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SUMÁRIO 
 
1 - INTRODUÇÃO ............................................................................................................................4 
2 - HISTORIA ...................................................................................................................................5 
3 - EXPANSÃO E PIONEIRISMO ..................................................................................................6 
4 – EXPANSÃO GEOGRAFICA POR ORDEM CRONOLÓGICA ............................................. 11 
5 – DECADÊNCIA.......................................................................................................................... 12 
6 - ANÁLISES E CAUSAS IDENTIFICADAS .............................................................................. 14 
7 - CONTEXTO POLÍTICO, ECONÔMICO, ADMINISTRATIVO E JURÍDICO ........................ 17 
8 - FATOS RELEVATES ............................................................................................................... 20 
9 - CONCLUSÃO ........................................................................................................................... 22 
10 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................... 24 
Anexos: ........................................................................................................................................... 25 
Anexo 1 - Anúncio em jornal .........................................................................................................25 
Anexo 2 – Estrutura da loja ...........................................................................................................25 
(Anexo 3 – Praça do Patriarca (década de 1920) ).....................................................................26 
Anexo 5 – Fachada do Mappin durante o Natal ..........................................................................27 
 
 
4 
 
1 - INTRODUÇÃO 
Muitos estabelecimentos comerciais marcam a história das grandes cidades. 
São empresas muitas vezes centenárias que acompanham a evolução da região 
onde foram instaladas marcando gerações e gerações de pessoas através dos 
tempos. Em São Paulo o nome mais lembrado é, sem dúvida, o Mappin, que estaria 
celebrando um século de existência se não tivesse encerrado suas atividades em 
1999. 
 
 
5 
 
2 - HISTORIA 
A história do Mappin começa na Inglaterra, no século 18, mais precisamente 
em 1774, quando duas tradicionais famílias de comerciantes da cidade de Sheffield 
inauguraram uma loja nessa mesma cidade, sendo uma loja bastante sofisticada 
para a época. A loja seguiu crescendo e posteriormente mudou-se para Londres, de 
onde iniciariam sua expansão ultramarina, chegando a Buenos Aires logo nos 
primeiros anos do século 20, onde a colônia britânica era numerosa. Logo, voltou os 
olhos para o Brasil, surgindo em São Paulo em 1912 sobre a denominação de 
Mappin & Webb, sociedade de Walter Mappin, Hebert Mappin e de Henry Portlock 
especializada em cristais e pratarias. Com a sede consumista das famílias dos 
barões do café, cujos lucros eram crescentes, os sócios se juntaram a outro inglês, 
John Kitching, e criaram a Mappin Stores, embrião do atual Mappin. 
Uma loja sofisticada e única foi inaugurada em 29 de novembro de 1913, no 
número 26 da rua XV de Novembro, em frente à irmã Mappin & Webb, a moderna 
loja causou furor no elegante Triângulo, formado pela XV de Novembro, São Bento e 
Direita, centro comercial, social, político e cultural da Capital naquele período. Agora 
sob a denominação de Mappin Stores, que chegava para concorrer de frente com a 
tradicional Casa Allemã (grafia da época), fundada no século 19 e que estava 
localizada na Rua Direita. 
Quando inaugurado o Mappin era um espaço bastante refinado e em sua loja 
era vendido somente produtos de origem importada, além de serviços como 
barbearia e salão de chá, que logo se tornou o principal espaço paulistano de ―chá 
das cinco‖ (five o’clock tea como gostavam de chamar a elite paulistana). 
A loja se tornou não somente um paraíso de compras da elite paulistana 
onde, elegantes joias ornavam os balcões e as vitrines cristal na fachada, 
expunham, louças (porcelanas Inglesas), faianças, delicados objetos decorados em 
Art Noveau, etc, tornando-se também um dos principais pontos de encontro das 
damas da cidade, que vinham até o Mappin não apenas para compras mas para 
conversar e passar o dia. A loja ficava lotada em todas as suas dependências 
praticamente durante o dia todo. 
 
6 
 
Pobre não tinha vez por lá. As lojas onde o povão era admitido exibiam uma 
placa: "Entrada Franca". Não era o caso do Mappin, que só veio a quebrar essa 
regra em 1922. Em 20 de janeiro daquele ano, um incêndio destruiu quase todo o 
estoque da loja, que, um mês depois, realizou uma liquidação das sobras. "Foi a 
primeira vez que os pobres puderam entrar no Mappin Stores para comprar 
mercadorias refinadas, mas só aquelas que foram chamuscadas pelo fogo", revela a 
historiadora Solange Peirão, uma das autoras do livro Mappin — 70 Anos. 
(Anexo 1 - Anúncio em jornal / Anexo 2 – Estrutura da loja ) 
3 - EXPANSÃO E PIONEIRISMO 
Entre as novidades trazidas pela loja à cidade de São Paulo, estavam as 
etiquetas com os preços nas luxuosas vitrines de vidro na fachada, sendo 
considerada uma atitude ousada para a época, mas era uma estratégia para atingir 
consumidores de uma classe mais popular. Por mais estranho que isso possa 
parecer, até a chegada do Mappin não havia vitrines deste tipo, as pessoas 
precisavam entrar na loja para observar os produtos à venda. Isso foi uma vantagem 
inicial muito grande para eles, que logo viram seus concorrentes modificarem suas 
entradas. 
Em sua história consta ainda o primeiro desfile de moda em São Paulo, ao 
estilo europeu, para apresentar novas coleções, e o pioneirismo na entrega das 
compras em domicílio, inicialmente com carroças, depois substituídas por furgões. 
Foi uma das pioneiras do comércio varejista, antecipando também o ―conceito‖ de 
Shopping Center, reunindo produtos de diversos tipos em um único local. 
Com o intenso movimento do público e mais produtos chegando a todo o 
momento, logo a loja da Rua 15 de Novembro ficou pequena para acomodar tantas 
novidades e apertada para os consumidores. Com apenas seis anos de existência o 
Mappin mudou-se dali, em 1919, para seu novo endereço, na Praça do Patriarca, já 
com 34 departamentos e mais de 200 funcionários, onde ficaria por pelo menos 
duas décadas. 
 
7 
 
No final da década de 20, veio a terrível crise de 1929, que esfriou a 
economia do mundo todo. A crise também atingiu o Mappin, que com ela e também 
a crise no mercado de café em virtude da quebra da bolsa de Nova Iorque viu sua 
clientela de elite reduzir consideravelmente. Para adaptar-se à nova realidade 
econômica, o Mappin inovou mais uma vez sendo o pioneiro a introduzir o crediário, 
oferecendo aos clientes a possibilidade de fazer suas compras a prazo. 
E desta forma o Mappin ganhou fôlego, retomou o crescimento e pode pensar 
em sua expansão, para seu novo e suntuoso prédio em ―art déco‖ na Praça Ramos 
de Azevedo, um prédio alugado e pertencente à Irmandade da Santa Casa. A 
mudança para o endereço ocorreria em 1939. 
Alguns anos depois, na segunda metade da década de 40, o Mappin 
começaria a sentir o peso da aceleração da economia brasileira que atraia novos 
concorrentes. A rede passou a ter dificuldades à nova realidade econômica da 
nação. O grande salto da empresa, no entanto, veio em 1950, quando os ingleses 
venderam o controle acionário para o advogado Alberto José Alves e seu filho, o 
negociador de café e tambémadvogado Alberto Alves Filho. 
O novo administrador promoveria uma série de mudanças na operação da 
empresa, como a substituição dos produtos importados pelos nacionais, novas 
políticas de crediário e de funcionamento da empresa e a mudança da razão social, 
que a partir de então passou a ser Casa Anglo-Brasileira S/A. Sob o comando deste, 
a empresa mudou o seu perfil e Mix da loja e assim passou a possuir uma clientela 
mais massificada, e já ligada a seu futuro de Grande loja de departamentos, ou 
Magazine. "Um dia, ele estava olhando para baixo e perguntou por que as pessoas 
não entravam em sua loja. Pensou um pouco e mandou arrancar as portas 
giratórias: não queria que nada impedisse a entrada do público", conta o vendedor 
Antônio Cassiano. Alves Filho mandou também retirar os tapetes verdes do térreo. O 
elitismo cedia espaço a uma estratégia que tinha por objetivo atrair os 2,1 milhões 
de habitantes da cidade com produtos a preços acessíveis. O empresário Alberto 
Alves Filho seguiu inovando a frente do Mappin, deixando a empresa cada vez mais 
popular e conhecida e, em 1972, abriu o capital da empresa. Nas décadas de 60 e 
70 as vendas estouraram. Foi um período marcado por fortes promoções para datas 
 
8 
 
como os dias das Mães e dos Namorados e, mais tarde, pelo lançamento do crédito 
automático. Tempos memoráveis em que 60 mil pessoas passavam todo dia pela 
loja da Praça Ramos, das 8h à meia-noite. Aos sábados, o número pulava para 200 
mil. "O caixa principal tinha 20 empregados contando dinheiro", conta Cassiano. Ele 
seguiria no comando do Mappin até falecer em 1982 aos 69 anos. 
Mesmo com o falecimento do empresário o Mappin não parava de crescer, e a 
empresa passou para Sonia Cossete Alves, viúva de Alberto Alves Filho. A direção 
da empresa foi assumida por Antonio Carlos Rocca. Nesta época o Mappin já 
faturava US$ 185 milhões e contava com quatro lojas, 11 depósitos de mercadorias, 
uma financeira e atividades agropecuárias. Em 1983 foi considerada a empresa do 
ano e em 1984 uma pesquisa realizada pelo Instituto Gallup apontou que 97% dos 
paulistanos conheciam a empresa e que 67% deles já haviam comprado em alguma 
de suas lojas. Rocca manteve a orientação da empresa para as inovações e 
implantou um amplo sistema de processamento de dados, envolvendo mercadorias 
e crédito. Manipulavam-se dados pessoais e de crédito de cerca de 900.000 
clientes, essa informatização reduziu bastante o tempo gasto na análise e 
concessão de crédito. E também propiciou um maior controle dos estoques, assim 
como uma avaliação da rentabilidade individual de cada um dos mais de 70.000 
itens. Rocca também prezava por um relacionamento estreito com seus clientes e 
fornecedores. O que garantia a marca uma confiança junto ao seu público-alvo difícil 
de ser abalada. Ao final da década de 80, outra mudança no posicionamento da 
empresa ocorreu, a transformação foi de uma loja de preços baixos e crédito fácil 
para um centro de lazer, ponto de encontro para os jovens e pessoas sofisticadas. O 
que reforçava a nova proposta de ―loja de família‖. Foi então que os shoppings 
centers ganharam atenção e o interesse da direção da empresa. Outras ações 
tomadas em meio a esta transformação foram: 
 O restabelecimento dos tradicionais desfiles de moda do Mappin; 
 Maior ênfase em artigos de moda, mas sem abandonar os produtos hard; 
 Anúncios com apelos mais afetivos e simbólicos, enfatizando as mercadorias 
soft (para as linhas hard, o apelo era o preço); 
 Maior ênfase em promoções de vendas, incluindo o uso de cupons para 
descontos; 
 
9 
 
 Expansão das marcas próprias; 
 Modernização do visual das lojas. 
Os planos para os anos seguintes incluíam a implantação de leitores óticos nas 
lojas e uma mudança em seu ambiente e decoração. Foi anunciada até a expansão 
do Mappin para Portugal, onde o mesmo pretendia abrir lojas em joint-venture com o 
grupo Sonae. 
No início da década de 90, Rocca buscou profissionalizar as diretorias e a gestão 
do Mappin como um todo. Em 1991 começou uma reestruturação societária, que 
transformou a Casa Angla Brasileira em um holding, que controlava as outras 
empresas do grupo, e as separou de acordo com a sua área de atuação: 
 Setor de comércio varejista e de bens de consumo; 
 Serviços financeiros; 
 Agenciamento de turismo; 
 Negócios imobiliários. 
A consolidação das lojas do Mappin em shopping centers ocorreu em 1991, com 
seis lojas adquiridas do grupo Susa/Vendex, das quais quatro das lojas eram em 
shopping centers o que resultou em um aumentou de 50%, da área de vendas do 
Mappin, tornando-o a maior cadeia de lojas de departamentos do estado de São 
Paulo. Nessa aquisição, praticamente não houve desembolso, pois foram adquiridos 
somente os pontos e as instalações - não os imóveis - em troca de 1% das vendas 
futuras das lojas incorporadas. A este título, no mesmo ano o Mappin pagou ao 
grupo Susa/Vendex cerca de US$ 500 mil e foi, talvez, a partir deste momento que o 
grupo começou a ficar muito maior do que deveria. 
E graças a todos estes esforços, mesmo 1991 ter sido considerado um ano 
recessivo para o mercado do varejo, que perdia 17% de suas vendas, o Mappin 
obteve um aumento de 5% nas suas vendas. Em 1992 o Mappin contava com 10 
lojas e 6.500 funcionários. Percebendo uma nova preocupação do consumidor, 
agilizou o seu atendimento, com vendas por leitora ótica. Aperfeiçoou a logística, 
reduzindo-se o tempo de estocagem. E ao final de 1992, 90% das transações eram 
realizadas com código de barras e leitura ótica. As compras self-service haviam 
 
10 
 
reduzido em 38% as despesas com comissão sobre vendas. Em pouco mais de um 
ano, a quantidade de funcionários por 1.000 transações caiu de 7,8 para 3,3. O ano 
de 1993 viu a inauguração do Mappin Eletrônico, de vendas por terminal multimídia. 
A primeira unidade foi instalada no Shopping Balneário, em Santos. Lá 12 
atendentes orientavam o público, mas o formato proposto era o de uma loja 
praticamente sem atendentes ou vendedores. Outras novas empreitadas do grupo 
foram: 
 O Mappin Mercearia, uma loja de alimentos 
 A criação das locadoras de vídeo Mappin. 
Entretanto, de 1991 a 1993 o Mappin acumulou prejuízos de US$ 53,8 milhões, 
surgindo dívidas consideráveis e dúvidas do mercado respeito de sua saúde 
financeira. Logo após em 1994 a situação do Mappin melhorou graças ao advento 
do Plano Real que ocasionou um ―boom‖ no mercado, o que fez com o Mappin 
acumula-se um lucro de US$ 24,2 milhões no ano. O novo modelo parecia funcionar. 
O tíquete médio de compra subiu de US$ 16 para US$ 20 em 1990, atingindo US$ 
36 em 1994. A reestruturação da dívida reduzira os custos financeiros. Segundo 
relatório de 1995 do Banco BBA Creditanstalt S.A., ―a empresa Mappin Lojas de 
Departamentos correspondeu a 95% do faturamento do grupo. Todavia, quase 
metade da rentabilidade do grupo veio da Companhia Financiadora Mappin‖. 
Em 1994 o Banco JP Morgan comprou 20% das ações do Mappin e pagou cerca 
de 13 milhões de Reais na compra. 
Devido à grande variedade de itens oferecidos (aproximadamente 85.000 itens) e 
suas várias linhas de produtos, o Mappin era obrigado a trabalhar com mais de 
6.000 fornecedores, o que lhe causava complicações na gerência de Supply Chain. 
E seus fornecedores eram fracionados, visto que nenhum deles respondia por mais 
de 10% das vendas do Mappin. Em 1995 abriu-se uma loja na cidade de Sorocaba 
(sua 12° loja), sendo nenhuma delas própria, e todas no estado de São Paulo. 
Totalizava 91.000 m2 de área de vendas, 5.454 funcionários e faturamento em torno 
de US$ 1 bilhão por ano. Visando reduzir despesas operacionais, o Mappinterceirizou serviços de limpeza, manutenção, segurança, transporte e propaganda. 
O sistema de remuneração também foi modificado, com ênfase no ganho variável. A 
 
11 
 
rede de lojas encontrava-se totalmente informatizada, desde os estoques até a 
comercialização. Com a informatização, as vendas eram armazenadas no sistema e, 
durante a noite, o processamento gerava posição atualizada do estoque. Nas lojas 
eletrônicas o consumidor comprava por meio de terminal multimídia, recebendo a 
mercadoria em casa. O Mappin também foi um dos pioneiros na web e dispunha de 
um site no qual era possível comprar produtos eletrônicos e eletrodomésticos. Em 
1995 o faturamento dos novos canais de varejo do Mappin correspondia a 5,2% do 
total. O Mappin era considerado a única loja de departamentos completa no Brasil, 
abrangendo oito linhas duras (eletrônicos, eletrodomésticos, móveis, decoração, 
brinquedos, camping, instrumentos musicais, ferramentas e joalheria) e seis linhas 
moles (vestuário, perfumaria, cama-mesa-banho, calçados, higiene e papelaria). No 
início de 1996, Rocca anunciou um amplo projeto de reestruturação, visando 
―reposicionar o Mappin em seu mercado‖. No qual estava incluída a informatização 
de todos os sistemas operacionais e logísticos das lojas. E no mesmo ano ele 
deixou o cargo de presidente, que foi assumido pelo italiano Pacifico Paoli, ex-
presidente a Fiat do Brasil. Paoli foi contratado como consultor para melhorar o 
desempenho, respondendo à visão do mercado de que o Mappin ―sempre fora muito 
lento nas decisões‖. De estilo centralizador, Paoli recebeu carta branca de Cosette 
Alves. Suas medidas iniciais foram à substituição de metade da diretoria e a 
demissão de 1.800 funcionários. 
(Anexo 3 – Praça do Patriarca (década de 1920) ) 
4 – EXPANSÃO GEOGRAFICA POR ORDEM CRONOLÓGICA 
 1969 – Rua São Bento – S.P. (Capital) 
 1977 – Avenida São João – S.P. (Capital) - a primeira de São Paulo a ter 
estacionamento próprio 
 1984 – Itaim Bibi – S.P. (Capital) 
 1987 – Shopping Mappin – ABC – Santo André - a primeira loja fora da capital 
 1991 – Shopping Center Norte, 
 1991 – Shopping West Plaza – S.P. (Capital) 
 1991 – Shopping Morumbi – S.P. (Capital) 
 1991 – Criada a TV Mappin: venda de produtos por telefone 
 1993 – Shopping Jardim Sul – S.P. (Capital) 
 
12 
 
 1995 – Esplanada Shopping, - S.P. (Sorocaba, interior de São Paulo) 
5 – DECADÊNCIA 
No ano de 1995 o Mappin anunciou o maior prejuízo de sua história, em 
quase 20 milhões de reais. O prejuízo foi deixando a empresa cada vez mais em 
dificuldade, levando aos rumores de que a herdeira e empresária Sonia Cosette 
Domit Alves estaria preparando a venda da companhia. Ela resistiu e por muito 
tempo foi contrária à ideia da venda. 
Com os resultados negativos e as dívidas acumuladas, em 1996 o Grupo 
desfez-se da Companhia Financiadora Mappin. Com um ativo de US$ 105 milhões e 
patrimônio líquido de US$ 31 milhões, a financeira foi vendida por US$ 50 milhões 
ao Banco BBA Credistaltant. A estratégia da Casa Anglo Brasileira era reforçar o 
caixa e focar seu principal negócio: o comércio varejista. O resultado de 1996 foi 
positivo para a Casa Anglo Brasileira devido à venda da financeira. O holding lucrou 
US$ 3,04 milhões, contra um prejuízo de US$ 26,44 milhões em 1995. Já o Mappin 
Loja de Departamentos apresentou prejuízo de US$ 20,33 milhões, um prejuízo 
ainda maior que o do ano anterior. Isto apesar de suas vendas em shopping centers 
responderem por 67% do faturamento. 
Em agosto de 1996, o controle acionário da Casa Anglo (holding que 
comandava o Mappin) havia trocado de mãos. Após 14 anos como controladora, 
Cosette Alves vendeu suas ações, convencida pelo empresário Ricardo Mansur. 
O comprador foi uma empresa de nome UNITED INDÚSTRIA E COMÉRCIO, 
pertencente a Ricardo Mansur por R$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de reais), 
sendo 7% a vista e o restante em três pagamentos anuais, prometendo novo fôlego 
para a empresa. Ricardo Mansur no ano seguinte cometeu o erro e iniciou uma série 
de aquisições espetaculares, arrematando inclusive a endividada Mesbla, uma rede 
de lojas parecida com o Mappin e o Antonio de Queiros, que mais tarde passou a se 
chamar Banco Crefisul. Quando o consumo estava retraído, ele chegou a ser 
apontado como o ―Rei do Varejo‖. Uma de suas ideias era transformar o Mappin em 
uma rede de franquias e abrir pelo menos 40 novas lojas espalhadas pelo Brasil.. 
 
13 
 
Segundo o relatório Mappin - Performance and Potential, no curto prazo a ênfase 
era reduzir as despesas operacionais e financeiras, e concentrar o foco no negócio 
de varejo e securitizando os recebíveis, para evitar as altas taxas de inadimplência. 
Já as ações de médio prazo (1996 a 1998) consistiam em implementar novo 
composto de marketing (mercadorias, serviços e comunicações), realizar alguns 
ajustes em seu modelo operacional, expandir-se, investir e levantar novos fundos. 
Ricardo Mansur anunciou um plano de expansão por meio de lojas franqueadas 
para o Mappin, as lojas franqueadas em shopping centers eram o caminho mais 
rápido para a expansão. A meta para 1997 era ter 73% do volume de vendas vindo 
de lojas de shopping centers. A Pandolpho & Associados cuidou da formatação das 
franquias do Mappin, cujo preço variava entre US$ 80.000,00 e US$ 200.000,00 
mais royalties de 4% a 8% sobre as compras efetuadas. Os franqueados também 
recolhiam 3% para um fundo de promoção. A procura pela franquia foi considerada 
boa. Segundo fontes do Mappin, já haviam sido recebidas ―20 propostas para 
abertura de franquias no Estado e mais de 400 em todo o país‖. Firmou-se um 
acordo operacional com o Banco do Brasil, ofertando-se a franquia nas 4.000 
agências bancarias. A direção do Mappin apontou o ano de 1998 como de transição, 
enfrentando o desafio da fusão com a Mesbla, recentemente adquirida por Ricardo 
Mansur. Era fundamental compreender a realidade que o Mappin enfrentava através 
de um amplo diagnóstico, o que o grupo observou que não aconteceu. Segundo 
alguns executivos, Mansur quebrou porque deu um passo maior do que as pernas. 
Em 1996, ao comprar o Mappin, adquiriu uma empresa que, se não estava em 
situação excelente, não tinha grandes problemas. Era a época certa. O forte da 
companhia era vender eletrodomésticos, televisores, roupas, louças, panelas. Com 
os primeiros efeitos do Plano Real e a onda de consumo, o Mappin prometia muito 
lucro. Mas depois veio a ressaca, e as vendas caíram para o subsolo. Com a 
compra da Mesbla, praticamente falida, sem crédito, sem estoque e com uma dívida 
de mais de 300 milhões de reais, Mansur comete um novo erro, ao querer revitalizar 
a Mesbla usando os recursos do Mappin, do Crefisul e de todos que lhe deram 
crédito. No entanto, a ambição de Ricardo Mansur foi longe demais com a compra 
da Mesbla. Essa sim estava quebrada, e Mansur acabou investindo nela recursos do 
Mappin e do banco Crefisul, já que o seu ―padrinho‖ Lázaro Brandão, ex-presidente 
do banco Bradesco e principal apoiador financeiro da aquisição do Mappin, não 
 
14 
 
foram favoráveis à nova compra. Nada mais natural, afinal, Mansur fez jogadas 
financeiras arriscadas e estranhas nesse período e perdeu toda a pouca 
confiabilidade que tinha. Como resultado, o Banco Central acabou com a Crefisul. 
Entretanto nenhuma das ideias de Ricardo Mansur deu certo e logo o Mappin 
estaria em crise novamente, desta vez muito mais profunda, o que levou a rede, 
tanto a Mesbla quanto o Mappin em 1999 a acumular 300 pedidos de falência na 
praça, além de uma dívida de 1.2 bilhão de reais. Tendo a falência decretada junto 
com as lojas Mesbla, que haviam sido incorporadasao Mappin em 1996, Neste ano 
86 anos depois de sua fundação, o Mappin encerraria suas atividades, deixando 
para trás funcionários, fregueses e uma bela história construída em São Paulo 
através de décadas e décadas do século 20. 
Aos paulistanos sobraram nomes como Casas Bahia, Americanas, 
Pernambucanas, Ponto Frio, Renner, C&A e, claro, os shoppings, mas nada lembra 
de perto os bons tempos do Mappin. Quem passa em frente ao prédio que o Mappin 
ocupou na Praça Ramos de Azevedo, não vai precisar ver uma mulher com uma 
sacola com os dizeres ―Mappin‖ para se lembrar dos belos enfeites de natal, das 
vitrines chamativas, da variedade de produtos, das liquidações (que eram realmente 
liquidações) e do seu famoso jingle da loja que tocava nos comerciais de TV: 
"Mappin, venha correndo, Mappin, chegou a hora Mappin, é a liquidação". 
(Anexo 4 – Mappin em dia de liquidação/ Anexo 5 – Fachada do Mappin durante 
o Natal) 
6 - ANÁLISES E CAUSAS IDENTIFICADAS 
Análise SWOT - Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças: 
Forças: 
 Foi uma das pioneiras lojas de departamentos no Brasil 
 
15 
 
 Salão de chá do Mappin, considerado local de encontro da elite, frequentado 
numerosamente nas décadas de 50 e 60 (possuindo a imagem de um lugar 
‗‘chique‘‘ na percepção dos brasileiros, um ponto de referência da elite) 
 Preços acessíveis, foram os seus diretores que popularizaram as liquidações, 
marca registrada da empresa. A exposição das peças etiquetas nas vitrines 
foi outra ideia que deu certo, inclusive os cupons de desconto. 
 Fortes propagandas, grande cobertura e visibilidade da marca, por exemplo o 
famoso jingle: 
"Mappin, venha correndo, Mappin, chegou a hora Mappin, é a liquidação’’, 
chegando a se tornar na década de 80 ―Top Of Mind‖ segundo as pesquisas 
da época (como a Gallup), com cerca de 99% dos paulistanos já terem ouvido 
falar da marca, grande ‗‘conscientização‘‘ e 64% dos entrevistados já haviam 
realizado uma compra. 
 O Mappin é o precursor do crediário, oferecendo aos clientes a possibilidade 
de fazer suas compras a prazo e possuía um sistema de crédito rápido, em 
1953 complementando o sistema de pagamento por crediário e depois, a 
criação de uma financiadora Mappin e em 1972, criou o sistema de crédito 
automático. 
 Considerada uma rede tradicional de departamentos de São Paulo no 
mercado, na década de 80 a revista Exame chegou a publicar uma matéria 
com o título: ‗‘ Melhor empresa no varejo dos últimos 10 anos‘‘. 
 Modernização do visual das lojas e os desfiles de moda do Mappin 
 Inovação em diversos procedimentos, por exemplo, agilizou o seu 
atendimento com vendas por leitura ótica, otimizou a logística, reduzindo o 
tempo de estocagem, foi um dos primeiros na Web. 
 Expansão das marcas próprias 
 Número considerável de lojas e filiais, venda de produtos por telefone (grande 
cobertura de canal), venda pelo canal eletrônico (que chegou a representar 
mais de 5 % do faturamento total) 
Fraquezas: 
 
16 
 
 Má gestão de Ricardo Mansur e ‗‘desconfiança‘‘ no mercado financeiro com a 
gestão do novo acionista. 
 Forte dependência de capital de terceiros e grandes dívidas (exemplo, Banco 
Bradesco, Crefisul) 
 Posicionamento da marca não apropriada com as mudanças ocorridas no 
setor de varejo (necessidade de reposicionamento) 
 Baixa rentabilidade (em grande parte devido aos baixos preços oferecidos e 
grandes despesas operacionais e financeiras) 
 Fusão com a Mesbla em 1996 (no momento em que a Mesbla já estava 
quase falida, com uma dívida de 300 milhões de reais), dividindo o capital 
total e recursos com a nova empresa. 
Oportunidades: 
 Negócios eletrônicos (era uma oportunidade, mas depois tornou-se uma 
fraqueza devido à má estruturação e organização, tinha poucos vendedores 
para orientar o público) 
 Crescimento no comércio eletrônico (foi uma das pioneiras nesse comércio no 
Brasil, segundo alguns executivos, poderia ter se tornado hoje uma forte 
concorrente da Submarino e Americanas.com) 
 Início positivo dos efeitos do Plano Real na economia 
Ameaças: 
 Mudanças no mercado, tendências para o core business, exemplo, C&A que 
se focou no setor de moda e vestuário. 
 Concorrentes próximos (exemplo: Sears) 
 Abertura da econômica brasileira a partir de 1990, responsável pela entrada 
de gigantes varejos internacionais, como o grupo Wall Mart (EUA) em 1995 
no Brasil. 
 Aumento do desemprego e queda no consumo brasileiro 
 Elevada taxa de juros no Brasil 
 
17 
 
 
7 - CONTEXTO POLÍTICO, ECONÔMICO, ADMINISTRATIVO E JURÍDICO 
Durante a gestão do Mappin desde novembro de 1913 no Brasil (fundada em 
1774 na Inglaterra), a empresa enfrentou nos últimos anos de sua falência (1999), 
importantes mudanças no contexto político do país que exerceram impactos sobre 
todas as empresas existentes na época. 
Governo de Fernando Collor de Mello (1990- 1992) 
Logo no início de seu governo foi anunciado o Plano Brasil Novo, que visava 
combater a inflação, mudando a moeda para cruzeiro e a realização do confisco 
compulsório de grande parte do dinheiro existente no país e em 1991 o governo 
anunciou o Plano Collor 2 que reeditava o congelamento de preços, salários e 
estabelecia a unificação das datas-base para os reajustes salariais. Nesse período, 
como citada antes no trabalho, observou-se que o Mappin (em 1991 a 1993), 
acumulou prejuízos de US$ 53,8 milhões, surgindo dívidas consideráveis e dúvidas 
do mercado respeito de sua saúde financeira 
Governo Itamar Franco (1992- 1995) 
Durante esse governo, houve a adoção do Plano Real, que visava à estabilidade 
econômica do Brasil, com os principais pontos: 
 Substituição do cruzeiro pelo real; 
 Conter gastos públicos; 
 Acelerar privatizações das estatais; 
 Controlar a demanda por meio da elevação de juros; 
 Pressionar os preços pela facilidade de importações; 
 Abertura econômica do país; 
 
18 
 
 Modernização das empresas. Nesse período, a situação do Mappin melhorou 
com o Plano Real, acumulando um lucro de US$ 24,2 milhões no ano de 
1994. O tíquete médio de compra subiu de US$ 16 para US$ 20 em 1990, 
atingindo US$ 36 em 1994. A reestruturação da dívida reduziu os custos 
financeiros. 
Governo Fernando Henrique Cardoso (1995- 1999, 1 mandato) 
O Plano Real elaborado no governo anterior teve continuidade no Governo 
FHC, mantendo baixos níveis de inflação, acompanhados por queda no consumo e 
aumento considerável do desemprego. Foi durante o Governo FHC que o Mappin 
enfrentou a falência, a queda no consumo e as taxas de juros elevados que 
permaneceu por muitos anos, a abertura econômica (período em que a gigante Wall 
Mart se instala no Brasil, acirrando a concorrência) prejudicaram a empresa. Embora 
o fracasso seja orientado devido à má gestão de Ricardo Mansur, isso teve um 
impacto no seu desempenho, mas ela poderia ter aproveitado algumas 
oportunidades vindas da estabilização da moeda e do Plano Real. 
Ricardo Mansur 
Em 1996, Cosette Alves vendeu a empresa a Ricardo Mansur, que iniciou 
uma série de aquisições espetaculares, incluindo a Mesbla e o Banco Crefisul. Para 
muitos, a falência do Mappin deve-se a má gestão de Ricardo Mansur. No fim de 
1998, Mansur tentou captar R$ 600 milhões emitindo títulos, mas com a crise da 
Rússia, que declarou moratória, provocou pânico no mercado internacional, levando 
o governo brasileiro a elevar a taxa de juros com o objetivo de segurar no País 
recursos de investidores estrangeiros. Como a remuneração oferecida pelos papéis 
do empresário era muito inferior, ele só conseguiu amealhar R$ 180 milhões, dos 
quais R$ 120 milhões de uma empresa deseu próprio grupo, ou seja, só R$ 60 
milhões de dinheiro novo. No primeiro trimestre de 1999, o Banco Central liquidou o 
Banco Crefisul, que Mansur adquirira em 1996, e mais quatro empresas financeiras 
de seu conglomerado. Em abril, ele foi afastado do comando da Mesbla e do 
Mappin, acumulando dívidas de R$ 1,1 bilhão. Os acionistas chamaram, então José 
 
19 
 
Paulo Ferraz do Amaral, ex-presidente das Lojas Americanas e da Mesbla, que 
tentou levantar R$ 100 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento 
Econômico e Social (BNDES), fundos de pensão e instituições financeiras privadas, 
mas recebeu diversas negativas. 
Decreto de Falência 
Segundo o Jornal Vale do Paraíba, o Mappin Lojas de Departamentos SA, 
teve a falência decretada pelo juiz da 18ª Vara Cível de São Paulo, Luiz Beethoven 
Giffoni em 1999. Esses dados relatam que o primeiro ato determinado pelo juiz, nos 
termos da Lei de Falência foi a lacração das portas de todos os estabelecimentos da 
rede, primeiro na loja da Praça Ramos de Azevedo, com a diligência do apoio de 
força policial, depois foi a loja do Mappin no Itaim, na rua João Cachoeira, 899. As 
lojas localizadas em outros Estados foram lacradas posteriormente pelos juízes 
locais, aos quais foram expedidas por cartas precatórias. Estiveram em andamento 
mais de 400 pedidos de falência contra o Mappin, que deixou de pagar os credores 
desde que o Banco Crefisul foi liquidado pelo Banco Central. O Crefisul era 
controlado pelo empresário Ricardo Mansur, do grupo Mappin. Menciona-se que a 
falência foi decretada no pedido feito pela Pi Editora Ltda, credora de R$ 74.916,90. 
O crédito referia-se ao fornecimento de mercadorias, assinalando que os títulos 
protestados que fundamentaram o pedido de quebra estavam formalmente em 
ordem e com todos os requisitos indispensáveis para a decretação da medida. Os 
dados do Jornal afirmam que até o mês de março de 1999, o Mappin tinha evitado 
60 pedidos de falência, efetuando os depósitos em Juízo e que os efeitos do decreto 
de falência retroagem 30 dias após o primeiro protesto lavrado contra o Mappin e 
todas as operações realizadas a partir daquela data, inclusive o arrendamento das 
lojas Mappin para o Extra, do Grupo Pão de Açúcar, foram submetidas à anulação, 
através de ação revocatória. Segundo a Justiça, citado por Vanini (2010), 
atualmente 90% do passivo trabalhista do Mappin já está liquidado, a maior parte 
dos credores de Mansur ainda espera pelo pagamento, além de impostos e dívidas 
trabalhistas, existem dívidas com os fornecedores. Além disso, Mansur vendeu parte 
de seu patrimônio imobiliário (proibido por lei) e transferiu bens para o nome de 
outras pessoas, o que dificulta o trabalho da Justiça. 
 
20 
 
 
Extra Mappin 
 Ainda em 1999, o Grupo Pão de Açúcar, por meio do Extra Hipermercados, 
assumiu a loja na Praça Ramos de Azevedo, cujo prédio pertence à Santa Casa, 
com a bandeira "Extra Mappin", sendo abandonada logo em seguida. Em 2003, a 
loja foi fechada, sob a alegação de possuir baixa rentabilidade não compensando os 
custos de manutenção do ponto de venda e que a loja não atendia mais aos 
"padrões de qualidade que devem fazer parte de todas as bandeiras do grupo". Em 
12 de novembro aconteceu um leilão e a marca Mappin foi avaliada em R$ 12 
milhões. A rede de Lojas Marabraz arrematou por menos da metade do preço. 
8 - FATOS RELEVATES 
Segundo entrevista com o ex diretor de planejamento e marketing, Sérgio 
Crispim, que trabalhou na empresa desde 1993 até 1996. Segundo ele, além da má 
gestão de Ricardo Mansur, existiram outros relevantes fatores para a falência do 
Mappin, citado por ele: extrema dependência de capital de terceiros em uma 
conjuntura de taxas de juros elevados, demora de se reposicionar estrategicamente, 
visando enfrentar o varejo de desconto caracterizado pelos hipermercados em uma 
conjuntura de estagnação econômica e contínuo choque de preços e o processo de 
expansão relativamente lento frente à concorrência. Para ele, a relação dos 
funcionários (executivos) com a empresa, após a entrada de Ricardo Mansur foi 
abalada, pois ele demitiu importantes executivos e intermediários e admitiu novos 
funcionários (diretores) sem muita experiência, causando um desconforto e um clima 
ruim com os antigos diretores devido a essa mudança (demissões). Para ele, devido 
ao fato de Ricardo Mansur ser o principal acionista, os executivos do Mappin, por 
mais que quisessem implementar novas ações para evitar a falência da empresa, 
não tinham essa capacidade e poder. Seguindo a gestão de Ricardo Mansur, a 
maioria dos diretores acreditavam que era inevitável o fracasso da empresa. Sobre 
as especulações da Marabraz de retomar e voltar com o Mappin, Crispim declarou 
não estar informado sobre isso, mas que acredita que a marca Mappin ainda se 
 
21 
 
mantém muito forte, mas depois da crise e da falência da rede, exposta fortemente 
pela mídia, a imagem da marca pode ser associada negativamente pelas pessoas, 
ou seja, passar uma imagem ruim se a volta do Mappin concretizar-se. 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
9 - CONCLUSÃO 
De acordo com todos os dados e informações que o grupo teve acesso sobre 
a administração e desempenho do Mappin, acreditamos que a falência da rede de 
departamentos deve-se em grande e intensa profundidade, devido à má gestão de 
Ricardo Mansur. A empresa enfrentou outras dificuldades como citada ao longo do 
trabalho, sendo elas: 
 Crise financeira durante o governo Collor, 
 Venda da sua financiadora Mappin para o BBA Credistaltant por R$ 
50.000.000,00 
 A entrada (uma das pioneiras) no comércio eletrônico, 
 A tradição da marca e a oferta diversificada de produtos. 
E mesmo com o tropeço que sofreu entre 1991 e 1999 (1993 - verificar) ela tinha 
plena capacidade de recuperação e de crescimento dados seu expertise e nome 
forte no ramo, além de muitas oportunidades de inovação (característica da 
empresa) que poderiam evitar o seu fracasso. A fusão com a Mesbla (com uma 
dívida de 300 milhões de reais) realizada por Ricardo Mansur e suas ações 
duvidosas no mercado financeiro, prejudicaram a imagem e confiança da empresa, 
que contraiu muitas dívidas (tanto com bancos como fornecedores) e deixou o 
Mappin muito dependente de capital de terceiros, o que no final acarretou na sua 
falência. 
No entanto, com uma boa administração (com a gestão de outro executivo e não 
Ricardo Mansur), sem essas ―jogadas arriscadas‖ no mercado financeiro que ele 
realizou e somadas ao foco nas suas capacidades essenciais, o grupo acredita que 
a empresa tinha capacidade e potencial para ter se recuperado, crescido (devido a 
melhora no mercado brasileiro desde o governo FHC, aumento de crédito, a 
ascensão das classes d) e se tornado hoje uma grande varejista no Brasil, 
competindo em igualdade com Americanas ou Submarino, pois ambas preencheram 
o gap deixado pelo Mappin. As sugestões do grupo para o Mappin considerando a 
realidade da época são: 
 
23 
 
 O Mappin não necessariamente faliria, ele precisava de uma reestruturação 
em seu modelo de negócios, buscando enxugar custos e aumentar as 
margens. 
 Posicionamento focado: como visto, o Mappin comercializava muitos tipos de 
produtos, o que lhe retirava o foco e aumentava seus custos. De gerência dos 
fornecedores por exemplo. 
 A Financeira Mappin não precisava ser vendida, pois ela era a Unidade de 
negócios mais rentável do grupo, o que deveria ser feito era um combate a 
inadimplência. 
 Fusão com a Mesbla: A fusão com a Mesbla sacramentou a falência, pois a 
Mesbla trouxe somente dívidas para o grupo, não era a hora de uní-las. 
Baixas Margens: O Mappin operava com margens muito baixas, era 
necessário aumentá-las e assim passar de prejuízo à lucros. 
 Altos juros: devido as suas dívidas do passado, o lucro do Mappin era 
violentamente devorado pelos juros, portanto a reestruturação da dívida era 
necessária. 
 E-commerce: Uma nova oportunidade surgia e ele era um dos pioneiros. Ou 
seja, podia introduzir e se tornar ―Top of Mind‖ do setor, praticando altas 
margens e controlando o ciclo desse novo mercado. 
 Ricardo Mansur: A ousadia de Mansur foi demasiada e custou diversos 
milhões. Ele deveria ter aguardado a recuperação do Mappin e não atrelado 
as duas empresas. 
 Ambidestria: essa foi uma característica inata da empresa, podia mantê-la no 
caso da Mesbla, desatrelando as finanças das duas. 
 
 
24 
 
10 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
Mundo das marcas. Disponível em: 
<http://www.portaleducacao.com.br/educacao/artigos/48764/referencias-
bibliograficas-tiradas-na-internet-como-colocar-no-trabalho> Acesso em 14 de 
Agosto de 2015. 
 
Douglas Nascimento, O centenário do Mappin. Disponível em: 
< http://www.saopauloantiga.com.br/mappin> Acesso em 14 de Agosto de 2015 
 
Mappin faria 100 anos; relembre a história da loja de departamentos. Disponível em: 
< http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/12/10/mappin-faz-100-anos-
relembre-a-historia-da-loja-de-departamentos.htm> Acesso em 14 de Agosto de 
2015 
 
Mappin: história de uma falência. Disponível em: 
< http://www.contabilidade-financeira.com/2010/02/mappin-historia-de-uma-
falencia.html> Acesso em 14 de Agosto de 2015 
 
 
 
 
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Anexos: 
 
Anexo 1 - Anúncio em jornal 
 
 
Anexo 2 – Estrutura da loja
 
 
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(Anexo 3 – Praça do Patriarca (década de 1920) ) 
 
Anexo 4 – Mappin em dia de liquidação 
 
 
27 
 
Anexo 5 – Fachada do Mappin durante o Natal 
 
 
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