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23/05/2019 1 Fenômenos de Transporte III Capítulo 4 – Difusividade em líquidos e sólidos Prof. Edesnei Brião PROGRAMAÇÃO 2 • Difusividade em líquidos; o Eletrólitos e não eletrólitos; o Soluções diluídas de não eletrólitos; o Soluções concentradas de não eletrólitos; • Difusividade em sólidos; o Difusão (Inter-) de constituintes do sólido através de movimentos atômicos; o Difusão em poros (Fick, Knudsen e configuracional). DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 3 Difusão em líquidos https://www.youtube.com/watch?v=mZe-krsr87k DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 4 Difusão em líquidos https://www.youtube.com/watch?v=xPDYmvIcSzc DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 5 Ao contrário da difusão em gases, a difusão em líquidos não possui uma teoria cinética tão bem desenvolvida. Neste tipo de difusão, enquadram-se as espécies que se difundem na forma de moléculas como também espécies que se difundem como íons, os eletrólitos. Em nosso curso, nos limitaremos ao estudo de alguns modelos para não-eletrólitos em soluções diluídas e concentradas. Difusão do cloreto de sódio em água, na forma iônica (Na+Cl-) DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 6 Eletrólitos: São solutos que se dissolvem em solventes fornecendo íons à solução; solução esta que conduz eletricidade melhor que o solvente puro. Geralmente, eletrólitos são fornecidos por substâncias iônicas, como NaCl (Na+Cl-), NaOH, KCl, etc... Não eletrólitos: São solutos que não liberam íons na solução à medida que se dissolvem e não influenciam a condutividade do solvente. Ex.: Sacarose, álcool etílico, etc... 23/05/2019 2 DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 7 A difusividade de algumas misturas binárias de líquidos apolares em soluções diluídas é apresentada na Tabela J.2 (Welty) e na Tabela 1.6 (Cremasco). O cálculo da difusividade em não-eletrólitos segue a Teoria Hidrodinâmica que tem como base a Equação de Stokes-Einstein: ��� = � � 6 � �� � onde: DAB → difusividade de A em solução diluída em B; k → constante de Boltzmann [1,38 x 10-16 ergs/ K]; T → temperatura (K); r → raio da partícula de soluto; µB → viscosidade do solvente (cP) DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 8 A difusividade de algumas misturas binárias de líquidos apolares em soluções diluídas é apresentada na Tabela J.2 (Welty) e na Tabela 1.6 (Cremasco). O cálculo da difusividade em não-eletrólitos segue a Teoria Hidrodinâmica que tem como base a Equação de Stokes-Einstein: ��� = � � 6 � �� � onde: DAB → difusividade de A em solução diluída em B; k → constante de Boltzmann [1,38 x 10-16 ergs/ K]; T → temperatura (K); r → raio da partícula de soluto; µB → viscosidade do solvente (cP) Descreve bem a difusão de partículas coloidais ou moléculas grandes arredondadas através de um solvente que comporta-se como contínuo relativo às espécies de difusão. DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 9 Diferentes autores estabeleceram modelos empíricos para a estimativa da difusividade de líquidos não-eletrolíticos apolares em soluções diluídas. Entre estes, Wilke e Chang (1955), propuseram a seguinte correlação: ��� = 7,4 � 10�� Φ� ��� ��,� �,� � �� onde: DAB → soluto A difuso no solvente líquido B (cm2/s); µB → viscosidade do solvente (cP); T → temperatura (K); MMB → massa molar do solvente (g/mol); Vb,A → volume molar do soluto p/ ponto de ebulição normal (cm 3/mol); ΦB → parâmetro de associação p/ o solvente B. Soluções diluídas DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 10 Embora a equação de Wilke-Chang não seja recomendada quando a água é o soluto, o coeficiente de difusão pode ser estimados com uma boa precisão quando água é o solvente (desvios em torno de 11%). Para solventes orgânicos, o desvio é em torno de 27%. Desvios de até 200% são possíveis quando água é usada como soluto. Soluções diluídas DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 11 O parâmetro de associação para o solvente (ΦB) considera uma correção na massa molar do solvente em questão, aumentando seu valor conforme aumenta a polaridade. Os valores para os parâmetros de associação para alguns solventes comuns são dados abaixo: Solvente ΦB Água 2,6 Metanol 1,9 Etanol 1,5 Benzeno, éter, heptano e outros solventes não associados 1 Soluções diluídas DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 12 O volume molar do soluto no ponto de ebulição normal (Vb,A) pode ser encontrado nas Tabelas 1.2 e 1.3 (Tabelas Cremasco). Para moléculas maiores, ou seja, quando Vb,A > 0,27·(ΦB·MMB) 1,87, usa-se a equação: ��� = 1,05 � 10�� � �� ��,� � �� onde: DAB → difusividade de A em solução diluída em B; T → temperatura (K); µB → viscosidade do solvente (cP); Vb,A → volume molar do soluto p/ ponto de ebulição normal (cm 3/mol). Soluções diluídas 23/05/2019 3 DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 13 Perceberam que as equações verificadas levam em conta a viscosidade do solvente? ��� = 7,4 � 10�� Φ� ��� ��,� �,� � �� Soluções diluídas ��� = 1,05 � 10�� � �� ��,� � �� DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 14 Perceberam que as equações verificadas levam em conta a viscosidade do solvente? ��� = 7,4 � 10�� Φ� ��� ��,� �,� � �� Soluções diluídas ��� = 1,05 � 10�� � �� ��,� � �� Para efeito, analise o par C6H14 e CCl4. μC6H14 = 0,30 cP; μ CCl4 = 0,86 cP; DC6H14-CCl4 = 1,49.10 -5 cm2/s; DCCl4-C6H14 = 3,70.10 -5 cm2/s DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 15 Perceberam que as equações verificadas levam em conta a viscosidade do solvente? ��� = 7,4 � 10�� Φ� ��� ��,� �,� � �� Soluções diluídas ��� = 1,05 � 10�� � �� ��,� � �� Para efeito, analise o par C6H14 e CCl4. μC6H14 = 0,30 cP; μ CCl4 = 0,86 cP; DC6H14-CCl4 = 1,49.10 -5 cm2/s; DCCl4-C6H14 = 3,70.10 -5 cm2/s Por que DAB ≠ DBA? DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 16 As diferenças encontradas referentes a DAB ≠ DBA são relativas à resistência ao transporte do soluto, que se reflete da viscosidade do solvente. Analogia: piscinas de água e de piche! Água Piche DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 17 Se jogarmos um copo de piche em uma piscina de água e um copo de água em uma piscina de piche qual dos dois se difunde com maior facilidade? Analogia: piscinas de água e de piche! Água Piche DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 18 De acordo com Darken (1948), o coeficiente de difusão para não eletrólitos em concentrações elevadas pode ser calculado através da média ponderada das difusividades de A em B e de B em A em soluções diluídas: ��� ∗ = �� � ��� + �� � ��� onde: D*AB → difusividade média (cm2/s); DAB → difusividade de B em solução diluída em A (cm2/s); DBA → difusividade de A em solução diluída em B (cm2/s); xA → fração molar do componente A; xB → fração molar do componente B. Soluções concentradas 23/05/2019 4 DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 19 A equação acima foi modificada por Wilke (1949), incluindo-se a influência das viscosidades de cada espécie (µA e µB) e a da mistura (µAB) sobre a difusividade: ��� ��� ∗ = �� �� ��� + �� �� ��� onde: μAB → viscosidade da mistura (cP); μA → viscosidade de A (cP); μB → viscosidade de B (cP). Soluções concentradas DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 20 Posteriormente, outras relações semelhantes foram propostas: ��� ∗ = ��� �� � ��� �� Vignes (1966) Leffer e Cullinan (1970) ��� ��� ∗ = �� ��� �� � �� ��� �� Soluções concentradas DIFUSIVIDADE EM LÍQUIDOS 21 Posteriormente, outras relações semelhantes foram propostas: ��� ∗ = ��� �� � ��� �� Vignes (1966) Leffer e Cullinan (1970) ��� ��� ∗ = �� ��� �� � �� ��� �� Os modelos de Wilke e de Leffer/Cullinan levam a aproximações melhores por causa da viscosidade. Soluçõesconcentradas DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 22 A análise teórica para a determinação das difusividades em sólidos é mais complexa do que aquela para o caso de líquidos. Na Difusão em Sólidos, os movimentos atômicos são dificultados devido a ligação dos átomos em posições de equilíbrio. Existem, fundamentalmente, dois tipos de processos de transporte em sólidos: 1. Difusão (Inter-) de constituintes do sólido através de movimentos atômicos - investigada mais frequentemente por engenheiros metalúrgicos (átomos dentro dos sólidos). 2. Difusão de um fluido através dos poros de um sólido – é aquele comumente encontrado em processos catalíticos da Engenharia Química. DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 23 1. Difusão (Inter-) de constituintes do sólido através de movimentos atômicos – Ciência dos Materiais (Tabela 1.13). Difusão por lacuna Difusão substitucional Difusão intersticial A A' A'' Difusão por troca de moléculas adjacentes DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 24 2. Difusão de um fluido através dos poros de um sólido Pode ocorrer por um ou mais mecanismos: • Difusão de Fick • Difusão de Knudsen • Difusão configuracional 23/05/2019 5 DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 25 2. Difusão de um fluido através dos poros de um sólido DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 26 Difusão de Fick Ocorre quando os poros do sólido são relativamente grandes, sendo o fluxo definido por uma expressão baseada na 1ª lei de Fick que, em função do caminho tortuoso que percorre o fluido através de sólido, inclui um coeficiente difusivo efetivo (Def): ��,� = −��� ��� �� Fluxo mássico é descrito em termos do coeficiente de difusão “efetivo”: DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 27 Difusão de Fick O Def não será função apenas da interação entre os componentes, da pressão e da temperatura, mas também das propriedades do sólido, como a porosidade (εp) e a tortuosidade (τ), e da própria difusividade DAB entre as substâncias, através da seguinte relação: ��� = ��� �� � onde: Def → coeficiente efetivo de difusão de A em B em partícula porosa (cm 2/s); DAB → coeficiente de difusão de A em B (cm 2/s) (Tabelas para difusividade em sólidos e líquidos – Cremasco e Welty); εp → porosidade do sólido; τ → tortuosidade do sólido. Tabela 1.14 Cremasco DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 28 Difusão de Fick O Def não será função apenas da interação entre os componentes, da pressão e da temperatura, mas também das propriedades do sólido, como a porosidade (εp) e a tortuosidade (τ), e da própria difusividade DAB entre as substâncias, através da seguinte relação: ��� = ��� �� � Pode ser para gases ou líquidos (já estudados e tabelados). Não tem nada a ver com o sólido!!! O sólido atua aqui!!! DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 29 Difusão de Fick ��� = ��� �� � A e B são gasosos; A está difundindo em B em um poro com tamanho suficiente. DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 30 Difusão de Knudsen Ocorre quando o tamanho dos poros é da ordem de grandeza do caminho livre do fluido em difusão. Neste caso, as colisões ocorrerão principalmente com as paredes dos poros e não com as demais moléculas, o que faz com que cada componente se difunda independentemente dos demais. Caminho livre médio = distância média entre duas moléculas na iminência da colisão. 23/05/2019 6 DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 31 �� = 4850 �� � ��� onde: DK → coeficiente de difusão de Knudsen (cm 2/s); T → temperatura (K); MMA → massa molar do soluto (g/mol); dp → diâmetro médio de poros do sólido (cm); rp → raio médio de poros do sólido (cm); S → área superficial da matriz porosa (cm2); ρB → massa específica aparente do sólido (g/cm3); Vp → volume específico do poro da partícula sólida (cm3). Difusão de Knudsen �� = 9700 �� � ��� �� = 2�� � �� = 2�� � DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 32 Difusão de Knudsen Considerando a porosidade (εp) e a tortuosidade (τ) do poro; ��,�� = �� �� � onde: DK,ef → coeficiente efetivo de difusão de Knudsen (cm 2/s); DK → coeficiente de difusão de Knudsen (cm 2/s) (considerando poros cilíndricos); εp → porosidade do sólido; τ → tortuosidade do sólido. DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 33 Difusão Ordinária e de Knudsen Devido à estrutura do sólido poroso, um soluto, ao difundir-se, pode se deparar com vários tamanhos de poros, caracterizando tanto a difusão ordinária quanto a de Knudsen. onde: DA,ef → coeficiente efetivo global de difusão de A em B em partícula porosa (cm2/s); Def → coeficiente efetivo de difusão de A em B em partícula porosa (difusão ordinária) (cm2/s); DK,ef → coeficiente efetivo de difusão de Knudsen (difusão de Knudsen) (cm2/s). 1 ��,�� = 1 ��� + 1 ��,�� DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 34 Difusão configuracional Ocorre quando o diâmetro dos poros é da mesma ordem de grandeza do soluto (difundente). Os principais exemplos de material onde ocorre esse tipo de difusão são as zeólitas. As zeólitas são aluminossilicatos dispostos em arranjos tridimensionais regulares por intermédio dos átomos de oxigênio compartilhados em seus vértices. Sua estrutura lembra a de uma colmeia. DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 35 Difusão configuracional DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 36 Difusão configuracional Este tipo de material é empregado como peneira molecular, que separa componentes de misturas com base no tamanho da molécula. Entre os critérios propostos para a definição do tamanho do componente, o diâmetro de colisão de Lennard-Jones apresenta boa resposta. 23/05/2019 7 DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 37 Difusão configuracional DIFUSIVIDADE EM SÓLIDOS 38 Difusão de Superfície Ocorre quando as moléculas adsorvidas são transportadas ao longo da superfície resultando em um gradiente de concentração. Quanto mais finamente dividido estiver este sólido, maior será a sua eficiência em adsorver as moléculas presentes no meio. ** Temperatura, natureza da substância presente no meio, pressão do gás/líquido, ou da concentração do fluido REFERÊNCIAS 39 CREMASCO, Marco Aurélio. Fundamentos de transferência de massa. Campinas, SP: UNICAMP, 1998. 741 p. WELTY, James R.; WICKS, Charles E.; WILSON, Robert E.; RORRER, Gregory L. Fundamentals of momentum, heat and mass transfer. 5.ed. New York, U.S.: J. Wiley, 2008. xix, 711 p.