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LUXAÇÃO AGUDA DE OMBRO – AVALIAÇÃO E TRATAMENTO 
Fabiano Marques 
João Guilherme Brochado Geist 
Fábio Milach Gervini 
Felipe Milach 
UNITERMOS 
LUXAÇÃO DO OMBRO/epidemiologia; LUXAÇÃO DE OMBRO/diagnóstico; LUXAÇÃO DE 
OMBRO/terapia; LUXAÇÃO DE OMBRO/cirurgia; SINAIS E SINTOMAS. 
KEYWORDS 
SHOULDER DISLOCATION/epidemiology; SHOULDER DISLOCATION/diagnosis; SHOULDER 
DISLOCATION/therapy; SHOULDER DISLOCATION/surgery; SIGNS AND SYMPTOMS. 
SUMÁRIO 
A luxação glenoumeral é a mais frequente do corpo humano. Sendo 
geralmente luxações anteriores causadas por traumatismos, necessitando 
pronto atendimento e avaliação de lesões associadas através da história, exame 
físico e de imagem, visando à redução precoce para evitar ou minimizar 
sequelas futuras. 
SUMMARY 
The glenohumeral dislocation is the most frequent in the human body. 
Being generally anterior dislocations caused by trauma, requiring immediate 
treatment and evaluation of the related injuries through history, physical 
examination and imaging, aimed at early reducing to avoid or minimize future 
sequels. 
INTRODUÇÃO 
A luxação glenoumeral é a perda da relação articular entre o úmero e a 
escápula, sendo uma das mais antigas afecções conhecidas do ombro. O 
primeiro relato desta doença data de 2000 A.C, em ilustrações do primeiro 
tratado de ortopedia, o papiro de Edwin Smith (3000-2500 A.C). A descrição 
inicial mais detalhada vem do pai da medicina, Hipócrates (450 A.C), que relatou 
com maior riqueza de detalhes a anatomia do ombro, os tipos de luxações e a 
primeira manobra ortopédica para redução.1 
Atualmente o seu tratamento ainda representa um desafio e encontra 
controvérsias na literatura devido à alta frequência e diversidade de 
apresentações desta doença.2 
EPIDEMIOLOGIA 
É o tipo de luxação mais comum, respondendo por cerca de 45% dos 
casos,2 sendo mais frequente na faixa etária entre 20-30 anos, com predomínio 
no sexo masculino.1,2 A luxação anterior traumática é a mais comum estando 
presente em 85% dos casos, geralmente associadas a praticas esportivas, 
seguida pela luxação posterior em cerca de 2 a 4% dos casos, luxação inferior 
em 0,5% e raríssimos casos de luxação superior.1,4 Dentre os fatores 
relacionados à recorrência, a idade em que a luxação primária ocorre é o 
principal, sendo superior a 90% em pacientes abaixo dos 20 anos de idade.3 
Outros fatores como o nível de atividade física do paciente e fraturas associadas 
também estão envolvidos.1 
ANATOMIA E BIOMECÂNICA 
A cintura escapular é composta por três ossos (a clavícula, a escápula e o 
úmero) e quatro superfícies articulares harmônicas (esternoclavicular, 
acromioclavicular, glenoumeral e escapulotorácica) sendo a glenoumeral a 
principal.1 A articulação glenoumeral é a mais móvel do corpo humano, 
possibilitando movimentos como extensão, flexão, abdução, adução, rotação 
interna, rotação externa e circundação, entretanto, a contrapartida desta 
grande mobilidade é a perda de estabilidade intrínseca, sendo então uma 
articulação inerentemente instável.2,3 Participam ainda desta articulação as 
estruturas ligamentares e o grupo muscular que compõe o manguito rotador 
(músculo supraespinhoso, músculo infraespinhoso, músculo redondo menor e o 
músculo subescapular) que promovem a estabilização dinâmica primária do 
ombro. A superfície articular do úmero é um terço de esfera, a fossa glenóide é 
rasa e tem um formato de vírgula invertida, havendo pouca coaptação com a 
cabeça umeral. O lábio glenoidal é um anel fibrocartilaginoso que circunda a 
cavidade glenóide aumentando a área, a profundidade e a estabilidade 
articular. Esta articulação é envolta por uma cápsula articular sinovial que 
apresenta três espessamentos que são os ligamentos glenoumerais superior, 
médio e inferior além do ligamento coracoumeral que promovem a 
estabilização estática primária do ombro (Figura 1).2 
 
Figura 1 - Visão anterior da anatomia do ombro 
GRAUS DE INSTABILIDADE 
A luxação glenoumeral é caracterizada pela completa separação das 
superfícies articulares da cabeça umeral e da fossa glenóide, geralmente 
necessitando de manobras para redução.1 A subluxação ocorre por uma 
translação sintomática da cabeça umeral sem a completa separação da 
superfície articular, com frequência retornando espontaneamente para a 
posição anatômica na fossa glenóide.1 
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 
Uma anamnese e exame físico detalhado são importantes para definir o 
mecanismo de trauma causador da lesão, posição do braço, quantidade e o 
ponto de aplicação da força. Lesões com o braço em extensão, abdução e 
rotação externa favorecem a luxação anterior, sendo comumente uma luxação 
anterior subcoracóide. As luxações posteriores estão mais associadas a uma 
história de trauma devido a choque elétrico, convulsões ou queda com o braço 
em flexão e adução, geralmente com uma luxação posterior sub-acromial.1,5 
Luxação Anterior 
Geralmente o ombro está doloroso ao exame físico com espasmo 
muscular e limitação funcional. Pode-se palpar a cabeça umeral anteriormente. 
O braço geralmente repousa em ligeira abdução e rodado externamente 
apresentando na face póstero-lateral uma depressão abaixo do acrômio onde 
deveria estar a cabeça umeral descrita como “sinal da dragona” (Figura 2).1,5 
 
Figura 2 - A) Imagem clínica demonstrando luxação traumática aguda anterior 
com o típico “sinal da dragona”(seta). B) Contorno normal após a redução 
(seta). 
Podem ocorrer parestesias e hipoestesia na região lateral do deltoide, bem 
como fraqueza deste músculo, presença de hematomas e cianose periférica, 
sendo de suma importância a avaliação neurovascular pela possibilidade de 
lesão da artéria e nervo axilar.1,5 
Luxação Posterior 
Pode ser difícil reconhecê-la pela falta de uma deformidade marcante no 
ombro. Os achados incluem limitação da rotação externa e da elevação do 
braço, proeminência e arredondamento do braço afetado em comparação com 
o lado contralateral, achatamento do aspecto anterior do ombro com o 
processo coracóide proeminente.1,4 Ocorre limitação da movimentação devido à 
fixação da cabeça umeral na borda glenoidal posterior por força da contração 
muscular ou empalamento da cabeça umeral na borda glenoidal.1,4 
Anormalidades da simetria podem ser mais bem visualizadas por cima do ombro 
colocando-se em pé atrás do paciente.1,4 
LESÕES ASSOCIADAS 
Uma característica comum das luxações anteriores traumáticas é a avulsão 
do ligamento glenoumeral anteroinferior e cápsula do lábio glenoidal sendo um 
importante fator complicador responsável por luxações recorrentes.1 Fraturas 
clinicamente importantes ocorrem em 25% das luxações do ombro.1 
Na lesão de Bankart ocorre ruptura do complexo capsulo-labral da borda 
antero-inferior da glenóide durante a luxação com avulsão óssea associada ou 
não, estando a lesão óssea de Bankart presente em 5% dos casos de luxações 
anteriores e a lesão de tecidos moles de Bankart associada a 90% destes 
deslocamentos.1,2,5 
A lesão de Hill-Sachs se caracteriza por uma depressão cortical na cabeça 
umeral postero-lateral criada pela borda da glenóide durante a luxação, 
ocorrendo em 35 a 40% das luxações anteriores sendo visualizadas na incidência 
AP com rotação interna do braço.1,2,5 
A lesão do manguito rotador também é uma complicação importante, mais 
comum em idosos, excedendo 30% em pacientes acima de 40 anos.1,3,5 
Lesões vasculares são raras e geralmente ocorrem em pacientes idosos 
devido a maior fragilidade dos vasos, ocorrendo transecção completa da artéria 
axilar, laceração ou trombose intravascular.1,3 
Lesões nervosas podem estar presentes em até 33% dos casos de luxações 
anteriores podendo ser do tipo neuropraxia (recuperando-se a função 
neurológica em até seis semanas), ruptura axonal (com regeneração axonal 
posterior) ou ruptura