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2 - sociologia

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suas variações, sem estabelecer 
hierarquia entre elas.
 Para saber mais sobre o conceito de cultura na mediação entre humanidade e animalidade, 
acesse o verbete do antropólogo Tim Ingold45.
42 http://cnec.lk/060m 43 - http://cnec.lk/0627 44 - http://cnec.lk/05vx 45 - http://cnec.lk/061n
Fig.7.8
Ciência dos homens e ciência da diferença
29Volume 2
Exercícios de sala
1 Descreva, com base no ponto de vista antropológico, como o ser humano é singular dentre os demais 
animais.
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B) Crítica ao evolucionismo
 Como a Biologia e a Medicina foram 
as primeiras ciências a adquirirem esse 
status, as demais ciências tenderam 
a copiar seus padrões técnicos e 
metodológicos. Honrosas exceções 
foram Marx46, Durkheim47 e Weber48 
que explicaram o social pelo social 
(e não pelo biológico). Entretanto a 
Antropologia nasceu do evolucionismo 
e esse modelo de pensamento levou 
décadas para ser superado – e, ainda 
hoje, há antropólogos e cientistas (sociais 
e naturais) evolucionistas.
 Conceituar cultura foi realmente um 
grande avanço porque permitiu explicar as diferenças entre os grupos humanos sem excluir 
os diferentes da humanidade. Porém, juntamente a esse conceito, o de raça foi importado da 
Biologia para as Ciências Sociais.
 É importante ressaltar que evolucionismo é a leitura que biólogos fi zeram da teoria da origem 
das espécies de Darwin. Para esse autor, a origem das espécies é um processo histórico, demora 
milênios, e é infl uenciado por fatores geográfi cos (clima e presença ou ausência de determinados 
alimentos). A origem das espécies tem a ver com a adaptação dos seres vivos às condições da 
natureza – nesse sentido, o ser humano é o ser vivo mais bem adaptado porque é o único capaz 
de transformar a natureza a seu favor. Portanto a teoria de Darwin fala de produção de diferenças 
por variações nos meios e ambientes. Os fatores históricos e geográfi cos são determinantes 
sobre a Biologia. É por isso que não vemos um macaco transformar-se em humano. Darwin diz 
que, há milhares de anos, é provável que existia um ser vivo humanoide, cuja propagação por 
espaços geográfi cos diversos levou a adaptações diversas e, por sua vez, a espécies diferentes 
(homem e macaco).
 Bem, o raciocínio feito pelos antropólogos foi mais próximo ao de Darwin – e é mais razoável 
a leitura feita por biólogos. Assim compreendia-se que humano era todo aquele que “portasse” 
cultura apesar das diferenças. Mas a maneira de encarar essa diversidade intrínseca às sociedades 
humanas conduziu à crença de que existia hierarquia entre as sociedades. A diversidade é 
intrínseca porque é necessário ao ser humano se adaptar, diferenciando-se. Da mesma forma 
que se pode dizer que o ser humano é o animal mais bem adaptado, pois suas técnicas possibilitam 
transformar a natureza, acreditou-se que haveria uma linha de desenvolvimento com um único 
fi m e que as sociedades passariam de um estágio a outro até o atingirem.
46 - http://cnec.lk/05w5 47 - http://cnec.lk/05vf 48 - http://cnec.lk/05vc
Fig.7.9
Alguns com dedos,
os demais com
unhas
Segundo dedo com
garras, os demais
com unhas.
Segundo e Terceiro
dedos com garras,
os demais com 
unhas.
Com cauda Sem cauda
Com cauda
Preênsil
Sem cauda
Preênsil
Postura Ereta
Eventual
Postura
Ereta
Todos os dedos
com unhas
Primatas
Lêmur Társio Macaco
do Novo
Mundo
Macaco
do Velho
Mundo
Antropóides Homem
Sociologia
30 1ª série do Ensino Médio
 A imagem ao lado representa a evolução 
humana segundo a Biologia. Observe que 
é uma linha reta e que possui apenas um 
sentido (todos caminham para a mesma 
direção).
 O evolucionismo social acreditou nessa 
ideia linear de progresso. Sabemos que o 
último elo da cadeia de desenvolvimento do 
ser humano é o mais desenvolvido (o mais 
adaptado). Os antropólogos e sociólogos do 
fi nal do século XIX transportaram essa ideia 
para as Ciências Sociais. Eles e toda Europa, 
acreditavam que o auge da humanidade 
era o que se chamava civilização e que 
sua forma mais perfeita e completa era a 
Europa. Por isso acreditou-se que o padrão 
europeu de civilização era o último estágio de desenvolvimento humano e o fi m da linha do 
progresso, ao qual todos os grupos humanos deveriam chegar.
 Foi quando o conceito de raça, que explica a diferença entre os seres vivos pela Biologia, 
ganhou espaço nas ciências humanas. Acreditava-se que existiam diversas raças humanas, umas 
mais desenvolvidas, outras menos. Nesse sentido, o evolucionismo (Biologia e Antropologia) é 
fi lho legítimo do Positivismo (fi losofi a), já estudado anteriormente.
 L. H. Morgan49 estabeleceu uma linha de desenvolvimento em três estágios: selvageria, 
barbárie e civilização. Selvagens eram os mais primitivos, de hábitos rudimentares, nômades em 
sua maioria ou silvícolas (habitantes das selvas). Barbárie: estágio de povos mais desenvolvidos 
tecnologicamente, possuidores de armas e sedentários, no entanto, sua inteligência e organização 
política e social ainda era muito defasada, de modo que viviam brigando entre si. Civilização: 
povos com posse plena das tecnologias e desenvolvimento intelectual que possibilitaria conviver 
em paz – esse padrão apenas teria sido atingido pelo Ocidente, isto é pelos EUA, pela França 
e Inglaterra. Essa linha de progresso de Morgan foi amplamente difundida e copiada. Embora 
sofi sticada, a tentativa de Morgan de defi nir o caminho da evolução não tem fundamento 
concreto. O que ele fez para defi nir selvageria, barbárie ou civilização foi agrupar técnicas e 
ferramentas. Mas esse “critério” é arbitrário, as ferramentas são aperfeiçoadas ou abandonadas 
com o tempo e, por isso mesmo, qualquer outro arranjo poderia ser inventado.
 Outro autor contemporâneo a Moragan e que escreve de forma parecida é Auguste Comte50. 
Segundo esse autor, o espírito humano se desenvolveria em três estágios: teológico, metafísico 
e positivo. Assim: 
 No estado teológico, o espírito humano, dirigindo essencialmente suas investigações para 
a natureza íntima dos seres, as causas primeiras e fi nais de todos os efeitos que o tocam, numa 
palavra, para os conhecimentos absolutos, apresenta os fenômenos como produzidos pela 
ação direta e contínua de agentes sobrenaturais mais ou menos numerosos, cuja intervenção 
arbitrária explica todas as anomalias aparentes do universo. 
 No estado metafísico, que no fundo nada mais é do que simples modifi cação geral do 
primeiro, os agentes sobrenaturais são substituídos por forças abstratas, verdadeiras entidades 
(abstrações personifi cadas) inerentes aos diversos seres do mundo, e concebidas como 
capazes de engendrar por elas próprias todos os fenômenos observados, cuja explicação 
consiste, então, em determinar para cada um uma entidade correspondente.
 Enfi m, no estado positivo, o espírito humano, reconhecendo a impossibilidade de obter 
noções absolutas, renuncia a procurar a origem e o destino do universo, a conhecer as causas
49 - http://cnec.lk/0615 50 - http://cnec.lk/05vw
Fig.7.10
Ciência dos homens e ciência da diferença
31Volume 2
íntimas dos fenômenos, para preocupar-se unicamente em descobrir, graças ao uso bem 
combinado do raciocínio e da observação, suas leis efetivas, a saber, suas relações invariáveis 
de sucessão e de similitude. A explicação dos fatos, reduzida então a seus termos reais, se 
resume de agora em diante na ligação estabelecida entre os diversos fenômenos particulares e 
alguns fatos gerais, cujo número o progresso da ciência

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