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1 
 
 
 
 
 
 
BREVE COMPENDIO DAS DIVINDADES AFRO: DO CARIBE A CUBA 
 
 
 
 
2 
 
Indice da Obra 
Prefacio Mambo Paula Wedo ...................................................................................................... 7 
Prefacio Houngam José................................................................................................................ 8 
Nota do Autor .............................................................................................................................. 9 
UM ESTUDO DAS DIVINDADES AFRO: DO CARIBE A CUBA.........................................................10 
O Panteão Lucumi.......................................................................................................................13 
OBATALÁ....................................................................................................................................10 
Qualidades de Obatala 
Alláguna......................................................................................................................................17 
Asho.............................................................................................................................................17 
Ochagriñán..................................................................................................................................17 
Obbamoró...................................................................................................................................18 
Yeku-Yeku....................................................................................................................................18 
Lielu.............................................................................................................................................18 
Obalufun ou Ocha Lufón.............................................................................................................18 
Olouu-ocumi................................................................................................................................19 
Allalua..........................................................................................................................................19 
Orolu............................................................................................................................................19 
Oggan..........................................................................................................................................19 
Agguema.................................................................................................................................... 20 
Yembo ou Yemmú...................................................................................................................... 20 
Obatala Elefuro.......................................................................................................................... 20 
Oshanla....................................................................................................................................... 20 
Ouch-ilu ou Iroco.........................................................................................................................21 
Oduduwá ....................................................................................................................................21 
Elegua ....................................................................................................................................... 23 
Qualidades de Elegua 
3 
 
Abaile Eleggua ............................................................................................................................24 
Eleggua Afrá................................................................................................................................ 24 
Eleggua Agbanuké..................................................................................................................... 25 
Eleggua Akeru........................................................................................................................... 25 
ELEGGUA AGONGO OGO............................................................................................................ 25 
ELEGGUA AKESAN...................................................................................................................... 25 
ELEGGUA ALA LE ILU................................................................................................................... 25 
ELEGGUA ALA LU....................................................................................................................... 25 
Ogun............................................................................................................................................29 
Qualidades de Ogun 
OGGUN ARERE............................................................................................................................31 
OGGUN ONILE …..........................................................................................................................31 
OGGUN ALAGUADÉ ....................................................................................................................31 
OGGUN SHIBIRIKI .......................................................................................................................31 
OGGUN KUELEKO........................................................................................................................31 
OCHOSI ………………………………………………………………………………………………………………………………….32 
Qualidades de Ochosi 
Oshosi Kayoshosi ........................................................................................................................35 
Oshosi Alé ................................................................................................................................. 35 
Oshosi Marundé......................................................................................................................... 35 
Oshosi Otín................................................................................................................................. 35 
Oshosi Onilé................................................................................................................................ 35 
ORUNMILA ou ORULA ................................................................................................................36 
CHANGO......................................................................................................................................41 
Qualidades de Chango 
SHANGO ALAFI........................................................................................................................... 43 
SHANGO OBAKOSO.................................................................................................................... 43 
4 
 
SHANGO OLUFINA..................................................................................................................... 43 
SHANGO OBALUBE .....................................................................................................................44 
SHANGO BARA ...........................................................................................................................44 
SHANGO ARIRA........................................................................................................................... 44 
OYA .............................................................................................................................................44 
Qualidades de Oya 
Oya Yansa Bi Funko ................................................................................................................... 47 
Oya Dumi ...................................................................................................................................47Oya Yansã Oriri.......................................................................................................................... 47 
Oya Obinídodo .......................................................................................................................... 47 
OBBA .........................................................................................................................................48 
Qualidades de Obba 
Obba Laddé............................................................................................................................... 50 
Oba Miré .................................................................................................................................. 50 
Obba Lubbé............................................................................................................................... 50 
Obba Tola.................................................................................................................................. 50 
Obba Tunde............................................................................................................................... 50 
Obba Omí.................................................................................................................................. 50 
OCHUN ................................................................................................................................... 50 
Qualidades de Ocun 
Oshun Ikolé................................................................................................................................ 50 
Oshun Ibu Yumú ....................................................................................................................... 54 
Akuara Oxum Ibu........................................................................................................................ 55 
Ochun Olólodi........................................................................................................................... 55 
IBU OSHUN OKUANDA............................................................................................................... 55 
YEMAYA .....................................................................................................................................56 
Qualidades de Yemaya 
5 
 
 
Yemaya Asesu ............................................................................................................................ 57 
Yemaya Ibu .............................................................................................................................. 57 
Yemayá Agána.......................................................................................................................... 58 
Yemaya Malléléwo................................................................................................................... 58 
Yemaya Achábbá ..................................................................................................................... 58 
BABALU AYE ............................................................................................................................58 
Qualidades de Babalu Aye 
Babalu Aye Ajorotomi .............................................................................................................60 
Babalu Aye Belukha …...............................................................................................................60 
Babalu Aye Boku ……………………………………………………………………………………………………...……………60 
Babalu Aye Molu........................................................................................................................61 
Babalu Aye Olode ......................................................................................................................61 
Babalu Aye Sapata...................................................................................................................... 61 
Babalu Aye Oloko ......................................................................................................................61 
Naná Burukú .............................................................................................................................62 
Ossain......................................................................................................................................... 62 
Qualidades de Ossain 
Ossaín Agé.................................................................................................................................. 64 
Ossaín Bi.................................................................................................................................... 64 
Ossaín Ajube ...............................................................................................................................64 
Ossaín Beremi .............................................................................................................................64 
Ossaín loógun.............................................................................................................................64 
ORISHA OKO ............................................................................................................................. 64 
INLÉ .......................................................................................................................................... 65 
YEWA ....................................................................................................................................... 66 
LOS IBEYIS ................................................................................................................................. 67 
6 
 
TABELA DAS FORMAS DE SINCRETISMO .....................................................................................68 
O CULTO AOS EGUNS .................................................................................................................70 
OS EGGUNS NOS CULTOS CARIBENHOS ...................................................................................71 
AS MITOLOGIAS LUCUMIES .......................................................................................................72 
A - MITOS COSMOGONICOS .....................................................................................................72 
B - MITOS TEOGONICOS ...........................................................................................................73 
C – MITOS ANTROPOGONICOS .................................................................................................74 
D – MITOS AXIOLÓGICOS ........................................................................................................75 
E – MITOS SOBRE O VALOR RELIGIOSO.................................................................................... 78 
REGLAS CONGAS....................................................................................................................... 79 
AS DIVINDADES CONGOS......................................................................................................... 79 
OS KIMPUGULO – AS DIVINDADES CONGOLESAS ....................................................................85 
ALGUMAS DIVINDADES DA TRADIÇÃO DE PALO MONTE OU MAYOMBE ................................86 
Lucero Mundo ......................................................................................................................... 87 
Zarabamda .............................................................................................................................. 87 
Siete Raios................................................................................................................................. 87 
MPUNGO.................................................................................................................................87 
Madre de Agua ...................................................................................................................... 88 
Mama Chola Wengue................................................................................................................ 88 
Centella Ndoki ......................................................................................................................... 88 
Tiembla Tierra ........................................................................................................................... 88 
Cabo Rondo.............................................................................................................................. 88 
Ozain ..........................................................................................................................................88 
Babalu Aye................................................................................................................................. 88 
AS DIVINDADES DO VODU HAITIANO ....................................................................................... 88 
O Universo dos Zumbis .............................................................................................................92 
O Vodu em Santo Domingo ......................................................................................................92 
7 
 
Loas ou Lwas ............................................................................................................................ 93 
Família Rada .............................................................................................................................93 
Papa Legba ................................................................................................................................94 
Ayizan Velekete ..........................................................................................................................94 
Papa Loko ...................................................................................................................................94 
Dambalah ...................................................................................................................................94 
Aido Wedo .................................................................................................................................94 
Met Agwe .................................................................................................................................. 94 
La Sirene .................................................................................................................................... 94 
Ezili Freda Dahomey ..................................................................................................................94 
Azaka ..........................................................................................................................................94 
Silibo ...........................................................................................................................................94 
Família Ogoun ...........................................................................................................................94 
Ogoun Feraille........................................................................................................................... 94 
Ogoun Shango .......................................................................................................................... 94 
Ogoun Ossange .........................................................................................................................94 
Ogoun Djansan ......................................................................................................................... 94 
Família Ghede........................................................................................................................... 94 
Baron Samedi ............................................................................................................................ 95 
Baron Cemitiére .........................................................................................................................95 
Baron La Croix …….......................................................................................................................95 
Baron Kriminel ............................................................................................................................95 
Maman Brigitte .........................................................................................................................95 
Família Petro ..............................................................................................................................95 
Erzuliê Dantor............................................................................................................................. 95 
Karrefour ou Kalfour……………………………………………………………………………………………………………… 95 
Simbi ………………………………………………………………………………………………………………………………….. 95 
Bibliografia Comentada……………………………………………………………………………………………………….. 95 
8 
 
Prefácio Mambo Paula Wedo 
Honour and respect to you, your families & your Ancestors. 
I am Manbo Paula Wedo, I would also like to acknowledge with honour & respect at this time 
all my teachers and mentors from who so much of this has sprung. I am deeply grateful. For 
myself, I can only speak of what the Spirits have taught me and the most important lesson is 
the development of our good character. 
Spirituality is different for everyone. Religious dogma no longer dictates the only spiritual 
terms and we are free to search for God each in our own way. Vodou., is about freedom, 
physical freedom is such a strong energy in Haiti after slavery, but we understand that it is not 
only physical freedom. It is freedom of mind, body, thought & spirit. This freedom however is 
not about us selfishly marching forward, it is about using that freedom to join together in the 
lakou or society to become strong by using our freedom to assist one another. 
In Vodou we say Sogbay-Lisa. Sogbay-Lisa means, God is in everything, everywhere, all of the 
time and all at once. So., everything that exists is part of God and God is whatever you 
personally deem God to be. Vodou teaches us that this Divine Essence - we call it Force - is in 
all things and with this in mind we need to treat everything with honour and respect, for this 
is a representative of God. God is in everything, everywhere all at once. 
Be aware that Spirit is in all things. 
 In our societies we work to become aware that the Spirit is present in everything, including 
all that we ourselves do. So we understand that everyone is free to do as they choose and we 
work together. 
 We learn to be aware of the presence of the Spirit in every second ,minute, hour, day. Divine 
Presence is part of every thought, indeed every single action. Sogbay - Lisa ... God is in 
everything, everywhere, all of the time and all at once. 
 Our purpose, Vodou says is to build our good character so that we can create a worthwhile 
society and have a life of victory. By honouring our own journey into self awareness, 
respecting others and serving the Spirits through good deeds, thoughts and actions we grow 
in grace and character and we develop. 
The Spirits are always with us guiding us and supporting us as are our Ancestors. 
Lape Bondye avek ou. Manbo Paula 
 
 
 
 
 
9 
 
Prefácio Houngam José 
“A literatura sobre o culto afro ganha neste momento uma importante obra literária, trazendo 
consigo um conhecimento baseado em pesquisas e experiências pessoais por Alexandre 
Yamazaki.” 
Realmente eu fiquei impressionadoquando o Alexandre Yamazaki me convidou para prefacia 
seu livro. Acredito que a deferência vise homenageia anos de trabalhos que tenho feito em 
defesa do culto afro ancestral em especial Benin e Haiti, ou o respeito que trago comigo por 
sua pessoa ao ver seu vasto trabalho de estudos e pesquisas sobre o culto afro ancestral e 
iniciático? Ou talvez por que tenho apoiado e incentivado em sua busca diária de mais e mais 
conhecimento sincero baseados em pesquisas e diálogos com sacerdotes de vasta experiência 
e iniciados em tradições africanas que buscam manter vivas as verdadeiras e tradições e suas 
essências. 
Nisto de cientista pesquisador e praticante do culto; Alexandre consegue trazer nesta obra de 
forma simples e clara muito mais do que uma literatura sobre o culto afro caribenho, mas uma 
historia de experiências vividas com referencias claras de modo que eu considero um grande 
ganho para os praticantes do culto afro e uma oportunidade para aqueles que buscam 
conhecimento. 
Nesta obra o leitor poderá ver seu caráter e sinceridade nos valores guardados por nós 
sacerdotes praticantes do culto de matriz africana. Sei que em sua busca deixou muitos 
indivíduos nervosos, invejosos que buscam manter aqueles que os segue na escuridão de uma 
escravidão psicológica. Sem da tanta importância com uma sabedoria digna de grandes 
sacerdotes e uma evolução espiritual tamanha Alexandre Yamazaki busca trazer a luz a esta 
escuridão, acreditando que tais indivíduos precisam de uma evolução e viverem verdadeiras 
experiências espirituais para que um dia possam realmente serem mestres. 
O livro trás um conhecimento raríssimo de forma clara capaz de falar no intimo do leitor, 
preenchendo lacunas existentes e dando aos leitores mais sutis a oportunidade de vivencia 
verdadeiras experiências pessoais . 
Quanto a mim, recebi com muita alegria e maravilhado o honroso convite do imão e amigo 
Alexandre, tiver a oportunidade de mim maravilhar com tamanha sabedoria e conhecimento 
antes do leitor que ao ter acesso a esta obra manterá ansiosos pela próxima com certeza. 
Agradeço ao irmão Alexandre por este convide, que Papa Bondye abençoe ele e sua família 
grandemente. 
Atibon Legba , ayibobo 
 
 
 
 
10 
 
Nota do Autor 
O estudo e o aprofundamento de assuntos relacionados a religião, são socialmente falando, 
um ponto importante de apoio ao homem no que diz respeito ao preenchimento de espaços 
vazios, que por vezes prejudica o desenvolvimento social, humano e psicológico, levando o 
gênero humano a caminhos que são diferentes do ponto de vista do crescimento cultural e 
Psicossocial. 
 O papel das grandes tradições religiosas e da religião é o “religar” do homem a alguma 
crença , na qual ele( o ser humano) deposita e garante a sua fé e confiança, se caracteriza 
como “o preenchimento da lacuna” que o separa de Deus, e é esta religação que traz os 
aspectos de transformação e maturidades psíquicas, que conceituam as religiões num patamar 
muito acima de qualquer área ou ciência humana. 
No mesmo movimento que estreita o laço do fiel a divindades, também se fortalecem os 
laços que vinculam o indivíduo à uma sociedade ou um grupo que seja membro. Isso acontece 
de forma precisa nas práticas religiosas. 
Esta obra é um breve estudo das tradições religiosas latino americanas. Ela parte de 
uma pesquisa diversificada e incansável das tradições religiosas africanas. Nós, brancos, 
negros, orientais ou outros grupos étnico-cultural das américas, com pouca margem de erro, 
podemos dizer que somos todos descendentes e herdeiros das tradições africanas. A América 
Latina, desde o seu início, é formada por elementos da cultura branca, indígena (local), e em 
parte por elementos da cultura negra. Em se tratando da cultura negra, as africanidades. 
Temos um caldeirão cultural, riquíssimo que neste solo se transformou, sempre 
motivado muitas vezes pelo processo religioso, do qual nosso antepassados trouxeram na 
grande Diaspora africana. Desde que os primeiros negros desembarcaram em solo 
Americanos, que a africanização cultural e religiosa deu-se início, e de lá pra cá, tem-se 
revelado um contínuo processo. Falaremos aqui, de como este processo originou, grandes 
tradições religiosas, como a Santeria e suas diversidade de “Reglas”, que se formaram em solo 
latino americano, principalmente de Caribe a Cuba. 
Pretendo esboçar um estudo de cada um deste grupos religiosos, quebrar mitos e 
trazer suas diferenças daquelas tradições praticadas em solo brasileiro. E por este caminho 
traremos um estudo de uma unidade religiosa única, mas com uma diversidade vastíssima. 
Que este estudo seja isso a busca da unidade, nesta diversidade que são as tradições afro-
brasileiras e afro-americanas, em todas as suas formas de africanidades. 
Com bênçãos de Nzambi, 
Boa leitura a todos 
 
 
 
11 
 
Breve Compendio das Tradições e Divindades Caribenhas 
UM ESTUDO DAS DIVINDADES AFRO: DO CARIBE A CUBA 
As religiões da Diaspora Africana representam todas as religiões que chegaram 
as Américas, trazidas pelos escravos africanos e seus descentes. Seu tronco matriz 
tem como origem as tradições religiosas vindas da Africa Ocidental e da Africa Central, 
alem de uma grande influencia Yoruba, Bantu e do Culto de Vodun. 
Embora a primeira vista se tornem parecidas, possuem caracteristicas muitas 
vezes radicalmente diferentes, cada uma das tradições com seu panteão próprio de 
divindades, sendo elas, desde os Orixas bem conhecidos em solo brasileiro, graças ao 
Culto de Nação, e em outras partes, como exemplo na America central tambem 
cultuados na Santeria. Nas tradições de influencia Yoruba as divindades são os 
Orixas, nas tradições de influencia Bantu temos os Nkisis, e nas tradições do antigo 
Dahomey (Benin) o Vodou. Sem falar de outras matrizes religiosas, que se incorporam 
ao cenario cultural religioso, trazidas do Togo, Gana e outras regiões africanas, com 
influencia até de tradições antigas Islamicas. 
Pretendo atravez desta obra, comentar esta grande contribuição cultural que 
cuminou no calderão cultural, que representa a formação religiosa da cultura 
caribenha. Que é uma imensa contribuição para a formação desta religiosidade 
popular. As religiões da américa central, são amplamente praticadas por negros e 
brancos, dentro e fora do continente, conhecida no país sob as mais diversas 
denominações. Em Cuba, as tradições mais importantes tem relação direta com os 
grandes sistemas culturais afro-cubanos: o Lucumí, Yoruba e Bantu origem congo. 
(Ainda hoje, a cultura iorubá estende por toda sudoeste da Nigéria e da origem Bantu 
ocupam principalmente da bacia sul do rio Congo para o deserto de Kalahari.) 
Neste recorte que faço terei com objeto de estudo as religiões, situadas na 
América Central, em especial do Caribe a Cuba, fazendo uma breve visita ao Haiti. 
Afinal seria incoerente falar das religiões caribenhas e não se lembrar dos queridos 
Loas, divindades pertecentes ao Voodoo do Haiti. 
Vamos conhecer de mais perto panteões pertencentes a algumas tradições, 
tais como a Regra de Ocha, Lucumí, Palo Monte ou Mayombe, Regla de Arará, Regla 
de Palo e o Vodum do Haiti. 
No entanto, é essencial entendermos o processo de construçãos da identidade 
destas tradições, resultante de um processo aculturativo prolongado entre as religiões 
trazidas pelos escravos e seu processo de sincretização por influencia de um 
catolicismo selvagem. As tradições religiosas da améria central constituem um sinal 
claro das religiões de resistência cultural, que sobrevivem à pressão esmagadora 
etnocêntrica radical de um grupo dominante. 
Daí temos um enorme esforço para manter as raízesculturais, sendo o 
sincrestimo no seu sentido mais simples uma regra de adaptação. Uma forma de 
equilíbrio peculiar entre a resistência e a acomodação, imposto como uma forma de 
cultura. 
12 
 
As divindades negras são escondidas por trás das imagens católicas. As 
pedras dos orixás são escondidas por um suposto altar católico. E todo mundo está 
feliz. Mas o processo de sincretismo é realmente muito mais profundo: embora sempre 
retardado pela rejeição da assimilação, que culmina em uma verdadeira síntese, 
acaba em uma integração de dois mundos distintos, originando na América caribenha 
a criação de uma nova ressignificação para o entrechoque de cultos tão antigos, 
resultanto em algo novo e original. Esta interpretação por sinal muito pessoal não tem 
um carater fechado e acabado. 
Lydia Cabrera1 cita em sua obra, uma das faces desta forma de sincretismo no 
cenário das tradições cubanas, citando como exemplo a celebração da grande festa 
de “Babalu Aye”. Em Santiago de Cuba aconteceu no dia 07 de dezembro, a 
comemoração de “San Lazaro” dentro do calendário católico, dias antes em um 
edifício localizado ao lado do Parque Céspedes (antiga Plaza de Armas). A grande 
cerimônia se inicia em uma manhã de missa católica, onde os sacerdotes, muitas 
vezes condenavam em voz alta as "superstições que pervertem o Cristianismo", 
porem os devotos do "culto de santo africano” ouviam sempre, com respeitosa 
indiferença. À noite porem eles tocavam os seus tambores e bembés ou güemileres, 
numa perfeita correspondência paralela dos supostos ritos e cerimonial mantida a 
separação ou heterogeneidade da devoção do querido “Babalu Aye”, africano. 
Segundo a autora o Sacerdote dirige suas palavras ao Deus cristão, mas o 
"santo" ou Orixa reverenciado, neste caso, Babalu Aye, convive noite adentro em uma 
hamonia magica com a divindade cristã. Tais complexidades e contradições, dentro 
das tradições da ilha cubana, coexistem de maneira tranquila. Por sua vez os devotos 
da Santeria e os devotos da tradição Lucumí, conseguem contruir uma base religiosa 
acostumados sem crise de identidade a estes universos paralelos. 
No campo mágico espiritual, no entanto, a interpenetração é mais comum e 
tranquila. Os negros da América Central absorveram muitos elementos do catolicismo 
popular e os incorporou em suas práticas. Havia um certo marketing dentro do alcance 
da orações católicas “poderosas” contra todos os tipos de doenças e desastres, feitas 
todos os dias, resultavam na divulgação dos “Milagres”, realizados pela Virgem, ou 
santos e santas. 
Obviamente, os santos brancos tinham de longe, uma grande consideração, e 
gozavam de grandes poderes. Como Roger Bastide diz sobre uma situação 
semelhante no Brasil, a conexão entre o catolicismo representa o extraordinário 
privilegios que o poder branco exercia na sociedade. "Isso explica por que o negro 
convertido a tradição católica, solidifica suas crenças em termos de magia, que o faz 
enriquecidos e fortificados ... misturar ritos cristãos e africano, alem dos indigenas 
locais torná sua pratica magico espiritual mais forte e eficaz." Alem de trazer uma aura 
de pseudo aceitação do branco. 
Nos paises latinos de todas as formas de sincretismo, a mais conhecida é a 
que integrou os santos católicos com os orixás africanos, identificando (como já 
vimos várias vezes) nas tradições caribenhas “Chango” com Santa Barbara, 
 
1 CABRERA, Lydia.El Monte.Habana: Editorial Letras Cubanas, 1993 
 
13 
 
“Ochun” com Nossa Senhora da Caridade, “Obaluaiyê” com São Lazaro, etc. 
Este processo de reinterpretação começou na África, possivelmente como a 
evangelização inicial dos negros por missionários europeus. 
Mas, embora as determinantes desde fenômeno sejam mais ou menos os 
mesmos, cada país americano com suas tradições africanas, próprias produziram uma 
variante dessas equivalências. Em todos os lugares o caráter de intercessão dos 
santos ou da Virgem, identificados como mediador dos orixás, ou um paralelo entre o 
papel de um santo como padroeiro de atividade comercial e a atividade humana e os 
orixás, como tambem a ligação do santo com certos elementos da natureza (mar, 
raios, etc.), como patronos de algumas profissões, a caça, a metalurgia ou a cura de 
doenças. 
Mas, sem dúvida, também influenciaram certas condições locais. Por exemplo, 
o querido Obaluaiyê africano é identificado em Cuba com o “San Lazaro” ou “El 
Lazarito”, como cita a população caribenha, cheio de abscessos na pele e muito 
estimado pelos católicos na ilha, Obamoró ( um dos avatares de Obatalá) em Cuba 
está vestida de púrpura e, portanto é identificado com Jesus de Nazaré, cujas imagens 
tradicionalmente usa roupas dessa cor. 
 Ou seja os orixas sofreram um processo de transformação nas américas, que 
alterou sua posição dentro do panteão Yoruba, mudando muitas vezes seu caráter ou 
personalidade, eliminando e diminuindo incrementos, muitas vezes alterando seus 
domínios naturais ou, ainda, lhes atribuindo elementos que não são essencialmente 
iorubas. Oshún, divindade dod rios, tornou-se “dona” exclusiva de todos os rios em 
Cuba. Yemojá, cultuada principalmente no rio Ogún, tornou-se a “dona” dos mares. 
Oduduwá, sincretizada com São Manoel, tornou-se o “rei dos mortos”. Erinlé foi 
transformado em “médico divino”, papel atribuído pelos católicos a São Rafael. Yewá, 
por causa de alguns mitos foi transplantada ao cemitério. 
O processo sincrético dos Orixas, põe em prova a força de suas caracteristicas 
politeístas na África e no Caribe. Estas deidades conseguiram manter basicamente as 
mesmas características de ambos os lados do oceano. Eles divindades poderosas 
imortais (não onipotente), quase sempre benéfica a todos que a invocam e clamam 
por socorro, mas muitas vezes perigosas, movidas por certas motivações pessoais, 
com dramas semelhantes aos dos seres humanos, cuja vida cotidiana os torna 
totalmente envolvidos, sobre suas próprias intenções. Solicitam de seus fieis iniciativas 
orações, sacrifícios, mudanças morais e pessoais alem de ritos próprios. 
 Seus mitos legitimam a pratica devocional e representam a história de deuses 
mostrando suas relações familiares, seus negócios e seus descendentes. Sua 
historiografia representa uma mitologia profunda, cosmogonica e profundamente 
antropologica. tão rica como o conjunto de mitos grego-romanos. Antes passada 
oralmente, mas com o advento da tecnologia agora também transmitida por escrito e 
em varios formatos digitais, atingindo até as telas de Hooliood. Cada divindade tem 
uma cor emblemática e própria pedra sagrada (OTA). 
 
14 
 
Cada um representa um fenómeno natural que se torna "dono". O número de 
deuses é enorme, alguns autores que levam a fundo a pesquisa da tradição Yoruba 
dizem que são quase 1000 divindades2 (só na Nigéria), alguns antropologos propõe 
um total de 401 Orixás, mas em geral admitem que o número exato é desconhecido. 
 
O Panteão Lucumi 
Olorún oba tobi tobi. (Deus é o maior dos reis.) 
Frase de abertura dos rituais Lucumí 
 
As tradições Yorubas acreditam firmemente em um Deus pessoal, supremo, 
criador, onisciente, onipotente, inacessível e transcendente chamado, Olodumare, 
Olorun, Olofi ou Olofín, e abaixo deste deus supremo na cultura yoruba, existem 
também uma série de divindades intermediárias que personificam e regulamentam as 
forças do Universo, conhecidas com o nome de Orixas. 
 “REGRA DE OSHA LUKUMI” é uma religião que tem suas origens nas tribos 
YORUBÁS da ÁFRICA. Os YORUBÁS viviam no lugar que se conhece hoje como 
NIGÉRIA, ao longo do RIO NÍGER. Duranteum tempo tiveram uma poderosa e 
complexa estrutura organizada em uma série de reinos, dos quais o mais importante 
era em BENIN. Este durou por 12 (doze) séculos até o ano de 1896. 
Aos finais do século XVIII e princípios do século XIX, os YORUBÁS lutaram em 
uma série de guerras com seus vizinhos e entre eles também. Estas guerras internas 
e os ataques externos, levaram a caída e escravidão do povo YORUBÁ. Entre 1820 e 
1840 a maioria dos escravos enviados desde BENIN eram YORUBÁS. Estes foram 
levados para CUBA e ao BRASIL para trabalhar nas plantações de cana de açúcar. 
Os LLUKUMIS logo foram chamados de “YORUBÁS” devido a sua língua ser 
YORUBÁ e a dificuldade que os europeus tinham de dizer a palavra “LLUKUMI”. A 
palavra LLUKUMI tem origem na saudação “OLOKUN MI”, “MEU AMIGO”. 
De qualquer forma, para tentar estabelecer alguma ordem neste Panteão, 
desenvolvemos o seguinte esboço das principais divindades Lucumí: 
 1 ) Divindades cosmogonicas: 
Olodumare: Deus Supremo, a excelência Criadora. Obatalá-Oddudua: agentes a 
serviço de Olodumare. 
 2) Divindades telúricas: 
a) Meteorológicas: - Changó: deus ígneo e do fogo. - Oyá: a faísca ou raio. 
 
b) Fluviais: - Ochun e Obá 
c) Marinhos: - Yemaya. - Olokún. 
 
2 VERGER, Pierre Fatumbi.Orixás Deuses Yorubas na África e no Novo Mundo: Bahia: Ed. Corrupio, 1981 
15 
 
d) Minerais: - Ogun: deus dos metais e guerra. 
 e) Plantas: - Osain o senhor das ervas mágicas e medicinais. 
f) Patógenos: - Obaluaiyê: Senhor das doenças. E Inlé: o médico divino 
3) Divindades do esforço humano: 
 Ochosi: deus da caça. – 
Orixá Oko: deus da agricultura 
 Agayu: deus dos carregadores, barqueiros e os porteiros 
4) Divindades de adivinhação: 
 Orunla ou Oyu, vidente do futuro 
Eleggua, que "fala" nos coco 
Cada divindade está relacionada com algum aspecto da natureza, bem como está 
encarregada de algum elemento da existência humana. Os orishas podem representar 
todas as virtudes e qualidades do divino e sacrossanto, todavia, são quase humanos 
em suas características e maneiras. São celestiais e terrenais a um só tempo. 
Alguns orishas são categorizados como serenos, calmos ou plácidos em seu caráter e 
relacionamento com a humanidade. Outros, tendem a ser muito humanos: 
esquentados, excêntricos, ou erráticos, às vezes gentis, racionais, cuidadosos e 
generosos em outras. Um sacerdote muito antigo em Cuba, falou uma vez acerca de 
Yemojá e seus sacerdotes, a respeito de seu caráter, sendo “…como as marés: por 
vezes altas, em outras, baixas.” Isto, bem pode ser aplicado a todos os orishas. 
Estes atributos quase humanos dos orishas Lukumis têm um importante papel no 
desenvolvimento e continuidade da religião. Estas são divindades com as quais o ser 
humano pode identificar-se. Elas têm virtudes e falhas. Os orishas não são a perfeição 
ou a excelência personificadas. Isto os coloca em um nível que o devoto pode 
reconhecer e empregar para entender e aceitar suas próprias virtudes e defeitos, 
criando, assim, um laço entre ele e a divindade, construído a partir do relacionamento 
e identificação pessoais com um orisha. 
Analisando em todos os seus detalhes, este panteão reconstroi um sistema de 
interpretação da natureza e da sociedade, junto com os mitos que o acompanham: 
são filosóficos e teológicos, representam acima de tudo a visão de mundo da cultura 
Yoruba cubana. 
A “REGRA LUKUMI” é muito conhecida por sua magia. Magia esta que se 
baseia no conhecimento de seus mistérios e ORISHÁS e como interagir com eles para 
melhorar nossas vidas e as vidas daqueles que nos procuram buscando ajuda e dos 
ORISHÁS. Vivemos sob as premissas de que este mundo é um mundo mágico. Este 
conhecimento parece “sobrenatural” só para àqueles que não o entendem, pois na 
realidade, é completamente natural. 
16 
 
Para cada fenômeno natural e social há sempre um ou mais Orixas, um ou 
mais patakíes ( lendas sagradas) que explica tudo. E assim é com cada uma das 
muitas vicissitudes da existência humana. Aqui descrevemos as características 
básicas dos principais orixás Lucumis. Cada um tem dentro de seu simbolismo 
animais, plantas, cores e números que os representa. Além disso, os dias da semana 
são dedicados a certas divindades. Em Cuba, pedras preciosas também podem 
representar algumas divindades, muitas vezes por causa de sua cor. 
Muitas vezes, encontramos mais de uma representação católica como 
equivalente a um determinado orixa. Isso ocorre porque cada Orixá tem diferentes 
"caminhos", que podem corresponder a mais de um santo católico. 
 
OBATALÁ 
Considerado o maior dos Orixas Obatalá é o filho de Olodumare e seu 
colaborador mais próximo na tarefa criativa. Ele também é conhecido como o 
Orichanla, o grande Orixá Alguns sacerdotes Lucumi dizem: Quando Olodumare criou 
a vida humana na Terra, se espelhou em seu filho Obatalá, (equivalencia mitologica a 
Adão) e ele teve o cuidado de cuidar do planeta e suas criaturas. um dos varios mitos 
mostra Obatalá modelando o barro, fornecido por Olodumare com a ajuda de uma 
galinha. A mitologia Lucumí expandi poderes a Obatala, conferindo a ele 
caracteristicas reprodutivas completas, tanto no campo da cosmogonia e teogonia, 
como na antropogonia.Tornando–o “O Grande criador que foi criado ". 
Durante sua vida no plano terrestre, foi rei de Igbo. Seu nome vem do Yoruba 
Obbatala (Rei de pureza). Este Orixá é o dono de toda brancura e pureza. Ele não se 
despe na presença de ninguem e não tolera qualquer falta de respeito, dizem que é 
por este movito que seus filhos são sempre ser muito respeitosos. Os seus sacerdotes 
são chamados Oshabí. Na natureza é simbolizado pelas montanhas de cumes altos. E 
ele que intercede antes de qualquer OSHA ou Orixá, em prol de qualquer indivíduo 
qeu clama ao alto ajuda para suas dificuldades, porque por ser o criador da 
humanidade, acaba sendo o dono natural de todos Oris, (as cabeças). Quando não 
se sabe o anjo da guarda de um indivíduo, é comum dar a Obbatalá, esta função. Seu 
número 8 e seus múltiplos e sua cor é branca. 
É é o criador dos seres humanos e de tudo que tem vida e habita o planeta. 
Como criador é regente de todas as partes do corpo humano, especialmente a 
cabeça, pensamentos e vida humana, proprietário de brancura, todos seus 
paramentos e ferramentas e e coisas são brancas, simbolizando a de paz e pureza. 
 
Obatalá é o dono dos metais brancos, especialmente a prata. Ela representa a 
criação magnânima e superior, também o orgulho, a ira, o despotismo. Por varios 
mitos é patrono das pessoas com defeitos e dificuldades físicas e mentais. Obatalá é 
um Orixá que está no grupo de OSHAS pricipais donos das cabeças. 
Obatalá nas tradições latino americanas é conhecido por possuir 16 
qualidades, ou 16 avatares "caminhos" 11 masculinos e 5 femininos. 
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Avatares de Obatalás masculinos: 
Alláguna 
Asho 
Ochagriñán ou Osagrinan 
Obbamoró 
Yeku-Yeku 
Lielu 
Obalufun ou Ocha Lufón 
Olouu-ocumi 
Allalua 
Orolu 
Oggan 
 
 
Avatares de Obatala femininos 
Agguema 
Yembo ou Yemmú 
Elefuro 
Ochanla ou Obánlá 
Ouch-ilu ou Iroco 
 
Obatalá é um só, porem podemos chamá-lo pelo nome do caminho ou 
qualidade que voce quiser, tanto o Obatalá feminino Lyala como uma qualidade de 
Obatalá masculina, todas da mesma divindade.' Essa divisão sexual torna-se 
importante, uma vez que de acordo com seus mitos, o Orichanla é pai e mãe uma 
geração de Orixas (Eleggua, Ogun, Ochosi, Osun, Dada, Oyu e Chango) que 
conforme ensina a cosmogonia, nascem a partir da união de um homem Obatalá com 
Yemmú,um de seus avatares femininos. 
Obatalá é também o escultor do corpo humano, mas a vida e a inteligência do 
homem vêm diretamente de Olodumare. Lydia Cabrera cita em uma de suas obras: 
"Quando (Obatalá) terminou o trabalho, Olorun soprou sobre o corpo do homem, e o 
coração começou a bater, eis que o primeiro homem teve vida". O Orichanla 
representa a pureza e a paz, embora em um de seus caminhos Alláguna é 
apresentado com uma personalidade violenta. Em virtude da construção de sua 
qualidade “avatar” em alguns mitos, seria o patrono de todas pessoas afetadas por 
defeitos físicos de nascença. 
Este Orixa, como todos outros tem muitas vezes características caracteristicas 
bem humanizadas em seus mitos: em um deles Obatalá fica doente com problemas 
familiares graves, especialmente na convivencia com seu filho de Ogum. Algumas 
histórias relacionadas a ele são recheadas com mais ingredientes mais cubanos que 
africanos. Obatala é o mais importante dos orixás, uma vez que é representante do 
grande Olorun na terra. Ele é aquele que julga os homens neste mundo. 
 
18 
 
Alláguna 
Alláguna é avatar guerreiro mais jovem dos caminhos de Obatalá. Seu colar ou 
Ekele é de contas brancas, alternando com uma vermelha a cada 8 brancas. Sua 
vestimenta também é branca com uma tira vermelha na cintura. Obatalá Allaguna é 
um grande cavaleiro, domina sua montaria e armas se for preciso, entre suas 
ferramentas têm uma espada, e outros atributos, tais como, o facão, uma lança, uma 
bengala, um rosto divino e um escudo com detalhes em vermelho. 
 Alguns o consideram Oshagriñán filho e rei de Keto. Pois este também, tem 
fama em seus mitos de ser briguento, amigo, muito dado a fofocas, e sua relação com 
bebidas serem sempre catastróficas. No ato de ser oferendado, seus filhos por 
tradição só devem usar a mão esquerda para manusear as suas oferendas e objetos. 
 
Asho 
Obatalá Asho, também conhecido no caribe como Baba Asholó ou Asho é uma 
qualidade masculina de Obbatalá. Ele é jovem e rei de Ibadan, onde foi nomeado 
Alashó Allah. Ele adora dançar, e nos seus mitos aparece em publico sempre montado 
em um cavalo branco. Suas ferramentas são , um bastão envolto em contas de buzios 
brancas. No seu assentamento é comum ter, uma bola de quartzo branca, 4 caracóis, 
4 penas de papagaios africano e 2 bonequinhos. É comum fazer uma especie de 
caixa ou berço onde vão seus objetos e seu cetro. Esta caixa é forrada com couro de 
ovelha branca imolada para Obbatalá, sendo decorada com sete bandeirinhas 
brancas. Baba Asho é guerreiro e vestindo uma fita vermelha em torno de sua cintura 
como seu irmão e pai Allágguna Osha. Na terra em que ele é senhor e rei, em Arara é 
conhecido como Awodó ou Akuadó. 
Ochagriñán 
Oshagriñán ou Osha GRIÑÁN é considerado um dos mais antigos avatares de 
Obatalá. Ele é o mensageiro do Olofin é encontrado no pico das montanhas. É muito 
tranquilo e sua manifestação sempre esta tremendo de frio, demonstrando a idade 
bem avançada. Um de seus simbolos é a coruja, que simboliza a experiência, 
discrição e sabedoria. É ele quem enxerga as soluções e resolve os problemas 
quando ninguém consegue. Ele é o guardião dos Ibejis, e tem acesso para a casa 
Olofin. 
 Ele respira ofegante e caminha sempre com moletas, mas quando atingido por 
raiva e ira, não se preocupa em usar seu facão. Oshagriñan é considerado Oduduwa 
filho de rei de Egigbo e Ogbomoshe. Entre as suas ferramentas leva 3 flechas, 3 
penas de papagaio, seu assentamento costuma ter 8 contas de cristais, 8 pedaços de 
cana, uma espada, um facão, presa de javali, presa de leão, marfim, pérola, e coral. 
Também pode ter um conjunto de ferramentas de estanho, com uma placa de 
Ifa consagrado, um Idde de Orunla e uma bola de cristal para adivinhar. 
 Quando este avatar de Obbatalá é Osha do Ori, carrega junto com suas 
ferramentas, uma coroa de metal branco, adornada com 16 penas de papagaio, e no 
19 
 
seu assentamento coloca-se um sol de prata, uma lua e uma estrela todos de prata, 
alem de outros elementos. Veste vermelho e branco. Sua eleke ou colar tem nove 
contas de pérolas para uma de coral. 
 É considerado em alguns grupos Oshanlá, mas tinha relações com Yewá, que 
trouxe ao mundo seu filho Oguiniyán. Foi este avatar quem presenteia Orunmila com 
o axé da advinhação. Foi Oshagriñán em um dos mitos que removeu as penas da 
cabeça do abutre. Ele é o inventor da lança e protetor das fundições de chumbo. 
Obbamoró 
Obbamoró é um avatar de Obatalá muito antigo. É também conhecido como 
Abispa. Ele era o rei de Ibao. Seu colar ou eleke é de contas brancas, marfim, coral e 
louça. Entre as suas ferramentas pode ter 2 machetes, 2 lanças, uma coroa de 
espinhos, um crucifixo, caracóis e seu cajado. Quando um iyawô de um ano coroa 
Obbamoró, devese consagrar uma coroa de espinhos e lava-la em uma cabaça com 
ervas Obbatalá, Erun , obi e agua de coco seco. Entre as oferendas dadas por seus 
filhos de cabeça Obbamoró aceita frutas secas e mandioca. Seu sincretismo com 
Jesus Crucificado é grande. 
Yeku-Yeku 
Há uma divergencia entre as tradições se Obatalá Yeku é masculino ou 
feminino, mas em ambos os casos é considerado uma pessoa idosa. Aqueles que 
consideram como feminino dizem que acompanha Oduduwa. É sincrétizado com São 
Joaquim e a Santísima Trindade. Sua coroa é de metal claro comportando 16 penas 
de papagaio, seu assentamento costuma ser feito numa caixa de cedro ou prata. 
Todos os seus objetos sempre devem ser envoltos em algodão, desde o Ota a demais 
coisas do assentamento. Aceita muito bem a imolação de akuko fun fun (galo branco) 
e na ocasião é feito um banho de abo, segundo alguns sacerdotes é uma cerimônia 
maravilhosa para restituir a saúde em geral . O eleke é de contas brancas com contas 
de marfim. 
Lielu 
 Obatalá Lielu é um avatar masculino. Ele é conhecido pelo nome de Yelu e 
Laguelú na cidade de Ibadan. Lielu é estranhamente e calmo, seus filhos chegam a ter 
uma calma extrema ao ponto de incomodar quem esta envolta. Seu colar possui 16 
contas pretas com 32 contas brancas. A comida ritualistica é um galo branco e 2 
pombos negros, e 8 velas acesas envolta. O seu assentamento é feito numa caicxa de 
madeira contendo peças de marfim, pérola, coral e um triângulo de prata. 
Obalufun ou Ocha Lufón 
Ocha Lufón é masculino, muito antigo e está associado ao sol. E o avatar que 
tem a obediencia de os Orixas, porque quando levanta sua mão e e emite seu 
comando de maneira tranquila faz o que quer. É sincrétixado como Santissimo 
sacramento. Ocha Lufón dança totalmente curvado, muitas vezes com o rosto a 
alguns centimentros do solo, mas com muita graça e cadência. 
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 É considerado nativo e dono das terraa de Oyo, Yebu e Egwadó, alguns mitos 
dizem que viveu entr os nativos da terra do Fon. Foi o primeiro Obbatalá que exerceu 
o dom da palavra e deu aos homens a permissão para ter relações sexuais. 
Ocha Lufón inventou a agulha de costura e a arte da tecelagem, de modo que 
uma de suas ferramentas sejam 2 agulhas de prata. Ele foi o inventor da toca, que 
ensinou Osha GRIÑÁN. É o filho favorito de Oduduwa. Seu simbolo é uma folha de 
palmeira grande com uma cabeça de bronze no meio, símbolo da imagem do Orixá 
Ife. 
Olouu-ocumi 
 O avatar de Obatalá Olouu-ocumi é o dono dos olhos do homem, carrega em 
sua coroa quatro penas de papagaio. Obatalá Olouu-ocumi recebe o titulo de 
Nuetodosú. “Aquele que ajuda a enchergar”. 
Allalua 
Obatalá Allalua é conhecido na terra de Ife com o nome de Alajúa. Este avatar 
de Obbatalá é um bravo guerreiro e exterminador, sempre se opõe a seu irmão 
Ayala, que é quem faz ascabeças, sopra elas, e lhes dá vida. 
Sua ferramenta é uma cimitarra, sua coroa é de folhas de louro e prata. Oseu 
assentamento costuma ser cabaça esverdeada com as sete cores do arco-íris para 
dentro. Na terra de Egwado, ele é conhecido pelo nome de Bejueleso, aquele que fez 
Xangô nascer por um raio. 
Orolu 
Obatalá Orolu é o rei do Egwadó. Seu assentamento é feito com com uma 
corrente de prata a partir do qual pendurar três ACOFA do mesmo metal e penas de 
galo branco, imolado a ele durante o processo. A terra Obatalá Orolu é chamada 
Agasako. 
Oggan 
Oggán é um caminho ou avatar de Obatalá. Ele é secretário de Oduduwa e 
Ayágguna, proprietário da enxada. Forma uma trilogia com Ogbón e Ogboni. Ele fala 
muito suavemente, é um comerciante e gosta de comer coelhos. Ela representa a 
inveja, ganância e egoísmo. Ele vive com Obatalá que é seu tutor, esta sempre aos 
pés dele, ele é invocado tradicionalmente quando se tem problemas relacionados a 
justiça. É um avtar de Obatalá que seu culto remonsta a cidade de Odduaremú, 
embora tambem seja cultuado em Ibadã. 
Suas folhas são lavadas com água cocos. Sua pedra (Ota) deve ser retirada 
de um pico( Cume alto). Seu assentamento leva um único OTA em forma de pico, uma 
concha abalone com algodão natural dentro. A ele pode ser imolados os mesmos 
animais de Obatalá, mas também come galo branco, inhame, obi, pipoca e 8 ovos 
brancos com ori e Efun, embrulhados em folha de bananeiras. Obatalá Oggán tambem 
é chamado Arará em algumas regiões. 
 
21 
 
Agguema 
Agguema é um avatar feminino de Obbatalá, é muito anciã e delicada. Possui 
como animal de poder um camaleão. Algumas tradições dizem que a ceiba pertence a 
ela, é mensageira de Olofin.. Acompanha e protege Odduduwa, pois esta qualidade 
deste avtar consegue refletir o mal de seus inimigos na sua pele. 
Obatalá Agguema acompanha o grande espírito lumujé, e come a seu lado etu 
fun fun. Seus assentamento pode ter 7 flechas, uma corrente de prata com nove 
pombas imoladas e uma corrente de prata com 16 seções. 
 
Yembo ou Yemmú 
Yemmu é um avatar feminino de Obbatalá. É considerado por muitos, como a 
mãe de Obatalá. Obatalá Yemu é originalmente de Ibadan aceita em sua oferenda 
Galo branco e pata branca sempre em numero unitário. Seus colares são contas de 
coral com intervalos de cristal azul claro e seu número 14. Suas ferramentas são uma 
chave e uma âncora, a Obatalá Yembo tem sincretismo com a Imaculada 
Conceição. 
Obatala Elefuro 
Este avatar é de um Obatalá femenino. Considerada a rainha de Ifé. Também 
chamado Imole. Seus OTAs são separados e colocados numa bacia de lousa e seus 
fundamentos todos cobertos por algodão. Suas ferramentas são 2 caracóis, 2 
cabaças, 1 pente de prata e uma espada, e uma se suas caracteristicas é monitoras o 
sono Obbatalá Elefuro. 
Oshanla 
Oshanla é um dos caminhos ou manifestações de Obbatalá. Ele é feminino e é 
um dos mais idosos, em sua manifestação física, é retratado como uma velha 
tremendo de frio, que precisa ser coberto com um lençol branco. E a esposa de 
Obatalá Oshagriñán, embora alguns Sacerdotes afirmam que é a esposa de Olofin, de 
modo que usam um colar de pérolas como Olofin, que é completamente feito de nácar. 
Seu fio pode ser de marfim, de modo a cada intervalo de 16 contas ter de 
firmas de marfim. 
Alguns consideram cega, porem em um de seus mitos ensinou uma menina ler. 
Oshanlá é luz, representa o momento sagrado da mãe das a luz. É assim 
chamado porque a sua adoração tem como caracteristica o suo de varios pontos 
luminosos. Oshanlá protege as comunidades humanas e é uma protetora da criação 
cultural. Existem informações e discussões se este Orixá é o mesmo que Orishanlá, 
que é representado como um velho venerável que compartilha muitas das suas 
características. 
 
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Ouch-ilu ou Iroco 
Obatala Ouch-ilu é um avatar fêminino de Obatalá, é uma das mais antigas, e 
talvez a primeira mulher Obbatalá.. Entre os atributos de Ouch-ilu esta o de usar uma 
coroa com 16 caracóis, um arco e flecha, e entre suas ferramentas carrega uma 
bengala de cobre, razão que faz este orixá caminhar com Oya. Ela também é 
conhecido como Dundalé, é guardiã dos macacos. Vive na areia branca e seca . 
Caracteriscas Gerais: 
CorTradicional: Branco 
Dia da semana: quinta-feira 
Numero: 8 
Pedras e Otas: brilhante, diamantes, cristal de rocha e quartzo. 
Metais: prata: 
Plantas : algodão, sumaúma, jasmim,Boldo . 
Animais: aranhas, aves brancas e peixes 
Sincretismo Católico: Nossa Senhora da Misericórdia, Jesus Nazareno, São 
Jose, São Manuel. 
Simbologia: Criador da humanidade, senhor da paz e da pureza. 
Fio de contas: pérolas brancas ou leitosas, sempre naturais. 
 Festa principal na tradição: 24 de setembro e 25 de dezembro 
 
Oduduwá (Oduá, Odúduá) 
É uma divindade que governa os segredos de Egun e Iku. Sua representação 
material faz alusão à formação do mundo, que fazem parte do reino animal, vegetal e 
mineral. Ele vive na escuridão profunda da noite. É uma massa espiritual de enorme 
poder que não tem forma ou figura representativa 
 Ele se utiliza dos espíritos para se manifestar. Em relação aos ser humano foi 
o primeiro Oba que pisou na terra. É especialmente relacionadas com Orunmila, 
Obatalá e Oxum. Foi o primeiro Oni (rei) e fundador de Ife, lugar onde a vida nasceu 
segundo a teologia iorubá, seu nome vem do Yoruba Oduduwá (Senhor do outro 
mundo ou do nosso destino). Oduduwa representa os mistérios e segredos da morte, 
ele criou o mundo, juntamente com Obbatala, sempre caminha a com Orunmila . 
Oduduwá é um orisha uma divindade um tanto quanto controversa. A divindade 
original, Oduá, acompanhou Obatalá à Terra. Embora a maioria coincida em dizer que 
foi a sua concubina, outros a colocam como sendo um aspecto feminino, ou 
complemento, de Obatalá. 
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Em algum ponto da história, um poderoso guerreiro do Norte chegou ao país 
ioruba, conquistou-o, e eventualmente instalou a si mesmo como o primeiro Oní ou rei 
de Ilé Ifé. Este guerreiro é Oduduwá, considerado por muitos o progenitor da raça 
ioruba e o ancestre do qual, todos os reis de Ifé reivindicam descender, até nossos 
dias. 
Como no caso de Shangó, a popularidade de Oduduwá ofuscou a de Oduá, a 
divindade original. Depois da morte de Oduduwá, indubitavelmente este passou a ser 
muito mais reverenciado que a divindade original, em razão de seus méritos como 
guerreiro, a adoração de Oduá foi banida pela veneração ao guerreiro. O resultado é 
um tipo de sincretismo entre Oduá e Oduduwá, em que as duas divindades fundem-se 
para formar uma única. A mais forte absorveu a mais fraca. É por isto que os Lukumis 
consideram Oduduwá um orisha masculino. Acredita-se que haja mais do que cento e 
vinte de suas qualidades. 
Possivelmente pelo sincretismo com São Manoel, em Cuba, Oduduwá tem o 
título de “Rei dos mortos”. É um orisha estreitamente ligado à vida e à morte. Na 
tradição Lukumi, quando é tempo de um ser humano retornar ao orún, Oyá vem para 
conduzir a alma ao além. Babaluaiyé leva o cadáver às portas do cemitério, onde Oba 
“documenta” sua chegada. Boromú e Borosiá levam o cadáver à tumba, onde Yewá o 
põe a descansar, e Oduduwá leva adiante o processo de putrefação, poupando 
apenas os restos do esqueleto. 
Oduduwá é o mais respeitado e poderoso orisha na prática Lukumi. Assim 
como para Obatalá, a quem está muitas vezes ligado, as oferendas para Oduduwá 
são levadas aos pés de uma colina ou montanha, e devido à sua relação com a morte, 
também aceita oferendas no cemitério ou enterradas no solo. Seus omó são ao 
mesmo tempo ordenados diretamentea Obatalá ou através deste. De qualquer modo, 
a iniciação neste culto torna-se um fenômeno raro. 
Cor Tradicional; Branco leitoso, Madrepérola e Prateado 
Dia da Semana: Sexta 
Número ritual: 16 
Metais: Prata 
Animais: Bodes e cabras, galos, galinhas, pombos e galinhas d’Angola, todos 
brancos. 
Sincretismo católico São Manoel. 
Celebração: 1º de janeiro 
Fio de Contas: Opalas, com coral, madrepérolas e marfim. 
 
 
 
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Elegua 
Elegua é filho de Obatalá e Yemmú, considerado um grande orixá na Regra de 
Ocha, e muito respeitado porque se não for devidamente oferendado e saldado em 
primeiro lugar, nenhum rito não pode ser feito. Numerosos tentam explicar por que 
Eleggua sempre é saudado de qualquer outro orixá. De acordo com algumas 
tradições, é ele quem curou o próprio Olofin, graças a seu conhecimento de plantas 
medicinais. Em outros mitos , ele explica que Olofin era pequeno ainda quando 
distribuiu presentes a todos orixás, mas se esqueceu de Elegua. Percebendo o erro e 
não tendo mais nada para dar de presente, ele deu o direito Elegua comer antes de 
qualquer outra pessoa. 
Eleggua é o filho de Okuboro e Añagui, reis da região de Egba. Seu nome original vem 
do Yoruba Èsú Elegbara (mensageiro príncipe de vida em EGBA). Diz-se também que 
o filho de Obbatalá e yembo, irmão de Xangô, Ogum, Ozun e Orunmila. 
Ele OLOFI entregou pessoalmente a Elegua uma coroa e colar de contas 
brancas, vermelhas e pretas, a fim de recompensar os seus serviços na terra. A 
genealogia dos deuses africanos é muito complexas e muitas vezes contraditórias. 
É ele que abre e encerra todo ato religioso. É encontrado nas encruzilhadas e 
esquinas, na montanha, à beira do mar, no rio, no meio-fio da calçada, ou à porta de 
nossas casas. Elegbá está em todos os lugares. Está presente sempre onde exista 
uma manifestação humana, observando tudo o que ocorre, já seja bom ou ruim, para 
relatá-lo a Olorun. Podemos dizer que Elegbá serve de olhos a Olorun na Terra. 
Os mitos teogônico se saturam de elementos históricos. Um dos mitos antigos 
dizem que Eleguá descende de uma família da realeza, ao explicar a origem da 
pedra que lhe serve de assento: Havia numa tribo Africano uma Oba (rainha Africanca) 
chamado Okuboró, casada com o rei Anaki. 
Eles tiveram seu primeiro filho e o chamaram Elegua. Ele desde criança, 
sempre paparicado por um conjunto de serviçais do palacio. Um dia foi passear com 
sua guarda pessoal, e quando chegou a uma encruzilhada, parou quando viu uma luz 
semelhante a dois olhos brilhantes, vindos do chão. Que lhe causou grande espanto e 
tambem em seus companheiros, porque quando eles chegaram ao local viram 
somente um coco seco. 
Elegua levou o coco para a sua casa, e contou a seus pais que ele tinha 
testemunhado um milagre, mas ninguém acreditou nele. Aborrecido, ele jogou o coco 
atrás da porta e o deixou lá. Algum tempo depois p rei deu uma festa no palácio, e os 
convidados que estavam presentes, de repente, ficaram horrorizados ao ver que 
algumas luzes saiam do coco foi atrás da porta. 
Três dias depois, Elegua teria morrido. Por muito tempo após isso as coisas 
estavam dando muito errado no reino. Os sabios do reino se reuniram e reconheceram 
que a razão para todos os males estarem assolando o reino, foi o coco deixado pelo 
príncipe. 
Eles foram atraz do possivel motivo da desgraça do reino, mas notaram que o 
coco estava vazio e comido pelos insetos. Após longas discussões sobre aquele 
25 
 
objeto que foi deixado ali ao longo dos séculos, chegaram à conclusão de que um 
coco seria perecíveis e que era melhor para substituí-lo com uma pedra ou um ota. 
Assim o fizeram, deixaram este coco na encruzilhada que foi encontrado e assim, 
todas as vezes que o reino esta em crise, um novo coco é colocado nesta 
encruzilhada até os dias de hoje. 
A Eleguá sempre é imolado cabras, galos ou galinhas, Jutias, ratos pretos ou 
vermelhos. Suas ervas mais conhecidas em todo o Caribe são, croton, alfarroba, 
cânfora, sementeira, agrião, manjericão, pimenta do Chile, pimenta guao, álamo, 
atiponlá, amêndoa, capim-colchão, Ceiba, Curujey, chichicate, Bejuco guaro, jobo, 
peônia , peregún, maravilha, pica pica, raspa da língua, sementes de pimenta em 
geral, alcaparra, arbusto branco, pendejera, pinhão manso, pinhão roxo dentre outras. 
Entre os povos iorubas, Elegua conhecido como Eshú, enquanto que na 
região de Dahomey é chamado de Legba. Em Cuba tem muitos "caminhos" ou 
“avatares”: Eshú Male, aliado de Orúnmila, Laroye, o guardião dos portas, Eshu Bi, 
aquele que cuida das esquinas, Alalu ou Akualú o dono das encruzilhadas, Aguere, 
que é senhor das savanas, Alaguana o que traz a má sorte, Elufé, o mais velho de 
todos, Añagui, aquele que é chefe dos outros, Eleguas Aguanile, amigo de Ogum, 
Eshu Barakikeño, é o menor de todos e vive na selva. 
De acordo com algumas tradições e mitos antigos, existem sete classes de 
Elegua ou Eshu, cada uma delas com três caminhos, resultando num total de vinte. 
As sete categorias são: 
Añagui, a mãe de todos Elegua. 
Echu Okuboro, representante da vida e da morte. Eshú Laguana, aquele que 
está em toda parte. 
Eshu Layikí, é o caminho que ninguém sabe como começar e como terminar. 
 Eshu Laroye, aquele que esta sempre lutando. 
Eshu Batielle, o destruidor de tudo 
Eshu Odde-Mata usada para o bem e para o mal. 
Outros Caminho de Elegua na tradição Lucumi 
 
Abaile Eleggua 
Este Avatar de Eleggua é o aquele que carrega e encaminha os ebós e 
oferendas, ele as recebe e leva aos seu destinos. Eleggua Abaile é messangeiro e 
intermediário. Ajuda em todas casas Osha. 
Eleggua Afrá 
Eleggua Afra é servo de Babalu Aye, recebe oferendas e come junto com ele. 
Ele vive em hospitais, ajudando no trato com as doença, principalmente as 
26 
 
contagiosas. Por esta razão, é invocado para ajudar na cura de doenças infecciosas 
na infância, como sarampo e varíola. 
Este Eleggua vive em uma pedra porosa (pedra-pomes) e carrega em seu 
assentamento segredos, que somente os mais velhos podem ensinar, aceita em suas 
oferendas vinho tinto. Dizem os mais religiosos que Eleggua Afra pode ser visto nas 
esquinas e assobiando nas ruas vazias, ele usa colar de contas pretas e brancas. 
As ferramentas Eleggua Afra é um bastão de peregrino e uma cabaça com 
ervas medicinais (onde fabrica seus medicamentos). Este Eleggua, assim como 
Babalu Aye leva o rosto coberto porque ninguém deve olhar para seu rosto. Em um de 
seus Pataki que ele era o único que ajudou Babalu Aye quando estava doente, ele 
ajudo a procurar seus cães de estimação com Oggún e as muletas com Ossain e 
Xangô, e conseguiu o perdão a Olofin. 
Eleggua Agbanuké 
Eleggua Agbanuké é da terra de Arara, é o guardião de todos os Ilês, que lhes 
dá varios presentes e comidas, tem a propriedade de deixar "cego", todos aqueles que 
vem com más intenções ou pedidos malignos as casas de Osha. 
Diz-se que ele é o melhor aliado dos Babalawos, junto com Barakikeño e 
Alaroye. Como já mencionado este avatar leva uma seta que adorna a testa. É o 
ouvido dos Babalawos, pois ele costuma dizer tudo o que ele vê e ouve dentro do Ilê. 
É o Elegua da clarividência, através do qual Orunm ila “encherga Longe”. 
Eleggua Agbanuké fala em Odu Baba Ejiogbe. Ele é o “Messias” de Ifa e o príncipe do 
Reino de Exu, porque detém e conhece os segredos do bem e do mal. Nas tradições 
que o cultuam seu asentamento é sempre colocado na posição leste leste do Ilê. 
Eleggua Akeru 
Eleggua Akeru, cumpre o papel de um mensageiro, trazendo a mensagem de 
todas divindades e levando o pedido de todos humanos para as divindades. 
ELEGGUAAGONGO OGO 
Eleggua Agongo Ogo, tem como ferramenta um porrete em forma de falo, que 
serve para atacar ou defender. Representa a plena virilidade. 
ELEGGUA AKESAN 
Come com Chango, é servo do Reino de Oyó. 
ELEGGUA ALA LE ILU 
Eleggua Alá Lé Ilú, é um tintulo de honra que Eleggua ostenta em muitos 
vilarejos e povoados, neste avatar representa um advinho, ancião e de grande 
sabedoria. 
ELEGGUA ALA LU 
27 
 
Eleggua Allah Lu é o senhor do destino. Domina e é mestre de tudo que vai 
executado, as situações diferentes da vida que podem ocorrer, os passos que podem 
ser dados, e as consequencias de varios atos, isto não só para os seres humanos, 
mas também para os Orishas. 
Eleggua Allah Lu tem permissão e Axé de Olodumare para mudar caminhos e 
possibilidades, que é por isso que se tem o cuidade de agrada-lo em todas cerimônias. 
Eleggua Allah lu é uma divindade muito controversa, uma vez que dentro da dimensão 
humana, não entendemos suas decisões. É ele quem abre todos os caminhos e nos 
ajuda a ter uma vida melhor e mais próspera, mas é ele também que é capaz de 
fechar os caminhos se for determinado que alguma ação pode nos levar a direções 
indesejadas, de acordo com os designios de Olodumare. 
É por isso que ele, atravez do oraculo, analisa todas as situações, promovendo 
a abertura de caminhos para a eliminação dos problemas que atrapalham nossa 
evolução. Sem os conselhos dele, não podemos dar os primeiros passos para 
alcançar muitos de nossos objetivos, e a ele recorremos também para no final de 
nossos objetivos alcançados sabermos como agradecer e receber as bençãos dos 
objetivos conquistados. 
 Suas oferendas são feitas de maçãs, goiabas e doces azedo. Gosta tambem 
de comidas picantes, rum, tabaco e charutos. Ele deve sem consultado antes de fazer 
qualquer ebbo. Os filhos de Ala lu sempre triunfam se seguirem seus conselho sábios 
e aceitarem ajuda. Esta assistência é dada igualmente aos Iyaloshas, Babaloshas e 
Babalawos que mos invocam nos seus trabalhos religiosos. 
Citamos aqui as qualidades ou avatares principais cultuados na tradição 
Lukumi, porem este numero pode variar de casa para casa. 
Algumas tradições e autoridades religiosas do caribe dizem que número de 
caminhos ou avatares pode ser mais de uma centena de Eleguas. Dependendo do 
avatares, Eleggua pode ser representado por um idoso ou uma criança, e que abre e 
fecha os caminhos para os humanos. 
 O santero Juan Manuel Casanova3 cita: O nome deste doende africano, 
também chamado Eshu, está associado a um momento em que o mundo estava em 
confinamento solitário, por causa do crescimento de uma erva daninha gigante. Todos 
os caminhos da terra estavam escondidos por este mato e fechados, até que ele vem 
e com suas próprias mãos, começa a abrir todos caminhos, usando uma bengala, feita 
com um galho de árvore em forma de gancho, ele empurrou as ervas daninhas que 
ameaçavam cobrir tudo. Esta bengala é parte fundamentale um dos objetos sagrados 
dentro de um culto santeiro. 
Portanto, a dança ritual desta divindade, nos lembra aqueles movimentos 
rápidos, em que ele abre o caminho através da floresta, com um facão, fazendo 
rabiscos no ar e no chão. É um dos orixás que tem mais lendas dedicadas a seu 
nome. 
 
3 Mason , M. A. Living Santería. Rituals and Experiences in an Afro-Cuban Religion. Washington and 
London, Smithsonian Institution Press, 2002 
28 
 
Tanto no Caribe como na África, Eshu / Eleggua é o deus da ambiguidade, e 
seu simbolismo valoriza essa ideia, traja roupas metade vermelha e metade preta, 
habita os cruzamentos, é péssimo conselheiro, porem o aliado mais poderoso. 
Alguns caminhos o apresentam como uma criança travessa que pode ser 
facilmente satisfeito, uma vez que é guloso e ganancioso. Neste caso aceita de 
presente pipas, bolas ou toda forma de doces. Às vezes, ela se manifesta como um 
homem mais velho, o qual prefere presentes tipo tabaco e run. 
É deus e príncipe, mas tambem pode comer no lixo. Ele está em todos os 
lugares sempre espionando. É o eterno malandro e enganador. Outro mito diz: 
Eleggua foi para casa Orunla para ser feito babalao "Eu vim para fazer-me Babalao, 
de Ifa". Orunla perguntou sobre o dinheiro necessário para fazer a cerimônia. Elegua 
respondeu: "Eu não tenho nem um galo preto". Orunla respondeu "Sem dinheiro você 
não pode fazer Ifa”. 
Qualquer pessoa, iniciado ou não, pode ter na entrada de sua casa, um 
Elegua para servir-lhe proteção. Os Eleguas são feitos de pedra, argila ou cimento, 
com búzios para apontar os olhos e a orelha, é feito normalmente uma aberta na base, 
onde os "segredos" são colocado, é comum ir terra de uma encruzilhada, terra de 
igreja, terra de colina, de prisão, dentre outras., erva especificas e alguns elementos 
de Orixa, mel, moedas de várias denominações e outras substâncias. 
O buraco da base é selado e a acabeça enterrada por três ou sete dias (de 
acordo com a orientação do sacerdote) em uma encruzilhada, praia ou cemitério, em 
seguida é levado para o fim da preparação, onde é oferecido uma galinha preta e 
outros presentes preparando num tempo de três dias antes a finalização para quem 
vai recebê-lo. 
Elegua geralmente repousa sobre um prato de barro ou panela de ferro que é 
armazenado dentro de um pequeno armário ou casinha, perto da porta da frente da 
habitação. Toda segunda-feira deve-se sauida-lo e cumprimenta-lo, seus devotos 
devem fazer uma oferta de conhaque ou rum, tabaco ou rapé. 
As ervas de Elegua são as mais diversas, dentre sua ervas encontramos ervas 
que tambem são de significadoe valor para o culto de outros Orixas, geralmente são 
compartilhadas com outros Orixas. Os tratados de Ewes, não são regras gerais, 
podendo variar a orientação de cada casa em geral. 
Segundo a orientação de alguns Santeros e da literatura disponivel, nem todos 
Eleguas se alimentam de animais, o que vai definir a imolação é o avatar de Elegua 
Invocado e solicitado de acordo com a função de cada uma das qualidades existentes. 
Elegua é o primeiro a ser honrado, uma vez que é o único que tem por função 
abrir os caminhos para a comunicação das divindades com os humanos. Os que não 
são iniciados, vugarmente chamados de aleyos, devem sermpre honralo primeiro. 
É ele que possui a visão plena do caminho, ele se torna um guerreiro 
formidável e feroz quando aliado a Oggún e Oshosi, tornando-se imbativel. Elegua é 
um dos primeiros Orixas que fazem parte da fundação do templo. São deste mesmo 
grupo o orixá Odde, que faz parte dos chamados, Osha guerreiros. Ele é o primeiro 
29 
 
dos guerreiros com Ogun, e Osun Oshosi. Na natureza é simbolizado pelas rochas 
escuras. Eleguá veio para o plano terreno com função de acompanhar o Osha 
Obbatalá. É considerado o mensageiro chave Olofin. 
Ele é plantado na maioria dos casos na porta principal externa, guardando o ile 
em que foi designado, Senhor absoluto das estradas e destino, é quem fecha ou abre 
o astral para a felicidade ou infelicidade dos seres humanos. Podemos sempre contar 
com ele para qualquer coisa. Ele é o guardião do cerrado e da mata. 
É um Osha que obrigatóriamente deve ser assentado, uma coisa em todas as 
tradições temos uma fala unanime, este Osha fala somente por diloggún ou outros 
oraculos próprios. É também uma das principais divindades que são acessadas para 
interpretar os principais sistemas sérios divinatórios, o diloggún e o buzios alem de 
desempenhar um papel fundamental em alguns subsistemas oraculares como o 
Biguate ou Aditoto. 
Na tradição Lucumi é normal os “Babaloshas” e “Iyaloshas” entregarem de 
presente aosseus iniciados o seu Ota principal. Elegua é o unico que teve a 
permissão de entrar e sair a hora que quiser do mundo de “Ará ONU”. Ele ganhou 
privilégios de Olofin, Obbatala e Orunmila para sempre ser o primeiro a ser servido. 
Seu jogo de caracóis é o maior, uma vez que consiste de 21 peças, representando 
seus varios caminhos. É dono por excelência junto com Obbatala do oráculo de coco 
(OBI). 
O seu número é 3 na tradição Lucumi, suas cores vermelho e preto. Na 
segunda-feira ou nos dia 3 de cada mês são feitas suas oferendas e festejos. O 
sincretismo é comparado com o Santo Menino de Atocha (1 de janeiro). Sua festa é o 
06 de janeiro e 13 de Junho. 
Caracteriscas Gerais: 
 CorTradicional: Preto e Vermelho 
Sincretismo Católico: Sagrado Menino de Atocha, Menino Jesus de Praga 
Celebração: 3 de Junho 
Vestimenta: Vermelha, preta e branca. 
Miçangas: Vermelhas e pretas; brancas e pretas; vermelhas, brancas e pretas. 
Ferramenta ritual: Um garabato, espécie de bastão (parecido com um Báculo) 
comumente feito em madeira de goiabeira. 
Sacríficios: Bodes,galinhas ou frangas, e galos 
Tabu: Óleo da amêndoa do côco do dendezeiro. 
É proibido assoviar na casa onde mora Elegbá. 
Números rituais: 3, 7, 11, ou 21 
 
30 
 
OGUN 
Duas faces caracterizam as qualidades principais de Ogun, na tradição Lukumi: 
a violência e rusticidade. Os sacerdotes mais velhos, costumam dizer "este é um orixa 
e grande feiticeiro", possui muitos segredos guardados. Ogun conhece o lugar onde 
estão escondidas as coisa mais valiosas, no solo, nas profundezas da terra, tudo 
aquilo guardado no seu inteiror que poucos conhecem. Fazendo uma alusão tambem 
ao interior de cada um, dentro de si mesmo. Para o crescimento interior e realização 
do pleno potencial humano é imprescindivel a assistência de Ogun, que representa 
também a energia vital e o mundo em movimento perpétuo. 
Ele é o filho rebelde de Obatalá e Yemmu, teve um romance incestuoso com 
sua mãe. Diz-se que Obatalá Yemmu vivia com sua esposa, e residindo com seus 
filhos, Eleggua, Ogun e Osun Ochosi. Tiveram uma filha chamada Dada, que ela não 
vivia com eles. Obatalá saia todos os dias para trabalhar, e deixava seus filhos em 
casa, encarregando Osun de dizer tudo o que tinha acontecido durante a sua 
ausência. Ogun era o mais trabalhador deles, e por isso diziam que ele era o mais 
mimado, sendo que todos outros irmãos lhe deviam obediencia. 
Passando o tempo, ele se apaixonou por sua mãe e várias vezes tentou de 
maneira forçada ter relações sexuais com ela. Mas sempre Elegua estava vigilante, e 
contava o ocorrido a Osun, que sempre o repreendia. Um dia, Ogun que era 
excelente cozinheiro, pos para fora Eleggua e fazendo a comida favorita de Osun, 
um “Gallito”, fez ela comer tanto que a mesma adormeceu. No mesmo instante fechou 
a porta da casa deixando Elegua sempre do lado de fora. 
Um dia Elegua esperou, Obatalá no caminho e lhe disse que fazia muitos dias 
que ele não comia nada. Eis que Obatala lhe perguntou o por que? Respondeu 
Elegua: Porque Ogun me chutou para fora da casa, para poder dormir com a minha 
mãe. 
No dia seguinte, Obatalá voltou para casa e inesperadamente e descobriu que 
Elegua disse era verdade. Obatalá chorou tanto que ele foi forçado a usar um cajado 
de madeira de mangue, porque faltou as forças. Ele bateu na porta e Ogun respondeu 
indo abrir. Mas quando viu que ele era seu pai Obatala, com a mão esquerda 
levantada para amaldiçoá-lo, disse em desespero: "Não, baba, não me amaldiçoe, eu 
mesmo me responsabilizo, pelo ato e eu mesmo vou me amaldiçoar”, 
Enquanto o mundo for mundo, Ogun se condenou a trabalhar dia e noite, sem 
descanso. Obatalá escutou e disse:" Oche "(assim seja). Curiosamente aqui como no 
mito adâmico o caráter de maldição de ter que trabalhar eternamente humana é 
repetido: a punição de um grande pecado, é o trabalho eterno. 
Depois de conversar com seu filho, o Orixa Maior entrou na casa e chamou Yembo, e 
novamente Ogun gritou: "Mãe é inocente, não a culpe, eu a forcei a tudo que fiz " ao 
que Obatalá respondeu irritado,"Va embora, não quero vê-lo novamente, e você não 
pode morar mais nesta casa." Ogun envergonhado foi para o mato e começou a 
trabalhar exercendo o oficio de ferreiro. O grande Orichanla então se dirigiu Yembo: 
"Eu não vou a amaldiçoar, mas digo-lhe que, no futuro, vai matar cada que nascer de 
nós. "Yembo chorou sem dizer nada, nem uma palavra. 
31 
 
Ogun defruta de grande popularidade na África, como citam algumas obras4: 
"... Na Nigéria a importância da existencia de ferreiros e fabricantes de ferramentas 
artesanais é imprescindivel e Ogún é o granda padroeiro de todos estes artesãos, bem 
como de soldados, caçadores e pescadores, profissões muito influentes. Ferreiros 
eram um grupo à parte, respeitados e apreciados por toda comunidade, a tal ponto 
que tinham direito cativo de participar nas reuniões do conselho de anciãos em todas 
cidades. 
 Ogun como padroeiro de todas estas profissões, foi objeto de adoração aberta em 
todos os clãs e tribos, enquanto que em certo sentido apadrinhou uma certa casta de 
poder econômico, politico e profissional. 
Como veremos em varias citações, Ogun é inimigo eterno de Xangô, pois ele nunca o 
perdoou pelo que aconteceu com sua mãe. Além disso, como vingança, Chango 
roubou sua esposa Oya. Em uma de suas "formas", Ogun é um eremita que vive 
estuprando mulheres que se atrevem a aproximar-se delemata adentro. Em Cuba, 
este Orixa é muito importante, já que é ele o dono da faca ou facão usados na 
imolação ritualistica, se não for de sua vontade nenhum sacrifício é possível. Ogun 
está intimamente ligada à Ochosi e sucumbe perante os encantos e doçura de Oxum. 
Na natureza, é simbolizado pelo ferro e todos os metais, representa a virilidade dos 
seres humanos. 
Ele é o Senhor de todas ferramentas e correntes. Na tradição Lukumi, Oggun é do 
grupo de Oshas Odde, comumente chamado de Guerreiros. Este grupo é constituído 
por Eleggua, Ogun, Osun e Oshosi. 
É um dos primeiros OSHA receber qualquer indivíduo na tradição, Ogun é decisivo na 
confirmação cerimonial de Oloshas, e na cerimônia de confirmação de Awo. A esta 
divindade é dado o direito do sacrificio, uma vez que a faca usada no ritual lhe 
pertence. 
Junto com Oshosi é dono das montanhas e matas, e das estradas junto com Elegua. 
A Ogun pertence metais, é o regente de ferreiros, guerras, e responsavel por vigiar os 
seres humanos. Seu nome vem do Yoruba Ogun (guerra). Ele vem de Ileshá e foi rei 
da Iré. Suas cores são o verde e o roxo ou preto. Seus Elekes (colares) são feitos 
alternando contas verdes e pretas. 
Seus principais caminhos ou avatares na tradição Lucumi : 
Ogun Arerê: Dono de todos metais, sincretizado com São Pedro. 
Ogun Onile: aquele que mora na ponta da colina, sincretizado com São João Batista. 
Ogun Alaguadé: o ferreiro que trabalha dia e noite sem nunca dormir. 
Ogun Chibirikí: aquele que leva os que merecem ao carcere, sincretizado com São 
Miguel Arcanjo. 
Ogun Kueleko: o que mora na estrada ferrea. 
 
4 Cañizares, R. Cuban Santeria. Walking with the Night.. Rochester:Destinity Books, 1999. 
32 
 
OGGUN ARERE 
Oggun Arere é um dos caminhos ou avatares de Ogun que significa "el carnicero", O 
grande Carniceiro. 
OGGUN ONILE 
Oggún Onilé é um dos caminhos ou avatares de Ogun que significa o grande 
conquistador, guerreiro e general dos exércitos. Ele é o rei da cidade de Inlé, sendo 
então seu soberano senhor Onilé. 
Seu nome tambem significa "proprietário de terra". É assim chamadoquando desbrava 
terras inexploradas, caçando e conquistando. O título refere-se aquele que chegou 
primeiro a um lugar, se instalou e dominou a terra. 
OGGUN ALAGUADÉ 
Oggún Alagbede, é um dos avatares ou caminhos de Ogun, seu nome significa 
"ferreiro". Este Oggún é o padroeiro de todos daqueles que trabalham com metais. 
Ele é incansável, trabalhando dia e noite. Às vezes apresenta perfil irascível, agressivo 
e muito rude. Ele é o marido de Yemaya Okunte. Ele é chamado Alagbo, Alagbede ou 
Alaguede. 
OGGUN SHIBIRIKI 
Oggun Shibiriki é o avatar ou caminho responsavel pela criação dos instrumentos de 
metal. Também chamado de "o assassino", demonstra uma caracteristica de ciumes 
do amor de Xangô e Yemaya. É muito forte, corajoso e de grande porte, o cheiro de 
sangue na batalha o deixa enloquecido. 
OGGUN KUELEKO 
Este caminho ou avatar significa Senhor dos ferros e da transformação dos metais. 
 
Esta divindade é amante do derramamento de sangue, conforme consta em alguns de 
seus mitos, “em uma ocasião cortou centenas de cabeças, para acabar com uma 
revolta dos homens contra Olofi”. 
É considerado "Montuno" (camponês), certa vez Chango roubou suas roupas, oque 
fez Ogun se vestir de maneira simples com folhas de mariwó e torso nu. Seus 
assentamento é feito em um caldeirão de ferro, onde suas ferramentas são 
armazenadas: normalmente um martelo, uma bigorna um facão, uma pá, um pé de 
cabra, 4 ferraduras e um pedaço de corrente. 
Na tradição Lucumi seu caldeirão é colocado perto Eleggua, na entrada da casa, 
podendo incorporar mais elementos) na medida em que o adepto recebe orientações 
do Orixá ou por intuição ou atravez de uma seção de advinhação. Algumas casas 
acrescentas ao assentamento de Ogum, 7 unhas de crocodilo, patas de lobo, num 
total de 4, um fole e um bisturi (o último como protecção de possiveis cirurgias). Ogun 
é o patrono dos cirurgiões e, com Ochosi, protege caçadores. 
33 
 
Ele dá a tenacidade fiel e força para enfrentar a vida. “Ogun também é patrono dos 
entalhadores, e curtidores de peles, barbeiros e motoristas de carros e locomotivas”. 
Como fala o pesquisador e Sacerdote Cubano Miguel Ramos5: "Em sua caçarola de 
ferro e ferramentas, esta o significado do trabalho bruto desta vida”. 
 
Caracteriscas Gerais: 
Cores Tradicionais: verde e preto, roxo e avermelhado. 
Dia: terça-feira. 
Número 7. 
Pedra: Ametista. 
Metais: Todos, principalmente ferro e aço. 
Plantas: pimenta, espada de são jorge, quebra pedra dentre outras. 
Animais de estimação: cão, baratas, peixe vermelho. 
Funções: deus da guerra, metais e hospitais, guardião dos segredos e Senhor do 
potencial humano. 
Sicretismo católico: São Pedro, São João Batista, São Miguel Arcanjo e São Paulo. 
Colares: preto com contas verdes. Além disso (de acordo com a casa), marrom e 
preto, com intervalos de peças avermelhadas. 
Suas ferramentas são: todas feitas de metal, ponteira, bigorna, machado, facão, 
correntes, chaves, martelos, um serrotes, etc. Normalmente guardadas num calderão 
de ferro. 
OCHOSI 
Oshosi ou Oxossi (Ochosi) pertence a um grupo de Osha Odde, comumente chamado 
de Guerreiros . Este grupo é constituído Eleguá , Oggún , Oshosi e Osun . É um dos 
primeiros Orishas a receber qualquer indivíduo nas casa de culto. Ele é um Orixá 
predador por excelência. 
Relaciona-se com prisão, justiça e perseguidos. Pensa-se que é capaz de se deslocar 
para qualquer lugar ou em qualquer momento e capturar ou pegar qualquer coisa. 
Ele é simbolizado por armas de caça, tipo arco e flecha, e é primariamente grande 
companhia de Oggún. Ele é considerado um mágico e feiticeiro. Seu nome vem do 
Yoruba Osóssí (OSO: feiticeiro, Sísé: fazedor de bruxarias), significado literal de 
"Aquele trabalha com bruxaria." 
 
5 Ramos, Miguel. “Shangó,” “Ogún,” and “Oyá” entries. In Holy People of the World—A Cross-Cultural 
Encyclopedia, edited by Phyllis G. Jestice. Santa Barbara: ABC-CLIO, 2004. 
34 
 
Na Nigéria é considerado filho de Oduduwa (Oddua) . Ochosi em Cuba é considerado 
filho de Obbatala e Yemu ou yembo. Esposo de Oxum com quem ele teve de Logun 
Ede. 
A Ochosi é oferendado alpiste, painço, batata doce, rum, anis, tabaco, aves caçadas, 
a mandioca (mandioca). A ele pode ser imolado cabras, galos, codornas, frango, 
carne de veado, pombo, Jutias, pé de galinha, alecrim, manjericão, atiponlá, peregún, 
peônia, abacate, goiaba, Ceiba, álamo, alfarroba, aroeira, maravilha, pendejera, 
Higuereta , manobrista, ameixa, etc. 
São tão intimamente parecidos Ochosi e Ogun, como vimos, até nos atributos e 
ferramentas, e até os animais imolados na tradição Lukumi são muitas vezes os 
mesmos! 
A lenda explica a origem destas duas divindades: Ogun, apesar de possuir um facão, 
não conseguia caçar, enquanto limpava a mata ou floresta, os animais fugiam 
escutando o barulho de seu trabalho, e então não conseguia caçar. 
Ochosi sempre foi um grande caçador, mas a mata densa e alta, impedia que 
avançasse no trabalho de caça aos animais, pela floresta. A fome também 
atormentava ele. 
Ele consultou com quem Orunla, que o aconselhou ir até uma colina e de lá fazer uma 
oração. Assim Ochosi fez e pediu em sua oração para que a má sorte tornar-se boa 
sorte. Foi então que sua má sorte caiu sobre Ogun. Ambos sorriram e entraram num 
acordo. 
Ogun : "Eu derrubo a mata e abro picadas e não consigo matar, por sua vez você 
pode matar mas se a mata estiver fechada não consegue passar. A partir de agora 
eu e você derrubaremos a mata e mataremos as caças. "E eles assim fizeram. Então 
passaram sempre a andar juntos, Ochosi acima e Ogun abaixo. 
Ochosi adquiriu suas funções diretamente das mãos de Olofi em troca de um favor 
prestado. Olofi queria capturar o Rei dos Macacos de Sete Rabos, mas eles viviam 
em uma caverna de dificil acesso, e não existia nenhuma maneira de alcançá-los. 
Ochosi foi se consultar com Orunla, que o aconselhou a fazer uma oração e deitar 
bem quieto a porta da caverna. Os macacos, desconfiados olhavam de soslaio para o 
Oricha, achando que poderia estar morto. O grande Caçador permaneceu imóvel e 
macacos decidiram levar "o cadáver "para presentar seu Rei ... 
Uma vez lá dentro e sem pensar duas vezes, Ochosi capturou o soberano dos 
macacos e levou-o para Olofi, que disse: "Enquanto o mundo for mundo, você vai ser 
o responsavel pela caça, pela prisão, o Senhor dos caçadores e dono dos animais 
selvagens " Uma velha Sacerdotisa Santera, Yeniela Cedeño Hechavarría6 endossa 
: 
 
6 Dime qué haces y te diré quién eres: Santería, mujeres santeras y representación social de sus 
funciones - Revista Contraponto | vol. 1 n. 1 | jan./jul. 2014 - Habana 
35 
 
" Este é o Orixa da justiça, e esta o tempo todo combatendo as coisas mal feitas. Um 
curandeiro que trabalha de forma anti-ética ao receber Ochosi, de nada tem valor a 
sua pratica. Ochosi está ligado a Obatalá, no que diz respeito a cumprir a justiça de 
Obatalá ". Na verdade, Bascom explica que Ochosi é lingüista e intérprete de Obatalá 
e qualquer um que quer ir ao encontro de Obatalá, deve primeiro encontrar Ochosi. 
A fidelidade prestada a Olódùmarè é bem conhecida. Um “pataki” africano mostra a 
generosidade e abnegação que caracterizam: “Todos disseram que o grande caçador 
Ochosi, nunca seria rico e não teria nada. 
Todos os animais caçados os ele os entregava diretamente a Olofi, sem pegar nada 
para si. Alguns amigos de Ochosi formaram um "clube" e eles decidiram fazer alguns 
trajes para mostrar no dia do festival anual.Ochosi concordou. 
Desde que ele não tinha dinheiro, ele se aproximou de Olodumare e disse: "Baba, 
gostaria de me vestir de maneira boa para uma festa, mas sou tão pobre eu não tenho 
nenhuma vestimenta adequada.” 
Olodumare respondeu: "Não se preocupe, Ochosi, vou arrumar uma vestimenta para 
você." Dias antes desta festividade, os convidados começaram a preparar suas 
roupas: feitas de seda branca, outras de algodão branco, ricamente decorado. 
Olodumare vestiu Ochosi com seu terno de contas brancas que brilhavam à luz da 
lua. 
Quando seus amigos o viram, o adoraram, pensando até que era o próprio Olodumare 
os honrando com a sua presença. Junto de Ochosi dançaram, cantaram e os 
adivinhos louvaram a Olodumare. Desde aquele dia, como uma recompensa por sua 
lealdade, Ochosi tornou-se rico. 
Uma grande tragédia marcou a vida deste Orixá, que inadvertidamente era acusado 
de matricídio. Certa vez, ele caçava pássaros, ia os armazenando num canto, para 
depois vender a Orula. Sua mãe, sem comunicar a Ochosi , escondeu um. Ao 
descobrir o roubo, enfurecido, disse: "Traga Alacán, minha flecha para matar a pessoa 
que roubou meu pássaro ". E atirou a flecha para o alto que desapareceu no ar, deu 
voltas ao redor da praça e terminou presa no coração de sua mãe. 
Ochosi é um importante provedore e acredita-se que quem carrega uma pequena 
flexa de ouro no pescoço será sempre protegido por este Orixá. Segundo Mercedes 
Cros Sandoval7, "se em Cuba é dito que ele é o guardião das prisões e do que vive 
nela é devido à semelhança que se têm com os caçadores capturando e guardando 
suas caças em armadilhas. 
Entre os caminhos de Ochosi ou avatares, temos Oshosi Adebi, Ochosi Ode Mata e 
Ochosi Guruniyó. Dentre seus atributos e ferramentas, os principais são o arco e 
flecha e outros. 
Os “guerreiros” são frequentemente bem recebebidos pelos religiosos, como forma de 
trazer uma proteção, ou segurança a todos durantes os trabalhos religiosos. Sem que 
isto constitua uma iniciação formal na “tradição Lukumi”. Em seguida os fieis cultuam 
 
7 LA Religion Afrocubana/the African Cuben Religion (Coleccion Plaza Mayor libre)Nov 1998 
36 
 
Elegua, Ogun, Oshosi, e qualquer outro orixá que faça parte das iniciações e que 
tenha seu assentamento na casa. 
Caminhos ou Avatares 
Oshosi Móta 
MOTA Oshosi defende o território, trazendo a caça e espantando os inimigos, tanto 
material quanto espiritual. 
Oshosi Kayoshosi 
Oshosi Kayoshosi é o avatar que mantém uma uma casa ou trabalho alegre, pois 
com sua vigilância nenhum ladrão ou malfeitor passará impune ao seus olhos. 
Apazigua as discussões e anula os motins dentro da tradição e supera dificuldades. 
Oshosi Alé 
Oshosi Alé é aquele que protege o território, caçando bruxas e praticantes de magia 
negra, egguns perigosos e pessoas mal-intencionadas. 
Oshosi Marundé 
Oshosi Marunde também é um caçador alem de um grande guerreiro e médico. 
Conhece muitas ervas curativas e tem o dom de curar enfermidades mesmo a 
distância. 
Oshosi Ibualámo 
Oshosi Ibualámo é um grande caçador, mas também grande pescador. Diz-se que 
habita nas profundezas do rio. Entre as suas ferramentas são um arco, flecha e uma 
rede. 
Oshosi Otín 
Oshosi Otín é considerado um avatar feminino, mas tem uma contraparte masculina 
nos outros caminhos. Tem as mesmas características e virtudes. Otín é uma grande 
caçadora e sempre acompanha Oshosi, seu irmão gêmeo e o marido. (Era costume 
dos gêmeos se casar entre si ou com outros gêmeos). 
Oshosi Onilé 
Oshosi Onile representa a supremacia, porque como o próprio nome indica, é 
proprietário do terreno e da casa onde todos outros se assentam. Ele é representado 
como o primeiro caçador, que fundou a cidade e agora retorna trazendo suas bênçãos. 
Caracteriscas gerais: 
CorTradicional:: violeta. 
Dia: terça-feira (como seu parceiro de Ogun, ao qual está ligado). 
Número 7 
37 
 
Pedras preciosas: Ametista e âmbar. 
Animais: veado, codorna. 
Representação Católica: São Norberto 
Função: deus da caça, prisões, justiça, advogados e leis. 
Feriado principal: 6 de Junho. Colar: contas vinhos com contas verdes 
ORUNMILA ou ORULA 
Orula ou Orunmila é o Orixá da Adivinhação, dono do Oráculo Supremo, nas 
tradições caribenhas é considerado o grande benfeitor da humanidade e seu principal 
conselheiro. Ele revela o futuro através do segredo de Ifa. É também um grande 
curador, aqueles que ignoram seus conselhos podem sofrer os altos e baixos 
causados por Exu. Orula representa a sabedoria, inteligência, astúcia e o bem se 
sobrepondo ao mal. Quando Olodumare criou o universo, Orula estava lá como uma 
testemunha. É por isso que ele sabe o destino de tudo o que existe. É por isso que ele 
é chamado em alguns Itans como “Eleri-ipin ibikeji Olodumare” (testemunha de toda a 
criação e o segundo no comando de Olodumare ). 
Seu culto vem de Ile Ife e seu nome vem do Yorùbá, Orunmila significa ( "Só Deus 
sabe quem será salvo"), ele personifica a sabedoria e a capacidade de influenciar o 
destino e é o mais adverso. Aqueles que não seguir o conselho de Orula, seja homem 
ou Orishas, podem ser vítimas de Osogbo enviados por Exu . Inseparável amigo de 
Xangô , que lhe forneceu a permissão de Olofin o dom da adivinhação e Exu , seu fiel 
aliado. Orula forma uma trindade importante com Olofin e Oddúa (Oduduwa). 
Orula está presente no momento em que o espírito que vai encarnar em um indivíduo, 
na escolha de seu destino. Ele representa segurança, apoio e conforto para a 
incerteza da vida. Com a sua ajuda tudo é possível. Os seus sacerdotes em geral são 
homens bem organizados profundamente místicos e sábios. Exu é seu assistente. Os 
sacerdotes de Orula existem do mesmo modo que podem haver outros sacerdotes 
dos demais OSHAS e Orishas, com a diferença de que é exclusivo para os homens, e 
dentro destes são escolhidos as pessoas que não se enquadram em estado de 
transe. 
A vida de Orula começou com uma tragédia. Ele foi o primeiro menino nascido de 
Yemmu e Obatalá, depois do acontecido com Ogun. Fiel à sua palavra, Obatalá pegou 
a criança nos braços e levou para o meio da mata. Ao encontrar uma enorme ceiba, 
cavou um buraco e enterrou Orula até a cintura, prendendo seus braços debaixo da 
terra. Acreditando que não duraria muito tempo sem água ou comida ... 
Elegua que tinha seguido o seu pai, observava tudo. "Isso não é justo”! Falou, se 
alguém tem que pagar com a sua vida, deve ser Ogun e não o pobre Orula, quenão 
tem culpa de nada. Ele disse à sua mãe o que aconteceu. Yemmu, chorando, pediu a 
Eleggua para todos os dias visitar e trazer alimentos a Orula alimentos. 
Passou o tempo. Elegua alimentava Orula e a Ceiba, Iroko, protegeu-o sob sua 
sombra. Yemmu teve outro filho a que se chamava Chango que veio mundo por um 
38 
 
grande estrondo, porque ele nasceu junto com um trovão. Chango era um negro tão 
bonito que Obatalá se compadeceu dele e não lhe fez nenhum mal, entregou ele a 
sua Dada filha para ser criado. Quatro anos mais tarde, Dada decidiu levar Chango 
para visitar seu pai, Obatalá que ficou encantado com a criança, ela sentou em suas 
pernas e começou a brincar com ele. Yemmu chorava muito lembrando de Orula. 
Obatalá disse Dada: "Todos os dias traga este menino para me ver. " E assim foi 
feito. Obatalá o sentava em suas pernas e contava tudo que Ogun havia feito. Então 
Chango crescia odiando Ogun, que havia sido obrigados a viver separado de seus 
pais. E quando se fez homem, Elegua, que vivia muito bem com ele, contou tudo o 
que aconteceu com Orula.Naquela época, o primeiro dos Orishas andou completamente esquecido e tudo estava 
indo errado no mundo. Chango vendo o sofrimento de Obatalá e querendo salvar seu 
irmão que estava agoniando na prisão, decidiu abordar o assunto com seu pai, "Baba, 
faz tempo que o meu irmão mais novo esta enterrado sob uma ceiba". 
Obatalá respondeu: "Isso é uma história muito antiga Chango, faz anos que ORULA 
morreu”. -" Não, pai, Orula não está morto, mas está muito mal e sofrendo, deixe-me 
salvá-lo. " Obatalá deu o seu consentimento. Chango agarrou Orula pelos ombros e o 
desenterrou. 
Este disse: "Obrigado, irmão, mas como vou fazer para ganhar a vida? Estive aqui 
enterrado todos estes anos, que e eu não sei fazer nada. " Chango, que desde o seu 
nascimento era o proprietário do grande Oraculo, cortou uma tabua da ceiba e 
fabricou uma placa, o Tabuleiro de Ifa, que Orula usou para dar consultas a todos no 
reino. As primeiras palavras dele foram: 
"Maferefun (louvado seja) Chango, Maferefun Eleggua, Maferefun Obatalá, Maferefun 
Olofi ". Assim que terminava de proferir estas palavras um raio o atingiu e desenhou 
uma coroa em torno da placa. Orula prostrou-se e Chango deu-lhe as honras : "Kabo, 
kabiesile, Oba" 
 Orula, desde então, tornou-se o senhor da adivinhação.8 
Segundo Mercedes Cros Sandoval9 este mito faz parte do processo sincretico que 
aconetceu na construção religiosa da ilha de Cuba. Obatalá aparece nele como o pai 
de muitos dos deuses ou para não dizer de todos. Na África é considerado chefe 
hierárquico e pai de todas divindades, não necessariamente pai biológico. 
Na Santeria há uma tendência para “emparentar” os deuses, por causa de um desejo 
de ordenar e estabelecer hierarquias na família celestial, criando um processo amplo 
de “miscigenação divina”. Esta é uma das varias interpretações deste fenomeno como 
explica em alguns textos Lydia Cabrera10 reconhece nos antigos patakíes falado da 
 
8 Quase todos as “libretas” da Santeria Caribenha tem vários Patakies desta história. Em algumas 
versões é Obatalá que presenteia Orula, reconhecendo seu excesso. 
9 SANDOVAL, Mercedes. Worldview, the Orichas, and Santería: Africa to Cuba and Beyondl: University 
Press of Florida. Florida, 2009. 
10 CABRERA, Lydia. Magia E Historia En Los Cuentos Negros, Por Que Y A Yapa - Coleccion Ebano Ynela: 
1988 
39 
 
própria boca de Gabino Sandoval, filho de "egbados Lucumies", que parece ser difícil 
em apenas uma geração temos a redefinição tão radical da genealogia mítica da 
genese dos Orishas. Podemos encontrar algumas variantes regionais de origem 
creole, que tradiamente chegam na ilha. Não descartamos que as questões de 
incesto, de filhos abandonados ou condenados são constantes na mitologia mundial. 
O mais conhecido de todos casos é concerteza Mito de Édipo, filho de Laio, rei de 
Tebas e da rainha Jocasta. 
Advertido por um oráculo que a criança iria matar o pai e casar sua mãe. Laio e 
Jocasta abandonar a criatura ao pé de uma montanha. O rei de Corinto adota Édipo e, 
ao longo do tempo, a previsão do oraculo é cumprida. Outro caso com características 
semelhantes é a relação de Cronos e Zeus, também personagens da mitologia grega. 
Cronos, o filho de Urano, não era tão querido pelo pai que temia sua sucessão, uma 
vez ja anunciada por uma profecia. Ele próprio, previu que seria destronado por um 
de seus próprios filhos. A solução era simples, toda vez que sua mulher lhe dava um 
herdeiro, Cronos em silêncio o devorava. Quando ela foi dar à luz a Zeus, no entanto, 
se escondeu numa caverna em Creta, onde a criança nasceu e cresceu escondida 
numa caverna na montanha. 
 
Rea por sua vez engana Cronos e lhe da uma pedra envolvida em panos, dizendo 
que era seu filho, Ela engoli esta pedra em uma mordida. NO decorrer do tempo, 
Zeus, finalmente vence 
seu pai, e faz sair de sua barriga todos seus irmãos devorados, tornando-se o rei dos 
deuses. 
 
Mesmo personagens como Moisés e o rei Sargão da Acadia, são cercadas por 
detalhes mitológicos que reproduzem muitas destas questões. Na história de Moisés 
também encontramos uma situação de incesto, mas como no mito Afro-cubana, há 
uma sentença de morte para todos os homens (neste caso, e por ordem do rei do 
Egito, ele foi condenado à morte, todos meninos recem nascidos hebreus): 
"Quando você trabalhar como parteira no parto de um hebreu e ao lavar lavar observe 
se é um menino ou menina, devendo assassinar a criança se for menino e se for uma 
menina,deixe que ela viva". Os pais de Moisés, com medo, eles colocaram-no em 
uma cesta e deixaram na a entre os juncos na margem do rio11”. 
Ali ele foi encontrado pela filha do Faraó, que o criou e o amava como se fosse seu 
próprio filho. Exatamente o mesmo que aconteceu com Rei Sargão, o fundador da 
dinastia semita da Acadia. Alguns textos cuneiformes encontrados, datando de 2.360 
A.C. dizem: "Eu sou Sargão, o rei poderoso, rei dos Akkadianos. Minha mãe era uma 
sacerdotisa de Enitu não conheci meu pai ... Minha mãe me concebeu e criou-me em 
segredo. 
Ela me colocou em uma caixa feita de fibras de bambu, e me deixou na beira de um 
rio . Fui encontrado por um carregador de água, que me adotou e me criou como seu 
filho. " Segundo o autor alemão Werner Keller12, a história do cesto abandonado com 
 
11 Êxodo Ex. 1:8,22 – Bíblia Sagrada, Edição Pastoral 1990. 
12 KELLER, Werner. E a Bíblia Tinha Razão. São Paulo: Ed. Melhoramentos, 1979. 
40 
 
uma criança no rio é um conto popular antigo do povo semita, passado de geração 
em geração através da tradição oral. 
 Na tabela abaixo podemos ver os jogos temáticos nas histórias destes vários 
personagens. 
 ZEUS ÉDIPO ORULÁ MOISÉS REI 
SARGÃO 
Criança do 
sexo 
masculino 
condenada 
a 
morte 
 
 
X 
 
 
X 
 
 
X 
 
 
X 
 
Rejeição 
Paterna 
 
X 
 
X 
 
X 
 
Abandono 
Paterno 
X X X X X 
Criança 
adotada por 
outros 
 
X 
 
X 
 
X 
 
X 
 
X 
Criança tida 
como morta 
 
X 
 
X 
 
X 
 
Criança 
abandona 
que quando 
adulta 
oculpa um 
cargo 
importante 
 
 
 
X 
 
 
 
X 
 
 
 
X 
 
 
 
X 
 
 
 
X 
Aparece em 
histórias de 
Incesto 
 
X 
 
X 
 
 
Não cabe neste estudo o debate desta complexa explicação, das mais variadas 
coincidências nas histórias dos mitos e de grandes personagens de origens diversas. 
Fiz somente um comparativo observando a história de Orula e muitos outros mitos 
das divindades afro-cubanas enquadrando-os dentro dos temas mitológicos 
universais, como é meu costume. 
Orúnmila é o deus da sabedoria e senhnor dos oráculos. Seu conhecimento é infinito 
e suas manifestações, por vezes são muito sutis. Em outro mito, numa ocasião em 
que deu um banquete para Obatalá, que lhe pediu para se preparar o melhor e o pior 
alimento do mundo. Quando chegou a hora de servir o melhor prato, Orula ofereceu 
uma bandeja contendo uma lingua de boi deliciosamente temperada, Obatalá comeu 
com prazer. Chegou a hora de oferecer 
Oferecer a pior refeição do mundo, e mais uma vez Orula, serviu uma lingua. 
Obatalá achou muito estranho, mas Orula explicou: 
“- Baba, me pediu o melhor e o pior prato do mundo, e eu te dei os dois. A lingua pode 
ser muito bem usada para salvar alguem e criar coisas boas com pode ser usada para 
41 
 
matar e aniquiliar alguem.” Obatala agradeceu satisfeito e elogio a grande sabedoria 
de Orula. 
Existem inúmeros patakíes que contam a história desta importantedivindade. Quase 
todos concluem o mesmo fundo moral: é necessário um EBO para agradecer o bem 
alcançado. Em mais de uma ocasião, Orula aparece em apuros e sempre e socorrido 
por uma ou mais mulheres. Em certa ocasião ele caiu num poço e muitos passaram 
sem sequer ajuda-lo. Três mulheres que ouviram seus gritos decidiram ajuda-lo, 
amarraram suas três saias, mas mesmo assim o poço era profundo e não 
conseguiam chegar ao socorro dele, daí acrescentaram os três mantos que vestiam e 
o resgate foi feito. Como recompensa, Orula deua elas o dom da fertilidade. 
Orúnmila viveu por um longo tempo com sua esposa Ochun e tambem vivei com 
Yemaya. Sendo que desta ultima ele se separou, porque ela, na sua ausência, dava 
consultas com o Oraculo, que era de sua competencia. Os sacedotes dedicados ao 
seu culto, representam a mais alta hierarquia dentro da tradição Lucumí. Esta 
divindade não incorpora nos seus fiéis, exercendo uma comunicação unica e direta 
através do oráculo. 
Cor Tradicional: amarelo e verde. 
Dia da semana: não tem nenhum dia em especial, mas o domingo é regido por todos 
os orixás. 
Número: 16 
Pedras preciosas: esmeralda, topázio, jade verde, verde malaquita, âmbar. 
Animais: galinhas pretas. 
Função: adivinhação, aconselhamento. 
Invocação Católica: São Francisco de Assis. 
Feriado principal: 4 de Outubro. 
Colares: verde claro com pérolas amarelas. Tambem podendo ser uma pulseira no 
pulso esquerdo. 
 
CHANGO 
Xangô é um guerreiro Osha, um rei dentro da tradição Yoruba e um dos Orishas mais 
populares de seu panteão. Xangô é um Osha e está entre os principais do panteão. 
Orixá da justiça, representa a força viril, trovões, relâmpagos e fogo, proprietário dos 
tambores, usados no culto dono da dança e música; Ela representa nas tradições 
caribenhas em geral a necessidade e a alegria de viver, a intensidade da vida, beleza 
masculina, paixão, inteligência e riqueza. Ele representa o maior número de situações 
favoráveis e desfavoráveis. Foi o primeiro proprietário e intérprete do oráculo Ifá, e do 
oraculo Diloggún e Biange e Aditoto. Xangô tem uma relação especial com o mundo 
de Eggun. 
42 
 
Xangô foi o 4º Alafin (rei) de Oyo, a segunda dinastia de Oduduwa após a destruição 
de Katonga, a primeira capital administrativa do império iorubá. Xangô veio em um 
momento muito importante na história iorubá, onde as pessoas tinham esquecido os 
ensinamentos de Deus. Xangô foi enviado com seu irmão gêmeo por Olodumare para 
purificar a sociedade e ensinar as pessoas novamente a seguirem uma vida limpa e 
ensinamentos de um único Deus. 
 Depois tornou-se rei e as pessoas começaram a dizer que Xangô era muito rigoroso, 
até mesmo tirano. Naquela época, a lei dizia que se um rei não fosse mais amado por 
seu povo deveria ser morto. Xangô terminou sua vida sendo enforcado, mas depois 
seu irmão gêmeo Angayú que com o uso de pólvora, exterminou todos os inimigos de 
Xangô, que a partir daí começou a ser adorado como Orixá e foi chamado de Senhor 
do Trovão. 
Xangô era um rei guerreiro e os generais de Ibadan o amavam. Seus seguidores o 
viam como possuidor de grande potencial criativo. Xangô foi um dos reis iorubás que 
ajudaram a construir formações de batalha e, graças a suas conquistas o império se 
estendia desde a Mauritânia ao Gabão. Ele se tornou famoso principalmente por sua 
guerra de cavalaria, que desempenhou um papel fundamental na construção do 
império. Outras lendas dizem que Xangô matou seus filhos e esposas nas suas 
experiências com pólvora, em seguida, se arrependeu e tornou-se um orixá. Xangô 
foi o primeiro Awo, em seguida, entregou o axé da adivinhação para Orunla, por isso 
é considerado muito importante no culto de Ifá para Babalawos, tendo babalawos 
chamados possuidores de mão de Xango. 
Xangô é o irmão de coração de Babalu Aye (okan okan Pelu). Xangô come junto com 
ele, quando este Orixá foi coroado, foi ele que ajudou Xangô a se curar de suas 
doenças. Ossain é padrinho de Xangô, o nome de sua escravo e seu mensageiro é 
“DEU” chamado Bangboshe. 
Em alguma traduções Xangô significa encrenqueiro, as pedras recolhidass ou seus 
Otanes (Otá) são do alto de cachoeiras ou pedreiras. Um dos Orishas fundamentais a 
ser recebido quando feito Osha Xangô é Aggayú omo Xangô Solá que tambem pode 
vir como Aggayú Solá. Seu símbolo principal é o OSHE, OSHE é um boneco 
esculpido em cedro que em vez de cabeça tem um machado duplo. O OSHE com o 
tempo transporta muita energia e normalmente é passado de Babalawos para 
Babalawos, da linhagem de Xangô. 
No sincretismo Xangô é comparado a Santa Barbara, que tem o suu festividadeem 4 
de dezembro, de acordo com o calendário calendário católico. O seu dia é sábado, 
embora em algumas casas tambem considere a sexta-feira. O seu número é 6 e seus 
múltiplos, embora alguns irão atribuir 4, talvez por causa de seu sincretismo religioso 
com Santa Barbara. Suas cores são vermelho e branco. 
Na tradição Lukumi são citados alguns palakís nos quais Chango é o filho de Obatalá 
(em um avatar Feminino) e Agayu Sola. Alguns estudiosos de Lydia Cabrera aludem 
a sua origem terrena baseados em relatos da autora: "Chango foi um rei que virou 
Ocha", “Foi homem e rei, Alafin, antes de se tornar santo e subir ao céu." "Diz-se que 
Chango é ouvido e tornou-se rei de todos os Lucumies. esta versão cubana coincide 
com algumas lendas africana,. histórias nigeriana dizem que Chango ganhou a 
43 
 
concessão do título de primeiro rei de Oyo, graças a sua habilidade de ser um grande 
guerreiro cujo poder foi sentido em uma nação inteira. " Samuel Johnson13, historiador 
Yoruba, o distingue entre reis mitológicos ou heróis históricos. Chango pertence à 
primeira categoria, de acordo com ele, era o quarto rei dos iorubás, endeusado após 
sua morte. '' Um dos nomes que ele é conhecido em Cuba, Obakoso, quer dizer "rei 
{Oba) de Koso" e Koso, uma aldeia ao lado da antiga cidade de Oyo. 
Chango é apaixonado por música e dança, alguns patakies o coloca como mulherengo 
e possuidor de muitas amantes, mas as mais conhecidos são Oyá, Obae sua legítima 
esposa Oxum. 
Chango, quando quer sabe ser bem malicioso e astuto, em uma ocasião, Obatalá 
procurava onde esconder o seu dinheiro. Ochosi pegou uma caixa e usando uma 
escada que Orichanla lhe emprestou escondeu a caixa com todo o dinheiro e a 
pendurou em uma árvore. Para proteger o local soltou todos os animais selvagens da 
savana: leões, tigres, e outros animais perigosos. 
O Ibeyis, os gêmeos, se deram conta do que aconteceu, porque eles estavam 
brincando nas proximidades. Chango lhes trouxe todo tipo de doces , e lhe contaram 
tudo o que sabiam. O Deus do Trovão começou a preparar seus planos, mas os 
animais diziam: 
-Estragaremos tudo não levará nada sem ser devorado por nós 
Ele meditou e finalmente preparou um Jaba junto com outros alimentos crus cozidos, 
açúcar, deixando eles bem cheirosos, ao lado colocou água e conhaque e levou estes 
alimentos na savana. Os animais foram atraz deste banquete e Chango ficou a 
vontade, subiu na árvore e pegou o dinheiro. 
 
Como viajou muito este Oricha é talvez o que tenha mais avatares ou caminhos no 
Panteão Lucumi. Os principais são: 
SHANGO ALAFI 
Este avatar está associada com a realeza, a legislação, o governo, lei, justiça e 
liderança. Xangô Alafi é altamente respeitado por sua autoridade e sensode justiça. 
 SHANGO OBAKOSO 
Obakoso é o avatar que recebe o título Aganyú depois de tomar o trono de Oyo, "o rei 
não estava se enforcou", que significa o retorno de Xangô em sua pessoa. Ele foi 
associado com raios, incêndios e as leis, mas é um caminho queé apresentado como 
um jovem mulherengo e festeiro. Ele é rei de Koso e todos os Lucumies. 
Rumba Obalubbé, que vive com Oba 
SHANGO OLUFINA 
 
13 JOHNSON, Samuel. The history of the Yorubas : from the earliest times to the beginning of the British 
Protectorate: Nigerian, 1923 
44 
 
Olufina Xangô é um avatar que significa "O criador que põe fogo nas estradas". Neste 
caminho ele é apresentado como proprietário da ceiba. Alguns dizem que este Xangô 
é uma criança. 
SHANGO OBALUBE 
Obalúbe Xangô é um avatar ou caminho que significa "O que ataca com suas facas." 
Sob este caminho que Xangô conheceu a mulher que mais tarde se tornou sua 
esposa, Oya. 
SHANGO BARA 
Bara Xangô é a maneira que foi o mestre de adivinhação antes Orunmila. Há histórias 
onde as posições e atributos de mudança Xangô e Orúnmilá, entre os quais estão o 
dom da adivinhação. No entanto, há outros em que Orunmila aprendeu a arte com 
Exu. 
SHANGO ARIRA 
Neste Avatar, Xangô é o proprietário dos raios. Ele está presente em tempos de 
chuva, é aquele que apaga o fogo retira a seca e traz a paz. Arira Xangô é 
considerado uma qualidade de Xangô cruzada com filhos de Obbatalá. Sua oferenda é 
farinha amarela com peixe vermelho. 
Como vimos, Ogun e Xangô são inimigos irreconciliáveis. A primeira os irmãos se 
encontraram estava presente Obaluaiyê, cheio de chagas. Chango cura Obaluaiyê e 
dá de presente os cães que acompanham Ogun. 
O orixá das guerras e metais jurou vingança, porem por mais de uma vez foi 
derrotado por Chango. Oya como sabemos, vivia com Ogun, que a maltratava. 
Chango, pelo ódio a seu irmão partiu para seduzi-la. Quando ela o viu "Tão bonito e 
sedutor" apaixonou-se em um instante e, encantada, foi embora com ele. 
A aliança entre Chango e Oya, o fogo e o redemoinho o trovão e o raio é invencivel. 
Em uma ocasião Changó teve a necessidade de vestir as roupas de Oya para 
escapar de seus inimigos. Alguns fieis afirmam que Chango não gosta de espíritos e 
tem medo dos mortos, outros fieis dizem que as pernas deste Oricha não tremem 
diante de nada sendo ele, cheio de vida, tornando-se assim incompatível com a 
morte. Como disse Lydia Cabrera14: "Não se termina um jogo com o esqueleto frio, 
porque o corpo esta vivo e quente, cheio de vida, do contrarios estaria morto " 
Sua pedra ( Ota), caracterisca é chamada de "pedra de raio" e seu assentamento são 
feitos em um vaso de madeira adornado com muitas imagens do deus. Muitas de 
suas imagens o representam com um machado de dois gumes. Como é um ocha 
muito valente, deve ter ao seu lado sempre o assentamento de Obatalá, para que sua 
energia fique moderada. E é por essa razão que a cor branca de Obatalá sempre é 
acompanha do vermelho tempestuoso de Chango tempestade em suas roupas e 
colares. Seus filhos usam uma coroa vermelha em forma de castelo, as espadas 
 
14 CABRERA, Lydia. Los Cuentos negros de Cuba. Habana: Editorial VERBUM, 2014. 
45 
 
tamabem são um simbolo de Xangô / Santa Barbara, Los Congos, lhe dão o titulo de 
Nsasi Sete Raios. 
CorTradicional: vermelho e branco. 
Dia quarta-feira. 
Número: 6. 
Pedras Preciosas: rubi, granada vermelha, cornalina 
Plantas:, guano branco e guano Prieto, piscuala, banana, quiabo e tomate. 
Animais: camero, jutía e novilho. 
Funções: fogo, paixão, trovão, música, dança. 
Invocação Católica : Santa Barbara. 
Feriado principal: 04 de dezembro 
Colares: vermelho e branco, alternando contas. 
OYA 
Oya na África, é considerada uma divindade fluvial é a primeira esposa de Chango. 
Ela é a grande deusa do rio Niger, também conhecido na África com o nome desta 
Oricha. Em Cuba Oya perde sua caracterisca de divindade do rio, e aparece como a 
segunda mulher de Chango (Oba é a primeira e principal). Também é concedido a ela 
o apelido de Yansã. Sabemos que Oya mulher de Ogun, foi raptada por Chango 
com seu consentimento e aprovação e este a trouxe-a para viver com sua irmã Dada. 
No nome dela encontramos numerosos patakíes, especialmente relacionados as suas 
aventuras e guerras imprudentes. 
Oya é um Osha que está intimamente relacionado com Iku , a divindade da morte. 
Propicia as tempestades fortes ou vendavais, fortes ventos e relâmpagos. Simboliza o 
caráter violento e impetuoso. Ela vive na porta dos cemitérios. Ela representa a 
intensidade dos sentimentos sombrios, o mundo dos mortos. Na natureza, é 
simbolizado pelo relâmpago. Junto com Eleguá, Orunla e Obatalá domina os quatro 
ventos, ela é chamado ao som do Flamboyán. 
Ela representa a reencarnação de antepassados, falta de memória e sentimento de 
culpe e ressentimento nas mulheres. A roupa as saias e panos Oya trazem uma 
combinação de todas as cores, exceto o preto. Ele também é o orixá da do rio Níger, 
anteriormente chamado de Oya, por seus afluentes, nascido em Ira. Oya é uma das 
Orishas chamadas “funerarias”, junto com suas irmãs Obba e Yewa. Oya tem um 
poder especial sobre egguns, por ser mãe de 9 deles. De espirito totalmente guerreiro 
lutou ao lado de Ogun e Xangô nas campanhas que eles carregavam. Ele 
acompanhou Xangô , quando deixou de Oyo e foi nomeada rainha de Kosso. Seu 
culto é natural do território Tapa, Kosso e Oyo. 
46 
 
Seu nome vem do Yorùbá Oya (Olo: proprietária - Oya: escuridão), também conhecida 
com o Yorùbá Yansã Iyámsá (Iyá: mãe -Omó: filhos - Mesa: nove). 
Seu ota deve ser cor marrom ou vinho retirado do rio, seu número é 9 e seus 
múltiplos. O sincretismo é com a Santa Virgem da Candelária e Santa Teresa (2 de 
fevereiro). Sua cor é o vinho ou marrom ,exceto o preto. 
Em certa ocasião Osain entregou-lhe um pequeno güiro (espécie de chocalho), e 
disse a Chango: 
"Todos os dias, antes de sair para a rua, coloque um dedo no guiro e faça uma cruz na 
língua. "Desde então, toda vez que falava, o deus do trovão cuspía fogo pela boca. 
Oya nunca tinha tocado os pertences de seu novo marido, foi tomada de uma grande 
curiosidade sobre o misterioso ritual de todas as manhãs. Ela aproveitou um dia que 
Chango estava viajando para fazer o mesmo. Ele introduziu um dedo no Güirito e fez 
uma cruz sobre a língua. O que foi seu grande terror ao notar que cada vez que falava, 
saia jatos de fogo de sua boca. Aterrorizada, ela fugiu da casa e ele se escondeu em 
uma palma. Ao retornar. Chango observou que sua esposa não o esperava. Dada, sua 
irmã, disse a ele o que aconteceu. 
Furioso, ele saiu procurando sua esposa com a intenção de lhe dar um grande 
castigo. Quando encontrou Oya liberando chamas de sua boca, mal t começou a 
repreendê-la por seu desrespeito, ela disse: "Não seja bobo Chango, agora eu posso 
ir para o seu lado para a guerra contra Ogun ". E esta é a razão pela qual há guerra 
no mundo (Antes que o desgosto entre Ogun e Xangô a guerra era desconhecida). 
Oya e Chango venceram Ogun, que passou a viver na mata, deixou de trabalhar 
vivendo de fazer feitiços e beber aguardente. 
Alguns livros sugerem que a relação entre Chango e Oya, foi iniciada por um simples 
desejo de vingança, passando a se tornar um verdadeiro amor compartilhado. 
De acordo com Lydia Cabrera15, "Às vezes Oya, que também é o vento Mal, o 
turbilhão, a tromba d'água ou o turbilhão de ar devastador precede os raios de 
Chango, trazendo a tempestade em suas saias, enquanto manda os raios e atirar 
pedra, alem de cuspir fogo pela boca. (Mas Oya por ser lente tão revolucionária é 
mulher gosta de um lar muito amoroso, em nome do seu amor pode passar anos sem 
sair de casa. " 
Esta é uma orixá muito ciumenta e,como veremos tentou varias vezes se livrar Oba. 
Um pataki muito conhecido nos diz que muitas vezes Chango subia em uma palmeira 
para de lá, enviar mensagens para todas as suas concubinas. Oya decidiu pegar 
Chango em flagrante e espera-lo escondida na palmeira. Este percebeu as intenções 
de sua amante, enchendo a arvore de lagartixas (Oya tem terror a estes animais). 
Quando Oya começou a subir na arvore os lagartos começaram a lhe cercar, 
aterrorizada ela caiu e imediatamente lançou um relâmpago para o chão. A partir 
deste dia as palmeiras passaram a atrair raios. 
Tanto em Cuba como na África, Oya esta totalmente relacionada com a morte. Em 
certos livros antigos, encontramos uma interessante história: Olofi teve uma filha e 
 
15CABRERA Lydia. Koeko Yyawo-Aprende Novicia: Pequeño Tratado de Regla Lucumi. Habaa: 1996 
47 
 
Morte (Iku) ficou apaixonado por ela. O próprio Iku foi pedir a mão da filha a Olofi, que 
lhe falou: -Se você me trazer uma centena de cabeças, poderá se casar com a minha 
filha ". 
Iku, que era um homem pensamento rapido refletiu: "Deixe eu fazer uma proposta 
melhor que uma centena de cabeças? Perguntou a Olofi: - “O que você quer centena 
de cabeças, ou um homem que vale cem cabeças? " Olofi perguntou: - " Quem é? "-
"Igui, o palero." ele respondeu . Olofi disse: - "Bem, traga-o para mim, e eu te darei a 
minha filha". 
Igui era um cumpridor de seus deveres e homem de muita oração. Iku seencontrou 
com o Awo, “O Carneiro” e lhe pediu ajuda, "-Se me auxiliar neste trabalho, juro que 
nunca vai morrer ", O Awo aceitou e chamou seu amigo Oga, para ajudar." -Eu preciso 
que você me faça um favor. "" Sim, claro ", respondeu Oga, que por sua vez, devia 
favor ao Carneiro. "Olha, Oga, trágame aqui, seu amigo Igui, , se você me fizer isso, 
não terá que trabalhar mais. " 
Oga bateu na porta de Igui, mas como este tinha feito seus ebós costumeiros, foi 
avisado de que não devia abrir a porta. Veio então Awo totalmente encoleirizado e foi 
pegar alguns cocos, comida favorita de Igui. Eles chamaram mais uma vez na porta. 
Suavemente, ele sussurrou: "Igui, se não quer abrir toda a porta, abra uma só fresta 
para que você ver algo bonito que eu trouxe a você. "- Igui olhou e viu o coco e 
estendeu a mão para alcançá-lo. Awo imediatamente o derrubou no solo e Oga o 
amarrou. Eles o colocaram em uma caixa e se dirigiram para o palácio de Olofi. Oya, 
que sabia tudo, se escondeu pelo caminho. No momento apropriado, manifestou-se 
como um grande redemoinho causando grande confusão, porem conseguiu resgatado 
Igui. Desde então, a morte calo-se perante a vontade da deusa e Awo, por traição a 
morte foi amaldiçoada por Olofi: "Para sempre, você vai ser devorado por Chango ". 
Outras versões indicam que foi Oya em pessoa que apresentou o carneiro a amada 
de Chango. 
Judith Gleason16 observa que na África Oya se manifesta no rio Níger, no tornados 
nos ventos, no fogo e nas manadas de búfalo. "Também protege as mulheres no 
mercado, pois é a dona da praça. 
Alguns dos seus caminhos ou avatares são: 
Oya Yansa Bi Funko 
Esta é a maneira de Oya que podem fazer tudo e conseguir o que deseja. Rigorosa 
com seus filhos. Pune seus inimigos com asfixia e os aterroriza. Neste aspecto é 
inseparável companhia de eggun Iwin. É muita poderoso e consegue tudo o que se 
passa em sua mente. Ela também é chamado quando você quiser resolver situações 
envolvendo casais, relações extraconjugais, tudo isso para o bem ou para o mal. Suas 
oferendas se fazem em fontes de parques onde namorados se encontram ou na 
mata, em um córrego de aguas limpas é esposa de Ogun. 
 
 
16 GLEASON, Judith.OYA - UM LOUVOR A DEUSA AFRICANA. São Paulo: ED. BERTRAND, 1999. 
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Oya Dumi 
Esta é o avatar de Oya em que Xangô deu-lhe dando visão oracular e grande magia 
por toda a eternidade. Portanto, suas filhas terrenas teram uma muito boa disposição 
para o trabalho de Osha. Dumi Oya está intimamente relacionada com Eleggua e 
Babalu Aye. Aprendeu os segredos de Ifá e desta forma é grande feitora de ebós, 
geralmente é feito no consultório, a fim de aumentar a capacidade na arte da 
adivinhação, é grande amante do cemitério. 
Oya Yansã Oriri 
Este avatar de Oya é o mais inteligente e habilidoso de Osha. Ela tem muito ciumes 
de Xangô e fará de tudo para agradá-lo, às vezes de maneira exagerada. Todas as 
suas filhas se tornam devotas do cemitérios, porque é onde elass oram e onde ela 
toma suas oferendas, também é o lugar onde os seus pedidos são enterrados. Seus 
filhos são grandes líderes no mundo dos negócios. 
Oya Obinídodo 
Obinídodo Oya é umA guerreira natural, campeão incessante da ordem e da justiça. 
Ela está encarregado de guiar os mortos ao cemitério e deixar suas almas nas mãos 
de Babalu Aye. É a forma mais conhecida de Oya nas Reglas de Cuba e do Caribe. 
Permanece dentro do cemitério e a porta lateral dele lhe pertence. Ela nasceu na 
cidade de Oyo. Os seus Otas devem ser de cores diferentes, num total de 9, sendo a 
principal a chamada "pedra de raio" é também de Oya. 
CorTradicional: Vinho, branco; ou um tom mesclado a combinação de todas as cores. 
Dia sexta-feira. 
Número: 9 
Pedra Preciosa: Sanguinaria ou agata cor de sangue. 
Plantas: mamão ou papaia, árvore flamboyant, pau-ferro, berinjela. 
Animais: galinhas, cabras. 
Funções: Proteção da morte, guardião do cemitério, dona das tromba d'água, dos 
furacões e tempestade. 
Invocações Católicass: Virgem da Candelária, Santa Teresa de Ávila e Virgem de 
Montserrat. 
Feriado principal: 2 de fevereiro. 
Colares: contas cor de vinho, raiadas de branco e azul. 
 
 
 
49 
 
OBBA 
Ela é filha de Obbatala e Yembo, alem de ser irmã de Oya e Yewa , amante de 
Xangô, sendo que por ele foi banida da casa, por lhe oferecer uma orelha para comer, 
depois se retirou para as montanhas, onde morou em cavernas e mais tarde viveu 
sozinha no cemitério. Ela também teve um caso com Oggun , a quem ele deu a 
bigorna e este lhe ensinou a guerra. 
Obba representa o amor reprimido e o sacrifício e o sofrimento pelo ser amado e 
simboliza tambem o controle e a fidelidade conjugal. Ela está relacionada com lagos e 
lagoas. Junto com Oya e Yewa habita cemitérios e representa os guerreiros 
imprudentes. Ela, ao contrário Yewá vivendo dentro do caixão, sepulturas de custódia. 
Obba é a divindade do rio que leva seu nome, originalmente da terra Takua, embora 
seu culto espalhou-se pela terra de Oyo e Tapa. Seu nome vem de Yorùbá Obba 
(OBE: Soup - Oba: King), literalmente "A sopa do rei". 
Não é uma divindade que normalmente se protege crianças, pois não costuma ter 
paciencia com crianças. Normalmente as crianças mesmo as suas filhas são feitas 
para Oxum, Obba, normalmente é quem recebe os Adimus. Sua OTA são pedras 
claras e planas em forma de coração ou orelha. Seu sincretismo é relacionado a 
Santa Catalina de Palermino (25 de novembro) e Santa Rita de Casia (22 de maio). O 
seu número é 9 e seus múltiplos. Sua cor é rosa ou lilás. 
Principais oferendas a Obba: 
É comum as tradições latinas oferecerem a OBBA inhame cru, animais imolados 
devem ser untados com óleo de palmeira bruto, uva, ameixa, óleo de palma, etc. Seus 
animais são cabra, ganso, galinhas-d'angola e pombos, e ovelhas de lã negra. 
Obatalá estava preocupado por que seu seu filho favorito, vivia sozinho somente com 
a mulher que havia roubado seu irmão. E isto o deixava preocupadadissimo, não 
conseguia descansar a sua cabeça. Disse a seu filho: "-Ja é o tempo de vocêse 
casar Chango. É verdade que Ogun merece ter tido a sua esposa sequestrada, mas 
quer se acalme, eu desejo que você se case com Obsa. " Chango aceitou a ordem do 
pai, esta menina não o desagradava. Era uma mulher linda trabalhadora e estava 
loucamente apaixonada por ele, o achava pomposo e galanteador. O casamento foi 
comemorado em todo o reino. 
De acordo com outra versão desta história , o que Obatala fez foi simplesmente 
mediar o amor entre estes os dois Orishas: 
"Obba você ama Changó? Perguntou Obatalá. E Respondeu-lhe Obba: “-Eu o amo!”. 
Obba presenteou Obatala com um cavalo de presente, e deixou-o no pátio do 
palácio: 
Olha, Chango, o que Obba trouxe para você. 
- Muito bonito este cavalo, mas a mulher que eu quero é Oya. Disse Chango. 
50 
 
De qualquer maneira, Chango e Oba acabaram se casando. E que gradualmente ele 
aprendeu cada vez mais a amar sua esposa muito boa e compreensiva. Oya por 
sua vez odiava a situação e queimava de ciúmes o tempo todo, ela queria Chango 
somente para si, o que era uma coisa digamos, impossível de se alcançar, dada a 
natureza promiscua de seu amado. Ela planejou uma vingança. Se fingiu grande 
amiga de Oba e começou a lhe dar muitos conselhos falsos: "-Agora tudo é muito 
bonito e bom, mas acredite em mim, logo Chango vai te deixar e ira atraz de outra 
mulher. Em breve vai descobrir o que digo ... "Oba ficou chocada e perguntou a sua 
amiga: “-O que eu poderia fazer para meu marido me amar sempre e não ir embora 
nunca? 
- Faça um feitiço que vai deixar ele para sempre amarrado em você, disse Oyá. 
Chango ama quiabos. Agora, vá para a sua casa, e faça uma sopa de quiabos 
deliciosa e bem temperada, assim que a sopa estiver pronta você deve, cortar um de 
seus ouvidos e jogá-lo na sopa. Quando ele comer esta sopa, nunca mais vai deixá-
la. 
Pobre Oba estava muito confiante e acreditando nos conselhos de Oya, ela rasgou a 
própria orelha e cozinhou com quiabo bem temperado e correu para e servir 
Chango. Cobriu a cabeça com um lindo turbante, para que seu amado não percebesse 
o que tinha mutilado uma de suas orelhas, tampando assim o ferimento. 
Quando Xangô foi saciar sua fome e se servir no calderão, viu uma orelha flutuando, 
no meio do caldo de quiabos e ficou furioso, gritou colérico: 
"O que é isso? Que porcaria é esta Oba? Por que me serviu esta coisa repugnante e 
por quehoje você está com esse turbante?”. Ele arrancou o turbante, foi quando o 
grande Chango viu com horror o que sua esposa tinha feito, cortado as próprias 
orelhas. Ele a repugnou. "O que você fez Obba! Obba , eu nunca te desampararei, 
mas na condição de uma mulher mutilada, você não pode viver mais em minha 
casa. 
Na Nigéria Oba é uma deusa pouco conhecido, sua origem fluvial tem se perdido nos 
cultos de tradições caribenhas e em Cuba, na Africa o rio que leva seu nome se 
encontra com as águas do rio Oxum. Os iniciados não fazem Oba, do mesmo jeito que 
fazem os outros santos. Em vez de se colocar o Ota de Oba em suas cabeças, 
colocan-se pedras de Oxum, e a pedra de Obba sobre seu ombro. Ou seja, Oba não 
se assenta nas cabeças dos filhos mas os filhos a recebem somente junto com Oxum. 
 Parecida com Orula, não "baixo" ou toma por posseção os seus fiéis. As 
"ferramentas" ou símbolos de Oba, que variam de casa para casa de culto, podendo 
ser as seguintes: Uma bigorna, porque ela é ferreira assim como Ogun, Um leme de 
navio ou uma bússola, porque como Yemaya, foi grande navegadora ( e deste modo 
guia a especie humana pelos bons bons caminhos da vida), um carro, que representa 
a morte e uma pena, pois é sábia como Obatalá, uma espada que a identifica com 
Chango, uma orelha, por razões óbvias e uma chave para abrir o caminhos e as 
portas da casa trazendo dinheiro e fortuna. 
 
51 
 
Avatares e Caminhos de OBBA 
Obba Laddé 
Este qualidade de Obba é rainha, que é coroada esposa do rei. Ela trabalha com 
pedras nas margens dos rios e nas margens do mar. 
 Oba Miré 
Oba Miré é aquela que traz as bênçãos da água. Entre seus atributos são um facão e 
escudo. 
 Obba Lubbé 
Esta qualidade de Obba é de uma personagem guerreira muito forte. Belicosa e 
estrategista, quando ataca e se defende, usa comente as laminas do facão. 
Obba Tola 
Este qualidade de Obba pertence à nobreza do palácio, é uma mulher madura muito 
honrada e possuidora de muitas riquezas. 
 Obba Tunde 
Obba Tunde éa grande rainha que retorna de suas viagens, sempre disposta a ajudar 
e aconselhar os seus filhos. 
Obba Omí 
Obba Omí vem das águas. Vidas nos charques de rios e mares costeiros, sempre 
próxima de lugares perto de vegetação ou árvores. 
CorTradicional: Rosa 
Dia: sexta-feira. 
Número: Não tem atribuído nenhum número. 
Plantas: Baoba e Castanheiras 
Animais:Cabras 
Função: devoção conjugal, ossos do corpo humano, também professor e escritor. 
Invocação Católica : St. Catarina de Siena, Santa Rita de Cassia 
Feriado principal: 30 de Abril. 
Colares: contas de cor rosa e lilás. 
 
 
 
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OCHUN 
Ela representa a intensidade dos sentimentos a espiritualidade, a sensualidade 
feminina, delicadeza, elegância, amor e feminilidade. É protetora das mulheres 
grávidas e mulheres das mulheres trabalhadeiras; é representada como uma bela, 
feliz, sorrindo mas por dentro é a crise, o sofrimento de uma mulher triste. Ela 
representa o rigor religioso e simboliza o castigo implacável. É o único que trata com 
Olofin para implorar pelos seres da terra. Na natureza, é simbolizado por rios. É o 
Apetebí de Orunmila. Ela está relacionada com jóias, ornamentos corporais e dinheiro. 
Ela é a deusa do rio que leva seu nome na Nigéria. Acredita-se que tenha vivido em 
uma caverna que ainda existe em Ijesa, Nigéria, para o norte para o Rio Nilo. Foi a 
segunda esposa de Xangô . 
Na África, o seu animal mensageiro é o crocodilo. Seus seguidores trazem oferendas 
para o rio e pedir-lhe os mais diversos favores. Oxum é o orixá da água doce. Seu 
nome vem de Yorùbá Osun. Ela pediu ajuda a Olofin e salvou o mundo como quando 
Olokun mandou o diluvio. 
A divindade feminina mais venerada e querida pelos fiéis afro-cubanos e dominicanos. 
É certamente Oxum, Yeye, Cachita, Virgem da Caridade, padroeira da ilha. 
A Venus da tradição Lucumí, é linda, sensual, alegre e vaidosa, mas tem avatares ou 
"Caminhos" na qual ele é miserável e esfarrapada. Dizem que com a irmã Yemaya, 
divide o domínio sobre as águas. Nas terras yorubas, a deusa do rio que leva seu 
nome, tem seu culto a origem de seu culto, na cidade nigeriana de Oshogbo. O cobre 
é o metal ritualisco usado tanto na África, como em Cuba e para fazer sua invocação 
ritual utilizando um sino chamado (agogô) do qual é feito deste metal é usado. 
Um dos seus varios Patakis17 mostra Ochun como a grande salvadora da 
humanidade. Uma grande guerra assolava a humanidade e ninguém conseguia 
adentrar no palácio Olofi, que resguardava sua privacidade com muitos sentinelas e 
soldados. Ochun cozido alguns bolinhos e os polvilhou com farinha de milho e mel, ( 
lembrando que o mel é um elemento ritualistico que lhe pertence). Alem disso colocou 
em sua cesta cinco novelos de linha e várias agulhas. 
Quando o primeiro soldado a abordou e mandou para, ela toda insinuante, ofereceu-
lhe um bolinho, e toda amorosa disse: "Você tem roupas rasgadas, deixe-me 
costurar”, encantado o guarda a deixou passar. E assim fez com todos os outros 
sentinelas. Chegando às portas do palácio de Olofi, Oxum começou a flertar com os 
soldados, e “acidentalmente” derramou os pãezinhos no chão. Enquanto eles corriam 
para ajudar aquelalinda mulher, ela sem maiores problemas adentrou nos aposentos 
de Olofi e lhe disse: "-Baba, seus filhos estão morrendo na guerra, não tem o que 
comer e estão doentes, tenha misericórdia deles. Perante aquele apelo Olofi teve pena 
de suas criaturas e instaurou a paz novamente pela terra. 
As histórias sentimentais de Oxum são extremamente complexas. Ela foi esposa 
legítima de Orula, e de acordo com algumas versões, todos os homens se 
 
17 CABRERA Lydia. PATAKI DE OFUN. Extraído de YEMAYÁ Y OCHÚN. KARIOCHA, IYALORICHAS Y 
OLORICHAS 
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apaixonavam por Oxun, mas nenhum queria se casar com ela. Ele foi se consultar 
com Orula, que previu atraves de seu oraculo, que ela iria encontrar seu futuro marido 
num determinado caminho. Um dia ela ouvi gritos altos saindo de um poço que 
ficava no lado direito do caminho: era Orula, que tinha acidentalmente caído para 
nele. Ela o ajudou e em contrapartida, o deus da adivinhação casou com ela. Desde 
então, os filhos e filhas de Oxum estão autorizados a ajudar o Babalao (filho de Orula) 
em sua funções. Ela também conviveu com Ogün, embora ela não gostasse muito do 
seu jeito grosserio e rude de ser. Depois de Chango raptou Oya, Ogun parou de 
trabalhar na forja resolveu ir morar na floresta. 
As mulheres que ousaram penetrar na floresta foram vítimas inevitaveis de sua fúria. 
Os outros orixás não poderiam viver sem os ferros e as ferramentas de Ogum, mas 
ninguém conseguia encontra-lo ou tirá-lo da mata. Ochun amarrou cinco lenços na 
cintura, levou uma cabaça cheia de Oni (mel com calda de frutas) e foi até onde 
habitava o guerreiro. 
Ele começou a dançar e cantar com uma voz doce que Ogun não conseguia ao menos 
olha para outro lugar que não fosse ela. Então Ochun tomou um um pouco de mel em 
seus dedos e esfregou-os nos lábios de Ogun. Este foi a seguindo como se estivesse 
enfeitiçado para onde ela caminhava. Ao chegar à aldeia os outros orixás o seguraram 
e o convenceram a voltar ao seu trabalho. 
A Venus Lucumí, manipulando seu mel foi capaz de conseguir que Babalu Aye 
voltasse à vida, como veremos em breve. Ochosi e Inle foram seus amantes e 
despertou uma grande paixão em Agayu. 
Junto com Oba e Oya é tambem umas das mulheres de Chango. O caso de amor 
desses dois santos, foi intenso e cheio de energia, sempre foram apasionadíssimos. 
Cros Sandoval reproduziu um patakie onde é descrito o encontro dos dois: “Oxum, 
mulher bonita, gostava de ir a festas para dançar ao som dos tambores sagrados”. 
Todos os jovens da região estavam encantados com ela, que os tratava com 
arrogância. Um dia Chango estava a frente dos tambores, veio ochun para bailar e 
festejar. Ela acabou se apaixonando pelo tamborero, que por sua ves demonstrava 
muito pouco interesse nela.Mais tarde, Xangô e Oxum se apaixonaram e se tonaram 
um casal de apaixonados perfeito. 
Destes amores ilícitos nasceram os Ibeyis, os gêmeos sagrados. Muito tempo depois, 
Chango se viu envolvido envolvido em todos os tipos de dificuldades, desprezado e 
esquecido por todos, passou a ter uma vida miserável e, em seguida, Ochun que 
tinha se separado dele, retorna. Sacrificando sua propriedade, riquezes e sua antiga 
vida em nome de um amor verdadeiro. Chango estava tão pobre que Ochun poderia 
ter apenas um vestido, ao lava-lo nas aguas da cachoeira todos os dias ele perdeu 
sua cor, e tornou-se cor amarelado. Portanto, as filhas da deusa tem o habito de usar 
a cor amarela como forma de devoção. 
Oxum tem muitos "caminhos" ou avatares que são: Oxum Yeye Kari, a mais vaidosa 
de todas, Oxum Yeye Moro, alegre e útil; Oxum Anã, que dança na frente dos 
tambores, Ochun Sekesé muito séria, Ochun Olodí, vive no fundo do rio é muito 
trabalhadora, Ochun Ede elegante e criteriosa, Oxum Ibu Kole gosta de aguias é 
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pobre e muito feiticeira. Na “libreta Nini” Lydia Cabrera informa, que existem listadas 
as seguintes qualidades de Oxum, que literalmente transcritas são: 
 
Oshun Ikolé 
Oshun Ikolé também é conhecido como Akalá-Kalá, Kolé-kolé, Ikolé, Bankolé. É smpre 
vista com abutres, por perto com os quais trabalh. Seu nome significa "aquela que 
recolhe e recupera o lixo e o pó" . Tem habilidade de fazer pós encantados em um 
misturador de lama. 
Outros textos referentes a esta qualidade de Oshun como uma deusa sorridente e 
exuberantes, caracteriscas que caem perante sua roupa vestimenta pobre e simples. 
Dizer que se agitada em correntes dentro da lama, quase na miséria. É a maior das 
bruxas conhecida como AJÉS, sendo eximia em fazer e lançar feitiços. O símbolo 
que a representa é o abutre, seu animal mensageiro que transmite os seus recados. 
É dito em algumas tradições que esta forma de Oshun só faz coisas ruins. Em Cuba 
esta Oshun que é honrado acima de todos os outros. Costuma-se oferendar a ela 
com duas galinhas poedeiras brancas, duas pombas brancas, rosas vermelhas e mel. 
A maio representação deste avatar de Ochun Ikole, é sua imagem acompanhada por 
um abutre, sendo esta qualidade de Ochun que macera e prepara os pós de 
maleficios. Tem cinco pilões para o esmagamento dos seus preparos, para encantar 
seus pós fas usos de lamas e penas secretas. 
É dona de um barco carregado com sacos cheios de todos os tipos de grãos: arroz, 
feijão, milho, grão de bico, lentilhas, ervilhas. Esta Oxum é a que traz comida para 
dentro de casa. Suas oeferendas costumam ter pavão, codorna, galinha amarela, e 
bebidas doces. Suas "ferramentas" são pequenas lanças, remos, coroa, uma cara de 
sol e uma cara de Lua cinco argolas de ouro e a s lanças devem estar envolda da 
coroa. 
 
Oshun Ibu Yumú 
O nome de Oshun Ibu Yumú significa "aquela que faz crescer o ventre sem que as 
mulheres estejam grávidas". Este avatar representa verdadeiramente uma Oshun 
surda. Sua característica física mais evidente é sua extrema beleza. Muitos dizem que 
ele nasceu em Ika Melli, outros dizem que foi em Oshe Ofun. Em seus assentamentos 
costuma-se ter leva 5 cornetas e um sino de cobre, 5 lenços de seda verde e mais 5 
amarelos, 25 setasde bronze e 25 pulseiras de braço femininas. Seus animal principal 
é a vespa, embora seja grande dominadora de serpentes. Gosta muito de costurar. 
Ochun Yumu usa um sino , é surda e se fala com ela sempre em vóz alta pois ela é 
surda. Gosta de estar junto dos pesscadores, vive no fundo do rio. Ela costuma sair 
do fundo do rio somente muito tarde, no final da tardezinha. Não gosta de festas é 
muito velha. Ele é parceira de Ogun. Aceita as mesmas oferendas que as demais 
Ochuns é uma senhora muito delicada e de muito respeito. É a Ochun mais rica. 
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Akuara Oxum Ibu 
Akuara Oxum Ibu. Usa uma pequena sineta de bronze e possui o mesmo atributo que 
as demais Ochuns. Suas filhas são intrigueiras e dadas a maledicencias. “É uma 
qualidade que gosta muito de festas, tem um gosto especial de se preparar poções de 
amor, algumas tradições dizem que é especialista em amarrações”! Uma mulher que 
costuma ter palavra, que consegue organizar coisas e situações, mulhe de rua, 
costuma ser gastadeira, consegue criar situações de confusão dada a situações de 
escandalos e confusão. 
Sua oferenda favorita é inhame com mel. 
 
Ochun Olólodi 
Oshun Ololodí ou Olodí significa "revolucionária". Gosta de andar com ferros e facões, 
esta é uma qualidade de Oshun guerreira. Para chamar este Oshun é utilizado um 
badalo com uma machete. A sua coroa é adornada com corais. Transporta uma flauta 
de chifre de veados, cobertos com contas de Orunla. Vive acima do tabuleiro de IFA 
com areia do mar ou areia de rio peneirado. Seus simboloé a coruja. 
Ochun Olólodi é caseira, muito séria, respeitosa, gosta que suas suas filhas se casem 
legalmente. Não costuma dar nem receber muitos mimos, ela costuma atuar junto a 
casos de doenças graves. Não pode invoca-la para situações mundanas. Entre suas 
ferramentas pode-se oferendar um kit de costura, porque este avatar é uma eximia 
dona de casa, que se entretém com suas costuras. 
Não gosta muito de festas, barulhos e bailes, aparece pouco em publico . Algumas 
tradições tem o costume de colocar seu ota em um pano amarelo e leva-lo a lojas, 
comercios, fábricas de tecidos e sedas, lojas de tecidos e ornamentos femininos. Seus 
assentamentos costumas ter ouro e coral, penas de pavão e itens de costura. 
 
IBU OSHUN OKUANDA 
O nome desta qualidade de Oshun significa "aquele que voa sobre a morte". Ele foi 
encontrada morta em um rio. Ela vive em uma cadeira a beira do rio, foi seu avatar 
que libertou Xangô prisão após este ter sido preso por Oya. Segundo este pataki, 
depois de Xangô prometeu Oya em casamento, resolveu quebrar sua promessa. Oya 
trancou-o em uma torre, deixando a porta guardada por Iku, a quem ele temia. 
 Xangô promete a Oxum que, se libertado, ele se casaria com ela. Oxum Ibu Okuanda 
explodiu amporta do carcere e ajudou Xango, enxotando Iku. No entanto segundo o 
mito, Xangô também não cumpriu sua promessa de se casar com ela. O 
assentamento de Oshun Ibu Akuanda costuma ter uma cruz, cinco facões, machados, 
10 anéis, um espelho, dois pentes, duas lanças. 
 
 
56 
 
É comum dizer que Oxum costuma ser multifacetada, como os outros orixás manifesta 
personalidades e traços muito diversificados por vezes contraditórios. Estas são 
divindades não costumas ter um corportamento formal e planejado, são arquétipos 
puros de seres multidimensionais que ouvem, cantam, dançam e se comunicam com 
seus fiéis. É difícil descrever, para alguém que não este familiarizado com as tradições 
africanistas, explicando a proporção de intimidade, respeito e amizade entre os orixás 
e seus fieis. Aqueles que acreditam que seus orixas estão sempre presentes e 
vigilantes. 
CorTradicional: Amarelo 
Número: 5 
Dia da semana: Sábado 
Pedras Preciosas: topázio, coral, âmbar. 
Metais: cobre 
Animais: abutre, crocodilo, camarão, pavão. 
Função: amor, dona das águas doces 
Invocação Católica: A Nossa Senhora da Caridade. 
Feriado principal: 8 de Setembro. 
Colares: contas amarelas transparentes com intervalos de coral. Também pode ser 
feito a Ochun um colar feito inteiramente de coral, com varias tonalidades. 
 
YEMAYA 
Yemaya segundo a tradição Lukumi, é a mãe de todas as crianças do planeta e 
representa o útero em qualquer espécie como uma fonte de vida, fertilidade e 
maternidade. Na natureza é simbolizada pelas ondas, de modo que seus movimentos 
e danças se assemelhem ao movimento do mar. 
Yemaya é a nascente do rio Ogun que atravessa Oyo e Abeokuta, no território Nupe, 
e tambem cobre o território de Abeokuta, Ibadan e Shaki. Representa a 
intelectualidade a sabedoria e o caráter mutante, assim como o mar. Yemaya é uma 
mãe punitiva e inflexível, é palpiteira por excelência, em uma de suas histórias que 
veremos abaixou, chegou a roubar os segredos do opele de Orula, criando o oraculo 
de caracóis, conhecido como diloggún. 
Ela é proprietária das águas e do mar, fonte de toda a vida. Rainha de Abeokuta. Seu 
nome vem de Yorùbá Yemanja (Yeye: mãe - Omo: filho - Eya: Peixe), literalmente, 
mãe de filhos peixes. Atravez dela sabemos que somos todos filhos e irmãos, pois 
durante nove meses, nadamos como peixes na placenta de nossa mãe. 
57 
 
Um das mais respeitadas orixas do panteão Lucumí é Yemaya, chamada tambem 
como a “Virgem de Regla”, senhora dos mares e águas, em geral considerada a Mãe 
por excelência. 
De acordo com varias versões dos mitos de criação (que vamos examinar mais de 
perto ), Yemaya é uma das divindades que surgem durante a criação do mundo. O 
universo era um mar de fogo, lava e chamas. Olofi despejou água agua dos céus e 
sobre a lava que resfriava se formaram os grandes oceanos. Daí surgiram todas as 
qualidades de Yemayas no fundo do mar desde Egute até Olokún. 
Na África Yemaya é considerada mãe, de um grande número de deuses segundo o 
intectual e sacerdote de Regla Osha Julio Garcia Coles18: "Yemaya e Aganyú (Agayu) 
são os unicos filhos das grandes divindades ligadas a criação Oduduwa e Obatalá. 
Yemanya e Aganyú se casaram e tiveram um filho chamado única Orungan. Quando 
ele cresceu, se apaixonou por sua mãe e aproveitando-se da ausência de seu pai 
Aganyú, um dia tentou raptár Yemanya que fugiu em terror de seu filho perverso. 
Finalmente exausta ela cai ao longo da costa e morre, então seu corpo começa a 
inchar e de seus peitos enormes, dois rios de água jorraram até que formaram um 
lago. Da barriga enorme de Yemanya surgiram os seguintes orichas: Chango deus 
do trovão; Olokun deus do mar; Ogun deus do ferro e da guerra; Chapanã,deus da 
varíola; Dada deusa das plantas; Oko deus da agricultura; Ochosi deus dos 
caçadores; Ayé Saluga deus da riqueza, Olosa deus da lagoa; Oke deus de 
montanhas; Orun deus do sol; Oxum deusa da lua e da beleza, Oya, Obá e Oxum, 
deusas dos rios que levam seu nome. 
Embora este mito é pouco conhecido em Cuba, é interessante notar que o 
antropologo Calazan Jose Herrera, Bamboche, usando os dizeres de Lydia Cabrera, 
afirma que de "Yemaya e Agayu nasceram todos Orixas". O mais comum na ilha 
Cubana é a versão narrada que reconhece Obatalá e Yemmu como pais de uma 
geração inteira de orixás. E é que múltiplas genealogias e variantes não estão neste 
caso em um consenso, de acordo com algumas fontes, Yemmu, na verdade pode ser 
uma Yemayá no caminho de Obatalá. E neste caso Yemaya seria de fato a mãe de 
todos os orixas. De qualquer forma, a deusa do mar representa a fertilidade e o amor 
maternal, é descrita como uma meia mulher com rabo de peixe a tipica sereia de pele 
muito negra, com uma barriga que indica e sempre seios fartos. 
Como cita Celestino Gaytan na obra de Rosa Maria de Lahane19, respeitado Santero: 
“Yemaya é a grande Mãe criadora e a Senhora do Mundo ''. 
Em algumas versões ela quer ser a mãe adotiva de Xangô, e quer de maneira louca, 
que Obatalá entregue a ela o menino para que ela o crie, como se fosse seu. Em 
outro caso ela assume a criação das crianças gemeas “Ibeyi os gêmeos divinos”, filhos 
de Chango com uma de suas esposa. 
 
18 CORLEZ, Julio Garcia. OSHA - SECRETS OF THE YORUBA-LUCUMI-SANTERIA RELIGION. Ed: ATHELIA 
HENRIETTA. USA, 2000. 
 
19 GUERRA, Rosa María de Lahaye.El origen del orden y el nacimiento de los orichas. Ed. Nosostros. 2012 
58 
 
Esses mitos parecem sempre apontar para a origem aquática das forças básicas da 
natureza. Recordamos a mitologia grega (atraves dos textos de Aristóteles em sua 
Metafísica) que traz relatos falando sobre o Oceano, que é o berço do maior dos 
Titãs, o pai de toda a criação; e que inspirou Thales de Mileto, o primeiro filósofo 
grego, a teoria de que a água era o princípio de todas as coisas, sua forma original e 
seu destino final. 
Yemaya foi casada com Orula, mas ele rejeitou porque ela era sua concorrente direta 
na arte da adivinhação. Num momento em que o grande adivinho estava viajando, 
Yemaya começou a dar consultas por conta própria, usando a placa de seu marido. 
Este quando descobriu ficou indignado: "Onde já se viu uma mulher jogar IFA, como 
se fosse um babalaô? A expulsou de sua casa sem algum remorso. De acordo com 
outra versão, Yemaya só desobedeceu seu marido pararesolver uma situação crítica: 
o filho de um compadre que estava morrendo Orula estava fora viajando. Yemaya 
usando o Oraculo de Ifa de seu marido salvou a criança. 
Em uma de seus avatares aparece como esposa de Ogun, com quem é claro, foi 
muito infeliz, porque nenhuma mulher tem como ser feliz ao lado de Deus guerra. 
Também em outros Patakies teve um romance com Babalu Aye e em outro com o 
Orixá Oko, senhor da agricutura. 
Algumas das suas qualidades ou avatares são: Yemaya Okulé Yemaya que mora 
nos recifes; Asesu Yemaya que habita as aguas lodosas; Mayelewo Yemaya que 
habita os manancias ou piscinas de agua salgada; Yemaya Achaba que usa uma 
corrente de prata em torno de seus tornozelos, Konlá Yemaya que habita as espumas 
e Yemaya Olokun que vive no fundo do oceano. 
Algunssacerdotes acreditam que assim como na Africa, Olokún seria uma outra 
divindade, ainda que quando este precise falar ou mandar suas ordens use a boca de 
Yemaya. Para outros pode ser um caminho ou avatar de Yemaya de caracterisca 
mais velha e antiga. Além disso, alguns estudiosos da Santeria20 Olokún é uma 
divindade masculina, outros dizem que é feminino e ainda existe os que dizem que é 
um ser andrógino. Olokún nunca "baixa" ou toma posse de seu fiel, uma vez que estes 
não seriam capaz de suportar seu vigor e colerá. Na “Libreta de Nini”, anteriormente 
citada acima, encontramos os seguintes caminhos de Yemaya: 
Yemaya Asesu é a mais velha e gosta de dançar, ela vive no fundo do rio. Depois de 
Olokun é a mais importante. É mulher Olokún, é de Olokun e de Asesu que nasce 
todas as demais. Carrega correntes e igual a Olokún come nas cavernas profundas 
aquaticas. 
Yemaya Ibu. É uma Yemaya que vive nas duas aguas entre o mar e a água doce. 
Quando ela lhe perguntou por algum motivo deve ser dada água de rio e mar, para 
situações importante, costuma ser chamada na água do mar. Para assuntos 
amorosos é comumente chamada no rio, na água doce. Excelente dançarina, tem 
poder de amarrar espiritos abikús parq eu não façam mal a crianças que estão para 
nascer. 
 
20 GONZALEZ Wippler Migene. Santeria The Religion. Ed: Liewellyn Publication, Cuba, 1994. 
59 
 
Yemayá Agána, gosta de ficar sentada numa esteira, muito cultuada no reino de 
Arara, costuma dançar bem agachada e gosta de receber sua comida favorita: 
manjar de coco. 
Yemaya Malléléwo, perfil guerreira, muito parecida com Ochun Ikole, é grande 
mestra preparadora de pós para todas funções. É kimbisera e praticante de bruxaria. 
Ela é mulher de Ogun e trabalha junto com esta divindade. 
Yemaya Achábbá, é muito reta e intrasigente, não gosta que seus filhos perguntem 
muito, ou peçam coisas sem sentido, prefere pedidos diretos e simples, gosta de 
dançar e ganhar presentes, principalmente de prata." É bailadora e gosta de luxos. É 
grande curandeira e seus filhos têm normalmente o dom de falar com mortos, serem 
grandes oraculistas e curadores. 
CorTradicional: azul claro 
Dia: sábado. 
Número 7. 
Pedra Preciosa: Pérola , agua marinha ou turquesa 
Animais: patas, baratas (são suas mensagerias) e todo tipo de peixe do mar. 
Função: a maternidade, senhora dos mares. 
Invocação Católica: A Virgen de Regla. 
Feriado principal: 7 de setembro. 
Colares: sete contas azuis seguidos de sete contas brancas. 
BABALU AYE 
Babalu Aye é o orixá da lepra, a varíola, das doenças venéreas e pragas, da miséria 
como um todo. Ele é bem conhecido e muito reverenciado. Ele representa as 
condições da pele, doenças infecciosas, especialmente assexualmente transmissíveis 
e as epidemias dos seres humanos. 
Na natureza durante o dia, se esconde entre as heras, para se proteger do calor do 
sol, costuma sair somente à noite. É um orixá muito respeitada e por vezes temido na 
Nigéria. Seu culto vem de Dahomey (Benin), onde chamou Azojuano (Azowano), Rei 
de Nupe, território Tapa. 
Seu nome vem de Yorùbá Babaluaiyé (pai do mundo), na África era conhecido sob o 
nome de Sponã ou Sakpatã, sendo o senhor da varíola e hanseníase as doenças 
mortais da época. 
De acordo com o mito Lucumí que explica a origem do universo, Babalú- Ayé, o 
popular e amado San Lazaro, nasceu da própria Terra. Assim, lemos na obra de 
Andres Quesada21: "..depois muitos dias as cinzas daquelas rochas incandescentes 
 
21 QUESADA, Andres. Secretos de Santeria Afrocubana. Ed: Obelisco: Espanha, 2007. 
60 
 
foram acumuladas em partesmais altas, e a partir daí foi se formando uma gigantesca 
massa de lama, que era a terra, desta mistura com aguas e cinzas, tivemos o seu 
nascimento. 
Após este episódio essa lamacenta, cheirando a enxofre e podridão, teve como 
resultado a origem das epidemias, daí nasceu San Lazaro. "Tanto na África como em 
Cuba é considerado Choponã (Obaluaiyê), orixá de origem dahomeyana está 
profundamente ligada a terra. Num de seus patakies os cães de ogun são roubados 
por Chango, e este os entrega a Babalu Aye, que por sua vez os devolve ao deus do 
fogo. Como gratidão Ogun, aconselha o deus da terra a ir para Dahomey, e o ajuda a 
se tornar soberano. O conselho foi bem-sucedida Choponã é muito bem acolhido pelo 
povo dahomeano e os curas de varias peste e doenças sendo proclamado monarca 
popular. De acordo com este patakie, Chango e Babalu são metade irmãos. 
Na África o orixá é retratado como um velho coxo vestido de ráfia e cheio de marcas 
de varíola por seu corpo.Lidya Cabrera cita que: "Choponã é um velho coxo, que tem 
uma perna de madeira e caminha com um cajado de galho de arvore. Um dia estavam 
todos os deuses no palácio do Obalalá. Se divertiam e dançavam, Choponã ao tentar 
entrar naquele baile, tropeçou por causa de sua deformidade fisica e caiu. Os deuses 
riram muito dele e Choponã tomado pelo espirito de vingança, queria infecta-los com 
todas formas de virus e doenças. Obatalá, para evitár o pior, tirou de seu palácio 
Choponã e desde esse dia proibiu que ele convivesse com os outros deuses. É um 
pária que vive em regiões desoladas e desabitadas. É fácil imaginar o que acontece 
em Cuba com sua associação a San Lazaro. Na Igreja Católica foram reconhecidos 
dois Lázaros, com comemorações realizadas em datas diferentes. Um deles aceito 
pelas autoridades da Igreja, é San Lazaro Bispo, irmão de Maria e Marta, ressuscitado 
por Jesus com dia festivo no calendario liturgico em 17 de dezembro. 
Isto nada tem a ver com a outra festa de San Lazaro, da litografia popular, o Lázaro 
da parábola biblica do evangelho de Lucas (capítulo 16,19-31). O culto deste ultimo 
tornou-se generalizado nos tempos medievais, e o nome deste personagem deu 
origem a palavra "lazarentto" no seu sentido de um hospital para leprosos. 
As imagens de "São Lázaro" chegaram a Cuba através da Espanha e eram 
representadas por um homem ferido e coxo, apoiado em muletas e acompanhado por 
um ou dois cães. Aparentemente, sua devoção mudou-se para seu homônimo, e 
reivindicou para si, seu dia de festa 17 de Dezembro. Os Lucumies e os Araras 
evidentemente reconheceram nesta imagem o grande Obaluaiyê de suas tradições 
ancestrais. 
Outro pataki diz que as feridas que cobrem o corpo de Obaluaiyê, se devem a seu 
encontro com Ogun: San Lazaro não tinha consideração alguma ao deus dos metais. 
Todos os dias ele correu de volta rapido para sua cidade, porque ele não queria correr 
o risco de andar no relento da noite. 
Ogun sabia disso, e preparou uma armadilha, com seu facão afiado abriu um caminho 
que parecia ser uma maneira nova e muito mais rápida de se chegar ao destino. 
Babalu-aye acreditou que chegariamais rapido ao destino, mas foi um erro, no final o 
caminho se fechada com muitas ervas daninhas. 
61 
 
Logo ele se viu preso no mato, e começou começou a arrancar as ervas daninhas e 
videiras com suas próprias mãos e acabou ferindo seu todo nesta empreitada. 
Ogun apareceu com seu facão na mão, e Babaluaye disse: "Rapaz, empresta-me seu 
facão para eu sonseguir sair daqui?” Ogun emprestou mas San Lázaro não sabia 
lidar com aquela ferramenta e teve que pedir ajuda ao ferreiro. Ogun pegou seu 
facão e habilmente abriu o caminho novamente. E Babaluaye disse: 
"Baba, a partir de hoje terá que considerar-me e vai estar o tempo todo comigo.” 
Existe uma lenda que, como diz Lydia Cabrera, deve ter sido desenvolvido em Cuba, 
faz de Oxum a salvadora do orixá das pragas: "Babalu Aye sempre foi muito 
mulherengo, ele andava continuamente farras e bebedeiras sendo incapaz de se 
submeter a vida ordenada que aconselhava os mais velhos. Em uma quinta-feira Orula 
o advertiu: 
"Hoje domine a si mesmo e não fornique”. À noite, ignorando o conselho de Orula, ele 
dormiu com uma de suas muitas amantes e pela manhã, acordou coberto de feridas 
purulentas por seu corpo todo. 
As mulheres correram a pedir para Orula interceder por ele junto a Olofi, que se 
recusou a perdoá-lo. Babalu Aye morreu. Orula pediu mel a Ochun eo derramou todo 
no palácio de Olofi. Não tendo certeza que isso faria efeito. "Quem derramou este 
delicioso mel em minha casa? ' Olofi perguntou. “ Deve ter sido uma mulher", 
respondeu Orula e Olofi chamou todos os Santas e todas as mulheres. 
Faltava Oxum e ela foi convocada. Perguntou Olofi e Yeye respondeu: 'É meu o mel 
que tanto gostou. 'Quero mais!' Gritou Olofi. 'Dê-lhe de volta à vida e te darei mais de 
meu mel. E foi com mel que Oxum convenceu Olofi a levantar San Lazaro. Este 
Pataki, de conteudo bem sincretico é muito interessante, pois mostra a fusão entre os 
dois Lázaros. Babaluaye é ressuscitado, assim como o irmão de Marta e Maria, 
emboraa sua identificação primária é com o lendário personagem da parábola bíblico. 
Babalu Aye Ajorotomi 
Ele é aquele que traz a peste e as doenças das bruxas da água. 
Babalu Aye Belukha 
Este Babalu está associado com o mar e é considerado um filho adotivo de Yemaya, 
pertence ao povo do peixe. Carregando um facão e uma vara. Ele atua principalmente 
em barcos onde dispersa as doenças da tripulação, como o escorbuto e outras. 
Babalu Aye Boku 
Babalu Aye Boku trabalha em cemitérios e montanhas sagradas, onde trabalha 
parecido com um morto-vivo. Seus eguns são simbolicamente mortos, sepultado e 
trazido de volta à vida. A ele são atribuídos poderes sobre a vida ea morte. 
 
 
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Babalu Aye Molu 
Este Babalu é o que leva tanto pessoas como animais, abatendo-os com a sua praga, 
não deixando nada vivo em seu rastro. 
Babalu Aye Olode 
Este Babaluaye trabalha em lugares abertos, ao ar livre e ataca preferencialmente nas 
horas em que o sol está no seu pico mais alto, causando febre, insolação e vírus que 
se espalham no ar quente do verão. 
Babalu Aye Sapata 
Este Babaluaye significa uma divindade cujos braços são fortes como uma rocha. 
Ataca seus inimigos com doenças mortais e epidemias. 
Babalu Aye Oloko 
Este Babalu vive na zona rural e perto das plantações, exerce seu poder causando 
pragas de plantas e doenças nos agricultores. 
CorTradicional: roxo 
Dia quarta-feira. 
Número: 17 
Animais: formigas e cupim 
Função: Senhor das doenças especialmente a varíola e hanseníase, e suas curas 
Invocação católica : San Lazaro. 
Feriado principal: 17 de dezembro 
Colares: pérolas brancas com listras azuiso ou pérolas cinza com listras brancas. 
Naná Burukú 
Nana Buruku é uma divindade que lhe é atribuida uma poderosa espiritualidade, 
desde a antiguidade. È uma divindade dos pântanos e lagoas. Entre os povos de 
origem Ijesá algumas tradições a consideram como um Obatalá, embora em sua 
maioria a cutuem como um orixá independente. Nana Buruku dá força para a cabeça 
do indivíduo. 
Nana Buruku é a divindade da chuva, da lama, mediadora entre a vida ea morte. Seu 
culto de proveniência Fon, Ashanti e Arara (Daomé), e tambem do território Mahi. Seu 
nome vem de Yorùbá Nanà Buruku (NANA: grande mãe ou avó - Buruku: mal). 
Nanã é anterior a chegada de Oduduwá em Ile Ife, e teve um confronto com Oggún, 
por isso seus animais não costumam ser imolados com faca ferro, mas com uma faca 
feita de madeira. 
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De acordo com o rito Arara, Nana não se alimentam do sangue dos animais, mas de 
seu espírito, é por isso que os animais a ela imolados morrem por asfixia, e depois sã 
ocortados com a faca de madeira. 
Concubina de Babaluaiyé, em alguns Patakies, Naná é uma orisha muito sagrada e 
austera. No Daomé (atual Benin), onde a sua devoção é tida como a mais importante, 
acredita-se que seja a mãe de Mawu-Lisa, o equivalente Ewe-Fon do Ser Supremo. 
Nas tradições da América Latina é considerada a avó dos orishas. 
Em Cuba, é exaltada como “descobridora”, sendo-lhe reconhecido o poder para tornar 
visíveis as doenças que possam se ocultar no corpo humano e que a medicina 
moderna não consegue encontrar. Também é conhecida como a mãe das águas 
frescas e é adorada na cabeceira dos rios e na lagoa. 
Segundo alguns Patakies, numa celebração que os orishas deram para honrar Ogún, 
o deus do ferro embriagou-se gravemente e como resultado, tornou-se extremamente 
arrogante. Naná Burukú, recusou-se a prestar homenagem a Ogún por ter aberto 
caminho para os orishas vindos do orún à Terra, e que naquela ocasião Ogún exigia 
um pagamento. 
Seu comportamento bêbado ofendeu-a. Desde esse dia, ela o rejeita e se recusa a 
aceitar qualquer metal em seus rituais. Desde então, os sacrifícios para Naná são 
efetuados com um pedaço de bambu afiado ou com uma faca de madeira. 
CorTradicional: Branco e Azul , Roxo 
Dia: Domingo 
Número: 7 e 9 
Animais: Galinha Pintada, Pombo 
Função: Transição entre a Vida e a Morte 
Invocação católica : Senhora Santana, Nossa Senhora do Carmo 
Feriado principal: 16 de julho 
Colares: Rosas e pretas, com coral, contas de azeviche e cauris. Na cidade de 
Jovellanos, na Província de Matanzas, o fio de Naná é confeccionado com uma conta 
amarela rajada de verde e vermelho e contas azuis-turquesa 
 
OUTRAS DIVINDADES 
Ossain 
 
Ossain é um Orixá, que rege a própria natureza e é por si sí a própria natureza. 
Segundo os Lucumis no ser humano ele esta do lado esquerdo do corpo. Com os 
conhecimentos Ossain conseguimos salvar a vida e reforçar o corpo para a guerra, 
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até a morte. Ele é médico, dono e conhecedor de todos os segredos das plantas É 
grande conhecer de todas as folhas, plantas animais e minerais. Ele é uma divindade 
adivinha. 
Todos os Orishas têm um Ossain, como tambem tem os Odus do Oraculo de Ifa. Tem 
que contar com ele para qualquer consagração, e sempre que usar ervas e plantas. 
Seus filhos são chamados Adajunshe. 
Ossain ou Ozain,é o dono absoluto da colina da vegetação, da mata e de tudo que é 
recolhido neste lugares, é grande caçador e conhecedor das qualidades mágicas das 
ervas, por isso é o grande farmaceutico da natureza. Refugiou-se no meio do mato, 
onde vive sozinho. Seu culto vem da terra Takua, Yesa e Oyo. 
Não se faz a cabeça para Ossain, seu culto é exclusivo para os Babalawos e Oloshas 
próprios,não é o primeiro Osha a ser feito. Aqueles que juram lealdade por Ossain são 
chamados Ossainistas e eles devem saber todas as propriedades magicas das folhas 
e os cantos sagrados usados para fazer os omieros Yoko Osha. É uma das mais 
importantes energias do Osha,pois esta presente no Yoko Osha, ebbós, oferendas de 
Orisha ou apenas lavar os colares sagrados. 
O Ossainistas podem ser de ambos os sexos, mas as mulheres devem esperar até a 
menopausa a receber e poder participar em suas cerimônias. É ele o guardião dos 
tambores Bata. Ossain é o unico que fornece axé para Orula. Seu nome completo é 
Ossain Aguenegui Aguaddo y Kuri Kuri, embora também é conhecido como Ossain 
Agguchuiye. Grande amigo de Oggún e Oshosi pela relação destes com a floresta. 
Sua cor é verde. O seu número é 7 e seus múltiplos 
Um orixa importante para os rituais Lucumíes e Ossain, o deus das Ewés, das folhas, 
porque sem elas não há cerimónia e ritual algum torna-se possível. Não foi nascido de mulher 
nenhuma, mas ele surgiu do coração da terra. É um grande médico. Possui apenas um pé 
(direito), um braço (esquerdo), um olho e duas orelhas: uma enorme, que é completamente 
surda e uma muito pequena que o faz escutar até o menos ruído. Várias lendas tentam explicar 
a origem da sua deformação. 
De acordo com uma delas, Oya e Chango tentaram roubar o segredo mágico das 
ervas de Osain. Oya a deusa do raio o embebedou e o grande erveiro, sob topor da 
bebida começou a cortejá-la. Oya recusou os galanteamentos de Ossain e chamou 
Chango que veio em seu auxílio. Com um raio tornou Osain coxo, com outro raio 
arrancou o braço e o terceiro raio o cegou de um olho. 
Esta divindade em Cuba habita as montanhas e matas e esta intimamente ligado as 
tradições de Regras Congas, e particularmente Palo Monte ou Mayombe, de acordo 
com um Pataki, "Osain estava trabalhando com sua “Regla”, suas ervas secretas, 
beberagens e unguentos, polvora, não tinha descanso, ele estava sujo e desgastado 
não conseguia ver o resultado final do nada, apesar dele trabalhar dele com muita 
rapidez. 
Observamos que os lucumies tem por caracterisca andarem sempre bem vestidos e 
muito elegantes e sempre tiveram dinheiro e prosperidade, foi em busca de Chango 
para aconselhars-se. Chango disse que ele ja tinha sido Paleiro e que conhecia este 
65 
 
sistema perfeitamente, mas depois que entrou na Regla Lucumí ele passou a andar 
muito bem vestido, e usar a cor vermelha tornou-se muito poderoso. Com estes 
argumentos convenceram Osain, e o levaram para se consultar com Orula, 
buscando sua redenção”. 
Esta lenda é muito interessante, revela em primeiro lugar as varias interpenetrações 
das duas regras afrocubanas mais importantes e, por outro, que a hierarquia do 
seguidores da regra lucumi estabelecem entre “Ocha” e “Palo”: ainda que um Paleiro 
possa se tornar um Santero (nunca o inverso), embora o poder dos Congos seja 
reconhecido e por vezes desejado, “Santo” é considerado uma categoria mais 
“sofisticada” que o Palo. 
 Um dos atributos de Osain é um cajado simples que ele usa para se apoiar. Não 
baixa ou pratica a possessão nos seus fiéis. O o Sacerdote "osainista" deve ter um 
conhecimento profundo da vida vegetal, das plantas e suas propriedades mágico 
curativas. Em Cuba tem é normalmente sincretizado com São Silvestre e São Jose. 
Qualidades ou Avatares 
Ossaín Agé 
Ossain Agé é um grande feiticeiro, conhece todos os medicamentos e, especialmente, 
os segredos escondidos na cabaça. Vive ao pé das árvores exuberantes e altas com 
longos cipós. 
Ossaín Bi 
Ossain Bi é um grande feiticeiro e fitoterapeuta, tem relações com Iyami Oshoorongá e 
passaros noturnos. 
Ossaín Ajube 
Ossain Ajube é um grande curador, especializado no tratamento de todas as formas 
de doenças relacionadas com os órgãos internos do corpo. 
Ossaín Beremi 
Ossain Beremi trabalha nas margens de rios, árvores perto de vegetação exuberante e 
mata fechadas. 
Ossaín Oloógun 
Ossain Oloógun é o proprietário de todos os medicamentos conhecido como o maior 
curador. 
ORISHA OKO 
Se Osain é o deus de plantas silvestres, Orixá-Oko é a divindade da horticultura e 
agricultuta e demais culturas. Para os caribenhos e cubanos é uma divindade 
secundária, mas entre os iorubás ele sempre teve grande importância. Tanto na África 
como no Caribe ele possui conotações fálicas, (na ilha cubana é acreditasse que 
66 
 
possui enormes testículos), e está relacionado com a fertilidade. Guarda o segredo da 
cultura do inhame, tubérculo altamente valorizado Cuba que pertence a Obatalá. 
Orixá Oko é uma divindade que representa a terra e a vida a partir dos trabalhos 
agrícolas e culturas de plantações. Ele está diretamente relacionada com a agricultura 
e com o campo. Protetor dos lavradores e trabalhadores do campo, ele dá força para a 
vida porque fornece os meios de buscar comida suficiente para viver. Ele está 
intimamente relacionado com Oggún e Olokun. 
 
 Provem do território de Saki, oeste de Oyo. É considerado o árbitro das disputas, 
especialmente entre as mulheres, embora muitas vezes tambem é o juiz de litígios 
entre os Orishas. É um trabalhador e guardião dos segredos, dizem que seus 
testículos pendem para o solo de tão grandes e a sua castidade é de ferro. Ele é o 
grande fornecedor de alimentos para o mundo, por ser a própria terra. 
Garante a prosperidade das colheitas, seus mensageiros são as abelhas e representa 
prosperidade e a fertilidade, por isso que as mulheres estéreis recorrem sempre a ele. 
Ele forma importante trilogia junto com Oggue Oke e responsável pelas colheitas, as 
chuvas, o fogo do interior da terra e dos animais. 
Tem duas personalidades, dia representa o homem puro e perfeito, noite se disfarça 
de Iku (morte). Recebe os cadaveres entregues por Yewá e os envia a Oya, através 
de Babalu Aye. Tambem vive nos telhados, seu nome vem do Yorùbá Orisa Oko 
(Orixá dos lavradores). 
Ele se apresentou a Yemaya, que por sua vez conseguiu seduziu. A deusa do mar, 
por sua vez, consegue estorquir o segredo de Oko e o transmite a Obatalá em troca 
do segredo dos tambores “Bata”, para presentear seu amado filho Chango. Seus 
seguidores são quase sempre mulheres e de acordo Lydia Cabrera, "Este santo é 
hereditário." 
Em Cuba é sincretizado com São Isidro o lavrador e sua festa é celebrada em 15 de 
maio. Seus assentamentos costumam ter um boneco de lavrador num carro puxado 
com seu arado, telha de barro e dois cocos secos, também pode-se por uma cruz de 
madeira. 
Nem sempre é assentado dentro de casa, mas se isso ocorrer as vezes devemos 
coloca-lo em contato com a terra. Ele é a divindade relacionada aos tubérculos. O 
sumisso de seu culto é explicável em todo cenario do Caribe: as atividades agricolas 
escravocrata das américas eram muito diferentes das realizadas na África. Obrigados 
a produzir, plantar e colher para seus senhores, não teria sentido pedir a benção e 
prosperidade de Oko, nas colheitas que não os pertenciam. 
 
INLÉ 
O grande médico sagrado da Santeria é Inle, filho de Olokun. Ainda que não seja 
mencionado por este nome, possivelmente Inlé é filho de Olokún, Inlé quiz receber Ifa 
67 
 
para não ter um lugar menor que Elegua. Seu culto foi perdendo importância no 
Caribe, onde sempre foi considerado um deus de “cuidado” muito rigoroso. Seu 
principal símbolo é o peixe, porque ele vive na água, também pode ser representado 
por um tridente com tres peixes de metal pendurados. É muitos castos cobra uma 
vida de castidade de seus seguidores e demandas de castidade em seus seguidores, 
embora alguns santeiros comentem lendas dizendo que ele diz ele teve um caso 
amoroso com Yemaya e Oxum. 
 
Inle ou Erinle é um orixá que representa a pesca e colheita e a horticultura. Protege 
os médicos e os pescadores. É o médico da Regla Osha, além de protetor dos 
adivinhos. É guerreiro, caçadore pescador. É representado na natureza pelo peixe. 
Ele simboliza a saúde é recebido para evitar doenças. É fornecedor da subsistência 
humana. Ele vive no solo e na água. Orixá da economia extrativista, seu culto vem da 
aldeia de Ilobu, através do qual um pequeno rio que leva seu nome, tem fama de ter 
protegido os iorubas no período da invasão dos Fulani. É andrógino e considerado ser 
muito bonito. 
Seu nome vem do Yorùbá “Erinle” significa: "O alimento que a terra dá." Seus números 
são 3, 5 ou 7 e seus múltiplos. . Suas cores são tons de verde e azul. 
Segundo Juan Manuel Casanova22, "Inle é o médico misterioso da Regla de Osha-
Lucumí e está entre os orixás mais severos do panteão ioruba”. De acordo com alguns 
patakines e lendas, deste deus foi cortada sua língua para que ele não pudesse 
revelar os fenômenos que ele tinha nas profundezas das grandes águas. 
Outras fontes afirmam que a razão para a "amputação de sua lingua”, foram ordens 
claras de Yemaya-Olokun, para impedir que ele divulgasse as 'relações incestuosas 
que os dois tinham.. Inle não é uma divindade que se assenta na cabeça dos filhos, 
quando se tem um filho de Inlé, o mesmo é dado para Yemaya. Sua cor é azul e verde 
e colares são feitos de pérolas verde, coral ou azuis.. Ele é identificado com São 
Rafael e seu dia de festa é 24 de outubro. 
 
YEWA 
Yewa ou Yegguá é uma divindade que representa a solidão, a contenção dos 
sentimentos, castidade feminina, a virgindade e a esterilidade. Ela é a dona das 
sepulturas, e está entre as sepulturas, covas e os mortos caminha pelas covas. Yewá 
é a dona do cemitério e esta amplamente ligada à morte. Seu culto vem de Dahomey 
e viveu em Egwadó. Habita o cemitério, é responsável levar os egguns até Oya que 
dança entre as suas sepulturas. 
Seu nome vem de Yorùbá Yewá (Ye: mãe - Awa: nosso). Adorada e cultuada 
principalmente nas casas de Santiago de Cuba e na Republica Dominicana, onde é 
feita orixá tutelar de seus filhos, e desfruta de grande prestígio entre os adivinhos por 
encaminhar os Eguns perdidos. Diante de seu assentamento não se pode estar com o 
 
22 Colectivo de autores. La religión en la cultura.- DESR, Editorial Academia, La Habana. 1990 
68 
 
corpo descoberto, nem discussões, grosserias ou levantar a voz para alguem. Seu 
Ota t de preferência tem que ser uma pedra escura e recolhida no mato ou perto do 
cemitério. 
O seu sincretismo é dado a Nossa Senhora dos Desanparados (30 de Outubro) e com 
a da Virgem de Monserrat. Seu número é 11 e seus múltiplos. Sua cor é rosa. 
Ela faz parte das divindades e forças menos conhecidas que fazem parte do Panteão 
Lucumí : Yewá é a donzela que tentada e atraida a ter relações com Chango pediu ao 
pai que a internasse em algum lugar desolado. Obatalá concordou com seu apelo e 
enviou-Ile a Iku, ocemitério onde se recebem todos os mortos. Costuma sempre 
repudiar os homens e rejeita o ato sexual. Outras tradições caribenhas fazem seu 
sincretismo com Santa Clara. Aceita galetos como oferenda, o galo é considerada 
uma guerreira e costuma avisar seus filhos e fieis dos perigos que os ameaçam 
atraves de pesadelos. 
LOS IBEYIS 
Os Ibeyis, gêmeos sagrados são filhos de Chango com Oya, em alguns Patakis 
tambem são filhos de Oxum, dependendo das versões. São muitos amigáveis, 
generosos e de carater afável ... Estes queridos deuses, sempre mimados pelos 
deuses e os homens, foram identificados com os santos Cosme e Damião e nas 
tradições caribenhas e afrocubanas não baixam ou tomam posse de seus fiéis. 
O Ibeyis ou Jimaguas são Orishas. Eles representam a fortuna, sorte e prosperidade. 
Eles são capazes de salvar da morte e do mal. Está nas estradas das montanhas, 
para proteger os caminhantes. Um dos símbolos mais importantes dos Ibeyis são os 
pequenos tambores com o qual venceram Abita. Eles podem ser representados por 
três combinações de figuras, uma feminina e um masculino, ou dois masculino e um 
feminino. 
Os gêmeos ou Orishas Ibeyis são os menores Orishas, protetores de todas as 
crianças, brincalhões travessos e gulosos. Eles vivem em cima da copa da arvore de 
palma. Eles são os queridinhos de todos os outros Orixás, masculinos e femininos têm 
nomes diferentes como Taewó e Kaínde, Araba e Aina, Ayaba e AIBA (tanto do sexo 
feminino), olori e Oroiña também do sexo feminino, Alawa Kuario e Eddún, Aden, 
Alabba, Ibbo e Igue, Oraún, Ono Nibeyi e Idobe, Olon , Itaguo e Idou, etc. 
Seu nome vem do Yorùbá Ibeyi (Igbo: contém Meyi: dois). Eles salvaram os homens 
com tambores mágicos que deram Yemaya, batendo Olosí. Tambem salvaram 
Obbatalá no Reino do Dahomey. O seu número é 2 e seus múltiplos. Suas cores são 
vermelho e branco e azul e branco. 
 
 
 
 
 
69 
 
TABELA DAS FORMAS DE SINCRETISMO ENCONTRADAS NA REGLA OSHA E SEUS TEMPLOS 
EM CUBA E NA AMÉRICA LATINA 
 
DIVINDADE EM CUBA AMÉRICA DO SUL 
Eleguá Menino Jesus de Atocha, 
Santo Antonio de Padua 
Santo Antonio, Menino 
Jesus de Praga, São Caetano 
Ogun São Paulo, São Miguel, São 
João Batista, Santo Antonio 
São Jorge 
Oyá / Yansã Virgem da Candelária, 
Virgem do Carmo, Santa 
Terezinha de Jesus 
Santa Barbará 
Santa Joana Darc 
Xangô Santa Barbara São Miguel, São Jeronimo, 
São Marcos de Leon 
Oxosse São Norberto, São Miguel, 
São Humberto 
São Pantaleão, São 
Sebastião 
Oba Santa Rita de Cassia, Santa 
Cataria de Sena e a Virgem 
do Carmo 
Santa Catarina de 
Alexandria, Santa JOana 
Darc 
Ossain São JOse, São bento, Santo 
Antonio da Abadia, São 
Silvestre 
São Sebastião e Santo 
Onofre 
Iroko Virgem Maria, São 
Francisco de Assis 
São Francisco de Assis 
Obaluaê São Lazaro São Roque, São Lazaro 
Ibejis Santa Justa e Rufina, São 
Crispim e Crispiniano, São 
Cosme e Damião 
São Cosme e Damião 
Oxum Virgem da Caridade do 
Cobre 
Imaculada Conceição de 
Maria 
Yemanja Virgem de Regla, Virgem 
Maria 
Stella Maris, Nossa Senhora 
dos Navegantes 
Oxala Nossa Senhora das 
Mercedes 
Sagrado Coração de Jesus, 
Jesus Cristo 
Orunmila / Orula São Francisco de Assis, São 
Felipe, São Jose da 
Montanha 
Divino Espirito Santo, São 
Francisco de Assis 
Oke São Thiago Apóstolo São Isidoro 
Aganju São Miguel São José, São Miguel 
Nanã Burucu Santa Ana Santa Ana 
Oduduwa Jesus Cristo, S. Manuel São Manuel 
Inlé São Rafael São Rafael 
 
 
 
 
 
 
70 
 
DEMAIS DIVINDADES CULTUADAS 
O CULTO AOS EGUNS 
Os adeptos da Regla de Ocha sustentam uma relação muito próxima com seus 
orixás. Cada um zela pelo deus que considera seu pai e uma deusa que o aceita 
como uma mãe. Todas divindades são saudadas em Yoruba e se conversa com eles 
de maneira muito familiar em castelhano e muitas vezes em Inglês. O culto aos 
orichas se constitui um eixo que gira em torno de toda tradição Lucumí e seu 
universo religioso. E ainda que as sua mitologias não se reduzam a narrar as façanhas 
dos deuses, as numerosas lendas tecidas e criadas em torno destas divindades 
servem para proporcionar-lhes uma "história", dando uma própria personalidadade, 
claramente reconhecível e identificavel. Com elas aprenderam a numerar e contar 
cada momento importante da vida, uma vez que, de acordo com antigas crenças 
acestrais, estas divindades governam, sempre e para sempre, o destino de cada ser 
humano. 
Falando de maneira clara e taxativa, os espíritos dos mortos (eggun) não são 
divindades, precisamos mencionar aqui e deixar bem claro, por que assim como para 
os orichas, a eles existe um culto bem generalizado generalizado e muito complexo, 
enraizado na tradição africana de prestar homenagemaos seus antepassados. Sua 
importância é ponto indiscutivel na Regla de Ocha, acreditam firmemente que "morto 
vai ao encontro do santo" ou que "os mortos espulsam o santo. "Os “egguns” que cada 
praticante lucumi reverência, não são apenas os seus antigos parentes falecidos, mas 
tambem algo muito "maior" do que sua família consanguienas: são reverenciados seu 
"padrinho" e "madrinha", ou seja, todas as pessoas que tenham sido iniciados na 
Santeria e que fizeram parte de uma formação ou em outras palavras todos que 
pertencem ao seu Ilê ou sua casa religiosa. 
São tambem Egguns as entidades que alem de seus orixás, cada pessoa recebe ao 
nascer para acompanhar e protegê-la nesta vida, os comumente chamados seus 
"guias espirituais”. Muitos desses espírito, acredita-se são africanos e baixam com 
frequencia em seus adeptos as populares entidades Negrito José, Francisco Preto, 
etc. Alguns estão ligados a práticas mágicas, como antigas tradições africanas e 
latino americanas. Muitas vezes são representados por bonequinhos os Santeiros 
vestem de maneira muito rica. E todos recebem orações ou oferendas, e às vezes são 
homenageados em cerimônias complexas chamadas "missas espirituais". 
O iniciados na tradição Lucumí em geral os Congos e os Carabalies, vivem totalmente 
imersos em uma rica e densa realidade "espiritual" formada por seres sobrenaturais, 
com quem os praticantes têm um estreito e permanente relação: com seus Orixás, 
com seus queridos egguns, seus santos e seus mortos. 
 
 
 
 
71 
 
OS EGGUNS NOS CULTOS CARIBENHOS 
Nos países pertencentes ao antigo Império Yoruba, algumas sociedades centravam 
suas práticas no culto de Eggun (mortos), de fundamental importância para as 
religiões desta cultura, porque, como se diz no sistema religioso Osha -Ifá ", Iku Lobbi 
Osha "(da morte nasce o Orixá), que muitas vezes tambem pode ser traduzido como " 
O morto traz o Santo ". Para o iorubá, o conceito de morte é muito maior do que as 
outras religiões, para nós seres humanos consiste principalmente em três elementos: 
emi (espírito), Ori (alma) e Ara (corpo). 
Emi e Orí coexistem dentro do Ará separado, Ori é aquela parte que está sempre 
aprendendo e guarda a sabedoria de outras encarnações, permanecendo fechada 
para a consciência da pessoa até o momento de sua morte, durante algumas 
iniciações religiosas a pessoa que inicia faz um corte, que representa abrir um pouco o 
Orí das pessoas, para outros conhecimentos. 
O EMI é aquele que nos permite o diálogo interno, que armazena memórias desta 
encarnação, e cada passo que damos em nossa consciência quando incorporamos o 
Orixá, saindo da Ara. Quando morremos, Emi e Ori se tornam um deixando o Ará que 
se tornará Oku o corpo morto e ambos sendo único da energia, vão seguir seu 
destino retornando para o Aiyê. Se eles se tornarem Eggun (morto), depois se 
tornarem Aragbá Orun (no caminho para Orun), edepois atingir o estado de Ara Orun 
(habitante do Orun). 
Sociedades Secretas de culto a Eggun, chamadas Iyami Agba (minha grande mãe), 
realizam um culto da Eggun coletivo não individual, no caso da Sociedade Geledé esta 
energia que engloba o culto de Eggun feminino é chamado Iyami Oxorongá, chamada 
também IYA NLA (mãe que está no além). 
A Sociedade Geledé é composta exclusivamente por mulheres e apenas elas lidam 
com este imenso poder de Iyami Oxorongá. Representando o medo do culto a Iyami 
em algumas regiões da Nigéria, faz os homens em suas festas se vestirem de 
mulheres, com máscaras do sexo feminino e dançarem em sua honra para aplacar a 
sua raiva, e encontrar um equilíbrio entre as forças masculinas e femininas. Esta 
sociedade não veio com o seu culto a Iha de Cuba, mas é encontrada em outras 
regiões afro-americanas. 
A sociedade de culto a Eggun masculino e não indivídual, uma vez que 
individualmente não é conhecido esta forma de culto em Cuba, mas de forma 
generalizada, como no caso das Geledé. É a sociedade secreta masculina de Oro 
Eggun é a sociedade secreta de ouro, que se baseia num culto que represente a 
energia sobre os egguns, atraves de seu chefe "ORO". No caso da sociedade Geledé, 
seu culto é praticamente extinto na África e nas América ele é pouquissimo lembrado. 
O poder atribuído a Iyami Oxorongá é tão grande que deve ser cuidadosamente 
controlado, às vezes com a ajuda das Sociedade Secretas. Estass duas são as mais 
importantes sociedades de Eggun, depois destas, podemos falar de sociedades de 
Eggun individualizadas, que são, envolvidas no culto de personagens importantes da 
religião ou da família. São as famosas "sociedades de Eggungún", onde a adoração é 
baseada num culto a um Eggun masculino, que se manifestam ( os femininos não são 
autorizados a se manifestar), em geral usam grandes tecidos coloridos que os cobre 
72 
 
da cabeça aos pés. Esse tipo de roupa na África chamado Eku e nas américas recebe 
o nome de OPA. 
 
AS MITOLOGIAS LUCUMIES 
A cultura Lucumí tem um universo vasto de mitos que tem sido passados de geração 
a geração atravez de sua oralidade e dos grandes manuais de Santeria. Este conjunto 
de histórias de natureza religiosa são chamados patakíes ou appatakís. 
Como em todas as grandes mitologias, a Regra de Ocha nos obriga a voltar 
cronologicamente aos tempos de outrora, com o sagrado tempo da genese do mundo 
e da espécie humana. Os fiéis não consideram estas narrativas como "histórias", ou 
seja, como "ficção”, para eles estas construções históricas fazem pleno sentido ao seu 
jeito de ser e a sua vida cotidiana. 
Pelo contrário, para eles estes mitos e lendas constituem uma realidade plena: a 
verdade mais profunda, primordial e ultima. Ao pôr abaixo a irrupção o silencio de tudo 
ser mistério do sagrado ou divino, os patakíes tentam explicar os fundamentos do 
universo e dos seres que o habitam. Como diz Mircea Eliade23, recitando os mitos 
homem moderno reconstrói a era fabulosa dos deuses e heróis. 
Ao vivê-los ou revivê-los religiosamente falando, isto é, passam a resgatar a oralidade 
e amemória do grupo, saindo do tempo profano, para adentrar dentro de um 
universo "Místico", cheio de energia vital. A ressurreição do tempo pela via narrativa 
é uma realidade pura e original, fonte primaria de todo sentido, justificar e normatizar 
as crenças, garantindo a eficácia dos ritos e extabelendo uma tabela de valores que 
passam a orientar a existência humana. Assim se explicam as razies ancestrais. E o 
retorno deste passado mitico e religioso, garantem a conduta moral dentro do 
presente. 
A variedade infinita de patakíes impede chegar a uma classificação clara e exata de 
cada um delas, porem vamos citar aqui as categorias principais: 
A - MITOS COSMOGONICOS 
Os mito da criação básica da Regla de Ocha, os primeiros conjutos de mitos, 
poderiamos dizer a “Genesis Lucumí” nos leva ao início de tudo, para nos dizer que e 
tempo não havia nem céu, nem terra, nem plantas, nem animais, nem os homens: 
somente um unico Deus, chamado Olodumare (ou OLORUN, Olofi ou Olofín). Com a 
finalidade de gerar o universo, Olodumare criou rochas em chamas que ardiam por 
muitos séculos até que, Ele lançou sobre elass seu halito divino, “sopro” que se 
converteu em água, produzindo vapor grandes nebulosas que existem no espaço. E 
um processo de resfriamento ocorreu, naquelas regiões onde antes existia muito 
calor, agora se formavam grandes oceanos, sugindo assim grandes rios e lagos. 
E de la nasceram todas Yemayás e todas Ochun. Ao apagar o fogo das rochas o 
mundo tornou-se. Olodumare então criou Agayu, o Sol, e quando ele reclama de ter 
 
23 ELIADE, Mircea.Mito e Realidade. São Paulo: Perpectiva, 1972. 
73 
 
trabalhado o dia inteiro, Olodumare cria para o substituir a noite, Nana Burucú, a lua. 
Passando algum tempo (alguns dias, de acordo com algumas versões do mito, ou 
milhares de anos, de acordo com os outros mitos). 
As cinzas das rochas se acumulam nas partes mais altas formando as montanhas 
(Oké Oké), que fazem que os furacões o respeitem. O resto se torna uma massa 
lamacenta, podre e fétida, originando muitas epidemias. Aí nasce Obaluaiyê, 
conhecido como São Lazaro. 
 Os orixás acostumaram a ir até esta região usando enormes teias de aranha, para 
não pisar no solo, até o fim deste período. O solo tornou-se uma massa sólida e fértil 
onde começava a surgir ervas e plantas, assim nasce Osain. Muitas pedras do 
primeiro período não se apagaram totalmente, acabaram enterradas sob as 
montanhas. Ate que um dia exploridam, jogando muita massa vulcânica para fora, 
junto da qual nascia Ogum, deus do ferro, metais, guerra. ( Em algumas versões 
dizem qeu nestas explosões tambem nasceu Agayu, o Sol) Muitas vezes, esses mitos 
terminam salientando a caracterisca criacionista de Olodumare fez tudo: o céu, terra, 
sol, lua, estrelas, dia, noite, mares, rios, lagos, plantas, animais ... Absolutamente tudo. 
Em outras versões, depois de dividir o mundo parte elevada e uma inferior e 
pantanosa, Olodumare entregou Obatalá um punhado de terra seca, contida na 
concha de um caracol, juntamente com uma pomba e uma galinha de cinco dedos. 
Procurando um lugar para começar a criar um terreno sólido, Obatalá escolhe Ife. (Há 
a cidade de Ile-Ife é fundada, berço da humanidade, e considerada a Roma da 
tradição Lucumí. O Oricha irriga a terra que ganhou de Deus com ajuda pombo e da 
galinha até que desapareça quase por completo o pântano. Este trabalho durou 
quatro dias, o quinto foi dedicado ao descanso e ao louvor de Olodumare. Em uma 
segunda viagem ao planeta, Obatala traz as plantas, animais e um grupo de seres 
humanos criados pelo Supremo Criador. 
 
B - MITOS TEOGONICOS 
 
 Na Santeria a teogônia é confundida com a cosmogonia, muitas divindades 
antropomórficas (Orishas) nascem de seus fenômenos naturais que estão associados 
com o que eles possuem, por exemplo: Yemaya é a divindade regente do mar, ochun 
dos rios, Obaluaiyê as doenças e a cura delas, Osain o senhor das ervas dentre 
outros. Obatalá Orichanlá, é o mais importante Oricha Lucumí, por ser filho direto de 
Olodumare, que lhe deu a vida para ajudá-lo em sua obra criacionista, para em 
seguida, governar o mundo em seu nome. Outras divindades, no entanto, tem raízes 
históricas. Como sabemos por exemplo Chango é o lendário quarto rei de Oyo 
(Nigéria), cuja vida é relatada em sua terra natal com muitas lendas, incluindo uma 
que o faz descendente direto de Obatalá e Agallú Solla. 
Por outro lado, em Cuba Oya é a deusa das tempestades e dos fortes que a 
principiam ventos que acompanhá-los, e em vez de ser a primeira esposa de Xangô, 
como na África, é somente a segunda. Sua origem histórica e lendária é indiscutível. 
74 
 
De acordo com os inumeros patakíes dedicados a Eleggua este era originalmente um 
príncipe, filho de Oba Okuboro filho e sua esposa Echu Añagui. Orixá Oko, o deus da 
agricultura, fertilidade da terra e patrono dos camponeses, foi contratado pelo próprio 
Obatalá para cuidar dele seus inhames. 
Um dos Patakis conta que Babalu Aye (São Lazaro), seguindo os conselhos de 
Chango, mudou-se para Dahomey onde o povo aceitou-o como rei, o que p~eo em 
evidencia a sua procedencia histórica. Ochosi, o deus dos caçadores, antes de ganhar 
este titulo de Olofi, era um perito na arte de caça. Ifa parece ter sido em vida, um 
famoso advinho que nasceu e viveu em Ifa, e que no momento da morte foi deificado 
e identificado com Orumila, o deus dos oráculos. 
A Regla de Ocha, explica através de suas construções mitológicas os poderes que 
possuem cada um dos orixás. Vários patakíes revelam como o Olodumare os 
concedeu. Em dos mitos mais conhecidos do assunto se explica que assim que 
criado Oké (a primeira montanha) ou a montanha original: uma espécie de Monte 
Olimpo Lucumi surgiu. Olorun sentou-se na parte superior sob uma palmeira, e a todos 
os deuses la moraram abaixo dele, a cada um foi atribuído uma função e uma 
parcela da realidade. Elas foram bem distribuídas entre eles os elementos e reinos da 
natureza, na forma específica que vemos em varios mitos. 
C – MITOS ANTROPOGONICOS 
Um patakí, muito pouco sincretizado (e provavelmente a versão mais aceita pelos 
seguidores da Regla de Ocha), explica como Olodumare confiou a Obatalá a criação 
da espécie humana e fabricando os seres humanos como um escultor que molda 
seus bonecos atravez de um modelo matriz . Depois de concluídos, estes corpos se 
moviam, andanvam mecanicamente, quase que de maneira inconsciente e insensível, 
sem entendimento. Olodumare então atravez do sopro divino, soprou-lhessuas 
cabeças colocando parte de sua divindade nelas. Uma segunda versão garante que 
Olorun foi ajudado nesta parte por Oduduwa (o princípio feminino, e a mãe da nação 
iorubá) e um irmão seu chamado Ibaibo. 
Este último modelo, uma cabeça que inicialmente, tinha um olho e depois passou a 
ter os dois. Quando Olodumare soprou e sua respiração criou o coração humano, 
disse Oduduwa: "Este é o meu filho. "A terceira variante cita que outro irmão Obatalá 
chamado Obalufún, dono da Palavra, foi o homem que colocou sobre na língua 
humana o dom da fala. 
Algumas variantes destes mitos criacionistas em Cuba mostram uma óbvia 
semelhança de caráter sincrético. Sob a forte influência do dogma católico,Olodumare, 
Olorun e Olofi se tornam algo muito parecido com as três pessoas da Santissima 
Trindade: uma espécie de "Trindade" da tradição lucumi capaz de dialogar consigo 
mesma depois de concluir a criação do mundo e toda as suas coisas, menos o 
homem. 
 - Eu estava bem? Pergunta então Olodumare, o Criador Supremo (que 
aparentemente, funciona como a primeira pessoa). 
- Sim, você fez algo bem feito, responda as outras duas pessoas. 
75 
 
 - Falta algo mais que fazer? 
 - Há muitos animais grandes e bonitos alem de muitas plantas, mas dentro de toda 
esta criação o grande Criador não é visto... 
Imediatamente um conselho "trinitário" é realizado. E as três pessoas divinas, tomam 
um pouco de argila e formam sua imagem e semelhança uma criatura chamada Omo 
Oba Alle, que Olodumare dota de inteligência, Olorun de destreza e força física e Olofi 
de beleza. Então os três criam algo uno pela primeira vez, diz literalmente um patakí 
sobre o primeiro homem a ocupar a terra. A partir de hoje você será o mestre de tudo 
o que nela existe. Como a nossa vida, a sua será eterna: nunca vai morrer. E todos os 
outros seres da criação terão que lhe render homenagem, "e assim aconteceu”. 
Este ciclo de lendas é muito rico em variedades, nele se mesclam todos os esforços 
cosmogonicos e antropogónicos com as interpretações de caráter sexual. Por 
exemplo, um Pataki é considerado o universo como uma grande arvore composta de 
duas taças: na parte superior resite Obatalá o aspecto masculino,na parte inferior 
reside Oduduwa, do sexo feminino, entre os dois vagam os Egúngún, alma 
dosmortos. Porém, como vimos em Cuba, muitas vezes Oduduwa é considerado como 
um orixa masculino. A importância do princípio feminino na criação do mundo se 
evidencia pelo fato de muitas vezes a tradição religiosa mencionar sobre Oduduwa, o 
par de Obatalá na Genese do mundo. Um pataki argumenta que Obatalá, a caminho 
de executar tarefa criacionista que Olodumare lhe confia, ficoucom muita sede e 
como havia apenas vinho de palma pelo caminho, ele tomou muito, acabou ficando 
bêbado e caindo num sono profundo. Oduduwa foi busca-lo por ordem de Olodumare 
e, vendo que estava totalmente toporizado pela bebida, passou a executar a tarefa 
legítima da criação, criando a terra sólida, o homem e a cidade Sagrada dos iorubás 
e da Santeria Cubana: Ilé-Ifé. 
D – MITOS AXIOLÓGICOS 
Os valores fundamentais da ética religiosa, o conceito de bem e mal, jogar 
representam sem dúvida, um papel-chave na mitologia Lucumí. Como em alguns 
outros casos de tradições extremamente subjugadas e dominadas encontramos uma 
forte influência judaico-cristã , mais "ortodoxo" muito sincretizada e tambem alguns 
mais fiéis às origens africanas. Pertencente ao primeiro grupo encontramos o tema da 
rebelião do primeiro homem (Omo Oba Alle) contra Deus. Sentindo orgulhoso de seu 
poder o Omo Oba Allé começou a pensar: "Olodumare governa o céu, mas aqui na 
terra quem manda e é Deus sou eu". 
Quando o Ser Supremo ouviu estas palavras, perguntou: 
- Quem fala assim com tanta arrogancia no mundo? 
Ao que o homem respondeu: 
- Descubra você mesmo. 
 - Quem é esse insolente? Deus perguntou novamente. 
 - Bem, eu sou. E o que vai fazer? 
76 
 
E então o grande Olodumare chamou o raio (Oya Kariempembe) e despejou toda a 
sua fúria pela terra, com desastrosas consequências. Incendiou-se as florestas, matas, 
bosques, todas árvores e animais tudo se queimou e virou cinzas. O homem a quem 
Olodumare havia concedido a imortalidade, ele sofreu queimaduras graves, mas não 
pereceu. Enfurecido e rebelde se escondeu nas profundezas da terra, e aliainda vive 
com o nome de Olosi, que até hoje, as vezes sai para lutar contra o Ser Supremo, 
arregimentando homens para segui-lo em suas atividades malignas. 
De acordo com outro Pataki Olodumare, se compadeceu com o tempo da desolação 
que estava pela terra, convocou novamente o conselho trinitario e a revitalizou e 
repovoou novamente, ao chegar novamente a re-criação do homem, o "Conselho 
Trinitário" decidiu fazer novamente igual em tudo do primeiro, excepto que agora seria 
mortal. "Tenha corpo como do anterior proclamou Olodumare, mas a partir de agora, 
Olofi, habitará em sua alma: Seu corpo um dia pereça, mas sua alma viverá para 
sempre. Se chamará Sekume e terá uma mulher chamada Mbonwe. "Mbonwe 
Sekume tiveram três filhos,dos quais descende toda a humanidade. 
A outra versão desta lenda é uma das mais lindas histórias da mitologia universal. 
Mercedes Sandoval24 cita em sua obra “religião Afro-Cubana” que, em primeiro lugar 
o homem viveu em um paraíso terrena. É verdade que ocorreram mortes, mas elas 
viram sem dor. As doenças e infortúnios eram desconhecidos, o homem envelhecia 
gentilmente. 
Depois de uma longa vida envelhecia porem, não existia as deficiências físicas 
um profundo desejo de imobilidade e silêncio. Ao fim se fechavam os olhos e uma 
doce escuridão tomava conta de tudo. Neste paraíso e tudo era de todos, portanto, 
não era necessário nenhuma forma de governo. Céu e terra estavam unidos, o mar 
calmo dormia sem furacões e tempestades. Não existiam bruxas, nem plantas 
venenosas, sofrimento ou dor. O rato era amigo do gato e os escorpiões produziam 
mel. Era idêntica as almas da pomba e da hiena. E a feiúra e maldade só chegou 
mais tarde, quando começou o tempo do sofrimento. 
Em um dia não muito bom, a Terra se rebelou contra o céu (ou seja o homem se 
rebelou contra Deus). "Eu sou a base de tudo, sem minha ajuda o céu entrará em 
colapso”. “Tudo sai de mim e volta para mim, o céu deveria me fazer-me 
semideus”.Assim gritava o homem em sua arrogância. 
Até Olorun decidir punir este orgulho, fazendo o céu ficar longe, distante e ameaçador 
no espaço. 
O que se seguiu foi uma imensa catastrofe. Uma densa escuridão caiu sobre tudo. A 
noite trouxe luto, triteza, medo e angústia. E no dia seguintea palavra tinha se tornado 
absurda, incompreensível, incapaz de expressar os sentimentos humanos. 
Como se tudo isso não bastasse, Olodumare derramamou sobre a terra um fogo claro 
e um ardente vendaval, que fez tudo vir abaixo. A agua origem da vida se ausentou 
da terra. As arvores, os animais e o seres humanos morreram em massa. A felicidade 
passou a se esconder nas fendas escuras da memória. 
 
24 SANDOVAL, Mercedes. La Religião Afrocubana.Madri: Miami Ediciones.1975 
77 
 
O sol implacável secava tudo o que ele podia iluminar, fazendo tudo virar um pó inerte 
e sem vida. 
Os poucos homens que sobreviveram a estas pragas eram puros esqueletos. Apenas 
uma árvore se mantinha em pé, forte e vigorosa: O Iroko, a ceiba sempre reverente 
da divindade, cujas raízes estão nas entranhas da terra e cujos ramos se espalharam 
para o alto tocando em sua intimidade o céu. Iroko sofria ao contemplar a crise de 
falta de harmonia, e trato na medida de suas forças prestar ajuda para que a ordem 
se estabelecesse. 
Eles fugiram para se refugiar nos braços de Iroko os mortos e os vivos, para 
proteger-se sedentos e ressecados dos raios do Sol. Iroko contou-lhes um segredo 
que residia em suas raízes, e assim os homens reconheceram o tamanho de sua 
ofensa, e se resignaram perante Olorun e purificaram-se aos pés de seu protetor. 
Em seguida foram atraz do primeiro sacrifício e buscaram entre eles o mensageiro 
para encaminhar suas oferendas aqueles Deus, tão implacável. Montaram a oferenda 
e Eu tento. Então Ara kolé o abutre conhecido tambem como devorador de cadáveres, 
viaja em voo, incansável por dias e noites, finalmente chegando do outro lado do 
infinito. Chegando la ele voou mais alto ainda, colocando as ofertas e pedindo a 
misericórdia diante do “Supremo Criador ", disse: - Os filhos da terra te pedem perdão 
sabem que são seus escravos. Do fundo do coração eles lhes imploram misericórdia. 
De uma chance ó Senhor. 
De acordo com o a Obra de Cros Sandoval, de onde foi tirado este mito maravilhoso, o 
céu após ouvir ouvir esta suplica olhou para o chão, e enchergou a sua morte. E 
vendo que estava sendo reverenciado zelosamente, ele aceitou a oferenda e 
concedeu seu perdão. Então as águas começaram a cair do abismo formando 
cachoeiras enormes sobre os humanos sedentos. Um verdadeiro dilúvio caiu sobre a 
terra quase afogando Ara-Kole em sua viagem de retorno. 
Quando parecia que um novo desastre estava pairando sobre a a terra, as águas 
foram armazanadas em um grande lago. Iroko assim salvou as criaturas terrestres. A 
terra se hidratou e acalmou sua sede, com isso começou a se reproduzir de novo, 
cobrindo suas terras secas e mortas por novos terrenos verdejantes. Tudo foi 
renovado. Porem o ser humano nunca mais conheceu a verdadeira felicidade de sua 
época paradisíaca. O céu (leia Olodumare), cansado da ingratidão do mundo que ele 
tinha criado sem lhe prestar nenhuma homenagem afeto, atenção, carinho ou 
cuidado, partiu em profunda indiferença com o mundo e as coisas humanas. 
Este mito é muito rico em ideias e interpretações. O fundamental aqui é a explicação a 
explicação da origem do mal no mundo, e suas implicações para condição humana. 
Mas esse este assunto aparece vários outros mitos até de outras culturas sendo eles 
sistemas mitológicos puramente ou religiosos. Já fizemos referências à Santíssima 
Trindade, além disso, encontramos alusões a rebelião humana contra Deus, em 
seguida com a perca do paraíso terrestre, o diluvio universal a compaixão do Criador 
para sua criatura, a descendencia da espécie humana a partir de 3 filhos de um casal 
original etc. Alguns destes elementos podemter sido cópias de uma forma mais ou 
menos pura de cristianismo, mas outros têm uma raiz obviamente totalmente africana. 
78 
 
Um exemplo muito claro é o mito da “Grande Seca”, o fogo acaba consulmindo e 
transformando o mundo num grande deserto (realidade geofísica presente na África 
de ontem e hoje). A mitologia Lucumí se renova constantemente, como pode ser 
verificada através da comparação de algumas versões de seus mitos que circulam na 
América do Norte, atravez de Santeiros de Cuba e do Caribe e suas fontes originais 
do continente Africano. 
E – MITOS SOBRE O VALOR RELIGIOSO 
Os Patakíes de maior numero são aqueles que relacionam de uma maneira ou de 
outra,a importância decisiva da religião na vida dos indivíduos e da comunidade. 
Estado e religião neste sistema estão intimamente ligados. E por vezes, em 
momentos críticos, por exemplo em casos de guerra, o segundo é o fundamento para 
a preservação do primeiro. Segundo um mito, os Lucumis declararam guerra contra 
os Congos. Idebe foi chamado para liderar as tropas. A primeira coisa que ele fez foi 
dirigir-se para a casa de Orula e pedir seus conselhos e ele ordenou-lhes que antes de 
lutar fizessem um Ebó com três carretéis e três garrafas de OTI (aguardente) e 
depois colocasse este frente do exercito Lucumí, e antes da guerra este deveria 
tocar suas bateria e cornetas. Assim os Lucumis fizeram antes de sair para a 
batalha. 
Os Congos, que adoravam dançar ao ouvirem as baterias e cornetas começaram logo 
a bailar. Idebe os convidou a tomar a aguardente, eles logo ficaram bêbados, e 
cansados e logo os Congos foram derrotados. (essa luta entre Lucumies e os Congos 
é um reflexo do corpo mitológico da concorrência que sempre existiu e existirá em 
Cuba e no seu exílio, entre as tradições de Ocha e Palo Monte ou Mayombe). 
Com uma riqueza extraordinaria e abundante de patakíes, falando sobre a punição 
para os malvados, pessoas que ignoram a voz dos orixás e que se recusam a fazer 
ebó quando orientados. Poderíamos citar centenas deles, mas vamos usar 2 como 
exemplo. Olofi queria realizar uma festa, para realiza-la precisaria de muitos peixes. 
Orula tinha advertido os peixes que fizeram um ebó que fazer para se proteger. 
Os peixes pequenos não obedeceram. Quando Olofi começou a jogar sua sarrafa 
para pegar os peixes, todos os peixes pequenos foram capturados, menos os 
maiores pois tinham feito o Ebó conforme solicitado. E assim eles se salvaram. 
Em outro mito, talvez o mais dramático deles, um Babalao levantou a bandeira 
vermelha de Chango quase na mesma altura da bandeira do Rei. Quando ele lhe 
perguntou com muita raiva por que ele tinha feito isso, o Babalaô respondeu: " Um 
Deus devia adivinhar." "Pois adivinhe", disse o Rei. 
Materialmente falando o reino está indo bem, mas havia uma grande lacuna espiritual. 
Existia uma grande sombra que oprimia a alma de todo o reino ... 
O que se passou com a espiritualidade virá como uma forma de punição implacável. A 
colera enrijecia o rosto de Sua Majestade, pois ninguém nunca se atreveu a falar 
desse modo com as divindades. O rei tinha uma filha muito mimada, que vivia 
sozinha em todas as horas do dia e da noite. Ao passa pela prisão ela viu o Babalaô 
79 
 
preso, envolto de seu grande casaco vermelho, e disse: "Que capa tão bonita poderia 
me dar? 
- Aqui disse o babalao leve-, vou ser executado pela manhã, ela não me será util. 
 A menina levou a peça de roupa, achou linda e a vestiu. E o babalao aguradou. Os 
guardas, confusos acreditando que o Babalao ia escapar mataram-na. O começou a 
procurar sua filha por todo o palacio e ao saber do ocorrido desabou de dor e tristesa. 
O povo então aclamou que a justiça fosse feita, o rei com a alma destruida, retirou o 
Babalao do Carcere, adimitindo seu erro sobre a arte da advinhação, e autorizou em 
respeito as divindades e em especial a Chango, que a bandeira de Chango ficasse 
mais alta que a bandeira do Palacio e do Reino. 
 
REGLAS CONGAS 
Os negros em Cuba e na região do Caribe, conhecidos como Congos, pertencem a 
uma grande área da África Ocidental. Compreendida desde o sul dos Camarões até a 
parte sul de Angola incluindo a área de Moçambique, na costa sudeste da África. Entre 
os povos que encontramos nesta região Kongo ou Bakongo, cuja lingua falada é o 
Kikongo - formaram a base, do sistema religioso conhecido como Regla Conga. 
Com suas crenças e práticas religiosas influenciando decisivamente na formação 
Regras Congas cubanas e caribenhas. O que parece ter acontecido é uma mistura da 
cultura Kongo e a tudo a ela relacionada se incorporando nas tradições do Novo 
Mundo com seus elementos próprios comuns e o mais importante, da cultura Bantu, 
para si mesma. Devemos lembrar que em Cuba é chamado Congo para todo Bantu25, 
por exemplo. 
Chegando em Cuba, os negros congos bugio se encontram em cidades, campos e 
barracões com outros negros de diferentes etnia, religião e língua. Por exemplo, 
coexistiram com os numerososLucumis (Yoruba) que, entre outras coisas, tinham um 
sistema religioso bem diferente. A religião conga, no início, foi influenciada pela Regla 
de Ocha e práticas católicas. O processo de sincretismo é compreensível: as religiões 
lucumi e conga, longe de serem contraditórios, são complementares perfeitamente. 
Na Regla de Ocha se enfatiza o culto das divindades ou Orixás e, embora usem 
magia, o resultado dela esta sujeita a vontade incontrolável dos deuses. 
As regras Congas carecem de um panteão de divindades complexa, mas tem um 
ampla e mullifacetado sistema de magia que, de acordo com suas crenças, é 
extremamente eficaz e adequada, que segundo suas crenças procedem diretamente 
de Nsambi, de Deus bastando-se por si só. 
 
25 Aqui é usado o termo Congo para se referir a cultura conga em sua forma original, quando você fala 
de grupos Bantu em Cuba,tem que se lembrar que seu tronco etnico, faz parte outros grupos étnicos 
numerosos: Angunga (Reais Congos),Angola, Bakongo, Benguela, Biyumba, Kasambo, Kimbisa, kinfuiti, 
Loango, Mayombe, Mbaka, Mandongo, Muluanda, Mundembu, Musabela, Nbanda; Ngola,Oriyumba, 
Quisama, Songo, etc. 
80 
 
Os congo adotam como seus os Orichas Lucumies e lhes da nomes em espanhóis. 
Os fiéis Lucumies, por sua vez, embora teoricamente devem manter-se separados 
das práticas congas muitas vezes recorrem a elas em caso de necessidade, e não é 
estranho que um sacerdote congo se inicie na Regla Ocha mais tarde. 
Quando me refiro a Regla de Ocha, falo no singular, pois ela é uma só em todo 
Caribe. Quando falo das tradições dos Congos, no entanto, precisamos usar o plural, 
porque há vários ramos dentro do mesmo grupo etnico e religioso, tais como: a Regla 
de Palo Monte, Regla Kimbisa, Regla Biyumba, Regla Musunde e Regla Brillumba. 
Agora vamos Examinar de maneira resumida as características Gerais dos sistemas 
Congos: seus deuses, seu sistema mágico, o seu sacerdócio e ritual. 
 
AS DIVINDADES CONGOS 
Assim como os Lucumi, bugio os Congos creditam em um Deus supremo, onipotente 
e onisciente, mas este Deus não aceita culto especial. Seu nome Congo na Africa é 
Nzambi Mpungu. Em Cuba é conhecida como Nsambi, Nsambi Mpungu ou Sambi 
Sambia. Cipriano Patricio26, grande autor angolano, diz em sua obra que o conceito de 
Nsambi entre Africano Congos foi provavelmente influenciado pela pregação de 
missionários cristãos, particularmente Católicos que foram para a África, mesmo antes 
de se estabelecer o tráfico escravos. 
No século XV, os portugueses exploraram as costas ocidentais da África, 
estabelecendo missões naCosta do Ouro, região da desembocadura do rio Congo. 
Em 1491, um ano antes de Colombo descobrir a América, o rei Kongo Nzinga para 
Knuwu se converteu ao catolicismo e foi batizado com o nome João l, seu filho, Nzinga 
Mbemba, adotou o nome Cristão de Afonso. A capital do reino, Mbanza Kongo, foi 
dado o nome de São Salvador. 
Apesar das conquistas cristãs nas missões, os cristãos não foram muito bem 
sucedidos a longo prazo, alguns vestigios cristãos permaneceram em alguns grupos 
nativos. 
Isto explica, por exemplo a desintegração do reino Bakongo em 1702, coincididindo 
com o surgimento de um movimento religioso nativista sob a proteção de São Antonio. 
Então, no século XIX, grupos católicos e protestantes renovaram seus esforços para 
pregar o evangelho naquela região. Assim podemos dizer que o primeiro contato das 
tradições congas com a religião cristã não ocorreu no Novo Mundo, mas sim no 
continente Africano. Os escravos Congos que chegaram ao Caribe e a Cuba já 
chegaram "tocados" pelo cristianismo. 
Nsambi é o primeiro e antes de tudo o Supremo Criador. De sua mão vem tudo o que 
existe ou existirá. Lydia Cabrera diz: "É um trabalho Zambi tudo dese o mais pequeno 
a maior da criaturas, do mais difícil ao mais suave, e o que não se pode agarrar, ar, 
fogo, pensamento. Tudo o que está aqui na terra, mar, rios, montanhas, árvores, 
 
26 BATSÎKAMA, Patrício Cipriano. AS ORIGENS DO REINO KÔNGO. Mayamba Editora, Angola, 2010. 
81 
 
ervas, animais, insetos, e lá em cima o céu, o sol, as nuvens, a lua, as estrelas. Tudo 
o que é, e o que não é conhecido, foi obra de Nzambi." 
Ao contrário de Olódùmarè, que confiou a criação do corpo humano a Obatalá, o 
primeiro casal, homem e mulher que vem diretamente das mãos de Zambi, que 
também lhes ensinou a se reproduzirem, a alimentar-se, a praticar mágia prática tanto 
boa como má. "Zambi preparou a menga (o sangue) que corre nas veias e move o 
corpos, deu-lhes vida nkutu soprando no seu ouvidoa inteligencia para compreender. 
As tradições congas consideram o homem como um ser dual, composta por uma 
identidade externa e outra interna. * O corpo externo, por sua vez, consiste em uma 
concha ou envoltório (vuvudi) que apodrecerá após a morte, e uma força invisível que 
pode ser destruída pela mágica de feiticeiros, os bandoki. 
O homem interior, que é o próprio ser humano consiste em Nsala e mooyo. Nsala a 
alma ou princípio vital, associado frequentemente a respiração e a alimentação, se 
encontra presente em todo o corpo, exceto nas unhas e no cabelo. O Mooyo, por sua 
vez, é a parte do homem que precisa da energia alimentar para sobreviver. 
A vida reside principalmente no coração, embora ela esteja em todo o corpo. Mas a 
Nsala (alma) e a sombra pode viver em qualquer lugar: em uma casa em um 
calderão, no mato ou em rios. Esses locais são favoritos dos mortos para guardar suas 
almas, porque quando alguém morre primeiro Nsala desaparece e apenas o mantém 
o involucro corporal. 
Em Cuba estas tradições se sincretizam com o catolicismo e com o espiritismo 
(principalmente este último) para produzir uma concepção original e próprio da 
natureza humana e suas relações com o universo e com Deus. Para as Reglas de 
Palo Monte ou Mayombe, os homens (ou Bantus) são "seres compostos". Eles têm 
uma vida ou materiais biológicos compostos do corpo (Nitu-Bantu) e uma "Sombra não 
inteligente" o (nkawama-Bantu), que projeta o corpo para receber a luz. 
Eles também têm uma vida espiritual cujo o centro é o “nfuiri”, ou espírito vivificante, 
que os tres elementos fundamentais são integrados: uma "sombra inteligente" 
(nkawama-NTU), uma inteligência (NTU) e do dom da palavra e da personalidade 
(Ndinga). Quando o homem morre, seu “nitu-bantu” se corrompe rapidamente, mas 
seu espírito passa por uma transformação torna-se um “nfuiri-htoto”, que consiste na 
nfuiri original e “nkawamar-ntu”, o “ntu” e o “ndinga”. Quando este espírito morto é o 
de um antepassado, então chamado “kinyula-nfuirintoto”. 
O nkawama-ntu ou "sombra inteligente" ( também chamado de "corpo astral ") é uma 
força espiritual ou fluido que rodeia o corpo e tem o capacidade de entrar e sair do 
indivíduo, como, por exemplo, durante os sonhos. De certa forma, esta força é o laço 
que une os elementos humano e espiritual, material Bantu. 
Enquanto isso, a “Ntu” dota o homem com sua inteligência, racionalidade, e 
capacidade volitiva. E muito proximo desta força, embora diferenciando-se clarámente 
dela é o Ndinga, que representa o dom da palavra que o homem compartilha com os 
espíritos dos mortos e os deuses. A morte não priva o espírito de sua inteligência ou 
sua vontade através do seu “Ntu” ou o seu dom da palavra, graças à sua “Ndinga” ou 
82 
 
a sua capacidade para se deslocar de uma realidade a outra realidade, graças à ação 
do “nkawamantu” que o rodeia. O nfuiri-Ntoto, o espírito falecido, mantém todos os 
poderes possuídos na vida sabe, pensa, sente, quer, fala e pode subir e descer todos 
os níveis ou "planos" de existência. 
Na verdade, “ngangulero” ou “paleiros”) (isto é, iniciados nas Reglas Congas) 
acreditam que o homem não convive só os mortos, mas também com os mpungus ou 
"santos" (equivalente aos Orixas Lucumies) todas essas forças espirituais da quais 
temos citados. A diferença é de grau. Um “nfuiri-ntoto” tem mais força do que um 
Bantu, ou seja: um morto é mais poderoso que um homem vivo. E uma fonte de 
Mpungu é sempre mais poderoso que um espírito falecido. Mas entre todos eles 
existe forte vínculo de correspondência, ou seja de comunicação. 
 
 Como cita o autor afro-espanhol Nicolas Ngou27: A partir dessa idéia, os nganguleros 
estabelecem relações de reciprocidade com o Bantu e Mpungu, e entre os bantos e 
nfuiri-ntoto, provocando o crescimento das forças dos mesmos (através de orações e 
sacrifícios); No entanto, em contrapartida, os mpungu e nfuiri-Ntoto acumulam as 
forças dos bantu a suas proprias forças, assim oferecendo uma maior proteção. Deste 
modo aqui podemos falar de crescimento mútuo. É claro que, acima de todos paira a 
Suprema Força e Grandeza, de maneira distante mas o seu grande criador Nzambi ou 
Sambia, quer dizer o unico Deus. 
Nsambi vive no céu e quando se escuto o trovão dizem qeue ele esta falando. Como 
Olodumare, é um deus ocioso, um deus "aposentado", mas a partir de sua casa ele 
governa absolutamente tudo o que existe. explica um autor que se apresenta como 
“Guangueiro”28: "Outra característica comum com o Criador Lucumí, Nzambi, após a 
conclusão de seu trabalho imensurável, “se afastou do mundo." Não queria que suas 
criaturas o importunassem e se foi ao mais alto céu, onde ninguém pudesse encontrá-
lo. Então, cortou todas as comunicações entre o céu e a terra, e definir a distância 
infinita que agora os separa. 
Distante e desprendido de sua criação como Olodumare, só aparentemente alheio a 
ela, Nzambi continuou a governar tudo desde o mais insignificante, "o ar não se atreve 
a mover uma folha, ou voar uma mosca, ou acontece alguma aqui ou nas kimbambas 
sem ele não permita ". É incompreensível, inacessível e invisível, "porque ninguém o 
viu desde que se aposentou '; Ele ve tudo, e como diz o ditado congo, "percebe uma 
formiga à noite" e não remove os olhos de nós. Ele conhece todos os nossos 
segredos. 
Como acabamos de observar, na África ou no Caribe, o Deus supremo dos congos é 
objeto de culto especial, não se faz sacrificio a Ele: Nsambi "não come". 
Mas ele é chamado com respeito lhe saúdam e pedem sua proteção. Com efeito, o 
suposto distanciamento de Nsambi está longe de ser absoluto. As Reglas CongasCubanas e Caribenhas veem seu Deus como uma garantia final da ordem e da vida na 
 
27 NGOU-MVE, NICOLAS. EL AFRICA BANTU EN LA COLONIZACION DE MEXICO, Ed: CSIC - Espanha:1994 
28 Guangueiro, El. El Oficio Congo: La Religião de Palo Monte Encunia Lemba São Enfinda Cunan Finda. 
Ed. Palibrio Cuba: 2012 
83 
 
natureza. E eles estão convencidos de que, sem Nzambi seriam ameaçados 
continuamente pelas forças do mal, Nzambi intervem e garanti o pleno equilíbrio. O 
Deus Congo permite que a luta entre o bem e o “mal “no universo, mas não o domínio 
do segundo sobre o primeiro”. Nsambi é, portanto, o Salvador Divino a Divina 
Providencia o ultimo recurso, que pode ser acessado em caso de desastre iminente. 
A vida cotidiana de um ngangulero ( praticante das Reglas Congas), é um debate 
constantemente entre as forças do bem e do mal, a vida e a morte. Para entender os 
dramas da vida, recorrse-se aos mpungos seus espíritos, ou seja, o sistema religioso 
criado por Nsambi quando ele resolve se distanciar do mundo. Mas às vezes acontece 
deste sistema falhar: ele é incapaz de resolver certas contradições. 
Então recorre-se a Nzambi. Como diz Guillermo Calleja Leal: "O nganguleros muitas 
vezes invocam o nome de Nsambi, apesar de seu afastamento, talvez como uma 
maneira de atender ou intervir nas falhas ou deficiencias do sistema religioso ... 
Devemos lembrar que, para nganguleros, a função de Nsambi como senhor do destino 
é importante, porque a doença, ou qualquer cataclismo natural que não pode ser 
explicado acaba muitas vezes atribuído ao "Mpungu" a feitiçaria ou bruxaria, tambem 
são consideradas ferramentas vindas de Deus, e para o ngangulero tudo que vem de 
Nsambi, deve ser encarado como natural. 
Os ditados congo sobre Deus dizem: "Nsambi para cima, para baixo Nsambi Nsambi 
as quatro direções", movidos pelo sincretismo crsitão os praticantes das reglas 
congas tendem a interpretar isso como uma indicação da trindade divina. E assim 
"Nsambi acima" é Nsambi-nsulu ou o Deus do céu. "Nsambi abaixo" é Nsambi-Ntoto 
ou o Deus da Terra. E" Nsambi nos quatro cantos corresponde a Nsambi-nsasi ou o 
Deus do Universo, isto é, o Deus que esta em todas as partes. Isto seria as três 
manifestações do único Deus verdadeiro. 
Nsambi é o Senhor da vida e da morte. Os Congos, acreditam que os homens morrem 
como punição ou desobediência, e na região do Congo na Africa: encontramos 
diferentes versões do mito que explica a origem da morte: “O primeiro casal criado 
diretamente por Nsambi, tinha um filho e logo ele morreu. Nsambi disse-lhes para 
fazer um caixão e proibiu-os de olhar para ele novamente. A mulher, impulsionada 
pela dor, desobedeceu à ordem e abriu o caixão. E para sua surpresa viu que a 
criança tinha voltado à vida e estava num processo de mudança de sua pele! Pouco 
depois a criança voltou a morrer e Nzambi, desceu dos céus e condenou a mãe: A 
partir de agora vocês estão condenados a morrer. Se não tivessem ignorado minha 
ordem, ninguem teria morrido, somente mudariam sua pele como uma cobra". Este 
mito enfatiza a importância de respeitar os tabus divinos. 
Lydia Cabrera faz o seguinte comentário sobre a importância de uma boa morte: "... 
Os mais velhos sempre pedem (a Nzambi) uma boa morte. Igual se pedem os 
brancos ao seu Deus, que no caso é o mesmo Deus .. seja lá como é chamado, 
“Sambiampunga” ou Santo Cristo ... Maso sinal disto esta estampado no próprio morto 
com seus sinais, um defundo com a boca torcida e olhos abertos e e cara 
fantasmagórica, precisa de ritos apropriados senão como dizem as tradições locais, 
será mal enterrado o que é o pior. "" Estas lendas Creoles reproduzem com precisão 
o conceito da morte de seus antepassados africanos. 
84 
 
Que a morte como fruto de feitiçaria (Ndoki) é lenta e agonizante, atemoriza e 
surpreende o indivíduo, que morre com os olhos abertos e semblante de panico. A 
morte natural, pelo contrario, traz um sempblante pacífico e sereno. Traz a imagem de 
como se a pessoa estivesse deitada apenas dormindo. A Isso é chamado de "morte 
em Nsambi". 
Nsambi finalmente cumpre a função de juiz. Tanto na terra como no pós morte "... 
Castiga os malvados, reprova a traição, as faltas cometidas contra os mais velhos 
idosos, e nos leva ao encontro de Olodumara apresentando as nossas boas e más 
ações." Na cultura Kongo o mundo é considerado dividido em duas partes : a terra dos 
vivos (NIOTO) e a terra dos mortos (Mpemba), separados pelo mar (Kalunga). Em 
Mpemba a vida continua, embora de uma forma diferente. Aqueles que foram bons, 
compassivo, e cumpridores da lei, aqueles que têm ajudado os membros da sua 
família e, particularmente, os órfãos são recebidos na porta por seus familiares e 
compatriotas com grande alegria e comemorações. 
Aqueles que foram pessoas ruins e egoístas que tiverem violado os regulamentos 
divinos, e desrespeitado os mais velhos, nada os aguardará do outro lado nenhuma 
pessoa e viverão num eterno deserto. No outro o mal continua e igual, uma vez que 
não há arrependimento, esses espíritos malignos costumam voltar à Terra para 
causar sofrimento. Os justos e evoluidos entretanto, também visitam suas antigas 
moradas, e eles fazem isso principalmente para proteger seus entes queridos. 
Como podemos ver, seria incorreto dizer que as Reglas Congas carecem de princípios 
éticos. Como veremos adiante, nelas conseguimos distinguir as operações mágicas 
que procuram o bem em detrimento de ações magicas negativas. 
O principal dever de um congo é a sua casa e o seu povo. Os de fora são 
considerados "estrangeiros", é permitido enganar e roubar-lhes, desde que a vítima 
nãoseja de seu povoado e a ação não seja para benefício próprio mas sim coletivo. 
Mas se ele atacar um vizinho, no entanto, é condenado e será severamente punido, 
tanto aqui como no outro mundo. O que carece de ética é a dimensão universal, mas 
é muito rigorosa dentro dos limites do próprio grupo, e com precisão reflete a 
organização social dos Bakongo, caracterizada por uma extrema fragmentação: 
Cada vila é considerado independente das aldeias vizinhas e quase nada resta do 
antigo reino Kongo, O trafico de escravos resultou em um problema para todos os 
escravos, pois os negros de origem congos eram particularmente muito violentos até 
com os próprios negros, sua tradição de culto aos antepassados e apego ao grupo 
local parecia abruptamente interrompido. Mas de qualquer maneira, muitos elementos 
dos cultos ancestrais e sua tabela de valores foram preservados do outro lado do 
oceano. 
É inegável que a prática, sem dúvida, "ortodoxo" e bastante frequente de magia 
negativa ( que patrocina sentimentos desprezíveis de inveja, vingança e ódio) 
contradiz o conceito de uma "ética conga" que escrevemos. Nenhuma religião é imune 
ao paradoxo doutrinal e prático. Além disso, este processo torna-se transculturativo, 
primeiro na Africa depois no Caribe, tendo servido para ser criar nos fieis uma imagem 
cada vez mais aceitável de "Mayombe mal" para convertendo-se muitas vezes num 
dilema religioso embaraçoso e com práticas vingativas e severas. 
85 
 
É usada algumas praticas aos olhos da modernidade com intenso peso de 
consciência. Não se parece que as Reglas Congas, possuem originalmente um 
panteão coerente com suas divindades, diferente do padrão Lucumis, pela simples 
razão de que também, pouco fazem parte do sistema religioso Bakongo. 
Depois Nsambi, os adeptos de Regla Conga adoram as almas dos antepassados, os 
mortos e os espíritos da natureza, que habitavam as árvores, os rios, as montanhas e 
vales. A divindade da agua se chamaNkita-Kunamasa, a divindade que habita os rios 
ou lagos, Mburi, aquela que habita o mar e desliza pelo fundo das aguas Nkisi 
Mboma a divindade dos pantanos: Dinganga a divindade que habita as montanhas: 
Kindindi, a divindade ancestral: Kinyula Nfuiri-Ntoto, o espirito protetor: Ndundu. E o 
fantasma ou espectro maligno. Musanga. Também tem cultuado no Caribe e em suas 
ilhas uma categoria chamada de Basimbi (Simbi ou Yimbi em Cuba), seres humanos 
que após morrerem seus espiritos seu espíritos se tornam divindas da agua e da 
terra. 
E tanto no caribe como na África, um Nkuyu é um espírito mau que não permanece 
no Mpemba, o mundo dos mortos, mas perambula pela terra onde comete todos os 
tipos de crimes, uma espécie de "Eleggua congo" cita Lydia Cabrera: “quem anda 
pela selva é pequeno, e esta caminhando a chorar como se fosse uma criança." 
Apesar desta surpreendente fidelidade as suas tradições religiosas Bakongas, não 
podemos esquecer que: em Cuba e em todo Caribe, os escravos de origem Bantu 
viveram em convivência íntima junto a outros grupos étnicos, particularmente os 
odiados Iorubas ou Lucumies, e este contato, juntamente com a excelencia da magia 
conga e a força de suas entidades espirituais, mudanças significativas foram 
promovidas na construção das Reglas de origem Bantu. Elas, conservaram partes do 
Kikongo onde Mpungu se refere ao Supremo, para designar certos espíritos mais 
elevados, sincretizados com as Lucumis e algumas figuras de santos católicos. Como 
resultado deste processo, a quase totalidade o Mpungu ou Mpungos tem nomes 
espanhóis, bem como os Lucumis possuem seus equivalentes católicos. 
OS KIMPUGULO – AS DIVINDADES CONGOLESAS 
NOMES CONGOS-
ESPANHOL 
EQUIVALENCIA LUCUMI EQUIVALENCIA 
CATÓLICO 
 
NSASI – SIETE 
RAIOS 
CHANGÓ SANTA BARBARA 
TATA KAÑEÑE, 
TATA FUMBE, 
BABALU AYE SÃO LAZARO 
KARIEMPEMBE, 
MARIWANGA, 
CENTELLA 
OYA VIRGEM DA CANDELÁRIA 
MAMA KENGE, 
TIEMBLA-TERRA 
OBATALA NOSSA SENHORA DAS 
MERCEDES 
BALUANDÉ, MA 
KALUNGA, MADRE 
DE AGUA 
YEMAYA VIRGEM DE REGLA 
CHOLA WENGUE, 
CHOLA NWENGUE, 
MAMA CHOLA, 
SIETE RIOS 
OCHUN VIRGEM DO COBRE 
86 
 
SARABANDA OGUN SÃO PEDRO 
NKUYO 
WATARIAMBA 
OCHOSI SÃO NORBERTO 
NSAMBI 
MUNALEMBE, 
TONDE, QUATRO 
VIENTOS 
IFA, ORULA SÃO FRANCISCO DE 
ASSIS 
NKUYU NFINDA, 
LUCERO MUNDO 
ELEGUA MENINO JESUS DE 
ATOCHA, MENINO JESUS 
DE PRAGA, SANTO 
ANTONIO DE PADUA 
 
 
Normalmente, cada Mpungo tem suas características ou atributos muito semelhantes 
ao Orixa a ele equivalente. Mama Terra treme Kengue ou (Obatalá), a figura mais 
poderosa e influente de todos os santos, tanto para Lucumis como para os Congos, é 
andrógino. Sua cor é branca (para Tiempla Terra branco e vermelho, mesmo com uma 
predominância de branco) e se apresenta ja em estado avançado de velhice. 
 Nsasi ou Sete Raios (Chango) representa os trovões e relâmpagos. A sua cor 
vermelha, e é representado como um jovem forte, viril, arrogante, violento, gostava de 
dançar e de caçar. 
Chola Wengue, ou Mama Chola ou Sete Rios (Oxum) é o dona das águas doces e da 
doçura do mel de abelha e patrona do amor.É a verdadeira Afrodite do panteão afro-
cubano. Sua cor é o amarelo e é representada por uma mulata, bonita, sensual e 
encantadora. 
Tata Kañeñe, Pungun, Fútila ou Para Llaga ( Babalu Ayé) é a divindade das doenças 
e epidemias. Sua cor é roxa e sua imagem é de um velho semi-nu, que um corpo 
coberto de feridas e que sese move com a ajuda de muletas. 
Ma Kalunga, Baluandé ou Madre de Água (Yemaya) senhora dos oceanos, do mar e 
da chuva. Sua cor é azul claro e é epresentada como uma mulher negra forte e 
robusta. 
Nkuyu Nfinda ou Lucero Mundo ( Eleggua) é o guardião dos caminhos, encruzilhadas 
e dos umbrais. Suas cores são o preto e vermelho e sua representação pode variar: 
às vezes é menino travesso, outras vezes se apresenta como um velho curvado, 
usando na cabeça um chapéu "Guajiro" parecido com um Panamá ... E assim por 
diante com os outros mpungos identificados com os orixás. 
ALGUMAS DIVINDADES DA TRADIÇÃO DE PALO MONTE OU MAYOMBE 
Nesta tradição a religião Bantu, e suas divindades foram assentadas nas chamadas 
''Gangas” ou 'Prenda' dando suas divindades uma diversificação espiritual que se 
torna manifestada em múltiplas delas, enquanto continua a ser uma só, daí o ditado 
dos seguidores desta tradição que só há uma essência de um Deus verdadeiro. 
Devemos entender que estas Gangas, potencialmente ativas e reativas pelos espíritos 
que nela habitam diferente em cada siação bem especifica. 
87 
 
No entanto, uma vez que a Ganga esta ativa ela deve operar de acordo com as 
manifestações de caráter de seu proprietário,de acordo com os praticantes da Regla 
Palo Monte ou Mayombe 
Lucero Mundo 
Lucero Mundo: a divindade das portas, encruzilahdas e fortuna. Dominador dos 
quatro ventos, venerado no culto Mayombe como o senhor de todos caminhos, e 
muito poderoso e consegue atrair ou rechaçar as influências do bem e do mal. Sem 
Lucero Mundo não existe ganga, pois ela é usada por ele, como guia dos propositos 
que elas são direcionadas pelo Tata, sua importancia é tão grande dentro da religião, 
que tudo que se faz é consultado primeiro ao Nganga, que é conhecedor de tudo o 
que acontece até mesmo antes de se chegar ao templo .E de tão grande importancia 
e magnitude o papel desta divindade, que a primeira força a ser colocada a serviço do 
mayombeiro é um Lucero, uma vez que ele tambem tem a função espiritual de 
orientar o Tata, a se tornar um mestre feiticeiro nos "trabalhos" do Mayombe. Ele é 
usado quase como um Eleggua da tradição Ioruba. 
Zarabamda 
Zarabanda é a divindade do metal, da guerra, da destruição e dos acidentes. 
Representante das forças relacionadas ao uso dos metais, e se faz presente na força 
e na velocidade dos encaminhamentos dos trabalhos encomendados pela Tata, não 
se costuma ter preferencia em usa-lo para as causas destrutivas, porque tambem 
esta divindades esta ligada as construções e novos projetos e a exdcução deles, não é 
o tipo de situação que com a ação de Zarabamda jamais fica inacabada. Zarabanda 
éconsiderado o maior guerreiro congo. A força desta divindade costuma ser acessada 
pelos anciãos do Palo Monte, para fomentar e suprir o fundamento, ja que este seria 
uma divindade com caracteristcas de Oggún, manifestando desta forma toda sua 
força e violência tambem se manisfesta em sua Ganga. 
Siete Raios 
 A divindade ligada aos raios, incêndios, tempestades e trovões do céu, um dos mais 
poderosos guerreiros, também considerado como ótima, para se acessado em 
questões amorosas, é uma divindade festeira, e as vezes perigoso pois com a sua 
natureza variável as vezes pode-se tratar de maneira dura uum problema simples 
apresentado por seus fiéis atos, e as vezes suas ações são tão sutis e resolvidas de 
maneira tão magica que mais parecem ser obra de bruxaria. 
Divindade de elemento fogo, a melhor arma segundo alguns paleiros, para atacar os 
seus inimigos que morrem em incêndios acidentais ou suicídio praticados atraves 
deste meio. Siete Raios é também a representação do Xango Yoruba. 
MPUNGO 
É a divindade do Congo defensora dos antepassados do Bakongo. Mpungo foi o 
primeiro do caminho Congo. Mpungo é o espírito dos mortos, e trabalha diretamente 
com Deus, Nzâmbi. Este espírito dos mortos divinizados a serviço do novo tempo. 
 
88 
 
Madre de Agua 
É o espirito do mar, da fertilidade e da maternidade, na tradição Lucumi representa 
Yemaya. 
Mama Chola Wengue 
A divindade do de amor, dinheiro, sedução, fama e fortuna. 
Mama Sholawenge é o espírito dos rios. Dono de rios e protetor das mulheres. É 
utilizada na religião Palo Monte, como um amuleto e protetor, uma vez que raramente 
iniciações Mayombes são feitas para esta divindade, seu objetivo dentro do templo 
atraves do sacerdote é a influência sexual, essa ganga é acessada em casos 
amorosos e fazer ou desfazer amarrações, atendendo toda sorte de trabalhos 
amorosos rapidamente. 
Centella Ndoki 
A divindade que habita o do cemitério, conhecida como a Rainha do mundo dos 
Eggun. Deusa conga muito temido dentro do Mayombe uma vez que tem o domínio 
do cemitério, dos mortos e da tempestade. Divindade ogulhosa e de natureza rebelde, 
os mayomberos preferem ter essa Ganga enterrada no chão de suas casas. Esta 
divindade é equivalente da Oya dos iorubás, e só é invocada num templo Mayombe 
quando há ataques de nfumbes (mortos que vagam pelo mundo) e com sua força é 
possivel controla-los encaminha-los. Um Tata Nganga, de acordo com suas intenções 
boas ou más pode acessa-la para o bem ou para o mal. 
Tiembla Tierra 
 É a divindade da paz e da proteção. Muito respeitado nas reglas, tem a virtude de 
equilíbrio entre a força do bem sobre o mal, é o equilíbrio pleno. Diferente de 
Zarabanda que é feroz, e dominador das matas, colinas e montanhas. Ele é usado 
para equilibrar, e superar as forças negativas e contradições, mas isso não a torna 
menos perigoso do que as outras divindades, pois a sua raiva é esmagadora para 
qualquer crime e injustiça praticada por qualquer dos fiéis desta tradição. Seu 
semelhante é o Obatalá Yoruba. 
Cabo Rondo 
É a divindade relacionada a caça e as situações de Justiça. 
Ozain 
A divindade das folhas e ervas sagradas, tambem grande adivinho. 
Babalu Aye 
A divindade da Saude, e da cura das doenças. 
 
 
89 
 
 
AS DIVINDADES DO VODU HAITIANO 
Vodu Voodoo é uma a religião afro-americano que tem despertado a curiosidade dos 
grandes setores na América Latina e Europa. Foi muito manipulado nos meios de 
comunicação. Uma série interminável de mentiras foram escrita sobre Voodoo e foram 
filmados filmes e programas de televisão, com o único propósito de lucrar com um 
produto de fabricação comercial e tablóide. Em certos meios, passaram a dizer que 
Voodoo é equivalente a "magia negra" e referir-se a cerimônias voduistas como 
formas de "maldições" de cunho diabólico. 
Em termos gerais Vodu não é outra coisa senão a adoração das divindades da 
natureza, como na maioria dos ritos africanos. O voodou (plural) são as divindades 
que representam o nível intermediário entre o Deus Supremo e os homens. 
Os cultos vodu são sincréticos, pois desde a época colonial, eles misturam-se com os 
praticas dos cristãos, sendo um processo básico que acompanha o nascimento das 
tradições do Caribe. Esses são os elementos religiosos que constituem a base do 
Voodoo, sua composição em geral é de escravos dahomeyanos com etnias ewe e 
fon, em cuja língua original o termo “Voodoo” significa divindade. 
Essa mistura foi realizada no Haiti e espalhada por todo o Caribe. Há um cruzamento 
linguístico, o crèole, que é falado por toda a população (além do francês, a língua 
oficial) no Haiti. Esta lingua tem suas bases fonéticas e gramaticais nas línguas 
Africano dahomeyanos e incorpora vozes francês e inglês e, por vezes, para o 
espanhol. 
O culto de vodu é dividido em seitas, com seus centros religiosos independentes. Os 
conceitos religiosos que regem a cada uma das casa são diferentes, não na sua parte 
básica comum a todas, mas na interpretação que fazem da tradição oral comum que 
vem da África. No vodu, existem também algumas divindades de outros grupos 
africanos - congoleses, senegaleses, minas, ewe, fon e Yoruba - introduzido na liturgia 
dos cultos sem alterar seu espírito puramente Dahomeano. 
A geomancia é a técnica que permeia todas as formas de oraculos Yoruba, como por 
exemplo o Ifa em Cuba, e as castanhas da palma, substituem os caracóis. O foco da 
vida do povo haitiano é Voodoo e suas crenças que incluem os aspectos económicos 
e sociais do ciclo de vida; os rituais são propiciatórios de trabalho agrícola, estão 
orientados para o culto dos antepassados e corretamente relacionados ao catolicismo. 
Dentro deste contexto foi adotado um sincretismo católico, no qual as imagens dos 
santos aos poucos foram substituindo representações das divindades africanas, no 
processo de transculturação forçada através da escravidão. 
As principais práticas são de inspiração sudaneses, embora haja elementos de origem 
congolesa, o que segundo alguns autores29 é bem curioso, já que o ritual original é de 
origem dahomeyana (Dahomey). Não pode se negar que, tal como as outras grandes 
religiões Africano-Americanas, há um número de subdivisões ou formas de 
diferenciação regional que variedade causa confusão para observadores casuais. 
 
29 MOULTON, Karl Cd. Magic & Voodoo Colection. Ed: Smashwor. New Orleans.2012 
90 
 
Considere-se agora algumas dessas manifestações como formas de vudús 
americanos. 
O Vodu penetrou no Haiti desde o século XVI e a maior parte das divindades do culto 
Dahomey, embora alguns deuses vieram da Nigéria. Estes seres divino é adoração 
em templos chamados “hunfors” e seus sacerdotes são os "hungans". Há também 
sacerdotisas que são chamadas de "mambos" (daí vem o nome do ritmo popular), 
onde os iniciados são chamados de "hungsi". 
É de um sistema religioso que possuem uma doutrina organizada, com o Voodoo veio 
também o uso de tambores sagrados que acompanham os ritos, as paredes do 
"Hunfort" normalmente é decoradas com as imagens dos santos, representantes 
sincrética dos seres com poderes sobrenaturais chamados loas. 
O espaço sagrado de vodu é chamado Houmfor e é composto de duas partes. A 
primeira, fica os altares, os Govis, que contêm os espíritos e os tambores sagrados. A 
segunda parte, do outro lado da sala, onde cerimônias públicas e danças, eles 
desenvolvem o elemento principal do ritual é o lugar central, em torno do qual são 
desenhados os símbolos dos deuses com farinha. 
Comenta este ritual o estudioso voduista Anderson Jefrey30, “Quando você assiste 
uma cerimônia, encontra vários signos desenhados, são feitos vários desenhos com 
farinha e outros componentes do qual são chamados Veves, na entrada do hunfort é 
cheia de simbologias e no meio do templo se localixa o que é chamado poteau mitan”. 
O sacerdote é chamado papa loa. No vodu a possessão é considerada de suma 
importância, uma vez que se acredita que serve para a manifestação da divindade de 
seus varios deuses, pois acredita-se que a morte é apenas uma separação forçada e 
temporária. O primeiro loa que é saudado e se apresenta é Legba, o Deus que 
controla o transito do mundo dos vivos e dos mortos. Seu veve representa uma cruz, 
cujo eixo vertical situa-se nas águas abismais e sobe para estabelecer contato com os 
céus. A barra transversal horizontal da Cruz simboliza o mundo dos homens, e esta é 
uma breve amostra da semente profundamente filosófica que investiga os símbolos 
desta velha tradição. 
A fertilidade conduzida através de uma divindade chamada Dambalah que é 
equiparado a São Pedro, chegando a ser cobra multicolorida que simboliza o arco-íris. 
O loa dos mares Agué, Azaka é o trovão, representado, como de costume com um 
machado, Ogún É a loa de ferreiros, sincretizado a Santiago Matamouros e está 
associado com a cor vermelha. Não podemos deixar de mencionar a Afrodite do 
Panteão Vodu que é Erzuli, porque ela encarna a graça e beleza em sua adoração, 
sincretizada com a Virgem Maria. Seu veve é umcoração cansado e costuma ser 
homenageada com as cores rosa e brancas. A morte é representada por vários loas 
chamados " Familia Guede". 
Como é natural, este diálogo entre os vivos e os mortos ocupa múltiplas e variadas 
manifestações e funções. O cognitivo realiza comunicação e transmissão de 
informação empírica entre os antepassados e seus descendentes. É uma linguagem 
 
30 ANDERSON, Jeffrey. Encyclopedia: Magic, Ritual, and Religion.Ed: Bc-Clio, Lousiania, 2015. 
91 
 
expandida e articulada para o diálogo; socializados e ritualizadas cerimoniosamente 
no cotidiana a reiteração de refluxo e o reflexo da vida e a morte. 
A primeira forma de Voodoo é chamada Rada, é considerada benéfica e de caracter 
protetivo. Sua função é pedir aos loas (deuses), bens ou graças a seus seguidores e a 
Comunidade em geral. O outro ritual é o Petro, que é orientado para soluções de 
problemas graves e se necessario a destruição dos inimigos. Embora Voodoo é 
associado com a escravidão no Haiti, é baseado em conceitos religiosos comuns a 
muitos grupos étnicos africanos, onde a religião é um misto de cura e morte. 
Os loas são misterios que os houngans o las mambo (sacerdotes e sacerdotisas do 
culto) conhecem por seu nome , não são nada mais que as deidades que vieram da 
África, mas que já fazem parte do Haiti, e que se transformaram em contato com este 
solo. 
Todos haitianos quase (75%) acreditam no vodu , porque esta religião é algo mais do 
que uma simples prática; transcende a vida política, social e económica do país. 
Algumas histórias sobre a independência do Haiti, dizem que teriam que manipular 
as poderosas forças do Voodoo, para assumir o poder contra a hegemonia 
estrangeira. 
Da mesma maneira que os escravos tem na sua independência elementos da religião, 
os governantes se valeram dela muitas vezes para se manter no poder. A Igreja 
Católica teve que admitir a sua coexistência com o Vodu e permitir que esta 
miscigenação dentro de seus templos. 
Entre os loas ou divindades principais se destaca o “Bo Dieu”, que esta cima de tudo 
e, embora ele seja venerado, não se presta culto de maneira direta. Depois há os 
outros louvores que são divididos em famílias, dependendo de sua origem africana. 
Por esse motivo, em algumas comunidades rurais, o número de divindades é maior 
do que em outra, dependendo da localidade, porque cada um tem seus próprios 
antepassados reverenciados. 
O culto dos mortos segue a tradição yoruba da Gueledes No Haiti é chamado Guede. 
Quando se celebra a memória dos falecido-los, as pessoas caminham pelas ruas em 
datas especificas disfarçadas de "mortos.” 
Vodum, vodun, voodoo ou vodu são termos que se referem aos ramos de uma 
tradição religiosa baseada no culto aos ancestrais que tem as suas raizes nos povos 
Ewe-Fon do Benim. Além da tradição fon, ou do Daomé, que permaneceu na África, 
existem tradições relacionadas que lançaram raízes no Novo Mundo durante a época 
do tráfico transatlântico de escravos (século 16 a século 19) e que persistem até hoje, 
como os candomblés brasileiros, o vodu haitiano, a santería caribenhas, as Reglas 
existentes na América central etc. "Vodum" pode designar tanto uma religião quanto 
as divindades centrais nessa religião. 
O vodu haitiano, conhecido como Sèvis Gine (serviço africano) no Haiti, é uma religiã 
com fortes elementos de povos africanos como os igbos, bacongos e iorubás, além de 
elementos regionais tainos. Formas de vodu haitiano também existem na República 
Dominicana, em partes de Cuba, nos Estados Unidos e em outros lugares para onde 
92 
 
os escravos e negros do Haiti tenham se deslocado ao longo da história. Embora 
muitos povos diferentes ou “nações” da África têm representação na liturgia do “Sèvis 
Gine”, os índios Taíno são os povos originais das ilhas conhecida como Hispaniola. 
É similar a outras religiões da diáspora africana, tais como Lukumi ou Regla de Ocha 
(conhecida também como Santería) em Cuba, todas essas religiões que evoluíram 
dos descendentes de africanos transplantados nas Américas. 
O termo Vodun aplica-se aos ramos de uma tradição religiosa teísta-animista baseada 
nos ancestrais, que tem as suas raízes primárias entre os povos Fon-Ewe da África 
Ocidental, no país hoje chamado Benin, anteriormente chamado Reino do Daomé ou 
Dahomey. Além da tradição fon, ou do Daomé, que permaneceu na África, existem 
tradições relacionadas que lançaram raízes no Novo Mundo durante a época do tráfico 
transatlântico de escravos africanos. 
Para além do Benin, o vodu africano e as práticas que dele descendem podem ser 
encontrados na República Dominicana, Porto Rico, Cuba, Brasil, Gana, Haiti e Togo. A 
palavra vodun pode definir uma categoria de divindades. A tradição Fon mais ou 
menos “pura” de Cuba é conhecida como La Regla Arara. 
A maioria dos africanos que foram trazidos como escravos para o Haiti eram da Costa 
da Guiné da África ocidental, e seus descendentes foram os primeiros praticantes de 
vodu haitiano. A sobrevivência do sistema de crenças no Novo Mundo é notável, 
embora as tradições tenham se modificado com o tempo. 
Uma das maiores diferenças entre o vodum da África Ocidental e o haitiano é que os 
africanos transplantados ao Haiti foram obrigados a disfarçar os seus lwa (do francês 
les lois, "as leis"), ou divindades, em santos católicos romanos, como vimos nas 
outras tradições ligadas a Diaspora num processo, ja falao anteriormente chamado 
sincretismo. Sob a escravidão, a cultura e a religião africanas foram suprimidas, as 
linhagens foram fragmentadas e as pessoas tiveram que ocultar seu conhecimento 
religioso. Paradoxalmente, foi justamente essa fragmentação que permitiu a posterior 
unificação cultural dos escravos, em religiões de resistência. 
A natureza dos rito, Rada, o Nago, Ibo, Petro, Congo, Daomé, etc, depende da sua 
origem e de seu desenvolvimento, evolução, reabilitação e a reinterpretação que estes 
ritos sofreram no Haiti desde o período colonial até o presente. 
Alguns rituais, no entanto, contém uma profusão de itens magia muito mais que os 
outros. O campo do Vodu estende-se desde o rito Rada, que é altamente religioso e 
devocional, para o rito Petro, que é muito mais mágico que religioso, o rito Congo, é 
basicamente uma prática mágica mais sofisticada. 
Esta progressão reflete precisamente as origens históricas e culturais de cada rito. 
Radá deriva seu nome da região ou cidade de Arada, no Daomé, vindo representar a 
estabilidade emocional e o calor das 'mães', o coração de todas as "Nações" de Loas 
do Haiti. Pelo contrário, dos espíritos Petro, que acredita-se que foram forjados no 
ferro, fogo e sangue que estava, na ilha durante a era colonial. Estes refletem todo o 
ódio, violência e delírio que varreu o sistema escravagista. 
 
93 
 
O Universo dos Zumbis 
 Sobre o mito dos famosos “zumbis haitianos”, se faz necessário dizer algumas 
palavras sobre a prática haitiana da zumbificação. No entendimento geral do Vodu, 
podemos dizer que esta prática é real, mas não se aplica de forma arbitrária, existem 
vários segredos sobre este tema sobre autorizar ou proibir, de acordo com quem é, 
dependendo o perigo social que representa o indivíduo para a vida coletiva do grupo. 
Para realizar uma zumbificação, os grandes sacerdotes fazem o uso de certos pós, 
extraídos de vários elementos animais venenosos combinados com certas plantas e 
vegetais. Este tema sempre foi sem dúvida, um dos aspectos mais temidos e 
misteriosos da prática do Vodu haitiano. E ainda é coberta de mistérios dentro da 
tradição. 
 
O Vodu em Santo DomingoAlgumas literaturas31 citam, que a história do Vodu começa com a chegada dos 
primeiros contingentes dos escravos étnico fon para Santo Domingo, na segunda 
metade do século XVII. 
 Embora a tradição de Santo Domingo é, como todas as tradições do Caribe, uma 
confluência de características e influências tanto espanhóis como de outros que, pela 
aculturação, foram adicionados no processo contínuo de migração, a visão mais 
comum na maioria autores consultados é que voodoo em Santo Domingo é de origem 
recente. 
 Importado da sua vizinha República do Haiti, seria uma consequência da emigração 
de trabalhadores braçais, desse país para as usinas de açúcar, muito superiores em 
número, aos trabalhadores das Índias Ocidentais Britânicas. Por conseguinte, seus 
principais devotos são recrutados de camponeses de ascendência haitiana . 
Uma diferença entre o vodu do Haiti e de Santo Domingo vale a pena ser sinalizado: 
Em contraste com o vodu haitiano, cujo caráter mágico não impede ver nele um culto 
da natureza religiosa, O de Santo Domingo aparece sempre íntimo e intrinsecamente 
ligado à magia e suas diferentes formas de feitiçaria, adivinhação, cura, e assim por 
diante. Esta é, a mais notável diferença entre o vodu haitiano e o Vodu de santo 
Domingo, nesse sentido, o vodu é "uma religião mágica e como tal, naturalista e 
oculta. 
A história do Vodu começa com a chegada dos primeiros contingentes dos escravos 
étnico fon para Santo Domingo, na segunda metade do século XVII. 
Loas ou Lwas 
Loas ou Lwas são as divindades presentes no Vodu. Os Loas do Vodu haitiano são 
divididos em Famílias de acordo com suas caracteristicas: 
Família Rada 
 
31 GOSSLING, Andreas. Voodoo. Ed: Dotbooks Gmbh. Canada.2013 
94 
 
A Família Rada é composta de Loas antigos e ligados à criação. São daomeanos. A 
cor cerimonial é o Branco. Dentre eles encontramos: 
Papa Legba: loa da ligação entre os homens e os loás, é o primeiro a ser saudado 
nas cerimônias de Vodu. No Brasil é conhecido como Vodum Legba e tem 
praticamente as mesmas atribuições. 
Ayizan Velekete: loa ligada a iniciação vodu e considerada a mulher de Papa Loko. 
No Brasil encontramos Vodum Ayizan que está ligada a Terra e aos ancestrais e cujo 
nome significa “esteira da terra”. 
Papa Loko: é o loa da iniciação, assim como Ayizan, e habita a árvore sagrada do 
Vodu. No Brasil é conhecido como Vodum Loko. 
Dambalah: é o loa serpente ligado a criação, casado com Aido Wedo e Ezili Freda. 
Aido Wedo: serpente do arco-íris, casada com Dambalah. 
Met Agwe: loa do mar, casado com La Siren e Ezili Freda e namorado de Aido Wedo. 
Dizem que quando o arco-íris toca o mar Agwe está nos braços da amada. Também é 
conhecido um Vodum com o nome de Agboe. 
La Sirene: loa cujo nome significa “A Sereia”, é considerada a Maitresse Dlo (Senhora 
das Águas) é a esposa de Agwe e pode ser associada tanto à Naeté quanto a 
Yemanjá. 
Ezili Freda Dahomey : é a loa da beleza, da vaidade e do amor. Leva três alianças, 
uma para cada marido (Dambalah, Agwe e Ogoun). É muito elegante e pode ser 
comparada com Oxun. 
Azaka: loa da agricultura e da humildade. Na representação muito se parace com os 
pretos velhos da umbanda. 
Silibo: loa muito parecido com Nanã Buruku. 
Família Ogoun 
Formada por loas nagôs ou yorubas. Todos levam o primeiro nome Ogoun: 
Ogoun Feraille: é o loa ferreiro e guerreiro. 
Ogoun Shango: é o loa justiceiro (Xangô) 
Ogoun Ossange: ligado as ervas e a medicina (Ossaim) 
Ogoun Djansan: loa semelhante a Iansã 
Família Ghede 
Formada pelos loas mortos (almas), incluindo o Baron e a Maman Brigitte. A cor 
cerimonial é o purpura e o preto. O Baron é o pai ancestral da Família tendo quatro 
qualidades principais: 
95 
 
Baron Samedi: é o chefe de todos. Marido de Maman Brigitte. Habita a cruz 
cerimonial dos cemitérios. 
Baron Cemitiére: é representado como um coveiro. 
Baron La Croix: é o mais refinado e educado, ligado ao mistério da morte. 
Baron Kriminel: é o mais agressivo. 
Maman Brigitte: é a mãe dos loas ghede, e esposa de Shamedi 
Família Petro 
Depois do Rada e do Ghede resta uma parte da cerimônia dedicada para os loa do 
grupo Petro. Estes loa são predominantemente do Congo e de origem ocidental. Sua 
cor cerimonial é vermelha. 
Eles são considerados ferozes, protetores, mágicos e agressivos para com os 
adversários. Alguns deles: 
Erzuliê Dantor: é uma loa velha e dedicada aos filhos, é porém muito agressiva. Tem 
o rosto coberto de cicatrizes, marca da rivalidade com a prima e vizinha Ezili Freda, 
lembrando a luta entre Oxun e Obá. 
Karrefour ou Kalfour: é o lado obscuro de Legba. Dizem que quando Karrefour entra 
na cerimonia, todo o mal entra com ele. 
Simbi: é um loa ligado a ancestralidade e a antiguidade. Muito misterioso é um loa 
que vem do Congo. 
 
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