Resumo 2 de CPP
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Resumo 2 de CPP


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· Meios de prova
O Direito Processual determina regras para os meios de prova, que são os instrumentos que abrangem os elementos de provas aos autos, ou seja, as técnicas reservadas à investigação de fatos importantes para a causa. As fontes designadas probantes, ou os meios pelos quais o juiz recebe esses elementos ou motivos de prova que poderão ser apresentados através de testemunhas, depoimentos das partes, documentos etc.
Meio de prova é diferente de objeto de prova. O meio de prova pode ser todo fato, documento ou alegação que sirva, direta ou indiretamente, à descoberta da verdade, isto é, meio de prova é todo instrumento que se destina a levar ao processo um elemento, uma informação a ser utilizada pelo juiz para formar a sua convicção acerca das alegações.
· Momentos probatórios
As provas só podem ser produzidas no processo, que é quando haverá o contraditório. Os principais sujeitos processuais no processo penal são: a acusação, ou seja, o MP ou querelante, a defesa, representada pelo réu e defensor e o juiz.
Os momentos para produção de provas são quatro:
1. Proposição da prova: ocorre na fase postulatória. Para a acusação, isso se dará na peça acusatória, enquanto que, para o acusado, será na sua resposta.
2. Admissão da prova: é o deferimento judicial dos requerimentos formulados pelas partes, significando quando o juiz estabelece quais provas serão apresentadas ou não, ou seja, é quando o julgador acolhe a produção da prova, considerando ser ela necessária.
3. Produção da prova: geralmente, dá-se na audiência de instrução e julgamento, da qual todas as partes participam. Nesse momento, serão tomadas as declarações do ofendido, serão realizados o interrogatório do acusado e a inquirição das testemunhas arroladas, prestados os esclarecimentos dos peritos etc.
4. Valoração da prova: significa dizer que o julgador, ao fundamentar sua sentença, deve manifestar-se sobre todas as provas produzidas. É conveniente expor que, sendo interposto recurso, a prova será sempre substancial, isto é, ela será novamente analisada.
A atividade probatória tem por escopo levar o juiz a um estado de certeza da decisão que irá tomar. Por intermédio da certeza é que o julgador irá, por meio da aplicação valorativa da prova, embasar a condenação ou absolvição por ele empregada, conforme dispõe o art. 386, I, III ou V, do CPP.
Ocorrendo a dúvida quanto à culpa do réu, o juiz deve prolatar uma sentença absolutória, na forma do art. 386, II, IV ou VI, do CPP, em consideração ao princípio do \u201cfavor rei\u201d. O princípio "favor rei" consiste em que qualquer dúvida ou interpretação na esfera do processo penal deve sempre ser levada pela direção mais benéfica ao réu.
· Prova Pericial
A prova pericial é tratada nos arts. 158 ao 184 do CPP.
Ela é definida como sendo uma prova técnica, haja vista que representa algo que se objetiva atestar a respeito da existência de fatos, a partir de conhecimentos específicos. A prova pericial, por meio de sua materialização instrumental, ou seja, do laudo pericial, demonstra a característica de ser uma função estatal destinada a fornecer dados instrutórios.
A perícia é a diligência realizada ou executada por perito, a fim de elucidar ou evidenciar certos fatos, de forma científica e técnica. Perito é aquele que tem conhecimento técnico sobre determinada área, e sua função é a da verificação da verdade ou da realidade de certos fatos.
No processo penal, a perícia é, geralmente, realizada por perito oficial, ligado ao Estado, sendo que cada estado da federação possui seu próprio instituto de criminalística. O perito é um auxiliar da justiça, não está subordinado à autoridade policial, estando sua autonomia garantida.
A prova pericial cabe apenas quando for útil para o descobrimento da verdade, conforme dispõe o art. 184 do CPP.
O laudo pode ser subscrito por apenas um perito, segundo disposição do art. 159, do CPP. A conclusão do perito pode ou não ser subjetiva \u2013 por exemplo, perícia psicológica versus perícia toxicológica.
A defesa pode formular quesitos ao perito. Assim, essa perícia pode ser questionada em juízo, haja vista que, à época de sua realização, não havia defensor constituído. Isso é o que se chama de contraditório diferido, ou seja, postergado, transferido.
Em conformidade com o art. 5º, LVIII, da CF, o criminoso civilmente identificado não será submetido à identificação criminal.
A prévia realização do exame é indispensável para que o magistrado possa sentenciar, o exame é a real condição de procedibilidade, tal como sucede nos crimes contra a propriedade imaterial que deixam vestígios, conforme dispõe o art. 525 do CPP, e na Lei de Tóxicos, no art. 50, § 1º, da Lei n.°11.343/06.
· Peritos
O perito criminal tem inúmeras atribuições, porém pode-se dizer que ele exerce a principal função de fornecedor de dados instrutórios de natureza material cuja finalidade é a descoberta da verdade, empenhando-se na apuração de fatos hipoteticamente considerados delitivos, isto é, analisando situações fáticas, no mínimo, com aparência de criminosas.
O enunciado sumular n.º 361 do STF expõe que é nulo o exame pericial realizado por perito único; não obstante se tratando de perito oficial, não haverá tal sanção.
Em caso de uma perícia complexa a ser realizada, em virtude de abranger mais de uma área de conhecimento especializado, o juiz poderá nomear mais de um perito oficial, tendo a parte possibilidade de indicar mais de um assistente técnico, conforme disposição do art. 159, §§ 1º e 7º, do CPP.
· Assistente técnico
A prerrogativa de elaborarem quesitos e indicarem assistente técnico é disponibilizada às partes, ao representante do MP, ao querelado, ao assistente de acusação e, também ao acusado, na forma da Lei n.º 11.690/08, sendo que o assistente técnico passará a atuar a partir de sua admissão pelo juiz, e apenas depois da conclusão dos exames e da elaboração do laudo pelo perito oficial, com ciência das partes, conforme dispõe o art. 159, §§ 3º e 4º, do CPP.
A Lei n. 11.690/08 disponibiliza às partes, ao Ministério Público, ao querelante, ao assistente de acusação e também ao acusado a prerrogativa de elaborarem quesitos e indicarem assistente técnico.
· Prova pericial e contraditório
Todas as provas devem ser submetidas ao contraditório e também devem ser produzidas perante o juiz, na instrução. Não obstante, em certas ocasiões se faz necessária a produção imediata da prova pericial, antes de terminar a fase de investigação, a fim de comprovar-se completamente a materialidade do delito e a identificação de sua autoria. Em face disso, quando da realização das provas de natureza cautelar, não será possível a participação da defesa, sob o risco de ser inviabilizada a persecução penal.
O contraditório somente será realizado em juízo, conforme art. 155, caput do CPP, o objeto da prova, muitas vezes, será a qualidade técnica do laudo e, especialmente, o cumprimento das normas legais a ele pertinentes, como a exigência de motivação, de coerência, de atualidade e idoneidade dos métodos, dentre outros.
· Material probatório
O art. 159, § 6º, do CPP dispõe que o material pericial analisado será disponibilizado no ambiente do órgão oficial, desde que possa ser conservado de maneira correta e mantido sob a responsabilidade do órgão oficial, a fim de que os assistentes tenham acesso a ele, podendo, dessa forma, elaborar os pareceres pertinentes.
· Exame de corpo de delito
É importante distinguirmos corpo de delito, que são os vestígios deixados pela infração, ou seja, sua materialidade, do exame de corpo de delito, que é a perícia que tem por escopo os vestígios deixados pelo crime. Assim, implica fazer a seguinte classificação:
1. Delitos não transeuntes (delicta facti permanentis): são os delitos que deixam vestígios materiais.
2. Delitos transeuntes (delicta facti transeuntis): são os delitos que se caracterizam pela inexistência de vestígios.
O art. 158 do CPP é um resquício do sistema de prova tarifada, exigindo-se, para a demonstração da materialidade, a elaboração da perícia, sob