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A psicomotricidade e as necessidades educativas especiais
O que a psicomotricidade e as necessidades educativas especiais têm a ver? A princípio, tal relação pode parecer um pouco difícil para conceber, mas no artigo de hoje vocês verão que não é algo tão distante. Muito pelo contrário, um aspecto depende do outro de maneira relevante.
O desenvolvimento psicomotor na educação infantil
É indispensável que a escola trabalhe a psicomotricidade com os pequenos, pois é a partir disso que as crianças podem elaborar melhor seus movimentos e tudo que se refere ao que está em volta, inclusive.
Na sala de aula, fatores como a lateralidade, organização e noção espacial; esquema corporal e até mesmo a estruturação espacial devem ser trabalhadas em prol do aluno. Um problema ocorrido nesses itens pode impactar no aprendizado do pequeno.
A ligação entre a psicomotricidade e as necessidades educativas especiais
É importante salientar que as habilidades desenvolvidas dentro das práticas psicomotoras exercem influências diretas na aprendizagem da criança. Muitos estudiosos consideram que a educação da psicomotricidade funciona como a base para o processo intelectivo.
Eles explicam que o fato de o desenvolvimento evoluir do geral para o específico significa a dinâmica entre esses conhecimentos ou conjunto de práticas. Para ficar mais claro, funciona da seguinte maneira: quando uma criança apresenta alguma dificuldade de aprendizagem, o detalhe crucial pode estar no desenvolvimento psicomotor.
Para se ter uma noção, algum déficit na psicomotricidade interfere no desempenho do aluno, por exemplo, com conteúdos relacionados à leitura e escrita. A possibilidade de isso acontecer deve-se ao fato de que um problema no desenvolvimento psicomotor possa ocasionar déficits no aprendizado da linguagem.
O que a psicomotricidade pode fazer às necessidades educativas especiais?
O papel que essas práticas simbolizam é de extrema importância nas demandas trazidas pelos alunos. O ambiente escolar atua como um local indispensável na vida dessas pessoas. As crianças, com auxílio de seus educadores, podem alcançar o desenvolvimento de maneira eficaz. Vale ressaltar também que além dos professores, existe uma série de profissionais que estão aptos a trabalharem com esses casos, por exemplo: psicopedagogos e psicomotricistas.
O desenvolvimento da criança por meio da psicomotricidade
Todo esse movimento proporciona aos pequenos os progressos necessários para a sua vida, a saber:
Promoção de habilidades motoras que vão além das dimensões cinéticas e que levem a criança a aprender e a conhecer seu próprio corpo; e a se movimentar de maneira expressiva;
Um conhecimento corporal que inclua as dimensões do movimento, desde funções que indiquem estados afetivos até representações de movimentos mais elaborados de sentidos e ideias;
Oferecimento de um caminho para trocas afetivas;
Facilitação da comunicação e a expressão das ideias;
Possibilidade de exploração do mundo físico e o conhecimento do espaço;
Apropriação da imagem corporal;
Percepções rítmicas, estimulando reações novas, através de jogos corporais e danças;
Habilidades motoras finas no desenho, na pintura, na modelagem, na escultura, no recorte e na colagem, e nas atividades de escrita.
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Introdução
    Observa-se que existem alunos que não acompanham os colegas de sala de aula. Os motivos são vários, podem ser problemas mais sérios como incapacidade intelectual ou mais simples como falta de atenção, indisciplina entre outros, que se não cuidados se tornam obstáculos na aprendizagem.
    Por acreditar que a psicomotricidade auxilia e capacita o aluno para uma melhor assimilação das aprendizagens escolares, se fez necessário aproveitar deste recurso. Considerando que um bom desenvolvimento psicomotor proporciona ao aluno algumas das capacidades básicas para obter bom desempenho escolar, a psicomotricidade se utiliza o movimento para atingir outras aquisições mais elaboradas, como intelectuais (Oliveira, 1997).
    De acordo com Oliveira (1997) exercícios psicomotores realizados coletivamente ou individualmente têm por objetivo auxiliar a criança a vivenciar melhor seu corpo; adquirir e melhorar suas habilidades motoras, desenvolvimento do esquema corporal, orientação espaço-temporal, ritmo, equilíbrio dentre outras.
2.     Corpo e construção de conhecimento
    O corpo é compreendido como um organismo integrado que interage com o meio físico e cultural, que sente dor, prazer, alegria, medo, etc. Para se conhecer o corpo abordam-se conhecimentos anatômicos, fisiológicos, biomecânicos e bioquímicos que capacitam a análise crítica dos programas de atividade física e o estabelecimento de critérios para julgamento, escolha e realização que regulem as próprias atividades corporais saudáveis, seja no trabalho ou no lazer.
    Ao pensarmos na construção do conhecimento como um processo contínuo, não linear, podemos transferir esse mesmo modelo para a construção do conhecimento sobre o próprio corpo, o que nos permite dizer que não sabemos até que ponto esse conhecimento pode ser desenvolvido, e principalmente, quais serão os objetivos e como serão avaliados os progressos no processo de conhecimento.
    Sendo contínuo e não linear, o processo de conhecimento sobre o próprio corpo está sujeito aos valores culturais estabelecidos no tempo histórico em que vivemos, às influências da mídia e de outras culturas que estabeleçam sentido e significado com a cultura local, mesmo que este sentido, muitas vezes, seja instalado pela própria indústria do consumo através da mídia.
    Henri Wallon reconstruiu o seu modelo de análise ao pensar no desenvolvimento humano, estudando-o a partir do desenvolvimento psíquico da criança.
    Assim as etapas do Desenvolvimento Humano segundo Wallon são:
Impulsivo-emocional: que ocorre no primeiro ano de vida. A predominância da afetividade orienta as primeiras reações do bebê às pessoas, às quais intermediam sua relação com o mundo físico;
Sensório-motor e projetivo: que vai até os três anos. A aquisição da marcha e da apreensão, dão à criança maior autonomia na manipulação de objetos e na exploração dos espaços. Também, nesse estágio, ocorre o desenvolvimento da função simbólica e da linguagem. O termo projetivo refere-se ao fato da ação do pensamento precisar dos gestos para se exteriorizar. O ato mental "projeta-se" em atos motores;
Personalismo: ocorre dos três aos seis anos. Nesse estágio desenvolve-se a construção da consciência de si mediante as interações sociais, reorientando o interesse das crianças pelas pessoas;
Categorial: onde os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas, para o conhecimento e conquista do mundo exterior;
Predominância funcional: onde ocorre nova definição dos contornos da personalidade, desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal. Questões pessoais, morais e existenciais são trazidas à tona.
    Na sucessão de estágios há uma alternância entre as formas de atividades e de interesses da criança, denominada de "alternância funcional", onde cada fase predominante (de dominância, afetividade, cognição), incorpora as conquistas realizadas pela outra fase, construindo-se reciprocamente, num permanente processo de integração e diferenciação.
    Como diz Wallon, o ser humano é geneticamente social e a própria natureza humana se constitui num processo de interação interpessoal e intercultural, cabendo ao corpo um papel fundamental (DANTAS, 1992).Wallon (1968) ainda nos mostra como a motricidade humana começa pela atuação sobre o meio social para depois poder modificar o meio físico. É através da função tônica do movimento, principalmenteno seu aspecto de motricidade expressiva da mímica, inteiramente ineficaz do ponto de vista instrumental (não faz transformações diretas ao ambiente físico, mas é extremamente relevante sobre o meio social) que o indivíduo humano atua sobre o outro. É isto que lhe permite sobreviver durante o prolongado período de dependência.
3.     Psicomotricidade
    É a ciência que estuda o homem através do seu corpo em movimento e suas relações intrínsecas e extrínsecas. Está relacionada intimamente com o processo de maturação biológica, sendo alicerçada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto.
    O movimento humano significa tratar do ato motor, conduta motora, que move este corpo e de como este pode ser trabalhado, considerando os conhecimentos/saberes provenientes desta motricidade humana. “O movimento na criança não é um meio isolado de adaptação, mas sim um elemento do todo, que constitui a sua expressão humana em desenvolvimento, como resultado da sua integração social progressiva”. (FONSECA, 1998).
    Assim o termo psicomotricidade é empregado numa concepção de movimento organizado e integrado, cujas experiências vividas pelo sujeito serão responsáveis diretamente pelo desenvolvimento de sua linguagem, de sua personalidade e, assim, de sua relação interpessoal. Nesse contexto o desenvolvimento psicomotor se mostra atrelado aos aspectos cognitivos, psicológicos, afetivos e motores na incessante busca pelo desenvolvimento humano integral.
    Segundo Matos (1994), nas fases iniciais do desenvolvimento infantil, o movimento introduz a linguagem e ao longo do desenvolvimento a acompanha, enriquecendo-a sempre que a linguagem verbal do indivíduo não representa a forma mais adequada para exprimir a riqueza das experiências vividas. A expressão não verbal se apóia a linguagem verbal. “Pela linguagem do corpo, você diz muitas coisas aos outros e o corpo antes de tudo é um centro de informações, sendo essa uma linguagem que não se mente, comunicação não verbal” (WEIL, 1986).
    Coste (1992) relata que a evolução da criança não se realiza de um modo regular e progressivo, mas por saltos qualitativos que se seguem por períodos de lenta maturação e ainda podem ser sucedidos por rupturas. São umas espécies de etapas a serem vencidas.
    Para melhor compreensão do universo da psicomotricidade, serão apresentados a seguir os elementos básicos da mesma.
4.     Educação inclusiva e psicomotricidade
    Quando se fala em inclusão lembra-se logo do acesso de pessoas com deficiência à educação e demais espaços sociais. Mas inclusão vai muito além disso. Incluir é garantir o que a Constituição Brasileira já prevê desde 1988. Educação é direito de todos. Todos são cidadãos de todas as classes, raças, gênero. São os povos indígenas, afro-descendentes, campesinos, quilombolas, são as pessoas das grandes e pequenas cidades, distritos, vilas.
    A educação inclusiva deve ser aquela de qualidade para todos. Aquela que considere as possibilidades dos alunos e que oportunize o desenvolvimento de suas potencialidades, respeitando suas condições cognitiva, afetiva, psíquica- emocional, social, contribuindo para o desenvolvimento de suas competências e habilidades.
    Segundo Libâneo (1999), a didática é a reflexão sobre a situação da educação, é o planejamento e a organização do ensino. A didática é uma forma de ensinar e através dessa forma a educação física encontra meios para transmitir ao aluno como se aprende e se ensina as técnicas e as regras de determinado jogo.
    A didática da Escola Nova ou Didática Ativa vem ao encontro da escola inclusiva, tendo o mesmo objetivo, pois foi um movimento de grande repercussão e é entendida na direção de aprendizagem, considerando o aluno como sujeito da aprendizagem. O centro da atividade escolar não é o professor nem a matéria, é o aluno ativo e investigador. Os adeptos da escola nova dizem: o professor não ensina, antes ajuda o aluno a aprender. A didática inter-relacionada o aluno, professor e o conteúdo adquirido através do conhecimento, transmitido e determinando a educação dentro da escola (LIBÂNEO, 1999).
    Sendo assim, o educador é formador de conhecimentos que busca por meios e elementos que o determina para passar certo tipo de conhecimento para os alunos, podendo ser posteriormente educadores, através do conhecimento já adquirido (Ibid, 1999).
    A educação socializa e permite conhecer cada etapa do mundo com finalidade de reunir conhecimento e potenciais de cada um de nós para se tornar um ser.
    Conforme Delors (1999), explica o desenvolvimento da educação dentro da escola que se relaciona em quatro pilares da educação como:
    Aprender a conhecer: a partir do momento que aprendemos a conhecer é que iremos tirar proveito do nosso conhecimento adquirido, através dos nossos estudos e a partir daí que iremos tentar mobilizar a nossa sociedade sobre os nossos conceitos e valores. Visa o domínio os próprios instrumentos do conhecimento, Podem ser considerados como um meio fazendo com que as pessoas compreendam o mundo que as rodeia e com finalidade, pois tem como fundamento o prazer de descobrir. Aprender para conhecer: exercitando a atenção, a memória e o pensamento.
    È importante trabalhar na escola direcionando um determinado exercício (tarefa) para posteriormente à criança produzir o trabalho exercido. A intenção não é formar crianças para servir de modelo para a sociedade e sim fazer com que as crianças se agrupem entre si, e sim prepará-las para o convivo social onde as mesmas possam enfrentar juntas os conflitos.
    Aprender a fazer: para aprender a fazer é necessário falar e explicar, dessa forma o aluno terá mais facilidade em praticar o que deseja, ligada a formação profissional, mas não de uma forma rotineira. Onde se pega um operário para fabricar alguma coisa, o ser humano precisa evoluir, a desmaterialização do trabalho onde não se produz um bom material. O trabalho de serviços gerais, ensino, saúde não poderá ser feito da mesma maneira, pois quando se trata de trabalhar com a terra ou na fabricação de um tecido.
    Aprender a viver juntos: a partir do momento que aprendemos a viver juntos é que aprendemos a ganhar e a perder, e sabermos a importância que é termos ao nosso lado pessoas dispostas a nos ajudar em determinadas tarefas. A educação não conseguiu modificar nenhuma situação para evitar conflito. È difícil colocar na mente do ser humano a não violência devido a ele supervalorizar as suas qualidades desfavorecendo as dos outros, a concorrência também faz com que pensem somente em si próprios sendo que o espírito de competição é grande. Tender para os objetivos comuns que a educação formal deve planejar programas em que os jovens estimulem a participação em atividades sociais.
    Aprender a ser: ninguém aprende a ser, é nos dado à liberdade e a partir daí saberemos os nossos direitos e deveres como cidadão sendo assim temos que fazer uso dela. È necessário que o ser humano conheça a si mesmo para depois se relacionar com os outros. A educação deve ser desenvolvida desde cedo, pois ela contribui para a responsabilidade social e a inteligência, e na sua juventude o homem já é capaz de formular os seus próprios juízos de valor.
    Os quatro pilares da educação devem ser princípios adotados pelo professor para que a própria criança produza esses valores. Junto com uma boa didática que fornecerá o conhecimento implicando em conteúdo X socialização. Isso é exercido pelo professor com determinados objetivos pedagógicos que com o decorrer do tempo serão passados (Ibid, 1999).
    No Brasil, em 2003 a educação inclusiva começou a trilhar novos caminhos, o Ministério da Educação através da Secretaria de Educação Especial assume o compromisso de apoiar estados e municípios na sua tarefa de fazer com que as escolas brasileiras se tornem inclusivas, democráticas e de qualidade. Essa evolução aumentou o número de matrículas de pessoas com deficiência nas escolas, mas ainda é necessário que escolas, educadoresestejam cada vez mais capacitados e preparados para receber e atender os alunos.
    As atuais Políticas Públicas de Educação vêm buscando assegurar a todos a igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola, principalmente às crianças, adolescentes e adultos que apresentam necessidades especiais, visando tornar as escolas brasileiras, em escolas inclusivas e mais democráticas.
    A educação inclusiva deve permear transversalmente todos os níveis e modalidades de ensino, oferecendo a todos a igualdade de oportunidades na sociedade.
    O estudo de Morin (2000) ajuda aprofundar a visão transdiciplinar na educação mostrando que hoje o conhecimento não pode ser entendido como uma ferramenta pronta e acabada.
    A educação sempre foi um desafio, impondo uma variação de tempo em tempo. A condição humana deveria ser o objeto essencial de todo o ensino, de modo que cada um restaure seu conhecimento e consciência unindo - os para formar uma humanidade informada no seu tempo físico biológico, psíquico cultural, social e histórico.
    Deve-se formar o indivíduo buscando ferramentas para estimular a conscientização, as mentes para a ética moral, formar-o com caráter de integração do indivíduo, sociedade e espécie. A humanidade se unindo estabelecerá dentro da sociedade e se conscientizando, a melhor forma de se ter uma educação melhor obtida, é compreender e realizar a cidadania.
5.     Considerações finais
    Sendo educação infantil a primeira experiência de educação escolar vivenciada pela criança, é de fundamental importância que esse processo educativo esteja voltado para seu desenvolvimento integral, evidenciando suas características cognitivas, sócioafetiva e psicomotora.
    O ponto de partida e de chegada de uma prática está na ação e estas se traduzem na intenção educativa de ampliar a capacidade do aluno em relação a: expressar-se através de múltiplas linguagens posicionar-se diante da informação, interagir de forma critica e ativa com meio físico social. Buscamos alcançar com educação psicomotora, que a criança brinca com o objeto e entre si, expressar-se com o corpo, construir-se no tempo e no espaço.
    Nas atividades lúdicas extra-classe experiências corporais são vivenciadas brincadeiras, jogos, danças que exploram lateralidade, agilidade, atenção, memória, coordenação motora global, equilíbrio e percepção espaço-temporal.
    Os resultados obtidos relacionam se as descobertas que as crianças fazem com seu próprio corpo, do corpo dos outros e do meio que estão inseridos, a capacidade de execução de movimento, a construção de novos conceitos prevenindo assim dificuldades de aprendizagem e preparando os educandos para as etapas seguintes.
    Segundo Frug (2001) o aluno com deficiência mental também têm direito à educação motora, devendo ser estimulado de forma adequada e partindo sempre do princípio básico: a consciência corporal. Para que assim possa ter todas as oportunidades necessárias que um indivíduo precisa para construir o conhecimento.
    Assim o trabalho da psicomotricidade vai além da motricidade, existindo uma preocupação maior com os sentimentos da criança, na criação do vínculo afetivo entre professor e aluno, como também na formação geral (emocional, psicológica, moral e intelectual) do aluno.
    Concluo então, acreditando na total sintonia que deve haver entre os aspectos cognitivos e psicomotores para o êxito no desenvolvimento da criança com deficiência. Onde somente numa escola inclusiva e com trabalho bem planejado e interdisciplinar resultará na minimização das dificuldades em aquisições para sua inserção no contexto escolar e quem sabe no bom e natural aprendizado, que toda comunidade escolar tanto almeja. Destacando que o trabalho de consciência corporal favorece o ajuste efetivo e emocional, a espontaneidade, socialização a organização perceptiva, o respeito às regras, conseguindo assim o alicerce no desenvolvimento integral da criança.
Referências bibliográficas
COSTE, Jean-Claude. A Psicomotricidade. Traduzido. 4ª ed. 1989.
DELORS, Jacques Etal. Educação: Um Tesouro a Descobrir. São Paulo, Cortez, 1999.
FONSECA, Vitor da. Manual de Observação Psicomotora. São Paulo: Artmed, 1998.
FRUG, Chystianne. Educação Motora em Portadores de Deficiência. 1ª ed. São Paulo: Plexus, 2001.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática (magistério 2, formação do professor). São Paulo, Cortez, 1999.
MATARUNA, Leonardo. Imagem Corporal: noções e definições. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Nº 71, 2004. http://www.efdeportes.com/efd71/imagem.htm
MATOS, Margarida. Corpo, Movimento e Socialização. 1ª ed. Rio de Janeiro: Sprint, 1994.
MORIN, Edgar. Os Sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo, Cortez, 2000.
OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: Educação e reeducação um enfoque psicopedagógico. 3ªed. Rio de Janeiro: Vozes, 1999.
WALLON, H. A evolução psicológica da criança. Lisboa, Persona/Martins Fontes, 1968.
WEIL, Pierre & TOMPAKOW, Roland. O Corpo Fala: a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal. 60ª ed. Petrópolis : Vozes, 1986.
Entenda a influência da Psicomotricidade na Educação Infantil
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 Equipe Educamundo
 
 10/03/2017
Psicomotricidade na educação infantil é uma prática pedagógica e psicológica que usa como referência a educação física para auxiliar o desenvolvimento global da criança por meio de seus movimentos, ajudando a evitar distúrbios de aprendizagem. As ações psicomotoras trabalham os aspectos motor, cognitivo e afetivo.
Segundo a Associação Brasileira de Psicomotricidade, Psicomotricidade significa a integração de todas as funções psíquicas e motoras, em virtude da maturidade do sistema nervoso. Ou seja, a Psicomotricidade pode ser definida como a ciência que estuda o homem através do movimento, relacionando também suas ações com o mundo interior e exterior. Trata-se da capacidade do ser humano em determinar e executar mentalmente seus movimentos corporais. O conceito também está relacionado ao processo de maturação, no qual o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas.
Como pode ser observado em workshops e cursos online relacionados à temática, a Psicomotricidade tem uma ligação intensa com o processo de aprendizagem na Educação, com destaque para a Educação Infantil. E, ao contrário do que pode parecer, tais questões vão muito além do movimento: as atividades de Psicomotricidade na Educação Infantil, por exemplo, contribuem satisfatoriamente para o desenvolvimento cognitivo da criança. A fim de sanar todas as suas dúvidas e lhe fornecer um material rico sobre o tema, elaboramos um guia completo sobre o tema. Esperamos que ao final do artigo você entenda o que é Psicomotricidade na Educação e sinta-se pronto para buscar ainda mais qualificações com cursos à distância. Pronto para os estudos? Vamos lá!
Elementos Básicos da Psicomotricidade na Educação Infantil
Há uma grande lista de elementos psicomotores que definem e relacionam-se com a Psicomotricidade na Educação Infantil. Entretanto, podemos destacar os seguintes como sendo os mais utilizados no cenário brasileiro e abordados em muitos cursos à distância na área:
Esquema corporal: trata-se do conhecimento pré-consciente do ser humano sobre o seu próprio corpo. Tal conhecimento permite que o indivíduo se relacione com os espaços, objetos e indivíduos que se encontram à sua volta. Essas condições são propiciadas pelas informações proprioceptivas ou cinestésicas que, ao longo do desenvolvimento humano, modificam-se e ajustam-se ao esquema corporal.
Imagem corporal: é a imagem inconsciente que o indivíduo faz sobre o seu corpo. Esta imagem é construída a partir do momento em que o corpo começa a ser desejado, bem como pelos traços maternos e paternos. Vale salientar que a construção da imagem corporal é anterior ao esquema corporal. Ou seja,sem imagem corporal não há esquema corporal.
Tônus: é chamada de tônus a tensão fisiológica dos músculos responsáveis pelo equilibro estático, dinâmico, postura e coordenação, estando o corpo parado ou em movimento.
Coordenação global ou motricidade ampla: trata-se da presença de diversos músculos na execução de movimentos voluntários e complexos
Motricidade fina: permite que sejam realizados movimentos coordenados utilizando pequenos grupos musculares das extremidades.
Organização espaço-temporal: trata-se da capacidade de se orientar e realizar movimentos de forma adequada dentro do espaço e tempo disponíveis. Para seguir essa organização é preciso ter noções de perto, longe, em cima, embaixo, dentro, fora, ao lado de, antes, depois.
Ritmo: relacionado diretamente à organização espacial,
Lateralidade: é definida pelo uso dos dois lados do corpo em movimentos do dia a dia. Para entender melhor, este conceito difere-se da dominância lateral, por exemplo, na qual o indivíduo desenvolve maiores habilidades em um determinado lado do corpo, como os destros e canhotos.
 
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A importância da Psicomotricidade na Educação Infantil
A Psicomotricidade na Educação, sobretudo na etapa infantil, contribui ativamente com a formação dos esquemas corporais, estimulando a prática dos movimentos ao longo das fases. Tais estímulos são propostos através de atividades lúdicas e divertidas. Enquanto brincam, os pequenos aprendem na prática como se relacionar com o mundo e o espaço nos quais vivem. Ou seja, a questão vai muito além do brincar.
Quando a criança conquista sua própria e ideal percepção, entendendo, de fato, suas possibilidades e limitações ao longo do processo de aprendizagem, segue apta a:
Desenvolver habilidades motoras que a permita conhecer seu próprio corpo, bem como movimentar-se de forma livre, madura e segura;
Comunicar-se com os demais indivíduos, expressando suas ideias de forma clara e precisa;
Perceber e desenvolver movimentos rítmicos com o auxílio de projetos que envolvam jogos em movimento e danças específicas;
Desenvolver e amadurecer habilidades motoras finas que facilitem a aprendizagem da escrita;
É interessante frisar que para o andamento satisfatório do processo de aprendizagem, bem como melhor aproveitamento da ciência da Psicomotricidade na Educação Infantil, é de extrema importância que o ambiente ofereça segurança à criança. Quando falamos em segurança, relacionamos não somente a segurança física, mas também a segurança emocional e psicológica; pontos indispensáveis e que auxiliam também no planejamento direcionado à Psicomotricidade na Educação Infantil e atividades correlatas.
A Psicomotricidade Infantil está relacionada às ações que permitem ao indivíduo unir o corpo, a mente, o espírito, a natureza e a sociedade, de modo que através da conexão afetividade + personalidade a criança demonstre o que sente. Na Educação Infantil, a Psicomotricidade tem cunho educativo e preventivo: através dos jogos e brincadeiras lúdicas, os educadores trabalham todas as dimensões do aluno, auxiliando-o na afirmação de sua identidade e construção da unidade corporal. Entende-se, portanto, a busca dos especialistas na área em inserir, cada vez mais, jogos e brincadeiras nos planejamentos pedagógicos, já a partir da Educação Infantil. Cursos EAD como o curso online Atividades com Crianças ou o curso online Brincadeiras para Recreação Infantil podem se mostrar como um excelente suporte para a carreira dos profissionais da Educação Infantil.
Para trabalhar estes conceitos acertadamente, os profissionais da área da educação e aspirantes podem apostar em cursos online com certificado que abordam questões interessantes relacionadas à necessidade da ludicidade nos processos de Psicomotricidade Infantil. Você tem acesso a bons cursos disponibilizados, inclusive, aqui pelo Educamundo.
Psicomotricidade na Educação Infantil: Atividades
As atividades de Psicomotricidade na Educação Infantil devem trazer caráter recreativo, de modo que auxiliem no desenvolvimento psicomotor e afetivo das crianças, independentemente da faixa etária. Relacionamos a seguir alguns exemplos de atividades que podem ser adicionadas ao plano de aula, direcionando as ações ao desenvolvimento das relações cognição-corpo, afetividade- energia e indivíduo-grupo. Realizar cursos online que abordem exemplos práticos destas atividades também é bem interessante para o currículo profissional.
Chapéu ao alto (área motora)
Os principais objetivos desta atividade relacionam-se ao desenvolvimento da agilidade, coordenação motora, atenção e prontidão de reação. Para realizá-la, o educador necessita apenas e um chapéu, além de dispor as crianças em círculos. Deve ser escolhido um comandante para a brincadeira, que se dará da seguinte forma: o líder define um comando para o restante da turma (bater palmas, pular, dançar etc), que obedece. Enquanto todos realizam as atividades, o líder joga o chapéu para alto. Até o objeto tocar ao chão, a turma segue realizando as ações. Quando o chapéu cair, todos os movimentos devem ser paralisados. Sai da roda a criança que continuar com os movimentos, mesmo após a queda do chapéu. As rodadas seguem, sempre revezando os líderes e os comandos.
Siga o chefe (área percepto-cognitivo)
Na oficina ‘Siga o Chefe’ são trabalhadas s percepções visuais e de espaço, prontidão às ordens, coordenação de movimentos e processos de aprendizagem. Os alunos devem formar uma fila indiana atrás do professor, que é o chefe.  Ao início da atividade, o chefe deve realizar movimentos como pular, andar em círculos, fazer mímicas, gargalhar, atravessar obstáculos, dentre outros. Cabe aos alunos seguir os comandos do chefe. Quando a criança não imitá-lo, deverá pagar uma prenda pré-determinada antes do início da atividade, além de voltar para o final da fila.
Dança do jornal (socialização)
Além de estimular a expressão corporal, esta trabalha também a percepção espacial e a sociabilização. Durante a atividade são utilizados folhas de jornal, aparelho de som + cd ou DVD. A execução deve ser realizada em pares.
As folhas de jornal devem ser postas sobre o chão, mantendo um espaço confortável de distância. Ao iniciar a música, os pares deverão dançar em cima das folhas, sem sair ou rasgar o papel. Conforme os alunos forem quebrando estas regras, vão saindo da brincadeira. Vence o desafio a dupla que conseguir dançar sob a folha de jornal até o final, sem danificá-la.
Acorda gatinho (estruturação e organização temporal)
Trata-se de uma oficina bem completa que propõe estímulos à rapidez de reação, atenção, percepção visual, estruturação espacial e audição. Não são necessários objetos nem materiais. As crianças devem ser alocadas em círculo, sendo que uma criança permanecerá ao centro (o ‘gato’). A atividade funciona assim: as crianças andaram no círculo cantarolando a frase “Acorda gatinho(a), gatinho(a) manhos (a)”, tentando acordar o gato. Quando ele acordar, tocará com as mãos de um das crianças que segue no círculo. A criança escolhida, por sua vez, irá para o centro do círculo e será o novo gatinho.
Os certificados do Educamundo podem ser usados para:
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Corrida da maçã (equilíbrio, tônus e postura)
Direcionada ao desenvolvimento do equilíbrio, concentração e espírito de equipe, a corrida da maçã pode ser realizada dentro de sala de aula, sendo necessária apenas uma maçã como material. Para início da oficina, as carteiras deverão estar organizadas em colunas, sempre com o mesmo número de alunos. Depois da autorização do educador, o último aluno da fila coloca a maçã na cabeça e se dirige à primeira carteira, da forma mais rápida possível. Enquanto o aluno se desloca, os colegas pulam uma carteira para trás, sempre deixando a primeira mesa vaga. Quando o colega chegar ao final da fila, passa a maçã para o próximo colega e a brincadeira se reinicia.
Estas são apenas algumas das possibilidades de atividades de Psicomotricidade na Educação Infantil que traduzem e trabalham fielmente os conceitos relacionados ao tema.
Para não esquecer mais!
O que é psicomotricidade na educação infantil: Psicomotricidade é a integração de funções psíquicas e motoras. Ela sugere a interdependência entre os desenvolvimentos intelectual, afetivo e motor e atua de forma a estimular os movimentos da criança e alcançar metas propostas, como capacidade sensitiva, perceptiva e outras.
Como trabalhar a psicomotricidade na educação infantil: As atividades devem ser baseadas no estímulo do esquema corporal, considerando que a criança se organiza com o meio pela percepção de seu próprio corpo.
Como avaliar a psicomotricidade na educação infantil: Vários autores propõem baterias de testes psicomotores, a escolha por um deles deve se dar de acordo com as análises feitas pelos educadores. Nesses testes são avaliados aspectos como estruturação temporal, estruturação espacial, habilidades psicomotoras e outros.
Atividades de psicomotricidade na educação infantil: São atividades recreativas que estimulem a consolidação de hábitos, melhorias na aptidão física; desenvolvimento corporal; socialização e interação com o meio etc. Exemplos de atividades: caminhar sobre linhas no chão; andar para os lados; dar cambalhotas; equilibra-se em um só pé etc.
Psicomotricidade na Educação: Qualificação Profissional
Se você acompanhou nosso conteúdo até aqui sobre o que é Psicomotricidade na Educação Infantil, percebeu que para trabalhar a interação entre aspectos motores, cognitivos e afetivos, com foco no desenvolvimento na Educação Infantil, são necessários profissionais qualificados no assunto. Dentre as possibilidades de profissionalização através de cursos online com certificado, uma boa dica é investir no curso online Psicomotricidade na Educação Infantil. Veja a seguir alguns detalhes sobre o curso oferecido pelo portal Educamundo.
Geralmente, cursos online relacionados à Psicomotricidade trazem em seu cronograma grandes questionamentos e reflexões acerca do processo de aprendizagem. Quando relacionados à Educação Infantil – como é o caso deste nosso curso – as reflexões são ainda mais profundas, dada a importância do processo educacional nos primeiros anos escolares das crianças. Aliando tais análises ao embasamento teórico, o curso online Psicomotricidade na Educação Infantil propõe ao interessado entender a real importância do tema na Educação Infantil.
Além de explanar o que é Psicomotricidade na Educação Infantil, estes cursos EADabordam os princípios básicos da Psicomotricidade – que mencionamos, em detalhes, aqui no artigo – de modo que os profissionais que atuam na área desejam atuar ou apenas interessados norteiem suas ações à prática da educação psicomotora na educação infantil. Quanto ao conteúdo programático, além de discorrer sobre Psicomotricidade na Educação Infantil e atividades, os inscritos receberão informações relacionadas aos seguintes tópicos:
Recreação e Ludicidade como instrumentos pedagógicos;
A Psicomotricidade na educação;
As fases do desenvolvimento das crianças de 0 a 6 anos;
A estimulação psicomotora na aprendizagem infantil;
A importância da Psicomotricidade na educação infantil.
Além do curso online Psicomotricidade na Educação Infantil, os profissionais têm a oportunidade de enriquecer ainda mais seus currículos com outros cursos à distância. Bons exemplos são o curso online Psicomotricidade e Educação Física Adaptada e o curso online Ludicidade, ambos também oferecidos pelo Educamundo.
Enquanto o primeiro curso aborda o que é psicomotricidade na educação infantil, bem como a importância Educação Física na Psicomotricidade relacional, reunindo conceitos sobre Psicomotricidade, exemplos de atividades físicas inclusivas e as possibilidades pedagógicas da Educação Física Escolar, o segundo foca seu conteúdo nas vantagens de utilizar a ludicidade no processo de aprendizagem. Através de ações direcionadas, as atividades lúdicas atuam positivamente no desenvolvimento cognitivo das crianças, desde as primeiras experiências escolares nos jardins de infância. Ao longo deste curso os interessados receberão dicas de como aprender com a ludicidade, refletirão sobre a contribuição do tema ao ambiente escolar, conhecerão exemplos de técnicas que trabalham a Psicomotricidade na Educação Infantil e atividades, além de analisar o uso da ludicidade como proposta pedagógica.
E então, curtiu nosso guia completo sobre Psicomotricidade na Educação Infantil, que além de conceitos e definições trouxe uma lista mais do que interessante contendo atividades de Psicomotricidade na Educação Infantil? Saiba que além das informações destacadas, é interessante que você busque alguns dos cursos relacionados disponíveis aqui no Educamundo, ok? Esta é a melhor forma de obter conhecimento para discutir sobre o tema, qualificar-se profissionalmente e valorizar o seu currículo.
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A PSICOMOTRICIDADE NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM DE PORTADORES DE NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS
A PSICOMOTRICIDADE NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM DE PORTADORES DE NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS
Caliandra Maira Carlesso Magero[1]
Ibrahim Georges Cecyn Moussa[2]
RESUMO
Entende-se que a psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o indivíduo através do seu corpo em movimento, está, sem dúvida, relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas, isto é, envolve o movimento, o intelecto e o afeto. Partindo desta concepção entendo a necessidade de oferecer às crianças um atendimento que contemple suas necessidades especiais, por isso, questiona-se: quais as contribuições da psicomotricidade no processo da aprendizagem do portador de necessidades educacionais especiais? Para responder a inquietação objetivou-se reconhecer as contribuições da psicomotricidade em alunos portadores de necessidades educacionais especiais, enfatizando queesta ajuda a criança a se desenvolver da melhor maneira possível, contribuindo para sua vida social. Também busca refletir sobre sua importância no processo ensino-aprendizagem para os portadores de necessidades educacionais especiais, enfatizando que por meio dela há uma educação que visa o desenvolvimento global do educando, portanto, esta deve ter espaço garantido no cotidiano escolar devido a seus inúmeros benefícios.
Palavras-chave: Psicomotricidade. Aprendizagem. Necessidades Educacionais Especiais.
INTRODUÇÃO
As atividades psicomotoras facilitam o acompanhamento e desenvolvimento de alunos especiais. É necessário que os profissionais envolvidos com o atendimento e orientação destes educandos possam conhecer as vantagens de estimulá-los através da psicomotricidade. Elas propiciam uma vida saudável e produtiva, criando uma integração segura e adequada ao desenvolvimento de corpo, mente e espírito. Diante disso, este estudo bibliográfico visou responder a seguinte inquietação: quais as contribuições da psicomotricidade no processo da aprendizagem do portador de necessidades educacionais especiais? Para responder a problemática objetivou-se reconhecer as contribuições da psicomotricidade em alunos portadores de necessidades educacionais especiais, enfatizando que esta ajuda a criança a se desenvolver da melhor maneira possível, contribuindo para sua vida social. Refletir sobre sua importância no processo ensino-aprendizagem para os portadores de necessidades educacionais especiais, enfatizando que por meio dela há uma educação que busca o desenvolvimento global do educando. Ressalta-se que toda a escola inclusiva deve propiciar que o aluno vença suas dificuldades, tornando-se livre para aprender e para viver, onde o jeito de cada um enriqueça a diversidade do que é vivenciado, sendo que a psicomotricidade pode ser um excelente caminho.
A PSICOMOTRICIDADE E SUAS CONTRIBUIÇÕES NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM DE PORTADORES DE NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS
Sabe-se que a psicomotricidade é uma ciência que tem por objeto de estudo o ser humano, através de seu corpo em movimento e a relação com o mundo, bem como, suas possibilidades de perceber, atuar, agir com os outros e consigo mesmo.
De acordo com Barros e Barros (2005, p. 34) “a psicomotricidade é vista como ação educativa integrada e fundamentada na comunicação, na linguagem e nos movimentos naturais conscientes e espontâneos. Tem como finalidade normalizar e aperfeiçoar a conduta global do ser humano”. Ao trabalhar com educandos considera-se o ritmo próprio de cada um em seu processo de crescimento e desenvolvimento humano.
Ao se falar da criança é do conhecimento de todos que elas são ágeis, alegres e dispostas a descobrir, e é direito de todas frequentarem a escola, inclusive as portadoras de necessidades especiais, visto que, ao integrar a escola a criança tem a possibilidade de se socializar, tem sua autoestima elevada e consegue também realizar progressos em sua aprendizagem.
É necessário que todos os educadores busquem formas de incluir este aluno, para isso, atitudes devem ser alteradas a fim de que se possa despertar neste a descoberta de suas potencialidades, desenvolvendo suas habilidades e trabalhando em busca de sua autonomia.
Por Educação Inclusiva, segundo Batista e Mantoan (2006), entende-se o processo de qualquer aluno independente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras, serem recebidos em todas as escolas. A escola deve incluir a todos, reconhecer a diversidade, não ter preconceitos contra as diferenças, deve atender as necessidades de cada um.
Ao reformular e reestruturar ações educativas o educador está humanizando a educação, valorizando as aptidões dos alunos em detrimento de suas habilidades. Sendo assim, cabe enfatizar que o estudo da psicomotricidade pode contribuir para alterar esse comportamento.
Ressalta-se, então que a psicomotricidade existe nos menores gestos e em todas as atividades que desenvolve a motricidade da criança, visando ao conhecimento e ao domínio do seu próprio corpo. Por isso, é importante dizer que a mesma é um fator essencial e indispensável ao desenvolvimento global e uniforme da criança.
Ao pensar a psicomotricidade numa abordagem Walloniana, não como terapia ou ensino de habilidades, mas como ferramenta analítica que ajuda a observar a criança no seu desenvolvimento tomando-a por ponto de partida, acompanhando-a ao longo das suas sucessivas idades e estudando os estágios correspondentes sem os submeter à censura prévia das definições lógicas (WALLON:1995).
A estrutura da educação psicomotora é a base fundamental para o processo intelectivo e de aprendizagem da criança, e, quando uma criança apresenta dificuldades de aprendizagem, o fundo do problema, em grande parte, está no nível das bases do desenvolvimento psicomotor. Durante o processo de aprendizagem, os elementos básicos da psicomotricidade são utilizados com frequência.
O desenvolvimento do esquema corporal, lateralidade, estruturação espacial, orientação temporal e pré-escrita são fundamentais na aprendizagem; um problema em um destes elementos irá prejudicar uma boa aprendizagem, reside aí então, a importância do professor ser conhecedor das contribuições da psicomotricidade, e, em se falando de educação especial, nem se fala, pois ela além de desenvolver inúmeras habilidades na criança, muitas vezes permite a livre expressão, ações independentes e a socialização.
Segundo Fonseca (1988, p.12), “a psicomotricidade constitui uma abordagem multidisciplinar do corpo e da motricidade humana”. Seu objetivo é o humano total em suas relações com o corpo, sejam elas integradoras, emocionais, simbólicas ou cognitivas, propondo-se desenvolver faculdades expressivas do sujeito.
Apesar de a psicomotricidade necessitar ser desenvolvida e trabalhada por todos, exigindo somente conhecimento, ela é uma importante atribuição da área da educação física, pelas suas possibilidades de desenvolver a dimensão psicomotora dos alunos, principalmente em portadores de necessidades especiais, conjuntamente com os domínios cognitivos e sociais aparece com uma ferramenta de grande importância na educação especial.
Soares (1996) afirma que a psicomotricidade na educação física preocupa-se com o desenvolvimento da criança juntamente com o ato de aprender, buscando a formação integral. A educação psicomotora incentiva a prática de movimento em todas as etapas da vida.
Diante do exposto Falkenbach (2003) aponta que, para os propósitos dos fundamentos da psicomotricidade, de uma forma geral a psicomotricidade está subdividida em três grandes vertentes: a reeducação, a terapia, e a educação. A primeira se dirige mais para a soma do movimento, enquanto a segunda se preocupa com a psique do movimento. A terceira vertente está voltada para o âmbito educacional, sendo oportuno entender que esta também possui uma divisão em duas correntes principais: psicomotricidade funcional e a psicomotricidade relacional.
Segundo este autor na psicomotricidade funcional o educador é o modelo a ser seguido, este direciona o trabalho que será realizado, impedindo que aconteça a interatividade dos envolvidos, desta maneira, reduzindo o desenvolvimento da criatividade e autonomia. Este processo é previsível e planejado, ou seja, o educador sabe sempre o que irá acontecer diferentemente da psicomotricidade relacional, onde o improvável muitas vezes acontece possibilitando uma maior riqueza de experiências, pois cada aluno traz uma bagagem de conhecimentos adquirida a partir do meio em que vive.
Cabe destacar que pessoas consideradas PNE’s são aquelas que apresentam uma situação física ou psíquica diferenciada dos ditos “normais”. Negrine (1995, p 58) aponta que:
Dentro do marco relacional, o mais importante para eles é trabalhar com o que a criança tem de positivo, o que ela sabe fazer, e não preocupar-se com o que ela não sabe. Dizem que o melhor método para ajudar uma criança a superar suas dificuldades é conseguir que ela esqueçasuas inabilidades.
Então é a psicomotricidade um meio inesgotável de afinamento perceptivo-motor, que põe em jogo a complexidade dos processos mentais para a polivalência preventiva e terapêutica das dificuldades de aprendizagem (FONSECA:1988). Por isso, assume um importantíssimo papel no contexto educativo e social.
É por meio da psicomotricidade que é facilitada à criança a mudança de comportamento que as aprendizagens escolares impõem. A sua importância situa-se antes num terreno de crítica social, que pretende analisar e diagnosticar quais os obstáculos familiares e sociais que impedem o desenvolvimento global da criança, onde a evolução do esquema corporal, da estruturação espaço-temporal e da maturação ocupam um lugar de destaque.
Levitt (1997) acrescenta que independente da limitação, a criança possui habilidades, por isso, é necessário que o educador acredite no potencial de seu educando e, por mais desafiadora que seja a tarefa, não desista.
O aluno especial necessita de atividades significativas, concretas, que interfiram de forma considerável em seu rendimento. Sendo a psicomotricidade uma possibilidade para que este aprenda, realize novas e diferentes vivências, experimente, arrisque. Crie-se neste aluno a possibilidade de avançar, construir.
Schmidt e Wrisberg (2001) acrescentam que a maneira como as pessoas aprendem impõe um conjunto rico de aspectos inclusive o físico e o orgânico, além do psicomotor e cognitivo trabalhando juntos. Portanto, a psicomotricidade está presente nos menores gestos e em todas as atividades que desenvolvem a criança.
O cotidiano, as vivências diárias são permeadas de atividades psicomotoras, por isso, sua importância na ação educativa, pois possibilita o desenvolvimento humano nos mais diferentes aspectos, sendo os principais, a noção espacial, lateralidade, esquema corporal entre outros.
Fonseca (1998, p. 368) acrescenta que a “psicomotricidade é um meio inesgotável de afinamento perceptivo-motor, que põe em jogo a complexidade dos processos mentais e a polivalência preventiva e terapêutica das dificuldades de aprendizagem”.
Sendo assim, é preciso vivenciar a psicomotricidade. Por conta disso, todos devem estar atentos para a sua importância, principalmente quando se trata de portadores de necessidades educacionais especiais. Para isso, o educador deve estar disponível para experimentar o mundo e conhecer a si mesmo, pois somente poderá auxiliar o outro na busca de autoconhecimento se possuir confiança em si mesmo.
Para Vieira e Pereira (2003) a deficiência deve ser considerada fator natural e possível a qualquer pessoa. A pessoa portadora de deficiência necessita de contínua estimulação e, isto desafia o educador a ser criativo. “O professor deve propiciar um clima de criatividade em suas aulas para que haja prazer no ensino/aprendizado” (CABRAL, 2001, p. 62).
A mobilidade, o movimento, é importante instrumento para o desenvolvimento afetivo e cognitivo da criança e por consequência contribui para a aquisição do conhecimento. Como ressaltam Molinari e Sens (2003) ao afirmarem que o desenvolvimento global da criança acontece através do movimento, da ação, da experiência e da criatividade. As diferentes fases do desenvolvimento psicomotor contribuem para a organização progressiva de áreas como a inteligência.
A psicomotricidade possibilita ao educador uma base teórico-prática através da qual ele pode interpretar os sinais que seu aluno expressa por meio da corporeidade.
Para desenvolver um trabalho sério, o professor deve possuir conhecimento teórico e prático da psicomotricidade, e, sem sombra de dúvidas o conhecimento permitirá uma atuação benéfica desse profissional no que concerne o desenvolvimento da aprendizagem de seus alunos. Aprendizagem de um sujeito constituído pelas dimensões: afetiva, cognitiva, física, que deve ser desenvolvido em sua totalidade.
Assim, Fonseca (1988) e Vayer (1986) concordam quando afirmam que a função educativa da psicomotricidade é fundamental na medida em que incorpora a dimensão emocional-afetiva à intelectual, pois quando a criança chega à escola, traz suas dificuldades relacionais (agressividade, inibição, agitação, dependência, passividade) o que certamente dificultará as aprendizagens escolares.
Pode-se dizer que muitos são os estudos que revelam a psicomotricidade como necessária, indissociável,l ao desenvolvimento, pois oportuniza as crianças a desenvolverem capacidades básicas, utilizando o movimento para atingir aquisições mais elaboradas, como as intelectuais, ajudando a sanar dificuldades.
É importante evidenciar que cada aluno é único e, ao buscar desenvolver as mais diferentes capacidades nos alunos, principalmente nos com necessidades educacionais especiais, o professor deve levar em conta as particularidades, respeitando também as limitações, adequando seu planejamento a todos.
Estimular atividades corporais auxiliam todos os alunos a vencer os desafios da leitura e da escrita. Portanto, a psicomotricidade interessa ao indivíduo como um todo, auxiliando a amenizar qualquer problema que possa se apresentar.
Por fim, pode-se afirmar que ela, pelas suas inúmeras contribuições, permite fazer com que todos os educandos evoluam principalmente os portadores de necessidades especiais, pois conjuntamente com os domínios cognitivos e sociais, aparece como uma ferramenta de grande importância na educação. É preciso que todos os envolvidos com o processo ensino-aprendizagem conheçam e reconheçam as contribuições da psicomotricidade como forma de desenvolver o aluno de forma integral.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Todos os educadores deveriam ter como alicerce para suas atividades a psicomotricidade. Ela deve ser aproveitada em todos os momentos, pois possibilita ao professor trabalhar com todas as possibilidades que o aluno venha a desenvolver, principalmente aqueles portadores de necessidades educacionais especiais. Permite atingir plenamente a diversidade dos alunos, já que desenvolve os movimentos, a flexibilidade e a sensibilidade. Torna-se, então, a psicomotricidade também uma aliada ao processo de inclusão educacional, pois desenvolve no professor a capacidade de observar seu aluno, seus avanços, suas limitações, entendê-lo, e por consequência, aceitá-lo. Desenvolvendo nesse, habilidades e competências que o permitam avançar mesmo que lentamente. Ao trabalhar com atividades psicomotoras os docentes tem a possibilidade de construir e vivenciar as relações entre corporeidade, afetividade e aprendizagem, onde também há o entendimento e compreensão. Ao enfatizar a relação corpo, mente e emoção é possibilitada ao professor explorar uma infinidade de potencialidades que os alunos têm e muitas vezes são desconhecidas. Ressalta-se também que por meio da psicomotricidade desenvolve-se no aluno um bom domínio corporal, noção de lateralidade, percepção, coordenação, orientação espaço-temporal e possibilidade de concentração, habilidades necessárias para sua adequação aos diferentes ambientes a que pertence. É necessário que o professor assuma a responsabilidade de lidar com as diferenças e seja comprometido com sua tarefa. Ao se tratar dos portadores de necessidades educacionais especiais é por meio das atividades psicomotoras que é possível despertar sua curiosidade, suas descobertas de si e do mundo, estimulando assim sua autonomia e socialização, propiciando seu desenvolvimento corporal e afetivo. Os professores necessitam de maior formação e conhecimento sobre as inúmeras contribuições da psicomotricidade para o desenvolvimento do aluno integralmente, partir para uma educação do movimento, pois este permite o desenvolvimento de certas percepções, da atenção e estimula a inteligência, fazendo com que o aluno se desenvolva e chegue ao sucesso almejado.Conclui-se, então, que a psicomotricidade deve se fazer presente em todas as salas de aula, pois crianças fisicamente educadas terão uma vida mais saudável e produtiva, com um desenvolvimento integrado entre corpo, mente e espírito. É uma ferramenta valiosa principalmentepara os portadores de necessidades educacionais especiais, pois torna a ação mais significativa para eles.
REFERÊNCIAS
BARROS, D.; BARROS, D. R. A Psicomotricidade, essência da aprendizagem do movimento especializado. 2005 Disponível em:<www.geocities.com/grdclube/Revista/Psicoess.html>. Acesso em: 06 mar. 2011.
BATISTA, C. A. M., MANTOAN, T. E. M. A escola comum: seu compromisso educacional. In: Educação inclusiva: atendimento educacional especializado para deficiente mental. Brasília. MEC, SEESP; 2006.
CABRAL, S.V. Psicomotricidade relacional prática clínica e escola. Rio de Janeiro: Revinter, 2001.
FALKENBACH, Atos Prinz. Um estudo de casos: as relações de crianças com síndrome de down e de crianças com deficiência auditiva na psicomotricidade relacional. 2003. 448 f. Tese (Doutorado em educação) – Faculdade de Educação Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2003.
FONSECA, Vítor da. Psicomotricidade: psicologia e pedagogia. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
LEVITT, S. Habilidades básicas: guia para desenvolvimento de crianças com deficiência. Campinas: Papirus, 1997.
MOLINARI, A. M. P.; SENS, S. M. A educação física e sua relação com a psicomotricidade. Revista PEC, Curitiba, v.3, n.1, 2003.
NEGRINE, Airton. Educação psicomotora. Porto Alegre: Globo, 1986.
SCHMIDT, R. A.; WRISBERG, C. A. Aprendizagem e performance motora. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2001.
SOARES, C. L. Educação física escolar: conhecimento e especificidade. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, n.12, 1996.
VAYER, P. A criança diante do mundo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.
VIEIRA, F.; PEREIRA, M. Se houvera quem me ensinara quem aprendia era eu: a educação de pessoas com deficiência mental. 2 ed. Fundação Calouste Gulbenkian, 2003.
WALLON, Henri. A evolução psicológica da criança. Lisboa: Edições 70, 1995.

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