A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
8 pág.
Anemia Ferropriva, Megaloblástica, de Doença Crônica

Pré-visualização|Página 1 de 8

Tutori al II I (24 to go )
Anemi a fe rro pri va
- A mai s co mum, corresponde a prati camente 90% d os casos
- A d efi ciê n ci a de fe rro é a f orma mai s fre qu ente de carênci a nutri ci onal
- O f erro é o princi pal consti tui nte d a he mogl obi na, respon vel pe l o transporte de oxi gê n io
- Ce rca de 20% d a popul açã o mundi al n ão te m rese rvas de f e rro sufi cie nte s no orga nismo para repor a he mogl ob ina
- P or e sta razão, q ual que r ex cesso de demanda é sufi cie nte p ara de se ncade ar ane mi a
Bases fisiop atoló gicas e metabo lismo do f erro
- O con teú do to tal de f e rro no organi smo é d e 50mg/k g para h omens e 35mg/k g para mul he res
- É di stri bu ído como : e strutura do grup ame nto he me da hemo gl obi na ( aprox imadame n te 70%) ; prote ín as de
armaze namento d e fe rro, como a he moss ide ri na e ferriti na ( 30%) ; pl asma (ape nas 0,1% se m es tar li gada, o u li gada à
tran sfe rri n a e m pe que na p rop orçã o)
- A pe rda di ári a de f e rro é consi de rada baix a: apenas 1,0mg/ di a, até me smo com a menstruaçã o (0,006 a
0, 025mg/k g) - O prin ci pal fator rel acionado com a e ti ol ogi a é carência nutri cional e não a sua pe rda di ári a.
Síntese d o gru po heme
- Ocorre majo ri t ari ame nte e m dois te cidos : o he ti co e o he matopoi éti co ( MO )
- Te m i n ício quand o o succi nil CoA s e con de ns a com a gli cina, l ibe rando a CoA , f ormando o comp osto ALA ( áci do δ-
ami no l evul íni co) , pel a ação da en zi ma al a si nte tase que re que r a vi tami na B6 para atuar
- Duas molécul as de ALA se une m, j á no ci tosol, e po r de sidrata ção e f ormam o porfobi lin ogê ni o, por mei o da e n zima
ALA Desi drase (ini bi da pe lo chumbo)
- O porf obili n ogê ni o, como um anel pi rrólico, se u ne com mais 3 compostos i guai s, por mei o da e nzima
uroporfi ri nogê ni o si ntase , formam o urop orfi rinogê ni o III, libe rando 4 mol é cul as de amôni a (NH4+)
- A travé s da enzima u ro porf i ri n oni o II I de scarbox il ase , ori gi na-se o coproporfi rino gê ni o III
- Este vol ta à mi tocondria e é ox idado pel a copropo rfi rino gê ni o oxi d ase , ori gi nando o protoporf i ri nogênio IX, q ue
se oxi d ado ( pe rde ndo 6H+) , para f ormar a protoporf i ri na IX
- A p rotoprofirin a recebe um íon Fe ++ cedi do pe l a f e r roque l atase, fo rmando o grupo He me
Metabo lismo do f erro e ab so ão
- Duas vi as de absorção do fe rro: uma ligada ao he me (f e rro- he me ) e outra não l i gada ao he me (fe rro não -heme)
- A forma h eme é bem me lho r absorvi da ( al ta biodi sp onibil idade ) e mel h ora a absorção de pool de fe rro não- heme .
É prove nie nte d e f onte s de ali me ntos de ori ge m animal ( he mogl obi na, mi ogl ob ina e outras he me- prote ínas) .
- O fe rro não- he me e stá p re se nte e m al imentos de ori ge m ve ge tal, e n contrando-se sob a f orma de co mpl exo fé rrico,
que durante a di ge stão é parci al me nte reduzi do p ara a f orma fe rrosa, d e mai s f ácil abso rção, s ob a ão do ácido
cl orídri co, bil e e su co pancre áti co
- A s princi p ai s f onte s ve ge tais de fe rro são f ol has ve rde s escuras, couve, e spi naf re, brócol is, be te rraba, f e ij ão, e tc.
- O prin ci pal l ugar de ab sorção do f e rro se no duo de no e no je juno
- Após o processo de d iges tão, a mai or p arte do fe rro fo rma u m depósi to i ntral umi nal , com sua absorção
de te rmi nada por f atores f acil itadore s (áci do as córbi c o ou vi tami na C)
- N o i nte sti no, o f e rro po de s e gui r doi s d estinos: ficar armaze nado dentro d o e nte róci to (e se r pe rdi do na
de scamação i nte s ti nal ) ou se li gar a prote ínas transme mbranas d os e nte rócitos e se r abs orvi do .
- No pl asma, o fe rro se li ga à transfe rrin a e sua mai o r parte se move atrav és de sta p ro te ína até al cançar a me dul a
óss ea, onde p re cursore s e ri tr ói de s são capaze s de produzi r a hemogl obi na.
- A o utra parte , e m menor e scal a, se armaze nada na f orma de ferriti na e he mosi de ri na por macr áfagos do f ígado e
do baço
- A l guns ío ns de fe rro tamb ém são d i re ci onados p ara a f ormação da mi oglobi na mu scul ar e os ci tocromo s e nv ol vidos
na cade i a re s pi ratória mi tocon dri al
- Quando a sínte se da he mogl obi na se comple ta, o fe rro na forma de h emogl o bi na nos e ri tr óci tos, é distri bdo na
ci rcul açã o
- Após ce rca de 90- 120 di as, as h e máci as s ão f agoci tadas por macráf agos no b o, prin ci pal me nte .

O fe rro é e ntão ex traído da hemogl obi n a
- Pode-se de stacar al guns ti pos de p rote ínas en volvi das co m o pro ce sso de metab ol i smo do f e rro : as carread oras do
f e rro (trans fe rri n a) e as de armaze namento (fe rri ti na e he mosid e ri n a).
Uma mo l é cul a de transfe rrina é capaz de se li gar a d ois íons fe rro, os q uai s se rão transportado s p ara a medul a ósse a,
e m s ua mai ori a.
- A mane i ra normal e mai s comum d e armaze name nto d e fe rro no organi smo se f az s ob a f orma de fe rri ti na e ,
quando o o rgani smo ne cessi ta de ferro, re ti ra de s te e stoque
- A concentração sé ri ca de fe rri ti na é d i re tame nte p roporci onal às rese rv as de f e rro no organismo
- Quando o f e rro se acumul a n a hemossi de ri na, não é mais re utili z ad o
- O organi smo o apres enta ne nhu m me cani smo espe cífi co conhe cido de e li mi naçã o do fe rro . Assi m, o ex cesso de
f e rro é um p roble m a i mpo rtante .
- O tratame nto de uma e ve ntual ane mi a apenas i nsti tu indo o aume nto da i nge stãoo fe rro po de causar, o acúmul o
de ste íon se a ane mi a te nha s ido por ou tra causa
- O fe rro em ex ce sso é x i co para o organismo, po de ndo causar pancre atite/ins uf i ci ênci a pancráti ca, cardi p ati as por
i mpre gnação de ferro, he patopati as
- O tratame nto nestes casos se ria a sangri a e a utili z ação de quelante s de fe rro
- Exi ste m me cani smos que regul am a abso rção. O bl oqueio mu coso, por e xempl o, consi ste na forma ção de um
complex o entre a tran sf e rri na e a prote ína efestina (HFE) que modul a a capaci dade abs orti va de ferro no enteróci to
- N es te co ntex to, a abs orção de f e rro é modul ada de acordo com a die ta
- Outros dois me cani smos s ão rel acionados com a conce n tra ção de ferriti na ( se e sta e s ti ve r ele vada n o enteróci to, a
absorção é re duzida) e com re gul adores he mato po ti cos ( se e xi ste uma mai or ne ce ssi dade de produ çã o me dular,
ocorre um au me nto na abs orção)
- A v i tamina C é capaz de auxi li ar na ab sorção do f e rro. Contud o, sua util ização au me nta a intole n ci a gástri ca
Etiologia
- A s princi p ai s causas s ão:
Sangramento crôni co
Deficiê nci a alime ntar
Sangramento g ástri co
He morrói das
Ne opl asi as
He mogl obi núri a
Parasi tose
Doe nça celíaca
Uso de sal i ci l atos
( AAS)
Acl ori dri as: f az- se uso de be ta- bl oque adore s.
Gastre cto mi a: i nte rfe re na e stabili zação ( pel o áci do clorídri co) e no l ocal de ab sorçã o do Fe ( in testino)
Hi pe rmenorréi a: ( 1) uso de mai s de 12 abso rve nte s por pe r íod o; ( 2) u so de mais de 4 absorve nte s p or di a;
( 3) p re se n ça de coágul os; (4) duração da men struação por mai s de 5 di as.
Ne ce ssi dade s aumentadas:
Cres cimento
Gravi de z
Bai x a re se rva de fe rro ne on atal : pre maturos não te m re se rva ade quada ( formada n o 3º trime stre )
Fisiopa to lo gia
- Fases d a i nstal ação d a ane mi a:
1. Depl e çã o gradati va do fe rro ( di mi nui çã o das re se rvas), s e m af e tar a he matopoiese (s em an e mi a) .
2. Eri tropoe se defi cie nte ( pode ndo j á ap re se n tar mi croci to se e hi po cromi a), mas se m ane mi a i mportante .
3. Ins tal ação da an emi a propri ame nte di ta.
- A conte ce de forma gradativa, i nsidios a e, re l ati vamente de mo rada.
- Se V CM e HCM s e apre sen tarem b ai xos, me smo na au s ên ci a de uma ane mi a propri ame nte di ta, pode- se suge ri r
uma d ef i ci ên ci a de fe rro
Quad ro clín ico
O s s i nai s e si ntomas s ão i ne s pe f i cos, ne ce ssi tand o- se d e e x ames laboratori ai s conf i rmação.
- Pal i de z cutâne o- mucosa, f adiga com i ncômodo e m me mbros i nfe rio re s, s onol ênci a, tontura, di spne i a, u nhas
quebradi ças, pi ca (pe rve rsão do ape ti te)
- A ass oci ação en tre que lite angul ar, glos si te , di sf agi a e def i ci ênci a de fe rro caracte ri z a a Sd. de Pl umme r- Vi nson

Dados lab orato riais
- O he mo grama e do esf re gaço pe ri fé ri co são de grande vali a, mas a confi rmaçã o é fei ta pe l o “laborat ório do fe rro”
( fe rro sé ri co, TI BC e fe rri ti na sé rica) .
- N os casos duvi dosos, pode - se l an çar mão do aspi rad o de medul a ósse a ( mie l ograma)
He mograma: anemi a mi crocíti ca e hi p oc mi ca, an i soci tose ( al te ra ção do tamanho) , poi qu il oci tose
( al te ração da f orma) . Re ti cul ó ci tos di mi nu ídos e l eucope ni a ( 15% d os cas os)
Pl aque tose ( 75% dos casos) : causada pe lo sangrame n to
Pe rf il do fe rro: o teste que mel hor av al i a as re se rvas de fe rro é a fe rriti na.
Fe rro sé ri co (V R: 50-170mcg/dl ) : di mi nu ído
Capaci dade total d e li gaçã o do fe rro ou TIBC ( V R: 250- 36 0mcg/dl ) : au me ntada (f e rro re du zido
aumenta a capaci dade de l i gação)
Ín di ce de saturaçã o da transferri na = Fe rro x 100/ TI BC ( V R: 20- 40%) : diminuída.
Fe rri ti na (V R: 10- 300n g/ml) : di mi nuída. Pode te r se u val or al te rado (el evada e m al gumas doenças,
como o LES)
As pi rado de me dul a ósse a ( mielograma) : pe squi sa de fe rro me dul ar. É o exame d e mai o r acuráci a, mas s ó
solici tado nos casos duvi dosos.
Tra tam ento
- Te rap i a dieté ti ca não te m v al or algum quando e mp regada de forma i sol ada, d evido à baix a biodi sponibil idade do
f e rro nos ali me ntos .
- Os p reparados conte ndo fe rro e m sua f orma fe rrosa ( Fe +2 ) são prontamente abs orvi d os p el o trato gastroi nte s ti nal
Optar pe l a te rapê u ti ca oral , ob ede ce nd o a dose re comen dada di ári a de fe rro de 60mg de f e rro ele me ntar/di a (para
crianças, 5mg)
Sulfato fe rroso de 300mg (p ara cri anças: 25mg/kg/ di a) , 3x ao dia, se ndo a admi ni straçã o uma ho ra an te s das
refei çõe s, deve n do o tratame nto se r cont ínuo at é que ati nj a uma he moglobi na de , no m íni mo, 12g/ dl
- A val i ar re sposta ao tratame nto pel a co ntage m de re ti culóci tos: ele v am- se nos p ri mei ros di as de re po si ção,
atin gi ndo um pi co e ntre 5- 10 di as ( adul tos ) e e ntre 5- 7 di as ( cri anças).
- Te rapê uti ca pare nte ral: as indi cações de f e rro pare n te ral i ncluem:
ndrome s de má-abso ãoo duodeno- je junais, como p or e xe mplo , a doen ça ce l íaca;
i ntole rânci a ou pouca res pos ta às p re p arações orai s;
ane mi a ferropri v a ref rat ári a à terapi a oral, apesar da ade rê ncia te rapê uti ca;
ne cessi dade de re posi ção i me di ata dos e stoque s de f e rro ( ex. : us o de e ri tropoieti na recombi nante h umana
e m p acie nte s com IRC em tratame nto d i al ítico.
- A mpo l as de 2ml com 100mg de fe rro elementar
- Cál cul o da dose a se r admi ni strada:
Intra- muscul ar: dose = ( 15- Hb e ncontrada) x Pe so (kg) x 3; a dos e di ária máx ima recome ndada é de 100mg
Uma d ose de 20mg de ve s e r admi ni strad a i ni ci al me nte p ara te star a sensi bi li dade ao fe rro.
Endove nos a: d ose = ( 15- Hb e ncontrad a) x Peso ( kg) x 3; a dose di ária p ode se r e qui valente à dos e total
di vi di da em trê s di as conse cuti vos, di luída e m 100ml de s ol u ção sal ina para cad a 250mg d e fe rro e inf undi da
à v eloci d ade de 150ml / hora.
Prevençã o
- A li me ntação v ari ada, ri ca e m ali me n tos que natu ral me nte p ossuem fe rro
- As mel hore s f on tes n atu rais de fe rro s ão os al imentos de ori ge m animal por po ssu íre m o ferro heme, que é me lhor
aprovei tado pel o organi smo
Anemi a m egalobl ástica
- Di stúrbio causado pe l a redução se le tiva da síntese de DN A, o que torna a divi o celul ar l enta
- A tinge todas as lin hagens sanguíne as e , també m, ou tro s l ocais com grande proli feração cel ul ar ( ID, l íngua e úte ro)