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Universidade Federal de Alagoas Curso de Graduação em Nutrição (7º Semestre) Disciplina: Saúde Pública 2 “POBREZA, FOME E DESNURIÇÃO” Profª Giovana Longo-Silva giovana_longo@yahoo.com.br 2015 CONTEÚDO DE HOJE MONTEIRO, CARLOS AUGUSTO. “A dimensão da pobreza, da fome e da desnutrição no Brasil.” Revista do Instituto de Estudos Avançados da USP 17 (48):7-2003. LEITURA DO ARTIGO: IDENTIFIQUE NO ARTIGO: - Justificativa - Objetivo - Definição de Pobreza - Definição de Fome - Definição de desnutrição crônica - Diferença entre Pobreza e Fome - Diferença entre Fome e Desnutrição - Diferença entre Pobreza e Desnutrição - Como aferir pobreza - Como aferir fome - Como aferir desnutrição crônica - Qual a proposta do artigo para o combate a estes problemas por meio de ações governamentais? CARLOS AUGUSTO MONTEIRO Professor titular do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e Coordenador Científico do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo – Nupens-USP. JUSTIFICATIVA DO ARTIGO As discussões em torno do “Projeto Fome Zero” despertaram uma antiga polêmica: “Qual a verdadeira dimensão da fome e desnutrição e quais medidas seriam as mais eficazes para lutar contra esses problemas?” OBJETIVO DO ARTIGO “Este ensaio pretende contribuir para um melhor entendimento da dimensão e das possíveis soluções para a fome e a desnutrição no Brasil”. DEFINIÇÃO: POBREZA “Corresponde à condição de não satisfação das necessidades humanas elementares como comida, abrigo, vestuário, educação, assistência à saúde entre outras”. DEFINIÇÃO: DESNUTRIÇÃO (OU DEFICIÊNCIA NUTRICIONAL) DESNUTRIÇÃO PRIMÁRIA: “decorre do aporte alimentar insuficiente em energia e nutrientes”. DESNUTRIÇÃO SECUNDÁRIA: “decorre do inadequado aproveitamento biológico dos alimentos ingeridos – geralmente motivado pela presença de doenças, em particular as infecciosas”. DEFINIÇÃO: FOME 1- FOME AGUDA (momentânea): equivale à urgência de se alimentar, a um grande apetite, e é irrelevante para a discussão do artigo. 2- FOME CRÔNICA (permanente): ocorre quando a alimentação diária, habitual, não propicia ao indivíduo energia suficiente para a manutenção do seu organismo e para o desempenho de suas atividades cotidianas. Neste sentido, a fome crônica RESULTA EM UMA DAS MODALIDADES DE DESNUTRIÇÃO: DEFICIÊNCIA ENERGÉTICA CRÔNICA. EXISTE AINDA O CONCEITO DE FOME OCULTA Deficiência de um ou mais micronutrientes (vitaminas, minerais), Causa: alimentação não adequada, Muito comum em obesos, praticantes de atividade física e dietas rigorosas de emagrecimento. Atinge cerca de ¼ da população mundial, Não faz distinção entre classes sociais, idade ou sexo. Pobreza, desnutrição e fome: se inter-relacionam mas não são sinônimos. ǂ POBREZA E FOME O ∆ pode ser pobre sem ser afetado pela fome. (se a pobreza não limitar acesso a alimentação) A situação inversa não é verdadeira (exceto em guerras ou catástrofes naturais), portanto: Quem tem fome é afetado pela pobreza. ǂ FOME E DESNUTRIÇÃO Fome e desnutrição não são equivalentes. A fome leva a desnutrição energética crônica. Porém nem toda desnutrição/deficiência nutricional se origina do aporte alimentar insuficiente em energia (falta de comida). Outras causas de desnutrição: desmame precoce, higiene precária dos alimentos, déficit específico da dieta (vitaminas e minerais), incidências repetidas de infecções (diarreia e parasitoses intestinais). ǂ POBREZA E DESNUTRIÇÃO Pobreza e desnutrição são os que mais se aproximam. Bom estado nutricional da criança pressupõe não apenas disponibilidade de alimentos, mas também a diversificação da dieta, condições salubres de moradia, acesso à educação e serviços de saúde etc. POBREZA = “Não satisfação das necessidades humanas elementares como comida, abrigo, vestuário, educação, assistência à saúde entre outras” DESNUTRIÇÃO PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA COMO AFERIR POBREZA EM UMA POPULAÇÃO: Considera a renda (monetária e não monetária) das famílias e uma linha de pobreza, baseadas no custo estimado para aquisição das necessidades humanas básicas. POBRE = renda familiar < linha de pobreza Quando a linha de pobreza se baseia apenas no custo da alimentação pobreza extrema, indigência ou insegurança alimentar. ÍNDICES DE LINHA DE POBREZA Não há consenso sobre qual critério deve ser adotado como linha de pobreza. $1/pessoa/dia R$ 70/pessoa/mês €420/pessoa/mês POBREZA (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio – PNAD, 1999) Pessoas pobres ou vivendo abaixo da linha de pobreza: Renda disponível: declarada pelas famílias, excluindo-se o equivalente a gastos com aluguel e pagamento de casa própria Custo de vida: estimado para as distintas regiões do país. COMO AFERIR DESNUTRIÇÃO EM UMA POPULAÇÃO: Indicador de desnutrição/ Risco de deficiência nutricional: Crianças (grupo + vulnerável): E/I < 2DP para idade e sexo (OMS, 1995) Esperado: 2-3% das crianças geneticamente pequenas DESNUTRIÇÃO (Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde – PNDS, 1996) Justificativas para diferenças entre Urbana e rural e maiores prevalências de desnutrição no Nordeste e Norte: - Renda - Cobertura de serviços públicos - Educação - Saneamento DESNUTRIÇÃO (ENDEF/PNSN/PNDS) DESNUTRIÇÃO (ENDEF/PNSN/PNDS) COMO AFERIR FOME (DEFICIÊNCIA ENERGÉTICA CRÔNICA) EM UMA POPULAÇÃO: Indicador da magnitude da fome: Adultos (relação peso e estatura): IMC < 18,5Kg/m² (em crianças o baixo peso pode refletir déficit estatural) Prevalências (%) Classificação 3 a 5 Normal (esperado) 5 a 9 Baixa prevalência 10 e 19 Prevalência moderada 20 a 29 Prevalência alta > 40 Prevalência muito alta OMS, 1995 FOME (DEFICIÊNCIA ENERGÉTICA CRÔNICA) (Pesquisa sobre Padrões de Vida –PPV, 1996/97) Prevalências (%) Classificação 5 a 9 Baixa prevalência WHO, 1995 FOME (DEFICIÊNCIA ENERGÉTICA CRÔNICA) (ENDEF/PNSN/PNDS) Prevalências (%) Classificação 5 a 9 Baixa prevalência 10 e 19 Prevalência moderada OMS, 1995 CONCLUSÕES Ações governamentais específicas de combate a pobreza deveriam ter máxima prioridade no país, objetivando principalmente o AUMENTO DA RENDA DOS MAIS POBRES. Como aumentar a renda: criação de empregos, melhor distribuição de renda, crescimento econômico, aprofundamento da reforma agrária. Programas de transferência direta de renda: com contrapartidas. Ex. “bolsa- escola” (manutenção da criança na escola), “bolsa-alimentação” (compromisso com a saúde). CONCLUSÕES Ações governamentais específicas de combate a pobreza deveriam ter máxima prioridade no país, objetivando principalmente o AUMENTO DA RENDA DOS MAIS POBRES. Como aumentar a renda: criação de empregos, melhor distribuição de renda, crescimento econômico, aprofundamento da reforma agrária. Programas de transferência direta de renda: com contrapartidas. Ex. “bolsa- escola” (manutenção da criança na escola), “bolsa-alimentação” (compromisso com a saúde). CONCLUSÕES COMBATE A POBREZA BENEFÍCIOS A DESNUTRIÇÃO E FOME. Como erradicar definitivamente a pobreza: - Investimentos em educação, - Saneamento do meio, - Cuidados básicos de saúde, - Monitoramento do estado nutricional infantil, - Detecção precoce de desnutrição. CONCLUSÕES Ações de distribuição de alimentos (créditos ou cupons) deveriam ser empregadas no Brasil, com atenção especial para população da região NORDESTE. Aexpansão desmedida de ações de distribuição de alimentos implicaria em consumir recursos que poderiam faltar para ações sociais mais bem justificadas e mais eficientes.