Nutrição Animal 2
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Nutrição Animal 2 
 
1. Água, Consumo Voluntário e Partição de Energia 
 
a) Água 
Tendo em vista a grande variedade de suas funções e a magnitude de seus requisitos, a água pode 
ser considerada o nutriente essencial mais importante para os animais. A água é o maior constituinte 
do corpo, e a manutenção estável de sua quantidade é rigidamente controlada nos mamíferos e 
aves. 
 
\u201cÁgua de má qualidade acarreta prejuízos maiores que rações nutricionalmente deficientes\u201d. 
 
 
 
\ufffd Importância da água 
A vida no planeta, considerando tanto plantas como animais, é dependente da regulação de troca de 
água entre os compartimentos intracelular e extracelular. 
As biomoléculas orgânicas e inorgânicas dos organismos vivos só podem reagir em meio aquoso. 
Assim, a água é uma molécula essencial à vida que tem a capacidade de solubilizar e modificar as 
propriedades das biomoléculas tais como as proteínas, ácidos nucléicos e carboidratos através da 
formação de ligações de hidrogênio com os grupos polares dessas moléculas. Essas interações em 
solução modificam as conformações e propriedades dessas biomoléculas. 
A água está diretamente relacionada com as seguintes funções essenciais da vida animal: 
 
\u2022 Regulação da temperatura corporal 
\u2022 Transporte de nutrientes e metabólitos 
\u2022 Digestão e metabolismo de nutrientes 
\u2022 Diluente (Veículo de excreção uréia, ácido úrico) 
\u2022 Homeostase mineral 
\u2022 Meio para reações químicas (solvente) 
\u2022 Faz parte das reações químicas (Hidrólise de proteína, gordura e carboidratos) 
 
\ufffd Distribuição da água corpórea 
A água está distribuída no corpo animal de forma heterogênea, de maneira a manter o equilíbrio 
dinâmico entre os compartimentos do organismo. A água intracelular representa mais de 45% do 
peso vivo enquanto o conteúdo extracelular aproximadamente 20%. O funcionamento normal do 
organismo se faz à custa de perdas ininterruptas de água que devem ser repostas constantemente 
através da água de bebida principalmente. 
 
\ufffd Fontes de água 
Água livre (de bebida): é a principal fonte de água para os animais, devendo ser limpa e livre de 
contaminações. 
Água metabólica: refere-se à água formada durante o processo de oxidação dos H\u2082 contidas nas 
proteínas, carboidratos e gorduras a nível de metabolismo orgânico. As gorduras produzem maior 
quantidade de água metabólica do que os carboidratos e proteínas. No entanto, os carboidratos 
produzem maiores quantidades de água metabólica por Kcal de energia metabolizável (EM) 
produzida. Neste caso, em condições de privação de água, seria indicada a ingestão de carboidratos. 
Animais que hibernam metabolizam gorduras e carboidratos de reserva para o fornecimento de 
energia, e isto produz suficiente água metabólica para a sua mantença. 
Água coloidal: Representa a água presa nos alimentos. 
 
\ufffd Qualidade da água 
A água distribuída aos animais deve ser potável, ou seja, deve ser pura sob os aspectos físicos, 
químicos e microbiológicos; deve ser agradável ao gosto, límpida e não desprender odor. A 
temperatura aconselhável varia entre 5 e 18°C. 
A origem das águas, as condições nas quais ela circula, tais como a natureza dos terrenos, 
porosidade, fissuras, canalizações, reservatórios, bem como os locais onde ela é consumida têm 
muita influencia na qualidade da água. A água de bebida deve ser analisada sob os pontos de vista 
bacteriológico e químico. 
Os testes bacteriológicos são necessários somente se existe presença de nitritos ou se a 
concentração de amônia e cloreto de sódio são anormais. 
Quanto aos exames químicos, deve-se considerar dois aspectos: a presença de minerais tóxicos, tais 
como o flúor que está na dependência do solo onde a água se situa, assim como o arsênico e o 
chumbo que são provenientes de contaminações industriais; o outro aspecto diz respeito a 
mineralização da água que, se por um lado é benéfica, por outro pode induzir a distúrbios no caso de 
concentrações anormais. 
\u201cA análise de qualidade e limpeza periódica do bebedouro (remoção da matéria orgânica) \u2192 
prejuízos zootécnicos\u201d 
 
Critérios de Avaliação: 
\u2022 Físicos: cor, sabor, cheiro, turbidez e temperatura. 
\u2022 Químicos: pH, sólidos dissolvidos totais, dureza e elementos. 
\u2022 Bacteriológicos: nível de contaminação microbiana. 
 
\ufffd Mecanismo de sede 
Em conjunto com o hormônio antidiurético, a sede exerce um papel muito importante na 
homeostase da água. 
A sede tem sido definida como um desejo consciente de beber e deve ser distinguida do ato de 
beber em si, pois este pode ocorrer por outras razões que não a sede - tais como hábitos sociais e 
associação com as refeições. A função do mecanismo da sede é assegurar que a água seja reposta 
prontamente, quando ocorre uma deficiência. Outro aspecto de regulação da sede é o da saciedade. 
Ratos nefrectomizados, perfundidos com solução salina hipertônica, ingerem justamente a 
quantidade de água necessária para restaurar a osmolaridade plasmática a nível basal. Jumentos 
deprivados de água bebem o suficiente para recompor 7-20% do seu peso inicial, em apenas 5 
minutos, sem aparente dano a saúde (Nunes, 1998). 
 
\ufffd Relação Temperatura Ambiente X Ingestão de Água 
O aumento da temperatura ambiente leva a um incremento no consumo de água. As perdas de calor 
corporal pelos suínos e aves é um processo dificultoso, já que estes não possuem glândulas 
sudoríparas. Em clima quente há a necessidade de auxiliar a perda de calor destes animais através de 
ambientes adequados e água fresca. Com o aumento da temperatura estes animais podem dobrar o 
consumo de água. 
 
\ufffd Consumo 
Um homem adulto, sedentário, necessita de 1 cm³ de água para cada kcal de energia metabolizável 
ingerida. 
Isto pode ser estendido aos animais de todas as espécies domésticas, numa dieta de mantença. 
Tomando-se como média que 1g de matéria seca de alimento contém 4 kcal de energia 
metabolizável, pode-se estabelecer que um animal necessita quatro vezes mais água do que 
alimento, peso a peso (Nunes, 1998). 
Dos animais domésticos, a vaca leiteira é que mais sofre com uma privação de água, primariamente 
pela grande excreção no leite. O corpo contém, em média, de 55 a 65% de água. Em temperatura 
elevada recusam alimento a partir do quarto dia de privação e a perda de peso pode chegar a 16%. O 
aumento da temperatura ambiente eleva o consumo de água, sendo 27-30°C a faixa em que ocorre 
diferença marcante de consumo. O aumento da umidade ambiente reduz o consumo de água, 
porque reduz a evaporação corporal. 
Dietas com alto conteúdo de fibra não digerível promovem grandes perdas de água nas fezes, o que 
aumenta a ingestão de água (Nunes, 1998). 
 
\ufffd Necessidades de água dos animais 
Todas as espécies animais ingerem água para manter um nível constante de água corporal. A 
quantidade de água consumida pelos animais domésticos depende principalmente da temperatura 
do ambiente, peso vivo e da taxa de atividade metabólica do animal, ou seja, um bovino de corte 
consumirá um volume total de água muito maior do que um frango de corte durante um dia, mas se 
for feita uma medida relativa do consumo de água pelo peso, o frango de corte ingere mais água 
devido ao seu maior metabolismo. 
Outros fatores importantes que influenciam o consumo de água são: 
\u2022 a temperatura da água disponível para consumo, 
\u2022 consumo de alimento seco, 
\u2022 qualidade da água (pH, salinidade) e sua palatabilidade (CO\u2082), 
\u2022 ingredientes contidos na dieta, 
\u2022 umidade relativa do ar, 
\u2022 disponibilidade de bebedouros, 
\u2022 estado de saúde e nível de estresse. 
Usualmente os animais bebem mais água do que necessitam, podendo chegar ao exagero quando o 
alimento é escasso. Em situações