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sopros e bulhas cardiacas

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rude, granuloso
Intensidade: ++ a ++++
Irradiação: na direção do hemitórax direito
Configuração: em crescendo e decrescendo
	Pode ser ouvido, também, um sopro mesodiastólico no foco mitral, devido ao hiperfluxo pela valva mitral, e que precede uma 3ª bulha cardíaca.
Persistência do canal arterial (PCA)
	O canal arterial é um conduto que conecta a artéria pulmonar à aorta durante a vida fetal, fechando-se nas primeiras 24 horas após o nascimento. Quando permanece aberto, constitui o defeito congênito denominado persistência do canal arterial, permitindo a passagem de sangue da aorta para a artéria pulmonar.
	É mais freqüente no sexo feminino e tem maior incidência em crianças cujas mães tiveram rubéola durante a gravidez.
	No recém-nascido, dada a elevada resistência pulmonar, é quase nulo o fluxo de sangue pelo canal, não se auscultando nenhum sopro nestas crianças. Com o desenvolvimento da criança, há uma queda da resistência arterial pulmonar, formando um gradiente de pressão entre a aorta e a artéria pulmonar, passando a existir, então, um fluxo de sanguíneo durante a sístole e a diástole, pois tanto a pressão sistólica como a diastólica são maiores na aorta do que na artéria pulmonar.
	Ao exame físico, encontram-se sinais de sobrecarga ventricular esquerda, 3ª bulha cardíaca e, o seguinte sopro que é característico: 
Sede: 1º e 2º espaço intercostal esquerdo na linha hemiclavicular esquerda
Tempo: contínuo
Duração: meso/tele
Altura: grave
Timbre: em maquinaria
Intensidade: + a ++ ou até ++++
Irradiação: restrito ao foco (se pouco intenso) ou 3º EIE, junto ao esterno, às vezes ponta e região interescapular (se mais intenso)
Configuração: em crescendo e decrescendo
Este sopro chamado “sopro em maquinaria”, acentua-se no momento da 2ª bulha cardíaca e diminui na inspiração.
Pode-se ouvir, também, um sopro mesodiastólico no foco mitral, devido ao hiperfluxo sanguíneo através da valva mitral.
Os sinais periféricos da PCA são semelhantes aos observados na insuficiência aórtica: pulso célere, pulsações arteriais amplas no pescoço e aumento da pressão diferencial. 
Tetralogia de Fallot
É uma cardiopatia caracterizada por:
Estenose pulmonar
Hipertrofia do Ventrículo Direito
Dextroposição da Aorta
Comunicação Interventricular (CIV)
O sopro que resulta da estenose pulmonar orgânica é sistólico de ejeção, rude, acompanhado de frêmito. É mais audível ao nível do 3º ou 4º EIE.
Pela comunicação interventricular, o regime de tensão é igual entre os dois ventrículos, de modo que o fluxo depende do grau de estenose. Assim, se a estenose for leve, o fluxo se dá pela artéria pulmonar e tem-se: sopro longo, cianose discreta e desdobramento de 2ª bulha. Já se a estenose for moderada a severa, o fluxo se dará pela aorta, encontrando os seguintes dados semióticos: sopor curto, cianose acentuada, não se percebe o componente pulmonar da 2ª bulha, e esta é única, constituída apenas pelo componente aórtico.
Rumor Venoso
	O rumor venoso, também denominado ruído venoso, é um ruído contínuo (sistodiastólico), de tonalidade grave, que se ouve na base do pescoço e na porção superior do tórax, sendo seu local de máxima intensidade acima da clavícula direita, na altura da inserção do esternocleidomastóideo. É mais bem audível na posição sentada, desaparecendo na posição deitada. Desaparece, também, ao se fazer uma compressão ao nível da jugular direita ou pela rotação do pescoço.
	O ruído venoso, origina-se do turbilhonamento sanguíneo no ponto em que a jugular interna encontra-se com o tronco braquiocefálico, não indicando, portanto, alterações dos vasos ou do coração. 
	É importante diferenciá-lo do sopro da PCA, audível nas proximidades da área pulmonar, com irradiação até o local onde é percebido o rumor venoso.
BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS:
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SWARTZ M.H. Tratado de Semiologia Médica. 5ª Ed. Rio de janeiro. Elsevier, 2006