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protese sobre implante Capitulo3

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que as
siliconas de condensação apresentam uma alteração dimen-
sional superior a 0,5%, podendo originar supra-estruturas
menos acuradas, o que corresponde maior trabalho clínico
para sua adaptação. Desta maneira deve-se evitar o uso deste
tipo de material nas próteses sobreimplantes.
Apesar de os polissulfetos apresentarem valores que
são a metade das siliconas de condensação (0,22%), estes
valores permitem sua utilização neste tipo de trabalho. Po-
rém, este material continua a se contrair dramaticamente
após 24 horas – recomenda-se, veementemente, que se vaze
o modelo logo após a moldagem. A menor quantidade de
alteração dimensional fica registrada para as siliconas de
adição (0,06%) e o poliéter (0,1%), sugerindo-se a eleição
por estes tipos de material para a moldagem de trabalho de
prótese sobreimplante9,17. A técnica da moldagem única com
silicona de adição mostra bons resultados para sistemas de
implantes cujos componentes não precisam ser unidos com
resina acrílica e são encaixados no ombro do implante
(exemplo: Straumann Dental Implant System) Figuras 14a
e 14b. Já o poliéter, face a sua viscosidade, se enquadra bem
na moldagem de sistemas de implantes que necessitam unir
seus transferentes diretos com resina acrílica.
TABELA 2 - PROPRIEDADES DOS MATERIAIS DE MOLDAGEM
V. 3 | No 4 | Julho • Agosto | 2006| 342
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MOLDAGEM DE TRABALHO
Uma vez definido os pilares protéticos e instalados
na boca, dá-se início aos procedimentos de moldagem de
trabalho. Nesta fase, utilizar-se-ão componentes de trans-
ferência direta que, como o próprio nome diz, serão saca-
dos diretamente com a moldagem. Estes transferentes são
também conhecidos como transfers quadrado ou de mol-
deira aberta. Eles permitem a união entre si com resina acrí-
lica tipo duralay ou patern resin, por sobre uma malha en-
trelaçada de fio dental, de forma que permaneçam unidos e
transfiram fielmente a posição dos implantes para o mode-
lo de trabalho. Clinicamente podem ser unidos diretamen-
te nos implantes, mas face à contração do acrílico (sempre
manipulado com excesso de líqüido), recomenda-se sua
união no modelo preliminar25. Após polimerizado, separa-
se com disco esta união e para então uni-los de novo, dire-
tamente na boca, fato este que reduz a quantidade de acrí-
lico e, por suposto, a sua interferência na posição dos im-
plantes (Figuras 15a e 15b).
Ainda em relação às propriedades da resina acrí-
lica, a confecção da moldeira individual deve obedecer
a um tempo para sua distorção antes de ser utilizada
para a moldagem. A utilização de moldeira de plástico
e a sua perfuração no local dos transferentes diretos
pode ser uma opção em casos emergenciais, pois a mol-
deira individual permite uma maior uniformidade na
espessura do material de moldagem, bem como maior
controle sobre os bordos da moldeira.
Esta uniformidade de espessura é muito importan-
te, pois a contração volumétrica após a remoção da mol-
dagem não é uniforme. Muito importante também é a
aferição radiográfica dos transferentes antes da molda-
gem, quando houver dúvida do seu correto assentamen-
to. Fatores outros não menos importantes deverão ser
considerados e respeitados: proporção água-pó correta
do gesso, manipulação da cera e desenho das sobrees-
truturas, fundição, união de soldagem e aplicação da por-
celana. Estes fatores são muito importantes e as literatu-
ras pertinentes ao assunto são recomendadas19,20.
AJUSTE OCLUSAL
Para o assentamento final das peças protéticas em
segmento posterior, pode-se imaginar uma situação muito
corriqueira – peças posteriores sobreimplantes junto com
elementos dentários naturais (Figuras 16a e 16b). O com-
portamento clínico diferente dos implantes e dos dentes
naturais frente às cargas oclusais remete o protesista aos
fundamentos de fisiologia oral e oclusão nos procedimen-
tos de ajuste oclusal. Descreve-se, no sentido vertical, dois
tipos de mobilidade: clínica e fisiológica20.
Dentes:
• Mobilidade clínica: nula
• Mobilidade fisiológica: 28 µm
Implantes:
• Mobilidade clínica: nula
• Mobilidade fisiológica: 5 a 7 µm
Devido à ausência de qualquer mobilidade nos mo-
delos de gesso, as peças protéticas nele esculpidas e ajus-
tadas devem sofrer modificações finais diretamente na
boca do paciente, sob o risco de as peças protéticas fica-
rem ligeiramente mais “altas”. A mobilidade fisiológica
dos dentes seria responsável por este quadro clínico, pro-
movendo desconforto ao paciente e sobrecarga nas pe-
ças sobreimplantes. Desta forma, o ajuste oclusal das
peças sobreimplantes exige este refinamento diretamente
na boca do paciente. Descrevem-se, a seguir, os procedi-
mentos de ajuste e refinamento oclusal em peças sobre-
implantes em segmento posterior.
Figuras 14a - Transferentes diretos que não necessitam união de resina acrílica;
14b - Moldagem com silicona de adição pela técnica de fase única. Nota-se o trans-
ferente sacado junto à moldagem e o uso de moldeira convencional.
Figuras 15a - Vista vestibular de trans-
ferentes indiretos a serem novamente
unidos com menor quantidade de resina
acrílica; 15b - União dos transferentes
diretamente na boca. Nota-se a pouca
quantidade de resina acrílica utilizada
nesta segunda união.
A B
A
B
Figuras 16a - Vista oclusal do modelo, onde um implante em dente posterior está
cercado por dentes naturais; 16b - Contatos oclusais no refinamento, mostrando
contatos mais acentuados em dentes e menos acentuados sobre o implante. (TPD
César Simões Azenha)
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REFINAMENTO OCLUSAL EM FECHAMENTO CÊNTRICO
Parte 1. No ato de fechamento cêntrico leve, apenas os dentes
naturais devem contactar. Percebe-se isto com o uso de uma
folha de carbono accu-film (Parkel) e o deslizamento passivo
desta nas próteses sobreimplantes. Qualquer contato nas pró-
teses sobreimplantes nesta fase inicial deve ser removido.
Parte 2. Uma vez concluída a análise dos contatos em fecha-
mento leve, inicia-se a parte 2 do ajuste oclusal, que se constitui
em pedir para o paciente ocluir os dentes e apertá-los vertical-
mente (mordida pesada). Face à mobilidade vertical fisiológica
dos dentes naturais, este estágio buscará contatos tanto em den-
tes naturais quanto na prótese sobreimplante. Diferenças de
cores serão os guias de interpretação – como este tipo de carbo-
no possui dupla face em cores diferentes, os dentes naturais
apresentarão, normalmente, contatos em duas cores e a prótese
sobreimplante, contatos em uma cor. A razão desta composição
de cores está na intensidade de mordida, sendo que na mordida
pesada (sobre os dentes naturais), haverá, por suposto, a perfu-
ração da folha de carbono, passando a cor da camada subjacen-
te para a camada em contato com os dentes – o que resulta em
contatos de duas cores. Já na prótese sobreimplante, deve-se
prezar por obter contatos de uma cor apenas, caracterizando
contatos regulares obtidos após a intrusão ligeira e momentâ-
nea dos dentes naturais adjacentes.
DISCUSSÕES E CONCLUSÕES
O uso de implantes osseointegrados na reabilitação de
segmentos posteriores é a grande opção de tratamento, quan-
do comparado às alternativas de próteses convencionais, es-
pecialmente no aspecto das próteses mucossuportadas e tam-
bém na prevenção de atrofias ósseas decorrentes da ausência
dos elementos dentais e da ação do fator tempo. Porém, trata-
se de um plano de tratamento complexo, no qual envolve uma
série de disciplinas clínicas e de matérias básicas; exigindo do
profissional uma formação interdisciplinar. O conhecimento
da oclusão em dentes naturais e da diferença de resposta dos
implantes frente a cargas oclusais em excesso aumenta a res-
ponsabilidade de quem a pratica. A perfeita simbiose protesis-
ta-cirurgião é uma condição