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CAP.5 – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS

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b) contrato atípico – não há uma previsão legal mínima. O art. 425 dispõe que é lícita a criação de contratos atípicos, desde que observados os preceitos gerais da codificação privada.
6. Quanto à negociação do conteúdo pelas partes. Contrato de adesão x contrato de consumo
a) contrato de adesão – uma parte, o estipulante, impõe o conteúdo negocial, restando à outra parte, o aderente, duas opções: aceitar ou não o conteúdo desse negócio. O conceito deve ser visto em sentido amplo, de modo a englobar todas as figuras negociais em que as cláusulas são preestabelecidas ou predispostas, caso do contrato-tipo e do contrato formulário. O contrato de adesão não necessariamente será de consumo.
b) contrato paritário – aquele cujo conteúdo é plenamente discutido entre as partes.
Observação: Não se pode confundir o contrato de consumo com o de adesão. Na categorização do contrato de adesão, leva-se em conta a forma de celebração do negócio. Já o contrato de consumo pode ser conceituado como sendo aquele em que alguém, um profissional, fornece um produto ou presta um serviço a um destinatário final – fático e econômico - , denominado consumidor, mediante remuneração direta ou vantagens indiretas (art. 2º e 3º, CDC).
Nem todo contrato de consumo é de adesão. Ademais, nem todo contrato de adesão é de consumo.
7. Quanto à presença de formalidades ou solenidades
Forma é gênero, ou seja, qualquer formalidade, caso da forma escrita. Solenidade é espécie, querendo significar o ato público, caso da escritura pública.
a) contrato formal – exige qualquer formalidade.
b) contrato informal – não exige qualquer formalidade, constituindo regra geral.
c) contrato solene – exige solenidade pública. A escritura pública somente é necessária para os negócios de alienação de imóvel com valar superior a 30 vezes o maior salário mínimo vigente no País (art. 108).
d) contrato não solene – não há necessidade de se lavrar a escritura pública em tabelionato de notas.
8. Quanto à independência contratual. Os contratos coligados ou conexos
a) contrato principal ou independente – existe por si só.
b) contrato acessório – aquele cuja validade depende de um outro negócio, o contrato principal. ex: contrato de fiança. 
Diante do princípio da gravitação jurídica, pelo qual o acessório segue o principal, tudo o que ocorre no contrato principal repercute no acessório. Todavia, deve ficar claro que o que ocorre no contrato acessório não repercute no principal. Assim, a nulidade do contrato acessório não gera a nulidade do contrato principal (art. 184).
- Contratos coligados – Existe uma independência entre os negócios jurídicos cujos efeitos estão interligados. Os contratos existem por si só, mas estão ligados entre si. Embora distintos, estão ligados por uma cláusula acessória, implícita ou explícita. Se encontrem ligados por um nexo funcional, podendo essa dependência ser bilateral, unilateral ou alternativa. Mantém-se a individualidade dos contratos, mas as vicissitudes de um podem influir sobre o outro.
Trata-se de um negócio intermediário entre os contratos principais e acessórios. Essa natureza hibrida foi reconhecida por nosso Tribunais, inclusive pelo STJ. Em uma primeira situação, o STJ entendeu que o inadimplemento de um determinado contrato pode gerar a extinção de outro, diante de uma relação de interdependência.
Em outro caso envolvendo contratos ligados, o mesmo STJ entendeu que o contrato de trabalho entre clube e atleta profissional seria o negócio principal, sendo o contrato de exploração de imagem o negócio jurídico acessório.
9. Quanto ao momento do cumprimento
a) contrato instantâneo ou de execução imediata – tem aperfeiçoamento e cumprimento de imediato.
c) contrato de execução diferida – tem o cumprimento previsto de uma vez só no futuro.
c) contrato de execução continuada ou de trato sucessivo – tem o cumprimento previsto de forma sucessiva ou periódica no tempo. 
10. Quanto à pessoalidade
a) contratos pessoal, personalíssimos ou intuitu personae – a pessoa do contratante é elemento determinante de sua conclusão. O contrato não pode ser transmitido por ato inter vivos ou mortis causa. Ex: contrato de fiança.
b) contrato impessoal – a pessoa do contratante não é juridicamente relevante para a conclusão do negócio.
11. Quanto à definitividade do negócio
a) contrato preliminar ou pré-contrato – negocio que tende à celebração de outro no futuro.
b) contrato definitivo – não tem qualquer dependência futura.
Princípios contratuais no código civil de 2002
1. Princípio da autonomia privada
O contrato, como é cediço, está situado no âmbito dos direitos pessoais, sendo inafastável a grande importância da vontade sobre o instituto, eis que se trata do negócio jurídico por excelência.
Inicialmente, percebe-se no mundo negocial plena liberdade para a celebração dos pactos e avenças com determinadas pessoas, sendo o direito à contratação inerente à própria concepção da pessoa humana, um direito existencial da personalidade advindo do princípio da liberdade. Essa é a liberdade de contratar, que está relacionada com a escolha da pessoa ou das pessoas com quem o negócio será celebrado, sendo uma liberdade plena. Entretanto, em alguns casos, nítidas são as limitações à carga volitiva, eis que não se pode, por exemplo, contratar com o Poder Público se não houver autorização para tanto.
Em outro plano, a autonomia da pessoa pode estar relacionada com o conteúdo do negócio jurídico, ponto em que residem limitações ainda maiores à liberdade da pessoa humana. Trata-se da liberdade contratual.
Dessa dupla de liberdade da pessoa, sujeito contratual, é que decorre a autonomia privada, que constitui a liberdade que a pessoa tem para regular os próprios interesses. Mas essa autonomia não é absoluta, encontrando limitações em normas de ordem pública e nos princípios sociais.
Este autor filia-se à parcela da doutrina que propõe a substituição do velho e superado princípio da autonomia da vontade pelo princípio da autonomia privada, o que leva ao caminho sem volta da adoção do princípio da função social do contrato.
A autonomia privada é o poder que os particulares têm de regular, pelo exercício de sua própria vontade, as relações que participam, estabelecendo-lhe conteúdo e a respectiva disciplina jurídica. A expressão autonomia da vontade tem uma conotação subjetiva, psicológica, enquanto a autonomia privada marca o poder da vontade no direito de um modo objetivo, concreto, real.
Não há dúvida de que a vontade perdeu a importância que exercia no passado para a formação dos contratos. Outros critérios entram em cena para a concretização prática do instituto. A autonomia não é da vontade, mas da pessoa humana.
O principal campo de atuação do princípio da autonomia privada é o patrimonial. Esse princípio traz limitações claras, principalmente relacionadas com a formação e reconhecimento da validade dos negócios jurídicos. A eficácia social pode ser apontada como uma dessas limitações, havendo clara relação entre esse preceito e o princípio da função social dos contratos, que , apesar de não eliminar totalmente a autonomia privada ou a liberdade contratual, reduz o seu alcance.
O contrato de hoje é constituído por uma soma de fatores, e não mais pela vontade pura dos contratantes, delineando-se o significado do princípio da autonomia privada, pois outros elementos de cunho particular irão influenciar o conteúdo do negócio jurídico patrimonial. Na formação do contrato, muitas vezes, percebe-se a imposição de cláusulas pela lei ou pelo Estado, o que nos leva ao caminho sem volta da intervenção estatal nos contratos ou dirigismo contratual.
Também é pertinente lembrar que, muitas vezes, a supremacia econômica ou política de uma parte sobre a outra faz com que a parte mais forte dite as regras contratuais, estando a vontade do mais fraco mitigada.
Na prática predominam os contratos de adesão, principal razão pela qual se pode afirmar que a autonomia da vontade não é mais princípio contratual.

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