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Abrangência das Ações de Saúde ( Módulo IV ) Unime 2018.2

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escolher um médico de sua livre escolha ( não 
precisa ser generalista ) o qual fica responsável pela coordenação e 
continuidade de seu cuidado. Apenas as situações de urgência e emergência 
não necessitam de referência e as especialidade de oftalmologia, ginecologia, 
pediatria e psiquiatria. 
 Além dessa, outras medidas foram implantadas para a reorganização e 
contenção de custos na saúde, como a distribuição de genéricos pelos 
farmacêuticos e o estabelecimento de teto máximo por itens de serviços . 
 
 
 O tempo de espera para os serviços não são longos, mas as pequenas 
emergências sobrecarregam os hospitais. 
 
 CHILE ( Gasta cerca de 7.3 % do PIB, sendo o público apenas 3.4% ) 
 
 No chile a saúde é tratada como mercadoria pois o sistema de saúde é 
bastante caro, basicamente privado e mesmo nos hospitais considerados 
públicos não atendem ao paciente de forma gratuita. 
 Na década de 80, o governo militar transferiu para a iniciativa privada a 
responsabilidade de gerir o direito social da saúde dos cidadãos do país. Neste 
período, foram criadas as Isapres (Instituciones de Salud Previsional), 
equivalentes aos planos de saúde do Brasil e o FONASA (Fondo Nacional de 
Salud). Com isso, criou-se o “mercado da saúde”. Como não existe muita 
regulação e a legislação também não é muito clara, este sistema vem 
recebendo muitas críticas nos últimos anos por ser muito desigual e visar o 
lucro das seguradoras de saúde em detrimento da saúde das pessoas que 
veem o acesso aos tratamentos médicos condicionados ao tamanho do seu 
“bolso”. 
 O sistema de saúde é coparticipativo e os trabalhadores devem destinar 7% 
de seu salário para o FONASA ou Isapres. O FONASA seria uma seguradora 
de saúde pública e as Isapres são as seguradoras privadas. Todos os 
trabalhadores devem optar por contribuir com uma delas Isapres ou FONASA. 
Se o trabalhador decide por esta última, a afiliação é automática e os afiliados 
são classificados da seguinte forma: 
 A: carentes de recursos, portanto não devem contribuir com nenhum 
valor de co-participação para os tratamentos; 
 B: recursos inferiores ao salário mínimo, também não devem 
contribuir com nenhum valor de co-participação para os tratamentos; 
 C e D: recursos superiores ao salário mínimo, estes entram no 
sistema de coparticipação. 
 As Isapres devem ser contratadas pelo trabalhador, o qual deve escolher o 
plano que melhor lhe acomoda e os benefícios, assim como os beneficiários 
(filhos, cônjuge). Se o plano que se deseja contratar é superior aos 7% 
obrigatório de contribuição, se deve pagar a diferença restante o que acontece 
na maioria dos casos. Os planos mais econômicos têm uma cobertura muito 
pequena e com muitas restrições. O valor mensal pelos usuários de isapres 
varia de acordo com o gênero, (as mulheres pagam mais), a idade 
(encarecendo o custo para os mais idosos) e em caso de doenças crônicas, 
como hipertensão ou diabetes. 
 Na maioria das vezes, essas seguradoras não cobrem a totalidade do 
tratamento ou do serviço de saúde e o trabalhador deve pagar pelo restante. O 
valor varia de acordo com o plano contratado e a clínica (hospital) escolhida 
como preferencial no momento de assinar o contrato. Os valores mudam de 
acordo com o centro de saúde que você se atende, alguns têm mais coberturas 
do que outras dependendo do plano contratado. 
 As porcentagens de cobertura também variam de acordo com a Isapre ou 
plano contratado e todas as Isapres tem um teto de cobertura (tope de 
cobertura) que é uma das “pegadinhas”, por isso é importante estar atento, o 
ideal é contratar um plano que não tenha tope, mas obviamente que sai mais 
caro. 
 
 
 Muitas vezes esse tope é muito baixo o que aumenta muito o valor a ser 
pago pelo afiliado em cada tratamento, consulta ou exame. O mínimo de 
cobertura estipulado por lei é de 25% e também existem atendimentos que não 
tem cobertura nenhuma. 
 O FONASA também estipula alguns limites de cobertura em quanto à 
quantidade de atendimentos para certas modalidades, mas não existe restrição 
em quanto às doenças preexistentes o que não acontece com as Isapres que, 
por sua vez, impõe restrições para esses casos, inclusive gravidez. Portanto, 
se você está grávida e pretende contratar um plano de saúde ou mudar seu 
plano atual, é preciso estar atenta aos prazos de cada uma, pois muitas não 
cobrem o parto se você contratar o serviço a partir de determinada semana da 
gravidez, mais uma “pegadinha” do sistema de saúde chileno. 
 Outro item importante a se observar é o seguro complementário. De forma 
bem simplificada, podemos dizer que é um seguro do seguro. Normalmente, 
ele é contratado para cobrir a diferença que os planos de saúde não cobrem, 
mas também é importante observar os detalhes dos contratos, porque para 
certas doenças de grande complexidade como o tratamento de um câncer, a 
seguradora pode pôr fim ao contrato de forma unilateral. 
 Além disso, existem os seguros específicos dos próprios centros de saúde e 
os valores oscilam bastante também, portanto, se existe um centro de saúde 
específico que você costuma se atender, é possível fazer um seguro exclusivo 
para os atendimentos neste local. 
 
 CUBA ( Utiliza cerca de 12 % do PIB ) 
 
 Para elevar os níveis de saúde da população, os esforços da Revolução começaram com a 
Campanha Nacional de Alfabetização em 1961, que abriu o caminho para a educação 
sanitária; e a aplicação, desde 1960, de uma política social que permitiu estabelecer a 
equidade no acesso a serviços, que foram progressivamente ampliados com postos médicos 
rurais, maternidades e policlínicas que iniciaram o atendimento primário no país, para priorizar 
a assistência aos grupos mais vulneráveis da sociedade. 
 “Cuba tem dois sistemas de saúde”, explica o médico Julio César Alfonzo. 
“Um para os cubanos, outro para os estrangeiros, que recebem um 
atendimento de maior qualidade, enquanto a população nacional tem de se 
conformar com instalações caindo aos pedaços, falta de remédios e 
equipamentos e falta de pessoal especializado, que é enviado ao exterior para 
gerar renda para Cuba". 
O Estado reserva os melhores hospitais, equipamentos e remédios para a 
elite do poder e para os estrangeiros, enquanto descuidam da qualidade do 
serviço prestado ao cubano comum, que é obrigado a depender do mercado 
negro ou do favor de seus familiares no exterior para conseguir qualquer 
tipo de medicamento. 
 A saúde de Cuba é muito elogiada, entretanto, isso não cabe para todos os 
serviços. A mortalidade infantil, por exemplo, é muito pequena, os serviços 
sanitários e atenção primária funcionam de forma perfeita. Mas o país sofre 
com a falta de especialistas e com uma infraestrutura retrógrada dos hospitais 
de médio e grande porte, portanto dá para perceber que a saúde é gratuita e 
universal ( ainda que não seja de forma igual ), entretanto é muito descuidada. 
 O problema da saúde cubana piorou quando o governo começou a perceber 
que seria muito rentável enviar seus profissionais da saúde para missões no 
exterior, esses profissionais são obrigados a “ doar “ 50 % de seu salário para o 
 
 
Estado e mesmo assim eles preferem do que trabalhar no país pois acabam 
recebendo muito mais, já que o salário em Cuba é de 50 dólares mensais. Nas 
missões eles recebem cerca de 1000 dólares por mês, ficando com 500 
dólares. Como muito médicos quiseram sair para essas missões e o governo 
também acabava se beneficiando muito, o número de profissionais dentro do 
país ficou reduzido ao mínimo e para compensar isso o governo passou a criar 
escolas médicas que formam médicos em tempo recorde, para assim tentar 
equilibrar a situação. 
 Não é incomum ver médicos trabalhando em outras funções, como taxista,