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Roberto Padilha Moia Trade marketing, B2B e relacionamento Canais de DistribuiçãoCanais de Distribuição Sumário 03 CAPÍTULO 4 – Canais de Distribuição ..............................................................................05 Introdução ....................................................................................................................05 4.1 Distribuição e os seus sistemas ..................................................................................05 4.1.1 Conceitos de distribuição cadeia de distribuição .................................................05 4.1.2 Sistemas de distribuição ...................................................................................08 4.2 Tipos de canais de distribuição ..................................................................................10 4.3 Canais de distribuição: conflitos, integração e cooperação ...........................................15 4.3.1 Conflitos entre canais de distribuição .................................................................15 4.3.2 Integração e cooperação entre os canais de distribuição .....................................18 Síntese ..........................................................................................................................20 Capítulo 4 05 Introdução Entendido o conceito e a importância da cadeia logística, você pôde perceber também que o trade marketing não poderá trabalhar a distribuição dos produtos de uma empresa sem precisar se preocupar com a organização dos canais de distribuição. Para que você trabalhe com a distribuição dos produtos nas estratégias de trade marketing, precisará se preocupar com a estruturação, o planejamento e a integração dos canais de distribuição de uma empresa. Você já imaginou como seria a distribuição dos produtos de uma empresa sem a organização desses canais? O que aconteceria? A grande probabilidade, nesse caso, é de que a distribuição não ocorresse da maneira ideal para a empresa. Afinal, a correta estruturação do canal de distribuição de uma empresa facilita a distribuição de seus produtos no mercado. Agora, imagine a seguinte situação: você, como gestor de trade marketing, após implantar o gerenciamento da cadeia de suprimentos, precisa organizar os canais de distribuição otimizando custo e tempo de distribuição. O que fazer? Se a empresa já estiver distribuindo seus produtos no mercado, o primeiro passo para organizá-los é analisar os atuais canais de distribuição. O que você precisa entender é que, sem a gestão correta desses canais de distribuição, muito prova- velmente seu produto poderá encontrar dificuldades de chegar às mãos do consumidor final no momento em que ele deseja. E aí, você sabe qual a saída? A resposta é: desenvolver a gestão dos canais de distribuição da empresa com foco na otimização dessa distribuição associada à redução de custos e do tempo de entrega dos produtos. Neste capítulo, você poderá definir o conceito de distribuição, identificando as situações ade- quadas para compreender a organização de um sistema de distribuição e também seus conflitos e oportunidades de integração e cooperação. 4.1 Distribuição e os seus sistemas Quantas vezes você se deparou com a seguinte questão: o canal de distribuição de uma empresa está bem organizado a ponto de não faltar o seu produto no mercado? Ou melhor, você foi até um ponto de venda, não encontrou o produto desejado e logo pensou: por que não encontrei o produto que queria? O que aconteceu? A resposta é simples: muito provavelmente a distribuição dessa empresa falhou ao não disponibilizar o produto para o seu consumidor final. Esse é um dos piores cenários para uma empresa – o consumidor não encontrar o produto disponível para compra. Para que você entenda melhor toda essa logística de distribuição, o primeiro passo é justamente entender o conceito de distribuição e cadeia de distribuição. 4.1.1 Conceitos de distribuição cadeia de distribuição Diversos são os conceitos apresentados sobre distribuição, porém quase todos são unânimes em defini-la como o caminho que o produto utiliza para sair da fábrica e chegar ao consumidor fi- nal. Na visão de Telles e Strehlau (2006, p. 1), distribuição é o “[...] processo de disponibilização de um produto do fabricante para o usuário (cliente empresarial/consumidor final), resultante de trocas entre estes e eventuais organizações de intermediação, que assegurem a continuidade da produção e do consumo”. Para Moura (2006, p. 94), “[...] o conceito de distribuição pode Canais de Distribuição 06 Laureate- International Universities Trade marketing, B2B e relacionamento ter significados distintos para produtores, distribuidores e consumidores”. Nessa ótica, o autor apresenta conceitos diferentes de distribuição sob a ótica dos envolvidos nesse processo. [Para os produtores,] [...] a distribuição é o conjunto de estruturas e meios que asseguram o escoamento dos seus produtos e os fazem chegar aos clientes finais. O conceito de distribuição na perspectiva dos produtores está associado à variável Place (lugar) do marketing-mix. [...] [Para os distribuidores,] [...] a distribuição é o setor de atividade econômica que liga produtores e consumidores, compatibilizando a oferta com a procura. [...] [Para os consumidores,] [...] a distribuição corresponde, no essencial, ao comércio retalhista, isto é, os pontos de venda, no fim da cadeia, que abastecem os clientes finais com produtos e serviços. [...] [Em termos gerais.] [...] a distribuição inclui as atividades que asseguram a ligação entre produtores e consumidores, compatibilizando, assim, os ciclos de produção e de consumo. (MOURA, 2006, p. 94). Todas essas definições do conceito de distribuição criam o que o mercado chama de canal de distribuição. Dentro das empresas, esse termo é muito utilizado e associado ao marketing. Telles e Strehlau (2006, p. 20) esclarecem que “[...] a distribuição apresenta algumas outras denomi- nações, como canais de distribuição ou ainda canais de marketing”. Para conceituar o que é um canal de distribuição, você pode recorrer a alguns autores da área. Bowersox (2007, p. 93) diz que “[...] o canal de distribuição pode ser definido como uma rede de organizações e instituições que, em combinação, desempenham todas as funções exigidas para ligar produtores a clientes finais, a fim de realizar a tarefa de marketing”. Veja que esse conceito remete ao envolvimento do qual as empresas presentes no processo precisam para entregar os produtos ao consumidor final. Na visão de outros dois autores, o canal de distribuição está ligado diretamente à transferência de mercadorias entre fabricantes e consumidores finais. Caxito (2011, p. 114) explica que “[...] os canais de distribuição representam a transferência de posse das mercadorias que ocorre do fabricante, passando pelos varejistas e/ou atacadistas até chegar ao consumidor final”. Em com- plemento, Megido e Szulcsewski (2002, p. 55) mencionam que “[...] canais de distribuição são organizações que servem para colocar à disposição de consumidores finais/clientes produtos que são originários de um fabricante”. Para entender melhor sobre os conceitos de distribuição, faça a leitura do subitem 1.8, Conceito e decisões de distribuição, do livro do Renato Telles e Vivian Strehlau mencio- nado nas referências bibliográficas. NÃO DEIXE DE LER... Quanto ao canal de marketing, Telles e Strehlau (2006, p. 20) mencionam que “[...] o canal de marketing pode ser visto como um sistema inter-relacionado de organizações, onde se estabelece um fluxo de produto, propriedade, informações, recursos ou promoção, ligando a produção ao consumo”. Enquanto a área de marketing está muito mais focada no fluxo de informações, a área de logística está mais focada no fluxo operacional. NaFigura 1, você pode observar cla- ramente essas diferenças. O canal logístico trabalha a movimentação das mercadorias desde o armazém da fábrica até a sua chegada ao consumidor final, sempre envolvendo a atividade de transporte em suas operações. No caso do canal de marketing, o trabalho está focado no fluxo de informações necessárias em cada nível desse canal, desde as relações com os escritórios de vendas gerais até a disponibilização dos produtos pelo varejista ao consumidor final. Note que, 07 enquanto o canal logístico está relacionado com a armazenagem das mercadorias, o canal de marketing se relaciona com os intermediários que realizam a atividade da venda. (2) (4) (1) (3) (5) (6) (7) (1) (2) (3) (4) (5) Canal logístico Caminhão da empresa Transportador comum Armazém da fábrica Armazém regional Armazém público Entrega local Escritório de vendas gerais Escritório de vendas diretas Distribuidor Varejista Consumidores Canal de marketing Figura 1 – Separação logística de marketing. Fonte: Bowersox, 2007. O marketing tem um objetivo claro em obter a demanda por intermédio de seus compostos pro- mocionais e, uma vez obtida a demanda, entra o esforço logístico em colocar o produto certo no lugar certo e no instante correto para atender aos requisitos da demanda. Por fim, mas não menos importante, a empresa precisa fazer a gestão de sua distribuição para que ela não tenha problemas com falta ou excesso de mercadorias nos seus canais de distribui- ção. Mas o que envolve essa gestão? De acordo com Telles e Strehlau (2006, p. 26), a gestão da distribuição “[...] corresponde ao processo, estrutura e administração dos produtos (bens ou serviços) com a finalidade de torná-los disponíveis para as trocas”. Isso significa dizer que essa gestão precisa levar em consideração as atividades logísticas e as atividades de marketing en- volvidas. A Figura 2 segmenta a distribuição entre o que deve ser feito por sua administração e o que realmente envolve a distribuição física de uma empresa. A partir dessa segmentação, você parte agora para o entendimento dos sistemas de distribuição. 08 Laureate- International Universities Trade marketing, B2B e relacionamento DISTRIBUIÇÃO Administração da distribuição Abrange a estrutura e o gerenciamento das atividades dos agentes presentes nos canais, nas operações de atacado e varejo Distribuição física Envolve aspectos logísticos de planejamento, transporte e armazenagem Figura 2 – Segmentação das atribuições da distribuição. Fonte: Telles; Strehlau, 2006. 4.1.2 Sistemas de distribuição Depois de conhecer os principais conceitos que definem a distribuição e o canal de distribuição, você acredita que essas atividades precisam trabalhar dentro de um conceito de sistema para que os produtos e serviços cheguem efetivamente às mãos do consumidor final com o menor custo e tempo? Com certeza, o melhor caminho para a empresa é a adoção de um sistema de distri- buição. Mas você sabe o que é isso? Veja a definição encontrada para sistemas de distribuição: [...] Sistemas de distribuição ou sistemas de canais de marketing constituem a resultante de uma compreensão do processo de distribuição como uma ‘unidade’ de operação responsável pelos fluxos de trocas e interação dos membros do canal, ou seja, apresentam uma perspectiva do canal de marketing como um todo, buscando-se o entendimento dos movimentos estabelecidos a partir da relação entre as partes (produtores e intermediários). (TELLES; STREHLAU, 2006, p. 41). O sistema de distribuição é dividido em três sistemas: o sistema vertical de marketing, o sistema horizontal de marketing e o sistema multicanal de marketing. Kotler (2000, p. 525) afirma que “[...] os canais de distribuição não são estáticos. Surgem novas instituições de atacado e varejo e novos sistemas de canais”. Conheça mais sobre os tipos de sistemas de distribuição. • Sistema vertical de marketing (SVM) Como definição para esse tipo de sistema, Kotler (2000, p. 526) menciona que “[...] um sistema vertical de marketing (SVM) é formado pelo fabricante, pelo(s) atacadista(s) e pelo(s) varejista(s), todos atuando como um sistema unificado”. O sistema vertical de marketing pode ser subdividi- do em três tipos: administrado, corporativo (empresarial) e contratual. Na Figura 3, você pode visualizar essa subdivisão. OS SISTEMAS VERTICAIS ADMINISTRADOS = resultam da integração do produtor com membros do canal, propiciando uma gestão do canal como um ‘todo’ (conceito de um sistema único). O desdobramento natural é a possibilidade de ampliar a eficiência do processo de distribuição, que pode advir de integração de sistemas de controle e gestão, maior acesso a informações entre organizações, redução do nível de estoques, diminuição da necessidade de processos burocráticos e de controle, maior disponibilidade de informações de mercado, etc. [...] OS SISTEMAS VERTICAIS CORPORATIVOS = Uma definição simplificada, mas de fácil compreensão seria: um SVM corporativo é o resultado da administração centralizada de um canal de marketing composto por organizações pertencentes aos mesmos proprietários. Não se elimina a possibilidade de conflitos de operação, divergências de natureza estratégica ou de procedimentos operacionais; no entanto, para essa configuração, existe uma unicidade de poder de decisão em alguma instância, que potencialmente é capaz de resolver impasses ou, ao menos, equacionar as bases de relacionamento na esfera da distribuição ou entre as esferas da produção e distribuição (esta última, importante e frequente fonte de divergências de negócio). (TELLES; STREHLAU, 2006, p. 43). 09 OS SISTEMAS VERTICAIS CONTRATUAIS = constituem a modalidade de SVM mais frequente e podem ser entendidos como uma alternativa de integração dos membros do SVM administrado com os do SVM corporativo. Nesse tipo de SVM, as relações entre os participantes do canal de marketing não obedecem a uma lógica de orientação definida pelo elo mais forte, nem são estabelecidas pela decisão de proprietários. O SVM contratual resulta da construção de uma estrutura e de um processo de operação de canal a partir da integração formal entre as organizações que o compõem (produtores e intermediários), através de contratos que expressam claramente direitos e deveres de parte a parte. (TELLES; STREHLAU, 2006, p. 42-43). Sistemas verticais de marketing (SVM) Cooperativas patrocinadas por atacadistas Cooperativas patrocinadas por varejistas Franquias SVM administrados SVM empresariais SVM contratuais Figura 3 – Tipos de sistemas verticais de marketing. Fonte: Churchill, 2012. Quando um fabricante adota o sistema vertical de marketing para realizar a distribui- ção de seus produtos, ele valoriza mais o atacadista do que o varejista? Não. O que esse sistema auxilia é a concentração inicial da distribuição nas mãos do distribuidor para que ele use sua proximidade com os varejistas, atendidos por ele, transferindo sua credibilidade ao produto distribuído. Na verdade, o fabricante ganhará mais agilidade e uma abrangência maior para distribuir seus produtos. NÓS QUEREMOS SABER! • Sistema horizontal de marketing (SHM) No caso do sistema horizontal de marketing (SHM), de acordo com Kotler (2000, p. 527), “[...] duas ou mais empresas não relacionadas unem seus recursos ou programas para explorar uma nova oportunidade de mercado”. Em complemento a esse conceito, Telles e Strehlau (2006, p. 41) mencionam que [...] a denominação sistema horizontal de marketing (SHM) é associada à utilização de uma oportunidade de canal de marketing por duas ou mais organizações diferentes, atuando – via de regra – em setores distintos, que articuladamente potencializam o resultado de seus negócios de formaintegrada. 10 Laureate- International Universities Trade marketing, B2B e relacionamento Nesse sistema, cada integrante continua atuando de forma independente, mas se unem para otimizar o processo de distribuição das empresas. • Sistema de multicanal de marketing (SMM) Muitas empresas observaram a oportunidade de atingirem mais clientes utilizando mais canais de marketing. Segundo Kotler (2000, p. 528), “[...] o marketing multicanal ocorre quando uma única empresa utiliza dois ou mais canais de marketing para atingir um ou mais segmentos de clientes”. O autor complementa explicando que esse tipo de sistema permite que as empresas obtenham três benefícios: maior cobertura de mercado, custo reduzido de canal e a venda mais personalizada. 4.2 Tipos de canais de distribuição Após a identificação do sistema de distribuição, a empresa precisa escolher qual ou quais tipos de canais de distribuição utilizará em suas estratégias de distribuição. De acordo com Megido e Szulcsewski (2002), existem dois tipos de canais de distribuição no mercado: o direto, quando o fabricante vende diretamente ao consumidor final; e o indireto, quando o fabricante utiliza intermediários para vender ao consumidor final. Churchill (2012, p. 377) esclarece que “[...] os revendedores num canal de distribuição também são chamados de intermediários, ou seja, em- presas independentes especializadas em conectar vendedores e consumidores ou compradores organizacionais”. Esses intermediários normalmente são atacadistas e varejistas. De acordo com Megido e Szulcsewski (2002, p. 56), “[...] o cuidado que se deve tomar na utilização de inter- mediários é proporcional ao tipo de produto, marca, público-alvo, condições de armazenagem, capacidade produtiva etc”. Assim, a empresa deverá optar por um composto dos três sistemas de distribuição: exclusivo/seletivo/intensivo. Distribuição exclusiva: aquela na qual a empresa que fabrica bens ou serviços, escolhe um canal que irá trabalhar só com seu produto, e de nenhum concorrente. Ex.: franquias [...] Distribuição seletiva: a empresa utiliza alguns canais que estrategicamente estão focados para seu público-alvo, posicionamento de marca, nível de preço etc., que evita colocar seu produto em qualquer ponto-de-venda. Não se exige exclusividade, como no processo anterior. O que importa é não prejudicar os compostos do produto em canais que não queiram ou não darão atenção aos produtos da empresa. Ex.: marcas de tênis que são vendidas em determinadas lojas, perfumes, grifes de roupas importadas etc. [...] Distribuição intensiva: aquela em que uma organização coloca os seus produtos no maior número de pontos-de-venda possível, não importando tamanho, localização, entre outros. É amplamente utilizada por empresas que trabalham com bens de consumo (arroz, feijão, sabonete, margarina, creme dental etc.). (MEGIDO; SZULCSEWSKI, 2002, p. 56). Os intermediários exercem papel extremamente estratégico e vital para a distribuição dos pro- dutos e serviços de diversas empresas. Os principais intermediários são o atacado e o varejo. No caso do canal atacadista, conforme Telles e Strehlau (2006, p. 74), “[...] estes referem-se a organizações que compram os produtos, assumindo a propriedade destes e o risco de armaze- nagem”. Quanto ao varejo, Telles e Strehlau (2006, p. 74) apontam que “[...] o varejo é uma das partes mais próximas do consumidor, é onde ele interage pela primeira vez com os produtos, onde também busca informações e tem momentos de lazer”. Na sequência, veja em detalhes cada um deles. • Atacado O comércio atacadista pode ser dividido em dois grupos: atacadistas de serviço completo e ser- viço limitado. De acordo com Telles e Strehlau (2006, p. 74), o atacadista de serviço completo 11 “[...] oferece uma linha completa de serviços associados à sua operação, tais como disponibi- lidade de estoque, crédito, transporte, entrega e suporte/consultoria”. Quanto ao atacadista de serviço limitado, Telles e Strehlau (2006, p. 74) mencionam que estes “[...] são atacadistas comerciais que oferecem menor quantidade de serviços”. O atacadista de serviço limitado obriga que o seu cliente faça uma parte da operação de distribuição, como, por exemplo, transportar o produto até o seu destino final. O atacadista auxilia os fabricantes, principalmente, na distribuição de produtos para pequenas revendas ou varejistas distantes da fábrica. De acordo com Churchill (2012, p. 403), “[...] os atacadistas criam valor para fornecedores e compradores realizando funções de distribuição. Eles podem, por exemplo, transportar e armazenar bens, exibi-los em feiras comerciais ou in- formar aos gerentes de lojas quais produtos estão vendendo melhor”. O atacadista aumenta os benefícios dos produtos que representa, pois consegue trabalhar com um número considerado pequeno de revendas, em que é capaz também de atender de maneira mais direcionada as ne- cessidades dessas revendas. Conforme a Figura 4, o canal atacadista pode criar benefícios para produtores, varejistas e consumidores finais. Proporcionando maior capacidade de atingir os compradores Oferecendo informações sobre os compradores Reduzindo os custos monetários por meio de maior e�ciência e/ou conhecimento Reduzindo as perdas potenciais ao assumir os riscos do negócio Para produtores Proporcionando informações sobre setores e produtos Reduzindo os custos monetários, de tempo e de esforço pelo oferecimento de uma variedade de bens Reduzindo os custos monetários por meio de maior e�ciência e/ou experiência Para varejistas Reduzindo custos ao contribuir com e�ciência e experiência para o canal Melhorando a seleção de produtos, ao informar os varejistas sobre os produtos mais adequados aos usuários �nais Para usuários �nais Figura 4 – Como atacadistas podem criar benefícios. Fonte: Churchill, 2012. Para gerar os benefícios aos produtores, varejistas e usuários finais, os atacadistas participam do processo de distribuição com diversas atividades que auxiliam, principalmente, o produtor na distribuição de produtos e serviços. Conforme a Figura 5, o atacadista participa da distribuição física dos produtos de um fornecedor desenvolvendo algumas das atividades. A primeira delas é a encomenda ou realização dos produtos ao fabricante. A segunda função destinada ao ataca- dista é o recebimento e o armazenamento dos bens, registrando-os no seu estoque. A terceira atividade é o recebimento dos pedidos realizados pelo varejista, dando baixa dos bens no seu estoque e enviando-os para o varejo. Com essas atividades, o atacadista facilita o envio do pro- duto do fabricante até o canal varejista. A partir daí, o varejo conclui o processo de entrega do produto ao consumidor final. 12 Laureate- International Universities Trade marketing, B2B e relacionamento Atividade O produtor armazena bens acabados e registra o estoque em computador. O atacadista encomenda bens por telefone, correio, fax ou computador. O fabricante recebe o pedido, emite a fatura, deduz os bens do estoque e despacha-os. O atacadista recebe os bens e os armazena em depósitos. Registra o estoque em computador e paga a fatura. O varejista encomenda os bens por telefone, correio, fax ou computador. O varejista recebe o pedido, emite a fatura, deduz os bens do estoque e despacha-os. O varejista recebe os bens e os coloca em prateleiras. Registra o estoque em computador e paga a fatura. Armazenamento Administração de estoques Processamento de pedidos Processamento de pedidos Administração de estoques Transporte Aramazenamento Administração de estoques Processamento de pedidos Processamento de pedidos Processamento de pedidos Administração de estoques Transporte Administração de estoques Processamento de pedidos Funções de distribuiçãofísica Figura 5 – Processo de distribuição interligado ao atacadista. Fonte: Churchill, 2012. • Varejo Enquanto a atacado trabalha na armazenagem de grandes volumes de produtos para o atendi- mento de pequenos varejistas, o varejo atua na distribuição unitária de produtos a um número limitado de clientes em uma determinada região. Telles e Strehlau (2006, p. 81) expõem que [...] o varejo é uma das partes mais próximas do consumidor, é onde ele interage pela primeira vez com os produtos, onde também busca informações e tem momentos de lazer. O setor do varejo é um dos mais dinâmicos e mutantes da economia, pois acompanha a evolução e as mudanças do consumidor. 13 É no canal varejista que a oferta dos produtos caminha junto com as necessidades e atitudes favoráveis de compras do consumidor final. Se o consumidor demonstrar interesse por um deter- minado produto, o canal varejista dará maior espaço a ele, caso contrário, sairá das prateleiras. Essa relação é muito dinâmica, até para otimizar os espaços nas gôndolas do varejo. Com rela- ção aos benefícios oferecidos para os produtores e consumidores finais, destacamos que [Para os produtores, o varejo] [...] lhes oferecem um modo eficiente de colocar os produtos à disposição dos consumidores. E, devido à capacidade da tecnologia moderna de acumular informações, eles também podem proporcionar aos fornecedores dados úteis de pesquisas de mercado. Além disso, os varejistas ajudam a prever as vendas e assumem riscos ao comprar produtos perecíveis ou que se tornam obsoletos rapidamente. Alguns varejistas também participam da distribuição física dos produtos. [...] [Para os consumidores finais], [...] os varejistas podem criar valor por colocar os produtos à disposição em horários e épocas do mês ou do ano convenientes. Quanto ao ponto de venda, os varejistas tentam operar em locais adequados e alguns até vão à própria casa do consumidor. Além disso, facilitam as trocas aceitando cartões de crédito, oferecendo prazos de pagamento e vendendo em quantidades ou pacotes relativamente pequenos. Podem tornar agradável a experiência da compra, oferecendo uma atmosfera atraente, serviços úteis, informações de interesse sobre o produto e outras delicadezas. (CHURCHILL, 2012, p. 425-426). O varejo pode ser dividido em dois tipos: o varejo com loja e o varejo sem loja. De acordo com Telles e Strehlau (2006, p. 86), “[...] o varejista com loja pode ser de vários tipos, em função de seu sortimento, nível de preço ou conveniência”. No caso do varejista sem loja, Telles e Strehlau (2006, p. 88) explicam que “[...] a venda ao consumidor pode ocorrer também em locais que não são lojas. Os consumidores podem comprar de seu local de trabalho, através de um serviço de telemarketing, podem comprar em casa, pela Internet”. Confira, a seguir, os principais tipos de varejo com loja. • Lojas especializadas – “[...] essas lojas oferecem uma ou poucas categorias de produtos e concorrem entre si com base em sua competência e seletividade” (CHURCHILL, 2012, p. 427). • Lojas de consumo em massa – “[...] são varejistas que oferecem um sortimento mais amplo, porém em geral mais vulgar do que as lojas especializadas” (CHURCHILL, 2012, p. 427). • Supermercados – “[...] é uma grande loja organizada por departamentos, oferecendo basicamente gêneros alimentícios (perecíveis ou não), produtos de higiene e limpeza e alguns outros bens de conveniência, em sistema de auto-serviço” (TELLES; STREHLAU, 2006, p. 86). • Hipermercados – “[...] vende produtos alimentícios e não-alimentícios, como bazar, eletroeletrônicos e produtos têxteis. Opera com mais itens do que um supermercado e geralmente oferece preços mais baixos” (TELLES; STREHLAU, 2006, p. 86). • Lojas de departamentos – “[...] operam com diversas linhas de mercadorias, tais como roupas prontas e acessórios femininos, roupas masculinas e infantis, tecidos, pequenos utensílios e móveis domésticos, todas organizadas em departamentos” (CHURCHILL, 2012, p. 428). • Lojas de descontos – “[...] Grandes lojas varejistas que incorporam muitos aspectos da estratégia de comercialização dos supermercados, tentam marcar o preço das mercadorias com pequena margem de lucro, mantêm estoque e prestam apenas limitado atendimento ao cliente” (CHURCHILL, 2012, p. 428). • Loja de fábrica – “[...] é a loja dos próprios fabricantes, que pode vender, inclusive, produtos descontinuados” (TELLES; STREHLAU, 2006, p. 88). 14 Laureate- International Universities Trade marketing, B2B e relacionamento • Varejo de serviços – “[...] é o tipo de loja que oferece serviços, como locadoras de produtos diversos, lavanderias, sapatarias, lanchonetes, cinemas, bancos, escolas de idiomas, academias de ginástica, e muitas outras” (TELLES; STREHLAU, 2006, p. 88). • Lojas de conveniência – “[...] Instituições varejistas cuja principal vantagem para os consumidores é a conveniência da localização e do horário de funcionamento; são varejistas com grande margem de lucro e alta rotatividade de estoque” (CHURCHILL, 2012, p. 428). A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) é uma entidade sindical dos setores de comércio e serviços. Cada estado brasileiro tem a sua. Tem como missão representar e promover o desenvolvimento pleno e sustentável do canal varejista. Uma das principais finalidades da Fecomércio é garantir que os canais va- rejistas possam trabalhar em busca de resultados positivos para todos. Ela é um dos órgãos que protege os interesses do varejo. VOCÊ O CONHECE? Com relação ao varejo sem lojas, a Tabela 1 apresenta suas possibilidades de atuação. Você pode observar que o varejo sem loja está pautado em vendas por meio de máquinas, vendas di- retas ao consumidor e vendas virtuais. No caso da venda virtual ou comércio eletrônico, também conhecido como e-commerce, esse tem sido um dos canais de vendas sem lojas mais utilizados para realização de compras e que, conforme Javier (2008, p. 43), “[...] vem crescendo consis- tentemente e que se apresenta como um concorrente direto dos mais diversos setores de varejo”. Porto (2007 apud CÔNSOLI; D’ANDREA, 2011, p. 19) define comércio eletrônico como “[...] um formato de varejo que oferece, pela internet, produtos e serviços, possibilitando que consumido- res finais comprem e completem a transação por meio de um sistema eletrônico”. Tipo de varejo sem lojas Definição Máquinas de venda (vending machines) Máquinas que entregam um produto quando o comprador insere cédulas, moedas ou fichas. Marketing direto Campanhas de marketing que utilizam a venda pessoal ou diversos veículos de propaganda para solicitar pedidos dos consumidores em seu local de trabalho ou residência. Venda direta Explicação pessoal e demonstração de um pro- duto, com uma oportunidade para compra. Mala direta Envio de folhetos, cartas e outros materiais que descrevem um produto e solicitam pedidos. Telemarketing Sondagens telefônicas, descrevendo o produto e procurando pedidos. Marketing on-line (comércio eletrônico) Exibição em computador de informações sobre produtos, fornecendo formulário de pedido via modem. Tabela 1 – Tipos de varejos sem loja. Fonte: Adaptado de Churchill, 2012. 15 Por fim, outra forma de classificar o varejo é quanto ao tipo de organização varejista, ou seja, como a organização da estrutura do comércio varejista é desenvolvida para auxiliar no processo de distribuição dos produtos e serviços para que cheguem com o menor tempo possível às mãos do consumidor final. A classificação é feita em três tipos de organizações varejistas, como segue: Varejo independente: sua característica principal é possuir apenas uma loja; e o tipo de varejo mais comum. Rede de varejistas ou rede corporativa: opera mais de uma loja com o mesmo nome. Franquia:é uma espécie de associação entre uma empresa detentora de uma marca conhecida e forte, que deseja expandir (o franqueador), e pequenos empresários dispostos a pagar pelo direito de trabalhar com essa marca (os franqueados), tendo suporte do franqueador em vários aspectos da gestão da loja. (TELLES; STREHLAU, 2006, p. 89, grifo do autor). NÃO DEIXE DE VER... O filme Chocolate, no qual uma mulher e sua filha decidem abrir uma loja indepen- dente de chocolate. Com a rejeição inicial dos consumidores, a proprietária precisa desenvolver estratégias de relacionamento para melhorar o desempenho da loja. O filme trabalha todas as atividades apresentadas até agora, dando foco à organização da loja para atrair mais clientes e aumentar a venda de chocolate. 4.3 Canais de distribuição: conflitos, integração e cooperação Pelo que viu até aqui, você acredita que os canais de distribuição atacadistas e varejistas con- seguem conviver tranquilamente sem necessidade de regras para suas respectivas atuações no mercado? Será que atacadistas e varejistas conseguem se entender a ponto de o fabricante não precisar se preocupar com o relacionamento com os seus canais de distribuição? Com certeza, você precisará de mais subsídios para garantir que não haja conflitos entre os canais de distri- buição de uma empresa fabricante. Se não houver uma gestão dos canais de distribuição focada em evitar e solucionar problemas de conflitos entre eles, o fabricante terá grandes dificuldades em otimizar a distribuição de seus produtos e serviços no mercado. Além disso, um bom gestor de trade marketing precisa desenvolver ações de cooperação e integração entre os canais de dis- tribuição da sua empresa. Você verá, na sequência, os possíveis conflitos que podem acontecer entre os canais de distribuição e como trabalhar a integração e a cooperação entre eles para reduzir ou eliminar esses conflitos. 4.3.1 Conflitos entre canais de distribuição Uma das situações em que um gestor de trade marketing pode estar envolvido é justamente quando um canal de distribuição invade o território do outro, ou, simplesmente, começa a competir pelo mesmo consumidor. Você poderia dizer que isso é condição natural para a livre concorrência. No entanto, cada canal tem uma estrutura de custos e preços diferentes para atuar diante de seu mercado-alvo. Conforme você já viu, enquanto o atacado se beneficia da redução de preços pelo volume comercializado, o varejo, procurando compensar o seu preço mais alto, oferece variedade e comodidade para o consumidor final. O problema surge quando um deles decide, muitas vezes, sem consultar o fabricante, aproveitar-se dos seus diferenciais para invadir o espaço do outro que tem justamente seu ponto fraco nesses diferenciais. Um exemplo: um ata- cadista começa a vender, de forma unitária, seus produtos pelo mesmo preço de quem compra no atacado. Isso fará com que o consumidor de varejo volte suas preferências de compras para 16 Laureate- International Universities Trade marketing, B2B e relacionamento o atacadista, o que acabará influenciando nos resultados do varejo. É confusão na certa que vai sobrar, muitas vezes, para o fabricante administrar caso queira manter sua distribuição em ambos os canais. Veja outra situação, de acordo com Churchill (2012, p. 392): “[...] diferenças nas metas específi- cas dos membros podem causar conflitos entre eles, como as divergências em relação a margens de lucro, desempenho das funções de distribuição ou sobre quem tem o poder de tomar decisões”. A Figura 6 mais adiante apresenta os tipos de conflitos entre os canais de distribuição: o conflito vertical e o conflito horizontal. Cada um pode interferir diretamente na distribuição das empresas. O conflito vertical ocorre entre membros do canal em diferentes níveis – por exemplo, entre um produtor ou atacadista e um varejista. É comum, por exemplo, um membro do canal ‘passar por cima’ do outro. Lojas pequenas (até o Wal-Mart já teve de lidar com isso) criam esse tipo de conflito ao comprar diretamente dos fabricantes em vez de seguir a prática do setor de comprar de atacadistas. [...] O conflito horizontal, por sua vez, envolve divergências entre membros do canal no mesmo nível, como entre atacadistas ou entre varejistas. Conflitos podem ocorrer em relação a limites de territórios de exclusividade ou a diferenças em termos de preços de varejo e práticas competitivas. (CHURCHILL, 2012, p. 392). Usuários �nais Usuários �nais Con�ito Con�ito Intermediários Intermediário A Intermediário B Con�ito vertical Produtor Produtor Con�ito horizontal Figura 6 – Tipos de conflitos entre os canais de distribuição. Fonte: Churchill, 2012. Sobre como melhor gerenciar esses conflitos, Telles e Strehlau (2006, p. 49) mencionam que “[...] para uma administração de canais de marketing menos propensa a conflitos ou para a so- lução de impasses entre os membros, é necessário o uso de alguns recursos, que não garantem que os conflitos serão plenamente resolvidos ou que não possam acontecer novamente”. Os recursos sugeridos pelos autores são [...] a adoção de metas compatíveis e integradas, que favoreçam o alcance de objetivos complementares; a cooptação (processo de integração e construção de parcerias voluntárias); e a mediação (presença de um terceiro, respeitado pelas organizações em conflito, que catalise o processo de negociação e superação das divergências). A construção de um comportamento cooperativo, que envolva credibilidade e confiança entre os participantes do canal de marketing, é atualmente uma das soluções mais eficazes no desenvolvimento da eficiência da distribuição. (TELLES; STREHLAU, 2006, p. 89). Com a redução dos conflitos, surge o que você pode chamar de liderança do canal. Churchill (2012, p. 393) aponta que “[...] a redução dos conflitos e o aumento da cooperação entre os membros do canal podem resultar da liderança do capitão do canal, que é um membro do canal reconhecido pelos outros membros como o detentor do poder de tomar decisões”. Geralmen- 17 te, compete a esse capitão do canal ditar as regras de preços, distribuição e promoções que o fabricante e, por consequência, os demais canais, devem seguir. Você sabe quando um canal pode ser considerado capitão do canal? Ainda de acordo com Churchill (2012, p. 393, grifo do autor), ele pode ser considerado capitão do canal a partir de seis fontes de poder: [...] Poder como recompensa: derivado da capacidade do membro do canal de oferecer algo desejável aos outros membros. O Carrefour, a C&A e as Lojas Americanas, por exemplo, podem fazer pedidos gigantescos aos produtores; Poder por coerção: derivado do temor de que um membro do canal possa causar problemas – se não for oferecido a um varejista um preço tão baixo quanto o de seus concorrentes, ele pode ameaçar parar de vender a linha de produtos; Poder legítimo: provém dos direitos do membro do canal – um franqueador, por exemplo, tem certos direitos definidos no contrato de franquia; Poder por referência: resulta da reputação da organização ou do membro do canal – ambos desejam parceiros que tenham reputação de agir honestamente; Poder pela experiência: vem do conhecimento ou de habilidades do membro do canal. Muitos franqueados potenciais preferem fechar contrato com um franqueador que dê apoio efetivo a suas marcas, ao passo que os varejistas acham melhor comprar de atacadistas com um conhecimento claro de sua linha de produtos; Poder por informação: origina-se da posse pelo membro do canal de informações valorizadas pelos outros deste canal, como no caso de um atacadista com um sofisticado banco de dados ou sistema de informações de marketing. Para que os canais possam trabalhar de forma harmoniosa, respeitando seus espaços, o fabri- cante precisa introduzir em suas políticas de canais de distribuiçõescondições que permitam esse bom relacionamento entre todos os envolvidos. Telles e Strehlau (2006, p. 49) esclarecem que “[...] algumas condições de contorno dos mecanismos de distribuição (restrições impostas pelo ambiente, regulamentação existente para a operação, procedimentos reconhecidos como padrões de referência de atuação, etc.) determinam limites e condicionam os processos nos ca- nais de marketing”. E, segundo Churchill (2012, p. 396), “[...] há, além disso, questões legais, políticas e éticas que regulam as condutas apropriadas entre os membros do canal”: • Questões legais – A legislação de um país é soberana. Muitas práticas são proibidas pela lei, o que facilita a redução de conflitos entre os canais. Para minimizar os conflitos, os fabricantes em conformidade com as leis do país, criaram alguns documentos legais: contrato de exclusividade (apenas uma empresa poderá atuar em um determinado mercado); contrato casado (acordo em que o vendedor só pode realizar a venda se outro produto também for inserido no mesmo produto pelo mesmo comprador); e uma variação do contrato casado, que é a imposição de linha completa (para que um intermediário possa trabalhar com um determinado produto da empresa, a condição mínima é ele adquirir toda a linha de produtos da empresa). • Questões políticas – Essas questões estão ligadas, principalmente, ao licenciamento de um produto para uma empresa ou mercado específico e por políticas da empresa. Ninguém mais pode comercializar esses produtos além da licenciada. • Questões éticas – Algumas divergências de interesses podem surgir entre os membros do canal de distribuição. Compete ao fabricante garantir o comportamento ético e respeitoso entre os integrantes de seu canal. 18 Laureate- International Universities Trade marketing, B2B e relacionamento Para aprofundar o assunto sobre a administração dos canais de distribuição, faça a leitura do capítulo 14, Administrando os canais de distribuição, do livro do Gilbert A. Churchill, mencionado nas referências. NÃO DEIXE DE LER... Resolvidas as questões de conflitos com os canais de distribuição, a empresa fabricante deve, por questão estratégica, planejar, implantar e incentivar a integração e cooperação entre os seus canais de distribuição. Essas ações também vão colaborar com a manutenção da visão resolutiva de conflitos entre os canais, facilitando, e muito, no bom desempenho da distribuição da empresa. 4.3.2 Integração e cooperação entre os canais de distribuição Com a resolução dos conflitos, as empresas precisam desenvolver a integração e a cooperação entre os canais de distribuição. Para tanto, Megido e Szulcsewski (2002, p. 59) afirmam que é necessário “[...] o produtor entender quais são as reais necessidades e problemas enfrentados pelos distribuidores e oferecer suporte a eles, de acordo com suas necessidades”. Para trabalhar a integração dos canais, veja que um fabricante precisa dar especial atenção à motivação, ao treinamento e ao controle de canais. Conforme Telles e Strehlau (2006, p. 48), “[...] os três pro- cessos fundamentam-se na necessidade de promover, entre e com os participantes do canal, uma integração mais consistente e harmônica, que assegure a eficácia da distribuição e forneça as bases para o aumento de sua eficiência no tempo”. Entende-se pelos três processos de atenção: Motivação = envolve o desenvolvimento de compreensão das necessidades dos intermediários e de programas e ações que estimulem a entrega de maior valor aos clientes. Treinamento = da mesma forma gera maior valor percebido pelo cliente e aumenta a eficiência do intermediário. Controle de Canais = envolve a avaliação do desempenho e comportamento dos participantes do canal, e também é um componente fundamental do processo de gestão sobre a operação do canal, pois identifica pontos de fragilidade, ações a serem realizadas e decisões a considerar sobre a distribuição, como a avaliação da adequação da estrutura e arquitetura da distribuição ou a necessidade de modificação do arranjo. (TELLES; STREHLAU, 2006, p. 48, grifo do autor). Outro fator que tem contribuído para integração e colaboração entre os canais de distribuição é a tecnologia. De acordo com Churchill (2012, p. 445), “[...] a tecnologia moderna também garante um meio para melhorar a cooperação entre os membros do canal de distribuição, sobre- tudo por meio do intercâmbio eletrônico de dados (EDI)”. Por meio da tecnologia, os fabricantes podem organizar, principalmente, as informações acerca do que está ocorrendo em cada um dos seus canais e potencializar as estratégias de organização e operação de suas ações. Entre as ações que o fabricante poderá melhorar com o uso da tecnologia, estão: [...] desenvolvimento constante de produtos, de acordo com as informações recolhidas no mercado; política adequada de preços, a fim de que os canais de distribuição possam ter remuneração adequada, sem comprometer a venda dos bens e serviços. Política adequada de preços significa estruturação de preço que permita um valor justo para garantir o lucro do produtor, do distribuidor e deixar no consumidor a percepção de que o preço pago foi coerente com suas expectativas. Dentro do composto de promoção que envolve a equipe de vendas, ações de merchandising, propaganda, promoção de vendas etc., cabe ao monitoramento do canal ajustar as variações de objetivos e expectativas e alinhar todas estas ações em prol de uma relação ganha-ganha, isto é, tanto produtores quanto distribuidores e consumidores devem ganhar com a venda. (MEGIDO; SZULCSEWSKI, 2002, p. 60). O que vale ressaltar é que a iniciativa da integração e a cooperação entre os membros do canal de distribuição devem partir do fabricante. Ele é o maior beneficiado com esse comportamento. O que ocorre, muitas vezes, é a negligência do fabricante em definir políticas e condutas para os 19 membros de seu canal, o que, em um efeito inverso, contribui para a amplificação dos conflitos e a dificuldade em manter bons relacionamentos com atacadistas e varejistas. Respeitar os parcei- ros adotando medidas que protejam cada membro do canal no exercício de suas atividades é a estratégia mais prudente e eficaz que os produtores podem adotar. Para garantir que a operação do trade marketing da empresa atinja os resultados esperados, a integração e a cooperação entre todos os membros dos canais de distribuição da empresa são essenciais. Por que muitas empresas não dão a devida atenção à integração entre os canais de distribuição? O problema, muitas vezes, é que as empresas não possuem um plane- jamento claro de como vão atuar no mercado. Sem esse planejamento, fica difícil a organização de qualquer atividade da empresa. Por outro lado, muitos integrantes dos canais não cobram isso dos fabricantes porque, dessa maneira, não precisam seguir regras de conduta, atuando livremente de acordo exclusivamente com seus interesses. Essa situação não é saudável para ninguém. NÓS QUEREMOS SABER! A empresa de biscoitos Mourão, que atualmente só atende à região sul do país, percebeu que seu produto tem grande potencial de vendas na região norte. O problema é que, para atender a essa demanda, a empresa, que até então fazia sua distribuição por meio de um único ataca- dista, que possuía filiais por toda a região sul, precisava buscar um novo parceiro para garantir a distribuição de seu produto na região norte. Foi, então, que um atacadista e uma grande rede de varejo, composta por pequenas lojas de supermercados, procuraram a biscoito Mourão e fizeram a proposta de distribuição exclusiva na região norte. Para a Mourão, essa situação não era interessante, pois ela acreditava que os dois canais eram interessantes para a distribuição de seus biscoitos. Para contornar esse impasse, o diretor de distribuição da empresa se reuniu com o atacadista e o varejistae apresentou um plano de integração entre os canais. Enquanto o atacadista seria responsável por realizar a distribuição para toda a região norte, a grande rede varejista poderia comprar direto da Mourão e somente poderia distribuir para as lojas que faziam parte da rede na região norte. Dessa maneira, as duas empresas poderiam trabalhar sem que nenhuma interferisse na outra. Todos sairiam ganhando nessa história: a biscoito Mourão, o atacadista, a rede varejista e, claro, o consumidor final também. 20 Laureate- International Universities Síntese • A utilização dos canais de distribuição para uma empresa fabricante de produtos e serviços é fundamental para assegurar sua permanência no mercado em que atua. Os sistemas de distribuição de marketing que uma empresa pode utilizar são três: sistema vertical de marketing (SVM) – este dividido em sistemas verticais administrativos, empresariais e contratuais; sistema horizontal de marketing e sistema multicanal de marketing (SMM). • Os tipos de canais de distribuição que podem ser utilizados por uma empresa fabricante são o atacado e o varejo. No caso do atacado, a distribuição de produtos é feita para pequenas revendas ou varejistas distantes da fábrica. Já o canal varejista atua na distribuição unitária de produtos a um número limitado de clientes de uma determinada região. O canal varejista pode ainda ser classificado de duas maneiras: varejo com lojas e varejo sem lojas. • Muitas vezes, a má gestão dos canais de distribuição das empresas contribui na geração de conflitos entre esses canais. Os conflitos podem ser classificados entre verticais (ocorre entre membros do canal em diferentes níveis) e horizontais (envolve divergências entre membros no mesmo nível). Uma das maneiras de reduzir ou eliminar os conflitos é quando o fabricante adota questões legais, políticas e éticas para regulamentar as condutas entre os membros do canal de distribuição. • Para que uma empresa fabricante possa integrar os canais de distribuição de uma maneira colaborativa, ela precisa dar atenção a três processos: motivação (atender às exigências de cada canal); treinamento (treinar os membros dos seus canais) e controle dos canais (avaliar o desempenho dos canais e identificar pontos de melhoria). A adoção do uso da tecnologia também é essencial para a cooperação entre os canais, pois auxilia no fornecimento de informações que poderão ser utilizadas estrategicamente pela empresa. Síntese 21 Referências BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/Logística empresarial. 5. ed. 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