Prévia do material em texto
1
IDEOLOGIA DE GÊNERO: O QUE É, SUAS ORIGENS E
PORQUE ESTÃO TENTANDO INCLUÍ-LA NA EDUCAÇÃO
O Brasil está se mobilizando para aprovar as diretrizes, metas e estratégias dos Planos
Estaduais e Municipais de Educação para o decênio 2015-2025, com base na Lei 13.005/2014. Em meio
a essa força-tarefa, famílias e entidades da sociedade civil lutam em várias cidades para retirar destes
planos a famigerada ideologia de gênero, incluída através de pequenos termos espalhados dentre as
centenas de estratégias destes planos. Por trás dessa empreitada, há uma intricada manobra que
envolve o governo federal, organizações internacionais e ideólogos e militantes de extrema-esquerda.
Este presente texto resume o que é a ideologia de gênero, quais as suas origens e consequências, e o
porquê de sua tentativa de imposição na educação infanto-juvenil brasileira.
Sumário
I. A ideologia de gênero ............................................................................................................................................................ 1
1. Uma apresentação ............................................................................................................................................................ 1
2. Histórico ................................................................................................................................................................................ 2
Os fundamentos da ideologia ..................................................................................................................................... 2
A experiência do Dr. John Money .............................................................................................................................. 6
A consolidação do termo gênero e as Conferências da ONU ........................................................................ 7
3. Ideologia de gênero na prática................................................................................................................................. 10
O caso nórdico ................................................................................................................................................................ 13
4. Consequências já vistas da ideologia de gênero na educação ................................................................... 14
II. As tentativas de imposição da ideologia de gênero na educação brasileira .............................................. 15
5. As manobras do governo federal ............................................................................................................................ 16
6. A situação em sergipe .................................................................................................................................................. 18
III. Conclusão ............................................................................................................................................................................... 18
Referências .................................................................................................................................................................................. 19
I. A IDEOLOGIA DE GÊNERO
1. UMA APRESENTAÇÃO
Diz-se ideologia um conjunto de ideias orientadas para ações políticas de forma a mascarar a
realidade. Em poucas palavras, a ideologia de gênero prega que as diferenças entre homens e
mulheres inexistem naturalmente, sendo tais diferenças estereótipos frutos de uma construção
cultural imposta com o objetivo de subjugar uma ou mais classes à outra. Para isso, a primeira
coisa a se entender é que, segundo os ideólogos de gênero, há uma diferença basilar entre os termos
sexo e gênero, não sendo este último uma forma polida de dizer sexo, como se costumava pensar.
Assim, sexo seria a determinação biológica do indivíduo através de seu DNA, hormônios e
órgão reprodutor, podendo ser masculino, feminino ou em raros casos, hermafrodita; e gênero uma
“profunda experiência interna e individual”, uma autodeclaração de sua sexualidade, a chamada
identidade de gênero, que pode ser homem, mulher, ou uma outra qualquer, independentemente do
sexo com o qual se nasceu. Ou seja, tal ideologia ensina que ninguém nasce homem ou mulher, mas
sim um indivíduo indefinido, sendo seu “gênero” uma escolha exclusivamente subjetiva e alheia
às suas características fisiológicas.
Em outras palavras, a ideologia de gênero consiste no esvaziamento jurídico do conceito de
homem e mulher, afirmando que o sexo biológico é um dado corporal de cuja “ditadura” devemos nos
libertar pela composição arbitrária de um gênero, propagando que toda diferença entre homens e
mulheres são papéis culturais injustos e opressivos, e portanto, sendo necessário que tais diferenças
2
sejam ‘abolidas’ para alcançar uma pretensa “igualdade de gêneros”. A essência da questão foi muito
bem sintetizada pelo Pe. José Eduardo de Oliveira, em uma entrevista concedida à agência Zenit,
publicada no excelente artigo “Caindo no Conto de Gênero”1:
“Conferindo status jurídico à chamada "identidade de gênero" não há mais sentido falar em
"homem" e "mulher"; falar-se-ia apenas de "gênero", ou seja, a identidade que cada um criaria
para si. Portanto, não haveria sentido em falar de casamento entre um "homem" e uma
"mulher", já que são variáveis totalmente indefinidas. Mas, do mesmo modo, não haveria
mais sentido falar em "homossexual", pois a homossexualidade consiste, por exemplo,
num "homem" relacionar-se sexualmente com outro "homem". Todavia, para a
ideologia de gênero o "homem 1" não é "homem", nem tampouco o "homem 2" o seria.
Em poucas palavras, a ideologia de gênero está para além da heterossexualidade, da
homossexualidade, da bissexualidade, da transexualidade, da intersexualidade, da
pansexualidade ou de qualquer outra forma de sexualidade que existir. É a pura
afirmação de que a pessoa humana é sexualmente indefinida e indefinível. Os ideólogos
de gênero, às escondidas, devem rir às pencas das feministas. Como defender as mulheres, se
elas não são mulheres? Qual seria o objetivo, portanto, da "agenda de gênero"? O grande
objetivo por trás de todo este absurdo - que, de tão absurdo, é absurdamente difícil de ser
explicado – é a pulverização da família com a finalidade do estabelecimento de um caos no qual
a pessoa se torne um indivíduo solto, facilmente manipulável.“
Não acredita? Pois é fato que esta ótica vem despontando em influentes círculos políticos há
pelo menos duas décadas. Claro que o processo de subversão não foi rápido e envolve a evolução de
discursos de ideólogos revolucionários desde ao menos meados do século XIX. Poder-se-ia refutar tal
ideologia com argumentos filosóficos, religiosos, antropológicos, bioquímicos ou psicológicos, ou
simplesmente admitir como absurda a suposição de sua veracidade. Porém não vamos nos ater à
nenhuma destas linhas de argumentações em especial, mas simplesmente relatar seus fundamentos
históricos e fatos que seguiram-se tão logo a ideologia fora aplicada, e que são suficientes para tornar-
se um imperativo rejeitá-la categoricamente.
2. HISTÓRICO
OS FUNDAMENTOS DA IDEOLOGIA
Não há como se falar da ideologia de gênero ignorando seu contexto num histórico de luta
pela destruição do conceito de família. Este fenômeno não é espontâneo, não é resultado fortuito dos
tempos modernos, existem pessoas muito ocupadas, estudando e trabalhando intensamente pela
desconstrução da instituição familiar. Para falar sobre isso poderíamos regressar a muitos séculos, mas
basta dizer que o que hoje conhecemos por família na verdade é uma produção bem moderna em
relação ao que poderíamos chamar de família tradicional.
Antes das revoluções francesa e industrial, família era uma unidade muito distante daquela
que se produziu depois. Famíliaera uma unidade muito sólida, de pessoas que não apenas vinham da
mesma estirpe e compunham uma mesma prole, mas sobretudo de pessoas que compartilhavam um
mesmo estilo de vida. Ser família era um modo de se viver, todos vivam ocupados num mesmo ofício.
Famílias de ourives, de lavradores, de carpinteiros... que não apenas trabalhavam juntos, mas que
compartilhavam toda uma vida, uma arte, uma técnica, um sonho, uma tradição. Todavia veio a
revolução industrial e com ela veio o transplante das famílias para a cidade. Elas então perderam a sua
radicação profunda, não mais se identificavam com um local no qual vivam há séculos, mas tinham de
limitar-se a ser um núcleo muito compacto de pessoas, pois na cidade não é possível propiciar vida a
uma prole muito extensa. Tiveram cada um de se ocupar num trabalho, procurando emprego numa
fábrica ou empresa qualquer, e por causa disso deixavam de compartilhar da mesma vocação radical.
1 http://www.zenit.org/pt/articles/caindo-no-conto-do-genero
3
Já a revolução francesa trouxe consigo a ideia de que o indivíduo está diretamente ligado ao estado,
como que desenraizando-se por necessidade de todos os seus condicionamentos familiares.
Obviamente que este processo levou séculos, e se foram dando ainda de modo muito espontâneo,
mesmo aqui no Brasil as famílias permaneceram como unidades sólidas e fortes até algumas décadas.
Poderíamos dizer que a família nascida dessas revoluções foi ficando assim como nós a conhecemos
sem grandes intencionalidades movidas por trás.
Contudo, entre o final do século XIX e início do século XX, algumas pessoas fascinadas pela
ideia de um estado moderno onipotente começaram a olhar com desconfiança para a unidade familiar.
Resumidamente poderíamos dizer que a ideia de Estado de Hegel, um estado que era o suprassumo
da racionalidade moderna, e que superava todas as estruturas naturais arcaicas, dentre elas
principalmente a família, devia ocupar o centro ético do homem. O Estado moderno era o espaço da
ética, porque era o espaço da universalidade. Quando Ludwig Feuerbach destruiu a noção
transcendente do Estado de Hegel, mostrando que aquilo era também, segundo ele, uma abstração
do espírito humano que se projetava na realidade, abriu caminho para que depois Marx traduzisse esta
ideia de um Estado racional como um estado que “engenheristicamente” distribui os bens de consumo
por igual entre todos os cidadãos, fazendo com que esta figura do Estado se tornasse o grande senhor
da vida dos homens.
Entretanto Marx pensava que este estado, o estado comunista, viria à luz pela destruição da
propriedade privada, por força econômica. Porém, chegou às suas mãos um estudo de um antropólogo
chamado Morgan, que baseado em deduções apreendidas a partir de cacoetes observados em
algumas tribos indígenas, criou uma teoria que serviu como pauta para que Marx depois excogitasse
uma gênese da família de acordo com um mirabolante conjunto de ideias.
Segundo o livro A origem da família, da propriedade privada e do Estado (1884), de autoria
inacabada de Marx, mas assinada por Engels, seu discípulo, visto que ele não teve tempo de concluí-
la, no início os homens viviam em hordas nas quais havia total liberdade sexual. Nessas hordas não
havia nenhum tipo de estratificação familiar, ou, como diriam os cantores modernos, ninguém é de
ninguém. Nesta constituição, segundo Marx, todos os homens mantinham relações íntimas com todas
as mulheres e predominava portanto um modelo tendencialmente mais matriarcal, visto que as
pessoas podiam saber quem eram suas mães, mas não quem seriam seus pais. Por isso, diz Marx, nesta
sociedade havia uma profunda “igualdade” entre todas as pessoas. Uma igualdade baseada na
indiferença total a qualquer tipo de compromisso baseado no vínculo do sexo. Contudo, quando surgiu
a agricultura, diz ele, o homem precisou estabelecer-se num território, começou a acumular, e portanto
sentiu a necessidade de transmitir o fruto do seu trabalho para herdeiros. Então pela força física o
homem subjugou a mulher, tornando a sua “primeira propriedade privada” e os filhos decorrentes dela
também o seriam. Diz Engels no citado livro:
“Em um antigo manuscrito não publicado escrito por Marx e por mim mesmo, em 1846, eu
encontrei estas palavras: ‘A primeira divisão do trabalho é aquela entre o homem e a mulher
para a propagação da prole’. E hoje eu posso acrescentar: ‘A primeira luta de classes que aparece
na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher no
casamento monogâmico, e a primeira opressão de classe coincide com a submissão do sexo
feminino pelo masculino”.
Portanto para Marx e Engels, o matrimônio é fruto do patrimônio e com ele surge a ideia de
um homem, que submete a mulher ao seu domínio, tornando a sua propriedade e também os filhos
que dela se geram (não nos pergunte se Marx alguma vez soube, mesmo que ao longe, o que seria o
amor entre um homem e uma mulher, amor paterno ou materno). A conclusão óbvia desta tese é que
não poderia haver revolução comunista duradoura sem antes destruir a família.
A opinião de Marx foi se concretizando em seus sucessores e revisionistas, permanecendo
inicialmente pouco conhecida. As revoluções que seguiram as suas ideias não se deram através das
4
mãos que ele previu, do operariado revoltando-se contra a “burguesia”, mas por golpes de estado
através da força de alguns que usurpavam o poder militar, sem que os paraísos igualitários prometidos
surgissem como resultado. Algo estava errado e as grandes mentes comunistas foram aos textos
originais de Marx e começaram a redescobri-lo. O primeiro a fazê-lo foi um filósofo marxista
importante: Karl Korsch, que em 1923 pronunciou um discurso no congresso da III Internacional
chamado Marxismo e filosofia. Nele, mostrava como as ideias de Marx estavam sendo mal entendidas,
pois pensava-se que uma vez derrubando-se a estrutura econômica, a superestrutura ideológica cairia
por si mesma. Karl Korsch mostra que a estrutura ideológica, a superestrutura, possui uma subsistência
própria, e se a revolução não entrar por ela, ela não entrará em lugar nenhum. Seria preciso mudar a
ideologia, transformar a superestrutura desde dentro.
A partir de então começaram-se a produzir estudos nesta direção. Max Horkheimer, o
fundador da Escola de Frankfurt, produziu um ensaio intitulado Estudos de Autoridade e de Família
(1936), no qual defendia que a ideia de autoridade surge no interior da família, e portanto para reverter
a autoridade tal como ela está construída para subverter a estrutura a fim de que se possa inserir uma
nova, era preciso acabar com a ideia de autoridade tal como ela é ensinada pela família, portanto
precisariam mexer na estrutura familiar.
A revolução russa e a Escola de Frankfurt apontaram o motivo pelo qual a destruição da família
seria tão central para o êxito da revolução socialista, não explicaram, todavia, como esta deveria ser
realizada. Já nos anos 70, a feminista americana Kate Millett escreveu uma tese doutoral na qual
apresentava a urgência de promover a revolução sexual como base da revolução e explicando porque
os socialistas não haviam conseguido destruir a família. Sua tese chama-se Política Sexual (1970). Ali,
ela compõe uma espécie de manifesto feminista, que se pensava como a verdadeira essência da
revolução, a alma mesma daquilo que os revolucionários queriam, mas que estavam fazendo apenas
pelo viés político e econômico. Explicando as causas pelas quais Lenin não conseguiu abolir a família
na URSS, ela diz no livro:
“A causa mais profunda para isto reside no fato de que, além da declaração de que a família
compulsória estava extinta, a teoria marxista falhou ao não oferecer uma base ideológica
suficiente para uma revolução sexual efoi notavelmente ingênua em relação à força histórica e
psicológica do patriarcado. Engels havia escrito apenas sobre a história e a economia da família
patriarcal, mas não investigou os hábitos mentais nela envolvidos, e até mesmo Lenin admitiu
que a revolução sexual não era adequadamente compreendida. Com efeito, no contexto de uma
política sexual, as transformações verdadeiramente revolucionárias deveriam ser a influência, à
escala política, sobre as relações entre os sexos. Justamente porque o período em questão não
viu concretizar-se as transformações radicais que parecia prometer, conviria definir aquilo que
deveria ser uma revolução sexual bem sucedida. Uma revolução sexual exigiria, antes de tudo o
mais, o fim das inibições e dos tabus sexuais, especialmente aqueles que mais ameaçam o
casamento monogâmico tradicional: a homossexualidade, a ilegitimidade, as relações pré-
matrimoniais e na adolescência. Isto permitiria uma integração de subculturas sexuais, uma
assimilação de ambos os lados da experiência humana até aqui excluídos da sociedade. Da
mesma forma, seria necessário reexaminar as características definidas como masculinas
e femininas. O desaparecimento do papel ligado ao sexo e a total independência econômica
da mulher destruiriam ao mesmo tempo a autoridade e a estrutura econômica. Parece
improvável que tudo isto possa acontecer sem um efeito dramático sobre a família patriarcal.”
Todavia o texto de Kate Millett ainda continuava sendo uma obra, digamos, manifesto, sem
grandes contornos filosóficos e profundamente ideológicos. Quem fará a transposição do manifesto
para o programa ideológico será uma feminista da mesma época, chama Shulamith Firestone, esta sim
uma hábil ideóloga. Em seu livro A Dialética do Sexo (1970), Firestone propõe todo um ideal político,
no qual ela vai aos poucos desdobrando qual seria a nova sociedade reconstruída de acordo com o
modelo socialista em base da revolução sexual. É preciso citar seu livro pela importância que o mesmo
5
tem. Nada pode substituir a força de suas palavras, dada a evidência com a qual ela apresenta todo o
seu argumento. Ela diz, na conclusão do seu trabalho:
“Eis aqui algumas sugestões do modelo alternativo:
1) A libertação das mulheres da tirania de sua biologia reprodutiva, por todos os meios
disponíveis e a ampliação da função reprodutiva e educativa à toda a sociedade globalmente
considerada. Estamos falando de uma mudança radical, libertar as mulheres de sua biologia
significa ameaçar a família, que é a unidade social organizada em torno da sua obrigação
biológica e da sujeição das mulheres ao seu destino biológico;
2) A autodeterminação, incluindo a independência econômica, tanto das mulheres, quanto das
crianças. É por isso que precisamos falar de um socialismo feminista. Com isso atacamos a
família em uma frente dupla, contestando aquilo em torno do que ela está organizada: a
reprodução da espécie pelas mulheres, e sua consequência, a dependência física das mulheres e
das crianças. Eliminar estas condições já seria suficiente para destruir a família, que produz a
psicologia do poder. Contudo, nós a destruiremos mais ainda;
3) A total integração das mulheres e das crianças em todos os níveis da sociedade, todas aquelas
instituições que segregam sexo ou separam a criança da sociedade adulta, por exemplo, a
escola elementar, devem ser destruídas. E, se as distinções culturais entre homens e mulheres
e entre adultos e crianças forem destruídas, nós não precisaremos mais da repressão sexual
que mantém estas classes diferenciadas, sendo pela primeira vez possível a liberdade sexual
“natural.” Chegaremos assim à liberdade sexual para que todas mulheres e crianças possam
usar a sua sexualidade como quiserem. Não haverá mais nenhuma razão para não ser assim.
Em nossa nova sociedade a humanidade poderá finalmente voltar à sua sexualidade natural
“polimorfamente diversa.” Serão permitidas e satisfeitas todas as formas de sexualidade. A
mente plenamente sexuada tornar-se-ia universal.”
Um pouco mais adiante ela defende, além da abolição da infância, até mesmo o incesto,
dizendo “se isso tudo cair por terra, o que impedirá uma mãe de ter relações sexuais com seu próprio
filho?” O “tabu do incesto”, diz ela, terá desaparecido e perdido a sua função. Fundamentando essas
espantosas afirmações está a ideia da completa abolição de todas as distinções sexuais entre seres
humanos e a “reversão à uma pan-sexualidade desobstruída”, semelhante à inspiração de Marx, como
Firestone diz no mesmo livro:
“Portanto, assim como para garantir a eliminação das classes econômicas exige-se a revolta da
classe inferior e a tomada dos meios de produção, assim também, para garantir a eliminação
das classes sexuais, exige-se a revolta da classe inferior (as mulheres) e a tomada do controle da
reprodução. Isto é, exige-se a restituição, para a mulher, da propriedade dos seus próprios corpos
e o controle feminino da sexualidade humana. E assim como o objetivo final da revolução
socialista não era apenas a eliminação do privilégio da classe econômica, mas da própria
distinção da classe econômica, assim também o objetivo final da revolução feminina deve ser,
diversamente do objetivo do primeiro movimento feminista, não apenas a eliminação do
privilégio masculino, mas da própria distinção sexual. [...] Diversamente das classes
econômicas, as classes sexuais tem sua origem diretamente em uma realidade biológica: os
homens e as mulheres são criados distintos, e não igualmente privilegiados. As diferenças
reprodutivas naturais entre os sexos conduziu diretamente à primeira divisão do trabalho, com
base no sexo, e esta está na origem de todas as divisões posteriores em classes econômicas e
culturais [...] A natureza não é necessariamente um valor humano. A humanidade já
começou a superar a natureza; não podemos mais justificar a manutenção de um sistema
discriminatório de classes sexuais fundamentadas em sua origem natural.”
Pois bem, são estas as ideias das feministas marxistas radicais, que foram aos poucos sendo
disseminadas dentro do movimento. É óbvio que ninguém chegará falando desse modo no Jornal
6
Nacional, as pessoas precisam fazê-lo através de uma cadência na qual a pessoa não perceba que
esteja sendo induzidas nesta direção. Por isso no interior do movimento marxista eles foram
entendendo aos poucos que era necessário destruir as instituições mediante a destruição dos discursos
dessas instituições, que segundo eles eram a própria essência das mesmas.
Jacques Derrida, o pai do desconstrucionismo, partindo da linguística de Saussure, compôs
uma teoria segundo a qual todos os discursos podem ser destruídos, jogando a dialética para dentro
das palavras. Jogando uma palavra contra outra seria possível destruir qualquer discurso. Michel
Foucault veio na sequência, mostrando como todas as instituições são discursos. Então, a partir do
desconstrucionismo, chegou-se a entender como se faria essa mudança, ela precisa ser feita através
das palavras, alterando os discursos. A revolução sexual só pode ser eficaz, portanto, mediante um
artifício linguístico, só assim ela poderia chegar ao seu ápice, poderia ser realizada sem ser percebida,
sem que ninguém pudesse chegar à luz do dia dizendo que nós precisamos criar uma nova sociedade
na qual todos, inclusive pais e crianças, pudessem ser sexualmente acessíveis.
A EXPERIÊNCIA DO DR. JOHN MONEY
Foi então que ao mesmo tempo surgiu uma contribuição que parecia ser avulsa e pouco
aproveitável. Nos EUA, o psicólogo neozelandês John Money, pioneiro nas cirurgias de mudança de
sexo, começou a compor uma teoria segundo a qual os bebês seriam sexualmente neutros e seu
gênero poderia ser construído através da criação. Assim ele inventou a teoria da neutralidade de
gênero, a partir de elucubrações que fazia,mas que pôde concretizar num experimento realizado com
os gêmeos canadenses Bruce e Brian Reimer.
Bruce era gêmeo univitelino e aos oito meses de vida foi levado por seus pais para receber
uma circuncisão, por conta de uma fimose. Todavia utilizaram para aquele procedimento uma agulha
de eletro-cauterização e acabaram por destruir o órgão reprodutor do menino. Seus pais ficaram
bastante apavorados com a situação e após conhecer pela TV as modernas teorias do Dr. John Money,
resolveram consultá-lo. Foi então que o Dr. Money, em 1967, viu a oportunidade perfeita de provar ao
mundo a veracidade de suas teorias. Sem qualquer razão médica, Money disse aos perturbados
pais que o melhor caminho para assegurar a felicidade de Bruce era mudar cirurgicamente sua
genitália de masculino para feminino e educá-lo como uma garota.
Os Reimers seguiram a orientação do doutor e Bruce foi rebatizado de Brenda. Money
assegurou aos pais que Brenda se adaptaria a ser uma menina e que ela nunca saberia a diferença,
mas para isso convenceu-os que a cirurgia deveria ser mantida em segredo. A partir daí Dr. Money
escreveu diversos relatórios sobre o “sucesso” da operação, além do livro Man & Woman, Boy & Girl,
e vendeu milhares de exemplares, se notabilizou por isso, levando ao mundo inteiro a ideia de que
gênero é uma construção meramente arbitrária. Na verdade, ninguém foi conferir o caso. Curioso, um
sexólogo e acadêmico chamado Milton Diamond buscou saber o que tinha acontecido e descobriu
que a adaptação de Bruce foi completamente diferente dos relatórios brilhantes inventados por Money
para os artigos dos jornais.
O Dr. Milton se deparou com o seguinte quadro: Brenda se rebelava contra as roupas
femininas desde os dois anos de idade e sempre teve comportamento visivelmente masculino. Aos 12
anos, estava severamente depressiva e ameaçava suicidar-se caso voltasse a ver o Dr. Money. Seus pais
então quebraram o segredo e lhe contaram a verdade sobre a "mudança de gênero". Aos 14 anos,
Brenda decidiu submeter-se a uma nova cirurgia para reverter sua sexualidade e passou a viver como
homem, trocando o nome para David e chegando até mesmo a casar-se com uma mulher. Seu irmão
Brian nunca aceitou bem a mentira a qual foi submetido, tornou-se um drogado e desenvolveu
esquizofrenia.
Em 2000, ao saber que o Dr. Money continuava a divulgar o caso como um sucesso, os irmãos
Reimer decidiram expor até mesmo os experimentos e abusos sexuais aos quais o Dr. Money os havia
imposto na privacidade de seu escritório. Após a exposição pública da real versão do caso, a saúde
7
mental de Brian deteriorou-se e, em 2002, morreu de overdose. A morte do irmão afetou bastante
David, que numa série de revés perdeu dinheiro, emprego, seu casamento, e finalmente, sua vida. Em
2004, aos 38 anos, David cometeu suicídio com um tiro no peito. Este foi o experimento do Dr. Money,
que pode ser conhecido com mais detalhes no documentário da BBC, “Dr. Money e o menino sem
pênis”, com depoimentos do próprio David2.
Foi graças ao trabalho do Dr. John Money que a palavra gênero, que antes significava a
atribuição de um caráter masculino ou feminino a classes de palavras tais como os substantivos e
adjetivos, passou a perder o sentido secundário de sexo em geral, desvinculou-se da biologia e passou
a referir-se a um papel socialmente construído. Assimilado, logo em seguida, durante a década dos
anos 80, pelas teóricas do feminismo, passou a ser utilizado pelo movimento feminista para promover
a revolução marxista.
A CONSOLIDAÇÃO DO TERMO GÊNERO E AS CONFERÊNCIAS DA ONU
Os fatos relatados acima não aparecem nos grandes jornais em circulação e muito menos na
televisão e por isso o conceito de gênero ficou invicto, não obstante David Reimer não tenha ficado
invicto diante dele. Mas ainda faltava alguém que juntasse os elementos, alguém que pegasse a ideia
da revolução sexual, juntasse com a ideia do instrumento verbal, pegasse o conceito do Dr. Money e
falasse “é aqui que se fará o caminho!” E essa pessoa apareceu, é uma feminista de grande importância
mundial chamada Judith Butler.
Butler escreveu um livro chamado “O Problema do Gênero: Feminismo e Subversão da
Identidade” (1990), no qual com uma linguagem muito rebuscada ela compunha a ideologia de gênero
dentro do discurso feminista, mostrando que defender a mulher é algo não apenas arcaico, mas inútil
e contrário aos interesses feministas. Na verdade seria preciso destruir todo e qualquer tipo de papel
sexual, seria preciso compor a ideia de gênero como uma identidade arbitrária construída com total
liberdade pelo indivíduo. Seria preciso até mesmo taxar de ideológica a ideia de que alguém nasce
homem, uma suposta ideologia a qual ela dá o nome de sexismo. E aqueles que acham que são
homens, porque foram educados como homens e aprenderam a se considerar homens, ou mulheres,
estes seriam apenas um gênero a mais, que depois os ideólogos de gênero denominariam cisgênero,
ou seja, aqueles que são catalogados como os que aceitam a identidade sexual que culturalmente se
atribui com o corpo o qual eles nasceram. Diz ela:
“Durante a maior parte do tempo a teoria feminista supôs que haveria uma identidade existente,
entendida através da categoria da mulher, que constituía o sujeito para o qual se construía a
representação política. Mas recentemente esta concepção da relação entre a teoria feminista e
a política foi questionada a partir de dentro do próprio discurso feminista. O próprio sujeito
“mulher” não pode ser mais entendido em termos estáveis ou permanentes. Há uma farta
literatura que mostra que há muito pouco acordo sobre o que constitui, ou deveria constituir, a
categoria “mulher”. O filósofo Michel Foucault mostra que os sistemas jurídicos de poder
produzem os sujeitos que eles em seguida passam a representar. Nestes casos, recorrer não
criticamente a um sistema como este para emancipar as mulheres é obviamente auto sabotador.
A denúncia de um patriarcado universal não goza mais da mesma credibilidade de outrora, mas
é muito mais difícil desconstruir a noção de uma concepção comum de mulher, que é
conseqüência do quadro do patriarcado. A construção da categoria “mulher” como um sujeito
coerente é, no fundo, uma reificação de uma relação de gênero. E esta reificação é exatamente
o contrário do que pretende o feminismo. A categoria “mulher” alcança estabilidade e coerência
somente no contexto da matriz heterossexual. É necessário, portanto, um novo tipo de política
feminista para contestar as próprias reificações de gênero e de identidade, uma nova política
que fará da construção variável da identidade não apenas um pré-requisito metodológico e
2 Documentário disponível em https://www.youtube.com/watch?t=11&v=o346YH-7z3A
8
normativo, mas também um objetivo político. Paradoxalmente o feminismo somente poderá
fazer sentido se o sujeito “mulher” não for assumido de nenhum modo.”
Judith Butler expandiu o conceito de gênero a ponto de concluir que este não pode ser
definido, porque o indivíduo que o sente e se autodefine como tal tem que ser reconhecido nesta sua
vontade indefinível de autodefinição. Isto é o gênero. Gênero não é uma identidade a mais, é uma
ideia segundo a qual a identidade é algo totalmente individual, e portanto não é passível a
coletivização em nenhum tipo de categoria, é um sentimento interno. Ela chegou a sugerir que
até mesmo o sexo seja culturalmente construído:
“A distinção entre sexo e gênero serve ao argumento segundo o qual o gênero é culturalmente
construído. Portanto, o gênero não seria nem o resultado causal do sexo nem seria
aparentemente fixo como o sexo. Se o gênero são os significados culturais que o corpo sexuado
assume, então não se pode dizer absolutamente que o gênero seja conseqüênciado sexo. Além
disso, mesmo que, em sua morfologia e constituição, os sexos pareçam ser binários (algo que
questionaremos mais adiante), não há razão para presumir que os gêneros devam também
continuar sendo dois. Quando o status construído do gênero é teorizado como radicalmente
independente do sexo, o gênero se torna uma artificialidade livremente flutuante. A
conseqüência é que homem e masculino podem facilmente significar tanto um corpo feminino
como um corpo masculino, e mulher e feminino podem significar tanto um corpo masculino
como um corpo feminino. Se o caráter imutável do sexo for contestado, talvez esta construção
chamada ‘sexo’ seja tão culturalmente construída como ‘gênero’; na verdade, talvez ela já tivesse
sido sempre ‘gênero’, com a conseqüência de que a distinção entre sexo e gênero termine por
não ser distinção alguma”.
Tal como formuladas por Shulamith Firestone e Judith Butler, as idéias não eram politicamente
viáveis e somente um pequeno punhado de revolucionárias radicais seriam capazes de aceitá-las. O
dilema foi finalmente resolvido na Conferência da ONU, realizada em Pequim no ano de 1995, para
tratar sobre a discriminação contra as mulheres. As feministas conseguiu encubar esta concepção de
gênero na Conferência da ONU sobre População, realizada no Cairo em 1994, e na Conferência da ONU
sobre as mulheres, em Pequim, 1995. Nesta última a ONU já não falava sobre as ‘discriminações contra
a mulher’, mas sugeria incorporar uma “perspectiva de gênero”, termo repetido mais de 200 vezes sem
que fosse apresentado um conceito objetivo de gênero, mesmo com os pedidos de delegados de
vários países. Agindo nos bastidores das conferências, havia uma coalizão de grupos financiados por
bilionárias fundações globalistas, que acabaram por usar o poder da ONU para promover seus
obscuros esquemas a nível mundial. O método utilizado consistia basicamente em “ocupar” os Comitês
Preparatórios e Pré-conferências e atuar fortemente na elaboração dos “documentos de consenso”
que orientam as conferências. Um resumo das intensas manobras para substituir as discussões sobre
as discriminações sexuais pela agenda de gênero e dos agentes por trás destas conferências pode ser
lida no relatório “A agenda de gênero”3.
Mas foi somente em 2006 que esta concepção de gênero foi finalmente proclamada
internacionalmente, quando duas ONGs européias, a International Commission of Jurists e a
International Service for Human Rights, convocaram 29 especialistas de 25 países para uma Conferência
a ser realizada em Yogyakarta, na Indonésia. Apesar da conferência ter sido convocada por duas ONGs
e não contar com delegados oficiais de nenhum país, esta tem sido mencionada, na prática, como se
contivesse princípios indeclináveis de uma convenção internacional aprovado pela comunidade das
nações. Diz o documento Princípios de Yogyakarta:
“Compreendemos identidade de gênero a profundamente sentida experiência interna e
individual do gênero de cada pessoa, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído no
nascimento, incluindo o senso pessoal do corpo (que pode envolver, por livre escolha,
3 www.votopelavida.com/agendagenero.pdf
9
modificação da aparência ou função corporal por meios médicos, cirúrgicos ou outros) e outras
expressões de gênero, inclusive vestimenta, modo de falar e maneirismos.”
E para consolidar isso, dizem eles no princípio 3, letra b: “Todos os Estados deverão tomar todas
as medidas legislativas, administrativas e de outros tipos que sejam necessárias para respeitar
plenamente e reconhecer legalmente a identidade de gênero autodefinida por cada pessoa”.
Além dos conceitos de identidade de gênero e de expressão de gênero (a forma como a
identidade de gênero costuma se expressar, normalmente tendo como referencial os tais “papéis
tradicionais” de homem e mulher – comportamento, vestimenta, trejeitos etc.), os Princípios de
Yogyakarta também definem um outro já bastante conhecido, mas agora adaptado à “perspectiva de
gênero”, o de orientação sexual:
“Compreendemos orientação sexual como uma referência à capacidade de cada pessoa de ter
uma profunda atração emocional, afetiva ou sexual por indivíduos de gênero diferente, do
mesmo gênero ou de mais de um gênero, assim como ter relações íntimas e sexuais com essas
pessoas.”
Isto é, o conceito de orientação sexual, que normalmente consiste em classificar uma pessoa
que se relaciona com alguém de outro sexo como heterossexual, com alguém do mesmo sexo de
homossexual e a relação com os dois sexos de bissexual, agora também se refere ao gênero, o que
intuitivamente tenderá a se tornar um conceito obsoleto caso a definição de identidade de gênero
apresentada for considerada – afinal, se gênero é uma categoria interna autodefinida e profundamente
sentida, não fará sentido procurar definir um termo para “combinações” de gênero, já que estes serão
indefiníveis. Se isso não parecer evidente, um melhor esclarecimento será dado no próximo tópico.
Um resumo da perspectiva de gênero da sexualidade humana pode ser visto na imagem a
seguir, bastante difundida entre os defensores da ideologia de gênero. Note que para eles estas quatro
“variáveis” não são necessariamente dependentes entre si, podendo existir infinitas combinações entre
elas.
A sexualidade humana segundo os ideólogos de gênero
10
3. IDEOLOGIA DE GÊNERO NA PRÁTICA
Conhecendo os conceitos próprios da ideologia de gênero e sua fundamentação, é possível
prever o que querem os ideólogos de gênero, mas o tema é de uma estranheza e subterraneidade tão
grande, que se faz necessário uma explicação mais “didática” de como o mundo lidaria com a realidade
da ideologia de gênero, com exemplos reais ao final.
Já é possível perceber que o problema do termo gênero é anterior a qualquer discussão
quanto ao “papel” da mulher e à discriminação de homossexuais, como erroneamente a mídia costuma
noticiar por conta da malícia dos defensores de tal ideologia. Se a ideologia de gênero for levada às
últimas consequências, isso será prejudicial não só para os defensores da família natural, mas também
para os próprios movimentos feministas e LGBT. Todo o povo sairá perdendo com a ideologia de
gênero e isso será incontestavelmente provado logo a seguir.
A premissa maior é que a distinção entre homens e mulheres é fundamental para a ordem
social. Até mesmo a militância que advoga pela ideologia de gênero deve concordar com esta
premissa caso pretendem se passarem por defensores das mulheres e das minorias, pois estes tratam
as mulheres e “minorias sexuais” como classe oprimidas, ou seja, seria necessário uma luta classista
contra os “opressores” para garantir os direitos dos “oprimidos”. Assim, segundo uma ótica feminista
comum, distinguir os homens das mulheres é fundamental para a ordem social. Mas hoje a principal
controvérsia em relação à ideologia de gênero está no que eles chamam de pessoas transgêneros, ou
simplesmente, pessoas trans, o ‘T’ da sigla LGBT4.
Transgênero é a condição de gênero no qual a pessoa assume uma identidade de gênero
diferente da naturalmente atribuída a ela desde o nascimento pela “sociedade preconceituosa”, ou
seja, não coincidente com o sexo biológico (o contrário disso, como expomos antes, é o cisgênero, ou
simplesmente cis, que são as pessoas que se identificam com o seu sexo biológico, ou seja, pessoas
do sexo masculino que se identificam como homens e pessoas do sexo feminino que se identificam
como mulheres). Já é comum chamar de trans as pessoas do sexo masculino que se identificam como
mulheres e as do sexo feminino que se identificam como homens, termo advindo dos transexuais, que
já não faria sentido chamarem-se assim, pois lembremos que na ótica da ideologia de gênero não
existe apenas o “binarismo”homem-mulher, existindo uma infinidade de identidades de gênero,
porém todos fora da condição natural (cis) são classificados como transgêneros. Em suma, quando o
sexo combina com a identidade, cis, quando não, trans.
Para exemplificar a ótica da ideologia de gênero, tomemos o caso de um travesti (sexo
masculino), que se relaciona com pessoas também do sexo masculino. Segundo a “leitura social”
comum, tal travesti é um homossexual. Porém, segundo a ideologia de gênero, este pode se identificar
como uma mulher, e já que se relaciona com homens, logo seria uma mulher heterossexual. Por mais
que alguém não veja qualquer problema no comportamento do travesti, o simples fato de olhar o
travesti que se identifica como mulher como um homossexual seria um preconceito, a transfobia, ou
seja, quem o vê assim é transfóbico, pois na verdade o travesti, se assim quiser, deve ser tratado como
uma mulher heterossexual, como qualquer outra pessoa do sexo feminino. A tabela a seguir resume
as diferentes leituras da situação, sendo a de cima a comum hoje e a de baixo o que propõe a ideologia
de gênero (note que afetividade refere-se à tendência de relacionamento de uma pessoa, ou seja, em
termos populares, se a pessoa “gosta de homem” ou “gosta de mulher”):
4 A sigla LGBT foi originalmente constituída como “lésbicas, gays, bissexuais e transexuais” (sendo
os transexuais as pessoas que passam por cirurgia de mudança de sexo), depois foi modificada para
LGBTTT, “lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros” e finalmente resumida
novamente para LGBT, já que transexuais e travestis se incluem na definição de “transgênero”.
11
Sexo biológico
Identidade
de gênero
Condição
de gênero
Orientação
sexual Afetividade
Abordagem
popular Masculino Homem Cis Homo Homens
Ideologia de
gênero Masculino Mulher Trans Hétero Homens
Note também que os extremos da tabela (sexo e afetividade) são incontestáveis, ou seja, se
referem a como a pessoa nasceu e com quem ela se relaciona. Já as colunas centrais são variáveis que
dependem da “identidade de gênero” da pessoa.
Sendo assim, o problema do gênero não só é anterior à questão da defesa dos direitos das
mulheres e minorias, como ele modifica completamente a percepção que temos destas questões. Pois,
se antes o travesti se enquadraria na discussão das pessoas homossexuais, agora ele se enquadra na
discussão do espaço da mulher na sociedade. Então, sendo mulher, o travesti deve ter todos os direitos
que as mulheres tem. Por exemplo, a possibilidade de permanência em banheiros públicos femininos,
casos em que já há leis garantindo tal “direito” e que já gera transtornos. Certamente, as próximas
discussões serão a aplicabilidade da Lei Maria da Penha às trans, a possibilidade de “mulheres trans”,
quando acometerem crimes e serem presas, serem levadas à presídios femininos e quiçá, a idade da
aposentadoria igualada à das “mulheres cis”.
A primeira coisa que salta aos olhos na tabela é que as três colunas centrais tiveram seus
valores invertidos e os extremos inalterados, e, como tais valores centrais se modificam conforme a
autoafirmação da identidade de gênero, a consequência natural dessa abordagem é que as
identidades de “homem cis homossexual” e “mulher trans heterossexual” são uma só e a mesma
coisa. Ou seja, basta alguém se identificar de forma oposta ao seu sexo, mas mantendo sua afetividade,
isto é, basta que se altere os valores das colunas centrais, e a identidade mantêm-se absolutamente
equivalente. Isto se tornará mais claro com um segundo exemplo.
Tome-se o caso de um pai de família tradicional, casado com uma mulher. Segundo a
abordagem popular comum, ele é um homem heterossexual. Mas, caso ele se afirme mulher, mesmo
continuando casado e se relacionando exclusivamente com a sua esposa, este pai deverá ser
identificado como uma “mulher trans lésbica”. Então não há diferença nenhuma, basta inverter as três
variáveis e têm-se duas identidades paralelas na mesma pessoa, logo, se a ideologia de gênero for
levada às últimas consequências, estão abolidas as diferenças entre homens e mulheres.
Sexo biológico
Identidade
de gênero
Condição
de gênero
Orientação
sexual Afetividade
Abordagem
popular Masculino Homem Cis Hétero Mulheres
Ideologia de
gênero Masculino Mulher Trans Homo Mulheres
Uma possíveis objeção seria dizer que um homem hétero não pode simplesmente se dizer
mulher-trans-lésbica, continuar sua vida da mesma forma e exigir os direitos de uma mulher, pois ele
mantêm um papel social de homem. Porém, os “papéis sociais” são constantemente contestados pelos
defensores da ideologia de gênero, que dizem não existir “coisas de homem” e “coisas de mulher”,
sendo tais papéis, segundo eles, construídos culturalmente para oprimir as mulheres e minorias, e por
isso devem ser abolidos. Assim, uma mulher poderia muito bem fazer todas as “coisas de homem”,
sendo os “papéis sociais” irrelevantes. Outra possível objeção é a expressão de gênero, como o modo
de agir, as roupas, o corte de cabelo etc. serem todos masculinos, ao contrário do travesti por exemplo,
mas já mostramos que segundo os próprios ideólogos de gênero estas expressões não implicam em
nada porque cada um deveria se vestir e agir como quiser. Segundo eles, o que faz um travesti ser
mulher não é maquiagem, silicone ou conduta sexual, mas simplesmente a afirmação de ser mulher,
12
pois o sexo, a identidade de gênero, a orientação sexual (afetividade) e a expressão de gênero são
completamente independentes.
O que isso tudo quer dizer? Simplesmente que ninguém precisa mudar absolutamente
nenhum aspecto da sua vida para se declarar de outro gênero, mesmo que oposto à “leitura social”
feita pela maioria da outras pessoas (que seria comumente “transfóbica” e não pode servir de critério).
Assim, em tese, todos são homens ou mulheres simultaneamente, ou, ninguém é nada.
O que leva à premissa menor: o conceito de gênero acaba com qualquer distinção possível
entre homens e mulheres. Os ideólogos de gênero podem alegar que na prática essa situação caótica
não irá acontecer, que não vão surgir casos de homens reconhecidamente héteros declarando serem
mulheres lésbicas e exigindo os direitos próprios de uma mulher. É inegável que isso é uma
possibilidade real, apesar da situação claramente incômoda à todos, mas para exaurir qualquer dúvida
de tal disparate, já é possível demonstrar esta realidade com casos concretos!
Um deles foi o acontecido em maio deste ano, no Encontro de Mulheres da União Nacional
dos Estudantes (UNE), um espaço feminista de uma organização liderada por militantes do Partido
Comunista do Brasil (PCdoB). Este encontro teve a presença de um rapaz, que chegou barbado e de
calça jeans, mas dizendo-se mulher, o que causou incômodo entre algumas feministas e o levou a se
barbear e pegar uma saia emprestada. Tal rapaz se relacionou com lésbicas neste encontro, se
autodeclarando mulher-trans-lésbica, chegando até mesmo à tomar banho junto às mulheres no
banheiro feminino. Dum grupo de aproximadamente mil feministas, cerca de cinquenta se
manifestaram expressamente contra o absurdo e foram taxadas de preconceituosas por muitas das
outras participantes, além de que houveram casos também de feministas que preferiram não se
manifestar por temerem ser repudiadas por outras e se contradizerem com o próprio discurso. O caso,
por mais surreal que possa parecer, aconteceu e foi relatado em diversos blogs feministas5.
Um outro exemplo conhecido é o de Artur, uma criança que nasceu do sexo feminino. Aos
quatro anos, por conta das preferências apresentadas pela criança, os pais decidiram que ela seria na
verdade ele, um menino trans, e que passaria a se chamar Artur. Quando crescida, aos13 anos, a
criança, agora adolescente, resolveu relacionar-se com meninos. Com isso, os pais chegaram à
conclusão que Artur é um “menino trans gay”. Ou seja, os pais poderiam simplesmente dizer que tinha
uma filha menina que gosta de algumas “coisas de menino”, sem com isso praticar qualquer tipo de
opressão. É curioso o discurso dos ideólogos de gênero em relação a isso, pois estes costumam dizer
que quando um menino brinca de carrinho ou uma menina brinca de boneca, tais brincadeiras
reforçam os “estereótipos” de gênero e o preconceito, mas quando ocorre o contrário, como um
menino que brinque de boneca, legitimam todas as “convenções” e chegam a conclusão de que isso
é um indício de que o menino seja trans.
Outro caso concreto é o do atleta americano Fallon Fox, um lutador de MMA do sexo
masculino, que na juventude casou-se, teve uma filha, foi militar e caminhoneiro e que hoje “se
descobriu” mulher. Só depois das duas primeiras lutas oficiais, dois massacres vencidos no primeiro
assalto, é que Fallon “confessou” ser transexual, tendo hoje cinco vitórias, três por nocaute, em seis
lutas. Quando alguém diz que Fox não poderia estar na competição, "ela" reage dizendo que está
sendo "atacada como mulher". Ou seja, seria machismo e transfobia. Na prática, um homem pago para
bater em mulheres sem que as feministas possam dizer nada contra, sob a pena de negarem sua
ideologia e serem acusadas de transfóbicas.
A loucura não para por aqui. Segundo os ideólogos de gênero, já que todos são homens e
mulheres, logo ninguém é nada. A conclusão é emancipar as pessoas destas categorias e tornar cada
um indefinido e indefinível. Já existem correntes defendendo a abolição completa do gênero e outros
5 Exemplo de blog feminista comentando o caso:
http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2015/05/radfems-e-transativistas-deflagram.html
13
defendendo infinitas definições de gênero, os chamados genderqueer, pessoas que não se incluem no
que eles chamam de binarismo, a visão de que a sociedade se divide sexualmente entre homem e
mulher. Por exemplo, uma pessoa se identificou numa rede social como “burflux imprimogênero de
cadoneutrois e pangênero”, sendo esta uma identidade de gênero a ser respeitada pela sociedade. É
isso que se quer ensinar nas escolas sob a égide de abolir a transfobia e os estereótipos de gênero, já
que a sociedade naturalmente identifica primeiramente a pessoa segundo o seu sexo e por isso,
segundo os ideólogos de gênero, a sociedade é transfóbica e precisa abolir tais “preconceitos” através
da educação infanto-juvenil.
A conclusão é uma só: o conceito de gênero é prejudicial à ordem social. Se os próprios
movimentos defensores desta ideologia continuarem a levando a sério, serão eles mesmos
prejudicados, pois não haverá nem mesmo como diferenciar homossexuais de heterossexuais e assim
a causa LGBT não teria mais como se manifestar. Incluindo-se tal ideologia no ordenamento jurídico
do país, estará aberta a porta para abolir todas as diferenças jurídicas entre homens e mulheres e
acabar com todos os direitos próprios dos detentores de um sexo específico, por fim, toda a ordem
social seria destruída.
Portanto, quando alguém defende a ideologia de gênero alegando estar defendendo as
minorias ou as mulheres, de duas, uma: ou são pessoas ingenuamente desinformadas, ou são
ideólogos mal-intencionados. Não há uma terceira alternativa, pois se gênero é uma identidade
autodefinida pela pessoa, como é que ela pode se transformar numa coletividade? Não se está
defendendo nenhuma categoria de pessoas, por exemplo, não se pode defender a mulher, porque a
mulher não existe! Fazendo um jogo com as palavras, se a ideologia de gênero for aplicada na nossa
legislação, homem e mulher se transformariam numa categoria interna e profundamente sentida e
autodefinida. Assim, num caso de agressão entre um “suposto” homem contra uma “suposta” mulher,
a lei Maria da Penha valeria para quem? Não valeria para ninguém! E tão pouco se pode defender
nenhuma minoria LGBT, porque eles não formarão categoria alguma, uma vez que gênero é uma
categoria interna autodefinida e profundamente sentida, ela é indefinível e, portanto, minoria alguma
poderá ser definida porque minoria alguma existirá, todos nós seremos minoria porque seremos
apenas indivíduos.
O CASO NÓRDICO
Para complementar tudo o que foi exposto, há também um outro interessante caso de
desmascaramento da ideologia de gênero. O Conselho Intergovernamental de Cooperação Nórdico,
do qual fazem parte Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca e Islândia, decidiu deixar de financiar o
Instituto Nórdico de Pesquisas de Gênero, o NIKK, após o jornalista, comediante e sociólogo, Harald
Eia, rodar um longo, genial e devastador documentário6, Hjernevask ("Lavagem cerebral”), que mostrou
a manipulação e a falta de base científica da ideologia de gênero.
Harald estava intrigado com o fato de porque, apesar de todos os esforços dos políticos e
engenheiros sociais para eliminar os "estereótipos de gênero", as garotas seguiam optando por
profissões "femininas" -enfermeiras, cabeleireiras, etc., enquanto os homens seguiam atraídos por
carreiras "masculinas" -técnicos, trabalhadores da construção civil, etc.
As políticas de igualdade de gênero em seu país fizeram com que a tendência fosse inclusive
mais acentuada. Para seu documentário, Harald fez algumas perguntas inocentes aos principais
pesquisadores e cientistas do NIKK. Depois tomou as respostas e transmitiu-as aos cientistas, líderes
em sua área, em outras partes do mundo, sobretudo no Reino Unido e nos Estados Unidos, pedindo-
lhes seu parecer sobre os resultados de seus pares noruegueses. Como era de esperar, os resultados
6 “O paradoxo da igualdade”, primeira parte do documentário, legendado e disponível em:
http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=33021#ixzz3d4X0jNGm
14
da "falsa ciência" provocaram regozijo e incredulidade entre a comunidade científica internacional,
sobretudo porque se baseava em pura teoria, não apoiada por nenhuma pesquisa empírica.
Harald, após filmar essas reações, regressou a Oslo, e mostrou aos pesquisadores do Nikk.
Resultou que, quando se defrontaram com a ciência empírica, os "pesquisadores de gênero" ficaram
sem fala, e totalmente incapazes de defender suas teorias em relação a revisão da realidade. A falsidade
foi exposta ao ridículo diante de toda a audiência de televisão e as pessoas começaram a perguntar
por que era necessário financiar, com 56 milhões de euros do dinheiro dos contribuintes, uma ideologia
baseada em pesquisa que não tinha credenciais científicas em nenhum lugar.
4. CONSEQUÊNCIAS JÁ VISTAS DA IDEOLOGIA DE GÊNERO NA EDUCAÇÃO
As previsões apocalípticas da aceitação universal da ideologia de gênero e os exemplos
macabros ainda são relativamente poucos, mas introduzir a ideologia de gênero como obrigação no
ensino regular de crianças e adolescentes trarão uma série de outras consequências imediatas e que
já podem ser vistas a partir de tal experiência em outros países.
A introdução da igualdade de gênero e da livre opção sexual em leis federais, estaduais ou
municipais, especialmente nas que tratam da Educação, será necessariamente acompanhada pela
introdução da disciplina de Educação Sexual nos currículos da Educação Básica de escolas públicas e
privadas, em todos os níveis e modalidades. Ou seja, nossas crianças deverão aprender que são
pessoas sem sexualidade definida e que precisam inventar um gênero para si mesmas, recebendo
para isso materiais didáticos destinados a deformarem sua identidade.
Tal experiência fora desastrosamente vivida na Colômbia. Nos anos 90, os colégios
colombianos incluíram as aulas de educação sexual obrigatóriae desde 2003, o Ministério da Educação
Colombiana, junto com o Fundo de Povos da ONU, tornou pública sua política de saúde sexual e
reprodutiva, expondo o “Programa de Educação para a Sexualidade e Construção Cidadã”. O programa
busca despertar as atividades sexuais das crianças desde pequenos, a autoexploração do corpo e a
busca de um prazer sem limites, utilizando materiais didáticos sem nenhuma restrição à faixa etária. O
plano está totalmente fundamentado na ideologia de gênero. Os pais acabam deixando de serem os
primeiros educadores dos filhos e as crianças são ensinadas que devem criar sua própria identidade
sexual e que possuem um “direito” a experimentar o prazer sexual acima de tudo, sem necessidade de
criar qualquer vínculo, que o sexo é uma necessidade básica e que todas as suas manifestações devem
ser respeitadas, com o único objetivo de satisfação e prazer. A inocência, o pudor, o enamoramento e
amor são valores inexistentes para os doutrinadores de gênero. As consequências são previsíveis:
aumento do número de adolescentes grávidas, de homossexualidade entre jovens e dos casos
de infectados por doenças sexualmente transmissíveis, infanticídio (aborto), depressão e
suicídio7.
E caso torne-se obrigatório por lei, como tenta levar a efeito o Governo federal, os pais
e professores que se opuserem poderão ser criminalizados por isso, visto que a ideologia de
gênero será imposta como matéria curricular obrigatória. Isso já está acontecendo em países da
Europa, como na Alemanha, onde já há pais presos porque seus filhos se recusam a assistir as aulas de
gênero.8 Sendo a ideologia de gênero implementada nos termos propostos para os Planos Municipais
e Estaduais de Educação, haveria a real possibilidade de pais e professores serem punidos pelo Estado
futuramente, caso tratassem as crianças como menino e menina, pois na lógica de gênero, seria uma
opressão e descriminação, uma vez que eles ainda não teriam decidido o que querem ser.
Além do absurdo óbvio, tal imposição é um grave atentado ao direito dos pais de educar os
filhos segundo a sua moral. A esse respeito o artigo 12 do Pacto de São José da Costa Rica, ou
7 http://biopolitica.com.br/index.php/videos/52-a-revolucao-sexual-nas-escolas
8 http://biopolitica.com.br/index.php/news/37-na-alemanha-a-policia-prende-por-40-dias-os-pais-
de-criancas-que-nao-foram-a-aula-de-ideologia-de-genero
15
Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH), tratado internacional do qual o Brasil é signatário,
leciona in verbis:
“Art. 12. Os pais têm direito a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que
esteja de acordo com suas próprias convicções.” 9
Em suma, as nefastas consequências da ideologia de gênero são:
1- A confusão causada nas crianças no processo de formação de sua identidade, fazendo-as
perder as referências;
2- A sexualidade precoce, na medida em que a ideologia de gênero promove a necessidade
de uma diversidade de experiências sexuais para a formação do próprio “gênero”. E aqui se abre um
perigoso caminho para a legitimação da pedofilia, lobby que já bate à porta da sociedade10;
3- A banalização da sexualidade humana, podendo aumentar a violência sexual, sobretudo
contra mulheres e homossexuais, os casos de doenças sexualmente transmissíveis e demais doenças e
males decorrentes da solidão e falta de empatia, como a depressão e o suicídio, além do
desmoronamento da instituição familiar;
4- A usurpação da autoridade dos pais, em matéria de educação de seus filhos, principalmente
em temas de moral e sexualidade, já que todas as crianças serão submetidas a influência dessa
ideologia, muitas vezes sem o conhecimento e o consentimento dos pais.
II. AS TENTATIVAS DE IMPOSIÇÃO DA IDEOLOGIA DE GÊNERO
NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
A ideologia de gênero foi totalmente abraçada pelo governo petista. Ainda na gestão Lula, a
terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), aprovada em 2009, já falava, entre
várias outras ações programáticas do gênero, em
“Exigir em todos os projetos financiados pelo Governo Federal a adoção de estratégias de não
discriminação de crianças e adolescentes em razão de classe, raça, etnia, crença, gênero,
orientação sexual, identidade de gênero, deficiência, prática de ato infracional e origem.”
(Diretriz 8, Ação programática 3.l)
E em:
“Estabelecer diretrizes curriculares para todos os níveis e modalidades de ensino da educação
básica para a inclusão da temática de educação e cultura em Direitos Humanos, promovendo o
reconhecimento e o respeito das diversidades de gênero, orientação sexual, identidade de gênero,
geracional, étnico-racial, religiosa, com educação igualitária, não discriminatória e
democrática.” (Diretriz 19, Ação programática 1.a)
É incontestável o anseio em incutir nas crianças e adolescentes a perspectiva de gênero da
forma construída pelos ideólogos, pois se o objetivo fosse tão somente reduzir discriminações sexuais,
apenas o termo orientação sexual, sem menções à identidade e diversidade de gênero, poderia ser
aceitável.
O “Guia Escolar – rede de proteção à infância”11, publicado em 2011 pela Presidência da
República, que em seu capítulo 3 trata exclusivamente dos “direitos sexuais” de crianças e adolescentes
9 http://escolasempartido.org/educacao-moral/442-quem-disse-que-educacao-sexual-e-
conteudo-obrigatorio
10 http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/o-lobby-pedofilo-bate-a-sua-porta-
ef7v8lvyazgoyqnvyv70qiu6m
11 http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000016936.pdf
16
e orientação sexual nas escolas, promove até um suposto “direito ao prazer sexual”. O documento é
extenso e envolve diversas ações que assustariam a grande maioria dos pais, que nunca são
consultados na elaboração de tais políticas, mas ao reconhecer um suposto direito ao prazer sexual de
crianças, o governo federal abre até mesmo espaço à legitimação da pedofilia.
5. AS MANOBRAS DO GOVERNO FEDERAL
Foi somente em 2014 que o governo federal iniciou suas investidas para impor a introdução
da ideologia de gênero nas legislações educacionais, quando da discussão sobre a aprovação do Plano
Nacional da Educação (PNE), no Congresso Nacional. Na época, várias lideranças civis se manifestaram
contra tal ideologia e contra a maneira sub-reptícia como ela estava sendo imposta, à revelia da
sociedade brasileira. Graças a esses grandes esforços das mais variadas forças vivas de nosso país, os
representantes eleitos interpretaram e respeitaram o pensamento do povo brasileiro, banindo do PNE
a perniciosa ideologia de gênero, escrevendo em seu lugar a diretriz, encontrada no artigo 2º, inciso
III, da lei 13.005/2014, que aprova o PNE:
“Art.2o São diretrizes do PNE: (...) III - superação das desigualdades educacionais, com ênfase na
promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação;”
Outra passagem que empregava a terminologia própria da ideologia de gênero era a
Estratégia 3.12, que falava em implementar políticas de prevenção à evasão “motivada por preconceito
e discriminação racial, por orientação sexual ou identidade de gênero, criando rede de proteção contra
formas associadas de exclusão” e, aprovado o PLC substitutivo 103/2012 no Senado, recebeu a seguinte
redação:
“3.13) implementar políticas de prevenção à evasão motivada por preconceito ou quaisquer
formas de discriminação, criando rede de proteção contra formas associadas de exclusão.”
Retornando à Câmara, as modificações foram confirmadas em votação ocorrida no dia 22 de
abril de 2014 e sancionadas pela presidência em 25 de junho de 2014. Em seu artigo 8°, a lei diz:
“Art. 8o Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão elaborar seus correspondentesplanos de educação, ou adequar os planos já aprovados em lei, em consonância com as
diretrizes, metas e estratégias previstas neste PNE, no prazo de 1 (um) ano contado da publicação
desta Lei.”
Assim, o prazo finalizou em 25 de junho de 2015. No último dia 02 de fevereiro, o Ministério
de Educação (MEC) lançou nota reiterando a data limite para que estados e municípios elaborem seus
planos de educação para os próximos 10 anos. A nota menciona o cumprimento do prazo como
condição para recebimento de recursos da União via Plano de Ações Articuladas (PAR) - responsável
por grande parte dos repasses do governo federal na área.12
Ocorre que tendo sido derrotado no Congresso Nacional, o Governo Federal tenta agora
impor a ideologia de gênero por reintrodução furtiva e desleal da matéria, utilizando como meio
os Planos Municipais e Estaduais de Educação. O MEC, por um de seus braços administrativos, o
Fórum Nacional da Educação (FNE), responsável por “acompanhar a execução do PNE e o
cumprimento de suas metas” (Portaria n. 1.407/2010 do MEC) e reunido entre os dias 19 a 23 de
novembro de 2014, ou seja, cinco meses após a votação do PNE, deliberou e publicou o documento
final do CONAE 201413 (Conferência Nacional da Educação), no qual é apresentado como diretriz
obrigatória o texto que fora explicitamente rejeitado pelas casas do Congresso Nacional e
sancionado pela Presidente. O documento mencionado está sendo utilizado como subsídio para a
12 http://www.observatoriodaeducacao.org.br/index.php/sugestoes-de-pautas/48-sugestoes-de-
pautas/1278-2015-02-10-20-13-32
13 http://conae2014.mec.gov.br/images/doc/Sistematizacao/DocumentoFinal29012015.pdf
Versão resumida e sublinhada: http://www.votopelavida.com/conae2014.pdf
17
elaboração dos Planos Estaduais e Municipais de Educação. Assim, os projetos enviados aos
Legislativos Municipais e Estudais incluíram novamente, em suas propostas, a ideologia de gênero
como diretriz norteadora da educação nacional, apesar de sua legítima exclusão quando da definição
do Plano Nacional da Educação pelo povo através do Congresso. De fato, lemos nas páginas 18 e 19
do citado documento:
"Em consonância com estes princípios, o PNE, o planejamento e as políticas no Brasil, devem
orientar-se pelas seguintes diretrizes: [...] III - superação das desigualdades educacionais, com
ênfase na igualdade racial, regional, de gênero e orientação sexual, e na garantia de
acessibilidade".
Como desdobramento deste princípio, apresentado como norma legal, embora
explicitamente rejeitado pelo Congresso, o restante do documento desenvolve, nas suas mais de uma
centena de páginas, como o sistema escolar deverá “promover a diversidade de gênero” (pg. 25,
item 6) , “disseminar materiais pedagógicos que promovam a igualdade de gênero, orientação
sexual e identidade de gênero” (pg. 36 – item 9), “desenvolver, garantir e executar anualmente
nos sistemas de ensino Fóruns de Gênero e LGBT” (pg. 41 – item 28), “inserir na avaliação de
livros do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e do Programa Nacional Biblioteca da
Escola (PNBE), de maneira explícita, critérios eliminatórios para obras que veiculem preconceitos
à condição de gênero, orientação sexual e identidade de gênero” (pg. 42 – item 35), “garantir
condições institucionais para a promoção da diversidade de gênero e diversidade sexual” (pg. 43
– item 39), “elaborar diretrizes nacionais sobre gênero e diversidade sexual na educação básica
e superior” (pg. 45 – item 56) e “ampliar os programas de formação continuada dos profissionais
de educação sobre gênero, diversidade e orientação sexual” (pg. 92 – item 1.2), apresentados como
metas obrigatórias em virtude de uma norma legal do PNE que foi, na realidade, explicitamente
rejeitada pelo Congresso.
Tais orientações foram incluídas no documento, segundo informações do próprio CONAE na
apresentação deste, como se houvesse sido resultado de uma suposta parceria entre os sistemas de
ensino, os órgãos educacionais, o Congresso Nacional e a sociedade civil. O que é MENTIRA, pois o
Congresso Nacional, em junho de 2014, após intensas manifestações contrárias de várias entidades da
sociedade civil, suprimiu do PNE os leitmotivs clássicos da ideologia de gênero: “identidade de
gênero” e “orientação sexual” e todas as demais alusões a estes termos.
Tal disparate vêm provocando reações nas diversas camadas da sociedade, por exemplo, o
deputado federal Izalci no requerimento de informação nº 565/201514, subscrito por outros oito
deputados federais em maio deste ano, cobra explicações do Ministro da Educação sobre a desleal
reintrodução da matéria nos Planos Municipais e Estaduais de Educação. Foi em grande parte por conta
deste documento, redigido de forma bem fundamentada e expositiva, que a denúncia se espalhou e
possibilitou que a furtiva manobra do governo federal não passasse despercebida. A partir das
denúncias, vários representantes da sociedade civil conseguiram agendar audiências públicas e expor
os perigos da ideologia de gênero em câmaras municipais e assembleias legislativas de todo o Brasil,
que após expostos comumente são retirados dos planos de educação, como aconteceu nas
assembleias legislativas de Pernambuco e Paraná, nas Câmaras Municipais de Aracaju, Maringá,
Teresina, Uberlândia, Londrina, Goiânia, João Pessoa, Curitiba, Juiz de Fora, Nova Andradina,
Arapongas, Tubarão e na Câmara Distrital do Distrito Federal.
A Igreja também vêm se manifestando frente a essa gravíssima situação. O secretário-geral da
CNBB, Dom Leonardo Steiner, publicou uma carta15 aos Arcebispos e Bispos denunciando a forma
como a ideologia de gênero está sendo imposta e o ataque ao direito das famílias de definir as bases
da educação que desejam oferecer a seus filhos, clamando por uma ação urgente dos bispos em
14 http://zip.net/bkrqSM
15 http://zip.net/bbrqRF
18
atuação com os leigos para se posicionarem contra a inclusão da questão de gênero nos PMEs e PEEs.
Vários bispos já atenderam ao chamado conclamando às forças do Estado para que defendam a vida,
a família e toda a sociedade de perniciosa ideologia, bem como, aos fiéis leigos e especialmente aos
pais, para que acompanhem as discussões e decisões dos governantes e legisladores e a formação
escolar dos próprios filhos, além de posicionarem-se corajosamente contra a ideologia de gênero.
O governo federal não desiste de impor tão nefasta ideologia, como vê na Resolução nº 12,
de 16 de janeiro de 201516, do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos
Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT), órgão vinculado à
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, publicada no dia 12 de maio, no "Diário
Oficial da União", sem força de lei, determina que estudantes transgêneros, de todas as idades,
poderão escolher se vão usar o banheiro masculino ou feminino, o tipo de uniforme escolar
(masculino ou feminino) e ainda ter o nome social com o qual se identifica inserido em todos os
processos administrativos da vida escolar, como matrícula, boletins, registro de frequência, provas
e até concursos públicos. Ignorando como sempre o direito dos pais e a discussão pública.
6. A SITUAÇÃO EM SERGIPE
Em Sergipe já foram votados alguns planos municipais e dentre eles, em algumas cidades em
que o povo esteve atento à manobra do governo, foram retiradas às menções à ideologia de gênero,
como em Socorro, Propriá e em Aracaju, este último com uma esmagadora vitória de 20 votos, contra
o voto da vereadora comunista Lucimara Passos.
O Plano Estadual de Educação (PEE) será votado após o retorno às atividades da Assembleia
Legislativa, em agosto. Em seu Documento Base17 é possívelencontrar as seguintes menções à
ideologia de gênero:
“Assegurar em regime de colaboração com os municípios e as instituições de ensino superior, a
partir da aprovação deste PEE, política de formação continuada aos segmentos escolares, para
construção de projeto político pedagógico e propostas curriculares que envolvam as famílias, os
estudantes e os profissionais da educação e mestres culturais e educador popular nas discussões
sobre direitos humanos, etnia, gênero, sexualidade e sustentabilidade.” (Meta 8, Estratégia12)
“Implementar políticas afirmativas para a redução das desigualdades de gênero, étnico-
raciais, sociais e regionais no acesso e permanência na educação profissional técnica de nível
médio, na forma da lei, de modo a garantir o acesso igualitário e gratuito.” (Meta 8, Estratégia12)
“Articular, promover e ampliar, com as IES públicas, prioritariamente e privadas a oferta, na sede
e/ou fora dela, de cursos de formação continuada presenciais e/ou a distância com calendários
diferenciados, para educação especial, gestão escolar, educação de jovens e adultos, educação
infantil, educação escolar indígena, educação do campo, educação escolar quilombola e
educação e gênero, a partir do primeiro ano de vigência do PEE”. (Meta 16, Estratégia 8)
III. CONCLUSÃO
Da mesma forma que os pobres foram usados para o avanço do comunismo no século
passado, agora as minorias são usadas por aqueles que querem destruir a ordem social e a sociedade
em que vivemos. “Coincidentemente”, em sua maioria são os mesmos marxistas, principalmente no
Brasil. Engana-se aqueles que julgam estar sendo defendido pela ideologia de gênero. Não é que eles
vão reconhecer a tua identidade, eles vão tirá-la de você! Você não será mais nada! E se não existe
identidade, como pode existir família, se não há pai, se não há mãe, se não há filhos? Em sentido algum
família existirá. O que existirá nem eles nos querem responder porque a pergunta lhes é muito
16 http://www.sdh.gov.br/sobre/participacao-social/cncd-lgbt/resolucoes/resolucao-012
17 http://zip.net/blrqgk
19
incômoda. Parece ser muito estranho dizer que precisamos defender as famílias, porque parece uma
loucura dizer que há alguém que luta contra as famílias, mas os próprios autores não nos deixam
mentir. Eles acham que a família é uma estrutura endemicamente perversa, é a fonte da psicologia do
poder e por isso eles querem nos destruir como família para oferecer um mundo novo que eles
prometem ser maravilhoso, mas que curiosamente ninguém nunca viu em lugar algum. Portanto, se
nós quisermos defender a família não basta dar bolsa-família, é preciso que haja família e que elas
sejam defendidas em sua existência.
Inegavelmente, por trás dos interesses alegados dos ideólogos de gênero, as reais intenções
não podem ser outras senão a luta por um Estado totalitário, que interfira na educação familiar
determinando quais são os valores, o que é moral ou imoral e, no fundo, tornando o Estado um deus,
e no único deus a ser adorado. É notável que além do projeto da ideologia de gênero, se quer levar as
crianças para a escola o quanto antes. A escola irá dizer para as crianças o que é certo e o que é errado.
Quando se ensina a uma criança que uma realidade evidentemente fixa é falsa, como o fato de que
existe um homem e uma mulher, se cria na cabeça da criança o fato de que já não existe mais a barreira
fixa da Lei Natural a ser obedecida. Ela crescerá consciente de que é ela que constrói o que é certo e o
que é errado. Assim o estado ganha a possibilidade, através de mecanismo de manipulação, a ter uma
população amorfa onde ele possivelmente vá manipular a população como massinha de modelar,
porque a escola já não é mais vista como um lugar onde se forma pessoas, mas sim um lugar onde se
modela comportamentos. O PT quer a revolução que Hebert Marcuse, expoente da Escola de Frankfurt,
defendeu no livro Eros e Civilização, que propôs a “libertação” da criança do logos grego, da reta razão,
defendendo a erotização das crianças, a pedofilia e outras perversões sexuais como instrumento da
revolução que necessita destruir as famílias para deixar todos submissos ao Estado.
Resta claro, a desonestidade e o total desrespeito às regras do jogo democrático. A tática é
utilizada para impor, de uma forma ou outra, uma ideologia covarde, que ataca a sociedade ainda no
berço. É de tal imoralidade e maquiavelismo, que usa a sexualidade como meio para alcance de seus
fins. A ideologia de gênero usa a pulsão sexual como força e instrumento para fazer revoluções sociais
e a sexualidade que antes era um drama privado tornou-se uma batalha social e conflito de classes. A
questão perseguida não é a educação e formação dos jovens e crianças em questões de relevante
importância social, mas do uso da sexualidade como instrumento de uma revolução de inspiração
marxista, de tomada e manutenção do poder.
Por estas razões, todo homem e mulher de boa vontade, sobretudo os agentes políticos,
tem a obrigação moral, diante de nossas crianças e da Nação, de rejeitar esta ideologia
desumana, removendo qualquer menção direta ou indireta à ideologia de gênero dos planos
educacionais apresentados às Câmaras de Vereadores e Assembléias Legislativas deste país.
REFERÊNCIAS
Pe. José Eduardo de Oliveira – “Debate sobre identidade de gênero na Alerj “
Observatório Interamericano de Biopolítica
https://www.youtube.com/watch?v=N7GGMKQG030
Leonardo Brum – ”Rationes Fidei #1 - A questão do gênero”
https://www.youtube.com/watch?v=Rkfn_PH6HqE
Fernanda Takitani – De onde veio e como foi pensada a ideologia de gênero”
https://www.youtube.com/watch?v=N7GGMKQG030
I. A IDEOLOGIA DE GÊNERO
1. UMA APRESENTAÇÃO
2. HISTÓRICO
OS FUNDAMENTOS DA IDEOLOGIA
A EXPERIÊNCIA DO DR. JOHN MONEY
A CONSOLIDAÇÃO DO TERMO GÊNERO E AS CONFERÊNCIAS DA ONU
3. IDEOLOGIA DE GÊNERO NA PRÁTICA
O CASO NÓRDICO
4. CONSEQUÊNCIAS JÁ VISTAS DA IDEOLOGIA DE GÊNERO NA EDUCAÇÃO
II. AS TENTATIVAS DE IMPOSIÇÃO DA IDEOLOGIA DE GÊNERO NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
5. AS MANOBRAS DO GOVERNO FEDERAL
6. A SITUAÇÃO EM SERGIPE
III. CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS