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ALIMENTOS E ALIMENTAÇÃO - PARTE 2

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(%EE dig x 2,25)
NDT é uma medida de energia utilizada até hoje em ruminantes. A determinação do NDT na prática é morosa e cara. Atualmente é calculado a partir da energia digestível, tomando-se por base que 1 kg de NDT produz cerca de 4.400 kcal de ED. 
Os gases da digestão dos ruminantes e o IC não são considerados nesta medida.
b) Valor Biológico das Proteínas
	É uma medida direta da fração protéica digerida do alimento, que pode ser utilizada pelo animal para a síntese dos tecidos e das substâncias orgânicas. O valor biológico pode ser definido como a porcentagem do nitrogênio digerido e absorvido que é retido pelo organismo animal.
	Para a verificação do valor biológico da proteína de um alimento determina-se o balanço nitrogenado, pelo qual se mede a ingestão do nitrogênio e sua excreção fecal e urinária. Com esses dados podemos calcular o valor biológico de uma proteína.
VB (%) = N ingerido – (N fecal + N urinário) x 100
	N ingerido – N fecal
	O valor biológico de uma proteína depende de sua composição em aminoácidos. Quanto mais a proteína do alimento se assemelhar à proteína orgânica maior será o valor biológico desta proteína. Isto porque a síntese protéica no organismo depende fundamentalmente da semelhança entre a quantidade e o perfil dos aminoácidos absorvidos e a quantidade e o perfil dos aminoácidos que constituem as proteínas do organismo.
	Uma proteína de eficiência perfeita para crescimento e mantença, teria valor biológico teórico igual a 100%. Poucos alimentos apresentam valores próximos desse ideal (ovo inteiro = 94%, leite = 85%); um valor de 90% ou mais indica proteína de excepcional eficiência; de 75% a 90%, são considerados superior à média.
c) Determinação da Digestibilidade
	Um determinado alimento pode ter um valor variável para diferentes espécies ou classes de animais, e essa variação é verificada através das quantidades de nutrientes digestíveis.
	A digestibilidade pode ser definida como sendo a fração do alimento consumido que não é recuperada nas fezes. Quando essa fração é expressa em porcentagem da ingesta, chama-se coeficiente de digestibilidade.
	
C1) Métodos diretos “in vivo”
Gaiola metabólica: A determinação da digestibilidade, utilizando-se gaiolas metabólicas tem sido aceita como método padrão, apesar do tempo e do trabalho que envolve. 
Gaiolas: na gaiola o animal dever ter condições de levantar-se e deitar-se. O animal é confinado de maneira que não possa voltar-se, sendo o comprimento da gaiola adaptável ao tamanho do mesmo, a fim de que as fezes caiam no coletor de fezes colocado na parte posterior da gaiola. O cocho de alimentos é anexado na parte anterior, colocado de maneira a evitar desperdícios. Normalmente o piso é de material gradeado, para a coleta da urina. 
	Normalmente, nos ensaios de digestibilidade utilizam-se animais machos castrados, devido à maior facilidade de trabalho.
	Por um determinado período de tempo, o animal é alimentado com uma quantidade de alimento definida e as fezes são coletadas quantitativamente para análise química. Estas devem ser conservadas em congelador para evitar a decomposição, acontecendo o mesmo com a urina (e leite no caso de fêmeas em lactação). Por diferença é possível determinar o coeficiente de digestibilidade de alguns nutrientes.
Exemplo:
	Durante um experimento de digestibilidade de 7 dias, um novilho alimentado com feno consumiu 63,01 kg de matéria seca e excretou 23,11 kg de matéria seca nas fezes.
	A análise química do alimento e das fezes mostrou a seguinte composição expressa em Matéria seca.
	
	PB%
	FB%
	ENN%
	EE%
	CINZA%
	Alimento
	20,0
	26,3
	39,2
	4,0
	10,5
	Fezes
	18,6
	26,0
	31,3
	5,2
	18,9
Determinação dos coeficientes de digestibilidade
	
	MS
	PB
	FB
	ENN
	EE
	Nutrientes consumidos (kg)
	63,01
	12,60
	16,57
	24,70
	2,52
	Nutrientes excretados (kg)
	23,11
	4,29
	6,00
	7,24
	1,20
	Nutrientes digeridos (kg)
	39,90
	8,31
	10,57
	17,46
	1,32
	Coeficientes de digestib.(%)
	63,32
	65,95
	63,79
	70,69
	52,38
	Os coeficientes de digestibilidade dos alimentos são calculados da seguinte forma:
CD = nutriente no alimento – nutriente nas fezes x 100
			nutriente no alimento
Para a PB temos:
CDPB= 12,60 – 4,29 X 100 = 65,95%
	 12,60
 	C2) Métodos indiretos “ in situ”
Técnica dos sacos de náilon - Nesta técnica o substrato (geralmente forragem) é colocado em sacos feitos de materiais indigeríveis como o náilon, e firmemente amarrados. Estes sacos são depois colocados no rúmen de um animal fistulado, e removidos após um período de tempo (geralmente após 72 horas) para se determinar a digestão do conteúdo.
	C3) Métodos indiretos “in vitro”
Fermentação ruminal “in vitro” - A técnica de fermentação ruminal in vitro é utilizada com a finalidade de reproduzir certas condições próprias do rúmen-retículo, simulando assim os processos digestivos que ocorrem no organismo animal. Exsitem vários métodos para se determinar a digestibilidade in vitro, e todos visam reproduzir as condições reinantes no rúmen-retículo, isto é: pH 6,9, poder tampão, temperatura de 39ºC, anaerobiose, presença de microorganismos. O método de Tilley e Terry, p.e., é iniciado por uma incubação de 48 horas com microorganismos do rúmen mais solução tampão, seguido por uma digestão com pepsina. A quantidade de matéria seca que desaparece após as duas etapas é considerada como tendo sido digerida.
Biodisponibilidade de minerais
Biodisponibilidade pode ser definida como a proporção de um nutriente presente no alimento que é absorvida pelo animal e utilizada nas funções biológicas. Diversos fatores interferem na absorção e utilização dos minerais: espécie, idade e o estádio fisiológico do animal; a forma química em que o elemento está presente no alimento; a presença de quelantes no alimento ou no intestino, entre outros.
Ensaios de crescimento ou desempenho
4. Outras análises e testes.
Com o desenvolvimento da nutrição animal, houve a necessidade de desenvolver outros tipos de análises, para melhor avaliar os alimentos destinados a alimentação animal
Também existe a necessidade da realização de controle de qualidade das matérias primas utilizadas na alimentação animal
Teste de Eber
Identifica a presença de decomposição em produtos de origem animal (farinha de carne e ossos, farinha de peixe, etc.)
Teste de Kreis
Mede a rancidez hidrolítica das gorduras. Avalia a presença de ácidos graxos livres nos alimentos
Testes de Peróxidos
Verifica a presença de peroxidases, através da formação de peróxidos. A presença de peróxidos é indicativo de rancidez oxidativa, que rompe os AG nos pontos de dupla ligações.
Teste de Gossipol
O teste de Gossipol é usado para medir o teor de Gossipol no farelo de algodão ou na semente. É considerado baixo o índice menor que 0,04%.
Índice de Urease
A urease é uma enzima que desdobra a uréia em CO2 + Amônia e encontra-se presente em todas as sementes de leguminosas. Por ser termolábil, a avaliação de sua atividade em produtos como o farelo de soja dá um indicativo do seu grau de tostagem.
Alta atividade de urease, indica subprocessamento, e baixa atividade em urease indica superprocessamento (ISLABÃO, 1985), por analogia, quando o processamento estiver adequado, inibindo a atividade de urease, o mesmo também terá sido eficiente para inibir os fatores antinutricionais do grão de soja. O valor da atividade em urease deve ficar no intervalo de 0,05 – 0,3.
Sua aferição se faz pela variação do pH, sendo que o grão cru tem ± 2,0 a 2,5 de atividade ureática. Atualmente recomenda-se valores em torno de 0,05 de atividade ureática.
Esta técnica não é adequada para controlar um superaquecimento, pois alguns trabalhos de pesquisas, como os de NOLAND et al. (1976) afirmaram que a atividade ureática não permite expressar valores para a severidade do superaquecimento e portanto não deve ser usada como único indicador do valor nutricional da

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