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GRANULOMATOSES NASAIS SESSÃO CLÍNICA OTORRINOLARINGOLOGIA HUAP – UFF JÚLIA R. MARCONDES DUTRA – RESIDENTE 2º ANO CONCEITO Doenças inflamatórias nasais crônicas específicas com formação de granulomas Granuloma: área focal de inflamação crônica - caracterizada por macrófagos trasformados em células semelhantes a células epiteliais, cercados por um colar de linfócitos CLASSIFICAÇÃO Infecciosa: Bacteriana Fúngica Parasitária Etiologia desconhecida Autoimune Induzida por trauma 4 MANIFESTAÇÕES Inespecíficas Queixas frequentes: Obstrução nasal Crostas Cacosmia Rinorreia mucosa sanguinolenta Exame físico: Mucosa hiperemiada e irregular Crostas Eventual perfuração septal Avaliação com detalhada história clínica e exame físico cuidadoso doenças em outras áreas GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS ACTINOMICOSE Infecção bacteriana subaguda, crônica Bactérias gram positivas, não alcool-ácido resistentes, anaeróbias Actinomyces israelii Baixa virulência lesão na integridade das membranas + tecido desvitalizado Formas clínicas cervicofacial em 50-70% dos casos após cirurgia oral Dor + tumefação nodular endurecida perimandubular Fístulas de conteúdo purulento Tratamento: Pen G endovenosa 12 a 24 milhões de UI por dia, durante 1 a 2 semanas Nariz e SPN: cirúrgico GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS HANSENÍASE Prevalência mundial em 2008: 212.802 casos Mycobacterium leprae ou bacilo de Hansen: BAAR, parasita intracelular obrigatório Longo período de incubação Preferência pelo sexo masculino Transmissão: contato prolongado entre multibacilíferos não tratados e indivíduos não infectados Mucosa nasal é a principal porta de entrada e saída para o M.leprae GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS HANSENÍASE Formas clínicas: Indeterminada: difícil identificar o bacilo e o risco de contágio é pequeno Tuberculoide: pele, nervos e gânglios. Baciloscopia negativa Virchowianna: mucosas e vísceras. Lesões nasofaríngeas são frequentes altamente bacilíferos GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS HANSENÍASE O nariz é considerado a sede inicial das lesões hansênicas Manifestações clínicas de acordo com estágio da doença: Rinite congestiva Fase granulomatosa: baciloscopia sempre positiva Fase atrófica: perfuração septal, alteração da sensibilidade e perturbações do olfato GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS HANSENÍASE Diagnóstico: história clínica e exame dermato-neurológico Testes e exames laboratoriais Pc Virchowiannos: alta sensibilidade em swab nasal, histopatológico da mucosa nasal e PCR do muco e mucosa nasal Tratamento: Poliquimioterapia de 6m a 1 ano Após duas semanas deixa de ser infectante Sequelas faciais são estigmatizantes cirurgia pode ser realizada 2 anos após ser considerado curado GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS RINOSCLEROMA Crônica, lentamente progressiva Rara assintomática por vários anos Nariz é a estrutura mais comprometida deformidade pirâmide nasal Pode estender-se: laringe, nasofaringe, cavidade oral e SPN Klebsiella rhinoscleromatis América Central e Leste europeu cosanguinidade Fases evolutivas: Catarral: rinorreia, crostas e obstrução nasal Granulomatosa: nódulos e lesões infiltrativas Cicatricial: estenose do vestíbulo do nariz e da laringe GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS SÍFILIS Treponema pallidum Transmissão sexual, transplacentária, transfusional ou incidental Sífilis primária (cancro duro) Sífilis secundária: erupção cutânea 1 a 6 meses após cancro desaparecer pode aparecer na mucosa oral e nasal, altamente infecciosas Sífilis terciária: gomas sifilíticas, qualquer lugar do corpo Sífilis congênita: Alterações radiográficas: dentes de Hutchinson, “molares em amora”, bossa frontal, rinite persistente bilateral, nariz em sela, maxilares subdesenvolvidos, hepatoesplenomegalia, anemia GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS SÍFILIS Tratamento das deformidades nasais após 3 anos do final do tratamento Rinoplastia reparadora Correção da perfuração septal Nariz em sela da sífilis congênita aguardar o término do desenvolvimento craniofacial antecipar: obstrução nasal grave GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS TUBERCULOSE Mycobacterium tuberculoses ou bacilo de Koch Causa mais comum de mortalidade por doença infecciosa no mundo Mucosa nasal é bacteriostática queda da defesa orgânica proliferação na cavidade nasal TB de cabeça e pescoço é raro evento secundário Septo mais acometido Queixas de obstrução nasal com episódios de epistaxe e rinorreia purulenta Tumoração septal rósea/púrpura ou infiltração da mucosacom ulceração superficial sangrante ao toque com estilete Dacriocistite Destruição óssea extensão orbitária/intracraniana GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS TUBERCULOSE Diagnóstico: História clinica + exames pesquisar agente em raspados da mucosa nasal + bx da lesão granulomatosa Exame bacteriológico + cultura Definitivo: histopatológico granulomas caseosos de células gigantes com bacilos alcool-ácido resistentes Tratamento: RIP 2 meses RI 4 meses GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS HISTOPLASMOSE Histoplasma capsulatum Inalação de esporos Infecção subclínica em 90% dos casos leveduras desenvolvem-se em macrófagos sistêmica Cabeça e pescoço: cavidade oral, faringe e laringe Nariz é raro lesão mucocutânea, agressiva e destrutiva Diagnóstico: Microscopia: expectoração ou biópsia leveduras dentro dos macrófagos Cultura de sangue, escarro ou biópsia de lesões Sorologia e radiografia de tórax são úteis Tratamento com anfotericina B GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS PARACOCIDIOIDOMICOSE Paracoccidioides brasiliensis Afeta agricultores que trabalham com terra que contém os esporos inalação Infecção contraída nas primeiras décadas de vida evolução para doença como reativação do foco latente Sexo masculino, tabagistas, etilistas crônicos precariedade higiênca, nutricional e socioeconômica GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS PARACOCCIDIOIDOMICOSE Clínica: Juvenil Adulto Lesões cutaneomucosas: ulcerações com fundo granuloso e avermelhado, acompanhado por ponteado hemorrágico típico Mucosas nasal e oral são sempre acometidas, e os lábios apresentam tumefação difusa Lesões laríngeas, com destruição da epiglote GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS PARACOCCIDIOIDOMICOSE Diagnóstico: Visão direta do fungo: “roda de leme” em citologia ou histopatologia Cultura Exames indiretos Tratamento Itraconazol (200mg/dia por seis meses) Anfotericina B (dose total 1-2g) GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS RINOSPORIDIOSE Rhinosporidium seeberi Mucosa nasal raramente olhos, ouvidos, laringe, vagina, pênis e pele Doença cosmopolita mais frequente na Ásia Sem fisiopatologia esclarecida Animais são hospedeiros dos fungos reservatórios GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS RINOSPORIDIOSE Sintomatologia depende da localização 70% inflamação crônica tipo polipoide de SPN Nariz: obstrução lenta e progressiva com sensação de corpo estranho, rinorreia sem odor fétido com esporos, epistaxe Rinoscopia: massa vegetante, única ou múltipla, séssil ou pediculada, avermelhada, friável e sangrante GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS RINOSPORIDIOSE Diagnóstico: esporos na secreção nasal + histopatológico Tratamento: Remoção cirúrgica com margem de segurança + eletrocoagulação na base de implantação Prognóstico bom se excisão for total GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS LEISHMANIOSE Protozoários do gênero Leishmania transmitida pela picada de mosquitos flebotomíneos Prevalência mundial de 12 milhões, com 400.000 casos novos/ano Clínica: cutânea, cutaneomucosa e visceral GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS LEISHMANIOSE Cutânea: lesões no local da picada Pequenas aumentando gradulamente Ulceradas crostas Mucosa: Disseminação sanguínea ou linfática 90% comprometimento nasal edematoso, ulcerada coriza,epistaxe Visceral: Grave Febre + hepatoesplenomegalia GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSASLEISHMANIOSE Forma mucosa Sinais precoces: obstrução nasal, epistaxe e granuloma de septo nasal anterior Hiperemia e edema de mucosa do septo anterior + nodulações coriza perfuração septal A pele do nariz torna-se espessada, edemaciada e hiperemiada aumento do volume da pirâmide nasal Fácies leishmaniótica GRANULOMATOSES NASAIS INFECCIOSAS LEISHMANIOSE Identificação da amastigota no hitopatológico da lesão facilitado pela coloração de Giemsa Tratamento: Antimonial pentavalente 20mg/kg/dia IV 20-40 dias Pentamidina 4mg/kg/dia IM 5-7 semans Anfotericina B Sequelas nasais e faciais são importantes e podem ser reabilitadas cirurgicamente 2 anos após ser considerado curado GRANULOMATOSES NASAIS IDIOPÁTICAS SARCOIDOSE Doença granulomatosa, multissistêmica, de etiologia e patologia indeterminadas alterações evidentes no SI 3-5ª década de vida Tendência familiar Negros e mulheres Nariz e mucosa oral : 2.1% 45% dos casos os sintomas são sistêmicos, com pulmonares em metade das ocorrências Localizações cutâneas preferencialmente na face Lupus pernio nariz, bochecas, orelhas e lábios GRANULOMATOSES NASAIS IDIOPÁTICAS SARCOIDOSE Localizações mucosas são raras Pp. Cavidades nasais e paranasais Coriza purulenta + obstrução nasal + crostas Diagnóstico é complexo Positividade no teste de Kveim-Siltzbach = 80% Tratamento Corticoterapia é a base do tratamento prednisolona 1mg/kg/dia imunossupressores GRANULOMATOSES NASAIS IDIOPÁTICAS DOENÇA DE CROHN DII e idiopática acometimento transmural, focal e assimétrico de qualquer parte do TGI Desordem poligênica resposta imunológica aberrante na presença de algum dos fatores provocadores 3 formas: inflamatória, fistulosa e fibroestenosante Íleo, cólon e região perianal mais acometidas Raro acometimento nasal obstrução nasal crônica com crostas, pólipos e RSC perfuração septal, nariz em sela e estenose nasal grave Tratamento: clínico com aminossalicilatos, corticoesteroides e imunossupressores Cirúrgico para complicações e doença refratária GRANULOMATOSES NASAIS AUTOIMUNES GRANULOMATOSE DE WEGENER Doença sistêmica idiopática rara, imunologicamente mediada Acomete pequenas artérias do TRS e TRI + rins necrose com granulomas e vasculite 20-40 anos no diagnóstico Sexo masculino 1,5:1 Sintomas iniciais: febre, anorexia, emagrecimento, fadiga e fraqueza GRANULOMATOSES NASAIS AUTOIMUNES GRANULOMATOSE DE WEGENER Manifestações do TRS: Nariz e cavidades paranasais em 80-90% Obstrução nasal crônica com rinorreia clara, ulceração e edema da mucosa nasal, parosmia, epistaxee cefaleia Perfuração do septo + ulceração/erosão do vômer são clássicas Tríade clássica: Lesões graulomatosas necrosantes no trato respiratório Vasculite Glomerulonefrite GRANULOMATOSES NASAIS AUTOIMUNES GRANULOMATOSE DE WEGENER Diagnostico por biópsia tecidual ANCA apresenta alta sensibilidade e especificidades em generalizada ativa Tratamento: Imunossupressores mais cedo possível Ciclofosfamida 2mg/kg/dia VO continuada por 1 ano após indução da remissão completa 1º mês utiliza-se prednisona na dose de 2 mg/kg/dia redução progressiva em 6 meses GRANULOMATOSES NASAIS AUTOIMUNES LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO Doença inflamatória crônica, multissistêmica, de causa desconhecida e de natureza autoimune Manifestações clínicas polimórficas Associada a HLA B8, DR2 e DR3 Sexo feminino Rara antes de 8 anos mais grave Grande maioria apresenta períodos intensos, intercalados por fases de relativa melhora ou mesmo inatividade GRANULOMATOSES NASAIS AUTOIMUNES LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO Sintomas nasais: Dor nasal (condrite) Hiperemia de mucosa (vasculite) lesões granulomatosas e perfuração septal Durante exacerbação da doença vasculite sistêmica GRANULOMATOSES NASAIS AUTOIMUNES LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO Tratamento: individualizado corticoesteroides e imunossupressores GRANULOMATOSES NASAIS AUTOIMUNES SÍNDROME DE CHURG-STRAUSS Tríade: asma, vasculite sistêmica e eosinofilia Fases: Prodrômica: mais longa Eosinofílica Vasculítica: pode ser grave, vasos pequenos e médios Preferência pelo sistema nervoso, respiratório e pele Asma e RSC antecedem o quadro de vasculite em meses ou anos polipose nasossinusal em 50% Não é possível diagnóstico laboratorial apenas sugere Tratamento com corticoesteroides GRANULOMATOSES NASAIS AUTOIMUNES POLICONDRITE RECORRENTE Distúrbio inflamatório grave, episódico e progressivo Envolve estruturas cartilaginosas orelhas, nariz e árvore traqueobronquica Formação de tecido de granulação e fibrose 20 – 60 anos, pico na quarta década Associação ao HLA-DR4 Condrite auricular aspecto clínico mais frequente perda auditiva condutiva Condrite nasal edema da pirâmide nasal, hiperemia e dor nariz em sela é frequente GRANULOMATOSES NASAIS AUTOIMUNES POLICONDRITE RECORRENTE GRANULOMATOSES NASAIS AUTOIMUNES POLICONDRITE RECORRENTE Bx da cartilagem = condrólise, condrite e pericondrite Tratamento: Condrite auricular e/ou nasal AINES e corticoesteroides em baixas doses Manifestações graves doses altas de corticoesteroides e drogas imunossupressoras TQT estenose subglótica Reconstrução nasal pacientes em remissão, imunossupressão sistêmica mínima e problemática estigmatização social GRANULOMATOSES NASAIS INDUZIDAS POR TRAUMA GRANULOMA DE COLESTEROL Raros resultados de hemorragia nasal por trauma Colesterol origina-se das membranas dos eritrócitos e lipoproteínas de alta densidade do soro cristais inflamação granulomatosa Granulomas do seio maxilar ou frontal dor facial, edema, obstrução nasal e rinorreia Achados inespecíficos na TC // RNM com sinal hiperintenso em T1 e T2 Diagnóstico definitivo pelo histopatológico Tratamento com excisão cirúrgica GRANULOMATOSES NASAIS INDUZIDAS POR TRAUMA GRANULOMA POR USO DE COCAÍNA Inflamação granulomatosa e destruição das estruturas ósseo-cartilaginosas do nariz, SPN e palato Vasocosntricção intensa causa primária TC perfuração septal + destruição das paredes mediais dos seios maxilares + parcial das conchas nasias inferiores e mediais Diagnóstico: história clínica + biópsia da mucosa nasal (granulomas de corpo estranho) Tratamento: suspensão da droga + atb tópico e sistêmico e cauterização das lesões. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Manifestação nasal semelhante : Obstrução nasal Formação de crostas e pólipos Rinorreia mucossanguinolenta Perfuração septal, nariz em sela e deformidades cicatriciais graves do nariz Neoplasias malignas LINFOMA DE CÉLULAS T/ NATURAL KILLER bx e estudo imuno-histoquímico, seguido por tto oncológico