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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL FACULDADE DE ENGENHARIAS, ARQUITETURA E URBANISMO E GEOGRAFIA Introdução à Engenharia de Produção Prof. Diego Rorato Fogaça Relatório IV: Engenharia da Qualidade Anderson Kenji Aibara Okamoto João Gabriel de Freitas Simões Marcio Maciel de Souza Junior Renato Augusto de Assunção Ribeiro Vinicius Gonçalves Weis Campo Grande, MS 2017 2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 3 2 ENGENHARIA DA QUALIDADE .............................................................................. 4 2.1 Evolução da Área da Qualidade .............................................................................. 4 2.2 Qualidade ................................................................................................................ 5 2.2.1 Definições de Qualidade .................................................................................. 5 2.3 Gestão da Qualidade ............................................................................................... 6 2.3.1 Benefícios da Gestão da Qualidade.................................................................. 7 2.3.2 Seis Sigma ........................................................................................................ 7 2.4 Normalização e Certificação para a Qualidade ....................................................... 8 2.4.1 ISO 9000 .......................................................................................................... 8 2.5 Ferramentas da Engenharia da Qualidade ............................................................... 9 2.5.1 As 7 Ferramentas da Qualidade ....................................................................... 9 2.6 Melhoria Contínua ................................................................................................ 11 2.7 Organização Metrológica da Qualidade ................................................................ 11 2.7.1 Ferramentas da Metrologia e Qualidade ........................................................ 12 2.7.2 Repetibilidade & Reprodutividade ................................................................. 12 2.8 Confiabilidade ....................................................................................................... 13 2.9 Qualidade em Serviços .......................................................................................... 13 2.9.1 Aspectos da Qualidade em Serviço ................................................................ 13 2.9.2 Gerenciamento para a Qualidade de Serviços ................................................ 14 2.9.3 Modelo de GAP ............................................................................................. 15 3 CONCLUSÃO ............................................................................................................. 17 REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 21 3 1 INTRODUÇÃO A Engenharia de Produção tem a sua origem no século XIX, com o estabelecimento da chamada Revolução Industrial. A revolução industrial, através do surgimento de novas e poderosas máquinas industriais movidas a vapor, proporcionou que uma grande quantidade de produtos fosse produzida ao mesmo tempo (em escala) e a preços muito mais baratos, como nunca se viu na história humana. O precursor dessa área da engenharia foi Frederick Taylor, ao publicar, em 1911, o livro Princípios da administração científica. Em sua visão havia excesso de desperdício nas indústrias, tanto em matéria-prima, tempo com também em esforços dos trabalhadores. Sendo assim, ele utilizou um método para cronometrar o tempo gasto em cada parte do processo para assim aperfeiçoar-lo. Dentro desse cenário surgiu à grande área da engenharia de produção, a engenharia da qualidade. Ela tem como objetivo especializar profissionais na área da qualidade, quanto aos aspectos técnicos e gerenciais, para atuar como agente de mudança em culturas e estratégias, estabelecendo a qualidade como fator competitivo para as empresas. Integrar métodos e técnicas aplicadas à qualidade e à estratégia para melhoria da produtividade nas empresas. Aplicar os conhecimentos sobre engenharia da qualidade em todos os processos empresariais, desenvolvendo práticas de planejamento, controle e melhoria da qualidade. A engenharia da qualidade é dividida em cinco subáreas, sendo elas, gestão e sistemas da qualidade, planejamento e controle da qualidade, normalização e cerificação da qualidade, organização metrológica da qualidade e confiabilidade de processos e produtos. Ao longo do curso de engenharia de produção, duas matérias se relacionam com a engenharia da qualidade, o controle e melhoria da qualidade e a própria engenharia da qualidade. Portanto, esse trabalho tem como objetivo informar e explicar sobre cada subárea da engenharia da qualidade e a sua importância na engenharia de produção. Além do embasamento teórico, uma engenheira de produção foi entrevistada para informar sobre qual a sua área de atuação e sua importância num ambiente de trabalho. 4 2 ENGENHARIA DA QUALIDADE 2.1 Evolução da Área da Qualidade Para compreendermos melhor a área da qualidade, é preciso entender todo o processo histórico desde a revolução Industrial, onde a qualidade começa a ter valor, até os dias de hoje. Dentre essa evolução existem quatro eras: inspeção, controle da qualidade, garantia da qualidade e gestão da qualidade. Na primeira era a única preocupação com a qualidade era a de inspeção, agindo apenas de maneira corretiva a fim de apartar os itens que não estavam nos conformes. A correção ganhou força durante o começo do século XX, no modelo produtivo taylorista, no qual surgiu a profissão de inspetor, que tinha a função de avaliar a qualidade dos produtos. Em meados de 1920, começam a surgir elementos para o início de uma nova era, o controle da qualidade. Em 1929, o engenheiro e físico Walter Shewhart, conhecido como o pai do controle estatístico da qualidade, criou os gráficos de controle estatístico do processo, que iniciou a mudança de um conceito corretivo para proativo de caráter preventivo, de monitoramento e controle. Embora a postura proativa tenha começado, a corretiva ainda predominava no modelo de produção, com uma tímida participação dos trabalhadores de melhoria e avaliação da qualidade. A normalização para a qualidade começou a surgir na década de 30, com as normas britânicas (BritishStandart BS 600) e americanas( American War Standarts). O começo da terceira era, chamada garantia da qualidade, tem sua origem em 1950, com a primeira abordagem sistêmica por Armand Feingenbaum, denominada controle da qualidade total (TotalQualityControl- TQC), cujo objetivo era abranger todas as áreas da organização e não só o setor produtivo. A abordagem sistêmica viria a influenciar as normas da ISSO, da serie ISO 1900, na qual a primeira versão é chamada sistemas de garantia de qualidade. Essa versão mostra a ideia da terceira era, que teve sua origem em meio a expansão da globalização,a fim de facilitar a relação entre clientes e fornecedores. A quarta era, denominada gestão da qualidade, teve seu início no Japão no período pós-guerra, quando especialistas americanos trabalharam no processo de reconstrução. A diferença para as eras anteriores é que o modelo japonês além de agregar conhecimentos passados, eles enfatizaram nos aspectos de aversão ao desperdício (chamado de muda), ênfase na melhoria continua da qualidade (kaizen) e forte participação dos 5 colaboradores. Assim, os japoneses desenvolveram um método de controle de qualidade que ao invés de encontrar e eliminar as peças defeituosas, como na inspeção, eles procuravam evitar com que erros ocorressem. A gestão da qualidade tem foco nos resultados e na visão do cliente. A qualidade começa a ser entendida de forma competitiva com objetivo de satisfazer o consumidor. E vale destacar que, essa era tem bases na sustentabilidade, e responsabilidade social e ética, totalmente ligada às normas ISO. 2.2 Qualidade A qualidade é simultaneamente um atributo e uma propriedade inerente das coisas, que permite que estas sejam comparadas da mesma tipologia ou natureza. Nem sempre é fácil dar uma definição exata do termo qualidade, uma vez que a respectiva apreciação é subjetiva. 2.2.1 Definições de Qualidade Existem várias definições de qualidade. Serão apresentadas a seguir as cinco definições consideradas relevantes. Definição transcendental: Relaciona a qualidade a padrões elevadíssimos, universalmente reconhecidos, que vão além das expectativas dos clientes. Definição focada no produto: A qualidade é constituída de variáveis e atributos que podem ser medidos e controlados, ou seja, os produtos de uma mesma família têm que apresentar as mesmas características, não podendo haver diferenciação entre eles. Definição focada no usuário: A qualidade é a adequação ao uso, mas existe uma grande dificuldade na conceituação de termos como uso, satisfação, durabilidade, pois o uso de determinado produto pode satisfazer todas as necessidades de um consumidor, mas de outro não. Definição focada na fabricação: Qualidade é a adequação às normas e especificações. Todos os processos apresentam procedimentos que precisam ser seguidos para manter a qualidade do produto. Portanto, todos os padrões e normas deverão ser mantidos. 6 Definição focada no valor: A qualidade é uma questão de o produto ser adequado com relação ao uso e ao preço, onde podemos relacionar este aspecto às pessoas que preferem adquirir um produto de menor valor (mas que atenda suas necessidades), ao invés de um produto com um custo maior, de marca reconhecida, mas que também apresenta características que atenderiam suas necessidades. O fato de preferirem produtos de baixo custo acontece ou porque satisfazem suas necessidades da mesma forma que o de valor maior, ou porque não tem condições de adquiri-los ou até mesmo não conhecem os produtos de custos maiores e marcas renomadas. 2.3 Gestão da Qualidade A gestão da qualidade pode ser definida com um conjunto de atividades que tem o intuito de gerir, de forma coordenada, todo o processo produtivo de alguma empresa, com a finalidade de melhorar a qualidade de seus produtos ou serviços, visando sempre o melhor atendimento e satisfação do cliente. A engenharia da qualidade pode ser dividida em alguns grupos de palavras-chave mais usadas, que são: Princípios de Gestão da Qualidade: Foco no cliente, envolvimento das pessoas, abordagem de processo, abordagem do sistema para gestão, melhora contínua, abordagem dos fatos e benefícios mútuos com fornecedores. Fundamentos de Sistemas de Gestão da Qualidade: Satisfação de clientes, requisitos, avaliação, auditoria, análise crítica, técnicas estatísticas e autoavaliação. Termos e definições relacionados com a qualidade: Gestão, organização, processo, produto, características, conformidade, documentação, exame, auditoria e garantia da qualidade de processos de medição. Cabe ao responsável pela qualidade da empresa, fiscalizar o processo produtivo, para que sempre os padrões estejam nos níveis desejados, essa pessoa, deve ter postura de liderança, para que possa motivar e incentivar todas as pessoas que participam do processo. 7 2.3.1 Benefícios da Gestão da Qualidade Quando uma empresa adota um sistema de gestão da qualidade, ela passa a gerar confiança de que irá entregar o produto conforme esperado pelo cliente, aumentando sua competitividade no mercado, criando uma base de confiança contínua, que fortalece o vínculo com o cliente, que ao saber que suas expectativas serão atendidas, voltará a consumir o produto da empresa. Com a utilização dessa ferramenta ocorre um acentuado decréscimo de recursos desperdiçados, pois quanto mais cedo encontrar um defeito, menor será o custo da produção, a prevenção é mais barata que a detecção. Com isso há uma oportunidade de aumentar o lucro da empresa. 2.3.2 Seis Sigma O Seis Sigma ou Six Sigma (em inglês) pode ser definido como um conjunto de práticas desenvolvidas para maximizar o desempenho dos processos dentro da empresa, eliminando os seus defeitos e as não conformidades de acordo com as especificações de fábrica. Esta ferramenta foi desenvolvida em meados de 1987, por Bill Smith na Motorola. Posteriormente, em 1995, ganhou força com a utilização de seus métodos por Jack Welch, na GE. Tornando-se popular entre empresas de todo mundo devido à sua eficiência e eficácia. É considerado um dos principais temas da Qualidade Total. O Seis Sigma pode ser definido, também, como uma estratégia gerencial planejada, com foco nos resultados de qualidade e financeiros, com o objetivo de promover mudanças significativas nas organizações, buscando sempre melhorias nos processos, produtos e serviços oferecidos aos clientes. Podemos dizer que o foco principal do Seis Sigma é a satisfação dos clientes, através da redução de defeitos nos processos e o ótimo desempenho da empresa. 8 2.4 Normalização e Certificação para a Qualidade O controle de qualidade apesar de ter seu início nos setores político e militar, rapidamente se estendeu para os setores cooperativos influenciando no desenvolvimento de empresas pelo mundo todo. A globalização e o crescimento industrial foram grandes fatores que auxiliaram nesse processo já que a relação cliente-fornecedor passou a ter maior significância no mercado em geral. Para acompanhar as tendências as indústrias passaram a exigir padrões mais rigorosos em questão a qualidade de seus produtos, e em 1987 surge a primeira versão de normas denominada ISO 9000. A ISO 9000 teve seu desenvolvimento pelo mundo todo, crescendo ano após ano. Dela surgiram outras diretrizes como a QS 9000 no setor automobilístico e a ISO 14000 de gestão ambiental. 2.4.1 ISO 9000 Na estrutura da ISO 9000 há quatro Sistemas de Gestão de Qualidade principais: ISO 9000:2000: Fundamentos e Vocabulário, que são responsáveis pela definição dos termos utilizados nas demais normas. ISO 9001:2000: Requisitos para um sistema de gestão de qualidade eficiente e eficaz com foco nos fins contratuais. ISO 9004:2000: Diretrizes para Melhorias de Desempenho, que têm como objetivo providenciar as diretrizes para manter a organização da gestão de qualidade, com propósito a eficiência e eficácia. ISO 9011:2002: Diretrizes fundamentais para auditorias, que verificam a capacidade do sistema de gestão em alcançar os objetivos estabelecidos. Os controles de qualidade dasgestões de qualidade são garantidos pelos requisitos atendidos da ISSO 9001:2000 e para essa tarefa entidades independentes submetidas a um organismo acreditador, avaliam para fins de certificação. Porém como não há um organismo acreditador aceito em todos os países do mundo, então a questão da certificação de qualidade fica a discussão no InternationalAccreditationForum(IAF). Essas normas possibilitam ás empresas acompanhar o desenvolvimento do mercado consumidor que passou a exigir mais dos fornecedores, gerando uma interdependência entre o feedback a gestão de qualidade. Por esse motivo que a ISO 9000:2000 mudou seu foco de 9 garantia de qualidade para gestão de qualidade. E teve seu desenvolvimento sobre a perspectiva de identificar processos-chave e suas interações dimensionando os recursos oferecidos para tal. 2.5 Ferramentas da Engenharia da Qualidade Para que seja implantado o sistema de gestão da qualidade são necessárias algumas ferramentas para analisar fatos e auxiliar na tomada de decisão. Esses instrumentos são conhecidos como ferramentas da gestão da qualidade. O objetivo de utilizá-las é chegar a um grau de eficiência/eficácia em uma determinada atividade ou processo. Mas, devem-se ter profissionais capacitados para que as ferramentas sejam aplicadas de maneira correta, pois senão corre-se o risco de ter resultados incorretos. 2.5.1 As 7 Ferramentas da Qualidade Kaoru Ishikawa foi quem organizou que chamamos de as 7 ferramentas da qualidade, é considerado o homem mais importante no Japão pela defesa do controle de qualidade, organizou-as para que qualquer pessoa com conhecimento básico pudesse analisar e interpretar dados ou informações presentes no dia-a-dia da empresa. De acordo com Kaoru, cerca de 95% dos problemas enfrentados por uma organização podem ser resolvidos utilizando as 7 ferramentas da qualidade, pois elas foram desenvolvidas para simplificar e subsidiar melhor análise de informações. Desde o seu desenvolvimento, estas ferramentas passaram a ser utilizadas em empresas de todo o mundo e por diferentes funcionários abrangendo todos os níveis de uma empresa, desde gerentes até operadores. As 7 ferramentas da qualidade são: Tabela 1: As 7 ferramentas da Qualidade 7 ferramentas da qualidade O que é Para que utilizar Diagrama de Pareto Diagrama de barra que ordena as ocorrências de problemas de maior frequência para os problemas de menor Priorizar os poucos problemas que possuem o maior impacto no resultado. 10 frequência. Diagrama de causa e efeito Expressa de modo simples e fácil, a série de possíveis causas para um problema. Ampliar a quantidade de causas potenciais a serem analisadas. Diagrama de dispersão Gráfico que representa a relação entre duas variáveis. Verificar a correlação entre duas variáveis. Histograma Diagrama de barras que representa a frequência dos dados. Fornece um caminho fácil para avaliar a distribuição dos dados Fluxograma Representação gráfica dos passos de um processo. Permite uma visão global do processo por onde passa o produto e permite analisar limites, fronteiras e Carta de Controle Gráfico construído a partir de variáveis de um produto ou serviço medidas. Utilizado para determinar se um processo produzirá produtos ou serviços com propriedades mensuráveis e consistentes. Folha de verificação Tabelas ou Planilhas utilizadas para coleta e análise de dados. Facilita a coleta de dados referente a um problema. Fonte: https://www.citisystems.com.br/7-ferramentas-da-qualidade/ Em entrevista feita com a Engenheira de Produção, Tatiane Valéria Rodrigues, formada pela Instituição de Ensino Anhanguera-Uniban, que atua na área da qualidade, na empresa SEMALO FÁBRICA DE SABORES, a engenheira citou as ferramentas da qualidade como sendo: “Diagrama de Pareto, Diagramas de causa-efeito (espinha de peixe ou diagrama de Ishikawa), Histograma, Folhas de verificação, Gráficos de dispersão, Cartas de controle Fluxograma, PDCA, FMEA, 6 Sigma,5W2H, brainstorming e Benchmarking. Claro que é importantíssimo verificar a aplicabilidade de cada uma dentro de cada processo.” Como pode ser visto, a mesma citou as ‘’7 ferramentas ‘’ e mais algumas que a profissional usa em seu meio de trabalho. 11 2.6 Melhoria Contínua Melhoria contínua é um conceito que foi pilar fundamental no modelo de qualidade japonês, com o uso do ciclo PDCA, o modelo WV e o ciclo DMAIC. O ciclo PDCA foi proposto por Shewhart e difundido no Japão, e até hoje é utilizado nos modelos de produção. Esse ciclo é dividido em quatro partes, planejar (plan), executar (do), checar (check) e agir (action). A ideia é de um ciclo que está sempre rotacionando em torno dessas quatro fases, e ele ajudou as organizações a ter uma forma sistemática de analisar e resolver problemas em busca de uma melhoria contínua no sistema produtivo. Um método de análise e resolução de problemas que merece destaque é proposta no modelo de Shiba, Grahan e Walden. De acordo com eles, se todos os produtos ou serviços são resultado de um processo, a maneira mais efetiva de melhorar a qualidade é melhorar o processo. O modelo proposto por eles é denominado WV. A base do processo é a idealização (planejar e analisar) e experimentação (informações, dados etc). É bem simples, ocorre uma alternância entre planejar e ver os dados; planeja, observa os resultados etc, indo “para cima e pra baixo” formando assim um W e V. E o ultimo e terceiro conceito de melhoria que tinha a preocupação de usar de forma sistemática as ferramentas estatísticas, que segue um ciclo assim como o primeiro, denominado DMAIC (Define - definir, Measure – medir, Analyse – analisar, Improve – melhorar, Control – controlar). 2.7 Organização Metrológica da Qualidade No início do século XX, Henry Ford padronizou vários componentes de seus produtos, tornando viável sua linha de produção, garantindo a intercambiabilidade deles, promovendo uma padronização metrológica. Passando a ter dimensões padrões, poderiam ser aplicadas ferramentas de controle estatístico, que por sua vez possibilitou a geração de informações sobre sua confiabilidade e qualidade. 12 De acordo com BATALHA (2008), a organização metrológica da qualidade se sustenta em sistemas de padrões de medição nacionais e internacionais. Então é de suma importância a constante calibração e aferição dos mecanismos usados na medição para o sistema de produção, garantindo que os bens/serviços gerados estejam dentro dos padrões de tolerância estabelecidos para manter a conformidade para um projeto. 2.7.1 Ferramentas da Metrologia e Qualidade Os sistemas de controle metrológicos acrescentam benefícios aos sistemas produtivos, reduzem os custos trabalho repetitivo, influenciam na qualidade de produtos/serviços oferecidos e agregam credibilidade para as empresas que o adotam (FERNANDES, NETO e SILVA 2009). A calibração e avaliação da incerteza conferem qualidade metrológica a instrumentos e padrões do processo de produção. “Calibração” definida pelo Vocabulário Internacional de Termos Fundamentais e Gerais da Metrologia – VIM (INMETRO, 2007) como “conjunto de operações que estabelece, sob condições especificadas, a relação entre os valores indicados por um instrumento de medição ou sistema de medição ou valores representados por uma medida materializada ou um material de referência, e os valores correspondentes das grandezas estabelecidos por padrões”,quando aplicado de modo otimizado, proporciona retorno financeiro, com geração de lucros, maior confiabilidade, credibilidade e consequente competitividade das empresas. Para Albertazzi & Souza (2008), “a manutenção da confiabilidade metrológica de sistemas de medição é a principal motivação para a realização de calibrações”. Trazendo benefício para o cidadão que consome o produto, para aquele que produz e controla o produto, e para a economia de forma geral. 2.7.2 Repetibilidade & Reprodutividade Além das ferramentas, é necessária a análise do sistema de medição, medindo a variação oriunda de duas fontes – repetibilidade e reprodutividade. Ficando conhecida como R&R essa análise. A repetibilidade está vinculada com a precisão básica inerente do sistema, medida pela variação oriunda do próprio processo de medição (quando um operador utiliza o mesmo instrumento para fazer a medição dos exatos mesmos itens repetidas vezes). A 13 reprodutividade por sua vez representa a variação introduzida na avaliação do processo (diferentes operadores utilizam o mesmo instrumento para fazer a medição do mesmo item repetidas vezes), chamada de variação do avaliador (MONTGOMERY, 1991). 2.8 Confiabilidade Confiabilidade está intuitivamente associada à probabilidade de um produto realizar sua função por um período de tempo especificado. Em outras palavras, podemos definir confiabilidade como uma medida da capacidade de um produto funcionar bem durante um período de tempo especificado, sob condições de uso pré-estabelecidas. 2.9 Qualidade em Serviços Para entender o que seria a qualidade em serviços, vamos analisar o que é um serviço, segundo a definição dada pelo mercado de marketing: “serviço é o conjunto de atividades realizadas por uma empresa para responder às expectativas de um cliente”. Podemos deduzir então “Qualidade em Serviços” como sendo o grau em que essas expectativas são atendidas, lembrando que cada cliente possui sua própria perspectiva em relação a um bem. 2.9.1 Aspectos da Qualidade em Serviço Para definir precisamente o conceito de serviços, muitos autores criaram características pertinentes, com destaque em três delas citadas por Parasuraman et al (1988, p 13): Simultaneidade: a dificuldade em detectar e corrigir uma falha em um processo antes que afete um cliente se torna difícil pelo fato de serviços são consumidos quase que simultaneamente ao momento em que são produzidos. Intangibilidade: serviços muitas vezes não são materiais, físicos, não podendo então ser transportados/armazenados. 14 Heterogeneidade: a grande variedade de serviços existentes e o forte relacionamento com o fator humano dificultam a atividade de padronização e estimação de preços. Outro aspecto de grande importância é o fato de que o resultado da qualidade de um serviço pode ser difícil de ser previsto. Entretanto, nota-se que muitos clientes acabam consultando pessoas que tenham consumido um serviço/produto específico. 2.9.2 Gerenciamento para a Qualidade de Serviços Conforme a competição entre organizações aumenta, o cliente torna-se cada vez mais exigente e crítico em relação aos serviços prestados. Assim, os padrões de qualidade de atendimento estabelecidos pelo mercado estão cada vez mais severos. Para que o gerenciamento em serviços conceda melhorias contínuas nos padrões de qualidade dos serviços, para isso, existe um processo bem estruturado para solucionar problemas – processo este que deve ser compreendido por todas as pessoas envolvidas (COBRA E RANGEL, 1993, P.68). Este processo é composto pela série de etapas ilustradas a seguir na figura. Figura I: Processo de melhoria na qualidade dos serviços Fonte: FREITAS (2001, p.15) 1. identificação 2. Análise 3. Planejamento 4. Execução 5. Avaliação 6. Padronização 15 Identificação: Nesta etapa são definidos os problemas e/ou oportunidades de melhoria no processo, visando a aumentar a satisfação do cliente. Análise: Através de análise de dados e fatos sobre os problemas e oportunidades selecionados, é identificado às causas destes e avalias seus efeitos sobre as melhorias desejadas. Planejamento: Aqui são relacionadas ações potenciais para solucionar as causas da origem dos problemas ou então uma lista de possíveis ações para aumentar o nível de satisfação do cliente. Execução: Aqui são botadas em prática as ações planejadas conforme havia se estabelecido na etapa anterior. Avaliação: Verificação das ações implementadas, para ter certeza se elas foram eficazes na solução de problemas. Padronização: Caso as ações implantadas tenham sido eficazes, essas então se tornam padrões nos processos seguintes, para que não ocorram mais problemas, e que os clientes permaneçam satisfeitos. 2.9.3 Modelo de GAP O modelo de GAP tem origem a partir dos estudos feitos por ZEITHAML, PARASURAMAN e BERRY (1990), e tinha como objetivo buscar respostas às seguintes dúvidas: Como os consumidores avaliam a qualidade de um serviço? Os serviços são avaliados de forma global ou parcial? Quais as múltiplas facetas das dimensões de um serviço? Estas dimensões diferem de acordo com o segmento do serviço? No ambiente de manufatura, os clientes não participam do processo de produção, entretanto, nos bens de serviço o cliente participa diretamente durante os processos (simultaneidade). Não julgando somente o resultado, mas sim todo o processo. Portanto, a qualidade do serviço é resultado da somatória das percepções do cliente durante todo o processo, comparado com a expectativa do serviço que ele tinha em mente. 16 O modelo de qualidade utilizado para identificar de forma sistemática a percepção de um cliente no setor de serviços é o Modelo de GAP’s (lacunas). Ajudando a identificar onde estão as causas de um eventual problema de qualidade. Mostrado na figura. Figura II: Modelo conceitual da qualidade de serviços – Modelo de GAP Fonte: ZEITHAML, PARASURAMAN e BERRY, 1990 Gap 1 – representa a diferença entre a expectativa do cliente e a percepção da gerência sobre as expectativas do cliente. Gap 2 – representa a diferença entre as percepções que os gerentes têm das expectativas do cliente e as especificações da qualidade do serviço. Gap 3 – diferença entre as especificações da qualidade do serviço e a prestação de serviços. Gap 4 – Diferença entre serviço prestado e as comunicações externas com o cliente. Gap 5 – Diferença do serviço prestado com o serviço esperado. 17 3 CONCLUSÃO Com o desenvolvimento do trabalho, entendemos a importância da área da engenharia da qualidade e também suas subáreas na engenharia de produção. Que tem como objetivo obter ou prestar um serviço de qualidade passando por várias etapas até chegar ao que for desejado pelo consumidor. Uma aplicação dessa grande área, e o uso de suas ferramentas poderia ser vista no seguinte exemplo: Uma empresa fabrica e entrega seus produtos para várias lojas de varejo e quer diminuir o número de devoluções de alguns desses produtos que apresentaram defeito. Para isto, investigou o número de ocorrências geradoras de devolução da entrega no último semestre, conforme apresentado na tabela abaixo: Fonte: http://www.blogdaqualidade.com.br/diagrama-de-pareto/ > acesso em: 20 de junho de 17. Para solucionar o problema da devolução de produtos defeituosos, monta-se primeiramente um Diagrama de Pareto, refazendo a coluna de valores de ocorrência em ordemdecrescente: 18 Fonte: http://www.blogdaqualidade.com.br/diagrama-de-pareto/ > acesso em: 20 de junho de 17 Segundo passo para organizar o número de ocorrências é acrescentando mais um coluna indicando os valores acumulados (somatória): Fonte: http://www.blogdaqualidade.com.br/diagrama-de-pareto/ > acesso em: 20 de junho de 17 Terceiro passo, acrescentar uma terceira coluna onde serão colocados os valores percentuais dos valores acumulados: 19 Fonte: http://www.blogdaqualidade.com.br/diagrama-de-pareto/ > acesso em: 20 de junho de 17 O Quarto passo é acumular os valores percentuais: Fonte: http://www.blogdaqualidade.com.br/diagrama-de-pareto/ > acesso em: 20 de junho de 17 Com estes dados é possível montar o gráfico de Pareto, de tal forma: 20 Fonte: http://www.blogdaqualidade.com.br/diagrama-de-pareto/ > acesso em: 20 de junho de 17 Analisando o gráfico acima, conclui-se que para de diminuir o problema da devolução de produtos, será necessário a criação de um programa de ação para que a empresa diminua os Atrasos nas entregas da fábrica e da transportadora. Com isso, 53% do problema da empresa será resolvido. O Diagrama de Pareto é uma das ferramentas da qualidade e serve para estabelecer uma ordenação nas causas de perdas que devem ser sanadas, auxiliando na identificação dos problemas, priorizando-os para que possam ser eliminados. 21 REFERÊNCIAS ALBERTAZZI, ARMANDO & SOUSA, ANDRÉ R. Fundamentos de metrologia científica e industrial. São Paulo: Manole, 2008. BATALHA, M. Introdução à Engenharia de Produção, 2008. BERTULUCCI, Cristiane. 7 ferramentas da qualidade. Disponível em: <https://www.citisystems.com.br/7-ferramentas-da-qualidade/>. Acesso em: 12 jun. 17. COBRA, M., RANGEL, A. Serviços ao Cliente - Uma Estratégia Competitiva, 2ª edição, São Paulo: Editora Marcos Cobra. 1993. Conceito de qualidade. Disponível em: <http://conceito.de/qualidade>. Acesso em: 11 jun. 17. Confiabilidade. Disponível em: <http://www.portalaction.com.br/confiabilidade>. Acesso em: 12 jun. 17. Definições de qualidade e qualidade do produto. Disponível em: <http://www.blogdaqualidade.com.br/definicoes-de-qualidade-e-qualidade-de-produto/>. Acesso em: 10 jun. 17. FARIA, Carolina. História da qualidade. Disponível em: <www.infoescola.com/administracao_/historia-da-qualidade/amp/>. Acesso em 12 jun. 17. FERNANDES, NETO & SILVA. Metrologia e Qualidade – Sua Importância Como Fatores de Competitividade Nos Processos Produtivos, ENEGEP, 2009. Ferramentas da qualidade. Disponível em: <http://gestao-de- qualidade.info/ferramentas-da-qualidade.html>. Acesso em:17 jun. 17. 22 FREITAS, A. L. P., Uma Metodologia Multicritério de Subordinação para a Classificação da Qualidade de Serviços sob a Ótica do Cliente, Tese de Doutorado - Programa de Pós-Graduação em Ciências de Engenharia - UENF, julho 2001. Gestão de Qualidade. Disponível em: <http://gestao-de-qualidade.info/>. Acesso em: 13 jun. 17. GOMES, João. Qualidade em serviços. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/qualidade-em-servicos/81805/>. Acesso em: 10 jun. 17. INMETRO. Vocabulário internacional de termos fundamentais e gerais de metrologia: portaria nº 029 de 1995. 5. ed. Rio de Janeiro: INMETRO/SENAI, 2007. MONTGOMERY, D. C, Introduction to statistical quality control. 3ª ed. Nova York: Wiley, 1996. OLIVEIRA, Alexandre. Engenharia da Qualidade. Disponível em: <http://engproducaoufersa.blogspot.com.br/p/engenharia-da-qualidade.html>. Acesso em: 18 jun. 17. PARASURAMAN, A.; ZEITHAML, V. A.; BERRY, L. L. Alternative Scales for Measuring Service Quality: A Comparative Assessment Based on Psychometric and Diagnostic Criteria. Jornal of Retailing, New York: School of Retailing. NY University, v.70, n.3, p.201- 230, 1994. PERIARD, Gustavo. Seis Sigma – O que é e como funciona. Disponível em: <http://www.sobreadministracao.com/seis-six-sigma-o-que-e-como-funciona/>. Acesso em: 15 jun. 17. 23 ANEXO A – Entrevista com Engenheira de Produção Entrevista com a Engenheira de Produção Tatiane Valéria Rodrigues, graduada pela Instituição de Ensino Anhanguera-Uniban, que atua na área da qualidade, na empresa SEMALO FÁBRICA DE SABORES 1-Em sua opinião, quais são os pontos mais importantes dentro da Engenharia da Qualidade? “É primordial definir qual é o padrão de qualidade que se quer obter, conhecer o produto na sua melhor forma, que traga o máximo de satisfação aos seus consumidores. Ademais, disponibilizar a todos os envolvidos na produção deste produto, a definição do padrão. Além disso, conhecer as ferramentas da qualidade e aplicá-las da melhor forma possível, ou seja, identificar seu processo produtivo e utilizar as ferramentas mais adequadas para o processo em questão.” 2- Quais são os benefícios, em uma empresa, de se ter um Engenheiro de Qualidade atuando no chão de fábrica? “Obter processos produtivos padronizados, garantindo a qualidade e a integridade do produto, através de controles estatísticos de processos, objetivando identificar falhas, implementando técnicas e ferramentas eficazes para que se possa executar ações preventivas.” 3- Como é o mercado de trabalho nessa área? Muito concorrido? “Particularmente, vejo que é um mercado que está crescendo e ainda temos poucos profissionais especializados na área.” 4- Quais são as dificuldades e os benefícios de se implantar uma ISO dentro de alguma empresa? Como por exemplo, a ISO 9000. “A conscientização das pessoas sobre a importância da ISO 9000 no processo, as pessoas vêem como burocrático e trabalhoso, o preenchimento correto dos formulários, com certeza são algumas das dificuldades encontradas. Em contrapartida, os benefícios são vários, como por exemplo: organização, padronização, confiabilidade, qualidade, rastreamento... relacionados tanto no processo como no produto final.” 24 5- Quais são as ferramentas mais utilizadas para aumentar a Qualidade dentro de uma empresa? “Diagrama de Pareto, Diagramas de causa-efeito (espinha de peixe ou diagrama de Ishikawa), Histograma Folhas de verificação, Gráficos de dispersão, Cartas de controle Fluxograma, PDCA, FMEA, 6 Sigma e 5W2H. Claro que é importantíssimo verificar a aplicabilidade de cada uma dentro de cada processo.” 6-Você teria alguma dica para os alunos que querem ingressar nessa área da Engenharia da Qualidade? “A engenharia da qualidade, se aplicada de forma eficaz, torna-se um grande diferencial nas empresas, principalmente em tempos de crises, pois uma gestão da qualidade bem feita, traz redução de retrabalhos o que automaticamente oferece redução de custos, fidelidade do consumidor, pois proporciona um produto padrão. Minha dica é que os alunos invistam nessa área buscando oferecer produtos cada vez mais confiáveis para o consumidor, apesar de algumas empresas ainda acharem que qualidade é "gasto", depende de nós engenheiros da qualidade provar o contrário, com um árduo trabalho, levantamento de dados e com soluções preventivas, mostrar que qualidade é investimento.”