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Prova pericial 
A prova pericial vem regulada pelo Código Processo penal entre os artigos 151 e 163. Segundo o art. 151 do Código a prova pericial tem lugar quando a percepção ou a apreciação dos fatos exigirem especiais conhecimentos técnicos, científicos ou artísticos.
A perícia, via de regra, e realizada por peritos oficiais, mas na inexistência destes ou na impossibilidade de realizarem no caso concreto, serão nomeados peritos constantes de lista de cadastro no juízo ou ainda pessoas de reconhecida honorabilidade e competência na matéria em causa.
O perito é obrigado a prestar compromisso de bem desempenhar a função que ele seja atribuído, podendo aquele que tiver sido nomeado alegar escusa na execução da função, com base na falta de condições indispensáveis para realização da perícia no caso concreto. Poderá também o perito nomeado ser recusado, pelos mesmos fundamentos, pelo Ministério Público, pelo arguido, pelo assistente ou pelas partes civis, sem prejuízo, porém, da realização da perícia no caso de urgência ou havendo perigo na demora.
O perito que não apresentar o relatório pericial no prazo fixado pelo juiz ou que desempenhar de forma negligente o encargo que lhe tenha sido atribuído poderá ser substituído pela autoridade judiciária que o tiver nomeado, sem prejuízo de se aplicar multa.
No processo penal português há a previsão da indicação de assistentes técnicos pelas partes chamados consultores técnicos. Estes poderão formular quesitos aos peritos, assistir à realização da perícia, propor a efetivação de determinadas diligências e formular observações e objeções aos peritos. Também autoridade judiciária poderá formular quesitos aos peritos, além de assistir à realização da perícia sempre que entender conveniente. 
Finda a perícia, os peritos elaborarão o relatório, no qual trarão respostas aos quesitos que lhe forem formulados e conclusões devidamente fundamentadas. De qualquer forma, fica facultado a autoridade judiciária, ao arguido, ao assistente, as partes civis e aos consultores técnicos pedir esclarecimentos aos peritos.
Caso o relatório não possa ser elaborado logo em seguida a realização da perícia, o juiz determinará que seja entregue em no máximo 60 dias, sendo que, em casos de especial complexidade, O prazo poderá ser prorrogado, a requerimento dos peritos, por mais 30 dias.
Em qualquer fase do processo poderá a autoridade judiciária competente determinar, oficiosamente ou a requerimento, quando isso se revelar de interesse para descoberta da verdade, que os peritos sejam convocados para prestar esclarecimentos complementares devendo ser-lhes comunicados o dia, a hora e o local em que se efetivará tal diligência ou, ainda, que seja realizada nova perícia ou renovada a perícia anterior a cargo de outros peritos.
Questão interessante acerca da prova pericial refere-se à possibilidade de colheita coativa de material biológico do suspeito para realização do exame pericial. Tal exame visa, no mais das vezes, possibilitar a confrontação com o material genético encontrado local do crime, a fim de apurar a autoria da infração criminal.
O Código prevê ainda que quando se tratar de perícia sobre características físicas ou psíquicas de pessoa que não haja prestado consentimento, é imprescindível decisão judicial determinando a submissão do indivíduo a perícia. Essa decisão judicial ponderará a necessidade da sua realização, tendo em conta o direito à integridade pessoal e à reserva da intimidade do visado.
Com relação ao tema apresentado é preciso assinalar que o entendimento majoritário na jurisprudência portuguesa tem sido no sentido de determinar que o indivíduo se submeta à coleta coativa de material genético (ainda que, com isso, ele não consinta) desde que tal procedimento seja efetuado de maneira não intrusiva (por exemplo, a partir da saliva do investigado).
Prova documental
A prova documental vem tratada entre os arts. 164 e 170 do Código de Processo Penal português. Nos termos do art. 164, n. 1, do CPP, documento é a declaração, sinal ou notação corporizada em escrito ou qualquer outro meio técnico, nos termos da lei penal. Além de papéis escritos são considerados documentos quaisquer registros de atividades humanas das mais diversas naturezas: o CD, DVD, o filme, a gravação de sons, a gravação de imagens.
O documento deve ser juntado aos autos no curso do inquérito ou da instrução e, não sendo isso possível, poderá até a audiência de julgamento, ficando assegurado o contraditório.
É vedada a juntada de documento que contenha declarações anônimas, salvo se for, ele próprio, objeto material do crime apurado.
Quanto ao documento escrito em língua estrangeira, deve ser traduzido por intérprete, se for dificilmente legível, deverá ser acompanhado de transcrição que o esclareça. Constituindo o documento em registro fonográfico, poderá ser determinada a sua transcrição para os autos.
Ademais, prevê que, quando não se puder juntar aos autos, ou nele conservar, o original de qualquer documento, mas apenas sua reprodução mecânica, esta terá o mesmo valor probatório do original, desde que com ele tenha sido identificada no curso do processo em tela ou em outro processo.
Os documentos autênticos ou autenticados são presumidos verdadeiros quanto ao seu conteúdo, admitindo-se, contudo, prova em contrário.