A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
195 pág.
Apostila de Clínica Cirúrgica

Pré-visualização | Página 1 de 50

DRª VIVIANE TIEMI KENMOTI Clínica Cirúrgica 
 
Autora: Mayra Parente 
 Medicina 2015/1 Página 1 
 
Módulo N1 
ABDÔMEN AGUDO 
Definição: 
 Síndrome dolorosa abdominal aguda que requer tratamento imediato clínico ou cirúrgico. 
Então, nem todo abdômen agudo é cirúrgico. Exemplo: Paciente chega ao PS referindo dor abdominal há 30 dias. Qual a chance de 
ser cirúrgico? Grande ou pequeno? Pequena. A não ser, que o mesmo relate que há 30 dias tem essa dor, mas há 3 esta dor 
piorou, nesse caso a chance é um pouco maior de ser cirúrgico. 
 Se o quadro clínico não for tratado ocorre uma deterioração do estado geral do paciente e risco de morte. 
Isso, porque o paciente entra num quadro inflamatório, obstrutivo ou perfurativo, que no final acaba levando o paciente a um quadro 
de choque séptico. 
 Dor abdominal que persiste por mais de 6hs na maioria das vezes é cirúrgico. É o paciente que chega ao PS porque 
realmente a dor está incomodando. Devemos estar atento durante a abordagem desse paciente. Quando começou a dor? 
1 há 2 dias. Nesse caso, já devemos ficar atentos. 
 
Classificação do abdômen agudo segundo causas abdominais 
Gastrointestinais Apendicite*, obstrução intestinal, perfuração intestinal, 
isquemia mesentérica**, úlcera perfurada, diverticulite de 
Meckel, diverticulite do colón, doença inflamatória 
intestinal 
Pâncreas, vias biliares, fígado e baço Pancreatite, colecistite aguda, colangite, hepatite, abscesso 
hepático, ruptura esplênica, tumores hepáticos hemorrágicos 
Peritoneal PBE-peritonite bacteriana espontânea 
Peritonites secundárias a doenças de órgão abdominais e/ou 
pélvicos (Exemplo: Peritonine secundária a uma apendicite) 
Urológica Cálculo ureteral, cistite e pielonefrite 
Retroperitonial Aneurisma de aorta e hemorragias 
Ginecológica Cisto ovariano roto, gravidez ectópica, endometriose, torção 
ovariana, salpingite e rotura uterina 
Parede abdominal Hematoma do músculo reto abdominal 
 
*Apendicite aguda é uma das causas mais comum. **Isquemia mesentérica não é algo comum. Nem todas as causas citadas acima 
são de tratamento cirúrgico. 
* Em mulheres devemos sempre estar atentos à dor abdominal aguda e lembrar-se de relacionar as suspeitas clínicas á causas 
ginecológicas. Então, na mulher é muito mais difícil de fazer o diagnóstico do que nos homens. 
* Hematoma do músculo reto abdominal não é uma das primeiras causas a se pensar. Sempre quando pegarmos um quadro de 
abdômen agudo devemos pensar primeiro no que é mais comum. O raciocínio é sempre dessa forma. 
 
Classificação do abdômen agudo segundo causas extra-abdominais 
Torácicas IAM, pneumonia, infarto pulmonar, embolia, pneumotórax, 
pericardite, derrame pleural 
Hematológica Crise falciforme, leucemia aguda 
Neurológica Herpes zoster, tabes dorsal, compressão da raiz nervosa 
Metabólica Cetoacidose diabética, porfiria, hiperlipoproteinemia, crise 
Addisoniana. 
Relacionadas a intoxicações Abstinência de narcóticos, intoxicação chumbo, picada de 
cobra e insetos 
Etiologia desconhecida Fibromialgia 
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
DRª VIVIANE TIEMI KENMOTI Clínica Cirúrgica 
 
Autora: Mayra Parente 
 Medicina 2015/1 Página 2 
 
Obs.:>>Nem todo paciente com dor abdominal a causa é somente intrabdominal. Há também causas extra-abdominais. Exemplo: 
Idoso, diabético, que queixa de dor epigástrica devemos pensar em infarto. É muito importante está fazendo esses tipos de 
diagnóstico diferencial, associando com faixa etária. Exemplo: Pneumonia_ principalmente, em crianças, o paciente com 
acometimento de base pulmonar e muitas vezes apresenta um quadro de dor abdominal. 
 Quando o paciente chega com quadro de dor abdominal, o que é importante para você como clínico? 
1° Saber se é cirúrgico ou não. 
Para isso, deve ser avaliada bem a dor abdominal através de uma história clínica completa. Questionando: Qual a 
característica da dor? Irradia? Duração? Importante perguntar ao paciente se já sentiu este tipo de dor antes, porque dependendo 
do que se está suspeitando, a chance de ser cirúrgico é menor. Exemplo: Apendicite aguda. Você já sentiu isso antes? Sim. A 
chance de ser apendicite diminui um pouco. 
HDA 
 Localização da dor 
 Quando iniciou e onde iniciou? Muito importante perguntar, pois muitas dores são migratórias. Ex: Apendicite aguda 
(começa no epigástrio, região periumbilical, e depois migra para fossa ilíaca direita). 
 Tipo de dor 
 Irradiação 
 Fatores de melhora e piora 
 Intensidade 
 Evolução e tratamento realizado. O senhor (a) acha que essa dor melhorou, piorou ou está à mesma coisa? Se, melhorou 
a dor, qual a chance de ser cirúrgica? Pequena. O paciente que tem uma dor de indicação cirúrgica é uma dor que 
aumenta de intensidade progressivamente. Se ela continua da mesma forma, pode ter ou não indicação de cirúrgica, mas 
ficamos mais nos questionando, pode ter ou não? Depende. 
 Sintomas semelhantes anteriores e sintomas associados 
Importância da idade 
 Intussuscepção: é mais comum em crianças abaixo de 2 anos de idade. * Intussuscepção: Quando uma alça intestina 
invagina para dentro de outra. 
 Colecistite é rara antes de 20 anos. 
 Obstrução colônica: é rara antes de 35 anos. É raro em jovens, porque a causa mais comum de obstrução colônica são 
neoplasias. E neoplasias não são comuns nessa idade. 
 Apendicite: Pensar sempre em crianças de 8-9 anos e em adultos jovens. 
DOR 
 Sintomas mais importantes na avaliação do abdome agudo 
Visceral: 
 Imprecisa, cólica ou queimação, paciente inquieto. 
 Causas da dor visceral: Distensão, contração, inflamação ou isquemia. 
 Geralmente acompanhada de náusea e vômito. 
Parietal (somática profunda): aguda, intensa e persistente. 
 Quando acomete o peritônio parietal. 
 Localização precisa. 
 Frequentemente acompanhada de contratura da musculatura abdominal. 
 Leva o doente a permanecer quieto. 
Ex: Apendicite aguda a dor inicialmente é visceral, quando a inflamação acomete o peritônio parietal é momento em que o paciente 
consegue indicar a localização da dor. 
Dor referida ou irradiada: 
 Dor de origem intra-abdominal que se manifesta em área anatomicamente distante, por compartilhar os mesmos circuitos 
neurais centrais. 
 Exemplo: dor no ombro por irritação do diafragma (Sinal de Kher). Como por exemplo, um paciente está no 1° dia de pós-
operatório de uma laparotomia, tinha muito pus em cavidade, depois no 5° dia de pós-operatório começa uma dor no 
ombro. Devemos, nesse caso, pensar que o paciente esteja fazendo uma nova coleção de pus próximo ao diafragma e 
isso possa está irritando o diafragma. 
 
 
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight
Paulo
Highlight