Prévia do material em texto
1. INTRODUÇÃO O presente trabalho surge a partir do Estágio Supervisionado em Psicologia Clínica realizado no Centro de Psicologia Aplicada – Clínica Escola da Faculdade Luciano Feijão no período de março a junho de 2015 sob a supervisão da Profa. Ms. Rita de Cássia Ponte Prado. Trata-se da descrição e discussão de todos os atendimentos realizados no atual semestre desde os acolhimentos realizados nos plantões psicológicos ocorridos nas quartas-feiras de 13 às 15h até os processos de psicoterapia. Abordaremos neste trabalho seis casos, estando dois em processo de psicoterapia, um adulto e uma criança (M.Z. e F.L.), portanto, após realizarem o processo de triagem; um dos casos compareceu apenas em uma das sessões de triagem (A.M.); um caso passou por todas as sessões de triagem (G.S.) e dois dos casos foi realizado apenas o acolhimento durante plantão psicológico (J.R. e L.V.). O objetivo deste trabalho é analisar cada atendimento realizado durante o Estágio Supervisonado em Psicologia Clínica no semestre 2015.1, a partir da abordagem analítico-comportamental. A Análise do Comportamento é uma abordagem psicológica que objetiva compreender o ser humano por meio de sua interação com o ambiente do qual está inserido (comportamento) (MOREIRA & MEDEIROS, 2007). Enquanto referência teórico-metodológica, a Análise do Comportamento sustenta que o comportamento constitui o objeto de estudo da Psicologia. Nesse sentido, "analistas do comportamento voltam-se, portanto, para as relações comportamentais em seus esforços para explicar os fenômenos cognitivos, motivacionais e emocionais" (TOURINHO & SÉRIO, 2010, p. 1) A Análise do Comportamento fundamenta-se teoricamente no Behaviorismo Radical, base filosófica desenvolvida por B. F. Skinner no século XX. Sobre o Behaviorismo Radical, o próprio Skinner (1982/2006) declara: O Behaviorismo não é a ciência do comportamento humano, mas, sim, a filosofia dessa ciência. Algumas das questões que ele propõe são: É possível tal ciência? Pode ela explicar cada aspecto do comportamento humano? Que métodos pode empregar? São suas leis tão válidas quanto as da Física e da Biologia? Proporcionará ela uma tecnologia e, em caso positivo, que papel desempenhará nos assuntos humanos? São particularmente importantes suas relações com as formas anteriores de tratamento do mesmo assunto. O comportamento humano é o traço mais familiar do mundo em que as pessoas vivem, e deve ter dito mais sobre ele do que sobre qualquer outra coisa. E de tudo o que foi dito, o que vale a pena ser conservado? (p. 7) A terapia comportamental surge nesse contexto como um modo científico de aplicar sistematicamente os princípios da aprendizagem à mudança de comportamento como instrumento de promoção para novas formas adaptativas e positivas de interação. De acordo com Lé Sénéchal-Machado (2002) , o objetivo geral da terapia comportamental seria "criar novas condições de aprendizagem de estratégias funcionais de ação e, consequentemente, de avaliação e correção, buscando eliminar o comportamento desajustado" (p. 45) Embasando-se, portanto, na Análise do Comportamento, buscaremos ao longo deste trabalho compartilhar as análises feitas durantes os atendimentos acompanhadas de possíveis intervenções, intervenções essas discutidas previamente em supervisão. 2. CARACTERIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO O Centro de Psicologia Aplicada – Clínica Escola (CPA – Clínica Escola) é uma instância formativa do curso de Psicologia da Faculdade Luciano Feijão - FLF, prevista nas Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Psicologia (MEC/SESU, 2004). O CPA - Clínica Escola tem o objetivo de funcionar como espaço de estágio profissionalizante e treinamento profissional ao alunos de graduação, além de ser um órgão prestador de serviço à comunidade (FLF, 2015). O CPA - Clínica Escola permite que o estudante de Psicologia da Faculdade Luciano Feijão - FLF, a partir do 9º semestre, possa aplicar, sob supervisão, as diferentes abordagens teórico-metodológicas para o processo psicoterápico. Dessa forma, o estudante é capaz de efetivar a articulação teoria-prática necessária para a atuação enquanto profissional de Psicologia no contexto clínico e em outras áreas de atuação do psicólogo (FLF, 2015). DESENVOLVIMENTO DO ESTÁGIO OPERACIONALIZAÇÃO DO ESTÁGIO O estágio foi realizado como atividade das disciplinas Estágio Supervisionado Específico em Psicoterapia I na abordagem analítico-comportamental e Estágio Supervisionado Específico em Psicoterapia Infantil I também na abordagem analítico-comportamental, cada uma com carga horária de 80h. As disciplinas fazem parte da ênfase Psicologia Clínica e da Saúde. A carga horária de cada disciplina foi distribuida entre treinamento, processo pelo qual todos os estagiários de Psicologia Clínica foram submetidos para esclarecimentos sobre conduta ética, bem como informações acerca do preenchimento de documentos e funcionamento da clínica escola; acolhimentos, realizados no plantão psicológico todas às quartas-feiras de 13 às 15h, sendo uma hora correspondente a cada disciplina; nas sessões de triagem, realizadas após acolhimento com número máximo de três sessões; atendimentos, realizados após o processo de triagem; supervisão, momento em que discutíamos os casos com a supervisora e os demais colegas da disciplina; e estudos individuais. Era necessário iniciar processo psicoterápico com um adulto, correspondendo à disciplina Estágio Supervisionado Específico em Psicoterapia I e uma criança, correspondendo à disciplina Estágio Supervisionado Específico em Psicoterapia Infantil I. Estágio Supervisionado Específico em Psicoterapia I A carga horária exigida para esta disciplina (80h) foram distribuídas da seguinte maneira: · Treinamento: 10h · Acolhimento: 18h · Triagem: 2h · Atendimento: 10h · Supervisão e estudo individual: 42 Totalizando, portanto, 82h de atividades. Estágio Supervisionado Específico em Psicoterapia I A carga horária exigida para esta disciplina (80h) foram distribuídas da seguinte maneira: · Treinamento: 10h · Acolhimento: 16h · Triagem: 7h · Atendimento: 7h · Supervisão e estudo individual: 42 Totalizando, portanto, 82h de atividades CONCLUSÃO Acreditamos que as atividades desenvolvidas na disciplina Estágio Supervisionado I em Psicologia Clínica foram de grande contribuição para o desenvolvimento e consolidação de competências e habilidades necessárias para nossa prática profissional em um futuro breve. Enéas, Faleiros e Sá (2000) afirmam que a clínica-escola possuem duas funções: oferecer condição de treinamento clínico para os alunos e prestar serviço psicológico à comunidade. Em nossa avaliação ambos objetivos foram alcançados, visto que foi possível consolidar a aplicação das teorias anteriormente estudadas e adquirir habilidades impossíveis de serem adiquiridas apenas com o estudo teórico como a escuta clínica/terapêutica, tanto discutida ao longo de todo o curso. Em relação a prestação de serviço à comunidade, em nossa avaliação, tal objetivo também foi alcançado, devido à grande procura ao serviço e um retorno positivo da população sobre o serviço[footnoteRef:1]. [1: Informações oriundas de conversas informais.] Outro aspecto importante que merece destaque diz respeito ao viés ético do fazer do psicólogo bastante treinado durante os estágios. No decorrer de toda nossa prática na clínica-escola fomos lembrados sobre a impotância da ética profissional e desafiados a colocarmos em prática princípios éticos de nossa profissão. O espaço físico do CPA - Cínica Escola contribuiu bastante para o aprendizado dos estagiários. A "sala dos estagiários" foi um espaço riquíssimo de troca de saberes, lugar onde casos eram disticutidos e diferentes análises eram feitas de acordo com determinada abordagem, o que nos proporcionou exgergar o mesmo caso através de diferentes olhares. Toda essa dinâmica de ensino-aprendizagem entre os próprios estagiários foi de grande importância para o desenvolvimento de habilidades, desenvolvimentopessoal e amadurecimento profissional. Em suma, o estágio em Psicologia Clínica permitiu a aquisição de competências e habilidades importantes e necessárias para o analista do comportamento, profissional que faz uso da teoria analítico-comportamental para fundamentar sua prática. Dentre as competências e habilidades adquiridas destacamos: · a realização de análise funcional; · a escuta terapêutica; · a aquisição e o desenvolvimento de técnicas e métodos de intervenção e para o atendimento de adultos e crianças; · a aquisição e o desenvolvimento de técnicas e métodos para a condução dos atendimentos (ex: na primeira sessão, nas sessões de triagem, nas sessões com os pais, nos casos de atendimento com criança); · entre outros. Esperamos que na próxima etapa do estágio em Psicologia Clínica (Estágio Supervisionado Específico II), haja continuidade no processo de aprendizagem, que novas técnicas sejam adquiridas e que as habilidades já adquiridas continuem em desenvolvimento. BIBLIOGRAFIA BRANDÃO, M. Z. S. Os Sentimentos na interação terapeuta-cliente como recurso para análise clínica. In: KERBAUY, R. R. (Org.) Sobre Comportamento e Cognição: psicologia comportamental e Cognitiva: concertos, pesquisa e aplicação, a ênfase no ensinar, na emoção e no questionamento clínico. 1º ed. v. 5. Santo André, SP: SET, 2000. p. 222-228. CONTE, F. C. S. Reflexões sobre o sofrimento humano e a análise clínica comportamental. Temas em Psicologia. v.18, n. 2, p. 385-398, 2010. COSTA, N. Contribuições da psicologia evolutva e da análise do comportamento acerca do ciúme. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva. v. 7, n. 1, p. 5-13, 2005. DOUGHER, M. J.; L. HACKBERT. Uma explicação analítico-comportamental da depressão e o relato de um caso utilizando procedimentos baseados na aceitação. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva. v. 5, n. 2, p. 167-184, 2003. ENÉAS, M. L. E.; FALEIROS, J. C.; SÁ, A. C. A. Uso de psicoterapias breves em clínica-escola: caracterização dos processos com adultos. Psicologia: Teoria e Prática, v. 2, n. 1, p. 9 - 30, 2000. FACULDADE LUCIANO FEIJÃO - FLF. Regulamento de Centro de Psicologia Aplicada - CPA, 2015. LÉ SÉNÉCHAL-MACHADO, A. M. Sobre terapia comportamental: questões frequentes da comunidade. In: TEIXEIRA, A. M. S. et al. Ciência do comportamento - Conhecer e Avançar. 1º ed. Santo André, SP: ESETec Editores Associados, 2002. OLIVEIRA, R. G.; PEDROSO, E. R. P. Blackbook - Clínica Médica. 2. ed. Belo Horizonte: Blackbook Editora, 2014. PASSOS, M. C. F. Síndrome do intestino irritável - ênfase ao tratamento. Jornal Brasileiro de Gastroenterologia. v. 6, n. 1, p. 12-18, 2006. SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano. Tradução de João Carlos Todorov e Rodolfo Azzi. 11 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1953/2003. _____________. Sobre behaviorismo. Tradução de Maria da Penha Villalobos. 10 ed. São Paulo: Cultrix, 2006. TOURINHO, E. Z.; SÉRIO, T. M. A. P. Dimensões contemporâneas da Análise do Comportamento. In: Tourinho, E. Z.; Luna, S. V. (Org.). Análise do comportamento: Investigações históricas, conceituais e aplicadas. 1 ed. São Paulo: Roca, 2010, v. 1, p. 1-13. VERMES, J. S.; ZAMIGNANI, D. R. A perspectiva analítico-comportamental no manejo do comportamento obsessivo-compulsivo: estratégias em desenvolvimento. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva. v. 4, n. 2, p. 135-149, 2002. ZAMIGNANI, D. R.; BANACO, R. A. Um panorama analítico-comportamental sobre os transtornos de ansiedade. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva. v. 7, n. 1, p. 77-92, 2005. ANEXOS 3