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ASPECTO TÉCNICOS E BIOLÓGICOS DA RASPAGEM
Periodontite uma doença bucal multifatorial em que o agente etiológico primário é o biofilme, porém existe vários
fatores genéticos e ambientais atuando no paciente.
Seu tratamento é a terapia por raspagem e alisamento radicular para que se possa estabelecer um meio adequado
para que o paciente tenha condição de controlar o biofilme (pois, não conseguimos controlar outras variáveis por ex.
genética). Dando assim possibilidade para que o seu sistema de defesa trabalhe com eficácia.
PADRÃO-OURO DA TERAPIA PERIODONTAL => Raspagem e Alisamento Radicular
Procedimento de limpeza da superfície dentária que visa a remoção de BIOFILME e CÁLCULO supra e
subgengivais, com o objetivo de se obter uma superfície biologicamente aceitável (MEIO FAVORÁVEL PARA
CIATRIZAÇÃO DE TECIDO).
Outros tratamentos NÃO SUBSTITUEM a raspagem, apenas se agregam a ela. Ou seja, a maioria dos tratamentos
necessita que se realize a raspagem adjuntamente.
“A raspagem e alisamento radicular são conhecidamente técnicas eficazes no tratamento da doença periodontal.”
(AXELSON & LINDHE, 1978 / BADERSTEN et al., 1984 / GREENSTEIN, 1992)
RASPAGEM
Instrumentação das superfícies coronária (COROA) e radicular (RAIZ) para remover biofilme (novo:
DEBRIDAMENTO), cálculo e manchas destas superfícies. Podendo ser SUBGENGIVAL ou SUPRAGENGIVAL.
Apenas realizar em bolsas periodontais > que 4mm sangrante. Caso contrário pode causar iatrogenia do tecido e uma
recessão gengival.
ALISAMENTO
Remoção de cemento ou dentina, impregnada com cálculo ou contaminada com toxinas e microorganismos,
tornando a superfície limpa, lisa e dura (É CONTROVERSO, APENAS NECESSITA DE SER LIMPA – “descontaminação”).
(AAP, 2001)
RAR – Objetivos (ARMITAGE, 2000)
» Remoção de biofilme e cálculo;
tendo assim
» Redução do nº de MO (não se consegue remover todas as bactérias);
» Eliminação de endotoxinas aderidas à raiz;
objetivando
» Obtenção de superfície lisa (não tão importante -> controverso);
» Obtenção de superfície do cemento compatível biologicamente.
Endotoxinas – LPS (lipopolissacarídeos)
É citotóxico.
Induz inflamação.
Tem sido associado à etiologia da doença periodontal.
O complexo lipopolissacarídeos é encontrado na parede celular de MO Gram -.
Citotoxidade da superfície radicular
LPS é fracamente aderido à superfície do cemento sendo facilmente removida, até mesmo com uma escova de
robson, limpando.
Tamanho molecular dos LPS impediam sua penetração no cemento.
» Remoção das endotoxinas
Remoção de cálculo com (remoção excessiva) ou sem (remoção superficial) remoção de cemento “contaminado”.
Os resultados mostraram o mesmo padrão de melhora para ambos os grupos.
(NEYMAN et al., 1988)
» Remoção do cemento
99% das endotoxinas envolvidas no processo de periodontite => FACILMENTE REMOVIDAS
(MOORE et al., 1986)
Sendo assim, não há necessidade de sobreinstrumentar (raspar além do necessário) o cemento, deixando-o fino.
Apenas é necessário raspar superficialmente para LIMPAR as estruturas, já que ele está fracamente aderido ao
cemento.
Papel do cálculo
Porosidade superficial (Retenção de biofilme -> facilita a adesão - SUPERADERIDO)
Ação passiva no processo da D.P. (MANTÉM – ação física – o processo de doença, devido a adesão do biofilme em contato
com o epitélio perpetuando a inflamação)
PORQUE O PAPEL É PASSIVO? Se eu removo o biofilme aderido ao cálculo, descontamino (clorexidina), pode-se haver inserção de tecido
sadio, CICATRIZAÇÃO, SOBRE O CÁLCULO. => Só consegue ver isso em pesquisa, CLÍNICAMENTE SEMPRE TERÁ BIOFILME NO CÁLCULO.
Sendo assim, O CÁLCULO NÃO CAUSA DOENÇA (não é a causa etiológica) e sim o biofilme que está aderido.
Manutenção do processo de doença (por meio da porosidade)
“Tem-se demonstrado que a remoção de todo cálculo subgengival é irreal e comumente desnecessária”
(LISTEGARTEN & ELLEGARD, 1973 / BORGHETTI et al., 1987 / BREININGER et al., 1987 / KEPIC et at., 1990 /
ROBERTSON et al., 1990 / SHERMAN et al., 1990 / ESCHELER & RAPLEY, 1991 / FUKAZAWA & NISHIMURA, 1994)
Instrumentação periodontal e microbiota subgengival
Mudança na composição do biofilme:
Espiroquetas, P. g., Gram – => Periodonto Patogênico (diminuo inflamação – tiro o estímulo)
Cocos e bactérias não móveis
Torno assim, o meio inóspito para as bactérias patogênicas e favorável para bactérias relacionadas a saúde
(possibilita cicatrização de tecido).
RAR – Efeitos biológicos
» Redução da inflamação tecidual;
tendo assim
» Diminuição do edema;
» Contração do tecido gengival marginal (gengiva deixa de ser: edemaciada, flácida, volumosa);
» Recuperação e fortalecimento dos vasos sanguíneos locais (diminuição/redução de vasos sanguíneos);
» Formação de epitélio juncional longo;
» Fibrosamento do tecido conjuntivo.
(LISTEGARTEN et al., 1978 / SLOTS et al., 1979 / SINGLETARY et at., 1982 /
MAGNUSSON et al., 1984 / VAN WINKELHOFF et al., 1988 / STELZEL &
FLORES DE JACOBY, 2000)
RESULTANDO na diminuição da profundidade de sondagem em 2 semanas, tem-se resistência à sondagem e não tem
sangramento. Sendo duas características de sucesso da RAR, ou seja, houve uma resposta satisfatória da raspagem.
Se paciente volta sangrante em 2 semanas após o procedimento: ou ele não está mantendo controlado biofilme
(deve-se motivar o paciente a realizar higiene), ou foi deixado cálculo contaminado – sangramento elevado – que
ainda gera doença (deve-se, então, raspar novamente -> agora o campo visual é melhor, sendo mais fácil raspar).
LESÃO AVANÇADA
▪ Presença de: neutrófilos; monócitos / macrófagos; linfócitos (células B e T)
▪ Aumento da vasculite
▪ Proliferação de vasos
▪ Aumento da perda de colágeno
▪ Produção de IgG
▪ Atividade osteoclástica -> caracteriza a PERIODONTITE
▪ Migração do epitélio juncional
Tendo-se presença de biofilme aderido ao cálculo. A barreira do epitélio juncional migra apicalmente, tornando-se
longa, para fugir da atividade bacteriana. Tendo edema (aumento de permeabilidade vascular na área), infiltrado
inflamatório (metaloproteinases, citocinas...) atuando e perpetuando a inflamação afim de proteger o organismo.
Podendo ou não se estender até chegar ao nível ósseo (periodontite).
PROCESSO CICATRICIAL PÓS-RAR
(RYLANDER & LINDHE, 2005)
Removendo o estímulo, tenho diminuição da vasculite (redução/diminuição da quantidade de vasos); diminuição
de edema, formação de epitélio juncional e cicatrização da área (contração do tecido) – clinicamente manisfestado
pela diminuição da profundidade de sondagem; aumento do nível de resseção (devido a contração do tecido).
Sendo assim, o paciente PODE apresentar RECESSÃO (distância da margem gengival para a junção cemento esmalte)
após a raspagem.
OBS: A recessão e o nível de inserção, que já existia, pode ou não desaparecer (depende do paciente), MAS a
PROFUNDIDADE DE SONDAGEM É DIMINUIDA.
RAR – Efeitos Biológicos
Determinação da reorganização tecidual, através da remoção de fatores que provocam a inflamação como:
biofilme, cálculo e cemento contaminado, produzindo contração do tecido edemaciado com consequente
redução da profundidade de sondagem.
➢ Maior alteração: 3 – 4 semanas.
➢ Reparo gengival: até 9 – 12 semanas (se o paciente mantém o controle do biofilme, porém se não
manter pode voltar até com mais biofilme e com uma bolsa ainda maior)
OBS: FUMO e DIABETES => Fator de modificação de resposta => Resposta ao tratamento sempre é ruim.
Metas clínicas de sucesso do RAR: => HOUVE RESPOSTA SATISFATÓRIADA RASPAGEM
✓ Resistência aumentada dos tecidos periodontais à sondagem;
✓ Ausência de sangramento à sondagem;
VOLTA: 2 semanas (TRABALHAR APENAS: Motivação - controle de biofilme – e Manutenção)
VOLTA: 2 semanas (COM SANGRAMENTO) => Não está mantendo controlado biofilme (deve-se motivar o paciente a
realizar higiene), ou foi deixado cálculo contaminado – sangramento elevado – que ainda gera doença (deve-se,
então, raspar novamente -> agora o campo visual é melhor, sendo mais fácil raspar).
PRECISA ANESTESIAR? Depende do paciente, a grande maioria necessita.
A doença varia de sítio para sítio e de paciente para paciente.
Curetagem tecidual (PROYE et al., 2005)
O ato de remover intencionalmente a parede gengival da bolsa periodontal, durante a RAR, não promove
benefício aparente para o reparo tecidual (IATROGENIA – dano a um tecido sadio).
RAR – Considerações e limitações (CLAFFEY et al., 2004)
Anatomia radicular (dentes anteriores mais fáceis que posteriores – COMPLICAÇÕES: Região de furca {muita
concavidade/convexidade}; Pérolas de esmalte; Fissura; Raízes com má formações);
Profundidade de sondagem x dificuldade (um dente com PS maior é mais difícil de raspar, devido o uso de curetas
de haste estendida – perde tato);
Habilidade do operador (experiência);
Tempo dispendido;
Recessão gengival (contração do tecido já no tecido inflamado);
Perda de estrutura dental – Iatrogênia: remove-se uma estrutura biológica saudável);
Hiperssensibilidade dentinária (raspagem demasiada);
RAR – Tipos de instrumentação
1. Convencional (raspagem com cureta ou com us)
4 sessões (1 semana cada quadrante)
HÁ a translocação de bactérias locais, RECOLONIZAÇÃO de bactérias de outros locais na área saudável.
2. Full Mouth Disinfection (raspagem com cureta)
RAR c/ curetas – 2 sessões de 2hr cada em 24hr + CHX (clorexidina)
Objetivo: Evita translocação de bactéria (não tem tempo para recolonização)
Efeito colateral: Abcesso (algumas vezes)
3. Debridamento gengival (raspagem com US)
Raspagem c/ US em sessão única de 1 hora (raspar o máximo que conseguir)
Objetivo: Tornar a superfície biocompatível => Tornar o ambiente homeostático, com equilíbrio. Pode e vai haver
biofilme, porém está em saúde com essa determinada quantidade. Não se consegue isso com todos os pacientes. A
maioria responde muito bem a esse tipo de tratamento inicial.
É a remoção do biofilme (pode-se – normalmente - retirar o cálculo).
Instrumentos ultrassônicos
» Os instrumentos ultrassônicos são compostos de um gerador elétrico que libera energia em alta frequência
(ultra-sônica) para uma peça de mão. => DEFICIT AUDITIVO (usa-se hoje PIEZO ELÉTRICO)
» Tão efetivos quanto os instrumentos manuais na remoção do biofilme e cálculo dental e na eliminação de
endotoxinas bacterianas da superfície radicular.
» Alguns autores criticam a rugosidade de superfície provocada pela raspagem com pontas ultrassônicas
(controverso).
» Efetivos nas áreas de furca (melhor que a manual, porém não tem tanta sensibilidade tátil quanto a manual).
» Reduzem o tempo de instrumentação e permitem menor remoção de estrutura dental.
» Indicados principalmente para a remoção de grandes massas de cálculo supragengival.
» Podem ser utilizados para raspagem subgengival e remoção de manchas – jato de profilaxia (ex. nicotina).
» Atuam por vibração (movimento vibratório).
» Deve-se realizar movimentos verticais, curtos e lentos, passando a face lateral da extremidade ativa sobre o
cálculo dental.
» Não se deve aplicar excesso de pressão, pois quem remove o cálculo é a vibração do instrumento.
INSTRUMENTAÇÃO MANUAL
Pode ser feito:
➢ Sextantes
➢ Quadrantes
➢ Meia Boca
➢ Boca toda (2 semanas no mínimo, para mudar hábito de controle mecânico de biofilme...)
RAR – Manual x Ultrassônica (controverso)
❖ US : condições anatômicas desfavoráveis (áreas de furca profundas, principalmente) e menor tempo operacional.
❖ Efetividade:
▪ IGUAL (LAURELL, 1990 / OOSTERWAAL et al., 1987)
▪ US MAIOR (NISHIME, 1973 / O’LEARY, 1973)
٭ Lesão de furca classes II e III (DEVIDO: propriedade mecânica – por ser mais fino, acessa melhor, e por vibrar,
cálculo desprende facilmente -, propriedade física da água no deslocamento do cálculo).
▪ US MENOR (LEON, 1987 / VOGEL, 1987)
➢ Efeito sobre microbiota subgengival (OOSTERWAAL et al., 1987 / COPULOS et al., 1993)
Os dois métodos de instrumentação periodontal são igualmente eficazes na redução do número total de
bactérias.
➢ Remoção de placa e cálculo (BADERSTEN et al., 1984 / HUNTER et al., 1984 / GARNICK & DENT, 1909 / KEPIC et al., 1990)
A instrumentação manual e US são métodos efetivos na remoção de placa e cálculo da superfície radicular.
➢ Remoção de endotoxinas bacterianas (COGEN et al., 1984 / CHECCI & PELLICCIONE, 1988)
O US é tão efetivo na remoção de endotoxinas bacterianas da superfície radicular quanto os instrumentos
manuais.
❖ Tempo de instrumentação (DRAGOO, 1992 / COPULOS et al., 1993)
▪ Economia de 25 a 50% de tempo com a utilização do US
❖ Perda de estrutura dental (RITZ et al., 1991)
➢ Fatores que influenciam a perda de estrutura dental: modo de ação, força, tempo, afiação, ângulo de
trabalho, material e forma do instrumento.
- US
INSTRUMENTO SÔNICO
CURETAS
+ PONTAS DIAMANTAS (15μm)
Significância da rugosidade radicular (Estudos: US leva a rugosidade radicular – ruim)
O epitélio juncional sofre readaptação, formando uma faixa epitelial normal também sobre superfícies irregulares.
(WAERHAUG, 1956)
Alguns estudos não conseguiram demonstrar efeito negativo da rugosidade radicular na formação do biofilme
subgengival e na inflamação gengival. (Ou seja, só necessita está limpo)
(ROSENBERG & ASH, 1974 / KHATIBLOU & GHODSSI, 1983)
A textura da superfície dental tem influência na formação do biofilme supragengival. Entretanto, no ambiente
subgengival as características da superfície parecem ter menor importância.
(QUIRYNEN & BOLLEN, 1995)
CONCLUSÃO (ARMITAGE, 1993)
1. Instrumentos US reduzem o tempo de raspagem e alisamento radicular.
2. Instrumentos manuais e US são eficazes na remoção de endotoxinas da superfície radicular.
3. A remoção de placa e cálculo é similar nos dois tipos de instrumentação.
4. O US remove menos estrutura dental que a instrumentação manual e outros métodos.
5. Existem controvérsias em relação à textura da superfície radicular (PRECISA ESTÁ LIMPA).
Entretanto, parece pouco provável que a topografia da superfície seja um fator maior na determinação da proporção
de formação de placa. Já que podemos ter uma superfície rugosa e limpa.
Fatores importantes para o resultado
» Anatomia radicular (dentes uniradicular mais fácil);
» Habilidade do operador (experiência);
» Tempo de tratamento;
» Afiação dos instrumentos;
» Tipo de instrumento utilizado;
IATROGENIA por sobreinstrumentação
NÃO OCORRE com o US.
Furcas proximais (PONTORIERO & LINDHE, 1995 / AVERA et al., 1998)
Maior dificuldade de acesso dos instrumentos;
Anatomia complexa;
Piores resultados após terapia regenerativa.
٭ Uma alternativa de tratamento, após limpeza e desinfecção, é a colocação de osso e membrana para tentar
regenerar.
DESINFECÇÃO DE BOCA TODA EM ESTÁGIO ÚNICO One stage full-mouth disinfectionAvaliando os estudos que mostraram a ocorrência de recolonização bacteriana após a raspagem e alisamento
radicular, a desinfecção de boca toda foi proposta para melhorar a eficácia da terapia periodontal.
(KOSHY et al., 2004)
Pacientes renais crônicos, hipertensos, cardiopatas e alguns pacientes para transplantes: é o tipo do paciente que vai para consulta
já medicado (antibiótico) e era precisava ir para transplante em algumas semanas (não tem tempo hábil para tratar todos os focos
de doença).
Bases biológicas (PETIT et al., 1994 / DANSER et al., 1996)
A maioria dos periodontopatógenos são capazes de colonizar vários nichos intra-bucais:
٭ Epitélio bucal;
٭ Dorso da língua;
٭ Superfície dental supragengival;
٭ Bolsa periodontal (Presença de A. a; P. g.);
٭ Assoalho da boca;
٭ Vestíbulo;
٭ Palato;
٭ Tonsilas;
Transmissão bacteriana intra-oral (translocação das bactérias)
» Transmissão através da sonda periodontal; (CHRISTERSSON et al., 1985)
» Estudos com implantes; (MOMBELLI et al., 1988 / LEONHARDT et al., 1993 / PAPAIOANNOU et al., 1995)
CONTROLE MECÂNICO e QUÍMICO BACTERIANO
PROTOCOLO ORIGINAL (QUIRYNEN et al., 1995)
1. RAR da boca toda em 2 sessões dentro de 24h;
2. Escovação da língua com gel de clorexidina 1% por 1 min;
3. Irrigação subgengival (seringa hipodérmica, agulha dentro da bolsa) com gel de clorexidina 1%, 3x dentro de 10
min, após as sessões de RAR e no 8º dia;
4. Bochechos 2x ao dia com 10ml de clorexidina 0,2% por 2 semanas => PRESCREVER
PROTOCOLO MODIFICADO (QUIRYNEN et al., 1999)
1. RAR da boca toda em 2 sessões dentro de 24h;
2. Escovação da língua com gel de clorexidina 1% por 1 min;
3. Irrigação subgengival (seringa hipodérmica, agulha dentro da bolsa) com gel de clorexidina 1%, 3x dentro de 10
min, após as sessões de RAR e no 8º dia;
4. Spray de clorexidina 0,2%.
5. Bochechos 2x ao dia com 10ml de clorexidina 0,2% por 2 meses
OUTROS PROTOCOLOS
➢ Lavar a boca e pulverizar nas tonsilas 2x/dia com CHX a 0,2% por 2 meses após procedimento;
(MOGARDINI et al., 1999)
➢ Solução de iodopovidona a 1% como refrigeração durante a sessão;
➢ Bochechos 2x/dia com CHX a 0,5% por 1 mês.
(KOSHY, 2005)
TERAPIA PERIODONTAL CONVENCIONAL
Raspagem e alisamento radicular por sextantes / quadrantes (intervalos de 1 a 2 semanas);
DESINFECÇÃO DE BOCA TODA EM ESTÁGIO ÚNICO
Raspagem e alisamento radicular, dentro de 24 horas.
APLICABILIDADE CLÍNICA – Melhores resultados?
Artigo (A systematic review of the effects of full-mouth debridement with and without antiseptics in patients with
cronic periodontitis) que compara FULL-MOUTH com clorexidina e FULL-MOUTH sem clorexidina com a terapial de
raspagem convencional
DBT (Desinfecção da boca total) e a RARBT (RAR da boca total) não promovem vantagens clínicas relevantes sobre a
TERAPIA CONVENCIONAL de RAR. Assim, todas as 3 modalidades terapêuticas podem ser recomendadas para
TRATAMENTO INICIAL de pacientes com periodontite crônica.
INSTRUMETAÇÃO DA RAR (REVISÃO)
PRINCÍPIOS GERAIS DA INSTRUMENTAÇÃO
Acessibilidade (posição ideal do paciente / operador)
Visibilidade (iluminação e afastamento)
Condições do instrumento (afiação)
Manutenção do campo limpo
Preensão do instrumento
Estabilização do instrumento
Ativação do instrumento
POSICIONAMENTO PROFISSIONAL
Coluna ereta
Joelho em ângulo reto
Pés apoiados no chão
Posicionamento / Região
FRONTAL
LATERAL
POSTERIOR
AUXILIAR
CURETAS GRACEY
5/6 – Qualquer face dos ANTERIORES e PRÉ-MOLARES
7/8 – Faces livres (Vestibular e Lingual/Palatina) dos POSTERIORES
11/12 – Mesial dos POSTERIORES (incluindo raízes)
13/14 – Distal dos POSTERIORES (incluindo raízes)
CURETAS GRACEY: AFTER-FIVE e MINI-FIVE
Curetas After-five
A haste é 3 a 5mm MAIOR em relação às curetas de Gracey padrão.
Curetas Mini-five
São iguais às curetas padrão, porém a face ativa é 50% menor.
POSICIONAMENTO DO PACIENTE
Cavidade bucal na altura do cotovelo do profissional.
MAXILA:
- Plano oclusal perpendicular ao solo.
- Posição supina (paciente deitado)
- Cabeça para trás
MANDÍBULA:
- Plano oclusal paralelo ao solo.
- Queixo para baixo.
- Encosto levantado.
ESTABILIZAÇÃO DO INSTRUMENTO
Empunhadura: caneta modificada e um apoio digital correto (dedo anelar próximo à área);
Com o efeito dos três dedos (efeito trípode) é possível rotacionar o instrumento de qualquer jeito.
O dedo médio sempre próximo do dedo anular (apoio).
Evita trauma aos tecidos;
Maior efetividade.
APOIO PARA RASPAGEM
Fornece estabilidade para ativação
Correta angulação da face ativa (parte inferior da haste PARALELA ao longo eixo do dente)
Possibilita movimento de mão + punho + antebraço (quando o cotovelo abaixa o punho levanta)
Próximo ao dente a ser raspado
MOVIMENTO DE DEDOS
Não devem ser iniciadores nem exclusivos.
Útil em ângulos diedros (ângulo entre a mesial e a distal), bifurcações, superfícies estreitas.
TIPOS DE APOIO
Intra-oral convencional (ponto de apoio em dentes próximos a área a ser raspada)
Arcada cruzada (apoio na arcada oposta do lado oposto)
Arcada oposta (apoio na arcada oposta)
Dedo sobre dedo (para dentes posteriores)
Extra-oral (palma da mão para cima apoiado na arcada oposta – posteriores; palpa da mão para baixo apoiado na
arcada oposta – anteriores)
VISIBILIDADE
❖ ILUMINAÇÃO (Direta ou Indireta – espelho)
❖ AFASTAMENTO (Espelho ou Dedo)
ADAPTAÇÃO DA CURETA
Inserção subgengival da lâmina da cureta (lâmina em 0°, só faz
angulação quando atingir a área de trabalho).
Terço inferior (TI) da lâmina em contato constante com o dente
enquanto se processa a raspagem.
TERÇO DE TRABALHO = Terço inferior (é angulado)
Parte inferior da haste paralela ao longo eixo do dente.
ATIVAÇÃO DO INSTRUMENTO (Angulações)
A cureta deve-se entrar em 0° e só angular a cureta quando atingir a
profundidade adequada. Como saber a profundidade adequada? Antes de se raspar, deve-se sondar e ver onde o
cálculo está, normalmente se localiza em 2mm do fundo da bolsa.
Rotaciono a cureta para a angulação de trabalho correta (45°-90°). E traciono o cálculo. Se eu raspar com um ângulo
menor que 45° haverá apenas o brunimento do cálculo. Com um ângulo maior que 90° haverá dilaceração epitelial.
❖ Ângulo de 45° a 90°
▪ O ângulo de trabalho é estabelecido através da rotação dos dedos e não somente pela angulação da haste.
▪ Depende: da NATUREZA e da QUANTIDADE DE CÁLCULO; da CONSISTÊNCIA DO TECIDO; da FASE DA RASPAGEM.
PRESSÃO LATERAL
Força aplicada contra a superfície dentária através do ângulo de corte.
o Pressão realizada pelos dedos;
o Movimento de mão e antebraço;
o Grandes massas de cálculo: pressão firme/moderada e controlada => INÍCIO DE RASPAGEM;
o Pressão leve para remoção de cálculo: brunimento (se for em grandes massas) => DEPOIS DA RASPAGEM PARA
ALISAMENTO (ideal a pressão leve)
o Excesso de pressão: estrias.
ATIVAÇÃO DO MOVIMENTO
TRAÇÃO (PUXAR)
IMPULSÃO
DIRECIONAMENTO DO MOVIMENTO
Preferenciais: VERTICAL e OBLÍQUO
HORIZONTAL
Indicações:
- Contorno do dente ou forma da bolsa impossibilita a instrumentação vertical ou oblíqua.
Desvantagens:
- Potencialmente perigoso (pode agredir epitélio);
- Associadoa flexão dos dedos;
- Menor eficácia.
MOVIMENTO DE RASPAGEM
Firme / Curto / Tração
Remoção do cálculo SUPRA => SUB
TS
TM
TI
TM (Terço médio); TI (Terço inferior); TS (terço superior).
DEDO + MÃO + PUNHO + ANTEBRAÇO
Raspagem “em faixas” => movimentos incrementais
MOVIMENTO DE ALISAMENTO RADICULAR
Movimentos verticais / oblíquos;
Pressão reduzida gradualmente;
Mov. Mais amplos e superpostos;
Mov. Punho + Antebraço;
Proximidade de 45°;
Cuidados para não haver sobreintrumentação – não preciso tornar superfície lisa (endotoxina fracamente aderida),
apenas limpar.
OTIMIZAÇÃO DA RAR
Faces lado esquerdo / direito
Mesma posição do operador
Mesma posição da face ativa
PRINCÍPIOS DA INSTRUMENTAÇÃO
Conhecimento da profundidade de sondagem do sítio.
Posicionamento adequado do paciente ao operador.
Iluminação adequada do local de trabalho.
Instrumentos afiados e preparados.
Preensão firme e apoio direto ou indireto.
Atuação sistemática: passo-a-passo.
RASPAGEM SUPRAGENGIVAL
Facilidade visualização do cálculo.
Cálculo menos aderido.
Fácil adaptação e angulação.
Liberdade de movimento.
RASPAGEM SUBGENGIVAL
Depósitos de cálculos mais aderidos.
Dificuldade de acesso (por conta da bolsa e do epitélio).
Limitação de movimento (não pode fazer movimento muito amplo).
Dificuldade de adaptação.
Observação da posição da haste (o que guia o operador é a haste terminal que deve estar paralela a área a ser
raspada).
TÉCNICA RAR
1º A extremidade ativa é escolhida;
2º A cureta é empunhada em forma de caneta modificada;
3º É estabelecido o ponto de apoio;
4º A lâmina é suavemente adaptada contra o dente (inserção na área subgengival em 0°);
5º A lâmina é introduzida no fundo da bolsa (estabelecida pela sondagem prévia);
6º É estabelecido o ângulo de trabalho (45°-90°);
7º Uma pressão lateral é exercida contra a superfície dental;
8º Movimentos de exploração (cálculo, aspereza);
9º Movimentos de raspagem (FIRME, curtos, sobrepostos);
10º Movimentos de alisamento radicular (LEVE, amplos, sobrepostos até se obter lisura => LIMPEZA);
11º A adaptação deve ser constante (O TERÇO INFERIOR SEMPRE EM CONTATO COM O DENTE).
CONTROLE DA DOR
Aplicação dos bons princípios da instrumentação.
Limiar de dor do paciente.
-> Passar analgésico ou não
Persistência da dor: anestesia.
Bom senso-situação clínica.
CONTROLE DO SANGRAMENTO
Sangramento: proporcional ao grau da inflamação.
Associado ou não ao trauma tecidual.
“Rolete” de gaze.
AVALIAÇÃO IMEDIATA DA RAR
Espelho
Jato de ar
Sonda (para ver se há cálculo aderido)
TP NÃO CIRÚRGICA – NOVOS PARADIGMAS
Cálculo residual sempre presente após instrumentação não cirúrgica.
Cura tecidual pode ocorrer mesmo na presença de algum cálculo. O clínico deve remover todo o cálculo detectável
e acompanhar a resposta após o tratamento inicial.
A “chave” deste tratamento é a restauração do delicado equilíbrio entre microorganismos e resposta imune do
paciente.
O equilíbrio é aceitável quando ocorrer cura dos tecidos e nenhum sinal inflamatório estiver presente.
Se há inflamação persistente em determinada área, esse sítio necessitará de tratamento adicional.