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Gabarito Ad1 – 2019.1 Questão 1: Assim como a educação, o trabalho é atividade essencialmente humana, pois só os seres humanos (dotados da racionalidade) são capazes de executá-lo. É por meio do trabalho, da ação transformadora sobre a natureza e não de simples adaptação a ela, que os seres humanos produzem /reproduzem a sua existência. Ao longo da história da humanidade, isto é, das comunidades primitivas ao atual modo de produção capitalista - o trabalho adquiriu distintos formatos, produto das relações humanas. Com base no texto de Suzana Albornoz (aula 1) e de Demerval Saviani (aula2) , disserte sobre o conceito de trabalho, demonstrando a forma que o trabalho adquire no atual estágio capitalista, além de explicar a que grupos da sociedade o desenvolvimento da tecnologia tem beneficiado em maior proporção. O estudante deverá perceber que há três aspectos a ser desenvolvido na questão: o conceito de trabalho, a forma que o trabalho adquire no atual estágio capitalista e a que grupos da sociedade o desenvolvimento da tecnologia tem beneficiado em maior proporção. Deverá demonstrar que o trabalho é atividade que garante a produção e reprodução da existência humana, por meio da relação entre homem e natureza. Como demonstra Saviani (2007), a existência humana não é uma dádiva natural, mas produzida pelos próprios homens, sendo, portanto, um produto do trabalho, já que o homem não tem sua existência garantida pela natureza, sem agir sobre ela, transformando-a e adequando-a às suas necessidades. Por ser uma ação racional, consciente, trata-se de atividade especificamente humana, a qual os homens modificam não só os instrumentos (tecnologias) e técnicas de trabalho, mas a organização e relações de trabalho. Por essa razão, ao longo da história, os homens organizaram diversos modos de produção econômico-social, seja baseado no trabalho igualitário das sociedades primitivas, seja no trabalho servil (dos servos) durante a Idade Média, no trabalho escravo (na Antiguidade Greco-Romana e nas Américas, no período da colonização européia, entre os séculos XVI a XIX), seja no trabalho assalariado, nas sociedades capitalistas. A sociedade de classes não é produto exclusivo do capitalismo. Ela se configura nas sociedades pré-capitalistas, quando ocorre a apropriação privada da terra, que provocou a ruptura da unidade que havia nas sociedades primitivas e gerou a divisão do trabalho e a configuração de duas classes fundamentais: a dos proprietários e a dos não-proprietários. Todavia, foi no capitalismo que houve a dupla expropriação dos não-proprietários (trabalhadores): a expropriação dos meios de produção e do conhecimento de todas as etapas da produção. E como no capitalismo os homens não produzem para satisfação de suas próprias necessidades, mas para garantir a produção de excedente que vai garantir a acumulação da riqueza dos proprietários (detentores dos meios de produção), o formato que o trabalho adquire é o do trabalho alienado, já que o produto do seu trabalho não mais lhe pertence, mas sim a outrem. O emprego, baseado no trabalho assalariado, é a forma que o trabalho adquire no capitalismo, ou seja, o trabalho alienado e assalariado. Na sociedade capitalista a força de trabalho se torna uma mercadoria a ser comercializada no mercado. É na exploração da força de trabalho que os detentores do capital conseguem acumular bens e riquezas. Sendo assim, o desenvolvimento da tecnologia não está a serviço de garantir tempo livre aos trabalhadores, mas em possibilitar sua maior exploração. Isso fica evidente na sociedade atual, quando o homem trabalha não somente no seu local de trabalho, mas em outros espaços sociais e além da sua carga horária de trabalho. Além disso, a tecnologia, em alguns setores, tem substituído o trabalho humano, incidindo no aumento do desemprego. Embora o desemprego estrutural não possa ser explicado unicamente pelo uso que se tem conferido à tecnologia, o desemprego gera conseqüências perversas aos trabalhadores. No aspecto social, produz o aumento da pobreza, da desigualdade social, da população em situação de rua, crescimento das favelas, aumento da violência, da exploração do trabalho infantil, entre outros. No aspecto econômico, ocasiona a redução do salário, uma vez que há mais demanda do que oferta, e cria condições favoráveis de ataque aos direitos trabalhistas. De tal modo, que o atual presidente do Brasil afirma que é melhor ter emprego sem direitos, do que ter direitos sem emprego. Questão 2: Embora não seja possível ao homem viver sem trabalho, já que é por meio do trabalho que os homens garantem a produção/reprodução da sua existência, a apropriação privada da propriedade tornou possível aos proprietários viverem do trabalho alheio (do trabalho dos não-proprietários), dando origem às sociedades de classes. Saviani (2007) demonstra que a divisão dos homens em classes irá produzir a divisão do trabalho, a divisão na educação e a emergência histórica da separação entre trabalho e educação. Explique como se deu historicamente a separação entre trabalho e educação, a que objetivos atende e como essa separação se configura na atual sociedade de mercado. O estudante deverá identificar que a divisão dos homens em classes, desde o escravismo na Antiguidade Greco-Romana, irá ocasionar uma divisão na educação: uma para a classe dos proprietários, identificada como a educação dos homens livres, e outra para classe não proprietária, identificada como a educação dos escravos e serviçais. Etimologicamente a palavra escola significa “lugar do ócio”, isto é, lugar para onde iam os que dispunham de tempo livre. Por essa razão, na escola se desenvolveu uma forma específica de educação, diferentemente da que ocorria no processo produtivo (local de trabalho), perpetrando-se a separação entre educação e trabalho. O estudante deverá demonstrar que o surgimento da sociedade de classe gerou uma educação diferenciada, de acordo com a classe social dos sujeitos: enquanto a classe detentora do tempo livre/ocioso é educada na escola, a outra continuava a ser educada no processo de trabalho. Na sociedade capitalista, grosso modo, essa formação diferenciada se mantém, assim como se mantém a separação entre educação e trabalho/escola e produção, o que irá se materializar em processos formativos distintos: de um lado, aquele destinado ao desenvolvimento do trabalho intelectual e preparação para futuros dirigentes, com domínio dos fundamentos teóricos; e, do outro, uma formação destinada ao desenvolvimento do trabalho manual, com uma formação prática, reservado a maioria. Estrutura-se, assim, o sistema dual de educação: escolas profissionais para as classes trabalhadoras, e escolas de ciências e humanidades para os futuros dirigentes. O objetivo da estrutura dual de ensino é manter a sociedade de classes, conformando os sujeitos a se adaptar a ela como algo natural. No Brasil, atualmente, essa dualidade da educação é nitidamente perceptível, seja nas ofertas das condições estruturais das escolas destinadas aos trabalhadores (muitas delas, sem quadra de esportes decente, sem laboratórios de informática e ciências etc), seja na falta de recursos pedagógicos que produz uma educação minimalista, baseada em rudimentos de leitura, escrita e cálculo. Trata-se de uma formação pobre para pobre. Uma formação simples para a maioria que ocupará postos de trabalhos simples.