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CAP.5 – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS

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no CC, não se pode dizer que o debate prévio vincula as partes quanto à celebração do contrato definitivo, não havendo responsabilidade civil contratual nessa fase do negócio, conforme ensina Maria Helena Diniz.
Mas este autor está filiado ao entendimento segundo o qual é possível a responsabilização contratual nessa fase do negócio jurídico pela aplicação do princípio da boa-fé objetiva, que é inerente à eticidade.
De acordo com o art. 422 do atual CC, a boa-fé deve integrar tanto a conclusão quanto a execução do contrato. Esse dispositivo é o que traz a aplicação da boa-fé objetiva em todas as fases do negócio jurídico, incluindo a fase pré-contratual, de tratativas. Assim, aquele que desrespeita a boa-fé objetiva na fase dos debates pode cometer abuso de direito, o que gera o seu dever de indenizar. A responsabilidade do abusador ou violador da boa-fé é objetiva (essa questão ainda não é pacífica na doutrina).
Não é incorreto afirmar que a fase de puntuação gera deveres à parte, pois em alguns casos, diante da confiança depositada, a quebra desses deveres pode gerar a responsabilidade civil. Há divergência apenas quanto à natureza da responsabilidade civil que surge dessa fase negocial.
2. Fase de proposta, policitação ou oblação 
Também denominada de oferta formalizada, policitação ou oblação, constitui a manifestação da vontade de contratar, por uma das partes, que solicita a concordância da outra. Trata-se de uma declaração unilateral de vontade receptícia, ou seja, que só produz efeitos ao ser recebida pela outra parte. A proposta vincula o proponente, gerando o dever de celebrar o contrato definitivo, sob pena de responsabilização pelas perdas e danos que o caso concreto demonstrar (art. 427).
O caráter receptício é mantida se a promessa for direcionada ao público e também vincula aquele que a formulou quando encerrar os requisitos essenciais do contrato, salvo se o contrario resultar das circunstancias ou dos usos. É possível revogar a oferta ao público, pela mesma via da divulgação, desde que ressalvada esta faculdade na oferta realizada. (art. 429).
São partes da proposta:
• Policitante, proponente ou solicitante – aquele que formula a proposta, estando a ela vinculado, em regra.
• Policitado, oblato ou solicitado - aquele que recebe a proposta e, se a acatar, torna-se aceitante, o que gera o aperfeiçoamento do contrato. Poderá formular uma contra-proposta, situação em que os papeis se invertem.
Manifestação da vontade na proposta e na aceitação:
• Proposta – deve ser séria, clara, precisa e definitiva. Art. 427.
• Aceitação – deve ser pura e simples. Art. 431.
O art. 428 consagra hipóteses em que a proposta deixa de ser obrigatória:
- Se, feita sem prazo a pessoa presente, não foi imediatamente aceita. Art. 428, I. Deve ser considerada entre presentes a proposta feita por telefone ou outro meio semelhante (por videoconferência digital ou por Skype). Trata-se de contrato com declaração consecutiva.
- Se, feita sem prazo a pessoa ausente, tiver decorrido tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente. Art. 428, II. Trata-se do contrato com declarações intervaladas. O tempo suficiente é um conceito legal indeterminado denominado como prazo moral e deve ser analisado caso a caso pelo juiz.
- Se, feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado pelo proponente. Art. 428, III.
- Se, antes dela ou juntamente com ela, chegar ao conhecimento da outra parte – o oblato – a retratação do proponente. Art. 428, IV.
Se a aceitação, por circunstância imprevista, chegar tarde ao conhecimento do proponente, este comunicará o fato imediatamente ao aceitante, sob pena de responder por perdas e danos, o que reafirma a boa-fé objetiva, também aplicável à fase de proposta. (art. 430).
Caso haja aceitação fora do prazo, com adições, restrições ou modificações, haverá nova proposta, de forma a inverterem-se os papéis entre as partes. (art. 431).
Se o negócio for daqueles em que não seja costume a aceitação expressa, ou o proponente a tiver dispensado, reputar-se-á concluído o contrato, caso não chegue a tempo a recusa. Trata-se da aceitação tácita ou silêncio eloqüente, que é possível no contrato formado entre ausentes. (art. 432).
Deve-se entender formado o contrato entre presentes quando houver uma facilidade de comunicação entre as partes para que a proposta e a aceitação sejam manifestadas em um curto período de tempo.
Por outra vida, o contrato será considerado formado entre ausentes quando não houver tal facilidade de comunicação quanto à relação pergunta-resposta. 
Caso o negócio seja formado entre presentes, a proposta ou oferta pode estipular ou não prazo para a aceitação. Se não houver prazo, a aceitação deverá ser manifestada imediatamente. Porém, se houver prazo, deverá ser pronunciada no termo concedido, sob pena de reputar-se não aceita, ressalvados os casos de aceitação tácita. O contrato entre presentes é formado a partir do momento em que o oblato aceita a proposta, ou seja, torna-se aceitante, por ter ocorrido o choque ou encontro de vontades das partes envolvidas.
Se a formação ocorrer entre ausentes, o contrato deve ser reputado como concluído a partir do momento em que a aceitação for expedida (art. 434), o que confirma a adoção da teoria da agnição ou da informação, na subteoria da expedição, como regra geral.
Tal regra comporta exceções, sendo certo que o CC ainda adota a teoria da agnição na subteoria da recepção, pela qual o contrato é formado quando a proposta é aceita e recebida pelo proponente (art. 434, I, II e III c/c art. 433). Trata-se dos seguintes casos:
1º) Se antes da aceitação ou com ela chegar ao proponente a retratação do aceitante.
2º) Se o proponente se houver comprometido a esperar resposta (as partes convencionam a aplicação da teoria subteoria da recepção).
3º) Se a resposta não chegar no prazo convencionado (também convenção entre as partes de adoção da teoria da recepção).
Atenção: é correto afirmar que o CC adotou tanto a teoria da expedição quando a da recepção, sendo a primeira regra e a segunda exceção. A grande dúvida reside sobre a formação do contrato eletrônico celebrado entre ausentes, como é o caso da contratação por e-mail. O que prevalece na doutrina é a aplicação da teoria da recepção. Nesse sentido, enunciado 173: A formação dos contratos realizados entre pessoas ausentes, por meio eletrônico, completa-se com a recepção da aceitação pelo proponente.
De acordo com o art. 435, reputar-se-á celebrado o contrato no local em que foi proposto. Caso haja contraproposta, o local do contrato deve ser reputado onde essa última foi formulada. A norma vale para os contratos nacionais, pois para os internacionais, determinada o art. 9º, §2º da LICC, que a obrigação reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente.
3. Fase de contrato preliminar
Novidade no CC/02, não é uma fase obrigatória entre as partes, sendo dispensável. 
 Exceto quanto à forma, terá os mesmos requisitos essenciais do contrato definitivo (art. 462). Ou seja, exige os mesmos requisitos de validade do negócio jurídico ou contrato previsto no art. 104, com exceção da forma prescrita ou não defesa em lei.
Dois são os tipos de contrato preliminar, intitulados como compromissos de contrato:
a) Compromisso unilateral de contrato ou contrato de opção:
As duas partes assinam o instrumento, mas somente uma das partes assume um dever, uma obrigação de fazer o contrato definitivo. Existe para o outro contratante apenas uma opção de celebrar o contrato definitivo. 
Essa figura contratual era observada no arrendamento mercantil ou leasing, uma vez que o arrendatário do bem podia assumir a opção de comprá-lo, mediante o pagamento, ao fim do contrato de locação, do valor residual garantido – VRG.
O STJ entende, hoje em dia, que a antecipação do VRG não descaracteriza o leasing, de acordo com a súmula 293: “A cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento

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