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Serviço Social – Tribunal de Justiça São Paulo. 
Aula 04 Fundamentos Históricos, Teóricos e 
Metodológicos do Serviço social 
Professora Conceição Costa 
www.pontodosconcursos.com.br | Professora Conceição Costa 
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AULA 18 
Serviço Social 
Tribunal de Justiça de São Paulo 
Família: Transformações e Configurações 
Professora Conceição Costa 
 
 
 
 
 
 
 
www.pontodosconcursos.com.br 
 
 
Serviço Social – Tribunal de Justiça São Paulo. 
Aula 18 Família: Transformações e Configurações 
Professora Conceição Costa 
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SUMÁRIO 
 
AULA 18 FAMÍLIA: TRANSFORMAÇÕES E CONFIGURAÇÕES ...................... 3 
1. Conceito de Família ......................................................................... 3 
2. Família & Famílias: configurações familiares na sociedade contemporânea.
 ........................................................................................................ 5 
4. Metodologias na Intervenção Profissional do Assistente Social no Trabalho 
com Famílias ..................................................................................... 27 
5. A Família e a Proteção Social Básica ................................................ 36 
6. Matricialidade Sociofamiliar - SUAS .................................................. 41 
7. Cuidados com a Família e Grupos Vulneráveis ................................... 46 
8. Trabalho Social com Famílias: elementos para sua reconstrução em bases 
críticas ............................................................................................. 52 
PONTOS COMENTADOS- PARTE I ......................................................... 60 
QUESTÕES DE PROVAS – PARTE I ....................................................... 62 
QUESTÕES DE PROVAS – PARTE II ...................................................... 66 
PONTOS COMENTADOS- PARTE II ........................................................ 76 
GABARITO 1 ..................................................................................... 79 
GABARITO 2 ..................................................................................... 79 
BIBLIOGRAFIA................................................................................... 80 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Serviço Social – Tribunal de Justiça São Paulo. 
Aula 18 Família: Transformações e Configurações 
Professora Conceição Costa 
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AULA 18 
FAMÍLIA: TRANSFORMAÇÕES E CONFIGURAÇÕES 
 
 
 
 
 
AULA 18 FAMÍLIA: TRANSFORMAÇÕES E CONFIGURAÇÕES 
1. Conceito de Família 
 
 
 A família representa o espaço de socialização, de busca coletiva 
de estratégias de sobrevivência, local para o exercício da cidadania, 
possibilidade para o desenvolvimento individual e grupal de seus 
membros, independentemente dos arranjos apresentados ou das 
novas estruturas que vêm se formando. Sua dinâmica é própria, 
afetada tanto pelo desenvolvimento de seu ciclo vital, como pelas 
políticas econômicas e sociais. Ela é um dos principais contextos de 
socialização dos indivíduos e, portanto, possui um papel fundamental 
para a compreensão do desenvolvimento humano, que por sua vez é 
um processo em constante transformação, sendo multideterminado 
por fatores do próprio indivíduo e por aspectos mais amplos do 
contexto social no qual estão inseridos. 
 Segundo Minuchin (1985, 1988), a família é um complexo 
sistema de organização, com crenças, valores e práticas 
desenvolvidas ligadas diretamente às transformações da sociedade, 
em busca da melhor adaptação possível para a sobrevivência de seus 
membros e da instituição como um todo. O sistema familiar muda à 
medida que a sociedade muda, e todos os seus membros podem ser 
afetados por pressões interna e externa, fazendo que ela se 
modifique com a finalidade de assegurar a continuidade e o 
crescimento psicossocial de seus membros. 
 Com as mudanças econômicas, políticas, sociais e culturais 
ocorridas ao longo dos tempos, a sociedade está sendo obrigada a 
reorganizar regras básicas para amparar a nova ordem familiar. No 
código de 1916, “família legítima” era definida apenas pelo 
casamento oficial. Em janeiro de 2003, começou a vigorar o Novo 
Código Civil, que incorporou uma série de novidades, sendo que a 
definição de família passou a abranger as unidades formadas por 
 
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Aula 18 Família: Transformações e Configurações 
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casamento, união estável ou comunidade de qualquer genitor e 
descendentes. O casamento passou a ser “comunhão plena de vida, 
com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges” (Cahalil, 
2003, p.467); os filhos adotados ou concebidos fora do casamento 
passaram a ter direitos idênticos aos dos nascidos dentro do 
matrimônio; a palavra “pessoa” substituiu “homem” e o “pátrio 
poder” que o pai exercia sobre os filhos passou a ser “poder familiar” 
e atribuído também à mãe. A Lei do Divórcio, de 1977, atribuía a 
guarda dos filhos ao cônjuge que não tivesse provocado a separação 
ou, não havendo acordo, à mãe. Hoje, é concedida a “quem revelar 
melhores condições para exercê-la” (Cahalil, 2003, p.480). 
 Com base na amplitude das modificações sociais, econômicas, 
políticas e culturais, Petzold (1996) propõe um conceito de família 
definida como “um grupo social especial, caracterizado por 
intimidade e por relações intergeracionais” (p.39), conceito que 
consegue explorar inúmeras variáveis. Esse autor apresenta a 
definição ecopsicológica da família, baseada no modelo bioecológico 
de Bronfenbrenner (1994, 1999), em que o indivíduo é compreendido 
dentro de um processo de inter-relações constantes e bidirecionais 
com vários sistemas, incluindo a família. Nessa definição, Petzold 
(1996) destaca quatro sistemas: macrossistema, exossistema, 
mesossistema e microssistema, compostos de catorze variáveis 
como: casais casados ou não; partilha ou separação de bens; morar 
juntos ou separados; dependência ou independência financeira; com 
ou sem crianças; filhos biológicos ou adotivos; genitores morando 
juntos ou separados; relação heterossexual ou homossexual; cultura 
igual ou diferente; entre outras variáveis que, combinadas, oferecem 
196 tipos diferentes de família. Isto significa que o modelo nuclear 
de família composto por pai, mãe e seus filhos biológicos não é 
suficiente para a compreensão da nova realidade familiar que 
incorpora, também, outras pessoas ligadas pela afinidade e pela rede 
de relações. 
 Para definir o que é família, é necessário estudar o que as 
pessoas pensam a esse respeito, pois os limites da família são 
definidos pelos laços de afetividade e intimidade e não somente pelo 
parentesco por consanguinidade e pelo sistema legal que rege as 
relações familiares. A concepção subjetiva que as pessoas têm de 
seus próprios arranjos familiares é uma definição individual, baseada 
nos sentimentos, crenças e valores de cada um e permite teorizar e 
aprender os eventos da vida cotidiana a partir das informações que 
circulam através dela. 
 
 
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2. Família & Famílias: configurações familiares na sociedade 
contemporânea. 
 
 Como já observamos, é possível verificar que as 
transformações ocorridascom o início da industrialização, o advento 
da urbanização, a abolição da escravatura e a organização da 
população, provocam alterações nas feições familiares e sociais. A 
expansão da economia acelerou o processo de retirada da produção 
de casa para o mercado e a pressão pelo consumo de bens e serviços, 
características inerentes ao capitalismo, anteriormente produzidos 
no espaço doméstico, passa a apertar os orçamentos familiares, e o 
trabalho assalariado passa a ser um instrumento também utilizado 
pelas mulheres. 
 Apesar de todas as transformações, a nova família conjugal conserva 
traços típicos da família anterior: o de controlar a sexualidade feminina e 
preservar as relações de classe. 
 Ressaltamos que os costumes que marcaram época podem ou não 
estar distantes dos nossos costumes, pois, como mencionamos 
anteriormente, os conceitos evoluíram, ou, até mesmo, mudaram de 
denominação, mas, se estudarmos esses conceitos atualmente, poderemos 
verificar que muitos deles ainda estão presentes na sociedade, ainda que de 
forma oculta. 
 
 Nessa perspectiva, Lévi-Strauss (1956, p. 309) coloca que “[...] 
a família baseada no casamento monogâmico era considerada 
instituição digna de louvor e carinho”, fato esse que ainda permanece 
em nossa realidade. Podemos até afirmar que existem diversificados 
e inovados arranjos familiares, novas formas de se constituírem 
família dentro da sociedade, mas percebemos é que permanece ainda 
a forma de organização nuclear da família, ou seja, o casamento 
monogâmico ainda é o que predomina atualmente. 
 Ainda Lévi-Strauss (1956, p. 309) afirma que os antropólogos, 
contrariando o conceito de que a família é resultante de uma evolução lenta 
e duradoura, se inclinam ao oposto dessa convicção, ou seja: 
 
 
 
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 A família, consistindo de uma união mais ou menos duradoura, 
socialmente aprovada, entre um homem, uma mulher e seus filhos, 
constitui fenômeno universal, presente em todo e qualquer tipo de 
sociedade. 
 Nessa perspectiva, encontramos ainda opiniões diversificadas sobre as 
‘formas’ de organização familiar. Apesar de adentrarmos no século XXI, ainda 
podemos encontrar opressão feminina de maneiras diversificadas, ocultadas, 
especialmente dentro da instituição que busca a sua modernização 
preservando o seu conservadorismo – a família. Preservar as relações de 
classe dentro do próprio lar significa também preservar a ordem e a relação 
de poder, que, por diversas maneiras, pode ser expressa, inclusive no silêncio 
do próprio olhar. 
 
 Atualmente, podemos encontrar uma diversidade de modelos 
de famílias, sendo que 
tornou-se impossível classificar e principalmente julgar os bons 
e maus ‘planos de família’ – como poderíamos dizer de um 
‘plano de carreira’. Alguns encontram o seu equilíbrio numa 
relação estável e fechada, uma célula voltada sobre si mesma 
que eles fortificam contra agressões e mudanças de qualquer 
tipo. Eles exigem muito dos seus parentes, mas em troca se 
prontificam a dar muito de si mesmos. Outros, ao contrário, 
nada querem sacrificar da sua aventura pessoal, preferem uma 
fórmula de família ‘personalizada’, sem constrangimentos e 
sem obrigações, onde os indivíduos vêm basicamente 
recarregar as suas baterias antes de saírem mais uma vez pelo 
mundo afora. (COLLANGE apud JOSÉ FILHO, 1998, p.45, 
destaque do autor). 
 
 As transformações sociais construídas na segunda metade do 
século XX e reconstruídas nesse início do século XXI, redefiniram 
também os laços familiares. A afirmação da individualidade pode 
sintetizar o sentido de tais mudanças, com implicações nas relações 
familiares. 
 Na sociedade contemporânea, a conjugalidade, muitas vezes, não 
é verdadeira. O que encontramos é a busca pela estabilidade financeira, a 
 
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satisfação pessoal e a realização de um sonho: casarem-se, que acabam 
conduzindo um casamento no qual os projetos individuais são esquecidos, 
onde um se anula em relação ao outro. 
 A dificuldade está em compatibilizar a individualidade e a 
reciprocidade familiares, pois, ao abrir espaço para tal individualidade, 
renovam-se as concepções das relações familiares. O impacto desses desafios 
influencia o cotidiano dessas relações. 
 Podemos observar que existe uma radical mudança na composição 
familiar, nas relações de parentesco e na representação de tais 
relações na família. Tal representação tem seu fundamento direto na 
transformação da configuração familiar e também nas relações sociais, 
ocasionando impacto profundo na construção da identidade de cada 
componente no interior da família. Essa construção da identidade irá rebater 
nas relações sociais ampliadas, não somente no seio familiar. Nesse contexto 
encontramos a “nova família”, que se caracteriza pelas diferentes formas de 
organização, relação e num cotidiano marcado pela busca do novo. Os 
arranjos diferenciados podem ser propostos de diversas formas, renovando 
conceitos preestabelecidos, redefinindo os papéis de cada membro do grupo 
familiar. 
 Segundo Ferrari e Kaloustian (2002, p. 14) 
 
A família, da forma como vem se modificando e estruturando 
nos últimos tempos, impossibilita identificá-la como um modelo 
único ou ideal. Pelo contrário, ela se manifesta como um 
conjunto de trajetórias individuais que se expressam em 
arranjos diversificados e em espaços e organizações 
domiciliares peculiares. 
 
 Tais arranjos diversificados podem variar em combinações de 
diversas naturezas, seja na composição ou também nas relações 
familiares estabelecidas. A composição pode variar em uniões 
consensuais de parceiros separados ou divorciados; uniões de 
pessoas do mesmo sexo; uniões de pessoas com filhos de outros 
casamentos; mães sozinhas com seus filhos, sendo cada um de um 
pai diferente; pais sozinhos com seus filhos; avós com os netos; e 
uma infinidade de formas a serem definidas, colocando-nos diante de 
uma nova família, diferenciada do clássico modelo de família nuclear. 
 Temos como consequências dessas mudanças as 
transformações das relações de parentesco e das representações 
 
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dessas relações no interior da família. Cada vez mais são encontradas 
famílias cujos papéis estão confusos e difusos se relacionados com 
os modelos tradicionais, cujos papéis eram rigidamente definidos. As 
relações, comparadas com as estabelecidas no modelo tradicional, 
estão modificadas, os próprios membros integrantes da nova família 
estão diferenciados, a composição não é mais a tradicional, as 
pessoas também estão em processo de transformação, no sentido da 
forma de pensar, nos questionamentos, na maneira de viver nesse 
mundo em processo de mudança. 
 Alice Granato e Juliana De Mari (1999, p. 269) comentam que: 
 
 A mudança nesse padrão tem resultado em novos e 
surpreendentes quebra-cabeças familiares: filhos de pais 
que se separam, e voltam a se casar, vão colecionando 
uma notável rede de meios irmãos, meias-irmãs, avós, 
tios e pais adotivos. 
 Nessa afirmação podemos visualizar um novo conceito sobre as novas 
configurações familiarescom a terminologia ‘quebra-cabeças’ familiares, 
que, por profissionais da área de psicologia é denominado também de 
‘família mosaico’. 
 Nesse processo de mudanças o que ocorre é que temos o modelo 
tradicional internalizado operando, enquanto temos as novas maneiras de ser 
família, revelando novos conceitos aos preestabelecidos, ocasionando certas 
contradições no próprio contexto familiar, balanceando o que há de prós e de 
contras nas duas formas aqui estudadas. 
 
 É certo que há uma herança simbólica transmitida entre as 
gerações, que revela tais modelos e orienta a socialização dos 
segmentos sociais. A tendência atual é de que a convivência familiar 
se torne socializada e visualizada como um local onde existe a 
mudança, evoluindo através do diálogo. O mundo familiar mostra-se 
numa variedade de formas de organização, com crenças, valores e 
práticas desenvolvidas na busca de soluções para os desafios que a 
vida vai trazendo. 
 No Brasil, as novas estruturas de parentesco colocam os profissionais 
que trabalham com família e os próprios membros da instituição familiar em 
busca de novas denominações ou de tentar compreender socialmente tais 
mudanças. 
 
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 Desde a legalização do divórcio, com o início de uma nova 
discussão referente aos papéis sociais de cada composição familiar, 
têm ocorrido mudanças que levam a questionamentos sobre o valor 
do casamento indissolúvel e inquestionável. Esse é um dos indícios 
de que alterações mais profundas na estrutura da família brasileira 
estão iniciando seu processo. 
 Não podemos negar o fato de que após instituído o divórcio, a 
lei passou a permitir quantos divórcios e posteriores novos 
casamentos o homem e a mulher desejassem, o que ocasionou 
transformações profundas no âmbito familiar. 
 Observamos que internamente encontramos alterações importantes 
nos padrões familiares. Refletindo com Bilac (1995, p. 35): 
 Pode-se especular sobre as implicações e significados das 
separações e recasamentos e sobre as concepções de família e 
parentesco, pois surgem novos status familiares, aos quais 
correspondem novos papéis e que ainda não dispõem de 
nominação em nossa classificação de parentesco. 
 
 Nessa afirmação podemos verificar que apesar de muitas 
denominações atuais sobre família, como família reestruturada, 
reconstituída, reorganizada, nova família, não há um conceito novo 
de família, pois embutidos na família, existem várias possibilidades 
de novas configurações, não ficando exclusivamente em um único 
modelo. Mesmo com todos os estudos sobre famílias existentes, 
ainda há a dificuldade dos autores em estarem conceituando e 
denominando tais configurações familiares. 
 Essas novas famílias estão cada vez mais presentes e começam a ter 
visibilidade, pois fazem parte do cotidiano das pessoas e não podemos negá-
las. Apesar de fazerem parte do cotidiano das pessoas, não podemos afirmar 
que são socialmente aceitas, pois o embate entre a realidade e a ideologia 
existente não permitiu ainda sua superação por toda a população. 
 Contudo, como pontua a jurista Maria Berenice Dias (SOUZA; DIAS, 
online, destaque do autor): 
 Inexistem na Língua Portuguesa vocábulos que 
identifiquem os integrantes da nova família. Que nome tem a 
namorada do pai? O filho mais velho do primeiro casamento é o 
 
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quê do filho da segunda união? “Madrasta”, “meio irmão”, são 
palavras que vêm encharcadas de significados pejorativos, não 
servindo para identificar os figurantes desses relacionamentos 
que vão surgindo. 
 Em meio a tantas diversidades de pessoas que compõem essa nova 
família, precisamos refletir sobre a maneira que tais componentes estão se 
sentindo diante dessa nova situação, desse novo mundo que vivencia, dessa 
nova maneira de ser família. 
 As temáticas sobre a família contemporânea podem nos levar por 
diferentes realidades em transformações, e por questões complexas, pois 
geralmente temos uma família ou um modelo familiar internalizado. Esta 
intimidade do conceito de família pode causar confusão entre as famílias com 
as quais pesquisamos e as nossas próprias concepções sobre a configuração 
familiar. 
 Nesse processo, muitas pessoas podem buscar essa construção no 
interior do cotidiano familiar, que é carregado de subjetividade e cujas ações 
são interpretadas no próprio contexto diário. 
 
 Para compreensão dessas transformações, torna-se necessária 
uma mudança na maneira de visualização da configuração da nova 
família, levando-se em conta que há o reflexo da sociedade, tanto na 
forma de se viver em família, quanto nas relações interpessoais. 
 Segundo Szymanski (2002, p.10) 
[...] o ponto de partida é o olhar para esse agrupamento 
humano como um núcleo em torno do qual as pessoas se 
unem, primordialmente, por razões afetivas dentro de um 
projeto de vida em comum, em que compartilham um 
quotidiano, e, no decorrer das trocas intersubjetivas, 
transmitem tradições, planejam seu futuro, acolhem-se 
atendem aos idosos, formam crianças e adolescentes. 
 Conforme o autor pontua, as trocas afetivas no contexto familiar 
podem definir as direções do modo de ser com os outros afetivamente e 
também com as ações que cada membro realizará, configurando-se de 
diferentes maneiras, deixando marcas que carregarão para a vida toda, 
construindo, dessa forma, a sua identidade. 
 
 
 
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 É necessário, ao analisarmos a maneira pela qual as pessoas 
concebem a família, considerarmos o sentido e a ideologia que 
levaram essas a escolher uma ou outra forma de organização e 
constituição familiar, assim como a forma de relacionamento 
intrafamiliar. Precisamos considerar a questão histórica, que não se 
encontra dissociada das circunstâncias do cotidiano, é preciso 
também que compreendamos as escolhas que definem um ou outro 
rumo no pensar ou no vivenciar a maneira de ser família na sociedade 
contemporânea. A estrutura organizacional familiar, porém, não 
significa necessariamente um determinante da forma como se dá a 
relação. Podemos encontrar duas famílias com a mesma composição 
que apresentam modos de relacionamento completamente 
diferentes. Nesse contexto, o que se pode levar em conta são as suas 
histórias e as questões socioculturais. 
 As mudanças societárias afetam a dinâmica familiar como um 
todo e particularmente cada família, conforme sua composição, 
história e condições socioeconômicas. 
 No mundo governado pelo consumo excessivo, herança do 
capitalismo acelerado, podemos verificar que o que está realmente 
importando não é o ser com o qual está se convivendo em família, 
mas o ter enquanto característica principal do modo capitalista de 
produção. 
 A situação atual da família também pode ser analisada a partir 
da transformação das formas da vida conjugal, dos modos de gestão 
da natalidade e no modo de compartilhar os papéis na família e a 
maneira pela qual a mesma é visualizada atualmente. 
 Dessa forma, podemos constatar que essas transformações podem se 
constituir em um questionamento do casamento tal como está definido, comoinstituição social. Muitas pessoas podem desejar viver em família conciliando 
com a liberdade individual. É importante resguardarmos individualidades, 
pois estas são necessárias para a vida em sociedade. Precisamos, porém, 
pensar sobre a maneira pela qual as pessoas buscam essa liberdade 
individual. Pode ser que essa busca constante ocasione um individualismo e 
como consequência, as pessoas ao redor passem a não ter um significado. 
 
 
 
 
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 As novas configurações familiares são cada vez mais presentes, 
não podemos dizer que são socialmente aceitas. Há o embate entre o 
real vivido e o que se idealiza. 
 Também na Constituição de 1988, o que podemos verificar é 
que houve alargamento no conceito de família, pois as relações 
monoparentais passaram a ser reconhecidas, assim como as uniões 
estáveis, apesar da lentidão das regulamentações em questões 
jurídicas e também da sua interligação ao conservadorismo que 
imperava na sociedade, que dificultava a ampliação dos direitos já 
reconhecidos na Justiça. 
 Dentre as mudanças que afetam os laços familiares, 
encontramos as famílias monoparentais, que são aquelas onde as 
pessoas vivem sem cônjuge, com um ou vários filhos solteiros. 
Família monoparental é aquela na qual vive um único progenitor com 
os filhos que não são ainda adultos. 
 Instalam-se no interior das famílias, diversificadas maneiras de 
vivenciar a questão de gênero. As atualizações ocorridas podem ter 
o lado bom e o lado difícil, onde é necessária a compreensão dessas 
relações diversificadas. Segundo Souza e Dias (online): 
 As famílias modernas ou contemporâneas constituem-se 
em um núcleo evoluído a partir do desgastado modelo clássico, 
matrimonializado, patriarcal, hierarquizado, patrimonializado e 
heterossexual, centralizador de prole numerosa que conferia 
status ao casal. Neste seu remanescente, que opta por prole 
reduzida, os papéis se sobrepõem, se alternam, se confundem 
ou mesmo se invertem, com modelos também algo confusos, 
em que a autoridade parental se apresenta não raro diluída ou 
quase ausente. Com a constante dilatação das expectativas de 
vida, passa a ser multigeracional, fator que diversifica e 
dinamiza as relações entre os membros. 
 Essa discussão nos remete ao fato de que diante dessas 
diversificações de papéis e de modelos familiares, é podemos afirmar 
que houve avanços, evoluções e conquistas, ao mesmo tempo em que 
está instaurado um grande desafio: viver em família no mundo 
contemporâneo. Não importa o modelo familiar no qual estamos 
inseridos, é importante pensar sobre as facilidades, como a educação 
liberal, os avanços da modernidade, e, por consequência desses 
avanços, as dificuldades em relação à questão das ausências paterna 
ou materna, das dificuldades em impor limites aos filhos, e a confusão 
 
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existente entre autoritarismo e autoridade parental, que pode ser 
necessária para os filhos. 
 Historicamente, o homem vem passando por transformações em 
decorrência dos avanços sociais, e a mulher passa a assumir papéis que 
anteriormente eram de exclusividade dos homens. Conforme Dalbério (2007, 
p.46). 
 Essa nova dimensão na qual o homem deve assumir tarefas 
domésticas cria em muitos deles uma situação de revisionismo de todas as 
ideologias que dizem respeito ao machismo. É obvio que muitos ainda não 
estão entendendo essa nova situação, vivem como se a mulher ainda devesse 
prestar-lhe todos os serviços e ainda lhe ajudasse na manutenção das 
despesas familiares. Carregam ainda em consciência as visões burguesas de 
família, cujo modelo o homem tem direitos, por manter a família. 
 Diante dessa realidade, ressaltamos também o papel da mulher, e 
as suas conquistas, apesar de que a mesma ainda tende a carregar a 
ideologia machista no que diz respeito aos afazeres domésticos. Essa carga 
de responsabilidade exclusiva pelas tarefas domésticas pode ser aceita 
consciente e inconscientemente, buscando, na maioria das vezes, amenizar 
alguns conflitos que podem ocorrer entre mulher e homem. Sem dúvida, a 
mulher assume um papel extremamente importante no que diz respeito à 
postura masculina, provocando um repensar nessa mesma postura 
(DALBÉRIO, 2007). 
 
 O contexto social pode exercer grande influência sobre a 
configuração e a organização familiar, expressando diversidades em 
suas relações interiores. A família vem sendo influenciada pela 
manifestação da questão social, que, em nossa sociedade, é 
escancarada pela imensa desigualdade social que vivenciamos. 
 Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE), podemos verificar, através da Pesquisa Nacional por Amostra 
de Domicílio (PNAD), que no ano de 2003, as famílias foram assim 
distribuídas: 
 Família unipessoal; 
 Casal com filhos (nuclear); 
 Casal sem filhos; 
 Mãe (Pai) sem cônjuge, dentre outras formas de organização 
 
 
 
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1. 2012/VUNESP/TJSP. Nas últimas décadas, as famílias brasileiras vêm se 
modificando e se reconfigurando, o que impossibilita pensar a família com base em 
um modelo único ou ideal, como o tradicional casal com filhos. As alterações na família 
fazem parte e estão relacionadas às transformações contemporâneas da sociedade. 
Destacam-se como algumas características de uma nova configuração das famílias 
brasileiras, que teve início nos anos 1990, a redução do número de filhos, o 
predomínio das famílias nucleares; 
I. o aumento significativo das famílias monoparentais, com predominância das 
mulheres como chefes; 
II. a omissão da figura masculina da família na educação dos filhos; 
III. o aumento das famílias recompostas; 
IV. o aumento de pessoas que vivem sós; 
V. a interferência dos meios de comunicação na formação dos filhos. 
Está correto apenas o contido em 
 a) I, II e V. 
 b) I, III e IV. 
 c) II, III e V. 
 d) III, IV e V. 
 e) I, II, III e IV. 
Resposta Correta: Letra b) I, III e IV. I - o aumento significativo das famílias 
monoparentais, com predominância das mulheres como chefes; III. o 
aumento das famílias recompostas; IV. o aumento de pessoas que vivem sós; 
 
 
 Na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2005, esses 
indicadores foram novamente identificados, sendo que a classificação 
continuou sendo a da distribuição de 2003. 
 O documento de Puebla (CONFERÊNCIA GERAL DO 
EPISCOPADO LATINOAMERICANO, 1979, online, destaque do autor) 
traz a seguinte afirmação: 
 
 
 
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[...] a realidade da família já não é uniforme, pois, em cada 
família influem de maneira diversa – independentemente da 
classe social – fatores sujeitos a mudanças, como sejam: 
fatores sociológicos (injustiça social, principalmente), culturais 
(qualidade de vida), políticos (dominação e manipulação), 
econômicos (salários, desemprego, pluriemprego), religiosos 
(influências secularistas) entre tantos outros.Devido a essas transformações, várias questões precisam ser 
melhor refletidas. Apesar de todos os avanços familiares, a desvalorização 
do trabalho da mulher ainda ocorre nitidamente, principalmente entre as 
pessoas que não possuem acesso às políticas públicas, à escola e às 
condições dignas de sobrevivência, fatos estes que propiciam à mulher a má 
remuneração por sua mão-de-obra. 
 Paralelamente à má remuneração, existe também a má formação para 
as tarefas a serem realizadas, justamente pelos fatores anteriormente 
citados. Desvalorizada no mercado de trabalho, ao chegar em casa, a mulher 
continua esse processo, a dupla ou a tripla jornada de trabalho pode 
ocasionar um desgaste à mulher, que não tem o seu potencial de dona de 
casa, esposa, mãe e profissional reconhecidos. 
 
 Há ainda na sociedade contemporânea, o questionamento sobre 
a capacidade da mulher em cuidar de sua família, gerando sustento, 
e a capacidade do homem em administrar, com maior independência, 
havendo um estigma de que famílias monoparentais femininas não 
possuem condições de oferecer cuidados e proteção aos seus 
membros. Esse pensamento, porém, está sendo redefinido, existem 
inúmeras famílias em que a mulher exerce papel central na economia 
doméstica. São as famílias chefiadas por mulheres (SOARES, 2002). 
 Pode-se observar que a monoparentalidade masculina é 
significativamente menor que a feminina. Desta forma tem tido pouca 
visibilidade, pois sabemos pouco sobre estas famílias, e, não estudando sobre 
elas temos nosso senso crítico e senso comum, podendo vir a reforçar a ideia 
de que os homens não são capazes de cuidarem de uma família. 
 
 A monoparentalidade, de maneira geral, deve ser considerada 
na sequência, em suas recomposições, permanências e podem ser 
consideradas protagonistas de histórias peculiares marcadas nos 
novos contextos sociais. As famílias recompostas estão também 
presentes nesse novo contexto. Pode ser que houve nova união após 
 
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o termino da outra união conjugal e que dessa união novos sujeitos 
históricos venham a existir. A transição, em nossa vida, traz uma 
revisão dos valores e metas que possuímos, e isso pode ter seu lado 
positivo, assim como o seu lado negativo, pois em toda 
transformação existe também o processo de renúncia aos modos 
anteriormente interiorizados e uma transcendência daquilo que 
tínhamos como algo ideal, levando-nos a buscar a descobrir formas 
de melhorias de vida. 
 Refletindo sobre as dimensões dos diversos modelos de família, 
podemos pensar também sobre os nossos próprios modelos familiares. Nesse 
aspecto, podemos perceber que: 
 
Entre todas as mudanças que estão se dando no mundo, 
nenhuma é mais importante do que aquelas que acontecem em 
nossas vidas pessoais, na sexualidade, nos relacionamentos, no 
casamento e na família. É uma revolução que avança de uma 
maneira desigual em diferentes regiões e culturas, encontrando 
muitas resistências. Como ocorre com outros aspectos no 
mundo em descontrole, não sabemos ao certo qual virá a ser a 
relação entre vantagens e problemas. Sob certos aspectos estas 
são as transformações mais difíceis e perturbadoras de todas. 
(GIDDENS apud VITALE, 2002, p.60). 
 A necessidade de discussões sobre a temática família é algo que 
perpassa os caminhos da sociedade. Muito se tem afirmado, vários conceitos 
evoluíram, ou até mesmo, se encontram novamente perceptíveis na nossa 
realidade. Todas as questões que estão sendo refletidas, nos convidam a um 
olhar diferenciado e especial a esta organização. É importante verificarmos 
que as diferentes maneiras de configurações familiares são, na sua 
maioria, devido às circunstâncias da vida e não por opção de vida. 
 
 Na realidade, ainda carregamos resquícios do modelo patriarcal 
de família, que foi evoluindo até a constituição do modelo nuclear. 
Consideramos que os ‘arranjos familiares’, ou ‘as novas maneiras de 
ser família’ não são contrapostos ao modelo nuclear de família. Nesse 
sentido, eles são apenas diferentes formas de expressão da família. 
 É certo que, se partirmos da perspectiva de análise da totalidade, 
chegaremos à conclusão que a estrutura familiar está intimamente ligada 
à conjuntura social. 
 
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 Apesar dos conceitos de família terem sido aprimorados, ou ainda, 
inseridos dentro da realidade concreta de cada época, atualmente ainda 
encontramos determinados conceitos que se repetem com outra 
roupagem. Podemos dizer que atualmente os ‘arranjos familiares’ estão 
muito presentes, e estes ‘arranjos’ não se iniciam com o casamento, ou 
mesmo, as famílias monoparentais também não apresentam este tipo de 
composição, estando presentes somente a figura de um pai ou mãe e dos 
filhos. 
 Não podemos negar que o modelo de família nuclear 
brasileira, que se estabeleceu como padrão no ocidente, 
começou a mudar, ainda que de forma desigual em suas diversas 
regiões. Embora não tenha afetado todas as partes do mundo 
igualmente, de maneira geral aumentou a tendência de famílias 
chefiadas por mulheres e de pessoas vivendo sozinhas. (JOSÉ 
FILHO, 2007, p. 139). 
 
 O que observamos, contudo, é a existência de grande parcela 
da população que se separa, constitui uma nova família, com os 
mesmos padrões da família nuclear, apesar de ser a segunda 
constituição. Geralmente, o ex-cônjuge busca constituir uma nova 
união, sendo que dessa união descendem os filhos do novo casal. 
 As mudanças tecnológicas e os efeitos da globalização 
influenciam diferentemente a população de determinadas classes 
sociais e a maneira que os ‘arranjos domésticos’ são estabelecidos 
dependerá da maneira pela qual aquela família sofrerá as mudanças 
(JOSÉ FILHO, 2007). 
 É certo que atualmente o modelo tradicional de família deu 
espaço a uma infinidade de outros modelos familiares, que têm 
muitas diferenças do padrão nuclear tradicional. Essas alterações são 
partes das nossas histórias, partes da nossa sociedade, partes das 
nossas vidas. 
 A situação em que estamos vivendo demonstra as 
possibilidades de reflexões acerca das ‘famílias’ na sociedade 
contemporânea. Famílias essas que podem ser constituídas por um 
grupo de pessoas que residem juntas, pai, mãe, filhos, netos, 
sobrinhos, dentre outros integrantes. Famílias que nem chegam a ter 
o número de integrantes da família nuclear, sendo constituídas por 
casal sem filhos, ou irmãos que residem juntos, ou uma pessoa 
sozinha. Enfim, a família mudou, ou as “famílias” mudaram 
 
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2. 2012/VUNESP/TJ-SP. No século XX, o mundo passou por intensas e rápidas 
transformações sociais, marcadas pela inovação tecnológica e por mudanças culturais. 
Dentre essas mudanças, destacam-se, entre outras, o acentuado crescimento da 
demanda por educação, o declínio da classe operária industrial, a entrada das mulheres 
no mercado de trabalho. O Brasil também tem sido influenciado por essas mudanças, 
porém as mudanças geradas pela revolução cultural nas relações familiares 
estabelecidas no Brasil têm que ser vistas com certa cautela. De acordo com Fávero 
(2007),o modelo familiar nuclear, embora continue detendo a hegemonia, ditando a 
norma, 
 a) mostrou, ao longo do tempo, constituir-se como o melhor arranjo na garantia de 
direitos da criança e do adolescente. 
 b) contraria desejos expressos claramente em posições assumidas por lideranças e 
governantes em âmbito nacional. 
 c) vem dando espaço a outros arranjos familiares que se diferenciam desse padrão 
tradicional. 
 d) permanece vigente ainda que contrarie princípios educativos previstos na legislação 
pertinente à infância. 
 e) dispensa a ação ativa de ambos os cônjuges na provisão de bens materiais e na 
educação/formação dos filhos. 
Comentário: O que observamos, contudo, é a existência de grande parcela da 
população que se separa, constitui uma nova família, com os mesmos padrões 
da família nuclear, apesar de ser a segunda constituição. Geralmente, o ex-
cônjuge busca constituir uma nova união, sendo que dessa união descendem 
os filhos do novo casal. As mudanças tecnológicas e os efeitos da globalização 
influenciam diferentemente a população de determinadas classes sociais e a 
maneira que os ‘arranjos domésticos’ são estabelecidos dependerá da maneira 
pela qual aquela família sofrerá as mudanças (JOSÉ FILHO, 2007). É certo 
que atualmente o modelo tradicional de família deu espaço a uma infinidade 
de outros modelos familiares, que têm muitas diferenças do padrão nuclear 
tradicional. Essas alterações são partes das nossas histórias, partes da nossa 
sociedade, partes das nossas vidas. A situação em que estamos vivendo 
demonstra as possibilidades de reflexões acerca das ‘famílias’ na sociedade 
contemporânea. Famílias essas que podem ser constituídas por um grupo de 
pessoas que residem juntas, pai, mãe, filhos, netos, sobrinhos, dentre outros 
integrantes. Famílias que nem chegam a ter o número de integrantes da família 
nuclear, sendo constituídas por casal sem filhos, ou irmãos que residem 
juntos, ou uma pessoa sozinha. Enfim, a família mudou, ou as “famílias” 
mudaram. 
Resposta Correta: Letra c) vem dando espaço a outros arranjos familiares que 
se diferenciam desse padrão tradicional. 
 
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 Não podemos negar a importância da família no contexto social, 
onde a mesma continua sendo o cerne da sociedade, um lugar valorizado 
para formar pessoas. Contudo, não podemos ficar parados em um conceito 
de família, mas situarmos a estrutura familiar na conjuntura onde estamos 
inseridos, ou onde está inserida a família que estamos estudando. Tais 
reflexões sobre família, dão início a um exercício do pensar, com a relação de 
ideias que vão sendo construídas através de tais reflexões. É necessário 
pensar a família, reaprender o que significa ser família, entender que ela 
possui suas especificidades e suas complexidades. Para falar sobre família, 
segundo José Filho (2007, p. 142) 
 
 É preciso levar em conta a família vivida e não a 
idealizada, ou seja, aquela na qual se observam diversas formas 
de organização e de ligações e na qual as estratégias 
relacionadas à sobrevivência muitas vezes se sobrepõem aos 
laços de parentesco. 
 É preciso, sobretudo, considerar as experiências vividas por cada 
família, sendo que um modelo específico não deve sobrepor-se a outro. Não 
podemos buscar o enquadramento da família a determinado modelo familiar, 
ou mesmo a condenação dos integrantes de uma configuração familiar 
diferenciada. 
 Atualmente, apesar da família continuar sendo objeto de estudo e de 
idealizações, é impossível admitir o pensamento de um modelo adequado. 
Conforme questiona Sarti (2007, p. 25) 
 
 Não se sabe mais, de antemão, o que é adequado ou 
inadequado relativamente à família. No que se refere às 
relações conjugais, quem são os parceiros? Que família 
criaram? Como delimitar a família se as relações entre pais e 
filhos cada vez menos se resumem ao núcleo conjugal? Como 
se dão as relações entre irmãos, filhos de casamentos, 
divórcios, recasamentos de casais em situações tão 
diferenciadas? Enfim, a família contemporânea comporta uma 
enorme elasticidade. 
 Além de todos esses fatores, adicionamos também o número 
reduzido de filhos, a modificação do conceito de maternidade e o 
impacto dessas transformações na sociedade. O filho e a maternidade 
são experiências diferenciadas para cada membro da população. 
 
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 Em meio a tantas evoluções, podemos afirmar que a difusão e a 
socialização do exame de investigação de paternidade têm contribuído 
para diversificação das relações sociais, sobretudo entre aquelas pessoas que 
realmente não possuíam nenhum tipo de contato com o pai e, caso os tenha, 
com os irmãos. Neste sentido, a família passa a estabelecer um vínculo, que 
tende a ser vivenciado de maneiras diversas. 
 Compreendermos todas essas relações é possível, através da realidade 
que estamos inseridos. Esses inúmeros modelos de configuração familiar 
estabelecem, na sociedade, maneiras de se viver, maneiras de construção de 
identidades sociais. Segundo Sawaia (2007, P 40): 
 
Família é conceito que aparece e desaparece das teorias sociais 
e humanas, ora enaltecida, ora demonizada. É acusada como 
gênese de todos os males, especialmente da repressão e 
servidão, ou exaltada como provedora do corpo e da alma. 
 Ao longo da história, especialmente em meados dos anos 1960, havia 
uma crítica, com uma visão da família como sendo contrária à organização 
popular e aos movimentos sociais. Relativamente à perda de suas funções de 
educar e cuidar, a família foi analisada como uma espécie em extinção. Como 
podemos verificar, na sociedade contemporânea, a família continua sendo 
espaço para a formação e construção de identidades e de protagonistas no 
mundo em transformação. 
 
 Se pensarmos juntamente com Losacco (2007, p. 65), podemos 
verificar que a família é “[...] construída por uma constelação de 
pessoas interdependentes, e sua estrutura reproduz as dinâmicas 
sócio históricas existentes”. 
 A aceleração do capitalismo, o advento da globalização e a 
pluralização das relações afetivas, modificaram a maneira da família 
viver em sociedade. A família sofre influências da sociedade, ao 
mesmo tempo em que exerce determinadas influências na sociedade. 
Um fator presente atualmente é o individualismo, conforme aponta 
Romanelli (2000, p. 87) 
Conforme ocorrem tais mudanças, a vida doméstica tende a se 
democratizar, criando condições para a emergência e concretização de 
interesses individuais. Consequentemente, o familismo tende a ser 
gradativamente deslocado e substituído pelo individualismo. 
 
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 Mesmo assim, precisamos compreender a importância da família na 
sociedade, independentemente da maneira que a mesma se constituiu. É a 
relação interior, mesmo pautada nas influências do individualismo, que é 
parte principal da família. 
 É nesse cotidiano pautado pelas primícias do neoliberalismo que a 
família se desenvolve. Heller (2004, p. 17, destaque do autor) afirma que 
 
 A vida cotidiana é a vida de todo homem. Todos a vivem, 
sem nenhuma exceção, qualquer que seja posto na divisão do 
trabalhoindividual e físico. Ninguém consegue identificar-se 
com sua atividade humano-genérica a ponto de poder desligar-
se inteiramente da cotidianidade. E, ao contrário, não há 
nenhum homem, por mais “insubstancial” que seja, que viva 
tão-somente na cotidianidade, embora esta o absorva 
preponderantemente. 
 Apesar de vivenciar a cotidianidade, o homem vivencia a 
individualidade e seus sentidos e capacidades funcionam plenamente. Por não 
possuir tempo nem possibilidade de se absorver inteiramente em nenhum 
desses aspectos, não é possível desenvolvê-los em toda sua intensidade. 
 Posteriormente a autora afirma que “[...] a vida cotidiana é, em grande 
medida, heterogênea” (p. 18). Ela se refere ao conteúdo e a importância das 
diversas atividades que realizamos, como por exemplo: a organização do 
trabalho e da vida privada, os lazeres e o descanso, a atividade social 
sistematizada, as relações sociais. Defende também que além de 
heterogênea, a vida cotidiana é hierárquica, ou seja, existem as prioridades 
dentro da cotidianidade. 
 É no grupo que existe o amadurecimento para a cotidianidade, como 
família, escola, pequenas comunidades. Como pontua Heller (2004, p. 19, 
destaque do autor) 
 
 O homem aprende no grupo os elementos da 
cotidianidade (por exemplo, que deve levantar e agir por sua 
conta; ou o modo de cumprimentar, ou ainda como comportar-
se em determinadas situações, etc.); mas não ingressa nas 
fileiras dos adultos, nem as normas assimiladas ganham ‘valor’, 
a não ser quando essas comunicam realmente ao indivíduo – 
saindo do grupo (por exemplo, da família) – é capaz de se 
manter autonomamente no mundo das integrações maiores, de 
orientar-se em situações que já não possuem a dimensão do 
grupo humano comunitário, de mover-se no ambiente da 
 
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sociedade em geral e, além disso, mover por sua vez esse 
mesmo ambiente. 
 
 A individualidade necessária a todo homem não pode ser 
confundida com o individualismo que tende a conduzir a sociedade a 
atitudes egoístas. Diante dessa realidade, é necessário 
compreendermos o cotidiano das famílias na sociedade 
contemporânea, para que possamos verificar como se estabelecem 
as influências da sociedade na família, e o papel da família na 
sociedade. 
 Um outro agravante desses novos tempos é a questão da 
drogadição, do consumo excessivo de álcool, muitas vezes, em 
decorrência das experiências vivenciadas durante a história de vida 
das pessoas. Esses fatores podem permanecer na vida das famílias, 
afetando as relações entre os membros e agravando a questão social 
manifesta no cotidiano dessas relações. 
 Existe também, em decorrência de inúmeros fatores, a 
presença da violência doméstica que não está dissociada da questão 
do alcoolismo e da drogadição. As contradições sociais que 
vivenciamos trazem um mundo novo no qual as famílias passam pela 
escalada da violência urbana, deixando como consequências o crime, 
a morte, o tráfico, e outras manifestações que podem aterrorizar a 
vida das pessoas. Muitas vezes, os pais não sabem como evitar que 
seus filhos adentrem nesse mundo, e buscam a educação dos 
mesmos de diversificadas maneiras, e nem sempre obtém resultados 
positivos. Alguns fatores podem trazer o retrato da família na 
atualidade e podemos verificar que a população, de uma maneira 
geral, tem envelhecido, as crianças têm sido evitadas, com o controle 
de natalidade e as pessoas têm cada vez mais se divorciado. 
 Nos países europeus, como podemos verificar através do Dossiêr 
Fides (AGENZIA FIDES, 2008, online), a população europeia cresceu em torno 
de 19 milhões de pessoas no período de 1994 a 2006, mas isso ocorreu não 
pelos nascimentos naturais, pois estes diminuíram, mas pelas imigrações 
ocorridas durante esse período. Quanto à população idosa, esta é a grande 
maioria, pois houve um crescimento no número de pessoas idosas, em 
decorrência da própria qualidade de vida e uma diminuição da população 
jovem. A cada 25 segundos se realiza um aborto nos países europeus e dessa 
maneira a população jovem tende a diminuir. 
 
 
 
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 No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE), através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 
(PNAD), realizada no ano de 2006, mostrou que a tendência do 
envelhecimento da população, como em anos anteriores, persistiu, e 
a taxa de fecundidade diminuiu para 2,0 nascimentos por mulheres. 
 É certo que o número de habitantes por domicílios vem diminuindo e, 
com esse formato, podemos verificar que o formato familiar também 
diminuiu. Vale ressaltar que com relação aos rendimentos mensais familiares 
per capita no Brasil são: 27,3% de ½ a 01 salário mínimo; 23,3% de 01 a 02 
salários mínimos e 16,4% de ¼ a ½ salário mínimo. O Brasil possui, dessa 
forma, a maioria da sua população concentrada com no máximo 01 salário 
mínimo per capita. 
 
 As famílias que habitam o território brasileiro são, em sua 
maioria, famílias que possuem meios escassos de sobrevivência e 
buscam no cotidiano da vida familiar, dividir não somente as emoções 
dos laços familiares, mas também as angústias que a própria vida 
cotidiana lhes apresenta. Podemos recorrer também ao conceito de 
Carvalho (2002, p. 93) 
 De fato, a família é o primeiro sujeito que referencia e 
totaliza a proteção e a socialização dos indivíduos. 
Independentemente das múltiplas formas e desenhos que a 
família contemporânea apresente, ela se constitui num canal de 
iniciação e aprendizado dos afetos e das relações sociais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3. 2012/VUNESP/TJ-SP. A família é o locus, o status nascendi, a matriz dos 
primeiros___________sociais da criança. Quando a família não cumpre seu papel 
social de_____________de sua prole, de transmissora de valores culturais, 
considerando como critério seu aspecto funcional, pode-se dizer que ela fracassou 
no cumprimento de suas funções. Quando ocorrem situações de vitimização física e 
sexual de crianças e adolescentes na família, pode-se dizer, conforme Ferrari (2002), 
que se está diante de um grave problema de___________entre pais e filhos, que se 
deteriorou. 
 a) conflitos … cuidadora … domínio 
 b) domínios … articuladora … comando 
 c) vínculos … protetora … relações 
 d) bens … defensora … afeto 
 e) contatos … organizadora … autoridade 
Comentário: De fato, a família é o primeiro sujeito que referencia e totaliza 
a proteção e a socialização dos indivíduos. Independentemente das 
múltiplas formas e desenhos que a família contemporânea apresente, ela se 
constitui num canal de iniciação e aprendizado dos afetos e das relações 
sociais. 
Resposta Correta: Letra c) vínculos … protetora … relações 
 
 
 Independentemente das múltiplas maneiras de se organizar, de 
se constituir enquanto família, a ela possui um papel de socialização 
importante e primordial na vida das pessoas. Entendê-la enquanto 
espaço de construção da iniciação dos afetos e de todo aprendizado 
que esses afetos podem trazer aos seus componentes, é ímpar na 
sociedade.Essas construções rebaterão na construção dos sujeitos 
históricos da sociedade. 
 Pensarmos o Brasil enquanto país que também vivencia as 
manifestações da questão social tão presentes em seu cotidiano, nos 
faz reportar ao fato de que as famílias brasileiras precisam de 
melhorias nas suas condições de vida, nas suas construções 
cotidianas, em seus componentes. A manifestação cotidiana da 
 
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desigualdade social presente, traz o retrato da nova família em um 
novo cenário, que cada vez mais a aparta do acesso ao mínimo de 
sobrevivência. Diante desses efeitos da desigualdade, a família, na 
sociedade contemporânea, modificada não só internamente, mas 
também externamente, possui o desafio de sobreviver nessa 
sociedade em tempos de mudanças e de continuar exercendo o seu 
papel nessa mesma sociedade. Não se podemos negar a 
importância da família, onde os sujeitos irão desenvolver suas 
primeiras experiências enquanto membros da sociedade. Como bem 
pontuam Ferrari e Kaloustian (2002, p.11): 
 A família brasileira, em meio a discussões sobre a sua 
desagregação ou enfraquecimento, está presente e permanece 
enquanto espaço privilegiado de socialização, de prática de tolerância 
e divisão de responsabilidades, de busca coletiva de estratégias de 
sobrevivência e lugar inicial para o exercício da cidadania sob o 
parâmetro da igualdade, do respeito e dos direitos humanos. A 
família é o espaço indispensável para a garantia da sobrevivência de 
desenvolvimento e da proteção integral dos filhos e demais membros, 
independentemente do arranjo familiar ou da forma como vem se 
estruturando. 
 É essencial para as reflexões sobre família, a desconstrução dos 
nossos conceitos prontos, buscando o desprendimento dos 
preconceitos para podermos entender as novas configurações 
familiares. Para abordarmos questões referentes ao contexto na qual 
a família está inserida, assim como quais as possibilidades e os 
desafios existentes na construção de um trabalho com famílias, 
torna-se necessária uma reflexão aprofundada sobre as questões 
referentes às políticas de atendimentos a essas famílias e a ação 
profissional do assistente social nesse espaço de atuação. 
 Este desafio de poder buscar reflexões sobre os conceitos de 
família traz para nós uma experiência enriquecedora e, ao mesmo 
tempo, nos cumula de expectativas para aprofundarmos em 
determinados temas que não são somente polêmicos, mas estão 
presentes no nosso cotidiano. 
 
 
 
 
 
 
 
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4. 2005/TJSP/VUNESP/Q45. O Serviço Social brasileiro, após a reconceituação, 
orientou-se por uma visão transformadora e crítica da realidade, que o levou a 
compreender a família 
(A) como gestora da força de trabalho feminino na contemporaneidade. 
(B) no interior da questão mais ampla, contraditória e complexa do conflito das classes. 
(C) como grupo social protetivo e relacional principalmente em situação de pobreza e 
exclusão. 
(D) numa concepção de familiaridade complexa do conflito de classes, associada às 
relações interpessoais. 
(E) como lócus de relações de poder, propiciando a emergência e a concretização do 
individualismo 
Resposta Correta: Letra (B) no interior da questão mais ampla, contraditória e 
complexa do conflito das classes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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4. Metodologias na Intervenção Profissional do Assistente Social no 
Trabalho com Famílias 
 
Serviço Social e processo de trabalho com famílias 
 A profissão do Assistente Social é regulamentada pela Lei n. 8.662, de 
07/06/93. Esta Lei tem o objetivo de reger os procedimentos e a natureza 
dos serviços profissionais, por meio dos quais se realizam os princípios 
constitucionais da assistência social; assim como da saúde, previdência social 
e demais atividades sociais. 
 Para isso institui a profissão de Assistente Social, de um lado exigindo-
lhe determinados deveres e, de outro, assegurando-lhe certas competências 
e atribuições privativas em conformidade com o Código de Ética da 
Profissão, que reafirma os seus valores fundantes – a liberdade e a justiça 
social. O projeto profissional do Serviço Social, pensa a ética como um 
pressuposto teórico-político que remete para o enfrentamento das 
contradições postas à profissão, a partir de uma visão crítica, e fundamentada 
teoricamente, das derivações ético-políticas do agir profissional. 
 
 O reconhecimento da importância da família no contexto da 
vida social está explícito no artigo 226, da Constituição Federal do 
Brasil, quando declara que: 
“a família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado”, endossando 
assim, o artigo 16, da Declaração dos Direitos Humanos, que traduz a família 
como sendo o núcleo natural e fundamental da sociedade, e com direito a 
proteção da sociedade e do Estado. No Brasil, tal reconhecimento se 
reafirma nas legislações especificas da Assistência Social – Estatuto da 
Criança e do Adolescente (ECA), Estatuto do Idoso e na própria Lei Orgânica 
da Assistência Social (LOAS), entre outras. 
Para MIOTO (1997): 
“A família é uma instituição Social historicamente condicionada e 
dialeticamente articulada com a sociedade na qual está inserida. Isto 
pressupõe compreender as diferentes formas de famílias em diferentes 
espaços de tempo, em diferentes lugares, além de percebê-las como 
diferentes dentro de um mesmo espaço social e num mesmo espaço de 
tempo. Esta percepção leva a pensar as famílias sempre numa perspectiva 
de mudança, dentro da qual se descarta a ideia dos modelos cristalizados 
para se refletir as possibilidades em relação ao futuro”. (MIOTO, 1997, 
p.128). 
 
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 Sabe-se que não só para o Serviço Social, mas que em todas as 
profissões o tema “FAMÍLIA” não é desconhecido, intervém-se nesta dinâmica 
a todo instante. Porém poucos profissionais são preparados para trabalhar as 
relações familiares e as mudanças ocorridas na estrutura familiar ao longo da 
história. 
 
 Atualmente os processos de intervenção com as famílias são 
pensados apenas no âmbito do atendimento direto. Não são 
vislumbradas, no universo das ações profissionais, outras 
possibilidades de se trabalhar com famílias; não são considerados 
especialmente os espaços da proposição, articulação e avaliação das 
Políticas Sociais, nem a organização e articulação de serviços como 
campos fundamentais de intervenção na área da família. 
 Abordar a problemática familiar constitui-se em uma tarefa 
difícil e complexa, já que a família contemporânea pode ser vista 
como um desafio, que envolve problemas de ordem cultural, ética, 
econômica, política e social. 
 A miséria e a falta de oportunidades de vida digna impedem as famílias 
de expressarem suas opiniões próprias e faz com que elas sejam submissas 
e não ocupem seus espaços de cidadãos. Gerando uma ausência de 
protagonismo que por sua vez colabora para queesta situação de exclusão 
se perdure por toda vida. Na maioria das vezes a cultura apreendida era 
apenas de proibições, cumprimento de ordens e obediência, nunca a 
cidadania ou criatividade. Muitas vezes ao dizer o que se pensava, retaliações 
e punições eram geradas, demonstrando a política do clientelismo, - ainda 
presente nos dias atuais. 
 
A organização familiar atua como ressonância, vítima e reprodutora 
de todo esse sistema de cultura o que se reverte nas seguintes 
demandas: 
 O trabalho infantil deixa de ser problema e passar a ser solução uma 
vez que os pais educam seus filhos com o pensamento de que “criança que 
não trabalha cresce vagabundo”, não visualizando a escola de forma 
necessária para o enfrentamento da vida, e a criança não é vista com o 
respectivo direito de estudar, e brincar. As pessoas vêm se objetos e não 
sujeitos da história, das políticas, dos projetos e programas públicos, a 
 
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mentalidade já estar determinada a pensar assim o que os impede de lutar 
para mudar tal situação. 
 Em decorrência disso, as diversas expressões da questão social 
colocam limites e desafios de intervenção para o Assistente Social, exigindo 
um exame atento no mundo do trabalho, particularmente, em instituições 
que lidam com o binômio saúde-doença, onde as contradições e mazelas de 
uma sociedade com elevados níveis de exclusão social emergem com força. 
 
 É de extrema importância que o profissional, ao trabalhar com 
famílias, adote uma postura socioeducativa, de trocas, numa relação 
horizontal, tendo sempre em mente que a realidade social e a 
dinâmica familiar requerem que o profissional respeite a 
individualidade de cada família, procurando não fazer julgamento de 
valor. A dimensão técnica não autoriza a tomada de decisões ou 
escolha de condutas: isto cabe à família. 
 Os conhecimentos científicos ou os valores moralistas não podem servir 
de pretexto para o julgamento das famílias, mas de base para ações 
socioeducativas, cultura da tutela e as atitudes paternalistas fortalecem a 
exclusão das mesmas, a democratização das informações, o saber ouvir, a 
divulgação dos critérios de atendimento, o esclarecimento quanto ao papel 
dos familiares no processo são atitudes necessárias e éticas. 
 
 É necessário que o profissional utilize uma linguagem clara, 
criando atmosfera aberta e informal que permita aos usuários se 
sentirem à vontade para se colocarem, fazer perguntas, esclarecer 
dúvidas. O diálogo de discussão de alternativas com as famílias 
estará contribuindo para desenvolver mecanismos de reflexão e 
assumindo um papel mais de ajudá-la a refletir do que pensar nela, 
mais de questionar do que discursar. Como um mediador, é 
importante que o profissional se questione sempre sobre a sua 
prática, de que forma ela está sendo efetivada. 
 O desafio está em o Assistente Social aprender a lidar com as 
dramáticas respostas que as famílias vêm apresentando e assim 
estabelecer processos de atenção, à família, que as auxiliem a 
enfrentar desafios e que proponham novas articulações visando uma 
condição humana melhor. 
 
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 Segundo SILVA “a prática profissional, volta-se para 
orientações e prestação de serviço ou implantação de programas que 
beneficiem o grupo familiar” (SILVA, 1987, p.145). A organização 
institucional trabalha com o modelo assistencial cuja preocupação 
central está na resolução de problemas do indivíduo fragilizado (ex: 
criança violentada ou portadora de necessidades especiais, etc.) e 
não na perspectiva da intervenção familiar. Sabe-se que este modelo, 
embora tenha cada vez mais recursos disponíveis, tem uma leitura 
limitada das demandas que lhe são colocadas. 
 Assim, muitos profissionais trabalham com as famílias no sentido de 
atender o objetivo da instituição, tentando resolver o caso do usuário. Sem 
contar que muitas vezes são as mesmas famílias que circulam por diferentes 
instituições, levando para elas o mesmo usuário. E a trajetória se repete, a 
instituição se preocupa em dar um atendimento específico não conseguindo 
perceber que é a família como um todo e não apenas um membro dela que 
necessita de atenção. 
 Se o profissional tornar o usuário fragilizado como expressão de um 
contexto familiar comprometido, o eixo da atenção profissional estará 
alterado. Esta alteração se dará tanto no nível da compreensão do problema 
como no nível da ação profissional. Desenvolve-se o sentido de ajudar a 
família a identificar as duas dificuldades e realizar mudanças para que possam 
alterar esta situação. 
 
 “Assim torna-se prioritário que a família perceba que a 
mudança de sua vida depende muito da sua participação em 
movimentos reivindicatórios organizados, em busca de melhores 
condições de vida” (MIOTO, 1997, p.125). 
Conforme TAKASHIMA (1994): 
“A setorização das políticas sociais e a existência de canais de integração 
entre elas têm gerado uma inoperância em relação às famílias. Dentro delas, 
a família é sempre vista pelo retrovisor, e não como foco de atenção” 
(TAKASHIMA 1994). 
 
 
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Já para MIOTO (1997): 
“A família enquanto unidade nos remete basicamente a duas 
ponderações sobre as inter-relações entre políticas sociais e família. A 
primeira relaciona-se ao fato de que, como estão organizadas, as 
políticas sociais não incluem a ideia da família como uma totalidade: 
ao contrário, são implementadas em função de indivíduos. Elas não 
incluem nenhuma previsão dos impactos que terão sobre as famílias e 
nas suas avaliações também não são considerados indicadores de 
análise sobre os efeitos que as políticas têm na vida familiar” 
(BARROS, 1995; MIOTO 1997). 
 Tendo em conta a fragmentação dentro da qual a família é 
retratada, é necessário esforço no sentido de articular e integrar as 
políticas setoriais, para que possam facilitar e melhorar a qualidade 
de vida das famílias. 
 A reafirmação da importância que as políticas sociais, particularmente 
as públicas, têm no cotidiano da vida familiar. São elas que, num contexto 
de pobreza como o brasileiro, pode garantir condições objetivas de 
sobrevivência. Como se sabe, as condições externas dadas pela política 
econômica vigente constituem-se numa fonte importante do estresse 
familiar. Por isso, a viabilização de políticas assistenciais tem de ser 
priorizada. 
 
 Nessa perspectiva assinala-se a responsabilidade que os 
profissionais que trabalham diretamente com as famílias têm no 
direcionamento das políticas sociais. Ou seja, se o objetivo é ter 
políticas sociais integradas que atendam as reais necessidades das 
famílias usuárias do serviço social, é necessária prática profissional 
competente, não só no sentido de atender as famílias dentro de suas 
especificidades, mas também no sentido de fazer da prática cotidiana 
uma prática de natureza investigativa. Esta poderá subsidiar a 
implementação e a avaliação de políticas e programas sociais que 
atendam aos ideais já propostos na formulação de algumas políticas 
sociais e que sejam adequadas à realidade. Além disso, tais estudos 
e análises poderão ser elementosimportantes para a contraposição 
 
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de propostas incongruentes com as necessidades das famílias e ou 
que firmam a autonomia delas. 
Segundo IAMAMOTO (2007): 
“Um dos maiores desafios que o assistente social vive no 
presente é desenvolver sua capacidade de decifrar a realidade 
e construir propostas de trabalho criativas e capazes de 
preservar e efetivar direitos, a partir de demandas emergentes 
no cotidiano. Enfim, ser um profissional propositivo e não só 
executivo. (...) Requer, pois, ir além das rotinas institucionais e 
buscar apreender o movimento da realidade para detectar 
tendências e possibilidades nela presentes passíveis de serem 
impulsionadas pelo profissional” (IAMAMOTO, 2007, p. 20-21). 
 
 A família sempre esteve inserida na área de atuação do Serviço 
Social, porém na maioria dos serviços, ela vem sendo contemplada 
de maneira fragmentada, ou seja, cada integrante da unidade familiar 
é visto de forma individualizada, descontextualizada e portador de 
um problema. Em vista disso, um dos desafios da profissão é a busca 
de metodologias para trabalhar a família como um grupo com 
necessidades próprias e únicas. 
 Para IAMAMOTO (2004), a prática profissional permite a 
oportunidade de pensar em si e no seu fazer profissional. Isto requer 
disposição para analisar e refletir, de forma aberta e transparente, suas 
ações, seus dilemas e falsos dilemas, imbuídos pelo interesse em desenvolver 
uma ação planejada, resultante daquela reflexão, permitindo o 
enfrentamento de suas questões operativas principais. A intenção de desvelar 
as práticas ocultas do cotidiano só pode efetivar-se a partir da e na ação 
profissional. Este momento caracteriza-se pelo encontro com o desconhecido. 
Isto significa ir além do discurso parcial, fragmentado, pela simples 
reprodução do já produzido, mas descobrir algo que ainda não foi partilhado 
na construção do saber. Deste modo, a ultrapassagem da totalidade parcial 
para totalidade mais complexa no interior da prática se faz pela relação 
pensamento/realidade. 
 
 É na própria ação cotidiana dos profissionais que se busca 
resgatar as categorias particulares, empíricas que dão movimento à 
 
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sua intervenção, que antes parecia descontínuo, dando-lhe uma 
dimensão histórica. 
 Assim, a categoria da mediação é apreendida como expressão 
concreta do processo de passagem que o profissional realiza na 
medida em que supera a leitura do aparente imediato para imprimir 
uma direção crítica ao conjunto de suas práticas cotidianas. 
 Segundo GOMES (1999), a família é um grupo de pessoas com 
características distintas formando um sistema social, baseado numa 
proposta de ligação efetiva duradoura, estabelecendo relação de 
cuidado dentro de um processo histórico de vida. 
 O Assistente Social auxilia e estimula a família a adquirir o 
controle da situação, através da busca das suas próprias demandas e 
desafios em cada etapa do processo. Assim, a família pode se tornar 
mais bem adaptada e competente para cuidar do doente e conseguir 
administrar a situação, que toda a família vivencia, com um 
sofrimento menos intenso. 
 É importante ressaltar, que o Assistente Social, enquanto 
partícipe da divisão social e técnica do trabalho, é um profissional 
especializado que está inserido no mercado de trabalho para realizar 
a prestação de serviços sociais, principalmente, através das políticas 
implementadas pelo Estado. 
 Trabalhar com as famílias é uma fonte de preocupação para os 
profissionais que militam nesta área, dado a complexidade do tema 
que envolve vários aspectos, dentre os quais estão as diferentes 
configurações familiares, as relações que esta estabelece com outras 
esferas da sociedade, como o Estado, Sociedade Civil e Mercado, e 
também os processos familiares. 
 Já no âmbito do Serviço Social, os processos de atenção às 
famílias fazem parte da história da profissão. Os assistentes sociais 
são profissionais que tem a família como objeto de intervenção 
durante toda sua trajetória histórica. 
 Ainda hoje as ações dos assistentes sociais, são movidas por lógicas 
arcaicas e enraizadas culturalmente, e não pela lógica da racionalidade dada 
pelo arcabouço teórico-metodológico da profissão pós-reconceituação. Por 
isso, o exercício profissional com famílias ainda é pautado nos padrões de 
normatividade e estabilidade. 
 
 
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Como assinala MIOTO (2004): 
“Na perspectiva da análise do discurso dos assistentes sociais no cotidiano 
profissional, Guimarães (1996) observou a existência de quatro construções 
discursivas. 
 A primeira, denominada de pré-construída, refere-se ao discurso pautado 
na suposição do senso comum. 
 A segunda, que é a linha de pensamento umbilicado, caracteriza-se pela 
permanência de um pensamento pré-estabelecido do início ao final da 
intervenção. 
 A terceira, que a autora chamou de kit-discurso, considera que o 
assistente social realiza a sua prática a partir dos dois procedimentos 
anteriores, tornando a intervenção um ato altamente mecânico. 
 Finalmente, a quarta construção discursiva se caracteriza pela dicotomia 
entre ação e fala. Ao discursarem sobre suas respectivas práticas, os 
assistentes sociais apresentam tal distância entre ação e fala que muitas 
vezes se apresentam como contraditórias, sem que geralmente as 
contradições sejam percebidas. Esse tipo de análise demonstra a 
fragilidade do processo de intervenção. ” 
 
 Estas reflexões, fortalecem as discussões efetuadas a partir das 
análises sobre a construção sócio histórica do Serviço Social na divisão 
sociotécnica do trabalho onde o assistente social aparece como o 
profissional da coerção e do consenso. 
Para MIOTO (2004): 
“O desafio da superação dessa situação, considerando a urgência de 
consolidação do projeto ético-político da profissão, que só poderá 
acontecer através de uma prática profissional crítica e altamente 
qualificada em áreas de intervenção profissional consolidadas 
historicamente e da expansão do mercado de trabalho para os 
assistentes sociais. Além disso, não pode ser esquecido o projeto de 
formação profissional que, através das diretrizes curriculares, coloca 
como um de seus eixos os fundamentos do trabalho profissional”. 
MIOTO (2004) ainda afirma que: 
“É justamente este desafio que nos conduz a recolocar algumas 
questões que acreditamos estarem contribuindo para a perpetuação do 
 
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conservadorismo nas intervenções com famílias, numa tentativa de 
resgatar da própria ação profissional os elementos necessários para 
sua reconstrução. Como afirma GUERRA (2000), é necessário resgatar 
a dimensão emancipatória da instrumentalidade do exercício 
profissional, pois é através dela que a profissão poderá superar o seu 
caráter eminentemente operativo e manipulatório dado pela condição 
histórica do surgimento da profissão. ” 
 
 A transformação dos processos de intervençãocom famílias 
implica mais do que a crítica feita pelos profissionais sobre a 
realidade, mas a consciência que a solução das demandas não está 
nos limites dos serviços. A contradição entre conhecimento e ação, 
pode estar relacionada às formas de capacitação profissional para 
intervenção com famílias. 
 Quando as famílias procuram projetos ou atendimentos, já tem 
os seus processos relacionais comprometidos. Partindo desta 
demanda, os profissionais têm que incluir ações direcionadas à 
formulação e implementação de políticas sociais que ofereçam o 
mínimo de condições para a sobrevivência do grupo familiar. 
Conforme MIOTO (2000): 
“Os serviços também desenvolvem suas ações sob a lógica da 
incapacidade e da falência das famílias em seus papéis sociais, 
atendendo às situações limites e às solicitações mais 
emergentes trazidas pelas mesmas, ao invés de atuar no 
sentido de prevenir os conflitos e as crises. Essa forma de 
atendimento é fruto do contexto político-econômico vigente, no 
qual as políticas públicas sociais são pontuais e visam, 
prioritariamente, à resolução do problema aparente, e não das 
questões que o motivaram” (MIOTO, 2000, p. 43). 
 As características desse reordenamento das políticas sociais 
negam os princípios do direito à saúde, esses contrapõem com a 
veemência ao Projeto Ético Político Profissional do Serviço Social, de 
defesa da Democracia e dos Direitos das Políticas Sociais transmutam 
a lógica do direito, na “lógica do favor”, do bem de consumo ou 
simplesmente na exclusão propriamente dita. 
Como afirma IAMAMOTO (1998) e NETTO (1996): 
 
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“Diante dos desafios é imprescindível que o profissional do 
Serviço Social tenha competência teórico crítica, coragem cívica 
e intelectual”. Tendo essa convicção os profissionais do Serviço 
Social, apresentaram uma prática autêntica e plena de 
cidadania, perante os usuários. 
5. A Família e a Proteção Social Básica 
 
 O CRAS atua com famílias e indivíduos em seu contexto 
comunitário, visando a orientação e o convívio sociofamiliar e 
comunitário. Neste sentido é responsável pela oferta do Programa de 
Atenção Integral às Famílias. Na proteção básica, o trabalho com 
família deve considerar novas referências para a compreensão dos 
diferentes arranjos familiares, superando o reconhecimento de um 
modelo único baseado na família nuclear, e partindo do suposto de 
que são funções básicas das famílias: 
 
* Prover a proteção e a socialização dos seus membros; 
* Constituir-se como referências morais, de vínculos afetivos e 
sociais; 
* De identidade grupal, além de ser mediadora das relações dos seus 
membros com outras instituições sociais e com o Estado. 
 
 O grupo familiar pode ou não se mostrar capaz de desempenhar suas 
funções básicas. O importante é notar que esta capacidade resulta não de 
uma forma ideal e sim de sua relação com a sociedade, sua organização 
interna, seu universo de valores, entre outros fatores, enfim, do estatuto 
mesmo da família como grupo cidadão. Em consequência, qualquer forma de 
atenção e, ou, de intervenção no grupo familiar precisa levar em conta sua 
singularidade, sua vulnerabilidade no contexto social, além de seus 
recursos simbólicos e afetivos, bem como sua disponibilidade para se 
transformar e dar conta de suas atribuições. 
 
 
 Além de ser responsável pelo desenvolvimento do Programa de 
Atenção Integral às Famílias – com referência territorializada, que 
valorize as heterogeneidades, as particularidades de cada grupo 
familiar, a diversidade de culturas e que promova o fortalecimento 
dos vínculos familiares e comunitários –, a equipe do CRAS deve 
prestar informação e orientação para a população de sua área de 
abrangência, bem como se articular com a rede de proteção social 
local no que se refere aos direitos de cidadania, mantendo ativo um 
 
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serviço de vigilância da exclusão social na produção, sistematização 
e divulgação de indicadores da área de abrangência do CRAS, em 
conexão com outros territórios. 
 
 Realiza, ainda, sob orientação do gestor municipal de 
Assistência Social, o mapeamento e a organização da rede 
socioassistencial de proteção básica e promove a inserção das 
famílias nos serviços de assistência social local. 
 
 Promove também o encaminhamento da população local para 
as demais políticas públicas e sociais, possibilitando o 
desenvolvimento de ações Inter setoriais que visem a 
sustentabilidade, de forma a romper com o ciclo de reprodução Inter 
geracional do processo de exclusão social, e evitar que estas famílias 
e indivíduos tenham seus direitos violados, recaindo em situações de 
vulnerabilidades e riscos. 
 
 São considerados serviços de proteção básica de assistência 
social aqueles que potencializam a família como unidade de 
referência, fortalecendo seus vínculos internos e externos de 
solidariedade, através do protagonismo de seus membros e da oferta 
de um conjunto de serviços locais que visam à convivência, a 
socialização e o acolhimento, em famílias cujos vínculos familiar e 
comunitário não foram rompidos, bem como a promoção da 
integração ao mercado de trabalho, tais como: 
 
 Programa de Atenção Integral às Famílias. 
 Programa de inclusão produtiva e projetos de enfrentamento da 
pobreza. 
 Centros de Convivência para Idosos. 
 Serviços para crianças de 0 a 6 anos, que visem o fortalecimento 
dos vínculos familiares, o direito de brincar, ações de socialização 
e de sensibilização para a defesa dos direitos das crianças. 
 Serviços socioeducativos para crianças, adolescentes e jovens na 
faixa etária de 6 a 24 anos, visando sua proteção, socialização e o 
fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. 
 Programas de incentivo ao protagonismo juvenil, e de 
fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. 
 Centros de informação e de educação para o trabalho, voltados 
para jovens e adultos. 
 
 
 
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Proteção Social Especial 
 
 Além de privações e diferenciais de acesso a bens e serviços, a 
pobreza associada à desigualdade social e a perversa concentração 
de renda, revela-se numa dimensão mais complexa: a exclusão 
social. O termo exclusão social confunde-se, comumente, com 
desigualdade, miséria, indigência, pobreza (relativa ou absoluta), 
apartação social, dentre outras. 
 Naturalmente existem diferenças e semelhanças entre alguns 
desses conceitos, embora não exista consenso entre os diversos 
autores que se dedicam ao tema. Entretanto, diferentemente de 
pobreza, miséria, desigualdade e indigência, que são situações, a 
exclusão social é um processo que pode levar ao acirramento da 
desigualdade e da pobreza e, enquanto tal apresenta-se heterogênea 
no tempo e no espaço. 
 A realidade brasileira nos mostra que existem famílias com as mais 
diversas situações socioeconômicas que induzem à violação dos direitos de 
seus membros, em especial, de suas crianças, adolescentes, jovens, idosos 
e pessoas com deficiência, além da geração de outros fenômenos como, por 
exemplo, pessoas em situação de rua, migrantes, idosos abandonadosque 
estão nesta condição não pela ausência de renda, mas por outras variáveis 
da exclusão social. Percebe-se que estas situações se agravam justamente 
nas parcelas da população onde há maiores índices de desemprego e de baixa 
renda dos adultos. 
 
 As dificuldades em cumprir com funções de proteção básica, 
socialização e mediação, fragilizam, também, a identidade do grupo 
familiar, tornando mais vulneráveis seus vínculos simbólicos e 
afetivos. A vida dessas famílias não é regida apenas pela pressão dos 
fatores socioeconômicos e necessidade de sobrevivência. Elas 
precisam ser compreendidas em seu contexto cultural, inclusive ao 
se tratar da análise das origens e dos resultados de sua situação de 
risco e de suas dificuldades de auto-organização e de participação 
social. 
 Assim, as linhas de atuação com as famílias em situação de 
risco devem abranger desde o provimento de seu acesso a serviços 
de apoio e sobrevivência, até sua inclusão em redes sociais de 
atendimento e de solidariedade. 
 As situações de risco demandarão intervenções em problemas 
específicos e, ou, abrangentes. Nesse sentido, é preciso desencadear 
estratégias de atenção sociofamiliar que visem à reestruturação do 
 
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grupo familiar e a elaboração de novas referências morais e afetivas, 
no sentido de fortalecê-lo para o exercício de suas funções de proteção básica 
ao lado de sua auto-organização e conquista de autonomia. Longe de 
significar um retorno à visão tradicional, e considerando a família como uma 
instituição em transformação, a ética da atenção da proteção especial 
pressupõe o respeito à cidadania, o reconhecimento do grupo familiar como 
referência afetiva e moral e a reestruturação das redes de reciprocidade 
social. 
 A ênfase da proteção social especial deve priorizar a 
reestruturação dos serviços de abrigamento dos indivíduos que, por 
uma série de fatores, não contam mais com a proteção e o cuidado 
de suas famílias, para as novas modalidades de atendimento. A 
história dos abrigos e asilos é antiga no Brasil. A colocação de crianças, 
adolescentes, pessoas com deficiência e idosos em instituições para protegê-
los ou afastá-los do convívio social e familiar foi, durante muito tempo, 
materializada em grandes instituições de longa permanência, ou seja, 
espaços que atendiam a um grande número de pessoas, que lá permaneciam 
por longo período – às vezes a vida toda. São os chamados, popularmente, 
como orfanatos, internatos, educandários, asilos, entre outros. 
 São destinados, por exemplo, às crianças, aos adolescentes, aos 
jovens, aos idosos, às pessoas com deficiência e às pessoas em situação de 
rua que tiverem seus direitos violados e, ou, ameaçados e cuja convivência 
com a família de origem seja considerada a sua proteção e ao seu 
desenvolvimento. No caso da proteção social especial, à população em 
situação de rua serão priorizados os serviços que possibilitem a organização 
de um novo projeto de vida, visando criar condições para adquirirem 
referências na sociedade brasileira, enquanto sujeitos de direito. 
 
 A proteção social especial é a modalidade de atendimento 
assistencial destinada a famílias e indivíduos que se encontram em 
situação de risco pessoal e social, por ocorrência de abandono, maus 
tratos físicos e, ou, psíquicos, abuso sexual, uso de substâncias 
psicoativas, cumprimento de medidas socioeducativas, situação de 
rua, situação de trabalho infantil, entre outras. 
 São serviços que requerem acompanhamento individual e 
maior flexibilidade nas soluções protetivas. Da mesma forma, 
comportam encaminhamentos monitorados, apoios e processos que 
assegurem qualidade na atenção protetiva e efetividade na 
reinserção almejada. 
 Os serviços de proteção especial têm estreita interface com o 
sistema de garantia de direito exigindo, muitas vezes, uma gestão 
mais complexa e compartilhada com o Poder Judiciário, Ministério 
Público e outros órgãos e ações do Executivo. 
 
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 Vale destacar programas que, pactuados e assumidos pelos três 
entes federados, surtiram efeitos concretos na sociedade brasileira, 
como o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI e o 
Programa de Combate à Exploração Sexual de Crianças e 
Adolescentes. 
 
Proteção Social Especial de Média Complexidade 
 
 São considerados serviços de média complexidade aqueles que 
oferecem atendimentos às famílias e indivíduos com seus direitos 
violados, mas cujos vínculos familiar e comunitário não foram 
rompidos. Neste sentido, requerem maior estruturação técnica 
operacional e atenção especializada e mais individualizada, e, ou, de 
acompanhamento sistemático e monitorado, tais como: 
 Serviço de orientação e apoio sociofamiliar. 
 Plantão Social. 
 Abordagem de Rua. 
 Cuidado no Domicílio. 
 Serviço de Habilitação e Reabilitação na comunidade das pessoas 
com deficiência. 
 Medidas socioeducativas em meio-aberto (Prestação de Serviços 
à Comunidade-PSC e Liberdade Assistida – LA). 
 A proteção especial de média complexidade envolve também o 
Centro de Referência Especializado da Assistência Social, visando a 
orientação e o convívio sociofamiliar e comunitário. Difere-se da 
proteção básica por se tratar de um atendimento dirigido às situações 
de violação de direitos. 
 
Proteção Social Especial de Alta Complexidade 
 
Os serviços de proteção social especial de alta complexidade são 
aqueles que garantem proteção integral – moradia, alimentação, 
higienização e trabalho protegido para famílias e indivíduos que se 
encontram sem referência e, ou, em situação de ameaça, 
necessitando ser retirados de seu núcleo familiar e, ou, comunitário. 
Tais como: 
 Atendimento Integral Institucional. 
 Casa Lar. 
 República. 
 Casa de Passagem. 
 Albergue. 
 Família Substituta. 
 Família Acolhedora. 
 
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 Medidas socioeducativas restritivas e privativas de liberdade 
(semiliberdade, internação provisória e sentenciada). 
 Trabalho protegido. 
6. Matricialidade Sociofamiliar - SUAS 
 
 
 As reconfigurações dos espaços públicos, em termos dos 
direitos sociais assegurados pelo Estado Democrático de um lado e, 
por outro, dos constrangimentos provenientes da crise econômica e 
do mundo do trabalho, determinaram transformações fundamentais 
na esfera privada, resignificando as formas de composição e o papel 
das famílias. Por reconhecer as fortes pressões que os processos de 
exclusão sociocultural geram sobre as famílias brasileiras, 
acentuando suas fragilidades e contradições, faz-se primordial sua 
centralidade no âmbito das ações da política de assistência social, 
como espaço privilegiado e insubstituível de proteção e socialização 
primárias, provedora de cuidados aos seus membros, mas que 
precisa também ser cuidada e protegida. Essa correta percepção é 
condizente com a tradução da família na condição de sujeito de 
direitos, conforme estabelece a Constituição Federal de 1988, o 
Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei Orgânica de Assistência 
Social e o Estatuto do Idoso.Serviço Social – Tribunal de Justiça São Paulo. 
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5.2015B/FGV/TJ-BA. A Política Nacional de Assistência Social (PNAS), ao ressaltar 
a centralidade da família, o faz a partir do entendimento de que a família: 
 a) é o espaço privilegiado e insubstituível de proteção e socialização primárias; 
 b) constitui-se na primeira e principal célula da sociedade capitalista; 
 c) possibilita às crianças o exemplo necessário para a atuação na sociedade; 
 d) deve ser resguardada, pois dela derivam todos os vícios e também todos os bons 
exemplos; 
 e) necessita de proteção especial, pois sozinha não consegue cumprir sua função. 
Comentário: As reconfigurações dos espaços públicos, em termos dos 
direitos sociais assegurados pelo Estado democrático de um lado e, por 
outro, dos constrangimentos provenientes da crise econômica e do mundo 
do trabalho, determinaram transformações fundamentais na esfera 
privada, resignificando as formas de composição e o papel das famílias. Por 
reconhecer as fortes pressões que os processos de exclusão sócio cultural 
geram sobre as famílias brasileiras, acentuando suas fragilidades e 
contradições, faz-se primordial sua centralidade no âmbito das ações da 
política de assistência social, como espaço privilegiado e insubstituível de 
proteção e socialização primárias, provedora de cuidados aos seus 
membros, mas que precisa também ser cuidada e protegida. Essa correta 
percepção é condizente com a tradução da família na condição de sujeito 
de direitos, conforme estabelece a Constituição Federal de 1988, o Estatuto 
da Criança e do Adolescente, a Lei Orgânica de Assistência Social e o 
Estatuto do Idoso. 
Resposta Correta: Letra a) é o espaço privilegiado e insubstituível de 
proteção e socialização primárias. 
 
 
Família 
 
 A família, independentemente dos formatos ou modelos que 
assume, é mediadora das relações entre os sujeitos e a coletividade, 
delimitando, continuamente os deslocamentos entre o público e o 
privado, bem como geradora de modalidades comunitárias de vida. 
Todavia, não se pode desconsiderar que ela se caracteriza como um 
espaço contraditório, cuja dinâmica cotidiana de convivência é 
 
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marcada por conflitos e geralmente, também, por desigualdades, 
além de que nas sociedades capitalistas a família é fundamental no 
âmbito da proteção social. 
 Em segundo lugar, é preponderante retomar que as novas 
feições da família estão intrínseca e dialeticamente condicionadas às 
transformações societárias contemporâneas, ou seja, às 
transformações econômicas e sociais, de hábitos e costumes e ao 
avanço da ciência e da tecnologia. O novo cenário tem remetido à 
discussão do que seja a família, uma vez que as três dimensões 
clássicas de sua definição (sexualidade, procriação e convivência) já 
não têm o mesmo grau de imbricamento que se acreditava outrora. 
Nesta perspectiva, podemos dizer que estamos diante de uma família 
quando encontramos um conjunto de pessoas que se acham unidas 
por laços consanguíneos, afetivos e, ou, de solidariedade. Como 
resultado das modificações acima mencionadas, superou-se a 
referência de tempo e de lugar para a compreensão do conceito de 
família. 
 O reconhecimento da importância da família no contexto da 
vida social está explícito no artigo 226, da Constituição Federal do 
Brasil, quando declara que a:“família, base da sociedade, tem 
especial proteção do Estado”, endossando, assim, o artigo 16, da 
Declaração dos Direitos Humanos, que traduz a família como sendo o 
núcleo natural e fundamental da sociedade, e com direito à proteção 
da sociedade e do Estado. No Brasil, tal reconhecimento se reafirma 
nas legislações específicas da Assistência Social – Estatuto da Criança 
e do Adolescente – ECA, Estatuto do Idoso e na própria Lei Orgânica 
da Assistência Social – LOAS, entre outras. 
 Embora haja o reconhecimento explícito sobre a importância da família 
na vida social e, portanto, merecedora da proteção do Estado, tal proteção 
tem sido cada vez mais discutida, na medida em que a realidade tem dado 
sinais cada vez mais evidentes de processos de penalização e desproteção 
das famílias brasileiras. Nesse contexto, a matricialidade sociofamiliar 
passa a ter papel de destaque no âmbito da Política Nacional de 
Assistência Social – PNAS. Esta ênfase está ancorada na premissa de que 
a centralidade da família e a superação da focalização, no âmbito da política 
de Assistência Social, repousam no pressuposto de que para a família 
prevenir, proteger, promover e incluir seus membros é necessário, em 
primeiro lugar, garantir condições de sustentabilidade para tal. Nesse sentido, 
a formulação da política de Assistência Social é pautada nas 
necessidades das famílias, seus membros e dos indivíduos. 
 Essa postulação se orienta pelo reconhecimento da realidade que 
temos hoje através de estudos e análises das mais diferentes áreas e 
tendências. Pesquisas sobre população e condições de vida nos informam que 
as transformações ocorridas na sociedade contemporânea, relacionadas à 
 
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ordem econômica, à organização do trabalho, à revolução na área da 
reprodução humana, à mudança de valores e à liberalização dos hábitos e 
dos costumes, bem como ao fortalecimento da lógica individualista em 
termos societários, redundaram em mudanças radicais na organização 
das famílias. Dentre essas mudanças pode-se observar um 
enxugamento dos grupos familiares (famílias menores), uma 
variedade de arranjos familiares (monoparentais, reconstituídas), 
além dos processos de empobrecimento acelerado e da 
desterritorialização das famílias gerada pelos movimentos 
migratórios. 
 
 Essas transformações, que envolvem aspectos positivos e 
negativos, desencadearam um processo de fragilização dos vínculos 
familiares e comunitários e tornaram as famílias mais vulneráveis. A 
vulnerabilidade à pobreza está relacionada não apenas aos fatores da 
conjuntura econômica e das qualificações específicas dos indivíduos, 
mas também às tipologias ou arranjos familiares e aos ciclos de vida 
das famílias. Portanto, as condições de vida de cada indivíduo 
dependem menos de sua situação específica que daquela que 
caracteriza sua família. No entanto, percebe-se que na sociedade 
brasileira, dada as desigualdades características de sua estrutura 
social, o grau de vulnerabilidade vem aumentando e com isso 
aumenta a exigência das famílias desenvolverem complexas 
estratégias de relações entre seus membros para sobreviverem. 
 Assim, essa perspectiva de análise, reforça a importância da política 
de Assistência Social no conjunto protetivo da Seguridade Social, como direito 
de cidadania, articulada à lógica da universalidade. Além disso, há que 
considerar a diversidade sociocultural das famílias, na medida em 
que estas são, muitas vezes, movidas por hierarquias consolidadas e 
por uma solidariedade coativa que redundam em desigualdades e 
opressões. Sendo assim, a política de Assistência Social possui papel 
fundamental no processo de emancipação destas, enquanto sujeito coletivo. 
Postula-se, inclusive, uma interpretação mais ampla do estabelecido na 
legislação, nosentido de reconhecer que a concessão de benefícios está 
condicionada à impossibilidade não só do beneficiário em prover sua 
manutenção, mas também de sua família. Dentro do princípio da 
universalidade, portanto, objetiva-se a manutenção e a extensão de 
direitos, em sintonia com as demandas e necessidades particulares 
expressas pelas famílias. 
 Nessa ótica, a centralidade da família com vistas à superação da 
focalização, tanto relacionada a situações de risco como a de segmentos, 
sustenta-se a partir da perspectiva postulada. Ou seja, a centralidade da 
família é garantida à medida que na Assistência Social, com base em 
 
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indicadores das necessidades familiares, se desenvolva uma política de cunho 
universalista, que em conjunto com as transferências de renda em patamares 
aceitáveis se desenvolva, prioritariamente, em redes socioassistenciais que 
suportem as tarefas cotidianas de cuidado e que valorizem a convivência 
familiar e comunitária. 
 Além disso, a Assistência Social, enquanto política pública que compõe 
o tripé da Seguridade Social, e considerando as características da população 
atendida por ela, deve fundamentalmente inserir-se na articulação 
intersetorial com outras políticas sociais, particularmente, as públicas 
de Saúde, Educação, Cultura, Esporte, Emprego, Habitação, entre outras, 
para que as ações não sejam fragmentadas e se mantenha o acesso e a 
qualidade dos serviços para todas as famílias e indivíduos. 
 A efetivação da política de Assistência Social, caracterizada pela 
complexidade e contraditoriedade que cerca as relações intrafamiliares e as 
relações da família com outras esferas da sociedade, especialmente o Estado, 
colocam desafios tanto em relação a sua proposição e formulação 
quanto a sua execução. 
 
 Os serviços de proteção social, básica e especial, voltados para 
a atenção às famílias deverão ser prestados, preferencialmente, em 
unidades próprias dos Municípios, através dos Centros de Referência 
da Assistência Social básico e especializado. Os serviços, programas, 
projetos de atenção às famílias e indivíduos poderão ser executados 
em parceria com as entidades não governamentais de assistência 
social, integrando a rede socioassistencial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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6. 2012/VUNESP/SP. A qualificação da família como principal agente da socialização 
primária e de locus privilegiado para o desenvolvimento da cidadania, da proteção e do 
cuidado de seus membros certamente foi determinante para sua primazia na concepção 
e implementação da política de Assistência Social, uma vez que, para assumir esse papel 
que lhe é socialmente atribuído, faz-se necessário que ela seja alvo de atenção pelo 
Estado. Todavia, para além da centralidade da família, a Política Nacional de Assistência 
Social estabelece a matricialidade sociofamiliar, colocando em foco 
a) as necessidades e peculiaridades das famílias, entendendo-as como sujeito coletivo. 
b) o status quo, reconhecendo a manutenção de seu papel, conforme função 
originalmente atribuída. 
c) os costumes e hábitos socialmente instituídos, que no tempo presente evidenciam as 
configurações que lhe são peculiares. 
d) os processos permanentes de exclusão social, dado o capitalismo tardio que 
caracteriza a sociedade brasileira. 
e) as forças presentes na definição de sua composição enquanto célula mater da 
sociedade. 
Resposta Correta: Letra a) as necessidades e peculiaridades das famílias, 
entendendo-as como sujeito coletivo. 
 
7. Cuidados com a Família e Grupos Vulneráveis 
 
 Segundo Mioto (2000), o cuidado com famílias e grupos 
vulneráveis necessita de propostas e ações interdependentes e com 
comunicação contínua. 
Há três níveis de atuação/ação propostas: 
 Proposição, articulação e avaliação de políticas sociais; 
 Organização e articulação de serviços; 
 Intervenção em situações familiares. 
 A proposição, articulação e avaliação das políticas sociais têm o 
objetivo de dar sustentabilidade às famílias. Envolve propostas de políticas 
sociais, não apenas compensatórias, para possibilitar a convivência familiar 
 
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em patamares condizentes com as expectativas que a sociedade tem em 
relação às famílias. 
 Aponta a necessidade não eleger um modelo de família, uma vez 
que poderá estereotipar e provocar discriminação com outros grupos 
familiares (MIOTO, 2000). 
 A organização e a articulação de serviços são fundamentais para 
a sustentabilidade das famílias e, por isso, é urgente estabelecer novas 
pautas de relacionamento entre famílias e serviços. O objetivo institucional é 
o de estar a serviço das famílias (MIOTO, 2000). 
 A intervenção em situações familiares refere-se às ações dos 
assistentes sociais diretamente com as famílias, o objetivo principal é 
identificar as fontes de mudanças e todos os recursos (tanto das 
famílias como os do meio social) que contribuam para que as famílias 
consigam articularem respostas compatíveis com uma melhor qualidade de 
vida (MIOTO, 2000). 
 
 O pressuposto ou fundamento do trabalho social com famílias, 
previsto na legislação da assistência social, como PNAS, SUAS, e, em 
especial, no principal programa desenvolvido nos Centros de 
Referência de Assistência Social (CRAS), Programas de Atenção 
Integral à Família (PAIF) é a concepção de família. 
 Quanto ao arcabouço conceitual da PNAS e SUAS, é visível, ao lado da 
modernização conceitual, no que diz respeito à concepção, composição e 
estruturação das famílias, o conservadorismo nas expectativas em relação às 
funções da família. 
 
 A PNAS (BRASIL, 2004, p. 28), tendo como referência o PAIF, 
destaca a concepção de família que o rege e à política, definindo-a do 
seguinte modo: 
“estamos diante de uma família, quando encontramos um conjunto 
de pessoas que se acham unidas por laços consanguíneos, afetivos 
e/ou de solidariedade”; portanto, partem de uma visão ampliada de 
família. Reconhece, ainda, que “não existe família enquanto modelo 
idealizado, e sim família resultante de uma pluralidade de arranjos e 
rearranjos estabelecidos pelos integrantes dessa família”. 
 Pode-se, então, afirmar que a política (e o Estado) assume uma posição 
que contribui para enfraquecer os estigmas associados à maternidade sem 
 
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casamento, às famílias reconstituídas, às vezes, sem vínculos formais, às 
uniões consensuais, ao divórcio, assumindo todos esses grupos como unidade 
familiar e sujeitos à proteção social da assistência social, desde que dela 
necessitem. 
 Mas também se observa no desenho da política que a proteção 
oferecida exige contrapartidas; qual seja, que a família cumpra suas clássicas 
funções, sobrecarregando de responsabilizações à família e reproduzindo 
estereótipos acerca dos papéis familiares. 
 Isso porque, apesar de a PNAS reconhecer teoricamente e assim 
superar o modelo único baseado nafamília nuclear, ainda tem expectativas 
quanto às funções básicas da família desse modelo: “prover a proteção e a 
socialização dos seus membros, constituir-se como referências morais, de 
vínculos afetivos e sociais; de identidade grupal, além de mediadora das 
relações dos seus membros com outras instituições sociais e com o Estado” 
(BRASIL, 2004, p. 35). 
 Embora essa concepção supere o conceito de família como unidade 
econômica (NOB/SUAS), mera referência de cálculo de rendimento per 
capita, e parta de uma visão ampliada de família, com formato plural, 
historicamente situada, e inclua a ideia de que esta deve ser apoiada, o 
objetivo, na verdade, é apoiar para que esta possa desempenhar o seu papel 
de sustento, na guarda, na socialização e na educação de suas crianças, 
adolescentes, no cuidado de seus idosos e portadores de deficiência. 
 Logo, a noção de matricialidade sociofamiliar desvela seu 
verdadeiro significado, de ampliar e contar – mediante estratégias de 
racionalização e orientação – com a proteção da família, reforçando a 
tendência familista da política social brasileira. 
 Assim, apesar de o reconhecimento da pluralidade de formas 
familiares, as homogeneízam em suas funções, papéis e relações internas, 
trata-a, a priori, como os lócus da felicidade, do refúgio da vida desumana do 
mercado, da proteção social. 
 
 O PAIF tem como pressuposto que a família é o núcleo básico 
de afetividade, acolhida, convívio, autonomia, sustentabilidade e 
referência no processo de desenvolvimento e reconhecimento do 
cidadão; e, de outro, que o Estado tem o dever de prover proteção 
social respeitada à autonomia dos arranjos familiares (BRASIL, 2006, 
p. 28). 
 
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 Portanto, reconhece os diferentes arranjos familiares e o papel 
integrador da família, apostando nessa capacidade das famílias para 
maximizar a proteção oferecida. 
 É essa ambiguidade de reforço das funções protetivas da família de um 
lado; e, de outro, como alvo de proteção social que denota a dimensão da 
parceria público/privada na proteção social, e sua dimensão estratégica em 
contexto de redução de gastos sociais, posto que se possa contar com a 
parceria da família para potencializar a proteção social oferecida, mesmo 
quando não ocorre em quantidade nem qualidade suficiente para suprir todas 
as atenções necessárias e demandadas. 
 
 Essa concepção de família direciona e tem impactos nas 
indicações e recomendações do Ministério do Desenvolvimento e 
Combate à Fome (MDS) para o trabalho social com famílias a ser 
desenvolvido na proteção social básica, sendo seus lócus principal os 
CRAS. 
 O trabalho socioassistencial desenvolvido nos CRAS, que se 
relaciona a toda a ação de provimento e de sustentação para o 
atendimento das famílias usuárias, é acompanhado das ações de 
acolhimento, escuta qualificada e encaminhamento, e também de 
ações socioeducativas, que, segundo Mioto (2004b, p.10), “estão 
relacionadas àquelas que, através da informação, da reflexão, ou 
mesmo da relação, visam provocar mudanças (valores, modo de vida) 
”. 
 Esse trabalho, denominado de “núcleos socioeducativos” com 
famílias ou seus representantes, está previsto e é financiado pelo piso fixo 
básico, seja efetivado no CRAS seja em outras unidades operacionais da 
assistência social do município, onde também são ofertados outros serviços 
complementares de proteção social básica, nos quais se trabalham com as 
famílias dos segmentos atendidos ou em grupos de famílias. 
 As normas técnicas (BRASIL, 2006, p. 42) definem os núcleos 
socioeducativos como espaço de discussão, vivências e reflexões, e há 
indicação para a abordagem de questões relacionadas às etapas dos ciclos de 
vida familiar. 
 
 
 
 
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Sugere-se: 
 Criar situações em que as famílias possam expressar coletivamente suas 
dúvidas e conflitos, construindo soluções para os problemas cotidianos, 
relacionados ao cuidado de suas crianças, adolescentes, jovens, adultos, 
idosos e pessoas com deficiência. 
 Refletir com a família sobre as mudanças em sua dinâmica e 
redistribuição de papéis, a partir do desenvolvimento de seus filhos. 
 Desenvolver habilidades de cuidado, orientação e acompanhamento 
das crianças. Debater aspectos relacionados ao desenvolvimento infantil, 
às necessidades de estimulação nessa fase da vida, à importância de 
proporcionar espaços e oportunidades voltadas e orientadas pelas 
necessidades infantis e desafiadoras [...]. Debater temas relacionados ao 
desenvolvimento da criança, do adolescente e do jovem, características e 
interesses. 
 Refletir sobre a necessidade de proteção aos seus membros idosos e 
de valorização do seu saber. 
 Discutir as estratégias para o desenvolvimento das competências da 
pessoa com deficiência, destacando o papel fundamental das famílias e da 
comunidade no processo de reabilitação e inclusão das pessoas com 
deficiências. 
 Estas sugestões dão a nítida dimensão do trabalho socioeducativo; 
ele se volta majoritariamente para a discussão de questões internas à 
família, no sentido de gerar habilidades para o cuidado doméstico, para o 
reforço das responsabilidades familiares, a partir dos novos conhecimentos 
adquiridos e da discussão e reflexão do seu cotidiano. 
 Portanto, tais práticas são herdeiras da educação disciplinadora e 
normatizadora da família, que assumem versões modernizadoras que 
escamoteiam sua dimensão normativa, em nome de processos educativos 
que visam aquisição, junto à família, de novos conhecimentos, atitudes, 
posturas e poder de decisão, ou seja, sua “autonomia”. 
 Essas recomendações materializam a noção de matricialidade 
sociofamiliar definidas na política e nas orientações de sua implementação 
e vice-versa, esta orienta o trabalho social com famílias; ambos não poderão 
superar, pelas suas limitações conceituais e práticas, as históricas tendências 
do modo de trabalhar com famílias, como a perspectiva psicologizante 
individual. 
 Assim, a grande inovação do conceito de família subjacente à legislação 
não encontra formas de materialização. Admite-se a pluralidade de arranjos 
familiares, mas os trata como homogêneos em necessidades e em funções. 
 
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 Apesar de essas recomendações incorrerem em uma dimensão 
conservadora do trabalho com famílias, verifica-se a potencialidade 
do trabalho social nos CRAS, em especial, com grupos, como antídoto 
à sua transformação em serviço cartorial, de cadastramento, 
recadastramento, acesso a benefícios, mas de oferta de serviços de 
suporte à família, que envolve a família e seus representantes com 
serviços de orientação, informação, conscientização sobre direitos, 
modos de acessá-los e garanti-los, e reflexão sobre suas dificuldades 
cotidianas. 
 Podem-se destacar também como inovadores os objetivos do trabalho 
social na proteção social básica, de fortalecer os vínculos familiares antes de 
sua dissolução, trabalhar de forma preventiva para evitar riscos e violação de 
direitos, por meio dos benefícios, programas e trabalho socioeducativo, que 
visam a autonomia e o protagonismodesses sujeitos. Esses termos – 
autonomia, empoderamento, protagonismo, emancipação – são ainda 
trabalhados de forma muito abstrata, e dificilmente são alcançados nos 
marcos de programas específicos. 
 
 É preciso superar a noção de autonomia, protagonismo social, 
empoderamento e outras expressões tomadas no aspecto individual, 
que se constroem pelo aconselhamento individual ou grupal, 
centradas na mudança da subjetividade individual ou do grupo, como 
forma de libertá-lo da dependência dos benefícios sociais, de ensiná-
lo a “andar com as próprias pernas”, mediante processos 
profissionais que fortalecem a autoestima, a capacidade produtiva, 
dando-lhe condições de empregabilidade, como se a ausência de 
trabalho se devesse apenas a não capacitação ou falta de vontade, de 
crença nas suas potencialidades. 
 A noção de autonomia como a capacidade de cada sujeito dar conta de 
sua vida, dos cuidados necessários para que ele caminhe sem a necessidade 
de benefícios sociais, de aconselhamento e acompanhamentos pode induzi-
lo a buscar saídas nele mesmo, em suas capacidades, potencialidades, 
inclusive do reforço de suas responsabilidades familiares e individuais, e não 
na luta pelo benefício como um direito, inclusive, universal, como dever do 
Estado de prover certo padrão digno de vida a todo cidadão, cujas condições 
são reflexos das desigualdades e que afetam as relações familiares. 
 
 
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 É preciso direcionar o trabalho socioeducativo com famílias 
para além dessa dimensão liberal, individual e subjetivista de 
autonomia, no sentido de articular significados e práticas; ou seja, 
partir da compreensão de que as subjetividades se alteram pelas 
práticas sociais e não por simples conscientização. Daí ser 
fundamental o acesso a condições objetivas, fornecidas pelas 
políticas públicas como direitos. Nisso se incluem a apropriação e 
produção de novos sentidos pessoais e a inserção da pessoa no 
engajamento coletivo por melhores condições de vida (KAHHALE, 
2004), de modo que é indispensável o processo de informação, 
reflexão, mas também de organização dos diferentes grupos que 
compõem o território para que seus direitos sejam garantidos e novas 
conquistas sejam inseridas nas políticas públicas, a partir de suas 
demandas. Assim, a constituição de sujeitos de direitos se dá no 
processo de compreensão das determinações sociais de suas 
condições de vida, material e afetiva; no reconhecimento da força do 
coletivo; e nas possibilidades concretas de acesso aos bens e serviços 
produzidos socialmente. 
8. Trabalho Social com Famílias: elementos para sua reconstrução em 
bases críticas 
 
 Entre os novos pressupostos para o trabalho social com família, 
destaca-se a concepção de família. Para a compreensão ampla do termo e 
que dê conta da variedade de organizações familiares, é preciso analisá-la 
não como uma instituição natural, mas social e histórica, podendo assumir 
configurações diversificadas em sociedades ou no interior de uma mesma 
sociedade, conforme as classes e grupos sociais heterogêneos. 
 Para Mioto (1997, p. 116), essa compreensão “se contrapõe ao 
entendimento de que a família é um grupo natural, limitado à essência 
biológica do homem e à sua continuidade através da consanguinidade e da 
filiação”, assim como da naturalização da divisão sexual do trabalho, dos 
papéis, da identificação do grupo conjugal como forma básica elementar de 
toda família, dentre outras. 
 O segundo passo é romper com as concepções que tratam a 
família como interiormente homogênea e apreciável em qualquer 
contexto social e histórico (SARACENO, 1992). Os estudos antropológicos têm 
apontado uma variedade de experiências familiares ao longo da história e na 
contemporaneidade, modos de organizações plurais, assim como modos 
diferentes de atribuir significados aos agrupamentos familiares. Conforme 
 
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destaca Saraceno (1992, p. 210), “as famílias realmente existentes não são 
de modo nenhum homogêneas entre si no que diz respeito a recursos, fase 
do ciclo de vida, mas também modelos culturais e organizativos”. 
 
 Também internamente, a família não é homogênea, as relações 
entre seus membros são assimétricas, conservam diferenciações de 
gênero e de geração, e são hierarquizadas. Não se trata de um bloco 
homogêneo nem necessariamente harmonioso (SARACENO, 1992; 
CAMPOS, 2008). 
 O termo unitário família alude a uma forte unidade e 
homogeneidade, porém oculta uma realidade marcada por interesses 
divergentes, modelos hierárquicos, relações de poder e força, mas 
também processos de negociação, de cooperação e de solidariedade. 
 Saraceno (1992, p. 14) afirma que a família também é o espaço 
histórico e simbólico no qual e a partir do qual se desenvolve a divisão 
do trabalho, dos espaços, das competências, dos valores, dos 
destinos de homens e mulheres, ainda que isso assuma formas 
diversas nas várias sociedades. 
 Considerando essa diversidade, a família pode ser definida 
“como um núcleo de pessoas que convivem em determinado lugar, 
durante um lapso de tempo mais ou menos longo e que se acham 
unidas, ou não, por laços consanguíneos” (MIOTO, 1997, p.120); ou 
ainda, como destaca a autora: “estamos diante de uma família 
quando encontramos um espaço constituído de pessoas que se 
empenhem umas com as outras, de modo contínuo, estável e não 
casual [...] quando subsiste um empenho real entre as diversas 
gerações” (MIOTO, 2004a, p. 14-15). 
 Trata-se de uma visão ampliada e atual de família, posto que as 
pessoas que convivem em uma ligação afetiva duradoura podem ser um 
homem e uma mulher e seus filhos biológicos; mas também um casal do 
mesmo sexo, ou apenas a mulher com seus filhos legítimos ou adotados, e 
outra infinidade de arranjos. 
 O que dá unidade a essa síntese de múltiplas determinações que 
permite usar o termo família, apesar da diversidade que a comporta, da 
pluralidade de formas, experiências e significados é o fato de esta ser 
(MIOTO, 2000, p. 1) o espaço privilegiado da história da humanidade, 
no qual aprendemos a ser e a conviver; ou seja, ela é a matriz da 
identidade individual e social, portanto, geradora de formas comunitárias 
de vida e espaços de proteção primária aos seus membros. 
 
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 Essa concepção, portanto, contrapõe-se àquelas concepções que: - 
tratam a família a partir de uma determinada estrutura, tomada como ideal 
(casal com seus filhos) e com papéis predefinidos; - tomam a família como a 
principal responsável pelo bem-estar de seus membros, desconsiderando em 
grande medida as mudanças ocorridas na sociedade (MIOTO, 2010). 
 A partir desse eixo alternativo, as necessidades trazidas por sujeitos 
singulares não mais são compreendidas como problemas 
individuais/familiares, ou tratados como casos de famílias. 
 
 Segundo Mioto (2004b, p.12), as “condutas, dificuldades e 
problemas expressos pelas famílias são interpretados como 
expressão de conflitos instaurados no contexto de uma dinâmica 
familiar [...] profundamente marcada pelas contradições de uma 
sociedade em um determinado momentohistórico”. 
 Nessa perspectiva, o trabalho socioeducativo com famílias 
ultrapassa a indução de reflexões internas e o uso do grupo como 
troca de experiências e ajuda mútua, para se transformar em 
instrumento de construção de um novo conhecimento, partilhado e 
crítico, que os leva a sair do imediatismo de suas necessidades, para 
entendê-las enquanto coletivas, enquanto necessidades sociais de 
classe, que devem ser atendidas pelo poder público, como condição 
fundamental para a garantia de direitos e de qualidade de vida. 
 O que não significa que os temas relacionados às vivências, 
sofrimentos, violências, decorrentes da situação de vulnerabilidade ou risco 
social que compartilham não sejam debatidos, refletidos, mas deve-se evitar 
o que Sawaya (2004) denomina “ditadura da intimidade” ou “ditadura da 
privacidade”, que expressa o fortalecimento da família apartheid, pois isola 
seus membros de outras formas de associação e grupos, fechando temas de 
interesse no espaço doméstico e a cargo das famílias. 
 Esse fechamento da família em si mesma e nas soluções domésticas 
aumentaria o sofrimento de não poder cumprir os papéis sociais exigidos por 
ela, como, por exemplo, tirar os filhos da rua, da criminalidade, da 
delinquência, das drogas, além de dar sustentabilidade material, afetiva, 
proteção e cuidados a seus membros, sem compreender o porquê da redução 
de seu poder e autoridade perante as gerações mais jovens, da redução do 
tempo dedicado ao lar, do endurecimento das relações afetivas e até da 
violência no seio familiar. 
 
 
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 Nessa perspectiva, o foco das ações socioassistenciais e 
socioeducativas deve ser as necessidades das famílias e a garantia 
dos direitos de cidadania, cujas propostas e ações perpassam o 
âmbito específico de uma política, para uma perspectiva intersetorial, 
integrada e articulada. No âmbito específico da assistência social, 
essas ações devem ser guiadas pela efetivação de direitos e da 
responsabilidade pública, que deve ser o norte do trabalho social com 
famílias ou grupos de famílias. 
 Os objetivos do trabalho social com famílias devem ser a 
autonomia e o protagonismo, compreendidos na perspectiva de 
participação social e do coletivo. Assim, é essencial superar a visão 
liberal de autonomia, do “ensinar a pescar”, do “andar com suas 
próprias pernas” sem que seja garantido como direito o acesso às 
condições materiais e subjetivas necessárias para tal. 
 Para superar essa dimensão individualista do conceito de autonomia, 
Kahhale (2004, p. 105) sugere a sua complementação com o conceito de 
cidadania, que indica acesso a direito e participação ativa nos rumos da 
sociedade, utilizando o conceito de Sposati (2004, p. 04), que considera 
cidadania como: 
 
O reconhecimento de acesso a um conjunto de condições 
básicas para que a identidade do morador de um lugar se 
construa pela dignidade, solidariedade [...]. Esta dignidade 
supõe não só o usufruto de um padrão básico de vida, com a 
condição de presença, interferência e decisão na esfera pública 
da vida coletiva. 
 Nessa perspectiva, o trabalho socioeducativo em grupo se 
encaminha para o reconhecimento das famílias e seus membros como 
sujeitos de direitos. A pessoa participante do grupo de famílias é 
levada a ver-se como representante de uma família, cujos problemas 
vivenciados são comuns a muitas outras famílias que sofrem as 
mesmas determinações, e que participa de um grupo maior com 
situações semelhantes. O grupo deve se enxergar enquanto tal, 
identificar e encaminhar demandas e visualizar suas possíveis 
soluções, como ainda superar a responsabilização individual pelo 
bem-estar social, para incluir a dimensão pública e social destas, 
mediante articulação de serviços e políticas que promovam a 
proteção social. 
 
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 Acredita-se que, com essa perspectiva, se ultrapasse a noção de 
subjetividade individual para a dimensão coletiva, e se promova a 
organização social, a participação popular, e a passagem da necessidade ao 
direito, como possibilidades concretas de construção de novos significados e 
práticas, inclusive a de sujeitos de direitos. 
 
 Assim, a autonomia como capacidade de decidir, optar, eleger 
objetivos, metas, crenças é condição fundamental para que se 
alcancem objetivos de participação social, principalmente, para o 
reconhecimento da força do grupo, da organização e lutas coletivas. 
 A noção de autonomia das famílias não se deve restringir à 
busca de respostas e soluções dos problemas por si mesmas, em 
especial, mediante recursos internos; antes, implica o 
desenvolvimento da capacidade de discernir as mudanças possíveis 
de serem realizadas no âmbito dos grupos familiares e de suas redes 
daquelas que exigem o engajamento deles, organizados em coletivos, 
em processos sociais mais amplos para que ocorram transformações 
mais gerais e a efetivação de direitos. Assim, envolve capacidade de 
opinar, escolher, decidir e agir intencionalmente, mediante suportes 
oferecidos, construídas, situações refletidas, informadas, debatidas, 
devendo ser esses os objetivos da educação que visa à emancipação. 
 Para efetivar essas potencialidades, é preciso ainda superar o 
trabalho socioeducativo em grupo como espaço terapêutico, clínico, 
de tratamento pela troca de experiências comuns. 
 
 O trabalho socioeducativo com grupos de famílias, ou grupos de 
segmentos atendidos, que algumas vezes envolve suas famílias, 
funciona como espaço de reflexão e troca de experiências, utilizado 
em muitas situações como um recurso terapêutico, cuja direção do 
que é discutido e refletido se encaminha, predominantemente, para 
questões internas às famílias, seus conflitos, como exercer seus 
papéis, ou empregado para prestar informações. 
 Esse reducionismo das funções socioeducativas pode fortalecer 
práticas normativas e disciplinadoras que se dirigem a ensinar as famílias a 
gerir recursos, a disciplinar os filhos, a exercer as funções de cuidado, 
proteção e educação, sem alterar as situações que as impedem de exercê-
las como há cinquenta anos. 
 
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 É preciso compreender as mudanças, inclusive de valores, 
culturais e sociais sobre a família, e buscar estratégias de como 
conviver com elas, a partir, principalmente, do apoio do poder 
público, da rede social com acesso igualitário de oportunidades e aos 
recursos públicos e privados. 
 Apesar das mudanças que o termo terapia tem passado, ainda significa 
“tratamento de doença, desordem, defeito etc., por algum tipo de processo 
curativo ou que remedie” (PENGUIN apud CAMPOS; REIS, 2009, p. 60); seu 
uso é, portanto, inapropriado para a proteção social básica, seja individual ou 
coletiva. 
 Sem dúvida, o grupo é um espaço de potencialidades, em que se 
realizam a escuta, a reflexão, o diálogo e a troca de experiências; um espaço 
de comunicação e aprendizagem (Cf. GUIMARÃES; ALMEIDA, 2007, p. 132). 
 Todavia, não deve ser utilizado como instrumento de busca de 
enfrentamento das situações de carência de modo individualizado nem por 
meio dos recursos da família e dacomunidade, eximindo o poder público da 
responsabilidade pelo enfrentamento da questão social, nem 
responsabilizando as famílias pela busca de soluções de problemas que 
extrapolam suas possibilidades de respostas, nem com fins terapêuticos e 
subjetivistas. 
 
 O trabalho socioeducativo é cada vez mais necessário, visto 
que, na expressão de Mioto (2004b), a cidadania não se restringe ao 
acesso a benefício monetário, embora sua inclusão como beneficiário 
seja uma das condições para sua realização, mas a cidadania envolve 
também ações em direção à informação, à educação, à cultura, entre 
outras, implicando o desenvolvimento da capacidade de refletir, de 
analisar, de decidir, de mobilizar-se e de participar pelo bem comum. 
 Contudo, para cumprir essa dimensão educativa em uma perspectiva 
emancipatória, não se deve restringir a responsabilizar as famílias, ou a 
ensiná-las a gerir seus conflitos, seus parcos recursos, sua vida, como se tudo 
dependesse de um processo de racionalização e planejamento, de 
cumprimento de papéis e normas e não de carências coletivas. 
 Logo, deve-se evitar essa dimensão disciplinadora e levar as famílias a 
refletirem sobre sua realidade, conhecer serviços e recursos do território, 
mobilizar-se e incluir-se em processos organizativos, coletivos, na busca de 
garantia dos seus direitos. 
 
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Os objetivos do trabalho socioeducativo devem ser: 
 Fortalecimento do processo organizativo dos usuários, do coletivo; 
 Desenvolvimento do sentimento comum na família, nos grupos de 
família, naquele território; 
 Necessidade da participação e do controle social. 
 Educação que visa à emancipação social. 
 
 Logo, o oposto às recomendações do MDS e as dimensões da noção de 
matricialidade sociofamiliar, incapazes de superar a subalternidade histórica 
dos usuários da assistência social. 
 Os processos de escuta qualificada, de acolhimento, de 
acompanhamento não devem ser compreendidos como terapêuticos nem 
domínios da Psicologia, mas modos de trato do usuário como cidadão, como 
sujeito de direito, o direito a ter atendimento respeitoso, atencioso, 
que informa, orienta, acolhe e escuta. 
 As alternativas metodológicas devem ser pensadas e executadas, 
buscando superar a dicotomia entre assuntos interno e externo à família, sem 
hipertrofiar um em detrimento do outro, mas trabalhar sua dialética, 
entendendo o interno não fechado nos muros domésticos, mas decorrentes 
da estruturação da sociedade e de suas dinâmicas de transformações, e a 
necessidade do fortalecimento do coletivo na luta pela garantia de respostas 
públicas às suas necessidades. 
 
 Guimarães (2004, p. 115) salienta os passos metodológicos do 
trabalho socioeducativo com famílias: 
São acolhidas e consideradas as dúvidas, os problemas, as 
preocupações e o sofrimento trazido pelos integrantes do 
grupo. Ao mesmo tempo, procura-se auxiliar o participante e o 
conjunto das pessoas a situarem a questão em seu contexto 
social mais amplo, informando, debatendo, orientando a 
discussão para a compreensão do que é vivido e sofrido 
subjetivamente, articulado ao contexto mais amplo e comum 
aos membros do grupo: os direitos do cidadão. 
 Essas estratégias metodológicas poderão contribuir para a 
construção de propostas de trabalho comprometidas com a lógica do 
direito, da construção de sujeitos sociais conscientes e participativos, 
 
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sem negligenciar as preocupações imediatas das famílias, inclusive 
seus conflitos familiares, seus sofrimentos, mas sem cair no 
psicologismo dos problemas sociais. 
 Trabalhar dialeticamente as questões internas e externas às 
famílias, de forma articulada e numa perspectiva de totalidade, como 
recomendação de “não dar à questão social um tratamento de 
exterioridade à vida pessoal cotidiana” (SAWAYA, apud CAMPOS, 
2004, p. 33), mas sem supervalorizar as questões subjetivas ou 
internas às famílias, cujo objetivo deve ser sempre o alargamento da 
percepção das situações pessoais e sociais e a luta pela garantia dos 
direitos. 
 O trabalho socioeducativo com famílias ou grupos de famílias, 
bem como os procedimentos individuais de acolhimento, escuta 
qualificada, encaminhamentos e acompanhamentos devem buscar a 
inserção desses sujeitos no circuito do território e da rede de 
segurança social e articular o individual e o familiar no contexto 
social, levando-os a ultrapassar o imediatismo de suas concepções, 
mas tendo como princípio que subjetividades transformadas só 
provocam mudanças com ações coletivas, com acesso a serviços, 
benefícios, ou seja, com condições objetivas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PONTOS COMENTADOS- PARTE I 
FAMÍLIA: TRANSFORMAÇÕES E 
CONFIGURAÇÕES 
 Destacam-se como algumas características de uma nova configuração das 
famílias brasileiras, que teve início nos anos 1990, a redução do número 
de filhos, o predomínio das famílias nucleares; I - o aumento significativo das 
famílias monoparentais, com predominância das mulheres como chefes; III- o 
aumento das famílias recompostas; IV- o aumento de pessoas que vivem sós; 
 O que observamos, contudo, é a existência de grande parcela da população que 
se separa, constitui uma nova família, com os mesmos padrões da família nuclear, 
apesar de ser a segunda constituição. Geralmente, o ex-cônjuge busca constituir 
uma nova união, sendo que dessa união descendem os filhos do novo casal. As 
mudanças tecnológicas e os efeitos da globalização influenciam diferentemente a 
população de determinadas classes sociais e a maneira que os ‘arranjos domésticos’ 
são estabelecidos dependerá da maneira pela qual aquela família sofrerá as 
mudanças (JOSÉ FILHO, 2007). É certo que atualmente o modelo tradicional de 
família deu espaço a uma infinidade de outros modelos familiares, que têm muitas 
diferenças do padrão nuclear tradicional. Essas alterações são partes das nossas 
histórias, partes da nossa sociedade, partes das nossas vidas. A situação em que 
estamos vivendo demonstra as possibilidades de reflexões acerca das ‘famílias’ na 
sociedade contemporânea. Famílias essas que podem ser constituídas por um grupo 
de pessoas que residem juntas, pai, mãe, filhos, netos, sobrinhos, dentre outros 
integrantes. Famílias que nem chegam a ter o número de integrantes da família 
nuclear, sendo constituídas por casal sem filhos, ou irmãos que residem juntos, ou 
uma pessoa sozinha. Enfim, a família mudou, ou as “famílias” mudaram. 
 De fato, a família é o primeiro sujeito que referencia e totaliza a proteção 
e a socialização dos indivíduos. Independentemente das múltiplas formas e 
desenhos que a família contemporânea apresente, ela se constitui num canal de 
iniciação e aprendizado dos afetos e das relações sociais. 
 O Serviço Social brasileiro, após a reconceituação, orientou-se por uma visão 
transformadora e crítica da realidade, que o levou a compreender a família no 
interior da questão mais ampla, contraditória e complexa do conflito das classes. 
 As reconfigurações dos espaços públicos, em termos dos direitos sociaisassegurados pelo Estado democrático de um lado e, por outro, dos 
constrangimentos provenientes da crise econômica e do mundo do trabalho, 
determinaram transformações fundamentais na esfera privada, resignificando as 
formas de composição e o papel das famílias. Por reconhecer as fortes pressões que 
os processos de exclusão sócio cultural geram sobre as famílias brasileiras, 
acentuando suas fragilidades e contradições, faz-se primordial sua centralidade no 
âmbito das ações da política de assistência social, como espaço privilegiado e 
insubstituível de proteção e socialização primárias, provedora de cuidados aos seus 
membros, mas que precisa também ser cuidada e protegida. Essa correta 
percepção é condizente com a tradução da família na condição de sujeito de direitos, 
conforme estabelece a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do 
Adolescente, a Lei Orgânica de Assistência Social e o Estatuto do Idoso 
 
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 A qualificação da família como principal agente da socialização primária e de 
locus privilegiado para o desenvolvimento da cidadania, da proteção e do cuidado 
de seus membros certamente foi determinante para sua primazia na concepção e 
implementação da política de Assistência Social, uma vez que, para assumir esse 
papel que lhe é socialmente atribuído, faz-se necessário que ela seja alvo de 
atenção pelo Estado. Todavia, para além da centralidade da família, a Política 
Nacional de Assistência Social estabelece a matricialidade sociofamiliar, 
colocando em foco as necessidades e peculiaridades das famílias, 
entendendo-as como sujeito coletivo. 
 
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QUESTÕES DE PROVAS – PARTE I 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. 2012/VUNESPÓ/SP. Nas últimas décadas, as famílias brasileiras vêm se 
modificando e se reconfigurando, o que impossibilita pensar a família com base em 
um modelo único ou ideal, como o tradicional casal com filhos. As alterações na família 
fazem parte e estão relacionadas às transformações contemporâneas da sociedade. 
Destacam-se como algumas características de uma nova configuração das famílias 
brasileiras, que teve início nos anos 1990, a redução do número de filhos, o 
predomínio das famílias nucleares; 
I. o aumento significativo das famílias monoparentais, com predominância das 
mulheres como chefes; 
II. a omissão da figura masculina da família na educação dos filhos; 
III. o aumento das famílias recompostas; 
IV. o aumento de pessoas que vivem sós; 
V. a interferência dos meios de comunicação na formação dos filhos. 
Está correto apenas o contido em 
 a) I, II e V. 
 b) I, III e IV. 
 c) II, III e V. 
 d) III, IV e V. 
 e) I, II, III e IV. 
Resposta Correta: Letra b) I, III e IV. I - o aumento significativo das famílias 
monoparentais, com predominância das mulheres como chefes; III. o 
aumento das famílias recompostas; IV. o aumento de pessoas que vivem sós; 
 
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2. 2012/VUNESP/TJ-SP. No século XX, o mundo passou por intensas e rápidas 
transformações sociais, marcadas pela inovação tecnológica e por mudanças 
culturais. Dentre essas mudanças, destacam-se, entre outras, o acentuado 
crescimento da demanda por educação, o declínio da classe operária industrial, a 
entrada das mulheres no mercado de trabalho. O Brasil também tem sido 
influenciado por essas mudanças, porém as mudanças geradas pela revolução 
cultural nas relações familiares estabelecidas no Brasil têm que ser vistas com certa 
cautela. De acordo com Fávero (2007), o modelo familiar nuclear, embora continue 
detendo a hegemonia, ditando a norma, 
 a) mostrou, ao longo do tempo, constituir-se como o melhor arranjo na garantia de 
direitos da criança e do adolescente. 
 b) contraria desejos expressos claramente em posições assumidas por lideranças e 
governantes em âmbito nacional. 
 c) vem dando espaço a outros arranjos familiares que se diferenciam desse padrão 
tradicional. 
 d) permanece vigente ainda que contrarie princípios educativos previstos na 
legislação pertinente à infância. 
 e) dispensa a ação ativa de ambos os cônjuges na provisão de bens materiais e na 
educação/formação dos filhos. 
Resposta Correta: Letra c) vem dando espaço a outros arranjos familiares que 
se diferenciam desse padrão tradicional. 
 
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3. 2012/VUNESP/TJ-SP. A família é o locus, o status nascendi, a matriz dos 
primeiros___________sociais da criança. Quando a família não cumpre seu papel social 
de_____________de sua prole, de transmissora de valores culturais, considerando 
como critério seu aspecto funcional, pode-se dizer que ela fracassou no cumprimento 
de suas funções. Quando ocorrem situações de vitimização física e sexual de crianças 
e adolescentes na família, pode-se dizer, conforme Ferrari (2002), que se está diante 
de um grave problema de___________entre pais e filhos, que se deteriorou. 
 a) conflitos … cuidadora … domínio 
 b) domínios … articuladora … comando 
 c) vínculos … protetora … relações 
 d) bens … defensora … afeto 
 e) contatos … organizadora … autoridade 
Resposta Correta: Letra c) vínculos … protetora … relações 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. 2005/TJSP/VUNESP/Q45. O Serviço Social brasileiro, após a reconceituação, 
orientou-se por uma visão transformadora e crítica da realidade, que o levou a 
compreender a família 
(A) como gestora da força de trabalho feminino na contemporaneidade. 
(B) no interior da questão mais ampla, contraditória e complexa do conflito das classes. 
(C) como grupo social protetivo e relacional principalmente em situação de pobreza e 
exclusão. 
(D) numa concepção de familiaridade complexa do conflito de classes, associada às 
relações interpessoais. 
(E) como lócus de relações de poder, propiciando a emergência e a concretização do 
individualismo 
Resposta Correta: Letra (B) no interior da questão mais ampla, contraditória e 
complexa do conflito das classes. 
 
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6. 2012/VUNESP/SP. A qualificação da família como principal agente da socialização 
primária e de locus privilegiado para o desenvolvimento da cidadania, da proteção e do 
cuidado de seus membros certamente foi determinante para sua primazia na concepção 
e implementação da política de Assistência Social, uma vez que, para assumir esse papel 
que lhe é socialmente atribuído, faz-se necessário que ela seja alvo de atenção pelo 
Estado. Todavia, para além da centralidade da família, a Política Nacional de Assistência 
Social estabelece a matricialidade sociofamiliar, colocando em foco 
a) as necessidades e peculiaridadesdas famílias, entendendo-as como sujeito coletivo. 
b) o status quo, reconhecendo a manutenção de seu papel, conforme função 
originalmente atribuída. 
c) os costumes e hábitos socialmente instituídos, que no tempo presente evidenciam as 
configurações que lhe são peculiares. 
d) os processos permanentes de exclusão social, dado o capitalismo tardio que 
caracteriza a sociedade brasileira. 
e) as forças presentes na definição de sua composição enquanto célula mater da 
sociedade. 
Resposta Correta: Letra a) as necessidades e peculiaridades das famílias, 
entendendo-as como sujeito coletivo. 
 
 
 
 
5.2015B/FGV/TJ-BA. A Política Nacional de Assistência Social (PNAS), ao ressaltar a 
centralidade da família, o faz a partir do entendimento de que a família: 
 a) é o espaço privilegiado e insubstituível de proteção e socialização primárias; 
 b) constitui-se na primeira e principal célula da sociedade capitalista; 
 c) possibilita às crianças o exemplo necessário para a atuação na sociedade; 
 d) deve ser resguardada, pois dela derivam todos os vícios e também todos os bons 
exemplos; 
 e) necessita de proteção especial, pois sozinha não consegue cumprir sua função. 
Resposta Correta: Letra a) é o espaço privilegiado e insubstituível de proteção e 
socialização primárias. 
 
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QUESTÕES DE PROVAS – PARTE II 
 
 
 
1. CESGRANRIO/2015. A família tornou-se central nos programas sociais e, por 
consequência, no trabalho profissional do assistente social, a partir da década de 1990. 
A concepção de família, presente nesses programas sociais, compreende a família como 
 a- unidade econômica de produção de valores de uso na sociedade capitalista. 
 b- unidade reprodutiva voltada para assegurar os preceitos morais e religiosos. 
 c- espaço de integração baseado na noção da dignidade da pessoa humana. 
 d- núcleo formado por laços matrimoniais e filhos nascidos dessas uniões. 
 e- núcleo protetivo de garantia das condições afetivas e materiais de seus membros 
 Comentário: Segundo José Filho (2007, p.150), a família tem que ser 
entendida enquanto uma unidade em movimento, sendo constituída por um 
grupo de pessoas que, independentemente de seu tipo de organização e de 
possuir ou não laços consanguíneos, busca atender: - às necessidades afetivo-
emocionais de seus integrantes, através do estabelecimento de vínculos 
afetivos, amor, afeto, aceitação, sentimento de pertença, solidariedade, apego 
e outros; - às necessidades de subsistência-alimentação, proteção 
(habitação, vestuário, segurança, saúde, recreação, apoio econômico); - às 
necessidades de participação social, frequentar centros recreativos, escolas, 
igrejas, associações, locais de trabalho, movimento, clubes (de mães, de 
futebol e outros). 
Resposta Correta: Letra e- núcleo protetivo de garantia das condições afetivas e 
materiais de seus membros 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2. CESGRANRIO/2015. No Brasil, pesquisas recentes mostram o grande número de 
mudanças na organização e na dinâmica familiar. 
Qual das características abaixo reflete essas transformações? 
 a- Aumento da taxa de fecundidade e natalidade 
 b-Aumento do número de domicílios monoparentais 
 c-Retorno das famílias extensas e patriarcais 
 d- Perda da autonomia familiar para o controle estatal 
 e-Perda do predomínio do modelo conjugal clássico. 
 Resposta Correta: Letra b-Aumento do número de domicílios monoparentais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3. FGV/2015. De acordo com o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família, o trabalho 
social com famílias é uma prática profissional apoiada em saber científico, que para ser efetiva 
depende 
a- do conhecimento do território, suas potencialidades, recursos, vulnerabilidades, relações 
estabelecidas, de modo a realizar uma ação preventiva e proativa. 
b- do estudo dos vetores socioeconômicos das famílias atendidas, a fim de estabelecer 
parâmetros para a intervenção do Serviço Social. 
c- da investigação sobre as necessidades de cada família a ser assistida em determinada 
localidade, com o objetivo de implementar ações comunitárias. 
d- da constituição de equipes multiprofissionais para atendimento psicossocial, visando minorar 
os conflitos familiares que porventura existam. 
e- da formação de agentes multiplicadores comunitários, que sirvam de mediadores entre o 
Serviço Social e as instituições presentes na localidade. 
 Comentário: O trabalho social com famílias é uma prática profissional apoiada em 
saber científico, que para ser efetiva depende: A PNAS (2004) considera o território 
fator determinante para a compreensão das situações de vulnerabilidade e riscos 
sociais, enfrentados por indivíduos, famílias, grupos e comunidade. Isto é, reconhece 
que não há como compreender os fenômenos societários, em especial aqueles ligados 
aos fatores sociais, culturais e econômicos, fora do seu contexto territorial. Destaca-se 
como método importante na compreensão da realidade social o método dialético, que 
a partir de um processo crítico, visa captar o movimento histórico e suas inerentes 
contradições, desvelando a realidade pela constante interação entre o todo e as partes 
que a compõe. A dialética possibilita, por meio de uma atitude reflexiva, apreender a 
complexidade e a dinamicidade da realidade social na qual os profissionais do SUAS 
têm que atuar, exigindo destes uma postura reflexiva e crítica, bem como um processo 
de formação continuada. a) de consciência crítica e espírito pesquisador por parte dos 
profissionais do CRAS; b) do conhecimento do território – suas potencialidades, 
recursos, vulnerabilidades, relações estabelecidas, de modo a realizar uma ação 
preventiva e proativa; c) da adoção de abordagens e procedimentos metodológicos 
apropriados para o cumprimento dos objetivos do Serviço; d) de estudo e análise 
permanente dos conceitos fundamentais, tais como: família e território, nas 
abordagens sociológica, antropológica, econômica, psicológica, entre outras, cuja 
compreensão é essencial para a implementação qualificada do PAIF; e) do 
planejamento e análise das ações a serem adotadas no desenvolvimento do trabalho 
social com famílias; f) da promoção da participação dos usuários no planejamento e 
avaliação das ações do Serviço; g) do desenvolvimento de uma prática interdisciplinar 
entre os profissionais que compõem a equipe de referência do CRAS: assistentes sociais 
e psicólogos; h) do conhecimento sobre os ciclos de vida, questões étnicas, raciais, de 
orientação sexual, assim como outras questões específicas identificadas no território. 
Resposta Correta: Letra a -do conhecimento do território, suas potencialidades, recursos, 
vulnerabilidades, relações estabelecidas, de modo a realizar uma ação preventiva e 
proativa. 
 
 
 
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4. FUNRIO/UFRB/2015. A família,sob a ótica do pluralismo de bem-estar social, vem 
sendo considerada pelos mentores das políticas contemporâneas, como um dos 
recursos privilegiados na provisão do cuidado e da proteção, contudo, ressalta-se um 
caráter contraditório, que deve ser considerado como relevante nesta definição: 
a- É considerada forte por ser um lócus privilegiado de solidariedade, socialização e na 
transmissão de ensinamentos e fraca pois está sujeita a despotismos, rupturas e 
violência, dentro da lógica capitalista vigente. 
b- Baseia-se no sistema de proteção social liberal, que se limita a uma concepção 
socialdemocrata, a perceber a família como lócus secundário e discricionário das 
políticas públicas. 
c- É considerada como uma instituição social isolada, que não sofre influências do 
modelo de Estado liberal capitalista. 
d- Tem como pilar a ótica neotomista que tem como base uma concepção de família 
descolada das formas de organização da sociedade. 
e- O escopo de família contemporânea, com seu novo status e configurações e 
rearranjos familiares, não está sujeita a oscilações, nem a destinação de recursos 
públicos. 
 Comentário: A questão pede um caráter contraditório que deve ser 
considerado a respeito da família. A família, sob a ótica do pluralismo de bem-
estar social, vem sendo considerada pelos mentores das políticas 
contemporâneas, como um dos recursos privilegiados na provisão do cuidado 
e da proteção, contudo, ressalta-se um caráter contraditório, que deve ser 
considerado como relevante nesta definição: Analisando as alternativas, a 
única que possui traços de uma situação contraditória é: a) É considerada forte 
por ser um lócus privilegiado de solidariedade, socialização e na transmissão 
de ensinamentos e fraca pois está sujeita a despotismos, rupturas e violência, 
dentro da lógica capitalista vigente. 
Resposta Correta: Letra a- É considerada forte por ser um lócus privilegiado de 
solidariedade, socialização e na transmissão de ensinamentos e fraca pois está 
sujeita a despotismos, rupturas e violência, dentro da lógica capitalista 
vigente. 
 
 
 
 
 
 
 
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5. FGV/TJ-BA/2015. No âmbito do Serviço de Proteção e Atendimento Integrado à 
Família (PAIF), o trabalho social com famílias constitui-se em: 
 a- um acesso à empregabilidade; 
 b- uma exclusividade do assistente social; 
 c- um processo de expansão de direitos; 
 d- uma ocupação que demanda a reunião de várias profissões; 
 e- uma prática profissional apoiada em saber científico. 
 Comentário: O trabalho social com famílias, no âmbito da assistência social, 
demanda sabres técnicos especializados. O trabalho exigido na 
operacionalização do trabalho social com famílias, não mais compreendido 
como clientelismo, assistencialismo, caridade, mas como política pública e 
dever do Estado, é um trabalho especializado, realizado por técnicos de nível 
superior, com formação profissional, fundamentado em conhecimentos teórico-
metodológicos, técnico- operativos e ético-políticos, dentre outros. O trabalho 
social com famílias é uma prática profissional apoiada em saber científico. 
Resposta Correta: Letra e- uma prática profissional baseada em saber científico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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6. FGV/TJ-BA/2015. A Política Nacional de Assistência Social (PNAS), ao ressaltar a 
centralidade da família, o faz a partir do entendimento de que a família: 
a- é o espaço privilegiado e insubstituível de proteção e socialização primárias; 
b- constitui-se na primeira e principal célula da sociedade capitalista; 
c- possibilita às crianças o exemplo necessário para a atuação na sociedade; 
d- deve ser resguardada, pois dela derivam todos os vícios e também todos os bons 
exemplos; 
e- necessita de proteção especial, pois sozinha não consegue cumprir sua função. 
Comentário: As reconfigurações dos espaços públicos, em termos dos direitos 
sociais assegurados pelo Estado democrático de um lado e, por outro, dos 
constrangimentos provenientes da crise econômica e do mundo do trabalho, 
determinaram transformações fundamentais na esfera privada, resignificando as 
formas de composição e o papel das famílias. Por reconhecer as fortes pressões 
que os processos de exclusão sócio cultural geram sobre as famílias brasileiras, 
acentuando suas fragilidades e contradições, faz-se primordial sua centralidade 
no âmbito das ações da política de assistência social, como espaço privilegiado e 
insubstituível de proteção e socialização primárias, provedora de cuidados aos 
seus membros, mas que precisa também ser cuidada e protegida. Essa correta 
percepção é condizente com a tradução da família na condição de sujeito de 
direitos, conforme estabelece a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da 
Criança e do Adolescente, a Lei Orgânica de Assistência Social e o Estatuto do 
Idoso. 
Resposta Correta: Letra a- é o espaço privilegiado e insubstituível de proteção e 
socialização primárias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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7. CETRO/IF-PR/2014. Analise as assertivas abaixo referentes ao Programa de 
Atenção Integral à Família (PAIF). 
I. O papel do PAIF é contribuir para desvincular as famílias dos serviços geracionais. 
II. O papel do PAIF é fortalecer o protagonismo e a autonomia das famílias e 
comunidades. 
III. O papel do PAIF é elevar o nível de educação formal dos adultos. 
É correto o que se afirma em 
 a- I, apenas. 
 b- II, apenas. 
 c- III, apenas. 
 d- I e II, apenas. 
 e- I, II e III. 
Comentário: O Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) é 
um trabalho de caráter continuado que visa a fortalecer a função de proteção 
das famílias, prevenindo a ruptura de laços, promovendo o acesso e usufruto de 
direitos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida. Dentre os 
objetivos do PAIF, destacam-se o fortalecimento da função protetiva da família; 
a prevenção da ruptura dos vínculos familiares e comunitários; a promoção de 
ganhos sociais e materiais às famílias; a promoção do acesso a benefícios, 
programas de transferência de renda e serviços socioassistenciais; e o apoio a 
famílias que possuem, dentre seus membros, indivíduos que necessitam de 
cuidados, por meio da promoção de espaços coletivos de escuta e troca de 
vivências familiares. O PAIF tem como público famílias em situação de 
vulnerabilidade social. São prioritários no atendimento os beneficiários que 
atendem aos critérios de participação de programas de transferência de renda 
e benefícios assistenciais e pessoas com deficiência e/ou pessoas idosas que 
vivenciam situações de fragilidade. Suas ações são desenvolvidas por meio do 
trabalho social com famílias, apreendendo as origens, os significados atribuídos 
e as possibilidades de enfrentamento das situações de vulnerabilidade 
vivenciadas, contribuindo para sua proteção de forma integral. O trabalho social 
do PAIF deve se utilizar também de ações nas áreas culturais para o 
cumprimento de seus objetivos, de modo a ampliar o universo informacional e 
proporcionarnovas vivências às famílias usuárias do serviço. As ações do PAIF 
não devem possuir caráter terapêutico. 
Resposta Correta: Letra B. O papel do PAIF é fortalecer o protagonismo e a 
autonomia das famílias e comunidades. 
 
 
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8. CEPERJ/VIVA COMUNIDADE-VIVA RIO/2014. Em sua análise sobre a orientação 
e acompanhamento a indivíduos, grupos e famílias Mioto (2009) ressalta que esta atuação 
interfere na formação de condutas e subjetividades dos usuários. Partindo da análise 
proposta pela autora, pode-se compreender que tal atuação caracteriza-se por: 
a- ações que devem respeitar as limitações dos usuários 
b- ações pautadas num compromisso ético-político com o usuário, visando contribuir para 
a adequação demandada pelo atual contexto de sociedade 
c- ações de natureza socioeducativa que não devem se relacionar à subjetividade dos 
usuários 
d- prática profissional voltada à efetivação dos direitos dos usuários e à qualidade dos 
serviços prestados pela instituição 
e- ações de natureza socioeducativa determinadas pelo paradigma teórico-metodológico e 
ético-político de acordo com determinados projetos de profissão e de sociedade. 
Comentário: Pode-se dizer que discutir orientação e acompanhamento significa 
discutir o caráter educativo dessas ações, uma vez que interferem diretamente 
na formação de condutas e subjetividades de sujeitos que frequentam o cotidiano 
dos diferentes espaços sócio ocupacionais do Serviço Social. Nesse contexto, 
postula-se a orientação e o acompanhamento como ações de natureza 
socioeducativa que, como os próprios nomes indicam, interferem diretamente na 
vida dos indivíduos, dos grupos e das famílias. Movimentam-se no terreno 
contraditório “tanto do processo de reprodução dos interesses de preservação do 
capital, quanto das respostas às necessidades de sobrevivência dos que vivem 
do trabalho”. São determinadas pelo paradigma teórico-metodológico e ético-
político dos profissionais que as realizam de acordo com determinados projetos 
de profissão e de sociedade. 
Resposta Correta: Letra e - ações de natureza socioeducativa determinadas pelo 
paradigma teórico-metodológico e ético-político de acordo com determinados 
projetos de profissão e de sociedade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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9. UPENET/IAUPE/2014. O Plano Nacional de Assistência Social – PNAS, em decorrência das 
transformações ocorridas nos arranjos familiares, ampliou o conceito de família passando a ser 
entendido como o grupo de pessoas que se acham unidas por 
 a- laços consanguíneos ou laços afetivos. 
 b- laços afetivos, dependendo das características assumidas. 
 c- laços consanguíneos, afetivos e ou de solidariedade, independente das características assumidas. 
 d- laços afetivos e ou de solidariedade, dependente do gênero envolvido. 
 e- laços consanguíneos e de solidariedade, dependendo das características assumidas. 
Comentário: Qual o conceito de “família” para a PNAS? A família para a PNAS - Política 
Nacional de Assistência Social é o grupo de pessoas que se acham unidas por laços 
consanguíneos, afetivos ou de solidariedade. Quais são os princípios da PNAS? Em 
consonância com o disposto na LOAS, capítulo II, seção I, artigo 4º, a Política Nacional de 
Assistência Social rege-se pelos seguintes princípios democráticos: I – Supremacia do 
atendimento às necessidades sociais sobre as exigências de rentabilidade econômica; II 
– Universalização dos direitos sociais, a fim de tornar o destinatário da ação assistencial 
alcançável pelas demais políticas públicas; III – Respeito à dignidade do cidadão, à sua 
autonomia e ao seu direito a benefícios e serviços de qualidade, bem como à convivência 
familiar e comunitária, vedando-se qualquer comprovação vexatória de necessidade; IV – 
Igualdade de direitos no acesso ao atendimento, sem discriminação de qualquer natureza, 
garantindo-se equivalência às populações urbanas e rurais; V – Divulgação ampla dos 
benefícios, serviços, programas e projetos assistenciais, bem como dos recursos 
oferecidos pelo Poder Público e dos critérios para sua concessão. Quais são as diretrizes 
da Assistência Social? A organização da Assistência Social tem as seguintes diretrizes, 
baseadas na Constituição Federal de 1988 e na LOAS: I - Descentralização político-
administrativa, cabendo à coordenação e as normas gerais à esfera federal e a 
coordenação e execução dos respectivos programas às esferas estadual e municipal, bem 
como a entidades beneficentes e de assistência social, garantindo o comando único das 
ações em cada esfera de governo, respeitando-se as diferenças e as características sócio 
territoriais locais; II – Participação da população, por meio de organizações 
representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis; 
III – Primazia da responsabilidade do Estado na condução da Política de Assistência Social 
em cada esfera de governo; IV – Centralidade na família para concepção e implementação 
dos benefícios, serviços, programas e projetos. Quais são os objetivos da PNAS? A Política 
Pública de Assistência Social realiza-se de forma integrada às políticas setoriais, 
considerando as desigualdades sócio territoriais, visando seu enfrentamento, à garantia 
dos mínimos sociais, ao provimento de condições para atender contingências sociais e à 
universalização dos direitos sociais. Sob essa perspectiva, objetiva: • Prover serviços, 
programas, projetos e benefícios de proteção social básica e, ou, especial para famílias, 
indivíduos e grupos que deles necessitarem; • Contribuir com a inclusão e a equidade dos 
usuários e grupos específicos, ampliando o acesso aos bens e serviços socioassistenciais 
básicos e especiais, em áreas urbana e rural; • Assegurar que as ações no âmbito da 
assistência social tenham centralidade na família, e que garantam a convivência familiar 
e comunitária. 
Resposta Correta: Letra c- laços consanguíneos, afetivos e ou de solidariedade, 
independente das características assumidas. 
 
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10. CESPE/TJ-SE/2014. No que se refere à elaboração de propostas de intervenção na 
área social e ao trabalho com famílias, julgue o item seguinte. 
O trabalho social com famílias deve embasar-se na concepção de família estruturada e 
compreendida como uma unidade doméstica cuja função primordial consista em 
assegurar as condições materiais para o desenvolvimento de seus integrantes. 
Certo / Errado 
Comentário: Essa visão de família é conservadora, a perspectiva crítica de 
Família é concebida na sua condição histórica e as configurações que ela assume 
ao longo do tempo e das culturas estão condicionadas às diferentes formas de 
relações sociais estabelecidas. “A família, independentemente dos formatos ou 
modelos que assume é mediadora das relações entre os sujeitos e a 
coletividade, delimitando, continuamente os deslocamentos entre o público e o 
privado, bem como geradora de modalidades comunitárias de vida. Todavia, não 
se pode desconsiderar que ela se caracteriza como um espaço contraditório, 
cuja dinâmica cotidiana de convivência é marcada por conflitos e geralmente,também, por desigualdades, além de que nas sociedades capitalistas a família 
é fundamental no âmbito da proteção social. ” 
Resposta Correta: Errado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PONTOS COMENTADOS- PARTE II 
FAMÍIA: TRANSFORMAÇÕES E 
COMNFIGURAÇÕES 
 Segundo José Filho (2007, p.150), a família tem que ser entendida enquanto 
uma unidade em movimento, sendo constituída por um grupo de pessoas que, 
independentemente de seu tipo de organização e de possuir ou não laços 
consanguíneos, busca atender: - às necessidades afetivo-emocionais de seus 
integrantes, através do estabelecimento de vínculos afetivos, amor, afeto, 
aceitação, sentimento de pertença, solidariedade, apego e outros;- às necessidades 
de subsistência-alimentação, proteção (habitação, vestuário, segurança, saúde, 
recreação, apoio econômico);- às necessidades de participação social, frequentar 
centros recreativos, escolas, igrejas, associações, locais de trabalho, 
movimento, clubes (de mães, de futebol e outros). 
 No Brasil, pesquisas recentes mostram o grande número de mudanças na 
organização e na dinâmica familiar. Qual das características dessas 
transformações? Aumento do número de domicílios monoparentais. 
 O trabalho social com famílias é uma prática profissional apoiada em saber 
científico, que para ser efetiva depende: A PNAS (2004) considera o território fator 
determinante para a compreensão das situações de vulnerabilidade e riscos sociais, 
enfrentados por indivíduos, famílias, grupos e comunidade. Isto é, reconhece que 
não há como compreender os fenômenos societários, em especial aqueles ligados 
aos fatores sociais, culturais e econômicos, fora do seu contexto territorial. Destaca-
se como método importante na compreensão da realidade social o método dialético, 
que a partir de um processo crítico, visa captar o movimento histórico e suas 
inerentes contradições, desvelando a realidade pela constante interação entre o 
todo e as partes que a compõe. A dialética possibilita, por meio de uma atitude 
reflexiva, apreender a complexidade e a dinamicidade da realidade social na qual 
os profissionais do SUAS têm que atuar, exigindo destes uma postura reflexiva e 
crítica, bem como um processo de formação continuada. a) de consciência crítica e 
espírito pesquisador por parte dos profissionais do CRAS; b) do conhecimento do 
território – suas potencialidades, recursos, vulnerabilidades, relações estabelecidas, 
de modo a realizar uma ação preventiva e proativa; c) da adoção de abordagens e 
procedimentos metodológicos apropriados para o cumprimento dos objetivos do 
Serviço; d) de estudo e análise permanente dos conceitos fundamentais, tais como: 
família e território, nas abordagens sociológica, antropológica, econômica, 
psicológica, entre outras, cuja compreensão é essencial para a implementação 
qualificada do PAIF; e) do planejamento e análise das ações a serem adotadas no 
desenvolvimento do trabalho social com famílias; f) da promoção da participação 
dos usuários no planejamento e avaliação das ações do Serviço; g) do 
desenvolvimento de uma prática interdisciplinar entre os profissionais que 
compõem a equipe de referência do CRAS: assistentes sociais e psicólogos; h) do 
conhecimento sobre os ciclos de vida, questões étnicas, raciais, de orientação 
sexual, assim como outras questões específicas identificadas no território. 
 
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 A questão pede um caráter contraditório que deve ser considerado a 
respeito da família. A família, sob a ótica do pluralismo de bem-estar social, vem 
sendo considerada pelos mentores das políticas contemporâneas, como um dos 
recursos privilegiados na provisão do cuidado e da proteção, contudo, ressalta-se 
um caráter contraditório, que deve ser considerado como relevante nesta definição: 
Analisando as alternativas, a única que possui traços de uma situação contraditória 
é: a) É considerada forte por ser um lócus privilegiado de solidariedade, socialização 
e na transmissão de ensinamentos e fraca pois está sujeita a despotismos, rupturas 
e violência, dentro da lógica capitalista vigente. 
 O trabalho social com famílias, no âmbito da assistência social, demanda sabres 
técnicos especializados. O trabalho exigido na operacionalização do trabalho social 
com famílias, não mais compreendido como clientelismo, assistencialismo, 
caridade, mas como política pública e dever do Estado, é um trabalho especializado, 
realizado por técnicos de nível superior, com formação profissional, fundamentado 
em conhecimentos teórico-metodológicos, técnico- operativos e ético-políticos, 
dentre outros. O trabalho social com famílias é uma prática profissional apoiada em 
saber científico. 
 As reconfigurações dos espaços públicos, em termos dos direitos sociais 
assegurados pelo Estado democrático de um lado e, por outro, dos 
constrangimentos provenientes da crise econômica e do mundo do trabalho, 
determinaram transformações fundamentais na esfera privada, resignificando as 
formas de composição e o papel das famílias. Por reconhecer as fortes pressões que 
os processos de exclusão sócio cultural geram sobre as famílias brasileiras, 
acentuando suas fragilidades e contradições, faz-se primordial sua centralidade no 
âmbito das ações da política de assistência social, como espaço privilegiado e 
insubstituível de proteção e socialização primárias, provedora de cuidados aos seus 
membros, mas que precisa também ser cuidada e protegida. Essa correta percepção 
é condizente com a tradução da família na condição de sujeito de direitos, conforme 
estabelece a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente, 
a Lei Orgânica de Assistência Social e o Estatuto do Idoso. 
 O Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) é um 
trabalho de caráter continuado que visa a fortalecer a função de proteção das 
famílias, prevenindo a ruptura de laços, promovendo o acesso e usufruto de direitos 
e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida. Dentre os objetivos do PAIF, 
destacam-se o fortalecimento da função protetiva da família; a prevenção da 
ruptura dos vínculos familiares e comunitários; a promoção de ganhos sociais e 
materiais às famílias; a promoção do acesso a benefícios, programas de 
transferência de renda e serviços socioassistenciais; e o apoio a famílias que 
possuem, dentre seus membros, indivíduos que necessitam de cuidados, por meio 
da promoção de espaços coletivos de escuta e troca de vivências familiares. O PAIF 
tem como público famílias em situação de vulnerabilidade social. São prioritários no 
atendimento os beneficiários que atendem aos critérios de participação de 
programas de transferência de renda e benefícios assistenciais e pessoas com 
deficiência e/ou pessoas idosas que vivenciam situações de fragilidade. Suas ações 
são desenvolvidas por meio do trabalho social com famílias, apreendendo as 
origens, os significados atribuídos e as possibilidades de enfrentamento das 
situações de vulnerabilidade vivenciadas, contribuindo para sua proteção de forma 
integral. O trabalho social do PAIF deve se utilizar também de ações nas áreas 
culturais para o cumprimento de seus objetivos, de modo a ampliar o universo 
 
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informacional e proporcionar novas vivências às famílias usuárias do serviço. As 
ações do PAIF não devem possuir caráter terapêutico. 
 Pode-se dizer que discutir orientação e acompanhamento significa discutir 
o caráter educativo dessas ações, uma vez que interferem diretamente na 
formação de condutas e subjetividades de sujeitos que frequentam o 
cotidiano dos diferentes espaços sócio ocupacionais do Serviço Social 
(VASCONCELOS, 2000). Nesse contexto, postula-se a orientação e o 
acompanhamento como ações de natureza socioeducativa que, como os próprios 
nomes indicam, interferem diretamente na vida dos indivíduos, dos grupos e das 
famílias. Movimentam-se no terreno contraditório “tanto do processo de reprodução 
dos interesses de preservação do capital, quanto das respostas às necessidades de 
sobrevivência dos que vivem do trabalho”. São determinadas pelo paradigma 
teórico-metodológico e ético-político dos profissionais que as realizam de acordo 
com determinados projetos de profissão e de sociedade. Qual o conceito de 
“família” para a PNAS? A família para a PNAS - Política Nacional de Assistência 
Social é o grupo de pessoas que se acham unidas por laços consanguíneos, afetivos 
ou de solidariedade. 
 “A família, independentemente dos formatos ou modelos que assume é 
mediadora das relações entre os sujeitos e a coletividade, delimitando, 
continuamente os deslocamentos entre o público e o privado, bem como geradora 
de modalidades comunitárias de vida. Todavia, não se pode desconsiderar que ela 
se caracteriza como um espaço contraditório, cuja dinâmica cotidiana de 
convivência é marcada por conflitos e geralmente, também, por desigualdades, 
além de que nas sociedades capitalistas a família é fundamental no âmbito da 
proteção social. ” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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GABARITO 1 
1 B 
2 C 
3 C 
4 B 
5 A 
6 A 
 
GABARITO 2 
1 E 
2 B 
3 A 
4 A 
5 E 
6 A 
7 B 
8 E 
9 C 
10 ERRADO 
 
 
 
 
 
 
 
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BIBLIOGRAFIA 
 
GILBRAN, Vanessa Marques; MELCHIORI, Gibran Faco Lígia Ebner. Conceito 
de família: adolescentes de zonas rural e urbana. Acesse: 
http://bit.ly/2bi5wsB 
MIOTO, Regina Célia Tamaso. Trabalho com Famílias: um desafio para os 
Assistentes Sociais Revista Virtual Textos & Contextos, nº 3, dez. 2004. 
OLIVEIRA, NHD. Recomeçar: família, filhos e desafios. São Paulo: Editora 
UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009. 
OLIVEIRA, Aloídes Souza. Família: um desafio para os assistentes sociais. 
Acesse: http://bit.ly/2dRDoRC 
OLIVEIRA, Nayara Hakime Dutra. Família contemporânea. Acesse: 
http://bit.ly/2nwIKDT 
OLIVEIRA, Ingrid Anne Soares de Oliveira Trabalho Social com Famílias na 
Política de Assistência Social: perspectivas e limites. Acesse: 
http://bit.ly/2nBusUj

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