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CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 1 ................................................................................... 2 Aula 5: A organização por módulos ............................................................................................................................. 2 Introdução ................................................................................................................................ 4 Conteúdo A educação ......................................................................................................................... 4 A escolha por uma proposta metodológica curricular .............................................. 4 Tema .................................................................................................................................... 4 Temas geradores ............................................................................................................... 5 Relação com o elenco de competências ...................................................................... 5 Principais características .................................................................................................. 6 E o que possibilita tal articulação? ................................................................................. 6 Educação libertadora ........................................................................................................ 7 Como propor um trabalho dessa natureza ................................................................ 10 Considerações .................................................................................................................. 10 Busca pelo alcance da aprendizagem ......................................................................... 11 Educação profissional ..................................................................................................... 12 Organização dos cursos ................................................................................................. 12 Princípios e suas contribuições..................................................................................... 13 Módulo ............................................................................................................................... 13 A modularização .............................................................................................................. 15 Seleção de conteúdos ..................................................................................................... 15 Organizações modular e de conteúdos ...................................................................... 16 Considerações finais ....................................................................................................... 16 Atividade proposta .......................................................................................................... 18 ....................................................................................................................... 18 Aprenda Mais ........................................................................................................................... 19 Referências ......................................................................................................... 21 Exercícios de fixação Chaves de resposta ..................................................................................................................... 27 CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 2 Introdução Há uma proposta ou abordagem curricular melhor do que a outra? Então, por que adotar uma, e não outra? O que move e estimula a aprendizagem? Vivemos, há algum tempo, momentos de intenso debate em suas múltiplas dimensões que envolvem a relação professor-aluno, conteúdo e forma, relações de construção do conhecimento na perspectiva do mundo, da vida e do trabalho, sempre em busca de retomar a temática sobre currículo, bem como sobre formas de criar uma proposta pedagógica que dê conta de tantas questões. Um curso, qualquer que seja ele, baseia-se em pessoas, interações, processos, conteúdos e cenário institucional, e a ênfase maior em um ou outro desses elementos (ou outro aspecto qualquer) define, em última instância, a abordagem metodológica a ser adotada a fim de propiciar o pensar, o refletir e o aprender sobre os conceitos básicos das áreas de conhecimento de tal forma que viabilize o exercício da autonomia na busca da construção de novos conhecimentos. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 3 Numa visão geral e concordando com o exposto, um sistema de educação profissional possui igualmente componentes básicos que se articulam e interagem, visando a uma formação profissional específica, como: organização curricular, recursos humanos, recursos metodológicos e infraestrutura. As interações entre professor, aluno, conteúdo, contexto e método revelam, efetivamente, as finalidades educativas do sistema. Será que a pessoa que queremos que amanhã decida sobre os rumos do mundo é aquela sem autonomia, sem capacidade de fazer escolhas e que não consiga entender que tudo está interligado? Buscamos, enfim, que essa pessoa tenha a capacidade de reflexão, de questionar, de crítica, de autonomia, de envolvimento com o mundo que o cerca, com ética e percepção do que é a vida. Isso nos faz refletir sobre a responsabilidade que nos cerca quando da decisão de mapear ações para que se configure o profissional alinhado com as questões da rotina de seu trabalho. Objetivo: 1. Discutir a organização curricular baseada em temas geradores sob o viés da problematização 2. Abordar a organização curricular por módulos de aprendizagem. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 4 Conteúdo A educação Pensar a educação vai além da reflexão sobre a docência de conteúdos específicos elencados em uma matriz curricular, pois a ação do professor necessita ir mais longe a fim de promover uma educação atingível a todos por meio da construção de práticas que propiciem uma visão mais crítica do mundo e do trabalho. Nos dias de hoje, cada vez mais, discute-se sobre a necessidade da formação integral, aquela capaz de desenvolver, não só competências e habilidades, mas, também, atitudes e valores e, com isso, ser capaz de despertar nos estudantes um olhar mais crítico sobre os fenômenos que cercam seu contexto. A escolha por uma proposta metodológica curricular A escolha por uma proposta metodológica curricular, seja ela qual for, requer, inicialmente, a elaboração de um currículo que dialogue com as questões da atualidade e o que esta espera como resultado desse currículo. Todo processo de ensino e aprendizagem carece de um ponto de partida, algo que sirva para desencadear a ação educativa, e, dando sequência às propostas curriculares já apresentadas na aula anterior, por isso, destacamos a organização curricular por temas geradores sob o viés da problematização, que traz como benefícios, dentre outros: possibilitar um ensino mais significativo, a promoção da interdisciplinaridade, o desenvolvimento da autonomia e do senso crítico do estudante, além da aproximação entre professor e aluno a partir do diálogo. Tema Segundo o dicionário Aurélio, tema é uma proposição que será tratada ou demonstrada; assunto. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 5 Podemos concluir que tema se refere à ideia-núcleo que proporciona uma gama de posições a serem discutidas acerca de um determinado assunto, caracterizando-se por apresentar uma abrangência ampla. Assim sendo, dizemos que todo tema é amplo e não se limita a um único assunto, tampouco trata-se de um título. Temas geradores Gerador é aquilo que cria, que dá existência, que faz aparecer eque, principalmente, desencadeia um processo. Logo, temas geradores são aqueles que se desdobram em subtemas (assuntos/conteúdos) a serem trabalhados, sem que estes percam a essência ou a referência do tema gerador. A abordagem por temas geradores, que são também denominados de eixos temáticos, é, antes de tudo, uma maneira de propor unidades e conteúdos, possibilitando a sua ressignificação e sua elevação à condição de meios para a constituição de competências e valores. Relação com o elenco de competências Em todo projeto curricular contextualizado, as matrizes de competências desempenham o papel de nortear os temas geradores. Resumindo, podemos dizer que: As competências sugerem os temas geradores. Esses temas geram os subtemas. Os subtemas estruturarão as unidades e os conteúdos que viabilizarão a construção dos conhecimentos pretendidos. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 6 Sendo assim, o processo de aprendizagem é baseado em temas, e deles são delineados os conteúdos necessários à construção do conhecimento. Trabalhar por temas geradores é, pois, a maneira de oportunizar o desenvolvimento com conhecimentos específicos de uma área ou disciplina através de linguagens variadas por meio de procedimentos que permitam ao aluno relacionar contextos ou ideias situados em diferentes tempos e espaços. Principais características Dentre suas principais características, destacam-se: A interdisciplinaridade, o que leva à superação do desenho fragmentado e linear dos conteúdos. O efetivo diálogo entre os conhecimentos de determinadas áreas, sejam elas idênticas ou diferentes entre si. O trabalho por eixos temáticos promove ainda a articulação de estudos que envolvem a solução de problemas e a organização de projetos, além de ser um fio condutor na relação entre os conhecimentos, o cotidiano do estudante e as estratégias mais adequadas para a constituição das competências. E o que possibilita tal articulação? Numa perspectiva dialógica de educação, estão presentes o poder de decisão e a oportunidade que cada um tem de exercer sua vez e sua voz, pois o diálogo é visto como um direito que todos têm de praticá-lo, o que nos remete à questão da problematização, já tão abordada na aula anterior. Problematizar é dar forma de problema, onde várias perguntas e questões são levantadas frente ao objeto de estudo, questões essas que exigem a participação ativa do estudante. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 7 A partir do momento em que os problemas externos ultrapassam os muros da escola, todos agem de forma coletiva sobre o reconhecimento do saber e, como não se concebe a educação como uma via de mão única, o diálogo e os questionamentos oriundos de problematizações desafiadoras, propostas pelos estudantes, futuros profissionais, asseguram a contextualização dos problemas próprios de sua realidade e do mercado de trabalho. Problematizar, então, significa partir de uma situação na qual alunos e professores, dialogando, buscarão juntos as respostas necessárias para a compreensão dos temas estudados. Fazendo uma revisão de literatura, encontramos em Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido, a expressão mais clara da proposta de um trabalho sob temas geradores, por ter como princípio a educação libertadora. Educação libertadora Para Paulo Freire, uma educação verdadeiramente libertadora constrói-se a partir de uma educação problematizadora, alicerçada em perguntas provocadoras de novas respostas, no diálogo crítico, libertador, na tomada de consciência da condição existencial de cada um, em oposição à educação bancária. Paulo Freire: Paulo Freire defendia a tese de uma educação que desenvolvesse a consciência crítica, que promovesse a mudança social. E não haveria mudança sem a compreensão crítica da realidade vivida, ou seja, sem a leitura do mundo. Após captar e apresentar os temas aos estudantes é o momento de se pensar e de dialogar sobre eles, fazendo a leitura do que se conhece de cada um e como são entendidos na situação atual. Posteriormente, procede-se a uma análise mais crítica, na busca dos “porquês” que irão contribuir para o processo de formação de uma visão mais crítica da realidade. Juntos, professor e alunos CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 8 buscarão clarear pontos ainda obscuros, por meio do diálogo problematizador e à procura do aporte das diferentes áreas e disciplinas para avaliação dos resultados obtidos. Gadotti (1991) faz uma apresentação didática das fases que envolvem o desenvolvimento do trabalho por temas geradores, veja a seguir. a) Investigação – momento de grande importância em que se fará um levantamento de situações relevantes para o grupo a fim de se direcionar os temas de estudo. Segundo Freire, “investigar o “tema gerador” é investigar, repitamos, o pensar dos homens referidos à realidade, é investigar seu atuar sobre a realidade, que é sua práxis” (2009, p.46) b) Tematização – o tema é apresentado ao grupo a partir de uma situação real, ainda com a leitura realizada pelos educandos, isto é, leitura codificada. À medida que se aprofunda o debate, ocorre a descodificação, onde se explora o tema e o que se conhece dele até o momento. Posteriormente, os alunos são levados a perceber que chegaram a um limite, designado de situação-limite, o ponto mais crítico do diálogo e que sinaliza que há mais a se desvendar sobre o assunto. As situações-limites demarcam o ponto mais crítico do diálogo problematizador, momento este determinado pela conscientização de que o que se sabe não é suficiente para continuar o processo de construção do conhecimento; é quando percebe-se a necessidade de buscar outras fontes de informação. c) Problematização – diálogo permanente que propicia a interdependência entre a teoria e a prática, pois se reconhece que a primeira trará subsídios para uma melhor compreensão da realidade. Isso configura a práxis-pedagógica que se forma na ação e reflexão tratadas de forma indissociadas, ou ainda, a prática não pode ser concebida de um fazer inerte, sem “um para quê” se faz, pois quem pauta esta prática é a teoria. Dessa forma, há como atuar diretamente no mundo, a fim de transformar a realidade “que privilegia as necessidades da vida e da ação, sobre os princípios teóricos”. (FREIRE, 2009). CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 9 Desse modo, podemos concluir que, com o ensino baseado na proposta de temas geradores, parte-se da contextualização, ou seja, de um assunto presente no dia a dia dos grupos envolvidos. Ao buscar uma interpretação mais crítica da questão, percebe-se que os conhecimentos de senso comum não são suficientes para a plena compreensão do tema em pauta. Esse é o momento em que se provoca o aluno para a aprendizagem de forma mais significativa, pois consideram-se, diretamente, as necessidades de situações do seu cotidiano e buscam-se os conteúdos das áreas e disciplinas para construírem novos conhecimentos. O tema gerador deve constituir-se em desafio, algo que mereça investimento de tempo e esforço cognitivo e que esteja ligado a uma necessidade real, devendo, para isso, serem elaboradas estratégias para buscar respostas ao problema proposto. Segundo Leite (1996), essas estratégias devem incluir situações que obriguem o aluno a agir, observando a existência de vários pontos de vista e de diferentes formas e caminhos para o aprendizado. Trabalhar mediante a proposta embasada nos temas geradores traz inúmeros benefícios para o processo da aprendizagem, pois reflete um ensino em que os alunos são envolvidos nas temáticas discutidas em sala de aula, portanto, mais significativo; promove a interdisciplinaridade, porque os conteúdos não são tratados de forma isolada,mas sim dentro de uma problemática mais ampla; oportuniza o desenvolvimento da autonomia e do senso crítico, uma vez que sua base é o diálogo - o que leva o aluno a descobrir o conhecimento - e não receber informações prontas a serem memorizadas; e, por fim, aproxima professor e aluno, pois, juntos passam a assumir o papel de construtores do conhecimento. Tendo como base teórica principal o autor Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido, é possível reconhecer em sua proposta de educação, inicialmente pensada para a alfabetização de adultos, a aplicabilidade para o ensino regular, independentemente da etapa da escolarização, uma vez que aprender envolve falar, trocar ideias, compartilhar, que são ações cujo processo educacional não pode abrir mão. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 10 “Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso, aprendemos sempre.” Segundo Barreto (1998, p. 89), a fim de que “o diálogo realmente se efetivasse, Paulo desenvolveu um trabalho onde o conhecimento dos educandos se transformava em palavras geradoras, que possibilitavam a participação de todos”. Tais palavras eram retiradas do contexto em que se encontravam os alunos; isso porque seria uma forma de lhes promover um ensino mais significativo, sendo, no entanto, mais tarde, substituídas por temas geradores. Como propor um trabalho dessa natureza Informalmente, dizemos que a pesquisa dos temas é a etapa inicial, pois configura-se no momento de leitura do mundo e dos assuntos que interferem diretamente na vida dos envolvidos. Assim, é possível trazer para a discussão os temas de interesse da educação como um todo e, especialmente, da educação profissional. Trazer as inquietações, dúvidas e a problemática do mundo do trabalho para a discussão coletiva aproxima cada vez mais o profissional da realidade e das expectativas do ambiente corporativo. Considerações O desenvolvimento de atividades e projetos com o uso de temas geradores é trabalhado inversamente às propostas tradicionais. Estas partem do conteúdo científico e depois de sua apreensão, sendo que, posteriormente, o professor orienta as aplicações por meio de exercícios que podem ou não ser contextualizados. Já com os temas geradores, parte-se da contextualização, ou seja, de um assunto presente no dia a dia dos estudantes e do professor, o que não CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 11 significa abandonar o que está desenhado no currículo; pelo contrário, dar uma nova forma de associar e contextualizar os conteúdos definidos. Busca pelo alcance da aprendizagem Na busca pelo alcance da aprendizagem significativa e pelo atendimento às necessidades dos estudantes e expectativas do mundo e do trabalho, estamos sempre às voltas com questões sobre qual proposta curricular adotar e qual atende melhor ao estudante. Por que um conteúdo ou disciplina se sobressai sobre outros? E, além disso, como desenvolvê-los? Como organizar os conteúdos de forma a torná-los prazerosos e com objetivos afinados com as expectativas do mundo do trabalho? Segundo Coll (2000, p. 10), o que importa não é tanto a compreensão em si da relevância dos conteúdos nas propostas curriculares, mas, sim, compreender as razões que justificam essa reivindicação (o que se entende por conteúdos e disciplinas) e qual o papel que desempenham nas decisões relativas ao para quê, o quê, quando, ao como e, principalmente, para onde conduzir o homem que se quer formar. De outro lado, encontramos em Litwin (1995) o posicionamento de que não há a melhor proposta ou o melhor método; existe, sim, a que melhor atende às necessidades do aluno. Assim, voltamo-nos sempre ao estudo do currículo, buscando uma proposta pedagógica que inspire a implementação de uma prática educativa transformadora e participativa, centrada na construção do conhecimento e na aprendizagem crítica e ativa de conteúdos vivos, significativos e atualizados. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 12 Educação profissional Com as demandas da contemporaneidade, a educação profissional passou a exigir uma formação mais sólida dos trabalhadores, uma atitude mais flexível diante das novas situações do trabalho e a aplicabilidade de ações educativas que expressem preocupação com uma formação mais abrangente desses trabalhadores e, portanto, para além do adestramento nas técnicas de trabalho. A partir daí, torna-se evidente a busca por profissionais que reúnam em seu perfil, além dos conhecimentos técnicos, competências e valores essenciais à vida e à atuação consciente e participativa na sociedade. Organização dos cursos Concordando com esse paradigma, a EP, respaldada pela atual legislação, busca, na organização dos seus cursos, privilegiar a contextualização dos conteúdos, a flexibilização curricular e a interdisciplinaridade dos programas. Interdisciplinaridade A interdisciplinaridade, como vimos ao longo do estudo desta disciplina, vem propor a superação da fragmentação, argumentando e criando dispositivos nos quais as disciplinas e os conteúdos dialogam na intenção de melhor compreender as muitas realidades e, assim, tornarem as propostas curriculares cada vez mais próximas dos estudantes. Flexibilização A flexibilização está diretamente ligada ao grau de autonomia das instituições de educação profissional na construção de seus currículos. As disposições legais atuais atribuem às instituições de educação profissional autonomia para organizarem os currículos de suas ofertas de cursos técnicos, desde que tomem como referência as diretrizes curriculares nacionais para a educação profissional de nível técnico, considerando seus respectivos projetos pedagógicos e suas peculiaridades regionais. Esse princípio permite, ainda, que CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 13 os alunos construam itinerários diversificados, segundo seus interesses e possibilidades, não só para fases circunscritas de formação, como, também, com vistas à educação continuada, simultânea ou alternadamente a fases do exercício profissional. Contextualização A contextualização, por sua vez, sugere estratégias favoráveis à construção de significações em oposição à legislação anterior do Parecer CFE nº 45/72, na qual a organização dos cursos esteve sujeita a currículos mínimos padronizados, com matérias obrigatórias, desdobradas e tratadas como disciplinas estanques e dissociadas de um contexto. Um planejamento elaborado em consonância com o contexto, com a realidade do aluno e do mundo do trabalho, possibilita a realização de aprendizagens que façam sentido para ele, integrando a teoria à sua vivência e prática profissional. Princípios e suas contribuições E por que o foco nesses três princípios, citados anteriormente? Como eles contribuem para a estruturação dos cursos de EP? Segundo o Parecer CNE/CEB nº 16/99, esses três princípios constituem-se em eixos significativos, que possibilitam aos planos de cada instituição serem regidos por disciplinas, etapas ou módulos, atividades nucleadoras e projetos. A possibilidade de adoção de módulos na educação profissional de nível técnico, bem como a certificação de competências, representa importantes inovações trazidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/96, e pelo Decreto Federal nº 2.208/97. Módulo Informalmente, podemos dizer que módulo é parte de um todo, ou seja, unidade que, se combinada com outras, forma um conjunto harmonioso e coeso. Encontramos ainda a designação de módulos de ensino como percursos CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 14 e sequências didáticas que abrangem determinados assuntos de interesse dos estudantes ou aqueles considerados relevantes enecessários para sua formação. Resumindo, podemos considerar que, no estudo por módulos, o conteúdo é dividido em partes, de forma estratégica, onde cada uma delas pode ser definida como uma etapa do estudo, sendo, por isso, denominada módulo. Por módulo, o Parecer CNE/CEB nº 16/99 assim define: • Um conjunto didático-pedagógico sistematicamente organizado para o desenvolvimento de competências profissionais significativas; • Sua duração dependerá da natureza das competências que pretende desenvolver. Portanto, fica evidente a implementação de um currículo de EP organizado a partir do conceito de competências, onde a formação dos trabalhadores passa, então, a ter como objetivo o desenvolvimento de suas competências. Atenção Segundo Kuenzer (1998), nessa perspectiva, a formação profissional assume como finalidade capacitar indivíduos para que tenham condições de disponibilizar, durante seus desempenhos profissionais, os atributos adquiridos na vida social, escolar, pessoal e no trabalho, preparando-os para lidar com a incerteza, com a flexibilidade e a rapidez na resolução de problemas. Assim, entendemos que não se desenvolvem competências profissionais a partir da mera aplicação instrumental dos conteúdos ou sem incluir o exercício de atividades concretas de trabalho. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 15 A modularização A modularização é uma das formas de flexibilizar e organizar um currículo centrado na aprendizagem do aluno e na ampliação de competências por meio de módulos que: • Sejam entendidos como um conjunto de conhecimentos profissionais que, estruturados pedagogicamente, respondam a uma etapa do processo de formação. • Representem uma fase significativa do processo de aprendizagem. • Constituam as unidades básicas para a avaliação. • Suas respectivas durações estejam relacionadas à natureza das competências pretendidas e, portanto, dependam da constituição dessas competências. Seleção de conteúdos Na estruturação modular, deve-se explicitar a relação entre os conhecimentos teóricos e práticos necessários ao desempenho competente da função, de modo que a seleção dos conteúdos de ensino se constitua em uma etapa importante para o desenvolvimento das competências. Os conteúdos são, então, considerados meios para atingir as competências pretendidas e, por isso, são necessariamente significativos e atualizados para que não tenham um fim em si mesmo, devendo, portanto, ser assimilados pelos alunos de forma crítica e dinâmica, e mobilizados para a solução de situações concretas de trabalho. Como o Parecer nº 16/99 sugere também a organização por projetos, outra questão a se destacar na organização dos módulos é o tipo de vínculo estabelecido entre os projetos de trabalho e os conteúdos de ensino. É necessário que os projetos desenvolvidos remetam para a aprendizagem de conteúdos relevantes, quer estejam ou não estruturados em disciplinas, e que CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 16 tenham sido objetos de reflexão sobre seus significados para o desempenho profissional do indivíduo. Organizações modular e de conteúdos A estruturação dos módulos envolve a organização desses conteúdos, que pode ser feita de dois modos: por disciplinas ou por unidades temáticas e/ou blocos temáticos que reúnam conhecimentos de diferentes áreas, articulados por competências afins. Nessa proposta, são, então, delineados os itinerários profissionais que se estruturam: A partir da sequência de módulos, ordenada pedagogicamente. Com a finalidade de capacitar para o desempenho de uma ocupação. De modo que se alcance o desenvolvimento gradativo das competências exigidas pelo mercado de trabalho para o exercício de uma determinada profissão. Para o Parecer CNE/CEB nº 16/99, o currículo por módulos é uma organização que permite a constante reestruturação e atualização dos cursos profissionalizantes de acordo com as demandas do mundo do trabalho, tornando-se o mais adequado para o desenvolvimento dos conhecimentos e das habilidades fundamentais para a inserção do profissional na atual sociedade tecnológica. Considerações finais O estudo por módulos é também aplicado em diferentes segmentos e níveis ou modalidades da educação, não sendo, portanto, objeto apenas da educação profissional. Em uma perspectiva de educação continuada, esse modelo permite que o aluno também escolha os caminhos que deseja percorrer em sua trajetória CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 17 profissional de acordo com seu grau de escolaridade, conquistando, assim, novos desafios, sempre mais complexos, em cada degrau alcançado em sua carreira. Atenção A preocupação com a fragmentação das formações, bem como com a construção de um itinerário formativo, onde o aluno possa construir com considerável autonomia seu percurso de aprendizagens, elege a modularização como uma das alternativas possíveis para a superação dos currículos lineares e de itinerários de formação rígidos. Por isso, ancoradas nos princípios legais, as instituições devem apresentar capacidade de reformar-se, revendo suas propostas e valorizando a formação para a competência, uma vez que a proposta da formação por competência se contrapõe às formações que esquecem que se aprende para se inserir de forma competente e cidadã na sociedade e enfrentar seus desafios. Relembrando, o Parecer nº 16/99 (p. 33) concebe por competência “a capacidade de articular, mobilizar e colocar em ação valores, conhecimentos e habilidades necessários para o desempenho eficiente e eficaz de atividades requeridas pela natureza do trabalho”; além disso, considera que o conceito de competência amplia a responsabilidade das instituições educacionais, uma vez que exige novos conteúdos e novas formas de organizar o seu trabalho, além de estabelecer a flexibilidade como princípio que possibilita diversas formas de organização curricular. Destaca e indica, assim, a opção pela organização curricular por módulos. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 18 Atividade proposta Organize um breve resumo sobre a organização curricular por temas geradores e por módulo, destacando suas principais características. Chave de resposta: Em sua construção, você deverá destacar, no mínimo, as seguintes características: 1 – Em temas geradores, a interdisciplinaridade e o diálogo. Poderá também apresentar as fases que, segundo Gadotti, descrevem o desenvolvimento do trabalho por temas geradores; 2 – Em organização por módulos, a interdisciplinaridade, a contextualização e a flexibilização. Poderá também abordar os itinerários formativos. Para enriquecer seu resumo, conceitue temas geradores e módulos. Aprenda Mais Material complementar Para saber mais sobre a educação libertadora, leia o livro Pedagogia do Oprimido. Escrito durante o exílio, em 1968, o livro Pedagogia do Oprimido é considerado a obra mais completa e importante de Paulo Freire. Traduzida em vários idiomas, tornou-se referência para o entendimento da prática de uma pedagogia libertadora e progressista. Nela, estão os temas, dentre outros, que sustentam a concepção freireana: conscientização, diálogo, cooperação e educação bancária. Quando Paulo Freire fala em pedagogia, ele não está falando apenas das relações que se estabelecem na escola e na sala de aula; a sua pedagogia está relacionada a todo o contexto de opressão social e, consequentemente, de falta de democracia. Para ele, toda educação é política, assim como toda política é educativa. Não existe neutralidade. Portanto, o seu método dialógico, problematizador, não é apenas um método ou uma teoria pedagógica, mas uma práxis que propõe a libertação da opressão. CURRÍCULO:TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 19 Referências BRASIL. Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Parecer nº 16/99. Disponível em: http://www.educacao.pr.gov.br/arquivos/File/pareceres/parecer161 999.pdf BRASIL. Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica. Decreto L egislativo nº 2.208, de 17 de abril de 1997. Instituía nova educação profissional do Brasil. Disponível em: www.mec.gov.br/semtec/educprof/ftp/dec2208.rtf Acesso em: 20 jan. 2015. BARRETO, V. Paulo Freire para educadores. São Paulo: Arte & Ciência, 1998. COLL, Cesar (Org). Os conteúdos na reforma. Porto Alegre: Artmed, 2000. FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. São Paulo: Paz e Terra, 1999. ______. Pedagogia do oprimido. Reimp. São Paulo: Paz e Terra, 2009. GADOTTI, Moacir. Convite à leitura de Paulo Freire. 2. ed. São Paulo: Scipione, 1991. KUENZER, Acacia Zenilda. Educação profissional: categorias para uma nova pedagogia do trabalho. Boletim Técnico do Senac, Rio de Janeiro, v. 25 n. 2, p. 19-29, maio/ago. 1999. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm http://www.educacao.pr.gov.br/arquivos/File/pareceres/parecer161999.pdf http://www.educacao.pr.gov.br/arquivos/File/pareceres/parecer161999.pdf http://www.mec.gov.br/semtec/educprof/ftp/dec2208.rtf CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 20 LEITE, Lúcia Helena Alvarez. Pedagogia de projetos: intervenção no presente. Presença Pedagógica, v. 2, n. 8. mar./abr., 1996. LITWIN, Edith. Tecnologia Educacional-políticas, histórias e propostas. Porto Alegre: Artmed, 2001. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 21 Exercícios de fixação Questão 1 A estrutura por temas geradores apresenta algumas características que a distingue de outras estruturas mais tradicionais. São características da estrutura por temas geradores: I. Diz respeito ao mundo do trabalho do estudante, de maneira a favorecer uma aprendizagem significativa. II. Promove o encontro e o diálogo de várias disciplinas, permitindo um trabalho interdisciplinar. III. Possibilita o estabelecimento de relações e associações entre conhecimentos prévios e novos conhecimentos. IV. Viabiliza o desenvolvimento da autonomia e do senso crítico do estudante, além da aproximação entre professor e aluno. a) Assinale a alternativa que melhor define sua resposta b) Apenas a alternativa I está correta c) Apenas as alternativas I, II e III estão corretas d) Nenhuma das alternativas está correta e) Todas as opções estão corretas Questão 2 A interdisciplinaridade é configurada no trabalho com temas geradores, uma vez que o tema em estudo caracteriza-se como o ponto de encontro das diferentes áreas que formam os conhecimentos científicos. São características da interdisciplinaridade: I. Leva à superação do modo fragmentado e linear dos conteúdos. II. Facilita o diálogo entre os conhecimentos de áreas afins ou de áreas diferentes. III. Garante o desenvolvimento de todos os conteúdos designados pelas disciplinas. IV. Contribui para processo de descoberta e de criação dos temas. a) Assinale a alternativa que melhor define sua resposta b) Apenas a alternativa I está correta CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 22 c) Apenas as alternativas I e II estão corretas d) Nenhuma das alternativas está correta e) Todas as opções estão corretas Questão 3 O ensino por meio de temas geradores ligados ao cotidiano influencia diretamente no envolvimento dos alunos com as aulas e, por consequência, no êxito da aprendizagem, proporcionando-lhes um conhecimento relacionado com suas vidas. Ordene as etapas, segundo Gadotti, que devem ser seguidas para o desenvolvimento do trabalho com os temas geradores. Para isso, atente para as características de cada uma das etapas. ( ) Etapa que parte de uma situação na qual alunos e professores buscarão juntos as respostas necessárias para a compreensão dos temas estudados; o aluno reconhece suas limitações e a necessidade de aprimorar seus conhecimentos (problematização). ( ) Etapa que se manifesta no momento em que a temática é apresentada ao grupo e que ocorre sempre a partir de uma situação real (tematização). ( ) Etapa na qual se realiza o levantamento de temas de grande relevância na vida dos estudantes (investigação). Assinale a alternativa que melhor define sua resposta. a) A ordem correta é 3, 1 e 2 b) A ordem correta é 3, 2 e 1 c) A ordem correta é 1, 2 e 3 Questão 4 O diálogo é considerado, segundo Freire, pressuposto da organização por temas geradores e por estabelecer, também, uma relação com o que ele denomina de educação libertadora. Assinale as opções que concordam com a afirmativa acima. I. O processo educativo configura-se em torno de situações/problemas reais, as quais ganham sentido por meio da reflexão crítica. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 23 II. Os temas geradores são trabalhados inversamente às propostas tradicionais, pois colocam o estudante no centro da discussão. III. A oportunidade de dar voz e vez às questões levantadas pelo grupo reforça a ideia de que, quanto mais próximo de suas vivências, mais significativo será o aprendizado. IV. Numa estratégia da educação libertadora, o professor bancário, que tudo sabe, e o aluno passivo, que nada sabe, agem em sintonia. a) Apenas a alternativa I e II b) Apenas as alternativas I, II e III c) Nenhuma das alternativas d) Todas as opções estão corretas Questão 5 Numere as colunas estabelecendo a relação entre os elementos apresentados. 1. Codificação 2. Descodificação 3. Situações-limites ( ) Exploração do tema e o que se conhece até aquele momento da situação em questão. ( ) Uma primeira aproximação com a realidade. ( ) Leitura inicial que os estudantes têm sobre determinado tema. ( ) Reconhecimento de que é necessário buscar outras fontes de informações. Assinale a alternativa que melhor define sua resposta. a) A ordem correta é 2, 1, 1 e 3 b) A ordem correta é 3, 1, 1 e 2 c) A ordem correta é 1, 1, 2 e 3 d) A ordem correta é 2, 1, 3 e 1 Questão 6 Segundo a legislação atual, a organização curricular por módulos requer o atendimento a três princípios. A seguir, numere as colunas de modo que os três princípios estejam relacionados às suas características. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 24 1. Flexibilização 2. Interdisciplinaridade 3. Contextualização ( ) Deve ir além da justaposição de disciplinas, abrindo-se a possibilidade de relacioná-las em atividades ou projetos de estudos, pesquisa e ação. ( ) Autonomia conferida à instituição para construção de currículos em diferentes perspectivas, como oferta de cursos, e na organização de conteúdos por módulos. ( ) Forma de abordar significativamente os conteúdos, situando-os no tempo e espaço e na realidade em que se está envolvido. A correta relação, de cima para baixo, entre os três princípios, encontra-se na sequência: a) 1/2/3 b) 1/3/2 c) 2/1/3 d) 2/3/1 Questão 7 Sobre a conceituação do que seja um módulo, é incorreto afirmar: a) Conjunto de disciplinas estanques e matérias obrigatórias com base em currículos mínimos padronizados. b) Parte de um todo, ou seja, unidade que, se combinada com outras, forma um conjunto harmonioso e coeso. c) Conjunto didático-pedagógico organizado sistematicamente para o desenvolvimento de competências profissionais significativas. d) Percursos e sequências didáticas que abrangem assuntos considerados relevantes e necessários para aformação profissional. Questão 8 A modularização é uma das formas de flexibilizar um currículo centrado na aprendizagem do aluno e na ampliação das competências por meio da CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 25 organização de módulos. Assinale a opção que melhor caracteriza essa estrutura. a) Organização dos conteúdos por disciplina ou unidades temáticas, reunindo conhecimentos de diferentes áreas e articulados por competências afins. b) Organização dos conteúdos por disciplina ou unidades temáticas que reúnem diferentes áreas do conhecimento. c) Organização dos conteúdos por disciplina ou unidades temáticas, que são necessários para a formação profissional. d) Organização dos conteúdos por disciplina ou unidades temáticas que reúnem conhecimentos de diferentes áreas do conhecimento e competências. Questão 9 Uma das características significativas do estudo por módulo diz respeito à possibilidade de o aluno construir com certa autonomia o seu itinerário profissional a partir de uma sequência de módulos, ordenada pedagogicamente, visando à capacitação profissional e ao alcance das competências requeridas para o exercício da profissão. A afirmativa apresentada está: a) Certo b) Errado Questão 10 Leia atentamente as duas afirmações a respeito da atenção dedicada aos conteúdos no desenvolvimento da proposta modular. 1. Na estruturação modular, os conteúdos são selecionados desde que sejam significativos e constantemente atualizados, constituindo-se meios para atingir as competências pretendidas. 2. A organização dos conteúdos pode ser feita por disciplinas ou por unidades temáticas e/ou blocos temáticos, desde que esses conteúdos sejam mobilizados para a solução de situações concretas de trabalho e, consequentemente, não tenham um fim em si mesmo. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 26 Sobre o status das duas afirmações (corretas ou incorretas) e sobre a relação lógica entre elas, é correto afirmar: a) Ambas estão corretas e mantêm entre si uma relação de complementaridade. b) Ambas estão incorretas e não há relação lógica entre elas. c) Apenas a segunda está correta, apesar de justificar a primeira. d) Apenas a primeira está correta, embora a segunda busque complementá-la. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 27 Aula 5 Exercícios de fixação Questão 1 - E Justificativa: Todas as opções apresentam características relevantes referentes aos temas geradores, pois, contrariando as estruturas tradicionais, promovem a interdisciplinaridade e colocam professor e aluno frente a um trabalho coletivo no processo de descoberta e de seleção dos temas geradores. Questão 2 - C Justificativa: As opções I e II estão corretas, pois traduzem a conceituação da interdisciplinaridade: o diálogo entre as disciplinas e a oposição à fragmentação e compartimentalização dos conteúdos. A opção III está errada, visto que a interdisciplinaridade promove a articulação entre os conteúdos em oposição ao trabalho com disciplinas isoladas, que dificulta que a educação cumpra seu papel de formar cidadãos. A “garantia” do desenvolvimento dos conteúdos, entretanto, passa por questões, como motivação dos estudantes, metodologia compatível com as características da disciplina e seus conteúdos, seleção de materiais adequados ao desenvolvimento do trabalho e avaliação dos resultados obtidos e redirecionamento das propostas, caso eles não sejam satisfatórios. A opção IV está errada, pois a interdisciplinaridade ocorre a partir da discussão e seleção dos temas geradores; assim, ela não é o ponto de partida para descoberta e criação da temática. Questão 3 - A Justificativa: A ordenação encontrada apresenta a sequência em que as etapas ocorrem. A investigação corresponde à etapa inicial, em que se analisa uma situação significativa e de interesse do grupo, procedendo-se ao levantamento de temas para discussão. Na etapa seguinte, tematização, o tema é apresentado ainda com a leitura prévia dos alunos e, ao passo que se CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 28 aprofunda a discussão, são levados a perceber que há mais a se revelar sobre o assunto. Na terceira etapa, problematização, estabelece-se o diálogo permanente entre teoria e prática, em que o tema precisa ser questionado, problematizado por meio de uma análise minuciosa de todos os envolvidos no processo educativo. Questão 4 - B Justificativa: As opções I, II e III estão de acordo com a relevância do diálogo no trabalho com temas geradores por concordarem com a ideia da educação libertadora. A opção IV está errada, pois a educação bancária é contrária ao diálogo, por não se caracterizar como um espaço de pesquisa, exposição de práticas, dinâmicas e vivências que possibilitam a construção coletiva do conhecimento. Questão 5 - A Justificativa: A ordem encontrada é: 2 (descodificação); 1 (codificação); seguida do número 3 (situações-limites). Questão 6 - C Justificativa: A opção C relaciona acertadamente os três princípios às suas características, enquanto as demais não apresentam a sequência correta. Questão 7 - A Justificativa: A opção A está errada, pois contraria a ideia de que módulo pressupõe a ideia de coesão, harmonia e identidade entre suas partes. As opções b, c e d apresentam as características de um módulo. Questão 8 - A Justificativa: a) A opção A é a melhor e, portanto, a mais completa, porque destaca a organização dos conteúdos nas duas formas e a reunião de conhecimentos de diferentes áreas, articulados por competências afins. CURRÍCULO: TEORIA E PRÁTICA EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 29 b) Opção incompleta, pois omite a relevância das competências afins, conforme destacado no Parecer CNE nº 16/99. c) Alternativa incompleta, pois, embora destaque a importância dos conteúdos para a formação profissional, como a opção B, omite a questão das competências afins ou pretendidas para a formação requerida. d) Opção incompleta, pois, embora destaque a relevância das competências, deixa de denominá-las como competências afins, condição requerida pela organização por módulos, ou seja, deixa de destacar que a relação e a afinidade dessas competências com os conhecimentos das diferentes áreas são o fio condutor dessa estrutura. Questão 9 - A Justificativa: A afirmativa está correta, pois aborda os requisitos fundamentais para a construção de um itinerário formativo: a sequência ordenada pedagogicamente de módulos e o vínculo com as competências afins e requeridas pelo mercado de trabalho para o exercício da profissão. Questão 10 - A Justificativa: a) Opção correta, pois ambas as afirmações caracterizam corretamente o cuidado tanto com a seleção quanto com a organização dos conteúdos, sendo que a primeira destaca a importância de serem meios para a constituição das competências requeridas e, consequentemente, não terem fim em si mesmo, conforme é dito na segunda afirmação. b) Opção errada, pois as duas afirmações estão corretas, existindo uma relação de complementaridade entre elas. c) Opção errada, pois a primeira afirmação também está correta e relacionada com a segunda. d) Opção errada, pois a segunda afirmação também está correta e complementa a primeira.