A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
49 pág.
uan forças armadas

Pré-visualização | Página 8 de 9

gastos energéticos desnecessários, fazendo repouso sempre que possível. A 
demanda energética dessa ração é de aproximadamente 1200 Kcal/unidade, dividida 
entre uma refeição principal (almoço ou jantar) e uma secundária (café da manhã ou 
ceia) (SILVA, 2011). 
 
 Tabela 9 – Composição de itens alimentícios e suas quantidades em RAE da MB. 
Itens alimentícios 
Quantidade 
(g) 
Unidades 
Bebidas 
Café com leite e açúcar (g) 40 1 
Café solúvel (g) 10 1 
Refresco de frutas (g) 45 1 
Repositor hidroeletrolítico (g) 55 1 
 
Biscoitos e Cereais 
Torrada (g) 30 1 
Barra de cereais de frutas (g) 25 1 
 
Balas e Doces 
Açúcar refinado (g) 6 2 
Geleia (g) 15 1 
Rapadura (g) 25 1 
 
Almoço e Jantar 
Farinha de mandioca (g) 40 1 
Arroz (g) 150 1 
Alimento básico 1 (g) 250 1 
 
 A ração de sobrevivência no mar ou RAN da MB (Tabela 10) tem por objetivo 
manter um náufrago em repouso por 24h, mantendo principalmente sua hidratação, com 
valor energético total de 383 Kcal/unidade. Seu aporte nutricional é baixo, devido sua 
25 
 
composição que é feita unicamente de doces e água potável. Tem como particularidade 
a composição do seu kit que é feita para um período de 6 dias. Além disso, a água 
potável que compõe é produzida no Rio de Janeiro, no Laboratório Farmacêutico da 
Marinha (SILVA, 2011). 
 
 Tabela 10 – Composição de itens alimentícios e suas quantidades em RAN da MB. 
Itens alimentícios 
Quantidade 
(g/ml) 
Unidades 
Bebidas 
Água (ml) 50 60 
 
Balas e Doces 
Balas de goma (g) 50 12 
Goma de mascar (g) 4 30 
 
Analisando-se as tabelas 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10 é possível verificar que não existe 
oferta de frutas e hortaliças, prejudicando assim a qualidade nutricional do cardápio. 
Philippi (2008) ressalta que a ausência de vegetais folhosos e as frutas, merece ser 
destacada, pois sabe-se da importância do consumo diário desses grupos alimentares 
nos cardápios pois são alimentos com reconhecida fonte de vitaminas, minerais e 
fibras, e quando consumidos diariamente podem contribuir para diminuir o risco de 
várias doenças. Avena et al. (2009) destacam que as frutas e hortaliças elevam 
significativamente a quantidade fibras alimentares, devendo sempre que possível estar 
presente nos cardápios, pois a ingestão adequada garante um bom funcionamento do 
trato gastrointestinal e da saúde quando consideramos as doenças crônicas. 
Tendo em vista a utilização específica das rações, entende-se que esses 
alimentos não poderiam estar presentes de forma fresca, porém sua utilização na forma 
desidratada poderia trazer uma melhora na qualidade nutricional das rações. Outra fonte 
de fibra poderia ser os alimentos integrais. Considerando-se os alimentos disponíveis 
nas rações das três Forças, observa-se a ausência de alimentos integrais, que poderia 
contribuir de maneira positiva para a qualidade nutricional do cardápio. Essa inserção 
poderia ser realizada substituindo-se o arroz branco por arroz integral ou as torradas por 
torradas integrais. Essas pequenas alterações poderiam aumentar a disposição de fibras 
do cardápio. 
26 
 
A elaboração do cardápio é uma atividade específica do nutricionista, pois o 
cardápio é uma importante ferramenta que pode auxiliar na educação alimentar, na 
promoção da saúde e na qualidade de vida das coletividades. Cardápio com elevado teor 
calórico devido à presença de açucares simples, podem no futuro sugerir doenças 
crônicas não transmissíveis como diabetes, hipertensão, entre outros (MENDONÇA, 
2010). 
Deve se evitar também a monotonia de cores nas preparações, o que pode 
implicar negativamente na aceitação sensorial do grupo estudado. Proença et al. (2008) 
ressaltam que um fator importante que deve ser observado ao planejar o cardápio é a 
variedade de cores, pois isto ajuda a garantir a ingestão diversificada de nutrientes. 
Além disso, preparações com cores diferenciadas despertam o interesse do consumidor, 
visto que um dos primeiros atributos sensoriais que se desperta é aparência. 
Veras et al. (2010) em seu trabalho verificaram que 88% das preparações de 
alimentos termo processados têm quantidades de sódio acima das recomendações. O 
sódio em excesso não está associado ao processo de conservação, pois a etapa térmica 
dos alimentos termo processados, elimina os microrganismos, garantindo dessa forma a 
segurança alimentar. Portanto a substituição de parte desse sódio por temperos naturais 
no processo de preparo das refeições poderia trazer benefícios aos militares, visto que o 
alto consumo de sódio está associado à hipertensão arterial e outras doenças 
cardiovasculares. 
Mais estudos são necessários no que diz respeito à alimentação convencional dos 
militares, aos alimentos básicos termo processados e sobre as rações operacionais de 
maneira geral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
 
7 CONCLUSÃO 
 
As três Forças Armadas Brasileiras têm demandas diferentes nas quantidades e 
utilização das rações operacionais, isso devido ao efetivo que as compõe e a 
especificidade das atividades de cada Força. Sendo o EB a Força que apresenta um 
maior efetivo apresenta também uma quantidade maior de variações de cardápios, sendo 
visível quando se compara a quantidade de alimentos básicos que cada Força dispõe. A 
MB e a FAB, têm um número inferior de militares, porém tem ambientes de trabalho 
mais variados dispondo-se então de mais tipos de ração, totalizando 3. 
Foi possível observar que as rações não são padronizadas, mas apresentam 
similaridades no que diz respeito à utilização e valor energético total. Além de 
apresentarem alimento em comum como a bebida láctea sabor chocolate, a bala de 
goma, a farinha de mandioca, entre outros alimentos. 
Foi possível observar que a principal diferença na produção é que a FAB é a 
única a montar seus kits, visto que a Marinha e o Exército compram os seus prontos da 
empresa Cellier Alimentos do Brasil LTDA, contudo os alimentos básicos por sua vez 
são todos adquiridos da mesma empresa. 
Analisando de forma geral, não há presença de frutas, hortaliças e alimentos 
integrais que são fundamentais para uma dieta saudável, além da presença de uma 
grande quantidade de doces, industrializados e embutidos que a longo prazo podem 
influenciar negativamente na escolha de alimentos. O nutricionista tem um importante 
papel na saúde dessa coletividade, esse profissional garante a segurança alimentar dos 
alimentos servidos a essa população, e ainda tem o poder de interferir positivamente na 
dieta desses militares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28 
 
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
AVENA, F.; GINANI, V. Avaliação nutricional de refeições termoprocessadas. 
Monografia apresentada ao Centro de Excelência em Turismo. Brasília. Universidade de 
Brasília, 2009. 
 
BOTELHO, R.; AVENA, F.; VERAS, M.; ZANDONADI, R. Adequação nutricional as 
refeições oferecidas e consumidas por soldados do Exército Brasileiro. Revista de 
Nutrição, v. 27, n. 2, p. 229-239, 2014. 
 
BRASIL. Ministério da Defesa. Boas Práticas em Segurança Alimentar nas 
Organizações Militares. Portaria Normativa Nº854/Secretaria de Logística, 
Mobilização, Ciência e Tecnologia (SELOM). Brasília – DF. 4 de Julho de 2005. 
 
BRASIL. Ministério da Defesa. Exército Brasileiro. Secretaria Geral do Exército. 
Boletim do Exército Nº 47/2008. Brasília – DF. 21 de novembro de 2008. 
 
BRASIL. Ministério da Defesa. Manual de Alimentação das Forças Armadas. Portaria 
Normativa Nº219/MD. Brasília – DF. 12 de Fevereiro de 2010. 
 
BRASIL. Ministério da Defesa. Forças Armadas e Estado-Maior Conjunto. Portal do 
Ministério da Defesa; 2014a [acesso em 18 de fevereiro de 2015]. Disponível em: 
http://www.defesa.gov.br/forcas-armadas 
 
BRASIL. Ministério da Defesa. Tecnologia ajuda a manter Tropas Brasileiras bem 
alimentadas. Portal Brasil; 2014b [acesso em 18 de fevereiro de 2015]. Disponível em: 
http://www.brasil.gov.br/defesa-e-seguranca/2014/03/tecnologia-mantem-tropas-