A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
278 pág.
Direito Penal. Parte Geral. Prof. Gabriel Habib. 2018

Pré-visualização | Página 13 de 50

do crime é tanto o local da conduta 
quanto o local do resultado. Também é chamada de Teoria Mista, esta foi a 
teoria adotada pelo art. 6º CP. 
 
Não haverá dupla punição, mas os dois locais são considerados como local do crime. 
 
Territorialidade e Extraterritorialidade da Lei Penal 
A territorialidade trata da aplicação da lei penal às infrações praticadas no território 
nacional. 
A extraterritorialidade é a aplicação da lei penal aos crimes cometidos fora do 
território nacional. 
Tais conceitos estão intimamente ligados à soberania do Estado. Em virtude da 
soberania do Brasil, a lei brasileira vigora em todo o território brasileiro 
(territorialidade), mas em alguns casos o Estado permite que se aplique a lei de outro 
país mesmo aqui dentro, ou então aplica a sua própria lei fora do território nacional. 
 
 
 
 
37 
DIREITO PENAL | Teoria da Norma, Teoria do Crime e Teoria da Pena 
Art. 5º CP – territorialidade. 
Não é só a lei brasileira que se aplica no território nacional, havendo possibilidade de 
aplicação da lei estrangeira. Por isso, o p. da territorialidade não é absoluto. Existem TI 
e convenções que regulamentam a aplicação da lei estrangeira no Brasil. Falamos então 
em p. da territorialidade temperada ou matizada. 
Território nacional = superfície terrestre + águas territoriais + espaço aéreo correspondente 
 
O mar territorial faz parte do território brasileiro. Constitui-se numa faixa ao longo da 
costa, incluindo respectivo leito e subsolo que formam a plataforma continental, até 12 
milhas marítimas a partir do litoral brasileiro. 
Além disso, existe uma extensão do território nacional (art. 5º, §§1º e 2º, CP): 
 
- embarcações e aeronaves brasileiras 
 -> pública 
 -> a serviço do Governo brasileiro 
 
- embarcações e aeronaves estrangeiras 
 -> privada em pouso no território nacional 
 -> privada em voo no ar correspondente 
 -> em porto ou mar territorial do Brasil 
 
Podemos aplicar a lei brasileira a crimes cometidos fora do território brasileiro. É a 
extraterritorialidade (art. 7º), que pode ser condicionada ou incondicionada. 
Princípios ou subprincípios da extraterritorialidade: 
I. Princípio da personalidade ativa (art. 7º, II, b, CP) -> aplica-se a lei 
brasileira ao crime cometido fora do território brasileiro quando o autor do 
crime for brasileiro. A lei brasileira pode ser aplicada, mas a concreta 
aplicação depende muito de tratados e convenções internacionais, por 
envolver soberania. 
 
II. Princípio da personalidade passiva (art. 7º, §3º) -> a vítima do crime é 
brasileira. 
 
 
 
38 
DIREITO PENAL | Teoria da Norma, Teoria do Crime e Teoria da Pena 
 
III. Princípio da defesa ou real -> a lei brasileira pode ser aplicada ao crime 
cometido fora do território brasileiro quando o bem jurídico tutelado for 
tutelado também pelo Direito brasileiro. Ex.: falsificação de reais, praticada 
no exterior. Não tem previsão no CP, sendo meramente doutrinário. 
 
IV. Princípio da Justiça Universal ou Cosmopolita (art. 7º, II, a, CP) -> 
aplica-se a lei brasileira ao crime cometido fora do território brasileiro 
quando o Brasil se obrigou a reprimir tal conduta criminosa por meio de 
tratados internacionais. São crimes que o Brasil se obrigou a reprimir o 
tráfico de drogas, tortura, racismo, pedofilia, terrorismo, lavagem de 
dinheiro, tráfico de pessoas, violência doméstica e familiar contra a mulher. 
 
V. Princípio da representação (art. 7º, II, c, CP) -> crimes praticados em 
aeronaves ou embarcações brasileiras privadas quando em território 
estrangeiro e lá não sejam julgadas. 
Art. 8º -> prevê a detração: a pena cumprida no estrangeiro deve ser computada na pena 
a ser cumprida no Brasil. 
 
Pt. 02 
Aplicação da Lei Penal em Relação a Pessoas 
Imunidades Parlamentares 
Origem: a imunidade não é parlamentar, mas do Parlamento. A origem histórica 
remonta à Inglaterra, onde vigorava a teoria do direito divido, pela qual o rei seria 
escolhido por Deus. Por isso, ele só responderia perante Deus, não tendo 
responsabilidade pelos atos praticados na Terra. 
O rei tinha, portanto, ausência total de responsabilidade pelos atos que praticava. Um 
dia, o Parlamento se viu insatisfeito e resolveu criar um mecanismo de proteção contra o 
rei, então criaram a imunidade do Parlamento para não mais ser responsabilizado 
perante o rei. 
 
Art. 53 CF 
São 05 imunidades parlamentares, destinadas ao Parlamentar federal. 
 
 
 
 
39 
DIREITO PENAL | Teoria da Norma, Teoria do Crime e Teoria da Pena 
Parlamentar Federal 
1. Material 
2. Processual 
3. Prisional 
4. De testemunho 
5. De foro (foro especial por prerrogativa de função) 
 
Imunidade Material 
Art. 53, caput, CF -> deputados e senadores são invioláveis civil e penalmente por 
quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. 
Essa imunidade está ligada ao exercício da função de parlamentar, que é exercida 
predominantemente por meio de opiniões, palavras e votos. O parlamentar, enfim, 
decide a vida legislativa do país e não pode estar preocupado em emitir opinião sobre 
projeto de lei e com isso desagradar A ou B. 
O parlamentar pratica crimes em geral, mas não pratica crimes de opiniões, palavras e 
votos, que em suma são os crimes contra a honra (calúnia, injúria e difamação). 
Essa imunidade abrange os votos escritos e relatórios. 
 
Natureza jurídica: há controvérsia e 08 correntes disputam esse tema em doutrina: 
1. Causa excludente de crime -> Nelson Hungria e Francisco Cavalcante Pontes de 
Miranda. 
2. Causa que se opõe à formação do crime –> Basileu Garcia 
3. Causa pessoal de exclusão de pena -> Fragoso 
4. Causa funcional de exclusão ou de isenção de pena -> Damásio 
5. Causa de exclusão da criminalidade -> Vicente Sabino Jr. 
6. Causa de irresponsabilidade -> Magalhães Noronha 
7. Causa de incapacidade penal por razões políticas -> José Frederico Marques 
8. Majoritária + STF -> causa de exclusão da tipicidade formal 
 
Não há limitação territorial para a imunidade material. O deputado federal eleito no RJ, 
se estiver fazendo comício no Rio Grande do Norte, continua tendo imunidade. 
 
A opinião, palavra ou voto precisa ter conexão com a função exercida. Isto é, precisa 
estar intimamente ligada à função de parlamentar. 
 
 
 
40 
DIREITO PENAL | Teoria da Norma, Teoria do Crime e Teoria da Pena 
Informativo 763 STF 
PRIMEIRA TURMA 
Imunidade material de parlamentar: calúnia e publicação em blogue 
A imunidade material de parlamentar (CF, art. 53, “caput”), quanto a crimes contra a honra, alcança as 
supostas ofensas irrogadas fora do Parlamento, quando guardarem conexão com o exercício da atividade 
parlamentar. Com base nessa orientação, a 1ª Turma, por maioria, recebeu denúncia oferecida contra 
deputado federal pela suposta prática do crime de calúnia (CP, art. 138). Na espécie, o investigado, em 
blogue pessoal, imputara a delegado de polícia o fato de ter arquivado investigações sob sua condução 
para atender a interesses políticos de seus aliados — conduta definida como crime de corrupção passiva 
e/ou prevaricação. A Turma consignou que as afirmações expressas no blogue do investigado não se 
inseririam no exercício de sua atividade parlamentar e não guardariam liame com ela. Concluiu, pois, que 
a imunidade material não seria aplicável ao caso concreto. Vencido o Ministro Dias Toffoli, que rejeitava 
a denúncia por considerar a conduta atípica. Aduzia que a crítica mais dura e ríspida faria parte da 
atividade de fiscalização parlamentar. Ressaltava que o fato de a crítica ter sido feita em um blogue em 
nada retiraria a sua qualidade de atividade fiscalizatória. 
Inq 3672/RJ, rel. Min. Rosa Weber, 14.10.2014. (Inq-3672) 
 
Imunidade Processual 
Art. 53, § 3º