psicodrama e dinamica de grupo
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psicodrama e dinamica de grupo


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CYBELE M. R. RAMALHO 
 
 
 
 
PSICODRAMA 
E 
DINÂMICA DE GRUPO 
 
 
 
 
 
Aracaju \u2013 2010. 
 
 
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ÍNDICE 
 
 
APRESENTAÇÃO 
CAPÍTULO I: 
O que é dinâmica de grupo? 
CAPÍTULO II: 
O que é o psicodrama? 
CAPÍTULO III: 
A saúde das relações e o psicodrama 
CAPÍTULO IV: 
A dinâmica de grupo psicodramática. 
CAPÍTULO V: 
A dinâmica de grupo psicodramática aplicada à educação. 
CAPÍTULO VI: 
Considerações finais. 
 
 
 
 
 
 
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Aos meus alunos, 
queridos co-criadores deste livro, 
que não me deixam perder a inspiração... 
 
 
 
 
 
 
 
 
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APRESENTAÇÃO 
 
 J. L. Moreno, criador do psicodrama, afirmou que no princípio era o grupo, no fim, o 
indivíduo. Aprender a conviver em grupos talvez seja uma das maiores questão do novo milênio, 
pois não estamos mais na era da individualidade e sim na era da grupalidade. Na década de 1960 
definitivamente ingressamos na era dos grupos, com a explosão de sentimentos de solidariedade, 
da vivência em comunidade, coincidindo com o apogeu do movimento humanista (FONSÊCA, 
1999). Mas, na pós-modernidade, na atual crise de paradigmas, estamos vivendo uma 
revitalização de tais valores com o crescente interesse pelas abordagens de grupo. O paradigma 
emergente, por sua vez, valoriza o princípio da causalidade complexa, do pensamento dialógico, 
da autonomia, da integração e da não-dicotomização, da singularização, da diversidade, da 
renovação dos saberes. Todavia, o trabalho da condução profissional de grupos continua sendo 
um grande desafio. 
 A contemporaneidade tem exigido que, cada dia mais o coordenador de grupos procure 
novos recursos para aprimorar a sua metodologia de trabalho, suas atitudes e posturas. É exigido 
deste profissional flexibilidade para mudanças, papel ativo como agente transformador da 
realidade social, abertura a novos saberes, num exercício constante da ética e da busca da 
autonomia dos sujeitos. 
 Este livro tem por objetivo apresentar a modalidade socio-psicodramática de trabalho com 
dinâmica de grupo, do ponto de vista teórico e prático. A princípio, apresento um capítulo onde 
faço uma revisão dos principais conceitos e teóricos da dinâmica de grupo, aqueles que, de 
algum modo, considero que se aproximam de J. L. Moreno, criador do Psicodrama, que são Kurt 
Lewin, Carl Rogers, Max Pagès e Pichon-Rivière. 
 Num segundo capítulo, apresento um resumo da amplitude da obra socionômica de 
Moreno, incluindo desde a sua biografia aos fundamentos filosóficos de sua obra, passando pelos 
seus principais conceitos, pela construção do seu método e principais técnicas. Apresento no 
capítulo III como a abordagem moreniana compreende a saúdes das relações, como o sócio-
psicodrama atualmente vem ampliando seu campo de atuação num foco clínico ampliado, indo 
além, inclusive na defesa dos direitos humanos. 
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 Isto se faz necessário para discorrer, no capítulo seguinte, sobre o tema principal deste 
livro, que é a dinâmica de grupo de base socio-psicodramática, em seus aspectos metodológicos 
e técnicos. Neste capítulo, apresento, em especial, as etapas de desenvolvimento dos grupos 
segundo J. L. Moreno e alguns psicodramatistas brasileiros, assim como a teoria de jogos 
dramáticos. Finalizamos este capítulo, a título de ilustração, presenteando o leitor com uma série 
de jogos aplicáveis nesta abordagem. 
 O capítulo seguinte do livro vai discorrer sobre como se desenvolve a prática do 
psicodrama pedagógico em sala de aula. Depois de apresentar os princípios filosóficos, o método 
e as técnicas do psicodrama aplicado á educação, introduzo uma pesquisa realizada em sala de 
aula e o relato de uma experiência nesta abordagem, com um grupo vivencial de dinâmica de 
grupo, onde atuo como professora na Universidade Federal de Sergipe, no curso de psicologia. 
 Finalmente, no último capítulo, encerro este livro apresentando uma proposta que 
desenvolvi de laboratórios de dinâmica de grupo, proposta esta que pode ser utilizada no foco 
clínico e no sócio educacional, dando ênfase ao trabalho com jogos e jogos dramáticos. Como 
toda proposta, deve ser adaptada á realidade do grupo ou ao contexto onde poderá ser aplicada. 
 Enfim, este livro pode ser útil ao estudante ou ao profissional de psicologia, serviço social, 
administração e pedagogia, que esteja buscando ampliar seus horizontes de atuação grupal, com 
objetivos psicoterápicos ou sócio-educativos diversos, inclusive no campo das organizações. 
Pode ser útil, enfim, para quem esteja interessado em conhecer melhor a metodologia socio-
psicodramática aplicada à dinâmica de grupo. Esperamos que o leitor possa apreender as 
diferenças fundamentais entre a abordagem sociopsicodramática de grupos e a dinâmica de 
grupo praticada em outras abordagens. 
 No entanto, este é apenas um livro introdutório. Para um coordenador, professor ou 
psicoterapeuta de grupos, no entanto, deixo claro que a formação do psicodramatista, seja no 
foco clínico, seja no sócio-educacional, requer um estudo apurado da teoria e da metodologia 
socionômicas, que extrapola os objetivos deste livro. Requer uma formação em entidades 
reconhecidas de pós-graduação, que inclua aprofundamento teórico e experiência prática 
supervisionada em trabalhos grupais, incluindo a psicoterapia de grupo. 
 Advertimos aqueles que buscam aplicar as técnicas psicodramáticas, que são bastante 
atraentes, para que não as utilize apenas como auxiliares de outras abordagens, sem uma 
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compreensão teórica coerente e do próprio psicodrama. Por estas e outras razões, este livro é um 
convite para que este estudo seja aqui iniciado e, posteriormente, mais aprofundado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO I 
 
O QUE É DINÂMICA DE GRUPO? 
 
 
 A expressão dinâmica de grupo apareceu pela primeira vez no contexto científico em 
1944, num artigo de Kurt Lewin, quando este publicou um estudo consagrado às relações entre a 
teoria e a prática na Psicologia Social. A dinâmica de grupo começou a se popularizar a partir da 
segunda guerra mundial, mas foi no final da década de 30 que suas pesquisas se iniciaram. Numa 
perspectiva histórica, a dinâmica de grupo surgiu como a convergência de determinadas 
tendências nas ciências sociais, quando se começou a investir no estudo de novas tecnologias 
para a solução de problemas sociais, que tentavam codificar processos e definir princípios gerais 
para lidar com pequenos grupos. 
 O objetivo do estudo da dinâmica de grupo, que é um ramo da psicologia social, consiste 
em estudar a natureza (ou estrutura) dos pequenos grupos; a dinâmica da vida grupal e o seu 
funcionamento, assim como o seu processo de desenvolvimento, fenômenos e princípios que lhe 
regem, as forças psicológicas e sociais que lhe influenciam (como por exemplo, forças de 
atração, rejeição, coesão, a liderança, a resistência à mudança, a interdependência, etc.). 
 Segundo o criador do termo \u201cdinâmica de grupo\u201d e seu principal pesquisador, Kurt Lewin 
(1890-1947), a preocupação central com o estudo dos pequenos grupos em suas dimensões mais 
concretas e existenciais, é atingir a autenticidade nas suas relações, a criatividade e a 
funcionalidade nos seus objetivos; para isto, é importante descobrir que estruturas são mais 
favoráveis, que clima de grupo permite isto, que tipo de liderança é mais eficaz, que técnicas são 
mais funcionais e facilitadoras, como se