém, de menor importância no plano nacional, pois o direito interno é essencialmente legislado. No direito internacional, todavia, o costume é fonte primacial de direito, formando o direito consuetudinário.
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Atos emanados de Organizações Internacionais
Um dos fatores que revolucionaram o Direito Internacional moderno foi a proliferação de organizações internacionais, entre as quais realça-se a ONU. Diversas outras organizações já existiam antes da ONU, mas, por serem regionais ou especializadas, não tinham grande expressão. Paulatinamente, porém, foram se avultando na sociedade internacional. Algumas organizações têm poderes legislativos: elaboram normas a serem seguidas pelos países. Os Estados-membros delegam a elas alguma parcela de seu poder individual, a fim de que sejam tutelados os interesses coletivos. Outras exercem controle sobre as atividades dos Estados, fazem mediação entre eles, atuando com funções judiciárias. Outras ainda desenvolvem funções políticas ou tecnológicas, enquanto outras, funções econômicas ou mercantis, como é o caso da OPEP, que constitui verdadeiro cartel do petróleo.
Exemplo sugestivo é o que ocorre na aviação comercial. Foram criadas duas organizações supervisoras do transporte aéreo internacional: o ICAO (International Civil Aviation Organization) e a IATA (International Air Traffic Association). O ICAO é um órgão oficial, constituído de países que tenham empresas de aviação comercial; suas decisões impõem-se aos países-membros, independentemente de ratificação por eles. A IATA é formada por empresas de aviação, sendo, pois, um órgão de Direito Internacional Privado, mas suas normas devem ser seguidas pelas empresas de aviação de todos os países.
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Atos emanados de Organizações Internacionais
O Estatuto da Corte Internacional de Justiça não inclui os atos emanados das organizações internacionais como fonte de direito, posto que só nos últimos anos eles se realçaram. Hoje, entretanto, a própria CIJ constitui-se em importante organização internacional, cujas decisões impõem-se e exercem profunda influência no mundo inteiro, obrigando países, já que é um órgão da ONU. A Câmara de Comércio Internacional – CCI, sediada em Paris, elabora normas que regulamentam operações econômicas a que se submetem os países, como por exemplo, os INCOTERMS e os Créditos Documentários.
Os atos praticados por essas organizações formaram então o elenco de atos internacionais, junto com os atos unilaterais e os tratados. Distinguem-se dos atos unilaterais, porquanto suas decisões independem de ratificação pelos Estados; os atos são votados pelos Estados, mas não assinados por eles. Os atos emanados de organizações internacionais apresentam dois tipos principais: regulamento interno e resoluções. O regulamento interno é o estatuto básico da organização e funcionamento de uma organização internacional, define seus poderes, sua estrutura, as condições para ingresso nela, os objetivos e modos de ação. Concerne, portanto, ao funcionamento interno da organização internacional.
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Atos emanados de Organizações Internacionais
As resoluções são medidas tomadas pela organização internacional com efeitos sobre os países-membros, que se obrigaram a aceitá-las desde o momento em que nela ingressaram. Como sugestivo modelo, podem ser citadas as resoluções do Conselho de Segurança ou da Assembléia-Geral da ONU, que produzem efeitos em todo o mundo. Há três tipos primordiais de resoluções, baseados no sistema de sanção e força obrigante: decisões, diretivas e recomendações. As decisões são dotadas de força obrigante e de sanções previstas na própria decisão. É o caso das decisões do Conselho de Segurança da ONU, segundo o artigo 42 da Carta das Nações Unidas. As diretivas são resoluções providas de força obrigante, mas deixam aos Estados-membros a faculdade de adotar os modos necessários à aplicação das decisões. Como exemplo, podemos fazer referência ás diretivas adotadas pela União Europeia, previstas no artigo 184 do Tratado de Roma, de 1957. Este foi o tratado que criou a União Europeia. As “recomendações” não têm força obrigante nem preveem sanções, no caso de não serem observadas; tem o caráter de aconselhamento, de orientação. Muitas vezes, porém, produzem efeitos sobre os Estados-membros, posto que as recomendações visam ao interesse coletivo da comunidade internacional.