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Associação Brasileira de Formação e Desenvolvimento Social - ABRAFORDES
www.CursosAbrafordes.com.br
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Curso Dislexia
Lição 01: O que é dislexia? Há tratamento para a dislexia? Como identificar a
dislexia?
O que é dislexia?
Definida como um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração,
a dislexia é o distúrbio de maior incidência nas salas de aula. Pesquisas realizadas em vários países
mostram que entre 05% e 17% da população mundial é disléxica. A DISLEXIA não é uma doença, é
um distúrbio de aprendizagem congênito que interfere de forma significativa na integração dos
símbolos lingüísticos e perceptivos. Acomete mais o sexo masculino que o feminino, numa proporção
de 3 para 1."
Ao contrário do que muitos pensam, a dislexia não é o resultado de má alfabetização, 
desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica ou baixa inteligência. Ela é uma
condição hereditária com alterações genéticas, apresentando ainda alterações no padrão
neurológico.
Por esses múltiplos fatores é que a dislexia deve ser diagnosticada por uma equipe multidisciplinar.
Esse tipo de avaliação dá condições de um acompanhamento mais efetivo das dificuldades após o
diagnóstico, direcionando-o às particularidades de cada indivíduo, levando a resultados mais
concretos.
Há tratamento para a dislexia?
O principal foco do tratamento para dislexia deve ser nos problemas específicos de aprendizado da
pessoa afeta. O curso usual do tratamento é modificar os métodos de ensino e ambiente
educacional para atender às necessidades específicas da pessoa com dislexia.
Qual é o prognóstico para pessoas com dislexia?
Para aqueles com dislexia o prognóstico é variado. A dislexia afeta uma gama tão ampla de pessoas,
produzindo diferentes sintomas e variados níveis de gravidade, que previsões são difíceis de ser
feitas. Porém, o prognóstico é geralmente bom para pessoas nas quais a dislexia foi identificada
prematuramente, tem família e amigos que dão suporte, e que estão envolvidos em programas
apropriados de remediação.
Como identificar a dislexia?
Haverá sempre:
dificuldades com a linguagem e escrita; dificuldades em escrever;
dificuldades com a ortografia; lentidão na aprendizagem da leitura;
Haverá muitas vezes: disgrafia (letra feia);
discalculia, dificuldade com a matemática, sobretudo na assimilação de símbolos e de decorar
tabuada;
dificuldades com a memória de curto prazo e com a organização; dificuldades em seguir indicações
de caminhos e em executar seqüências de tarefas complexas;dificuldades para compreender textos
escritos; dificuldades em aprender uma segunda língua.
Haverá às vezes:
 
dificuldades com a linguagem falada; dificuldade com a percepção espacial; confusão entre direita e
esquerda.
Lição 02: Disléxico na Sala de Aula
DISLÉXICO NA SALA DE AULA
Lidando com um aluno disléxico, o professor deve ter conhecimento e
sensibilidade. Algumas estratégias podem usadas para facilitar o aprendizado do aluno disléxico:
· uso frequente de material concreto: relógio digital, calculadora, gravador, material dourado;
· confecção do próprio material para alfabetização, como desenhar, montar uma cartilha;
· uso de gravuras, fotografias (a imagem é essencial para sua aprendizagem);
· folhas quadriculadas para matemática; · máscara para leitura de texto;
· letras com várias texturas;
· fazer revisões frequentemente;
· evitar ou dar mais tempo para que copie do quadro, pois isso é sempre um problema;
· para ler palavras longas, ensinar a separá-las com uma linha a lápis;
· não forçar a modificar sua escrita, pois ela sempre acha sua letra horrível e não gosta de vê-la no
papel. A modulação da caligrafia é um processo longo;
· dar menos dever de casa e avaliar a necessidade e aproveitamento deste;
· dar um tempo maior para realizar as avaliações escritas. Uma tarefa em que a criança
não disléxica leva 20 minutos para realizar, a disléxica pode levar duas horas;
· sempre que possível , a criança deve ser encorajada a repetir o que lhe foi dito para fazer, isto
inclui mensagens. Sua própria voz é de muita ajuda para melhorar a memória;
· usar sempre uma linguagem clara e simples nas avaliações orais e principalmente nas escritas;
· uma língua estrangeira é muito difícil para eles; fazer suas avaliações sempre em termos de
trabalhos e pesquisas;
· a criança disléxica deve sentar-se próxima à professora, de modo que a professora possa
observá-la e encorajá-la a solicitar ajuda;
· não esperar que ela use corretamente e autonomamente um dicionário para verificar como é a
escrita correta da palavra. A habilidade de uso de dicionário deve ser cuidadosamente ensinada;
· evitar dar várias regras de escrita numa mesma semana. Por exemplo, os vários sons do "C" ou
"G". Dar lista de palavras com uma mesma regra para a criança aprender, sendo uma a cada
semana.
A professora deve ter muita sensibilidade para que suas atitudes não diminuam
a autoestima do aluno disléxico, já tão frágil. Algumas atitudes e
comportamentos podem ser feitos para isso:
· evitar dizer que ela é lenta, preguiçosa ou compará-la aos outros alunos da classe;
· ela não deve ser forçada a ler em voz alta em classe a menos que demonstre desejo em fazê-lo;
· suas habilidades devem ser julgadas mais em sua respostas orais do que nas escritas;
· demonstrar paciência, compreensão e amizade durante todo o tempo; · não riscar de
vermelho seus erros ou colocar lembretes tipo: estude!
precisa estudar mais! precisa melhorar!;
· procurar não dar suas notas em voz alta para toda classe, isso a humilha e a faz infeliz;
· não considerar as trocas na escrita como erro por falta de cuidado, tirando pontos de seu
trabalho;
· procurar não reforçar sentimentos que minimizam sua autoestima.
 
Abaixo seguem algumas atividades que estão dando certo. Resolvi compartilhar com outras
pessoas, pois quem ganha são nossas crianças e jovens disléxicos. Evidentemente que cada
disléxico é único e dentro deste princípio de individualidade vou adequando, criando e
recriando atividades, pois meu objetivo é o de minimizar angústias e promover, de fato, a
inclusão. Gostaria de lembrar que o diagnóstico da dislexia deve ser realizado sempre por
uma equipe multidisciplinar, onde muitos profissionais estão envolvidos. (
Fonoaudiólogo, Psicopedagogo, Neurologista, Otorrinolaringologista.)
Um abraço
 
Leila Bambino
Lição 03: Atividades que podem ser trabalhadas
· Coloque os nomes dos animais em ordem alfabética.
· Procure o nome dos animais no caça - palavras abaixo, pintando cada um de uma cor
diferente.
 
 
A
 
R
 
A
 
R
 
A
 
S
 
A
 
P
 
O
 
V
 
V
 
A
 
R
 
T
 
B
 
R
 
F
 
O
 
C
 
A
 
G
 
T
 
P
 
Z
 
E
 
B
 
R
 
A
 
T
 
C
 
A
 
O
 
Y
 
I
 
L
 
R
 
S
 
K
 
R
 
A
 
L
 
F
 
W
 
O
 
H
 
U
 
R
 
U
 
B
 
U
 
O
 
E
 
M
 
B
 
A
 
L
 
E
 
I
 
A
 
P
 
P
 
J
 
A
 
C
 
A
 
R
 
É
 
P
 
W
 
H
 
T
 
A
 
T
 
U
 
M
 
A
 
C
 
A
 
C
 
O
 
 
 
 
COMPLETE O TEXTO COM AS PALAVRAS QUE ESTÃO NO RETÂNGULO ABAIXO:
 
 
AMIGOS – RATINHO – ASSUSTADO – DEVORASSE- BONZINHO- ARMADILHA-URRAR –
PEQUENININHO
 
 
 
CERTA VEZ, O LEÃO ESTAVA COM FOME E SAIU PARA CAÇAR.
 
ENCONTROU UM ............................................ BEM ...........................QUEQUASE NÃO DAVA PARA MATAR SUA FOME, MAS MESMO ASSIM
 
RESOLVEU COMÊ-LO.
 
O RATINHO, ..................................................,PEDIU-LHE QUE
 
FOSSE ...............................................................E NÃO
 
O ...............................................
 
O LEÃO ATENDEU AO PEDIDO DO RATINHO.
 
LOGO QUE OS DOIS SAÍRAM, UM PARA CADA LADO, O LEÃO CAIU
 
NUMA.............................................................. COMEÇOU A ...................FEITO
 
DOIDO.
 
O RATINHO COM DÓ, RESOLVEU AJUDÁ-LO. COMEÇOU A ROER
 
AS CORDAS DA REDE E O LEÃO SALVOU-SE.
 
ASSIM, O LEÃO E O RATINHO SE TORNARAM DOIS BONS.................
 
 
 
LEIA COM ATENÇÃO AS PALAVRAS ABAIXO:
 
 
 
 ÁRVORE – CURSO – CAIR- ARGOLA- FORNO- VERDURA- BARCO-
 
VERMELHO-CURTO-IRMÃO- CORRER – SORRIR- URSO- FORMIGA-
 
ESCREVER- MARTELO- CIRCO- CORDA- CURVA- BORBOLETA
 
 
 
ESCREVA-AS NA COLUNA CERTA:
 
 
 
AR
 
ER
 
IR
 
OR
 
UR
 
 
 
 
 
 
 
A FRASE É A EXPRESSÃO DE UM PENSAMENTO OU IDEIA. POR ISSO, É
 
IMPORTANTE QUE A FRASE SEJA COMPLETA.
 
OBSERVE;
 
 
 
CAROLINA SAIU.
 
CAROLINA SAIU DE BICICLETA.
 
 
CAROLINA SAIU DE BICICLETA PARA PASSEAR.
 
CAROLINA SAIU DE BICICLETA PARA PASSEAR E LEVOU O SEU
 
CACHORRINO.
 
AMPLIE VOCÊ ESTAS FRASES:
 
O MENINO PESCA.
 
_______________________________________________________________
 
_______________________________________________________________
 
_______________________________________________________________
 
_______________________________________________________________
 
OS MENINOS BRINCAM.
 
_______________________________________________________________
 
_______________________________________________________________
 
_______________________________________________________________
 
_______________________________________________________________
 
A MENINA TELEFONA.
 
_______________________________________________________________
 
 
_______________________________________________________________
 
 
_______________________________________________________________
 
 
 _______________________________________________________________
 
 
 
A trilha do divertimento
 
 
 
Preciso de um dado para jogar. Pedi ao Dudu e a Dada.
Mas ninguém sabe Onde o dado está.
 
 
Sem os pontos do dado Não posso andar.
E fico parado
No mesmo lugar.
 
 
Na trilha da vida, eu vou me perder.
Preciso de um dado para jogar.
 
 
Quem tem um dado
1. Pinte as rimas do poema. 2. Circule as palavras que
começam com a letra D. 3. Quantas vezes a palavra
DADO aparece no poema? 4. De que fala o poema?
5. Alguém sabe onde o dado está?
6. Por que o dado é tão necessário?
7. Retire do poema o que se pede:
a) Três palavras com a letra D no início da palavra
b) Cinco palavras com a letra D no meio da palavra.
 
 
para me emprestar?
 
 
 
 
 
Vamos formar palavras?
 
 
 
DE
 
DO
 
DI
 
DU
 
DA
 
 
 
 
_______CE
 
 
_______NHEIRO
 
 
CA_____ADO
 
 
BAN_____
 
 
_____TA
 
 
_____PLA
 
 
_____CIONÁRIO
 
 
BO_____
FA______
 
 
______CHA
 
 
PA______RIA
 
 
______ZE
 
 
______RO
 
 
ME_____LHA
 
 
CABI_______
 
 
______NOSSAURO
 
 
 
 
Dormir fora de casa
 
 
 
A menina ficou entusiasmada com o convite. Ia passar o dia na casa da colega e dormir fora de casa
pela primeira vez.
Preparou sua bagagem. Encheu uma sacola, que a mãe examinou. Havia camisola, escova de dente,
brinquedos.
A noite foi chegando...
Dormir fora de casa não estava lhe parecendo, agora, tão bom como havia pensado.
Estava com vontade de chorar. Ficou meio triste, meio sem graça. Queria a mãe perto. Queria sua
cama, suas coisas.
Fez uma carinha boa e pediu:
-Posso telefonar para minha mamãe?
Mamãe havia saído. O jeito era aguentar firme. Distraiu-se com os brinquedos.
O sono chegou devagarzinho. Dormiu abraçada à sua boneca falando baixinho no seu ouvido: “pode
dormir sossegada, que eu estou aqui com você”.
 
 
1. Onde a menina ia dormir?
 
 
2. O que a menina levou na sacola?
3. Leia: “Passou um dia muito bom”, no texto, o que esta frase quer dizer? 4. Leia as frases abaixo e
desenhe um (sol) ou uma (lua) para indicar se o
fato aconteceu durante o dia ou à noite:
 
 
( ) Preparou sua bagagem e encheu a sacola. ( ) Estava com vontade de chorar.
( ) O sono chegou devagarzinho.
( ) Sentiu que dormir fora de casa não estava parecendo tão bom como havia pensado.
 
 
5. Como a menina se sentiu à noite? Vale marcar mais de uma alternativa: ( ) entusiasmada ( ) triste
( ) com medo ( ) tranquila
( ) alegre ( ) com saudades
 
 
 
 
 
Trabalhando os fonemas L e U Complete com L ou U
a...moço
 
so...dado
 
pa...co
 
lo...sa
 
ca...ça
 
va....sa
 
ane....
 
 
polícia...
 
 
co...ve
pa...sa
 
co...ve
 
fico...
 
vara...
 
sa....
 
ta...vez
 
vo...ta
 
 
casa....
 
 
resta...rante
a...godão
 
teso...ra
 
so...ta
 
a...tomóvel
 
do...rado
 
sa...dade
 
funi....
 
 
sa...sicha
 
 
pa...mito
pa...
 
do...tor
 
fla...ta
 
ma...vada
 
pape....
 
falo....
 
hospita....
 
 
a...fafa
 
 
sento...
canto...
 
faro...
 
falo...
 
to...ro
 
a...face
 
sa....va
 
azu....
 
 
a...meirão
 
 
espero....
 
 
largo.... tomo.... me.... cé.... centra....
 
 
 
O Ratinho e o Leão
 
 
Oleãoéoreidasselvasdetodososanimais.Eporissomesmo,émuit orespeitadoportodos.
Enumatarde,oleãodormiaumsonoprofundoeninguémfaziabarul hoparanãoacordá-lo.
Osanimaispesadosnempassavampertodoleãoparanãovibraroc
hão.Asavestambémfaziamsilêncio,comrespeitototal.
 
 
Algunsratinhosbrincavampróximosaorei,masnãosepreocupava
mporqueerammuitosilenciososmesmoquandocorriam,ecombinaram
nãochiarnemporbrincadeira.Tudoestavadandocerto.
 
 
§ Ler fazendo a segmentação.
 
§ Separar corretamente o texto. ( De preferência usando lápis de cores diferentes)
§ Responder perguntas sobre o texto. (Podem ser feitas oralmente ou escritas)
 
 
Leia atentamente:
 
 
Eu sxu bxnitinhx, apesar de ser muitx cxmpridx x meu rabinhx. Tenhx quatrx patinhas e meu pelx é
macix. X dxnx da casa xnde mxrx, sabe que gxstx muitx, muitx mesmx, de um pedacinhx de queijx.
Mas eu nãx sxu bxbx! Ali xnde ele pxe x queijx eu nãx vxu,senãx era uma vez um ...
 
 
Erx<
Lição 04: A Criança Disléxica e a Clínica Psicopedagógica
A Criança Disléxica e a Clínica Psicopedagógica
Para os professores é um aluno desatento.
Para os pais : preguiçoso.
Ele mesmo considera-se " burro ".
Preguiçoso, desligado , desorganizado são adjetivos que costumam acompanhar o disléxico , fazendo
parte de seu dia-a-dia. É com uma vivência de múltiplos insucessos e com sua auto-estima bastante
rebaixada que a criança (ou adolescente) disléxica chega ao consultório do psicopedagogo.
Dificuldades na leitura e na escrita, letra ruim, troca de letras , lentidão caracterizam esse distúrbio
de aprendizagem. Essa criança com inteligência, geralmente , acima da média , enxerga e ouve bem
, expressa-se com fluência oralmente , no entanto ,seu desempenhoescolar não combina com seu
padrão geral de atuação.
O mais freqüente é os pais buscarem um psicopedagogo quando a criança está com 10, 11 anos,
iniciando a 5ª série. Nessa fase , enfrentam múltiplas exigências , de diferentes professores e sua
desorganização e dificuldade na leitura e expressão escrita ficam muito evidentes.
Grande parte da intervenção psicopedagógica estará em buscar os talentos - muitas vezes ,
escondidos - dessa criança; os fracassos , sem dúvida , ela já os conhece bem ; são constantemente
explicitados na escola, na família e entre seus pares. Outra tarefa da clínica psicopedagógica é
ajudar essa pessoa a descobrir modos compensatórios de aprender. Jogos, leituras compartilhadas,
atividades específicas para desenvolver a escrita e habilidades de memória e atenção fazem parte do
processo de intervenção. à medida que essa criança se percebe capaz de produzir poderá avançar no
seu processo de aprendizagem e iniciar o resgate de sua auto-estima.
No atendimento a qualquer criança com dificuldade de aprendizagem se faz necessária uma parceria
envolvendo o psicopedagogo , pais e a escola . No caso da dislexia essa parceria é vital no processo
de aprender da criança.
Muitas vezes , na escola, são necessários esclarecimentos sobre a dislexia, e estratégias favoráveis
ao seu desempenho acadêmico.
A dislexia é um distúrbio de aprendizagem que ,por envolver áreas básicas da linguagem ,pode
tornar árduo esse processo ; porém , com acompanhamento adequado , a criança pode redescobrir
suas capacidades e o prazer de aprender.
 
 
Lição 05: A Dislexia no Contexto da Aprendizagem
A Dislexia no Contexto da Aprendizagem
Autora: Flávia Sayegh
Resumo: A dislexia acompanha a pessoa no dia-a-dia em sua aprendizagem. Não é uma dificuldade
em compreender os conteúdos de aula, o que seria resolvido com aulas particulares, um reforço em
algo dificultoso para o aluno. É um distúrbio, e como tal segue a criança e adolescente em sua
aprendizagem. O que ocorre, é que pode acontecer da equipe de saúde fornecer o diagnóstico, e
muitas vezes não conseguir fazer o acompanhamento. Algo que poderia ser terapeuticamente
melhorado acaba por tornar o diagnóstico erroneamente taxativo ao paciente. A família acaba por
perder-se e não saber lidar com a situação, colocada em suas mãos. A família chega a procurar
profissionais e dizer que o filho tem dislexia, e que é por isso que não se comporta bem em casa.
Uma razão seria um mau comportamento, e outra, a dificuldade no progresso escolar, devido à
dislexia.
1. Introdução
O que foi percebido é que os estudantes cometem erros diferentes, o que nos faz pensar em
diferentes tipos de dislexia, comparadas com as crianças normais. Como exemplo aos leigos, uma
criança sem o diagnóstico de dislexia lê páginas e páginas sem cometer erro de leitura, visto que a
criança com dislexia troca as sílabas por outras, lê com omissões de palavras e até prende-se em
determinado ponto do livro, sem conseguir ir além.
Segundo Eleanor Boder (1973) and Nunes. T e cols (2000), foi percebido erros distintos. A autora
classificou as crianças disléxicas em três grupos. O grupo dos difonéticos, que apresentam
dificuldade na fonologia das palavras, com dificuldade em usar as correspondências entre letra e
som na leitura e na escrita. Ou seja, ocorre discrepância em relação entre o que está escrito e o que
é lido. Ao invés de ler nato, pode-se dizer mato.
O segundo grupo de crianças são as diseidéticas, são crianças que não cometem erros entre o que é
lido, e o que é pronunciado, são crianças com dificuldade visual, com pouco reconhecimento global
das palavras. Acontece mais na leitura da língua americana, com dificuldade em fazer a
correspondência entre letra e som, como por exemplo: ought, one ou laugh.
O terceito grupo, são as dislexias adquiridas por remoção de tumor cerebral ou acidentes.
Segundo Nunes. T (2000) e cols, as crianças disléxicas possuem compreensão gramatical fraca, com
difilculdades em utilizar essas regras na leitura.
Comentando Nunes.T e cols (2000), esse argumento não pode ser utilizado no diagnóstico, porque
qualquer criança que não recebe uma aprendizagem gramatical, pode também não compreendê-la.
O que ocorre é a dificuldade em fazer a correspondência entre o que está escrito e o que é lido. A
criança disléxica chega ao estágio alfabético, com erros por trocas, omissão e esquecimento de
letras, com maior freqüência do que as outras crianças.
Segundo Moraes.(1997), às crianças disléxicas possuem um nível intelectual normal ou acima da
média, apesar de suas dificuldades de leitura e escrita.
Segundo Johnson e Myklebust (1983) apud Moraes (1997), a dislexia não é encontrada de forma
isolada, e sim associada a outros distúrbios.
O que pode ocorrer é que a criança e o adolescente tenham sintomas isolados de dificuldade que não
caracterize a dislexia ou um conjunto de fatores que possamos compreender mais sobre ela.
Por isso Johson e Myklebust (1983) apud Moraes (1997), comenta dos distúrbios de memória que
podem surgir a curto prazo, ou a longo prazo.
Por exemplo, o paciente pode ter dificuldade para recordar o que aconteceu num momento anterior
(curto prazo) ou o que aconteceu a longo prazo (vários dias). Uma pessoa que lembra com detalhes
vários fatos ocorridos a curto e a longo prazo, não apresentaria um distúrbio de memória. Por isso, é
importante um trabalho lingüístico com crianças. Com uma proposta de fazê-la recordar o que fez no
final de semana.
Por isso Johson e Myklebust (1983) apud Moraes (1997), crianças com problemas de memória
auditiva são incapazes de recordar os sons das letras ou relacionar os diferentes sons para formar
palavras. E no nível visual, caracterizam-se pelos problemas em relacionar os sons que escutam ou
palavras que são constituídas mentalmente, junto as suas grafias próprias.
Segundo Johson e Myklebust (1983) apud Moraes (1997), apresentam desorientação temporal, com
dificuldades em saber as horas, saber os dias da semana, os meses do ano.
O que poderia ajudar, na orientação psicológica, é o treino ao ver as horas no relógio de ponteiro e
até a troca de um relógio analógico por um digital e uma agenda para que a criança não se sinta
perdida nas realizações das atividades.
As crianças com dislexia apresentam dificuldade com seqüência, como espacial e temporal, por isso
suas frases podem perder o significado e o sentido. Muitas vezes, perdem-se no tempo, trocando os
dias da semana, o mês do ano ou esquecem o dia em que estão.
Segundo Johson e Myklebust (1983) apud Moraes (1997), o problema principal seria a escrita e a
soletração, porque a criança com dificuldades na leitura , é incapaz de escrever, porque esse é um
processo posterior a leitura.
Segundo Johson e Myklebust (1983) apud Moraes (1997), o distúrbio topográfico, seria a dificuldade
da criança ler e se situar em gráficos, globos e mapas. E o distúrbio no padrão motor seria a
dificuldade de correr, manter o equilíbrio numa perna só, saltar.
Sintomas:
Segundo Lanhez. M. E Nico. M (2002), os sintomas da dislexia são: desempenho inconstante,
lentidão nas tarefas de leitura e escrita, dificuldades com soletração, escrita incorreta, com trocas,
omissões, junções e aglutinação de fonemas, dificuldade em associar o som ao símbolo, dificuldade
com a rima, dificuldade em associações, como por exemplo, associar os rótulos aos seus produtos.
Além de dificuldade para organização seqüencial, como tabuada, meses do ano. Dificuldade em
nomear tarefas e objetos. Dificuldade em organizar-se com o tempo (hora), no espaço (antes e
depois) e direção (direita e esquerda). Dificuldade em memorizar números de telefone, em organizar
tarefas, em fazer cálculos mentais, desconforto em tomar notas e relutância para escrever.
O diagnóstico
Segundo Lanhez. M. E Nico. M (2002), o diagnóstico é feito por exclusão de possibilidades e por
isso, deveser feito por uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogo, fonoaudiólogo e médico.
E quando necessário, se faz um encaminhamento para outros profissionais, como oftamologista,
geneticista, etc.
O psicólogo faz uma entrevista com os pais da criança ou com a pessoa que vai ser avaliada. Quando
o avaliado freqüenta escola, é encaminhado para o professor um questionário.
Logo, são feitos os testes que medem o nível de inteligência, para determinar as habilidades globais
de aprendizagem da pessoa. São aplicados testes visuomotores, neuropsicológicos e de
personalidade. Essas avaliações revelam possíveis comprometimentos na inteligência, indícios de
lesões neurológicas ou conflitos emocionais. São aplicados também por parte do psicopedagogo
testes de lateralidade, leitura e linguagem.
Segundo Lanhez. M. E Nico. M (2002), são pedidos ainda , teste oftalmológico e audiométrico.
O primeiro colegial- estudo de caso
Bauer .James (1997), escreveu um livro sobre sua experiência com a dislexia. Foi percebido que
Bauer passou por uma dificuldade que se percebida, poderia ter sido amenizada. Ao chegar no
primeiro colegial, com 14 anos de idade, já estava convencido que sua vida estava chegando ao fim,
com poucas chances para si, apesar de sua boa vontade. Já desestimulado, freqüentava a escola,
porque lhe era exigido por lei. Já adolescente, temia que lhe pedissem para ler ou escrever algo. Ao
pegar um ônibus, foi encaminhado para um ginásio onde receberia junto aos colegas os horários que
teriam que seguir pelo resto do ano.
Escolheu fazer um curso de oficina elétrica porque já havia trabalhado com seu pai e conhecia todos
os tipos de equipamentos que via ao seu redor. Seu professor pediu para que antes de operar a
máquina, seria útil ler o material. Foi nesse momento que se perdeu e pulava a maioria das palavras
novas e desconhecidas. Seu professor de matemática também pediu que ele fizesse exercícios em
suas páginas de caderno e que copiasse anotações do quadro negro. Somente sua professora de
estudos sociais deu a matéria conversando. E segundo o seu relato: - “Eu estava entendendo tudo o
que ela dizia e se a cada ano o curso fosse apresentado daquela maneira, eu teria aprendido melhor
academicamente”.
A professora de educação física deu exercícios para copiar e o professor de ciências também.
Segundo Bauer, sua energia na escola era gasta em se misturar com os outros estudantes e não ser
descoberto com sua dificuldade de leitura.
O temido dia de Bauer chegou. Era o dia da avaliação. Alguns dias depois ao olhar o boletim, viu que
recebeu D em todas as matérias, menos em ginástica. Ele ficou arrasado e queria fugir. Com o
tempo, Bauer passou por alguns testes e começou a freqüentar o laboratório de leitura da escola,
composto por mais 12 estudantes. Com os anos, foi descobrindo o seu potencial na leitura, foi se
tornando uma pessoa mais feliz e realizada.
Considerações finais
É necessário saber em qual ponto esse estudante está na aprendizagem, para montar estratégias,
para que ele alcance um melhor percurso e êxito em sua vida escolar. Não adianta fazer da
descoberta, uma desculpa para uma possível falha comportamental.
Uma aprendizagem saudável pode até ir, além dos limites, de uma forma agradável, continuada, com
rotina e disciplina. É importante um teste de aptidão textual, de inteligência e avaliação de leitura,
uma anamnese profunda, que investigue toda a saúde orgânica do paciente. Como seria sua
compreensão gramatical. É percebido se o paciente tem consciência fonológica do que está escrito e
o que ele próprio lê.
A dislexia não se refere somente à dificuldade de leitura, a escrita e a soletração também são
afetadas.
Uma pessoa, com dislexia pode apresentar problemas emocionais, devido à falta de tratamento
psicológico diante do acontecimento. Para evitarmos um prejuízo acadêmico e frustrações, é
necessário um diagnóstico, e um acompanhamento profissional. Além de orientação familiar e
escolar, para que não se estabeleçam culpas e descrenças e sim, uma forma de compreender que a
dislexia é uma dificuldade e não impossibilidade, se estabelecendo assim, quais as melhores formas
de aprender.
 
 
 
Lição 06: Dislexia e educação Inclusiva
DISLEXIA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Vicente Martins
Professor de Lingüística da UVA com mestrado em educação pela UFC.
 
Estima-se que, no Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas têm algum tipo de necessidade especial.
As necessidades especiais podem ser de diversos tipos: mental, auditiva, visual, físico, conduta ou
deficiências múltiplas. Deste universo, acredita-se que, pelo menos, noventa por cento das crianças,
na educação básica, sofram com algum tipo de dificuldade de aprendizagem relacionada à
linguagem: dislexia, disgrafia e disortografia. Entre elas, a dislexia é a de maior incidência e merece
toda atenção por parte dos gestores de política educacional, especialmente a de educação especial.
A dislexia é a incapacidade parcial de a criança ler compreendendo o que se lê, apesar da
inteligência normal, audição ou visão normais e de serem oriundas de lares adequados, isto é, que
não passem privação de ordem doméstica ou cultural.
Encontramos disléticos em famílias ricas e pobres. Enquanto as famílias ricas podem levar o filho a
um psicólogo, neurologista ou psicopedagogo, uma criança, de família pobre, estudando em escola
pública, tende a asseverar a dificuldade persistir com o transtornos de linguagem na fase adulta.
Talvez, por essa razão, isto é, por uma questão de classe social, a dislexia seja uma doença da classe
média, exatamente porque, temporão, os pais conseguem diagnosticar a dificuldade e partir para
intervenções médicas e psicopedagógicas.
No âmbito das instituições de ensino, relatos de professores registram situações em que crianças,
aparentemente brilhantes e muito inteligentes, não podem ler, escrever nem têm boa ortografia para
idade. Nos exames vestibulares, as comissões executivas descrevem casos "bizarros" (às vezes,
motivo de chacotas) em que candidatos apresentam baixo nível de compreensão leitora ou a
ortografia ainda é fonética (baseada na fala) e inconstante.
Assim, urge a realização de testes de leitura nas escolas públicas e privadas, desde cedo, de modo a
diagnosticar e avaliar a dificuldade de leitura. Por trás do fracasso escolar ou da evasão escolar,
sempre há fortes indícios de dificuldades de aprendizagem relacionadas à linguagem.
Nos casos de abandono escolar, em geral, também, verificamos crianças que deixam a escola por
enfrentarem dificuldades de leitura e escrita. A dispedagogia, isto é, o desconhecimento por parte
dos professores, pais e gestores educacionais, do que é a dislexia e suas mazelas na vida das
crianças e dos adultos também só piora a aprendizagem da leitura de seus alunos.
Infelizmente, a legislação educacional (CF, LDB, resoluções etc) não trata as diversas necessidades
especiais dos educandos de forma clara, objetiva, pragmática e programática. Sua omissão tem de
certa forma dificultado ações governamentais por parte dos gestores, do professor ao secretário de
educação. A Constituição Federal , por exemplo, ao tratar sobre a educação especial diz: " O dever
do estado com a educação será efetivado mediante a garantia de atendimento educacional
especializada aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino"(Artigo
208, III, CF). E perguntaria ao leitor: uma criança, com dislexia, isto é, com dificuldade de ler bem, é
um portador de deficiência?
Claro que não. A Lei 9.394/96, a de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, apresenta uma melhor
redação sobre a matéria. Diz assim: " O dever do estado com a educação escolar pública será
efetivado mediante a garantia de atendimento educacional especializado gratuito aos educandos
com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino" (Art. 4º, LDB). Melhorou
e, em muito, porquefaz referências às necessidades especiais. Nesse caso, chegamos, por dedução
ou exegese jurídica, à conclusão de que a dislexia é uma necessidade especial. Mas qual a natureza
dessa necessidade especial?
Por exclusão, diríamos que uma criança com dislexia não é portadora de deficiência nem mental,
física, auditiva, visual ou múltipla. O disléxico, também, não é uma criança de alto risco. Uma
criança não é disléxica porque teve seu desenvolvimento comprometido em decorrência de fatores
como gestação inadequada, alimentação imprópria ou nascimento prematuro. A dislexia tem um
componente genético, exceto em caso de acidente cérebro-vascular (AVC). Ser disléxico é condição
humana.
O disléxico pode, sim, ser um portador de alta habilidade. Daí, em geral, os disléticos, serem
talentosos na arte, música, teatro, deportes, mecânica, vendas, comércio, desenho, construção e
engenharia. Não se descarta ainda que venha a ser um superdotado, com uma capacidade
intelectual singular, criativo, produtivo e líder.
O disléxico pode, também, ser um portador de conduta típica, com síndrome e quadro de ordem
psicológica, neurológica e lingüística, de modo que sua síndrome compromete a aprendizagem eficaz
e eficiente de leitura e escrita, mas não chega a comprometer seus ideais, idéias, talentos e sonhos.
Por isso, diagnosticar, avaliar e tratar a dislexia, conhecer seu tipo, sua natureza, é um dever do
Estado e da Sociedade e um direito de todas as famílias com crianças disléxicas em idade escolar.
Lição 07: Referências bibliográficas
BAUER, J.J. Dislexia: Ultrapassando as barreiras do preconceito. São Paulo. Casa do psicólogo, 1997.
LANHEZ, M.E e NICO. M.A. Nem sempre é o que parece: Como enfrentar a dislexia e os fracassos
escolares. São Paulo: Alegro, 2002. 
MORAES, A.M.P. Distúrbios da aprendizagem: Uma abordagem psicopedagógica. São Paulo:
EDICON, 1997.
NUNES. T e cols. Dificuldades na aprendizagem da leitura: Teoria e prática. 3.ed. São Paulo: Cortez,
2000.
 
Flávia Sayegh - Formada em psicologia pela Universidade Mackenzie e Psicopedagogia
Clínica e Institucional. Participa no atendimento a adolescentes na UNIFESP, no
ambulatório de Pediatria, além de atuar em clínica particular em São Paulo.
flaviasayegh@uol.com.br

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