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Apelação cível em ação de reparação por morte por queda de vaso: resumo dos fatos, pedido de duplo efeito, comprovação de preparo, preliminar de ilegitimidade passiva do locador, impugnação da solidariedade e fundamentação no art. 938 do CC.

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EXCELENTISSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA _ VARA CIVEL DO FORUM REGIONAL DE TERESINA PIAUÍ
SOLON, já devidamente qualificado nos autos, por seu advogado devidamente constituído nos autos da ação de reparação de danos matérias e morais que lhe move CLIO, também já devidamente qualificada nos autos, inconformado com a r. sentença de fls., vem, respeitosamente, a presença de Vossa Excelência, com o fundamento nos arts. 1.009 e seguintes do CPC, interpor tempestivamente a presente APELAÇÃO, pelos motivos de fato e de direito que ficam fazendo parte integrante dessa.
Considerando a matéria debatida, o presente recurso é dotado de duplo efeito (art. 1.012 do CPC).
Requer ainda que, após os tramites legais (oitiva da parte contraria), sejam os autos encaminhados ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, para o recurso, uma vez conhecido e processado na forma da lei, seja integramente provido.
Informa, outrossim, que, nos termos do art. 1,007 do CPC, o preparo e o porte de remessa e retorno foram recolhidos, o que se comprova pela guia devidamente quitada que ora se junta aos autos. 
Termos em que
Pede deferimento.
Teresina, data, assinatura, OAB.
RAZÕES DE RECURSO
Apelante: SOLON
Apelado: CLIO
Autos:
Vara de Origem:____ Vara Cível da comarca de Teresina
Egrégio Tribunal,
Colenda Câmara,
Nobres Julgadores:
I – BREVE SINTESE DOS FATOS 
Do apartamento n. 151, situado no 15º andar do CONDOMINIO EDIFICIO STELLA MARIS, com frente para a Rua Carbúnculo, n17, subdistrito de penha de França, locado pelo Apelante a QUILON, mediante contrato a prazo certo, caiu um vaso de metal com flores naturais, sobre PITACO, filho da apelada, jovem estudante de 14 anos que transitava pela via pública, causando-lhe a morte, por perda de massa encefálica. 
A genitora da vítima CLIO, ora apelada-, demandou o apelante e QUILON, pleiteando perdas e danos, morais e materiais pelo fato da morte, sendo, após regular tramitação do processo, com produção de provas, atendida em sua pretensão, com a condenação dos corréus, em caráter solidário, ao pagamento das despesas com funeral, danos morais de 50 salários mínimos e materiais correspondentes à prestação alimentar mensal equivalente a 10 salários mínimos, pelo tempo de duração provável da vida do menor, estimado em 65 anos, além de honorários à taxa de 20% sobre o valor total da condenação, tudo sob a égide dos preceitos dos art. 186, 948, incisos I e II, e 942, segunda parte do CC.
 Impôs, ainda, a obrigação de compor patrimônio hábil a garantir o êxito da condenação, nos termos do art. 503 do CPC.
Entretanto, em que pese o costumeiro acerto do d. juízo a quo, não pode o apelante concordar com a r. sentença em questão, tendo em vista a má aplicação do direito na hipótese.
II – DAS RAZÕES DO INCONFORMISMO 
PRELIMINARMENTE: DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DO RÉU ORA APELANTE
Conforme exposto, o apelante locou imóvel a Quilon, foi na janela deste apartamento que o vaso caiu e , portanto, a relação jurídica de responsabilidade civil estabeleceu- se entre ele (o ocupante do imóvel) e a vítima do evento danoso.
O apelante, proprietário do apartamento e locador, nçao tem qualquer pertinência subjetiva em relação a lide em questão, afinal, por força de sua condição de locador, transferiu a posse direta do imóvel ao locatário, que é quem efetivamente deve responder pelas coisas caídas ou lançadas do apartamento. O apelante, assim, não tem qualquer relação jurídica com a autora, ora apelada. 
Portanto, demonstrada a errônea inclusão do apelante no polo passivo de demanda, faz-se de rigor a extinção do processo sem resolução do mérito, no que concerne ao ora apelante, por falta de condição da ação 9ausencia de legitimidade passiva), nos termos do art. 485, VI, do CPC.
NO MÉRITO: DA NECESSÁRIA REFORMA DA R. SENTENÇA CONDENATÓRIA 
Ainda que se entenda pela legitimidade passiva do apelante, o que se admite apenas para argumentar, não há como configura sua responsabilidade na hipótese.
Segundo o art. 938 do CC, aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. 
Diferentemente do afirmado na sentença, portanto, proclama da lei que a responsabilidade é do ocupante, e não do proprietário. Este, afinal, não praticou conduta alguma em relação á vitima do evento danoso, não podendo ser responsabilizado.
Assim, faz-se necessária a reforma da sentença, julgando improcedente o pedido em relação ao apelante.
Em atenção ao principio da eventualidade, porém, passa o apelante a impugnar outros pontos da condenação.
No que tange a solidariedade, não há fundamento que a justifique. Afinal, a solidariedade não se presume, mas decorre de lei ou contrato.
Não se aplica, no caso, a regra da parte final do art. 942 dp CC, segundo a qual, “se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão solidariamente pela reparação”. Afinal, não há pluralidade de autores do ato ilícito: o apelante não foi autor da ofensa, não tendo havido qualquer conduta danosa de sua parte. No caso, portanto, não há norma legal que autorize tal responsabilidade solidária, razão pela qual dever ser excluída da sentença.
No que tange ao montante da indenização, este se revela por demais elevado e desproporcional: os montantes fixados são notoriamente excessivos. No que se refere aos danos materiais, o valor de 10 salários mínimos é alto demais para a hipótese dos autos, devendo ser reduzido tal valor para o montante entre meio e dois salários mínimos, conforme precedentes judiciais de nossos Tribunais, que estipulam essa média. O mesmo ocorre quanto aos danos morais, cujo valor merece ser reduzido por destoar do padrão da jurisprudência. 
Também não merece ser mantida a decisão no tocante a condenação ao pagamento de honorários no percentual de 20% do valor da condenação. Não se vislumbra, no trabalho realizado pelo profissional, a presença dos requisitos do art. 85, § 2º, do CPC, não tendo havido excessivos esforços ou dificuldades que justifiquem tal verba.
Impugna ainda o apelante a obrigação imposta por aquele douto juízo de compor patrimônio hábil a garantir êxito da condenação. Além de absurda, tal exigência de constituição de capital caracteriza excessiva onerosidade ao apelante, que não tem qualquer relação jurídica com os fatos narrados nos autos.
Ademais, nos termos do §2º do art. 533 do CPC, é possível ao juiz substituir a constituição do capital pela inclusão do exequente em folha de pagamento de pessoa jurídica de notória capacidade econômica ou, a requerimento do executado, por fiança bancaria ou ainda por garantia real, em valor a ser arbitrado de imediato pelo juiz. 
Percebem-se, assim, os equívocos da decisão de primeiro grau, que deve ser completamente modificada. 
II – DO PEDIDO E DOS REQUERIMENTOS
Diante de todo o exposto, pede e requer seja o presente recurso recebido, conhecido e provido para o fim de reformar a sentença, julgando extinto processo sem resolução do mérito em relação ao apelante, caso assim não entenda v. Exa., requer seja o pedido julgado improcedente ou, então que seja reduzido o valor da verba condenatória.
Termos em que
Pede deferimento.
Teresina, data, assinatura, OAB.

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