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76 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Unidade III 5 MAPEAMENTO DE RISCOS AMBIENTAIS O mapeamento de risco surgiu na Itália no fim da década de 1960 e início da década de 1970, através do movimento sindical, com origem na Federazione dei Lavoratori Metalmeccanici (FLM), que, na época, desenvolveu um modelo próprio de atuação na investigação e controle das condições de trabalho dos indivíduos. Tal modelo tinha como premissas a formação de grupos homogêneos, a experiência ou subjetividade operária, a validação consensual e a não delegação, possibilitando a participação dos funcionários nas ações de planejamento e controle da saúde nos locais de trabalho, não delegando tais responsabilidades aos técnicos e valorizando a experiência e o conhecimento operário existente. O mapeamento de risco no Brasil é regulamentado por lei, tornando obrigatória a elaboração de mapas de risco pelas Cipas. Segundo a NR-5, em seu item 5.16, a Cipa terá por atribuição: “a) Identificar os riscos do processo de trabalho e elaborar o mapa de riscos, com a participação do maior número de trabalhadores” (BRASIL, 2011d). O mapeamento de risco é um levantamento dos locais de trabalho que indica os riscos sentidos e observados pelos próprios trabalhadores de acordo com a sua sensibilidade. A norma considera como riscos ambientais os agentes físicos, químicos e biológicos, além de riscos ergonômicos e riscos de acidentes. Essa tarefa destaca as maiores dificuldades dos trabalhadores, que são acentuadas quando sua escolaridade é mais baixa do que o normal. Contudo, a limitação está na própria portaria ministerial, que arbitrariamente estabeleceu grupos de riscos (físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos) sem conceituá-los. Não adotando uma conceituação de cada grupo, estabeleceu-se a discórdia e mesmo a dúvida: o que se entende por riscos ergonômicos? Mais uma vez as dificuldades dos trabalhadores neste campo são imensas: as informações dos operadores sobre os resultados e conclusões do mapeamento; a validação; a discussão da contraproposta patronal; a mobilização dos trabalhadores de determinado setor mais prejudicado etc. As informações gráfico-simbólicas, expressas nos mapas de riscos ambientais, são importantes fontes no processo de gestão de segurança do trabalho como meio de alertar e evitar acidentes entre os indivíduos. Baseado na NR-9, o mapa de riscos ambientais é um meio de divulgação e de comunicação desses aspectos. Assim, o processo de construção do mapa e a formalização dos componentes 77 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO gráfico-simbólicos em uma planta baixa, afixada nos postos de trabalho, propõe uma verificação dos riscos existentes no local. A clareza das informações é um aspecto fundamental na exposição dos dados presentes na imagem, pois é através dela que poderemos verificar cada elemento e transmiti-lo aos trabalhadores para que eles possam tomar consciência dos cuidados em seus postos. O objetivo é destacar os diversos fatores capazes de gerar acidentes, doenças e contaminação à saúde dos indivíduos. Para tanto, observam-se aspectos locais que venham a comprometer a saúde do trabalhador – ou ocupante – do espaço, como: os materiais, as instalações, o arranjo físico (layout), o método e a postura de trabalho, os suprimentos etc. De acordo com a lei, uma das obrigações da Cipa é a elaboração do mapa de riscos. Essa ação compreende fazer a análise dos pontos de risco nos setores da organização. Nesse processo, após a discussão e aprovação da Cipa, o mapa de riscos ambientais – completo ou setorial – deverá ser afixado em cada local analisado, de maneira clara, visível e de fácil acesso para os trabalhadores. Esses tipos são agrupados em cinco classificações pelas cores: • vermelho (risco químico, como poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases, vapores etc.); • verde (risco físico, como ruído, vibrações, radiação ionizante – raio X, alfa, gama – radiação não ionizante (radiação do sol, radiação de solda), temperaturas extremas – frio e calor, pressões anormais e umidade); • marrom (risco biológico, como micro-organismos indesejáveis, do tipo bactérias, fungos, parasitas, protozoários e bacilos); • amarelo (risco ergonômico, como local de trabalho inadequado, levantamento e transporte de pesos sem meios auxiliares corretos, postura inadequada); • azul (risco de acidente mecânico, como falta de iluminação, probabilidade de incêndio, explosão, piso escorregadio, armazenamento, arranjo físico e ferramenta inadequados, máquina defeituosa e existência de animais peçonhentos como aranhas e cobras). Mapa de Risco é uma representação referente aos riscos presentes no ambiente de trabalho. Os integrantes da Cipa precisam identificar as potencialidades de perigo e, a partir da planta baixa de cada setor, classificar o nível de risco. Esse documento é exposto graficamente de acordo com o layout do local analisado através de círculos de cores diferentes, segundo o nível dos riscos e com as cores correspondentes a eles. O tamanho dos círculos varia conforme o tamanho do risco no espaço. Vejamos a figura a seguir: 78 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Grande Médio Pequeno risco químico risco de acidente risco biológico risco físico risco ergonômico Figura 23 – Intensidade dos riscos e grupos de risco Como informação complementar, o fogo é uma manifestação de combustão rápida com emissão de luz e calor. O fogo é constituído por três entidades distintas que compõem o chamado “triângulo do fogo”. São eles o combustível, o comburente (elemento que permite a queima, como o oxigênio) e o calor. Sem uma ou mais dessas substâncias, não pode haver fogo. O fogo vai durar se houver suprimento contínuo de um combustível, de calor e de um comburente (oxigênio). O calor de ignição necessário para se iniciar o fogo, na prática, é dado por uma fonte de calor como uma faísca, um fósforo, um raio etc. Na falta de pelo menos um dos componentes, o fogo não se inicia, e, se estiver aceso, apaga-se. Com efeito, pode-se extinguir o fogo retirando-se o calor por resfriamento (jogando-se água, que faz com que o fogo perca calor) ou removendo-se o oxigênio (usando-se CO2 ou abafando-se o fogo) ou ainda retirando-se o combustível (madeira, gasolina, gás etc). Nem sempre o fogo tem consequências prejudiciais: contudo, um fogo criado pela mão humana com um determinado fim pode ficar descontrolado e resultar em um incêndio. Cabe lembrar que há uma diferença entre fogo e incêndio. O fogo é a reação química de oxidação, em que há liberação de luz e calor; já o incêndio é o fogo fora de controle. Existem vários métodos de eliminação do fogo. Os mais conhecidos são: • abafamento – visa reduzir ou eliminar o oxigênio. Por exemplo, cobrir a parte em chamas com um cobertor. • resfriamento – almeja reduzir ou eliminar o calor. Por exemplo, molhar a parte que está em chamas. • isolamento – objetiva separar a parte que está queimando da que não está. Por exemplo, nas grandes queimadas rurais, é comum um trator abrir um vão entre a parte que está em chamas e a que não está. Assim, o fogo só queima uma parte, e, não tendo mais o que consumir, apaga-se. Destacamos as três classes de incêndio: • Classe A – materiais sólidos fibrosos, tais como: madeira, papel, tecido etc. Tais elementos se caracterizam por deixar, após a queima, resíduos como carvão e cinza. Essa classe de incêndiosdeve ser combatida com extintores de H2O ou de espuma. 79 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO • Classe B – líquidos e gases inflamáveis ou sólidos que se liquefazem para entrar em combustão: gasolina, GLP, parafina etc. Neste caso, não se pode usar extintores à base de água. • Classe C – equipamentos elétricos energizados: motores, geradores, cabos etc. Extintores de pó químico e de gases são os permitidos para esse tipo de incêndio. Antes de escolher o agente extintor (equipamento de combate ao fogo), é vital conhecer e identificar bem o incêndio que se vai combater. Um erro na eleição de um extintor pode tornar inútil o esforço de abafar a labareda, podendo até piorar a situação: aumentar ou espalhar ainda mais as chamas ou criar novas causas de fogo (curtos-circuitos). Dentre os principais tipos de extintor, temos: • H2O – água na forma líquida (jato ou neblina); • à base de espuma – espuma mecânica; • de gases e vapores inertes – gás carbônico (CO2), nitrogênio, vapor d´água; • pó químico – bicarbonato de sódio. Depois de pronto, o mapa de risco precisa ser fixado em local visível, pois deve servir de alerta para os trabalhadores. Antes mesmo da aplicação dos Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) e Equipamentos de Proteção Individual (EPI), que é de relevância a identificação dos riscos existentes no local analisado para a aplicação da proteção seja feita de forma adequada ao risco. Quando ocorrerer mais de um risco em um determinado local, o círculo pode ser dividido em outras partes ou, ainda, ser representado através de uma pesquisa local e da percentagem do risco. Poderíamos, neste caso, propor a criação de um gráfico do tipo pizza, conforme modelo na figura a seguir: 20% 28% 40% 12% risco físico: ruído risco químico: poeira risco de acidente: corte risco ergonômico: postura incorreta Identificação de risco Figura 24 – Indicação por meio da porcentagem de risco 80 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III O mapa de risco está previsto na NR-5, e a empresa será punida caso não o apresente. Então, entendemos que qualquer desrespeito a um item é passível de multa. A ideia central é que os componentes da Cipa se integrem com os funcionários do setor e construam o mapa de risco. Na planta baixa, o local onde for identificada a potencialidade de risco deve ser marcado com o círculo e a cor correspondentes. Cabe lembrar que a NR-5 determina algumas das atribuições da Cipa: a) identificar os riscos do processo de trabalho e elaborar o mapa de riscos, com a participação do maior número de trabalhadores, com assessoria do SESMT, onde houver; b) elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução de problemas de segurança e saúde no trabalho; c) participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de ação nos locais de trabalho; d) realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho visando à identificação de situações que venham a trazer riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores; e) realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas fixadas em seu plano de trabalho e discutir as situações de risco que foram identificadas; f) divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no trabalho; g) participar, com o SESMT, onde houver, das discussões promovidas pelo empregador, para avaliar os impactos de alterações no ambiente e processo de trabalho relacionado à segurança e saúde dos trabalhadores; h) requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a paralisação de máquina ou setor onde considere haver risco grave e iminente à segurança e saúde dos trabalhadores; i) colaborar para o desenvolvimento e implementação do PCMSO e PPRA e de outros programas relacionados à segurança e saúde no trabalho; j) divulgar e promover o cumprimento das Normas Regulamentadoras, bem como cláusulas de acordos e convenções coletivas de trabalho relativas à segurança e saúde no trabalho; k) participar, em conjunto com o SESMT, onde houver, ou com o empregador, da análise das causas das doenças e acidentes de trabalho e propor medidas de solução dos problemas identificados; l) requisitar ao empregador e analisar as informações sobre questões que tenham interferido na segurança e saúde dos trabalhadores; m) requisitar à empresa as cópias das CAT emitidas; n) promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – Sipat; o) participar, anualmente, em conjunto com a empresa, de Campanhas de Prevenção da Aids. As reuniões ordinárias da Cipa devem ser mensais, de acordo com o calendário já preestabelecido, sendo realizadas durante o expediente normal da empresa e em local apropriado designado para este fim (BRASIL, 2011d). A empresa receberá o levantamento e terá trinta dias para analisar e negociar com os membros da Cipa ou do SESMT, se houver, prazos para providenciar as alterações propostas. Caso os prazos sejam descumpridos, a Cipa deverá comunicar a Delegacia Regional do Trabalho. 81 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO 5.1 Uso de cores na sinalização dos locais de trabalho Inicialmente, a NR-26 trazia detalhes sobre o uso de cores e outros recursos diversos para identificação, incluindo sinalização para indicação de substâncias perigosas, de recipientes para movimentação de materiais e rotulagem preventiva. A atual está bem mais enxuta (alterada pela Portaria SIT nº 229, de 24 de maio de 2011), cuja nova redação é: 26.1.2 As cores utilizadas nos locais de trabalho para identificar os equipamentos de segurança, delimitar áreas, identificar tubulações empregadas para a condução de líquidos e gases e advertir contra riscos, devem atender ao disposto nas normas técnicas oficiais (BRASIL, 2011c). A referida portaria não determina as cores a serem utilizadas, mas em seu item 26.1.2 estabelece que: As cores utilizadas nos locais de trabalho para identificar os equipamentos de segurança, delimitar áreas, identificar tubulações empregadas para a condução de líquidos e gases e advertir contra riscos, devem atender ao disposto nas normas técnicas oficiais (BRASIL, 2011c). As cores têm várias funções na segurança do trabalho, dentre as principais: • prevenir acidentes; • apontar os equipamentos de segurança; • delimitar áreas; • identificar tubulações de líquidos e gases advertindo contra riscos; • destacar e fazer advertências sobre os riscos existentes. Embora as cores sirvam de alerta, a utilização delas não dispensa o emprego de outras formas de prevenção de acidentes. O uso de cores deverá ser o mais reduzido possível, a fim de não ocasionar distração, confusão e fadiga ao trabalhador. 5.1.1 Uso de cores A ABNT fixa as cores que devem ser usadas para prevenção de acidentes e aplicadas para identificar e advertir contra riscos, bem como estabelece as cores para emprego de identificação de tubulações. As cores determinadas pela NBR 7195:1995 são: vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul, púrpura, branco e preto. 82 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Vejamos como deve ser feita o uso das cores: • vermelho Deve ser utilizado em equipamentos de proteção e combate a incêndios, mas nãodeverá ser aplicado na empresa para assinalar perigo por ser de pouca visibilidade comparado com o amarelo (que tem alta visibilidade) e o alaranjado (que serve como sinal de alerta). Em geral, o vermelho deve ser usado para: — caixa de alarme de incêndio; — hidrantes; — bombas de incêndio; — sirene de alarme; — caixas com cobertores — extintores, localizações e indicações; — localização de mangueiras; — baldes de areia ou água; — tubulações, válvulas e hastes do sistema de aspersão de água; — transporte com equipamentos de combate a incêndios; — rede dos sprinklers; — mangueira de acetileno. O vermelho pode ser adotado em casos excepcionais, como nas luzes a serem colocadas em barricadas, tapumes de construção, quaisquer outras obstruções temporárias e em botões interruptores de circuitos elétricos para paradas de emergência. Nos equipamentos de soldagem oxiacetilênica, a mangueira de acetileno deve ser de cor vermelha (e a de oxigênio de cor verde). A cor de contraste à vermelha deve ser branca. ALARME DE INCÊNDIO Figura 25 – Caixa de alarme de incêndio 83 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO • alaranjado É a cor empregada para indicar “perigo”. É utilizada, por exemplo, em: — partes móveis e perigosas de máquinas e equipamentos; — faces e proteções internas de caixas de dispositivos elétricos que possam ser abertas; — dispositivos de salvamento aquático, como boias circulares, coletes salva-vidas, flutuadores salva-vidas e similares. A cor de contraste à alaranjada deve ser a preta. • amarelo Deve ser utilizado em canalizações para indicar gases não liquefeitos. É a cor adotada para indicar “CUIDADO!”. É aplicada, por exemplo, em: — escadas portáteis, exceto as de madeira, nas quais a pintura fica restrita à face externa até a altura do terceiro degrau para não ocultar eventuais defeitos; — corrimãos, parapeitos, pisos e partes inferiores de escadas que indiquem riscos; — espelhos de degraus; — bordas de portas de elevadores de carga ou mistos que se fecham automaticamente; — faixas no piso de entrada de elevadores de carga ou mistos e plataformas de carga; — meios-fios ou diferenças de nível onde haja necessidade de chamar atenção; — faixas de circulação conjunta de pessoas e empilhadeiras, máquinas de transporte de cargas etc.; — faixas em torno das áreas de sinalização dos equipamentos de combate a incêndio; — paredes de fundo de corredores sem saída; — partes superiores e laterais de passagens que apresentem risco; — dispositivos de transporte e movimentação de materiais, como empilhadeiras, tratores, pontes rolantes, pórticos, guindastes, vagões e vagonetes de uso industrial, reboques etc., inclusive suas cabines, caçambas e torres; — fundos de letreiros em avisos de advertência; — pilastras, vigas, postes, colunas e partes salientes de estruturas e equipamentos que possuam risco de colisão; — cavaletes, cancelas e outros dispositivos para bloqueio de passagem; 84 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III — para-choques de veículos pesados de carga; — acessórios da rede de combate a incêndio, como válvulas de retenção, registros de passagem etc.; — faixas de delimitação de áreas destinadas à armazenagem. A cor de contraste à amarela deve ser a preta. CUIDADO FRÁGIL Figura 26 – Aviso de advertência • verde É a cor usada para caracterizar “segurança”. É empregada para identificar: — localização de caixas de equipamentos de primeiros socorros; — caixas com itens de proteção individual; — chuveiros de emergência e lava-olhos; — posição de macas; — faixas de delimitação de locais seguros quanto a riscos mecânicos; — zonas de delimitação de espaços de vivência (áreas para fumantes, para descanso etc.); — sinalização de portas de entrada das salas de atendimento de urgência; — emblemas de segurança. SEGURANÇA PRIMEIROS SOCORROS Figura 27 – Exemplo de sinalização de primeiros socorros Nos equipamentos de soldagem oxiacetilênica, a mangueira de oxigênio deve ser de cor verde (e a de acetileno de cor vermelha). A cor de contraste à verde deve ser a branca. 85 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO • azul É a cor aplicada para indicar uma ação obrigatória, como: — determinar o uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual) (por exemplo: “use protetor auricular”); — impedir a movimentação ou energização de equipamentos (por exemplo: “não ligue esta chave”, “não acione”). A cor de contraste ao azul deve ser a branca. • púrpura É a cor usada para indicar os perigos provenientes das radiações eletromagnéticas penetrantes e partículas nucleares. É empregada, por exemplo, em: — portas e aberturas que dão acesso a locais onde se manipulam ou se armazenam materiais radioativos ou contaminados por elementos radioativos; — locais onde tenham sido enterrados produtos radioativos e equipamentos contaminados por substâncias radioativas; — recipientes de recursos radioativos ou refugos de componentes radioativos e ferramentas contaminadas por partes radioativas; — sinais luminosos para indicar agentes de radiações eletromagnéticas penetrantes e partículas nucleares. A cor de contraste à púrpura deve ser a branca. • branco É a cor empregada em: — faixas para demarcar passadiços, passarelas e corredores pelos quais circulam exclusivamente pessoas; — setas de sinalização de sentido e circulação; — localização de coletores de resíduos; — áreas em torno dos utensílios de socorros de urgência e outros itens de emergência; — abrigos e coletores de resíduos de serviços de saúde. A cor de contraste à branca deve ser a preta. 86 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III • preto É a cor adotada para identificar coletores de resíduos, exceto os de origem de serviços de saúde. A cor de contraste à preta deve ser a branca. Recomenda-se o uso das cores de contraste para melhorar a visibilidade da sinalização. Também podem ser usadas na forma de listas ou quadrados para destaque, porém a sua área não pode ultrapassar 50% da área total. A ABNT ainda fixa as cores para emprego de identificação de tubulações. Cor de tubulações Utilização Vermelho Água e outras substâncias destinadas a combater incêndio. Alaranjado Produtos químicos não gasosos. Amarelo Gases não liquefeitos. Verde Água, exceto a destinada a combater incêndio. Azul Ar comprimido. Branco Vapor. Preto Inflamáveis e combustíveis de alta viscosidade (por exemplo: óleo combustível, asfalto, alcatrão, piche). Marrom Petróleo bruto e materiais fragmentados (minérios). Cinza-claro Vácuo. Cinza-escuro Eletroduto. Alumínio Gases liquefeitos, inflamáveis e combustíveis de baixa viscosidade (por exemplo: óleo lubrificante, óleo diesel, gasolina, querosene, solventes). Figura 28 87 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO Saiba mais A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) disponibiliza todas as normas brasileiras em seu site. Acesse: <http://www.abntcatalogo.com.br>. As tubulações devem receber a aplicação de cores em toda a sua extensão e também nos acessóriosa fim de identificar o produto e evitar acidentes. Também é preciso haver a identificação mais detalhada (concentração, temperatura, pressões, pureza etc..), que deverá ser feita com faixas em cores contrastantes. Se necessário, pode-se destacar o sentido do fluxo com setas em cores de realce. Obrigatoriamente, a canalização de água potável deverá ser diferenciada das demais. Lembrete Tenha sempre em mente as cores de sinalização: vermelho → perigo; amarelo → cuidado; azul → avisos; verde → segurança; laranja → atenção. As condições precárias nos locais de serviço são aquelas que compreendem a segurança do trabalhador. São as falhas, os defeitos, as irregularidades técnicas e a carência de dispositivos eficazes que põem em risco a integridade física e/ou a saúde das pessoas e a própria segurança das instalações e equipamentos. Alguns exemplos de condições inapropriadas mais comumente conhecidas: • falta de proteção em aparelhos; • deficiência de maquinário e ferramental; • passagens perigosas; • instalações elétricas inadequadas ou defeituosas; • falta de EPI; • nível de ruído elevado; • proteções inadequadas ou defeituosas; • má arrumação e falta de limpeza; • defeitos nas edificações; • iluminação inadequada; • piso danificado; • risco de fogo ou explosão. 88 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III 5.2 Sinalizações verticais e horizontais aplicadas a segurança do trabalho O sistema de sinalização é responsável pelo deslocamento de pessoas no espaço, permitindo a tomada de decisão de tal modo que, durante a ocorrência de uma emergência, conduza-as para uma rota de fuga ou área segura. Além disso, as sinalizações devem prover o indivíduo com informações suficientes para minimizar o tempo gasto na tomada de decisão. A sinalização industrial é a aplicação de indicações de diversos tipos nas indústrias, independentemente de quais sejam, pois, onde existam pessoas, deve-se aplicar o procedimento para que haja segurança e orientação delas. Existem três tipos de sinalização industrial: de orientação, de segurança e de emergência. Vamos estudar cada uma delas. No entanto, não há qualquer menção à adoção do sistema braile na legislação vigente. Observação O sistema braile foi inventado por Louis Braille, um jovem cego. O ano de 1825 foi o marco dessa importante conquista para a integração dos deficientes visuais na sociedade. Saiba mais Caso tenha interesse em aprofundar seus conhecimentos no assunto, acesse os seguintes sites: <http://www.ibc.gov.br/>; <http://www. pessoacomdeficiencia.gov.br/app/>. 5.2.1 Sinalização de orientação A sinalização de orientação facilita a movimentação das pessoas em um determinado espaço físico. São as indicações de rota de fuga e o mapa de riscos. Dentre elas, destaca-se, pela sua relevância, o mapa de risco, que deve existir obrigatoriamente em qualquer indústria, segundo o disposto na NR-5. A sinalização de rotas de fuga indica o trajeto completo das rotas de fuga até uma saída de emergência (marcação continuada). 89 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO Localização de saídas de emergência Você está aqui Saída de emergência Figura 29 – Mapa de saída de emergência O uso de rota de fuga se dá pela ocorrência de um sinistro, que pode ocorrer por três motivos: emissão de gases, explosão e incêndio. Havendo um deles, o tempo de evacuação da área deve ser suficiente para que a retirada de todos seja segura. Um dos tipos de informação comumente utilizado em indústrias é a advertência, que tem três propósitos: • comunicar informação relacionada à segurança a um público específico; • promover um comportamento seguro, reduzindo o risco; • subtrair ou prevenir problemas de saúde, ferimentos e danos à propriedade. Administração Linha de montagem Tornearia e soldagem Almoxarifado Depósito Recepção Despensa Cozinha Refeitório CPD WC Jardim4P 5P 5P6P 15P 18P 2P 2P Riscos físicos Riscos químicos Riscos biológicos Riscos ergonômicos Riscos de acidentes Figura 30 – Mapa de risco Outro item relevante compreende os obstáculos. A sinalização específica visa indicar a existência de entraves nas rotas de fuga, tais como: pilares, arestas de paredes e vigas, desníveis de piso, fechamento de vãos com vidros ou outros materiais translúcidos e transparentes etc. ROTA DE FUGA Figura 31 – Sinalização de rota de fuga 90 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Também existem as mensagens escritas, que são usadas para informar o público sobre: • uma sinalização básica, quando for necessária a complementação da mensagem dada pelo símbolo; • as medidas de proteção contra incêndios existentes na edificação ou áreas de risco; • as circunstâncias específicas de um prédio e áreas de risco; • a lotação admitida em recintos destinados à reunião de público. Lotação máxima XXX pessoas sentadas XX pessoas em pé Figura 32 – Sinalização de lotação em recintos públicos ou privados Temos também as demarcações de áreas, que objetivam definir um layout no piso. Este deve garantir o acesso do público às rotas de saída e aos equipamentos de combate a incêndio e alarme, em áreas utilizadas para depósito de materiais, instalações de máquinas ou aparelhos industriais e em locais destinados ao estacionamento de veículos. É preciso destacar a acessibilidade de deficientes, um atributo essencial do ambiente que assegura a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Deve estar presente nos espaços, no meio físico, no transporte, na informação e comunicação, inclusive nos sistemas e tecnologias da informação e comunicação, bem como em outros serviços e instalações abertos ao público ou de uso público, tanto na cidade como no campo, a fim de possibilitar à pessoa com deficiência viver de forma independente e participar plenamente de todos os aspectos da vida. No Brasil, a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD) é um órgão integrante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e atua na articulação e coordenação das políticas públicas voltadas para as pessoas com deficiência. Trabalha pela implementação de medidas apropriadas para assegurar o acesso, em igualdade de oportunidades, com as demais pessoas. Assim, é preciso adotar os chamados pisos táteis para deficientes visuais, sinalização para deficientes físicos, entre outros. 91 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO Figura 33 – Exemplo de piso tátil para cegos Figura 34 – Exemplo de sinalização de banheiro para deficientes físicos e visuais Por fim, temos a identificação de sistemas de combate a incêndio. Tal indicação tem o intuito de identificar, através de pintura diferenciada, as tubulações e os acessórios utilizados para sistemas de hidrantes e chuveiros automáticos, quando aparentes. Nº PÓ QUÍMICO Figura 35 – Exemplo de sinalização com o tipo de extintor de incêndio 5.2.2 Sinalização de segurança Adverte o usuário sobre situações de perigo e ações proibidas em determinado ambiente. Também indica condições seguras e instrui sobre equipamentos de proteção para evitar acidentes. A sinalização de segurança classifica-se em mensagens: • reguladoras – informam as regras vigentes no sistema;92 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III • de indicação de condição segura – transmitem notificações que auxiliam o usuário a encontrar segurança numa emergência; • de ação mandatória – ordenam que o indivíduo obedeça às normas de segurança; • de proibição – expressam as ações que não são permitidas; • de advertência ao risco – previnem os usuários sobre os riscos; • de identificação de perigo – isolam as áreas perigosas. Figura 36 – Exemplo de sinalização de advertência ao risco 5.2.3 Sinalização de emergência Fixa as condições exigíveis que devem satisfazer o sistema de sinalização de emergência em edificações e áreas de risco. • aplicação — destina-se a todas as edificações e áreas de risco, exceto residências unifamiliares. • procedimentos gerais — tem como finalidade reduzir o risco de ocorrência de incêndio, alertando para os riscos existentes e garantindo que sejam adotadas ações adequadas à situação de risco, que orientem as ações de combate e facilitem a localização dos equipamentos e das rotas de saída para abandono seguro da edificação em caso de incêndio. • características — faz uso de símbolos, mensagens e cores, que devem ser alocados convenientemente no interior do prédio e em zonas de risco. • tipos — sinalização básica; — sinalização complementar. 93 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO 5.2.4 Sinalização básica É o conjunto mínimo de indicações que um edifício deve apresentar, constituído por quatro categorias, de acordo com sua função: • sinalização de proibição — a sinalização de proibição própria de segurança contra incêndio e pânico deve ser instalada em local visível e a uma altura de 1,80 m do piso acabado à base da sinalização, distribuída em mais de um ponto dentro da área de risco, de modo que pelo menos uma delas possa ser claramente visível de qualquer posição dentro do local, distanciadas em, no máximo, 15 m entre si. Figura 37 – Exemplo de sinalização de proibição • sinalização de alerta — deve ser fixada em local visível e a uma altura de 1,80 m medida do piso acabado à base da sinalização, próxima ao risco isolado ou distribuída ao longo da área de risco generalizadas, distanciadas entre si em, no máximo, 15 m. Figura 38 – Exemplo de sinalização de alerta (explosão) • sinalização de orientação e salvamento — deve assinalar todas as mudanças de direção, saídas, escadas etc. a) a sinalização de portas de saída de emergência deve ser localizada imediatamente acima das portas, no máximo a 0,10 m da verga, ou diretamente na folha da porta, centralizada a uma altura de 1,80 m medida do piso acabado à base da sinalização; 94 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III b) a sinalização de orientação das rotas de saída deve ser localizada de modo que a distância de percurso de qualquer ponto da rota de saída até a sinalização seja de, no máximo, 15 m. A sinalização deve ser instalada de modo que a sua base esteja a 1,80 m do piso acabado; c) a sinalização de identificação dos pavimentos no interior da caixa de escada de emergência deve estar a uma altura de 1,80 m medido do piso acabado à base da sinalização, instalada junto à parede, sobre o patamar de acesso de cada pavimento, de tal forma a ser visualizada em ambos os sentidos da escada (subida e descida); d) a mensagem escrita “SAÍDA” deve estar sempre grafada no idioma português. Caso exista a necessidade de utilização de outros idiomas, devem ser aplicados textos adicionais; e) em escadas contínuas, além da identificação do pavimento de descarga no interior da caixa de escada de emergência, deve-se incluir uma sinalização de saída de emergência com seta indicativa da direção do fluxo através dos símbolos; f) a abertura das portas em escadas não deve obstruir a visualização de qualquer sinalização (GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS, 2014, p. 4). SAÍDA DE EMERGÊNCIA Figura 39 – Exemplo de sinalização de orientação e salvamento • sinalização de equipamentos de combate a incêndio — a indicação apropriada de equipamentos de combate a incêndios deve estar a uma altura de 1,80 m, medida do piso acabado à base da sinalização, e imediatamente acima do equipamento sinalizado. Ainda: a) quando houver, na área de risco, obstáculos que dificultem ou impeçam a visualização direta da sinalização básica no plano vertical, a mesma sinalização deve ser repetida a uma altura suficiente para a sua visualização; b) quando a visualização direta do equipamento ou sua sinalização não for possível no plano horizontal, a sua localização deve ser indicada a partir do ponto de boa visibilidade mais próxima. A sinalização deve incluir o símbolo 95 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO do equipamento em questão e uma seta indicativa, sendo que o conjunto não deve distar mais que 7,5 m do equipamento; c) quando o equipamento encontrar-se instalado em pilar[,] deve-se sinalizar todas as faces do pilar que estiverem voltadas para os corredores de circulação de pessoas ou veículos; d) quando se tratar de hidrante e extintor de incêndio, instalados em garagem, área de fabricação, depósito e locais utilizados para movimentação de mercadorias e de grande varejo, deve ser implantada também a sinalização de piso (GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS, 2014, p. 4). Lembrete A sinalização básica é formada pela sinalização de proibição, de alerta, de orientação e salvamento e de equipamentos de combate a incêndio. A sinalização básica indica a localização, os tipos de equipamentos de combate a incêndios e alarme disponíveis no local. Os diversos tipos de indicação de emergência devem ser implantados em virtude de características específicas de uso e dos riscos, bem como de necessidades básicas para a garantia da segurança contra incêndio na edificação. ALARME DE INCÊNDIO Figura 40 – Exemplo de sinalização de equipamentos 5.2.4.1 Implantação de sinalização de emergência Para fins de exposição junto ao Corpo de Bombeiros, deve ser indicada uma nota no projeto técnico de segurança contra incêndio e pânico referente ao atendimento das exigências. O projeto executivo de sinalização de emergência, quando elaborado, deve ser constituído de memoriais descritivos do sistema de sinalização e de plantas-baixa da edificação, apresentando os tipos 96 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III e dimensões das indicações apropriadas à edificação através de um círculo dividido ao meio na posição que devem ser instaladas, e: • na parte superior do círculo, deve constar o código do símbolo; • na parte inferior do círculo, devem constar as dimensões (diâmetro, altura e/ou largura) da placa (em milímetros). Os seguintes aparatos podem ser utilizados para a confecção das sinalizações de emergência: • placas em materiais plásticos; • chapas metálicas; • outros itens semelhantes. Os recursos aplicados para a confecção das sinalizações de emergência devem possuir resistência mecânica, bem como espessura suficiente para que não sejam transferidas para a superfície da placa possíveis irregularidades das superfícies onde forem aplicadas. Ainda, devem utilizar elemento fotoluminescente para a corbranca e amarela dos símbolos, faixas e outros elementos empregados para indicar: • equipamentos de combate a incêndio e alarme de incêndio; • sinalização complementar de indicação continuada de rotas de saída; • sinalização complementar de indicação de obstáculos e de riscos na circulação de rotas de saída. Já a pintura das placas deve obedecer à NBR 13434-1:2004. A sinalização sujeita a intempéries, agentes físicos e químicos deve ser vistoriada a cada seis meses, efetuando-se a sua recuperação ou substituição, quando necessário. A sinalização deve ser objeto de inspeções periódicas pelas autoridades competentes para sua eventual correção. a) os materiais que constituem a pintura das placas e películas devem ser atóxicos e não radioativos, devendo atender às propriedades calorimétricas, de resistência à luz e resistência mecânica; b) o material fotoluminescente deve atender a sua norma regulamentadora ou outra norma internacionalmente aceita, até a edição de norma nacional. c) a sinalização de emergência complementar de rotas de saída, aplicada nos pisos acabados, deve atender aos mesmos padrões exigidos para os materiais empregados na sinalização aérea do mesmo tipo. 97 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO d) as demais sinalizações aplicadas em pisos acabados podem ser executadas em tinta que resista a desgaste, por um período de tempo considerável, decorrente de tráfego de pessoas, veículos e utilização de produtos e materiais utilizados para limpeza de pisos (GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS, 2014, p. 7). 5.2.5 Sinalização complementar É o conjunto de sinalização composto de faixas de cor ou mensagens complementares à sinalização básica, e esta última não é dependente delas. A sinalização complementar tem a finalidade de: Complementar, através de um conjunto de faixas de cor, símbolos ou mensagens escritas, a sinalização básica, nas seguintes situações: a) indicação continuada de rotas de saída; b) indicação de obstáculos e riscos de utilização das rotas de saída; c) mensagens escritas que acompanham a sinalização básica, onde for necessária a complementação da mensagem dada pelo símbolo; Informar circunstâncias específicas em uma edificação ou áreas de risco, através de mensagens escritas; Demarcar áreas para assegurar corredores de circulação destinados às rotas de saídas e acesso a equipamentos de combate a incêndio e alarme [...]; Identificar sistemas hidráulicos fixos de combate a incêndio (GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS, 2014, p. 3). Sobre a indicação continuada, a sinalização complementar das rotas de saída é facultativa e, quando utilizada, deve ser aplicada sobre o piso acabado ou sobre as paredes de corredores e escadas destinadas a saídas de emergência, assinalando a direção do fluxo. Para tal, devem atender aos seguintes critérios: a) o espaçamento entre cada uma delas deve ser de até 3,0 m na linha horizontal, medidas a partir das extremidades internamente consideradas; b) independente[mente] do critério anterior, deve ser aplicada à sinalização a cada mudança de direção; c) quando aplicada sobre o piso, a sinalização deve estar centralizada em relação à largura da rota de saída; 98 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III d) quando aplicada nas paredes, a sinalização deve estar a uma altura constante entre 0,25 m e 0,50 m do piso acabado à base da sinalização, podendo ser aplicada, alternadamente, à parede direita e esquerda da rota de saída (GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS, 2014, p. 4). A sinalização complementar de indicação de obstáculos ou de riscos nas circulações das rotas de saída deve ser implantada toda vez que houver uma das seguintes condições: • desnível de piso; • rebaixo de teto; • outras saliências resultantes de elementos construtivos ou ferramentas que reduzam a largura das rotas de saída, prejudicando a sua utilização; • elementos translúcidos e transparentes, tais como vidros, aplicados em esquadrias destinadas a portas e painéis (com função de divisórias ou de fachadas, desde que não assentadas sobre muretas com altura mínima de 1 m). No tocante à indicação de obstáculos, a sinalização complementar de riscos na circulação de rotas de saída deve ser instalada de acordo com alguns critérios. • faixa zebrada [...] devem ser aplicadas, verticalmente, a uma altura de 0,50 m do piso acabado, com comprimento mínimo de 1 m; [...] devem ser aplicadas, horizontalmente, por toda a extensão dos obstáculos, em todas as faces, com largura mínima de 0,10 m em cada face; [...] devem ser aplicadas tarjas, em cor contrastante com o ambiente, com largura mínima de 50 mm, aplicada horizontalmente em toda sua extensão, na altura constante compreendida entre 1 m e 1,40 m do piso acabado (GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS, 2014, p. 5). Figura 41 – Exemplo de faixa zebrada As mensagens escritas específicas que acompanham a sinalização básica devem se situar imediatamente adjacente à sinalização complementar e devem ser escritas na língua portuguesa. Quando houver necessidade de mensagens em um ou mais idiomas, elas podem ser adicionadas sem, no entanto, substituir a mensagem na língua portuguesa. 99 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO • mensagens específicas As mensagens que indicam circunstâncias específicas de uma edificação e área de risco devem ser utilizadas em placas a serem instaladas nas seguintes situações: “no acesso principal da edificação, informando o público sobre: [...] o sistema de proteção contra incêndio instalado na edificação. A característica estrutural da edificação (metálica, concreto armado, madeira etc.) (GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS, 2014, p. 5). O número do telefone de emergência para acionamento de socorro público – Corpo de Bombeiros (193, em São Paulo) – ou, na falta de posto de bombeiros no município, o número de telefone da Polícia Militar (190, em São Paulo). Esta edificação está dotada dos seguintes sistemas de proteção contra incêndios: - extintores de incêndio - hidrantes - iluminação de emergência - alarme de incêndios - detecção automática de fumaça/calor - chuveiros automáticos - escada de segurança - sinalização de emergência - Edificação em estrutura metálica - Em caso de emergência: ligue 193 – corpo de bombeiros ligue 190 – polícia militar Figura 42 – Exemplo de sistema de informação instalado em edifício No acesso principal da área de risco, o público deve ser informado sobre: a) Os sistemas de proteção contra incêndio [...] instalados na área de risco; b) Os produtos líquidos combustíveis armazenados, indicando a quantidade total de recipientes transportáveis ou tanques, bem como a capacidade máxima individual de cada tipo, em litros ou metros cúbicos; c) Os gases combustíveis armazenados em tanques fixos, indicando a quantidade total de tanques, bem como a capacidade máxima individual dos tanques, em litros ou metros cúbicos e em quilogramas; d) Os gases combustíveis armazenados em recipientes transportáveis, indicando a quantidade total de recipientes de acordo com a capacidade máxima individual de cada tipo, em quilogramas; e) Outros produtos perigosos que estão armazenados, indicando o tipo, a quantidade e o perigo que oferecem às pessoas e meio ambiente (GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS, 2014, p. 5). 100 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do dia gr am ad or - d at a Unidade III Além das sinalizações previstas na instrução técnica, as áreas de armazenamento de produtos perigosos devem ser indicadas de acordo com a NBR 7500 – Transporte de Produto Perigoso, que estabelece os símbolos convencionais e seu dimensionamento para serem aplicados nas unidades de transporte e nas embalagens para indicação dos riscos e dos cuidados a tomar no seu manuseio, condução e armazenamento, de acordo com a carga contida. A Norma Técnica 20/2014 ainda destaca: 6.2.5. As sinalizações complementares destinadas à demarcação de áreas devem ser implantadas no piso acabado, através de faixas contínuas com largura entre 0,05 e 0,20 m, nas seguintes situações: 6.2.5.1 Na cor branca ou amarela, em todo o perímetro das áreas destinadas a depósito de mercadorias, máquinas e equipamentos industriais etc., a fim de indicar uma separação entre os locais desses materiais e os corredores de circulação de pessoas e veículos; 6.2.5.2 Na cor branca ou amarela, para indicar as vagas de estacionamento de veículos em garagens ou locais de carga e descarga; 6.2.5.3 Na cor branca, paralelas entre si e com o espaçamento variando entre uma e duas vezes a largura da faixa adotada, dispostas perpendicularmente ao sentido de fluxo de pedestres (faixa de pedestres), com comprimento mínimo de 1,20 m, formando um retângulo ou quadrado, sem bordas laterais, nos acessos às saídas de emergência, a fim de identificar o corredor de acesso para pedestres [...] (GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS, 2014, p. 6). Em relação às portas dos abrigos dos hidrantes, a referida norma expressa: a) podem ser pintadas em outra cor, mesmo quando metálicas, combinando com a arquitetura e decoração do ambiente, desde que as mesmas estejam devidamente identificadas com o dístico “incêndio” – fundo vermelho com inscrição na cor branca ou amarela; b) podem possuir abertura no centro com área mínima de 0,04 m², fechada com material transparente (vidro, acrílico etc.), identificado com o dístico “incêndio” – fundo vermelho com inscrição na cor branca ou amarela. 6.2.6.3 Os acessórios hidráulicos (válvulas de retenção, registros de paragem, válvulas de governo e alarme) devem receber pintura na cor amarela; 6.2.6.4 A tampa de abrigo do registro de recalque deve ser pintada na cor vermelha; 6.2.6.5 Quando houver 2 ou mais registros de recalque na edificação, tratando- se de sistemas diferenciados de proteção contra incêndio (sistema de hidrantes e sistema de chuveiros automáticos), deve haver indicação específica no interior 101 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO dos respectivos abrigos: inscrição “H” para-hidrantes e “CA” ou “SPK” para chuveiros automáticos (GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS, 2014, p. 6). 5.2.5.1 Requisitos para sinalização de emergência A seguir destacaremos alguns dos requisitos básicos para que a sinalização de emergência possa ser visualizada e compreendida no interior da edificação ou área de risco: a) a sinalização de emergência deve destacar-se em relação à comunicação visual adotada para outros fins; b) a sinalização de emergência não deve ser neutralizada pelas cores de paredes e acabamentos, dificultando a sua visualização; c) a sinalização de emergência deve ser instalada perpendicularmente aos corredores de circulação de pessoas e veículos, permitindo-se condições de fácil visualização; d) as expressões escritas utilizadas nas sinalizações de emergência devem seguir as regras, termos e vocábulos da língua portuguesa, podendo, complementarmente e, nunca exclusivamente, ser adotada outra língua estrangeira; (GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS, 2014, p. 6) 5.3 Sinalização para armazenamento de substâncias perigosas O armazenamento de substâncias perigosas deverá seguir padrões internacionais. Considera-se substância perigosa todo material que seja, isoladamente ou não, corrosivo, tóxico, radioativo, oxidante, e que, durante o seu manejo, depósito, processamento, embalagem, transporte, possa conduzir efeitos prejudiciais sobre trabalhadores, recursos e ambiente de trabalho. 5.3.1 Símbolos para identificação dos recipientes na movimentação de materiais No ambiente de trabalho, todos os produtos perigosos devem estar devidamente identificados. Vejamos o que dispõe a NR-26: 26.2.1 O produto químico utilizado no local de trabalho deve ser classificado quanto aos perigos para a segurança e a saúde dos trabalhadores de acordo com os critérios estabelecidos pelo Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS), da Organização das Nações Unidas. 26.2.1.2 A classificação de substâncias perigosas deve ser baseada em lista de classificação harmonizada ou com a realização de ensaios exigidos pelo processo de classificação. 26.2.1.2.1 Na ausência de lista nacional de classificação harmonizada de substâncias perigosas[,] pode ser utilizada lista internacional. 102 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III 26.2.1.3 Os aspectos relativos à classificação devem atender ao disposto em norma técnica oficial vigente. 26.2.2 A rotulagem preventiva do produto químico classificado como perigoso à segurança e saúde dos trabalhadores deve utilizar procedimentos definidos pelo Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS), da Organização das Nações Unidas. 26.2.2.1 A rotulagem preventiva é um conjunto de elementos com informações escritas, impressas ou gráficas, relativas a um produto químico, que deve ser afixada, impressa ou anexada à embalagem que contém o produto. 26.2.2.2 A rotulagem preventiva deve conter os seguintes elementos: a) identificação e composição do produto químico; b) pictograma(s) de perigo; c) palavra de advertência; d) frase(s) de perigo; e) frase(s) de precaução; f) informações suplementares. 26.2.2.3 Os aspectos relativos à rotulagem preventiva devem atender ao disposto em norma técnica oficial vigente. 26.2.2.4 O produto químico não classificado como perigoso à segurança e saúde dos trabalhadores conforme o GHS deve dispor de rotulagem preventiva simplificada que contenha, no mínimo, a indicação do nome, a informação de que se trata de produto não classificado como perigoso e recomendações de precaução. 26.2.2.5 Os produtos notificados ou registrados como Saneantes na Anvisa estão dispensados do cumprimento das obrigações de rotulagem preventiva estabelecidas pelos itens 26.2.2, 26.2.2.1, 26.2.2.2 e 26.2.2.3 da NR-26. (inserido pela Portaria MTE nº 704, de 28 de maio de 2015). 26.2.3 O fabricante ou, no caso de importação, o fornecedor no mercado nacional deve elaborar e tornar disponível ficha com dados de segurança do produto químico para todo produto químico classificado como perigoso. 26.2.3.1 O formato e conteúdo da ficha com dados de segurança do produto químico devem seguir o estabelecido pelo Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS), da Organização das Nações Unidas. 103 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO 26.2.3.1.1 No caso de mistura[,] deve ser explicitado na ficha com dados de segurança o nome e a concentração, ou faixa de concentração, das substâncias que: a) representam perigo para a saúde dos trabalhadores, se estiverem presentes em concentração igual ou superior aos valores de corte/limites de concentração estabelecidos pelo GHS para cada classe/categoriade perigo; e b) possuam limite de exposição ocupacional estabelecidos. 26.2.3.2 Os aspectos relativos à ficha com dados de segurança devem atender ao disposto em norma técnica oficial vigente. 26.2.3.3 O disposto no item 26.2.3 se aplica também a produto químico não classificado como perigoso, mas cujos usos previstos ou recomendados derem origem a riscos à segurança e saúde dos trabalhadores. 26.2.3.4 O empregador deve assegurar o acesso dos trabalhadores às fichas com dados de segurança dos produtos químicos que utilizam no local de trabalho. 26.2.4 Os trabalhadores devem receber treinamento: a) para compreender a rotulagem preventiva e a ficha com dados de segurança do produto químico. b) sobre os perigos, riscos, medidas preventivas para o uso seguro e procedimentos para atuação em situações de emergência com o produto químico (BRASIL, 2011c). A rotulagem dos produtos perigosos ou nocivos à saúde deverá ser feita segundo os preceitos da NR 26. Todas as instruções dos rótulos deverão ser breves, precisas, redigidas em termos simples e de fácil compreensão. A linguagem deverá ser prática, não se baseando somente nas propriedades inerentes a um produto, mas dirigida de modo a evitar os riscos resultantes do uso, manipulação e armazenagem do produto. Onde possa haver misturas de duas ou mais substâncias químicas, com propriedades que variem em tipo ou grau daquelas dos componentes considerados isoladamente, o rótulo deverá destacar as propriedades perigosas do produto final. Do rótulo deverão constar os seguintes tópicos: • nome técnico do produto; • palavra de advertência, designando o grau de risco; • indicações de risco; • medidas preventivas; • primeiros socorros; • informações para médicos, em casos de acidentes; • instruções especiais em caso de fogo, derrame ou vazamento, quando for o caso. 104 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III No cumprimento à legislação, dever-se-á adotar o seguinte procedimento: a) Nome técnico completo, o rótulo especificando a natureza do produto químico. Exemplo: “ácido corrosivo”, “composto de chumbo” etc. Em qualquer situação, a identificação deverá ser adequada, para permitir a escolha do tratamento médico correto, no caso de acidente. b) Palavra de advertência – as palavras de advertência que devem ser usadas são: c) “PERIGO” – para indicar substâncias que apresentem alto risco. d) “CUIDADO” – para substâncias que apresentem risco médio. e) “ATENÇÃO” – para substâncias que apresentem risco leve. f) Indicações de Risco – As indicações deverão informar sobre os riscos relacionados ao manuseio de uso habitual ou razoavelmente previsível do produto. Exemplos: “EXTREMAMENTE INFLAMÁVEIS”, “NOCIVO SE ABSORVIDO ATRAVÉS DA PELE” etc. g) Medidas Preventivas – Têm por finalidade estabelecer outras medidas a serem tomadas para evitar lesões ou danos decorrentes dos riscos indicados. Exemplos: “MANTENHA AFASTADO DO CALOR, FAÍSCAS E CHAMAS ABERTAS”; “EVITE INALAR A POEIRA”. h) Primeiros Socorros – medidas específicas que podem ser tomadas antes da chegada do médico. Embora cada acidente tenha características próprias, alguns procedimentos essenciais devem ser observados em todas as situações de emergência. É importante saber que as duas primeiras horas após o acidente são decisivas para o tratamento eficaz dos ferimentos e a sobrevivência da vítima. Primeiros socorros são a atenção imediata dada a uma pessoa, cujo estado físico coloca em perigo sua vida. Tem por objetivo manter as funções vitais e evitar o agravamento de suas condições até que a vítima receba assistência qualificada. A prestação de socorro deve ser dada sempre que a vítima não esteja em condições de cuidar de si própria. Para tanto, é preciso ter treinamento adequado, organizar o pensamento, ter autocontrole, para só então prestar a assistência correta (BRASIL, 2011c). Figura 43 – Exemplo de identificação de ácido corrosivo 105 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO Observação Além de possuir treinamento específico para primeiros socorros, lembre-se de que você somente deverá dar atenção a um ferido se tiver conhecimento dos procedimentos necessários para identificação do tipo de acidente. Para que se possa comunicar adequadamente a periculosidade do produto, tenha ciência de que os produtos perigosos são classificados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em nove classes de riscos e respectivas subclasses, conforme apresentado no quadro a seguir: Quadro 6 – Classificação ONU dos riscos dos produtos perigosos Classificação Subclasse Definições Classe 1 Explosivos 1.1 Substância e artigos com risco de explosão em massa. 1.2 Substância e artigos com risco de projeção, mas sem risco de explosão em massa. 1.3 Substâncias e artigos com risco de fogo e com pequeno risco de explosão ou de projeção, ou ambos, mas sem risco de explosão em massa. 1.4 Substância e artigos que não apresentam risco significativo. 1.5 Substâncias muito insensíveis, com risco de explosão em massa. Classe 2 Gases 2.1 Gases inflamáveis: são gases que a 20 °C e à pressão normal são inflamáveis. 2.2 Gases não inflamáveis, não tóxicos: são gases asfixiantes e oxidantes, que não se enquadrem em outra subclasse. 2.3 Gases tóxicos: são gases tóxicos e corrosivos que constituam risco à saúde das pessoas. Classe 3 Líquidos inflamáveis – Líquidos inflamáveis: são líquidos ou misturas de líquidos que contenham sólidos em solução ou suspensão, que produzam vapor inflamável a temperaturas de até 60,5 °C. Classe 4 Sólidos inflamáveis ou substâncias 4.1 Sólidos inflamáveis, substâncias autorreagentes e explosivos sólidos insensibilizados: sólidos que, em condições de transporte, sejam facilmente combustíveis, ou que, por atrito, possam causar fogo ou contribuir para tal. 4.2 Substâncias sujeitas à combustão espontânea: substâncias sujeitas à aquecimento espontâneo em condições normais de transporte, ou à aquecimento em contato com o ar, podendo inflamar-se. 4.3 Substâncias que, em contato com água, emitem gases inflamáveis: substâncias que, por interação com água, podem tornar-se espontaneamente inflamáveis ou liberar gases inflamáveis em quantidades perigosas. Classe 5 Substâncias oxidantes e peróxidos orgânicos 5.1 Substâncias oxidantes: são substâncias que podem causar a combustão de outros materiais ou contribuir para isso. 5.2 Peróxidos orgânicos: são poderosos agentes oxidantes, periodicamente instáveis, podendo sofrer decomposição. 106 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Classe 6 Substâncias tóxicas e substâncias infectantes 6.1 Substâncias tóxicas: são substâncias capazes de provocar morte, lesões graves ou danos à saúde humana, se ingeridas ou inaladas, ou se entrarem em contato com a pele. 6.2 Substâncias infectantes: são substâncias que podem provocar doenças infecciosas em seres humanos ou em animais. Classe 7 Material radioativo – Qualquer material ou substância que emite radiação. Classe 8 Substâncias corrosivas – São substâncias que, por ação química, causam severos danos quando em contato com tecidos vivos. Classe 9 Substâncias e artigos perigosos diversos – São aqueles que apresentam, durante o transporte, um risco abrangido por nenhuma das outras classes. Fonte: Governo do Estado de São Paulo ([s.d.], p. 23-25). Lembrete O uso de palavras de advertênciana rotulagem dos produtos perigosos ou nocivos à saúde que devem ser usadas são: “PERIGO”; “CUIDADO” e “ATENÇÃO”. LÍQUIDO INFLAMÁVEL 3 Figura 44 A classificação de uma substância em uma das classes de risco é realizada por meio de critérios técnicos. Portanto, nem pense em classificar os produtos da empresa pelo seu conhecimento. Há necessidade de uma análise e parecer técnico para tal. Segundo o disposto no parágrafo 3o, artigo 225 da Constituição Federal, “as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão aos infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados” (BRASIL, 1988). Além das ações de caráter civil, os acidentes gerados por produtos perigosos podem acarretar penas de natureza administrativa, tais como as cominatórias de multa, aplicadas pelos órgãos de controle ambiental. Como exemplo cita-se a Lei de Crimes Ambientais, Lei no 9.605/98, que prevê valores de multa – com o mínimo de R$ 50,00 (cinquenta reais) e o máximo de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) (BRASIL, 1998). 107 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO A seguir destacamos um modelo de ficha de emergência. Figura 45 108 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Saiba mais Para conhecer a classificação de produtos químicos, visite o site da Cetesb: <http://sistemasinter.cetesb.sp.gov.br>. Leia e consulte o livro a seguir na biblioteca virtual: TESTA, M. (Org.). Legislação ambiental e do trabalhador. 11. ed. São Paulo: Pearson, 2015. 156 p. Disponível em: <http://unip.bv3.digitalpages. com.br/users/publications/9788543016726/pages/-4>. Acesso em: 13 out. 2016. 6 CAPITAL HUMANO: COMPETÊNCIAS E ATRIBUTOS A gestão de pessoas é uma das áreas que mais têm sofrido transformações nos últimos anos. Mudanças estruturais no ambiente de negócios e de trabalho afetam radicalmente o mundo do trabalho. A forma como o trabalho é realizado, as expectativas dos profissionais, as competências que se fazem necessárias, os conceitos básicos de emprego, as relações que se estabelecem, tudo está se alterando, e o efeito nas organizações e na sociedade como um todo é inevitável. Com a globalização dos negócios, o desenvolvimento tecnológico, o forte impacto dessa variação e o intenso movimento pela qualidade e produtividade surgem como uma constatação na maioria das instituições: o grande diferencial; a principal vantagem competitiva das empresas decorre das pessoas que nelas trabalham. Eis, portanto, mais um desafio para a área de Recursos Humanos: gerenciar a cultura das entidades incorporando a dimensão das relações de poder e da percepção que as pessoas têm da entidade em que trabalham. A comunicação é um instrumento para ampliar a visão do indivíduo no sentido do seu alinhamento com os objetivos empresariais e da busca de desenvolvimento pessoal e profissional, de acordo com seu objetivo pessoal. Desse modo, a comunicação formalizada em documentos, ações práticas e fala dos gestores estimula uma ideia de cultura organizacional que sinaliza as capacidades da entidade de pensar, sentir e agir por meio das pessoas. 6.1 Seleção, integração, treinamento e desenvolvimento Almejando uma participação estratégica de administração de recursos humanos, as atividades de recrutamento e seleção são consideradas partes de um processo de gestão de pessoas e visam atrair para a organização indivíduos com talentos diversos e com potencial para ocupar futuras novas funções, de acordo com os objetivos estratégicos da corporação. 109 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO As pessoas passam no mínimo 6 horas, ou 25% do seu dia, em seus locais de trabalho, sem contar o tempo de deslocamento. De um lado, o trabalho toma considerável tempo das vidas e dos esforços das homens, que dele dependem para sua subsistência e sucesso pessoal. Separar o trabalho da existência das pessoas é quase impossível. Por sua vez, as entidades dependem diretamente dos indivíduos para operar, produzir seus bens e serviços, atender aos seus clientes, competir nos mercados e atingir seus objetivos globais e estratégicos. É uma relação de mútua dependência na qual há benefícios recíprocos. 6.1.1 Processo de seleção A comunicação na seleção objetiva garantir a competitividade da empresa com as novas contratações e modifica os critérios e posturas requeridas dos participantes no processo, inclusive daqueles que serão os gestores diretos ou parceiros dos candidatos aprovados. Os processos de seleção, melhor dizendo, de agregar pessoas, constituem as rotas de ingresso dos indivíduos na organização. Representam as portas de entrada que são abertas apenas para os candidatos capazes de ajustar suas características e competências pessoais às características da empresa. Observação A competência envolve três aspectos, conhecidos como CHA: conhecimento, que é o saber; habilidade, que é o fazer; e atitude, que é o saber fazer acontecer. Esse regime é um esquema de filtragem: cada instituição identifica as características humanas que são importantes para o alcance dos objetivos institucionais e para sua cultura interna e passa a escolher as pessoas que as possuem em elevado grau. O processo de seleção nada mais é do que a busca de adequação entre aquilo que a corporação pretende e aquilo que os indivíduos oferecem. Contudo, não são apenas as organizações que selecionam. As pessoas também escolhem os locais onde pretendem trabalhar. Trata-se de uma escolha recíproca e que depende de inúmeros fatores. Para que essa relação seja possível, é necessário que as empresas comuniquem e divulguem as suas oportunidades de trabalho a fim de que as pessoas saibam como procurá-las e iniciar seu relacionamento. Esse é o papel da seleção: divulgar no mercado as oportunidades que a entidade pretende oferecer aos indivíduos que possuam determinadas características desejadas. Pelo recrutamento, ela sinaliza, para determinados candidatos, a oferta de oportunidade de emprego. Assim, os homens passaram a ser considerados como seres humanos com um histórico, não mais apenas como força geradora de lucros; são vistos como partes inteligentes para gerir conhecimentos, incentivados a se dedicarem, a terem responsabilidade e comprometimento. O processo de recrutar e selecionar é atividade muito complexa e que deveria estar incluída entre as muitas ações estratégicas de toda e qualquer companhia. Através de um processo de recrutamento e seleção, é possível colocar a pessoa certa no lugar certo, gerando um ambiente 110 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III capaz de permitir que o indivíduo contribua com criatividade, talento e motivação, para o alcance dos objetivos da entidade. Para compreender como o trabalho deverá evoluir e de que forma essa evolução afetará as organizações, quais seriam as megatendências que terão maior impacto na transformação dos negócios nos próximos anos? Quatro megatendências já estão exercendo um efeito expressivo sobre as atividades das empresas no Brasil. As questões passam pela dificuldade: na obtenção de peritos; na promoção e integração das diversas gerações; no lidar com indivíduos que atribuam valor à flexibilidade de horário e de local de trabalho; de administrar barreiraslegais, de gestão e de cultura que impeçam a adoção de novos modelos de organização do trabalho; e das mudanças demográficas. A primeira tendência, a escassez de profissionais com as competências essenciais para executar a estratégia institucional, tem sido um tema de debate recorrente no Brasil. Essa preocupação vem crescendo nos últimos anos, apesar dos elevados níveis de desemprego registrados em diversas regiões do mundo. Então, percebemos que talvez estejamos diante de uma questão estrutural mais profunda, relacionada à velocidade com a qual novas competências são exigidas e com a capacidade dos profissionais de um determinado mercado de se adaptarem a essas necessidades. A segunda tendência, o surgimento de novos valores e expectativas em relação ao trabalho, indica que a emergência de uma nova força de trabalho no Brasil mais informada, conectada e com padrões de renda ligeiramente mais elevados do que nas décadas passadas, está levando a novas exigências e requisitos de avaliação dos empregadores e mesmo ao desenvolvimento de novas relações com o trabalho e a carreira. Já as alterações relacionadas aos avanços tecnológicos e à comunicação – a terceira tendência, são caracterizadas por fenômenos como a economia digital, as mídias sociais, os dispositivos móveis e o big data, e elas ainda devem ser encaradas como uma tendência transformadora. Essa tendência é capaz de provocar impactos significativos nos negócios, pois a revolução digital tem conferido mais poder às pessoas. Redes colaborativas estão transformando modelos operacionais corporativos tradicionais. Consumidores trocam informações como nunca se viu e cidadãos assumem papéis de comunicação que antes eram controlados pela mídia. Essa combinação de fatores tende não apenas a mudar os negócios vigentes, como também contribuir para criar diversos novos negócios em diferentes setores da economia. As variações demográficas são a quarta tendência, e, provavelmente, têm uma associação direta com as transições nas expectativas e nos valores em relação ao trabalho. Hoje, a geração do milênio, ou Y, representa cerca de 40% da força de trabalho no Brasil e deve se tornar maioria na próxima década. Em paralelo, a idade média dos profissionais cresce dia após dia. Em 2040, mais da metade desses agentes deverá passar dos 45 anos. As mulheres, por sua vez, ampliam sua presença de modo contínuo e são hoje mais de 40% da população empregada. Elas também começam a ocupar paulatinamente mais postos na liderança. 111 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO Naturalmente, essa nova configuração demográfica das pessoas empregadas trará impactos na maneira como as organizações operam e são administradas. É claro que essas tendências não são novas, mas chama a nossa atenção a sua velocidade. Assim, antes de fazer a seleção de pessoal, é preciso que seja efetuado o recrutamento, que subentende sempre o mercado de trabalho. Recrutar significa chamar, atrair, ir ao encontro de pessoal que tenha pelo menos qualidade mínima para atender às exigências da empresa. O recrutamento é um processo institucional que “convida” as pessoas que se encontram no mercado de mão de obra para participarem de um processo de seleção da entidade, tendo como finalidade atrair um número satisfatório e adequado à companhia. É vital sempre estar atento ao tempo despendido para tal ação, aos custos e à otimização para a fase posterior – a seleção. O recrutamento consiste na pesquisa e intervenção sobre as fontes capazes de fornecer à empresa um número suficiente de pessoas necessárias à consecução dos seus objetivos. Ele requer um cuidadoso planejamento, que constitui uma sequência de três fases, a saber: o que a entidade precisa em termos de pessoas, o que o mercado de recursos humanos pode oferecer e quais as técnicas de recrutamento deve aplicar. O planejamento do recrutamento tem, pois, a finalidade de estruturar o sistema de trabalho a ser desenvolvido. A pesquisa interna é uma verificação das demandas da instituição no tocante às suas carências de recursos humanos a curto, médio e longos prazos, além daquilo que ela precisa de imediato e quais são seus planos futuros de crescimento e desenvolvimento, o que certamente significará novos aportes de recursos humanos. Essa verificação interna não é esporádica ou ocasional, mas contínua e constante. Deve envolver todas as áreas e níveis da organização para retratar suas necessidades de pessoal e o perfil e as características que esses novos participantes deverão possuir e oferecer. A avaliação externa é uma pesquisa de mercado de recursos humanos no sentido de segmentá- lo e diferenciá-lo para facilitar sua análise e consequente abordagem. Assim, dois aspectos importantes se sobressaem: a segmentação do mercado de recursos humanos e a localização das fontes de recrutamento. Por segmentação de mercado queremos nos referir à decomposição do mercado em diferentes segmentos ou em classes de candidatos com características definidas para analisá-lo e abordá-lo de maneira específica. A segmentação é feita de acordo com os interesses específicos da organização. Observação A segmentação de mercado consiste em identificar num mercado heterogêneo um determinado grupo de indivíduos com respostas e preferências semelhantes de produtos. 112 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III O recrutamento também envolve um processo que varia conforme a entidade. O início do processo depende da decisão da linha. Em outras palavras, o órgão responsável não tem autoridade para efetuar qualquer atividade sem a devida tomada de decisão por parte da entidade que possui a vaga a ser preenchida. Nesse contexto, cada segmento de mercado tem características próprias, atende a diversos apelos, tem diferentes expectativas e aspirações, utiliza vários meios de comunicação e, portanto, pode ser abordado de maneiras distintas. Se a técnica de recrutamento a ser aplicada for por meio de anúncios de jornais, certamente o periódico escolhido para convocar executivos será diferente do jornal escolhido para reunir operários braçais. Portanto, temos duas formas para executar o recrutamento: o externo e o interno. Conforme Chiavenato (2006, p. 212): Recrutamento externo funciona com candidatos vindos de fora da empresa. Havendo uma vaga, a organização procura preenchê-la com pessoas estranhas, ou seja, com candidatos externos, extraídos pelas técnicas de recrutamento. Técnicas de recrutamento externo: consulta aos arquivos de candidatos, apresentação de candidatos por parte de funcionários já existentes da empresa; cartazes ou anúncios na portaria da empresa; contatos com sindicatos e associações de classe; anúncios em jornais e revistas e em agência de recrutamento. No recrutamento externo, a corporação busca candidatos disponíveis no mercado que atuam em outras instituições ou, ainda, busca profissionais em organizações especializadas para que possam atuar em sua empresa e ter seu potencial destacado. Como fases de recrutamento externo de pessoas, temos: – Anúncios em jornais e revistas especializadas: Anúncios em jornais costumam ser uma boa opção para o recrutamento, dependendo do tipo de cargo a ser preenchido. Geralmente, supervisores e funcionários de escritório se dão bem com jornais locais ou regionais. Para empregados especializados, jornais mais populares são mais indicados. Quando o cargo for muito específico, pode-se lançar mão de revistas especializadas. A construção do anúncio é importante. Deve-se ter sempre em mente como o candidato interpretará e poderá reagirao anúncio. – Agências de recrutamento: A organização pode, em vez de ir direto ao mercado, entrar em contato com agências de recrutamento para abastecer-se de candidatos que constam de 113 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO seus bancos de dados. As agências podem servir de intermediárias para fazer o recrutamento. A utilização de agências requer os seguintes cuidados: Dar a agência uma descrição completa e acurada do cargo a preencher. A agência precisa compreender exatamente o cargo a ser preenchido para proporcionar um conjunto adequado de candidatos. Especificar à agência quais as ferramentas a utilizar na seleção dos candidatos potenciais, como formulários de emprego, testes e entrevistas, como parte do processo seletivo e os aspectos relevantes para o cargo. Proporcionar retroação adequada à agência, ou seja, quais os candidatos rejeitados e qual a razão da rejeição. Se possível, desenvolver um relacionamento de longo prazo com uma ou duas agências. Pode ser vantajoso designar uma pessoa para servir de ligação entre a organização e a agência e coordenar as necessidades futuras de recrutamento. Existem agências de recrutamento para altos executivos (headhunters) que entrevistam e pré-selecionam os candidatos a posições mais elevadas – Contatos com escolas, universidades e agremiações: A organização pode desenvolver um esquema de contatos intensivos com escolas, universidades, associações de classe, agremiações e centros de integração empresa-escola para divulgar as oportunidades que está oferecendo ao mercado. Algumas organizações promovem sistematicamente palestras e conferências em universidades e escolas, utilizando recursos audiovisuais, como propaganda institucional para divulgar as suas políticas de RH e criar uma atitude favorável entre os candidatos em potencial, mesmo que não haja oportunidades a oferecer a curto prazo. – Cartazes ou anúncios em locais visíveis: É um sistema de recrutamento de baixo custo e com razoável rendimento e rapidez. Trata-se de um veículo de recrutamento estático e indicado para cargos simples, como operários e funcionários de escritório. Geralmente, é colocado nas proximidades da organização, em portarias ou locais de grande movimentação de pessoas, como áreas de ônibus ou trens. – Apresentação de candidatos por indicação de funcionários: É outro sistema de recrutamento de baixo custo, alto rendimento e efeito relativamente rápido. A organização estimula seus funcionários a 114 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III apresentarem ou recomendarem candidatos (amigos, vizinhos ou parentes). Dependendo de como o processo é desenvolvido, o funcionário sente-se um importante corresponsável pela admissão do candidato. Porém uma situação surpreendente é que a indicação de candidatos por parte dos funcionários, tem o famoso “QI”, quem indicou, um fator de bastante relevância no processo de recrutamento e seleção, podendo fazer sentir pressionados a admitir esta ou aquela pessoa, dependendo de quem está indicando, não existindo com isso um processo de recrutamento e seleção, podendo até surgir formas de proteção, de prestígio e oferecimento de privilégios que outras pessoas, sem “QI”, jamais teriam. – Consulta aos arquivos de candidatos: O arquivo de candidatos é um banco de dados que pode catalogar os candidatos que se apresentam espontaneamente ou que não foram considerados em recrutamento anteriores. Para não se transformar em um arquivo morto, a organização deve manter contatos eventuais com os candidatos, a fim de não perder o interesse e a atratividade. Trata-se do sistema de recrutamento de menor custo. Quando funciona bem, é capaz de promover a apresentação rápida de candidatos (CHIAVENATO, 2006). O recrutamento interno é feito com funcionários da própria empresa. O primeiro passo na procura de pessoal é a convocação dentro da instituição, dando oportunidades aos operários existentes, privilegiando-os. Isso pode ser feito com a divulgação das necessidades feita por meio de comunicação, memorando ou cartazes em todos os quadros de avisos da organização, apresentando as características exigidas pelo cargo, e solicitando aos interessados que compareçam ao setor de recrutamento para candidatar-se à posição oferecida ou enviem seus dados para análise. De acordo com Chiavenato (2006), o recrutamento interno tem as seguintes vantagens: é mais econômico, mais rápido, apresenta maior índice de validade e de segurança, é uma fonte poderosa de motivação para os demais empregados, aproveita os investimentos da empresa em treinamento do pessoal e desenvolve um sadio espírito de competição entre o pessoal. No entanto, o recrutamento interno pode causar algumas desvantagens, como: bloquear a entrada de novas ideias, experiências e expectativas; funciona como um sistema fechado de reciclagem contínua e mantém quase inalterado o atual patrimônio humano da organização. Ele também favorece a rotina atual. Como os negócios mudam e surgem novas funções a cada dia, torna-se imprescindível contar com pessoas flexíveis, capazes de adaptarem-se a essas alterações constantes. A avaliação dos resultados é importante para aferir se o recrutamento está realmente cumprindo o seu papel e a que custo. No enfoque quantitativo, quanto mais candidatos influenciar, tanto melhor será o recrutamento. Contudo, no enfoque qualitativo, o essencial é trazer candidatos que sejam triados, entrevistados e encaminhados ao processo seletivo. É incrível a proporção entre os candidatos que se apresentam e os que são aproveitados para disputar o processo de seleção. 115 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO O recrutamento não sai barato, custa muito tempo e dinheiro, mas compensa: é uma técnica estratégica para as corporações. Atrair talento é fundamental para o sucesso institucional no longo ou no curto prazo. Por isso, o profissional de Recursos Humanos deve ser uma pessoa qualificada, centrada, neutra, que não tenha qualquer forma de preconceito e propensão para beneficiar este ou aquele indivíduo, tendo diariamente flexibilidade para as exigências e as mudanças que as corporações atualmente exigem. A seleção vem logo após o recrutamento, e é um conjunto de ações técnicas que objetiva suprir as necessidades de profissionais de uma companhia. Seleção é o processo pelo qual uma entidade escolhe, de uma lista de candidatos, a pessoa que melhor alcança os critérios estipulados para a posição disponível, avaliando as atuais condições do mercado, e aquela que está mais intimamente ligada com as exigências do cargo. Para obter sucesso, é imprescindível que o profissional de Recursos Humanos tenha efetuado uma análise de cargos atualizada que auxilie diretamente no recrutamento e garanta uma seleção correta. O processo seletivo nem sempre é o mesmo, embora o seu objetivo final seja a escolha de um candidato que esteja adequado às necessidades da empresa. A seleção de pessoal varia de acordo com o cargo que precisa ser preenchido. A quantidade de etapas, assim como a complexidade do processo, dependem de como é o grau de exigência e o tipo de cargo em questão. Em média, os processos seletivos variam entre duas e oito etapas, que são eliminatórias e têm a finalidade de chegar ao candidato com o perfil mais próximo ao das qualificações exigidas pelo cargo. Durante a realização dessas fases, são aplicados alguns instrumentos que colaboram parase chegar ao candidato ideal. Os principais elementos são as entrevistas (não estruturadas e estruturadas), a busca de referências, as provas de conhecimentos ou de capacitação, os testes de personalidade, as provas de habilidade cognitivas, as avaliações de desempenho e integridade e a aplicação de técnicas de simulação. As entrevistas são um dos métodos mais comumente empregados e que permitem ao selecionador extrair um grande número de informações do candidato. Apesar de constituírem a ferramenta mais aplicada em processos seletivos e trazerem um grande número de informações, as entrevistas nem sempre são eficazes. Observação A eficiência é a obtenção de resultados, de fazer bem as tarefas; a eficácia são os resultados; a efetividade é a obtenção de resultados e as ações que os promoveram. É comum que os candidatos queiram mostrar o melhor de si durante uma entrevista. Este fato pode fazer com que o indivíduo acrescente em suas palavras mais qualificações do que realmente tem, ou o inverso, acabar omitindo algo importante. 116 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Em vista disso, os profissionais de Recursos Humanos realizam, de acordo com as necessidades de um cargo, uma série de testes e provas de conhecimentos que julgam pertinentes para o devido exercício da função. Essa série constitui, por sua vez, mais um mecanismo para avaliar com objetividade os saberes e a capacidade de desenvolvimento de um futuro colaborador. Após a realização de todas as etapas do processo seletivo, cabe ao selecionador rever os resultados e analisar se de fato há a interação necessária entre o cargo e o candidato. Por mais extenso que possa ser, o processo de seleção apresenta vários indicadores que colaboram na hora da decisão, destacando um alto grau de precisão na escolha do candidato. Com vários indicadores, pode-se analisar de maneira minuciosa as qualificações e conhecimentos que o candidato oferece, e, mais do que isso, é possível efetuar uma combinação com as exigências do cargo, havendo grande chance de concretizar um processo seletivo bem-sucedido. 6.1.2 Processo de integração Integrar é tornar inteiro, completar. Integrar um novo funcionário dentro da empresa é inteirá-lo sobre a cultura, os valores e o ambiente, evidenciando dados importantes para esse novo colaborador, bem como o próprio treinamento na função para a qual foi contratado. Quando um operário é contratado, geralmente ele se sente deslocado. Afinal, está em um espaço novo, não conhece as pessoas, e isso pode deixá-lo retraído. Não é possível sentir-se à vontade em um ambiente sem saber onde se está entrando. A entidade, por menor que seja, tem a sua história e a sua cultura, que devem ser valorizadas e reconhecidas pelos seus componentes com o intuito de fortalecer e alcançar os objetivos estabelecidos. O objetivo da integração é reduzir o tempo de adaptação e treinamento, proporcionar maior segurança na execução das atividades, estabelecer uma relação de confiança e auxiliar o relacionamento com os demais funcionários. A integração é necessária porque é um processo que busca o comprometimento do novo colaborador, visando demonstrar a relevância da função que ele executará e de que forma isso contribuirá para o alcance de metas. Esse processo valoriza a organização. Além de referenciar as conquistas e os acontecimentos que se somam à história e à formação da cultura da entidade, valoriza-se o recém-contratado, fortalecendo a empresa no mercado no qual ela está inserida. Os aspectos mais significantes a serem abordados na integração do novo funcionário devem ser: • histórico da corporação – história da fundação, missão, valores, cultura, referenciando conquistas; • estrutura institucional – organograma, quem se reporta a quem, onde ele se encontra nesse organograma e a quem ele deve se reportar; 117 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO • expectativas – salários, benefícios, normas da empresa, o que ele pode esperar da organização e quais as expectativas desta em relação à sua contratação; • avaliações – quando e como ocorrem, e de que maneira serão realizadas, feedback; • apresentação da equipe e a função do novo colaborador – neste estágio, o gestor da área solicitante ou um operário capacitado deve minimizar o impacto dos primeiros dias e facilitar o relacionamento dele com os demais. Como qualquer processo corporativo, a integração deve ter o suporte da alta direção. E isso não é apenas para ficar no discurso, pois não importa o nível hierárquico do indivíduo recém-contratado. Quando se integra um profissional, a entidade mostra o valor que ele tem para o contexto do negócio. Ou seja, ele não está ali somente para preencher uma vaga, mas sim para agregar valor, fazer o diferencial na sua nova função. Por isso, é essencial que ele sinta-se partícipe do universo vivo que forma a organização. Uma vez que o talento constata que tem valor para a instituição, existe uma probabilidade positiva de que contato inicial sirva de estímulo motivacional para que o profissional mostre o quanto tem a agregar. Digamos que uma vez integrado à empresa, ele se sentirá ambientado a liberar o seu potencial e muito mais livre para dar o melhor de si, ou seja, será o primeiro passo para que o comprometimento na relação funcionário-empresa seja solidificado. Comportamento é mesmo o diferencial para qualquer pessoa, pois é através das condutas que o indivíduo revela o que há de melhor ou de pior dentro de si. E isso vale para aquele que chega à entidade. Se o ambiente mostra-se propício para aceitá-lo, para ajudá-lo a se ambientar à sua nova realidade, as chances de que esse talento permaneça lá aumentam substancialmente. Quem atua com gestão de pessoas sabe que uma das grandes dificuldades corporativas é não apenas atrair, mas reter os talentos. Nesse momento, o processo de integração pode ser considerado um fator decisivo para a permanência do profissional. Na integração, a corporação apresenta-se formalmente ao profissional. De forma mais direta, podemos dizer que é a chance que a organização tem para mostrar ao recém-chegado o que ele tem a ganhar se permanecer na equipe. Há empresas que aproveitam a integração para apontar os programas de crescimento interno ou de desenvolvimento de talentos, por exemplo. Outras acrescentam à integração os benefícios, os direitos e os deveres que o colaborador terá a partir do momento em que ingressou na equipe. Em alguns processos de integração, o profissional deve ser apresentado ao sistema de avaliação de desempenho, o que abre caminho para que o operário saiba o que a empresa espera dele. Isso faz com que ele já compreenda que a análise não é uma “caça às bruxas” e que é restrita apenas aos que chegam, mas, sim, um mecanismo aplicado a todos os profissionais e considerado um recurso de crescimento que possibilitará que ele transponha obstáculos e conquiste espaços internamente. 118 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Com o passar do tempo, as fases do processo de avaliação de desempenho passarão a ser expressas com mais detalhes e, como não serão vistas como uma novidade, as chances de resistência ao processo certamente diminuem. O momento da integração também se torna estratégico porque oferece a oportunidade para que o recém-chegado faça questionamentos e expresse suas dúvidas sobre algum processo interno ou a temas relacionados ao segmento de atuação da companhia.Quando a comunicação interna torna-se rica logo na integração, isso poderá evitar que possíveis problemas surjam no decorrer do processo de adaptação do funcionário. Já que falamos sobre comunicação no processo em que o profissional está sendo integrado à organização, não poderíamos deixar de mencionar um personagem importante nesse contexto: a liderança. Não dá para conceber a integração apenas com a presença do profissional da área de Recursos Humanos. Em algum instante, o líder deve fazer-se presente e atuante, pois é uma oportunidade em que ele conseguirá apresentar-se, de fato, ao novo membro da sua equipe. A primeira impressão que o liderado tem do líder e vice-versa vale muito, podendo estimular ou subtrair a futura relação entre os dois. Outra parte fundamental no processo de integração são os pares. Não basta apenas retratar a corporação, os processos e colocar o profissional diante de um computador de última geração. Ele precisará trabalhar em equipe e, para isso, deverá conhecer as pessoas que estão ao seu redor. Trabalhar em equipe é fator que faz toda a diferença para o desempenho do profissional. É o momento em que a liderança abre espaço e apresenta o recém-chegado aos demais membros do time. Logicamente, isso não fará com que o novato faça grandes amigos na primeira semana, mas ajudará a deixar o clima bem mais agradável e, de forma estratégica, conseguirá introduzir o novo talento ao ambiente organizacional. 6.1.3 Processo de treinamento Para poder competir em um mercado cada vez mais distante, as empresas precisam obter a melhor performance possível em seus negócios, e o desempenho delas é resultado de seus processos operacionais e administrativos. O treinamento tem o intuito de ajudar o empregado a adquirir eficiência no seu trabalho atual ou futuro através de apropriados hábitos de pensamento e ação, habilidades, conhecimentos e atitudes. Fundamental para a eficácia do processo de treinamento e desenvolvimento é a análise das necessidades de treinamento, que tem por objetivos diagnosticar o atual estágio das competências, como: conhecimento, habilidades e atitudes, e, assim, projetar a elevação delas ao nível desejado e exigível pelas operações e estratégias das companhias. O treinamento não deve ser confundido com uma simples questão de realizar cursos e proporcionar informação. Significa atingir o nível de desempenho almejado pela instituição através da promoção contínua das pessoas que nela trabalham. Para tanto, é desejável criar e conceber uma cultura interna favorável ao aprendizado e comprometida com as mudanças da entidade. 119 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO Enquanto o treinamento é orientado para o presente, no cargo atual, o desenvolvimento de pessoas costuma focalizar os cargos a serem ocupados futuramente na empresa e as novas habilidades e capacidades que serão requeridas. Ambos, treinamento e desenvolvimento (T&D), constituem processos de aprendizagem. Conforme Chiavenato (2004), os principais objetivos do treinamento são: – Preparar o pessoal para a execução imediata das diversas tarefas peculiares à organização; – Proporcionar oportunidades para o contínuo desenvolvimento pessoal, não apenas em seus cargos atuais, mas também para outras funções para as quais a pessoa pode ser considerada; – Mudar a atitude das pessoas, com várias finalidades, entre as quais criar um clima mais satisfatório entre empregados, aumentar a motivação e torná-los mais receptivos às técnicas de supervisão e gerência. Para Chiavenato (2004), o processo de treinamento, em geral, requer o cumprimento de algumas fases para que responda aos propósitos da organização: – Levantamento das necessidades: é o diagnóstico. Nesta fase são identificadas as lacunas ou deficiências de uma determinada área. Essas necessidades não necessariamente têm de ser presentes, elas podem ser futuras ao anteciparem uma preparação de acordo com a visão organizacional e o planejamento tático de uma determinada área. – Planejamento: é o “desenho” do treinamento. Ele deve ser elaborado mediante as necessidades outrora identificadas. É importante para que a eficácia dos resultados seja garantida. – Execução: é a implementação do treinamento, sua própria aplicação. – Avaliação: é a validação. Para que um treinamento seja considerado efetivo, deverá implicar uma reação, ou seja, os benefícios trazidos para os colaboradores e, consequentemente, para a organização. Internamente, um bom programa de treinamento pode proporcionar ao colaborador: melhoria da eficiência dos serviços; aumento da eficácia nos resultados; criatividade e inovação nos produtos e serviços oferecidos ao mercado; melhor qualidade de vida no trabalho; qualidade e produtividade; melhor atendimento ao cliente. Externamente, pode promover: maior competitividade organizacional; assédio de outras instituições aos funcionários da empresa e melhoria da imagem da companhia. As vantagens são muitas para ambas as partes. 120 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III O treinamento não é um benefício somente para o curto prazo; pelo contrário, ele poderá trazer muitas soluções para as diversas situações futuras. Lembrete O processo de treinamento envolve: levantamento das necessidades, planejamento, execução e, por fim, a avaliação. O treinamento é considerado um investimento que a organização faz em seus trabalhadores. Essa ação traz rendimentos para o operário, sua equipe de trabalho e também para a corporação. O treinamento e o desenvolvimento implicam a promoção da capacitação permanente do individuo, explorando seu potencial, aprendizagem e sua capacidade produtiva adquiridos através de treinamento, com a obtenção de novas habilidades e conhecimentos e mudanças de comportamento e atitudes. Seu objetivo é maximizar o avanço profissional e motivacional do funcionário, fazendo com que seus bons resultados sejam contínuos. Também pretende aperfeiçoar as capacidades e motivações dos empregados a fim de torná-los membros eficientes e valiosos à entidade Tais processos se complementam, pois almejam suprir a empresa com as competências de que ela necessita para seu funcionário. O treinamento é voltado ao condicionamento de pessoa e a execução de tarefas, já o desenvolvimento visa ao crescimento da pessoa. Exemplo de aplicação A Mercedes-Benz é uma companhia adepta a treinamentos não muito convencionais. No ano passado, por exemplo, no encontro anual de executivos da montadora, cerca de 450 gestores foram obrigados a encenar uma peça de teatro, com direito a figurino e artistas profissionais para orientá-los. “Os roteiros das peças foram criados a partir de problemas pontuais da companhia e os executivos tinham que propor soluções. A atividade serviu para quebrar o gelo, deixá-los mais à vontade”, disse Eduardo Ushiro, gerente da área qualificação e treinamento de RH, da Mercedes (BARBOSA, 2012). Reflita a respeito da contribuição desse tipo de treinamento no desempenho de quem está em treinamento. 6.1.4 Processo de desenvolvimento Desenvolver pessoas não é o mesmo que treinar pessoas. Esse conceito mais amplo tem como objetivo principal capacitá-las para serem profissionais de sucesso. Desenvolvimento humano é o processo que tem como finalidade assessorar a implementação da política organizacional, focando nos talentos humanos. É o conjunto de práticas e políticas que visam 121 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at aCOMUNICAÇÃO E TREINAMENTO à potencialização das habilidades e competências pessoais, bem como à valorização dos homens como seres que se aperfeiçoam em uma perspectiva de crescimento individual e coletivo. Observação Talento tem várias definições: pessoas capacitadas que fazem bem o trabalho; com pré-disposição de absorver o conhecimento e colocá-lo em prática; com competências que se constroem no tempo. Atualmente as instituições ampliam cada vez mais sua visão e atuação estratégica em relação aos processos de parceria. Dentro dessa perspectiva, os profissionais vinculados às empresas são mais valorizados e percebidos como vitais para o sucesso das instituições. Por isso, tem-se adotado a introdução do setor de desenvolvimento humano como estratégia institucional. Diante disso, é essencial uma gestão que coloque o ser humano e seu desenvolvimento como início, meio e fim dos objetivos e práticas institucionais. Dessa maneira, será possível propiciar uma cultura de valorização, satisfação, comprometimento e aprendizagem de todos os colaboradores em busca de um serviço mais qualificado e voltado integralmente para o bem-estar social. Assim, faz-se necessária uma gestão orientada para as pessoas, chamada aqui de gestão humanizada, em que predomine o desenvolvimento humano mais democrático e participativo, capaz de encontrar o equilíbrio entre as exigências dos indivíduos e da corporação como um todo. Isso ocorre pela consciência de que são as pessoas que formulam e implementam as estratégias necessárias à obtenção dos resultados desejados, e sua atuação constitui um elemento crucial no sucesso das empresas. São as pessoas, portanto, a fonte criadora e o elemento crítico no processo de construção e crescimento corporativo. Para tanto, a gestão terá como propósito substituir o tradicional gestor burocrático para dar lugar ao líder, criando condições para a promoção do potencial humano e profissional no ambiente de trabalho das organizações públicas. Diante dessas perspectivas, pode-se afirmar que a efetivação da gestão humanizada trará mudanças significativas para o gerenciamento relativo às competências do gestor e ao desenvolvimento humano e profissional dos funcionários. Isso ocorre porque ela afetará sensivelmente o somatório das percepções, opiniões, atitudes e condutas individuais, além de propiciar relações interpessoais e profissionais mais éticas, harmoniosas, construtivas e proativas, promovendo, assim, um novo olhar na inter-relação entre as pessoas e a empresa. Além das ações de desenvolvimento – a partir da substituição do tradicional gerente burocrático para o gestor-líder –, a decisão compartilhada, o trabalho em equipe, a liberdade de expressão e de criatividade, a delegação de responsabilidades, a menor formalidade no ambiente de trabalho, a aprendizagem e o aprimoramento contínuo serão os objetivos preconizados pela gestão humanizada, com o intuito de atender a algumas das necessidades humanas, bem como aos objetivos organizacionais. 122 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Para que o profissional se desenvolva na empresa, é preciso que a área de RH crie um plano de desenvolvimento individual, que existe para complementar a avaliação de desempenho e orientar o profissional a buscar saídas e ações para trabalhar características que ele precisa aprimorar. É um processo construído em conjunto com um responsável pela área de RH e que deve ser monitorado periodicamente a fim de observar o progresso do indivíduo. Chiavenato (2004, p. 290) afirma que “os processos de desenvolvimento de pessoas estão intimamente ligados com a educação”, ou seja, há uma necessidade de o ser humano exteriorizar suas potencialidades inatas ou adquiridas por meio da formação. O treinamento está muito associado ao conhecimento, que passa a ser o recurso mais relevante para prover o desenvolvimento. O autor ainda diz que desenvolver pessoas é proporcionar-lhes formação básica para incentivar o aprendizado de novas atitudes, conceitos e ideias capazes de influenciar e motivar o aperfeiçoamento de suas capacidades e comportamentos para tornarem-se mais eficazes. Ambas as vertentes – treinamento e desenvolvimento – integram o processo de aprendizagem e viabilizam a assimilação de informações, novas habilidades, condutas e atitudes necessárias para a contínua adequação do colaborador à entidade. Uma das ferramentas para monitorar o ambiente de trabalho da empresa é a pesquisa de clima, que visa identificar possíveis pontos de insatisfação e, ao mesmo tempo, verificar características específicas da companhia que agradam aos funcionários. A partir dos resultados da pesquisa, é possível traçar ações para melhorar o clima da corporação e, por conseguinte, alavancar os resultados. A Universidade Corporativa (UC) surge como uma nova proposta à aprendizagem e ao desenvolvimento dos indivíduos e grupos organizacionais, [...] entretanto, as universidades corporativas assumem um horizonte mais amplo das atividades de desenvolvimento ao ser uma instância na qual indivíduos e grupos seriam preparados para questionar e construir coletivamente o futuro das organizações (MASCARENHAS, 2009, p. 213). Sabemos que, atualmente, o principal diferencial das instituições está nas pessoas e na formação de equipes. Alinhar os objetivos da organização com os objetivos de seus colaboradores não é tarefa fácil, mas, se bem trabalhada, pode se tornar um diferencial e fazer dela uma empresa de destaque no mercado. 6.2 O trabalho e o estresse: a educação promove a segurança A educação provoca uma mudança nos indivíduos. Por meio dela, o homem passa a agir de modo diferente, visto que passa de indivíduo à pessoa, o que significa alguém que tem consciência de si, do papel que representa como ser pensante, agente transformador de uma realidade e responsável por sua própria vida. Desse modo, passa a ter discernimento, deixando de servir de massa de manobra e de se comportar como animal de rebanho, seguindo os outros sem saber para onde vai, como vai, nem onde vai acabar; um ser facilmente influenciável e conduzido. 123 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO Nesse sentido, a educação difundindo o conhecimento sobre segurança do trabalho pode contribuir para a prevenção de acidentes e para a melhoria da qualidade de vida dos funcionários. Ao abordarmos o estudo da educação e do trabalho voltados para a profissão do gestor, indagamos a relevância educacional que foca em aspectos pouco discutidos dentro do âmbito empresarial. As exigências de análise sobre esses termos tornam-se mais relevantes a cada dia, uma vez que se faz necessária a boa operação do processo educativo dentro do ramo administrativo. Pressupõe-se que a educação e a capacitação profissional são indispensáveis para a segurança do trabalho. A educação é permeada por valores, práticas sociais e institucionais; a educação é ação proposital de um grupo humano sobre si mesmo e sobre sua continuidade através das novas gerações. O interesse pela segurança do trabalho deve surgir e ser intensificado em diferentes pontos, a fim de que, por toda parte, a luz da segurança esteja ao lado dos trabalhadores. Parte-se do conceito de que administração é o ato de trabalhar com e através de pessoas, e que as empresas traçam projetos que visam aos resultados em curto, médio e logo prazo, no qual o papel do gestor consiste em tomar decisões sucintas, capazes de alavancar o êxito econômico da instituição. Na administração são traçados planos estratégicos para enfrentar os problemas do dia a dia que implicam conflitosentre as equipes e dentro delas. As equipes detêm todo o equilíbrio da produção e da geração de recursos, organização e execução das tarefas, mantendo a estabilidade do pessoal e da companhia. Por vivenciarmos a era da globalização, estamos sujeitos a um ambiente de trabalho altamente competitivo. As corporações estão se adaptando a essas consequências, exigindo de sua equipe que trabalhem objetivando resultados, tendo um profundo conhecimento técnico e buscando habilidades que possam ser aprimoradas e desenvolvidas na execução de suas atividades. Esse é um dos fatores geradores de estresse. A palavra stress, do inglês, deu origem ao termo estresse em português, que, de acordo com o Dicionário Aurélio, significa o “conjunto das perturbações orgânicas e psíquicas provocadas por vários estímulos ou agentes agressores, como o frio, uma doença infecciosa, uma emoção, um choque cirúrgico, condições de vida muito ativa e trepidante etc.” (DICIONÁRIO DO AURÉLIO, [s.d.]). Compreende-se por estresse um conjunto de perturbações ou instabilidade psíquica e orgânica provocados por diversos estímulos, que vão desde a situação climática até as emoções e condições de trabalho. Na base da assimilação do conceito de estresse está o desequilíbrio, no nosso caso, na relação entre trabalhador e ocupação. Assim, o estresse ocupacional é percebido como o quadro de respostas pouco adequadas à estimulação física e emocional decorrente das exigências do ambiente de trabalho, das capacidades exigidas para realizá-lo e das condições do trabalhador. O estresse ocupacional refere-se aos estímulos do ambiente de trabalho que exigem respostas adaptativas por parte do trabalhador e que excedem sua habilidade de enfrentamento. Esses estímulos são chamados de estressores organizacionais. 124 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Os estressores possuem três categorias: exigência de trabalho, incompatibilidade de papéis e condições materiais da ocupação. A exigência de trabalho pode ser um estressor ocupacional quando ultrapassa os níveis adequados para a manutenção da saúde do trabalhador, como longas jornadas, ritmo demasiadamente acelerado, turnos variáveis, horas extras etc. No caso da incompatibilidade de papéis, estamos tratando de questões institucionais, como a dificuldade de muitas empresas em ter boas descrições das atribuições e direitos de cada cargo, o que acaba impossibilitando o trabalhador de ter pleno domínio de suas funções e direitos. Por último, as condições materiais dizem respeito ao ambiente de trabalho: situações climáticas, de organização, iluminação, higiene e aspectos como a poluição visual e auditiva do local de trabalho. O estresse vem tornando-se um problema com dimensões cada vez maiores nas companhias; tem como algumas causas a falta de tempo para o funcionário concluir os serviços e a necessidade de realizar muitas tarefas diferentes ao mesmo tempo. Muito do que se diz sobre o estresse no ambiente de trabalho está vinculado às novas tendências tecnológicas, responsáveis pelo estado de constante prontidão em que os empregados estão sujeitos em suas jornadas laborais. A realidade do mundo atual relaciona-se diretamente ao crescimento das doenças ocupacionais causadas por esse fator. As mudanças nas rotinas de trabalho associadas aos avanços tecnológicos são objeto de estudos realizados em todo o mundo por grupos de psicólogos que buscam conhecer as consequências causadas por esse estímulo tecnológico nas vidas das pessoas, que são submetidas à exigência de estarem sempre alertas e despendendo elevada energia em suas atividades. As pessoas vivem hoje em ritmo de intensidade incompatível com o bem-estar necessário, o que acaba contribuindo para a irrupção de doenças em consequência de estresse. Sempre que se trata de uma condição que não envolve apenas o adoecimento do indivíduo, mas a problemática de seu ambiente de trabalho e de suas atribuições, recomenda-se que as intervenções sejam feitas em três níveis diferentes: no nível primário, deve-se almejar reduzir os estímulos estressores, modificando o quanto for possível o ambiente de trabalho e buscando definir ocupações e direitos de cada operador, como seus horários e funções. Então, pode-se pensar em formas de acompanhamento psicológico a partir dos quais o sujeito pode rever sua relação com o trabalho. Em um segundo nível de atuação, deve-se tentar melhorar a resposta dos sujeitos ao ambiente de trabalho, com foco nos eventos estressores. Nesse sentido, as intervenções psicoterapêuticas objetivam a compreensão e a transformação da relação do sujeito com os estressores. Algumas das formas comuns de atuação nesse sentido são as dinâmicas de grupo, as técnicas de relaxamento, a meditação, a acupuntura, a psicoterapia etc. Vale ressaltar que, como são técnicas utilizadas quando o estresse ocupacional já está instalado, podem ser menos eficazes que as alterações sugeridas primariamente, isso porque não trabalham na fonte de estresse, mas em seus efeitos. 125 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO Por último está a atenção aos indivíduos acometidos da condição de estresse ocupacional que sofrem com os sintomas do desequilíbrio. Essa forma de atenção deve estar focada em reequilibrar o funcionamento físico e psicológico através da ação de equipes multidisciplinares, com terapeutas ocupacionais, psicólogos, médicos etc., que precisam constantemente destruir as barreiras do preconceito para adentrar o terreno das empresas, tornando-se uma possibilidade de aliança entre trabalho e saúde mental. Saiba mais PEREIRA, A. M. T. B. Burnout: quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador. 4. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010. 284 p. É certo que, pelo fato de os trabalhadores atuarem em estado de alerta, a adrenalina eleva-se ajudando na produtividade e na criatividade. Contudo, se essa condição for mantida por muito tempo, a pessoa pode se tornar vítima de tensão demasiada, o que é prejudicial à saúde. Acredita-se que, muitas vezes, isso ocorra devido ao estado de esgotamento do trabalhador, que ultrapassou os limites individuais de sua capacidade de adaptação às tendências tecnológicas atuais. Assim, com a redução da energia mental, surge o estresse e, por conseguinte, outras doenças ocupacionais, diminuindo a produtividade e causando indisposição para o trabalho. Os empregadores devem ficar sempre atentos aos fatores que levam os funcionários ao estresse nos ambientes laborais, evitando o aumento das doenças ocupacionais causadas por esse mal. É fundamental, para manter uma equipe produtiva e motivada, dedicar atenção às características específicas do estresse no trabalho, que podem originar os seguintes sintomas frequentes: • taquicardia; • tensão muscular; • boca seca; • dores no estômago; • mãos frias e suadas; • sensação de cansaço; • dificuldades de memorização. A redução dos fatores que causam o estresse no ambiente de trabalho é um desafio de todos e deve ser levado muito a sério. São consideradas ações benéficas para o controle e a redução do estresse no trabalho: 126 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III • conservar o bom relacionamento no ambiente laboral; • manter a calma em reuniões de trabalho; • gerenciar o tempo de trabalho para cada atividade; • realizar testes e exames periódicos nos funcionários; • adaptar horários flexíveis e intervalos entre as atividades; • promover campanhas decombate ao estresse no trabalho; • oferecer sala de relaxamento e convivência para os operários; • estabelecer uma atividade física de rotina e alimentação adequada. Para que as empresas contem sempre com uma equipe produtiva no ambiente laboral, é essencial manter os funcionários bem informados sobre os causadores do estresse e delegar tarefas legitimamente, segundo os limites de cada trabalhador. A qualidade de vida no ambiente de trabalho visa facilitar e satisfazer às necessidades do trabalhador ao executar suas atividades na organização por meio de ações para o desenvolvimento pessoal e profissional. As pessoas são mais produtivas quanto mais satisfeitas e envolvidas estiverem com o próprio trabalho. Portanto, a ideia principal é a conciliação dos interesses dos indivíduos e das empresas, ou seja, ao melhorar a satisfação do trabalhador dentro de seu contexto laboral, eleva-se consequentemente a produtividade. Em alguns casos, o estresse ocupacional não tratado pode gerar a síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento físico e psíquico em decorrência do trabalho. Nessa conjuntura, como a educação pode promover a segurança no trabalho? Com a produção e difusão de conteúdos instrutivos através de uma comunicação eficaz, que contribua para a promoção da segurança e da saúde dos trabalhadores e proteção do meio ambiente. Quando fazemos a coisa certa, sentimo-nos bem, não só por termos colaborado com o nosso bem-estar, mas também com o dos outros. Segurança é uma questão de educação. A segurança do trabalho não é apenas cumprir legislação, mas a arte de aplicar práticas capazes de minimizar e eliminar riscos. Precisamos buscar as referências necessárias para oferecer soluções, e não apenas negativas. Sim, as negativas fazem parte do caminho, mas devem ser a exceção, e não a regra. Jamais seremos respeitados enquanto não assumirmos o entendimento da aplicação do conhecimento para gerenciar o risco. Precisamos entender que somos pagos para aplicar conhecimento, do qual a lei faz parte, mas não é tudo. Devemos ter em mente que nosso papel é promover a realização das atividades dentro do maior grau possível de aplicação de técnicas prevencionistas, e nunca ficarmos apenas na postura 127 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO da inviabilização. Nas práticas educativas, pressupõe-se uma mediação entre informações de caráter técnico e de habilidade individual para possibilitar uma mudança de postura. O trabalho de conscientização dos funcionários faria com que eles conhecessem a organização da empresa e a função dos setores e equipamentos para que percebessem sua participação nos processos da entidade. Nas instituições em que se investe em desenvolvimento de atividades com enfoque educativo, o funcionário deve ser visto e tratado como parte constituinte da empresa, que constrói e é construído pelas tarefas de seu cotidiano. Esse tipo de trabalhador tem maior possibilidade de notar possíveis pontos de falha e conversar com os superiores, indicando e discutindo prováveis soluções, uma vez que seu saber é valorizado. Os estudos sobre o meio ambiente do trabalho têm como característica básica a interligação de diversas disciplinas não jurídicas, como a medicina, a higiene e a engenharia do trabalho. As políticas públicas relativas à seguridade social e às medidas de segurança e higiene do trabalho mobilizam inúmeros profissionais de diferentes formações, como médicos, enfermeiros, engenheiros, advogados, geólogos, sanitaristas etc. Tais políticas seguem orientações da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a área, conforme diretrizes do Programa Internacional para a Melhora das Condições e Meio Ambiente do Trabalho (PIACT) e do documento chamado Desenvolvimento Sustentável e Ambientes Sadios – Proteção do Meio Ambiente Humano. A matéria de segurança e medicina do trabalho é uma das abordadas no Direito do Trabalho. Saiba mais FUNDACENTRO. Saúde e segurança no trabalho no Brasil: aspectos institucionais, sistemas de informação e indicadores. Brasília, 2011. Disponível em: <http://www.cpn-nr18.com.br/uploads/documentos-gerais/ livro_sst_ipea_e_fundacentro.pdf>. Acesso em: 30 set. 2016. A segurança e a medicina do trabalho estão previstas no capítulo V da CLT, que trata da inspeção prévia e do embargo ou interdição; órgãos de segurança e de medicina do trabalho nas empresas; equipamento de proteção individual; medidas preventivas de medicina do trabalho; edificações; iluminação; conforto térmico; instalações elétricas; movimentação, armazenagem e manuseio de materiais; máquinas e equipamentos; caldeiras, fornos e recipientes sob pressão; atividades insalubres ou perigosas; prevenção da fadiga; outras medidas especiais de proteção e das penalidades. Pode-se dizer que tal parte do direito do trabalho contém regras que implicam direitos e obrigações entre empregados e empregadores, nas quais predominam deveres dos patronos perante o Estado. 128 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III 6.2.1 Segurança do trabalho É a ciência que atua na prevenção dos acidentes do trabalho decorrentes dos fatores de riscos ocupacionais. Compreende o conjunto de medidas que versam sobre condições específicas de instalação do estabelecimento e de suas máquinas, visando à garantia do trabalhador contra natural exposição aos riscos inerentes à prática da atividade profissional. Nos locais de trabalho, existem inúmeras situações de risco passíveis de provocar acidentes do trabalho. Logo, a análise de fatores de risco em todas as tarefas e nas operações do processo é fundamental para a prevenção. Assim, a segurança do trabalho pode ser entendida como o acervo de ações adotadas que objetivam minimizar os acidentes de trabalho, as doenças ocupacionais, bem como proteger a integridade e a capacidade de trabalho das pessoas envolvidas. A segurança do trabalho é praticada pela conscientização de empregadores e empregados em relação aos seus direitos e deveres. Deve ser praticada no trabalho, na rua, em casa, em todo lugar e em qualquer momento. No Brasil, a legislação de segurança do trabalho baseia-se na Constituição Federal, na CLT, nas NRs e em outras leis complementares como portarias, decretos e convenções internacionais da OIT e da OMS. Ainda temos a Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (PNSST), instituída pelo Decreto nº 7.602, de 7 de novembro de 2011, que tem por objetivos a promoção da saúde, a melhoria da qualidade de vida do trabalhador, a prevenção de acidentes e de danos à saúde relacionados ao trabalho. 6.2.2 Higiene e medicina do trabalho A higiene do trabalho, ou higiene ocupacional, é um conjunto de medidas preventivas relacionadas ao ambiente do trabalho, visando à redução de acidentes de trabalho e de doenças ocupacionais. A medicina do trabalho tem por finalidade zelar pela saúde e bem-estar físico, mental e social dos operários. A higiene do trabalho é uma parte da medicina do trabalho restrita às ações preventivas, enquanto a medicina abrange as providências curativas. A higiene visa à aplicação dos sistemas e princípios que a medicina estabelece para proteger o trabalhador, prevendo ativamente os perigos que, para a saúde física ou psíquica, se originam do trabalho. A eliminação dos agentes nocivos em relação ao trabalhador constitui o objeto principal da higiene laboral. A higiene deve prever riscos à saúde do funcionário, efetuando o reconhecimento de risco. É realizado o levantamento detalhado de informações e de dados sobre o ambiente de trabalhocom o intuito de identificar os elementos existentes, os potenciais de risco a eles associados e 129 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO qual a prioridade de avaliação e controle para esse ambiente de trabalho. Para realizar essa fase, é necessário conhecer: tecnologia de produção, processos usados, fluxogramas, parâmetros de pressão, temperatura etc. Dessa forma, os objetivos de um programa de higiene do trabalho consistem em reconhecer, avaliar e controlar os riscos ambientais presentes nos locais de trabalho. a) Reconhecimento – Esta etapa baseia-se no reconhecimento dos agentes ambientais que afetam a saúde dos trabalhadores, o que implica o conhecimento profundo dos produtos envolvidos no processo, métodos de trabalho, fluxo de processo, layout das instalações, número de trabalhadores expostos etc. Esta etapa compreende também o planejamento da abordagem do ambiente a ser estudado, seleção dos métodos de coleta, bem como dos equipamentos de avaliação. b) Avaliação – Trata-se da fase em que se realiza a avaliação quantitativa e/ou qualitativa dos agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos postos de trabalho a serem avaliados. Exige-se conhecimento de avaliação, que consistem basicamente na calibração dos equipamentos, tempo de coleta, tipo de análise química a ser feita. c) Controle diz respeito às medidas a serem tomadas com base nos dados obtidos pela avaliação e reconhecimento detalhado do local de trabalho, máquinas utilizadas, operações realizadas etc., de forma a eliminar ou reduzir os riscos à saúde (SALIBA et al., 2002). Esses riscos classificam-se como processos produtivos, e são operacionais ou ambientais. Os riscos produtivos de operação se referem às condições do ambiente relativas ao processo operacional, como máquinas desprotegidas, pisos escorregadios etc. Já riscos produtivos de ambiente são associados aos provenientes de ação agressiva dos produtos e do ambiente, como presença de gases, ruído, calor etc. Os riscos ambientais são agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho capazes de causar danos a saúde do trabalhador em virtude de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição. Os agentes físicos são as diversos tipos de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas (calor e frio), radiações ionizantes (alfa, beta, gama e raios X), radiações não ionizantes (infravermelho, ultravioleta, radiações laser e micro- ondas), bem como os infrassons e ultrassons. Os agentes químicos são substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo por via respiratória, cutânea ou digestiva, como aerodispersoides sólidos e líquidos, que são poeiras, fumos, névoas e neblina, ou gases e vapores. 130 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Os procedimentos adotados para a avaliação de alguns agentes de risco estão dispostos na NR- 15 – Atividades e Operações Insalubres. De acordo com ela, o trabalhador não deve exceder o limite de tolerância de exposição aos agentes. Observação Limite de tolerância é a concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador. A higiene do trabalho também se relaciona direta ou indiretamente com diversos ramos profissionais: Direito – A higiene do trabalho fornece subsídios técnicos para solução de conflitos trabalhistas envolvendo insalubridade. No campo do direito previdenciário e civil, os dados de avaliação de exposição a riscos ambientais auxiliam na concessão de aposentadoria especial e indenizações por incapacidade e/ou doenças do trabalho. Engenharia – A engenharia está presente em todas as etapas de um programa de higiene do trabalho. Deste modo, esta ciência é essencial no reconhecimento, avaliação e controle dos riscos ambientais. Ergonomia – A higiene do trabalho não visa apenas à detecção de atividades e/ou operações insalubres, mas também à melhoria do conforto e qualidade de vida do trabalhador no seu ambiente de trabalho. Saneamento e meio ambiente – A importância da higiene do trabalho, ou seja, da avaliação e controle de riscos ocupacionais, ultrapassa os limites do ambiente de trabalho; não só este é parte do meio ambiente em geral, como através da prevenção adequada dos riscos ocupacionais o impacto negativo da industrialização no meio ambiente pode ser apreciavelmente reduzido. Psicologia e sociologia – A psicologia e sociologia tratam de harmonizar as relações entre processo produtivo, o ambiente de trabalho e o homem. A higiene do trabalho, através de suas etapas, fornece dados essenciais para a melhor interpretação do universo do trabalho. Medicina do Trabalho – O controle biológico, por meio de exames médicos, é um dos parâmetros utilizados para verificar a eficiência e subsidiar um programa de controle de riscos ambientais. Toxicologia – A toxicologia fornece dados técnicos sobre os contaminantes ambientais, facilitando o reconhecimento dos riscos ambientais nos locais 131 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO de trabalho. Pode-se então afirmar que a toxicologia, na maioria das vezes, antecede as etapas clássicas de um programa de higiene do trabalho. Segurança do Trabalho – A higiene do trabalho, mediante análise dos agentes agressivos nos pontos de trabalho, muitas vezes previne também riscos operacionais capazes de gerar acidente de trabalho (PREFEITURA DE JUIZ DE FORA, 2014, p. 3). Na determinação dos riscos, sempre devemos considerar o tempo de exposição, concentração ou intensidade dos agentes, características dos agentes e estudo do ambiente de trabalho através de levantamentos qualitativos, quantitativos, tempo real de exposição e susceptibilidades individuais. Assim, a higiene do trabalho, por se tratar de uma ciência que tem como objetivo principal a relação entre o homem e o meio ambiente de trabalho, é essencial para o bom desenvolvimento e para a prática de ações multidisciplinares de educação dos trabalhadores, no sentido de prevenir riscos ambientais, obtendo-se melhor organização das atividades. 6.2.3 Saúde ocupacional Saúde ocupacional é a área que cuida da saúde do trabalhador, especialmente na prevenção de doenças ou problemas provenientes do trabalho. Seu objetivo principal é intervir no ambiente laboral a fim de reduzir os riscos ali presentes, e não apenas de prevenir que eles aflijam o trabalhador, promovendo o bem-estar tanto físico como mental e social dos operários. O principal intuito da saúde ocupacional é se voltar para a prevenção de doenças e demais adversidades que possam se originar no espaço de trabalho. Seu objetivo está focado na qualidade de vida do trabalhador, promovendo aos funcionários um ambiente de trabalho propício. Dessa forma, a saúde ocupacional previne contra riscos e demais dificuldades que o empregado venha a enfrentar por conta do ambiente físico/ambiental em que realiza suas atividades. A prevenção dos acidentes de trabalho é alcançada com a aplicação de medidas técnicas e de recursos dados pela saúde ocupacional, esta entendida como os ensinamentos, recomendações e instruções que visam à proteção da vida e da saúde dos trabalhadores. Decorre de aplicação de conhecimentos de diversos ramos do saber, com a participação de médicos, advogados, sanitaristas, psiquiatras, físicos,engenheiros etc. A saúde ocupacional busca recuperar os trabalhadores vítimas de infortúnio, dando- lhes a possibilidade de voltar a trabalhar na mesma tarefa ou em outra. O Brasil ratificou, em 18 de maio de 1992, a Convenção nº 155 da OIT (aprovada em 1981), que disciplina questões de saúde, segurança e meio ambiente de trabalho. Também sancionou, em 18 de maio de 1990, a Convenção nº 161 da OIT (aprovada em 1985), que assegura serviços de saúde do trabalho. Com isso, compromete-se a observar os princípios e as normas contidas nas respectivas convenções. Portanto, o direito a condições de trabalho seguras e higiênicas é assegurado na Constituição. Além disso, prevê o seguinte: 132 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei: [...] II – executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador; [...] VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho. A saúde do trabalhador compreende o conjunto de atividades que se destina, por meio das ações de vigilância sanitária e vigilância epidemiológica, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, bem como à recuperação e à reabilitação da saúde dos indivíduos sujeitos aos riscos e agravos decorrentes das condições de trabalho. Envolve várias atividades específicas, dentre elas: assistência ao trabalhador acidentado ou portador de doença profissional; participação em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde existentes no processo de trabalho; análise dos impactos que as tecnologias provocam à saúde; informação ao trabalhador, à sua respectiva entidade sindical e às empresas sobre os riscos de acidente do trabalho, doença profissional e do trabalho; participação na normatização, na fiscalização e no controle dos serviços de saúde do trabalhador nas instituições e entidades públicas e privadas; garantia ao sindicato dos trabalhadores de requerer ao órgão competente a interdição de máquina, de setor de serviço ou de todo o ambiente de trabalho, quando houver exposição a risco iminente para a vida ou para a saúde das pessoas. Já a vigilância sanitária é o rol de ações capaz de eliminar, diminuir, prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo: o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos da produção ao consumo; e o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde. Faz parte do poder de polícia do Estado. Lembrete O principal intuito da saúde ocupacional é a prevenção de doenças, com o objetivo de promover o bem-estar tanto físico como mental dos trabalhadores no exercício de suas ocupações. O Ministério da Saúde, através da Portaria nº 1.339/GM, de 18 de novembro de 1999, instituiu uma nova lista de doenças relacionadas ao trabalho, a ser adotada como referência dos agravos originados no processo de trabalho no Sistema Único de Saúde (SUS), para uso clínico e 133 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO epidemiológico, visando colaborar na definição de políticas públicas no campo da vigilância da saúde dos trabalhadores. 6.3 Como planejar um treinamento Para Chiavenato (2006), todo programa de treinamento e desenvolvimento possui ciclos contínuos e renováveis. São eles: • Entrada – faz o levantamento das necessidades da empresa; • Processamento – programação de treinamento para atender às necessidades; • Saídas – implementação e execução do treinamento; • Retroação (feedback) – avaliação dos resultados. Quanto à abrangência, os objetivos se dividem em dois aspectos: • Aspecto técnico – este tange os aspectos específicos da empresa, direcionando o treinamento que será aplicado; • Aspecto comportamental – a área de T&D é responsável, tem informações prioritárias e valores que serão passadas para os treinados. Deve-se ainda verificar se o treinamento será baseado em competências ou em cargos. • Apoiado em competências: o objetivo é desenvolver uma nova habilidade em um indivíduo agregando valor, trazendo o benefício social a quem aprendeu a nova habilidade e o benefício econômico para a organização, porque o indivíduo exercerá de maneira mais eficiente a sua função; • Fundamentado em cargos: tem o intuito de preparar a pessoa para exercer uma função específica. Todo treinamento se baseia em um mapeamento das competências essenciais necessárias ao sucesso institucional. Elas são desdobradas em áreas da companhia e em habilidades individuais. Lembrete No processo de desenvolvimento assentado em competência, é vital conhecer os talentos da empresa, analisar as pessoas em sua individualidade, deficiências pessoais, efetividade dos planos e as ações propostas. 134 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Competência Habilidade Saber fazer Treinamento prático Conhecimento Atitude Saber Quero fazer Treinamento teórico Depende do profissional Figura 46 – Os treinamentos devem levar em consideração as competências A pesquisa das necessidades de treinamento deve ser contínua pela área de Recursos Humanos. Obviamente, ela deverá ser o primeiro passo, mesmo quando feita de maneira informal e assistemática. O essencial é que forneça dados que permitam definir claramente, no planejamento, os objetivos da ação de treinamento. É importante decretar o que deverá ser executado de acordo com as exigências organizacionais. Através de um planejamento de pesquisa, será avaliado o meio em que facilitará o trabalho das pessoas envolvidas nos processos. Entrevista com pessoal de linha, com supervisores, questionários, avaliação de desempenho, pesquisa de atitude (ou de clima), reuniões, cursos gerenciais, entre outros, são alguns dos métodos aplicados para o levantamento dessas instâncias. Neste caso não há vantagem ou desvantagem, não se considera um meio melhor ou mais propício, isso vai depender de cada empresa. Finalmente, será possível, por meio das informações obtidas; verificar se o problema é passível de solução através dos métodos usados no programa de treinamento ou não. Para os dois casos citados (baseado em competências e apoiado em cargos), é preciso fazer o levantamento dos recursos indispensáveis de treinamento, ou seja, confeccionar uma tabela com propostas de treinamentos, cursos e instruções formais, abrangendo custos, prazos para realização, objetivos, fornecedores e meios de avaliação; dentre outros subsídios relevantes, é vital considerar a realidade da organização, por exemplo, como o número de funcionários, o faturamento da empresa, o modelo de gestão etc. A pesquisa de clima e a avaliação de desempenho são alguns indicadores que podem auxiliar no diagnóstico, e eles podem ser de necessidades futuras (por exemplo, redução do número de empregados) ou de necessidades passadas (por exemplo, falhas na comunicação interna). Para iniciar o planejamento, é imperioso criar uma tabela com as seguintes perguntas sobre os treinamentos: • Quantos precisam ser criados? • Quanto tempo e pessoal serão necessários para a sua execução? • Quando devem ser realizados? • Que metodologia deverá ser aplicada em cada um deles? • Qual o conteúdoa ser aplicado? • Quanto custarão? 135 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO Quando tais perguntas forem respondidas, deve-se documentar todas as informações, promovendo um plano de treinamento estruturado. Os resultados obtidos nos questionários servirão de base para definir quais as ações devem ser tomadas para alcançar os resultados propostos no projeto. O planejamento de treinamento visa identificar falhas e criar alternativas que proporcionem melhorias nos processos. Isso demonstra ser um importante elo entre a dimensão do conhecimento e a valorização e desempenho das pessoas. 6.3.1 Etapas do treinamento – Objetivos, exigências, metodologias, programação Não há possibilidade de nos desenvolvermos economicamente e, por conseguinte, elevarmos o nosso nível social sem aumentarmos as nossas habilidades, sejam elas intelectuais, sejam técnicas. Logo, ampliar a capacitação e as habilidades das pessoas é função primordial do treinamento. Treinar é: o ato intencional de fornecer os meios para proporcionar a aprendizagem, é educar, ensinar, é mudar o comportamento, é fazer com que as pessoas adquiram novos conhecimentos, novas habilidades, é ensiná-las a mudar de atitudes. Treinar, no sentido mais profundo, é ensinar a pensar, a criar e a aprender a aprender (CHIAVENATO, 1994, p. 126). Saiba mais Nesse contexto, sugerimos que assista aos seguintes filmes: JERRY Maguire: a grande virada. Dir. Cameron Crowe. EUA: TriStar Pictures, 1996. 139 minutos. UMA MANHÃ gloriosa. Dir. Roger Michell. EUA: Paramount Pictures, 2011. 107 minutos. O treinamento deve incentivar o funcionário a se autodesenvolver, a buscar o seu próprio meio de reciclagem. O perito nessa área, por sua vez, deverá conscientizar os operários sobre o valor do autodesenvolvimento e da busca do aprendizado contínuo. Além disso, a missão do treinamento pode ser descrita como uma atividade que visa: ambientar os novos operários; fornecer novos conhecimentos a eles; desenvolver comportamentos necessários para o bom andamento do trabalho. Quando a organização treina um empregado, este se sente prestigiado perante sua empresa. Como já ressaltamos, o treinamento é uma responsabilidade diretiva, e a área de treinamento servirá para dar apoio ao gerente, fornecendo recursos, programas, materiais didáticos e assessorá-lo na 136 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III elaboração dos programas específicos. O gerente deve se preocupar com a capacitação de sua equipe, cuidando para que ela receba a instrução adequada continuamente. 2. Projeto e planejamento de treinamento 4. Avaliação dos resultados do treinamento 1. Definição das necessidades de treinamento 3. Execução do treinamento Monitoramento Figura 47 – Processo de planejamento de treinamento 6.3.2 Etapas do treinamento – Objetivos Um programa de treinamento deve se guiar por alguns pontos imprescindíveis para o seu sucesso: a) Identificar o cliente: este é o ponto de partida para a elaboração do programa. Se a identificação do cliente estiver errada, todo o programa perderá o seu sentido. Para a identificação, pergunte: qual é o problema a ser solucionado? Quais são as suas necessidades? E que resultados deverão ser alcançados? Somente o cliente terá as respostas para estas perguntas. b) Levantamento de necessidades: para que um programa de treinamento tenha o resultado esperado, temos que ajustar as ações da área de treinamento com as necessidades da instituição. Ao realizarmos um levantamento de necessidade, temos que tomar cuidado para não cairmos na tentação do resultado imediato cobrado pelos empresários. O levantamento de necessidades trará à tona a carência observada no indivíduo ou no grupo, diante do padrão de qualificação necessário para a boa execução da tarefas de uma função. Os resultados traçados definirão as ações a serem tomadas posteriormente. Para realizar o levantamento de necessidades[,] podemos utilizar os seguintes instrumentos: questionário; avaliação de desempenho; discussão em grupo; reuniões interdepartamentais; entrevista estruturada; pesquisa de clima; pesquisa de satisfação de clientes, entre outros. Seja qual for o instrumento utilizado[,] não podemos abrir mão da criatividade, tendo sempre em mente os objetivos da empresa. 137 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO c) Diagnosticar o problema: nesta etapa o profissional de treinamento irá analisar o desvio encontrado e assim verificar se o problema é solucionável através de um programa de treinamento (CHIAVENATO, 1994). Deficiência no desempenho Processos deficientes Falta de incentivos Falta de recursos Liderança inoperante Deficiência em CHA Falta de padrão Figura 48 – Diagnosticar o problema 6.3.3 Etapas do treinamento – Exigências Primeiramente, vejamos algumas definições e as exigências legais. O Ministério do Trabalho e Previdência Social destaca o seguinte: – profissional capacitado: trabalhador que recebeu capacitação com orientação e responsabilidade de um profissional habilitado. – profissional habilitado: profissional com atribuições legais para a atividade a ser desempenhada e que assume a responsabilidade técnica, tendo registro no conselho profissional de classe. – profissional qualificado: aquele que comprovar conclusão de curso específico na área, reconhecido pelo sistema oficial de ensino (BRASIL, 2004a). Agora vamos ressaltar informações vitais sobre algumas NRs. 138 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Sobre as exigências legais das NRs, a NR-4 – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, dispõe: 4.12 Compete aos profissionais integrantes dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho: f) promover a realização de atividades de conscientização, educação e orientação dos trabalhadores para a prevenção de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais, tanto através de campanhas quanto de programas de duração permanente; g) esclarecer e conscientizar os empregadores sobre acidentes do trabalho e doenças ocupacionais, estimulando-os em favor da prevenção; (BRASIL, 2016d). A NR-5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, delibera: 5.32 A empresa deverá promover treinamento para os membros da CIPA, titulares e suplentes, antes da posse; 5.32.1 O treinamento de CIPA em primeiro mandato será realizado no prazo máximo de trinta dias, contados a partir da data da posse. 5.32.2 As empresas que não se enquadrem no Quadro I promoverão anualmente treinamento para o designado responsável pelo cumprimento do objetivo desta NR. 5.34 O treinamento terá carga horária de vinte horas, distribuídas em no máximo oito horas diárias e será realizado durante o expediente normal da empresa. 5.35 O treinamento poderá ser ministrado pelo SESMT da empresa, entidade patronal, entidade de trabalhadores ou por profissional que possua conhecimentos sobre os temas ministrados. 5.36 A CIPA será ouvida sobre o treinamento a ser realizado, inclusive quanto à entidade ou profissional que o ministrará, constando sua manifestação em ata, cabendo à empresa escolher a entidade ou profissional que ministrará o treinamento. 5.37 Quando comprovada a não observânciaao disposto nos itens relacionados ao treinamento, a unidade descentralizada do Ministério do Trabalho e Emprego determinará a complementação ou a realização de outro, que será efetuado no prazo máximo de trinta dias, contados da data de ciência da empresa sobre a decisão (BRASIL, 2011d). 139 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO A NR-6 – Equipamentos de Proteção Individual (EPI), exige, em seu item 6.6.1: “Cabe ao empregador quanto ao EPI: d) orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação” (BRASIL, 2006b). A NR-7 – Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) destaca em seu item 9.3.1: “A denominação ‘qualificado’ se refere ao médico que realizou o treinamento em leitura radiológica por meio de curso/módulo específico” (BRASIL, 2013a). Neste caso, ainda que o treinamento não seja efetuado pela empresa, temos a exigência pela norma, do atendimento de leitura radiológica de acordo com os critérios da OIT, portanto, o médico deve ser treinado e a organização exigir sua comprovação. A NR-9 – Programas de Prevenção de Riscos Ambientais, expressa: 5. Medidas Preventivas e Corretivas 5.1 As medidas preventivas devem contemplar: [...] b) Orientação dos trabalhadores quanto aos riscos decorrentes da exposição à vibração e à utilização adequada dos equipamentos de trabalho, bem como quanto ao direito de comunicar aos seus superiores sobre níveis anormais de vibração observados durante suas atividades; 9.3.5.3 A implantação de medidas de caráter coletivo deverá ser acompanhada de treinamento dos trabalhadores quanto os procedimentos que assegurem a sua eficiência e de informação sobre as eventuais limitações de proteção que ofereçam. 9.3.5.5 A utilização de EPI no âmbito do programa deverá considerar as Normas Legais e Administrativas em vigor e envolver no mínimo: [...] b) programa de treinamento dos trabalhadores quanto à sua correta utilização e orientação sobre as limitações de proteção que o EPI oferece; 9.4.2 Dos trabalhadores: [...] II. seguir as orientações recebidas nos treinamentos oferecidos dentro do PPRA (BRASIL, 1994). 140 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III A NR-10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade, traz as seguintes exigências: 10.2.4 Os estabelecimentos com carga instalada superior a 75 kW devem constituir e manter o Prontuário de Instalações Elétricas, contendo, além do disposto no subitem 10.2.3, no mínimo: [...] d) documentação comprobatória da qualificação, habilitação, capacitação, autorização dos trabalhadores e dos treinamentos realizados; 10.6.1.1 Os trabalhadores de que trata o item anterior devem receber treinamento de segurança para trabalhos com instalações elétricas energizadas, com currículo mínimo, carga horária e demais determinações estabelecidas no Anexo III desta NR; 10.7.1 Os trabalhadores que intervenham em instalações elétricas energizadas com alta tensão, que exerçam suas atividades dentro dos limites estabelecidos como zonas controladas e de risco, conforme Anexo II, devem atender ao disposto no item 10.8 desta NR. 10.7.2 Os trabalhadores de que trata o item 10.7.1 devem receber treinamento de segurança, específico em segurança no Sistema Elétrico de Potência (SEP) e em suas proximidades, com currículo mínimo, carga horária e demais determinações estabelecidas no Anexo III desta NR. 10.8.8 Os trabalhadores autorizados a intervir em instalações elétricas devem possuir treinamento específico sobre os riscos decorrentes do emprego da energia elétrica e as principais medidas de prevenção de acidentes em instalações elétricas, de acordo com o estabelecido no Anexo III desta NR. 10.8.8.2 Deve ser realizado um treinamento de reciclagem bienal e sempre que ocorrer alguma das situações a seguir: a) troca de função ou mudança de empresa; b) retorno de afastamento ao trabalho ou inatividade, por período superior a três meses; c) modificações significativas nas instalações elétricas ou troca de métodos, processos e organização do trabalho. 10.8.8.3 A carga horária e o conteúdo programático dos treinamentos de reciclagem destinados ao atendimento das alíneas “a”, “b” e “c” do item 10.8.8.2 devem atender às necessidades da situação que o motivou. 141 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO 10.8.8.4 Os trabalhos em áreas classificadas devem ser precedidos de treinamento específico de acordo com risco envolvido. 10.8.9 Os trabalhadores com atividades não relacionadas às instalações elétricas desenvolvidas em zona livre e na vizinhança da zona controlada, conforme define esta NR, devem ser instruídos formalmente com conhecimentos que permitam identificar e avaliar seus possíveis riscos e adotar as precauções cabíveis. 10.11.4 Os procedimentos de trabalho, o treinamento de segurança e saúde e a autorização de que trata o item 10.8 devem ter a participação em todo processo de desenvolvimento do Serviço Especializado de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho – SESMT, quando houver. 10.11.5 A autorização referida no item 10.8 deve estar em conformidade com o treinamento ministrado, previsto no Anexo III desta NR (BRASIL, 2004a). Vale salientar a necessidade de uma adequada leitura do Anexo III – Treinamento, no qual estão detalhadas em cursos (básico e complementar) as cargas horárias mínimas para cada tipo de curso, assim como programação mínima. A NR-11 – Transporte, Movimentação, Armazenagem e Manuseio de Materiais, especifica em seus itens: 5.3 Além de capacitação, informações e instruções, o trabalhador deve receber orientação em serviço, que consiste de período no qual deve desenvolver suas atividades sob orientação e supervisão direta de outro trabalhador capacitado e experiente, com duração mínima de trinta dias. 11.1.5 Nos equipamentos de transporte, com força motriz própria, o operador deverá receber treinamento específico, dado pela empresa, que o habilitará nessa função (BRASIL, 2004b). A NR-12 – Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos, inicia suas instruções com o seguinte conteúdo: 12.5 Cabe aos trabalhadores: a) cumprir todas as orientações relativas aos procedimentos seguros de operação, alimentação, abastecimento, limpeza, manutenção, inspeção, transporte, desativação, desmonte e descarte das máquinas e equipamentos; [...] d) participar dos treinamentos fornecidos pelo empregador para atender às exigências/requisitos descritos nesta Norma; 142 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III 12.138 A capacitação deve: a) ocorrer antes que o trabalhador assuma a sua função; b) ser realizada sem ônus para o trabalhador; c) ter carga horária mínima[,] que garanta aos trabalhadores executarem suas atividades com segurança, sendo distribuída em no máximo oito horas diárias e realizada durante o horário normal de trabalho; d) ter conteúdo programático conforme o estabelecido no Anexo II desta Norma; e e) ser ministrada por trabalhadores ou profissionais qualificados para este fim, com supervisão de profissional legalmente habilitado[,] que se responsabilizará pela adequação do conteúdo, forma, carga horária, qualificação dos instrutores e avaliação dos capacitados. 12.138.1 A capacitação dos trabalhadores de microempresas e empresas de pequenoporte poderá ser ministrada por trabalhador da própria empresa [e] que tenha sido capacitado nos termos do item 12.138 em entidade oficial de ensino de educação profissional. 12.138.1.1 O empregador é responsável pela capacitação realizada nos termos do item 12.138.1. 12.138.1.2 A capacitação dos trabalhadores de microempresas e empresas de pequeno porte, prevista no item 12.138.1, deve contemplar o disposto no item 12.138, exceto a alínea “e”. 12.138.2 É considerado capacitado o trabalhador de microempresa e empresa de pequeno porte que apresentar declaração ou certificado emitido por entidade oficial de ensino de educação profissional, desde que atenda o disposto no item 12.138. 12.139 O material didático escrito ou audiovisual utilizado no treinamento e o fornecido aos participantes devem ser produzidos em linguagem adequada aos trabalhadores e ser mantidos à disposição da fiscalização, assim como a lista de presença dos participantes ou certificado, currículo dos ministrantes e avaliação dos capacitados. 12.140 Considera-se trabalhador ou profissional qualificado aquele que comprovar conclusão de curso específico na área de atuação, reconhecido pelo sistema oficial de ensino, compatível com o curso a ser ministrado. 143 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO 12.141 Considera-se profissional legalmente habilitado para a supervisão da capacitação aquele que comprovar conclusão de curso específico na área de atuação, compatível com o curso a ser ministrado, com registro no competente conselho de classe. 12.142 A capacitação só terá validade para o empregador que a realizou e nas condições estabelecidas pelo profissional legalmente habilitado responsável pela supervisão da capacitação, exceto quanto aos trabalhadores capacitados nos termos do item 12.138.2 (BRASIL, 2016c). Pela sua relevância, destacamos os anexos da NR-12 com instruções sobre capacitação, orientação e treinamento em cada um de seus segmentos. Recomendamos uma leitura detalhada destes anexos: • Anexo I – Distâncias de Segurança e Requisitos para o Uso de Detectores de Presença Optoeletrônicos. • Anexo II – Conteúdo Programático da Capacitação. • Anexo III – Meios de Acesso Permanentes. • Anexo IV – Glossário. • Anexo V – Motosseras. • Anexo VI – Máquinas para Panificação e Confeitaria. • Anexo VII – Máquinas para Açougue e Mercearia. • Anexo VIII – Prensas e Similares. • Anexo IX – Injetoras de Materiais Plásticos. • Anexo X – Máquinas para Fabricação de Calçados e Afins. • Anexo XI – Máquinas e Implementos para Uso Agrícola e Florestal. • Anexo XII – Equipamentos de Guindar para Elevação de Pessoas e Realização de Trabalho em Altura. A NR-13 – Caldeiras, Vasos de Pressão e Tubulações, inicia suas instruções pelo Anexo I, Capacitação Profissional, conforme segue: 144 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III A. Caldeiras A1 Condições Gerais A1.1 Para efeito desta NR, será considerado operador de caldeira aquele que satisfizer uma das seguintes condições: a) possuir certificado de Treinamento de Segurança na Operação de Caldeiras e comprovação de estágio prático conforme item A1.5 deste Anexo; b) possuir certificado de Treinamento de Segurança na Operação de Caldeiras previsto na NR 13 aprovada pela Portaria SSMT n° 02, de 8 de maio de 1984 ou na Portaria SSST nº 23, de 27 de dezembro de 1994. A1.2 O pré-requisito mínimo para participação como aluno, no Treinamento de Segurança na Operação de Caldeiras[,] é o atestado de conclusão do ensino fundamental. A1.3 O Treinamento de Segurança na Operação de Caldeiras deve, obrigatoriamente: a) ser supervisionado tecnicamente por PH; b) ser ministrado por profissionais capacitados para esse fim; c) obedecer, no mínimo, ao currículo proposto no item A2 deste Anexo. A1.4 Os responsáveis pela promoção do Treinamento de Segurança na Operação de Caldeiras estarão sujeitos ao impedimento de ministrar novos cursos, bem como a outras sanções legais cabíveis, no caso de inobservância do disposto no item A1.3 deste Anexo. A1.5 Todo operador de caldeira deve cumprir um estágio prático, na operação da própria caldeira que irá operar, o qual deverá ser supervisionado, documentado e ter duração mínima de: a) caldeiras da categoria A: 80 (oitenta) horas; b) caldeiras da categoria B: 60 (sessenta) horas; c) caldeiras da categoria C: 40 (quarenta) horas. A1.6 O estabelecimento onde for realizado estágio prático supervisionado previsto nesta NR deve informar, quando requerido pela representação sindical da categoria profissional predominante no estabelecimento: 145 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO a) período de realização do estágio; b) entidade, empregador ou profissional responsável pelo Treinamento de Segurança na Operação de Caldeira ou Unidade de Processo; c) relação dos participantes do estágio. A1.7 Deve ser realizada capacitação para reciclagem dos trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente com a operação das instalações sempre que nelas ocorrerem modificações significativas na operação de equipamentos pressurizados ou troca de métodos, processos e organização do trabalho (BRASIL, 2014a). A NR-17 – Ergonomia faz sua primeira exigência de treinamento no item 17.2.3. Vejamos o excerto: “Todo trabalhador designado para o transporte manual regular de cargas, que não as leves, deve receber treinamento ou instruções satisfatórias quanto aos métodos de trabalho que deverá utilizar, com vistas a salvaguardar sua saúde e prevenir acidentes” (BRASIL, 2007). A referida norma, em seu Anexo I – Trabalho dos Operadores de Checkout, determina: 6.1. Todos os trabalhadores envolvidos com o trabalho de operador de checkout devem receber treinamento, cujo objetivo é aumentar o conhecimento da relação entre o seu trabalho e a promoção à saúde. 6.2. O treinamento deve conter noções sobre prevenção e os fatores de risco para a saúde, decorrentes da modalidade de trabalho de operador de checkout, levando em consideração os aspectos relacionados a: a) posto de trabalho; b) manipulação de mercadorias; c) organização do trabalho; d) aspectos psicossociais do trabalho; e) agravos à saúde mais encontrados entre operadores de checkout. 6.2.1. Cada trabalhador deve receber treinamento com duração mínima de duas horas, até o trigésimo dia da data da sua admissão, com reciclagem anual e com duração mínima de duas horas, ministrados durante sua jornada de trabalho. 6.3. Os trabalhadores devem ser informados com antecedência sobre mudanças que venham a ocorrer no processo de trabalho. 146 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III 6.4. O treinamento deve incluir, obrigatoriamente, a disponibilização de material didático com os tópicos mencionados no item 6.2 e alíneas. 6.5. A forma do treinamento (contínuo ou intermitente, presencial ou à distância, por palestras, cursos ou audiovisual) fica a critério de cada empresa. 6.6. A elaboração do conteúdo técnico e avaliação dos resultados do treinamento devem contar com a participação de integrantes do Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho e da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, quando houver, e do coordenador do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional e dos responsáveispela elaboração e implementação do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (BRASIL, 2007). Observação A NR-17 tem o Anexo II – Trabalho em Teleatendimento/Telemarketing que, no entanto, não faz exigência de treinamento. Quanto à NR-18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção, temos vários itens de orientação e treinamento, conforme a área de operação do trabalhador. Destacamos a seguir os itens dessa norma: • 18.1 – Objetivo e Campo de Aplicação. • 18.2 – Comunicação Prévia. • 18.3 – Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção PCMAT. • 18.4 – Áreas de Vivência. • 18.5 – Demolição. • 18.6 – Escavações, Fundações e Desmonte de Rochas. • 18.7 – Carpintaria. • 18.8 – Armações de Aço. • 18.9 – Estruturas de Concreto. • 18.10 – Estruturas Metálicas. • 18.11 – Operações de Soldagem e Corte a Quente. 147 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO • 18.12 – Escadas, Rampas e Passarelas. • 18.13 – Medidas de Proteção contra Quedas de Altura. • 18.14 – Movimentação e Transporte de Materiais e Pessoas. • 18.15 – Andaimes e Plataformas de Trabalho. • 18.16 – Cabos de Aço e Cabos de Fibra Sintética. • 18.17 – Alvenaria, Revestimentos e Acabamentos. • 18.18 – Telhados e Coberturas. • 18.19 – Serviços em Flutuantes. • 18.20 – Locais Confinados. • 18.21 – Instalações Elétricas. • 18.22 – Máquinas, Equipamentos e Ferramentas Diversas. • 18.23 – Equipamentos de Proteção Individual. • 18.24 – Armazenagem e Estocagem de Materiais. • 18.25 – Transporte de Trabalhadores em Veículos Automotores. • 18.26 – Proteção Contra Incêndio. • 18.27 – Sinalização de Segurança. • 18.28 – Treinamento. • 18.29 – Ordem e Limpeza. • 18.30 – Tapumes e Galerias. • 18.31 – Acidente Fatal. • 18.32 – Dados Estatísticos (Revogado pela Portaria SIT nº 237/11). • 18.33 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) nas empresas da Indústria da Construção. 148 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III • 18.34 – Comitês Permanentes Sobre Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção • 18.35 – Recomendações Técnicas de Procedimentos (RTP). • 18.36 – Disposições Gerais. • 18.37 – Disposições Finais. • 18.38 – Disposições Transitórias. • 18.39 – Glossário. • Anexo I – Ficha de Análise de Acidente (Revogado pela Portaria SIT nº 237/11). • Anexo II – Resumo Estatístico Anual (Revogado pela Portaria SIT nº 237/11). • Anexo III – Plano de Cargas para Gruas. • Anexo IV – Plataformas de Trabalho Aéreo. Essa norma determina treinamento para quase todas as áreas mencionadas em seus itens. Aqui vamos citar as principais: 18.6.21 Os tubulões a céu aberto devem ser encamisados, exceto quando houver projeto elaborado por profissional legalmente habilitado que dispense o encamisamento, devendo atender aos seguintes requisitos: [...] b) todas as medidas de proteção coletiva e individual exigidas para a atividade devem estar descritas no Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção – PCMAT, bem como plano de resgate e remoção em caso de acidente, modelo de check list a ser aplicado diariamente, modelo de programa de treinamento destinado aos envolvidos na atividade contendo as atividades operacionais, de resgate e noções de primeiros socorros, com carga horária mínima de 8 horas; 18.14.2 Todos os equipamentos de movimentação e transporte de materiais e pessoas só devem ser operados por trabalhador qualificado, o qual terá sua função anotada em carteira de trabalho. 18.14.2.1 Os operadores devem ter ensino fundamental completo e devem receber qualificação e treinamento específico no equipamento, com carga horária mínima de dezesseis horas e atualização anual com carga horária 149 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO mínima de quatro horas. 18.14.2.1.1 Aos operadores que possuírem experiência comprovada em CTPS, anterior a maio de 2011, é dispensada a exigência de ensino fundamental completo. 18.15.2.7 Nas atividades de montagem e desmontagem de andaimes, deve- se observar que: a) todos os trabalhadores sejam qualificados e recebam treinamento específico para o tipo de andaime em operação; [...] d) os trabalhadores devem portar crachá de identificação e qualificação, do qual conste a data de seu último exame médico ocupacional e treinamento. 18.15.35 Os dispositivos de suspensão devem ser diariamente verificados pelos usuários e pelo responsável pela obra, antes de iniciados os trabalhos. 18.15.35.1 Os usuários e o responsável pela verificação devem receber treinamento e manual de procedimentos para a rotina de verificação diária (BRASIL, 2015d). A NR-19 – Explosivos, instrui nos itens a seguir a necessidade de treinamento: 5.2.4.1 O Plano de Emergência e Combate a Incêndio e Explosão deve conter: [...] b) Ações de prevenção: b1. constituição e atribuições da brigada de incêndio; b2. registros de treinamentos e exercícios simulados anuais envolvendo os trabalhadores e a brigada de incêndio; 5.2.4.2 O Plano de Emergência e Combate a Incêndio e Explosão deve ser implantado segundo cronograma detalhado[,] contendo prazos para execução de todas as etapas, inclusive treinamento teórico e prático, devendo ser simulado e revisado anualmente, com a participação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA – e de todos os trabalhadores. 6. Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA 150 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III 6.4 O treinamento anual da CIPA ou do trabalhador designado para o cumprimento dos objetivos desta deverá incluir todos os aspectos relativos aos riscos de acidentes com explosivos e sua prevenção. 9. Transporte interno 9.2 Os trabalhadores responsáveis pelo transporte interno de produtos arrematados ou outros materiais devem conhecer todos os riscos inerentes a esta atividade e receber treinamento especial sobre levantamento e transporte manual de peso. 11. Acesso aos estabelecimentos 11.1 Os estabelecimentos devem manter serviço permanente de portaria, com trabalhador fixo, com conhecimento sobre os riscos existentes nos locais de trabalho e treinado na prevenção de acidentes com explosivos, especialmente no que concerne ao Plano de Emergência e Combate a Incêndio e Explosão, cabendo-lhe impedir a entrada de pessoas, veículos e materiais que não atendam às exigências de segurança estabelecidas pelas normas internas da empresa. 12. Destruição de resíduos 12.3.1 Todos os trabalhadores envolvidos nas atividades de coleta e destruição de resíduos devem receber treinamento específico. 14. Formação de trabalhadores 14.1 As empresas devem promover a capacitação e treinamento permanente dos seus trabalhadores, conforme programa e cronograma específico, ministrando-lhes todas as informações sobre: a) os riscos decorrentes das suas atividades produtivas e as medidas de prevenção; b) o PPRA, especialmente no que diz respeito à prevenção de acidentes com explosivos; c) o Plano de Emergência e Combate a Incêndio e Explosão; d) as Normas de Procedimentos Operacionais; 151 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ador - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO e) a correta utilização e manutenção dos equipamentos de proteção individual, bem como as suas limitações. 14.1.1 Os treinamentos devem ser ministrados, obrigatoriamente, nos atos de admissão, sempre que houver troca de função, mudança nos procedimentos, equipamentos, processos ou nos materiais de trabalho e, ainda, no mínimo a cada ano a todos os trabalhadores, sendo obrigatório o registro de seu conteúdo, carga horária e frequência (BRASIL, 2011d). A NR-20 – Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis, especifica em seu Anexo I a necessidade de treinamentos conforme os itens a seguir: 1. As instalações que desenvolvem atividades de manuseio, armazenamento, manipulação e transporte com gases inflamáveis acima de 1 ton até 2 ton e de líquidos inflamáveis e/ou combustíveis acima de 1 m³ até 10 m³ devem contemplar no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, além dos requisitos previstos na Norma Regulamentadora nº 9: a) o inventário e características dos inflamáveis e/ou líquidos combustíveis; b) os riscos específicos relativos aos locais e atividades com inflamáveis e/ou líquidos combustíveis; c) os procedimentos e planos de prevenção de acidentes com inflamáveis e/ ou líquidos combustíveis; d) as medidas para atuação em situação de emergência. 1.1 O empregador deve treinar, no mínimo, três trabalhadores da instalação que estejam diretamente envolvidos com inflamáveis e/ou líquidos combustíveis, em curso básico previsto no Anexo II. 2.1 O empregador deve treinar trabalhadores da instalação que estejam diretamente envolvidos com inflamáveis, em curso Básico, na proporção definida na Tabela 2 (BRASIL, 2014b). No Anexo II são determinados os critérios para capacitação, assim como os conteúdos programáticos e carga horária, de acordo com os cursos: Curso Integração; Curso Básico; Curso Intermediário; Curso Avançado I; Curso Avançado II e, por fim, Curso Específico. Recomendamos sua leitura detalhada. Sobre a NR-22 – Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração, destacamos o seguinte excerto: 22.11.12 A manutenção e o abastecimento de veículos e equipamentos devem ser realizados por trabalhador treinado, utilizando-se de técnicas e 152 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III dispositivos que garantam a segurança da operação. 22.20.17 A implantação, operação e manutenção de instalações elétricas devem ser executadas somente por pessoa qualificada, que deve receber treinamento continuado em manuseio e operação de equipamentos de combate a incêndios e explosões, bem como para prestação de primeiros socorros a acidentados. 22.21-2 O manuseio e utilização de material explosivo devem ser efetuados por pessoal devidamente treinado, respeitando-se as normas do Departamento de Fiscalização de Produtos Controlados do Ministério da Defesa. 22.21.8 O acesso aos depósitos de explosivos e de acessórios só pode ser liberado a pessoal devidamente qualificado, treinado e autorizado pela empresa ou Permissionário de Lavra Garimpeira ou acompanhado de pessoa que atenda a estas qualificações. 22.21.17 Os trabalhadores envolvidos no transporte de explosivos e acessórios devem receber treinamento específico para realizar sua atividade. 22.21.37.1 A retirada de fogos falhados só poderá ser executada pelo encarregado – do – fogo ou, sob sua orientação, por pessoal qualificado e treinado. 22.24.22 O pessoal envolvido na ventilação e todo o nível de supervisão da mina, que trabalhe em subsolo, deve receber treinamento em princípios básicos de ventilação de mina. 22.25.8 Os processos de lixiviação devem ser executados por trabalhadores treinados e supervisionados por profissional legalmente habilitado. 22.28.5 Todas as minerações devem possuir um sistema com procedimentos escritos, equipes treinadas de combate a incêndio e sistema de alarme. 22.28.5.1 As equipes deverão ser treinadas por profissional qualificado e fazer exercícios periódicos de simulação. 22.28.15 Em toda mina devem ser instalados extintores portáteis de incêndio, adequados à classe de risco, cuja inspeção deve ser realizada por pessoal treinado. 22.32.1 Toda mina deverá elaborar, implementar e manter atualizado um plano de emergência que inclua, no mínimo, os seguintes requisitos: [...] 153 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO e) treinamento periódico das brigadas de emergência; 22.32.2 A empresa proporcionará treinamento semestral específico à brigada de emergência, com aulas teóricas e aplicações práticas. 22.35 Informação, Qualificação e Treinamento 22.35.1 A empresa ou Permissionário de Lavra Garimpeira deve proporcionar aos trabalhadores treinamento, qualificação, informações, instruções e reciclagem necessárias para preservação da sua segurança e saúde, levando- se em consideração o grau de risco e natureza das operações. 22.35.1.1 O treinamento admissional para os trabalhadores, que desenvolverão atividades no setor de mineração ou daqueles transferidos da superfície para o subsolo ou vice-versa, abordará, no mínimo, os seguintes tópicos: – treinamento introdutório geral com reconhecimento do ambiente de trabalho; – treinamento específico na função e orientação em serviço. 22.35.1.2 O treinamento introdutório geral deve ter duração mínima de seis horas diárias, durante cinco dias, para as atividades de subsolo, e de oito horas diárias, durante três dias, para atividades em superfície, durante o horário de trabalho, e terá o seguinte currículo mínimo: a) ciclo de operações da mina; b) principais equipamentos e suas funções; c) infraestrutura da mina; d) distribuição de energia; e) suprimento de materiais; f) transporte na mina; g) regras de circulação de equipamentos e pessoas; h) procedimentos de emergência; i) primeiros socorros; j) divulgação dos riscos existentes nos ambientes de trabalho constantes no Programa de Gerenciamento de Riscos e dos acidentes e doenças profissionais; 154 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III l) reconhecimento do ambiente do trabalho. 22.35.1.3 O treinamento específico na função consistirá de estudo e práticas relacionadas às atividades a serem desenvolvidas, seus riscos, sua prevenção, procedimentos corretos e de execução e terá duração mínima de quarenta horas para as atividades de superfície e quarenta e oito horas para as atividades de subsolo, durante o horário de trabalho e no período contratual de experiência ou antes da mudança de função. 22.35.1.3.1 A empresa ou Permissionário de Lavra Garimpeira deve proporcionar treinamento específico, com reciclagem periódica, aos trabalhadores que executem as seguintes operações e atividades: a) abatimento de chocos e blocos instáveis; b) tratamento de maciços; c) manuseio de explosivos e acessórios; d) perfuração manual; e) carregamento e transporte de material; f) transporte por arraste; g) operações com guinchos e içamentos; h) inspeções gerais da frente de trabalho; i) manipulação e manuseio de produtos tóxicos ou perigosos; j) outras atividades ou operações de risco especificadas no PGR. 22.35.1.4 A orientação em serviço consistirá de período no qual o trabalhador desenvolverá suas atividades, sob orientação de outro trabalhador experiente ou sob supervisão direta, com a duração mínima de quarenta e cinco dias. 22.35.1.5 Treinamentos periódicos e para situações específicas deverãoser ministrados sempre que necessário para a execução das atividades de forma segura. 22.35.2 Para operação de máquinas, equipamentos ou processos diferentes a que o operador estava habituado, deve ser feito novo treinamento, de 155 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO modo a qualificá-lo à utilização dos mesmos. 22.35.3 Será obrigatória orientação que inclua as condições atuais das vias de circulação das minas para os trabalhadores afastados do trabalho por mais de trinta dias consecutivos. 22.35.4 As instruções visando a informação, qualificação e treinamento dos trabalhadores devem ser redigidas em linguagem compreensível e adotando metodologias, técnicas e materiais que facilitem o aprendizado para preservação de sua segurança e saúde. 22.35.5 Considerando as características da mina, dos métodos de lavra e do beneficiamento, outros treinamentos poderão ser determinados pela autoridade regional competente em matéria de Segurança e Saúde do Trabalhador. 22.36.2.1 O treinamento para membros da CIPAMIN poderá ser ministrado pelo SESMT, entidades sindicais de empregadores ou de trabalhadores ou por profissionais que possuam conhecimentos sobre os temas ministrados, escolhidos de comum acordo entre o empregador e os membros da Comissão. 22.36.2.1.1 As empresas com até cinquenta empregados, inclusive as que possuem somente trabalhadores designados, podem organizar ou participar de treinamentos conjuntos que contemplem os temas especificados no item 22.36.12.2. 22.36.3.2 Quando o estabelecimento não se enquadrar no Quadro III desta NR[,] a empresa ou Permissionário de Lavra Garimpeira deverá designar e treinar em prevenção de acidentes um representante para cumprir os objetivos da CIPAMIN, o qual deverá promover a participação dos trabalhadores nas ações de prevenção de acidentes e doenças profissionais. 22.36.7 A CIPAMIN terá como atribuições: [...] c) analisar e discutir os acidentes do trabalho e doenças profissionais ocorridos, propondo e solicitando medidas que previnam ocorrências semelhantes e orientando os demais trabalhadores quanto à sua prevenção; [...] l) apresentar, durante o treinamento admissional dos trabalhadores previsto no item 22.35, os seus objetivos, atribuições e responsabilidades. 22.36.12 Todos os membros da CIPAMIN, efetivos e suplentes, deverão 156 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III receber treinamento de prevenção de acidentes e doenças profissionais, durante o expediente normal da empresa. 22.36.12.1 O treinamento para os membros da CIPAMIN poderá ser ministrado pelo SESMT, entidades sindicais de empregadores ou de trabalhadores ou por profissionais que possuam conhecimentos sobre os temas ministrados, escolhidos de comum acordo entre o empregador e os membros da Comissão. 22.36.12.1.1 As empresas com até cinquenta empregados, inclusive as que possuem somente trabalhadores designados, podem organizar ou participar de treinamentos conjuntos que contemplem os temas especificados no item 22.36.12.2. 22.37 Disposições Gerais 22.37.1 O empregador deverá fornecer ao trabalhador do subsolo alimentação compatível com a natureza do trabalho, sob a orientação de nutricionista, na forma da legislação vigente (BRASIL, 2016d). No tocante à NR-23 – Proteção Contra Incêndios, temos as seguintes exigências com relação a treinamento: 23.1.1 O empregador deve providenciar para todos os trabalhadores informações sobre: a) utilização dos equipamentos de combate ao incêndio; b) procedimentos para evacuação dos locais de trabalho com segurança; c) dispositivos de alarme existentes (BRASIL, 2011a). Embora a norma não faça nenhuma exigência, achamos relevante fazer uma orientação para que o treinamento de brigada de incêndio seja dividido em duas partes – combate a incêndio e primeiros socorros. Para tal, essa divisão deve ser feita por aptidão dos instrutores. Nessa conjuntura, os candidatos a brigadista devem atender preferencialmente aos seguintes critérios básicos: permanecer na edificação durante seu turno de trabalho; se possível, ter experiência anterior como brigadista; possuir boa condição física e boa saúde; possuir bom conhecimento das instalações, devendo ser escolhidos preferencialmente os funcionários da área de utilidades, elétrica, hidráulica e manutenção geral; ter responsabilidade legal; e, no mínimo, ser alfabetizado. A NR-24 – Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Trabalho, apenas determina em seu item 24.6.2 que “a empresa deverá orientar os trabalhadores sobre a importância das refeições adequadas e hábitos alimentares saudáveis” (BRASIL, 1993). 157 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO A NR-25 – Resíduos Industriais dispõe o seguinte: 25.5 Os trabalhadores envolvidos em atividades de coleta, manipulação, acondicionamento, armazenamento, transporte, tratamento e disposição de resíduos devem ser capacitados pela empresa, de forma continuada, sobre os riscos envolvidos e as medidas de controle e eliminação adequadas (BRASIL, 2011e). Já a NR-26 – Sinalização de Segurança estabelece que: 26.2.4 Os trabalhadores devem receber treinamento: a) para compreender a rotulagem preventiva e a ficha com dados de segurança do produto químico. b) sobre os perigos, riscos, medidas preventivas para o uso seguro e procedimentos para atuação em situações de emergência com o produto químico (BRASIL, 2011c). A NR-29 – Segurança e Saúde no Trabalho Portuário exige que: 29.1.4.2 Compete ao OGMO ou ao empregador: a) proporcionar a todos os trabalhadores formação sobre segurança, saúde e higiene ocupacional no trabalho portuário, conforme o previsto nesta NR; b) responsabilizar-se pela compra, manutenção, distribuição, higienização, treinamento e zelo pelo uso correto dos equipamentos de proteção individual – EPI e equipamentos de proteção coletiva – EPC, observado o disposto na NR-6; 29.1.6.3 No Plano de Controle de Emergência – PCE e no Plano de Ajuda Mútua – PAM, deve constar o estabelecimento de uma periodicidade de treinamentos simulados, cabendo aos trabalhadores indicados comporem as equipes e efetiva participação. 29.2.2 Comissão de Prevenção de Acidentes no Trabalho Portuário – CPATP. 29.2.2.2 A CPATP tem como objetivo observar e relatar condições de risco nos ambientes de trabalho e solicitar medidas para reduzir até eliminar ou neutralizar os riscos existentes, bem como discutir os acidentes ocorridos, encaminhando ao SESSTP, ao OGMO ou empregadores o resultado da discussão, solicitando medidas que previnam acidentes semelhantes[,] e ainda orientar os demais trabalhadores quanto à 158 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III prevenção de acidentes. 29.2.2.18 A CPATP terá as seguintes atribuições: [...] i) sugerir a realização de cursos, treinamentos e campanhas que julgar necessárias para melhorar o desempenho dos trabalhadores portuários quanto à segurança e saúde no trabalho; 29.3.6.5 A movimentação aérea de cargas deve ser necessariamente orientada por sinaleiro devidamente habilitado. 29.3.6.5.4 O sinaleiro deve receber treinamento adequado para aquisição de conhecimento do código de sinais de mão nas operações de guindar. 29.5.3 Nos trabalhos executados em embarcações ao largo deve ser garantida comunicaçãoeficiente e meios para, em caso de acidente, prover a rápida remoção do acidentado, devendo os primeiros socorros serem prestados por trabalhador treinado para este fim. 29.6.6.2 Os trabalhadores devem ter treinamento específico em relação às operações com produtos perigosos (BRASIL, 2014c). Quanto à NR-34 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção e Reparação Naval, temos as seguintes deliberações: 34.3 Capacitação e Treinamento 34.3.1 É considerado trabalhador qualificado aquele que comprovar conclusão de curso específico para sua atividade em instituição reconhecida pelo sistema oficial de ensino. 34.3.2 É considerado profissional legalmente habilitado o trabalhador previamente qualificado e com registro no competente conselho de classe. 34.3.3 É considerado trabalhador capacitado aquele que receba capacitação sob orientação e responsabilidade de profissional legalmente habilitado. 34.3.4 O empregador deve desenvolver e implantar programa de capacitação, compreendendo treinamento admissional, periódico e sempre que ocorrer qualquer das seguintes situações: a) mudança nos procedimentos, condições ou operações de trabalho; 159 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO b) evento que indique a necessidade de novo treinamento; c) acidente grave ou fatal. 34.3.4.1 O treinamento admissional deve ter carga horária mínima de seis horas, constando de informações sobre: a) os riscos inerentes à atividade; b) as condições e meio ambiente de trabalho; c) os Equipamentos de Proteção Coletiva – EPC existentes no estabelecimento; d) o uso adequado dos Equipamentos de Proteção Individual – EPI. 34.3.4.2 O treinamento periódico deve ter carga horária mínima de quatro horas e ser realizado anualmente ou quando do retorno de afastamento ao trabalho por período superior a noventa dias. 34.3.5 A capacitação deve ser realizada durante o horário normal de trabalho. 34.3.5.1 Ao término da capacitação, deve ser emitido certificado contendo o nome do trabalhador, conteúdo programático, carga horária, data e local de realização do treinamento e assinatura do responsável técnico. 34.3.5.2 O certificado deve ser entregue ao trabalhador e uma cópia deve ser arquivada na empresa. 34.3.5.3 A capacitação será consignada no registro do empregado. 34.3.6 O trabalhador deve receber o material didático utilizado na capacitação. 34.5.10.1 O observador deve receber treinamento ministrado por trabalhador capacitado em prevenção e combate a incêndio, com conteúdo programático e carga horária mínima conforme o item 1 do Anexo I desta Norma. 34.6.5.5 Os equipamentos da plataforma elevatória somente devem ser operados por trabalhador capacitado. 34.6.5.6 Todos os trabalhadores usuários de plataformas devem receber orientação quanto ao correto carregamento e posicionamento dos materiais na plataforma. 34.9.2 Devem ser implementadas as recomendações da FISPQ, treinando o 160 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III trabalhador quanto a suas disposições. Treinamento e Avaliação 34.10.21 O sinaleiro deve receber treinamento com carga horária e conteúdo programático em conformidade com o Anexo I, item 2, desta Norma. 34.10.22 Para os operadores, além do estabelecido no item 34.10.21, deve ser ministrado treinamento complementar, de acordo com o Anexo I, item 3, desta Norma. 34.14.2.1 Considera-se trabalhador capacitado para realização de testes de estanqueidade aquele que foi submetido a treinamento teórico e prático com carga horária e conteúdo programático em conformidade com o item 5 do Anexo I. 34.14.2.2 O trabalhador capacitado em teste de estanqueidade deve receber treinamento periódico a cada 12 meses, com carga horária mínima de 8 horas. 34.14.2.3 Os treinamentos devem ser ministrados por instrutores com comprovada proficiência no assunto, sob a responsabilidade de profissional legalmente habilitado (BRASIL, 2015a). O Anexo I desta norma determina o conteúdo programático e a carga horária mínima para os seguintes cursos: • curso básico para observador de trabalhos a quente; • curso básico de segurança em operações de movimentação de cargas; • curso complementar para operadores de equipamento de guindar; • curso básico de segurança para trabalhos a quente; • módulo específico aplicável às diferentes modalidades de trabalho a quente; • curso básico de segurança em teste de estanqueidade; Lembrete Recomendamos a leitura desse anexo para verificação das exigências legais de treinamento. A NR-35 – Trabalho em Altura faz as seguintes exigências: 2.1 As atividades com acesso por cordas devem ser executadas: 161 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO [...] b) por trabalhadores certificados em conformidade com normas técnicas nacionais vigentes de certificação de pessoas; c) por equipe constituída de pelo menos dois trabalhadores, sendo um deles o supervisor. 2.1.1 O processo de certificação desses trabalhadores contempla os treinamentos inicial e periódico previstos nos subitens 35.3.1 e 35.3.3 da NR-35. 35.3. Capacitação e Treinamento 35.3.1 O empregador deve promover programa para capacitação dos trabalhadores à realização de trabalho em altura. 35.3.2 Considera-se trabalhador capacitado para trabalho em altura aquele que foi submetido e aprovado em treinamento, teórico e prático, com carga horária mínima de oito horas, cujo conteúdo programático deve, no mínimo, incluir: a) normas e regulamentos aplicáveis ao trabalho em altura; b) análise de risco e condições impeditivas; c) riscos potenciais inerentes ao trabalho em altura e medidas de prevenção e controle; d) sistemas, equipamentos e procedimentos de proteção coletiva; e) Equipamentos de Proteção Individual para trabalho em altura: seleção, inspeção, conservação e limitação de uso; f) acidentes típicos em trabalhos em altura; g) condutas em situações de emergência, incluindo noções de técnicas de resgate e de primeiros socorros. 35.3.3 O empregador deve realizar treinamento periódico bienal e sempre que ocorrer quaisquer das seguintes situações: a) mudança nos procedimentos, condições ou operações de trabalho; 162 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III b) evento que indique a necessidade de novo treinamento; c) retorno de afastamento ao trabalho por período superior a noventa dias; d) mudança de empresa. 35.3.3.1 O treinamento periódico bienal deve ter carga horária mínima de oito horas, conforme conteúdo programático definido pelo empregador. 35.3.3.2 Nos casos previstos nas alíneas “a”, “b”, “c” e “d”, a carga horária e o conteúdo programático devem atender à situação que o motivou. 35.3.4 Os treinamentos inicial, periódico e eventual para trabalho em altura podem ser ministrados em conjunto com outros treinamentos da empresa. 35.3.5 A capacitação deve ser realizada preferencialmente durante o horário normal de trabalho. 35.3.5.1 O tempo despendido na capacitação deve ser computado como tempo de trabalho efetivo. 35.3.6 O treinamento deve ser ministrado por instrutores com comprovada proficiência no assunto, sob a responsabilidade de profissional qualificado em segurança no trabalho. 35.3.7 Ao término do treinamento[,] deve ser emitido certificado contendo o nome dotrabalhador, conteúdo programático, carga horária, data, local de realização do treinamento, nome e qualificação dos instrutores e assinatura do responsável. 35.3.7.1 O certificado deve ser entregue ao trabalhador e [deve haver] uma cópia arquivada na empresa. 35.3.8 A capacitação deve ser consignada no registro do empregado. 4. Planejamento, Organização e Execução 35.4.1 Todo trabalho em altura deve ser planejado, organizado e executado por trabalhador capacitado e autorizado. 35.4.1.1 Considera-se trabalhador autorizado para trabalho em altura aquele capacitado, cujo estado de saúde foi avaliado, tendo sido considerado apto para executar essa atividade e que possua anuência formal da empresa. 163 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO 35.4.6.1 Os procedimentos operacionais para as atividades rotineiras de trabalho em altura devem conter, no mínimo: a) as diretrizes e requisitos da tarefa; b) as orientações administrativas; c) o detalhamento da tarefa; d) as medidas de controle dos riscos características à rotina; e) as condições impeditivas; f) os sistemas de proteção coletiva e individual necessários; g) as competências e responsabilidades (BRASIL, 2014d). Por fim, temos a NR-36 – Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes e Derivados, que tem exigências específicas, como: 36.6.1 As atividades de descarga e recepção de animais devem ser devidamente organizadas e planejadas, devendo envolver, no mínimo: [...] h) estabelecimento de procedimentos de orientação aos contratados e terceiros acerca das disposições relativas aos riscos ocupacionais 36.6.2 Nas áreas de recepção e descarga de animais, devem permanecer somente trabalhadores devidamente informados e treinados. 36.8.4.1 As medidas preventivas devem incluir, no mínimo: a) afiação e adequação de ferramentas e equipamentos; b) treinamento e orientação, na admissão e periodicamente. 36.8.10 Os empregadores devem: a) estabelecer critérios de exigências para a escolha das características das facas, com a participação dos trabalhadores, em [virtude] das necessidades das tarefas existentes na empresa; [...] 164 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III d) instruir os supervisores sobre a importância da reposição de facas afiadas; e) treinar os trabalhadores, especialmente os recém-admitidos ou nos casos de mudança de função, no uso da chaira, quando aplicável à atividade. 36.9.4.2 Caso seja identificada exposição a agente biológico prejudicial à saúde do trabalhador, deverá ser efetuado o controle destes riscos, utilizando-se, no mínimo, das seguintes medidas: [...] e) treinamento e informação aos trabalhadores. 36.9.4.2.1 O treinamento indicado no item 36.9.4.2, alínea “e”, deve contemplar: a) os riscos gerados por agentes biológicos; b) as medidas preventivas existentes e necessárias; c) o uso adequado dos EPI; d) procedimentos em caso de acidente. 36.11.2 A estratégia de prevenção em SST e meio ambiente de trabalho deve: [...] b) integrar a prevenção nas atividades de capacitação e treinamento dos trabalhadores, incluindo os níveis gerenciais. 36.11.9 Quando ocorrer a implementação ou introdução de alterações nos ambientes e nos processos de trabalho[,] deve-se assegurar que os trabalhadores envolvidos tenham sido adequadamente informados e treinados. 36.12.5 Deve ser implementado um Programa de Conservação Auditiva, para os trabalhadores expostos a níveis de pressão sonora acima dos níveis de ação, contendo no mínimo: [...] c) treinamento e informação aos trabalhadores; 36.12.9 Cabe ao empregador, conforme orientação do coordenador do PCMSO, proceder, quando necessário, a readaptação funcional em atividade 165 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO compatível com o grau de incapacidade apresentada pelo trabalhador. 36.14.7.1.2 Os trabalhadores devem estar treinados para as diferentes atividades que irão executar. 36.14.8.1 Os superiores hierárquicos diretos dos trabalhadores da área industrial devem ser treinados para buscar no exercício de suas atividades: a) facilitar a compreensão das atribuições e responsabilidades de cada função; b) manter aberto o diálogo de modo que os trabalhadores possam sanar dúvidas quanto ao exercício de suas atividades; c) facilitar o trabalho em equipe; d) conhecer os procedimentos para prestar auxílio em caso de emergência ou mal-estar; e) estimular tratamento justo e respeitoso nas relações pessoais no ambiente de trabalho. 36.16 Informações e Treinamentos em Segurança e Saúde no Trabalho 36.16.1 Todos os trabalhadores devem receber informações sobre os riscos relacionados ao trabalho, suas causas potenciais, efeitos sobre a saúde e medidas de prevenção. 36.16.1.2 Os trabalhadores devem estar treinados e suficientemente informados sobre: a) os métodos e procedimentos de trabalho; b) o uso correto e os riscos associados à utilização de equipamentos e ferramentas; c) as variações posturais e operações manuais que ajudem a prevenir a sobrecarga osteomuscular e reduzir a fadiga, especificadas na AET; d) os riscos existentes e as medidas de controle; e) o uso de EPI e suas limitações; f) as ações de emergência. 36.16.1.3 Os trabalhadores que efetuam limpeza e desinfecção de materiais, equipamentos e locais de trabalho devem, além do exposto acima, receber 166 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III informações sobre os eventuais fatores de risco das atividades, quando aplicável, sobre: a) agentes ambientais físicos, químicos, biológicos; b) riscos de queda; c) riscos biomecânicos; d) riscos gerados por máquinas e seus componentes; e) uso de equipamentos e ferramentas. 36.16.2 As informações e treinamentos devem incluir, além do abordado anteriormente, no mínimo, os seguintes itens: a) noções sobre os fatores de risco para a segurança e saúde nas atividades; b) medidas de prevenção indicadas para minimizar os riscos relacionados ao trabalho; c) informações sobre riscos, sinais e sintomas de danos à saúde que possam estar relacionados às atividades do setor; d) instruções para buscar atendimento clínico no serviço médico da empresa ou terceirizado, sempre que houver percepção de sinais ou sintomas que possam indicar agravos a saúde; e) informações de segurança no uso de produtos químicos, quando necessário, incluindo, no mínimo, dados sobre os produtos, grau de nocividade, forma de contato, procedimentos para armazenamento e forma adequada de uso; f) informações sobre a utilização correta dos mecanismos de ajuste do mobiliário e dos equipamentos dos postos de trabalho, incluindo orientação para alternância de posturas. 36.16.3 Em todas as etapas dos processos de trabalhos com animais que antecedem o serviço de inspeção sanitária, devem ser disponibilizadas aos trabalhadores informações sobre: a) formas corretas e locais adequados de aproximação, contato e imobilização; b) maneiras de higienização pessoal e do ambiente; c) precauções relativas a doenças transmissíveis. 167 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO 36.16.4Deve ser realizado treinamento na admissão com, no mínimo, quatro horas de duração. 36.16.4.1 Deve ser realizado treinamento periódico anual com carga horária de, no mínimo, duas horas. 36.16.5 Os trabalhadores devem receber instruções adicionais ao treinamento obrigatório referido no item anterior quando forem introduzidos novos métodos, equipamentos, mudanças no processo ou procedimentos que possam implicar novos fatores de riscos ou alterações significativas. 36.16.6 A elaboração do conteúdo, a execução e a avaliação dos resultados dos treinamentos em SST devem contar com a participação de: a) representante da empresa com conhecimento técnico sobre o processo produtivo; b) integrantes do Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho, quando houver; c) membros da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes; d) médico coordenador do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional; e) responsáveis pelo Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. 36.16.6.1 O empregador deve disponibilizar material contendo, no mínimo, o conteúdo dos principais tópicos abordados nos treinamentos aos trabalhadores e, quando solicitado, disponibilizar ao representante sindical. 36.16.6.1.1 A representação sindical pode encaminhar sugestões para melhorias dos treinamentos ministrados pelas empresas e tais sugestões devem ser analisadas (BRASIL, 2016e). Procuramos relatar neste livro-texto as exigências das NRs, e avaliamos ser de suma importância destacar alguns itens na íntegra. Apresentamos não somente os artigos nos quais a exigência de treinamento é explicita, mas também nos quais a palavra “orientar” aparece no texto, pois pode significar não apenas uma simples orientação, mas uma necessidade de treinamento. Novas demandas surgem a todo o momento, provenientes de fontes internas e externas à organização. Assim, deve-se levar em conta possíveis solicitações dos colaboradores, reclamações de clientes, legislação e normas, pesquisas de mercado etc. Diante do proposto, é imperiosa a execução do projeto de treinamento. Ressaltamos os fatores relevantes para que ocorra um processo bem direcionado: qualidade dos treinados, dos 168 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III instrutores e dos materiais e das técnicas instrucionais, bem como envolvimento da chefia e adequação ao programa. 6.3.4 Etapas do treinamento – Metodologias A metodologia a ser utilizada nos treinamentos requer alguns fatores. Primeiramente, destacam-se os planos: a execução do treinamento dependerá do planejamento executado pela área de Recursos Humanos, lembrando que todo treinamento passa por cinco etapas básicas: análises de necessidades, concepção, desenvolvimento, implementação e avaliação. Também temos os programas: definidos no planejamento, devem ser aplicados de acordo com as disponibilidades da empresa e da exigência de atendimento a uma legislação específica. Depois evidenciam-se os recursos: didáticos, instrutores, equipamentos etc. Eles são empregados para realizar o treinamento. Para tal, deve-se identificar os objetivos do treinamento (amplo e específicos) e os prazos de atingimento; análise dos custos: pagamento das equipes de treinamento; ferramentas utilizadas; precisão de critérios de avaliação de desempenho; programação: com seleção e estruturação dos programas de treinamento (abordagem; profundidade); por fim, a definição do público-alvo (público específico; diversos públicos). Existem três tipos de treinamento: • estruturado: é um meio de aprendizagem acompanhado por um orientador juntamente com os treinandos. Esse tipo de programa pode ser realizado no local de trabalho ou fora dele, com material organizado e individual, sistemas informatizados, com a presença de um instrutor imparcial (externo à companhia) e, ao fim, realiza-se uma avaliação de resultados. O foco é desenvolver novas competências e conhecimentos específicos e gerais. • não estruturado: é um tipo de treinamento sem um planejamento específico e facilmente adaptável às situações e dos indivíduos – para ensinar habilidades e manter os funcionários atualizados; • de instrução: é o modo mais simples de estruturação de aprendizagem, que envolve definição de objetivos e aplicação de procedimentos instrucionais. É aplicado para transmissão de conhecimentos, habilidades e atitudes simples e fáceis de serem transmitidas ou desenvolvidas em eventos de curta duração. Os materiais assumem a forma de cartilhas, manuais, roteiros, aulas e similares, podendo, em alguns casos, serem autoinstrucionais. 169 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO Saiba mais Além do conteúdo apresentado com tais normas, você também pode ler mais a respeito em: BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS). Portaria MTE nº 2.062, de 30 de dezembro de 2014. Norma Regulamentadora nº 30 – Segurança e Saúde no Trabalho Aquaviário. Brasília, 2014e. Disponível em: <http://www.mtps.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR30.pdf>. Acesso em: 19 set. 2016. ___. Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS). Portaria MTE nº 1.896, de 9 de dezembro de 2013. Norma Regulamentadora nº 31 – Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura. Brasília, 2013b. Disponível em: <http:// www.mtps.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR31.pdf>. Acesso em: 27 set. 2016. ___. Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS). Portaria GM nº 1.748, de 30 de agosto de 2011. Norma Regulamentadora nº 32 – Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Saúde. Brasília, 2011f. Disponível em: <http://www.mtps.gov.br/images/Documentos/SST/ NR/NR32.pdf>. Acesso em: 26 set. 2016. ___. Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS). Portaria MTE nº 1.409, 29 de agosto de 2012. Norma Regulamentadora nº 33 – Segurança e Saúde no Trabalho em Espaços Confinados. Brasília, 2012. Disponível em: <http://www.mtps.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR33.pdf>. Acesso em: 22 set. 2016 É preciso saber exatamente quem deve ser convocado para o treinamento. Nesse contexto, é comum chefias serem chamadas para participar do processo com seus subordinados. Citamos o seguinte exemplo: define-se um treinamento específico para empregados que vão trabalhar em um ambiente confinado, e a chefia participa do mesmo processo. Contudo, a chefia permanecerá apenas no escritório, tornando o exercício ilógico, entediante para o instrutor, para os subordinados e para a chefia. Uma chefia somente deve participar de determinado treinamento se, e somente se, ela precise do conhecimento a ser ministrado em processo específico. Aprender por aprender, sem um real objetivo prático, é monótono e pouco eficiente. Logo, a base de todo o desenvolvimento profissional é apoiado no foco do programa e do trabalhador. 170 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III As metodologias a serem utilizadas podem ser: Palestra: tem o objetivo de apresentar de forma sucinta alguma novidade, por isso possui curta duração. Cursos: consiste no detalhamento de determinado assunto ou conjunto de temas com o foco de “treinar” ou “ensinar a fazer”. É composto de exposições de pessoas normalmente com formação acadêmica[,] que procuram passar seu conhecimento aos participantes. O foco está mais na teoria que na prática, porém não a exclui. É indicado para pessoas que têm baixo ou nenhum conhecimento sobre o assunto, com exceção dos cursos de especialização,cujo objetivo é o aperfeiçoamento daqueles que já dominam o assunto. O instrutor deve ser [de] fora da empresa, por ser imparcial. Ele é neutro a qualquer indivíduo da organização. São aquelas pessoas que irão atuar na transmissão do conteúdo teórico e prático do programa de treinamento. Para se definir um corpo de instrutores[,] devemos analisar o currículo dos indicados, para verificarmos se são adequados para o programa, [e] somente a partir destas análises convocaremos os instrutores. Para que um programa de treinamento tenha sucesso[,] o instrutor deverá estar preparado para atuar como um verdadeiro agente de mudança. A atuação deste [é] que poderá garantir o alcance dos objetivos estabelecidos e o sucesso do treinamento. Workshop: tem o caráter de treinamento. Seu objetivo consiste em aprofundar a discussão sobre temas específicos e, para isso, apresenta casos práticos. O público participa intensamente. Objetiva-se detalhar, aprofundar um determinado assunto de maneira mais prática. Normalmente possui um moderador e um ou dois expositores. A dinâmica da sessão divide-se em três momentos: exposição, discussão em grupos ou equipe e conclusão. Mesa-redonda: é uma reunião do tipo clássica, preparada e conduzida por um coordenador, que funciona como elemento moderador, orientando a discussão para que ela se mantenha sempre em torno do tema principal. Os expositores têm um tempo limitado para apresentar suas ideias e para o debate posterior. Normalmente, a mesa-redonda está inserida em eventos mais abrangentes. É utilizada quando o assunto ainda não está consolidado e suscita discussões. Simpósio: reunião para a discussão de um determinado tema (uma nova técnica, por exemplo). Aqui não são apresentadas as conclusões de uma pesquisa, mas sim impressões sobre um determinado assunto que é colocado em debate. Vários oradores debatem o tema na mesa, muitas vezes com a participação do auditório. A diferença fundamental entre o simpósio e a mesa-redonda é que no simpósio os expositores não debatem entre si os temas apresentados. 171 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO Seminário: reunião na qual “semeiam-se” ideias. O objetivo é suscitar o debate sobre determinados temas, até então pouco estudados. Caracteriza-se pela exposição de um orador [e é] seguida de debate com o auditório. A dinâmica do seminário divide-se em três momentos: a fase de exposição, a de discussão e a de conclusão. Trata-se de um produto informativo mais focado, porém parcial. A informação tem normalmente uma única fonte – o orador ou expositor – e, por consequência, pode apresentar certo viés. Usualmente, o orador é um guru ou expert no assunto que está sendo exposto. Congresso: reunião de especialistas em determinada área do conhecimento (genética, por exemplo) para a apresentação de pesquisas e estudos científicos. Geralmente de manhã e/ou à noite são realizadas conferências com professores convidados[,] e à tarde há apresentações (na forma oral ou em pôsteres) de comunicações inscritas previamente pelos participantes (resumos) e aprovadas pela comissão organizadora do evento. Pagamento (ou auxílio de custo) para cursos: algumas empresas se utilizam desta forma de incentivo para que seus funcionários tenham possibilidade de conseguir uma graduação, ou pós-graduação, ou ainda um curso de línguas, onde podem aperfeiçoar seus conhecimentos. Brainstorming: esta técnica visa à participação de um grupo, levar a uma interação para absorver ideias. O coordenador do grupo apresenta um determinado problema. O objetivo é fazer com que o grupo participe e que isto leve a uma coesão grupal (tempestade de ideias), para solução deste. A motivação do grupo é a própria participação para solução de casos (BRASIL, [s.d.]). Após definir a metodologia e as técnicas que devem ser aplicadas, o instrutor poderá contar com recursos didáticos para esclarecer uma demonstração, motivar o grupo para uma reflexão e favorecer a memorização dos assuntos apresentados. Temos ainda outros meios de treinamento, como: coaching (treinador), mentoring (mentor), videoconferências, intranet, internet e universidade corporativa. Videoconferências, intranet e internet são demasiadamente conhecidas. Há vários cursos gratuitos na internet; a intranet ainda é pouco utilizada como meio de difusão de treinamentos (geralmente ali se encontram apenas dados da empresa, relação de aniversariantes, contratados do mês, uma agenda etc.), e as videoconferências nem são encaradas como um treinamento, e sim como uma forma de comunicação “cara a cara”, sem exigir que determinada pessoa viaje até outro local para uma reunião. Já a universidade corporativa vem ganhando espaço na área de treinamentos, pois centraliza as soluções de aprendizado para cada “família” de cargos e funções dentro da organização, usando o treinamento como ferramenta de massa crítica, reduzindo custos pela escala de contratação, definindo 172 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III padrões comuns para atuação dos consultores externos etc. É preciso ter noção de como será implantada. Ressaltamos a seguir algumas informações sobre uma universidade corporativa: • unidade de negócio – antes, e acima de tudo, ela é um centro de resultados que vai sensibilizar o stakeholder acionista pelo aumento do valor agregado do patrimônio líquido da empresa; • mensuração de resultados – os produtos e serviços fornecidos por ela devem ser mensurados tanto no âmbito dos processos como dos resultados e, no limite, deve haver planejamento e controle do impacto de suas atividades sobre os fatores críticos de sucesso e principais indicadores de resultados da companhia; • compartilhamento – os colaboradores de uma organização devem ser estimulados e motivados a dividir entre si o know-how adquirido, criando a rede interna de conhecimento com ênfase na comunicação permanente das melhores práticas; • heterodoxia – para atingir a excelência, ela jamais poderá se restringir ao modelo “sala de aula- professor-aluno”. Seu objetivo maior é expandir o cérebro dos seres humanos através dos mais diferentes sistemas de aprendizado: viagens, entrevistas, visitas, análise de casos, avaliação de empresas, funções benchmarking, leituras complementares etc. Sua função é a criação de uma mentalidade contínua de aprendizado voltada para o desenvolvimento da organização. Jamais meramente contabilizar horas/aulas realizadas. São quatro os níveis de uma universidade corporativa: • somente treinamento – há as universidades que são simplesmente departamentos de treinamento (T&D). Existem para oferecer treinamento para os seus empregados; • treinamento mais desenvolvimento gerencial e/ou executivo – prevê cursos de desenvolvimento para gerentes e executivos através de treinamento. Foca as habilidades que são necessárias para uma tarefa específica, e refere-se à educação que visa modificar aspectos no comportamento dos executivos. Embora a maioria das empresas não tenham ciência dessas informações, ainda é possível obter, através das universidades corporativas, esses dois níveis: • concessão de cursos com crédito acadêmico – as universidades corporativas promovem cursos que poderiam, por meio de parcerias acadêmicas, solicitar equivalência em disciplinas universitárias formais. Apenas as universidades formais podem conceder créditos; • oferta de cursos que levam efetivamente ao grau acadêmico – as universidades corporativas fomentam programas que levam ao nível de bacharelado ou mestrado. Para atuar neste nível, elas devem receber credenciamento dosórgãos públicos competentes (no Brasil, a Capes – do Ministério da Educação). Na verdade, poucas são as universidades corporativas no mundo que se encontram neste último nível. 173 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO A universidade corporativa tem o perfil do treinamento institucional em plataforma de ensino a distância (EaD), modelo que tem se consolidado a cada dia como tendência para as mais diferentes necessidades de aprendizado nas empresas. Todas as atividades e recursos do EaD ficam centralizadas na plataforma, por isso não é exagero dizer que a plataforma é o coração desse programa. Na plataforma, é feito o armazenamento, a distribuição, a comunicação, o relacionamento e o controle dos treinandos e dos conteúdos. Destacamos a seguir cinco benefícios que a empresa tem ao oferecer treinamento corporativo em EaD: 1. Praticidade no treinamento: o conteúdo está sempre disponível, e monitorar, saber quem ainda não fez o que precisa, é muito simples. Essa simplificação dos processos é um ganho significativo para o gestor do treinamento. E para o aluno, poder estudar de forma individualizada, no seu próprio ritmo, em pequenas partes, torna o treinamento uma interrupção mais discreta em sua rotina. 2. Facilidade de interação: o contato simplificado com um grande número de treinandos é outro benefício-chave. Além dos contatos diretos, os feedbacks das atividades são referências valiosas para desenvolvimento de novos cursos pelo gestor. Essa facilidade também pode ser usada em ações mistas, com presencial e EaD utilizados no mesmo treinamento, o blended. No presencial, as comunicações ficam mais de um para todos. E podem ser complementadas no EaD com comunicação um para um. 3. Baixo custo: via de regra, o investimento total em EaD é significativamente menor que os investimentos em presencial. Com excelente custo-benefício, essa modalidade de ensino permite às empresas contenção de gastos com transporte, locações, materiais didáticos, entre outros, além de evitar desperdício de tempo com apresentações, traslados, intervalos e atrasos. Tudo isso porque a capacitação pode ocorrer em qualquer lugar, inclusive dentro do próprio local de trabalho e sem despesas de aplicação, o que permite treinamento uniforme e rentável. 4. Desenvolvimento de competências: o EaD permite vantagens como o constante aperfeiçoamento da equipe por meio de planos de treinamento específicos, as trilhas de aprendizado. Isso significa que o colaborador vai trilhar um caminho, isto é, uma sequência de estudo na plataforma que visa desenvolver as habilidades necessárias para sua função na organização 174 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III 5. Aprendizados complementares: o colaborador pode ir além dos seu plano de estudo, desenvolvendo-se em temas de seu interesse através dos conteúdos na área de autodesenvolvimento da plataforma. Cursos de autodesenvolvimento são úteis não só para a empresa, mas também para o próprio colaborador. Aumentando sua capacitação, ele está investindo também no aumento de sua empregabilidade. Alcançar o objetivo de ser mais eficiente passa pelo desafio de capacitar cada vez mais nossos colaboradores. A tecnologia nos permite solucionar necessidades de forma mais simples, e a plataforma EaD é essa ferramenta para o treinamento. Equipe capacitada é um dos requisitos para sobreviver às crises e estar preparado para retomar o crescimento quando a maré mudar (LITERIS, 2016). Várias empresas adotam um nome para a sua universidade corporativa, mas sua atuação ainda é precária no País. Muitas fornecem cursos de informática, algo que qualquer funcionário pode fazer pela internet, de graça, sem ocupar seu tempo de trabalho na organização. O pior é que não efetuam uma avaliação de quem fez o curso e se isso realmente elevou a produtividade do operário na função que desempenha. Já o coaching exerce uma atividade de formação pessoal em que um instrutor (coach) ajuda o seu cliente (coachee) a evoluir em alguma área da sua vida. O conceito de coaching surgiu nas universidades norte-americanas para definir um tutor particular. Esse profissional preparava os alunos para exames de determinada matéria. Com o tempo, afunção passou a ser usada também para se referir a um instrutor ou treinador de cantores, atletas ou atores. Esse treinador tem o objetivo de encorajar e motivar o seu cliente a atingir um objetivo, ensinando novas técnicas que facilitem seu aprendizado. O coaching profissional é o processo liderado por um especialista que utiliza metodologias, técnicas e ferramentas exclusivas para o benefício de uma empresa ou de um indivíduo, seja em sua área pessoal, seja em sua carreira. Esse tipo de coaching é conhecido como “formal”. O método é pago, e existe um contrato, sessões estruturadas e reuniões para ajudar e guiar os clientes. Com relação ao mentoring (mentor), o termo pode ser traduzido como “tutoria” ou “apadrinhamento”. Neste caso, ele é um mestre, um conselheiro, alguém que tem vasta experiência no campo de trabalho da pessoa que está sendo ajudada. O mentoring inclui conversas e debates acerca de assuntos que não estão necessariamente ligados ao trabalho. 6.3.5 Etapas do treinamento – Programação Numerosas empresas possuem grande dificuldade em tirar o funcionário de seu posto de trabalho e levá-lo para uma sala de treinamento. É muito comum que a própria entidade fomente esse comportamento quando estipula metas de produtividade elevadas. Isso acaba induzindo o empregado a não participar de treinamentos porque fica pensando somente em produzir, produzir e produzir! 175 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO A NR-1 aponta a obrigação do patrono de informar os riscos da atividade ao trabalhador. Então, como podemos informar os riscos? Uma das formas é por meio de treinamentos. A Consolidação das Leis do Trabalho nos mostra que: Art. 157 – Cabe às empresas: I – cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho; II – instruir os empregados, através de ordens de serviço, quanto às precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais (BRASIL, 1943). É claro que o conteúdo ministrado tem que estar alinhado com a postura da organização. De nada adianta executar treinamento de direção defensiva se os empregados só têm bicicleta. Mesmo caso ocorre quando se fala em evitar acidentes com máquinas se estas não possuem as devidas proteções coletivas. Deve-se pensar no treinamento por si só e em sua implementação. Nele é definido como o programa será realizado, que metodologia será usada e quantas sessões serão precisas. A questão óbvia aqui é que esta etapa é trabalhada previamente na fase de “concepção”, como descrito anteriormente. A analogia “concepção de um programa” é o desenho do que será feito; o fato, como o programa será executado e o que será usado para tal: que tipo de efeitos, materiais, esquemas e roteiros etc. A elaboração de um programa de treinamento sempre será realizada com base em uma perfeita assimilação e interpretação das necessidades reais de treinamento. Para definirmos com exatidão o que será feito no treinamento, será vital identificarmos os seguintes pontos: Público-alvo: a correta identificação e análise da população que será atingida pelo programa garantirá um percentual do sucesso do treinamento. Isso porque um treinamento voltado para os técnicos não poderá sero mesmo utilizado para os gerentes e vice-versa. Objetivos: é o que se pretende alcançar com um programa de treinamento. Hoje quando as empresas passam por dificuldades financeiras o primeiro corte de verbas é realizado na área de treinamento. Isto se dá porque os resultados concretos obtidos em um programa de treinamento não são fáceis de se alcançar e de demonstrar, por isso temos que definir os objetivos com algumas características essenciais: ter desempenho final a ser alcançado (elaborar folha de pagamento); ter um período determinado (mensal); ter um padrão de satisfação (sem erros). Desta forma, os objetivos serão facilmente atingidos com a realização do treinamento. 176 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Definição dos temas: ao se estabelecer os objetivos a serem alcançados, podemos definir quais temas serão abordados e quais assuntos serão levantados dentro deste tema para melhor atingir os resultados. Metodologia: é a forma utilizada para o desenvolvimento do programa de treinamento. Levando em consideração as necessidades estabelecidas pelo cliente, será possível escolher a metodologia a ser utilizada. Vejamos os métodos mais utilizados: sala de aula; treinamento a distância; via internet; no local de trabalho. Processos e técnicas: vários fatores do treinamento podem influir na escolha da técnica, tais como nível do treinando, forma do treinamento, tipo de necessidades, duração dos cursos, recursos humanos e materiais, condições físicas e ambientais. Para que a técnica utilizada seja de grande proveito, deverá ser criativamente adaptada para a realidade local (CHIAVENATO, 1994). Sobre a duração do programa de treinamento, Chiavenato (2010, p. 374) defende que o treinamento “das pessoas na organização deve ser uma atividade contínua, constante e ininterrupta. Mesmo quando as pessoas apresentam excelente desempenho, alguma orientação e melhoria das habilidades e competências sempre deve ser introduzida ou incentivada”. Desse modo, é recomendável elaborar o programa específico e cumpri-lo à risca. Datas, horários, tempo (duração) e os locais devem estar previamente definidos, e com muita antecipação, para que não haja desculpas por parte dos treinandos de não participar. É muito comum o instrutor se defrontar com pessoas desmotivadas e desinteressadas, e o instrutor terá que desfazer toda essa resistência. Isso ocorre porque as pessoas não estão cientes da real importância do aprendizado contínuo. Para que se minimize esse problema, ao se convocar um funcionário para um treinamento, temos que ser criativos e inovadores, aguçando a curiosidade do público-alvo. Para tal, podemos deixar de lado os velhos memorandos – usemos um convite ou algo mais atrativo. Outra questão interessante é procurar conhecer os pontos fortes dos treinandos, fazendo uma rápida reunião com seus superiores. Quando se inicia um programa, é preciso destacar coisas agradáveis sobre o grupo. É essencial logo no início deixar bem claro quais são os ganhos que eles terão com a realização do treinamento. A execução do treinamento é o ápice de todo um planejamento. Se não for benfeita, compromete-se todo o programa. 177 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO 6.3.6 Validação e avaliação O que mais importa para a organização é estar ciente do tipo de retorno que o programa de treinamento pode ofertar. Portanto, ao encerrá-lo, devemos avaliá-lo junto com os treinandos e checar, posteriormente, se o projeto trouxe de fato os benefícios para a empresa. Ao se investir em treinamento, espera-se que haja aumento de produtividade, mudanças de comportamento, melhoria do clima humano na companhia, redução de custos e de acidentes, rotação de pessoal, além de outros quesitos. Nessa etapa, há um confronto entre os resultados esperados e o aproveitamento pelos participantes. Essa fase acompanha todo o processo, não apenas a parte final. É uma forma de balanceamento na qual os resultados alcançados e os esperados são comparados a fim de contornar os possíveis desvios. Quando um treinamento estruturado termina, o resultado torna-se a base de decisão mais importante de todo o programa. Assim, será possível saber se as metas foram atingidas e se o treinamento foi eficaz. Existem formas de análises para notar se os resultados foram satisfatórios. O modelo simples de questionamento é a base dual: sim ou não. Por deficiência, ele não traz um feedback completo dos treinandos. O modelo matemático realiza exames que mensuram os resultados, com dados objetivos, próprios para decisão. Indicadores são essenciais ao planejamento e ao controle dos processos das organizações porque permitem a definição de metas quantificadas. Apoiados nesses sinais, podemos elaborar análises críticas da performance dos métodos de treinamento e desenvolvimento, e, se necessário, redirecionar e fixar novos pontos para que os objetivos previamente traçados sejam atingidos. A seguir elencamos alguns exemplos de indicadores que poderemos utilizar para avaliar um programa de treinamento: • índice de satisfação de clientes; • tempo médio de produção; • estimativa de assiduidade; • taxa de rotatividade; • rol de não conformidades; • crescimento de vendas; • aumento de lucratividade da empresa. 178 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III De maneira similar, a análise das ações de treinamento é realizada em quatro dimensões: avaliação de reação, de aprendizagem, de efeito no trabalho e de impacto na organização ou de resultados. Vamos estudar cada uma delas a seguir. A avaliação de reação é um instrumento utilizado para medir a satisfação da audiência com relação ao que lhe foi exibido em apresentações e treinamentos. É um bom indicador a respeito da opinião dos grupos sobre as condições dos ambientes, dos materiais disponíveis, dos recursos utilizados e, principalmente, dos palestrantes. Em geral, ela é feita através da distribuição de folhas de papel nas quais estão registradas as perguntas básicas que serão respondidas por cada participante. Como em geral os profissionais que desenvolvem cursos e seminários são bastante capacitados, é fácil para eles agradarem aos participantes e obterem uma boa avaliação de reação. Vejamos o que a ISO 10015 destaca: Recomenda-se que todo fornecedor potencial de treinamento, externo ou interno, seja submetido a um exame crítico antes de ser selecionado para fornecer o treinamento. Esse exame pode incluir informações escritas (por exemplo: catálogos, folhetos) e relatórios de avaliação. Convém que o exame seja baseado na especificação do programa de treinamento e nas restrições identificadas. É conveniente que a seleção seja registrada através de acordo ou contrato formal, explicitando as atribuições, papéis e responsabilidades para o processo de treinamento (ABNT, 2001). Já a avaliação de aprendizagem visa mensurar o progresso da aprendizagem dos participantes, que pode ser evidenciada quando eles mudam a forma de perceber a realidade, ampliam conhecimentos e/ou apuram habilidades. Dessa forma, é importante mensurar o que os participantes percebiam, conheciam e faziam sobre o tema antes e depois do programa de treinamento. Neste nível, a avaliação fornece feedback sobre a evolução dos participantes e permite a reformulação e melhoria, considerando a aprendizagem e a interatividade dos participantes com o processo de treinamento. Assim, a avaliação caminha em direção a uma maiorautonomia, que frequentemente é conquistada quando os participantes aprendem algo. Na avaliação de impacto no trabalho (comportamento), procura-se analisar a mudança de comportamento produzida pela participação no treinamento, isto é, até que ponto os novos saberes estão sendo colocados em prática, contribuindo para o avanço do desempenho. Mensura-se o nível de performance e de produtividade do indivíduo nas suas diversas competências funcionais. Este nível não elimina a importância dos demais, pois, para haver uma mudança de conduta, além de a pessoa querer mudar e saber o que e como mudar, é imprescindível que ela esteja inserida num ambiente com um clima favorável e encorajador à mudança. Por fim, temos a avaliação de impacto na organização ou de resultados, que procura explorar os resultados alcançados em virtude da participação no treinamento. Os resultados visam mensurar o retorno do investimento e podem envolver a análise de indicadores como a melhoria da qualidade, redução de custos, aumento das vendas, entre outros. A avaliação dos resultados deve corresponder aos objetivos do treinamento, embora em muitos casos outros resultados sejam conquistados como consequência. 179 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO Para efetuar uma avaliação, pode-se utilizar questionários com perguntas fechadas facilmente tabuláveis para registrar e acompanhar o desempenho dos programas. Recomenda-se que sejam feitas perguntas abertas, que inspiram respostas abertas, embora exijam maior dedicação na tabulação e análise. Da mesma forma, o processo de avaliação e validação deve considerar os seguintes aspectos: resultados mensuráveis – impactos quantificáveis nos indicadores operacionais; período de retorno – benefícios prolongados, além de um ano de estudos; custo da não intervenção – pode haver custos futuros se o conjunto de necessidades não for atendido; outros benefícios e retornos não monetários – o programa também gera benefícios subjetivos e valiosos. Na sequência, você poderá verificar um modelo de questionário de reação, de fácil elaboração e tabulação de dados: 180 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III ATIVIDADE DE TREINAMENTO – AVALIAÇÃO DE REAÇÃO Solicitamos a sua colaboração nesta avaliação, muito importante para o planejamento didático e para o aperfeiçoamento do treinamento. Atividade/curso: Período: de____________ a ___________ Carga horária:_________ horas e_________ minutos Marque com um “X” ao lado de cada item descrito, sob o número que mais se aproxima de seu julgamento, de acordo com a seguinte legenda: 1 – Excelente 2 – Bom 3 – Regular 4 – Ruim 5 – Péssimo 1. Conteúdo / Programa 1 2 3 4 5 a) Adequação do conteúdo do programa b) Aplicabilidade do conteúdo à realidade profissional c) Equilíbrio entre a teoria e a prática d) Nível de obtenção de novos conhecimentos 2. Atuação do instrutor/palestrante 1 2 3 4 5 a) Conhecimentos do assunto tratado b) Didática utilizada c) Facilidade e objetividade na comunicação d) Verificação da assimilação dos assuntos pelos participantes e) Apresentação de aplicações práticas dos assuntos tratados 3. Infraestrutura e logística 1 2 3 4 5 a) Adequação das instalações e equipamentos b) Salas de aulas c) Carga horária 4. Atuação dos participantes 1 2 3 4 5 a) Facilidade de entendimento dos assuntos abordados b) Relação com os outros participantes c) Considero a minha participação d) Relação com os instrutores 5. Quais foram os pontos fortes e fracos desta atividade? Pontos fortes Pontos fracos 6. Você teria alguma sugestão ou comentário adicional a fazer? _______________________________________________________________________________________ Figura 49 - Modelo de questionário 181 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO O valor da avaliação é determinar se o programa foi positivo, se os objetivos do treinamento foram atingidos, se o processo deve ou não continuar e se é preciso fazer alguma alteração. É essencial para a organização mensurar e analisar o grau de importância daquele funcionário para a empresa, bem como saber como e quando deve treinar seus empregados, a fim de mantê-los motivados para alcançar os objetivos e as metas propostas. Resumo Nesta unidade vimos que o mapa de risco é vital para a instituição e para a segurança dos trabalhadores, pois, com a sua utilização, os funcionários podem identificar quais são os riscos a que estão expostos e, assim, evitar que ocorram acidentes. Seu objetivo é conscientizar a todos sobre os riscos e contribuir para eliminá-los, reduzi-los ou controlá-los. Na maioria das vezes, os envolvidos no processo não têm a percepção do risco a que estão submetidos e não são capazes de identificar sua presença, pois muitos não estão ligados diretamente à atividade da empresa; por isso o envolvimento da comunidade é tão relevante. Nesse contexto, apresentamos os problemas e as medidas a serem adotadas para diminuir a incidência de acidentes de trabalho por meio da devida sinalização de risco. Destacamos a necessidade da administração de recursos humanos das empresas, bem como de seus gestores saberem identificar claramente o que interessa e o que preocupa os trabalhadores. Quando uma pessoa se sente valorizada e dignificada pela empresa em que trabalha, é capaz de entregar seus conhecimentos e se comprometer com a sua ocupação de forma autônoma, indicando que está alinhada às novas premências da organização. Também estudamos a seleção, a integração, o treinamento e o desenvolvimento dos recursos humanos nas instituições, iniciando pelo processo de seleção de pessoal, que contribui para que cada vez mais os resultados obtidos sejam eficazes, ou seja, que seja contratado o indivíduo certo logo na primeira vez, independentemente do cargo em questão. Ressaltamos que os profissionais de gestão de pessoas e da área de saúde devem estar vigilantes aos primeiros sinais de tensão excessiva entre os trabalhadores, para que o ambiente de trabalho mantenha-se em equilíbrio. É crucial identificar e controlar as práticas obsessivo- compulsivas, que, muitas vezes, são fatores geradores de estresse. Nessa conjuntura, o treinamento é uma ferramenta que qualifica as pessoas para o trabalho, minimizando a falta de interesse e atenção em 182 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III alguns departamentos produtivos, o que pode criar prejuízo à entidade e a insatisfação de seus clientes. Embora o lucro seja o foco dos principais empresários, é preciso tomar cuidado para não comprometer a relação empresa e empregado, pois esta contribui de modo eficaz para o bom atendimento, interferindo no resultado da companhia. Sabe-se que, para fidelizar seus clientes internos e externos, a empresa precisa não só investir, mas capacitar seus funcionários de maneira que o atendimento seja diferenciado em relação à concorrência. As práticas de treinamento e desenvolvimento proporcionam aprendizado e reciclagem de saberes e conceitos, elevando de forma expressiva o nível da qualidade do trabalho oferecido pela corporação em todas as suas áreas. As melhorias são perceptíveis para clientes, fornecedores e concorrência, gerando confiança e segurança a todos aqueles que possuem contato com a instituição. ExercíciosQuestão 1. (Enade 2008) Gonçalo, torneiro mecânico de uma metalúrgica, em 2006, ao tornear uma peça, sofreu um corte profundo no dedo e ficou afastado do trabalho por um mês com licença médica, sem trabalhar. Ainda em 2006, Gonçalo foi acometido de dengue e ficou afastado do trabalho por duas semanas. Em 2007, enquanto dirigia seu próprio carro, ao se deslocar para o trabalho, atendeu seu telefone celular, perdeu a concentração e bateu no veículo que trafegava à sua frente, ferindo-se com o impacto e obrigando-o a ficar 15 dias ausente na organização. Em 2008, sofreu um escorregão ao caminhar para almoçar no restaurante na própria fábrica, teve uma luxação no tornozelo e passou dez dias caminhando com bastante dificuldade. Gonçalo não comunicou esse último acidente à fábrica e nem faltou ao trabalho. Segundo o Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), são considerados acidentes de trabalho: os típicos; os de trajeto; e as doenças ocupacionais. Tendo como referência inicial a situação hipotética apresentada e a classificação de acidentes de trabalho do MPAS, assinale a alternativa correta. A) O corte no dedo de Gonçalo, em 2006, foi um acidente de trabalho, com contabilização obrigatória entre os acidentes típicos de trabalho registrados pelo MPAS. B) O acidente de Gonçalo durante o deslocamento da casa para o trabalho, em 2007, não foi um acidente de trajeto, pois ele dirigia seu próprio carro. C) A dengue contraída por Gonçalo deve ser registrada como uma das doenças ocupacionais ocorridas em 2006. 183 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a COMUNICAÇÃO E TREINAMENTO D) Por Gonçalo continuar trabalhando após a luxação sofrida em 2008, a empresa não precisou comunicar o acidente ao órgão competente. E) A luxação no tornozelo de Gonçalo, em 2008, caracteriza-se como acidente de trajeto. Resposta correta: alternativa A. Análise das alternativas A) Alternativa correta. Justificativa: conforme prevê o artigo 19 da Lei n° 8.213/91, acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou a redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. Gonçalo, ao tornear uma peça, sofreu um corte profundo no dedo e ficou afastado do trabalho por um mês. O corte no dedo de Gonçalo, em 2006, foi um acidente de trabalho, com contabilização obrigatória entre os acidentes típicos de trabalho registrados pelo MPAS. B) Alternativa incorreta. Justificativa: o evento do percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do empregado, é equiparado ao acidente de trabalho. C) Alternativa incorreta. Justificativa: dengue não é considerada, neste caso, doença ocupacional, segundo a legislação vigente. D) Alternativa incorreta. Justificativa: quando ocorre um acidente do trabalho, o empregador (pessoa física ou jurídica) deve emitir a CAT (Comunicação de Acidente do Trabalho) até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência do acidente, exceto em caso de morte do empregado, quando a comunicação deve ser imediata, conforme prevê o artigo 22 da Lei n° 8.213/91. Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, independentemente do prazo antes mencionado (BASTOS, 2011). E) Alternativa incorreta. Justificativa: a luxação no tornozelo de Gonçalo, em 2008, não foi um acidente ocorrido durante o trajeto. 184 Re vi sã o: N om e do re vi so r - D ia gr am aç ão : N om e do d ia gr am ad or - d at a Unidade III Questão 2. (Enade 2010) Considerando o que estabelece a Constituição Federal acerca do meio ambiente, assinale a alternativa correta. A) Por força do princípio constitucional da livre iniciativa, os recursos minerais podem ser explorados independentemente de autorização ou de concessão do Poder Público, mas o explorador deve promover a recuperação do meio ambiente degradado de acordo com as normas técnicas indicadas pela administração. B) Preservar os processos ecológicos essenciais, provendo o manejo ecológico das espécies e dos ecossistemas, é direito do povo e dever do Estado. C) A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, o Pantanal mato-grossense, a Serra do Mar, o Cerrado e a Caatinga são considerados patrimônio nacional, devendo sua utilização se dar na forma da lei, dentro de condições que assegurem a exploração controlada. D) As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitam os infratores a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. E) É da competência dos estados e do Distrito Federal definir a localização de usinas que operam com reator nuclear. Resolução desta questão na plataforma.