A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
30 pág.
Manual do Mestre

Pré-visualização | Página 1 de 6

�PAGE �
Manual de Sociologia: dos Clássicos à Sociedade da Informação
Manual Do Mestre
São Paulo
E d i t o r a A t l a s
2001
Manual de Sociologia: dos Clássicos à Sociedade da Informação
Delson Ferreira
Manual do Mestre
Objetivo principal deste livro-texto: oferecer ao professor e ao estudante um instrumental teórico básico de sociologia que permita a ambos lidarem com os seus conceitos centrais e discuti-los para além da mera reprodução dos seus paradigmas e conteúdos.
Finalidade: instigar o trabalho crítico e reflexivo, tanto em sala de aula quanto na atividade de leitura complementar. Propiciar a professores e alunos o questionamento acerca do conhecimento produzido pelas diversas escolas de pensamento sociológico que são apresentadas, abrindo a possibilidade do exercício da crítica, a ser realizada à luz das questões e dilemas colocados pela realidade social atual.
Diferencial que essa obra oferece: apresentação do conteúdo conceitual que define o conjunto da reflexão sociológica – dos seus clássicos fundadores aos estudos e controvérsias atuais sobre a sociedade da informação. Oferecer ao leitor-aluno, além deste aparato teórico, a possibilidade de, por meio da leitura e do estudo sistemático, problematizar criticamente a sociedade que vivemos.
Conteúdo: resumos, de todos os capítulos, destinados ao trabalho de preparação e condução de aulas e seminários.
Parte I: Introdução à sociologia.
		Capítulo 1. Introdução à questão da produção social e cultural do conheci​mento, definindo‑o como construção historicamente condicionada e discutindo suas diversas modalidades.
Característica fundamental da condição humana: é a capacidade de conhecer, de construir compreensão sobre os meios e processos necessários para a organização e a facilitação do ato de viver. O conhecimento, produto da atividade consciente do pensamento, estabelece a natureza social do ser humano e o condiciona à sua história e à sua cultura.
A capacidade de conhecer desenvolveu a vida social. E a vida em grupos, por sua vez, ampliou o próprio conhecimento humano. Esse é o círculo virtuoso que trouxe o ser humano aos dias de hoje, por meio de um processo histórico milenar que só poderia ocorrer em grupo, em sociedade. 
Sua resultante pode ser denominada de cultura: o homem, ao conhecer, compartilhar e registrar o produto de sua atividade pensante constrói cultura, estabelecendo este longo fio processual tecido pela capacidade cognitiva humana ao longo da História. Somos, não há dúvidas, seres sócio-culturais. 
Capítulo 2. Desenvolvimento conceitual da sociologia com base em sua história e em seu percurso teórico.
Relações sociais: fundam-se em um jogo de interações complexas que ora começam por impulsos originados no indivíduo, ora iniciam por influências oriundas do grupo ou da sociedade. Os primeiros sociólogos construíram conceitos voltados para a tentativa de interpretar, por critérios científicos, a realidade social. Este foi o primeiro desafio teórico dessa ciência, que é uma das marcas centrais da modernidade, uma vez que o passo a ser dado implicava em superar, por meio da razão, os ditames colocados pelos ensinamentos do senso comum que, até então, dominavam a maior parte das interpretações e explicações sobre o sentido da ação coletiva humana.
Produto da modernidade, os estudos clássicos da sociologia ora enfatizam a ação individual, ora a ação coletiva. Alguns estudiosos privilegiam o papel ativo do indivíduo nas ações sociais, enquanto outros enfatizam o papel da sociedade e de suas instituições, e outros, ainda, destacam a importância do conjunto das práticas que definem as relações entre indivíduo e sociedade.
Saint-Simon (1760-1825): “a sociedade não é uma simples aglomeração de seres vivos (...); pelo contrário, é uma verdadeira má​quina organizada, cujas partes, todas elas, contribuem de uma maneira diferente para o avanço do conjunto. A reunião dos homens constitui um verdadeiro SER, cuja existência é mais ou menos vigorosa ou claudicante, conforme seus órgãos desempenhem mais ou menos regularmente as funções que lhes são confiadas.”
Auguste Comte (1798-1857): filosofia social e política denominada de Positivismo – exerceu notável influência em países latino-americanos como o México, o Chile e o Brasil. Aqui, foi um dos determinantes políticos da proclamação da República, da definição do lema da bandeira nacional – “Ordem e Progresso” –, em diversas diretrizes constitucionais republicanas e no espírito da legislação trabalhista legada pelo governo de Getúlio Vargas.
Trazendo em seu corpo teórico uma proposta de reformulação moral da sociedade, na qual ordem e progresso se compunham como partes de um processo único de realização da natureza humana, o positivismo atraiu seguidores em virtude do conteúdo progressista que continha, no final do período imperial brasileiro. Nesse sentido, suas teorias participaram ativamente da construção do Estado moderno no Brasil.
Parte II: Sociologia Clássica.
		Capítulos 3 e 4. Explicitação do pensamento sociológico clássico, partindo da demons​tração e contraposição entre as escolas positivista e marxista.
Positivismo: valoração aos fatos e as suas relações, tal como dados pela experiência objetiva, e corte reducionista da filosofia aos resultados obtidos pela ciência. Pensamento social que aclamou o modus vivendi do apogeu da sociedade européia do século XIX, em franca expansão capitalista. Tentativa de busca da resolução dos conflitos sociais por meio da exaltação à coesão, à harmonia natural entre indivíduos e classes e ao bem-estar do todo social. Organicismo e darwinismo social.
Pensamento marxista: na perspectiva teórica, a obra de Marx (1818-1883) estabeleceu novos paradigmas para o pensamento social, configurando avanços em relação aos obtidos pela abordagem positivista: enquanto Comte e Durkheim (1858-1917) elegeram os fatos sociais como objeto de estudo, Marx definiu-o a partir do conceito de relação. Sua contribuição para as Ciências Sociais pode ser compreendida em dois sentidos, o teórico e o político. Na política, o movimento socialista se dividiu e se expandiu pelo mundo, grosso modo, em duas grandes vertentes principais: a social-democracia e o leninismo. 
		Capítulo 5. A partir do embasamento conceitual dos dois primeiros grandes impulsos científicos do pensamento socioló​gico, apresentação da matriz teórica weberiana.
Max Weber (1864-1920): a sociedade e os seus sistemas não pairam acima e não são superiores ao indivíduo. As regras e normas sociais não são exteriores à vontade dos indivíduos. Ao contrário, elas são o resultado de um conjunto complexo de ações individuais, nas quais os agentes escolhem, a cada momento, diferentes formas de conduta. As grandes idéias coletivas que norteiam a sociedade – Estado, mercado, religiões – só existem porque muitos indivíduos orientam reciprocamente suas ações em um determinado sentido comum. Individualista, o pensamento weberiano privilegia a parte sobre o todo, sua ótica pressupõe que o coletivo se origina no individual. A ação do indivíduo sobre a sociedade é que determina a relação indivíduo-sociedade, objeto central dos estudos sociológicos.
Parte III: Sociologia Contemporânea.
		Capítulo 6. Demonstração do processo histórico de desenvolvimento da sociologia no século XX apoiado no pensamento sociológico clássico: relato histórico do percurso teórico da sociologia na Europa e nas Américas do Norte e Latina.
Teorias clássicas: Comte e Durkheim – positivismo francês do séc. XIX e início do séc. XX – Karl Marx e Max Weber – marxismo e pensamento weberiano, matriz cultural e política germânica do séc. XIX e início do séc. XX.
O desenvolvimento teórico da sociologia no século XX foi marcado, como no século XIX, pelas contradições do processo de desenvolvimento do capitalismo e pelos dilemas