Prévia do material em texto
1 DIREITO DAS SUCESSÕES QUADROS SINÓTICOS Mª H DINIZ, 30 ed 2016 I- ACEPÇÃO JURÍDICA DE SUCESSÃO (MªHD/26; MªBD/105; FT/2;PL/47) SENTIDO AMPLO: O termo sucessão aplica-se a todos os modos derivados de aquisição do domínio, indicando o ato pelo qual alguém sucede a outrem, investindo-se, no todo ou em parte, nos direitos que lhe pertenciam. Trata-se da sucessão inter vivos. SENTIDO RESTRITO: Sucessão é a transferência, total ou parcial, de herança, por morte de alguém, a um ou mais herdeiros. É a sucessão mortis causa que, no conceito subjetivo, é o direito por força do qual alguém recolhe os bens da herança, e, no conceito objetivo, indica a universalidade dos bens do de cujus, que ficaram com seus direitos e encargos. II- ESPÉCIES DE SUCESSÃO (MªHD/33; MªBD/105; FT/2;PL/47) QUANTO À FONTE DE QUE DERIVA (CC, art. 1.786 1.573) Sucessão testamentária: É decorrente de testamento válido ou de disposição de última vontade, com a observância do dispositivo no CC, arts. 1.789, 1.845, 1.846, 1.801, 1.850. Sucessão legítima ou “ab intestato”: É resultante de lei nos casos de ausência, nulidade, anulabilidade ou caducidade de testamento (CC, arts. 1.786 e 1.788), passando o patrimônio do falecido às pessoas indicadas pela lei, obedecendo-se à ordem de vocação hereditária (CC, art. 1.829). QUANTO AOS SEUS EFEITOS Sucessão a título universal: Quando houver transferência da totalidade ou de parte indeterminada da herança, tanto no seu ativo como no passivo, para o herdeiro do de cujus, que se sub-roga, abstratamente, na posição do falecido, como titular da totalidade ou de parte ideal daquele patrimônio no que concerne ao ativo assumindo a responsabilidade relativamente ao passivo. Sucessão a título singular: Quando o testador transfere ao beneficiário apenas objetos certos e determinados, p. ex.: uma joia, um cavalo, uma determinada casa situada na Rua “X” etc. Nessa espécie é o legatário que sucede ao de cujus sub-rogando-se concretamente na titularidade jurídica de determinada relação de direito, sem representar o morto, pois não responde pelas dívidas da herança. III- ABERTURA DA SUCESSÃO – PRESSUPOSTOS (MHD/42) a) A sucessão hereditária só se abre no momento da morte do de cujus, devidamente comprovada. b) Com a abertura da sucessão os herdeiros, legítimos ou testamentários, adquirem, de imediato, a propriedade e a posse dos bens que compõem o acervo hereditário, sem necessidade de praticar qualquer ato. c) Só se abre a sucessão se o herdeiro sobreviver ao de cujus. d) Requer apuração da capacidade sucessória. IV- TRANSMISSÃO DA HERANÇA (MªHD/80; MªBD/105; FT/2;PL/47) MOMENTO DA TRANSMISSÃO DA HERANÇA Transmite-se a herança aos herdeiros na data da morte do de cujus; daí a importância da exata fixação do dia e da hora do óbito, uma vez que uma precedência qualquer, mesmo de segundos, influi na transmissão do acervo hereditário. LUGAR DA ABERTURA DO INVENTÁRIO Importância do inventário: O processo de inventário visa descrever e apurar os bens deixados pelo hereditando, a fim de que se proceda à sua partilha entre os sucessores, legalizando, assim, a disponibilidade da herança. Foro competente para o inventário: CC, art. 1.785; CPC, arts. 96, parágrafo único, I e II; 89, II; 1.043, §§ 1º e 2º, e 1.044; CPC, art. 48, I a III; 23, II;; 672, 673. Inventariante: Função da inventariança: A inventariança é um múnus público, submetido à fiscalização judicial; o inventariante, tendo uma função auxiliar da justiça, adquire a posse direta dos bens do espólio para administrá-los, inventaria-los, e oportunamente partilhá-los entre os herdeiros. Critérios para a nomeação do inventariante: Para a escolha do inventariante dever-se-á obedecer à ordem indicada pelo CPC, art. 617, salvo casos excepcionais. OBJETO DA SUCESSÃO HEREDITÁRIA Noção de herança: Herança é o patrimônio do falecido, isto é, o conjunto de direitos e deveres que se transmitem aos herdeiros legítimos ou testamentários, exceto se forem personalíssimos ou inerentes à pessoa do de cujus. Indivisibilidade da herança: A herança é uma universalidade juris, indivisível até a partilha; assim, se houver mais de um herdeiro, o direito de cada um, relativo ao domínio e à posse do acervo hereditário, permanecerá indivisível até que se ultime a partilha, havendo um regime de condomínio forçado. CAPACIDADE E INCAPACIDADE SUCESSÓRIA Capacidade para suceder: É a aptidão da pessoa para receber os bens deixados pelo de cujus no tempo da abertura da sucessão (CC, art. 1.787); para tanto, é preciso haver os seguintes pressupostos: morte do auctor successionis; sobrevivência do sucessor; herdeiro pertencente à espécie humana e fundamento ou título do direito do herdeiro. Exclusão do herdeiro ou do legatário por indignidade: Conceito de indignidade: É uma pena civil, que priva do direito à herança não só o herdeiro, bem como o legatário que cometeu os atos reprováveis, taxativamente enumerados em lei contra a vida, a honra e a liberdade do de cujus Causas da exclusão por indignidade (CC, art. 1.814): - Autoria ou cumplicidade em crime de homicídio voluntário, ou em sua tentativa, contra o autor da herança; - Acusar o de cujus caluniosamente em juízo ou incorrer em crime contra a sua honra; - Inibir, por violência ou fraude, o de cujus de dispor livremente de seus bens em testamento ou codicilo ou obstar-lhe a execução dos atos de última vontade. Declaração jurídica da indignidade: A indignidade não opera ipso iure, mas é pronunciada por sentença proferida em ação ordinária, movida contra o herdeiro por quem tenha legítimo interesse na sucessão (CC, art. 1.815 e parágrafo único). Efeitos da indignidade: - Descendentes do indigno sucedem-no por representação, como se ele já fosse falecido na data da abertura da sucessão (CC, art. 1.816). - Retroação ex tunc dos efeitos da sentença declaratória da indignidade, salvo nos casos em que se causar prejuízo aos direitos de terceiros de boa fé; daí respeitarem-se aos atos de disposição a título oneroso e de administração praticados pelo indigno antes da sentença. - O indigno não terá direito ao usufruto dos bens que a seus filhos menores couberem na herança ou à sucessão eventual desses bens (CC, art. 1.816 e parágrafo único). - O excluído da sucessão poderá representar seus pais na sucessão de outro parente. - O indigno, apurada a obstação, ocultação ou destruição do testamento por culpa ou dolo, deve responder por perdas e danos. Reabilitação do indigno: O art. 1.818 do CC possibilita a reabilitação do indigno, permitindo-lhe ser admitido na herança, se a pessoa na herança, se a pessoa ofendida, cujo herdeiro ele for, assim o resolveu por ato autêntico ou testamento. Distinção entre incapacidade sucessória e indignidade: - A incapacidade sucessória impede que nasça o direito à sucessão; a indignidade obsta a conservação da herança; - A incapacidade é um fato oriundo do enfraquecimento da personalidade do herdeiro, enquanto a indignidade é uma pena civil. - O incapaz não adquire a herança em momento algum; o indigno a adquire quando da abertura da sucessão, vindo a perdê-la com o transito em julgado de sentença declaratória de sua indignidade. - O incapaz, como nunca foi herdeiro, nada transmite a seus sucessores, ao passo que o indigno, antes o caráter personalíssimo da pena, transmite sua parte na herança, como se morto fosse, a seus herdeiros. Distinção entre indignidade e deserdação: - A indignidade funda-se, exclusivamente, nos casos do art. 1.814 do CC, enquanto a deserdação repousa na vontade exclusiva do autor da herança, que a impõe ao ofensor no ato de última vontade, desde que fundada em motivo legal (CC, arts. 1.814, 1.962 e 1.963). - A indignidade é própria da sucessão legítima, embora alcance o legatário, ao passo que a deserdação só opera na seara da sucessão testamentária. - A indignidade priva da herança sucessores legítimos e testamentários; a deserdação é o meio empregado pelo testador para excluir da sucessãoos seus herdeiros necessários. V- ACEITAÇÃO DA HERANÇA ((MªHD/92; MªBD/105; FT/2;PL/47) 1.CONCEITO: Aceitação é o ato jurídico unilateral pelo qual o herdeiro, legítimo ou testamentário, manifesta livremente sua vontade de receber a herança que lhe é transmitida. 2. ESPÉCIES 2.1. Quanto à sua forma: a) Expressa, se resultar de manifestação escrita do herdeiro (CC, art. 1.805, 1ª parte; b)Tácita, se inferida de atos, positivos ou negativos, compatíveis à condição hereditária do herdeiro (CC, art. 1.805 §§ 1º e 2º); c) Presumida, se houver ausência de qualquer manifestação do herdeiro, dentro do prazo de até 30 dias, requerido por algum interessado ao juiz, após 20 dias da abertura da sucessão, para pronunciar-se (CC, art. 1.807) 2.2. Quanto à pessoa que manifesta: a) Direta, se oriunda do próprio herdeiro; b) Indireta, se alguém a faz pelo herdeiro, caso em que se tem: aceitação pelos sucessores (CC, art. 1.809): pelo tutor ou curador (CC, arts. 1.748, II e 1.781); por mandatário ou gestor de negócios; pelos credores (CC, art. 1.813, §§ 1º e 2º) 3.CONTEÚDO – Não se pode, ante a sua natureza, admitir aceitação parcial, sob condição ou a termo (CC, art. 1.808, §§ 1º, 2º) 4.IRRETRATABILIDADE – CC, arts. 1.812, 1.813 5.ANULAÇÃO E REVOGAÇÃO – Se após a ocorrência da aceitação verificar-se, por ex., que o aceitante não é o herdeiro. VI - RENÚNCIA DA HERANÇA OU REPÚDIO (MªHD/102; MªBD/105; FT/2;PL/47) (CC, 1.804-1.813) CONCEITO Renúncia é o ato jurídico unilateral pelo qual o herdeiro declara expressamente que não aceita a herança a que tem direito. REQUISITOS - Capacidade jurídica plena do renunciante; - Forma prescrita em lei (CC, art. 1.806), escritura pública ou termo nos autos; - Inadmissibilidade de condição ou termo (CC, art. 1.808); - Não realização de qualquer ato equivalente à aceitação da herança; - Impossibilidade de repúdio parcial (CC, art. 1.808, 1ª parte); - Objeto lícito (CC, art. 1.813, §§ 1º e 2º); - Abertura da sucessão. - Anuência do cônjuge (??...) - Não prejuízo aos credores (CC, art. 1.813; CPC, art. 1.017, § 3º, c/c art. 1.022) EFEITOS - Renunciante é tratado como se nunca tivesse sido chamado à sucessão (CC, art. 1.804); - A parte do renunciante acresce à dos demais (CC, art. 1.810, 1.829, II); - Descendentes do renunciante não herdam por representação (CC, art. 1.811); - Na sucessão testamentária a renúncia do herdeiro torna caduca a disposição que o beneficia, a não ser que o testador tenha indicado substituto (CC, art. 1.947) ou haja direito de acrescer entre os herdeiros (CC, art. 1.943). - O que repudia herança não está impedido de aceitar legado (CC, art. 1.808, § 1º); - O renunciante não perde o direito à administração e ao usufruto dos bens que, pelo seu repúdio, foram transmitidos aos seus filhos menores. IRREVOGABILIDADE A renúncia é irretratável e não poderá ser retratada (CC, art. 1.812). OBSERVAÇÕES - Negócio jurídico unilateral, solene; - Homologação da renúncia (??...); - Abdicativa ou propriamente dita (em benefício do monte, pura e simples) imposto causa morti;. - Translativa ou cessão ou desistência (aceita tacitamente, doando-a); - Feita por mandatário, procuração com poderes especiais (CC, art. 661, § 1º); - Ineficácia - Invalidade absoluta VII CESSÃO DA HERANÇA ((MªHD/109; MªBD/105; FT/2;PL/47) 1. CONCEITO. A cessão da herança, gratuita ou onerosa, consiste na transferência que o herdeiro, legítimo ou testamentário, faz a outrem do todo quinhão hereditário ou parte dele, que lhe compete após a abertura da sucessão. 2. PRINCÍPIOS: ●Cedente deve ter a capacidade genérica e a dispositiva. ●Cessão só valerá após a abertura da sucessão e deverá ser feita por escritura pública (CC, art. 1.793) ●Cessão somente poderá efetivada antes da partilha. ●Cedente transfere sua quota ideal na massa hereditária, sem discriminar bens (CC, art. 1.793 §§ 2º, 3º). ●Cessionário sucede inter vivos, sendo sucessor a título singular. ●Cessionário assume, em relação aos direitos hereditários, a mesma condição jurídica do cedente (CC, art. 1.793, § 1º). ●Cessionário só responde pelos débitos intra vires hereditatis. ●Cessão de herança é negócio jurídico aleatório. ●Cedente, em regra, não responde pela evicção. ●Cessão de herança feita sem anuência dos credores do espólio autoriza que o cedente que seja acionado por eles. ●Cessão de herança onerosa realizada a estranhos regula-se pelos artigos 1.794, 1.795 do Cód. Civil ●Cessionário intervém no processo de inventário, sendo contemplado na partilha, tirando-se em seu nome o pagamento que caberia ao cedente, desde que nenhum dos coerdeiros use do direito de preferência antes da partilha. ●A cessão de herança rescindir-se-á se houver qualquer vício do ato jurídico (CC, arts. 138 e s.)