Bulhas Cardíacas e Ciclo Cardíaco
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Bulhas Cardíacas e Ciclo Cardíaco


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BULHAS CARDÍACAS
A subunidade de uma valva semilunar é uma concha, que recebe também o nome de válvula (o conjunto de válvula forma as valvas).
A composição das valvas atrioventriculares são cúspides (tecido membranoso; do lado direito ela é mais extensa, o sangue banha mais tempo a valva mitral \u2013 que tem maior comprimento, por isso algumas patologias afetam mais ela), cordas tendíneas e músculo papilar (preso no endocárdio ventricular).
A valva tricúspide (mitral) e pulmonar funcionam com elevadas concentrações de CO2. As valvas bicúspides e aórticas funcionam com elevadas concentrações de O2. 
As valvas atrioventriculares produzem som mais abafado e grave, é o TUM na ausculta; produzem a primeira bulha cardíaca B1. Elas produzem o som no fechamento das válvulas. Sempre que ouvir B1 é o evento que marca o início da sístole, o ventrículo acabou de se encher e agora vai esvaziar. Com B1 é o início da sístole. No início da diástole a valva AV está fechada, ela abre, e quando fecha novamente e produz a B1 ou o TUM marca o fim da diástole. 
B2 é o som produzido pelas valvas semilunares pulmonar e aórtica; é o TÁ. Som é no fechamento da válvula; é um som mais aberto. B2 está fechada depois tem B2 aberta pois o sangue tem que sair dos ventrículos, então ela vai se fechar novamente ela produz B2 (tá). Quando B2 ocorre é o fim da sístole. B2 marca o início da diástole (quando os ventrículos estão vazios), o som que marca o início da diástole TÁ. 
Logo, início da sístole é TUM e o fim da sístole é TÁ. 
A B4 é mais rara de auscultar. 
A origem do som se dá por duas teorias:
Teoria valvar: explica que no momento que cada válvula se toca/encosta para ocluir o óstio, o momento do toque é quando tem o som; tem origem no contato de cada válvula. As valvas precisam fechar de maneira harmônica; quando não selam direito o que pode ocorrer é o refluxo sanguíneo. 
Teoria hemodinâmica: se refere a simplesmente à volume de sangue circulante. O som é mais forte quando mais sangue passa pela valva, já que a válvula vai fechar com mais força. Os sons seriam originados em decorrência das sucessivas acelerações e desacelerações que o sangue adquire quando o coração se contrai e relaxa. 
Primeira bulha cardíaca (B1): FECHAMENTO DAS VÁLVULAS MITRAL E TRICÚSPIDE. Corresponde ao fecho das válvulas atrioventriculares (tanto a mitral quanto a tricúspide) durante o início da sístole. A contração do ventrículo causa o embate do sangue contra essas válvulas, fazendo com que estas se fechem e se expandam em direção ao átrio, até que as cordas tendíneas parem com a expansão. A tensão elástica das cordas tendíneas e das válvulas faz com que o sangue volte a dirigir-se para os ventrículos. Provocando a turbulência e o estalido das valvas gerando B1, um som de alta frequência, o TUM. Pode ser ouvido em qualquer posição. 
Segunda bulha cardíaca (B2): FECHAMENTO DAS VÁLVULAS AÓRTICA E PULMONAR. Resulta do fecho das válvulas semilunares no final da sístole. Quando as válvulas semilunares fecham, elas expandem para trás (em direção aos ventrículos) e a sua distensão elástica empurra o sangue de volta para as artérias, causando um período de tempo onde ocorre a reverberação do sangue nas paredes das artérias, válvulas semilunares e paredes ventriculares. Ocorre no começo da diástole. A diástole é mais longa que a sístole. É o TÁ. É mais curto e mais alto que B1. É melhor para auscultar na base. 
Pode ser desdobrada, mudando com a inspiração. Pode ouvir um T-dub. O desdobramento somente será auscultado na área valvar pulmonar.
Terceira bulha cardíaca (B3): ocasionalmente é audível, tem baixa frequência, tem início no terço médio da diástole. É o primeiro sinal clínico da ICC (insuficiência cardíaca congestiva). Ocorre em ventrículos dilatados e resulta de rápido fluxo de sangue em ventrículos não elásticos. É um enchimento de ventrículos com distensibilidade limitada. Tem som de uma pedra caindo na água no fundo do poço. 
É semelhante a um galope ventricular. Causas: ICC; sobrecarga de volume; HAS. Porém, pode ser normal em crianças ou adultos jovens. 
Pode mostrar problemas valvares: Insuficiência Mitral; Aórtica ou Tricúspide. 
Quarta bulha cardíaca (B4): baixa intensidade e frequência. Ocorre quando os átrios contraem, diástole de fase tardia. É chamado de galope atrial. A contração atrial é mais vigorosa que o normal \u2013 tentando empurrar o sangue contra uma resistência aumentada. Demonstra um ventrículo esquerdo rígido, com complacência diminuída. É um som oco e mal-humorado. Surge no momento da sístole atrial, conferindo som de galope. As demais bulhas que somado a B4 conferem o som de galope são B1 e B2, que irão aparecer em contração isovolumétrica e relaxamento isovolumétrico, respectivamente. 
Pode ser auscultado em Infarto Miocárdico com grande área infartada. Um ventrículo esquerdo levemente lesado e não complacente pode acomodar o sangue inicial que entra, mas não acomoda o sangue do final da diástole \u2013 B4.B1: início da sístole. É finalizada quando as valvas semilunares se fecham e inicia quando as valvas AV fecham. 
B2: com o fechamento das semilunares, determinando a fim da sístole e início da diástole. 
FASE SISTÓLICA: TUM- TÁ. 
FASE DIASTÓLICA: TÁ-TUM.
O intervalo presente entre B1 e B2 é chamado de pequeno silêncio (também pode ser a sístole). E o tempo entre B2 e B1 é chamado de grande silencio (também pode ser a diástole). 
CICLO CARDÍACO
É marcado pelo funcionamento das câmaras cardíacas; a câmara cardíaca de referência é ventrículo. É o início de um batimento até o início de outro batimento, marcado por um conjunto de eventos entre esse batimento. Tudo que acontece no ventrículo esquerdo ocorre simultaneamente no ventrículo direito. 
O ciclo cardíaco é dividido entre sístole e diástole. Entre elas existe uma fase virtual, protodiástole, é marcada pelo fim da sístole e início da diástole. Sístole \u2013 Protodiástole \u2013 Diástole. 
A sístole é chamada de pequeno silêncio e a diástole é chamada de grande silêncio. Sempre em pacientes graves deve-se ter noção do ritmo, o ritmo é por exemplo 20 batimentos até 30s e 40 de 30s até 60s. Exemplo: paciente com 60 batimentos por minuto (frequência cardíaca). 
O coração apresenta-se em repouso no momento em que tanto o átrio quanto o ventrículo estão em diástole, esse momento é muito breve, é quando os átrios estão sendo enchidos de sangue e o ventrículo acabou de voltar da sístole. A medida que o ventrículo vai relaxando mais as valvas AV vão abrindo, e o sangue flui pela \u201cgravidade\u201d para o ventrículo. 
Ocorre então a sístole atrial, com o objetivo de aumentar o débito cardíaco, já que 20% do enchimento do ventrículo ocorre com a sístole atrial (esse percentual aumenta quando a frequência cardíaca aumenta). Na sístole atrial ocorre o aparecimento do pulso jugular, que ocorre pelo refluxo sanguíneo nas veias já que não existe valva para impedir esse refluxo; quando esse pulso aparece em uma pessoa sentada ereta indica pressão no átrio direito anormal. 
Quando os átrios se contraem a onda de despolarização se move lentamente pelas células condutoras do nó atrioventricular e seguem pelos ramos do fascículo atrioventricular até o ápice do coração, ocorrendo a sístole ventricular. O sangue empurrado contra as valvas AV fazem com que estas se fechem, não permitindo refluxo para o átrio. As vibrações geradas pelo fechamento das valvas AV (bicúspide e tricúspide) acabam formando a PRIMEIRA BULHA CARDÍACA \u201cTUM\u201d, é a fase de SÍSTOLE VENTRICULAR ISOVOLUMÉTRICA, onde as valvas (tanto AV quanto SLR) estão fechadas e o sangue não é escoado para nenhum local. 
Quando os ventrículos contraem acabam gerando uma pressão suficiente para abrir as valvas semilunares e empurram o sangue para as artérias. Essa força gerada pelos ventrículos se torna a força propulsora do fluxo sanguíneo. 
No final da ejeção ventricular, estes começam a repolarizar e acabam relaxando, diminuindo a pressão ventricular. A pressão ventricular cai abaixo da pressão presente nas artérias, e