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CAP.5 – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS

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unilateral e gratuito, somente admitindo interpretação restritiva (art. 114).
Em relação à doação modal ou com encargo, há polêmica, pois há quem entenda que o contrato é bilateral, eis que o encargo é um dever a ser cumprido pelo donatário. Todavia, entende-se que o contrato é unilateral imperfeito, pois o encargo não constitui uma contraprestação e sim um ônus que, não atendido, traz conseqüências ao donatário. De qualquer forma, o contrato é oneroso.
Há dúvidas se a aceitação do donatário e ou não requisito essencial do contrato. A doutrina atual divide-se:
- Maria Helena Diniz entende que a aceitação do donatário continua sendo elemento essencial do contrato.
- Para Paulo Luiz Neto Lobo, a aceitação não é mais elemento essencial do contrato, sendo elemento complementar para tutela dos interesses do donatário porque ninguém é obrigado a receber ou aceitar doação de coisas ou vantagens.
Na opinião deste ator, para que o contrato seja valido, basta a intenção de doar, ou seja o animo do doador de fazer a liberalidade. A aceitação do donatário está no plano da eficácia desse negocio jurídico e não no plano de sua validade.
De acordo com o art. 539, o doador “pode” fixar prazo para que o donatário declare se aceita ou não a liberalidade, percebendo-se que a aceitação não é essencial ao ato. Alias, eventual silêncio do doador traz a presunção relativa de aceitação.
Mas a aceitação não pode ser presumida sem que haja ciência do donatário. Dispensa-se a aceitação expressa quando se tratar de doação pura feita em favor de absolutamente incapaz (art. 543).
A aceitação tácita pode resultar do silencia do interessado, mas também pode ser revelada pelo comportamento do donatário que se mostrar incompatível com a intenção de recusa.
A aceitação ainda poderá ser tácita na hipótese em que a doção for feita em contemplação de casamento futuro com certa e determinada pessoa, ou aos filhos que, de futuro, houverem um do outro, não podendo ser impugnada por falta de aceitação, e só ficando sem efeito se o casamento não se realizar (art. 546). A celebração do casamento gera a presunção da aceitação.
Havendo doação com encargo, é imprescindível que o donatário a aceite de forma expressa e consciente (art. 539), pois há um ônus a ser executado pelo donatário. 
Características:
- é consensual, pois tem aperfeiçoamento com a manifestação de vontade das partes.
- é comutativo, pois as partes já sabem de imediato quais são as prestações.
- será formal e solene no caso de doação de imóvel com valor superior a 30 salários mínimos.
- será formal e não solene nos casos envolvendo imóvel com valor inferior ou igual a 30 salários mínimos ou bens móveis. Não é necessário escritura pública, mas sim escrito particular.
Exceção: a doação de bens de pequeno valor dispensa a forma escrita, podendo ser celebrada verbalmente, desde que seguida pela tradição (entrega da coisa). É a chamada doação manual. A caracterização de bem de pequeno valor deve levar em conta o patrimônio do doador. (art. 541).
2. Efeitos e regras da doação sob o enfoque das suas modalidades ou espécies
2.1 Doação remuneratória
É aquela feita em caráter de retribuição por um serviço prestado pelo donatário, mas cuja prestação não pode ser exigida do último. Caso fosse exigível, a retribuição deveria ser realizada por meio do pagamento.
Não constitui ato de liberalidade, havendo remuneração por uma prestação de serviços executada pelo donatário. Somente haverá liberalidade na parte que exceder o valor do serviço prestado (art. 540).
Cabe a alegação de vício redibitório quanto ao bem doado, eis que se trata de uma forma de doação onerosa (art. 441).
Não se revogam por ingratidão as doações puramente onerosas (art. 564, I).
As doações remuneratórias de serviços feitos aos ascendentes não estão sujeitas a colação (art. 2011).
2.2 Da doação contemplativa ou meritória 
É aquela feita em contemplação a um merecimento do donatário. O doador determina, expressamente, quais são os motivos que o fizerem decidir pela celebração do contrato de doação. Não há qualquer conseqüência prática dessa denominação.
2.3 Doação a nascituro
A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita pelo seu representante legal (art. 542). A aceitação por parte do representante legal do nascituro está no plano da validade do contrato. Além disso, a eficácia do contrato depende do nascimento com vida do donatário, havendo uma doação condicional.
Se o donatário não nascer com vida, caduca a liberalidade, pois se trata de direito eventual, sob condição suspensiva. Se tiver um instante sequer de vida, receberá o beneficio, transmitindo-o a seus sucessores. 
Esse art. 542 reforça a tese pela qual o nascituro não tem personalidade jurídica material, ou seja, aquela relacionada com direitos patrimoniais e que só é adquirida pelo nascimento com vida.
Destaque-se a existência de julgado do TJRJ, admitindo doação a prole eventual, que sequer foi concebida. Todavia, na vigência do CC/02, merece aplicação o art. 1800, §4º, pelo qual se, decorrido dois anos após a abertura da sucessão do doador, não for concebido o donatário, o bem doado será transmitido para os herdeiros legítimos. Entendimento que também deve ser aplicado à doação em favor do embrião.
2.4 Doação sob forma de subvenção periódica
Trata-se de uma doação de trato sucessivo, em que o doador estipula rendar a favor do donatário (art. 545). Por regra, terá como causa extintiva a morte do doador ou donatário, mas poderá ultrapassar a vida do doador, havendo previsão contratual nesse sentido. Mas, em hipótese alguma, poderá ultrapassar a vida do donatário, sendo eventual cláusula nesse sentido revestida por nulidade virtual, o que reforça o caráter personalíssimo parcial da doação de rendas.
Diferenças entre a doação sob forma de subvenção periódica e contrato de constituição de renda:
	Doação sob forma de subvenção periódica 
	Contrato de constituição de renda
	Constitui espécie.
	Constitui gênero.
	É sempre negócio jurídico gratuito.
	Pode assumir forma gratuita ou onerosa.
	Nunca está relacionada com imóvel. A renda tem origem no patrimônio do doador de forma direta.
	A renda pode estar relacionada com imóvel, de onde é retirada.
Nada obsta que as normas previstas para o contrato de constituição de renda sejam aplicadas à doação de rendas.
2.5 Doação em contemplação de casamento futuro
É aquela realizada em contemplação de casamento futuro com pessoa certa e determinada. Trata-se de doação condicional, havendo condição suspensiva, pois o contrato não gera efeitos enquanto o casamento não se realizar (art. 546).
Tal doação pode ser efetivada: 
- entre os próprios nubentes entre si;
- por um terceiro a um dele ou a ambos;
- aos filhos que nascerem do casamento.
Em todos os casos a doação não pode ser impugnada por falta de aceitação, ficando sem efeito se o casamento não se realizar. O art. 546 não se aplica à união estável. Entretanto, é possível prever uma doação condicional e atípica, que somente terá aperfeiçoamento se alguém passar a viver com outrem de forma duradoura, conforme ordena o art. 1723 do CC.
2.6 Doação de ascendente para descendente e doação entre cônjuges
As doações de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a outro, importam em adiantamento do que lhes cabe por herança. O objeto é a proteção da legítima, que é a quota que cabe aos herdeiros necessários. 
Relativamente à doação de ascendente a descendente, os bens deverão ser colacionados no processo de inventário por aquele que os recebeu, sob pena de sonegados, ou seja, sob pena de o herdeiro perder o direito que tem sobre a coisa. Todavia, é possível que o doador dispense essa colação.
Entende-se que poderá haver doação de um cônjuge a outro, sendo o regime de separação convencional de bens, de comunhão parcial (havendo patrimônio particular), ou de participação final dos aquestos (quanto aos bens particulares). O STJ já concluiu ser nula a doação entre cônjuges no regime da comunhão universal,

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